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O endividamento dos clubes de futebol no Brasil

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(1)

Antonio Reinaldo Brandão

O

O EENNDDIIVVIIDDAAMMEENNTTOO DDOOSS CCLLUUBBEESS DDEE FFUUTTEEBBOOLL NNOO BBRRAASSIILL

(2)

Antonio Reinaldo Brandão

O ENDIVIDAMENTO DOS CLUBES DE FUTEBOL NO BRASIL

Dissertação apresentada à Banca

Examinadora da Universidade Presbiteriana

Mackenzie, como exigência parcial para

obtenção do título de Mestre em

Administração de Empresas, sob a orientação

do Prof. Dr. Wilson Toshiro Nakamura.

(3)

ANTONIO REINALDO BRANDÃO

O ENDIVIDAMENTO DOS CLUBES DE FUTEBOL NO BRASIL

Dissertação apresentada à Banca Examinadora da Universidade Presbiteriana Mackenzie, como exigência parcial para obtenção do título de Mestre em Administração de Empresas.

Aprovado em 13/08/2012.

BANCA EXAMINADORA

Prof. Dr. Wilson Toshiro Nakamura - Orientador Universidade Presbiteriana Mackenzie

Prof. Dr. Anderson Luis Saber Campos Universidade Presbiteriana Mackenzie

(4)

Dedico este trabalho à minha mãe Dna.

Geni e a meu pai Sr. Oriel, in memorian, à

minha esposa Elisabeth e aos meus filhos

Natalia, Reinaldo e Renata. Sei que eles

estão orgulhosos por esta minha

realização.

(5)

AGRADECIMENTOS

A realização deste trabalho só foi possível graças à colaboração direta ou indireta de muitas pessoas. Manifesto a minha gratidão a todas elas e de forma particular.

Ao meu orientador Prof. Dr. Wilson Toshiro Nakamura pela sua paciência, pela firme e permanente orientação desta dissertação e pelo constante incentivo ao meu aperfeiçoamento.

À professora Darcy M. M. Hanashiro, Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Administração de Empresas da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Aos demais professores do programa de Pós-Graduação em Administração de Empresas da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Aos colegas mestrandos e doutorandos do Mackenzie, pelo salutar compartilhamento de informações.

À minha esposa Elisabeth, e aos meus filhos Natalia, Reinaldo e Renata, que souberam compreender os momentos de ausência que permitiram que este trabalho pudesse ser realizado.

E, sobretudo, agradeço a Deus que me deu todas as condições necessárias para a realização desta dissertação.

(6)

“O que sabemos é uma gota. O que

ignoramos é um oceano”.

Isaac Newton (1643-1727)

(7)

RESUMO

O futebol brasileiro passa por um momento de grande transformação na

busca de melhor gestão profissional, transparência e modernidade. O estudo do

endividamento dos clubes nacionais, objetivo do presente trabalho, é um assunto

pouco explorado nos meios acadêmicos e sem dúvida será muito importante que

sua boa gestão ocorra sem traumas nesta esperada e necessária transformação,

sobretudo pelo fato de que em menos de dois anos, o Brasil sediará a Copa do

Mundo-2014. Investimentos volumosos são muito necessários no atual estágio que

se encontram as obras, e como bancar tudo isto sem que haja um saneamento

rigoroso e sistemático do endividamento dos clubes. Efetuou-se testes com oito (8)

variáveis independentes buscando-se explanação para três (3) variáveis

dependentes, uma de cada vez, através do modelo de regressão Gamma com

função de ligação logarítmica. Para a variável dependente, Endividamento Total,

detectou-se uma boa explicação através do resultado operacional dos clubes, ou

seja, quanto melhor o EBITDA, menor o grau de endividamento. Para a variável

dependente, Endividamento Bancário, a explicação recaiu também de forma inversa

no investimento em Ativo Fixo, o que valeria afirmar que quanto maior este tipo de

investimento menor seria a dívida com bancos, e finalmente para a dívida bancária

adicionada à tributária, encontrou-se explicação através da estimativa de mínimos

quadrados, com a correção da heteroscedasticidade, nas variáveis independentes

Ativo Fixo, EBITDA, Auditorias Independentes de grupos internacionais, e

investimentos na Formação de Atletas.

Palavras-chave:

(8)

ABSTRACT

Brazilian football is going through a time of great transformation in search of

better professional management, transparency and modernity. The study of the

national debt of clubs, aim of this work is a subject little explored in the academic and

undoubtedly will be very important for its proper management occurs without trauma

this expected and necessary transformation, especially by the fact that in less than

two years, Brazil will host the World Cup-2014. Bulky investments are much needed

at this stage that the works are, and how to afford all this without a rigorous and

systematic reorganization of debt clubs. We conducted tests on eight (8) independent

variables looking up explanation for three (3) dependent variables, one at a time,

through Gamma regression model with logarithmic link function. For the dependent

variable, Total Debt, was detected through a good explanation of operating income of

clubs, ie the better the EBITDA (earnings before interest, taxes, depreciation and

amortization) less the degree of indebtedness. For the dependent variable, Bank

Indebtedness, the explanation also fell in reverse investment in fixed assets, which

would say that the higher this type of investment would lower the debt with banks,

and finally to the bank debt added to the tax found explanation is estimated by least

squares, with the correction of heteroscedasticity , the independent variables Fixed

Assets, EBITDA, Independent Audits of international groups, and investment in

training athletes.

Keywords:

(9)

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 Receitas dos Clubes Europeus………..45

Tabela 2 Clubes com Maiores Dívidas...48

Tabela 3 Ranking por Endividamento…......49

Tabela 4 Estimativa de Torcedores dos Principais Clubes do País………..74

Tabela 5 Índices para o Cálculo de Regressão…...77

Tabela 6 Análise Descritiva………...84

Tabela 7 Matriz de Correlação de Pearson…………......84

Tabela 8 Teste de Mann-Whitney………85

Tabela 9 Modelo de Regressão Gamma –EndivTotal...………86

Tabela 10 Modelo de Regressão Gamma EmprFinanc……….87

Tabela 11 Análise Descritiva_12 Variáveis………..91

Tabela 12 Coeficiente de Correlação_12 Variáveis………..92

(10)

LISTA DE QUADROS

Quadro 1 Cronologia do Futebol...23

Quadro 2 Clube-Empresa e Responsabilidade de Dirigentes...29

Quadro 3 Relações de Trabalho e Seguridade Social...30

Quadro 4 Clube Formador de Atleta ………32

Quadro 5 Fatores que podem contribuir para performance na liga…………41

Quadro 6 Decisões de Estrutura de Capital ……….56

Quadro 7 Processo de Empresarização……….62

Quadro 8 Amostragem dos Balanços dos Clubes………..71

Quadro 9 Auditorias Independentes dos Clubes………80

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Gráfico 1 Média de Público do Campeonato Brasileiro….……….43

Gráfico 2 Histograma das Variáveis Dependentes………..82

Figura 1 Normal Q-Q Plot –EndivTotal ………87

(11)

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

EBITDA Sigla em inglês, que se refere a ganhos antes de juros, impostos, depreciação e amortização.

EndivTotal Endividamento total englobando as contas de curto e de longo prazo do grupo de contas Passivo.

EmprFinanc Empréstimos e financiamentos bancários.

EmpTrib Empréstimos e financiamentos bancários adicionados ao parcelamento de tributos federais, dívidas com o INSS e o FGTS.

INSS Instituto Nacional de Seguridade Social.

FGTS Fundo de Garantia por Tempo de Serviço.

Reav Valor referente à reavaliação de bens patrimoniais.

VenAtl Receita com a venda de atletas.

FormAtl Investimento na formação de atletas.

