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Morfologia das vias aéreas superiores em pacientes com síndrome de Down sob sedação com dexmedetomidina.

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REVISTA

BRASILEIRA

DE

ANESTESIOLOGIA

PublicaçãoOficialdaSociedadeBrasileiradeAnestesiologia

www.sba.com.br

ARTIGO

CIENTÍFICO

Morfologia

das

vias

aéreas

superiores

em

pacientes

com

síndrome

de

Down

sob

sedac

¸ão

com

dexmedetomidina

Rajeev

Subramanyam

a,∗

,

Robert

Fleck

b

,

John

McAuliffe

a

,

Rupa

Radhakrishnan

b

,

Dorothy

Jung

b

,

Mario

Patino

a

e

Mohamed

Mahmoud

a

aDepartamentodeAnestesiologia,CincinnatiChildren’sHospitalMedicalCenter,OH,EUA bDepartamentodeRadiologia,CincinnatiChildren’sHospitalMedicalCenter,OH,EUA Recebidoem29deoutubrode2014;aceitoem26denovembrode2014

DisponívelnaInternetem5demaiode2016

PALAVRAS-CHAVE

Viasaéreas; Dexmedetomidina; Imagem;

SíndromedeDown; Apneiaobstrutiva dosono;

Sedac¸ão

Resumo

Justificativaeobjetivos: Ascrianc¸ascomsíndromedeDown(SD)sãovulneráveisàobstruc¸ão

significativadasviasaéreassuperioresdevidoàmacroglossiarelativaeaocolapsodinâmicodas

viasaéreas.Oobjetivodesteestudofoicompararasdimensõesdasviasaéreassuperioresde

crianc¸ascomSDeapneiaobstrutivadosono(AOS)comviasaéreasnormais(VAN)sobsedac¸ão

comdexmedetomidina(DEX).

Métodos: Aprovac¸ãoIRBfoiobtida.Nesteestudoretrospectivo,imagensclinicamenteindicadas

deressonância magnéticadadinâmica dasvias aéreassuperiores em planosagital nalinha

médiaforamobtidassobdosebaixa(1mcg/kg/h)edosealta(3mcg/kg/h)deDEX.Osdiâmetros

anteroposterioresdasviasaéreaseasáreasseccionaisforammedidascomodimensõesmínimas

emáximaspordoisobservadoresindependentes,nopalatomole(regiãonasofaríngea)enabase

dalíngua(regiãoretroglossal).

Resultadoseconclusões: Odiâmetromínimoanteroposterioreaárea seccional mínimadas

regiõesnasofaríngeaeretroglossalestavamsignificativamentereduzidosnaSDemcomparac¸ão

comVAN,tantocomadosebaixaquantocomadosealtadeDEX.Contudo,nãohouvediferenc¸as

significativasentreasdosesbaixaealtadeDEXemSDeVAN.Amédiadoíndicedeapneiae

hipopneia naSD foi de 16±11. Sob sedac¸ão com DEX, ascrianc¸as comSD e AOS,quando

comparadascomascrianc¸ascomVAN,apresentaramreduc¸õessignificativasnasdimensõesdas

viasaéreas,maispronunciadasnospontosmaisestreitosdasregiõesnasofaríngeaeretroglossal.

©2015SociedadeBrasileiradeAnestesiologia.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´eum

artigoOpen Accesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(

http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

KEYWORDS

Airway;

Dexmedetomidine; Imaging;

Downsyndrome;

UpperairwaymorphologyinDownSyndromepatientsunderdexmedetomidine sedation

Abstract

Backgroundandobjectives: ChildrenwithDownSyndromearevulnerabletosignificantupper

airwayobstructionduetorelativemacroglossiaanddynamicairwaycollapse.Theobjectiveof

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](R.Subramanyam).

http://dx.doi.org/10.1016/j.bjan.2015.10.007

(2)

Obstructivesleep apnea;

Sedation

thisstudywastocomparetheupperairwaydimensionsofchildrenwithDownSyndromeand

obstructivesleepapneawithnormalairwayunderdexmedetomidinesedation.

