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Idade da menarca em escolares de uma comunidade rural do Sudeste do Brasil.

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Academic year: 2017

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Idade da menarca em escolares de uma

comunidade rural do Sudest e do Brasil

Ag e at me narc he amo ng sc ho o lg irls

fro m a rural c o mmunity in So uthe ast Brazil

1 Dep artam en to d e Pu ericu lt u ra e Ped ia t ria , Fa cu ld a d e d e M ed icin a d e Rib eirã o Pret o, Un iv ersid a d e d e Sã o Pa u lo. Av. Ba n d eira n t es 3900, Rib eirã o Pret o, SP 14049- 900, Bra sil. h b et t iol@fm rp .u sp .b r 2 La b ora t ório d e En sin o d e Ciên cia s, Fa cu ld a d e d e Filosofia , Ciên cia s e Let ra s d e Rib eirã o Pret o, Un iv ersid a d e d e Sã o Pa u lo. Av. Ba n d eira n t es 3900, Rib eirã o Pret o, SP 14040- 901, Bra sil. 3 In st it u t o d e Sa ú d e Colet iv a , Un iv ersid a d e Fed era l d e M a t o Grosso. Av. Fern a n d o Correa d a Cost a s/no, Cu ia b á , M T

78068- 900, Bra sil.

Ca rlos Hen riq u e Fa lcã o Ta v a res 1 Leris Sa let e Bon fa n t i Ha effn er 1 M a rco An t on io Ba rb ieri 1 Heloisa Bet t iol 1

M a risa Ra m os Ba rb ieri 2 Lu iz d e Sou z a 3

Abst ract T h e p u rp ose of t h i s st u d y w a s t o d et erm i n e t h e 3rd p ercen t i le (P3), 50t h p ercen t i le (P50= m ed ia n a ge a t m en a rch e = M AM ), a n d a m p lit u d e bet w een t h e ex t rem es (P97a n d P3) of a ge a t m en a rch e a m on g sch oolgirls in t h e cou n t y of Ba rrin h a , Sã o Pa u lo, Bra z il. Va lu es w ere correla t ed w it h socioecon om ic con d it ion s su ch a s socia l ccorrela ss, n u m b er of sib lin gs, a n d fa t h er’s em -p loym en t st a t u s. Th is w a s a cross-sect ion a l st u d y ba sed on t h e u se of st a t u s qu o a d ju st ed by logit for ca lcu la t ion of p ercen t iles. A qu est ion n a ire w a s a p p lied t o 1,602 sch oolgirls a ged 8 t o 17 yea rs (in com p let e). M AM w a s 12 yea rs (y) a n d 6 m on t h s (m ), w it h a P97of 10 y a n d 2 m a n d a P3of 14 y a n d 10 m . Girls from low er- in com e fa m ilies a n d t h ose w it h u n em p loyed fa t h ers sh ow ed la t er M AM . N o d i f f eren ce i n M AM w a s o b serv ed w i t h resp ect t o n u m b er o f si b li n gs. Am p li t u d e b e-t w een P97a d P3w a s grea t in t h e ov era ll sa m p le. W e con clu d e t h a t Ba rrin h a p resen t ed a M AM sim ila r t o a n d ev en low er t h a n region a l v a lu es for Bra z il a n d for som e d ev elop ed cou n t ries. Th e st u d y of t h e in t erv a l bet w een ex t rem e p ercen t iles p rov ed t o be a bet t er in d ica t or of biologica l d i-versit y a n d socioecon om ic in equ a lit y t h a n M AM a lon e.