(12)

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ... 13

1.1 Situação-problema ... 13

1.2 Objetivo geral ... 14

1.3 Objetivos específicos ... 14

1.4 Justificativas ... 15

1.5 Organização da Dissertação ... 15

2 EMBASAMENTO TEÓRICO ... 17

2.1 Origem do Futebol ... 18

2.2 A Evolução do Futebol no Brasil ... 20

2.3 Mudanças no Futebol Provocadas pela Legislação ... 23

2.4 A Profissionalização do Futebol ... 32

3 TEORIA DE ESTRUTURA DE CAPITAL ... 47

4 GOVERNANÇA CORPORATIVA E MERCADO DE CAPITAIS ... 57

4.1 Entrada dos Clubes no Mercado de Capitais Europa ... 64

4.2 Entrada dos Clubes no Mercado de Capitais Chile ... 66

5 METODOLOGIA... 69

5.1 Processo de Levantamento de Dados ... 69

5.2 Análise Descritiva ... 81

5.3 Modelo de Regressão ... 81

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 94

7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 99

8 APÊNDICE ... 104

(13)

1

1 IINNTTRROODDUUÇÇÃÃOO

Tradicionalmente, a maioria dos clubes de futebol no Brasil funciona de forma

amadorística. A tendência atual é de mudanças e a passagem para uma

administração mais racional, transparente e profissional, é muito necessária, até por

uma questão de sobrevivência. O paradigma para esta mudança, muito

provavelmente, ocorreu a partir do “Caso Bosman”. A partir deste caso,

mundialmente conhecido, originaram-se as leis que limitaram o prazo referente ao

direito que os clubes têm sobre o passe dos atletas. Como a negociação de atletas

era a principal fonte de recursos dos clubes de futebol, particularmente no caso

brasileiro, as consequências foram de um endividamento crescente que atualmente

enfrentam estas entidades praticantes do futebol profissional.

1.1 - Situação-problema

Quais os problemas enfrentados pelos principais clubes de futebol que

caracterizam o estado atual de crescente endividamento no cenário nacional?

A proposta parte do pressuposto que, ao se identificarem e analisarem as

variáveis que contribuem para a melhora do fluxo de caixa, em consequência da

melhora nos seus resultados operacionais estar-se-á contribuindo para a diminuição

(14)

1.2 - Objetivo geral

Identificar os aspectos que norteiam o alto endividamento da grande maioria

dos clubes de futebol no Brasil, utilizando como arcabouço as teorias existentes

sobre Estrutura de Capital e encontrar variáveis que expliquem este endividamento.

1.3 - Objetivos específicos

Paralelamente à busca dos aspectos que norteiam o alto endividamento da

grande maioria dos clubes de futebol no Brasil, pretende-se identificar as seguintes

questões:

a) A causa de tão alto endividamento se deve aos sucessivos deficits

operacionais da maioria dos clubes ao longo dos anos?

b) O que traria de beneficio com relação à redução de endividamento um

maior investimento na formação de jogadores?

c) Um maior investimento em Ativo Fixo traria benefícios no sentido de

redução ou pelo contrário, agravaria ainda mais o atual quadro de endividamento do

setor?

d) Até que ponto propiciaria uma melhor gestão desta dívida, a utilização

pelos clubes de futebol de auditorias independentes pertencentes a grupos

(15)

1.4 – Justificativas

O futebol é um tema bastante atraente devido à enorme quantidade de

pessoas que ele pode atrair aos estádios e em consequência, pelo potencial de

consumo que representa, bem como, o fascínio que exerce sobre as pessoas sem

que haja distinção quanto a sexo, idade, raça ou religião.

Há ainda que se considerar que o momento para se estudar este assunto,

além do fato de não ser muito explorado nos meios acadêmicos, portanto se

constituindo num assunto novo, é bastante oportuno, uma vez que a próxima Copa

do Mundo será realizada no Brasil, uma segunda oportunidade de sediar esta

competição em território nacional, após mais de sessenta (60) anos decorridos do

primeiro evento que aconteceu em 1950.

1.5 - Organização da Dissertação

O segundo capítulo aborda o histórico do futebol desde sua criação, como foi

que ele chegou ao Brasil, e também como se procedeu a sua evolução no território

nacional. Em seguida são abordados aspectos de legislações que alteraram

substancialmente seu desenvolvimento, a partir de uma administração inicial

totalmente amadorística, os nichos de mercado que estão e deverão continuar se

aprimorando para melhorar as receitas do setor ao longo do tempo e paralelamente

a busca por uma maior profissionalização. No terceiro capítulo procura-se

(16)

futebol e o seu preocupante crescimento, bem como, relaciona este fato com

algumas teorias de estrutura de capital, demonstrando de uma forma ou outra, os

ônus que os clubes devem arcar e, por outro lado, alguns parcos, mas possíveis

benefícios que esta dívida possa acarretar além dos riscos de total desequilíbrio

financeiro que poderiam até já se constituírem em fatos, caso não se contasse com

alguns favorecimentos governamentais e políticos. O quarto capítulo refere-se a

como os clubes poderiam se organizar para uma possível abertura de capital e como

ocorreu este processo na Europa e mais recentemente no Chile e quais foram os

seus desfechos. No quinto capítulo, discorre-se sobre a metodologia utilizada na

busca das variáveis que melhor explicam o endividamento dos clubes, e no sexto e

último capítulo, o comentário e análise dos pontos principais encontrados ao longo

(17)

2

2 EEMMBBAASSAAMMEENNTTOOTTEEÓÓRRIICCOO

A origem do futebol ocorreu a remotos tempos antes de Cristo. Suas regras

só começaram a ser estabelecidas a partir de 1660 e chegou ao Brasil somente no

final do século XIX.

No Brasil, o futebol tem passado por mudanças nos últimos tempos,

principalmente, após as leis Zico e Pelé nos anos 90, com a extinção da Lei do

Passe, inspiradas no “Caso Bosman”. Isto obrigou os clubes, principalmente aqueles

menos profissionalizados, a iniciarem uma verdadeira revolução na busca de outras

fontes de recursos em virtude de que a tradicional negociação de atletas perdeu

substancialmente a capacidade de custear as suas inúmeras e na maioria dos

casos, crescentes despesas, em virtude da liberação do atleta para uma possível

negociação com outros clubes, nacional ou internacionalmente já a partir dos

dezesseis anos.

O chamado “caso Bosman” ocorreu em 1995. A Corte Européia de Justiça

deu ganho de causa ao jogador belga Jean Marc Bosman, que se queixara de que

em 1990, não conseguiu se transferir para um clube da França porque o seu clube

belga, o Liége, estava exigindo um valor de transferência1 excessivamente alto, embora o seu contrato houvesse terminado. Assim, uma parte importante do sistema

de transferência internacional e até nacional de jogadores de futebol ficou ilegal.

(AIDAR; LEONCINI e OLIVEIRA, 2000:47).

1 No jargão futebolístico, este valor de transferência, corresponderia ao “passe” do jogador que na nossa lei número 6354/76

(18)

Este acontecimento causou desalento na FIFA e demais federações e

confederações equivalentes nos outros países e continentes, porque Bosman fora

impedido de movimentar-se livremente para trabalhar o que lhe era assegurado pelo

artigo 48 do Tratado de Fundação da União Européia.

2.1 - Origem do Futebol

Embora não se tenha muita certeza sobre os primórdios do futebol,

historiadores descobriram vestígios dos jogos de bola em várias culturas antigas.

