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Mulheres, soropositividade e escolhas reprodutivas.

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Mulheres, sorop osit ividade e escolhas rep rodut ivas

Wom en , seroposit ivit y an d t h e reprodu ct ive ch oices

Ana Carolina Cunha SANT’ANNA1

Eliane Maria Fleury SEIDL¹ Ana Lúcia GALINKIN¹

Resumo

O crescim ento da epidem ia do vírus da im unodeficiência hum ana entre as m ulheres vem atualizando questões referentes à sexualidade e à reprodução. Este estudo investigou a percepção de m ulheres portadoras do vírus da im unodeficiência hum ana positivo quanto às escolhas reprodutivas no contexto da soropositividade. Optou-se pela m etodologia qualitativa, com a utilização de um grupo focal com m ulheres soropositivas residentes no Distrito Federal. Na análise dos resultados, observou-se que as participantes estavam bem inform adas sobre o processo de prevenção da transm issão vertical. A condição sorológica teve im pacto na vida sexual e reprodutiva, evidenciado no adiam ento ou extinção dos planos de ter filhos. A reação das pessoas em geral, bem com o do profissional de saúde, diante do desejo de ter filhos por parte da m ulher soropositiva foi apontada com o desfavorável. Os achados do estudo, de caráter exploratório e prelim inar, apontam para a relevância da realização de pesquisas na área, a fim de que os direitos reprodutivos das m ulheres soropositivas sejam com preendidos, favorecendo sua valorização e resp eit o.

Unitermos: Gravidez. Mulheres. Síndrom e de im unodeficiência adquirida.

Abstract

The grow th of t h e h um an im un odeficien cy virus epidem ic am on g w om en brin gs in t o focus quest ion s of sexualit y an d reproduct ion .

This study investigated the perception of w om en, w ho are seropositive, as to their reproduction choices in the context of seropositivity.

Qualit at ive m et h odology w as ch osen w it h t h e use of a focus group com prising seropositive w om en living in the Federal District (Brasilia). On analyzing the results, it w as observed that the participants w ere w ell inform ed about the process of prevention of vertical transm ission.

The serological condition had an im pact on their sexual and reproductive life, evidenced by the postponem ent or abandonm ent of plans

to have children. The reaction of people in general, as w ell as the health professional, faced w ith the seropositive w om an’s desire to have children, w as show n t o be un favorable. Th e result s of t h is exploratory and prelim inary study, dem onstrate the im portance of developing

research studies in the area, in order to understand the rights of these seropositive w om en to reproduce, helping to accord them value and

respect.

Uniterms: Pregnancy. Hum an fem ales. Acquired im m unodeficiency Syndrom e.

1Universidade de Brasília, Instituto de Psicologia. Cam pus Universitário Darcy Rib eiro, 70910-900, Brasília, DF, Brasil. Corresp ondência p ara/ Correspondence

to: A.C.C. SANT’ANNA. E-m ail: < anac.santanna@gm ail.com > .

No Brasil, d ad o s ep id em io ló g ico s in d icam a

m an u t en ção d as t axas d e in cid ên cia d o Hu m a n

l m m u n o d ef i ci en cy Vi r u s/ Sín d r o m e d a Im u n o

-d ef i c i ên c i a A-d q u i ri -d a (HIV/ Ai -d s) em p at am ares

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Em bora o núm ero de pessoas do sexo m asculino

ainda seja m ais elevado que o do fem inino, verifica-se

um aum ento da infecção pelo HIV entre as m ulheres b rasi l ei ras (Bri t o , Cast i l h o & Szw arc w al d , 2001;

Rodrigues-Júnior & Castilho, 2004). Em 1985, a cada vinte

e seis casos m asculinos era notificado um caso fem inino, enquanto em 2004, a razão hom em / m ulher indica a

freqüência de quinze casos de hom ens para cada dez

m ulheres infect ad as p elo HIV (M inist ério d a Saúd e, 2005a).

As t axas de incidência de Aids em m ulheres,

seg u n d o a faixa et ária, d em o n st ram crescim en t o

p ersist en t e em p rat icam en t e t od as as id ad es, com exceção das m enores de cinco anos. É relevante salientar

que, dos 4 952 casos do sexo fem inino notificados em

2004, 81,5% tinham entre 20 e 49 anos, ou seja, estavam em id ad e rep rod ut iva (Minist ério d a Saúd e, 2005a).

Ap esar de a m ortalidade p or Aids no Brasil m anter-se

estabilizada desde 1998, os índices m ostram redução m enos acentuada entre as m ulheres (Brito et al., 2001).

Os dados apresentados sinalizam a necessidade

de u m red irecio n am en t o d as p o lít icas p ú b licas em

HIV/ Aid s. Co m o salien t a Gu ilh em (2005), o n o vo p anoram a da Aids no p aís tem desnudado a condição

de vulnerabilidade a que as m ulheres estão expostas.

