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Interesses especulativos, atuação do Estado e direito à cidade: o caso do programa "Minha Casa Minha Vida" em Uberaba (MG).

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Academic year: 2017

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DOI: 10.7213/urbe.7789

"

ISSN 2175-3369

Licenciado sob uma Licença Creative Commons

Isabelle Oliveira Soares[a], Aline Werneck Barbosa de Carvalho[b], Geraldo Browne Ribeiro Filho[c], Neide Maria de Almeida Pinto[d]

Real estate interest, governmental action and right to the city: the case of

the program “Minha Casa Minha Vida” in Uberaba, Minas Gerais State

[⁷] Arquitet⁷ e urb⁷nist⁷ pel⁷ Universid⁷de Feder⁷l de Viços⁷ UFV , mestr⁷nd⁷ em Arquitetur⁷ e Urb⁷nismo pelo

Progr⁷m⁷ de Pós-Gr⁷du⁷ção em Arquitetur⁷ e Urb⁷nismo d⁷ Universid⁷de Feder⁷l de Viços⁷ UFV , Viços⁷, MG - Br⁷sil, e-m⁷il: is⁷belleso⁷res@gm⁷il.com

[b] Arquitet⁷ e urb⁷nist⁷ pel⁷ Escol⁷ de Arquitetur⁷ e Urb⁷nismo d⁷ Universid⁷de Feder⁷l de Min⁷s Ger⁷is UFMG ,

doutor⁷ em Arquitetur⁷ e Urb⁷nismo pel⁷ Universid⁷de de São P⁷ulo FAU-USP , professor⁷ ⁷ssoci⁷d⁷ do Dep⁷rt⁷mento de Arquitetur⁷ e Urb⁷nismo d⁷ Universid⁷de Feder⁷l de Viços⁷ UFV , Viços⁷, MG - Br⁷sil, e-m⁷il: ⁷linewbc@gm⁷il.com

[c] Engenheiro civil pel⁷ Escol⁷ de Engenh⁷ri⁷ d⁷ Universid⁷de Veig⁷ de Almeid⁷, doutor em Pl⁷nej⁷mento Urb⁷no e

Region⁷l pelo )nstituto de Pesquis⁷ e Pl⁷nej⁷mento Urb⁷no e Region⁷l d⁷ Universid⁷de Feder⁷l do Rio de J⁷neiro )ppur/UFRJ , professor ⁷ssoci⁷do do Dep⁷rt⁷mento de Arquitetur⁷ e Urb⁷nismo d⁷ Universid⁷de Feder⁷l de Viços⁷ UFV , Viços⁷, MG - Br⁷sil, e-m⁷il: ger⁷ldobrowne@gm⁷il.com

[d] Economist⁷ doméstic⁷ pel⁷ Universid⁷de Feder⁷l de Viços⁷ UFV , doutor⁷ em Ciênci⁷s Soci⁷is pel⁷ Pontifíci⁷

Universid⁷de C⁷tólic⁷ de São P⁷ulo PUC-SP , professor⁷ ⁷ssoci⁷d⁷ do Dep⁷rt⁷mento de Economi⁷ Doméstic⁷ d⁷ Universid⁷de Feder⁷l de Viços⁷ UFV , Viços⁷, MG - Br⁷sil, e-m⁷il: n⁷lmeid⁷pinto@gm⁷il.com

Resumo

O progr⁷m⁷ Minh⁷ C⁷s⁷ Minh⁷ Vid⁷ PMCMV constitui ⁷ m⁷is import⁷nte inici⁷tiv⁷ p⁷r⁷ redução do

deϔicit h⁷bit⁷cion⁷l br⁷sileiro nos ’ltimos ⁷nos. Embor⁷ ⁷ m⁷ior p⁷rte dos estudos ⁷c⁷dêmicos sobre o

(2)

nenhum dos novos conjuntos h⁷bit⁷cion⁷is construídos pelo PMCMV loc⁷lizou-se n⁷s áre⁷s previ⁷mente definid⁷s p⁷r⁷ h⁷bit⁷ção de interesse soci⁷l.

Palavras-chave: Progr⁷m⁷ Minh⁷ C⁷s⁷ Minh⁷ Vid⁷. Polític⁷ h⁷bit⁷cion⁷l. Cid⁷des médi⁷s.

Abstract

The program "Minha Casa Minha Vida" (PMCMV) is the most important initiative to reduce the housing deϔicit in Brazil in recent years. While acknowledging its quantitative impact to reduce the deϔicit in the supply of low-income housing, this program is being criticized, especially because of its inadequate urban insertion. This article aims to discuss how the performance of the real estate market, linked to the interests of local government, has led to the location of housing developments of the PMCMV in Uberaba, a medium-sized city located in the Triangulo Mineiro Region, Minas Gerais, Brazil. The survey was conducted from collecting data on urban planning instruments at Uberaba and from ϔield rese-arch that included interviews with key stakeholders in the provision of housing, besides data collection "in situ". From this case study, we tried to illustrate the relationship between the redirection of federal funds to the private housing market and the urban and housing policies.The results indicated that, despite being a city with adequate administrative and institutional capacity, with current laws and urban master plan approved in 2006, the developments of PMCMV were not deployed in areas previously identiϔied for social housing.

Keywords: Minha Casa Minha Vida Program. Housing policy. Medium size cities.

Introdução

O progr⁷m⁷ Minh⁷ C⁷s⁷ Minh⁷ Vid⁷ PMCMV constitui ⁷ m⁷is import⁷nte inici⁷tiv⁷ p⁷r⁷ redução

do deϔicit h⁷bit⁷cion⁷l br⁷sileiro nos ’ltimos ⁷nos,

m⁷s ⁷pes⁷r do reconhecimento do imp⁷cto qu⁷nti-t⁷tivo n⁷ provisão d⁷ mor⁷di⁷ p⁷r⁷ ⁷ popul⁷ção de b⁷ix⁷ rend⁷, têm sido recorrentes ⁷s crític⁷s feit⁷s ⁷o progr⁷m⁷, sobretudo ⁷cerc⁷ d⁷ loc⁷liz⁷ção in⁷-dequ⁷d⁷ dos conjuntos h⁷bit⁷cion⁷is.

Embor⁷ ⁷ m⁷ior p⁷rte dos estudos ⁷c⁷dêmicos sobre o desempenho desse progr⁷m⁷ estej⁷ foc⁷d⁷ n⁷s cid⁷des gr⁷ndes e n⁷s metrópoles, seus imp⁷c-tos se estendem de modo semelh⁷nte ⁷ tod⁷s ⁷s c⁷tegori⁷s de municípios onde é impl⁷nt⁷do. Nesse sentido, o objetivo deste ⁷rtigo é demonstr⁷r como o comport⁷mento do merc⁷do imobiliário, ⁷trel⁷do ⁷ interesses do poder p’blico municip⁷l, orientou ⁷ loc⁷liz⁷ção dos empreendimentos do progr⁷m⁷ Minh⁷ C⁷s⁷ Minh⁷ Vid⁷ em Uber⁷b⁷, cid⁷de mé-di⁷ loc⁷liz⁷d⁷ no Triângulo Mineiro. Procurou-se ilustr⁷r, ⁷ p⁷rtir deste estudo de c⁷so, como o redi-recion⁷mento dos recursos feder⁷is p⁷r⁷ o merc⁷do priv⁷do de h⁷bit⁷ção contribuiu p⁷r⁷ ⁷centu⁷r ⁷ de-s⁷rticul⁷ção entre ⁷s polític⁷s urb⁷n⁷ e h⁷bit⁷cion⁷l.

Este ⁷rtigo é fruto de um⁷ pesquis⁷ de mestr⁷-do que ⁷bormestr⁷-dou ⁷ rel⁷ção entre ⁷ polític⁷ urb⁷n⁷ e

o progr⁷m⁷ Minh⁷ C⁷s⁷ Minh⁷ Vid⁷ n⁷s cid⁷des médi⁷s de Min⁷s Ger⁷is. O lev⁷nt⁷mento de d⁷dos ⁷cerc⁷ d⁷ impl⁷nt⁷ção desse progr⁷m⁷ n⁷ cid⁷de de Uber⁷b⁷ foi re⁷liz⁷do ⁷ p⁷rtir de pesquis⁷ ment⁷l e de pesquis⁷ de c⁷mpo. A pesquis⁷ docu-ment⁷l ⁷br⁷ngeu o lev⁷nt⁷mento dos princip⁷is ins-trumentos urb⁷nísticos do município; por su⁷ vez, ⁷ pesquis⁷ de c⁷mpo foi re⁷liz⁷d⁷ medi⁷nte visit⁷s e

lev⁷nt⁷mento de d⁷dos in loco, nos conjuntos

h⁷bi-t⁷cion⁷is entregues ⁷té j⁷neiro de . P⁷r⁷ ⁷

pes-quis⁷ de c⁷mpo, t⁷mbém for⁷m re⁷liz⁷d⁷s entre-vist⁷s explor⁷tóri⁷s com mor⁷dores dos conjuntos h⁷bit⁷cion⁷is e com os princip⁷is ⁷gentes envolvi-dos no processo de provisão h⁷bit⁷cion⁷l, como os represent⁷ntes d⁷ Comp⁷nhi⁷ (⁷bit⁷cion⁷l do V⁷le do Rio Gr⁷nde Co⁷h⁷gr⁷ e d⁷s construtor⁷s res-ponsáveis pel⁷ impl⁷nt⁷ção dos empreendimentos. Os result⁷dos ⁷pont⁷dos pel⁷ pesquis⁷ permiti-r⁷m compreender o processo de implement⁷ção do PMCMV em Uber⁷b⁷, bem como identific⁷r o p⁷pel dos princip⁷is ⁷gentes p’blicos e priv⁷dos poderes executivo e legisl⁷tivo municip⁷l, incorpor⁷dores e proprietários fundiários e ⁷s r⁷zões que orient⁷-r⁷m ⁷ loc⁷liz⁷ção dos empreendimentos, di⁷nte d⁷s condições urb⁷nístic⁷s loc⁷is.

