w w w . r b o . o r g . b r
Artigo
Original
Índice
de
massa
corporal
como
fator
prognóstico
para
fratura
da
extremidade
proximal
do
fêmur:
um
estudo
de
caso-controle
夽
Renato
Cavanus
Pagani
a,
Rodrigo
Ernesto
Kunz
b,∗,
Ricardo
Girardi
be
Marcelo
Guerra
a,caUniversidadeLuteranadoBrasil(ULBRA),Canoas,RS,Brasil
bHospitalUniversitário,UniversidadeLuteranadoBrasil(ULBRA),Canoas,RS,Brasil cUniversidadeFederaldoRiodeJaneiro(UFRJ),RiodeJaneiro,RJ,Brasil
informações
sobre
o
artigo
Históricodoartigo:
Recebidoem19dejulhode2013 Aceitoem27deagostode2013 On-lineem6deagostode2014
Palavras-chave: Fraturadequadril Idoso
Índicedemassacorporal
r
e
s
u
m
o
Objetivos:Compararoíndicedemassacorporal(IMC)depacientescomfraturada extremi-dadeproximaldofêmurcomoIMCdepacientessemhistóriapréviadefraturas.
Métodos:Investigamospacientesdeambosossexos,com65anosoumais,internadosno HospitalIndependência,noHospitalBeneficênciaPortuguesaenoHospitalUniversitário Ulbra,dedezembrode2007adezembrode2010,comhistóriadetraumadebaixaenergia, como,porexemplo,quedasdaprópriaaltura,emrelac¸ãoaospacientesdamesmaidade esemhistóriapréviadefraturasdaextremidadeproximaldofêmur(n=89)atendidosno servic¸oambulatorialdegeriatriadaSociedadePorto-AlegrensedeAuxílioaosNecessitados (Spaan).
Resultados: Afaixaetáriadospacientescomfraturada extremidadeproximaldofêmur varioude 65a96 anos(média:77,58).Oprincipaltipodefraturafoiatrocantérica(47; 62,2%),seguidadadocolodefêmur(27;36%).Entreospacientesqueapresentaram fra-turadaextremidadeproximaldofêmur,12%tinhambaixopeso,62,7%,pesonormal,24%, sobrepesoe1,3%,obesidade.Entreospacientessemhistóriadefratura,5,6% apresenta-rambaixopeso,43,8%,pesonormal,33,7%,sobrepesoe9,8%,obesidade.Verificou-sequeos pacientescomfraturasdaextremidadeproximaldofêmur(n=75)apresentaramIMCmédio de22,6,enquantoospacientessemfraturasapresentaramIMCmédiode25,5.
Conclusão:Ospacientesdogrupocomfraturasãosignificativamentemaisaltosdoqueos dogruposemfraturaeapresentamIMCsignificativamenteinferioraodogruposemfratura. ©2014SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublicadoporElsevierEditora Ltda.Todososdireitosreservados.
夽
TrabalhodesenvolvidonoHospitalIndependência,noHospitalBeneficênciaPortuguesaenoHospitalUniversitáriodaUlbra,Canoas, RS,Brasil.
∗ Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](R.E.Kunz). http://dx.doi.org/10.1016/j.rbo.2013.08.011
Body
mass
index
as
a
prognostic
factor
for
fracturing
of
the
proximal
extremity
of
the
femur:
a
case-control
study
Keywords: Hipfracture Elderlyperson Bodymassindex
a
b
s
t
r
a
c
t
Objectives:Tocomparethebodymassindex(BMI)ofpatientswithfracturingoftheproximal extremityofthefemurwiththeBMIofpatientswithoutanyprevioushistoryoffractures. Methods: Weinvestigatedpatientsofbothsexes,aged65yearsorover,whowereadmitted toHospitalIndependência,HospitalBeneficênciaPortuguesaorULBRAUniversityHospital, betweenDecember2007andDecember2010,withhistoriesoflow-energytraumasuchas fallingfromastandingposition.Theseindividualswerecomparedwithpatientsofthesame agebutwithoutanyhistoryoffracturingoftheproximalextremityofthefemur(n=89),who wereattendedatthegeriatricsoutpatientclinicoftheSociedadePorto-AlegrensedeAuxílio aosNecessitados(SPAAN).