As práticas em saúde, m uitas vezes ainda influenciadas pelo m odelo biom édico, têm dado pouca atenção aos

determ inantes socioculturais, m orais e p olíticos que

contribuem significativam ente para este cenário.

Quando a m ulher se descobre soropositiva em idade rep rodutiva é confrontada, m uitas vezes, com

algum as decisões difíceis, dentre elas a escolha sobre

ter ou não filhos. Assim , a m aternidade, que em nossa cultura parece ser um papel social esperado e valorizado,

com um ente desejado pelas m ulheres, pode se tornar

am eaçada pela condição sorológica (Knauth, 1999).

A transm issão vertical do HIV - da m ulher ges-tante soropositiva para o bebê - pode ocorrer durante a

gravidez, no parto ou pela am am entação. No entanto, resultados obtidos com o protocolo ACTG 076 e estudos subseqüentes possibilitaram um a dim inuição relevante do risco de transm issão vertical do HIV em gestantes

soropositivas (Connor et al., 1994; New ell, Gray & Bryson, 1997; Wade, Birkhead & Warren, 1998). Com base nessas evidências, desde 1996 o governo brasileiro disponibiliza para todas as gestantes HIV+ e seus filhos o protocolo

de profilaxia da transm issão vertical. Este procedim ento

tem rep ercutido diretam ente sob re a incidência de

caso s d e Aid s em crian ças, q u e vem d ecrescen d o

progressivam ente em nosso país (Ministério da Saúde,

2004).

O im p acto do diagnóstico da infecção p elo HIV

na vida sexual e afetiva da m ulher tem sido docum

en-tado em diversos trab alhos: Paiva, Latorre, Gravato e

Lacerda (2002), após entrevistarem 1 068 m ulheres HIV+ ,

verificaram que, apesar de a m aior parte (54%) relatar

vid a am o ro sa e sexu al at ivas, a co m u n icação d o

d iag n ó st ico ao p arceiro , a n eg o ciação d o u so d e

preservativos e o m edo de rejeição foram citados com o

eventosestressores. Outro estudo verificou que, em um

grupo de 148 m ulheres soropositivas, m enos da m etade

continuou m antendo vida sexual ativa, em bora tivessem

relatado desejo de fazer sexo (Santos et al., 2002).

O exercício da sexualidade para as m ulheres em

n o ssa cu lt u ra p arece ain d a est ar m u it o at relad o à

m aternidade (Giffin, 1991; Mandu, 2002). Apesar de grande

p art e d os est ud os referir um im p act o n eg at ivo d a

sorop osit ivid ad e n a vid a sexual d as m ulh eres, ist o

parece não ocorrer com relação ao desejo de ter filhos.

À guisa de exem plo, pesquisa desenvolvida por Paiva

et al. (2002) verificou que, dentre aquelas m ulheres que

tinham parceria sexual estável, 13% desejavam ter filhos.

Essa p ro p o rção fo i ain d a m aio r en t re o g ru p o d e

m ulheres com m enos de 30 anos (39%). Dados de outro

estudo b rasileiro corrob oraram os resultados de Paiva

et al. (2002): em am ostra de 148 m ulheres na faixa etária

entre 19 e 63 anos, 21% m anifestaram o desejo de ser

m ãe (Santos et al., 2002).

Apesar de alguns estudos identificarem que a condição sorológica parece não interferir no desejo de

ser m ãe, out ras p esquisas sug erem que a sorop

osi-tividade tem im p acto na realização de suas escolhas reprodutivas: investigação pioneira realizada na

Austrá-lia, no final dos anos 90, m ediante o acesso aos registros

m édicos de 294 m ulheres diagnosticadas com infecção

pelo HIV, revelou que, dentre as gestações confirm adas

após o diagnóstico de soropositividade, 47% das m

ulhe-res optaram pelo aborto, taxa que equivale a m ais que

o dobro da m édia de abortos na população em geral

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Bed im o, Bessing er e Kissing er (1998) com p

a-raram grupos de m ulheres soropositivas e soronegativas

p ara o HIV com relação às suas escolhas rep rodutivas. Foi constatado que m ulheres HIV+ tiveram quedas nas

taxas de fertilidade e elevação nas taxas de esterilização, quando com paradas às soronegativas. Estudo brasileiro corrob orou os achad os d e Bed im o et al. (1998), ao ob servar que as t axas de est erilização em m ulheres

sorop ositivas são m aiores se com p aradas às da p op u-lação fem inina em geral (Barbosa & Knauth, 2003).