Key words M en a rch e; St u d en t s; Ad olescen ce; Ru ra l Hea lt h

Resumo O ob jet iv o d est e est u d o foi d et erm in a r os v a lores d os p ercen t is 3 (P3), 50 (P50= Id a d e M ed ia n a d a M en a rca = IM M ) e 97(P97), e a a m p lit u d e en t re os ex t rem os (P97e P3), n a s escola res d o M u n icíp io d e Ba rrin h a , Sã o Pa u lo, Bra sil. Esses v a lores fora m correla cion a d os com a lgu m a s con d ições sócio- econ ôm ica s: cla sse socia l, n ú m ero d e irm ã os e sit u a çã o d e d esem p rego d o p a i. Tra t a -se d e est u d o t ra n sversa l, u t iliz a n d o o m ét od o “st a t u s qu o”, a ju st a d o p elo Logit o p a ra o cá l-cu lo d os p ercen t is. Qu est ion á rio foi o in st ru m en t o a p lica d o a 1.602 escola res en t re 8 e 17 a n os in com p let os. A IM M foi 12 a n os(a ) e 6 m eses(m ),P97d e 10a 2 m e P3d e 14a 10m . As m en in a s d a cla sse socia l m en os fa v orecid a , e a q u ela s q u e referira m d esem p rego p a t ern o a p resen t a ra m IM M m a is t a rd ia . N ã o h ou v e d iferen ça d a IM M rela cion a d a a o n ú m ero d e irm ã os. A a m p lit u d e en t re P97e P3m ost rou - se a m p la n a a m ost ra gera l. Con clu iu - se q u e Ba rrin h a a p resen t ou IM M sem e-lh a n t e e a t é a b a ix o d e v a lores region a is, d o Bra sil e d e a lgu n s p a íses d esen v olv id os. O est u d o d o in t erva lo en t re os p ercen t is ex t rem os m ost rou ser u m m elh or in d ica d or d a s d iversid a d es biológi-ca s e d a s d esigu a ld a d es sócio-econ ôm ibiológi-ca s, d o qu e a IM M isola d a m en t e.

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Int rodução

A m en arca, p rim eira m en stru ação, é u m in d i-ca d o r d e m a tu ra çã o n o d esen vo lvim en to d a m u lh er. A m en arca é o m ais claro in d icad or d e m atu ração sexu al n as m u lh eres (Eveleth , 1998). O m o m en to em q u e ela o co rre, id a d e d a m e-n a rca (IM), é u m ie-n d ica d o r m u ito see-n sível d e estresse am b ien tal e é tam b ém su b ord in ad a a sign ifican te con trole gen ético (Cam eron , 1998). Em estu d os p op u lacion ais p od e-se u sar a id a-d e m ea-d ian a a-d a m en arca (IMM) (Healy, 1986).

Estu d o s têm d em o n stra d o rela çõ es d a IM com fatores gen éticos (fam iliares, étn icos), com fatores geográficos com o clim a e altitu d e, com a sazon alid ad e, o estad o n u tricion al, a ativid a-d e física, ten são em ocion al e efeito ferom on al (Bu rger & Go ch feld , 1985; Ma rsh a ll & Ta n n er, 1986; Tan n er, 1989; Greksa, 1990; Wellen s et al., 1990; Valen zuela et al., 1991; Ulijaszek et al., 1991; Vero n esi & Gu eresi, 1994; Gra b er et a l., 1995; Cam eron & Nagd ee, 1996; Herm an -Gid d en s et al., 1997).

Ou tros estu d os en con traram IMM m ais tar-d ia n a áreas ru rais (Jortar-d án , 1984; Oh sawa et al., 1997). No Bra sil, d a d o s d a Pesq u isa Na cio n a l so b re Sa ú d e e Nu triçã o m o stra m d iferen ça s e associação p ositiva en tre IM m ais tard ia e b ai-xa s co n d içõ es so cia is, co m p a ra n d o a s m a cro regiões do Brasil, com o tam bém en tre Brasil ru -ral e u rb an o (Pican ço, 1989). En tre m en in as es-colares em Rib eirão Preto, São Pau lo, a IMM foi m ais tard ia n as d o gru p o ru ral d o qu e n o u rb a-n o, e a-n este ú ltim o, foi m ais tard ia a-n o gru p o qu e h a b ita va b a irro s d e p io res co n d içõ es só cio -econ ôm icas; a IMM foi m ais p recoce n as m en i-n a s co m m ei-n o s d e d o is irm ã o s (Fu zii, 1989), resu lta d o s sem elh a n tes a o s d e o u tro s tra b a -lh os (Ulijaszek et al., 1991; Cam eron & Nagd ee, 1996).

A IM p od e ser vista com o u m d os exem p los d e sín tese d a in tera çã o d o ser h u m a n o co m o m eio am b ien te, n a m ed id a em q u e u m e ou tro p od em in teragir m u tu am en te. O m eio am b ien -te p od e, p or in -term éd io d e vários fatores, al-te- alte-rar a IMM, e p or outro lado a IMM (fican do m ais p recoce n u m a d ad a p op u lação) p od e p rop iciar m od ifica ções n o m eio a m b ien te, d esd e n ova s m u d an ças ed u cacion ais até em term os d e p ro-gram as d e saú d e (Van Wierin gen , 1986).