Methods:IRBapprovalwasobtained.Inthisretrospectivestudy,clinicallyindicateddynamic

sagittal midline magnetic resonance images of the upper airwaywere obtained underlow

(1mcg/kg/h)andhigh(3mcg/kg/h)dosedexmedetomidine.Airwayanteroposteriordiameters

andsectionalareasweremeasuredasminimumandmaximumdimensionsbytwoindependent

observersatsoftpalate(nasopharyngealairway)andatbaseofthetongue(retroglossalairway).

Resultsandconclusions:Minimum anteroposterior diameterand minimum sectional area at

nasopharynxandretroglossalairwayweresignificantlyreducedinDownSyndromecomparedto

normalairwayatbothlowandhighdosedexmedetomidine.However,therewerenosignificant

differencesbetweenlowandhighdosedexmedetomidineinbothDownSyndromeandnormal

airway.ThemeanapneahypopneaindexinDownSyndromewas16±11.Under

dexmedetomi-dinesedation,childrenwithDownSyndromeandobstructivesleepapneawhencomparedto

normalairwaychildrenshowsignificantreductionsinairwaydimensionsmostpronouncedat

thenarrowestpointsinthenasopharyngealandretroglossalairways.

©2015SociedadeBrasileiradeAnestesiologia.Publishedby ElsevierEditoraLtda.Thisisan

openaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense(

http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Introduc

¸ão

A síndrome de Down (SD) ou ‘‘trissomia 21’’ é a doenc¸a genéticamaiscomumemhumanos,comumataxade natali-dadeestimadaem6.000crianc¸as/ano(umaem691nascidos vivos)nosEstadosUnidos.1Aapneiaobstrutivadosono(AOS) écomumeobservadaem79%dascrianc¸ascomSD(intervalo deconfianc¸ade95%,54-94%).2OsfatoresderiscoparaAOS nessascrianc¸asincluemhipoplasiadoterc¸omédiodaface, macroglossia,hipertrofiadeadenoidesetonsilar,anomalias laringotraqueais, obesidadee hipotonia muscular.3 Mesmo na ausência de AOS, as crianc¸as com SD têm vias aéreas detamanhoreduzidodevidoàaglomerac¸ãodetecidomole dentrodeumaanatomiamenordoesqueletodaface.4

As crianc¸as com AOS, com ou sem SD, são sensíveis à depressão respiratória causada por opiáceos, sedativos e hipnóticos. São especialmente vulneráveis ao desenvolvi-mento de obstruc¸ão das vias aéreas superioresdurante a sedac¸ão e anestesia.5 Dexmedetomidina (DEX) é um ago-nistadoreceptor␣-2queatualmenteéusadooff-labelpara

sedac¸ão em pacientes pediátricos em muitas instituic¸ões. Em contraste com outros agentessedativos, DEX mostrou terpropriedadessedativasqueseassemelhamaosono natu-ral não REM, sem depressão respiratória significativa.6,7 Essasvantagens tornama DEXumagente atraentepara a sedac¸ão de crianc¸as com AOS.8 Em estudo anterior, usa-mos imagens de ressonância magnética (RM) para avaliar o efeito de doses crescentes de DEX sobre as dimensões das vias aéreas em crianc¸as com vias aéreas superiores normais(faixade3-10anos)eobservamosqueasdoses cres-centes de DEXnessas crianc¸as nãoestavam associadasao aumentosignificativodograudeobstruc¸ãodasviasaéreas.9 Recentemente,usamosumametodologiasemelhantepara compararosefeitosdose-respostadeDEXepropofolsobre a morfologia das viasaéreas em crianc¸as com AOS (faixa de1-16 anos). Descobrimosque à medida que adosagem aumentava, asdimensões médias das vias aéreas ficavam tipicamente inalteradas ouligeiramente aumentadas com DEX,emcomparac¸ãocominalteradasouligeiramente dimi-nuídascompropofol.10

