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Suplementação com cholecalciferol em pacientes com doença renal crônica e hipovitaminose D

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Academic year: 2017

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(1)

MIRIAM GHEDINI GARCIA LOPES

SUPLEMENTAÇÃO COM COLECALCIFEROL

EM PACIENTES COM DOENÇA RENAL

CRÔNICA E HIPOVITAMINOSE D

Tese apresentada à Universidade Federal de

São Paulo

Escola Paulista de Medicina para

obtenção do título de Doutora em Ciências.

São Paulo

(2)

MIRIAM GHEDINI GARCIA LOPES

SUPLEMENTAÇÃO COM COLECALCIFEROL

EM PACIENTES COM DOENÇA RENAL

CRÔNICA E HIPOVITAMINOSE D

Tese apresentada à Universidade Federal de São Paulo

Escola Paulista de Medicina para obtenção do título de

Doutora em Ciências.

Orientadora: Profa. Dra. Lilian Cuppari

Coordenador: Prof. Dr. Mauro Batista de Morais

São Paulo

(3)

Ficha Catalográfica

Garcia-Lopes, Miriam Ghedini

Suplementação com cholecalciferol em pacientes com doença

renal crônica e hipovitaminose D

Tese (Doutorado) – Universidade Federal de São Paulo. Escola Paulista de Medicina. Programa de Pós-Graduação em Nutrição.

(4)

Apoios: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP)

(5)

“A felicidade às vezes é uma bênção, mas geralmente é uma conquista”

(6)

Dedicatória especial

Ao meu querido primo, Marcos Paulo

Obrigada por ensinar me a importância da nutrição para os pacientes com doença renal e

por guiar a minha vida profissional para que eu pudesse chegar até aqui!

Obrigada por ensinar me o verdadeiro sentido da vida!

(7)

Dedicatória

Ao meus pais, José e Ivani

Meus maiores exemplos de vida aos quais devo tudo o que sou hoje!!

Obrigada por terem me ensinado a ir sempre em busca dos meus ideais.

Com amor, dedico!

Ao meu marido, Edivaldo

Pelos momentos que na minha ausência soube respeitar e valorizar meu

esforço mesmo sentindo-se só. Obrigada por estar sempre ao meu lado em todos os

momentos da minha vida, nas alegrias e nas tristezas!!!

(8)

Agradecimento Especial

À minha orientadora, a querida Profa. Dra. Lilian Cuppari, agradeço por acreditar em

mim, mostrar me o caminho maravilhoso da ciência, por ter colaborado com a minha

formação profissional, por fazer parte da minha vida nos momentos bons e ruins, por ser

exemplo de profissional e de mulher a qual sempre fará parte da minha vida.

(9)

Agradecimentos

À pessoas muito especiais,

À querida Professora Dra. e amiga Maria Ayako Kamimura, pela sua dedicação, apoio e

incentivo para a realização desse trabalho. Agradeço, sobretudo, pelos ensinamentos

valiosos que contribuíram muito para minha vida!!! Te admiro muito!!!

Com carinho, agradeço!!

À minha amiga (“irmã”), Professora Dra. Ana Paula Bazanelli, pela sua amizade sincera,

carinho e companheirismo.Juntas erramos, acertamos e continuamos aprendendo!

Obrigada por estar sempre ao meu lado. Seu apoio foi fundamental para a conclusão

dessa tese! Adoro você!!! Com carinho, agradeço!!

À minha querida amiga Flavia Baria Rossini de Souza e Souza, aFlavinha,

uma pessoa maravilhosa e especial de ser! Com você não só aprendi sobre nutrição, mas

principalmente o verdadeiro amor: de mãe!! Obrigada pelo apoio para que eu chegasse ao

final dessa etapa. Você é uma amiga muito especial.... Adoro você!!!

Com carinho, agradeço!!

À minha querida amiga Roberta Pillar, aRobert’s, pela qual tenho grande carinho e

admiração!! Você faz parte dessa conquista, desse trabalho!! Obrigada pelo apoio e

amizade! Você é uma pessoa muito especial.... Adoro você!!!

(10)

Agradecimentos

À minha família e amigos,

À minha irmã Gláucia, que não foi apenas irmã, mas amiga e companheira em todos os momentos da minha vida. Seu apoio foi fundamental para a conclusão dessa tese!

Você faz parte dessa conquista!! Com muito carinho, agradeço!!

A toda a minha família, meus avós Sidney e Jandira, tios Edson e Ivanete, Célio e Rita

e primos Guilherme, Marcelo e Júlia. Obrigada pelo amor, carinho e orações que me

fortaleceram em busca desse sonho!! Com carinho, agradeço!!

À minha querida amiga e sogra Cida que nos momentos difíceis sempre me incentivou e apoiou e nas alegrias vibrou!! Muito obrigada por tudo... Ao amigo José, pelos momentos

de alegria que sempre me proporcionou. Com carinho, agradeço!!

À toda família do Edivaldo, por todo carinho, incentivo e maneira especial com que sempre me trataram. Com carinho, agradeço!!

Aos queridos Tios Paulo e Mariazinha e aos meus primos Marcelo e Adriana que sempre me apoiaram e pela certeza de que poderei sempre contar!

Vocês são muito especiais!! Com carinho, agradeço!!

Aos queridos amigos Ricardo, Flavinha e Clarinha que compartilharam vários momentos importantes da minha vida e hoje divido com vocês mais essa conquista!!!

Obrigada pela amizade verdade!!! Adoro vocês!! Com carinho, agradeço!!

À minha querida amiga e eterna professora Giovana por acreditar em mim e por ensinar-me a dar os priensinar-meiros passos na minha vida acadêmica. Fico feliz por ter você ao ensinar-meu

(11)

Agradecimentos

Às queridas amigas “Lilietes com as quais tive o privilégio de conviver e trabalhar

durante esses 8 anos. Muito obrigada por vocês fazerem parte da minha vida e por me

darem certeza que posso sempre contar!!!

À Lillian Rocha pela convivência agradável e colaboração para a realização

deste trabalho.

Aos doutores Aluízio e Maria Eugênia, pela convivência tão agradável durante estes

anos em que estive na casinha e, principalmente, pelas contribuições valiosas para a

realização e finalização desse trabalho. Admiro muito o trabalho de vocês!!

À todos os funcionários da Fundação Oswaldo Ramos, pela convivência sempre

agradável, por toda atenção e por estarem sempre prontos a me ajudar no que fosse

preciso.

Finalmente, muito obrigada às pessoas que não citei, mas que de forma especial

(12)

Agradeço especialmente a todos os pacientes, que apesar das dificuldades, aceitaram participar desse estudo e a todos os quais eu convivi e aprendi ao longo desses anos...

(13)

1

1. RESUMO

Considerando a elevada prevalência de hipovitaminose D em pacientes na fase não dialítica da doença renal crônica (DRC) e os efeitos benéficos da restauração do estado nutricional de vitamina D nos pacientes com DRC nos parâmetros do metabolismo mineral, os guias de práticas clínicas para prevenção e tratamento dos distúrbios do metabolismo mineral ósseo, Kidney Disease Outcomes Quality Initiative (K-DOQI) e Kidney Disease Improving Global Outcomes (KDIGO), sugerem a suplementação com vitamina D (ergocalciferol ou colecalciferol) para pacientes com DRC na fase não dialítica com hipovitaminose D. No entanto, poucos estudos avaliaram o efeito da suplementação nessa população. Dessa forma, este estudo tem como objetivo investigar os efeitos da suplementação com colecalciferol sobre marcadores séricos do metabolismo mineral de pacientes com hipovitaminose D na fase não dialítica da DRC.

Estudo 1. Suplementação com colecalciferol na doença renal crônica: restauração do estado nutricional de vitamina D e impacto sobre o paratormônio.

