! '
,
.
, " 1/INSTITUTO DE ESTUDOS AVANÇADOS EM EDUCAÇÃO
IRENE RANGEL DE ALMEIDA
O PROCESSO DE COMUNICAÇÃO PROFESSOR-ALUNO:
TIIESAE A447p
UMA PESQUISA PRELIMINAR
Rio de Janeiro, 1977
- -.-- -·1
~
. j
-J
1
O. PROCESSO DE COMUNICAÇÃO PROFllSSOR-ALUNO t .
UMA. PESQUISA PREr.TMINAR
Irene Rangel de Almeida
Irene Rangel de Almeida
Dissertaç;o submetida como requisito
parmial para a obtenç;o do grau de
Mestre em Sducaç;o
Rio de Janeiro
Fundaçao Getúlio Vargas
Instituto de lstudos Avançados em Educaç;o
Departamento de Psicologia da Educação
inescusável, porque
naqui-10 mesmo em que julgas a
outro, a ti mesmo te
con-denas, visto que fazes as
mesmas coisas que julgas".
(s.
Paulo aos romanos, 2,1)AGRADECIMENTOS •••••••• , ••••••••••••
• • • • • o • • • • • • • • • • • • • • • o • • • • • • • • SlJM.ÃR.IO •••••••• co • • • • • • • • o • • o • • • • • • • • • • QO • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •INTRODUÇÃO •••
• • 0 • • • • • • • • 0 0 • • • • • • • • • • • • • • • • 0 • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •CAPíTULOS
I PERSPECTIVAS DA COMUNICAf:ÃO
m
SALA DE AULA
5 7 9
1.1. O conceito de comunicação. o • • o • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 13
1.2. A interação nrofessor-aluno... 29
1.3. A comunicação não-verbal... •••••••••••••••••••••• 40
11 FORMULAGÃO DO
PROBLE~1AE PROCEDIMENTOS METODOLÕGICOS
2.1. 2.2.
O problema Procedimentos ~eto001ôgicos:
2.2.1. Bin~teses ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 2 2 2 • • • Var ... 1 aVQ1s •••••.••••••• " ••••••• o • • • • • • • • • • • • • • • o •
2.2.3. Seleção dos sujeitos •.•••••••••••••••••••••••••• 2.2.4. 2.2.5. 2.2.6. 2.2.7. 2.2.8. 2.2.9. 2.2.10. 2.2.11.
Instrumentos . . . CI • • • o • • • • • • <) • • • • • • • • • • • • • o • • • •
Expectativa teórica dos resultados •••••••••••••• Respostas esperadas (questionário A) ••••••••••••
Respostas esneranas (questionário
.
-
..,.
R) ••••••••••••Contrad1çoes ~Oss1ve1s •. o • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •
Procedimentos para coleta de daccs primários •••• Tratamento estatístico •••••••••••••••••••••••••• Dificulaa(les encontradas ••••••••••••••••••••••••
III APRESENTAÇÃO E DISCUSllAO DOS
RE~lTLTADOS54 54 55 59 60 62 63 64 66 68 68 70
Percentuais de "respostas esneradasl l
l1entro da hipótese for-mulada (quadros 3.1.1.,3.1.2. e 3.1.3.) ••.•••..•••.•••.•.••• 72
Perfis da auto e hetero-nercepção rln rrofessor como comunic~
dor (quadros 3.1.4. e 3.1.5.) •••••••••••••••••••••••••••••••• 76
Comentário dos quadros de respos tas. • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •• 78
IV
LI~TACÕES E CONCLUSÕES4.1. 4.2.
ANEXOS
..
-L1ml. taç~es ••••••••••••••••••••• o • ., • • • • • • • • • • • • • • • • • o • • • • Conclusoes ... o • • • • • • • • • • • • • • o • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •
A. Resultado numerico e percentual da aplicação dos questi~
89
90
na r1 os ••. o • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • o • • • • • • o • • • • • • • • 9 3
B. O tes te qui -quadr ado . . . o • o • • • • • • • • • • • • • • • • • • • o 95
c.
Questionário A ...•... o • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 107D. Questionário B .•••••.•.••••.•••••.••.••••••••••••••••••• 113
BIBLIOGRAFIA REFERENCIADA ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••
ll8lio Vargas (IESAE).