Investigação realizada em duas cap itais b rasi-leiras b uscou id ent ificar fat ores cond icionant es que poderiam interferir nas escolhas reprodutivas de

ges-t an ges-t es HIV+ f o calizan d o , em p arges-t icu lar, o p ap el desem penhado pelos serviços de saúde sobre o desejo e a realização de laqueadura tubária no pós-parto. Foram acessados 427 prontuários clínicos e realizadas 60

entvist as com m ulheres HIV+ . A m aior p art e das ent re-vistadas, nas duas capitais, m anifestou desejo de realizar a esterilização logo após o parto (29 m ulheres em Porto

Alegre e 28 em São Paulo). Entretanto, a discrepância na

realização de tal procedim ento - 4,4% das m ulheres de

Porto Alegre foram esterilizadas, ao passo que, em São

Paulo, o percentual chegou a 50,6% - sugere que a

cul-tura m édica local parece exercer papel im portante sobre

as opções reprodutivas das m ulheres (Barbosa & Knauth,

2003; Knauth, Barbosa, Hopinks, Pegoriano & Fachini,

2002).

No p ercurso entre o desejo e a realização de

suas escolhas, a m ulher que vive com HIV/ Aids p arece

encontrar, m uitas vezes, acolhim ento insatisfatório pela

equipe de saúde. É com um o relato da pouca atenção dos serviços a estas questões (Santos et al., 2002; Diaz, Schable & Chu, 1995). Santos et al. (2002) constataram que 12% de um a am ostra de 148 m ulheres HIV+

relata-ram sentir-se destratadas por m édicos e out ros p

ro-fissionais de saúde ao expressarem suas vontades na

esfera dos direitos reprodutivos.

Outro aspecto digno de nota refere-se ao nível

de inform ação das m ulheres HIV+ sobre contracepção e profilaxia da transm issão vertical do HIV, m uitas vezes inferior ao desejável. Ilustram essa afirm ativa os achados de estudo realizado em centros de referência em DST e

Aids de São Paulo, cujos resultados indicaram que 53% das m ulheres não tinham sido inform adas sob re a exis-tência de p ráticas contracep tivas m ais indicadas (Paiva et al., 2002).

Ainda com relação à contracepção

pós-diagnós-tico, um estudo quantitativo verificou queo preservativo

foi o m étodo m ais com um ente utilizado p or m ulheres HIV+ . Todavia, com relação ao núm ero de gestações

após a soropositividade, houve predom ínio de gravidez

não planejada. Podem os supor que, apesar de m ulheres sorop ositivas referirem o p reservativo com o p rincip al

m étodo contraceptivo, seu uso parece não estar sendo

consistente e eficaz na prevenção da gravidez (Lindsay et al., 1995).

Ou t ro s asp ect o s q u e m erecem at en ção n a

tem ática das escolhas rep rodutivas são a m udança do

panoram a epidem iológico e a tendência de consoli-dação da Aids com o enferm idade crônica, o que tem

levado ao aum ento da conjugalidade entre pessoas com

sorologias diferentes para o HIV. Um grande desafio é com preender com o as escolhas reprodutivas ocorrem

neste contexto. De acordo com Polejack (2001), para o

casal sorodiscordante a decisão sobre ter ou não ter filhos ap resent a p eculiaridades im p ort ant es, com o a

p ossib ilidade de transm issão do HIV p ara o p arceiro

não infectado, além do risco de transm issão do vírus para o bebê, no caso de a m ulher ser a pessoa infectada.

Com o sinalizam Polejack e Cost a (2002), a p art ir d o

diagnóst ico de sorop osit ividade, os casais p recisam desenvolver estratégias de enfrentam ento em relação

ao risco sexual, visando dim inuir o stress oriund o d a

p reo cu p ação co m u m a p o ssível co n t am in ação d o p arceiro / a, ao lad o d o d esejo d e p erm an ecerem

sexualm ente ativos e realizarem suas escolhas

repro-dutivas.

Est u d o q u alit at ivo realizad o p o r Reis (2004) an aliso u o im p act o d a so ro d isco rd ân cia n a vi d a

afetivo-sexual de portadores do HIV/ Aids que conviviam

co m p arceiro / a h et ero ssexu al so ro n eg at ivo / a. Os

achados sugeriram que o m edo de contam inar o

par-ceiro/ a HIV negativo p ode trazer im p licações im p

or-tantes na esfera reprodutiva e contraceptiva. Dentre os

onze casais participantes, observou-se dim inuição do

desejo sexual aliada à desconfiança sobre a eficácia do

preservativo na prevenção da infecção pelo HIV. Segundo

relatos, a dificuldade de diálogo sobre o tem a entre os

casais p arecia interferir em suas escolhas. Apesar de os m otivos predom inantes destacados pela autora para o desejo de não ter filhos estarem relacionados às

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no m undo atual, ao lado do fato de já terem filhos -,

aspectos relativos à reprodução no contexto da

sorodis-cordância m ereceriam ter sido discutidos na esfera do casal ou dos serviços de saúde.