Neste tra b a lh o fora m d eterm in a d os os va -lo res d o s p ercen tis 3 (P3), 50 (P50= IMM) e 97 (P97), e a a m p litu d e en tre o s extrem o s (P97e P3), d a id ad e d a m en arca n as escolares d o Mu -n icíp io d e Barri-n h a, São Pau lo, Brasil. Esses valores foram correlacion ad os com algu m as con -d ições sócio-econ ôm icas: classe social, n ú m e-ro d e irm ãos e situ ação d e d esem p rego d o p ai.

Casuíst ica e mét odos

O Mu n icíp io de Barrin h a p erten ce à região geo-eco n ô m ica d e Rib eirã o Preto, Esta d o d e Sã o Pau lo, n a região Su d este d o Brasil. Con ta com ap roxim ad am en te 5.500 m orad ias e foi estim a-d a u m a p o p u la çã o a-d e 23.604 h a b ita n tes p a ra 1998, com b ase em d ad os d o IBGE (1996). É cm u cm o au cm en to d e 10% d a p op u lação n a ép o-ca d e m a io r a tivid a d e d a la vo u ra d e o-ca n a d e açú car (ab ril a n ovem b ro), p rin cip al ativid ad e econ ôm ica d o m u n icíp io. Essas características só cio -geo grá fica s p erm item id en tifica r Ba rri-n h a com o cid ad e ru ral.

Trata-se d e estu d o ep id em iológico d o tip o tran sversal, cu ja p op u lação alvo foram as esco-lares d o sexo fem in in o qu e tin h am en tre 8 e 17 a n o s in co m p leto s (96 a 203 m eses) d e id a d e, recru tad as en tre as 2asséries d o p rim eiro grau

até as d as 3asséries d o segu n d o grau , n as esco-las d o m u n icíp io. Em Barrin h a tod as as escoesco-las sã o p ú b lica s, se n d o u m a m u n icip a l e q u a t ro estad u ais.

O m étod o escolh id o p ara o cálcu lo d os p er-cen tis d a IM fo i o “st a t u s q u o”, u m m o d elo tra n sversa l (Ma c Ma h o n , 1973). Este m éto d o tem a va n ta gem d e ser m a is rá p id o q u e o m é-tod o p rosp ectivo, p ois n ão d ep en d e d e avalia-ções em vários in tervalos d e tem p o e, em rela-ção ao record atório (recall – m eth od), é m en os su jeito a erros, já q u e n ão d ep en d e d a m em ó-ria d a in form an te.

A variável id ad e foi calcu lad a tom an d o-se a d ata d e n ascim en to e a d ata d a en trevista, sen -d o a faixa etária -d ivi-d i-d a em in tervalos -d e clas-se d e u m an o. Para cad a in tervalo d e clasclas-se foi co m p u ta d a a freq ü ên cia d e m en a rca “sim” e “n ão”, ou seja, o n ú m ero d e m en in as q u e refe-ria m ter tid o o u n ã o a p rim eira m en stru a çã o, até o d ia d a en trevista. No cálcu lo d a id ad e m e-d ian a e-d a m en arca, o aju ste e-d a cu rva sigm óie-d e ob tid a d a d istrib u ição p ercen tu al d e m en arca “sim” foi feito p elo m étod o d o Logito [log (p ro-p orção d e m en arca ro-p resen te/ 1 – ro-p roro-p orção d e m en arca p resen te)], obten do-se u m a reta. Com b a se n a eq u a çã o d a reta fo ra m ca lcu la d a s a IMM e o s p ercen tis P97e P3, a p lica n d o -se a tran sform ação an tilogarítm ica (Fin n ey, 1964). A IMM (p ercen til 50) rep resen to u a id a d e, em a n o s e d écim o s d e a n o s, em q u e 50% d a s m e-n ie-n a s e-n ã o h a via m tid o a m ee-n a rca . O p ercee-n til 97 foi a id ad e em qu e 97% d as m en in as n ão h a-viam ain d a tid o a m en arca; o p ercen til 3 sign i-ficou a id ad e em qu e 3% n ão h aviam tid o a m e-n a rca . Foi u sa d o o teste d e Qu i-q u a d ra d o (χ2)

(3)

O in stru m en to m etod ológico escolh id o p a-ra co leta d a s in fo rm a çõ es fo i o q u estio n á rio, p or ter as van tagen s d e ser econ ôm ico, ágil, p o-d en o-d o ser a o-d m in istra o-d o sim u lta n ea m en te a u m gra n d e n ú m ero d e p esso a s ( Th io llen t, 1988). O qu estion ário foi au to-ap licad o, com o co n sen tim en to e sem a id en tifica çã o d a res-p on d en te. Foi tam b ém en viad a u m a “Carta aos Pais” con ten d o in form ações sob re a p esqu isa e solicitan d o a p erm issão p ara qu e as estu d an tes (filh as) resp on d essem ao q u estion ário. O p ro-jeto foi ap rovad o p elo Com itê d e Ética em Pes-qu isa d o Hosp ital d as Clín icas d a Facu ld ad e d e Med icin a d e Rib eirão Preto d a Un iversid ad e d e São Pau lo (HC/ FMRP/ USP).

