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Rev Latino- am Enferm agem 2008 m aio- j unho; 16( especial)www.eerp.usp.br/ rlae
EM BUSCA DA I GUALDADE: REPRESENTAÇÕES DO ATO DE FUMAR
EM MULHERES ADOLESCENTES
J. Adriana Sánchez Mart ínez1
Cléa Regina de Oliveira Ribeiro2
O obj et ivo dest e est udo foi conhecer as represent ações do at o de fum ar em m ulheres adolescent es, t ant o fum ant es quant o não fum ant es, de um a inst it uição de Educação Super ior no Est ado de Quer ét ar o, México. Trata- se de um a investigação qualitativa, realizada com 14 m ulheres adolescentes em 2005. Entrevista sem i- estruturada e questionário de dados socio- dem ográficos foram utilizados na coleta de dados. Os resultados dem onst raram que as adolescent es conhecem o discurso biom édico, o qual prescreve que fum ar t raz graves conseqüências ao organism o, cont udo, há out ras razões, de cunho sim bólico, que incidem no consum o, com o a busca pela igualdade, e a im agem da m ulher para os hom ens. Nesse sentido, as adolescentes consideraram que um a m ulher que fum a é m ais at raent e e t em grau de m at uridade m ais elevado. O grupo social exerce um a influência im portante para que as m ulheres fum em , ao validar a prática e m inim izar os danos ao organism o.
DESCRI TORES: t abagism o; m ulheres; adolescent e
THE SEARCH FOR EQUALI TY: REPRESENTATI ONS OF THE SMOKI NG ACT
AMONG ADOLESCENT W OMEN
This st udy aim ed t o discov er t he r epr esent at ions of t he sm ok ing habit in bot h non- sm ok ing and sm oking fem ale adolescent s from a high school in Querét aro, Mexico. I t is a qualit at ive research, carried out wit h 14 fem ale adolescent s in 2005. A sem i- st ruct ured int erview and a socioeconom ic survey were used t o collect dat a. Result s ev idenced adolescent s k now t he biom edical discour se, w hich pr oposes t hat sm ok ing causes serious consequences t o healt h. However, t here are ot her sym bolic reasons t hat influence it s use such as t he search for equalit y and im age, since t hey t hink m en find sm oking wom en m ore at t ract ive and m at ure. Peer pressure represents an im portant factor for wom en to sm oke by validating its practice and m inim izing its effect s t o t he body.
DESCRI PTORS: sm oking; wom en; adolescent
EN BÚSQUEDA DE LA I GUALDAD: REPRESENTACI ONES DEL ACTO DE FUMAR
EN MUJERES ADOLESCENTES
El obj etivo de este estudio fue conocer las representaciones del acto de fum ar en m uj eres adolescentes fum adoras y no fum adoras de una institución de educación m edia superior en el estado de Querétaro, México. Es una inv est igación cualit at iv a r ealizada en el 2005 con 14 m uj er es adolescent es. Com o inst r um ent o de recogida de inform ación se utilizó una entrevista sem i- estructurada y un cuestionario de datos sociodem ográficos. Los resultados señalan que las adolescentes conocen el discurso biom édico que plantea que fum ar trae graves consecuencias en el organism o, pero hay ot ras razones sim bólicas que inciden en el consum o, t ales com o la búsqueda de la igualdad con los hom bres y la im agen, ya que consideran que para los hom bres una m uj er que fum a es atractiva y tiene un grado m ás alto de m adurez. El grupo social ej erce una influencia m uy im portante para que las m uj eres fum en al validar la práct ica y m inim izar los daños en el organism o.
DESCRI PTORES: t abaquism o; m uj er es; adolescent e
1 Psicóloga, Professora da Universidade Aut ônom a de Querét aro, Escola de Enferm agem México, e- m ail: [email protected] .m x; 2 Filósofa, Dout ora em Saúde Pública, Professora, Escola de Enferm agem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Cent ro Colaborador da OMS para o Desenvolvim ent o de Pesquisa em Enferm agem , Brasil, e- m ail: [email protected]
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I NTRODUÇÃO
N
um er osas pesquisas for am desenv olv idasa fim de conhecer o consum o de t abaco, a m aioria d elas en f ocad as n a d escr ição d a m ag n it u d e e n o im pact o dest a prát ica na saúde da população( 1- 3).