Estes jogos de bola ainda não eram o futebol, pois ainda não havia a definição de

regras como há hoje, porém demonstram o interesse do homem por este tipo de

esporte desde os tempos antigos. (www. suapesquisa.com/futebol)

A popularidade do futebol, muito provavelmente se deu pelo seu jeito simples

de jogar. Necessário apenas, uma bola, dois grupos de jogadores e uma marcação

no lugar das traves que uma partida de futebol pode se desenrolar. Isto pode ocorrer

na rua, em terrenos baldios, no campinho do bairro ou até mesmo no quintal de

casa. Desta forma, jovens de vários cantos do mundo, começam a praticar o futebol.

Na China antiga, por volta de 2.000 A.C., militares chineses praticavam um

treino militar chutando a cabeça dos inimigos que com o tempo substituíram por

bolas com revestimento de couro e algum enchimento. Formavam-se duas equipes

de oito jogadores cada, que sem deixar a bola cair, a intenção era passá-la entre

(19)

Já no Japão um esporte muito parecido, praticado pela corte do imperador

japonês era denominado kemari.

Na cidade grega de Esparta, os jogadores também militares utilizavam uma

bola feita de bexiga de boi cheia de areia. Os romanos, que dominaram a Grécia,

entraram em contato com esta cultura e assimilaram o denominado episkiros.

A história contemporânea do futebol se estende por mais de 100 anos. Tudo

começou na Inglaterra quando o rugby e a associação de futebol ramificaram-se em

seus diferentes cursos e a Associação de Futebol da Inglaterra foi formada. (site

www.fifa.com).

A grande transição ocorre quando esse esporte atinge as escolas superiores

e a Corte (DUARTE, 2000:99). Jovens das famílias ricas da Inglaterra começam a

deixar de lado o tiro, a esgrima, a caça, a equitação, alguns dos esportes preferidos,

passando para o futebol.

Já no final do século XIX complementaram-se as principais regras, como a

definição de 11 jogadores, estabelecido o tamanho do campo, criada a lei do

impedimento, a penalidade máxima e o limite das áreas, houve o surgimento das

redes e até o apito, uma vez que os árbitros anunciavam as suas decisões, até

então, aos gritos.

O futebol como é hoje chega à França em 1872; à Suíça, em 1879; à Bélgica

em 1880; à Alemanha, Dinamarca e Holanda, em 1889; à Itália em 1893 e, em 1894

(20)

2.2 - A Evolução do Futebol no Brasil

Em 1894, o paulista Charles Miller, nascido no Brás em 1874 e que estudava

e jogava futebol na Banister Court School de Southampton (Inglaterra), trouxe de lá

bolas, calções, chuteiras, camisas e equipamentos indispensáveis como bomba de

ar e agulha, dando o início ao futebol entre nós (BRUNORO e AFIF, 1997:13).

Em 1902 ocorreu o primeiro campeonato organizado de futebol cujo artilheiro

do campeonato foi Charles Miller, jogando pelo São Paulo Athletic.

Conforme Brunoro e Afif (1997:13), o futebol quando começou a ser praticado

no Brasil, era um esporte eminentemente praticado pela elite, composto por jovens

mais abastados, que estudaram na Europa, e que tiveram oportunidade de ter os

primeiros contatos com esse esporte.

A postura conservadora de alguns dirigentes e o racismo embutido em grande

parte da elite fazia com que o futebol continuasse no amadorismo.

Em 1915, São Paulo e Rio de Janeiro, cada um tinha a sua federação

nacional para mostrar força. Em 1917, a Federação internacional de Futebol (FIFA)

reconheceu a CDB como a única entidade oficial do Brasil. A partir daí o futebol

brasileiro participa de várias competições internacionais.

À época, a força do futebol paulista era composta pelo chamado “Trio de

(21)

Paulistano tentava manter a sua tradição de time de elite. Porém, o povo já tinha

escolhido o futebol como o seu esporte favorito.

Tanto no Estado do Rio, como em São Paulo, aconteceram manobras para a

elitização do futebol com a criação de ligas amadoras, com isto, visando a eliminar a

disputa de clubes profissionalizados que reforçavam seus elencos com atletas

oriundos de classes sociais menos favorecidas. O Vasco da Gama que era um time

com este perfil, embora com uma equipe reconhecidamente forte, não pode disputar

o campeonato carioca por dois anos consecutivos, retornando em 1925.

O Brasil começa a ser respeitado na Europa porque, neste mesmo ano, o

Paulistano, em uma excursão com bastante sucesso ao continente europeu, chega a

golear a seleção da França por 7 a 2.

Em 1930, o Brasil disputa a primeira Copa do Mundo, sediada pelo Uruguai,

mas não tem uma boa participação. Em 1931, os jogadores Domingos da Guia e

Leônidas da Silva, os maiores talentos da época, foram jogar na Europa,

remunerados e profissionalmente. Neste mesmo ano, a Lazio contratou 10

jogadores brasileiros e isto fez com que o amadorismo fosse perdendo ainda mais

força.

Os dirigentes brasileiros preocupados com a debandada de seus melhores

jogadores para a Europa começaram a perceber que o amadorismo e a

desorganização necessitavam dar espaço a atitudes mais realistas. Em 1933, foi

criada a Liga Carioca de Futebol, favorável ao profissionalismo.

Em 1934, um jogador brasileiro conhecido como Filó, devido à sua

(22)

A partir daí, começou a haver dois grupos no futebol, um partidário ao

profissionalismo e o outro a favor do amadorismo, embora os jogadores amadores

recebessem gratificações para atuar.

Houve a grande cisão, formaram-se ligas diferentes e cada estado passou a

ter dois campeonatos paralelos: o dos amadores e o dos profissionais.

Em 1950, foi idealizado o torneio Rio-São Paulo, pelo jornalista Mário Filho.

No ano seguinte, a Copa Rio, que era disputada pelo campeão paulista e carioca do

ano anterior, contra campeões estrangeiros, com jogos no Maracanã e Pacaembu.

No mesmo ano, o Palmeiras sagrou-se campeão, disputando com o Vasco,

Juventus de Turim, Áustria de Viena, Olympique de Marselha, Sporting de Lisboa,

Estrela Vermelha de Belgrado e o Nacional de Montevideu. Em 1952, o Fluminense.

Em 1966, após a morte de Mário Filho, a Câmara de Vereadores do Rio de

Janeiro, deu seu nome ao estádio do Maracanã.

Após a conturbada década de 30, as décadas seguintes serviram para

consolidar o profissionalismo e o papel das federações. Embora os jogadores ainda

não fossem tratados como profissionais pelos dirigentes, com atitudes paternalistas

e, em geral, impondo a sua vontade nos contratos com seus atletas, e poucos

tinham consciência dos seus direitos, havendo de certa forma um conformismo com

a situação.

A seguir, uma cronologia dos principais acontecimentos do futebol, desde

(23)

Quadro 1 – Cronologia do futebol

Cronologia do futebol

1862 Nasce o Notts County, o time de futebol mais antigo que ainda disputa principais torneios na Inglaterra

1863 Em 26 de outubro, onze escolas e clubes fundam a Football Association

1864 Em 9 de janeiro é disputada a primeira partida sob a égide da Footbal Association, com 14 jogadores de cada lado.

1865 Na Argentina é fundado o Buenos Aires FC, provavelmente o primeiro clube sulamericano.

1872 Tem início o campeonato oficial mais antigo do mundo, a FA Cup da Inglaterra.

1888 Em 17 de abril 12 Clubes fundam na Inglaterra a primeira liga de futebol da história.

1888 Em 13 de maio, no Brasil nasce o São Paulo Athletic Club - SPAC.

1894 Charles Miller traz as primeiras bolas de futebol para o Brasil.

1895 Acontece a primeira partida de futebol no Brasil: São Paulo Railway 4 x 2 Companhia de Gás, no dia 14 de abril.

1904 E criada a Federação Internacional de Futebol (Fifa).

1916 É fundada a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol).