Nossoobjetivonopresenteestudofoitestarahipótesede queascrianc¸ascomSDeAOStêmumacolapsibilidade sig-nificativadasviasaéreassuperioresmesmoembaixasdoses deDEX,emcomparac¸ãocomcrianc¸ascomviasaéreas nor-mais(VAN).Portanto,projetamosumestudoretrospectivo decoorteparacompararasmorfologiasdasviasaéreas supe-rioresdecrianc¸asentre3-10anoscomSDeAOSecrianc¸as comVANsobdosescrescentesdesedac¸ãocomDEX.

Material

e

métodos

Apósaaprovac¸ãodoConselhodeRevisãoInstitucional(CRI), obtivemosos dados das crianc¸as entre 3-10 anos com SD e crianc¸as com VAN submetidas à análise das vias aéreas pormeiodeRMcomDEX.Termosdeconsentimento infor-madoforamassinadosparaasedac¸ão.Anecessidadedeum segundoconsentimentoinformadoparaarevisão retrospec-tivafoidispensadapornossoCRI.

GruposíndromedeDown(SD)

Ametodologiausada em crianc¸as comSD foi descrita em nossoestudoanteriorqueexaminouosefeitosdose-resposta de DEX e propofol sobre a morfologia das vias aéreas. Oestudofoifeitocom22crianc¸aseadolescentesentre 3-16anos ehistória deAOS agendadas paraestudo dosono comRM.10Entreos22pacientesquecompletaramoestudo, umsubgrupodesetepacientesentre3-10anostinhao diag-nósticodeSD.Pré-medicac¸ãonãofoiadministrada.Oacesso intravenosofoiobtidona saladeinduc¸ãocomsevoflurano e/ouóxido nitrosoem oxigênio. Atropina (10mcg.kg−1 IV) foiadministradaesevofluranoe/ouoóxidonitrosofoi inter-rompido.DEXfoiiniciadaeaRMfeitacomodescritoabaixo.

Grupoviasaéreasnormais(VAN)

(3)

umexame de ressonância magnética eletivo sob sedac¸ão foram incluídas. Crianc¸as com história de AOS ou ronco, classificac¸ãoASA>2(AmericanSocietyofAnesthesiologists), alergiaàDEX,presenc¸adeanomaliadasviasaéreasou cra-niofacial, obesidade ou atraso grave do desenvolvimento foramexcluídas.

Protocolodeusodedexmedetomidina

As imagens das vias aéreas na fase basal foram obtidas durantea infusão deDEXem dose baixa (1mcg.kg---1.h---1). Se o sujeito se movimentasse, um bolus de 0,5mcg.kg---1 por10mineraadministradoeataxadeinfusãodeDEXera aumentadapara1,5mcg.kg---1.h---1.Seosujeitose movimen-tasseumasegundavez,oestudoeraencerradoeanestesia adicionalfornecidacominfusão depropofol.Apósobtero conjuntoinicialdeimagensdasviasaéreas,umadosedeDEX embolusde2mcg.kg---1foiadministradapor10min,seguida de um aumento da taxa de infusão para 3mcg.kg---1.h---1 (dose alta de DEX). A Escala de Sedac¸ão da Universidade deMichigan(UMSS)foiusadaparaavaliarasedac¸ão.11Essa é umaescalasimples deusar e uma ferramenta validada paraavaliaraprofundidadedasedac¸ãoemcrianc¸as.11 Moni-toramento padrãoe respirac¸ão espontânea com 2L.min---1 deoxigênio atravésdeumacânula nasal foramusados.O nívelde sedac¸ão foi avaliado apósuma dose baixa inicial deDEX antese depoisdaRM. Asedac¸ãonão foiavaliada duranteoexame,poisissoexigiriaamudanc¸adeposic¸ãoda cabec¸adopaciente e,subsequentemente,comprometeria asmensurac¸õesdasviasaéreas.Ospacientesforam trans-feridosparaasaladerecuperac¸ãopós-anestesia(SRPA)logo apósoexameereceberamaltahospitalarapósatenderaos critérios.