Algu n s est u dos ex põem qu e os países em desenv olv im ent o ainda não apr esent am índices de consum o t ão alt os quant o os países desenv olv idos, nos quais esta prática se converteu em um a epidem ia que t r az, com o conseqüências, div er sas doenças e a l t o s ín d i ce s d e m o r t e r e l a ci o n a d o s a e st e consum o( 2,4). Não obst ant e, a condut a dos fum ant es é a de ignorar estes efeitos, um a vez que o consum o t em cr escid o q u e m an eir a d esm ed id a em t od o o m undo. Neste sentido, a população adolescente é um a das m ais afet adas, pois os nív eis nest a população são cada vez m aiores.
Os result ados do im pact o do fum o na saúde n ão f o r am su f i ci en t es p ar a d i m i n u i r o u ev i t ar o consum o. Entretanto, não é só por falta de inform ação que as pessoas continuam consum indo, m as sim pelo conj unt o de significados e represent ações que o at o de fum ar lhes r epr esent a; significados que m udam de acordo com o cont ext o, época e condições sócio-políticas e culturais de onde o fum ante está inserido. Para os indígenas am ericanos, desde os t em pos pré-históricos, a figura do cham án era o principal autor e único privilegiado para consum ir grandes quantidades de t abaco, usado principalm ent e com fins religiosos e pr át icas cur at ivas( 5). As r epr esent ações m udar am
no t ranscorrer do t em po e do cont ext o, e são est as que guiam as ações e at it udes que um a pessoa t erá ante outra pessoa, fato ou acontecim ento. É por isso q u e , e m e sp a ço s d i v e r so s, e x i st e m d i f e r e n t e s r e p r e se n t a çõ e s q u e se co n v e r t e m e m r a zõ e s suficient es para a prát ica do fum o.
Existem várias correntes que têm se dedicado a e st u d a r a s r e p r e se n t a çõ e s so ci a i s. A Esco l a Fr an cesa def in e a r epr esen t ação social com o “ u m sistem a de valores, idéias e práticas com um a função d u p l a : p r i m ei r o d e est a b el ecer u m a o r d em q u e possibilit ar á às pessoas or ient ar - se em seu m undo m aterial, social e controlá- lo; e em segundo lugar, de possibilit ar que a com unicação sej a possível ent re os m em br os de um a com unidade, pr opor cionando- lhes um código para norm at izar e classificar os aspect os de seu m undo e de sua hist ór ia indiv idual e social sem am bigüidade”( 6).
As r epr esent ações não são univ er sais, m as sim regionais, variando de um lugar para out ro; são com p ar t ilh ad as p ela com u n id ad e e aceit as com o verdades – por isso, orient am as ações das pessoas que com partilham essa com unidade. No m om ento em que nos inserim os dent ro de um a sociedade, est a j á t e m e m su a e st r u t u r a u m a r e d e i n t r i n ca d a d e r ep r esen t ações q u e id en t if icam e cat eg or izam as ações, os obj et os e as pessoas. Est as são adquiridas pelos suj eit os e const it uem a m aneira com o vêem o m u n d o; são com o len t es q u e p er m it em aos seu s indivíduos t er um a visão das coisas, que para eles é sua r ealidade.
Estas representações são retidas na m em ória das pessoas, fazendo- as part e de seus esquem as de p e n sa m e n t o co m o ca t e g o r i a s q u e e x p r e ssa m a r ealidade. São fat or es pr odut or es de r ealidades ao det er m in ar as m an eir as pelas qu ais os su j eit os a interpret am e com o respondem a ela com o form a de co n h e ci m e n t o p r á t i co , o r i e n t a n d o a s a çõ e s d o cot idiano.
