Dissertação apresentada como requisito para obtenção do título de Mestre em Gestão em Saúde e Trabalho pela Universidade do Vale do Itajaí. Dissertação (Mestrado) – Universidade do Vale do Itajaí, Pós-Graduação em Saúde e Gestão do Trabalho, 2009.
- Educação na Saúde – Origens
- Educação na Saúde hoje
- O papel do docente
- Questões epistemológicas
A X Conferência Nacional de Saúde, em 1996, reitera isso, além de reforçar a importância de uma política de desenvolvimento de recursos humanos para a saúde. A III Conferência Nacional de Gestão do Trabalho e Educação em Saúde propõe então discussões para consolidar as ações da SGTES, fornecendo bases para a implementação da política de desenvolvimento de recursos humanos em saúde, com foco especial nas questões relacionadas à educação (BRASIL, 2006).
- Breve resgate
- E a na área da saúde?
- Base em Fleck – Visão Sociológica
- A construção do conhecimento da educação na saúde
Com base no conceito de Estilo de Pensamento trazido por Löwy (1994), fica claro que a teoria de Fleck concorda com o modelo dialético, uma vez que diferentes grupos de pessoas (coletivos) podem construir diferentes estilos de pensamento sobre o assunto. O estilo de pensamento é uma forma de compreender, ver e interpretar determinado fato científico a partir dos aspectos sociais e históricos que o permeiam e ao sujeito. Quando a resistência já não é possível, estabelece-se uma nova forma de pensar e inicia-se um novo ciclo de defesa.
A produção de conhecimento sobre saúde ilustra perfeitamente esta teoria epistemológica, a começar pelo próprio conceito de saúde, que em sua história abraçou diferentes estilos de pensamento e apoiou diferentes grupos de pensamento com diferentes compreensões deste conceito. O que já era complexo e composto por vários estilos de pensamento diferentes e até conflitantes está se tornando ainda mais complexo?
O desafio sanitário e o desafio pedagógico
O conceito de saúde atualmente em vigor, publicado pela OPAS/OMS, visa desenvolver e manter a integridade e as capacidades das pessoas e populações (OPAS/OMS, 1993), o que não se limita ao setor saúde. Como o conceito abrange aspectos físicos, psicológicos e sociais, entende-se a necessidade de diferentes profissionais trabalharem juntos para alcançar a promoção da saúde nessas formas, sendo necessária também a articulação interdisciplinar e intersetorial. Assim, dado que as práticas em saúde fragmentam o sujeito e não são conduzidas de forma que leve em conta a complexidade da promoção da saúde; e dado que os mesmos profissionais que realizam tais práticas na assistência são os mesmos profissionais que ensinam na saúde; tempo e estudos devem ser dedicados à formação de professores para o setor da saúde que inclua essas especificidades e ao mesmo tempo promova uma visão integral da saúde que ultrapasse os muros da sala de aula e entre nas práticas cotidianas dos profissionais de saúde. para a população brasileira.
Para apoiar esta suposição, consideramos aqui os estudos de Nadir Castilho (1995) sobre o uso de livros didáticos e seu conteúdo explícito ou oculto por professores de ciências do ensino fundamental em programas de saúde. Assim, assim como na pesquisa de Castilho (1995), identificou-se que professores que tinham uma percepção única de saúde utilizavam modelos educacionais tradicionais; os professores que qualificam profissionais de saúde para atuar no SUS e que possuem uma visão biomédica do processo de trabalho podem utilizar modelos educacionais tradicionais para reforçar essa visão, 'inculcando', como diz Garcia (2001), um modelo que vai na contramão do sistema baseado na todo.
Problematização: outro desafio
Para ser válida, toda ação educativa deve ser precedida de uma reflexão sobre a pessoa e de uma análise do modo de vida concreto da pessoa concreta que queremos educar (Freire, p.34, 1980). Sob o pretexto das cinco etapas do arco Maguerez (Berbel, 1999), muitos afirmam usar a problematização quando na verdade não o fazem. A problematização é mais do que completar etapas de um arco, é promover a reflexão sobre o que era dado como verdade, gera desconforto, oferece oportunidades para novas formas de pensar, é fundamental comparar essas formas de olhar e fazer escolhas conscientes.