ProtocolodeusodeRM

Todosospacientesforamsubmetidosaoexameclinicamente indicado de RM sob sedac¸ão com DEX. Quando a sedac¸ão adequadafoiobtida,acolunacervicalfoimantidaemuma posic¸ãoneutracomacabec¸aeopescoc¸odopaciente posi-cionados em uma bobina vascular. Não usamos via aérea artificial (p. ex., cânula orofaríngea ou nasofaríngea) ou auxiliardeposicionamento(p.ex.,roloparaombro)durante oexame.Nenhumatentativafoifeitaparaabriroufechara boca. As crianc¸as comSD foramtransferidaspara o gera-dor de imagens após se reduzir a concentrac¸ão expirada de sevoflurano para <0,1%. ARM foi feitaem gerador de imagensTesla1.5(GEHealthcare,Milwaukee,WI,EUA)com umabobina matriz neurovascularde oitocanais fenestra-dos(Medrad,Inc.,Indianola,PA,EUA).Asprimeirasimagens paraanáliseforamrapidamenteadquiridasemplanosagital nalinhamédia,comimagensdegradiente-ecorápido(uma imagem a cada 800ms).9 Os parâmetros de digitalizac¸ão foram:tempoderepetic¸ão/tempodeeco:6,98/3,6;campo devisão:24cm;espessuradecorte:5mm;matriz256x128; númerodeexcitac¸ões:1;ângulodealeta:80◦;largurade banda do receptor: 244,1Hz/pixel; resoluc¸ão basal: 256; resoluc¸ão de fase: 128. Ao projetar as imagens em loop decinema,umfilmedomovimentodasviasaéreasfoi cri-ado(figs.1e2,comvídeoassociado).Asimagensdasvias aéreassuperioresforamobtidasduranteasedac¸ãocomDEX em dose baixa (1mcg.kg---1.h---1) e alta (3mcg.kg---1.h---1).As imagensforamarmazenadasnoPACS(PictureArchivingand CommunicationSystem)erevisadaspordoisavaliadoresque eramcegadosparaasdosesdeDEX.

Aviaaéreafoimedidanoníveldopalatomole(viaaérea nasofaríngea)e da base dalíngua (via aérea retroglossal)

(4)

Figura2 Imagemfixa(A)dofilmequemostraaviaaérearetroglossalemsecc¸ãotransversalenquantoaberta(setas)eaimagem fixa(B)quemostraaviaaéreacompletamenteemcolapsocentralmentecompatívelcomocolapsohipofaríngeo.

(figs. 1 e 2).A área seccional e o diâmetro anteroposte-riorforam medidosna áreanasofaríngea(ANF) e na área retroglossal (ARG).A áreanasofaríngea(ANF) foidefinida anteriormente porumalinhavertical tangencialàconcha nasal inferior posterior, posteriormente pela parede pos-teriordanasofaringe,superiormentepelaparedesuperior danasofaringee inferiormente pelaparte superior e pos-terior dos palatosduro e mole. Aárea retroglossal (ARG) foi definida anteriormente pela parte de trás da língua, posteriormentepelaparedeposteriordafaringe, superior-menteporumalinhahorizontaltrac¸adanamargeminferior do palato mole e inferiormente por uma linha horizontal trac¸ada na base dalíngua. A áreaseccionale o diâmetro anteroposteriorforammedidosnasANFeARGemimagens deexpansãomínimaemáximadasviasaéreas.