Resu m in d o, as r ep r esen t ações sociais se conceit ualizam com o saber es funcionais ou t eor ias so ci a i s p r á t i ca s q u e d e si g n a m u m a f o r m a d e conhecim ent o específico, o saber de sent ido com um , cu j o con t eú do m an ifest a a oper ação de pr ocessos gerativos e funcionais caracterizados socialm ente. Em u m sen t ido m ais am plo, design am u m a f or m a de pensam ento social( 7), e ainda que venham perm eadas
por conhecim ent os cient íficos, m ost ram a lógica e as i d éi a s q u e l ev a m a s p esso a s a co m p r een d er a s diferent es ações que realizam .
Na ár ea da saúde, é de sum a im por t ância r ealizar est u d os sob r e as r ep r esen t ações q u e os aut ores t êm dos diferent es fenôm enos, pois são eles que os vivem de m aneira cot idiana. Com o result ado d e st e e st u d o , p r o cu r a m o s a p r o f u n d a r n a s r ep r esen t a çõ es d a s m u l h er es a d o l escen t es co m relação ao at o de fum ar, m as, sobret udo, analisar se algum as dest as concepções reforçam o consum o nas adolescent es e se exist em diferenças ent re m ulheres que fum am e as que não o fazem .
Ne st a p e r sp e ct i v a o o b j e t i v o g e r a l d a pesquisa foi conhecer as concepções das m ulher es ad olescen t es d e u m a in st it u ição d e En sin o Méd io Superior sobre o at o de fum ar. Com a finalidade de identificar se estas representações reforçam a prática d e f u m a r e se e x i st e m d i scr e p â n ci a s n a s represent ações das m ulheres que fum am e das que não o fazem .
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METODOLOGI A
Est a p e sq u i sa é u m e st u d o q u a l i t a t i v o realizado em um a instituição de Ensino Médio Superior do Est ado de Qu er ét ar o, Méx ico. As par t icipan t es foram 14 m ulheres que tinham entre 16 e 17 anos de idade, dentre elas 7 fum antes e 7 não- fum antes. Com o t écnica de colet a de inform ação, foram ut ilizados um quest ionário para obt er dados sócio- dem ográficos e um a ent revist a sem i- est rut urada( 8- 10).
Um elem en t o f u n dam en t al n o desen h o do est u do foi o gên er o. Nest e est u do só se t om ou a p e r sp e ct i v a d a s m u l h e r e s co m r e l a çã o a su a s concepções do at o de fum ar. O segundo elem ent o fundam ent al na escolha das infor m ant es foi o fat o destas serem ou não fum antes ativas. É desta form a que a diferença nas represent ações das adolescent es que fum am e das que não o fazem constitui o obj eto central deste estudo. O últim o elem ento a considerar foi o horário, apenas as m ulheres que pertenciam ao t urno vespert ino foram convidadas a part icipar, um a vez que é este horário que apresenta o m aior núm ero de fum ant es.
Pr ocedim en t o
Ap ó s a a u t o r i za çã o d a i n st i t u i çã o , u m a p r i m e i r a e n t r e v i st a g r u p a l co m 2 0 m u l h e r e s a d o l e sce n t e s f o i r e a l i za d a p a r a co n v i d á - l a s a participar do estudo. Nesta reunião se expôs o obj etivo central do m esm o, assim com o a im portância de sua p ar t icip ação. Dest a r eu n ião f or am ob t id as as 1 4 part icipant es, que em seguida forneceram um t erm o de consentim ento livre e esclarecido assinado por elas e por seus tutores. A seguir, as datas das entrevistas f o r a m e st a b e l e ci d a s, d e a co r d o co m o t e m p o disponível das part icipant es, e buscou- se um espaço silencioso que per m it isse o diálogo e conv idasse à co n v e r sa d e n t r o d a s i n st a l a çõ e s d a i n st i t u i çã o educat iv a. As ent r ev ist as ocor r er am no per íodo de 2 3 d e n ov em b r o a 1 0 d e d ezem b r o d e 2 0 0 5 , n o período da tarde. Estas foram gravadas e transcritas; a efeito de identificação dos discursos das inform antes, as ent revist as foram enum eradas de 1 a 14.