ViJL~n;te,mu.ito
.6e deve
pe1.o a.poi..o
e
C!.Ompll.e.e.n6ão,
a.o
Professor WíJsJn Choeri (Vice-Reitor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro);ao Professor Altair Gotnes. (Assessor do Reitor da Universidade do
Estado do Rio de Janeiro);
ã
Professora Maria Aglaê Jardim Paixão (Diretora do Centro de E-ducação da Universidade Santa Orsula);ã
Professora Heloisa Maria Cardoso da Silva (Diretora da Faculda de de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro);ao Professor Evanildo Bechara (Diretor do Instituto de Filosofia
e Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro).
aos Professores:
Doutora Célia Lúcia Monteiro de Castro, orientadora geral do
projeto e da pesquisa;
Doutor Carlos Paes de Barros, consultor do projeto e da pesqui
sa;
Doutor Ramonaval Augusto Costa, orientador do tratamento
esta-tístico da pesquisa.
aos Professores:
Madre Maria da Eucaristia Daniellou (O.S.U.),
Doutor Hanns Ludwig Lippmann,
Doutor Celso Lemos.
às
Ptote880~as:Lea Kauffmann Elliott, orientadora do Curso,
Estela dos Santos Abreu, consultora do projeto;
aos colegas e alunos selecionados como informantes,
pela imprescindível participação;
aos amigos:
Paulo Silva, Madre Maria Imaculada (c.d.),Madre
Maria Stella (c.d.), Irmã MÔnica (O.S.u.),Carlos
M. do Nascimento, Mitsi N. Simonetti, Eunice Ma
ciel, Rosa Costa, Antonia Lemos, pelo incentivo
que propiciou o bom momento de escrever estes a
gradecimentos.
E s ta di s s er tação resul t a de uma pesquisa rea
lizada com o objetivo de verificar o que oensam orofesso
res e alunos do Curso de Pe~agogia das Universidades do
Estado do Rio de Janeiro e Santa firsula, sobre a comunica
ção em sala de aula, isto e:
- verificar se há coincidência entre a
auto-percepção do professor como comunicador e a percepçao do
aluno sobre o desemnenho dessa comunicação.
Partiu-se do pressuDosto de que, identific~
da uma discrepância significativa nesse sentido, tal acha
do poderia nlertar para a importância do estudo da
ques-tão, especialmente em relação a outras áreas de ensino,
por natureza rte seus objetivos, mais voltadas
ã
informa-ção tecnica e científica.
Trata-se, pois, de um estudo com
implica-ções teóricas e orãticas, cuios resultados parecem
suge-rir que a habilidade no desempenho do papel de
comunica-dor
ê
requisito básico a ser considerado na formação dofuturo professor.
This dissertation is the result of a
re-search on the thoughts of lecturers and students of
Educa-tion Courses of the Universities of Rio de Janeiro and
Santa Úrsula on classroom communication. The main
objec-tive was to find out if the self-nerception of the lectur
er as a comrnunicator coincides with the student's
percep-tion of this sarne communicapercep-tion.
Starting from thc assumption that there is
a meaningful discrepancy between seI f and
hetero-percep-tion, such findings could he considered a warning to the
referred problem, specially in relation to other areas of
teaching, tend to technical and scientific information.
It is therefore a study which c~lies theo
retical and praticaI implications. The results
suggest that the ability to perform the role of
cator is a basic requeriment to be considered
training of teachers.
VIII
seem to
a communi
Numa epoca de intensas pesquisas e de
suces-sivas reformas educacionais, parece justificar-se a
insis-tência sohre a importância da interação social, dado o seu
papel decisivo na explicação do ~esenvolvimento e modifi
cação de respostas humanas e na formação da personalidade
individual.
Pode-se afirmar com o crianor da cibernetica,
que o lugar ocunado nelo estudo rla comunicação na hist;ria
da. ciência não é nem
trivial~
nem fortuito, nem novo(l). Narealirla~e,
i;t
Awtótetu,
na
sua "AIr.teRe.,tõ/t.,[c..a",
contra-pondo a anilise descritiva 00 cariter dos moçosi
~os adul tos e a dos velhos(2), manifestava-se atento ao estudo dadificil arte ~e comunicar.
Santo
Ago~t,[nho, alguns seculos depois, personificando a figura de um bom comunicador,re-velava o processo de uma interação bem sucedida: não
impu-nha as suas liç~es. Uma~estã0 inicial era sempre uma
pro-posta
ã
reflexRO Dara o filho-discipulo: para que foiins-tituida a linRuagem? •• Pode-se ensinar algo sem palavras , ' ? (3)
e sem s 1 na 1 S , • • • •
Continua crescente o reconhecimento de que
a interação entre os seres humanos é um processo vital, de
oue "a habilidade nara comunicar-se aumenta as possibilida
des de sobrevivência do individuo, enauanto a. sua falta po
d e ser conS1 era a uma ser1a 'd d - , f arma d I ' e pato og1a ,,(4) • Para- -doxalmente, cresce também o temor de que a escola, abrindo
suas portas
ã
inovação tecnica eã
supervalorizaçãotecno-lógica, reduza as oportunidades de contato humano, perca
de vista o homem enquanto homem; nermita ~ue a informação
(l)~lIENER,
N. Tfte. humanMe.
01
r1u.man l,únq.6 ( cybernetics and society), 2n.-1. ed., Ne~7 York, f..von Rooks, 1969, p. 27.(2)ARISTOTE.