1917 É criada a Confederação Brasileira de Desportos (CBD).

1930 O Uruguai, como país-sede, vence a primeira Copa do Mundo.

1933 Início do profissionalismo no Brasil e criação da Liga Carioca de Futebol

1941 São criados o Conselho Nacional de Desportos (CND) e a Federação Paulista de Futebol (FPF)

1958 O Brasil conquista sua primeira Copa do Mundo, na Suécia.

1962 O Brasil é bicampeão mundial, no Chile.

1970 A seleção brasileira ganha sua terceira copa.

1976 Jogadores têm profissão regulamentada e recebem direito sobre o passe ao completar 32 anos e dez no último clube.

1980 É criada a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

1986 O CND estipula critérios de renovação de contrato e fixação do valor do passe dos jogadores.

1990 Jean-Marc Bosman, jogador belga, solicita a liberação do seu passe junto à corte européia.

1993 A criação de clubes-empresas e o jogo Bingo recebem regulamentação pela Lei Zico (8672)

1996 O ministro Pele altera a Lei do Passe com a Resolução 1/96, que regula o artigo 26 da Lei Zico.

1997 Pele apresenta projeto de adoção do futebol-empresa, entre outros tópicos.

Fonte: Criação do Autor com base em Brunoro e Afif (1997:19) e site www.campeões do futebol.com.br

2.3 - Mudanças no Futebol Provocadas pela Legislação

Após a perda da Copa pelo Brasil em pleno Maracanã em 1950 e a

desclassificação ocorrida na Copa de 1954, algumas autoridades envolvidas com o

(24)

jogadores nacionais muito qualificados, só se poderia aspirar alguma conquista,

caso houvesse um cuidadoso planejamento e boa dose de organização.

Com Paulo Machado de Carvalho chefiando a delegação da seleção

brasileira, o Brasil sagrou-se campeão em 1958 na Suécia e repetiu o feito na Copa

que veio a seguir no Chile em 1962. Oito anos depois, sagrou-se tricampeão

mundial no México.

Assim, com tanto sucesso dentro de campo e o público em lua de mel com o

futebol, era praticamente impossível alguém reivindicar alguma mudança de sua

estrutura.

Como escreveram Brunoro e Afif (1997:18):

O romantismo do futebol começou a ser substituído por uma consciência profissional mais séria em 1976, quando a profissão de atleta profissional de

futebol foi regulamentada pela Lei no. 6354 […] todos os jogadores profissionais passariam a ter carteira de trabalho e os benefícios da CLT,

como férias e FGTS […] o direito de possuir seu próprio passe depois dos 32 anos de idade.

Porém, a lei que causou grandes alterações na legislação do futebol só

ocorreu em 1993. Arthur Antunes Coimbra, o Zico, na condição de secretário de

Esportes do governo federal, elaborou a lei no. 8672 que visava à criação de

condições favoráveis para a atração de investimentos pelo esporte e criava desta

forma, uma nova dimensão: o esporte como negócio.

Baseado nesses dois conceitos chave que, segundo o autor da lei, deveriam

(25)

O futebol profissional deveria emergir naturalmente como o melhor negócio do

clube, responsável pelas suas maiores fontes de receita e elemento principal na

formação e manutenção de uma imagem forte da marca do clube.

Assim, a partir desta visão do futebol profissional, é que se consolidaria no

âmbito do clube a "visão do esporte como negócio".

Nos dizeres de Melo Neto (1998: p.18):

O clube-empresa deveria ser criado no bojo de dois processos de mudança - uma mudança, em nível de gerenciamento, o qual denomina-se gerenciamento empresarial (empresarização do clube); e uma outra mudança, a nível legal, que consiste na transformação do clube numa sociedade comercial.

A lei propunha outras mudanças como a extinção do Conselho Nacional de

Desportos, a criação do Conselho de Política de Desporto e a extinção do "passe".

Em seu artigo 11, a lei Zico determinava o que está relatado abaixo. Cinco

anos mais tarde, ocorreria o seu aprimoramento, pela lei Pelé.

O Art.11 da lei Zico diz que:

É facultada às entidades de prática desportiva e às entidades federais de administração de modalidade profissional a gestão de suas atividades sob responsabilidade de sociedade com fins lucrativos, desde que adotada uma das seguintes formas:

I – transformar-se em sociedade comercial com finalidade desportiva;

II – constituir sociedade comercial com finalidade desportiva, controlando a maioria de seu capital com direito a voto;

III – contratar sociedade comercial para gerir suas atividades desportivas.

A lei Pelé (9615/98) na sua redação original previa em seu artigo 27, algo

(26)

-empresa”, termo este que determinava que a entidade de prática desportiva

obrigar-se-ia a se tornar sociedade de cunho comercial:

Art.27. As atividades relacionadas a competições de atletas profissionais são privativas de:

I – sociedades civis de fins econômicos;

II – sociedades comerciais admitidas na legislação em vigor;

III – entidades de prática desportiva que constituírem sociedade comercial para administração das atividades de que trata este artigo;

Parágrafo único. As entidades de que tratam os incisos I, II e III que infringirem qualquer dispositivo desta lei terão suas atividades suspensas, enquanto perdurar a violação.

Muito embora o novo dispositivo legal tenha facultado às entidades de prática

desportiva sua transformação em sociedade comercial ou sociedade civil com fins

lucrativos Aidar, Leoncini e Oliveira (2000: 15) mediante consulta a alguns

renomados juristas brasileiros previam dificuldades nesta transição:

[…] uma sociedade sem fins lucrativos que tem em seus estatutos a vedação da busca do lucro; que detém um patrimônio constituído ao longo de décadas por doações públicas ou privadas e contribuições de seus associados e, sobretudo, cujo patrimônio não é cindível em parcelas discrimináveis ou cotas ideais, tal qual nas sociedades comerciais ou aquelas civis de fins econômicos, poderá transformar-se naquelas hipóteses

que faculta a lei […]

Outras importantes alterações geradas pela lei Pelé, foram: a revogação da

Lei do Passe dos atletas profissionais, a regulamentação do contrato de trabalho

entre as entidades desportivas e seus atletas profissionais e a definição para os

atletas em formação que na idade entre 14 e 20 anos, podem receber auxílio

(27)

contrato profissional com o atleta em formação pode ser assinado a partir dos 16

anos, desde que a entidade comprove o vínculo com o mesmo há pelo menos um

ano.

Posteriormente a lei Pelé foi alterada pela medida provisória no. 79 e em

seguida deu origem à lei 10672/03, obrigando os clubes brasileiros a publicar suas

demonstrações contábeis.

A nova redação dada através da lei no. 9981/00 foi de certa forma um

retrocesso à ainda embrionária e revogada lei Zico, senão vejamos.

A nova redação do art. 27 trazida pela lei no 9981/00, aparentemente iria

dirimir toda e qualquer controvérsia a respeito:

Art. 27. É facultado à entidade de prática desportiva praticante de atividades profissionais:

I - transformar-se em sociedade civil de fins econômicos;

II - transformar-se em sociedade comercial;

III - constituir ou contratar sociedade comercial para administrar suas atividades profissionais;

§1° (parágrafo único original). (Revogado)

Assim, com essa nova redação, muito semelhante ao dispositivo anterior da

Lei Zico, evidenciou-se a não obrigatoriedade da entidade de prática desportiva

tornar-se sociedade com fins comerciais, hipótese que passou a ser mera faculdade,

portanto de acordo com a decisão pura e simples da própria entidade de prática

desportiva.