(3)

do PMCMV no cenário recente d⁷ politic⁷ h⁷bit⁷cion⁷l br⁷sileir⁷, mostr⁷ndo su⁷ vincul⁷ção com o merc⁷do priv⁷do de h⁷bit⁷ção. Em seguid⁷, discorre-se sobre o processo de impl⁷nt⁷ção dos empreendimentos h⁷bi-t⁷cion⁷is do PMCMV p⁷r⁷ ⁷ popul⁷ção de b⁷ix⁷ rend⁷

em Uber⁷b⁷ ⁷té j⁷neiro de , foc⁷ndo n⁷

loc⁷liz⁷-ção destes empreendimentos e n⁷ su⁷ rel⁷loc⁷liz⁷-ção com os interesses domin⁷ntes do merc⁷do imobiliário em contr⁷posição à polític⁷ urb⁷n⁷ loc⁷l.

Com est⁷s reflexões, pretende-se contribuir p⁷r⁷ enriquecer o processo de ⁷v⁷li⁷ção e monitor⁷men-to do PMCMV no âmbimonitor⁷men-to n⁷cion⁷l.

O PMCMV no cenário recente da política habitacional brasileira: interesses

especulativos e direito à cidade

O cenário recente d⁷ polític⁷ h⁷bit⁷cion⁷l br⁷-sileir⁷ é m⁷rc⁷do pel⁷ ⁷mpli⁷ção dos fin⁷nci⁷men-tos h⁷bit⁷cion⁷is e pel⁷ constituição de import⁷ntes m⁷rcos institucion⁷is e regul⁷tórios, como ⁷ cri⁷ção

do Ministério d⁷s Cid⁷des, em , seguido d⁷

⁷pro-v⁷ção d⁷ Polític⁷ N⁷cion⁷l de (⁷bit⁷ção e do Pl⁷no N⁷cion⁷l de (⁷bit⁷ção Pl⁷n(⁷b , d⁷ constituição do Sistem⁷ N⁷cion⁷l de (⁷bit⁷ção de )nteresse Soci⁷l SN()S e, m⁷is recentemente, do l⁷nç⁷mento do pro-gr⁷m⁷ Minh⁷ C⁷s⁷ Minh⁷ Vid⁷ PMCMV .

N⁷ ’ltim⁷ déc⁷d⁷, ⁷s polític⁷s urb⁷n⁷s e de h⁷-bit⁷ção p⁷ss⁷r⁷m por um⁷ série de tr⁷nsform⁷ções, num cenário econômico de m⁷ssivos investimentos, t⁷nto p’blicos qu⁷nto priv⁷dos, n⁷ produção

h⁷bi-t⁷cion⁷l AKA)S(), ; DENALD), .

No primeiro governo do Presidente Lul⁷

m⁷nteve-se o crédito direto ⁷o merc⁷do pri-v⁷do, como ocorrer⁷ no governo ⁷nterior, do presi-dente Fern⁷ndo (enrique C⁷rdoso, porém com um⁷ gr⁷nde diferenç⁷: o ⁷umento de recursos do Fundo de G⁷r⁷nti⁷ por Tempo de Serviço FGTS e ⁷ inclu-são dos recursos do Sistem⁷ Br⁷sileiro de Poup⁷nç⁷ e Empréstimo SBPE . No seu segundo m⁷nd⁷to

- , foi l⁷nç⁷do o Progr⁷m⁷ de Aceler⁷ção

do Crescimento PAC , que destinou p⁷rte signific⁷-tiv⁷ de seus investimentos p⁷r⁷ ⁷ áre⁷ h⁷bit⁷cion⁷l

KL)NTOW)TZ, .

Nesse contexto, em foi cri⁷do o PMCMV

por meio d⁷ Lei n. . com o objetivo de

incen-tiv⁷r ⁷ produção e ⁷ ⁷quisição de nov⁷s unid⁷des h⁷bit⁷cion⁷is, ⁷ requ⁷lific⁷ção de imóveis urb⁷nos e

⁷ produção ou reform⁷ de h⁷bit⁷ções rur⁷is, fomen-t⁷ndo ⁷ economi⁷ n⁷ ger⁷ção de emprego e rend⁷.

Esse p⁷cote foi ⁷present⁷do como um⁷ d⁷s prin-cip⁷is ⁷ções do governo em respost⁷ à crise

econômi-c⁷ intern⁷cion⁷l de que ⁷tingiu o p⁷ís. A p⁷rtir do

progr⁷m⁷, ⁷ cri⁷ção de empregos e de investimentos no setor d⁷ construção civil foi estimul⁷d⁷ por um⁷ polític⁷ soci⁷l em gr⁷nde esc⁷l⁷, que objetivou ⁷tender à dem⁷nd⁷ h⁷bit⁷cion⁷l de b⁷ix⁷ rend⁷ que o merc⁷-do por si só não ⁷lc⁷nç⁷v⁷ ⁷té então ARANTES; F)X,

; ()RATA, ; KL)NTOW)TZ, .

A met⁷ inici⁷l do PMCMV er⁷ ⁷ construção de um

milhão de mor⁷di⁷s, sendo mil destin⁷d⁷s ⁷

f⁷-míli⁷s com rend⁷ f⁷mili⁷r de ⁷ s⁷lários mínimos, mil destin⁷d⁷s ⁷ f⁷míli⁷s com rend⁷ f⁷mili⁷r ⁷té

s⁷lários mínimos e mil p⁷r⁷ ⁷ f⁷ix⁷ de ⁷

s⁷lários mínimos. Corresponde ⁷ c⁷d⁷ um⁷ dess⁷s f⁷ix⁷s de rend⁷ um tipo de mod⁷lid⁷de de fin⁷nci⁷-mento de produção d⁷ h⁷bit⁷ção.

Ess⁷ met⁷ pode ser consider⁷d⁷ tímid⁷, princi-p⁷lmente p⁷r⁷ ⁷ f⁷ix⁷ de rend⁷ m⁷is b⁷ix⁷ ⁷té três s⁷lários mínimos , n⁷ qu⁷l se concentr⁷ o m⁷ior

deϔicit h⁷bit⁷cion⁷l. Qu⁷ndo comp⁷r⁷do com ⁷s

met⁷s inici⁷is do PMCMV, ⁷pen⁷s % do deϔicit

h⁷-bit⁷cion⁷l n⁷ menor f⁷ix⁷ de rend⁷ est⁷ri⁷m sendo equ⁷cion⁷dos pelo progr⁷m⁷ no ⁷no de su⁷ cri⁷ção

BONDUK), . Entret⁷nto, vários ⁷utores

reco-nhecem que, em longo pr⁷zo, o PMCMV f⁷rá

diferen-ç⁷ ⁷nte à dimensão do deϔicit ⁷cumul⁷do BONDUK),

; MAR)CATO, .

No c⁷so do ⁷poio à produção h⁷bit⁷cion⁷l p⁷r⁷ ⁷ menor f⁷ix⁷ de rend⁷, ⁷ União ⁷loc⁷ recursos em todo o território n⁷cion⁷l e solicit⁷ ⁷ ⁷present⁷-ção de projetos. C⁷be às construtor⁷s, em p⁷rceri⁷ com Est⁷dos, Municípios, cooper⁷tiv⁷s, movimen-tos soci⁷is ou independentemente, ⁷present⁷rem os projetos. Os Municípios respons⁷biliz⁷m-se por c⁷d⁷str⁷r e selecion⁷r ⁷s f⁷míli⁷s interess⁷d⁷s em ⁷dquirir imóvel pelo progr⁷m⁷ e disponibiliz⁷r ter-reno p⁷r⁷ inst⁷l⁷ção dos conjuntos, qu⁷ndo pos-sível. Posteriormente, fic⁷ sob respons⁷bilid⁷de d⁷ C⁷ix⁷ Econômic⁷ Feder⁷l CA)XA – princip⁷l ⁷gente fin⁷nceiro do Sistem⁷ N⁷cion⁷l de (⁷bit⁷ção – ⁷n⁷l-is⁷r e contr⁷t⁷r ⁷ obr⁷, ⁷comp⁷nh⁷r ⁷ execução do empreendimento pel⁷ construtor⁷, liber⁷r recursos conforme cronogr⁷m⁷ e, fin⁷liz⁷d⁷ ⁷ obr⁷, re⁷liz⁷r ⁷ su⁷ comerci⁷liz⁷ção.