Rhêto~ue.
Paris, Les He11es Lettres, 1938,V.II capo 12, 13.(3)SAINT AUGUSTIN.
1)e.
ma.q,[J.,t!t.o. In: OlJVRES de Saint Augustin, VI: dialogues nhilosonhiClues, s.1.~ nesclee, de Brower, 1941.o formalize; que a máquina faça dele outra máquina, que
trabalhe e pense por ele; que o padronize e lhe amorteça
o interesse em questionar,argumentar, desejar.
Pensadores como ~(a.6iow cri ticam a ortodoxia
científica, ressaltando os perigos de se considerar que o
essencial da ciência radica no refinamento tecnico, instru
mentos e metodos, antes que em seus problemas, funções e
objetivos(5). Especialistas como
~ieuzeide(6);
Ca~ol
10-ne.6(7),
Gu.:t:tie~~ez(8)
mostram-se preocupados com o emprego da tecnologia da comunicação pára fins educativos - emboraoutros possam ver a Questão com mais
T06~ieJr.(9},
Coc.ca(lO},~UIl.en(l1).
otimismo , como
Uma discussão sobre problemas relativos
-
acomunicação parece ser sempre válida, ante a importância
da~ividade do professor como comunicador e as freqUentes
indagações sobre a possível aplicação em sala de aula de
uma tecnologia descondicionada de sua força de automação.
Configura-se, 1)orem,
..
aí, uma temática bastante que parece justificar o fato de se ter limitado oampla,
objeto
deste estudo a um só recorte: a auto e hetero-1)ercepção do
professor como comunicador, fazendo-se uma sondagem com
vistas a equacionar as concordâncias e divergências nesse
sentido, entre professores e alunos dedicados ao estudo de
disciplinas pedagógicas.
(5)MASLOW, A.H.
Mo:tivac.iõn
u
p~onatirl.ad.
Barcelona, Sagitário, 1954,p. 15-6.
(6)DIEUZEIDF.,
H.
Possible uses of sate1lites in education.In:UNESCO.Communication
in
:the .6paceaqe.
Paris, 1968, p. 61-70.(7)JONES,
~.C.
Lançamento e funções do intelsat. In: Fischer, B.D. e Merrill, J.C.org/s.
Comunicação
in:t~ac.ionat (meios, canais,funções). são Paulo, Cultrix, 1975, P. 325.
(8)GUTTIERREZ, F.
fi ienquaje
:to:tat
(Pedagogia de los medios de co-municación).2.ed., Buenos Aires, Humanitas, 1974, p. 47-53.(9)
TOFFLER, A. Fut~e
Shock.
2nd. ed., New York, Bantam Books, 1971, p. 275-6.nOtOCCA, A.A. Benefits of world exchanges. In: UNESCO.
Communic.a:tion
in
t/1e .6pace age. Paris, 1968, p. 79.(ll~GUREN
,J.L.L.La comunic.ac.iõn humana.
Madrid, Guadarrama, 1967,Autores de 0iferentes áreas, como
Piaget(12),
F~ei4e(13)
~ Gu~do~6(14)
favorecem este estudo, conquantosempre haja margem ryara indagações controversas:
- ate Que ponto nodem ser resolvidas as
inúme-ras dificuldades do professor, a fim de que ele possa
sa-tisfazer as exoectativas em torno do papel que lhe cabe de
sempenhar?
- ate que ponto a satisfação ne f0ro íntimo
-
e suficiente, hoje, para manter o professor motivado e convocar para a nrofissão os melhores ou impedir a evasão que
se assiste, quando a l'ronria recompensa por "status" caiu
quase em sentido inverso ao de antigamente e outras formas
de gratificação parecem inexistir?
Não faz parte, porem, do objetivo desta
pes-quisa, questionar se o desejo de profissionalização se des
-
-vaneceu ou nao e por que razoes, nem fazer o cadastro das
barreiras
à
comunicação. Todavia, diante dos resultados aIcançados, supõe-se poder afirmar com 8a~kman e Se~o~d que: - "a necessidade rle apoio emocional e
aceita-ção parece constituir motivaaceita-ção particularmente forte e re
lativamente insatisfeita para muitos professores,,(15);
- "várias pressões que o professor exerce
so-bre o estudante, no sentido do aproveitamento
escolar,con-flitam ou pelo menos concorrem com a satisfação das
neces-'d d - , " d d ,,(16) I d f '
S1 a es SOC10-emOC10na1S -os estu antes • sto e 1ne,
em p a r t e , certa incomnatibilidade nas espectativas
dos alunos, provavelmente ignorada por eles prõprio~
Todavia vale ressaltar que, ao contrário do que ocorre na
simples situação rle persuasão, a comunicação educativa é
(12)PIAGET, J.
