UNIVERSIDADE DE S˜AO PAULO INSTITUTO DE F´ISICA
Modelos para crescimento de superf´ıcie
Andre Cardoso Barato
Orientador: Prof. Dr. M´ario Jos´e de Oliveira
Disserta¸c˜ao de Mestrado submetida ao Instituto de F´ısica
da Universidade de S˜ao Paulo para a obten¸c˜ao do t´ıtulo de
Mestre em Ciˆencias.
Banca Examinadora:
Prof. Dr. S´ılvio Roberto de Azevedo Salinas (IFUSP) Prof. Dr. F´abio David Alves Aar˜ao Reis (IF-UFF)
Prof. Dr. M´ario Jos´e de Oliveira (IFUSP) S˜ao Paulo
Agradecimentos
Aos meus pais Ana Maria Cardoso Barato e Jarbas Novelino Barato, por muitas coisas.
Ao meu orientador M´ario Jos´e de Oliveira, pela excelente orienta¸c˜ao.
Resumo
Neste trabalho, estudamos modelos para crescimento de superf´ıcie. Mais
especificamente, trabalhamos com um modelo que respeita a condi¸c˜ao RSOS e outro modelo que apresenta uma transi¸c˜ao de rugosidade da classe de universalidade da percola¸c˜ao direcionada. Obtivemos resultados com
Abstract
In this work we studied models for surface growth. More specifically, we worked with a model that presents the RSOS restriction and another one that displays a depinning transition in the direct percolation universality
Sum´
ario
1 Introdu¸c˜ao 11
1.1 O crescimento de superf´ıcies . . . 11
1.1.1 Deposi¸c˜ao aleat´oria . . . 13
1.1.2 As equa¸c˜oes EW e KPZ . . . 15
1.1.3 Alguns modelos . . . 18
1.2 Equa¸c˜ao mestra . . . 19
1.3 Percola¸c˜ao . . . 22
1.3.1 O estado percolativo . . . 22
1.3.2 Modelo unidimensional . . . 23
1.3.3 Solu¸c˜ao na rede de Bethe . . . 24
1.3.4 Percola¸c˜ao direcionada . . . 26
1.4 Processo de Contato . . . 28
1.4.1 Evolu¸c˜ao temporal da probabilidade . . . 29
1.4.2 Expoentes cr´ıticos . . . 32
2 Os modelos estudados 33 2.1 Modelo I . . . 33
2.2 Modelo II . . . 34
2.2.1 Transi¸c˜ao de rugosidade . . . 35
2.2.2 Rela¸c˜oes de escala das camadas . . . 36
2.2.3 Rela¸c˜oes de escala da largura da interface . . . 37
2.2.5 Percola¸c˜ao direcionada com acoplamento direcionado . 39
2.3 Outros modelos com transi¸c˜ao de ancoramento . . . 41
3 Aproxima¸c˜ao de campo m´edio 43 3.1 Modelo I . . . 43
3.1.1 Caso EW,q = 1/2 . . . 44
3.1.2 Caso KPZ, q6= 1/2 . . . 46
3.2 Modelo II restrito . . . 49
3.2.1 Fase lisa,q <1/3 . . . 50
3.2.2 Ponto cr´ıtico,q = 1/3 . . . 52
3.2.3 Fase rugosa, q >1/3 . . . 54
3.3 Aproxima¸c˜ao de campo m´edio aos pares . . . 56
4 Resultados de simula¸c˜ao 60 4.1 Obten¸c˜ao de qc para o modelo II restrito . . . 60
4.2 O modelo II com o parˆametro h . . . 64
5 O estado estacion´ario do modelo RSOS 69 5.1 Encontrando o estado estacion´ario . . . 69
5.2 Aplica¸c˜ao no modelo II . . . 73
Cap´ıtulo 1
Introdu¸
c˜
ao
1.1
O crescimento de superf´ıcies
O crescimento de superf´ıcies [1, 2, 3, 4, 5] ´e observado tanto em proces-sos naturais como em laborat´orio. Como exemplo deste ´ultimo, citamos a t´ecnica experimental denominada epitaxia por feixe molecular, que permite o crescimento de superf´ıcies em n´ıvel atˆomico. Dentro da tradi¸c˜ao da f´ısica
estat´ıstica, utilizamos modelos simplificados que contenham os ingredientes essenciais para a descri¸c˜ao de um determinado fenˆomeno, no presente caso o processo de crescimento de superf´ıcie. Tais modelos, s˜ao o objeto de estudo deste trabalho.
Neste texto s˜ao considerados modelos estoc´asticos para crescimento de
superf´ıcie, tais que o substrato ´e discretizado formando um reticulado de pontos e a cada ponto do reticulado associamos uma altura. A cada instante de tempo um s´ıtio do reticulado ´e escolhido aleatoriamente. Depois de esco-lhido ele pode ter sua altura alterada dependo das regras do modelo. A altura
Figura 1.1: Poss´ıvel configura¸c˜ao de uma rede unidimensional para um mo-delo de crescimento de superf´ıcie
Definimos as seguintes grandezas:
h= 1
N
N
X
i=1
hi (1.1)
e
w=
v u u t 1
N
N
X
i=1
h(h−hi)2i, (1.2)
onde N =Ld ´e n´umero de s´ıtios de uma rede hiperc´ubica d dimensional de
lado Le hi ´e altura do s´ıtio i. Assim, h ´e a altura m´edia de uma realiza¸c˜ao.
A altura m´edia sobre v´arias realiza¸co˜es ´e dada por:
h=hhi. (1.3)
A grandeza w, conhecida como largura da interface, ´e o desvio padr˜ao das
alturas da superf´ıcie.
Em substratos de tamanho finito, para modelos com correla¸c˜oes entre os s´ıtios, a largura da interface satura depois de um certo tempo. Portanto, temos dois regimes: um dinˆamico em que a largura da interface cresce com
o tempo e outro estacion´ario onde a largura da interface satura. Denotamos por wsat a largura da interface de satura¸c˜ao e tx o tempo em que a largura
da interface satura. Definimos os expoentesα,β e z da seguinte forma [1]:
w(L, t)∼tβ [t << tx], (1.4)
1.1 O crescimento de superf´ıcies 13
e
tx ∼Lz. (1.6)
Os expoentes β, α e z s˜ao conhecidos como expoentes de crescimento, de rugosidade e dinˆamico, respectivamente. Os trˆes expoentes n˜ao s˜ao indepen-dentes, pois a largura da interface segue a rela¸c˜ao de escala de Family- Vicsek
[6]
w(L, t) = Lαf
µ
t Lz
¶
, (1.7)
onde f(x) ´e uma fun¸c˜ao universal tal quef(∞) ´e finito. Al´em disso para x pequeno, f(x) deve se comportar como f(x) ∼ xβ, onde β foi escolhido de
modo que w n˜ao dependa de L no regime t << Lz. Isto ´e, Lα(t/Lz)β deve
independer de L, o que acarreta βz = α e, portanto, z = α/β. Notamos que os expoentes α, β e z n˜ao tˆem rela¸c˜ao com um ponto cr´ıtico. Eles est˜ao relacionados `a invariˆancia de escala da largura da interface (1.7).
1.1.1
Deposi¸
c˜
ao aleat´
oria
Consideramos aqui o modelo mais simples para o crescimento de uma su-perf´ıcie. Numa rede d dimensional discreta, a cada instante de tempo
es-colhemos um s´ıtio aletoriamente e aumentamos sua altura de uma unidade. Denotamos por P(h, n) a probabilidade de um s´ıtio ter altura h ap´os a de-posi¸c˜ao de n part´ıculas, a probabilidade de um s´ıtio ser escolhido ´ep= 1/N (N ´e o n´umero de s´ıtios) e o tempo ´e igual ao n´umero de part´ıculas
depo-sitadas por s´ıtio, t = n/N. Podemos calcular a largura da interface para a deposi¸c˜ao aleat´oria da seguinte forma [1]:
P(h, n) = n!
h!(n−h)!p
h(1
−p)n−h, (1.8)
hhi=
n
X
h=1
hP(h, n) = np=t,
hh2i=
n
X
h=1
Ent˜ao,
w2 =hh2i − hhi2 =t(1−p) =⇒w∼t12. (1.10)
Portanto, para o caso da deposi¸c˜ao alet´oria, β = 1/2. Como n˜ao existe
correla¸c˜ao entre os s´ıtios, o desvio padr˜ao das alturas n˜ao satura, assim, o expoente de rugosidadeα n˜ao est´a definido.
O modelo que acabamos de descrever bem como modelos mais compli-cados de crescimento de superf´ıcies podem ser descritos por uma equa¸c˜ao
de Langevin. Nessa formula¸c˜ao consideramos o problema numa escala me-sosc´opica, onde a altura h ´e considerada uma vari´avel cont´ınua. Como ilus-tra¸c˜ao deste m´etodo escrevemos uma equa¸c˜ao de Langevin para a deposi¸c˜ao alet´oria
∂h(x, t)
∂t =F +η(x, t), (1.11)
onde F ´e uma constante, interpretada como o n´umero m´edio de part´ıculas chegando no s´ıtioxpor unidade de tempo eη(x, t) ´e o ru´ıdo com as seguintes propriedades
hη(x, t)i= 0
hη(x, t)η(x′, t′)i=Dδd(x−x′)δ(t−t′), (1.12) ondexpercorre os s´ıtios de uma rede hiperc´ubica de dimens˜aodde espa¸camento a. Usando as equa¸c˜oes (1.11) e (1.12), podemos calcular a largura da interface
como fun¸c˜ao do tempo:
h=F t+
Z t
0
η(x, t′)dt′ =⇒ hhi=F t. (1.13) Logo
h− hhi=
Z t
0
η(x, t′)dt′ (1.14)
e portanto
w2 =h(h− hhi)2i=h
Z t
0
η(x, t′)dt′
Z t
0
η(x, t′)dt′i= =
Z t
0
Z t
0 h
η(x, t′)η(x, t′′)idt′′dt′ =
Z t
0
1.1 O crescimento de superf´ıcies 15
Apesar de a equa¸c˜ao (1.11) ser uma aproxima¸c˜ao cont´ınua para a deposi¸c˜ao alet´oria discreta, a partir dela obtemos o mesmo expoente β = 1/2 obtido com a solu¸c˜ao exata dada por (1.10). Portanto, esperamos que a aplica¸c˜ao do mesmo m´etodo para modelos mais complicados, possa resultar nos expoentes
corretos para o modelo.