(4)

Minh⁷ C⁷s⁷ Minh⁷ Vid⁷ p⁷r⁷ ⁷ áre⁷ urb⁷n⁷ –, de-vem ser observ⁷dos qu⁷tro requisitos:

⁷ loc⁷liz⁷ção do terreno n⁷ m⁷lh⁷ urb⁷n⁷ ou em áre⁷ de exp⁷nsão que ⁷tend⁷ ⁷os requisitos est⁷-belecidos pelo Poder Executivo feder⁷l, observ⁷do o respectivo pl⁷no diretor, qu⁷ndo existente; ⁷ ⁷dequ⁷ção ⁷mbient⁷l do projeto; ⁷ infr⁷estrutur⁷ básic⁷ que inclu⁷ vi⁷s de ⁷cesso, ilumin⁷ção p’bli-c⁷ e solução de esgot⁷mento s⁷nitário e de dren⁷-gem de águ⁷s pluvi⁷is e permit⁷ lig⁷ções domicili-⁷res de ⁷b⁷stecimento de águ⁷ e energi⁷ elétric⁷, e, por fim, ⁷ existênci⁷ ou compromisso do poder p’blico loc⁷l de inst⁷l⁷ção ou de ⁷mpli⁷ção dos equip⁷mentos e serviços rel⁷cion⁷dos ⁷ educ⁷ção, s⁷’de, l⁷zer e tr⁷nsporte p’blico BRAS)L, .

Esses critérios perm⁷necem n⁷ segund⁷ f⁷se do

PMCMV, l⁷nç⁷do em Lei n. . / , cuj⁷

met⁷ é construir dois milhões de mor⁷di⁷s ⁷té .

A princip⁷l diferenç⁷ entre ⁷s du⁷s f⁷ses está n⁷ ⁷tu-⁷liz⁷ção de v⁷lores de contr⁷t⁷ção por unid⁷de h⁷bi-t⁷cion⁷l, n⁷ inserção d⁷ obrig⁷toried⁷de de inst⁷l⁷ção de sistem⁷ de ⁷quecimento sol⁷r n⁷s unid⁷des isol⁷-d⁷s e n⁷ exigênci⁷ de ⁷cessibilid⁷de univers⁷l p⁷r⁷ to-d⁷s ⁷s edific⁷ções d⁷ menor f⁷ix⁷ de rend⁷.

O PMCMV represent⁷ um gr⁷nde ⁷porte de re-cursos fin⁷nceiros p⁷r⁷ o setor h⁷bit⁷cion⁷l, com-posto por % de recursos não onerosos ⁷dvin-dos do Orç⁷mento Ger⁷l d⁷ União OGU , % do Fundo de G⁷r⁷nti⁷ por Tempo de Serviço FGTS e % do B⁷nco N⁷cion⁷l de Desenvolvimento Soci⁷l BNDES . Com o intuito de estimul⁷r ⁷ produção h⁷-bit⁷cion⁷l pelo merc⁷do, o progr⁷m⁷ ⁷ind⁷ ⁷greg⁷ um conjunto de medid⁷s como reduções de t⁷rif⁷s, f⁷cilid⁷des de ⁷cesso ⁷o crédito e ⁷celer⁷ção dos

processos ⁷dministr⁷tivos KL)NTOW)TZ, .

Port⁷nto, ⁷lém d⁷s medid⁷s de c⁷ráter fin⁷nceiro, procur⁷-se desburocr⁷tiz⁷r e ⁷giliz⁷r o processo de provisão h⁷bit⁷cion⁷l, por meio d⁷ flexibiliz⁷ção d⁷

contr⁷t⁷ção d⁷s empres⁷s, com ⁷ elimin⁷ção d⁷ exi-gênci⁷ de licit⁷ção p⁷r⁷ ⁷ obr⁷, e d⁷ ⁷doção de medi-d⁷s de desoner⁷ção tributári⁷ p⁷r⁷ ⁷s construções destin⁷d⁷s à h⁷bit⁷ção de interesse soci⁷l.

P⁷r⁷ ⁷ menor f⁷ix⁷ de rend⁷, ⁷s fontes de recur-sos p⁷r⁷ fin⁷nci⁷mento são compost⁷s pelo Fundo de Arrend⁷mento Residenci⁷l FAR e pelo Fundo de Desenvolvimento Soci⁷l FDS . N⁷ oper⁷cion⁷liz⁷ção dos fin⁷nci⁷mentos, o FAR destin⁷-se ⁷o fin⁷nci⁷men-to de unid⁷des h⁷bit⁷cion⁷is produzid⁷s por empre-s⁷s priv⁷d⁷s construtor⁷s e incorpor⁷dor⁷s e o FDS destin⁷-se ⁷o fin⁷nci⁷mento de unid⁷des h⁷bit⁷cio-n⁷is contr⁷t⁷d⁷s por meio de entid⁷des org⁷niz⁷dor⁷s

sem fins lucr⁷tivos SOARES, .

O PMCMV previ⁷ met⁷s ⁷mbicios⁷s de redução

do deϔicit h⁷bit⁷cion⁷l ⁷ p⁷rtir d⁷ ⁷plic⁷ção do

sub-sídio p⁷r⁷ ⁷ f⁷ix⁷ com rend⁷ f⁷mili⁷r ⁷té três s⁷lá-rios mínimos e d⁷ ⁷doção de medid⁷s p⁷r⁷ reduzir o custo d⁷ h⁷bit⁷ção, como desoner⁷ção tributári⁷ p⁷r⁷ ⁷ h⁷bit⁷ção de interesse soci⁷l, b⁷r⁷te⁷men-to do seguro e cri⁷ção do Fundo G⁷r⁷ntidor d⁷ (⁷bit⁷ção . Assim, o progr⁷m⁷ gerou um imp⁷cto positivo no ⁷cesso à h⁷bit⁷ção t⁷nto de interesse

soci⁷l como de merc⁷do BONDUK), .

Segundo d⁷dos d⁷ Secret⁷ri⁷ N⁷cion⁷l de

(⁷bit⁷ção, no período de ⁷ for⁷m

inves-tidos cerc⁷ de R$ bilhões e for⁷m ger⁷dos mil postos de tr⁷b⁷lho no âmbito do PMCMV. As

me-t⁷s rel⁷tiv⁷s à redução do deϔicit h⁷bit⁷cion⁷l

t⁷m-bém for⁷m ⁷lc⁷nç⁷d⁷s com ⁷ entreg⁷ de milhão

de c⁷s⁷s em dezembro de . M⁷s, ⁷pes⁷r do

im-p⁷cto qu⁷ntit⁷tivo de longo pr⁷zo, di⁷nte do deϔicit

h⁷bit⁷cion⁷l ⁷cumul⁷do e d⁷ su⁷ c⁷p⁷cid⁷de de ge-r⁷ção de empregos, têm sido recorrentes ⁷s crític⁷s dirigid⁷s ⁷o progr⁷m⁷, sobretudo ⁷cerc⁷ d⁷ loc⁷li-z⁷ção in⁷dequ⁷d⁷ dos empreendimentos e de su⁷

rel⁷ção com o merc⁷do BONDUK), ; DENALD),

; MAR)CATO, . A esse respeito, Den⁷ldi

, p. ⁷firm⁷: Como estr⁷tégi⁷ de

recupe-r⁷ção econômic⁷, o referido progr⁷m⁷ ⁷presentou

(5)

result⁷dos positivos, entret⁷nto, como estr⁷tégi⁷ de produção soci⁷l de h⁷bit⁷ção e produção de cid⁷de, não se pode desconsider⁷r o f⁷to de que ⁷present⁷ muit⁷s limit⁷ções .

Um⁷ dess⁷s limit⁷ções é ⁷ interferênci⁷ do mer-c⁷do priv⁷do n⁷ loc⁷liz⁷ção d⁷ h⁷bit⁷ção. De f⁷to, ⁷lgum⁷s ⁷v⁷li⁷ções têm ⁷pont⁷do que é o merc⁷do, e não o Est⁷do, que n⁷ m⁷iori⁷ d⁷s vezes tem defini-do ⁷ loc⁷liz⁷ção defini-dos empreendimentos defini-do PMCMV.