O estudo foi prospectivo com duração de 6 meses. Foram incluídos 45 pacientes com deficiência de vitamina D 25-hidroxivitamina D [25(OH)D] < 15 ng/mL. Os pacientes foram suplementados com 50.000 UI/semana de colecalciferol durante 3 meses, sendo que naqueles que alcançaram níveis de 25(OH)D 30 ng/mL a dose foi modificada para 50.000 UI/mês durante os próximos 3 meses. Para os demais pacientes, a mesma dose inicial foi mantida por mais 3 meses. Após o início da suplementação observou-se um aumento significativo nos níveis de 25(OH)D no tempo 3 e no tempo 6. Nos primeiros 3 meses de suplementação, 78% dos pacientes atingiram níveis de 25(OH)D 30 ng/mL. No entanto, após o ajuste da dose, somente 43% mantiveram esses níveis. Houve uma diminuição nos níveis de paratormônio (PTH) no tempo 3, período em que os pacientes receberam a maior dose de colecalciferol. As mudanças nos níveis de 25(OH)D durante os 3 meses correlacionaram-se positivamente com as mudanças dos níveis de 1,25-diidroxivitamina D [1,25(OH)2D] (r= 0,37; P= 0,01). As variações nos

níveis de PTH correlacionaram-se inversamente com as mudanças nos níveis de cálcio sérico (r= -0,42; P= 0,004) e diretamente com as mudanças na creatinina sérica (r= 0,38; P= 0,01). A análise de regressão logística incluindo a proteinúria do início do estudo e as mudanças nos níveis séricos de creatinina, demonstrou que o excesso de adiposidade foi o principal fator associado com uma menor resposta à suplementação nos primeiros 3 meses (IMC  25 kg/m2: = 2,35, EP= 1,15, P= 0,04; índice de gordura do tronco: =

(14)

2

Estudo 2. Suplementação com colecalciferol em pacientes com doença renal crônica e insuficiência de vitamina D.

O estudo foi prospectivo com duração de 6 meses, randomizado e cego. Foram incluídos 75 pacientes com insuficiência de vitamina D [25(OH) D  15 e < 30 ng/mL. Os pacientes foram tratados de acordo com a recomendação de suplementação proposta pelo K-DOQI para pacientes com insuficiência de vitamina D (50.000 UI de colecalciferol mensalmente durante 6 meses). Os mesmos foram aleatoriamente alocados em dois grupos: Grupo Colecalciferol (n= 38 pacientes) ou Grupo Placebo (n= 37 pacientes). O grupo colecalciferol recebeu durante todo período de estudo 50.000 UI de colecalciferol mensalmente. Todos os pacientes incluídos no estudo receberam protetor solar durante o período de suplementação.

(15)

3

2. INTRODUÇÃO

A vitamina D representa um grupo de hormônios esteróides com diferentes graus

de atividade, mas com ações biológicas semelhantes.1 Poucos alimentos são fontes de

vitamina D sendo a produção endógena pela exposição solar a principal fonte dessa

vitamina nos seres humanos.2 A vitamina D produzida endogenamente ou ingerida na

dieta é metabolizada no fígado, resultando em 25-hidroxivitamina D [25(OH)D], o

marcador do estado nutricional da vitamina D em humanos. Subsequentemente, a

25(OH)D é convertida em 1,25-diidroxivitamina D [1,25(OH)2D] no rim,

transformando-se na forma ativa dessa vitamina. Além da função clássica da 1,25(OH)2D na manutenção

das concentrações intra e extracelular de cálcio dentro de uma faixa de variação

fisiologicamente aceitável, estudos recentes demonstram que esta também pode exercer

ações parácrinas e autócrinas por ser produzida em vários outros tecidos e células do

organismo, como no colón, na próstata, na pele, nos macrófagos ativados, nas células

pulmonares e, inclusive, nas paratireóides.3

Alterações no metabolismo mineral são frequentes no curso da doença renal

crônica com o surgimento do hiperparatireoidismo secundário já nas fases iniciais da

doença. Apesar de vários fatores contribuírem para esse distúrbio, a redução da síntese de

1,25(OH)2D contribui para o desenvolvimento e manutenção do hiperparatireoidismo

secundário nessa população.4 É importante ressaltar que em situação de deficiência de

25(OH)D a síntese de 1,25(OH)2D pode estar prejudicada não somente pela diminuição

da função renal, mas também devido à falta de substrato para a síntese. Além disso, alguns

(16)

4 síntese e secreção do paratormônio (PTH).5, 6 Portanto, sugere-se que a manutenção das

concentrações adequadas de 25(OH)D na DRC pode prevenir e contribuir para o

tratamento do hiperparatireoidismo secundário, principalmente nos estágios iniciais da

doença.

Apesar do valor de referência para determinação da hipovitaminose D ser

conflitante entre os estudiosos7-9, níveis de 25(OH)D em torno de 30 ng/mL tem sido

utilizados na DRC.10 Considerando esses valores, a prevalência de hipovitaminose D em

pacientes na fase não dialítica da DRC é elevada, variando de 40 a 88%.11-18 Mesmo no

Brasil, considerado um país com abundante radiação solar, estudos realizados na cidade de

São Paulo demonstram uma elevada prevalência de hipovitaminose D na DRC.17, 18

Nesses pacientes, além dos fatores de risco tradicionais para a hipovitaminose D, outros

relacionados à doença, como alterações na pigmentação da pele19 e perda protéica na

urina17, 18, 20, 21 podem contribuir ainda mais para a elevada prevalência de hipovitaminose

D observada nesta população.

Considerando a elevada prevalência de hipovitaminose D na DRC e os efeitos

benéficos da restauração do estado nutricional de vitamina D nessa população, os guias de

práticas clínicas para prevenção e tratamento dos distúrbios do metabolismo mineral

ósseo, Kidney Disease Outcomes Quality Initiative (K-DOQI)10 e Kidney Disease Improving Global

Outcomes (KDIGO)22, sugerem a suplementação com vitamina D (ergocalciferol ou

colecalciferol) para pacientes com DRC na fase não dialítica.

Alguns estudos em pacientes na fase não dialítica da DRC utilizando diferentes

protocolos de suplementação com ergocalciferol ou colecalciferol, demonstram um efeito

benéfico do tratamento no aumento da concentração de 25(OH)D.23-27 Porém o impacto

(17)

5 Além disso, essas recomendações não são baseadas em evidências, já que não

existem estudos prospectivos, randomizados e controlados que avaliem o impacto da

suplementação com vitamina D (ergocalciferol ou colecalciferol) na normalização da

concentração sérica dessa vitamina, bem como seus efeitos sobre o metabolismo mineral

(18)

6

3. REVISÃO DA LITERATURA

1. Vitamina D

O termo vitamina D representa um grupo de hormônios esteróides com diferentes

graus de atividade, mas com ações biológicas semelhantes.1 A vitamina D pode ser obtida

naturalmente em um número restrito de alimentos ou por meio de alimentos fortificados.

Porém, a produção endógena pela exposição solar é considerada a principal fonte de

vitamina D, sendo capaz de suprir 90% das necessidades dessa vitamina nos seres

humanos.2 A vitamina D produzida na pele ou ingerida na dieta é metabolizada no fígado,

resultando em 25-hidroxivitamina D [25(OH)D], o marcador do estado nutricional da

vitamina D em humanos. Subsequentemente, a 25(OH)D é convertida em

1,25-diidroxivitamina D [1,25(OH)2D] no rim, transformando-se na forma ativa dessa

vitamina.

Os metabólitos da vitamina D apresentam diferentes nomenclaturas de acordo

com sua origem: colecalciferol (vitamina D3) ou ergocalciferol (vitamina D2) (Tabela 1).

Além disso, essa vitamina apresenta uma nomenclatura complexa, pois apesar de

“vitamina D” ser um termo genérico utilizado frequentemente na literatura e na prática

clínica, é importante ressaltar que essa deve ser considerada uma vitamina apenas quando

se refere ao colecalciferol e ao ergocalciferol, sendo a 25(OH)D um pré hormônio e a

1,25(OH)2D um hormônio, dependendo das ações biológicas de cada metabólito (Tabela

(19)

7

Tabela 1. Nomenclatura da Vitamina D

Adaptada de Johal M, 200929

2. Fontes de Vitamina D

A vitamina D pode ser obtida por fonte alimentar e alimentos fortificados ou pela

produção endógena através da exposição solar.30

2.1. Alimentação

Na natureza, poucos alimentos são fontes naturais de vitamina D, entre eles o óleo

de fígado de peixe, a gordura de peixe (vitamina D3) e as leveduras (vitamina D2).

