1 Dout or, Professor Assist ent e; e- m ail: cparada@fm b.unesp.br, carvalha@fm b.unesp.br; 2 Aluna do Curso de Graduação em Enferm agem , e- m ail m [email protected] .br. Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Est adual Paulista “ Júlio de Mesquita Filho”
PRÁTI CAS DE ALI MENTAÇÃO COMPLEMENTAR EM CRI ANÇAS NO PRI MEI RO ANO DE VI DA
Cr ist ina Mar ia Gar cia de Lim a Par ada1 Mar ia Ant oniet a de Bar r os Leit e Car v alhaes1 Milena Tem er Jam as2
Obj et ivou- se est udar prát icas de alim ent ação com plem ent ar no prim eiro ano de vida em Bot ucat u, SP, descr ev en do- as segu n do f aix a et ár ia e pr esen ça do aleit am en t o m at er n o ( AM) . For am en t r ev ist ados 1 . 2 3 8 acom p an h an t es d as cr i an ças m en or es d e 1 an o v aci n ad as em Cam p an h a d e Mu l t i v aci n ação. Di f er en ças associadas à sit uação do AM foram ident ificadas pelo t est e qui- quadrado e t est e exat o de Fisher. A int rodução d e alim en t os com p lem en t ar es f oi p r ecoce, lev an d o à b aix a f r eq ü ên cia d e aleit am en t o m at er n o ex clu siv o ( 36,9% em < 4 m eses) . Crianças m enores de 4 m eses consum iram chás ( 30,7% ) , crianças ent re 4 e 6 m eses consum ir am fr ut as ( 54, 1% ) , sopas ( 39, 9% ) e com ida ( 19, 2% ) . Sucos for am ofer ecidos a apenas 15, 2% das crianças m enores de 4 m eses com desm am e com plet o, água a 60% . Os dados apont am consum o de preparações inadequadas pela consist ência: ofert a de com ida da fam ília a crianças ent re 6 e 8 m eses ( 48,8% ) e ofert a de sopa a cr ianças acim a de 8 m eses ( 71, 6% ) . Just ificam - se no m unicípio int er v enções focadas na alim ent ação com p lem en t ar .
DESCRI TORES: aleit am ent o m at er no; leit e hum ano; suplem ent ação alim ent ar
COMPLEMENTARY FEEDI NG PRACTI CES TO CHI LDREN DURI NG THEI R FI RST YEAR OF LI FE
This st udy aim ed t o inv est igat e com plem ent ar y feeding pr act ices dur ing childr en’s fir st y ear of life in Bot ucat u, SP, Br azil. Pr act ices w er e descr ibed accor ding t o t he age r ange and t he br east feeding ( BF) pr act ice. Dat a w er e collect ed d u r in g a m u lt i- v accin at ion cam p aig n t h r ou g h t h e in t er v iew of 1 , 2 3 8 in d iv id u als w h o accom panied children younger t han one year old being vaccinat ed. Differences associat ed wit h t he BF sit uat ion w er e ident ified by t he chi- squar e t est and Fisher ’s ex act t est . The ear ly int r oduct ion of com plem ent ar y food was observed, which led t o t he low frequency of exclusive breast feeding ( 36.9% < 4 m ont hs) . Children younger t han 4 m ont hs old consum ed t ea ( 30. 7% ) ; childr en bet w een 4 and 6 m ont hs old consum ed fr uit s ( 54. 1% ) , soups ( 3 9 . 9 % ) and hom e- m ade food ( 1 9 . 2 % ) . Juice w as offer ed only t o 1 5 . 2 % of childr en y ounger t han 4 m ont hs old who were com plet ed weaned, 60% of t he children was offered wat er. Dat a show t hat t he consist ence of t h e f ood con su m ed w as in ap p r op r iat e: ch ild r en b et w een 6 an d 8 m on t h s old w er e of f er ed t h e f am ily ’s r egular food ( 48. 8% ) and childr en older t han 8 m ont hs ( 71. 6% ) w er e offer ed soup. Ther efor e, int er v ent ions focused on com plem ent ar y feeding ar e j ust ified on t he cit y .
DESCRI PTORS: br east feeding; Milk , hum an; supplem ent ar y feeding
PRÁCTI CAS DE ALI MENTACI ÓN COMPLEMENTARI A EN NI ÑOS DENTRO DEL PRI MER AÑO DE VI DA
El obj et iv o f u e est u diar las pr áct icas de alim en t ación com plem en t ar ia en el pr im er añ o de v ida de n iñ os en la r eg ión d e Bot u cat u , SP, las cu ales f u er on d escr it as seg ú n el g r u p o et ár eo y las p r áct icas d e lact ancia m at erna ( LM) . Fueron ent revist ados 1238 acom pañant es de niños m enores de 1 año vacunados en la Cam paña de Vacunación Múlt iple. Diferencias asociadas con la sit uación de LM fueron ident ificadas a t ravés del t est Chi- cuadr ado y el t est ex act o de Fisher . La int r oducción de alim ent os conplem ent ar ios fue pr ecoz, lo que pr oduj o una baj a fr ecuencia en la lact ancia m at er na ex clusiv a ( 3 6 , 9 % en < 4 m eses) . Niños m enor es de 4 años consum ier on m at es ( 30, 7% ) , ent r e 4 y 6 m eses consum ier on fr ut as ( 54, 1% ) , sopas ( 39, 9% ) y com ida ( 1 9 , 2 % ) . Los j u g os f u er on of r ecid os ap en as en 1 5 , 2 % d e los n iñ os m en or es d e 4 m eses q u ien es y a n o lact aban, y , agua en 60, 0% de los casos. Los dat os m uest r an pr ev alencia en el consum o de pr epar aciones inadecuadas con relación a su consist encia: ofert a de com ida por part e de la fam ilia en niños ent re 6 y 8 m eses ( 48,8% ) y ofert a de sopa a niños m ayores de 8 m eses ( 71,6% ) . Se sugiere que el m unicipio realice int ervenciones en focan do la alim en t ación su plem en t ar ia.