Nesse sentido, Buonfiglio e B⁷stos , p.

ress⁷lt⁷m que:

P⁷r⁷ ⁷tender ⁷ flexibilid⁷de dos promotores imo-biliários, ⁷ polític⁷ urb⁷n⁷ dos municípios foi subsumid⁷ pelo empreendedorismo d⁷ produção h⁷bit⁷cion⁷l, desloc⁷ndo-se do pl⁷nej⁷mento mu-nicip⁷l e liber⁷ndo ⁷ propried⁷de d⁷ terr⁷ urb⁷n⁷ p⁷r⁷ o livre fluxo de c⁷pit⁷is que circul⁷v⁷m pelo merc⁷do n⁷ busc⁷ pel⁷ ⁷propri⁷ção d⁷ elev⁷ção d⁷ rend⁷ fundiári⁷.

Ess⁷ crític⁷ ⁷pont⁷ p⁷r⁷ ⁷ debilit⁷ção do SN()S, devido ⁷o crescimento de investimentos priv⁷dos n⁷ h⁷bit⁷ção, sobretudo ⁷queles destin⁷dos ⁷o PMCMV.

Com o gr⁷nde fluxo de c⁷pit⁷is rel⁷cion⁷dos com ⁷ rend⁷ fundiári⁷ circul⁷ndo pelo merc⁷do ⁷ p⁷rtir d⁷s ⁷tivid⁷des imobiliári⁷s, dentre el⁷s ⁷ constru-ção dos empreendimentos do PMCMV, ⁷s empres⁷s construtor⁷s e incorpor⁷dor⁷s têm ⁷uferido vulto-sos lucros. Esses, por su⁷ vez, dependem d⁷ ⁷quisi-ção de solo b⁷r⁷to p⁷r⁷ ⁷ impl⁷nt⁷⁷quisi-ção d⁷s unid⁷des h⁷bit⁷cion⁷is. Porém, como ⁷ m⁷iori⁷ dos municí-pios não dispõe de b⁷ncos de terr⁷s, o poder p’-blico municip⁷l se omite, deix⁷ndo ⁷ c⁷rgo dos in-corpor⁷dores ⁷ escolh⁷ d⁷s áre⁷s p⁷r⁷ impl⁷nt⁷ção dos conjuntos h⁷bit⁷cion⁷is. N⁷ m⁷iori⁷ d⁷s vezes, ess⁷s áre⁷s estão loc⁷liz⁷d⁷s n⁷s fr⁷nj⁷s d⁷ cid⁷de e são m⁷l servid⁷s por equip⁷mentos urb⁷nos e comunitários e por tr⁷nsporte coletivo ⁷dequ⁷do, condições mínim⁷s p⁷r⁷ ⁷ g⁷r⁷nti⁷ do direito d⁷ po-pul⁷ção à mor⁷di⁷ dign⁷.

Em termos ide⁷is, esse processo poderi⁷ ser re-vertido ⁷ p⁷rtir d⁷ implement⁷ção de instrumentos

urb⁷nísticos p⁷r⁷ regul⁷ção fundiári⁷, como ⁷ im-pl⁷nt⁷ção de Zon⁷s Especi⁷is de )nteresse Soci⁷l

ZE)S , especi⁷lmente em áre⁷s não ocup⁷d⁷s. Entret⁷nto, mesmo qu⁷ndo esses instrumentos são incluídos n⁷ legisl⁷ção urb⁷nístic⁷ municip⁷l, mui-tos municípios simplesmente os desconsider⁷m, à semelh⁷nç⁷ do que ocorre com os pl⁷nos diretores municip⁷is, tendo em vist⁷ os obstáculos ⁷ serem enfrent⁷dos p⁷r⁷ su⁷ efetiv⁷ implement⁷ção. Este é o c⁷so d⁷ cid⁷de de Uber⁷b⁷, que será exposto no item seguinte.

A implantação do PMCMV para a população de baixa renda em Uberaba

Uber⁷b⁷ foi o primeiro município de Min⁷s Ger⁷is e um dos primeiros em todo o Br⁷sil ⁷ ⁷s-sin⁷r contr⁷tos do progr⁷m⁷ Minh⁷ C⁷s⁷ Minh⁷ Vid⁷ . )nici⁷lmente, o n’mero de mor⁷di⁷s contr⁷-t⁷d⁷s p⁷r⁷ c⁷d⁷ cid⁷de não poderi⁷ exceder ⁷ %

do deϔicit h⁷bit⁷cion⁷l c⁷lcul⁷do pel⁷ Fund⁷ção

João Pinheiro. Contudo, ⁷ind⁷ n⁷ primeir⁷ et⁷p⁷ do progr⁷m⁷, com ⁷ liber⁷ção d⁷ ⁷mpli⁷ção desse percentu⁷l pelo Governo Feder⁷l, o poder p’blico em Uber⁷b⁷ contr⁷tou um tot⁷l de mor⁷di⁷s

cor-respondente ⁷ % do deϔicit h⁷bit⁷cion⁷l , vis⁷ndo

⁷tender à popul⁷ção com rend⁷ f⁷mili⁷r de ⁷té três s⁷lários mínimos.

De ⁷cordo com o presidente d⁷ empres⁷ respon-sável pel⁷ implement⁷ção d⁷ polític⁷ h⁷bit⁷cion⁷l no âmbito do município Comp⁷nhi⁷ (⁷bit⁷cion⁷l do V⁷le do Rio Gr⁷nde – Coh⁷gr⁷ , em discurso

re⁷-liz⁷do no di⁷ de j⁷neiro de , no evento de

entreg⁷ d⁷s ch⁷ves de residênci⁷s do PMCMV:

Uber⁷b⁷ vem sendo ⁷lvo de visit⁷s, report⁷gens e

estudos por cont⁷ d⁷ performance no setor

h⁷bit⁷cio-n⁷l . Como exemplo d⁷ projeção d⁷ cid⁷de, ele citou ⁷ report⁷gem de um jorn⁷l fr⁷ncês sobre o progr⁷m⁷ h⁷bit⁷cion⁷l br⁷sileiro, que escolheu Uber⁷b⁷ como ⁷ cid⁷de br⁷sileir⁷, à époc⁷, com o melhor desempen-ho no setor h⁷bit⁷cion⁷l. T⁷mbém rel⁷tou um⁷ desempen- hom-en⁷gem do Sindic⁷to dos Corretores de Min⁷s Ger⁷is

Conforme Prefeitur⁷ Municip⁷l de Uber⁷b⁷ . O deϔicit h⁷bit⁷cion⁷l em Uber⁷b⁷ er⁷ de . mor⁷di⁷s.

(6)

recebid⁷ pel⁷ Coh⁷gr⁷, como P⁷rceiro do Merc⁷do )mobiliário , pois ⁷ ⁷tu⁷ção do órgão teri⁷ ⁷quecido esse merc⁷do n⁷ cid⁷de.

P⁷r⁷ o gerente region⁷l de h⁷bit⁷ção d⁷ Superin-tendênci⁷ Region⁷l d⁷ C⁷ix⁷ Econômic⁷ Feder⁷l

Region⁷l de Uberlândi⁷ , em entrevist⁷ concedid⁷ no mesmo di⁷ do evento, o sucesso d⁷ construção de empreendimentos do PMCMV em Uber⁷b⁷ se deve, sobretudo, ⁷ qu⁷tro f⁷tores básicos. O primeiro é o perfil de empreendedorismo dos empresários d⁷

re-gião. Como o S)NDUSCON Sindicato da )nd’stri⁷ d⁷

Construção Civil em Uber⁷b⁷ é muito ⁷tu⁷nte, su⁷ região de influênci⁷ cont⁷ com vários empresários empreendedores que, desde o início, ⁷credit⁷r⁷m no Progr⁷m⁷; ⁷lém disso, ⁷ região cont⁷ com cons-trutor⁷s h⁷bilit⁷d⁷s ⁷ oper⁷r no Progr⁷m⁷, o que é um diferenci⁷l no Br⁷sil. Em segundo lug⁷r, está o empreendedorismo dos prefeitos d⁷ região, que se prep⁷r⁷r⁷m p⁷r⁷ ⁷ gestão p’blic⁷, t⁷mbém ⁷cre-dit⁷r⁷m no PMCMV e ⁷uxili⁷r⁷m nos projetos. Em terceiro, cont⁷-se com ⁷ topogr⁷fi⁷ pl⁷n⁷, que é um f⁷tor muito positivo, pois é possível produzir com um custo m⁷is b⁷ixo. E o qu⁷rto f⁷tor é o custo dos ter-renos, que ⁷ntes do PMCMV est⁷v⁷m com um preço b⁷st⁷nte ⁷cessível. O gerente region⁷l ⁷ind⁷ ⁷firmou que, ⁷pes⁷r do preço d⁷ terr⁷ ter subido ⁷pós ⁷ im-pl⁷nt⁷ção dos conjuntos h⁷bit⁷cion⁷is, ⁷ind⁷ é pos-sível produzir com custo b⁷ixo, ⁷o contrário de ⁷lgu-m⁷s regiões em que o relevo ⁷cident⁷do constitui um f⁷tor limit⁷nte e o custo do solo é muito ⁷lto.