Portanto as fontes alimentares in natura de vitamina D (Tabela 2) são consideradas

insuficientes para manter os níveis normais de 25(OH)D no organismo humano.

Parâmetro D2 e derivados D3 e derivados Terminologia frequentemente

utilizada Componente Vitamina Vitamina Vitamina

Abreviação D2 D3 D

Nomenclatura Vitamina D2 Vitamina D3 Vitamina D

Sinônimo Ergocalciferol Colecalciferol

Produto da 1ª hidroxilação

Pré hormônio Pré hormônio Pré hormônio

Abreviação 25(OH)D2 25(OH)D3 25(OH)D

Nomenclatura 25-hidroxivitamina D2 25-hidroxivitamina D3 25-hidroxivitamina D

Sinônimo Ercalcidiol Calcidiol

Produto da 2ª hidroxilação

Hormônio Hormônio Hormônio

Abreviação 1,25(OH)2 D2 1,25(OH)2 D3 1,25(OH) 2D

Nomenclatura 1,25-diidroxivitamina D2 1,25-diidroxivitamina D3 1,25-diidroxivitamina D

(20)

8

Tabela 2. Teor de vitamina D das principais fontes alimentares (100 g de alimento)31

Alimento Vitamina D (UI)

Salmão cozido 347

Ostras 319

Sardinha em óleo 271

Sardinha em água 183

Gema de ovo 107

Fígado bovino 16

Leite integral 41

Queijo (mussarela) 6

Manteiga 56

Em alguns países, principalmente nos Estados Unidos, a fortificação alimentar já é

uma medida preventiva bastante empregada. Nesses países, quase toda ingestão de

vitamina D se deve aos alimentos fortificados, destacando-se entre eles leite, iogurte, suco

de laranja, pães, biscoitos, cereais matinais, cremes vegetais e margarinas. Apesar de ambas

as formas da vitamina D serem utilizadas na fortificação de alimentos, a vitamina D3 tem

sido mais utilizada. Apesar de no Brasil não existir legislação para a fortificação com

vitamina D, as indústrias alimentícias adicionam-na a alguns alimentos, particularmente a

(21)

9 A ingestão de vitamina D proveniente de alimentos e suplementos é expressa em

unidades internacionais (UI) ou microgramas (µg). Uma UI de vitamina D corresponde a

0,025 µg de colecalciferol (vitamina D3). Desta forma, 1 µg equivale a 40 UI.8 Estima-se

que o organismo humano requer aproximadamente 3.000 a 5.000 UI de vitamina D2 ou

D3 diariamente.32

Recomendações Nutricionais de Vitamina D

Em 1997, o comitê da National Academy of Science, Food and Nutrition Board

estabeleceu por meio do documento Scientific Evaluation of Dietary Reference Intakes (DRIs), os

valores de referência para ingestão adequada (AI) de vitamina D para a população dos

Estados Unidos e Canadá.33 A AI refere se ao nível de ingestão de um determinado

nutriente que deve ser utilizado como base quando as evidências científicas não são

suficientes para se estabelecer a sua Cota Diária Recomendada (RDA).

Recentemente, em 2011, o comitê da National Academy of Science, Food and Nutrition

Board revisou as recomendações anteriores (1997) de ingestão adequada e estabeleceu os

valores de referência da Cota Diária Recomendada (RDA) de vitamina D para a

população saudável dos Estados Unidos e Canadá, além da ingestão diária máxima de

vitamina D isenta de riscos e de efeitos adversos à saúde (UL –Upper level intake).34

A AI, as RDAs e as ULs para vitamina D de acordo com os estágios de vida

encontram-se na Tabela 3. Como pode ser observado, houve um aumento nas

recomendações de ingestão de vitamina D em todas as faixas etárias, segundo a nova

(22)

10

Tabela 3. Cota Diária Recomendada (RDA) de vitamina D de acordo com os estágios de vida.

Fonte: Institute of medicine/ Food and nutrition board.34

Abreviações: AI, ingestão adequada; RDA, Cota Diária Recomendada; UL,

ingestão diária máxima recomendada.

2.2. Exposição solar

A principal fonte de vitamina D para o ser humano é a síntese endógena, na pele,

em consequência da exposição à luz solar. Estudos mostram que, em circunstâncias

normais, 90% das necessidades dessa vitamina podem ser atendidas por meio dessa

fonte.2

Faixa etária

(ambos os sexos)

AI (UI/dia) 1997

RDA (UI/dia) 2011

UL (UI/dia) 2011

0 a 6 meses 200 - 1.000

6 a 12 meses 200 - 1.500

1 a 3 anos 200 600 2.500

4 a 8 anos 200 600 3.000

9 a 13 anos 200 600 4.000

14 a 18 anos 200 600 4.000

19 a 50 anos 200 600 4.000

51 a 70 anos 400 600 4.000

> 70 anos 600 800 4.000

(23)

11 A pequena faixa de radiação ultravioleta UVB (comprimento de onda entre 290 e

315 nm) é capaz de penetrar na pele e converter o 7-DHC em pré-vitamina D3, que é

rapidamente convertida em vitamina D3 (colecalciferol). Este processo ocorre na

epiderme, onde aproximadamente 50% da pré-vitamina D3 é convertida em vitamina D3

em até 2 horas, sendo que entre 12 e 24 horas após a exposição à radiação UVB, a

concentração circulante de vitamina D3 atinge níveis máximos. O prolongamento da

exposição solar não aumenta a produção de pré-vitamina D3, já que o excesso de radiação

promove a formação de isômeros biologicamente inertes de vitamina D (lumisterol e

taquisterol), impedindo assim a intoxicação (Figura 1).35, 36

(24)

12 A eficácia da síntese cutânea de vitamina D3 é determinada por vários fatores,

como o conteúdo do 7-DHC na pele, a energia dos fótons que depende do comprimento

da onda de radiação UVB (290 – 315 nm)37, o ângulo de incidência dos raios solares que é

influenciado pela latitude, estação do ano e a hora do dia38. A pele escura, que possui um

maior conteúdo de melanina39, e o uso de protetores solares40 suprimem

consideravelmente a fotólise do 7-DHC. Além disso, com o processo de envelhecimento

ocorre a redução da quantidade de 7-DHC presente na pele.35

3. Metabolismo da Vitamina D

O metabolismo da vitamina está representado na Figura 2.

As duas formas de vitamina D (D2 ou D3) são biologicamente inativas e requerem

ativações no fígado e no rim. Quando provenientes da alimentação, a vitamina D2 e a D3

são predominantemente absorvidas no intestino delgado juntamente com as gorduras,

auxiliadas pela bile produzida no fígado. Após absorção intestinal, a vitamina D é

incorporada aos quilomicrons e transportada através do sistema linfático para a circulação.

Após a absorção intestinal ou a síntese cutânea, a vitamina D se liga a uma proteína

carreadora denominada proteína transportadora de vitamina D (DBP). No fígado, a

vitamina D sofre a primeira hidroxilação pela ação da enzima 25-hidroxilase (CYP-450)

presente na mitocôndria dos hepatócitos, gerando a 25(OH)D. Apesar de ter pouca

atividade biológica, esta é a forma mais abundante e, portanto, o marcador do estado

nutricional da vitamina D em humanos. A 25(OH)D, carreada pela DBP, é transportada

(25)

13 D-1α-hidroxilase (1-α hidroxilase; CYP27B1) presente principalmente na mitocôndria das

células do túbulo renal proximal, resultando na formação da 1,25(OH)2D, a forma

biologicamente ativa da vitamina.

Apesar do rim ser o principal sítio de ativação da 25(OH)D, estudos recentes

demonstram que a enzima 1-α hidroxilase (CYP27B1) também é encontrada em

queratócitos, testículos, cérebro, células ósseas, macrófagos, placenta, células prostáticas,

células cancerígenas de cólon, ilhotas pancreáticas e até mesmo em células

paratireoideanas.3 A 1,25(OH)2D produzida no rim é a forma circulante desse hormônio e

portanto possui ações endócrinas. Já a 1,25(OH)2D sintetizada em outros tecidos exerce

ações parácrinas e autócrinas.

A 1,25(OH)2D é excretada principalmente através da bile e da urina. Sabe-se que o

passo inicial da degradação metabólica da 25(OH)D e da 1,25(OH)2D é a hidroxilação no

carbono 24, formando a 24,25(OH)2D e a 1,24,25(OH)3D, que são excretadas através da

urina.