A a n á l i se d a i n f o r m a çã o f o i r e a l i za d a seguindo as diretrizes da Análise de Conteúdo( 11), que
n o s p er m i t i u o b t er ( p o r m ei o d e p r o ced i m en t o s sist em át icos e obj et ivos da descrição dos cont eúdos) as m ensagens e indicador es dos quais se infer ir am as cat eg or ias. Os seg u in t es p r oced im en t os f or am
tom ados: fase de pré- análise; exploração do m aterial; t r at am ent o e int er pr et ação dos r esult ados obt idos; elaboração do relat ório t écnico.
As m ulher es que par t icipar am do est udo o f i ze r a m d e f o r m a v o l u n t á r i a , a sse g u r a n d o a confidencialidade de sua ident idade.
RESULTADOS
Repr esent ações de fum ar
A f o r m a co m o o s d o i s g r u p o s d e est u d o represent am o at o de fum ar se m ost ra com opiniões am bivalent es. As m ulheres fum ant es acredit am que f u m a r é u m a a t i v i d a d e co n si d e r a d a “ n o r m a l ” dim inuindo seus efeitos ao equiparar esta prática com outras da vida cotidiana. [ O que acha de fum ar] na verdade nada, é com o algo norm al, que faço m uito… com o tom ar água
( Ent revist a nº 7) .
O at o de fum ar lhes proporciona benefícios im ediatos, com o, por exem plo, provocar relaxam ento, m as elas t am bém consideram que não é algo bom e que a prát ica const ant e pode se t ornar um cost um e d i f íci l d e d e i x a r. Al é m d i sso , a s p a r t i ci p a n t e s m anifest am um a m udança em suas r epr esent ações antes e depois de iniciar o consum o; antes pensavam que esta prática era ruim e exclusiva de certo tipo de população, entre eles os “ vagabundos” e os hom ens; est a represent ação m udou a part ir do m om ent o em que elas com eçaram a fum ar, e que cada vez m ais pessoas o fazem ; ao serem t ant os os que fum am , a pr át ica é v alidada pelo gr u po, se m in im izan do ou elim inando os efeit os que provoca na saúde.
Antes era estranho ver uma senhora, mas agora não mais.
Antes eu pensava que colocar um cigarro na boca era muito mal visto,
mas agora não, como se eu já tivesse me acostumado a ver acontecer,
a ver qualquer um fumando... Já não é estranho, então, você diz, se
eles fumam, por que não eu. (Entrevista nº 14)
As adolescent es são conscient es de que os p ad r ões d e con su m o m u d ar am , est en d en d o- se a outras cam adas da população; isto reforça sua decisão de iniciar- se ou m anter- se no consum o, representando o at o de fum ar com o um a prát ica cot idiana.
As m u lh er es q u e n ão f u m am t am b ém se m ost ram am bivalent es; por um lado expressam que n ã o se i n co m o d a m q u a n d o o u t r o s f u m a m , argum entando que não é um a atividade m uito grave; por outro, dizem que as pessoas que fum am danificam não só a sua própria saúde, m as a das pessoas que
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estão ao seu redor tam bém . Eu o vej o com o um a faca de dois gum es, não? No sentido de que afeta tanto a pessoa que o
consom e com o as pessoas que o rodeiam … além de ser ruim para
a saúde. ( Entrevista nº 13) .
At é com est a am bivalência, as adolescent es que não fum am são m ais conscient es dos danos que o fum o provoca e, ao preocupar- se com sua saúde, evit am iniciar est a prát ica.
Razões pelas quais um a pessoa fum a
As entrevistadas indicam a influência que tem o grupo de am igos ao que se pertence com o a razão principal para que um a pessoa fum e. As adolescentes que não fum am argum ent am que as pessoas iniciam ou m ant êm est a prát ica a fim de t ent ar pert encer a um grupo e não se expor à rej eição do m esm o. Depois de seus am igos te perguntarem de você quer e você dizer não,
eles te colocam de lado, e para pertencer a um grupo você entra e
fum a. ( Entrevista nº 11) .