I NTRODUÇÃO
À
luz dos conhecim ent os cient íficos at uais, o leit e hum ano é considerado, de form a consensual, com o o único alim ento capaz de atender, de m aneira ad eq u ad a, t od as as p ecu liar id ad es f isiológ icas d o m et abolism o dos lact ent es nos prim eiros 6 m eses de vida( 1).Apesar dos avanços nas taxas de aleitam ento m aterno, observados na últim a década, a situação do aleit am en t o m at er n o, n o Br asil, ain d a est á lon g e daqu ela pr econ izada pela Or gan ização Mu n dial da Saúde (OMS): am am entação exclusiva até o sexto m ês d e v i d a e a l e i t a m e n t o m a t e r n o co m a l i m e n t o s com plem ent ares at é dois anos, ou m ais, de idade( 2).
Em Bot u cat u , SP, m u n icípio em qu e se r ealizou o present e est udo, observou- se que, ent re as crianças m enores de 120 dias, houve aum ento progressivo do aleit am ent o m at erno exclusivo, com prevalências de 19,1% em 1995, 22,6% em 1999 e 36,9% em 2004(3).
A alim entação com plem entar é definida com o a alim ent ação no per íodo em que out r os alim ent os ou líquidos são ofer ecidos à cr iança, em adição ao leit e m at er n o( 4 ). Con sider an do qu e n ão ex ist e u m
t er m o esp ecíf i co p a r a d esi g n a r a i n t r o d u çã o d e alim ent os à criança não am am ent ada, nest e est udo ser á u t ilizado o t er m o alim en t ação com plem en t ar, independent e da sit uação da criança em relação ao aleit am ent o m at er no.
A OMS r e co m e n d a q u e o s a l i m e n t o s com plem ent ar es sej am ofer ecidos a par t ir dos seis m eses d e id ad e( 1 ). En t r et an t o, a t en d ên cia at u al,
endossada pelo Ministério da Saúde brasileiro, é a de r e co m e n d a r a i n t r o d u çã o d e a l i m e n t o s com plem entares aos seis m eses de vida da criança( 5).
Para assegurar que satisfaçam as necessidades nutricionais, os alim entos com plem entares devem ser: opor t u n os ( in t r odu ção qu an do as n ecessidades de energia e nutrientes ultrapassarem o que o aleitam ento m at er n o ex cl u si v o p o d e o f er ecer ) ; ad eq u ad o s ( proporcionando energia, prot eínas e m icronut rient es suficientes para satisfazer as necessidades nutricionais de um a criança em crescim ent o) ; inócuos ( preparo e arm azenam ento de form a higiênica, oferecidos com as m ãos lim pas e utilizando utensílios lim pos), oferecidos com t écnica, freqüência e consist ência adequadas à idade, at endendo as sensações de fom e e saciedade da criança(5).
No início, os alim ent os oferecidos à criança dev em ser pr epar ados especialm ent e par a ela, sob
a f or m a d e p ap as, p u r ês d e leg u m es, cer eais ou fr ut as. São os cham ados alim ent os de t r ansição. A p ar t i r d o s o i t o m eses, p o d em ser o f er eci d o s o s m esm os alim ent os preparados para a fam ília, desde que am assados, desfiados, picados ou cor t ados em pedaços pequenos. Recom enda- se o uso de copos p a r a o f er ecer á g u a o u o u t r o s l íq u i d o s e d a r o s alim entos sem i- sólidos e sólidos com prato e colher( 4).
Considerando a im port ância da alim ent ação com plem entar para o crescim ento e o desenvolvim ento infantil, propôs- se esta investigação, cuj o obj etivo foi est udar as prát icas de alim ent ação com plem ent ar no primeiro ano de vida em Botucatu, SP, descrevendo sua utilização, segundo faixa etária, e identificando diferenças associadas à presença de aleitam ento m aterno.
MÉTODO
Tipo de Est udo e Colet a de Dados
Trat a- se de est udo t ransversal, cuj os dados foram obtidos na 1ª Etapa da Cam panha Nacional de Multivacinação de 2004, em Botucatu, SP, cidade com cer ca de 1 1 0 . 0 0 0 h abit an t es, localizada n a r egião cen t r o- su l d o Est ad o. For am en t r ev ist ad as 1 2 3 8 acom panhantes de crianças m enores de 1 ano - 90,6% das cr ian ças est im adas par a essa f aix a et ár ia - , sendo obt idas infor m ações sobr e o consum o ( sim , n ã o ) d e a l i m e n t o s n o d i a a n t e r i o r à p e sq u i sa . Perguntou- se sobre o consum o de água, chás, sucos, frutas, leite ( fluido ou em pó) , feij ão, carne, m ingaus, sopas, papas e com ida sólida.