Alguns fatores são importantes e atuam diretamente estimulando ou suprimindo a

síntese de 1,25(OH)2D. Entre eles destacam-se o paratormônio (PTH), o fósforo e o

fator de crescimento de fibroblasto-23 (FGF-23).

O PTH é um hormônio produzido pelas glândulas paratireoideanas cuja função é

regular a homeostase do cálcio no organismo, e sua síntese é estimulada principalmente

em situações de hipocalcemia. Nesta situação, o PTH estimula a atividade da enzima 1-α

hidroxilase renal, aumentando a síntese de 1,25(OH)2D. Esta por sua vez, estimula a

absorção intestinal de cálcio e atua nas células paratireoideanas inibindo a produção e

secreção de PTH por meio da inibição da transcrição do RNA mensageiro do

(26)

14 dos níveis de PTH. Assim, na deficiência de fósforo ocorre aumento da atividade da

enzima 1-α hidroxilase e, ao contrário, em situações de elevação da carga de fósforo, a

atividade dessa enzima é inibida. Dessa forma, a síntese de 1,25(OH)2D é regulada

promovendo maior ou menor absorção intestinal de fósforo.41 Adicionalmente, tanto a

1,25(OH)2D quanto o PTH são necessários no túbulo renal distal para aumentar a

reabsorção de cálcio.42, 43

Descoberto há aproximadamente 10 anos, o hormônio fosfatúrico FGF-23,

membro da família dos fatores de crescimento de fibroblastos, é secretado pelos

osteócitos e exerce efeitos no metabolismo mineral. Uma das funções do FGF-23 é

estimular a fosfatúria por meio da internalização do co-transportador sódio-fósforo no

túbulo proximal, causando uma diminuição da reabsorção renal de fósforo. De fato, na

última década, inúmeros trabalhos têm mostrado que o FGF-23 está profundamente

envolvido nos sistemas regulatórios do metabolismo do fósforo, assumindo um papel

central na sua regulação. Além disso, o FGF-23 também age suprimindo a atividade da

1-α hidroxilase nas células renais e estimulando a atividade da enzima 24-hidroxilase, o que

reduz a síntese e aumenta o catabolismo da 1,25(OH)2D.44, 45 Adicionalmente, estudos em

animais e in vitro com células da paratireóide demonstram que o FGF-23 também inibe a

(27)

15

Adaptado de Holick, MF. 200648

(28)

16

4. Mecanismos de Ação da Vitamina D

A 1,25(OH)2D exerce suas ações através de vias não genômicas e genômicas. A via

não genômica é responsável por gerar respostas rápidas, ainda não bem descritas.

Provavelmente, a 1,25(OH)2D atua estimulando proteínas nas membranas celulares

responsáveis pelo controle de fluxo intracelular de cálcio. Este mecanismo de ação é

responsável, por exemplo, pelo estímulo rápido na absorção intestinal de cálcio.49 A ação

genômica da 1,25(OH)2D depende da ligação desta com o seu receptor nuclear (vitamin D

receptor- VDR) contido em todos os tecidos responsivos à vitamina D. Este mecanismo de

ação da vitamina D acontece quando a 1,25(OH)2D, após se dissociar da proteína de

ligação da vitamina D (DBP), entra através da membrana celular por difusão simples e

interage no núcleo celular com o VDR, formando um complexo receptor-esteróide

(RXR-VDR). A ativação através dessa ligação possibilita a interação do RXR-VDR com genes

responsivos à vitamina D ou a modulação de sua própria expressão gênica.50

5. Funções da Vitamina D

A função clássica da forma ativa da vitamina D [1,25(OH)2D] no organismo se dá

no metabolismo mineral, tendo como órgãos alvo principalmente o intestino, os ossos e

as paratireóides. Na ausência de vitamina D, somente 10 a 15% do cálcio e 60% do

fósforo dietéticos são absorvidos, sendo que a ligação da 1,25(OH)2Dcom o seu receptor

no enterócito aumenta a eficiência de absorção intestinal do cálcio para 30 a 40% e do

(29)

17 estimula a síntese de RNA mensageiro da proteína de ligação do cálcio, aumentando a

captação do cálcio pela borda-em-escova, facilitando o seu transporte.

No tecido ósseo, a 1,25(OH)2D é reconhecida pelos receptores de vitamina D

presentes nos osteoblastos. Esta ligação estimula a expressão de fatores de ativação

nuclear (RANKL) no osteoblasto, que se ligam aos seus receptores (RANK) presentes em

pré-osteoclastos, induzindo a sua diferenciação em osteoclasto maduro. O osteoclasto

maduro, por sua vez, remove cálcio e fósforo do osso com objetivo de manter os níveis

normais destes minerais na circulação, processo este conhecido como reabsorção óssea.8

As funções não clássicas da vitamina D, aquelas não relacionadas ao metabolismo

mineral, são possíveis porque diversos tecidos expressam a enzima 1-α hidroxilase

(CYP27B1) em combinação com receptores (VDR) para 1,25(OH)2D. Portanto, a

vitamina D também pode exercer ações parácrinas e autócrinas. Direta ou indiretamente, a

1,25(OH)2D controla mais de 200 genes. Acredita-se que a produção local de 1,25(OH)2D

nas mamas, cólon, próstata, entre outros tecidos, regula genes envolvidos na proliferação

celular, na inibição da angiogênese e na diferenciação e apoptose, especialmente em

situações patológicas.51

A 1,25(OH)2D é considerada também um potente imunomodulador, pois sua

produção local em macrófagos estimula a catelicidina, um peptídio capaz de destruir

agentes infecciosos. Age também em linfócitos T, possibilitando a síntese de citocinas, e

nos linfócitos B, na regulação das imunoglobulinas. Dados recentes demonstram que a

vitamina D parece inibir a síntese de renina, aumentar a produção e a sensibilidade à

(30)

18

6. Avaliação do Estado Nutricional de Vitamina D

A concentração circulante de 25(OH)D é o melhor parâmetro para determinar o

estado nutricional da vitamina D, já que representa a soma da fotoprodução no decurso

de várias semanas a vários meses, e da ingestão dietética tanto de vitamina D2 quanto de

D3.53 A meia vida da 25(OH)D é de três semanas, e suas concentrações são determinadas

por um ensaio de proteína ligadora competitiva específica utilizando a proteína ligadora de

vitamina D.54 A concentração sérica de 25(OH)D pode ser expressa em ng/mL ou

nmol/L, sendo que 2,5 nmol/L equivale a 1 ng/mL.

O valor de referência para determinação de deficiência de vitamina D é conflitante

entre os estudiosos.7-9 Os valores são normalmente baseados na relação entre a

concentração de 25(OH)D com a absorção de cálcio e com secreção de PTH. Sabe-se que

valores de 25(OH)D próximos a 30 ng/mL estão associados com a absorção ideal de

cálcio.55 Níveis mais elevados não aumentam a absorção, ocorrendo provavelmente um

platô. Em relação aos níveis de PTH, estudos mostram que existe uma associação inversa

entre 25(OH)D e PTH, sendo que quando os valores de 25(OH)D estão em torno de 30 a

40 ng/mL, as concentrações de PTH se estabilizam.56, 57 Da mesma forma, concentrações

de 25(OH)D acima de 30 ng/mL também têm sido associadas com diversos benefícios

para a saúde, como a redução do risco de fraturas, prevenção de câncer colorretal,

capacidade funcional e saúde bucal.7 Atualmente alguns autores consideram como

deficiência níveis de 25(OH)D abaixo de 20 ng/mL, sendo a hipovitaminose D

caracterizada por concentrações de 25(OH)D abaixo de 30 ng/mL.8, 58 A intoxicação por

vitamina D é rara e está geralmente associada a concentrações de 25(OH)D superiores a

(31)

19 A 1,25(OH)2D, forma ativa da vitamina D, apresenta uma meia-vida circulante de 4

a 6 horas. Consideram-se valores normais de 1,25(OH)2D entre 16 e 60 pg/mL,

entretanto sua utilização é de pequeno valor na avaliação da deficiência de vitamina D,

pois à medida que a deficiência progride, há um aumento na produção e secreção do

paratormônio, estimulando a atividade da enzima 1--hidroxilase nos túbulos renais.