Oú
VIT,R.'éducailoYl.,
Paris~
Gonthier, 1972. 133 P. (Méditations, 100).(13) 1=' - • - '1 '
FREH'.E, P.
,xten6ao ou comWt<..caç.ao.
2. ed., '110 de Janeiro, Paze Terra, 1975. 93 p.
(14)GUS1)ORF. G. POWl.quoi dv.,
Y)~o~eMe(J.Jr.-6?
llaris, Payot, 196f. 247 p. (Collection Science de l'Homme, 88).(15) A, A+ • • • d du
BAClOo1'.AN, C. H. e SECORD, P. F. t\OrJel:A-06 Y).6-<.~O.6.6oC<.aM a
e
~a-ç.ão.
Rio de Janeiro, Zahar, 1971, p. 147.(16) ,
um processo dialético, que pressupõe, segundo P~ve~~ e
S~h~am~, um compromisso entre o emissor e o receptor. O progresso do aluno advem não so do que lhe ensinam,mas das
técnicas que pratica, dos problemas que resolve, das res
postas que pesquisa. "O ~rofessor compromete-se a dar-lhe
uma visão sistemática de conhecimento útil e oportunidade
de praticar o que aprende. O aluno, por sua vez, comprom~
te-se a demonstrar certo grau de confiança em seu
profes-sor e vontade de lançar-se em um certo nível de atividade
prática de aprendizado. Supostamente, deseja aprender. Uma
das tarefas do professor é manter essa motivação e, se ne
cessârio, aumentá-la. Se o aluno não fica motivado a
a-prender, em realidade, não segue o comoromisso assumido
• - d · 1 d ,,(17)
e a comun1caçao e ucat1va provave mente se per e •
(17)RlVERS, W.L. e SCHRAMM, W.
P.e6pon6abilidade
na.
~omwU.c.a.ç.ã.o
de
CAPfTULO
t
PERSPECTIVAS DA COMUNICACÃO EM SALA DE AULA
1.1. O CONCEITO DE COMUNICAÇÃO
Parece justo, ao iniciar-se este traba1 ~o,
que se proponha esta primeira ouestão:
- que significa comunicar-se?
Derivada de
"munia" -
serviço - a palavracomunicação conota ajuda mútua, permuta, interação, pode~
do-se dizer que, quando se p~e em jogo o conceito de comu
nicação, a ênfase recai sobre o usufruto comum da riqueza
material e ideol~gica, sobre o intercurso social, sobre a
concessão recíproca de sentimentos
~
pensamentos(18). Nãoê
fácil definir comunicação,especial-mente hoje, pois o largo emprep,o do termo dá a impressão
de que todos conhecem tudo a esse respeito e de que toda
a problemática humana se reduz a uma dificuldade de
comu-nicação. Pensou-se, por isto, como subsídio para entendimento
(18)
MERLOO, J.A.M. Contribuiç~es da psiquiatria para o estudo da comunicação humana. In: Dance, F.~.X., org. Teo~a
da
da questão em proceder a descrição dos elementos básicos
do ~~ocesso de comunicação, extta{dDs do modelo
convencio-nal de Shannun-Weave~, elaborad~ em
1947,
com relaçãoã
.
-
1
- . (19)
.
comun1caçao e etron1ca •
As
varlantes desse modelo- porsua vez calcado em
A~~htôtel~(20)
-
têm larga aplicaçãona descrição do processo de comunicação humana, desde que
se atente para o fato de que êsta nao pode ser concebida
em termos de uma fórmula linear, como a tradicional.
Pode-se iniciar, nortanto, considerando a
6onte,
que, no dizer de rol~n Che~~q, vem a ser aquela pa~te de um canal de comunicação, onde se supõe
originarem-se as mensagens (onde originarem-se exerce ação originarem-seletiva sobre um con
junto de signos)(21). Os fatores dentro da fonte, segundo
Re~lo, capaZes de aumentar a fidelidade da mensagem, são: as habilidades comunicativas; as atitudes do suieito ~ara
consigo mesmo~ para com o assunto e para com o recebedor;
o nível de conhecimento e a posição dentro do sistema
só-cio-cultural. Entre as habilidades verbais de comunicaçã~,
duas são codificadoras: a escrita e a palavra. Duas decodi
ficadoras: a leitura e a audição.