Estudaram - se as crianças antes dos 6 m eses de vida para avaliar a introdução oportuna ou não de alim entos com plem entares, aquelas com 6 m eses por se r e ssa a f a i x a d e i d a d e o n d e o s a l i m e n t o s com plem ent ares devem ser iniciados e as ent re 6 e 10 m eses par a seguir os indicador es pr econizados pela OMS( 6) . A faixa de idade entre 8 e 12 m eses foi
estudada pelo fato de nela ser indicado que as crianças p a sse m a r e ce b e r a m e sm a a l i m e n t a çã o q u e é preparada para a fam ília( 4- 5).
Pr ocedim ent os Ét icos
Análise dos dados
Os q u e st i o n á r i o s f o r a m co n f e r i d o s, co d i f i ca d o s e cr i o u - se u m a r q u i v o d e d a d o s n o
so f t w a r e Ep i I n f o 6 . 0 , u t ilizan d o- se r ecu r sos q u e per m it iam apenas a ent r ada de dados pr ev ist os na codificação. A consistência do arquivo foi checada pela con f er ên cia de qu est ões associadas em par t e dos quest ionários, com correção dos erros ident ificados. Par a av aliar a r elação en t r e con su m o d e alim ent os com plem ent ares e a presença, ou não, de aleit am en t o m at er n o, u t ilizou - se o t est e d e q u i-q u a d r a d o , a d o t a n d o - se 5 % co m o n ív e l d e significância. Nos casos em que o núm ero de crianças em det erm inada cat egoria era inferior a 5, realizou-se o Test e Exat o de Fisher, t am bém adot ando- realizou-se 5% com o nível de significância.
RESULTADOS
A Ta b e l a 1 a p r e se n t a a f r e q ü ê n ci a d e consum o de alim ent os com plem ent ar es, segundo a faixa et ária da criança.
Tab ela 1 - Fr eq ü ên cia d e con su m o d e alim en t os com plem ent ar es em cr ianças m enor es de 1 ano de idade. Bot ucat u, SP, 2004
Obser va- se, na Tabela 1, que 126 cr ianças m enor es de quat r o m eses ( 30,7% ) r eceber am chá, s e n d o q u e o s d e m a i s a l i m e n t o s f o r a m m e n o s con su m idos. Tam bém se obser va qu e a pr opor ção d e cr i an ças co n su m i n d o o s d i f er en t es al i m en t o s pesquisados cresce com o avançar da idade, excet o p a r a o c o n s u m o d e c h á , c u j a p r e v a l ê n c i a d e con su m o cai p ar a 1 9 , 7 % em cr ian ças com id ad e acim a de 8 m eses e o m ingau e a sopa, pouco m enos consum idos na faixa et ária de 8 a 12 m eses, quando com paradas às crianças ent re 6 e 10 m eses.
A Ta b e l a 2 a p r e s e n t a a p r o p o r ç ã o d e cr i an ças q u e co n su m i r am car n e n a so p a, o u n a com ida, e f eij ão n a com ida de en t r e aqu elas qu e est av am r ecebendo alim ent ação salgada, por faix a et ár ia, sen do ex clu ídas as cr ian ças m en or es de 4 m eses, pelo pequeno núm ero delas recebendo esses alim en t os.
Tabela 2 - I nt rodução de alim ent os com plem ent ares com carne ou feij ão em crianças ent re 4 m eses e 1 ano de idade. Bot ucat u, SP, 2004
o t n e m i l A e d a d I m 4 -| 0 ) 0 1 4 = n ( m 6 -| 4 ) 8 9 1 = n ( m 7 -| 6 ) 4 8 = n ( m 0 1 -| 6 ) 1 9 3 = n ( m 2 1 -| 8 ) 7 3 4 = n ( º
N % Nº % Nº % Nº % Nº % u a g n i M m i
S 30 7,3 69 34,8 45 53,6 209 53,5 211 48,3 o
ã
N 380 92,7 129 65,2 39 46,4 182 46,5 226 51,7 a p o S m i
S 10 2,4 79 39,9 58 69,0 295 75,4 313 71,6 o
ã
N 398 97,1 117 59,1 25 29,8 96 24,6 121 27,7 a t s n o C o ã
N 2 0,5 2 1,0 1 1,2 - - 3 0,7 a d i m o C m i
S 2 0,5 38 19,2 41 48,8 234 59,8 327 74,8 o
ã
N 399 97,3 155 78,3 42 50,0 157 40,2 110 25,2 a t s n o C o ã
N 9 2,2 5 2,5 1 1,2 - - -o c u S m i
S 23 5,6 76 38,4 52 61,9 264 67,5 300 68,6 o
ã
N 387 94,4 122 61,6 32 38,1 127 32,5 137 31,4 a t u r F m i
S 17 4,1 107 54,1 62 73,8 289 73,9 324 74,2 o
ã
N 390 95,2 88 44,4 20 23,8 94 24,1 105 24,0 a t s n o C o ã
N 3 0,7 3 1,5 2 2,4 8 2,0 8 1,8 á
h C m
i
S 126 30,7 52 26,3 23 27,4 103 26,3 86 19,7 o
ã
N 270 65,9 141 71,2 59 70,2 281 71,9 341 78,0 a t s n o C o ã
N 14 3,4 5 2,5 2 2,4 7 1,8 10 2,3 s o r t u O m i
S 13 3,2 41 20,7 42 50,0 235 60,1 290 66,4 o
ã
N 390 95,1 143 72,2 37 44,0 138 35,3 132 30,2 a t s n o C o ã
N 7 1,7 14 7,1 5 6,0 18 4,6 15 3,4
A ofert a de alim ent os com plem ent ares com carne e feij ão t am bém aum ent ou com a idade, excet o discret a dim inuição no oferecim ent o de com ida com f e i j ã o e m c r i a n ç a s c o m s e i s m e s e s , q u a n d o com p ar ad as àq u elas n a f aix a et ár ia en t r e 4 e 6 m eses.