1.1.2
As equa¸
c˜
oes EW e KPZ
As equa¸c˜oes de Edwards-Wilkinson (EW) [7] e de Kardar-Parisi-Zhang (KPZ) [8] s˜ao equa¸c˜oes de Langevin para o crescimento de superf´ıcies que definem
duas classes de universalidade. A partir destas equa¸c˜oes podemos obter os expoentes cr´ıticosα, β ez que caracterizam as classes de universalidade EW e KPZ.
A equa¸c˜ao EW ´e dada por
∂h(x, t)
∂t =ν∇
2h+η(x, t), (1.16)
onde o ru´ıdo possui as propriedades (1.12). A equa¸c˜ao KPZ ´e dada por
∂h(x, t)
∂t =ν∇
2h+λ(∇h)2+η(x, t), (1.17)
onde o ru´ıdo possui as propriedades (1.12). A equa¸c˜ao EW ´e recuperada fazendo λ = 0. Portanto a equa¸c˜ao EW corresponde a uma teoria linear
para o crescimento de superf´ıcie equanto a equa¸c˜ao KPZ incorpora a n˜ao-linearidade. Devido `a ausˆencia do termo n˜ao-linear na equa¸c˜ao EW, modelos da classe EW apresentam simetria na dire¸c˜ao do crescimento, j´a a classe KPZ n˜ao apresenta essa simetria. Ou seja, a equa¸c˜ao (1.17) ´e invariante pela
transforam¸c˜ao h → −h apenas se λ = 0. Em uma dimens˜ao, α = 1/2 e β = 1/4 para a classe EW e α= 1/2 e β= 1/3 no caso KPZ.
do ru´ıdo em s´eries de Fourier:
h(x, t) = X q
hq(t) exp (iq.x)
η(x, t) =X q
ηq(t) exp (iq.x), (1.18)
onde a somat´oria percorre todos os vetores do espa¸co rec´ıproco pertencentes `a primeira zona de Brillouin. Assim, a equa¸c˜ao EW,
∂h(x, t)
∂t =ν∇
2h+η(x, t), (1.19)
se torna
∂
∂thq =−ν|q|
2hq+ηq. (1.20)
Usando o m´etodo da fun¸c˜ao de Green,
hq(t) = exp(−ν|q|2t)hq(0) +
Z t
0
dτexp[−νq2(t−τ)]ηq(τ). (1.21)
Desejamos calcular a largura da interfacew. Para isto, ´e necess´ario determi-nar primeiro a m´edia hηq(t)ηq′(t′)i. A partir de
ηq(t) = 1 Ld
X
x
η(x, t) exp (−iq.x), (1.22)
onde a soma ´e sobre os s´ıtios da rede hiperc´ubica de dimens˜ao d, temos
hηq(t)ηq′(t′)i=L−2d X
x
X
x′
hη(x, t)η(x′, t′)iexp (−iq.x−iq′.x′). (1.23) Usando a propriedade (1.12),
hηq(t)ηq′(t′)i=L−2d X
x exp
·
−i(q.x+q′.x)
¸
Dδ(t−t′). (1.24) Tendo em vista a seguinte representa¸c˜ao da fun¸c˜ao delta de Kronecker,
X
x
exp (iq.x) =Ldδq, (1.25)
obtemos,
1.1 O crescimento de superf´ıcies 17
Considerando uma superf´ıcie inicialmente com todas as alturas iguais a zero (hq(0) = 0) e utilizando o resultado (1.26), obtemos, a partir de (1.21), o resultado
hhq(t)hq′(t)i= DL
−d
2νq2
µ
1−exp(2νq2t)
¶
δq+q′. (1.27)
A grandeza h ´e dada por
h= 1
Ld
X
x
X
q
hq(t) exp (iq.x) =X q
hq(t)δq=h0(t). (1.28)
Podemos escrever,
w2 =
¿
1 Ld
X
x
(h(x, t)−h)2
À
(1.29)
e, portanto,
w2 =X
q6=0
X
q′6=0
hhqhq′iδq+q′. (1.30)
Utilizando a equa¸c˜ao (1.27),
w2 =L−dX
q6=0 D 2νq2
µ
1−exp (−2νq2t)
¶
. (1.31)
Para Lsuficientemente grande, a somat´oria resulta na integral
w2 =
Z ddq
(2π)d
D 2νq2
µ
1−exp (−2νq2t)
¶
, (1.32)
que deve ser feita na primeira zona de Brillouin, excluindo o hipercubo de lado 2π/L centrado na origem. Entretanto, como estamos interessados no valor assint´otico dessa integral para t → ∞, e como nesse caso a maior contribui¸c˜ao da integral, para d < 2, ´e proveniente da regi˜ao em torno da
origem do espa¸co q, podemos aproxim´a-la por:
w2 ∼ D
ν
Z ∞
2π/L
dqqd−3
µ
1−exp (−2νq2t)
¶
. (1.33)
Fazendo a mudan¸ca de vari´avel y=q/L, obtemos,
w2 ∼ D
ν 1 Ld−2
Z ∞
2π
dyyd−3
µ
1−exp (−2νy2t/L2)
¶
Assim,
w2 ∼L2−df(t/L2), (1.35)
onde
f(x) = D ν
Z ∞
2π
dyyd−3
µ
1−exp (−2νxy2)
¶
. (1.36)
Comparando com a rela¸c˜ao de escala (1.7) temosα= (2−d)/2,β = (2−d)/4 e z = 2, resultados v´alidos apenas para d < 2, pois a aproxima¸c˜ao (1.33) ´e v´alida somente para d <2.
A equa¸c˜ao EW pode ser resolvida, pois ´e uma equa¸c˜ao linear (λ= 0). No caso da equa¸c˜ao KPZ, apesar da n˜ao-linearidade, os expoentes para d = 1 podem ser obtidos exatamente [1, 2].
1.1.3
Alguns modelos
Como exemplos de modelos para crescimento de superf´ıcie, temos os modelos bal´ıstico [1, 9, 10], RSOS (“restricted solid on solid”) [1, 11] e aleat´orio com
relaxa¸c˜ao[1, 12]. Os modelos bal´ıstico e RSOS s˜ao da classe KPZ enquanto que o aleat´orio com relaxa¸c˜ao ´e da classe EW.
No modelo bal´ıstico se o s´ıtio escolhido tem altura maior ou igual `a altura
dos vizinhos, ent˜ao sua altura ´e aumentada em uma unidade. Caso contr´ario sua altura passa a ser igual `a altura do maior vizinho.
Para o modelo RSOS, escolhemos um s´ıtio i, se |(hi + 1)−hi+1| ≤ 1 e
|(hi+ 1)−hi−1| ≤ 1 ent˜ao hi → hi + 1. Caso contr´ario a altura do s´ıtio i
permanece a mesma. A restri¸c˜ao|hi−hi+1| ≤1 ´e conhecida como restri¸c˜ao, ou condi¸c˜ao RSOS.
No caso do modelo aleat´orio com relaxa¸c˜ao, part´ıculas s˜ao depositadas no substrato aleatoriamente. Se o s´ıtio escolhido ´e mais alto que um dos vizinhos
1.2 Equa¸c˜ao mestra 19
1 2 3 4 5
log t
0 0.5 1 1.5 2
log
w
L= 800 L= 1600
L= 3200
Figura 1.2: Modelo RSOS lnw × lnt para L= 800, L= 1600 e L= 3200
Na figura 1.2 mostramos um gr´afico t´ıpico de um modelo de crescimento
de superf´ıcie, no caso do modelo RSOS, de logw por logt.
1.2
Equa¸
c˜
ao mestra
A equa¸c˜ao mestra [13, 14], ´e uma equa¸c˜ao para evolu¸c˜ao temporal da dis-tribui¸c˜ao de probabilidades de um certo processo estoc´astico. Seguimos a referˆencia [13] para deduzir a equa¸c˜ao mestra.
Vamos considerar uma vari´avel aleat´oria xt, que assume apenas valores
inteiros. Consideramos tamb´em que o tempo t ´e discreto. Denotamos, a probabilidade de xt assumir os valoresn0 em t = 0, n1 em t= 1 e assim at´e nl em t =l, por
Pl(n0, n1, ..., nl). (1.37)
assumido os valores n0 em t = 0, n1 em t= 1, ... e nl em t =l, ´e dada por:
Pl+1(nl+1|n0, n1, ..., nl). (1.38)
Em um processo markoviano [15],Pl+1(nl+1|n0, n1, ..., nl) =Pl+1(nl+1|nl).