Portanto, o hiperparatireoidismo secundário associado à deficiência de vitamina D acelera

a conversão de 25(OH)D em 1,25(OH)2D. Como a concentração circulante de 25(OH)D

é aproximadamente 1.000 vezes maior que a de 1,25(OH)2D, concentrações séricas

bastante reduzidas de 25(OH)D podem proporcionar substrato suficiente para a formação

de 1,25(OH)2D.59 Assim, observa-se uma relação bifásica entre estes dois metabólitos da

vitamina D: positiva quando as concentrações de 25(OH)D estão dentro do normal, e

negativa quando os valores estão reduzidos.60

As concentrações séricas de vitamina D2 (ergocalciferol) e D3 (colecalciferol) não

são indicadores do estado nutricional de vitamina D, pois além de terem uma meia vida

relativamente curta (24 horas), apresentam uma ampla variação na concentração

sanguínea, de 0 a 120 ng/mL dependendo da ingestão de vitamina D e da exposição a luz

(32)

20

7. Causas e Conseqüências da Hipovitaminose D

As principais causas de deficiência de vitamina D estão relacionadas com a redução

da síntese cutânea e da absorção intestinal e com as alterações metabólicas (Tabela 4).

Tabela 4. Principais causas da hipovitaminose D.

Pouca exposição à luz UVB

Uso excessivo de roupas

Países localizados em alta latitude

Pouca penetração de luz UVB durante o inverno na atmosfera

Uso de protetores ou filtros solares

Confinamento em locais onde não há exposição à luz UVB

Diminuição da capacidade de sintetizar vitamina D pela pele

Envelhecimento

Grande quantidade de melanina (pele negra)

Obesidade

Sequestro de vitamina D pelo tecido adiposo

Menor exposição ao sol

Doenças que alteram o metabolismo da 25(OH)D ou 1,25(OH)2D Doença renal crônica

Síndrome nefrótica

Doença hepática

Má Absorção

Doença de Crohn

Doença de Whipple

Fibrose Cística

Doença Celíaca

(33)

21 A melanina, pigmento presente na pele, é um dos fatores que reduz a síntese

cutânea de vitamina D devido à competição com o 7-DHC por fótons ultravioleta. Ela

surgiu como um fator de proteção para a produção excessiva de vitamina D,

principalmente em populações que viviam em regiões situadas próximas a linha do

equador, sendo assim, um protetor solar natural. Atualmente, essa proteção é obtida com

o uso de filtro solar que pode reduzir a síntese de vitamina D em 97,5%.2

A produção cutânea da vitamina D pode ainda ser influenciada pela latitude e pelo

ângulo de incidência dos raios solares. Quando o ângulo da irradiação solar se torna mais

oblíquo, os fótons UVB são mais eficientemente absorvidos pela camada de ozônio da

atmosfera, e, consequentemente, um menor número deles alcança a superfície da Terra.

Desta forma, fica evidente a variação cíclica na concentração de vitamina D3 em função da

estação do ano e latitude, com picos no verão e redução significativa no inverno.63

A idade também interfere na conversão da vitamina D na pele. Os idosos têm

diminuição na concentração de pré-vitamina D3 na pele como consequência da redução

do 7-DHC. Portanto, a carência de vitamina D em idosos é frequentemente devida à

menor síntese cutânea, e não à redução da absorção intestinal da vitamina D. Outras

causas da hipovitaminose D em idosos seriam a menor exposição solar, a ingestão

alimentar insuficiente e as interações medicamentosas.35

A obesidade também tem sido apontada como uma causa de deficiência de

vitamina D.64-66 A associação entre aumento da adiposidade e a redução da concentração

sérica de 25(OH)D foi descrita há mais de 30anos. A hipótese para esta relação é o fato

da vitamina D ser uma substância lipossolúvel que pode ser facilmente “sequestrada” e

estocada no tecido adiposo, sendo que sua liberação para a circulação, em situações de

(34)

22 biodisponibilidade da vitamina D é menor em indivíduos obesos.64, 65, 67, 68 Worstman e

colaboradores demonstraram que a quantidade do precursor 7-DHC era similar entre

obesos e não obesos, no entanto, após a exposição aos raios UVB, o nível circulante de

vitamina D3 foi 57% menor nos obesos em relação aos indivíduos não obesos.69

Outras causas da elevada prevalência de hipovitaminose D nos obesos incluem a

menor exposição desses indivíduos à luz solar e um possível feedback negativo em

decorrência dos níveis elevados de 1,25 (OH)2D na síntese hepática da 25(OH)D.67, 70

A hipovitaminose D está associada, principalmente, ao desenvolvimento de

doenças ósseas, como a osteoporose, osteomalácia, osteopenia e, em crianças, o

raquitismo. Além disso, em idosos a deficiência de vitamina D leva a alterações

musculares e aumento nas quedas e fraturas.8 Estima-se que aproximadamente 33% das

mulheres com idade entre 60 e 70 anos e 60% daquelas com mais de 80 anos tenham

osteoporose. O déficit de vitamina D é um fator determinante desta alteração e a

suplementação desta vitamina associada a suplementação com cálcio se mostrou como um

fator de proteção óssea em diversos estudos.

As doenças crônicas não transmissíveis representam cerca de 60% a 70% das

causas de morte em países considerados desenvolvidos. Estudos epidemiológicos já

demonstraram associação inversa entre latitude e níveis de vitamina D, com aumento no

risco de desenvolvimento destas doenças, especialmente no aumento na taxa de

mortalidade por câncer de mama, cólon, ovário, próstata, reto, rim, pulmão e mioloma

múltiplo. 71 Esta relação foi reforçada após a descoberta da presença, em diversos tecidos,

(35)

23

8. Epidemiologia da Hipovitaminose D

Cerca de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo apresentam hipovitaminose D,

sendo que, entre os idosos que vivem nos Estados Unidos e na Europa, a inadequação no

estado nutricional de vitamina D está presente em 40-100% dos casos.8

A deficiência de vitamina D é mais comum nos países da Europa quando

comparados aos Estados Unidos, sendo que 40% dos adultos europeus apresentam

deficiência de vitamina D durante o inverno.72

No Brasil sempre se considerou que a prevalência de hipovitaminose D seria

pequena em função da localização preponderantemente na região tropical, onde a

incidência de luz solar é considerada abundante. Poucos estudos, entretanto, avaliaram o

estado nutricional de vitamina D no país. O primeiro estudo, realizado em 1984 em Recife

(latitude 8º), região com significativa irradiação solar durante todo o ano, mostrou que

crianças desnutridas que viviam expostas a luz solar apresentavam os mesmos níveis de

25(OH)D de crianças eutróficas da mesma região, indicando a importância da irradiação

solar. Os autores também observam que, comparando as concentrações de 25(OH)D, os

dois grupos de crianças brasileiras apresentaram valores superiores aos de crianças

inglesas.73 Mais recentemente, com as mudanças no estilo de vida da população, uma

elevada prevalência (60%) de insuficiência de vitamina D foi observada em adolescentes

residentes no interior do estado de São Paulo (latitude 23º).74 Um outro estudo que incluiu

250 idosos não instuticionalizados residentes na cidade de São Paulo, observou uma

elevada prevalência de deficiência [15,4%; 25(OH)D< 10 ng/mL] e insuficiência [41,9%;

25(OH)D entre 10 e 20 ng/mL] de vitamina D. Estes achados são bastante semelhantes

(36)

24 colaboradores demonstraram uma elevada prevalência (77,4%) de hipovitaminose D após

o inverno em uma amostra de 603 indivíduos saudáveis na faixa etária de 18 a 90 anos

residentes na cidade de São Paulo. No mesmo estudo, 209 indivíduos foram reavaliados

novamente após o verão e foi observado que apesar da prevalência de hipovitaminose D

ter diminuído de forma significativa, 37,3% dos indivíduos ainda permaneciam com níveis

de 25(OH)D inferior a 30 ng/mL.76

Embora a deficiência grave de vitamina D com conseqüências como raquitismo e

osteomalácia seja rara no Brasil, estima-se que a prevalência de hipovitaminose D em toda

população seja elevada, especialmente entre idosos, negros, pessoas que trabalham em

ambientes fechados e que raramente se expõem ao sol ou ainda naqueles que usam

protetor solar regularmente. Porém, estudos populacionais são necessários para conhecer

a incidência e a prevalência de inadequação no estado nutricional de vitamina D na nossa

população nas diferentes regiões, para avaliar a necessidade de ações de prevenção e

tratamento, particularmente nos grupos de risco.