o
pensamento ou racioci-(22)nio
e
essencial em ambos os casos, naturalmente •O termo
eanal
aplica-se, de acordo com Ab~aham Mole6,
a qualquer suporte que transmita uma mensagema um receptor, através do espaço (mensagem visual,
sono-ra, etc.), através do tempo (si~nos impressos, discos,
fo-tografias, etc.) ou simultaneamente, como é mais comum
,a-través do espaço e tempo. Distinguem-se canais naturais
(em Que o homem
e
receptor imediato da informação) earti-ficiais ou técnicos (em que o receptor vem a ser um
meca-nismo, um aparelho, cujos produtos são utilizados pelo
ho-(19) . .
:th
.
SFANNON, C. E • & ~·!EA VER, t-T•
The maJ:lteJrlcttic.a1
eolUf o
n
eommuru.ea-tlon.
Urbana, University of Illinois, Press,1949.
(20)ARIST0TE.
Rhêto~ue.
Pariss Les Belles Lettres,1932,
v. I, capo 3.(21) CHERRY, C.
(n uman eommuru.e«AA..on •
1h
.
_-lo: 3r.
d. ed., NewYork, lhley, .1963, p. 306.
(22)
mem por meio de um canal natural, corno na audição
te1efô-, , d .. , )23 " d'f
n1ca, ou por me10 e outra maQU1na • Se o que 1
e-rencia o homem do animal é essencialmente a capacidade de
comunicar-se profusamente com seus semelhantes, não é abu
sivo dizer que o que caracteriza o homem moderno
..
e o usod e cana1S art1 1C1a1S ' ' f ' " d e comun1caçao , - ,,(24) •
Reeepto~, no sentido amplo, e o que recebe
as mensagens difundidas: leitor, espectador, ouvinte ••• No sentido estrito e tecnico, e o aparelho Que permite a
re-cepção(25). Note-se Que, segundo lfole.6, o que caracteriza
o receptor humano e a existência de um limite máximo do
fluxo de informação perceptível. guperando-se esse fluxo
máximo, o indivíduo seleciona na mensagem, com a ajuda
dos critérios de sua exneriência anterior, formas abstra
tas, níveis elementares de inteligibilidade. Se esses cri
terios lhe faltam, o indivIduo se vê submerso, u1trapass~
do pela originalidade da mensagem, desinteressando-se por
1 (26) e a •
Sobre a men.6a~em, Lihe~man salienta Que em
-
-bora P~ieto defina mensagem como aquilo que o emissor quer
dizer, na sessão psicanalítica, ao "escutar o
analisan-do", a mensagem converte-se em aIp,o que o emissor Quer di
zer sem saber que o deseia, Que o faz e em que consiste a
mensagem transmitida.
°
analista recebe do analisando um conjunto de sinais que constituem os indícios e,diferen-temente de qualquer outro interlocutor, estrutura, dentro
dos significantes manifestos, um segundo significante, ao
qual adscreve uma dimensão semântica, Que lhe permitirá fa
Zer saber ao paciente os significados que podem ter as
" " d " 'd (27)
mensagens 1naavert1 amente em1t1 as •
(23)~OLES.
A.TeolÚa
de. P..a.J..n~oJr.ma.ciôYl
ri
t:)~c.epciõn
e;.,twc.a.
Madrid, Jucar, 197~, p. 17-8(24)IDE~,
ib., p. 329.(25) PAGANO, C. e FAGES, J.B. _ 1}" ~uonalUO • d e
,(.0.6
o me d'U.O.6 .
d ec.omun.<.c.a-
.ciôn
(tecnica, semiologia, lingUística). Valencia, FernandoTor-res, 1975, p. 204.
(26) "
'MOLES, OP. C1t., i'i. 135.
Um
c5dlqo,
segundo Che~~q~ i umatransforma--
~çao convencionada e revers1ve1, por via da oua1 se nodem
converter mensagens de um coniunto de signos em outro. O
código Morse, o semáforo, o código dos surdos-mudos são
e-xemplos típicos. Os códigos são inventados para algum
pro-- , .. , . . . (28) ,
pOS1tO espec1f1Co e obedecem a regras exn11c1tas • Cod1
ficar i transformar uma mensagem de uma representação em
outra por recurso a um coniunto de regras não ambíguas (29)
Re~io considera
o
código como um p,rupo desímbolos, capaz de ser estruturado de modo a ter
signifi-cação para a1guem.
E
código tudo o nue contim um grupo de elementos (o vocabulário) e um conjunto de metodos paracombinar esses elementos de forma significativa (sintaxe).
Os idiomas são cedigos.