Ent r et ant o, elas t am bém consider am que o fazem com o um a expressão que sim boliza a ent rada na adolescência e com o um a form a de est ar cont ra a s n o r m a s so ci a i s. As m u l h e r e s q u e f u m a m expressam que o grupo de am igos valida a prática; é algo que t odos fazem , o que conv er t e o fum ar em algo com um e cotidiano, apesar de seus efeitos. Porque você está rodeada da mesma gente, e eu te digo, eles te influenciam,
pois todas as m inhas am igas fum am , todas, e um a hora você o vê
com o algo norm al e diz “ o que há de errado?”. ( Entrevista nº
1) .
Outra diferença im portante entre as m ulheres fum antes e as não- fum antes foi que as não- fum antes m anifest am um discurso social que expressa que as pessoas que consom em drogas ( ent re elas o t abaco) o f a ze m p o r p r o b l e m a s f a m i l i a r e s, f a l t a d e com pr eensão dos pais ou m á com unicação com os m esm os, con sider an do est a ex pr essão com o u m a saída falsa aos problem as da vida cot idiana.
Nas m ulher es fum ant es est a r epr esent ação m uda a par t ir de quando elas iniciam o consum o. Elas m anifest am que um adolescent e não fum a só devido a problem as em casa, m as, entre outras coisas, pelos ben ef ícios qu e se obt ém a n ív el psicológico ( r elax am ent o, dim inuição de ansiedade, et c. ) , por costum e ou por gosto – e não porque estej a passando por problem as em casa. Ant es, quando não fum ava, eu pensava que isto talvez ocorresse m ais pelos problem as que há
em casa ou porque queria relaxar, m as depois disse, acho que
fum a porque quer. ( Entrevista nº 14) .
Represent ação de um a m ulher que fum a
As m u l h e r e s q u e f u m a m r e co n h e ce m o discurso social que argum ent a que as m ulheres não se vêem bem fum ando, e que fum ar é um a prát ica “ exclusiva” dos hom ens; elas não coincidem com este discurso e consideram que não há diferença quando um a m ulher e um hom em fum am , por que eles são ig u ais. Nest e d iscu r so ap ar ece u m a ig u ald ad e d e dir eit os ent r e hom ens e m ulher es, e fum ar é um a expressão desses direit os. Bom , essa sociedade j á est á
q u ase com p let am en t e d iscr im in at iv a, os h om en s j á são
com pletam ente viciados, e as m ulheres devem ter cuidado porque
devem ser m ais bem - vistas; com o um a dam a vai fum ar, será
vista super m al. Mas eu creio que não, bom , não vej o diferença
algum a. ( Entrevista Nº . 6) .
A diferença que expressam com relação aos hom ens é que a m ulher engravida; durante a gravidez não se pode fum ar por ser prej udicial ao bebê, por isso devem se preocupar em não cair no vício, para p od er d eix ar d e f u m ar n o m om en t o d a g r av id ez. Co n si d er a m q u e, q u a n d o u m a m u l h er é m ã e, é perm itido a ela que fum e desde que o faça escondido dos filhos.
Assim com o um a m ulher não deve andar fazendo isso
[ fum ar] , é bom que, se o fizer, o faça escondido. ( entrevista nº
14) . Para as m ulheres que não fum am a im agem é m uit o im port ant e; consideram que um a m ulher que fu m a é m u it o m al- v ist a, e qu e est a pr át ica t ir a a fem inilidade; a m aioria coincide com o discurso social que ex põe que fum ar é um a pr át ica dos hom ens; estes têm m ais perm issão a nível social de fum ar do que as m ulheres. Da m esm a form a que as m ulheres que fum am , as que não o fazem expressam que fum ar é u m a ex p r essã o d e i g u a l d a d e en t r e h o m en s e m ulheres. Ent ret ant o, est as últ im as consideram que a m ulher est á arriscando t ant o sua saúde quant o a de quem a rodeia nest a busca por igualdade.
Para as m ulheres que não fum am o cuidado d a im ag em e d a saú d e são as d u as r azões m ais im por t ant es pelas quais não r ealizam est a pr át ica, além de procurar a igualdade com os hom ens. Crit ico
m uito as m ulheres que fum am , eu digo “ sim , é m al- vista” … sinto
com o se a m ulher tivesse perdido m uito, não?, Com o que se em
sua am bição por ser igual ao hom em tenha denegrido um a parte
dela m esm a, não?, que afinal de contas não afeta só a ela m esm a,
m as sim , por exem plo, [ afeta] se quiser procriar, e às pessoas
que a rodeiam e tudo isso. ( Entrevista nº 11) .