A probabilidade dextassumir o valornl+1no instantel+1, ´e igual ´a soma de cada valor quext pode assumir no intantel multiplicado pela respectiva
probabilidade condicional, ou seja,
Pl+1 =
X
nl
Pl+1(nl+1|nl)Pl(nl). (1.39)
Definimos a matriz estoc´asticaT,
T(n, m) =P(n|m). (1.40)
Assim, a equa¸c˜ao (1.39) pode ser escrita como:
Pl+1 =T Pl, (1.41)
onde Pl ePl+1 s˜ao vetores colunas. Evidentemente que
X
m
T(m, n) = 1, (1.42)
pois se a vari´avel aleat´oria est´a em um certo estado n, no instante imedia-tamente posterior ela estava em um dos poss´ıveis estados com probabilidade 1.
Para um processo estoc´astico, em que as transi¸c˜oes ocorrem a cada inter-valo de tempo τ, definimos
W(n, m) = T(n, m)
τ para n6=m. (1.43)
Reescrevemos a equa¸c˜ao (1.39),
Pl+1(n) =
X
m6=n
T(n, m)Pl(m) +T(n, n)Pl(n) = (1.44)
= X
m6=n
T(n, m)Pl(m) +
µ
1−X
m6=n
T(m, n)
¶
1.2 Equa¸c˜ao mestra 21
Com a equa¸c˜ao (1.43), Pl+1(n)−Pl(n)
τ =
X
m6=n
[W(n, m)Pl(m)−W(m, n)Pl(n)]. (1.45)
Finalmente, considerando o limite τ →0, d
dtP(n, t) =
X
m6=n
[W(n, m)P(m, t)−W(m, n)P(n, t)], (1.46)
onde t = lτ. A equa¸c˜ao (1.46) ´e chamada de equa¸c˜ao mestra. Ela deve ser entendida como uma equa¸c˜ao de balan¸co probabil´ıstico, onde o primeiro
termo, do lado direito da equa¸c˜ao (1.46), ´e um termo de “ganho”e o segundo termo ´e um termo de “perda”. O elemento de matriz W(m, n), ´e a taxa de transi¸c˜ao do estado n para o estado m. Como os elementos diagonais da matriz W n˜ao aparecem na equa¸c˜ao (1.46), eles podem ser definidos da
forma mais conveniente. Escolhendo
W(n, n) = −X
m6=n
W(m, n), (1.47)
temos que a soma dos elementos de uma coluna da matrizW ´e zero. Com a escolha (1.47), a equa¸c˜ao (1.46) pode ser reescrita na seguinte forma:
d
dtP =W P. (1.48)
Um bom exemplo para ilsutrar a equa¸c˜ao mestra ´e o modelo de Ehrenfest. Em tal modelo, temos duas urnas contendo um n´umero total de bolas igual a N. A dinˆamica do modelo consiste em escolher uma bola e troc´a-la de urna.
Assim, definindo n como o n´umero de bolas em uma das urnas, temos:
T(n+ 1, n) = (N −n) N T(n−1, n) = n
N
T(m, n) = 0 se m6=n±1. (1.49)
Sendoγ uma constante positiva, definimosW(m, n) =γT(m, n) param 6=n. A equa¸c˜ao mestra para o modelo de Ehrenfest ser´a, pois,
dPn
dt =γ
n+ 1
N Pn+1(t) +γ
µ
1− n−1 N
¶
1.3
Percola¸
c˜
ao
A percola¸c˜ao [13, 16] pode ser entendida como a passagem de um fluido por um meio poroso. Cada poro pode ser perme´avel ou imperme´avel. E a liga¸c˜ao entre dois poros pode permitir ou n˜ao a passagem do fluido.
Consideramos um modelo para percola¸c˜ao, em que temos uma rede dis-creta formada por s´ıtios que podem estar ocupados com probabilidade p ou vazios com probabilidade q = 1−p. S´ıtio ocupado significa que o poro ´e perme´avel. Portanto, a cada s´ıtio temos associada uma vari´avel aleat´oria ηi
que assume o valor 1 (s´ıtio ocupado) com probabilidade p e valor 0 (s´ıtio vazio) com probabilidade q. Ent˜ao, a configura¸c˜ao da rede ´e definida pelo vetor η = (η1, η2, ..., ηN), onde N ´e o n´umero de s´ıtios da rede. Assim, a
probabilidade de uma certa configura¸c˜ao η´e dada por:
P(η) =pnqN−n onde n=η1+η2+...+ηN. (1.51)
< f(η)>=X
η
f(η)P(η) (1.52)
´e a m´edia de um fun¸c˜ao de estado f(η).
1.3.1
O estado percolativo
Definimosns(η) como sendo o n´umero de aglomerados de tamanho s. Assim,
ρs =< ns> /N (1.53)
´e o n´umero m´edio de aglomerados de tamanho s por s´ıtio. A probabilidade de um s´ıtio pertencer a um aglomerado de tamanho s ´esρs. Portanto, vale
a rela¸c˜ao
N
X
s=1
sρs =p. (1.54)
1.3 Percola¸c˜ao 23
Agora vamos considerar uma rede infinita, onde podemos ter um aglome-rado infinito. Quanto maior p, maior ´e a chance de existir tal aglomerado. Assim, numa rede infinita deve existir uma probabiliade cr´ıtica pc, tal que
para p < pc n˜ao ocorrem aglomerados infinitos e para p > pc eles ocorrem.
Portanto, o sistema tem uma transi¸c˜ao de fases de um estado sem percola¸c˜ao (p < pc) para um estado percolativo (p > pc). Para tratar uma rede infinita
definimos as grandezas
F =
∞
X
s=1
sρs, (1.55)
P =p−
∞
X
s=1
sρs (1.56)
e
S =
∞
X
s=1
s2ρs, (1.57)
onde F ´e o n´umero m´edio de s´ıtios pertencentes aos aglomerados finitos, P ´e n´umero m´edio de s´ıtios pertencentes aos aglomerados infinitos e S ´e o tamanho m´edio dos aglomerados finitos. Como um s´ıtio ocupado est´a num
algomerado finito ou infinito,
F +P =p. (1.58)
Para p < pc s´o temos aglomerados finitos, portanto, F =p e P = 0. A
pro-babilidade de percola¸c˜ao P ´e o parˆametro de ordem do modelo e o tamanho m´edio dos aglomerados finitosS ´e um an´alogo da susceptibilidade.
1.3.2
Modelo unidimensional
Para uma rede unidimensional temos ρs = psq2, pois um aglomerado de
tamanho s ´e formado por s s´ıtios ocupados e 2 vazios na fronteira. Assim, usando (1.55) e (1.57), temos
F =p (1.59)
e
S= p(1 +p)
Portanto, no modelo unidimensionalP = 0 parap6= 1. Apenas no casop= 1 ocorre a percola¸c˜ao. O tamanho m´edio dos aglomerados finitosS diverge em p=pc = 1.
1.3.3
Solu¸
c˜
ao na rede de Bethe
Para construirmos a Rede de Bethe, ligamos a um s´ıtio centralz vizinhos, a cada um dosz vizinhos ligamosσ=z−1 s´ıtios e vamos adiante at´e contruir uma rede de um certo tamanho. Portanto, cada s´ıtio tem z vizinhos, um
da camada inferior e σ da camada superior. ´E poss´ıvel calcular o tamanho m´edio dos algomerados finitosS e o parˆametro de ordemP na rede de Bethe [13, 17].
Primeiro calculamos o per´ımetro ts, n´umero de s´ıtios necess´arios para
isolar um aglomerado de tamanhos. Na rede de Bethet1 =σ+1 ets+1−ts =
σ−1 assim,
ts = (σ−1)s+ 2. (1.61)
Ent˜ao,
F =q2
∞
X
s=1
sbspsq(σ−1)s (1.62)
e
S =q2
∞
X
s=1
s2bspsq(σ−1)s, (1.63)
onde bs ´e uma constante que aparece devido `a possibilidade de se formar
aglomerados tomando “caminhos distintos”. Definimos a fun¸c˜ao geratriz
G(x) =
∞
X
s=1
bsxs, (1.64)
com x=pqσ−1,
F =q2xG′(x) (1.65)
e
1.3 Percola¸c˜ao 25
Para p < pc, devemos ter F =p e portanto G′[x(p)] =g(p) = (1−p)−(σ+1).
Assim, sabemos g(p) para p < pc. Falta obter g(p) para p > pc. Notamos
que x = p(1−p)σ−1 tem duas solu¸c˜oes, uma em que p tende a zero para x tendendo a zero e outra em que p tende a unidade para x tendendo a zero.
Definimosp∗(p) como a raiz da equa¸c˜aop∗(1−p∗)σ−1 =p(1−p)σ−1 =x que tende a zero quandox vai a zero. Reescrevemos g(p),
g(p) = (1−p∗(p))−(σ+1). (1.67) Nesta formag(p) vale para qualquerp. A fun¸c˜aop(1−p)(σ−1)tem um m´aximo em pm = 1/σ, portanto p∗ = p para p < 1/σ e p∗ 6=p para p > 1/σ. Como
F =p para p < 1/σ e F 6=p para p > 1/σ, pc = 1/σ. Usando as equa¸c˜oes
(1.65) e (1.67) temos,
F =p(1−p)(σ+1)(1−p∗)−(σ+1). (1.68) Para calcular S fazemos o seguinte:
G′′(x) = dg dp∗
dp∗
dx =
dg dp∗
µ
dx dp∗
¶−1
=− (σ+ 1)q
∗−2σ
(σ−1)−σq∗, (1.69)
onde q∗ = 1−p∗. Com a rela¸c˜ao x = p(1−p)(σ−1) = p∗(1−p∗)(σ−1) e a equa¸c˜ao (1.66),
S =q2[x(1−p∗)−(σ+1)+x2(σ+ 1)(1−p∗)−2σ]/(1−σp∗)] = q
2p∗(1 +p∗)
q∗2(1−σp∗).