A
música também; tew vocabulário(notas) e sintaxe (metodos oe combinar as notas numa estru
' d ) A " d (30) D
tura com sent1 o . SS1m a P1ntura, a .ança, etc. • o
mesmo modo que a fonte precisa do codificador para
expres-sar seu objetivo num código, para tranuzir seu
objeti-vo em mensagem, o recebedor precisa do decodificador
d eC1 rar, retra UZ1r a mensagem ' f d ' ( 3 1 ) . . . Da1 a neceSS1 aQe 'd ' para
de
atenção da parte do educador, na seleção de códigos inte1i
giveis e faceis de serem decodificados.
Na comunicação pessoa a pessoa, oiz ~e~io, a
codificação i efetuada nelas habilidades motoras da fonte
(mecanismo vocal e sistemas musculares). O decodificador é
o conjunto de habilidades sensórias do recebedor. As habi
lidades de comunicação, a facilidade de manejar o código
de linguagem naturalmente afetam a capacidade de codificar
- - , (32)
o pensamento e ate o propr10 pensamento .
Divergindo de outros autores, ~nltz considera
como principais elementos do processo de comunicação~ o
(28) CHERRY , OPA cit., P. 7.
(29)IDE~,f, ib. , p. 303.
(30)BERLO, op. cit., P. 57-8.
(31)IDEM, ib. , p. 31.
indZeio*
(percepção ligadaã
experiência de um objeto ousituação); a
~ep~eéentacão
tpercepção empiricamenteasso-ciada
ã
experiência do objeto da situação); oéinal**
(peEcepção artificialmente associada a um objeto ou situação);
o éZmbolo***(percepção encarregada de representar um
objeto, um aobjeto, uma situação, uma noção e capaz de substitui
10). A comunicação entre a mãe e a criança se diferencia
-ria da comunicação entre adultos pela desigualdade dos
participantes. As comunicações emitidas pela criança
seri-am feitas
ã
base de representação, enquanto as queema(*)
-(**)
(***)
lndZeio,
segundo a classificação de Pierce,ê
osím-bolo que opera por contigliidade de fato entre dois elementos ; exemplo: a fumaça e o fogo.
AnáUAe naJtJutti.va:
unidades que não trazem necessariamente informação ao decorrer da ação, senão a qualificação de um personagem ou clima da ação (estas são uni-dades de ordem paradigmática); exemplo: fumar um cigarrotal
durante uma conversação. Ver PAGANO e FAGES,op. cit., p.129. •
~ute distingue-se de signo por pertencer
ã
ordem natural.An-te
um
estimulantex
7 espera-se o estabelecimento de um sinal(resposta)
'd,
quant'o a um ser animalz.
t: universal, variando apenas de acordo com a espécie animal considerada (a águaé
um
sinal diferente para um gato, comparando-se ao que indica para um cão, mas será um sinal igual para todo gato e todo cão).
As
sim as cores, os aromas, etc. O signo, ao contrário,
é
uma res posta não instintiva; não produzido por um estimulante p~e6en~te,
portanto não incluso na ordem da natureza e daí cultur~lmente variável. ~ uma representação dotada de capacidade de res-posta mediata, a partir de estímulos ausentes ou presentes, re ais ou irreais. Ver KATZ, C. S. et a1iL
V.i.ci..onâJLio
bâ.6ieoele
eomwtleacão.
2. ed., Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1975, p. 82.Fearing mostra que a distinção entre signo e
élmbolo
nãoé
fá-cilqe
ser feita.Lato
é~U, os signos ocorrem naturalmente. Fuma ça é indício de fogo - isto é um signo. Se o fogoé
usado para produzir fumaça, como um signo para outra pessoa, torna-se símbolo. A fumaça aí torna-se transforma num código, utilizado por ambas as partes. O som ou barulho da chuvaé
signo de chuva,in terpretado como indício de que chove. Quando se fala de chuvã, um signo verbalé
usado para substituir outro signo (som ou vi são da chuva). O signo produzido é símbolo; age substituindoõü
tro signo. Características do símbolo: ser produzido por agen tes humanos, não por animais. Ter significado comunicativo, quando emissor e receptor entram previamente em acordo sobre o seu significado. Ser produzido para estruturar situações em que as partes têm interesses comuns. Ver: FEARING, F.~ a comu-nicação humana. In: COHN, G., org.Comun.i.eacão
e
J.ndÜ6.búa
eu!