A entidade de prática desportiva poderá, portanto, optar por se constituir em

(28)

com fins comerciais ou, ainda, em qualquer das modalidades e formas previstas e

existentes na legislação nacional para as sociedades comerciais (sociedade por

cotas de responsabilidade limitada, sociedade por ações, sociedade em comandita

etc).

A alegação básica dos juristas é que os bens da sociedade não se confundem

com os bens dos associados da entidade de prática desportiva. Ou seja, a entidade

de prática esportiva transformar-se-ia em sociedade comercial sem que houvesse a

necessária identificação de seus sócios, condição imprescindível para a existência

desse tipo societário.

Conforme trabalho de atualização de texto e consolidação, realizado pelo

jurista cearense Álvaro Melo Filho, ex-assessor da ONU (Organização das Nações

Unidas) em Direito Desportivo e integrante de comissões da FIFA, desde 1989, com

as principais legislações que sucederam a lei 9615/98 (lei Pelé) como as leis

9981/00, 10264/01, 10672/03, 12346/10 e 12395/11, traz uma série de

esclarecimentos sobre a atual legislação dos desportos.

Na sequência, comentários e quadros com alguns assuntos relevantes

abordados pelas legislações e os comentários de forma objetiva visando a se atingir

uma melhor visualização das questões de responsabilidade administrativa, as quais

os dirigentes esportivos precisam se adequar, alguns comentários sobre as

questões do passe do jogador, as relações de trabalho clube versus atleta, as

principais questões que caracterizam o clube como formador do atleta, entre outras

(29)

O quadro a seguir aborda a questão da responsabilidade administrativa do

dirigente de clube de futebol, e a impossibilidade de participação societária em mais

de um clube que disputem a mesma competição profissional.

Quadro 2 – Clube-Empresa e Responsabilidade de Dirigentes

Clube - Empresa e Responsabilidade de Dirigentes

Assunto Descrição Sucinta

Responsabilidade dos dirigentes

Sujeitam os bens particulares de dirigente de clubes em caso de abuso da personalidade jurídica caracterizado pelo desvio de personalidade e pela confusãopatrimonial pode o juiz decidir que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. Bens Patrimoniais

O clube não poderá utilizar seus bens patrimoniais, esportivos ou sociais para integralizar sua parcela de capital ou oferecê-los como garantia, salvo com a concordância da maioria absoluta da assembléia geral de seus associados.

Aplicar créditos e bens sociais em proveito próprio ou de terceiros

O administrador de clube que assim proceder, sem consentimento escritos dos sócios, terá de restituí-los à sociedade, ou pagar o equivalente com todos os lucros resultantes e havendo prejuízo, por ele també responderá.

Gestão em outras entidades

Nenhuma pessoa física ou jurídica, direta ou indiretamente, seja detentora de parcela de capital com direito a voto de entidade de prática desportiva poderá ter participação simultânea na gestão de outra entidade.

Fonte: Criação do Autor com base em Melo Filho (Consolidação da legislação desportiva que sucedeu a 9615/98).

As entidades de prática desportiva participantes de competições profissionais

e as de administração que se organizarem, independente da forma jurídica adotada

somente poderão obter financiamento com recursos públicos ou fazer jus a

programas de recuperação econômico-financeiros se cumulativamente: permitirem a

identificação exata de sua situação financeira, mostrando plano de resgate e de

investimento, garantindo a independência dos conselhos de fiscalização e

administração quando houver, adotando modelo profissional e transparente e

apresentem demonstrações financeiras com os respectivos relatórios de auditoria.

No tocante à lei do passe, havia uma situação sui generis nas relações

jurídico-trabalhistas, após o término de um contrato de trabalho, o atleta trabalhador

(30)

empregador lhe concedesse o atestado liberatório. (Zainagui e Sagres, esportebizz,

acesso em 13/04/2012).

Com o advento da lei 9615/96, o “passe” deixou de existir nas relações

trabalhistas entre clubes e atletas. Com o término do contrato de trabalho,

extingue-se o vínculo desportivo, não havendo mais a figura do atestado liberatório.

A seguir, quadro que procura explicitar outras questões não tão polêmicas

como a legislação sobre os direitos dos clubes e dos atletas que eles mantêm

através de contrato, porém não menos importantes no que se refere a relações

trabalhistas e seguridade social.

Quadro 3 Relações de Trabalho e Seguridade Social

Relações de Trabalho e Seguridade Social

Assunto Descrição Sucinta

Concentração Se conveniente à entidade de prática desportiva a concentração não poderá ser superior a três (3) dias consecutivos por semana.

Repouso semanal

remunerado Repouso semanal remunerado de vinte e quatro (24) horas ininterruptas.

Férias Férias anuais remuneradas de trinta (30) dias acrescida do respectivo abono de férias.

Jornada de trabalho Quarenta e quatro (44) horas semanais. Dissolução do vínculo

desportivo - atleta x clube

a) Término da vigência do contrato; b) Pagamento da Cláusula Indenizatória ou Compensatória desportiva

Atleta autônomo Atleta maior de dezesseis (16) anos que não mantém relação empregatícia com um clube, auferindo rendimentos por conta e por meio de contrato de natureza civil.

Direito de arena

Pertence ao clube este direito que consiste na prerrogativa exclusiva de negociar, autorizar ou proibir a captação, a emissão, a transmissão, a retransmissão ou a reprodução de imagens por qualquer meio ou processo de espetáculo desportivo de que participe.

Participação em competições esportivas

É vedada a participação em competições desportivas profissionais de atletas não profissionais com idade superior a 20 anos.

Seguro de Vida Os clubes são obrigados a contratar seguro de vida e de acidentes pessoais, vinculado à atividade desportiva, para os atletas profissionais, com o objetivo a cobrir os riscos a que eles estão sujeitos.

Fonte: Criação do Autor com base em Melo Filho (Consolidação da legislação desportiva que sucedeu a 9615/98).

Com relação ao direito de arena, comentado no quadro anterior, convém

complementar que não faz parte dos direitos de arena, os denominados flagrantes

(31)

de todas as imagens do flagrante do espetáculo ou evento desportivo exibido não

poderá exceder a 3% do total do tempo do espetáculo ou evento.

O vínculo desportivo do atleta com o clube de futebol constitui-se com o

registro do contrato especial de trabalho desportivo (primeiro contrato de trabalho

profissional do atleta) na entidade de administração do desporto (liga ou

associação), dissolvendo-se: com o término da vigência do contrato ou o seu

distrato, com o pagamento da clausula indenizatória, ou com o inadimplemento

salarial.

Sempre que ocorrer transferência nacional de atleta profissional, até 5% do

valor pago pelo novo clube, será obrigatoriamente distribuído entre as entidades que

contribuíram para a formação do atleta, sendo 1% para cada ano de formação do

atleta dos 14 aos 17 anos de idade, inclusive e de 0,5% para cada ano de formação

dos 18 aos 19 anos, inclusive.

Os direitos federativos são sinônimos de vínculo desportivo e, portanto só

existem durante a vigência do contrato de trabalho.

A seguir, quadro com principais dados sobre o primeiro contrato especial do

clube com o atleta formado em suas bases, o que basicamente caracteriza o clube

como formador de um atleta e em consequência, com direito às prerrogativas que

lhe são outorgadas na preferência a firmar o contrato especial com o atleta, as

implicações com a desistência de uma das partes com as consequentes cláusulas

(32)

Quadro 4 Clube Formador de Atleta

Clube Formador de Atleta

Assunto Descrição Sucinta

Contrato especial de trabalho desportivo

O clube formador do atleta terá o direito de assinar com ele, a partir de dezesseis (16) anos de idade o contrato de trabalho desportivo cujo prazo não poderá ser superior a cinco (5) anos.