(1.70) Como exemplo podemos calcular P e S para σ = 2. Neste caso pc = 1/2
e p∗ = 1−ppara p > 1/2. Assim, para p < 1/2
P = 0
S= p(1 +p)
1−2p . (1.71)
Para p >1/2
P =p−F = p
3−q3 p2
S = q
3(2−p)
l
Figura 1.3: Rede para a percola¸c˜ao direcionada
Assim como a suscetibilidade o modelo de Ising, S diverge em pc e perto
da criticalidade S ∼1/|p−pc|. Poder´ıamos achar pc primeiro calculando S
para p < pc e depois usando o fato de que S deve divergir empc.
1.3.4
Percola¸
c˜
ao direcionada
No caso da percola¸c˜ao direcionada [13, 18], tamb´em consideramos um fluido atravessando um meio poroso, por´em neste caso uma dire¸c˜ao ´e favorecida.
Por exemplo, podemos imaginar o meio poroso na presen¸ca do campo gravi-tacional.
Vamos considerar a interpetra¸c˜ao dinˆamica para a percola¸c˜ao direcionada, onde a dire¸c˜ao favorecida ´e o tempo. Em uma rede como a da figura (1.3),
um s´ıtio ´e ativo com probabilidade p e uma ligac˜ao ´e intacta com probabili-dade q. Dois s´ıtios estar˜ao ligados se eles forem ativos e a liga¸c˜ao entre eles estiver intacta. O s´ıtio s´o pode estar diretamente ligado a s´ıtios das camadas vizinhas, ele n˜ao pode estar ligado a s´ıtios da mesma camada. A cada s´ıtio
da rede associamos uma vari´avel aleat´oria ηi, tal que: ηi = 1 se o s´ıtio est´a
ligado a um s´ıtio da camada zero eηi = 0 caso contr´ario. O s´ıtioida camada
l assume o valorηi dependendo apenas dos valores deη nos s´ıtiosiei+ 1 da
1.3 Percola¸c˜ao 27
a configura¸c˜ao η, onde η = (η1, η2, ...). Temos a seguinte equa¸c˜ao para a evolu¸c˜ao da probabilidade [13]
Pl+1(ηi) =
X
η′
i
X
η′
i+1
w(ηi|η′i, ηi′+1)Pl(η′i, ηi′+1), (1.73) onde w(ηi|ηi′, ηi′+1) ´e a probabiliadade de que o s´ıtio ida camada l+ 1 esteja no estadoηi, dado que os s´ıtiosiei+ 1 da camadal se encontram no estado
η′
i eηi′+1. Portanto,
w(1|1,1) =pq(1−q) +p(1−q)q+pq2
w(1|1,0) =w(1|0,1) =pq. (1.74)
Com as equa¸c˜oes (1.73) e (1.74), obtemos
Pl+1(1) = pq(2−q)Pl(1,1) +pqPl(1,0) +pqPl(0,1). (1.75)
No estado estacion´ario Pl(1) = Pl+1(1) = P, onde P ´e a probabilidade
de percola¸c˜ao. Vamos calcular o parˆametro de ordem P fazendo uma apro-xima¸c˜ao de campo m´edio simples [13] na equa¸c˜ao (1.75). Nesta aproapro-xima¸c˜ao
desconsideramos as correla¸c˜oes,
Pl(1,1) =Pl(1)Pl(1)
Pl(1,0) = Pl(0,1) =Pl(1)Pl(0). (1.76)
Tendo em vista que Pl(0) +Pl(1) = 1, com a aproxima¸c˜ao de campo m´edio
simples
−(pq2)P2+ (2pq−1)P = 0, (1.77)
que tem como solu¸c˜oes P = 0 e P = 2pqpq−21. Para a percola¸c˜ao direcionada
por s´ıtios (q = 1), P = (2p−1)/p com pc = 1/2. No caso da percola¸c˜ao
direcionada por liga¸c˜oes (p= 1), P = (2q−1)/q2 com q
c = 1/2.
equa¸c˜ao da evolu¸c˜ao temporal de um par de s´ıtios:
Pl+1(ηi, ηi+1) =
X η′ i X η′ i+1 X η′ i+2
w(ηi|ηi′, ηi′+1)w(ηi+1|ηi′+1, ηi′+2)Pl(η′i, ηi′+1, ηi′+2). (1.78) Na aproxima¸c˜ao de campo m´edio aos pares
Pl(η1, η2, η3) = Pl(η1, η2)Pl(η2, η3)/Pl(η2). (1.79)
Definindo zl = Pl(1,1), xl =Pl(1), tendo em vista que Pl(1,0) = Pl(0,1) =
Pl(1)−Pl(1,1), usando a equa¸c˜ao 1.78 e a aproxma¸c˜ao de campo m´edio ao
n´ıvel de pares, obtemos,
zl+1 = (pq)2
(xl−zl)2
xl
+ 2(pq)2(2−q)zl(xl−zl) xl
+
(pq)2(2−q)2z 2
l
xl
+ (pq)2(xl−zl) 2
1−xl
. (1.80)
A equa¸c˜ao (1.75) pode ser escrita na forma
xl+1 =pq(2−q)zl+ 2pq(xl−zl). (1.81)
Portanto, no estado estacion´ario com aproxima¸c˜ao de campo m´edio aos pares,
P =p−(pq−1)
2
2pq−1 . (1.82)
A percola¸c˜ao direcionada (PD) define uma robusta classe de universali-dade para os modelos fora do equil´ıbrio. Para descobrir se um modelo est´a
ou n˜ao na classe PD devemos calcular seus expoentes cr´ıticos. Na pr´oxima se¸c˜ao, analisamos um modelo que est´a na classe PD e definimos os expo-entes cr´ıticos que caracterizam esta classe. Como exemplo de modelos que
apresentam transi¸c˜ao da classe PD, citamos o autˆomato de Domany-Kinzel [13, 19] e o modelo ZGB [20, 21, 22].
1.4
Processo de Contato
1.4 Processo de Contato 29
associamos uma vari´avel aleat´oria que pode assumir os valores 1 ou 0, re-presentando indiv´ıduo doente e saud´avel, respectivamente. Na dinˆamica do modelo, um s´ıtio 1 pode virar 0 independentemente de sua vizinhan¸ca, en-quanto que a mudan¸ca de 0 para 1 ´e autocatal´ıtica. Na figura 1.4 temos
representadas as regras do processo de contato unidimensional.
1
λ λ
λ
/2
/2
Figura 1.4: Transi¸c˜oes do processo de contato unidimensional
Pelas regras do modelo, fica claro que ele possui um estado absorvente com todos os s´ıtios vazios. O processo de contato apresenta uma transi¸c˜ao de fases, tal que, para λ > λc o estado estacion´ario do sistema pode ser
ativo e para λ < λc o sistema vai para o estado absorvente, ondeλ ´e a taxa
de cria¸c˜ao de part´ıculas. Esta transi¸c˜ao est´a na classe de universalidade da percola¸c˜ao direcionada.
1.4.1
Evolu¸
c˜
ao temporal da probabilidade
Definindo ρ como a densidade de s´ıtios ativos, a equa¸c˜ao mestra para o processo de contato em ddimens˜oes ´e dada por [22]:
d
dtρ(x, t) = −ρ(x, t) + λ q
X
y
P rob[ηx(t) = 0, ηy(t) = 1]. (1.83)
1. Fazendo uma aproxima¸c˜ao de campo m´edio simples na equa¸c˜ao (1.83), obtemos,
dρ
dt = (λ−1)ρ−λρ
2. (1.84)
No estado estacion´ario
ρ(λρ−λ+ 1) = 0, (1.85)
portanto, ρ = 0 ou ρ = 1−λ−1. Para λ < 1 a segunda solu¸c˜ao ´e negativa, portanto a ´unica solu¸c˜ao ´e o estado absorvente com ρ = 0. Para λ > 1 a primeira solu¸c˜ao corresponde ao estado absorvente e a segunda solu¸c˜ao cor-responde ao estado estacion´ario ativo. Assim, com a aproxima¸c˜ao de campo
m´edio simples encontramos λc = 1 e na regi˜ao ativa pr´oxima `a criticalidade
a densidadeρ∼(λ−1)1. Paraλ > λ
c, e perto da criticalidade
ρ∼(λ−λc)β, (1.86)
onde β ´e um dos expoentes cr´ıticos que caracterizam a classe PD. Portanto, com aproxima¸c˜ao de campo m´edio encontramosβCM = 1.
Para λ6= 1 a solu¸c˜ao da equa¸c˜ao (1.83) ´e dada por:
ρ(t) = λ−1
λ−ce−(λ−1)t, (1.87)
onde c ´e uma constante determinada pela condi¸c˜ao inicial. Atrav´es da equa¸c˜ao (1.87), no caso λ <1 temos
ρ= 1−λ
c e
(λ−1)t+O(e(λ−1)2t) (1.88)
e paraλ >1
ρ= λ−1
λ +
(λ−1)c
λ2 e
(1−λ)t+O(e(1−λ)2t). (1.89)
Assim, para tempos longos
ρ(t)−ρ∼e−|λ−1|t. (1.90)
Perto do ponto cr´ıtico ρ −ρ ∼ exp(−t/ξk), onde ξk ´e o comprimento de
correla¸c˜ao temporal. O expoente νk ´e definido pela rela¸c˜ao:
1.4 Processo de Contato 31
Pela equa¸c˜ao (1.90), νCM
k = 1.
Em λ= 1, a equa¸c˜ao (1.84), se torna
dρ
dt =−λρ
2, (1.92)
ent˜ao,
−dρ
λρ2 =dt. (1.93)
Portanto, no ponto cr´ıtico ρ = 1/(t+a), onde a ´e uma constante de inte-gra¸c˜ao. Assim, para tempos longos ρ ∼ t−1. O expoente δ ´e definido pela rela¸c˜ao
ρ(t)∼t−δ, (1.94)
em λ=λc. Portanto, δCM = 1.