nam do adulto seriam sinais percebidos assim pela
(33)
ça •
crian-Considerando a importância desse relacion~
to, Spitz preocupa-se em demonatrar que '" o desenvolvimento
normal das relações objetais constitui a premissa do
fun-
'-cionamento normal do psiquismo - nao a premissa suficiente,
. - . (34) • "
mas uma prem1ssa necessar1a'l' • Do seu ponto de Y1.sta c,2
muni cação
é
toda manobra dirigida a uma ou diversaspes-soas, que chega a influenciar a percepção, os sentimentos,
as emoções, o pensamento ou as açõ~s de uma ou várias
pes-d . • . 1 - 11 (35)
soas, e mane1.ra 1ntenC1.ona ou nao •
Comentando
Adam
Sc.ha66, Gome~Penna
também a~ sinala que o conceito de comunicação cobre todas assitua-sões nas quais um indivíduo influi na conduta do outro e
que o mais alto Lrju dessa influência manifesta-se através
da comunicação eficiente, que ocorre quando o influxo da
fonte produz um estado de convicção no receptor, induzindo
o, inclusive, a decisões. Todavia, acrescenta G. Penna,pr~
duzindo-se ou não estados de convicção, o que se tem em mi
ra no processo comunicacional, é o miximo de dados informa tivos e de fidelidade (36).
Numerosos autores, como BelLlo(37!
Hoc.kett
38) ,Smith?9) e outros, consideram que a pessoa ao comunicar-se
vi-sa influenciar, afetar com intenção. O objetivo básico
na comuni cação
é
tornar- se agente de termi nan te.t
afetar 08(33) SPITZ, R.
Ve.te.nvolvhnento emoCÚJnal do Jtec.êm-na6c1.do.
são Paulo,Pioneira,
1960,
p.57-8.
(34)
IDEM, ib.~
p.148.
(35)
IDEM, ib., p.55.
(36) PENNA, A. G.
Comunic.a.ç.ão
eUngurLJem.
:'.io de Janeiro,1976,
p.73-4.
(37)
BERLO, op. cit., p.
12-5,
Eldorado,
(38)
HOCKETT;c.
F.A
c..oUlt6ei.n
moivr.n
UttglÚ6.tiC6.
New York, Crowell Collier and KCMillan,1958,
p.573.
(39) SMITR, A. G.
Commwúc..a..tion and
c.ui.:t::'te (readings in the codes of human interaction). New York, Holt, Rinehart and Winston,outros, o ambiente fIsico e a si pr~prio; porém, diz
Ber-10. esta proposição parece constituir um dos mais
difí-ceis conceitos para se entender e agir em conseqHência.S~
gere que se analise sempre a interação buscando conferir
a conduta pelo objetivo, visto serem numerosas as
críti-cas a comunicadores, por não atingirem os fins a que se ;propõem(40) •
Col~n Che~~y, posicionando-se contra a con-cepção linear sobre comunicação, considera que comunicar
significa "partilhar,,(41) e argumenta contra
~/S
•• S.teven.6, que a "comunicação não é a resposta em si, masessencial-mente a relação estabelecida pela transmissão de
estímu-los e pelo suscitamento de respostas,,(42). "Uma
conversa-ção forma um vInculo bidirecional, verificando-se aí uma
medida de simetria entre os partícipes: as mensagens
pas-sam de lá para cá, numa ação cíclicaue estímulo-resposta;
comentários suscitando comentários e o comportamento dos
dois indivIduos torna-se combinado, cooperativo e orienta
do para algum objetivo,,(43) .
Este é também o ponto de vista de Ja.me.6
Thomp.6on,
que vê a comunicação como processo não-linear,que não ocorre em linha reta de uma pessoa ou coisa a
ou-tra, mas como processo circular. A informação passa da
fonte através do receptor, voltando então para a fonte em
forma alterada - completando-se assim um ciclo, que
natu-. - (44)
ralmente se segu1ra de outro .
Tkomp.6on,
como vários autores citados, ref~re-se ao comunicador como um agente de mudança: "do ponto
de vista educacional, a comunicação tem sido tratada como
o esforço consciente do professor, como fonte, para
in-(40)
.
BERLO, op. C1t., p. 12-5.
(41)
.
CHERRY, op. C1~., p. 6 (42) .
IDEM, 1b., p. 6-7.
(43) .
IDEM, 1b., p. 16-7,
(44)THOMPSON, J.J.
Anatomia. da. comunicação.
Rio de Janeiro, 1973 ,p. 11.fluenciar e ser influenciado pelo comportamento do
estu-d ante, atraves .. d e um 1ntercamb10 de 1nformaçoes . - . , - ,,(45) •
Apesar deste ponto comum a virios autores,
" 1 rti~omm
Ne
l itt (
o
4 6 ) ve uma controverS1a em torno - .. , d as d e 1n1 f ' .ções de comunicação que vêm sendo propostas, sugerindo
que nenhuma parece satisfazer de modo definitivo. Estab~
lecendo critérios para a classificação sistemitica
sas definições, o autor observa que algumas delas
des
-saocongruentes com certas definições de aprendizagem e di
destaque
ã
seguinte proposição deHaJttman:
"Se acomuni-cação eficiente envolve não só a mera transmissão de um
sinal do comunicador para um recipiente, mas também alg~
ma mudança no comportamento do recipiente em virtude des
sa transmissão, o processo de comunicação claramente
en-volve aprendizagem,,(47).