Programas de treinamento

Deve o clube fornecer aos atletas programas de treinamento nas categorias de base e complementação educacional.

Requisitos ao clube para indenização

a) atleta em formação inscrito pelo clube na entidade regional de administração do desporto há pelo menos um (1) ano; b) comprove que o atleta está inscrito em competições oficiais; c) garanta assistência educacional, psicológica, médica e odontológica, assim como alimentação, transporte e convivência familiar.

Cláusula Indenizatória

Devida à entidade de prática desportiva à qual está vinculada o atleta: a) no caso de transferência para outra entidade durante a vigência do contrato especial de trablho; b) retorno do atleta às atividades profissionais em outra entidade de prática desportiva no prazo de até trinta (30) meses.

Cláusula Compensatória Devida pelo clube ao atleta profissional: a) com a rescisão decorrente do inadimplemento salarial; b) com a rescisão indireta nas demais hipóteses na legislação; c) com a dispensa imotivada do atleta.

Valor da Cláusula Indenizatória

Será livremente pactuado pelas partes até o limite máximo de duas mil (2000) vezes o valor médio do salário contratual para transferências nacionais e sem qualquer limitação para as transferências internacionais.

Outra possibilidade de cláusula indenizatória

Se o clube não fizer o primeiro contrato especial de trabalho desportivo, por oposição do atleta, ou quando ele se vincular sob qualquer forma a outra entidade desportiva, a indenização será limitada a duzentas (200) vezes os gastos comprovadamente efetuados com a formação do atleta.

Valor da Cláusula Compensatória

Será livremente pactuado pelas partes até o limite máximo de quatrocentas (400) vezes o valor do salário mensal no momento da rescisão, e, como limite mínimo, o valor total de salários mensais a que teria direito o atleta até o término do referido contrato.

Preferência do clube formador na renovação

O clube formador do atleta terá o direito de preferência para a primeira renovação deste contrato cujo prazo não poderá exceder três (3) anos. Para fazer jus a este direito o clube terá que efetuar uma proposta com até 45 dias antes do término do contrato em curso. Deve o atleta responder em até 15 dias do recebimento da proposta sob pena de aceitação tácita.

Hipótese de oferta de proposta de outro clube

A proponente deverá apresentar proposta ao clube formador com todas as condições remuneratórias e também à entidade regional de administração. O clube formador terá 15 dias para comunicar se exercerá o seu direito de preferência nas mesmas condições oferecidas. Caso o atleta ainda assim se recuse a assinar com o clube formador, este poderá pedir ao clube interessado duzentas vezes o valor mensal constante da proposta

Remuneração

O atleta em formação, maior de quatorze (14) anos e menor de 20 (vinte) anos poderá receber auxílio financeiro da entidade de prática desportiva formadora, sob a forma de bolsa de aprendizagem sob contato formal sem que seja gerado vínculo empregatício.

Fonte: Criação do Autor com base em Melo Filho (Consolidação da legislação desportiva que sucedeu a 9615/98).

2.4 - A Profissionalização do Futebol

O futebol brasileiro nos dias de hoje ainda está buscando a sua identidade em

termos de organização e profissionalismo, salvo algumas poucas exceções, como é

o caso do São Paulo FC e do Clube Atlético Paranaense. Apresenta ainda sérios

problemas de gestão e na maioria dos casos uma carência muito grave de

(33)

De 1894, ano em que Charles Muller traz as primeiras bolas de futebol para o

Brasil, aos dias de hoje o futebol passou por vários estágios. Dentro de campo, o

progresso é incontestável, mas o mesmo não acontece na forma como é dirigido e

organizado.

Enquanto assistimos pela televisão aos principais campeonatos do mundo

com estádios lotados, por aqui constatamos um público reduzido, obrigado a

conviver, ainda, com um calendário inchado e uma série de torneios que não foram

totalmente assimilados pelos torcedores. O modelo adotado pelo futebol brasileiro

não atende à maioria dos clubes e é muito prejudicial aos atletas. (BRUNORO e

AFIF, 1997:20).

A verdade é que poucas agremiações conseguem o equilíbrio entre seus

gastos e a receita, utilizam-se de um “caixa único”, participam de torneios

deficitários, são prestigiados por um público reduzido e as tabelas dos campeonatos

mudam constantemente. De acordo com a própria CBF, metade dos jogadores

recebe apenas um salário mínimo por mês. É preciso que os campeonatos tenham

como princípio abrigar equipes de níveis técnicos semelhantes e que também

possam despertar o interesse do público.

Neste momento, o futebol brasileiro atravessa uma fase de transição. A nova

Lei do Passe faz com que clubes e jogadores adotem uma nova postura: mais

profissional. Já foi o tempo que o clube sobrevivia apenas com a negociação de

jogadores, não obstante, ainda atualmente, continue adiando o pagamento de

encargos sociais e tributos.

O futebol precisa ser tratado como espetáculo e, para isto, é necessário que

(34)

transporte de massa decente, calendários bem planejados, com possibilidade de

compra de ingresso com bastante antecedência, banheiros limpos, segurança,

restaurante, boas acomodações, um local que efetivamente os torcedores possam

se programar para fazer um passeio com os seus familiares.

De acordo com Fernando Bergamin (www.esportebizz.com.br, acesso em

13/04/2012):

No estrangeiro, o torcedor vai a arenas confortáveis de metrô ou ônibus. […] compra seus ingressos com antecedência. Leva o dinheiro no bolso para o hot-dog, a pipoca, a cerveja ou refrigerante […] para o boné a camiseta, o agasalho ou a flâmula. O torcedor entra no clima do jogo […] tende a gastar mais por impulso, sem pesquisa de preço e

sem que uma necessidade básica sua tenha que ser provida.

Julio Mariz, presidente da Traffic, questionado sobre a mudança de calendário

e maior responsabilidade fiscal dos clubes, em entrevista concedida ao Esporte Bizz,

declarou:

[…] pode me trazer os dez maiores clubes que fazemos dar lucro,

(35)

Outro questionamento efetuado ao presidente da Traffic Julio Mariz pela

Esporte Bizz2 foi com relação a qual seria o maior filão da Copa do mundo de 2014. Ele respondeu que o grande filão seriam as Arenas. Teremos quinze (15) estádios

modernos para a venda de direitos comerciais e a administração de camarotes, lojas

e restaurantes. Queremos ao menos três, as arenas do Palmeiras e do Grêmio

serão excelentes.

Os jogos devem ser transformados em "eventos". Conforme Szymanski e

Kuypers (1999), os jogos "eventos" são aqueles que proporcionam uma vibração

especial para todos os espectadores, estejam eles no estádio ou em casa assistindo

aos jogos pela TV.

A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) que é a entidade mais

profissional dos esportes dos amadores inova bastante. Criou uniformes para a

seleção brasileira de vôlei nas cores tradicionais da bandeira, um preto para os

homens e um rosa para as mulheres (www.esportebizz.com.br).

A pirataria tem estado à frente dos dirigentes de futebol em termos de

marketing, se o torcedor quer uma camisa preta do clube santista a Umbro não

fabrica, mas os piratas vendem e a torcida compra. Outro exemplo é a camisa

laranja do Fluminense, foi sucesso de vendas e, no entanto, foi deserdada pelos

criadores.

Conforme Brunoro e Afif (1997: p. 25) hoje os times buscam fórmulas para

aumentar sua receita e poder contar em seu elenco com jogadores de alto nível.