Ou t ra in vest ig ação q u alit at iva realizad a p o r

Dalapria e Neto (2004), com seis casais heterossexuais

com sorologia diferent e p ara o HIV, descreveu suas p ráticas sexuais e escolhas rep rodutivas. Verificou-se

redução das práticas sexuais e dificuldades de

nego-ciação do uso consistente do preservativo. Dentre os casais, dois relataram desejo de ter filhos, e nenhum

dos participantes referiu conhecer técnicas de

repro-d ução assist irepro-d a, q ue p orepro-d eriam ser inrepro-d icarepro-d as nest es casos.

Políticas públicas em defesa dos direitos

repro-d u t ivo s repro-d e h o m en s e m u lh eres b rasileiro s fo ram

recentem ente anunciadas p elo Governo Federal, no âm bito do Ministério da Saúde, divulgadas no

docu-m ento “Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos: udocu-m a

prioridade de governo” (Ministério da Saúde, 2005b).

Den t re essas m ed id as, est aria o acesso a t écn icas

m odernas de reprodução assistida em serviços públicos

e gratuitos com o m ais um a op ção p ara se ter filhos.

Para as m ulheres sorop ositivas ou p arceiras de p essoas

sorop ositivas - que deverão ter acesso p rivilegiado a

esse p rogram a - surge um a nova p ossib ilidade, que

p od erá vir a leg it im ar seus d ireit os sexuais e rep

ro-dutivos.

Co n sid eran d o q u e o s co m p o rt am en t o s d e

escolha rep rodutiva se m odificam ao longo de um a

história de vida, e são fortem ente conectados às redes

socioculturais nas quais os sujeitos estão inseridos, o

p resen t e est ud o, d e carát er p relim in ar, t eve com o

ob jet ivo ap reend er a p ercep ção d e m ulheres HIV+

quanto às escolhas reprodutivas no contexto da

soropo-sitividade. Para tanto, algum as questões nortearam este

estudo: as m ulheres sorop ositivas atendidas na rede

p úb lica d e saúd e est ão m un id as d e in form ações e

conhecim entos sob re contracep ção e p revenção da

t ransm issão vert ical do HIV? A sorop osit ividade t em

im pacto sobre suas escolhas reprodutivas? A equipe de

saúde t em acolhido est as escolhas? Considerando a

natureza exploratória do estudo, não foi possível traçar

exp ect at iv as d e resu l t ad o s q u an t o à t em át ica

investigada.

Método

Esta p esquisa foi sub m et id a à ap reciação d o

Com itê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Ciências

da Saúde da Universidade de Brasília, sendo aprovada

conform e processo nº 009/ 2006. O estudo foi conduzido

nas d ep end ências d o Projet o Com -Vivência (Ações

Integradas de Estudos e Atendim ento a Pessoas

Porta-doras de HIV/ Aids e Fam iliares), um projeto de extensão

universitária de ação contínua, desenvolvido no Hospital

Universitário de Brasília (HUB), desde 1996 (Seidl & Silva,

2002). Ações voltadas para a prevenção da transm issão

vert ical junt o ao p ré-nat al d o HUB e d irecionad as a

m ulheres soropositivas gestantes vêm sendo um a das

p rioridades do Projeto Com -Vivência (Carvalho, Seidl,

Lim a & Silva, 1999; Seidl, Carvalho & Silva, 1999).

Trat a-se d e u m est u d o d escrit ivo , d e d

eli-n eam eeli-n t o q u alit at ivo . Part ieli-n d o -se d o p ressu p o st o

teórico de que os grupos são atores naturais de pesquisa,

na m edida em que constroem , desconstroem e

recons-troem o significado das realidades sociais, recorrem os

à técnica de grupo focal para a coleta de dados. O que

define um grupo focal, e o diferencia de outros, é o fato

de ser constituído com fins de pesquisa e a discussão

ser focalizada em um ou alguns tem as propostos pelo

pesquisador (Carlini-Cotrim , 1996).

A opção por este m étodo esteve pautada no

caráter exploratório do estudo, que não teve a pretensão

de identificar visões representativas da população c om o

um todo.

Participantes

Foram convidadas a p articip ar do grup o focal

seis m ulheres soropositivas residentes no Distrito Federal,

a partir dos seguintes critérios de inclusão: estar em

idade reprodutiva (entre 18 e 45 anos), não ter realizado

laqueadura tubária e não possuir filhos.