As Tab elas 3 a 5 t r azem a r elação en t r e p r e s e n ç a d e AM e c o n s u m o d e a l i m e n t o s com plem ent ar es em difer ent es faix as et ár ias.
o t n e m i l A e d a d I m 6 -| 4 ) 8 9 1 = n ( m 7 -| 6 ) 4 8 = n ( m 0 1 -| 6 ) 1 9 3 = n ( m 2 1 -| 8 ) 7 3 4 = n ( º
N % Nº % Nº % Nº %
e n r a C / a p o S m i
S 52 65,8 46 79,3 248 84,1 284 90,7 o
ã
N 27 34,2 12 20,7 45 15,2 24 7,7 a t s n o c o ã
N - - - - 2 0,7 5 1,6 l
a t o
T 79 100,0 58 100,0 295 100,0 313 100,0 e n r a C / a d i m o C m i
S 19 50,0 25 61,0 161 68,8 251 76,8
o ã
N 19 50,0 16 39,0 70 29,9 74 22,6 a t s n o C o ã
N - - - - 3 1,3 2 0,6 l
a t o
T 38 100,0 41 100,0 234 100,0 327 100,0 o ã j i e F / a d i m o C m i
S 33 86,8 35 85,4 209 89,3 303 92,7 o
ã
N 5 13,2 6 14,6 24 10,3 24 7,3 a t s n o C o ã
N - - - - 1 0,4 -
-l a t o
Ta b e l a 3 - Re l a çã o e n t r e AM e a l i m e n t o s com plem ent ares em crianças at é 6 m eses de idade. Bot ucat u, SP, 2004
A Tabela 4 per m it e com parar as difer enças no consum o de alim entos com plem entares e líquidos, segundo AM, em duas faixas etárias: 6 a 10 m eses e 8 a 12 m eses.
Tabela 4 - Relação entre AM e introdução de alim entos com plem ent ares em crianças ent re 6 m eses e 1 ano de idade. Bot ucat u, SP, 2004
e d a d I M
A 0 |-4m(n=410) 4|-6m(n=198) 6|-7m(n=84) m
i
S Não Sim Não Sim Não o t n e m i l
A Nº % Nº % Nº % Nº % Nº % Nº % u a g n i M m i
S 16 4,7 14 21,2 36 26,1 33 55 24 54,5 21 52,5 o
ã
N 32895,3 52 78,8 10273,9 27 45 20 45,5 19 47,5
α2=22,40p=0,0000α2=15,40p=0,0000 α2=0,04 p=0,8510
a p o S m i
S 8 2,3 2 3 53 38,7 26 44,1 31 70,5 27 69,3 o
ã
N 33497,7 64 97 84 61,3 33 55,9 13 29,5 12 30,7 8 7 6 6 , 0 = r e h s i
F α2=0,50 p=0,481 α2=0,01 p=0,9034
a d i m o C m i
S 0 0 2 3 25 18,5 13 22,4 16 36,4 25 64,1 o
ã
N 336 100 63 97 11081,5 45 77,6 28 63,6 14 35,9 9 5 2 0 , 0 = r e h s i
F α2=0,39 p=0,5326 α2=6,36 p=0,0116
o c u S m i
S 13 3,8 10 15,2 47 34,1 29 48,3 26 59,1 26 65 o
ã
N 33196,2 56 84,8 91 65,9 31 51,7 18 40,9 14 35
α2=11,37 p=0,0007 α2=3,60 p=0,0576 α2=0,31 p=0,5775
a t u r F m i
S 12 3,5 5 7,6 70 51,1 37 63,8 32 74,4 30 76,9 o
ã
N 32996,5 61 92,4 67 48,9 21 36,2 11 25,6 9 23,1
α2=2,27 p=0,1315 α2=2,65 p=0,1013 α2=0,07 p=0,7919
á h C m
i
S 96 28,9 30 46,8 30 21,9 22 36,7 9 21,4 14 35 o
ã
N 236 71,1 34 53,2 107 78,1 38 63,3 33 78,6 26 65
α2=7,98 p=0,0047 α2=4,68 p=0,0304 α2=1,87 p=0,1714
a u g Á m i
S 57 16,6 40 60,6 78 56,5 54 90 40 90,9 37 92,5 o
ã
N 28683,4 26 39,4 60 43,5 6 10 4 9,1 3 7,5
α2=59,20p=0,0000α2=21,09p=0,0000 α2=0,07 p=0,7921
s o r t u O m i
S 11 3,2 2 3,2 25 19,4 16 29,1 20 48,8 22 57,9 o
ã
N 32996,8 61 96,8 10480,6 39 70,9 21 51,2 16 42,1 0 0 0 0 , 1 = r e h s i
F α2=2,10 p=0,1473 α2=0,66 p=0,4172
A f r e q ü ê n ci a d e co n su m o d e q u a l q u e r alim ento ou líquido investigado foi, proporcionalm ente, m aior en t r e as cr ian ças m en or es de 6 m eses n ão am am ent adas, hav endo associação, na faix a et ár ia m enor de 4 m eses, ent re não est ar recebendo leit e m at erno e m aior freqüência de consum o de m ingau ( p= 0,0000) , com ida de panela ( Fisher = 0,0259) , suco de f r u t as ( p= 0 , 0 0 0 7 ) , ch ás ( p= 0 , 0 0 4 7 ) e águ a ( p= 0,0000) . Tam bém houve associação na faixa etária ent re 4 e 6 m eses ent re não est ar em AM e m aior consum o de alguns alim ent os com plem ent ares com o m ingau ( p= 0,0000) , suco de fruta ( p= 0,0576) , chás ( p= 0,0304) e água ( p= 0,0000) . Para as crianças com 6 m eses com plet os, houve associação apenas ent re não est ar em AM e m aior freqüência de consum o de com ida de panela ( p= 0,0116) .