Os con tatos com o Secretário Mu n icip al d e Ed u ca çã o, co m a s Direto ra s d a s Esco la s, co m o s p a is d a s a lu n a s, a lém d a b u sca d o s d a d o s so b re a s esco la res d o m u n icíp io fo ra m feito s com o au xílio d e cin co p rofessoras d as escolas d e Ba rrin h a . Ap ó s a a u to riza çã o co n segu id a em to d a s a s in stâ n cia s a cim a fo i rea liza d a a ap licação d os qu estion ários.

No q u estion ário con stavam d ad os referen -tes à id ad e d a m en in a, se h ab itava zon a u rb a-n a o u ru ra l, se já h a via tid o a m ea-n a rca ; ia-n fo r-m ações sob re tar-m an h o e cor-m p osição d a far-m ília, con d ições d e m orad ia e situ ação d e d esem -p rego d os -p ais. A classificação social foi feita d e acord o com a classificação d e Olsen & Frisch e (1973), baseada n a In tern ation al Stan d ard Clas-sifica t ion of Occu p a t ion s(1970) e m o d ifica d a p o r Bettio l et a l. (1998), q u e leva em co n ta a ocu p ação d o ch efe d a fam ília, sen d o d efin id as qu atro frações de classe social: 1) geren tes, executivos e em p resários; 2) adm in istradores e em -p resários d e n ível m éd io; 3) trab alh ad ores qu a-lifica d o s e sem iq u a a-lifica d o s; 4) tra b a lh a d o res n ão qu alificad os, estu d an tes e d esem p regad os. Da p op u lação d e 2.458 crian ças d o sexo fe-m in in o estife-m ad a p ara Barrin h a n a faixa etária d e 8 a 17 a n o s in co m p leto s em 1998 (IBGE, 1996), 2.013 (81,9%) freq ü en ta va m a s esco la s d o m u n icíp io. Destas, 317 (15,7%) n ão resp on -d eram ao q u estion ário p or m otivos -d iversos – eva sã o esco la r, fa lta n o d ia d a a p lica çã o d o q u estion ário, recu sa d os p ais. Dos 1.696 q u es-tio n á rio s resp o n d id o s, 94 (5,5%) fo ra m elim in ad os p or erros in o seu p reein ch im ein to, restain -d o 1.602 q u estio n á rio s vá li-d o s p a ra o estu -d o, corresp on d en d o a 79,6% d a s m en in a s escola -re s n e ssa fa ixa e t á ria . Em t o d a s a s id a d e s o p ercen tu al d e m en in as estu d ad as rep resen tou m ais d e 50% d a p op u lação d aqu ela faixa etária. Com os qu estion ários resp on d id os, p assou -se a d igitação e revisão d en tro d o p rogram a Ep i In fo 6.02. Os d ad os foram trab alh ad os n os p ro-gram as Ep i In fo 6.02, Stata 5.0e SAS.

Result ados

A IMM fo i d e 12,52 a n o s (12 a n o s e 6 m e se s), q u e corresp on d e ao p ercen til 50, ob tid a n a Figu ra 1, va len d o se d a cu r va sigm ó id e d eriva -d a -d a -d istrib u ição p ercen tu al -d e m en arca p re-sen te segu n d o a faixa etária d as escolares (Ta-b e la 1). O p e rce n t il 3 co rre sp o n d e u a 14,86 a n o s (14 a n o s e 10 m e se s), e o p e rce n til 97, a 10,17 an os (10 an os e 2 m eses). Nen h u m a m e-n ie-n a teve a m ee-n a rca a e-n tes d o s 9 e-n em a p ó s o s 16 an os.

Fig ura 1

Re p re se ntaç ão d a re ta ajustad a ao s d ad o s transfo rmad o s (lo g ito s) d e me narc a (p re se nte ) se g und o a faixa e tária nas e sc o lare s d o Munic íp io d e Barrinha, 1998.

-6 -4 -2 0 2 4 6

15,5 id ad e (ano s) 14,5

13,5 12,5 11,5 10,5 9,5

12,52

lo

g

it

o

Tab e la 1

Distrib uiç ão d o p e rc e ntual d a me narc a p re se nte se g und o a faixa e tária

d as e sc o lare s no Munic íp io d e Barrinha, 1998.