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Razões pelas quais um a m ulher fum a
As m ulheres que fum am m anifestaram ( entre outras razões) que o fazem pelos benefícios que esta prát ica proporciona a nível psicológico, com o t irar o nervoso e a t ensão.
Out ra razão im port ant e é a im agem , j á que consideram que um a m ulher que fum a é m ais atraente par a os h om en s, é v ist a com o m ais in t er essan t e; assim , fum ar é um a estratégia para cham ar a atenção dos m esm os. Por out ro lado, consideram que fum ar é um a expressão de igualdade, pois, ao realizar est a pr át ica, dem onst r am t er os m esm os dir eit os, r azão im port ant e que inclusive é reforçada pelos hom ens:
Às vezes eu penso que as m ulheres querem ser iguais [ aos
hom ens] e os hom ens dizem porque não, ou sej a, nós tam bém
fum am os, ok, e fazem os bobeiras.( Entrevista nº 5) .
Nas n ão - f u m an t es t am b ém ap ar ece est a represent ação de considerar que as m ulheres fum am porque querem ter igualdade diante de um hom em e t er os m esm os dir eit os, em bor a consider em que a razão m ais im port ant e pela qual as m ulheres fum am é a im agem . Manifest am que um a m ulher que fum a é m al- vist a, m as m encionam que os hom ens acham atraente que um a m ulher fum e porque esta se m ostra m ais m adur a, e por isso as m ulher es fum am : par a ch am ar su a at en ção. Apar ece t am bém com m u it a insistência a necessidade de pertencer, para não serem rej eitadas pelo grupo de am igos que fum am e entrar em seu círculo social.
Lu gar
O lugar de consum o é um a categoria que foi el a b o r a d a a p en a s co m o d i scu r so d a s m u l h er es fum ant es e expressa o cont ext o onde realizam est a prát ica. As m ulheres que fum am o fazem na escola ou na rua. Em casa não o fazem , entre outras razões, porque seus pais não sabem que fum am , porque em sua casa ninguém fum a, porque não é perm itido fum ar e porque a casa é um lugar “ respeitado”. Em casa não, não costum o fum ar, não, não sei se m e perm item , porque em
m inha casa ninguém fum a, m ais é aqui na escola… na escola ou
na rua. ( Entrevista nº 1) .
De form a cotidiana, elas fum am seu prim eiro cigarro a part ir das 2 da t arde, horário de ingresso na escola preparatória. Esta situação perm ite analisar, além disso, que fum ar não é um a atividade individual, m as que se realiza com o grupo a que se pertence e que valida a prát ica.
Efeit os
As m ulheres que fum am m encionam o câncer e o enfisem a pulm onar com o principais conseqüências do consum o de tabaco e, além disso, alguns sintom as com o dificuldades na respiração, dor no peit o e um r elax am ent o ex t r em o.
As m ulher es que não fum am apr esent ar am um a gam a m uito m ais am pla de conseqüências, onde o câncer e o enfisem a pulm onar estão acom panhados de asm a, doenças das vias respirat órias, danos aos brônquios e aos dent es e a possibilidade de m orrer p o r a sf i x i a , a l é m d e u m a sé r i e d e si n t o m a s relacionados, com o t osse, rouquidão, dor de cabeça e m au hálito. Consideram que fum ar produz diversos sint om as psicológicos com o ansiedade, ner vosism o, pensam ent os negat ivos e hist eria.
DI SCUSSÃO
Nos conhecim entos das adolescentes aparece o discurso m édico que expõe que fum ar t em graves co n se q ü ê n ci a s p a r a a sa ú d e . En t r e t a n t o , a s represent ações que aparecem a nível sim bólico são m ais im port ant es que a própria saúde.