For am ob ser v ad as alg u m as d if er en ças n o co n su m o d e al i m en t o s co m p l em en t ar es seg u n d o presença de AM. Na faixa et ária ent re 6 e 10 m eses h ou v e associação en t r e n ão est ar em AM e m aior freqüência de crianças recebendo com ida de panela ( p= 0,0140) . Porém , para as crianças com idade entre 8 e 12 m eses, receberam significativam ente m ais sopa aquelas am am ent adas ( p= 0,0293) .
A pr esença de car ne no pr epar o da sopa e de car ne, ou feij ão, na com ida de panela, segundo AM, em cr i an ças en t r e 4 e 1 2 m eses co n st a d a Tab ela 5 .
M A e d a d I ) 1 9 3 = n ( m 0 1 -|
6 8|-12m(n=437) m
i
S Não Sim Não
o t n e m i l
A Nº % Nº % Nº % Nº %
u a g n i M m i
S 100 52,1 109 54,8 89 48,4 122 48,2 o
ã
N 92 47,9 90 45,2 95 51,6 131 51,8
α2=0,28 p=0,5938 α2=0,00 p=0,9755
a p o S m i
S 150 78,1 145 72,9 142 77,6 171 68,1 o
ã
N 42 21,9 54 27,1 41 22,4 80 31,9
α2=1,46 p=0,2269 α2=4,72 p=0,0293
a d i m o C m i
S 103 53,7 131 65,8 136 73,9 191 75,5 o
ã
N 89 46,3 68 34,2 48 26,1 62 24,5
α2=6,04 p=0,0140 α2=0,14 p=0,7069
o c u S m i
S 126 65,6 138 69,4 134 72,8 166 65,6 o
ã
N 66 34,4 61 30,6 50 27,2 87 34,4
α2=0,62 p=0,4320 α2=2,58 p=0,1085
a t u r F m i
S 144 76,6 145 74,3 141 77,9 183 73,8 o
ã
N 44 23,4 50 25,7 40 22,1 65 26,2
α2=0,26 p=0,6110 α2=0,96 p=0,3281
á h C m
i
S 42 22,6 61 30,8 30 16,8 56 22,5 o
ã
N 144 77,4 137 69,2 148 83,2 193 77,5
α2=3,31 p=0,0689 α2=2,05 p=0,1522
a u g Á m i
S 182 94,8 188 94,5 179 97,3 243 96 o
ã
N 10 5,2 11 5,5 5 2,7 10 4
α2=0,02 p=0,8886 α2=0,49 p=0,4837
s o r t u O m i
S 106 58,6 129 67,2 120 68,6 170 68,8 o
ã
N 75 41,4 63 32,8 55 31,4 77 31,2
Tabela 5 - Relação entre AM e introdução de alim entos com plem en t ar es com car n e ou f eij ão em cr ian ças entre 4 m eses e 1 ano de idade. Botucatu, SP, 2004
a l i m e n t o s co m p l e m e n t a r e s n a a l i m e n t a çã o d a s crianças do m unicípio estudado, levando à interrupção d o AME log o n os p r im eir os m eses d e v id a. Essa sit u ação t am b ém t em sid o ob ser v ad a em ou t r as invest igações nacionais( 7- 10), indicando não se t rat ar
de problem a local.
Ao com parar as crianças m enores de 4 m eses estudadas com crianças de m esm a idade de m unicípio do Nordest e brasileiro( 9), not a- se sit uação um pouco
m e l h o r e m Bo t u ca t u : m e n o r e s p r e v a l ê n ci a s d e consum o de suco ( 8,4% e 5,6% ) , sopa ( 5,3% e 2,4% ) e com ida de panela ( 2,1% e 0,5% ) , em bora o consum o de chás t enha sido sem elhant e ( 31,8% e 30,7% ) .