As m ulheres foram convidadas em um a

orga-nização não governam ental do DF que atende pessoas

soropositivas e no Projeto Com -Vivência, quando foram

exp licit ad os os ob jet ivos d o est ud o, com b ase nas

norm as e p rincíp ios que regulam entam as p esquisas

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Ap esar d e as m u lh eres co n vid ad as t erem

confirm ado a presença, inclusive na véspera da data de

realização do grupo focal, apenas três com pareceram no dia e horário m arcados. Duas delas inform aram a

im p ossib ilid ad e d e com p arecim ent o, p or t elefone,

m om entos antes do início do grupo, e um a não justificou

os m otivos de sua ausência. As idades das três p

artici-pantes variaram de 30 a 35 anos. Quanto ao nível de

escolaridade, um a participante tinha o Ensino Médio,

out ra t in h a o Sup erior com p let o e a t erceira t in h a

com pletado o Ensino Fundam ental. As três referiram a

existência de parceiro fixo, sendo um a casada e duas

nam oravam há m ais de dois anos. Um dos p arceiros

era HIV+ (de quem a participante havia se infectado) e

d o is d eles eram so ro n eg at iv o s. Co m relação ao

co n h ecim en t o d o p arceiro so b re a so ro lo g ia d a

participante, um a delas ainda não havia revelado sua

condição sorológica p ara seu p arceiro soronegativo.

Quanto à condição m édico-clínica, duas

partici-p ant es eram assint om át icas e um a era sint om át ica,

sen d o q u e já h avia sid o in t ern ad a d u as vezes p o r

problem as de saúde decorrentes da soropositividade.

No período do estudo, todas as participantes estavam

em boas condições de saúde. Duas faziam uso da terapia

an t i-ret ro viral (TARV) e relat aram d esco b ert a d o

diagnóstico há m ais de cinco anos. Um a delas,

assin-tom ática e de descoberta do diagnóstico há cerca de

dois anos, não tinha indicação m édica p ara início da

TARV.

No que tange às práticas sexuais seguras, todas

as participantes referiram fazer uso regular e consistente do p reservativo m asculino. As p rincip ais justificativas

para esta prática foram : m edo da recontam inação e de

exp osição do p arceiro ao vírus. Quando questionadas

se utilizavam algum outro m étodo contracep tivo, duas

responderam fazer dupla proteção (uso de preservativo

associado a p ílula anticoncep cional).

Procedimentos

Conform e os preceitos éticos que regem as

pes-quisas com seres hum anos (Ministério da Saúde, 1996),

foi elaborado um term o de consentim ento livre e

escla-recido para ser apresentado às participantes, reiterando

os objetivos do estudo, duração estim ada do grupo e

convidando-as a p articip ar. O sigilo quanto às

infor-m ações prestadas, beinfor-m coinfor-m o a voluntariedade, forainfor-m

exp licitados. A gravação em áudio do grup o focal foi

efet u ad a ap ó s au t o rização d as p art icip an t es, q u e

assinaram o term o em duas vias.

Inicialm ente as m ulheres preencheram um

ques-tionário com perguntas abertas e fechadas que

con-t in h am in fo rm açõ es so cio d em o g ráficas, con-t em p o d e

co n h ecim en t o d o d iag n ó st ico , u so d e m ed icação

an t i -ret ro v i ral , u so d e p reserv at i v o e m ét o d o s

contraceptivos, e tipo de parceria sexual.

O grup o foi conduzido p or duas p

esquisado-ras, p reviam en t e t rein ad as, a p art ir d e u m ro t ei ro

pré-estabelecido que continha questões referentes ao

nível de conhecim ento e inform ações sobre transm issão

vertical do HIV, p rofilaxia e riscos; p ercep ção sob re a

reação social das pessoas em geral e da equipe de saúde

quanto ao direito rep rodutivo da m ulher sorop ositiva;

im p act o d a so ro p o sit iv id ad e so b re as esco lh as

rep rodutivas e, p or fim , exp ectativas relacionadas ao

papel da equipe na prom oção da saúde sexual e

repro-dutiva de m ulheres que vivem com HIV/ Aids.

Após o encerram ento do grupo focal, que teve

duração de um a hora e quarenta e cinco m inutos, foi

distrib uído m aterial educativo, contendo inform ações

so b re p reven ção d a t ran sm issão vert ical d o HIV e

planejam ento fam iliar.

Por se tratar de um a ab ordagem qualitativa, os

dados colhidos foram interpretados a partir das falas

das p articip antes, p or m eio de análise de conteúdo,

definida por Bardin (2004) com o “um conjunto de

técni-cas de análise das com unicações visando ob ter, p or

procedim entos sistem áticos e objetivos de descrição

de conteúdo das m ensagens, indicadores - quantitativos

ou não - que perm itam a inferência de conhecim entos

relativos às condições de produção/ recepção (variáveis

inferidas) destas m ensagens”. Com o sinaliza Minayo

(2000), est e t em sid o o m ét o d o m ais co m u m en t e

adotado no tratam ento de pesquisas qualitativas.