Outra questão importante é que na análise das categorias epistemológicas de Fleck e do processo de estabelecimento de um estilo de pensamento, identificamos a problematização como uma excelente ferramenta de emaranhamento que abre portas para o estabelecimento de um novo estilo de pensamento. No entanto, esta ferramenta só será eficaz se quem a utiliza souber como funciona, pelo que é importante conhecer os fundamentos e princípios da opção pedagógica.
Desenvolvimento da Pesquisa
Para alcançar esses aspectos da estratégia de discussão em grupo, foi utilizada a técnica de Workshop publicada pelo Grupo de Estudos do Terceiro Setor – GETS e United Way of Canada – UWC-CC. Portanto, as oficinas foram realizadas não apenas com o objetivo de coletar dados, mas principalmente com o objetivo de identificar e desenvolver competências no grupo de participantes tanto na área profissional da saúde quanto na área educacional, para a prática docente mais consciente para a qualificação de, entre outras coisas, a. profissionais de saúde com o objetivo final de consolidar o SUS por meio da problematização dos processos de trabalho desses profissionais e de suas práticas, e não simplesmente realizando um ato educativo em si. Considerou-se também o objetivo de despertar no grupo de participantes a necessidade de ter uma atitude reflexiva relativamente à sua atividade docente de forma constante e sistematizada, como expressa Pimenta (2005).
A formação de professores na tendência reflexiva configura-se como uma política que visa a valorização do desenvolvimento pessoal-profissional dos professores e das instituições escolares, porque pressupõe condições de trabalho que permitam a formação contínua dos professores, no local de trabalho, em redes de autoformação e em cooperação com outras instituições de formação (Pimenta, p. 31, 2005). O objetivo final desta pesquisa é contribuir para o desenvolvimento de um projeto piloto de formação de professores para o SUS-TO, levando em consideração os resultados e discussões das oficinas.
Os participantes das oficinas
As oficinas
Legenda: E – Enfermeiro TE – Técnico em Enfermagem AS – Assistente Social CD – Cirurgião Dentista P – Psicólogo Tabela 1: perfil dos participantes das oficinas de discussão sobre educação em saúde. Discussão sobre os principais problemas encontrados na carreira docente na saúde 17.07.09 Discussão sobre o planejamento das aulas Os participantes responderam a um roteiro.
Análise dos dados coletados
DATA META ATIVIDADES 21.05.09 Discutir a trajetória profissional de. participantes em relação à profissão de saúde e ao ensino. Discussão sobre os principais problemas encontrados na carreira docente na saúde 17.07.09 Discussão sobre o planejamento das aulas Os participantes responderam a um roteiro. questões que subsidiaram a discussão sobre planejamento de aula. Os trabalhadores da saúde reproduzem os modelos pedagógicos de sua formação tradicionalista sem planejar conscientemente uma ação educativa;
Neste estudo, utilizarei especialmente as características a, d e e para analisar o conteúdo das oficinas, ou seja, uma forma de ver, compreender e compreender, conduzindo a um corpo de conhecimentos e práticas compartilhados por um coletivo de pensamento com formação específica .
Inferências a partir dos Blocos Temáticos de Análise
A formação na área da saúde, principalmente a graduação, apresenta ao aluno um estilo de pensamento que possui uma forma de ver, compreender e conceituar os processos de saúde a partir da lógica biomédica, o que leva a um conjunto de saberes e práticas voltadas à cura e prevenção de doenças . , distanciando a prática desses profissionais da lógica. Neste relatório podemos ver claramente o impacto que os processos de formação têm no estabelecimento e fortalecimento de um estilo de pensamento. Nesse caso, o estilo de pensamento biomédico é dominante e permeará as práticas de saúde que serão desenvolvidas pelos futuros profissionais no âmbito do SUS, onde a lógica se inverte.
Como a transição de uma modalidade para outra é pouco discutida e promovida, surge um estilo de pensamento dominante (biomédico), que já possui muito conhecimento. Porém, para transformar o corpo de conhecimentos e práticas de um estilo de pensamento, é necessário problematizar as formas de vê-lo, compreendê-lo e concebê-lo.