Podemos considerar um modelo, que al´em das taxas apresentadas na fi-gura 1.4, tem uma taxa de cria¸c˜ao de part´ıculas, independente da vizinhan¸ca, h. Como o modelo deixa de ter um estado absorvente, o parˆametro h mata
a transi¸c˜ao de fases. Portanto a taxa h tem papel an´alogo ao do campo no modelo de Ising. Com a taxa h, devemos adicionar o termo h(1−ρ) na equa¸c˜ao (1.84). Assim,
dρ
dt = (λ−1)ρ−λρ
2+h(1
−ρ). (1.95)
No estado estacion´ario
ρ= 1
2λ
µ
λ−h−1 +p(λ−h−1)2+ 4λh
¶
. (1.96)
Da mesma forma que temos um expoente relacionando o campo e a magne-tiza¸c˜ao no modelo de Ising, para o processo de contato temos:
ρ∼h1/δh
. (1.97)
1.4.2
Expoentes cr´ıticos
Existem outros expoentes cr´ıticos definidos para o processo de contato, por´em
eles nao s˜ao todos independentes, est˜ao relacionados por leis de escala. Os expoentes independentes s˜ao trˆes: νk,βeν⊥. O expoenteν⊥est´a relacionado
ao comprimento de correla¸c˜ao espacial ξ⊥ ∼ |λ−λc|−ν⊥. O expoente δ, por
exemplo, segue a rela¸c˜aoδ =β/νk.
A seguir, apresentamos uma tabela com alguns expoentes cr´ıticos do pro-cesso de contato. Mas antes, apresentamos uma rela¸c˜ao que ´e importante para os pr´oximos cap´ıtulos. Na criticalidade, para redes finitas,
ρ∼L−β/ν⊥, (1.98)
onde L ´e o tamanho da rede. Na tabela 1.1 constam dados tirados da re-ferˆencia [22].
Tabela 1.1: Expoentes do processo de contato [22]
λc β νk ν⊥ δ δh−1
d=1 3.29785(2) 0.27649(4) 1.73383(3) 1.09684(6) 0.15947(3) 0.111(3)
CM 1 1 1 1
2 1
Cap´ıtulo 2
Os modelos estudados
Nas duas primeiras se¸c˜oes deste cap´ıtulo, apresentamos dois modelos para crescimento de superf´ıcie. A maior parte desta disserta¸c˜ao ´e dedicada ao se-gundo modelo. Fizemos uma aproxima¸c˜ao de campo m´edio para o sese-gundo modelo e com o resultado obtido percebemos que a mesma aproxima¸c˜ao
po-deria ser aplicada no primeiro modelo. O segundo modelo apresenta uma transi¸c˜ao de fases conhecida como transi¸c˜ao de ancoramento (“depinning transition”) [24], por isso na ´ultima se¸c˜ao citamos outros modelos que apre-sentam o mesmo tipo de transi¸c˜ao.
2.1
Modelo I
No modelo I [25, 26], a deposi¸c˜ao ocorre com probabilidade q, a evapora¸c˜ao com probabilidade 1−q e a condi¸c˜ao RSOS ´e respeitada. Em q = 1/2, a velocidade de crescimento da superf´ıcie ´e zero e o modelo apresenta uma
q
1−q q
q
q 1−q
1−q
1−q
Figura 2.1: Regras do modelo I
2.2
Modelo II
O modelo II [27, 28] tem duas vers˜oes, uma irrestrita e outra restrita. Para o caso irrestrito, temos as seguintes regras:
hi →hi+ 1 com probabilidade q,
hi → m´ın{hi, hi+1} com probabilidade (1−q)/2 e hi → m´ın{hi−1, hi} com probabilidade (1−q)/2.
A vers˜ao irrestrita pode ser mapeada no processo de contato se associar-mos a cada s´ıtio uma vari´avel aleat´oriaηi tal que: ηi = 1 sehi = 0 e ηi = 0
se hi 6= 0. Se definimos uma taxa λ = (1−q)/q ent˜ao, ηi vai de 1 para 0
com taxa 1 e vai de 0 para 1 com taxanλ/2, onde n ´e o n´umero de vizinhos ocupados. Assim, fica claro que o modelo II irrestrito pode ser mapeado exatamente no processo de contato.
No caso restrito o modelo deve seguir a condi¸c˜ao RSOS. A deposi¸c˜ao
2.2 Modelo II 35
q
1−q q
(1−q)/2 q
(1−q)/2 q
Figura 2.2: Regras do Modelo II restrito
2.2.1
Transi¸
c˜
ao de rugosidade
Pelas regras do modelo II, tanto no caso restrito como no caso irrestrito, vemos que uma vez que uma camada ´e totalmente preenchida, nenhuma
part´ıcula desta camada pode ser evaporada. Devido a esse mecanismo, de ancorar a superf´ıcie, o sistema apresenta uma transi¸c˜ao de ancoramento. Paraq < qc, a superf´ıcie n˜ao tem deposi¸c˜ao de ´atomos suficiente para crescer
e para q > qc ela cresce com uma certa velocidade v. Na referˆencia [28]
foram obtidos: qc = 0.23267(3) para o modelo irrestrito e qc = 0.1889(1)
para o modelo restrito. Na fase travada (q < qc) a superf´ıcie ´e lisa, ou seja, a
largura da interface n˜ao cresce com o tempo. Paraq > qca superf´ıcie ´e rugosa
e da classe KPZ. Portanto, o modelo II apresenta tamb´em uma transi¸c˜ao de
rugosidade. No caso irrestrito, como o modelo se mapeia exatamente no processo de contato, a transi¸c˜ao ´e da classe de universalidade da percola¸c˜ao direcionada. ´E de se esperar que no caso restrito a transi¸c˜ao de fases tamb´em seja PD. Tal expectativa ´e confirmada por simula¸c˜oes nas referˆencias [27, 28].
´
E importante notar que apesar do modelo II pertencer `a classe PD, ele n˜ao apresenta estado absorvente. Na compara¸c˜ao do Modelo II com o processo de contato, temos λ = (1 −q)/q, assim a fase em que a superf´ıcie cresce
Figura 2.3: Poss´ıvel configura¸c˜ao do modelo II comn0 = 6/24, n1 = 13/24 e
n2 = 5/24
a fase em que a superf´ıcie n˜ao cresce corresponde ao estado ativo do processo de contato.
2.2.2
Rela¸
c˜
oes de escala das camadas
O parˆametro de ordem no processo de contato ´e a densidade de s´ıtios ocu-pados ρ. Ent˜ao, tendo em vista o mapeamento do modelo II irrestrito no
processo de contato, seu parˆametro de ordem ´e a fra¸c˜ao de s´ıtios com altura igual `a zero.
Definimos nk como a fra¸c˜ao de s´ıtios com altura pertencente `a camada
k. Esperamos que n0 apresente os expoentes PD, podemos nos perguntar se
as outras camadas apresentam expoentes PD. Definimos o expoente xk da
seguinte forma: perto da criticalidade, para q < qc,
mk ∼(qc −q)xk, (2.1)
onde
mk=
k
X
j=0
nj. (2.2)
Emq =qc,
mk(t)∼t−xk/νk (2.3)
e
mk(L)∼L−xk/ν⊥. (2.4)
Comon0 ´e mapeado no parˆametro de ordem do processo de contato, espera-mos x0 =β. A princ´ıpio dever´ıamos definir os expoentes νk e ν⊥ para cada
2.2 Modelo II 37
iguais para todas as camadas. Na tabela 2.1, constam os dados obtidos na referˆencia [28] por simula¸c˜ao. Foram usadas as equa¸c˜oes (2.1), (2.3) e (2.4), com os expoentes ν⊥ = 1.09684(2) e νk = 1.73383(2). Os valores obtidos
parax0 coocordam comβ = 0.27649(4), e com o aumento dek o valor dexk
´e menor.
Tabela 2.1: Dados obtidos na refrˆencia [28]
Equa¸c˜ao 2.1 2.3 2.4
x0 i 0.275(5) 0.273(10) 0.276(5) r 0.270(10) 0.277(10) 0.265(10)
x1 i 0.114(5) 0.110(10) 0.125(5) r 0.108(10) 0.110(10) 0.118(10)
x2 i 0.039(15) 0.035(15) 0.045(10) r 0.022(15) 0.025(20) 0.033(15)
2.2.3
Rela¸
c˜
oes de escala da largura da interface
Paraq < qc a interface ´e lisa. No casoq > qc, a interface ´e rugosa com
expo-entes KPZ. Na criticalidade, esperamos um comprotamento intermedi´ario.
Na referˆencia [29], foram obtidas, para o modelo II restrito, as seguintes rela¸c˜oes:
w2(t)≃τlnt, (2.5)
wsat2 (L)≃A+λlnL (2.6)
e, perto da criticalidade,
w2sat(ǫ) =C−ηln|ǫ|, (2.7) onde ǫ = q−qc. Para condi¸c˜oes peri´odicas de contorno, foram calculados
τ = 0.102(3), λ = 0.161(2) e η = 0.173(10). Na mesma referˆencia, foi observada a rela¸c˜ao de escala
onde z =νk/ν⊥ ´e o expoente dinˆamico da classe PD. Assim,
λ =η/ν⊥ (2.9)
e
τ =η/νk. (2.10)
2.2.4
Aproxima¸
c˜
ao de campo m´
edio para o caso
irres-trito
Denotamos por P(h) a probabilidade de um certo s´ıtio ter altura h, para h= 0 a evolu¸c˜ao temporal de P(h) ´e dada por:
d
dtP(0) =−qP(0) + 1−q
2
∞
X
h=1
[P(h,0) +P(0, h)], (2.11)
para h >0,
d
dtP(h) = qP(h−1)−qP(h) + 1−q
2
∞
X
h′=h+1
[P(h, h′) +P(h′, h)]
−1−2 q
h−1
X
h′=0
[P(h, h′) +P(h′, h)], (2.12) onde P(h, h′) ´e a probabilidade de dois s´ıtios vizinhos terem altura h e h′.