Os relatos, citados no texto entre aspas, são em -blem áticos das tem áticas encontradas, nem sem pre as

m ais rep resentativas, m as m esm o assim significativas

para a com preensão da diversidade da experiência das

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Resultados

Na análise dos relatos verbais, foi verificado que

as participantes, de m odo geral, estavam bem

infor-m adas sobre todas as etapas do processo da transinfor-m issão

vert ical, englob ando o p rot ocolo de p rofilaxia, b em

com o o percentual de risco de infecção pelo HIV do

bebê. Dentre todas as etapas, o m om ento do parto foi o

m aior gerador de dúvidas entre as participantes:

Inform ação que eu sei é que a m ãe tem que tom ar a

m edicação na hora do parto. Mas eu ainda tenho m uita

dúvida na hora do nascim ento, porque eu sei que o bebê

tem que tom ar o AZT, m as na hora de nascer, com o é que

vai ser na hora de cortar o um bigo, porque eu acho que a

transm issão é m esm o naquela hora, na hora de cortar o

um bigo... .

Entretanto, o fato de a m ulher HIV+ não poder am am entar foi citado com o a etap a m ais difícil de ser

aceit a, d ent re o conjunt o d e p roced im ent os p ara a

p revenção da transm issão m aterno-infantil: “Nós n ão podem os am am entar nosso bebê. ... A dor é m uita, a gente

até se em ociona quando a gente fala, e dói... dói... Mas tudo

bem . Desde que ele venha com saúde...”.

A pressão social referente ao aleitam ento m ater-no foi percebida de m odo negativo entre as m ulheres

estudadas: segundo os relatos, o fato de não am am entar

p oderia, p or um lado, denunciar a condição sorológica da m ulher e, por outro, representar o não cum prim ento

de um papel social esperado. “Um a am iga da gen t e que

teve neném , ela tem o bico do peito que racha, então ela

não t eve problem as. Quando alguém pergunt ar, a gent e

vai falar isso tam bém”.

Nessa perspectiva, a m edicação prescrita para a

m ulher logo ap ós o nascim ento do b eb ê, visando a inibição da produção do leite m aterno, foi m encionada

com o im p ortante aliada da m ulher sorop ositiva, tendo

em vista a m eta do não aleitam ento: “E o bom desse rem édio é que a gente nem vai ver esse leite, então a dor vai

ser bem m enor, é com o se ‘eu não dei leite’, não am am entei

porque eu n ão produzi”.

A condição sorológica teve im p acto na escolha

reprodutiva das participantes, evidenciada no adiam

en-to ou m esm o extinção dos p lanos com relação a ter ou

não filhos. Dentre elas, d uas ainda pensam em ser m ães, enquanto um a relatou que a condição sorológica a fez

desistir da m aternidade:

Eu não quero ter. Realm ente não. Porque eu penso assim :

pra m im não adianta ter um filho e não poder cuidar dele.

Hoje eu tô bem , e am anhã? Com o é que vai ser? E daqui

a cinco anos, e daqui a dez anos? Antes eu tinha vontade.

Mas agora eu não tenho m ais.

Dentre as que revelaram a intenção de ser m ãe,

duas relataram que a soropositividade retardou o plano:

Ser soropositiva atrapalha m uito o ‘ser m ãe’ ... . Se a gente

retardou até agora pra fazer tudo m uito certo, agora a

gente vem retardando um pouco m ais o ser m ãe ... . Se

não fosse o vírus, aconteceria (referindo-se à gravidez).

Acho que a precaução aum entou. Eu sem pre desejei ser

m ãe, m as sem pre tive aquela precaução: ‘não agora’.

Quero ter um a casa, ter condições de levar m eu filho na

escola, dar um a boa escola, um a boa educação. E hoje

eu não penso m ais só nisso. Penso num bom convênio de

saúde. ... Eu quero t er m eu filh o, m as com respon

-sabilidade.

De acordo com os relatos identificados, a atitude

das pessoas diante do desejo de m aternidade de um a m ulher sorop osit iva é p erceb ida, geralm ent e, com o

desfavorável. A falta de inform ação sobre a prevenção

da transm issão vertical, ao lado do p reconceito ainda existente, foram os principais argum entos levantados

pelas participantes. Foi assinalado que a m aternidade,

no cont ext o da sorop osit ividade, ainda é vist a p ela população em geral com o um ato de irresponsabilidade

e egoísm o: “Em relação a ser m ãe, eu vou falar o que a m ãe

da m inha am iga, que é soroposit iva, falou: ‘você é doida.

Você tá pensando que você não tem HIV’?”.