Poderdaanálise

As análises feitascom o programaestatístico Rindicaram queumaamostradesetepacientesteriaumpoderde80% paradetectar umadiferenc¸a de100mm2 nasáreas secci-onais médias das vias aéreas das crianc¸as com SD e com VANquerecebiam dosebaixadeDEX.12 Umadiferenc¸ade 100mm2foiescolhidaporqueascrianc¸ascomSDtêmvias respiratóriasmaisestreitas e foi baseadaem umnível de confianc¸ade95%nasdiferenc¸asmédias.13 Umadosebaixa deDEXfoiescolhidaparadeterminaraestimativamais con-servadora do tamanho da amostra necessária para obter poder adequado do estudo. Isso foi feito sob a suposic¸ão dequealtasdosesdeDEXcausariamumestreitamentomais significativodasviasaéreasdoquedosesbaixasdeDEXe, subsequentemente,adiferenc¸amédiadasmensurac¸õesdas viasaéreasseriamaior.Umaanáliseposthocdopoderfoi feitaparaverificaressahipótese.

Análiseestatística

A análise estatística foi feitacom o programa estatístico R.12 Anormalidadedadistribuic¸ãodosdadosfoiverificada com o teste de Shapiro-Wilks. As estatísticas descritivas foramexpressascomo médiae desviopadrãoounúmeros, conforme apropriado. As variáveis idade, peso e polisso-nográficas entre as crianc¸as com VAN e com SD foram comparadas com o test t de Welch para duas amostras. O gênero foi comparado com o teste exatode Fisher. Os dados hemodinâmicos foram comparados com o teste t não pareado. Os diâmetros anteroposteriores, máximo e mínimo, e as áreas seccionais na ANFe ARGforam com-paradosentreascrianc¸ascomSDeascomVANcomoteste tnãopareado.Adiferenc¸aentre‘‘DEXdosebaixa’’e‘‘DEX dosealta’’entreascrianc¸ascomSDeascrianc¸ascomVAN foicomparadacomotestetpareado.Umvalor-p<0,05foi consideradoestatisticamentesignificativo.

Resultados

Avaliamossete crianc¸ascom SDe 23comVAN. Aidade,o pesoeosachadospolissonográficosdosgrupossão apresen-tadosna tabela1.Aescaladesedac¸ãoUMSSmostrouque ascrianc¸ascomSDapresentaramescoressignificativamente maisaltosdesedac¸ãoduranteainduc¸ão,masescores seme-lhantesnaSRPA (tabela1).Frequênciacardíacae pressão arterialforamestatisticamente semelhantesentreosdois grupos(tabela2).

As mensurac¸ões dodiâmetroanteroposteriore daárea seccionalestãoresumidasnatabela3.

(5)

Tabela1 Resultadosdemográficosepolissonográficos

Síndrome

deDown

(n=7)

Viasaéreas

normais

(n=23)

p

Idade(anos) 5±1 6±2 0,27

Peso(kg) 26±11 22±5 0,42

Masculino/Feminino 4/3 12/11 1

Escoredesedac¸ão

Induc¸ão 3±1 2±1 0,003

Salade

recuperac¸ão

pós-anestesia

3±0 3±0 0,36

Apneiaobstrutiva dosono(n)

7 0

Achadospolissonográficos

Índicede

apneia-hipopneia (eventos/hora)

17±11

(5,2-37,6)

---Saturac¸ãomínima

deoxigênio(%)

81±5

(72-85)

---Dadosexpressos em média±desviopadrão ounúmeros abso-lutos. As variac¸ões são mencionadas em parênteses. ---, não aplicável.

seccional mínima da ARG, diâmetro mínimo anteroposte-rior da ANF e diâmetro mínimo anteroposterior da ARG. Asedac¸ãocomDEXnãorevelouumadiferenc¸adependente da dose (baixa vs. alta) estatisticamente significativa nas mensurac¸ões das vias aéreas de crianc¸as com SD e VAN (tabela4).