A com p lem en t ação d o leit e m at er n o com líquidos não nut rit ivos com o os chás, nos prim eiros sei s m eses d e v i d a, é p r át i ca cu l t u r al h á m u i t o est abelecida em nosso m eio, por ém , inadequada e d e sn e ce ssá r i a so b o a sp e ct o b i o l ó g i co , m e sm o considerando dias quentes e secos. Além disso, sabe-se que a m esm a leva à redução do consum o total de leit e, poden do cu lm in ar com o desm am e pr ecoce, além de elevar os riscos de m orbim ort alidade( 5). No
pr esen t e est u do, obser v ou - se pr esen ça de ch á n a alim entação durante todo o prim eiro ano de vida, com as m aiores freqüências de consum o em m enores de quat ro m eses, onde quase um t erço das crianças o consum iram no dia que antecedeu a coleta de dados. Em out ro est udo realizado em Bot ucat u, SP, em 2004, evidenciou- se que o principal m otivo alegado pelas m ães para terem introduzido precocem ente chás na alim ent ação de seus filhos foi consider ar que a criança necessit ava desses líquidos, ou sej a, que os m esm o s, d e a l g u m a f o r m a , er a m n ecessá r i o s à sat isfação de necessidades da criança( 11), sugerindo
desconhecim ent o dos possív eis efeit os delet ér ios à saúde de t ais alim ent os nessa fase da vida.
Com o esp er ad o, a p r op or ção d e cr ian ças estudadas consum indo alim entos sem i- sólidos, sólidos e l íq u i d o s cr e sce u à m e d i d a q u e a f a i x a e t á r i a aum ent ou. O m esm o ocor r eu em São Car los, SP, e Feir a de Sant ana, BA, onde alim ent os com o frut as, papas e com ida de panela apr esent ar am const ant e aum ent o em suas prevalências de consum o( 8- 9).
Ao s 6 m e se s co m p l e t o s, a p r e se n ça d e alim ent os com plem ent ar es é desej áv el, m as esses, a t é o s o i t o m e se s, d e v e m se r p r e p a r a d o s especialm ent e para a criança, sendo oferecidos sob a f or m a d e p ap as, p u r ês d e leg u m es, cer eais ou frut as( 5). Ao cont rário dessas recom endações, not
a-se na prea-sent e invest igação que 48,8% das crianças
o t n e m i l
A Sopacomcarne ComidacomcarneComidacomfeijão
M A / e d a d
I Sim Não Sim Não Sim Não º
N % Nº % Nº % Nº % Nº % Nº % m
6 -| 4
M A m
i
S 32 61,5 21 77,8 11 57,9 14 73,7 22 66,7 3 60 o
ã
N 20 38,5 6 22,2 8 42,1 5 26,3 11 33,3 2 40
α2=2,12 p=0,1451 α2=1,05 p=0,3049 Fisher=1,0000
m 7 -| 6
M A m
i
S 23 50 8 66,7 8 32 8 50 11 31,4 5 83,3 o
ã
N 23 50 4 33,3 17 68 8 50 24 68,6 1 16,7
α2=1,06 p=0,3026 α2=1,33 p=0,2490 Fisher=0,0260
m 0 1 -| 6
M A m
i
S 12148,8 27 60 67 41,6 33 47,1 91 43,5 11 45,8 o
ã
N 12751,2 18 40 94 58,4 37 52,9 118 56,5 13 54,2
α2=1,91 p=0,1664 α2=0,61 p=0,4358 α2=0,05 p=0,8302
m 2 1 -| 8
M A m
i
S 12945,4 11 45,8103 41 31 41,9 12741,9 8 33,3 o
ã
N 15554,6 13 54,2148 59 43 58,1176 58,1 16 66,7
α2=0,00 p=0,9690 α2=0,02 p=0,8954 α2=0,68 p=0,4111
A Tabela 5 evidencia que houve associação apenas ent re não est ar em AM e m aior consum o de com ida de panela com feij ão, par a cr ianças com 6 m eses de vida ( Fisher = 0,0260) .
Finalm ent e, t am bém se pesquisou a for m a co m o o s l íq u i d o s f o r a m o f e r e ci d o s à s cr i a n ça s m enores de 1 ano, se com chucas ou m am adeiras, e a relação dessa com o AM. Houve associação ent re não est ar em AM e ut ilizar bicos de borracha, t ant o
ch u ca s com o m am ad eir as, p ar a of er ecim en t o d e líquidos em todas as faixas etárias das crianças ( dados não incluídos em t abela) .
DI SCUSSÃO
Alguns aspect os r elat iv os à v alidade dest e estudo serão considerados inicialm ente. A seleção das cr ianças em Cam panha de Mult iv acinação r ev elou-se escolha acertada, por perm itir avaliar a alim entação d e 9 0 , 6 % d a s cr i a n ça s m e n o r e s d e 1 a n o d o m u n i cíp i o , g a r a n t i n d o a l t a r e p r e se n t a t i v i d a d e p o p u l a ci o n a l . Po r é m , p o r se t r a t a r d e e st u d o t r a n sv e r sa l , a p r e se n t a co m o l i m i t a çã o a im possibilidade de se ident ificar a idade de início de consum o de cada alim ent o.
com seis m eses com p let os ( 6 | - 7 m ) j á est av am r eceben do a m esm a com ida de pan ela pr epar ada para toda a fam ília, um a inadequação de consistência que pode dificultar a aceitação dos alim entos e expor a criança a deficiências nut ricionais.