Da m esm a form a que em out ros est udos( 12),
d e sco b r i u - se q u e f u m a r r e p r e se n t a u m r o l d e aut onom ia, de idade adult a, de busca de aceit ação e de pert encer a um grupo para a população est udada ca r a ct e r íst i ca s p r ó p r i a s d a i d a d e a d o l e sce n t e . En t r e t a n t o , e x i st e m a l g u m a s r e p r e se n t a çõ e s exclusivas das m ulher es pelas condições de gêner o que se apresent am em nosso país.
Com o em out ras pesquisas( 13), as m ulheres
m anifest am que há um a m oral dupla a nível social, que considera fum ar com o um a prática exclusiva dos hom ens, e que as m ulheres que fum am são m al vistas. O ato de fum ar nas m ulheres desta pesquisa aparece com o u m a m an if est ação d o q u e elas con sid er am igualdade de dir eit os. Por isso, fum ar lhes per m it e d e m o n st r a r se u v a l o r. Al é m d i sso , e x i st e a r epr esent ação de que um a m ulher que fum a se v ê m ais int er essant e, m adur a, e que essas qualidades são atraentes para os hom ens. Manifestam que fum ar é um a est rat égia de sedução para cham ar a at enção dos m esm os.
Nas duas representações existe um a condição de valor. Por um lado, fum ar é um a ex pr essão de igualdade entre os direitos dos hom ens e as m ulheres;
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p o r o u t r o , f u m a r se e x p r e ssa co m o u m v a l o r agr egado, ao apr esent ar em - se m ais at r aent es par a os hom ens.
CONSI DERAÇÕES FI NAI S
É im p or t an t e d est acar q u e a m aior ia d as cam panhas publicit ár ias de pr ev enção e dim inuição de consum o de t abaco que aparecem nos m eios de co m u n i ca çã o d e m a ssa m a n i p u l a o s p r o b l e m a s fam iliares com o principal causa do consum o em seu discur so. Assim com o em out r as pesquisas( 14), est e
estudo dem onstra que este fenôm eno não é unicausal e n ão t em ap en as u m a m an i f est ação , m as si m , depende do valor, da form a e da represent ação que lhe dá o cont ext o no qual aparece. Nest a pesquisa, as m u l h er es q u e n ão f u m am co m p ar t i l h am est e discurso social de considerar os problem as fam iliares com o causa fundam ent al, enquant o as m ulheres que f u m am o co m p ar t i l h av am at é an t es d e i n i ci ar o consum o, m as, um a vez iniciado, m anifest am m uit as o u t r as cau sas, r azõ es e si m b o l i zaçõ es, al g u m as conscient es e out ras não.
Os p r o g r a m a s d i r eci o n a d o s p a r a q u e o s fum antes deixem esta prática devem considerar estes
significados, j á que suprir o tabaco com um substituto de nicot ina não é suficient e; o fum o é som ent e um sint om a, e é pr eciso at uar na causa do m esm o se q u iser m os q u e n ossas ações t en h am o r esu lt ad o esper ado.
AGRADECI MENTOS
Ag r ad ecem os a Com issão I n t er am er ican a p a r a o Co n t r o l e d o Ab u so d e D r o g a s/ CI CAD d a Su b secr et ar ia d e Seg u r an ça Mu lt id im en sion al d a Or g a n i za çã o d o s Est a d o s Am e r i ca n o s/ OEA, a Secret aria Nacional Ant idrogas/ SENAD, aos docent es d a Esco l a d e En f er m a g em d e Ri b ei r ã o Pr et o d a Univ er sidade de São Paulo, Cent r o Colabor ador da OMS p a r a o d e se n v o l v i m e n t o d a p e sq u i sa e m enferm agem , a população da am ost ra dos est udos e aos represent ant es dos oit o países Lat inoam ericanos que participaram do I e I I Program a de Especialização On - l i n e d e Ca p a ci t a çã o e I n v e st i g a çã o so b r e o Fen ôm en o d as Dr og as - PREI NVEST of er ecid o n o b iên io 2 0 0 5 / 2 0 0 6 p ela Escola d e En f er m ag em d e Ribeir ão Pr et o, da Un iv er sidade de São Pau lo, n a m odalidade de ensino a dist ância.
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Recebido em : 28.3.2007 Aprovado em : 10.1.2008
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