9. Tratamento da Hipovitaminose D

Tanto o colecalciferol (vitamina D3) quanto o ergocalciferol (vitamina D2) podem

ser empregados no tratamento da hipovitaminose D. Contudo, ainda existem

controvérsias a respeito da similaridade dessas duas formas. Estudos sugerem que tanto o

colecalciferol quanto o ergocalciferol são eficientes em elevar os níveis de 25(OH)D. No

entanto, o colecalciferol parece ser mais eficiente na manutenção da concentração sérica

de 25(OH)D quando comparado ao ergocalciferol.77, 78 Um estudo realizado por Holick e

(37)

25 manter os níveis de 25(OH)D, porém, nesse estudo, a dose de tratamento utilizada foi

menor que a utilizada nos demais estudos.79 Recentemente, Heaney e colaboradores

demonstraram que o colecalciferol é 87% mais potente que o ergocalciferol em aumentar

e manter os níveis de 25(OH)D.80 Apesar das controvérsias, os pesquisadores da área

sugerem o uso de colecalciferol como suplemento para o tratamento da hipovitaminose

D.

A Tabela 5 mostra as estratégias propostas de suplementação com colecalciferol ou

ergocalciferol utilizadas para a prevenção e para o tratamento da hipovitaminose em

(38)

26

Tabela 5. Estratégias de suplementação para a prevenção e o tratamento da hipovitaminose D em indivíduos saudáveis.

Causas de hipovitaminose D Prevenção Tratamento

Adultos

Exposição insuficiente à luz solar ou redução do 7-DHC na pele devido ao

envelhecimento (acima de 50 anos de idade).

 800 - 1000 UI de

colecalciferol/dia;

 50.000 UI de

ergocalciferol a cada 2 semanas ou a cada mês;

 Exposição à luz solar;

 50.000 UI de

ergocalciferol

semanalmente durante 8 semanas, se a

concentração de 25(OH)D se mantiver < 30 ng/mL, repetir a mesma dose.

Dose segura: até 10.000 UI de colecalciferol /dia por

5 meses;

Dose de manutenção: 50.000 UI a cada 2 semanas ou

a cada mês.

Gestação e lactação

(utilização fetal, inadequada exposição à luz solar)

 1000 - 2000 UI de

colecalciferol/dia;

 50.000 UI de

ergocalciferol a cada 2 semanas;

 50.000 UI de

ergocalciferol

semanalmente durante 8 semanas, se a

concentração de 25(OH)D se manter < 30 ng/mL, repetir a mesma dose.

Dose segura: Até 4.000 UI de colecalciferol/dia por 5

meses;

Dose de manutenção: 50.000 UI de ergocalciferol a

cada 2 ou 4 meses.

Obesidade  1000 - 2000 UI de

colecalciferol /dia;

 50.000 UI de

ergocalciferol a cada 2 semanas;

 50.000 UI de

ergocalciferol

semanalmente durante 8 a 12 semanas, se a concentração de 25(OH)D se manter < 30 ng/mL, repetir a mesma dose.

Dose de manutenção: 50.000 UI de ergocalciferol a

(39)

27

10. Hipovitaminose D na Doença Renal Crônica

A doença renal crônica (DRC) é uma síndrome clínica decorrente da perda lenta,

progressiva e irreversível das funções renais. São classificados como portadores de DRC

indivíduos com dano renal ou taxa de filtração glomerular inferior a 60 ml/min/1,73m2

por um período maior ou igual a 3 meses.81

Alterações no metabolismo mineral são frequentes no curso da DRC com o

surgimento do hiperparatireoidismo secundário já nas fases iniciais da doença. Apesar de

vários fatores contribuírem para esse distúrbio, a redução do cálcio sérico, o aumento do

fósforo sérico e a redução da síntese de 1,25(OH)2D são os principais fatores que

contribuem para o desenvolvimento e manutenção do hiperparatireoidismo secundário

nessa população.4 Com a progressão da DRC, a redução da síntese de 1,25(OH)2D ocorre

como consequência da diminuição da atividade da enzima 1-α hidroxilase renal, devido à

redução da massa renal funcionante ou em consequência do aumento dos níveis de

FGF-23.44 É importante ressaltar que a redução dos níveis de 25(OH)D também pode

contribuir para a diminuição da síntese de 1,25(OH)2D devido à falta de substrato.

Sempre se considerou que a avaliação e o acompanhamento da concentração

sérica de 25(OH)D em pacientes com DRC não teria importância clínica, já que nessa

doença a hidroxilação renal da 25(OH)D estaria prejudicada. No entanto, como já

mencionado, a 1,25(OH)2D pode ser produzida em vários outros tecidos e células do

organismo, como no colón, na próstata, na pele, nos macrófagos ativados, nas células

pulmonares e, inclusive, nas paratireóides. Além disso, alguns estudos in vitro com células

da paratireóide demonstraram uma possível ação direta da 25(OH)D na supressão da

(40)

28 adequadas de 25(OH)D na DRC pode prevenir e contribuir para o tratamento do

hiperparatireoidismo secundário, principalmente nos estágios iniciais da doença.

Conforme descrito na Tabela 6, o guia de práticas clínicas para prevenção e

tratamento dos distúrbios do metabolismo mineral ósseo Kidney Disease Outcomes Quality

Initiative (K-DOQI)10, publicado em 2003, apresenta a classificação do estado nutricional

de vitamina D na DRC.

Tabela 6. Classificação do estado nutricional de vitamina D em pacientes com DRC.10

Concentrações séricas de 25(OH)D (ng/mL)

Classificação do

estado nutricional de vitamina D

<5 Deficiência grave

5-15 Deficiência leve

16-30 Insuficiência

>30 Suficiência

Utilizando a concentração sérica de 25(OH)D inferior a 30 ng/mL, os estudos

apontam que a hipovitaminose D é uma situação frequente em pacientes com DRC.

A Tabela 7 mostra os principais estudos realizados em diversos países que

avaliaram os níveis de 25(OH)D na fase não dialítica na DRC. Como pode ser observado,

em média, o nível de 25(OH)D foi inferior a 30 ng/mL na maioria dos estudos,

independente do estágio da doença, variando de 40 a 88%. Mesmo no Brasil, considerado

um país com abundante radiação solar, estudos realizados na cidade de São Paulo (região

(41)

29 algumas diferenças entre os estudos relacionadas aos fatores associados com os níveis

circulantes de 25(OH)D, é importante ressaltar que na maioria deles foi observada uma

associação direta entre os níveis de 25(OH)D e 1,25(OH)2D.11-13, 16, 17 Este resultado

demonstra a importância da manutenção de níveis adequados 25(OH)D nos pacientes

com DRC, visto que a atividade da enzima 1-α hidroxilase renal é substrato dependente e,

dessa forma, quanto maior a concentração do precursor 25(OH)D, maior será a síntese de

1,25(OH)2D. Ademais, em quatro dos estudos descritos na Tabela 7 os níveis de PTH

foram inversamente e independentemente associados com os níveis de 25(OH)D,

sugerindo um efeito direto ou indireto da 25(OH)D na redução da síntese de PTH.12, 13, 16,

18 Já em pacientes na fase dialítica, a prevalência de hipovitaminose D é mais elevada,

chegando a atingir 92% dos pacientes em hemodiálise82, 83 e 100% dos pacientes em diálise

peritoneal20 (Tabela 8). Além disso, pode-se observar que nos pacientes em diálise

peritoneal os níveis de 25(OH)D são mais reduzidos quando comparado àqueles em

hemodiálise. Os fatores associados com os níveis circulantes de 25(OH)D na fase dialítica

são semelhantes aos encontrados na fase não dialítica da DRC.