Apenas 19 crianças ( 3% ) com idade igual ou superior a 6 m eses não est avam recebendo nenhum alim ent o sólido ou sem i- sólido ( com ida de panela, papa de fr ut as ou salgada) . Assim , o pr oblem a do m unicípio est udado relaciona- se à int rodução precoce e não t ardia dos alim ent os com plem ent ares.
O oferecim ent o de carne na sopa aum ent ou quando se com parou as faixas et árias ent re 6 e 10 m eses e ent r e 8 e 12 m eses, alcançando par celas e x p r e ssi v a s d a s cr i a n ça s: 8 4 , 1 % e 9 0 , 7 % , r e sp e ct i v a m e n t e . O m e sm o o co r r e u co m o oferecim ent o de carne na com ida de panela: 68,8% e 7 6 , 8 % e f e i j ã o n a co m i d a : 8 9 , 3 % e 9 2 , 7 % . I n depen den t em en t e da faix a et ár ia, ev iden ciou - se si t u a çã o f a v o r á v e l à i n g e st ã o d e q u a n t i d a d e s adequadas de fer r o.
Dev e- se t am bém discu t ir a in t r odu ção de a l i m e n t o s co m p l e m e n t a r e s, se g u n d o o t i p o d e aleit am ent o pr at icado, v ist o que as r ecom endações v ar iam .
Para as crianças m enores de 4 m eses e entre 4 e 6 m e se s, o co n su m o d e a l i m e n t o s com plem ent ares foi sem pre m aior nas crianças não am am ent adas, o que pode ser com preendido, j á que se r e co m e n d a a i n t r o d u çã o d e a l i m e n t o s com plem ent ares m ais precocem ent e na ausência do aleit am ent o: água nos int ervalos das refeições desde o nascim ento; suco de frutas entre 2 e 4 m eses para as crianças que recebem leite integral; papa de frutas e papa salgada a partir do quarto e até o oitavo m ês de vida( 12).
De m aneir a ger al, a sit uação do m unicípio não foi fav or áv el par a os m enor es de 4 m eses: a prevalência de AME foi de apenas 36,9%( 3); ent re as
cr i a n ça s n ã o a m a m e n t a d a s, p o r o u t r o l a d o , a pr esen ça de alim en t os com plem en t ar es foi m en os freqüente do que o recom endado. Nesse últim o grupo, apenas 60,6% r eceber am água. Das cr ianças ent r e 2 | - 4 m eses n ão am am en t ad as, ap en as 1 2 , 1 % r eceber am su co de f r u t as, alim en t o r ecom en dado p a r a su p r i r a s n e ce ssi d a d e s d e v i t a m i n a C e m crianças recebendo leit e de vaca não enriquecido.
O elev ado consum o de chás ent r e cr ianças desm am adas, 4 6 , 8 % delas t om ar am esse líqu ido, par ece in dicar qu e su as m ães su bst it u em a águ a
( recom endada) pelo chá ( desaconselhado) , líquido que t em , na represent ação m at erna, papel im port ant e no alívio das cólicas da criança( 11).
A sit u ação d a alim en t ação com p lem en t ar en t r e as cr ian ças n ão am am en t ad as a p ar t ir d os quat r o m eses é um pouco m elhor : na faix a et ár ia entre 4 | - 6 m eses, 48,3% delas recebiam suco, 63,8% recebiam papa de frut as e 44,1% sopa.
Pa r a a s cr i a n ça s e n t r e 6 | - 7 m e se s am am ent adas, 90, 9% r eceber am alim ent os sólidos ou sem i- sólidos, indicando, nessa faix a et ár ia, alt a t axa de alim ent ação com plem ent ar oport una. Porém , por se t r at ar de est u do t r an sv er sal, n ão se pode afirm ar quando esses alim ent os foram int roduzidos. Com relação ao oferecim ent o à criança dos m esm os alim en t os p r ep ar ad os p ar a a f am ília, as r ecom endações não difer em segundo a v igência ou não da am am ent ação, devendo ser iniciado a part ir do oit avo m ês de vida da criança. Porém , ent re 6 | -7 m , 3 6 , 4 % d as cr ian ças am am en t ad as r eceb iam co m i d a d e p an el a e en t r e as n ão am am en t ad as 64,1% , evidenciando que a t ransição da consist ência p a st o sa p a r a só l i d a o co r r e p r e co ce m e n t e , principalm ent e ent re as crianças não am am ent adas. Tam bém indica a int errupção precoce do preparo de alim entos especiais para todas as refeições da criança, o q u e p o d e ser u m r i sco , j á q u e o co n su m o d e hortaliças pela população adulta brasileira é baixo( 13).
Ob se r v o u - se n e st e e st u d o q u e aproxim adam ent e t rês quart os das crianças ent re 8 | - 12 m eses ( 73,9% das am am ent adas e 75,5% das n ã o a m a m e n t a d a s) h a v i a m r e ce b i d o co m i d a d e p a n e l a n a v é sp e r a d a co l e t a d e d a d o s, p r á t i ca alim ent ar considerada adequada para essa faixa de idade. Porém , o consum o de sopa tam bém foi elevado: 68,1% ent re as não am am ent adas e 77,6% ent re as am am ent adas, o que dever ia ser desencor aj ado, j á que esse alim ento tem consistência inadequada à faixa etária, pois a pequena capacidade gástrica da criança dificult a que ela at inj a as necessidades ener gét icas por m eio de alim ent os com plem ent ares diluídos( 4).