Results: Theagegroupofthepatientswithfracturingoftheproximalextremityofthe femurrangedfrom65to96years(mean:77.58).Themaintypeoffracturewastrochanteric (47;62.2%),followedbyfemoralneckfractures(27;36%).Amongthepatientswhopresented fracturingoftheproximalextremityofthefemur,12%hadlowweight;62.7%,normalweight; 24%,overweight;and1.3%,obesity.Amongthepatientswithoutanyhistoryoffractures, 5.6%presentedlowweight;43.8%,normalweight;33.7%,overweight;and9.8%,obesity.It wasobservedthatthepatientswithfracturingoftheproximalextremityofthefemur(n=75) presentedameanBMIof22.6,whilethepatientswithoutfracturespresentedameanBMI of25.5.
Conclusion: Thepatientsinthegroupwithfracturesweresignificantlytallerthanthosein thegroupwithoutfracturesandpresentedsignificantlylowerBMIthanthoseinthegroup withoutfractures.
©2014SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublishedbyElsevierEditora Ltda.Allrightsreserved.
Introduc¸ão
Afraturadaextremidadeproximaldofêmuréumadaslesões traumáticas mais comuns na atualidade, não apenas por causadasuaaltaincidêncianapopulac¸ãoidosa,mastambém porcausadamorbidadeedamortalidadequeaacompanham. Estima-sequeaincidênciadefraturadequadril aumen-tarádramaticamentenospróximos20anos.Oaumentoserá maisevidenteempessoascom85anosoumais.1Estima-se
quenoveemcada10fraturasdoquadrilocorramem indiví-duoscommaisde65anos.2Para2050,aOrganizac¸ãoMundial
deSaúde(OMS)prevêumaincidênciaanualde6,26milhões defraturas.3
Asfraturasdaextremidadeproximaldofêmursãoum pro-blemadesaúdepúblicaemtodoomundo.4,5Alémdaaltataxa
demortalidade,ospacientesnecessitamdecuidadosmédicos intensivosereabilitac¸ãofuncionalporlongosperíodos.6
Elas estão associadas a uma considerável incapacidade funcional,diminuic¸ãodaindependência,daqualidadedevida e,principalmente,aumareduc¸ãonaexpectativadevida.7,8
As fraturas da extremidade proximal do fêmur são as da cabec¸a, do colo, da região trocanteriana e da região subtrocanteriana.9
Observa-se que essa fratura na populac¸ão idosa é cau-sada,geralmente,portraumaspequenosenãointencionais, comoas quedasda própriaaltura, queocorrempor debili-dadedecorrentedasenescência,eaindadependemdefatores
extrínsecos.10Umarelac¸ãobemdocumentadasugerequeo
índicedemassacorporal(IMC)sejaumfatorprognóstico sig-nificativoparafraturadoquadril.
Nessecontexto,asfraturasdefêmurproximalpodemestar associadasabaixosIMCs,consideradoscomofatoresderisco. AlgunsautoresreferemumIMCidealde25-27,4kg/m2.Índices menores doqueesse sãoconsideradosimportantesfatores prognósticosdemortalidadeentrepacientesjovenseidosos hospitalizados.11
Suspeita-sequeaobesidadeconfiraprotec¸ãocontraa fra-tura,masosmecanismosdeconduc¸ãodessaassociac¸ãoainda permanecemmalcompreendidos.12
Oestrogêniopodeprotegercontrafraturasdequadrilde diversas maneiras: aumentaaresistênciaóssea, melhoraa func¸ão neuromuscular, modifica a deposic¸ão de gordurae melhoraaspropriedadesviscoelásticasdetecidosmoles.13
Algumashipótesespossíveisparaummaiorriscode fra-turadequadrilentreidososmagros:opapeldotecidoadiposo na produc¸ãode estrogênio,o qualreduz o riscode fratura dequadril;maiorpesoaumentaatensãomecânicanoosso eestimulaaremodelac¸ãoóssea;eobaixopesopodeserum indicadordesaúdedebilitada,queéporsisóumfatorderisco paraquedasefraturas.
própriaaltura,emrelac¸ãoaospacientesdamesma idadee semhistóriapréviadefraturadaextremidadedofêmur pro-ximalatendidosnoservic¸oambulatorialdegeriatriadoSpaan.