Conclusões
Para introduzir um novo estilo de pensar por meio de ações educativas, os professores devem estar conscientes desse objetivo maior do ensino em Saúde Coletiva e de como alcançá-lo. A formação de professores para o SUS deve conscientizá-los de que a ação educativa por eles desenvolvida nada mais é do que uma compulsão para pensar pela integridade das práticas de saúde, e para tanto a problematização deve ser utilizada como ferramenta para tornar o PE também biomédico. complicado. sistema para introdução de EP completo. O professor pode, portanto, usar a problematização para complicar um determinado estilo de pensamento e implementar um novo ou fortalecer e manter um estilo de pensamento que já foi implementado.
Esses professores precisam sentir que o seu desempenho está relacionado ao seu estilo de pensamento, sentir coerência e apoio no pensamento coletivo. O propósito e o esforço do grupo são legítimos, mas se o que se deseja são ações educativas verdadeiramente impactantes e decisivas na consolidação de um novo estilo de pensamento que apoie a consolidação do SUS, então o ensino deve ser considerado como um verdadeiro local de trabalho na saúde pública .
Matriz para um currículo formal
Este eixo fornecerá toda a base para o desenvolvimento e continuação do curso, nomeadamente para estilos de pensamento na área da saúde e da pedagogia. O objetivo aqui é mostrar que dependendo do estilo de pensamento escolhido (biomédico ou integral), os temas acima mencionados e seus conceitos podem mudar radicalmente, e que essa escolha afetará também as formas de ver e conceituar tais temas. como seus métodos de aprendizagem. Da mesma forma que serão discutidos diferentes estilos de pensamento no campo da saúde, serão discutidos diferentes estilos de pensamento no campo pedagógico.
O objetivo aqui é discutir formas de construção do conhecimento (de saúde) dentro do estilo tradicional de pensamento e dentro do estilo progressista de pensar no campo pedagógico. Esta discussão se propõe a estimular os professores a refletirem sobre qual desses estilos favorece mais o estilo de pensamento adotado no campo da saúde que será objeto de estudo da ação educativa.
Criação de um Coletivo de Pensamento
A criação de uma rede de professores poderia contribuir muito para fortalecer o grupo como uma “categoria” indispensável na saúde pública. Através desta rede é possível realizar demandas, propostas, projetos, pesquisas, incentivar o registro de experiências em educação em saúde, entre muitas outras atividades para fortalecer a educação em saúde. Cabe às escolas e aos setores de educação em saúde do SUS incentivar essa organização e discussão em torno da educação no SUS.
Esse tipo de preocupação dos trabalhadores de saúde que realizam a docência por conta própria deveria ser alvo de preocupações e sugestões de quem gerencia os processos de gestão da educação em saúde em geral. Esta preocupação evitará o apelo “cada um por si e Deus por todos” e promoverá a criação de uma mente colectiva, capaz de se organizar e lutar pelos seus interesses.
Considerações Finais
Espero contribuir com a formação de professores do SUS-TO por meio do desenvolvimento desta proposta, que já prevê trabalhar com professores dos cursos propostos para os Planos de Educação Permanente do Tocantins aprovados ou a serem aprovados pelos Comitês Intergestores Bilaterais e Trilaterais, financiado pela Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (Portaria GM/MS 1.996/07). Formação Pedagógica do Programa de Formação de Pessoal de Saúde de Nível Médio (Projeto de Grande Escala). Estilos de pensamento em saúde coletiva: um estudo da produção da FSP-USP e da ENSP-FIOCRUZ, entre 1948 e 1994, por.
Dado o crescimento da área de formação profissional em saúde no SUS nos últimos anos e os investimentos realizados nessa área a partir da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (Regulamento), cada vez mais profissionais de saúde assumem eles próprios a função docente sem adequação adequada. preparação, tanto na área da saúde como na área da saúde. tanto na área pedagógica quanto na área da saúde, uma vez que a graduação não é preparação para atuar no serviço público. Nesse contexto, o objetivo da pesquisa é desenvolver competências sanitárias e metodológicas entre os profissionais de saúde da SES – TO para a educação em saúde.