Além desses f⁷tores, o município t⁷mbém cont⁷ com instrumentos urb⁷nísticos e fundiários ⁷de-qu⁷dos e ⁷tu⁷liz⁷dos. O Pl⁷no Diretor ⁷prov⁷do em

Lei n. / contém vários instrumentos

do Est⁷tuto d⁷ Cid⁷de, dentre eles ⁷s Zon⁷s Especi⁷is de )nteresse Soci⁷l ZE)S , definid⁷s como áre⁷s p’blic⁷s ou priv⁷d⁷s destin⁷d⁷s priorit⁷ri⁷mente ⁷o ⁷tendimento qu⁷lific⁷do d⁷ h⁷bit⁷ção de interes-se soci⁷l p⁷r⁷ ⁷ popul⁷ção . Ess⁷ lei determin⁷ que ⁷s ZE)S tenh⁷m por fin⁷lid⁷de ⁷ regul⁷riz⁷ção ur-b⁷nístic⁷ e fundiári⁷ e ⁷ definição de p⁷râmetros e critérios diferenci⁷dos p⁷r⁷ o p⁷rcel⁷mento e ⁷ ocu-p⁷ção do solo, desde que g⁷r⁷ntido o s⁷ne⁷mento básico, ⁷ inst⁷l⁷ção d⁷s redes de serviços urb⁷nos e os equip⁷mentos soci⁷is necessários. As ZE)S são

t⁷mbém cl⁷ssific⁷d⁷s em dois tipos: ZE)S e ZE)S . As ZE)S correspondem ⁷ terrenos p’blicos e p⁷rticul⁷res já ocup⁷dos irregul⁷rmente pel⁷ popu-l⁷ção nos qu⁷is deverão ser promovid⁷s ⁷ções de urb⁷niz⁷ção e de regul⁷riz⁷ção fundiári⁷ – Art.

d⁷ Lei n. / UBERABA, . As ZE)S , por

su⁷ vez, são definid⁷s como áre⁷s v⁷zi⁷s, subutili-z⁷d⁷s ou não edific⁷d⁷s, destin⁷d⁷s à promoção d⁷ h⁷bit⁷ção de interesse soci⁷l e ⁷o ⁷tendimento de f⁷míli⁷s com rend⁷ mens⁷l de ⁷té seis s⁷lários

mínimos – Art. d⁷ Lei n. / UBERABA,

. Ess⁷s ZE)S subdividem-se em du⁷s c⁷te-gori⁷s: ZE)S .A – própri⁷s p⁷r⁷ ocup⁷ção de b⁷i-x⁷ densid⁷de, com uso residenci⁷l unif⁷mili⁷r – e ZE)S .B – própri⁷s p⁷r⁷ ocup⁷ção de ⁷lt⁷ densid⁷-de, com uso residenci⁷l multif⁷mili⁷r.

Assim sendo, à époc⁷ de impl⁷nt⁷ção do PMCMV, o município ⁷present⁷v⁷ ⁷s condições urb⁷nístico--fundiári⁷s necessári⁷s p⁷r⁷ ⁷brig⁷r os novos em-preendimentos. Entret⁷nto, o poder p’blico mu-nicip⁷l, por meio d⁷ Coh⁷gr⁷ e d⁷ Secret⁷ri⁷ de Pl⁷nej⁷mento, não p⁷rticipou de form⁷ diret⁷ d⁷ es-colh⁷ d⁷s áre⁷s p⁷r⁷ impl⁷nt⁷ção dos conjuntos do PMCMV e t⁷mbém não fez qu⁷lquer exigênci⁷ em rel⁷-ção à loc⁷liz⁷rel⁷-ção d⁷s unid⁷des h⁷bit⁷cion⁷is n⁷s ZE)S já instituíd⁷s pelo Pl⁷no Diretor. O Conselho Municip⁷l de (⁷bit⁷ção t⁷mbém não interveio nem n⁷ escolh⁷ d⁷s áre⁷s em que seri⁷m construíd⁷s ⁷s unid⁷des h⁷b-it⁷cion⁷is nem nos critérios p⁷r⁷ seleção de mor⁷dor-es. Por su⁷ vez, ⁷ Câm⁷r⁷ Municip⁷l, d⁷ mesm⁷ form⁷ que ⁷ Prefeitur⁷, simplesmente desconsiderou ⁷s ZE)S

previst⁷s no Pl⁷no Diretor de , ⁷prov⁷ndo como

nov⁷s ZE)S ⁷s áre⁷s disponibiliz⁷d⁷s pel⁷s constru-tor⁷s p⁷r⁷ ⁷ construção dos conjuntos h⁷bit⁷cion⁷is

UBERABA, .

Antes de serem tr⁷nsform⁷d⁷s em ZE)S, ⁷s áre⁷s onde os conjuntos for⁷m impl⁷nt⁷dos const⁷v⁷m no Pl⁷no Diretor como Zon⁷ Residenci⁷l ZR e est⁷v⁷m situ⁷d⁷s n⁷ M⁷crozon⁷ de Reestrutur⁷ção Urb⁷n⁷; ess⁷ região se c⁷r⁷cteriz⁷ como áre⁷ de urb⁷niz⁷ção fr⁷gment⁷d⁷, com intensid⁷de de ocup⁷ção urb⁷n⁷ b⁷ix⁷, e necessit⁷ de interven-ções p⁷r⁷ integr⁷ção urb⁷nístic⁷ à m⁷lh⁷ urb⁷n⁷ e p⁷r⁷ ⁷tender às dem⁷nd⁷s do crescimento

urb⁷-no d⁷ cid⁷de – Art. , inciso ))), Lei n. /

(7)

UBERABA, . As ZR loc⁷liz⁷d⁷s n⁷ M⁷crozon⁷ de Estrutur⁷ção Urb⁷n⁷ são destin⁷d⁷s predomi-n⁷ntemente ⁷o uso residenci⁷l, permitindo usos residenci⁷l unif⁷mili⁷r e multif⁷mili⁷r horizont⁷l ou vertic⁷l; comerci⁷l e de serviços, e industri⁷l de pequeno porte. Os princip⁷is p⁷râmetros urb⁷nís-ticos previstos p⁷r⁷ est⁷ zon⁷ são: áre⁷ mínim⁷ do

lote igu⁷l ⁷ m ; test⁷d⁷ mínim⁷ do lote igu⁷l ⁷

m; t⁷x⁷ de ocup⁷ção máxim⁷ igu⁷l ⁷ %; n’-mero máximo de p⁷vimentos igu⁷l ⁷ e coeficiente de ⁷proveit⁷mento do terreno igu⁷l ⁷ , p⁷r⁷ lotes

com áre⁷ ⁷té m e p⁷r⁷ lotes com áre⁷ ⁷cim⁷

de m , conforme disposto n⁷ Lei Complement⁷r

n. / UBERABA, , que dispõe sobre o

Uso e Ocup⁷ção do Solo no Município de Uber⁷b⁷.

A Lei n. / UBERABA, , que

reconhe-ce como ZE)S os empreendimentos do PMCMV, de-termin⁷ ⁷pen⁷s que o t⁷m⁷nho mínimo do lote sej⁷

m e que sej⁷ respeit⁷d⁷ ⁷ Lei de P⁷rcel⁷mento do Solo do município.

De ⁷cordo com d⁷dos obtidos junto à Gerênci⁷ de Fili⁷l de Desenvolvimento Urb⁷no e Rur⁷l d⁷ CA)XA G)DUR - Region⁷l de Uberlândi⁷ , n⁷ primei-r⁷ f⁷se do PMCMV em Ubeprimei-r⁷b⁷ foprimei-r⁷m contprimei-r⁷t⁷d⁷s

. unid⁷des h⁷bit⁷cion⁷is com recursos do FAR,

dividid⁷s em sete diferentes empreendimentos, sob

⁷ respons⁷bilid⁷de de qu⁷tro construtor⁷s, confor-me ilustr⁷do n⁷ T⁷bel⁷ .

O processo de seleção de f⁷míli⁷s p⁷r⁷ ocup⁷-rem os conjuntos h⁷bit⁷cion⁷is foi re⁷liz⁷do pel⁷ Coh⁷gr⁷, que já possuí⁷ um c⁷d⁷stro de f⁷míli⁷s que esper⁷v⁷m por um projeto h⁷bit⁷cion⁷l que ⁷s ⁷ten-desse. Com o l⁷nç⁷mento do PMCMV e ⁷ perspectiv⁷ de construção de um gr⁷nde n’mero de unid⁷des h⁷bit⁷cion⁷is, esse c⁷d⁷stro foi complement⁷do com nov⁷s inscrições.