Material
Trata-sedeumapesquisacientíficadotipocaso-controle,na qualforamestudados75pacientesinternadosdedezembrode 2007adezembrode2010,porcausadefraturadaextremidade proximaldofêmur.
Ospacientesforamselecionadosdeacordocomos seguin-tescritérios:idadeigualousuperiora65 anos;diagnóstico dainternac¸ãorelativoàfraturadaextremidadeproximaldo fêmur;ecomhistóriadetraumadebaixaenergia,como,por exemplo,quedasdaprópriaaltura.
Oscritériosdeexclusãoforampacientescomfraturas pato-lógicasefratura distaleda diáfisedofêmur,que sofreram traumade alta energia, abaixodos65 anos, portadores de condic¸õesespecíficasqueacentuamaperdadamassaóssea eusuáriosdedrogasquecausamreduc¸ãodamassaóssea.
Métodos
Os pacientes estudados foram comparados com umgrupo depacientesdamesma idade,semfraturadofêmur proxi-mal(n=89),atendidosnoservic¸oambulatorialdegeriatriado Spaan.
Dados como peso e altura foram verificados nos pron-tuários ou fornecidos pelos pacientes pela dificuldade de avaliac¸ãodospacientesacamados.Foramregistradostambém dadoscomoidade,sexo,tipodefratura(transtrocanteriana, subtrocanteriana ecolode fêmur) emecanismo da fratura (quedas).
OIMCfoicalculadocomadivisãodopesoemquilogramas pelaalturaemmetrosaoquadrado.QuatrocategoriasdeIMC foramcriadas:baixopeso(<18,5kg/m2),pesonormal (18,5-25kg/m2),sobrepeso(25-30kg/m2)eobesidade(>30kg/m2).
Osdadosforam analisadospormeiodetabelas,gráficos eestatísticadescritiva.Osseguintestestesestatísticosforam feitos:
- Testequi-quadradoparaaverificac¸ãodeassociac¸ão signifi-cativaentreasvariáveisqualitativaseosgruposdeestudo (comfraturaesemfratura),bemcomosomenteparaogrupo comfratura,paraaverificac¸ãodeassociac¸ãodotipode fra-turacomasoutrasvariáveis;
- TestetdeStudentparaacomparac¸ãodeidade,altura,peso eIMCmédiosentreosgruposdeestudo(comfraturaesem fratura).
Paratodosostestesacimacitados,oníveldesignificância máximoassumidofoide5%(p≤ 0,05)eosoftwareusadopara aanáliseestatísticafoioSPSSversão10.0.
Osdadosforamarmazenadosemumbancoprópriocomo programaMicrosoftExcel2010forWindows®.
Artigosreferentesaotemadoestudoforamachadospor meiodemecanismosdebuscaemarquivoseletrônicos,como Pubmed,LilacseScielo.
Tabela1–Descric¸ãodaamostrainvestigadadeacordo comasvariáveisidadeesexoparaosgrupos
comfratura(n=75)esemfratura(n=89)
Variável Categoria Grupo(%) Total pa
Comfratura Semfratura
Sexo Feminino 74,7 62,9 68,3 0,107
Masculino 25,3 37,1 31,7
Idade Até70anos 17,3 14,6 15,9 0,864
De71a80anos 45,3 44,9 45,1
Maisde80anos 37,3 40,4 39,0
Fonte:Coletadedados2011.
a Valorde“p”(níveldesignificância).Paraqueumaassociac¸ãoseja
consideradasignificativa,ovalorde“p”deveserdenomáximo 5%(p≤0,05).
Foi obtida a devida autorizac¸ão da coordenac¸ão das instituic¸õesparaobtenc¸ãodedadosemseusarquivos,eo pro-jetofoiaprovadopelocomitêdeéticaempesquisadaUlbra sobonúmerodeprotocolo2010-237H.
Resultados
Apresentam-sea seguirosresultados referentesaosdados coletadosnasinstituic¸õesobjetodapesquisajuntamentecom adiscussão(tabela1).