Discussão

Nossoestudomostrouqueascrianc¸ascomSDeAOS exibi-ram reduc¸ões significativasnas dimensõesanatômicas das vias aéreas em comparac¸ão com ascrianc¸ascom VAN sob sedac¸ão com DEX. A sedac¸ão segura de crianc¸as, especi-almente daquelas com história de AOS, requer um claro conhecimentodafarmacocinéticaedosefeitos farmacodi-nâmicosdosedativousado,bemcomo umaapreciac¸ãodo efeitodosedativoescolhidosobreacolapsibilidadedasvias aéreas. Todososprofissionaisque aplicamsedac¸ão devem terumconhecimentodetalhadodainterac¸ãoentrea profun-didadedasedac¸ãoeadinâmicadasviasaéreas.Lembra-se queaprofundidadedasedac¸ãoéumcontinuumdasedac¸ão mínima,moderadaeprofundaatéaanestesiageral.

Sedarouanestesiarumacrianc¸acomdiagnóstico conhe-cido de AOS é um desafio porque os agentes anestésicos mitigamosmecanismosdeexcitac¸ão,diminuemoimpulso respiratórioereduzemotônusmusculardafaringe.Maisda metadedetodasascrianc¸ascomsíndromedeDowntêmAOS eessascrianc¸asestão emmaiorrisco deeventosadversos

Tabela2 Dadoshemodinâmicos

Basal p Primeiravarredura p DosealtadeDEX P

Síndrome

deDown

Crianc¸as

normais

Síndrome

deDown

Crianc¸as

normais

Síndrome

deDown

Crianc¸as

normais

FC(bpm) 101±12 93±14 0,15 97±19 78±15 0,03 84±9 82±19 0,88

PAS(mmHg) 110±10 107±14 0,50 125±14 111±15 0,13 137±14 112±14 0,08

PAD(mmHg) 64±9 56±19 0,16 69±9 59±12 0,15 84±2 66±12 <0,001

FC,frequênciacardíaca;PAS,pressãoarterialsistólicanãoinvasiva;PAD,pressãoarterialdiastólicanãoinvasiva.

Tabela3 Comparac¸ãodasdimensões dasviasaéreas entreascrianc¸ascomsíndromedeDownecrianc¸ascomviasaéreas

normaiscomdosebaixaealtadedexmedetomidina

Dimensões DosebaixadeDEX DosealtadeDEX

Down Normal IC95% Valor-p Down Normal 95%CI p-Value

Nasofaríngea

AP(mm)

Mínimo 1±1 5±2 2,6-4,9 <0,001 1±1 5±2 2,3-4,7 <0,001

Máximo 2±1 5±2 2,6-5,1 <0,001 2±1 5±2 2,0-4,7 <0,001

Áreaseccional(mm2)

Mínimo 157±41 265±80 59,5-154,7 <0,001 171±69 262±75 7,2-175,0 0,04

Máximo 198±28 279±82 39,8-122,1 <0,001 199±78 281±71 ---2,2a175,8 0,08

Retroglossal

AP(mm)

Mínimo 2±2 10±4 5,7-9,9 <0,001 4±3 9±4 1,5-9,2 0,01

Máximo 7±4 10±4 −0,0a7,5 0,05 8±4 10±5 −2,2a6,7 0,27

Áreaseccional(mm2)

Mínimo 108±63 245±79 74,3-199,7 <0,001 121±48 247±104 60,1-191,5 0,001

Máximo 227±129 266±89 −81,8a160,1 0,48 210±78 268±108 −37,8a153,9 0,2

(6)

Tabela4 Comparac¸ãodasdiferenc¸asmédiasnasdimensõesdasviasaéreasentredosebaixaealtadedexmedetomidinaem

crianc¸ascomviasaéreasnormaisecrianc¸ascomsíndromedeDown

Dimensões Down(DEXdosebaixavs.alta) Normal(DEXdosebaixavs.alta)