Idade n R %

8,0-9,0 146 0 0,00

9,0-10,0 175 2 1,14

10,0-11,0 231 12 5,19

11,0-12,0 210 42 20,00

12,0-13,0 209 106 50,71

13,0-14,0 180 133 73,88

14,0-15,0 191 178 93,19

15,0-16,0 132 131 99,24

16,0-17,0 128 128 100,00

Tot al 1.602 732

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Foram estab elecid os a IMM e os p ercen tis 3 e 97 con form e as segu in tes variáveis sócio-eco-n ôm icas: classe social, sócio-eco-n ú m ero d e irm ãos e si-tu ação d e d esem p rego d os p ais (Tab ela 2). Em rela çã o à cla sse so cia l, fo ra m exclu íd o s 275 q u estion ários n ão classificad os, q u e in clu íram resp ostas n ão ad equ ad as e/ ou ap osen tad os. As escolares d a classe social 1 – d os geren tes, exe-cu tivos e em p resários (em n ú m ero d e d u as) – e a s d a cla sse so cia l 2 – d o s a d m in istra d o res e em p resários d e n ível m éd io (em n ú m ero d e 25) – foram realocad as n a classe social 3 – d os tra-b a lh a d o res q u a lifica d o s e sem iq u a lifica d o s – p or serem em p equ en o n ú m ero. Verifica-se qu e m en in as p erten cen tes à classe social m en os fa-vo recid a e a q u ela s cu jo s p a is esta va m em si-tu ação de desem p rego ap resen taram IMM m ais tard ia. Não foi ob servad a d iferen ça d a IMM re-lacion ad a ao n ú m ero d e irm ãos.

A variação en tre os p ercen tis extrem os – P3 e P97– foi am p la n a am ostra geral, sen d o ain d a m ais am p la n a m aioria d as variáveis sócio-eco-n ô m ica s estu d a d a s, co m exceçã o d a situ a çã o d e d esem p rego d o p a i. E to d a s, sem exceçã o, ap resen taram P3 acim a d o P3d a am ostra geral (Figu ra 2).

Discussão

Este estu d o m ostrou a IMM en tre as escolares d e Ba rrin h a d e 12,52 a n o s, sen d o esse va lo r m ais tard io n as m en in as p erten cen tes à classe social m en os favorecid a e n aq u elas cu jos p ais esta va m d esem p rega d o s. Po r o u tro la d o, n ã o

h ou ve d iferen ça n a IMM segu n d o o n ú m ero d e irm ãos. A am p litu d e d e variação en tre os p er-cen tis extrem os foi m aior en tre as classes sociais e en tre m en in a s co m p a is em situ a çã o d e d e-sem p rego do qu e n a am ostra geral de escolares. Ap roxim a d a m en te 80% d a s esco la res d e Barrin h a p articip aram d o estu d o. Essas crian -ças rep resen taram ap roxim ad am en te 65,2% d a p op u lação fem in in a d o m u n icíp io en tre 8 e 17 a n os in com p letos. Em b ora esses n ú m eros se-jam exp ressivos, já q u e em algu m as faixas etá-ria s (10 e 11 a n o s) o n ú m ero d a s esco la res d o trab alh o ch egou a rep resen tar m ais d e 80% d a p o p u la çã o fem in in a d a cid a d e, o s resu lta d o s rep resen tam a p op u lação d as escolares e n ão a p o p u la çã o d a cid a d e n essa fa ixa etá ria , u m a vez q u e a s ca ra cterística s n ã o con h ecid a s d a s m en in a s q u e n ã o fo ra m a va lia d a s p o d eria m m o d ifica r sign ifica tiva m en te o s resu lta d o s se elas tivessem p articip ad o d o estu d o.