2 Nota do EsporteBizz: a Traffic contratou Mauro Holzman, que elaborou o projeto Kyocera Arena. Agora ele busca uma

(36)

Estudo realizado pela empresa de auditoria e consultoria Pricewaterhouse,

denominado Global Entertainment and Media Outlook 2005-2009 constatou que o

mercado de mídia e entretenimento movimentou no mundo em 2005 US$ 1,3 trilhão

de dólares, sendo a fatia do líder EUA, correspondente a 41%. O Brasil foi líder na

América Latina com um valor movimentado correspondente a US$ 10,5 bilhões

(0,8% do total global).

As perspectivas do estudo da Pricewaterhouse é que neste mercado de mídia

e entretenimento é que os mercados em desenvolvimento terão um crescimento em

termos percentuais, muito superior aos países desenvolvidos.

A Europa, ainda é o grande centro importador dos talentos brasileiros, sabem

que a presença de grandes astros em suas equipes significa aumento de

faturamento.

Não obstante, há que ser considerado o fato de que o Brasil tem conseguido

repatriar alguns jogadores de renome, como foi o caso do Corinthians ao trazer de

volta ao Brasil o Ronaldo, o Flamengo com o retorno do Ronaldinho Gaúcho e do

Vagner “Love”, o São Paulo, no caso do Luís Fabiano, entre outros casos. Há que

ser destacado também o caso do clube santista, que tem conseguido estender a

permanência no Brasil dos jogadores Neymar e Ganso.

A contratação do jogador brasileiro, Ronaldo Nazário, pelo Inter de Milão,

elevou em 30% a venda de carnês antecipados dos jogos deste clube, o que lhe

rendeu mais de 12 milhões de dólares, ou seja, quase a metade do valor pago pela

(37)

Ressalte-se que esta façanha da Inter de Milão, com venda de carnês

antecipados, só é possível com calendários muito bem organizados e

disponibilizados com muita antecedência.

O caminho natural que resta aos clubes brasileiros está na modernização.

Uma alternativa poderia ser uma aliança com grandes empresas que desejem

adotar a filosofia do marketing esportivo para divulgação institucional ou mesmo de

seus produtos.

Segundo Brunoro e Afif (1997):

Portugal também abriu essa possibilidade aos clubes, se transformarem em empresas desde 1997, através de um decreto-lei que prevê duas formas de regime: uma para sociedades esportivas e outra para clubes esportivos que não se constituam em sociedades. Os clubes que optarem por permanecer nos moldes tradicionais, porém, sofrerão fiscalizações bastante rigorosas.

Outro bom exemplo pode vir da Inglaterra, que suportada por uma rigorosa

legislação, depois de algumas crises devido a mortes em estádios, levando o país a

ser banido do futebol em competições esportivas, em menos de uma década

estádios foram reformados, clubes-empresas saneados e eventos recuperados.

De lá, vem uma avaliação otimista quanto à transformação do esporte em

negócio (Fynn & Guest, 1998 apud AIDAR; LEONCINI e OLIVEIRA, 2000: 63):

(38)

O futebol brasileiro parece estar acordando, finalmente, para um caminho já

encontrado pelos principais clubes do mundo: a participação de seu torcedor. Estudo

feito pela Casual Auditores mostra uma participação maior dos fãs na receita dos

clubes. Um caminho que se tornou uma mina de ouro para quem acordou primeiro.

É o caso do Internacional. Em 2002, o clube tinha oito mil sócios. Hoje, são

cem mil, com uma receita anual de quase R$ 40 milhões.

No Brasil, em parte devido à legislação e, em parte, devido à proximidade da

Copa do Mundo de 2014, bem como às Olimpíadas de 2016 que irá sediar, a

tendência é que se tenha nos próximos anos, no mínimo estádios em melhores

condições e com uma infra-estrutura necessária para viabilizar o acesso com

transporte de massa que funcione.

Conforme Aidar, Leoncini e Oliveira (2000: 43):

[…] agentes que formam a "oferta do setor" (um sistema esportivo responsável pela oferta de produtos esportivos) se posicionam. No futebol, a oferta, ou esse sistema esportivo, é composto por um sistema de instituições […]

A seguir, o conjunto de instituições e agentes direta ou indiretamente ligados

à existência de práticas e de consumos esportivos:

 Agrupamentos esportivos (clubes, ligas privadas, CBF —

Confe-deração Brasileira de Futebol, FPF — Federação Paulista de Futebol, etc);

 Produtores e vendedores de bens necessários à prática do esporte

(39)

 Produtores e vendedores de serviços diretos necessários à prática do

esporte (professores, treinadores, médicos especialistas, etc);

 Produtores e vendedores de espetáculos esportivos e bens associados

(fotos dos campeões, loteria esportiva, transmissões pela TV, etc).

Na administração dos clubes de futebol, o profissional deve ter a capacidade

de pesar muito corretamente as decisões entre a emoção e a razão, como afirma

Aidar, Leoncini e Oliveira (2000:64):

Gestão eficaz de recursos no negócio futebol só acontece se, no fim da temporada, o resultado final for boa performance técnica e caixa equilibrado. […] recursos estes de uma atividade de elevado e irregular fluxo de caixa […]

A Frase de João Havelange (JB, 08/10/93 apud MELO NETO,1998), já definia

bem qual era a situação dos clubes de futebol no Brasil e que ainda não se alterou

muito:

Vivemos muitos anos na base do amadorismo. Hoje a realidade é outra. Os clubes precisam ser estruturados para enfrentar a situação. Sem o apoio empresarial é difícil ter sucesso.

Traçando um paralelo entre o futebol brasileiro e os times britânicos, fica claro

que nossos clubes sistematicamente apresentam situação deficitária, que desaba

em um endividamento bancário e inadimplência junto ao fisco e à previdência social.

(AIDAR; LEONCINI e OLIVEIRA, 2000:73).

Não há dúvida de que a falta de balanços transparentes dos clubes de futebol

(40)

simplesmente por estar disponível no mercado, geralmente, não obedecendo a

qualquer orçamento, em alguns casos, até por não possuírem.

Conforme Szymanski & Kuypers (1999) apud Aidar, Leoncini e Oliveira (2000):

Alguns estudos discutem uma série de relações entre os principais fatores que regem a lucratividade e a lógica do negócio para os clubes de futebol: desempenho em campo, lucro, receita e despesas com salários. Enquanto alguns estudos da revista inglesa Deloitte & Touche Annual Review of Football Finance não apontam uma relação consistente entre lucros e a performance no campo […]

O quadro a seguir ilustra a análise feita pela revista inglesa mostrando esta

aparente ligação. Outros estudos, também realizados na Inglaterra, apontam para a

existência de dois relacionamentos fundamentais, o relacionamento entre gastos

com salários e sucesso no campeonato e o relacionamento entre sucesso na liga e

(41)

Quadro 5 – Fatores que podem contribuir para a performance na liga

Fator Efeito sobre o posicionamento na liga

Gasto com salários Tende a melhorá-lo, altamente significativo

Gasto com Transferência Tende a melhorá-lo, pouco impacto adicional

Jogadores usados Mais jogadores levam a piores performances, provavelmente pelo efeito de contusões.

Jogadores de casa Sem efeito depois de controlado pelo gasto com salários

Jogadores da seleção inglesa Times de sucesso tendem a ter mais jogadores da seleção inglesa, mas não parece haver uma relação de causa e efeito

Tamanho do time Sem efeito depois de controlado pelo gasto com salários

Permanência de treinador Times de sucesso tendem a ter mais treinadores cuja permanência é mais longa.

Raça Mais jogadores negros tendem a levar o time a uma melhor

performance, mesmo depois de considerados os salários.