Fazendo a aproxima¸c˜ao de campo m´edio simples, para a qual P(h, h′) =
P(h)P(h′), temos [28]:
d
dtP0 =−qP0+ (1−q)P0(1−P0). (2.13) Para as camadas superiores,
d
dtPh =qPh−1−qPh+ (1−q)Ph
µ 1− h X n=0 Pn ¶
−(1−q)Ph h−1
X
n=0
Pn, (2.14)
onde Ph =P(h). Definimos,
φh =
h
X
n=0
2.2 Modelo II 39
A partir das equa¸c˜oes (2.13) e (2.14),
d
dtφ0 =−qφ0+ (1−q)φ0(1−φ0) (2.16) e
d
dtφh = (1−q)
µ
ǫφh−φ2h+ (1−ǫ)φh−1
¶
, (2.17)
onde ǫ = (1 −2q)/(1− q). Portanto, para ǫ > 0 (q < 1/2), no estado estacion´ario,
φo =ǫ (2.18)
e
φh =
1 2
·
ǫ+pǫ2+ 4(1−ǫ)φ
h−1
¸
. (2.19)
A equa¸c˜ao (2.19), nos permite obterφh de forma recorrente. Paraq pr´oximo
de 1/2, e levando em conta queφ0 ´e da ordem deǫ concluimos queφ1 ∼√ǫ. De forma gen´erica temos,
φh ≃
p
φh−1. (2.20)
Os expoentes xh com aproxima¸c˜ao de campo m´edio, atrav´es das equa¸c˜oes
(2.18) e (2.20), s˜ao dados por:
xCMh = 2−h. (2.21)
Resultado que concorda com a simula¸c˜ao, no seguinte sentido: quanto maior h menor xh.
2.2.5
Percola¸
c˜
ao direcionada com acoplamento
direci-onado
Os expoentes xh obtidos na referˆencia [28], pertencem `a classe de
universali-dade da percola¸c˜ao direcionada com acoplamento direcionado [30, 31, 32]. A seguir, seguindo a referˆencia [32], explicamos o que ´e a percola¸c˜ao direcionada com acoplamento direcionado.
A −→A+A com taxa σA,
A−→0 com taxa µA,
A+A−→A com taxa λA,
onde 0 sgnifica s´ıtio vazio. Esta rea¸c˜ao est´a na classe PD. A equa¸c˜ao mestra
com aproxima¸c˜ao de campo m´edio, para o n´umero m´edio de part´ıculas nA,
´e dada por
∂nA
∂t =−rAnA−λAn 2
A, (2.22)
onderA=µA−σA. Na aproxima¸c˜ao de campo m´edio, a transi¸c˜ao de fases, do
estado absorvente (rA >0) para o estado ativo (rA<0), ocorre em rA = 0.
No estado estacion´ario, na fase ativa, temosnA =|rA|/λA, assim βACM = 1.
Agora, consideramos o mesmo tipo de rea¸c˜ao com uma part´ıcula do tipoB,
obviamente que temos um outro sistema PD. Acoplamos as part´ıculasAeB da seguinte forma:
A−→B com taxa µAB.
Como a rea¸c˜ao A → B ´e permitida e a rea¸c˜ao B → A n˜ao ocorre, dizemos que o acoplamento ´e direcionado. Podemos introduzir uma hierarquia de part´ıculas tal que: A →B, A → C, B →C e assim por diante. A quest˜ao a ser respondida ´e se um novo comportamento cr´ıtico aparece, ou seja, os
expoentes cr´ıticos relacionados as diferentes part´ıculas s˜ao PD? ´E claro que os expoentesAs˜ao PD pois, devido ao acoplamento direcionado, a dinˆamica das part´ıculasAn˜ao depende das outras part´ıculas. J´a a dinˆamica das part´ıculas B depende das part´ıculas A e, em uma certa regi˜ao do espa¸co de fases, um
novo comportamento cr´ıtico ´e observado. Na verdade, podemos relacionar nA, nB e nC `as densidades n0, n1 e n2 do modelo II, respectivamente.
Vamos considerar a equac˜ao mestra com aproxima¸c˜ao de campo m´edio para um sistema com part´ıculas A e B. A equa¸c˜ao para as part´ıculas A
permanece a mesma, comrA=µA+µAB−σA. A equa¸c˜ao para as part´ıculas
B,
∂nB
∂t =−rBnBA−λBn
2
2.3 Outros modelos com transi¸c˜ao de ancoramento 41
tem a solu¸c˜ao estaion´aria
nB =
·µ
rB
λB
¶2
+ µAB λB
nA
¸
− rB
2λB
. (2.24)
Na regi˜ao do espa¸co de fases em que rA< 0 e (rB/2λB)2 ≫ |rA|µAB/λAλB,
temos:
nB ≃
r
µABnA
λB
. (2.25)
Portanto, βCM
B = 1/2, resultado que concorda com a aproxima¸c˜ao de campo
m´edio para o modelo II irrestrito.
Na referˆencia [32] a percola¸c˜ao direcionada com acoplamento direcionado foi simulada e os expoentes obtidos concordam com aqueles encontrados na referˆencia [28] para o modelo II.
2.3
Outros modelos com transi¸
c˜
ao de
anco-ramento
O modelo DPD (“directed pecolation depinning”) [33, 34, 35], foi intorduzido para modelar o crescimento de uma superf´ıcie em um meio desordenado. Ele
tem as seguintes regras: os s´ıtios de uma rede quadrada, onde uma das dimens˜oes est´a relacionada `a altura, podem ser ativos com probabilidade p e inativos com porbabilidade 1−p. Incialmente a altura de todos os s´ıtios ´e zero. Escolhemos um s´ıtio vizinho `a interface e se ele ´e ativo a superf´ıcie
avan¸ca, caso contr´ario nada acontece. O crescimento da superf´ıcie pode ser ancorado por um aglomerado de s´ıtios inativos. O modelo apresenta uma tansi¸c˜ao PD em um certo valor pc. Para p > pc a superf´ıcie ancora e para
p < pc ela cresce. Por argumentos de escala, o expoente de rugosidade ´e dado
porα=ν⊥/νk = 0.633 em pc. Num experimento em que uma folha de papel
Na referˆencia [37], foi introduzido um modelo com deposi¸c˜ao de part´ıculas ativas e inativas. No caso, a part´ıcula incidente ´e ativa com probabilidade 1−p e inativa com probabilidade p. A part´ıcula incidente s´o ´e depositada se encontra uma part´ıcula ativa. Na vers˜ao bal´ıstica do modelo ocorre uma
transi¸c˜ao da classe PD [38], onde para p > pc a interface fica saturada por
part´ıculas inativas.
Por fim, citamos um modelo [39, 40] de deposi¸c˜ao e evapora¸c˜ao de d´ımeros. Neste modelo, um d´ımero ´e adsorvido com probabilidadepe evaporado, caso
Cap´ıtulo 3
Aproxima¸
c˜
ao de campo m´
edio
Neste cap´ıtulo escrevemos a equa¸c˜ao mestra para os modelos I e II. Fazendo aproxima¸c˜ao de campo m´edio simples e em n´ıvel de pares, resolvemos
nu-mericamente as equa¸c˜oes resultantes. Para a integra¸c˜ao num´erica, definimos δt como o passo de integra¸c˜ao e T como o n´umero de passos de integra¸c˜ao. Em todos os casos, usamos o passo δt = 1, pois a diminui¸c˜ao no passo de integra¸c˜ao n˜ao implicou em mudan¸cas significativas nos resultados obtidos.
3.1
Modelo I
A equa¸c˜ao mestra para o modelo I,
d
dtP(h) =qP(h, h−1, h)−qP(h+ 1, h, h+ 1) + +(1−q)P(h+ 1, h+ 1, h+ 1)−(1−q)P(h, h, h) + +qP(h−1, h−1, h−1)−qP(h, h, h) + +(1−q)P(h, h+ 1, h)−(1−q)P(h−1, h, h−1) + +qP(h−1, h−1, h)−qP(h, h, h+ 1) + +(1−q)P(h, h+ 1, h+ 1)−(1−q)P(h−1, h, h) + +qP(h, h−1, h−1)−qP(h+ 1, h, h) +
-40 -20 0 20 40
h
0.01 0.02 0.03 0.04 0.05
P
hT= 106
T= 105
T= 104
Figura 3.1: Ph para q= 0.5, δt= 1, T = 104, 105 e 106
deve ser entendida da seguinte forma: ao primeiro termo do lado direito da equa¸c˜ao, corresponde a probabilidade de deposi¸c˜ao de uma part´ıcula em um
s´ıtio i, que tem altura hi =h−1 e que tem vizinhos com alturas hi−1 =h e hi+1 =h. Fazendo aproxima¸c˜ao de campo m´edio simples,
d
dtPh =q(P 3
h−1−Ph3) + (1−q)(Ph3+1−Ph3) +
+(1−3q)(Ph2Ph+1−Ph2−1Ph) + (2−3q)(PhPh2+1−Ph−1Ph2), (3.2)
onde Ph =P(h). Como o modelo apresenta β = 1/4 em q = 1/2 e β = 1/3
em q6= 1/2, analisamos os dois casos separadamente.