Pormeiodosresultadosdotestequi-quadradoverifica-se quenãoexisteassociac¸ãosignificativaentreasvariáveisidade esexoentreosgrupos(comesemfratura),ouseja,nãohá relac¸ãoentreaocorrênciadafraturaeosexoeaidadedestes pacientes.Essetestetemporobjetivoaverificac¸ãoda exis-tência deumaassociac¸ãosignificativaentreduas variáveis qualitativas.Procura-severificarsealgumacaracterísticado pacienteémaisfrequenteemumdeterminadogrupodoque nooutro.
Afaixaetáriadospacientescomdiagnósticodefraturada extremidadeproximaldofêmurvarioude65a96anos,com médiade77,58.
Em relac¸ão ao gênero entre os pacientes com fratura, verificou-seque56(74,7%)eramdosexofemininoe19(25,3%) eramdomasculino(fig.1etabela2).
PormeiodosresultadosdotestetdeStudentindependente, verifica-sequeasvariáveisacimacomparadasque apresenta-ramdiferenc¸asignificativaentreosgruposcomfraturaesem fraturaforam:
- Altura:observa-sequeospacientesdogrupocomfratura apresentam altura significativamente superior ao grupo semfratura;
- IMC: observa-se que os pacientes do grupo com fratura apresentamIMCsignificativamente inferioraogruposem fratura(tabela3).
62,9 74,7
Feminino
Sexo
Masculino Até 70 anos De 71 a 80 anos
Idade
Mais de 80 anos 25,3
37,1
17,3 14,6
45,3 44,9
37,3 40,4 Com fratura
Sem fratura
Figura1–Descric¸ãodaamostrainvestigadadeacordocomasvariáveisidadeesexoparaosgruposcomfratura (n=75casos)esemfratura(n=89casos).Fonte:Coletadedados2011.
Tabela2–Comparac¸ãodasmédiasdasvariáveisquantitativasidade,alturaepesoentreosgruposdeestudo
Variável Grupo n Média Desvio-padrão p
Idade Comfratura 75 77,6 7,6 0,491(NS)
Semfratura 89 78,4 7,3
Altura Comfratura 75 1,62 0,11 0,000a
Semfratura 89 1,54 0,09
Peso Comfratura 75 59,7 13,2 0,784(NS)
Semfratura 89 60,3 13,5
IMC Comfratura 75 22,6 3,9 0,000a
Semfratura 89 25,5 5,3
NS,nãosignificativo. Fonte:Coletadedados2011.
a Significativoaoníveldesignificânciap≤0,0001.
Pormeiodosresultados dotestequi-quadrado, verifica--se que existe associac¸ão significativa entre a variável classificac¸ãodoIMCeosgrupos(comesemfratura). Observa--se que o peso normal está significativamente associado aogrupo com fratura,enquanto que pacientes com sobre-peso/obesidadeestãoassociadosaogruposemfratura.
Entreospacientesqueapresentaramfraturada extremi-dadeproximaldofêmur,12%apresentarambaixopeso,62,7%, pesonormal,24%,sobrepesoe1,3%,obesidade. Jáentreos
Tabela3–Descric¸ãodaamostrainvestigadadeacordo comavariávelclassificac¸ãodoIMCparaosgruposcom fratura(n=75)esemfratura(n=89)
Classificac¸ãoIMC Grupo(%) Total p
Comfratura Semfratura
Baixopeso 12,0 5,6 8,5 0,003a
Pesonormal 62,7 43,8 52,4
Sobrepeso 24,0 33,7 29,3
Obesidade 1,3 16,9 9,8
Fonte:Coletadedados2011.
a Significativoaoníveldesignificânciap≤ 0,01.Paraafeiturado
testenavariávelIMCascategoriassobrepesoeobesidadeforam agrupadas.
pacientes semhistóriadefratura da extremidadeproximal dofêmur,5,6%apresentarambaixopeso,43,8%,pesonormal, 33,7%,sobrepesoe9,8%,obesidade.Verificou-sequeos paci-entescomfraturasdaextremidadeproximaldofêmur(n=75) apresentaramIMCmédiode22,6,enquantoospacientessem fraturasapresentaramIMCmédiode25,5(fig.2etabela4).