Diferenc¸amédia IC95% p Diferenc¸amédia IC95% p

Nasofaríngea

AP(mm)

Mínimo −0,4 −2,0a1,3 0,56 0,1 0,4a0,5 0,79

Máximo −0,2 −1,9a1,5 0,76 0,3 −0,1a0,7 0,31

Áreaseccional(mm2)

Mínimo −1,5 −120,5a117,5 0,97 2,2 −8,7a13,2 0,67

Máximo 6,3 −114,9a127,6 0,89 −2,4 −13,7a8,9 0,67

Retroglossal

AP(mm)

Mínimo −1,5 −5,4a2,3 0,33 0,7 −0,0a1,5 0,06

Máximo −2,0 −9,4a5,5 0,51 0,3 −0,5a1,2 0,41

Áreaseccional(mm2)

Mínimo 3,1 −109,4a115,7 0,94 −1,9 −17,8a14,0 0,81

Máximo 4,9 −168,0a177,8 0,94 −1,9 −19,8a16,0 0,83

Asdiferenc¸asmédiasnestatabelaforamobtidascomoumaanálisepareadadoconjuntodedadosenãorepresentamsimplesmentea diferenc¸adeduasmédiascorrespondentesdatabela3.

dasviasaéreasduranteasedac¸ão.Nossoestudoexaminouas áreasanatômicassagitaiseseccionaiseodiâmetrodaparte críticadasviasaéreas. Mostramosque asáreas seccionais eosdiâmetros dasviasaéreasestavam significativamente reduzidosemcrianc¸ascomSDemcomparac¸ãocomcrianc¸as com VAN,tanto com dose baixa quantocom dose alta de DEX.Asalterac¸õesnasdimensõesdasviasrespiratóriasnão dependeramdadoseentreosgrupos depacientes.A apa-renteindependênciadasdimensõesdasviasaéreasedadose deDEXpodeserexplicadapelarelac¸ãoentreaconsciência ecolapsibilidadedasviasaéreassuperiores.Alterac¸ões pro-fundasna atividademuscular dasviasaéreas superiorese colapsibilidadeocorrempróximasàperdadeconsciênciae alterac¸õesrelativamentemodestasocorremcomoaumento daprofundidadedaanestesia/sedac¸ão.14

Alémdisso, quantificamosoefeitodasedac¸ãocomDEX sobreamorfologiadasviasaéreasemcrianc¸ascomSD. Espe-ramos que os profissionais possam usar essasinformac¸ões para avaliar melhor a profundidade da sedac¸ão de seus pacientescomSDe,porfim,evitarosefeitosadversosda supersedac¸ão (p. ex., hipoventilac¸ão, obstruc¸ão das vias aéreas).ComoospacientespediátricoscomSDpodem obs-truirrapidamentesuasviasaéreasmesmocomdosesbaixas desedac¸ão,osprovedorestambémdevemsecertificarde que os instrumentos de manejo das vias aéreas estejam prontamentedisponíveisantesdesedaressascrianc¸as.

OspacientescomSDtambémtêmumachancemaiorde AOSpersistente apóstonsilectomiadevidoaoalargamento recorrente das tonsilas linguais e ao tecido adenoide-ano, tônus muscular reduzido, colapso hipofaríngeo e à glossoptose.15,16ARMdasviasaéreasemadolescentespara avaliac¸ãodaAOS revelouquecrianc¸ascomSDtêmlínguas desproporcionalmente grandes em comparac¸ão com os parâmetroscraniofaciaisdecontrolescomidadesegêneros equiparados.3Osresultadosdopresenteestudomostraram que o tamanho das vias aéreas ficou estável entre os níveis da dosagem de DEX estudada. Isso sugere que a colapsibilidade das vias aéreas é provavelmente causada