Nos pacientes portadores de DRC, além dos fatores de risco tradicionais para a

hipovitaminose D, como a menor exposição ao sol, obesidade, uso de medicamentos e

elevada proporção de pacientes idosos e diabéticos, outros fatores relacionados à doença,

como alterações na pigmentação da pele19 e perda protéica na urina ou possivelmente no

fluído de diálise 14, 16-18, 20 podem contribuir ainda mais para a elevada prevalência de

(42)

30

Tabela 7. Prevalência de hipovitaminose D na fase não dialítica da doença renal crônica.

Estudos Amostra Localização Concentração sérica de

25(OH)D * (ng/mL)

Prevalência de hipovitaminose D [25(OH)D < 30 ng/mL]

Fatores associados com a concentração sérica de

25(OH)D

Ishimura E et al, 1999 11

76 pacientes

(37 DM/ 39 não DM) Japão

16,9 ± 9,4 (Grupo total) 22,3 ± 9,4 (não DM) 11,4 ± 5,6 (DM)

Não disponível

(+) 1,25(OH)2D,

(+) Albumina, (-) DM e (-) fósforo sérico. Gonzalez EA et al,

2004 12

43 pacientes

Estados Unidos 18,5 ± 11,2 86% (+) 1,25(OH)2D e (-) PTH.

Laclair RE et al, 2005 13

201 pacientes

(DRC estágio 3 e 4) Estados Unidos

19,4 ± 13,6 (Grupo total) 23,3 ± 14,5 (DRC estágio 3) 18,6 ± 13,3 (DRC estágio 4)

71% DRC estágio 3 84% DRC estágio 4

(+) 1,25(OH)2D, (+) Cálcio

sérico, (-) PTH e gênero.

Stavroulopoulos A et al, 2008 14

89 pacientes (DRC estágio 3 e 4; 34% DM)

Reino

Unido 21,5 ± 12,8 78%

(-) IMC, (+) Albumina, (-) proteinuria e (+) eTFG. Cuppari, L et al,

2008 84

144 pacientes (não DM)

Brasil

(São Paulo) 34,3 ± 18,3 40%

(+) 1,25(OH)2D, (+) Cálcio

sérico e (-) proteinúria. Mehrotra R et al,

2009 15

3011 pacientes

(DRC estágios 1 a 4) Estados Unidos 27,5 ± 0,5 64% Associação não avaliada.

Ravani P et al, 2009 16

168 pacientes (DRC estágios 2 a 5; 26%DM)

Itália 18,1 (13 - 26)**

62% estágio 2 79% estágio 3 85% estágio 4 88% estágio 5

(+) 1,25(OH)2D, (-) Idade, (+)

sexo masculino, (-) DM, (-) DCV, (+) albumina, (-) PCR, (+) eTFG, (-) proteinuria, (+) cálcio sérico e (-) PTH.

Figuiredo-Dias et al, 2011 18

120 pacientes (DRC estágios 2 a 5)

Brasil

(São Paulo) 23,8 ± 9,5 75%

(-) proteinuria, (-) gordura corporal subcutânea, (-) PTH, (-) índice HOMA e (-) leptina. * média ± desvio-padrão; ** mediana e interquartis; (+) associação direta; (-) associação inversa.

Abreviações: 25(OH)D, 25-hidroxivitamina D; 1,25(OH)2D, 1,25-diidroxivitamina D; DM, diabetes mellitus; DRC, doença renal crônica; IMC, índice de massa corporal; eTFG, taxa

(43)

31

Tabela 8. Prevalência de hipovitaminose D na fase dialítica da doença renal crônica.

* média ± desvio-padrão; ** mediana e interquartis; *** extremos; (+) associação direta; (-) associação inversa.

Abreviações: 25(OH)D, 25-hidroxivitamina D; 1,25(OH)2D, 1,25-diidroxivitamina D; DM, diabetes mellitus; HD, hemodiálise; DP, diálise peritoneal; IMC, índice de massa

corporal; eTFG, taxa de filtração glomerular estimada.

Estudos Amostra Tratamento Localização Concentração sérica

de 25(OH)D* (ng/mL)

Prevalência 25(OH)D

< 30 ng/m]

Fatores associados com a concentração sérica de

25(OH)D Wolf M et al, 2007 85 825 pacientes

incidentes

HD Estados

Unidos

21,0 ± 13,0 78% (-) PTH, (+) albumina,

(+) cálcio sérico e

(+) 1,25(OH)2D.

Saab G et al, 2007 82 131 pacientes (início do

estudo)

HD Estados

Unidos

16,7 ± 8,3 92% Nenhuma associação foi

encontrada. Del Valle E et al,

2007 86

84 pacientes HD Argentina 24,4 (<5 – 79)*** 76% (-) IMC, (+) Albumina,

(-) proteinuria e (+) eTFG. Blair D et al, 2008 83 344 pacientes (início do

estudo)

HD Estados

Unidos

28,6 ± 15,0 (homens)

18,9 ± 10,1 (homens)

92% (+) Grau de exposição solar, (+)

creatinina, (+) Albumina e (-) IMC. Matias P J et al,

2010 87

158 pacientes HD Portugal 22,3 ± 12,0 80% Associação não avaliada.

Shah N et al, 2005 88 23 pacientes DP Estados

Unidos

< 7,0 (6,9 – 8)*** 100% Associação não avaliada.

Taskapan H, et al, 2006 89

273 pacientes DP Grécia/

Turquia

7,3 ± 8,4 (grupo total) 8,1 ± 9,2 (não DM) 4,8 ± 4,1 (DM)

96% (-) Idade, (+) DM,

(+)cálcio sérico e

(+) 1,25(OH)2D.

Wang AYM, et al 2008 90

230 pacientes DP Hong Kong 18,3 (14,3 – 24,3)** 87% (-) DM, (-) sexo feminino e

(-) perda da função renal residual.

Gracia-Iguacel et al, 2010 91

115 pacientes: HD= 94 (81%) DP= 21 (19%)

HD DP

Espanha 11 (6 - 16)*** (HD)

9 (6 – 12) *** (DP)

93% Associação não avaliada

(44)

32

11. Tratamento da hipovitaminose D na Doença Renal Crônica

Nos pacientes com DRC e hipovitaminose D, a suplementação com vitamina D visa

fornecer substrato [25(OH)D] suficiente para a síntese renal, particularmente naqueles

pacientes que ainda têm função renal residual. Além disso, níveis adequados de 25(OH)D são

necessários para que ocorra a síntese extra-renal de 1,25(OH)2D em diversos tecidos que

expressam a enzima 1-α hidroxilase, incluindo as células da paratireóide. Dessa forma, o

tratamento, entre outros benefícios, pode prevenir ou minimizar o desenvolvimento do

hiperparatireoidismo nos estágios iniciais da DRC ou atenuar o aumento do PTH nas fases

mais avançadas da doença.

Considerando a elevada prevalência de hipovitaminose D na DRC e os efeitos

benéficos da restauração do estado nutricional de vitamina D nessa população, os guias de

práticas clínicas para prevenção e tratamento dos distúrbios do metabolismo mineral ósseo,

Kidney Disease Outcomes Quality Initiative (K-DOQI)10 e Kidney Disease Improving Global Outcomes

(KDIGO)22, sugerem a suplementação com vitamina D(ergocalciferol ou colecalciferol) para

pacientes com DRC na fase não dialítica.