As participantes apontaram que a m ídia poderia

co n t rib u ir su b st an cialm en t e p ara a d im in u ição d o

preconceito e agir em defesa dos direitos reprodutivos das pessoas soropositivas. Outro aspecto enfocado foi

o despreparo de líderes religiosos ao tratar a questão da

soropositividade, vista ainda de m odo estigm atizado e

pouco acolhedor: apesar de a m aioria das participantes

professarem algum a religião, nenhum a havia revelado

seu diagnóstico no grupo religioso que freqüentava.

Quando questionadas sobre com o achavam que

seus m édicos reagiriam à escolha de se tornarem m ães,

a reação esperada por elas era de apoio e acolhim ento

à decisão tom ada. Um a das participantes inform ou que

já havia relatado a sua intenção, e que foi apoiada pelo

p rofissional que a acom p anha: “Eu vou falar do m eu

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ele disse: tá, você vai ser m ãe’. Ele não tirou m eu sonho. Tá

m e incentivando”.

Entretanto, as experiências de outras m ulheres

HIV+ de seus círculos de relacionam entos, relatadas pelas p art icip ant es, p erm it em concluir que nem t odos os

p ro fissio n ais p arecem est ar p rep arad o s, t écn ica e

em ocionalm ent e, p ara at ender a essa dem anda. Foi m encionado por elas que alguns tendem a encam inhar

p ara outros p rofissionais, sup ostam ente m ais cap

aci-tados para atendê-las, enquanto outros se recusam até m esm o a prestar atendim ento:“Ela perdeu o filh o porque

o m édico não quis fazer o parto. Tava no dia, ela passando

m al, e ele: ‘Não vou fazer o parto’. Ele (o bebê) m orreu. O

m édico não tirou. Então assim , tem m uitos m édicos ainda

irresponsáveis”.

A falta de capacitação específica dos profissionais

de saúde sobre o tem a em foco foi apontada com o um a falha ainda m uito com um . De acordo com o relato

do grup o, o p reconceito em relação às p essoas que

vivem co m o HIV/ Aid s p ersist e t am b ém en t re o s profissionais de saúde: a prim eira pergun t a da fich in h a

do m édico é sem pre: ‘você tom a algum a m edicação?’ ‘Tom o’.

Aí, olham esperando que a gente diga: ’ah, eu sou diabética’,

e quando a gente fala: ’eu sou soropositiva’ a gente já vê: ou

ele quer m uito ‘dar colo’ pra gente, ou afasta logo a cadeira.

At it u d es p reco n ceit u o sas t am b ém f o ram

referidas pelas participantes entre alguns profissionais que atuam diretam ente em serviços de referência em

DST e Aids:

“Tem u m m éd ico lá (d o Cen t ro d e Referên cia em

HIV/ Aids) que é m uito bom , m as com os pacientes dele

é cruel. Já cansei de ver com o é que chega lá e diz: ’você vai

m orrer’. Um profission al? Tem m uit o problem a com

relação a isso. De falar o que é o HIV, Aids, de explicar pra

gente”.

A qualificação das equipes de saúde foi citada

p or todas as m ulheres com o um cam inho p ara um a at en ção in t eg ral, em p ro l d o s d ireit o s d a p esso a soropositiva, dentre eles, o direito reprodutivo. Outro

asp ect o ab o rd ad o fo i a resp eit o d a lu t a p o r u m a legislação esp ecífica que acolha o ab orto com o um a op ção p ara m ulheres sorop ositivas que não queiram levar um a gestação a term o:

Eu vejo duas form as pra respeitarem nossos direitos: a

qualificação de quem atende a gente e em form a de lei.

Profissionais próprios da área, pra ajudar a gente a tom ar

atitude, quando a m ulher diz ‘eu quero ter um filho’ e dar

toda a assistência possível. E lei no caso das que não

querem ter filho e ter direito ao aborto, seja legalizado pra

pessoas portadoras. Eu acho que isso deveria ser lei. Ter

todo o procedim ento pra quem quer e quem não quer

ter.

Discussão

Os ach ad o s d o p resen t e est u d o , d e carát er

exploratório e prelim inar, apontam para a relevância da

realização de pesquisas na área a fim de que os direitos rep rodutivos das m ulheres sorop ositivas sejam com

-preendidos, favorecendo sua valorização e respeito. A

opção pelo uso de m etodologia qualitativa, m ediante a realização de grupo focal, foi condizente com os

objeti-vos propostos. Entretanto, a ausência de m etade das

m ulheres previam ente confirm adas cham a a atenção para que haja um m aior cuidado na etapa de

recruta-m ent o de p art icip ant es p ara esse t ip o de at ividade.

Sugere-se convidar um núm ero cerca de 30% a 50% m aior de pessoas do que aquele que seria necessário

para a condução do grupo, no sentido de se prevenir

contra ausências inesperadas.