Pormeiodosresultadosdotestequi-quadrado,verifica-se queexisteassociac¸ãosignificativaentreavariávelidadedo pacienteeotipodefratura.Observa-sequepacientescomaté 70anosestãoassociadosàfraturacolodefêmur, enquanto quepacientescommaisde80anosestãoassociadosaotipo trocantérica.
Osprincipaistiposdefraturaapresentadosnesteestudo foramtrocantérica,com47(62,2%),colodefêmur,27(36%)e subtrocantérica,um(1,8%)(fig.3).
Discussão
Foram selecionados 164 prontuários, 75 de pacientes com idadeigualousuperiora65anoscomdiagnósticodefraturada extremidadeproximaldofêmure89depacientessemhistória préviadefraturadaextremidadeproximaldofêmur.
12,0
5,6
62,7
43,8
24,0 33,7
1,3 16,9 Com fratura
Sem fratura
Baixo peso Peso normal Sobrepeso Obesidade
Classificação IMC
Figura2–Descric¸ãodaamostrainvestigadadeacordocomavariávelclassificac¸ãodoIMCparaosgruposcomfratura (n=75casos)esemfratura(n=89casos).Fonte:Coletadedados2011.
entre71e80anos(45,3%).VilasBôasJunioretal.14confirmam
afaixade60a69anoscomoamaisacometida(36,64%).Em suapesquisa,Rochaetal.15verificarammaiorincidênciade
fraturasemidososnafaixade71e80anos(27,99%).JáBenetos etal.13observaramquecercade80%dasfraturasdequadril
ocorrememmulherescommaisde70anoseentreoshomens 50%têmmaisde70.Aidademédiaemqueocorrefraturade quadriléde81anosparamulherese78parahomens.
Emrelac¸ãoaogênero,verificou-seque56(74,7%)eramdo sexofemininoe19(25,3%)domasculino.DeacordocomEisler etal.,16emamostrade571pacientescomfraturasproximais
defêmur,observou-seaincidênciade86%nosexofemininoe 14%nomasculino.Pereiraetal.17tambémverificaramo
predo-míniodafraturadefêmurnosexofeminino.JáEspinoetal.18
relataramqueaincidênciadefraturaemmulheresfoide66% ede34%emhomens.Aharonoffet al.19 encontraramuma
incidênciade78,6%nosexofeminino.Ramalhoetal.20
apon-taramapredominânciademulherescomfraturasdefêmur. Benetosetal.13 encontraramumaincidênciadefraturasde
quadrilduasvezesmaioremmulheresdoqueemhomens. Osprincipaistiposdefratura apresentadosnesteestudo foram a trocantérica, com 47 (62,2%), a de colo de fêmur,
com27(36%),easubtrocantérica,comum(1,8%).Aliteratura apresenta as fraturas trocantéricascomo as mais frequen-tes.CunhaeVeado21analisaram190pacientes(142mulheres
e48homens;médiade79anos)provenientesdoEstadode Minas Gerais, internadoscom fratura da extremidade pro-ximal dofêmur na enfermaria ortopédica doHospital dos ServidoresdoEstado,nosquaisaincidênciadefraturas tro-cantéricas foi de 50%, a de colo do fêmur, de 44% e a de subtrocantéricas,de6%.
Em relac¸ão ao IMC, os pacientes foram divididos em quatrocategorias:baixopeso(<18,5kg/m2),pesonormal (18,5-25kg/m2), sobrepeso (25-30kg/m2)eobesidade (>30kg/m2). Entreospacientescomfraturaproximaldefêmur,12% apre-sentarambaixopeso,62,7%,pesonormal,24%,sobrepesoe 1,3%,obesidade.Jáentreospacientessemhistóriadefratura proximaldefêmur,5,6%apresentarambaixopeso,43,8%,peso normal,33,7%,sobrepesoe9,8%,obesidade.Verificou-seque ospacientescomfraturasdaextremidadeproximaldofêmur (n=75)apresentaramIMCmédiode22,6,enquantoos pacien-tessemfraturas(n=89)apresentaramIMCmédiode25,5.