História

Sem gastos consistentes com salários, os clubes em altas posições tendem a gravitar ao redor do ponto médio das posições da liga

Fonte: Szymanski & Kuypers (1999) apud Aidar, Leoncini e Oliveira (2000: p.69)

FATORES QUE PODEM CONTRIBUIR PARA A PERFORMANCE NA LIGA

Martin Edwards, presidente do Manchester United até junho de 2000,

surpreendeu a maior parte da torcida ao dizer: "Se nós vencermos a Copa Europeia,

terá sido à nossa própria maneira, através de uma posição de força financeira e não

gastando uma fortuna" (Fynn & Guest, 1998, apud AIDAR; LEONCINI e OLIVEIRA,

2000).

Na Inglaterra, como no Brasil, os times são instituições com 100 anos de

existência, que têm, entre suas paredes, rixas políticas, e, nas arquibancadas,

(42)

No entanto, seguramente há diferenças marcantes. No Brasil, vários gestores

utilizaram-se dos clubes de futebol para adquirir visibilidade e conquistar cargos

políticos.

Outra característica que é bem própria do “evento” futebol, é a

competitividade que deve existir entre eles, ou seja, eles devem cuidar através da

liga ou confederação que os clubes participantes, não apresentem uma discrepância

técnica muito grande, porque isto acarretaria desinteresse do público nas partidas.

Quanto mais disputa, maiores as receitas. Como diz o presidente do

Manchester United, Martin Edwards (Fynn & Guest, 1998, apud AIDAR, LEONCINI e

OLIVEIRA, 2000):

A força de um campeonato é a força de seu time mais fraco. Se por vários anos o mesmo time for campeão sem disputa acirrada, o torcedor perderá o interesse pelo futebol. Desta forma, a lógica da concorrência no mercado do futebol é diferente da lógica dos outros mercados.

Portanto, a importância de uma liga forte e de um bom calendário. Claramente

há uma distorção entre os objetivos dos administradores dos clubes e das

confederações que cuidam da organização dos campeonatos. Enquanto os clubes

sonham em formar elencos bem mais fortes que seus oponentes, as ligas de futebol

torcem para que um clube ou outro, não adquira uma capacidade técnica muito

superior que a dos demais. Conforme Szymanski & Kuypers (1999) apud Aidar,

(43)

É geralmente aceita a hipótese de que uma liga com incerteza quanto ao resultado e que tenha vários times fortes competindo é muito mais atrativa do que uma liga dominada por poucas equipes. A maneira de se manter a incerteza do resultado é ter um equilíbrio competitivo na liga. Assim, a liga

com times equilibrados produzirá a incerteza de resultado […]

Em síntese, as grandes ligas européias levam em média aos campos de

futebol, de 25.000 a 30.000 torcedores. A média de público no campeonato brasileiro

em 2011 foi de aproximadamente 14.000 torcedores, conforme evidenciado no

gráfico a seguir:

Gráfico 1 Média de Público do Campeonato Brasileiro

0 5.000 10.000 15.000 20.000 25.000 30.000

1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011

Fonte: site http://bolanaarea.com/gal_brasileirao.htm

(44)

2.5 - Futebol europeu

Conforme a Money League, trabalho desenvolvido pela empresa Consultoria Deloitte, com este título, direciona-se diretamente aos clubes, comparando o

faturamento dos próprios clubes.

Os clubes de “ponta” que são considerados na Money League mostraram

uma relativa estabilidade durante períodos de depressão econômica anterior, e isto

aconteceu até a temporada 2009/10.

O faturamento global dos 20 maiores clubes ultrapassou a casa dos 4 bilhões

pela primeira vez, atingindo 4,3 bilhões de euros e crescimento 8% sobre a

temporada anterior.

Os mesmos 10 clubes ocupam posições na Money League pelo segundo ano

consecutivo como os 6 maiores do ranking do último ano. Cada um destes 10

clubes de “ponta” que ocupam posições na Money League, nenhum caiu abaixo da

13ª posição. Isto mostra duas coisas: mais força para estes clubes e o aumento do

desafio para os demais aspirarem ocupar este grupo de elite. Ninguém menos do

que nós, espera ver um ou dois clubes ocupar este espaço nos próximos um ou dois

anos.

Dos 20 clubes de elite do futebol europeu, 14 participaram da “Liga dos

Campeões” e os outros 6 clubes da “Liga Européia”.

A seguir, tabela de faturamento dos 4 primeiros clubes na temporada

(45)

Tabela 1 – Receitas dos Clubes Europeus

Receitas Clubes Europeus

Em US$ milhões

Clubes

Bilheteria

Rádio e TV

Comércio

Total

Real Madrid

129,1

158,7

150,8

438,6

Barcelona

97,8

178,1

122,2

398,1

Manchester

122,4

128

99,4

349,8

Bayern Munique

66,7

83,4

172,9

323,0

Total

416,0

548,2

545,3

1509,5

Fonte: Criação do Autor com base em dados da Consultoria Delloite

Ao dólar atual de aproximadamente R$ 1,90 teríamos um faturamento global

destes quatro (4) maiores clubes do futebol europeu partindo-se de US$ 1,5 bilhão

(total constante na tabela 2- Receitas dos Clubes Europeus) se chegaria a um valor

correspondente de R$ 2,8 bilhões, equivalente a um faturamento médio de R$ 717

milhões por clube.

Na amostra de 25 clubes nacionais dos quais se obteve os demonstrativos

financeiros, o faturamento somado de todos eles é de R$ 1,6 bilhão sendo o maior

(46)

O 5º clube do ranking da Money League é o Arsenal da Inglaterra e conforme

o seu relatório de acionistas de 2010, o grupo Arsenal Holding PLC apresentou os

seguintes resultados, com uma maior riqueza de detalhes:

 Faturamento: 379,9 milhões de libras;

 Resultado do grupo antes da negociação de jogadores e depreciação e

depreciação de 72 milhões de libras, 2% superior ao resultado do ano

anterior de 70,5 milhões de libras em 2009;

 Lucro antes de impostos: 56 milhões de libras, 23% maior que os 45,5

milhões de libras de 2009;

 Faturamento com bilheteria: 93,9 milhões de libras, redução com

relação ao ano anterior de 6% que foi de 100,1 milhões;

 Faturamento com Rádio e TV: 86,5 milhões, superior ao ano anterior

com 75,8 milhões de libra (variação de 14%);

 Redução no faturamento do Comércio de 44 milhões contra 48,1

(47)

3

3 TTEEOORRIIAADDEEEESSTTRRUUTTUURRAADDEECCAAPPIITTAALL

Os clubes no Brasil, normalmente se encontram extremamente endividados.

Isto se deve na maioria dos casos à má administração, a falta de transparência, à

precária ou praticamente inexistente prestação de contas, e para agravar ainda mais

a situação, o governo adotando medidas, como foi o caso da Timemania, que

possibilita uma postergação a prazo excessivamente longo (20 anos) das dívidas

com tributos, com FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e com o INSS

(Instituto Nacional de Seguridade Social).

Há ainda outro problema, na maioria dos clubes não há uma clara separação

entre o Departamento de Futebol e o Clube Social, o que acarreta a utilização de

“caixa único” e a possibilidade de se contrair dívidas que não seriam prioritárias.

Dos 25 clubes que se obtiveram os seus demonstrativos financeiros,

efetuou-se a discriminação daqueles efetuou-seis (6) clubes mais endividados que são pela ordem

crescente, o Corinthians, Fluminense, Botafogo, Flamengo, Vasco, e o mais

endividado de todos os clubes nacionais, o Atlético Mineiro, conforme tabela 3, na

Imagem

Gráfico 1  –  Média de Público do Campeonato Brasileiro
Tabela 1  –  Receitas dos Clubes Europeus
Tabela 2  –  Clubes com Maiores Dívidas  –  Exercício 2010
Tabela 3  –  Ranking por endividamento
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Referências

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