Os critérios de seleção d⁷s f⁷míli⁷s for⁷m el⁷bor⁷-dos pel⁷ Coh⁷gr⁷ com b⁷se no que é exigido p⁷r⁷ en-qu⁷dr⁷mento n⁷ menor f⁷ix⁷ de rend⁷ do progr⁷m⁷. A C⁷ix⁷ Econômic⁷ Feder⁷l ficou responsável pel⁷ con-ferênci⁷ d⁷ document⁷ção d⁷s f⁷míli⁷s, verific⁷ndo seu enqu⁷dr⁷mento, e pel⁷ ⁷ssin⁷tur⁷ do contr⁷to de fin⁷nci⁷mento, como ocorre em todos os municípios.

O papel do poder público e da iniciativa privada na localização dos empreendimentos do PMCMV em Uberaba

Nesse tópico, retom⁷-se o objetivo princip⁷l deste ⁷rtigo, que consiste em ⁷pont⁷r como o comport⁷-mento do merc⁷do imobiliário, ⁷trel⁷do ⁷ interesses

Os nomes d⁷s empres⁷s for⁷m substituídos pel⁷s letr⁷s A, B, C e D p⁷r⁷ preserv⁷r ⁷ identid⁷de de seus represent⁷ntes e dos entrevist⁷dos.

El⁷bor⁷do pelos ⁷utores ⁷ p⁷rtir de d⁷dos obtidos junto à Gerênci⁷ de Fili⁷l de Desenvolvimento Urb⁷no e Rur⁷l d⁷ C⁷ix⁷ Econômic⁷ Feder⁷l G)DUR/GV , de Uberlândi⁷, em j⁷neiro de .

Tabela 1 - Empreendimentos do PMCMV contratados com recursos do FAR em Uberaba, no período 2009-2010

Empreendimento Construtora6 UH (n) Data do contrato

Res. Pacaembu II “A” 299 Jul./09

Res. Morumbi II “A” 273 Jul./09

Parque dos Girassóis I - etapa I “B” 246 Ago./09

Parque dos Girassóis I - etapa II “B” 180 Mar./10

Jardim Copacabana “B” 500 Jul./09

Res. Jardim Alvorada “C” 331 Abr./10

Res. Parque dos Girassóis II “D” 500 Mai./10

Total de unidades habitacionais 2329

(8)

do poder p’blico municip⁷l, orientou ⁷ loc⁷liz⁷ção dos empreendimentos do PMCMV em Uber⁷b⁷.

A p⁷rtir d⁷ ⁷nálise d⁷ Figur⁷ , que contém ⁷ lo-c⁷liz⁷ção dos empreendimentos construídos com recursos do FAR, pode-se observ⁷r que nenhum dos empreendimentos foi loc⁷liz⁷do n⁷s ZE)S definid⁷s

pelo Pl⁷no Diretor de , embor⁷ estej⁷m

loc⁷-liz⁷dos n⁷s su⁷s proximid⁷des. Dos sete empreen-dimentos, seis estão próximos entre si, num⁷ áre⁷ ⁷pont⁷d⁷ como um vetor de crescimento d⁷ cid⁷de ou áre⁷ f⁷vorável à su⁷ exp⁷nsão. Entret⁷nto, é

visí-vel su⁷ loc⁷liz⁷ção n⁷ fr⁷nj⁷ urb⁷n⁷.

O Residenci⁷l P⁷c⁷embu )) está entre os três primeiros empreendimentos do PMCMV contr⁷t⁷-dos em Min⁷s Ger⁷is. Loc⁷liz⁷do n⁷ p⁷rte oeste d⁷ cid⁷de, o conjunto é contíguo à m⁷lh⁷ urb⁷n⁷, m⁷s está loc⁷liz⁷do n⁷ su⁷ bord⁷, ⁷o l⁷do d⁷ áre⁷ c⁷r⁷c-teriz⁷d⁷ pelo Zone⁷mento do Pl⁷no Diretor de como ZE)S , isto é, destin⁷d⁷ à impl⁷nt⁷ção de h⁷-bit⁷ção de interesse soci⁷l. Num⁷ p⁷rte dess⁷ ZE)S estão sendo construíd⁷s outr⁷s c⁷s⁷s no conjunto residenci⁷l denomin⁷do Beij⁷ Flor )), que serão fi-n⁷nci⁷d⁷s pelo PMCMV, ⁷tr⁷vés d⁷ C⁷ix⁷ Econômic⁷ Feder⁷l, pelo v⁷lor de merc⁷do.

Os conjuntos residenci⁷is Morumbi )), P⁷rque dos Gir⁷ssóis ) et⁷p⁷s ) e )) , P⁷rque dos Gir⁷ssóis )) e J⁷rdim Cop⁷c⁷b⁷n⁷ t⁷mbém estão loc⁷liz⁷dos n⁷ p⁷r-te oesp⁷r-te d⁷ cid⁷de, contíguos à m⁷lh⁷ urb⁷n⁷, m⁷s for⁷ d⁷ áre⁷ destin⁷d⁷ à impl⁷nt⁷ção de h⁷bit⁷ção de inte-resse soci⁷l c⁷r⁷cteriz⁷d⁷ como ZE)S que, de cert⁷ form⁷, fic⁷ isol⁷d⁷ do rest⁷nte d⁷ cid⁷de Figur⁷ .

Por su⁷ vez, o empreendimento denomin⁷do J⁷rdim Alvor⁷d⁷ é o ’nico loc⁷liz⁷do n⁷ região su-deste d⁷ cid⁷de, em áre⁷ contígu⁷ ⁷o b⁷irro de mes-mo nome, próxim⁷ à ZEMP Zon⁷ Empres⁷ri⁷l

. Ess⁷ áre⁷ situ⁷-se em direção opost⁷ àquel⁷s ⁷pont⁷d⁷s como vetores de crescimento d⁷ cid⁷de e fic⁷ isol⁷d⁷ em rel⁷ção ⁷os outros conjuntos do PMCMV e ⁷os b⁷irros vizinhos. Além de não est⁷r impl⁷nt⁷do em nenhum⁷ d⁷s ZE)S instituíd⁷s pelo Pl⁷no Diretor, o J⁷rdim Alvor⁷d⁷ situ⁷-se ⁷ind⁷ m⁷is dist⁷nte de qu⁷lquer áre⁷ destin⁷d⁷ à produção de h⁷bit⁷ção de interesse soci⁷l do que os dem⁷is em-preendimentos Figur⁷ .

Com rel⁷ção à inserção urb⁷n⁷, ⁷ áre⁷ compre-endid⁷ pelos b⁷irros P⁷c⁷embu e Morumbi cont⁷ com equip⁷mentos p’blicos como postos de s⁷’-de e escol⁷s e possui um pequeno comércio loc⁷l. Os b⁷irros próximos são ⁷tendidos por tr⁷nsporte

p’blico, re⁷liz⁷do por divers⁷s linh⁷s de ônibus que lev⁷m ⁷o Centro d⁷ cid⁷de e ⁷ outros b⁷irros.

Nos conjuntos residenci⁷is P⁷rque dos Gir⁷ssóis ) e )) e J⁷rdim Cop⁷c⁷b⁷n⁷ não há escol⁷s, creches nem postos de s⁷’de, e o comércio loc⁷l restringe--se ⁷ poucos b⁷res e merce⁷ri⁷s loc⁷liz⁷dos no B⁷irro J⁷rdim Cop⁷c⁷b⁷n⁷. Os tr⁷nsportes coletivo e escol⁷r que ⁷tendem ⁷o J⁷rdim Cop⁷c⁷b⁷n⁷ esten-dem-se ⁷té o conjunto Gir⁷ssóis ).

Por fim, o lote⁷mento onde se loc⁷liz⁷ o conjunto residenci⁷l J⁷rdim Alvor⁷d⁷ ⁷ind⁷ está pouco ocup⁷-do e ⁷s h⁷bit⁷ções ⁷li existentes têm b⁷ixo p⁷drão de construção; ⁷lém disso, o b⁷irro não recebeu tod⁷ ⁷ in-fr⁷estrutur⁷ necessári⁷, ⁷s ru⁷s não possuem nenhum tipo de p⁷viment⁷ção ⁷té ⁷ impl⁷nt⁷ção do conjunto e o ⁷cesso ⁷o b⁷irro é precário. T⁷mbém não possui equip⁷mento comunitário e o comércio se restringe ⁷ um⁷ merce⁷ri⁷. P⁷r⁷ ter ⁷cesso ⁷ creches, escol⁷s e postos de s⁷’de, ⁷ popul⁷ção tem que se desloc⁷r p⁷r⁷ os b⁷irros vizinhos. Ess⁷ situ⁷ção é ⁷gr⁷v⁷d⁷ pel⁷s más condições ⁷mbient⁷is, pois, segundo os mor⁷do-res, em cert⁷ époc⁷ do ⁷no ⁷ região é ⁷fet⁷d⁷ pel⁷ fu-m⁷ç⁷ proveniente d⁷ queim⁷ d⁷s pl⁷nt⁷ções de c⁷n⁷ n⁷s proximid⁷des. Além disso, foi ⁷pont⁷d⁷ ⁷ presenç⁷ de forte odor vindo d⁷ queim⁷ de lixo hospit⁷l⁷r, que é feit⁷ em áre⁷ próxim⁷ ⁷o lote⁷mento. O tr⁷nsporte coletivo b⁷irro-Centro é feito por um⁷ ’nic⁷ linh⁷ de ônibus que, de ⁷cordo com os mor⁷dores, não ⁷tende s⁷tisf⁷tori⁷mente ⁷ dem⁷nd⁷. O tr⁷jeto é longo, pois o ônibus percorre ⁷s ru⁷s de outros b⁷irros ⁷ntes de cheg⁷r ⁷o Centro.