A IMM n as escolares em Barrin h a foi m en or q u e a o b serva d a em p a íses d esen vo lvid o s co -m o Bélgica , cerca d e 13 a n o s ( Verca u teren &a-mp; Su zan n e, 1985), In glaterra, 13,1 an os (Rob erts & Da n n , 1975), Din a m a rca e p a íses n ó rd ico s, 13 an os (Helm & Gron lu n d , 1998). Tam b ém foi m en o r q u e a d o Bra sil em gera l igu a l a 13,02 an os (Pican ço, 1989), e qu e d a p róp ria cid ad e – sed e d a região, Rib eirão Preto, com 12,62 an os (Fu zii,1989). Fo i sem elh a n te a d e Sã o Pa u lo – Cap ital, 12,5 an os (Colli et al., 1985). Este resu l-ta d o p a rece in co m p a tível, co m p a ra n d o -se a s con d ições sócio-ecôn om icas d e Barrin h a com as d e Rib eirão Preto, São Pau lo e p aíses d esen -vo lvid o s. Um d a d o q u e p o d eria exp lica r p a r-cialm en te esse ach ad o é qu e as in form ações d e IMM d essas localid ad es são d e d écad as p assa-d a s, co m a p o ssib iliassa-d a assa-d e assa-d a in terferên cia assa-d a ten d ên cia secu lar qu e, an tecip an d o a m en arca em 0,25 a 0,33 a n o s p o r d éca d a (Ma rsh a ll & Tan n er, 1986; Cam eron & Nagd ee, 1996), favo-receria o resu lta d o d e IMM m a is p reco ce em Barrin h a. Se a com p aração for com p aíses d e-sen volvid os com o a Din am arca, q u e está com a ten d ên cia secu lar estacion ad a e com a IMM em torn o dos 13 an os (Helm & Gron lu n d, 1998), u m a exp licação seria a p ossível in teretn ia p resen te em Barrin h a, com o n o restan te d a p op u lação b rasileira, com a p resen ça d e d escen d en -tes d e a frica n o s e a siá tico s, q u e gera lm en te m en stru am m ais ced o qu e as m en in as d escen -d en tes -d e eu rop eu s (Ma rsh a ll & Ta n n er, 1986; Ulijaszek et al., 1991).

O fato d e Barrin h a ser u m a cid ad e d e carac-terística s ru ra is leva ria a u m a exp ecta tiva d e IMM m a is ta rd ia (Fu zii, 1989; Pica n ço, 1989; Liesto l & Ro sem b erg, 1995). Um d o s m o tivo s p ara a IMM em Barrin h a ter sid o m ais p recoce

Tab e la 2

Id ad e me d iana d a me narc a (ano s) se g und o variáve is d e mo g ráfic as e so c iais d as e sc o lare s no Munic íp io d e Barrinha, 1998.

Variáveis Idade M ediana da M enarca

Geral 12,52 (12 ano s e 6 me se s)

Classe Social

3 12,55 (12 ano s e 7 me se s) 4 12,63 (12 ano s e 8 me se s)

Sit uação de desemprego do pai

Co m d e se mp re g o 12,73 (12 ano s e 9 me se s) Se m d e se mp re g o 12,44 (12 ano s e 5 me se s)

Node irmãos

< 2 12,51 (12 ano s e 6 me se s)

(5)

qu e as d e Cu b a e d o Brasil (Geral, Urb an o e Ru -ral) seria a am ostra em Barrin h a ter sid o colh i-d a en tre escolares e, n os ou tros estu i-d os, n a p o-p u lação geral. Jordán (1984) m ostrou IMM m ais p reco ce n a s esco la res q u a n d o co m p a ra d a s co m a d e estu d o s rea liza d o s em m en in a s d a p op u lação geral.

Foi com p a ra d o o in terva lo (d isp ersã o) en -tre o s p ercen tis 97 e 3 d a IMM em Ba rrin h a com d ad os d e Rib eirão Preto (Fu zii, 1989), Bra-sil em gera l (Pica n ço, 1989) e Cu b a em gera l (Jord án , 1984) (Figu ra 3). Verificase sem elh an -ça d e a m p litu d e en tre o in terva lo d e Ba rrin h a co m o s d o Bra sil (Gera l, Urb a n o e Ru ra l) e d e Cu b a , p o rém co m u m d eslo ca m en to d o s p er-cen tis 97 e 3 p ara id ad es m ais b aixas, n a cid ad e d e Ba rrin h a . A sem elh a n ça en tre a m p litu d es p od eria ter com o u m a exp licação a d iversid ad e biológica (étn ica), em algu n s p on tos sem elh an -te en tre a s a m o stra s. Ca b e relem b ra r q u e o s d ad os d e Cu b a e d o Brasil se referem à d écad a d e 80, e ain d a q u e os d o Brasil foram colh id os en tre m u lh eres d e 10 a 20 an os (Pican ço, 1989). Qu a n d o se co m p a ra a a m p litu d e en tre Ba rri-n h a e Rib eirão Preto, verifica-se q u e ela é rri-n iti-d am en te m aior em Barrin h a. Este iti-d aiti-d o p oiti-d e-ria estar in d ican d o as d esigu ald ad es sócio-eco-n ôm icas esócio-eco-n tre as d u as cid ad es.