pelareduc¸ão dotônus muscular e pelocolapso hipofarín-geo, pela glossoptose, hipoplasia maxilar e macroglossia relativa.3,15,16Ocolapsodafaringeémaisgraveemcrianc¸as comSDemcomparac¸ãocomcontroles,independentemente de idade, sexo, índice de massa corporal.17 A atividade dilatadoraaumentadadas viasaéreas superiorespresente noestadodevigíliaéreduzidanoiníciodosonoeéainda maisatenuadaduranteosonoREM,contribuiparaocolapso da faringe em crianc¸as com AOS.18,19 Os contribuintes adicionais para a obstruc¸ão das vias aéreas durante a sedac¸ão com pentobarbital intravenoso em crianc¸as com AOSmoderadaincluemopalatomolegrandeeadenoidese tonsilasgrandes.20

A área seccional e o diâmetro anteroposterior das vias aéreas foram medidos como mínimo e máximo, que representamasdimensõesdurantea inalac¸ãoe exalac¸ão, respectivamente.Issofoifeitoparainterpretarasmudanc¸as relativasnasviasaéreasduranteociclorespiratório.Ataxa deaquisic¸ãodaimagem picode 800msfoifeitae permi-tiuumaamostragemrandômicaduranteociclorespiratório. Asegmentac¸ãodotamanhodasviasaéreasduranteociclo derespirac¸ão e o uso do tamanhode pico e do tamanho mínimoevidenciaramanecessidadedesincronizac¸ãocomo ciclorespiratório.Aviaaéreaémaiorduranteaexpirac¸ãoe menorduranteainspirac¸ão,anãoserquelíngua/mandíbula protuberanteestejapresenteeaviaaéreasejamais dinâ-micanaAOS.21

(7)

fadigaobservadanamusculaturainspiratóriaempacientes comAOS.23

Existemalgumaslimitac¸õesem nossoestudo. Primeiro, embora o tamanho da amostrapossa limitar a nossa sig-nificância estatística, especialmente nas mensurac¸ões da áreanasofaríngeadogrupocomdosesaltasdeDEX(poder post hoc de 71%), os nossos resultados preliminares são relevantes na definic¸ão e aplicac¸ão de intervenc¸ões para melhorarosresultadosdasviasaéreasemcrianc¸as subme-tidasàsedac¸ãoforadocentrocirúrgico.Segundo,todosos pacientescom SDem nosso estudo tinhamAOS de mode-radaagrave.Osresultadospodemserdiferentesnaminoria dos pacientes com SD sem AOS. Embora fosse ideal ava-liarpacientescomSDsemAOScomoumterceirogrupo,a disponibilidadedeumnúmeroadequadodepacientescom SDfazendo examede RM das viasaéreas paraindicac¸ões nãoAOSéumimportantefatorlimitante.Terceiro,oescore médiodesedac¸ãoemcrianc¸ascomSDfoisignificativamente maiorduranteainduc¸ão,emcomparac¸ãocomcrianc¸ascom VAN, e pode ter afetado as mensurac¸ões durante a dose baixadeDEX.EmboraaUMSScapturealterac¸õesna profun-didadedasedac¸ão,aincapacidadedeaescaladiscriminar níveismoderadoseprofundosdesedac¸ãopodelimitarasua utilidadeemtaissituac¸ões.24

Conclusões

As crianc¸as com SD com AOS apresentaram reduc¸ões sig-nificativas nas dimensões anatômicas das vias aéreas em comparac¸ão com as crianc¸as com VAN sob sedac¸ão com DEX, o que corrobora nossa hipótese. A reduc¸ão relativa nasdimensõesdasviasaéreaséigualtantocomdosebaixa quantocomdosealtadeDEX,oquesugerequeasdiferenc¸as observadas são características da SD, e não devidas às diferenc¸asnasedac¸ão.Essasalterac¸õessãomais significati-vasnospontosmaisestreitosnasviasaéreasnasofaríngeae retroglossal.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

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