O uso de bicos art ificiais para oferecim ent o de alim ent ação com plem ent ar, com o m am adeira e
chucas, associou- se significat ivam ent e e de m aneira negativa com o AM em todas as faixas etárias, o que t am bém ocorreu em out ros est udos( 7- 10), ressalt ando
a im portância da orientação e contra- indicação desses em m at er n idades, ber çár ios e cr ech es, bem com o de est rat égias para abordagem das m ães, de form a a evidenciar os prej uízos relacionados à sua utilização e à v i a b i l i d a d e d e o f er eci m en t o d a a l i m en t a çã o com plem ent ar com copo, em prat o e com t alher.
CONSI DERAÇÕES FI NAI S
A int r odução de alim ent ação com plem ent ar em crianças m enores de 1 ano ocorreu precocem ente. Líquidos não nut r it iv os com o chás for am ut ilizados por quase um terço das crianças m enores de 4 m eses, lev an do à baix a pr ev alên cia do AME. Nessa f aix a et ár ia, as cr ianças não am am ent adas não est av am e m m e l h o r si t u a çã o q u a n t o à a l i m e n t a çã o co m p l e m e n t a r : o co n su m o d e ch á s t a m b é m f o i fr eqüent e, as que necessit av am de suco de fr ut as não o receberam e a água, que deveria ser oferecida a todas, teve prevalência próxim a a 60% de consum o. D e ssa f o r m a , a t a x a d e i n íci o d e a l i m e n t a çã o com plem ent ar oport una nos prim eiros m eses de vida foi pequena, independent em ent e da sit uação do AM. Com r elação à alim en t ação com plem en t ar consum ida por crianças de 6 a 12 m eses, a pequena pr ev alên cia de cr ian ças qu e n ão h av iam r ecebido alim entos sólidos ou sem i- sólidos na véspera da coleta d e d ad os r at if ica n ov am en t e q u e o p r ob lem a d o m unicípio r elaciona- se à int r odução pr ecoce e não t a r d i a d o s a l i m e n t o s. Ne ssa f a i x a e t á r i a , o s in dicador es f or am f av or áv eis: alt a pr ev alên cia de cr ian ças r eceben do sopas com car n e e com ida de panela com feij ão e carne, alim entos com boas fontes d e f er r o, n u t r ien t e cr ít ico p ar a essa f aix a et ár ia. Porém , quant o à consist ência dos alim ent os, alguns pr oblem as for am det ect ados, com o o ofer ecim ent o d e al i m en t o s só l i d o s p r eco cem en t e e t am b ém a m anutenção da oferta de sopa a crianças que deveriam est ar recebendo alim ent ação sólida.
Assim , profissionais e serviços de saúde que atuem prom ovendo e apoiando o aleitam ento m aterno t êm agora que t rabalhar no sent ido de revert er esse quadro desfavorável quant o à ut ilização de alim ent os com plem ent ares. Há necessidade urgent e de focar o aconselham ento alim entar ao lactente na alim entação com plem entar, além das ações j á bastante difundidas e im plem entadas em nosso m eio de prom oção e apoio ao aleit am ent o m at erno.
Uma experiência bem-sucedida foi desenvolvida recent em ent e no Sul do Brasil, onde est udant es de graduação em nutrição, treinados, realizaram 10 visitas dom iciliares a um grupo de lactentes e suas m ães, ao longo do prim eiro ano de vida, realizando orientações b asead as n as d ir et r izes d o Min ist ér io d a Saú d e brasileiro(5). Com parados com grupo que não recebeu
a intervenção, entre as crianças estudadas houve menor t axa de int rodução de líquidos com o água e chá no primeiro mês de vida, houve aumento de 60% na chance de a criança ser am am entada exclusivam ente por pelo m enos 4 m eses, o consum o de guloseim as ( balas, refrigerante, salgadinhos e chocolate) foi 40% m enor , entre outros benefícios observados(14).
Ou t r o e st u d o b r a si l e i r o , r e a l i za d o n o Nordeste, tam bém identificou resposta m uito favorável co m i n t e r v e n çã o d o m i ci l i a r d i r i g i d a a a p o i a r o aleitam ento m aterno exclusivo, evitando a introdução precoce de alim ent ação com plem ent ar( 15).
Viabilizar em ser v iços públicos de at enção básica à saúde ações tão eficientes quanto as descritas acim a constitui desafio inadiável a ser enfrentado pelos profissionais de saúde. Pelas evidências, o dom icílio é o espaço preferencial para seu desenvolvim ent o.
Fin alm en t e, cab e ap on t ar q u e o p r esen t e estudo não teve obj etivo de conhecer as razões pelas q u a i s o s p r o b l e m a s r e l a t i v o s à a l i m e n t a çã o com plem ent ar det ect ados ocor r em . Sabe- se que as prát icas de cuidado infant il, dent re elas as prát icas alim ent ares, são influenciadas por fat ores cult urais, em ocionais, socioeconôm icos e relat ivos aos serviços de saúde. Assim , recom enda- se novos estudos, tanto d e n a t u r e za e p i d e m i o l ó g i ca q u a n t o e st u d o s qualit at ivos, dirigidos ao conhecim ent o aprofundado dos condicionant es dos com por t am ent os m at er nos relat ivos à alim ent ação de lact ent es na at ualidade.
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