Apesar do núm ero lim itado de participantes, foi possível ter acesso a inform ações relevantes sem com

-prom eter o alcance dos objetivos do estudo. A

caracte-rização sociodem ográfica do grupo foi bastante diversifi-cada. O nível de escolaridade, por exem plo, variou do

Ensino Fund am ent al ao Sup erior com p let os, o q ue

perm itiu o acesso à opinião de m ulheres com situações distintas nessa dim ensão. Em contraposição aos estudos

de Paiva et al. (2002), as participantes apresentaram bom

nível de inform ação sobre transm issão vertical do HIV,

profilaxia e riscos, independentem ente do núm ero de

anos de estudo de cada um a delas.

Corroborando os achados de Santos et al. (2002),

a predom inância de casais sorodiscordantes entre as

participantes sugere alguns desafios, tais com o inform ar

a cond ição sorológica ao p arceiro e negociar o uso

consist ent e d a cam isinha nas relações sexuais. Para

aquelas que ainda desej em ser m ães, a sorologia

discor-dante im p lica em questões m ais com plexas, em que a possibilidade de ter filhos pode significar a exposição

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desenvolvim ento de um a política pública na área da

reprodução assistida é fundam ental, com o propósito

de garantir o direito à m aternidade e à paternidade de p essoas que vivem e convivem com o HIV/ Aids.

Os relatos das participantes sugerem que a m

a-nutenção da atividade reprodutiva é um a im portante

estratégia utilizada pelas m esm as para fazer face a difi-culdades sociais, culturais e p sicológicas acarretadas

p ela Aids. Entretanto, com o indicam alguns estudos

acessados, o im p acto negativo da condição sorológica pode estar interferindo nas escolhas reprodutivas destas

m ulheres (Barbosa & Knauth, 2003; Bedim o et al., 1998;

Knauth et al., 2002).

Asp ect os relacionad os à cont racep ção m ere-cem ser m elhor abordados nos serviços de saúde. Dentre

as participantes, nem todas faziam uso de dupla

prote-ção (uso de p reservat ivo associado a out ro m ét odo cont racep t ivo), t al com o foi verificad o em p esquisa

desenvolvida p or Lindsay et al. (1995). Considera-se

fun d am en t al q ue m ét od os com p lem en t ares sejam orientados e discutidos nos program as de atendim ento

a m ulheres que vivem com HIV/ Aids, p ara que haja um

p lanejam ent o fam iliar efet ivo. Em p aralelo, d eve-se discutir o acesso das m ulheres sorop ositivas ao ab orto

com o m ais um a op ção no cam p o dos direitos rep

ro-dutivos.

As cam p anhas d e incent ivo ao aleit am ent o, m uito difundidas no Brasil nas últim as décadas, que

enfatizam os benefícios da am am entação para a saúde

da m ulher e da criança, parecem ter um im pacto nega-tivo sobre as m ulheres pesquisadas, já que estas m

en-cionaram sesentir, m uitas vezes, em conflito por não

poderem prover seus filhos com o leite m aterno. Há indícios de que o não aleitam ento pode acarretar

sofri-m ento p sicológico p ara a sofri-m ãe sorop ositiva, indo ao

encontro de resultados obtidos em estudo qualitativo desenvolvido com seis m ulheres HIV+ que tiveram filhos

e fizeram o p rot ocolo de p revenção da t ransm issão

vert ical (Oliveira, Guércio & Seid l, 2003). As aut oras constataram que a m etade das participantes relatou

desejo e sent iu falt a de am am ent ar seus filhos, não

obstante todas terem referido o não aleitam ento e a utilização de fórm ulas lácteas artificiais com o alim ento

substituto ao leite m aterno. Outra fonte de preocupação

para as m ulheres HIV+ grávidas ou puérperas refere-se ao fato de a não am am entação levantar suspeitas sobre

o seu status sorológico, exp ondo-as eventualm ente à

est igm at ização social.

Faz-se necessário, p ortanto, com p reender as

circunstâncias com p lexas nas quais essas decisões são tom adas e apoiadas - ou não - pelas equipes de saúde,

o que im plica em focalizar não apenas as características

e desejos individuais das m ulheres HIV+ , m as tam bém as práticas dos profissionais e dos serviços de saúde.

Assim , os resultados desse trab alho ap ontam a

im p ortância de se com p reender m elhor as escolhas

rep rodutivas das m ulheres no contexto do HIV/ Aids, considerando outros aspectos além do com ponente

in d ivid u al. Dest aca-se ain d a q u e o s o b jet ivo s q u e

m o t ivaram e n o rt earam o p resen t e est u d o fo ram alcançados, na m edida em que serviu de base para o

p lan ejam en t o d e u m a p esq u isa m ais am p la, q u e

contem ple um núm ero m aior de participantes e ques-tões relevantes que não foram abordadas neste estudo

prelim inar.

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Recebido em : 2/ 8/ 2006

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Referências

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