Ap esar d e as m ed ian as d a IM estarem p ró-xim as en tre as classes sociais 3 e 4, existe u m a d iferen ça n o p ercen til 3, q u e é m a is ta rd io n a classe social 4, ou seja, n aquela com p iores con -d ições, o q u e está -d e acor-d o com ou tros au to-res (Fu zii, 1989; Liesto l & Ro sem b erg, 1995). Pela gran d e am p litu d e d e variação em relação aos p ercen tis 3 e 97, d e 5,36 an os n a classe so-cia l 3 e 5,54 a n o s n a cla sse 4, p o d e-se su p o r q u e a cla sse socia l in terfere fortem en te com o com p on en te d e d esigu ald ad e n a id ad e d a m e-n a rca , a lé m d a gra e-n d e d ive rsid a d e ge e-n é t ica q u e existe, d e m od o geral, em p op u lações b ra-sileiras.

Diferen tem en te d o q u e se o b serva em o u -tros trab alh os, n este estu d o n ão foi en con trad a d iferen ça n a IMM segu n d o o n ú m ero d e ir-m ãos. Fu zii (1989) en con trou d iferen ças en tre 0,16 a 0,33 a n o s q u a n d o co m p a ro u a m o stra s d e m en in a s co m m en o s d e d o is irm ã o s, co m d o is e co m m a is d e d o is irm ã o s. Ma lin a et a l. (1997), estu d an d o tam an h o fam iliar e id ad e d a m en arca em atletas, ob servaram q u e a m en ar-ca era m a is ta rd ia en tre 0,16 e 0,22 a n o s p a ra cad a irm ão ad icion al.

A IMM m a is p reco ce em Ba rrin h a p o d eria ser em p arte atrib u íd a ao d esem p rego d os p ais. A su a p erm a n ên cia m a is tem p o em ca sa , p o r u m efeito ferom on al (Bu rger & Goch feld, 1985), p o d e r ia a n t e cip a r a IMM. Po ré m , o s re su lt a

-d os in -d icam qu e o -d esem p rego acom p an h ou o efeito relacion ad o às variáveis sócio-econ ôm i-cas, m ostran d o u m au m en to d a IMM n as filh as de p ais com h istória de desem p rego, o qu e con -cord a com os ach ad os d e Ulijaszek et al. (1991). Qu an d o se ob serva a am p litu d e d o in terva-lo (d isp ersão) en tre os p ercen tis 3 e 97 d e cad a variável sócioecon ôm ica, n otase qu e essa am -p litu d e n ã o a -p en a s é m a io r d o q u e a a m o stra geral, com o tam b ém a m en arca ocorre em id ades m ais p recoces, tan to qu an do se refere a n ú -m ero d e ir-m ã o s -m en o r q u e d o is, q u a n to à si-tu ação d e sem d esem p rego, q u an d o com p ara-d as com o gru p o ara-d e situ ação com ara-d esem p rego. Neste estu d o, a am p litu d e d e variação en tre os

97

Barrinha – Ge ral

Classe – 3

Classe – 4

Pai se m d e se mp re g o

Pai co m d e se mp re g o

< 2 irmão s

≥ 2 irmão s

97

97

50

50

50

3

3

3

97 50 3

97 50 3

97 50 3

97 50 3

8 9 10 11 12 13 14 15 id ad e

(ano s) 12a 6m

97

Barrinha – Ge ral

Brasil – Ge ral1

Brasil – Urb ano1

Brasil – Rural1

Rib e irão Pre to – Urb ano A2

Rib e irão Pre to – Urb ano D2

Rib e irão Pre to – Rural2

50 3

97 50 3

97 50 3

97 50 3

97 50 3

97 50 3

97 50 3

97 50 3

8 9 10 11 12 13 14 15 id ad e

(ano s) 12a 6m

Cub a – Ge ral3

Fig ura 2

Distrib uiç ão e m p e rc e ntis d a id ad e d a me narc a nas e sc o lare s d o Munic íp io

d e Barrinha (1998) se g und o variáve is só c io -e c o nô mic as.

Fig ura 3

Distrib uiç ão e m p e rc e ntis d a id ad e d a me narc a d e e sc o lare s d o Munic íp io

d e Barrinha (1998), c o mp arad a c o m d ad o s d o Brasil (1989), d e Rib e irão Pre to

(1989) e d e Cub a (1994).