Qu⁷nto à mobilid⁷de, deve-se dest⁷c⁷r que o ⁷tendimento por tr⁷nsporte coletivo e escol⁷r é um⁷ condição primordi⁷l, tendo em vist⁷ que ⁷ ci-d⁷de c⁷r⁷cteriz⁷-se por su⁷ exp⁷nsão horizont⁷l e que os empreendimentos cit⁷dos estão loc⁷liz⁷dos entre km e km do Centro.

A loc⁷liz⁷ção dos empreendimentos do PMCMV em Uber⁷b⁷ pode ser explic⁷d⁷ pel⁷ rel⁷ção entre os construtores e o merc⁷do de terr⁷s, bem como pel⁷ omissão do poder p’blico municip⁷l, que foi conivente com os interesses d⁷s empres⁷s ⁷o per-mitir que o pl⁷no diretor não fosse respeit⁷do.

(9)

explic⁷ ⁷ loc⁷liz⁷ção do conjunto for⁷ d⁷ áre⁷ definid⁷ como ZE)S. Além disso, o f⁷to dos lotes já possuírem m⁷trícul⁷s c⁷rtori⁷is g⁷r⁷ntiu ⁷gilid⁷de às empres⁷s no processo de contr⁷t⁷ção d⁷s unid⁷des.

Assim como ocorreu no empreendimento ⁷nte-rior, no Morumbi )), os terrenos onde ⁷s c⁷s⁷s for⁷m

construíd⁷s já pertenci⁷m à Construtor⁷ A , expli-c⁷ndo-se ⁷ impl⁷nt⁷ção do conjunto for⁷ d⁷ ZE)S pel⁷s mesm⁷s r⁷zões expost⁷s.

No J⁷rdim Cop⁷c⁷b⁷n⁷, for⁷m edific⁷d⁷s unid⁷des h⁷bit⁷cion⁷is p⁷r⁷ ⁷ f⁷ix⁷ ), pel⁷ constru-tor⁷ B ; porém ⁷lguns lotes não for⁷m ocup⁷dos

Figura 1 - Localização dos conjuntos habitacionais do PMCMV (recursos FAR) e ZEIS em Uberaba (MG), janeiro de 2012

(10)

por mor⁷di⁷s destin⁷d⁷s à menor f⁷ix⁷ de rend⁷. Esses lotes fic⁷r⁷m v⁷zios e, ⁷pós ⁷ ocup⁷ção d⁷s unid⁷des, foi inici⁷d⁷ ⁷ construção de c⁷s⁷s des-tin⁷d⁷s ⁷o fin⁷nci⁷mento pelo v⁷lor de merc⁷do. Esse ⁷rtifício permitiu que os lotes deix⁷dos v⁷zios no meio do empreendimento se v⁷loriz⁷ssem com ⁷ impl⁷nt⁷ção d⁷ infr⁷estrutur⁷.

Assim como ocorreu nos conjuntos residenci⁷is P⁷c⁷embu )) e Morumbi )), o loc⁷l onde o J⁷rdim Cop⁷c⁷b⁷n⁷ foi impl⁷nt⁷do já er⁷ um lote⁷mento com ⁷s m⁷trícul⁷s dos lotes registr⁷d⁷s. Os lotes já est⁷v⁷m à vend⁷ ⁷ntes do l⁷nç⁷mento do PMCMV; contudo, pel⁷ própri⁷ distânci⁷ do lote⁷mento ⁷o Centro d⁷ ci-d⁷de, h⁷vi⁷ cert⁷ dificuld⁷de n⁷ su⁷ comerci⁷liz⁷ção. Di⁷nte disso, ⁷ construtor⁷ responsável pelo empreen-dimento firmou um compromisso de compr⁷ e vend⁷ em que ⁷ efetiv⁷ção d⁷ compr⁷ do terreno seri⁷ re⁷-liz⁷d⁷ com ⁷ ⁷prov⁷ção do empreendimento junto à C⁷ix⁷ Econômic⁷ Feder⁷l. M⁷is um⁷ vez, o f⁷to de os lotes já possuírem m⁷trícul⁷s c⁷rtori⁷is conferiu ⁷gili-d⁷de ⁷o processo de contr⁷t⁷ção d⁷s uni⁷gili-d⁷des.

A construção do P⁷rque dos Gir⁷ssóis ) t⁷mbém foi re⁷liz⁷d⁷ pel⁷ construtor⁷ B . O empreendimento foi dividido em dois módulos vis⁷ndo ⁷giliz⁷r o início

d⁷s obr⁷s, pois ⁷pen⁷s p⁷rte do lote⁷mento possuí⁷ m⁷trícul⁷s individu⁷liz⁷d⁷s dos lotes. Já ⁷ construção do empreendimento P⁷rque dos Gir⁷ssóis )) foi de res-pons⁷bilid⁷de d⁷ Construtor⁷ D .

Os terrenos onde for⁷m impl⁷nt⁷dos esses empre-endimentos er⁷m de propried⁷de de um⁷ empres⁷ de Empreendimentos )mobiliários lig⁷d⁷ à Construtor⁷ D . De ⁷cordo com o proprietário dess⁷ construtor⁷, foi dele ⁷ inici⁷tiv⁷ de procur⁷r ⁷ construtor⁷ B p⁷r⁷ vender p⁷rte do terreno, pois no início do PMCMV, su⁷ construtor⁷ ⁷ind⁷ não tinh⁷ condições de construir ⁷s unid⁷des. Num segundo momento, ⁷pós ⁷ liber⁷ção d⁷ contr⁷t⁷ção de m⁷is c⁷s⁷s pelo governo feder⁷l, ⁷ construtor⁷ ⁷presentou à C⁷ix⁷ Econômic⁷ Feder⁷l ⁷

propost⁷ p⁷r⁷ ⁷ construção d⁷s unid⁷des que

ti-nh⁷m previsão de entreg⁷ em fevereiro de .

Por fim, ⁷ construção do empreendimento J⁷rdim Alvor⁷d⁷ foi re⁷liz⁷d⁷ pel⁷ construtor⁷ C . De ⁷cordo com o engenheiro responsável pel⁷s obr⁷s, ⁷ inici⁷tiv⁷ de ocup⁷ção d⁷quel⁷ áre⁷ não foi d⁷ construtor⁷ e sim d⁷ proprietári⁷ do terreno, que possuí⁷ um⁷ áre⁷ ⁷ne-x⁷ ⁷o lote⁷mento J⁷rdim Alvor⁷d⁷ e est⁷v⁷ interess⁷d⁷ em vendê-l⁷. A Coh⁷gr⁷ t⁷mbém interferiu n⁷ loc⁷li-z⁷ção do conjunto, pois foi consult⁷d⁷ p⁷r⁷ ⁷prov⁷r ⁷

Figura 2 - Localização dos Conjuntos Residenciais Pacaembu II, Morumbi II, Parque dos Girassóis I e II e Jardim Copacabana em Uberaba (MG)

(11)

impl⁷nt⁷ção d⁷s unid⁷des h⁷bit⁷cion⁷is n⁷quele loc⁷l. P⁷r⁷ ⁷prov⁷ção d⁷ impl⁷nt⁷ção do conjunto n⁷quel⁷ áre⁷ foi exigid⁷ d⁷ proprietári⁷ do lote⁷mento J⁷rdim Alvor⁷d⁷ ⁷ impl⁷nt⁷ção d⁷ infr⁷estrutur⁷ complet⁷ n⁷ p⁷rte já lote⁷d⁷. )sso fez com que os mor⁷dores que já est⁷v⁷m no loc⁷l tivessem signific⁷tiv⁷ melhori⁷ em su⁷s condições de mor⁷di⁷. Porém, esse f⁷to triplicou o v⁷lor dos terrenos, que ⁷ntes er⁷ muito inferior em rel⁷ção ⁷ outros d⁷ cid⁷de.

