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Esquistossomose endocervical.

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Academic year: 2017

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Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical 3 8 ( 4 ) :3 5 1 -3 5 2 , jul-ago, 2 0 0 5

RELATO DE CASO/CASE REPORT

Esquistossomose endocervical

Endocervical schistosomiasis

Giovana Bachega Badiale

1

, Daniel Ferraciolli Brandão

1

e Alfredo Ribeiro-Silva

1

RESUMO

Re la ta m o s o c a so d e u m a m u lh e r d e 3 8 a n o s, a ssi n to m á ti c a , q u e p ro c u ro u a te n d i m e n to m é d i c o d e vi d o à i n f e rti li d a d e . No e x a m e gi n e c o ló gi c o , o b se rvo u - se p ó li p o e n d o c e rvi c a l d e 1 ,0 x 0 ,8 x 0 ,5 c m q u e f o i b i o p si a d o . O e x a m e h i sto ló gi c o e vi d e n c i o u gra n u lo m a s c o n te n d o o vo s d e Sc histosomamansoni.

Pal avr as-chave s: Esq u i sto sso m o se . Co lo u te ri n o . Pó li p o e n d o c e rvi c a l.

ABSTRACT

We re p o rt th e c a se o f a n a sym p to m a ti c 3 8 - ye a r- o ld w o m a n th a t so u gh t m e d i c a l a ssi sta n c e d u e to i n f e rti li ty. Th e gyn e c o lo gi c a l e x a m i n a ti o n sh o we d a n e n d o c e rvi c a l p o lyp m e a su ri n g 1 .0 x 0 .8 x 0 .5 c m . A b i o p sy wa s p e rf o rm e d . Un d e r m i c ro sc o p y, se ve ra l gra n u lo m a s c o n ta i n i n g e ggs o f Sc histosomamansoni we re se e n .

Ke y-words: Sc h i sto so m i a si s. Ute ri n e c e rvi x . En d o c e rvi c a l p o lyp .

1 . Departamento de Pato lo gia da Fac uldade de Medic ina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo , Ribeirão Preto , SP.

En de r e ço par a cor r e spon dê n ci a: Dr. Alfr e do Rib e ir o -Silva. De pto de Pato lo gia/FMRP/USP. Av. B ande ir ante s 3 9 0 0 , Campus Unive r sitár io , Mo nte Ale gr e ,

1 4 0 4 8 -9 0 0 Ribeirão Preto , SP, B rasil Tel: + 5 5 1 6 6 0 2 -3 2 4 4 ; Fax: + 5 5 1 6 6 3 3 -1 0 6 8 e-mail: arsilva@ fmrp.usp.br

Rec ebido para public aç ão em 7 /4 /2 0 0 4 Ac eito em 2 /5 /2 0 0 5

As principais localizações do corpo humano acometidas pela esquistossomose são o fígado e o intestino, onde se desenvolvem granulomas contendo no seu interior ovos do esquistossomo8. O trato genital feminino também pode ser envolvido, havendo relatos de acometimento da cérvice, ovário, clitóris e tuba uterina1.

RELATO DE CASO

Uma mulher de 3 8 anos, que teve três gestações com um parto normal, duas cesáreas e nenhum aborto, fez laqueadura tubárea há quinze anos. Pelo desejo de ter novos filhos, procurou assistência médica para realização de reprodução assistida. A paciente não apresentava queixas ginecológicas e negou qualquer história de moléstias anteriores. Ao exame físic o geral, não se e vide nc iar am ano r malidade s e ao e xame e spe c ular e colposcópico foi visualizada uma estrutura polipóide na região endocervical que foi ressecada e enviada para exame anátomo-patológico. Além disso, foram colhidos esfregaços endocervicais para cultura, que resultaram negativos, e esfregaços vaginal, c ervic al e endoc ervic al para avaliaç ão c itológic a, que não exibiram alterações.

Macroscopicamente, a estrutura polipóide endocervical era constituída por um fragmento irregular de tecido pardo e firme medindo 1 ,0 x 0 ,8 x 0 ,5 cm, que foi totalmente incluído para análise histopatológica. À microscopia, os cortes histológicos exibiam exuberante processo inflamatório misto, com áreas de granulomas com ocasionais células gigantes multinucleadas. Foram observadas numerosas estruturas morfologic amente compatíveis com Schisto so m a m a nso ni ( Figura 1 ) .

(2)

3 5 2

Badiale GB e col s

DISCUSSÃO

A esquistossomose cervical é mais comum em mulheres infectadas

com Schisto so m a ha e m a to bium, com freqüência variando de

33% a 75%5 6. A infecção do trato genital feminino pelo S. m ansoni é muito mais rara. Ovos do parasita são encontrados no colo uterino em 4 ( 0,3%) de 1.250 mulheres infectadas pelo S. m ansoni2,4.

Clinicamente, o acometimento do trato genital feminino pelo e squisto so mo ge r alme nte é assinto mátic o , e o s o vo s são descobertos em exames rotineiros6. Entretanto, podem ocorrer sangramento s pó s-c o ital, intermenstrual e pó s-menstrual, infertilidade, corrimento vaginal e dismenorréia. Esses sintomas não são conseqüências diretas da esquistossomose, mas sim de uma cervicite secundária, que geralmente está associada a esses casos7. No presente relato, a paciente era assintomática, visto que sua infertilidade era decorrente de laqueadura tubárea prévia.

Ao exame c olposc ópic o, o c olo pode exibir hipertrofia nodular, lesões polipóides, úlceras, erosões e lesões de aspecto

a re no so6. O diagnóstico pode ser feito através da pesquisa de

ovos em esfregaç os vaginais rotineiros ou através do exame histológico feito em amostras provenientes de biópsia1.

Existe c ontrovérsia se a esquistossomose está assoc iada ao desenvolvimento de carcinoma do colo uterino. Coelho e cols encontraram carcinoma em 3 de 1 .2 5 0 amostras de biópsia de c o lo pr o ve n ie n te s de pa c ie n te s c o m e s q uis to s s o m o s e , sugerindo uma associação entre essas patologias2. Esses dados, entretanto, foram posteriormente refutados por outros autores que alegaram que o c arc inoma verific ado nesses c asos foi dec orrente da c o-infec ç ão pelo papiloma vírus humano, e não pelo esquistossomo pe r se7.

O tratamento é feito com oxamniquine, na dose única de 1 5 mg/kg. Como segunda escolha, tem-se o praziquantel, na dose única de 5 0 mg/kg, via oral, para adultos3. O tratamento com uma dessas drogas é suficiente para reverter as lesões cervicais, não sendo necessária a excisão cirúrgica das mesmas1.

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