Estudo feito por Alfaro-Acha et al.1 também confirmou
arelac¸ão inversaentreopesocorporaleoriscode fratura
Tabela4–Comparac¸ãodosexo,IMCeidadecomostiposdefraturaocorridos:somentegrupocomfratura(n=75)
Variável Categoria Tipodefratura p
Colodefêmur Subtrocantérica Trocantérica
Sexo Feminino 70,4 100,0 76,6 0,693(NS)
Masculino 29,6 23,4
Idade Até70anos 33,3 8,5 0,010a
De71a80anos 48,1 44,7
Maisde80anos 18,5 100,0 46,8
Classificac¸ãoIMCb Baixopeso 14,8 10,6 0,256(NS)
Pesonormal 70,4 59,6
Sobrepeso/obesidade 14,8 100,0 29,8
NS,nãosignificativo. Fonte:Coletadedados2011.
a Significativoaoníveldesignificânciap≤ 0,01.
100,0
76,6
70,4
29,6
23,4 33,3
48,1 44,7
8,5
18,5 46,8
14,8 10,6
70,4
59,6
14,8
3,7 0,0 1,3 29,8
100,0 100,0
Colo de Fêmur
Subtrocantérica
Trocantérica
Feminino Masculino Até 70 anos De 71 a 80
anos
Idade Sexo
Mais de 80 anos
Baixo Peso Peso Normal Sobrepeso Obesidade
Classificação IMC
Figura3–Comparac¸ãodosexo,IMCeidadecomostiposdefraturaocorridos:somentegrupocomfratura(n=75casos). Fonte:Coletadedados2011.
daextremidadeproximaldofêmurerelatouqueumaperda de10%empesoaumentousignificativamenteoriscode fra-turadequadrilempessoascom65anosoumais.JáDeLaet et al.22 encontraram pequena diferenc¸a no risco de
fratu-rasentreospacientes:considerandoumaumentodecinco unidadesdeIMCde25kg/m2a30kg/m2,adiferenc¸a obser-vadafoide17%nadiminuic¸ãoderiscodefraturadequadril. Comumadiferenc¸ade10unidadesdeIMCadiferenc¸afoide 25%nadiminuic¸ãodoriscodefraturadequadril.Na extre-midade baixadoespectro deIMC, umamudanc¸ade cinco unidadesdeIMCde25kg/m2deIMCde20kg/m2 correspon-diaaumaduplicac¸ãodoriscodefraturadequadril.Folsom etal.23confirmaramarelac¸ãoinversaentreíndicedemassa
corporaleocorrênciade fraturasde quadril.Younget al.24
relataramobaixoIMCcomo fatorderiscoparafraturasde quadril,enquantoumIMCelevadosemostrouprotetor. Mar-golisetal.25encontraramumaassociac¸ãoentreobaixoIMCou
tamanhodocorpoeoriscoaumentadodafraturadequadril. Whiteetal.26demonstrarambenefíciodoIMCelevadoapenas
emmulheres,semalterac¸õesnoriscoparaoshomens. Holm-bergetal.27relataramqueoaumentodoIMCfoiprotetorpara
fraturasdequadrilnoshomensemulheres.
Conclusão
Ospacientesdogrupocomfraturaapresentamaltura signi-ficativamentesuperiorao gruposemfratura.Jáemrelac¸ão aoIMC,ospacientesdogrupocomfraturaapresentamIMC significativamenteinferioraogruposemfratura.
Tendo emvista ocrescente número de idosos nos últi-mosanose,consequentemente, oaumentode internac¸ões
hospitalaresporcausadefraturasdaextremidadeproximal dofêmur,queinterferemdiretamentenaqualidadedevida enaindependênciadapopulac¸ãonaterceiraidade,sefazem necessáriasadetecc¸ãoprecocedefatoresderiscoparamelhor escolhadotratamento, adiminuic¸ão dataxademorbidade emortalidadeeaatuac¸ãodiretamente nosetoreconômico da sociedade,jáqueessas fraturas representambilhões de dólaresgastosemcuidadosmédicos.
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
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e
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ê
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s
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