3.1.1
Caso EW,
q
= 1
/
2
Para o caso q = 1/2, a integra¸c˜ao num´erica da equa¸c˜ao (3.2) resulta nas figuras 3.1 e 3.2. Tendo em vista a figura 3.2, paraq= 1/2 admitimos uma solu¸c˜ao do tipo
Ph =
p
3.1 Modelo I 45
500 1000 1500 2000
h
2 0 5e-05 0.0001 0.00015 0.0002 0.00025P
h 2Figura 3.2: P2
h para q= 0.5,δt= 1 e T = 106
onde A(t) e B(t) s˜ao fun¸c˜oes do tempo. Em q = 1/2, a equa¸c˜ao (3.2) pode ser escrita na forma
dP2
h
dt =P
2
h
·
Ph+1 Ph
(Ph2+1−Ph2) + Ph−1 Ph
(Ph2−1−Ph2) +(Ph2+1−Ph2) + (Ph2−1−Ph2)
¸
. (3.4)
Subtituindo a solu¸c˜ao (3.3) nessa equa¸c˜ao e utilizando a seguinte aproxima¸c˜ao Ph±1/Ph ≃1∓Bh/Ph2,
dP2
h
dt ≃P
2
hB
·
−4 + 4Bh 2
P2
h
¸
. (3.5)
Para tempos longos, a solu¸c˜ao da equa¸c˜ao (3.5) ´e dada por:
A(t) = at−1/2 e B(t) = 1
8t
−1, (3.6)
onde a ´e uma constante positiva. A partir da distribui¸c˜ao de probabilida-des Ph =
q
at−1/2− 1
8t−1h2, calculamos hhi e hh
interface.
hh2i=
RH
−Hh
2P
hdh
RH
−HPhdh
= 2at1/2, (3.7)
onde o limite de integra¸c˜ao H depende do tempo. Temos hhi= 0, pois hPh
´e uma fun¸c˜ao ´ımpar. Para determinar a, normalizamos Ph e usamos o fato
de que nos limites de integra¸c˜ao Ph = 0. Assim,H2 = 8at1/2 e
Z H
−H
Phdh =
√
2aπ = 1. (3.8)
Resultando na seguinte largura da interface:
w=phh2i=
µ√
2 π
¶1/2
t1/4. (3.9)
Portanto, com a aproxima¸c˜ao de campo m´edio simples obtemos o expoente
de crescimentoβ = 1/4 para q= 1/2.
3.1.2
Caso KPZ,
q
6
= 1
/
2
Consideramos o casoq > 1/2, lembrando que o caso q < 1/2 ´e sim´etrico. A partir da equa¸c˜ao (3.2), em q= 0.7, obtemos as figuras 3.3 e 3.4.
Agora admitimos uma solu¸c˜ao do tipo
Ph =
p
A(t) +B(t)h. (3.10)
Substituindo na equa¸c˜ao (3.2) e tendo em vista queP2
h±1 =Ph2±B, obtemos
dPh
dt =P
3
h
½
(1−q)
·µ
1 + B P2
h
¶3/2
−1
¸
+q
·µ
1− B P2
h
¶3/2
−1
¸
+
(3q−2)
·µ
1− B P2
h
¶1/2
−1− B P2
h
¸
+ (3q−1)
·
1− B P2
h −
µ
1 + B P2
h
¶1/2¸¾
.
(3.11)
Expandindo os termos (1 ± B P2
h)
1/2 e (1± B P2
h)
3/2 da equa¸c˜ao (3.11) at´e ordem 1/h2,
dP2
h
dt ≃ −3BP
2
3.1 Modelo I 47
-100 0 100 200 300
h
0 0.01 0.02 0.03 0.04
P
hT= 104
T= 105
T= 106
Figura 3.3: Ph para q = 0.7,δt= 1, T = 103, 104, 105 e 106
0 100 200 300 400
h
0 1e-05 2e-05 3e-05 4e-05 5e-05
P
h2
onde ǫ=q−1/2. A partir de (3.12), obtemos para tempos longos,
B(t) = (24ǫt)−1
A(t) = at−1, (3.13)
onde a´e uma constante positiva. Assim,
Z H
−c
Phdh=
2 3(24ǫt)
−1/2(H+c)(3/2), (3.14)
Z H
−c
hPhdh= (24ǫt)−1/2
µ
2
5(H+c) (5/2)
−c2
3(H+c) (3/2)
¶
(3.15)
e
Z H
−c
h2Phdh= (24ǫt)−1/2
µ
2
7(H+c) (7/2)
−2c2
5(H+c) (5/2)+
+c22
3(H+c) (3/2)
¶
, (3.16)
o que resulta na forma,
w2 = 12
175(H+c)
2, (3.17)
ondec= BA((tt)). Usando a condi¸c˜ao de normaliza¸c˜ao dePh e a equa¸c˜aoPH = 0,
encontramos
w=
µ
12 175
¶1/2
21/33ǫ1/3t1/3. (3.18)
3.2 Modelo II restrito 49
3.2
Modelo II restrito
A equa¸c˜ao mestra para o Modelo II ´e dada por:
d
dtP(h) =qP(h−1, h−1, h−1)−qP(h, h, h) + +(1−q)P(h, h+ 1, h)−(1−q)P(h−1, h, h−1) + +qP(h−1, h−1, h)−qP(h, h, h+ 1) + +(1−q)
2 P(h, h+ 1, h+ 1)−
(1−q)
2 P(h−1, h, h) + +qP(h, h−1, h−1)−qP(h+ 1, h, h) + +(1−q)
2 P(h+ 1, h+ 1, h)−
(1−q)
2 P(h, h, h−1) +
+qP(h, h−1, h)−qP(h+ 1, h, h+ 1). (3.19)
Aplicando a aproxima¸c˜ao de campo m´edio,
d
dtPh =q(P 3
h−1−Ph3) + (1−3q)(Ph2Ph+1−Ph2−1Ph)
+(1−2q)(PhPh2+1−Ph−1Ph2). (3.20)
´
E importante notar que a equa¸c˜ao (3.20) vale para h > 0, se consideramos P−1 = 0, ent˜ao a equa¸c˜ao tamb´em vale para h= 0.
Para o modelo II devemos considerar as situa¸c˜oesq < qc, q=qc e q > qc.
Primeiramente, para encontrar o valor deqc escrevemos Ph±1 =Ph±Rh. No
estado estacion´ario, a equa¸c˜ao (3.20), pode ser escrita na forma
3PhR2h+ (1−3q)[3Ph2Rh−PhR2h] + (1−2q)[3Ph2Rh+PhR2h] = 0,
resultando em
Rh
Ph ≃
9
2q(q−1/3), (3.21)
onde foram desprezados termos da ordem R3
h. Como Rh ´e positivo para
q > 1/3 e negativo para q < 1/3, identificamos qc = 1/3. Pela figura 3.5,
0 50 100 150
h
0.005 0.01 0.015 0.02
P
hq= 0.331
q= 0.332
q= 1/3
q= 0.334
q= 0.335
Figura 3.5: Ph para δt= 1, T = 106 e q= 0.331, 0.332, 0.333, 0.334 e 0.335
3.2.1
Fase lisa,
q <
1
/
3
Paraq <1/3 depois de um certo n´umero de passos de integra¸c˜ao, se
aumen-tamos T a distribui¸c˜ao de probabilidades Ph permanece a mesma. Assim,
consideramos uma solu¸c˜ao independente do tempo,
Ph =Ae−Bh. (3.22)
Substituindo a distribui¸c˜ao de probabilidades (3.22) na equa¸c˜ao (3.20),
A3e3Bh(e3B−1){q+ (1−3q)e−B+ (1−2q)e−2B}= 0. (3.23) As solu¸c˜oesA= 0 ee3B = 1 n˜ao interessam. Definindoe−B=x, as solu¸c˜oes,
da equa¸c˜ao
q+ (1−3q)x+ (1−2q)x2 = 0, (3.24)
s˜ao dadas por: x=−1 e x= q/(1−2q). A solu¸c˜ao x=−1 n˜ao serve, pois devemos tere−B positivo. Com a solu¸c˜ao
e−B = q
3.2 Modelo II restrito 51
0 1 2 3 4 5 6
h
0 0.2 0.4 0.6
P
hFigura 3.6: Ph para δt= 1, T = 106 e q= 0.2
obtemos,
Ph =
1−3q 1−2q
µ
q 1−2q
¶h
. (3.26)
Notamos queP0 = 1/3−q ∼(q−qc), ou seja, com a nossa aproxima¸c˜ao de
campo m´edio, xCM
0 = 1. Na aproxima¸c˜ao de campo m´edio para o modelo II irrestrito, feita na referˆencia [27], foi obtida a rela¸c˜aoxCM
h = 1/2h, enquanto
que na nossa aproxima¸c˜ao para o caso restrito, xCM h = 1.
Com a distribui¸c˜ao de probabilidades (3.26), encontramos a largura da
interface da seguinte forma:
hhi=Z−1
∞
X
h=0
hxh = −x
1−x, (3.27)
hh2i=Z−1
∞
X
h=0
h2xh = x 2 +x
(1−x)2, (3.28)
w2 =hh2i − hhi2 = x (1−x)2 e portanto
w=
p
q(1−2q)
Para q < qc, com aproxima¸c˜ao de campo m´edio simples, obtemosw ∼(qc −
q)−1. Resultado diferente da simula¸c˜ao, onde w2 ∼ln(q
c−q).