(6)

p ercen tis 3 e 97 foi d e 5,14 an os p ara as m en i-n as com m ei-n os d e d ois irm ãos e 4,9 ai-n os p ara as com d ois ou m ais irm ãos. Fu zii (1989), estu -d an -d o o n ú m ero -d e irm ãos, en con trou am p li-tu d es d e in ter va lo s sem elh a n tes n o s gru p o s com m en os d e d ois irm ãos (2,14 an os), d ois ir-m ã o s (2,22 a n o s) e co ir-m ir-m a is d e d o is irir-m ã o s (2,31 a n o s) em Rib eirã o Preto. A d iferen ça d e am p litu d e d e in tervalo en tre os estu d os d e Bar-rin h a e Rib eirão Preto p od e in d icar u m a m aior h etero gen eid a d e d a s a m o stra s d e Ba rrin h a . Co m o p erten cem a u m a m esm a regiã o geo -econ ôm ica, com u m a p ossível sem elh an ça n a d iversid ad e étn ica, as d iferen ças d e am p litu d e ficariam m ais p or con ta d e fatores am b ien tais com o os sócio-econ ôm icos.

Ain d a em relação à am p litu d e d o in tervalo, é im p o rta n te o b ser va r q u e o p ercen til 97 em Ba rrin h a se en co n tra a b a ixo d o s d e Rib eirã o Preto, Bra sil (d iversa s su b a m o stra s), e Cu b a . Em gera l isto in d ica q u e u m n ú m ero p ro p o r-cio n a lm en te m a io r d e esco la res em Ba rrin h a está co m eça n d o a m en stru a r m a is ced o. Essa ob servação é im p ortan te q u an d o se p en sa em p o lítica s d e sa ú d e q u e ten h a m co m o referên -cia a s a d o lescen tes, n a a b o rd a gem d e tem a s com o sexu alid ad e, in clu in d o a m en arca,

gravid ez n a agravid olescên cia, u so gravid e m étogravid os an ticon -cep cion ais e ab orto. A n ecessid ad e d e p olíticas p ú b lica s vo lta d a s esp ecifica m en te p a ra essa faixa etária é reforçad a p or d ad os recen tes qu e m ostram u m au m en to im p ortan te n a gestação em adolescen tes em Ribeirão Preto em 15 an os, d e 14,1 p ara 17,5% (Rib eiro, 1999).

Em co n clu sã o, a IMM en tre esco la res d o Mu n icíp io d e Barrin h a em 1998 está ab aixo d e va lo res regio n a is e d e p a íses d esen vo lvid o s. Mesm o q u e as con d ições d e vid a em Barrin h a sejam com p atíveis com p ad rões d e zon a ru ral, este in d icad or d e m atu ração en con trase d en -tro d os p ad rões d e regiões u rb an izad as. As d i-feren ças en con trad as n a am p litu d e d e variação en tre os p ercen tis 97 e 3 d a IM segu n d o variá-veis com o classe social, situ ação d e d esem p re-go d o p ai e n ú m ero d e irm ãos m ostram qu e es-sa variação p od e exp licar em p arte a d iversid ad e b io ló gica e refletir a s ad esigu a lad a ad es só cio -econ ôm icas n a cid ad e d e Barrin h a. Esses ach ad o s refo rça m a in ad a a n ecessiad a ad e ad e se estu -d ar a con trib u ição -d e ou tros fatores in flu en tes n a id ad e d a m en arca, b em com o a n ecessid ad e d e se im p lem en tar p rogram as d e saú d e p ú b li-ca p a ra a d o lescen tes q u e co n tem p lem o seu n ível d e m atu rid ad e.

Agradeciment os

Às p rofessoras Clau dia Elen a R. Piati, Du lcin ei T. da S. Ch a ga s, Gisele Regin a R. Fu za to, Lu cia Elen a d e O. Martin s e Marta Cristin a D. Pissald o, p ela valiosa co-laboração n as diversas fases do trabalh o. À Professora Dou tora Célia Pezzolo d e Carvalh o, d o LEC/ FFCLRP-USP, p or criar con d ições p ara o trab alh o con ju n to. À Vivian e Rom eiro, p ela con fecção d os gráficos.

Este trab alh o receb eu ap oio fin an ceiro d o CNPq – Con selh o Nacion al d e Desen volvim en to Cien tífico e Tecn o ló gico – e d a FAEPA – Fu n d a çã o d e Ap o io a o En sin o, Pesq u isa e Assistên cia d o Hosp ital d as Clín i-cas d a FMRP-USP.

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Imagem

Fig ura 1
Fig ura 3

Referências

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