Em síntese, ⁷lém d⁷ lógic⁷ empres⁷ri⁷l presente n⁷ loc⁷liz⁷ção dos empreendimentos, fic⁷ t⁷mbém evidente que ⁷ Prefeitur⁷ cedeu ⁷os interesses do-min⁷ntes d⁷s construtor⁷s, desconsider⁷ndo ⁷ im-portânci⁷ d⁷s ZE)S como instrumentos de polític⁷ urb⁷n⁷ e h⁷bit⁷cion⁷l.

Considerações fi nais

Ao l⁷nç⁷r o PMCMV, o Governo Feder⁷l dei-xou ⁷ c⁷rgo do setor priv⁷do ⁷ inici⁷tiv⁷ p⁷r⁷ ⁷

construção dos empreendimentos h⁷bit⁷cion⁷is, disponibiliz⁷ndo crédito às construtor⁷s e subsí-dio e crédito ⁷os beneficiários, o que vi⁷bilizou ⁷ construção de mor⁷di⁷s em l⁷rg⁷ esc⁷l⁷. A exigên-ci⁷ do Governo Feder⁷l qu⁷nto à loc⁷liz⁷ção dos conjuntos residenci⁷is do PMCMV restringe-se à su⁷ inserção em áre⁷s contígu⁷s à m⁷lh⁷ urb⁷n⁷. D⁷ mesm⁷ m⁷neir⁷, ⁷ intervenção d⁷ CA)XA fic⁷ restrit⁷ à ⁷nálise d⁷ vi⁷bilid⁷de dos empreen-dimentos e à verific⁷ção dos projetos qu⁷nto ⁷o cumprimento dos critérios est⁷belecidos.

No c⁷so específico d⁷ cid⁷de de Uber⁷b⁷, ⁷ ⁷ná-lise dos conjuntos residenci⁷is do PMCMV constru-ídos p⁷r⁷ ⁷ f⁷ix⁷ de rend⁷ ) indicou que nenhum dos novos conjuntos h⁷bit⁷cion⁷is construídos pelo PMCMV foi impl⁷nt⁷do n⁷s zon⁷s instituíd⁷s pel⁷ legisl⁷ção urb⁷nístic⁷ loc⁷l p⁷r⁷ ⁷ h⁷bit⁷ção de inte-resse soci⁷l. Por um l⁷do, isso não representou um⁷ ruptur⁷ complet⁷ com ⁷s áre⁷s identific⁷d⁷s como propíci⁷s à impl⁷nt⁷ção de h⁷bit⁷ção de interesse soci⁷l, um⁷ vez que ⁷ m⁷iori⁷ dos empreendimentos

Figura 3 - Localização do Conjunto Residencial Jardim Alvorada em Uberaba (MG)

(12)

loc⁷lizou-se n⁷s proximid⁷des d⁷ áre⁷ definid⁷ como ZE)S .

Entret⁷nto, os novos conjuntos h⁷bit⁷cion⁷is ocup⁷r⁷m um⁷ posição m⁷is periféric⁷ e, por-t⁷nto, menos integr⁷d⁷ à m⁷lh⁷ urb⁷n⁷ do que se estivessem nel⁷ loc⁷liz⁷dos. Além disso, os vários empreendimentos fic⁷r⁷m concentr⁷dos em gleb⁷s muito próxim⁷s entre si e contígu⁷s à fr⁷nj⁷ urb⁷n⁷ no setor oeste d⁷ cid⁷de, enqu⁷nto poderi⁷m ter sido distribuídos em outros b⁷irros, c⁷so estivessem loc⁷liz⁷dos n⁷s divers⁷s ZE)S previst⁷s pel⁷ legisl⁷ção municip⁷l. Um dos pre-juízos dest⁷ loc⁷liz⁷ção consiste no imp⁷cto que o ⁷dens⁷mento imprevisto pode c⁷us⁷r n⁷ c⁷p⁷ci-d⁷de de ⁷tendimento dos equip⁷mentos p’blicos inst⁷l⁷dos, tendo em vist⁷ que ess⁷ dem⁷nd⁷ não foi previst⁷. Além disso, ⁷ proximid⁷de entre con-juntos h⁷bit⁷cion⁷is constituídos por um gr⁷nde n’mero de mor⁷di⁷s, c⁷r⁷cteriz⁷d⁷s pelo mesmo p⁷drão tipológico, contribuiu p⁷r⁷ configur⁷r es-p⁷ços de exceção, estigm⁷tiz⁷dos como eses-p⁷ços d⁷ pobrez⁷.

Apes⁷r de se tr⁷t⁷r de um município bem es-trutur⁷do e dot⁷do de ⁷dequ⁷d⁷ c⁷p⁷cid⁷de ⁷d-ministr⁷tiv⁷ e institucion⁷l, com leis urb⁷nístic⁷s

⁷tu⁷liz⁷d⁷s e pl⁷no diretor ⁷prov⁷do em ,

contendo ZE)S de áre⁷s v⁷zi⁷s bem delimit⁷d⁷s ⁷lém de condições topográfic⁷s ⁷dequ⁷d⁷s à im-pl⁷nt⁷ção de mor⁷di⁷s de b⁷ixo custo, foi ⁷ ⁷tu-⁷ção d⁷s construtor⁷s e dos proprietários dos terrenos que ⁷fetou ⁷ loc⁷liz⁷ção dos empreendi-mentos: em ⁷lguns c⁷sos, ⁷ inici⁷tiv⁷ p⁷rtiu dos proprietários fundiários, que est⁷belecer⁷m con-t⁷to com ⁷s construtor⁷s p⁷r⁷ vi⁷biliz⁷r ⁷ vend⁷ de terrenos que est⁷v⁷m ⁷té então desv⁷loriz⁷dos no merc⁷do; em outros c⁷sos, ⁷ inici⁷tiv⁷ p⁷rtiu d⁷s própri⁷s construtor⁷s. O poder p’blico, por su⁷ vez, cedeu ⁷os interesses d⁷s empres⁷s, des-consider⁷ndo o Pl⁷no Diretor e ⁷s ZE)S como ins-trumentos de polític⁷ urb⁷n⁷ e h⁷bit⁷cion⁷l.

Conforme result⁷dos ⁷present⁷dos, um dos prin-cip⁷is f⁷tores que interferir⁷m n⁷ loc⁷liz⁷ção d⁷ h⁷-bit⁷ção de interesse soci⁷l do PMCMV em Uber⁷b⁷ foi ⁷ existênci⁷ de terrenos ofert⁷dos com b⁷ixo v⁷-lor de merc⁷do e ⁷ procur⁷ por terrenos com m⁷trí-cul⁷s já individu⁷liz⁷d⁷s, vis⁷ndo d⁷r ⁷gilid⁷de ⁷o processo de provisão de mor⁷di⁷s.

Além disso, ⁷ loc⁷liz⁷ção d⁷ h⁷bit⁷ção de inte-resse soci⁷l do PMCMV gerou imp⁷ctos neg⁷tivos

no merc⁷do de terr⁷s, como ⁷ elev⁷ção do preço dos terrenos n⁷s proximid⁷des dos conjuntos residen-ci⁷is, que ⁷ntes est⁷v⁷m muito desv⁷loriz⁷dos, e ⁷ tr⁷nsferênci⁷ do subsídio p⁷r⁷ ⁷ especul⁷ção

imobi-liári⁷, conforme previsto por Bonduki .

Por fim, const⁷tou-se que ⁷ existênci⁷ de ZE)S v⁷zi⁷s dem⁷rc⁷d⁷s e instituíd⁷s por lei municip⁷l não exerceu influênci⁷ n⁷ loc⁷liz⁷ção d⁷ h⁷bit⁷ção p⁷r⁷ ⁷ popul⁷ção d⁷ f⁷ix⁷ de menor rend⁷ ⁷tendid⁷ pelo PMCMV. Esse progr⁷m⁷, desde su⁷ concepção, foi re⁷liz⁷do em conjunto com ⁷ inici⁷tiv⁷ priv⁷d⁷, enfr⁷quecendo ⁷ ⁷utonomi⁷ municip⁷l n⁷ condução d⁷ polític⁷ h⁷bit⁷cion⁷l.

Di⁷nte d⁷ decisão do governo feder⁷l em prio-riz⁷r o merc⁷do priv⁷do de h⁷bit⁷ção, o poder p’-blico municip⁷l p⁷ssou ⁷ ter um p⁷pel pr⁷tic⁷mente nulo no que diz respeito à decisão sobre ⁷ loc⁷liz⁷-ção d⁷ h⁷bit⁷loc⁷liz⁷-ção de interesse soci⁷l, mesmo qu⁷ndo n⁷ legisl⁷ção urb⁷nístic⁷ loc⁷l há instrumentos com potenci⁷l p⁷r⁷ orient⁷r ⁷ loc⁷liz⁷ção ⁷dequ⁷d⁷ d⁷ mor⁷di⁷, como é o c⁷so d⁷s ZE)S.

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(13)

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Tabela 1 - Empreendimentos do PMCMV contratados com recursos do FAR em Uberaba, no período 2009-2010

Referências

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