A dose recomendada para a suplementação, segundo o K-DOQI, varia de acordo com

o grau de deficiência ou insuficiência de vitamina D (Tabela 9). No entanto, essas

recomendações não são baseadas em evidências, já que não existem estudos prospectivos,

randomizados e controlados que avaliem o impacto da suplementação com vitamina D

(ergocalciferol ou colecalciferol)na normalização da concentração sérica dessa vitamina, bem

(45)

33

Tabela 9. Recomendações para o uso de vitamina D2 no tratamento de deficiência ou

insuficiência de vitamina D em pacientes com DRC (estágio 3 e 4) segundo o K-DOQI.10

Concentração sérica de 25(OH)D

ng/mL (nmol/L)

Definição Dose de Ergocalciferol

Oral (Vitamina D2)

Duração

(meses) Comentários

<5 (12) Deficiência

grave de vitamina D

50.000 UI por semana durante 12 semanas; após esse período essa dose uma vez por mês.

6 Medida das concentrações

de 25(OH)D depois de 6

meses

5-15 (12-37) Deficiência

leve de vitamina D

50.000 UI por semana durante 4 semanas; após esse período essa dose uma vez por mês.

6 Medida das concentrações

de 25(OH)D depois de 6

meses

16-30 (40-75) Insuficiência

de vitamina D

50.000 IU uma vez por mês

6 meses

Mais recentemente, o guia de práticas clínicas KDIGO sugere a suplementação com

ergocalciferol ou colecalciferol em situações de hipovitaminose D com a mesma dose

recomendada para a população geral.22

A Tabela 10 mostra os principais estudos de suplementação com vitamina D

(ergocalciferol/colecalciferol) em pacientes na fase não dialítica na DRC. Como pode ser

observado, há uma grande variabilidade na metodologia utilizada entre os estudos,

principalmente com relação ao tipo de suplemento (ergocalciferol ou colecalciferol), dose,

duração do tratamento e tamanho da amostra. Apesar dos diferentes protocolos de

suplementação, é possível observar que em todos os estudos houve um aumento significativo

na concentração de 25(OH)D após o tratamento. Porém, somente em dois estudos23, 25 o nível

médio atingido foi superior a 30 ng/mL, considerado adequado segundo o K-DOQI.10 É

importante ressaltar que nenhum dos estudos avaliou os fatores associados com a resposta à

(46)

34 pelo K-DOQI.24, 27 Apesar de em ambos ter ocorrido um aumento significativo nos níveis de

25(OH)D, somente 54%24 e 25%27 dos pacientes atingiram níveis acima de 30 ng/mL. Com

relação aos efeitos da suplementação na diminuição do PTH, somente no estudo onde

aproximadamente metade dos pacientes restaurou os níveis de 25(OH)D foi observado esse

efeito.24 Dessa forma, parece que níveis mais elevados de 25(OH)D são necessários para que

se tenha um impacto benéfico nos níveis de PTH. No entanto, não é possível concluir de

forma definitiva sobre os efeitos da suplementação na redução do PTH, uma vez que a

maioria dos estudos são retrospectivos e não controlados. Um estudo duplo-cego,

randomizado e controlado realizado por Chandra et al demonstrou que a restauração dos

níveis de 25(OH)D em 20 pacientes com DRC estágios 3 e 4 foi associada com uma

diminuição de 31% nos níveis de PTH no grupo tratado (n= 10) em comparação com 7% no

grupo placebo (n= 10). No entanto, esta redução não alcançou significância estatística

provavelmente devido à variabilidade e ao tamanho amostral.25 Nenhum efeito adverso, como

hiperfosfatemia, hipercalcemia ou intoxicação por vitamina D foi observado nesses estudos.

A suplementação com ergocalciferol ou colecalciferol também tem sido empregada em

pacientes na fase dialítica da DRC (Tabela 11). Apesar da variabilidade na metodologia entre

os estudos, principalmente com relação à estratégia de tratamento utilizada, em todos os eles o

nível médio de 25(OH)D foi superior a 30 ng/mL após a suplementação, sendo que em três

desses82, 87, 92 o número de pacientes que atingiram tal nível foi maior que 86%.

Adicionalmente, é importante ressaltar que mesmo em pacientes em hemodiálise, a

suplementação com colecalciferol resultou num aumento da concentração sérica de

(47)

35 Dessa forma, estudos de intervenção, bem desenhados e com um número maior de

pacientes são necessários não somente para determinar o tipo, a dose e a duração da

suplementação com vitamina D, mas também para estabelecer a concentração sérica ideal de

25(OH)D para obter os efeitos benéficos da suplementação em pacientes com DRC.

Considerando que nos pacientes na fase não dialítica da DRC a gravidade dos distúrbios do

metabolismo mineral é menor, a manutenção da concentração sérica de 25(OH)D nessa

(48)

36

Tabela 10. Suplementação com vitamina D em pacientes na fase não dialítica da DRC.

Estudos Desenho do estudo e amostra Suplementação com vitamina D Principais resultados

Zisman A et al, 2007 23

Observacional

(n= 52; DRC estágios 3 e 4)

Ergocalciferol – dose de acordo com a recomendação do K-DOQI

 25(OH)D:

Estágio 3 da DRC: 20,3 1,3 para 31,6 2,2 ng/mL;  Estágio 4 da DRC: 18,8  1,3 to 35,4 1,9 ng/mL 25(OH)D > 30 ng/mL 60% dos pacientes

 PTH somente nos pacientes no estágio 3 da DRC

 1,25 (OH)2D

Al-Aly et al, 2007 24

Retrospectivo

(n= 66; DRC estágios 3 e 4)

Ergocalciferol - dose de acordo com a recomendação do K-DOQI

 25(OH)D (16,6  0,7 para 27,2  31,8 ng/mL) 25(OH)D < 30 ng/mL  50% dos pacientes

 PTH somente nos pacientes no estágio 3 da DRC

Chandra P et al, 2008 25

Estudo piloto, duplo cego, randomizado e controlado (n=20; DRC estágios 3 e 4)

Colecalciferol

50.000 UI/semana durante 12 semanas

Grupo tratado:

 25(OH)D ( 17,3 para 49,4 ng/mL)*

25(OH)D > 30 ng/mL 94% dos pacientes

Não houve mudança nos níveis de PTH (P=0,07) e 1,25 (OH)2D

Rucker D, 200926

Prospectivo, controlado (n=128; DRC estágios 3 a 5)

Colecalciferol

Grupo tratado: 1.000 UI/dia durante 3 meses

Grupo tratado:

 25(OH)D (16,0  5,6 para 26,8  10,4 ng/mL) 25(OH)D < 30 ng/mL  63% dos pacientes Não houve mudança nos níveis de PTH Qunibi W.Y.

et al, 2010 27

Retrospectivo

(n=88; DRC; estágios 3 a 5)

Ergocalciferol – dose de acordo com a recomendação do K-DOQI

 25(OH)D (15,1  5,8 para 23,3  11,8 ng/mL)

 25(OH)D > 30 ng/mL  25% dos pacientes Não houve mudança nos níveis de PTH

* média geométrica

(49)

37 Tabela 11. Suplementação com vitamina D em pacientes na fase dialítica da DRC.

Estudos Desenho do estudo e

amostra

Dose e tipo de vitamina D empregada Principais resultados

Shah N et al, 2005 88

Prospectivo

(n=29; pacientes em DP)

Ergocalciferol

50.000 IU/semana durante 4 semanas

 25(OH)D (7 to 30 ng/mL)*

25(OH)D > 30 ng/mL 38% dos pacientes Não houve mudança nos níveis de PTH e 1,25(OH)2D

Blair D et al, 2008 83

Retrospectivo

(n= 171 com seguimento; pacientes em HD)

Ergocalciferol

50.000 IU/semana durante 24 semanas

 25(OH)D (18,4  9,0 to 42,0  24,7 ng/mL)

 cálcio sérico

Não houve mudança nos níveis de PTH Saab G et al,

2008 82

Retrospectivo

(n= 118; pacientes em HD)

Ergocalciferol

50.000 UI/semana durante 6 meses

 25(OH)D (16,9  8,5 to 53,6  16,3 ng/mL) 25(OH)D > 30 ng/mL 95% dos pacientes Não houve mudança nos níveis de PTH Jean G. et al,

2009 92

Prospectivo

(n=107; pacientes em HD)

Colecalciferol

100.000 UI/mês durante 15 meses

 25(OH)D (12,8  5,2 para 42,3  10,8 ng/mL) 25(OH)D > 30 ng/mL  91% dos pacientes

 1,25 (OH)2D

 PTH e fosfatase alcalina óssea Matias P J,

2010 87

Prospectivo

(n=158; pacientes em HD)

Colecalciferol (durante 1 ano)

25(OH)D<15 ng/mL 50.000 UI/semana

25(OH)D entre 16 e 30 ng/mL 10.000 UI/semana 25(OH)D>30 ng/mL 2.700 UI 3 x/semana

 25(OH)D (22,3  12,0 para 42,0  12,1 ng/mL) 25(OH)D > 30 ng/mL  86% dos pacientes

 PTH, cálcio e fósforo séricos e albumina sérica

 1,25 (OH)2D * mediana

Referências

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