3.2.2
Ponto cr´ıtico,
q
= 1
/
3
Admitimos a solu¸c˜ao
Ph(t) =
p
A(t)−B(t)h2. (3.30)
A equa¸c˜ao (3.20) em q=qc, se torna,
dPh
dt =
1 3(P
3
h−1−Ph3) +
1 3(P
2
h+1Ph−Ph2Ph−1). (3.31) Como dPh2
dt = 2Ph dPh dt , dP2 h dt = 2 3P 2 h ·
Ph−1 Ph
µ
Ph2−1−Ph2
¶
+
µ
Ph2+1−Ph2
¶¸
. (3.32)
Fazendo a aproxima¸c˜ao Ph−1
Ph = 1 +
Bh P2 h, dP2 h dt ≃ 2 3P 2 h ·µ
1 + Bh P2
h
¶
(2Bh−B) + (−2Bh−B)
¸
. (3.33)
Desprezando termos da ordem Ph2
h , dP2 h dt ≃ 2 3P 2 h µ
−2B+ 2B 2h2
P2
h
¶
. (3.34)
A partir da equa¸c˜ao (3.34), temos as seguintes equa¸c˜oes paraA e B:
dA
dt =−
4 3BA, dB
dt =−
8 3B
2. (3.35)
Para tempos longos, A(t) = at−1/2 eB(t) = 3t−1/8, ondea ´e uma constante positiva. Definindo
In =
Z H
0
3.2 Modelo II restrito 53
0 20 40 60 80
h
0.01 0.02 0.03 0.04
P
hT= 104
T= 105
T= 106
Figura 3.7: Ph para q= 1/3, δt= 1, T = 106, 105 e 104
2000 4000 6000 8000
h
25e-05 0.0001 0.00015 0.0002
P
h2
Figura 3.8: P2
temos w2 =I
2/I0−I12/I02.
w2 =
µ
1 4 −
42 (3π)2
¶
H2 (3.37)
A normaliza¸c˜ao (I0 = 1), implicaH2 = 8at1/2/3, assim
w∼t1/4. (3.38)
No ponto cr´ıtico econtramos o expoente de crescimento β = 1/4. Resultado que difere da simula¸c˜ao, ondew2 ∼lnt.
3.2.3
Fase rugosa,
q >
1
/
3
Acima da criticalidade, partimos da solu¸c˜ao
Ph(t) =A(t)
√
h. (3.39)
Com a equa¸c˜ao (3.20),
dA dt
√
h≃h3/2A3{q[(1−1/h)3/2−1] + (1−3q)[(1 + 1/h)1/2−(1−1/h)]+ + (1−2q)[(1 + 1/h)−(1−1/h)1/2]}. (3.40)
Expandindo at´e ordem 1/h2,
dA
dt ≃A
3h[q(
−23h) + (1−3q)( 3
2h) + (1−2q)( 3
2h)] = 3A 3(1
−3q). (3.41)
A solu¸c˜ao para tempos longos ´eA(t)∼t−1/2, com (3.39) e (3.41), Ph(t) =
1
p
6(3q−1)t
−1/2h1/2. (3.42) A seguir calculamos a largura da interface:
Z H
0
t−1/2h1/2
p
6(3q−1)dh= 1 =⇒H
3/2 = 3 2t
1/2p
6(3q−1), (3.43)
hhi=
Z H
0
hPhdh=
3
3.2 Modelo II restrito 55
0 20 40 60 80 100
h
0.02 0.04 0.06
P
hT= 104
T= 105
T= 106
Figura 3.9: Ph para q= 0.7,δt= 1, T = 106, 105 e 104
0 50 100 150 200 250 300
h
0 5e-05 0.0001 0.00015 0.0002 0.00025
P
h2
Figura 3.10: P2
e
hh2i=
Z H
0
h2Phdh=
3 7H
2. (3.45)
Portanto:
w2 =hh2i − hhi2 =H2
µ 3 7 − 9 25 ¶ = 12 175 · 3 2 p
6(3q−1)
¸4/3
t2/3. (3.46)
Para q > qc encontramos o expoente de crescimento β = 1/3, resultado que
concorda com a simula¸c˜ao.
3.3
Aproxima¸
c˜
ao de campo m´
edio aos pares
Nesta se¸c˜ao, ser´a apresentada a aproxima¸c˜ao de campo m´edio aos pares para o modelo II. Com aproxima¸c˜ao de campo m´edio simples, obtemos: a transi¸c˜ao
de rugosidade, o expoente de crescimento KPZ para q > qc, qc = 1/3 e
os expoentes xk = 1. Com a aproxima¸c˜ao de campo m´edio em n´ıvel de
pares, devemos obter 0.1895 < qc <1/3 e uma melhor concordˆancia com os
resultados de simula¸c˜ao.
A equa¸c˜ao (3.19), com aproxima¸c˜ao de campo m´edio aos pares, se torna:
d
dtPh =qPh−1,h−1Ph−1,h−1/Ph−1−qPh,hPh,h/Ph) + +(1−q)Ph,h+1Ph+1,h/Ph+1−(1−q)Ph−1,hPh,h−1/Ph+
+qPh−1,h−1Ph−1,h/Ph−1 −qPh,hPh,h+1/Ph+
+(1−q)
2 Ph,h+1Ph+1,h+1/Ph+1−
(1−q)
2 Ph−1,hPh,h/Ph+ +qPh,h−1Ph−1,h−1/Ph−1 −qPh+1,hPh,h/Ph+
+(1−q)
2 Ph+1,h+1Ph+1,h/Ph+1−
(1−q)
2 Ph,hPh,h−1/Ph+
3.3 Aproxima¸c˜ao de campo m´edio aos pares 57
Precisamos tamb´em da evolu¸c˜ao temporal deP(h, h),P(h, h−1) eP(h, h+1). d
dtP(h, h) =
q
·µ
P(h, h−1, h) +P(h, h−1, h−1) +P(h, h−1, h) +P(h−1, h−1, h)
¶
−
µ
P(h, h, h) +P(h, h, h+ 1) +P(h, h, h) +P(h+ 1, h, h)
¶¸
+1−q 2
·
P(h, h+ 1, h+ 1) +P(h+ 1, h+ 1, h)−P(h, h, h−1)
−P(h−1, h, h)
¸
+ (1−q)
·
P(h, h+ 1, h) +P(h, h+ 1, h)
¸
, (3.48)
d
dtP(h, h+ 1) =
q
·
P(h, h, h) +P(h, h, h+ 1)−P(h, h, h+ 1)−P(h+ 1, h, h+ 1)
¸
+ 1−q 2
·
P(h, h+ 1, h+ 1)−P(h, h+ 1, h+ 1)
¸
−(1−q)P(h, h+ 1, h) (3.49)
e d
dtP(h, h−1) = q
·
P(h, h−1, h−1) +P(h−1, h−1, h−1)−P(h, h−1, h−1)
+P(h, h−1, h)
¸
+ 1−q 2
·
P(h, h, h−1)−P(h, h, h−1)
¸
−(1−q)P(h−1, h, h−1). (3.50)
Com aproxima¸c˜ao de campo m´edio aos pares: d
dtPh,h=q
·µ
(Ph,h−1+Ph−1,h)Ph−1,h−1+ 2Ph,h−1Ph−1,h
¶
/Ph−1
−
µ
(Ph+1,h+Ph,h+1)Ph,h+ 2Ph,hPh,h
¶
/Ph
¸
+1−q 2
·
(Ph,h+1+Ph+1,h)Ph+1,h+1/Ph+1−(Ph,h−1+Ph−1,h)Ph,h/Ph
¸
+(1−q)
·
2Ph,h+1Ph+1,h/Ph+1
¸
5 10 15 20
h
0.1 0.2 0.3 0.4
P
hq= 0.23253, T= 105
q= 0.23253, T= 106
q= 0.23254, T= 105
q= 0.23254, T= 106
Figura 3.11: Ph com aproxim¸c˜ao de campo m´edio aos pares e δt= 1
d
dtPh,h+1 =q
·
(Ph,hPh,h−Ph,h+1Ph+1,h)/Ph
¸
−(1−q)Ph+1,hPh,h+1/Ph+1 (3.52)
e
d
dtPh,h−1 =q
·
(Ph−1,h−1Ph−1,h−1−Ph−1,hPh,h−1)/Ph−1
¸
−(1−q)Ph,h−1Ph−1,h/Ph. (3.53)
As equa¸c˜oes 3.47, 3.51, 3.52 e 3.53 n˜ao s˜ao independentes, pois Ph =
Ph,h+Ph,h+1+Ph,h−1. Portanto, devemos escolher trˆes das quatro equa¸c˜oes
para obter Ph por integra¸c˜ao num´erica. A figura 3.11, nos leva a concluir
que qc = 0.23254. Pois, at´e q = 0.23253, Ph n˜ao depende do tempo. Se Ph
n˜ao depende deT, a interface ´e lisa.
3.3 Aproxima¸c˜ao de campo m´edio aos pares 59
0 0.05 0.1 0.15 0.2 0.25
q
0.5 1 1.5 2
w
S CM1 CM2
q= 0.23254 q= 0.1895
Figura 3.12: Comapara¸c˜ao entre campom´edio e simula¸c˜ao para o modelo II
restrito com q < qc
Notamos que longe da criticalidade a concordˆancia entre simula¸c˜ao e campo m´edio ´e melhor. Perto do ponto cr´ıtico, na simula¸c˜ao w2 ∼ ln(q
c −q),
en-quanto que com campo m´edio simples wCM ∼ (q−qc)−1. N˜ao foi poss´ıvel
obter como w diverge pr´oximo do ponto cr´ıtico na aproxima¸c˜ao aos pares. Notamos tamb´em que a concordˆancia entre a aproxima¸c˜ao de pares e a si-mula¸c˜ao ´e bem melhor comparada com a a aproxima¸c˜ao de campo m´edio