Definições grupadas nesta linha parecem pe~
tinentes ao estudo da comunicação em sala de aula, onde
d processo de comunicação se desenvolve diferentemente
do que se observa entre ser humano e miquina ou entre mi
quina e miquina ou entre homem e animal ou ainda entre
pessoa e pessoa, fora de sala d~ aula. Na comunicação in
terpessoal, tem-se que levar em conta as habilidades, as
atitudes e conhecimentos, não só da fonte, como do
rece-bedor; tem-se que entender as relações sociais, as espe-
..
cies de normas c expectativas de cada um e como istoin-fluencia as mensagens que são pretendidas,
aoiitieadas,
decodificadas e entendidas. Note-se que a distinção
en-tre a fonte e o recebedor vem a ser difícil de ser feit~
pois uma pessoa pode agir, alternadamente, como emissor
e recebedor. Comunicaçã0, aí,
é
reciprocidade.Destaca-se o papel do emissor. A~anguJten
a-credita, como
BeJtto,
que o significado, sentido oucon-teúdo da comunicação esti na emissão e na recepção, não
(45)THOunSON. op. ~'JC , C1 " ' t p. 251 .
(46)PFROMM NETTO, S.
Comunicação
de
m~~a.
são Paulo,Pioneira,197~
p. 20.
na transcissão - não no sinal ou veículo de comunicação.
O sinal, em si, não transmite qualquer mensagem, no sen
-tido de possuir um dado "conteúdo,,(48). Esta não é,
po-rém' a posição de
Me
Luhdn,
para quem os meios de comuni-cação significam "extensões do homem": "formam o meioam-biente no qual ele se move, se projeta e se forma,,(49). A
mensagem dirigida a massas nelas produz o efeito de mas
-sagem condicionadora. Não importa o conteúdo, mas o
veí-(50) . _
-culo . "O me10 e a massa - gem.Toda compreensao das mu
danças sociais e culturais
ê
impossível, sem o conheci-mento do modo deatua~
dos meios como meio ambientel l(5l).
P640mm
Nezzo
faz outra obse~vação de pa~ti -cular interesse, ao afirmar que muitas definições nãoconsideram 11 proposiçio de
M"W4e.Jr.,
segundo a qual "comu-nicação não é transferência de significado de uma pessoa
para outra ou de uma mente para outra, mas, sim,
transfe-rincia de significado de um signo para outro, dentro de
uma dada pessoa ou dentro de uma só ruente,,(52).
"A fim de nos comunicarmos efetivamente com
outra pessoa, é necessario que esta ja disponha dos
sig-nificados com os quais vamoS lidar • • • • No ato
comunicati-vo, na maioria dos casos, o que fazemos
ê
meramentemo-dificar os sinais aos quais se acham ligados significados
particulares, meramente deslocando ou transferindo
signi-ficados de um signo para outro,,(53).
A proposito oe ~iqno, vale lembrar que Saus-sure considera o
-6,[qno ünqw:ttc.o
como sendo o que u-ne não uma coisa a uma palavra, mas um conceito e umaimagem acústica; esta não
..
-
ê
f) som material, mas .'1 im-pressao psíqu~ca desse som. Tal imagemê
sensorial. Saussure propoe-se a conservar o termo6,[gno
para designar esse total e a substituir conceito e(48) A"RAN'GUR'SN, 0"(>. ci t., p. 19-26.
(49)COHN, G. O meio
ê
a mensagem: analise de Mc Luhan. In: COHN, G., org., op. cit., p. 364-7.(50)MARTINS,
r.
P. In: MC LUFL\N, H. G Fi ore~
Q. Omeio
~
0.0 lt6mlt6~a.
ge.Y!-~. 2. ed. Rio de Janeiro, Record, s.d., p. 9.(51) Me
LTlHA~,M
& Fiore, Q.Tfte. me.cüum
.t.6tlte mO.Ma.ge..
New York, Ba.'1 -tam, 1967, p. 26.(52)
PFPnMM
NETTO, op. cit., p. 22.(53) .
significante. Defende a tese da arbitrariedade do si~ no, provando-a pelas diferenças entre diferentes lín-guas. Já o símbolo, utilizado inconvenientemente para designar o signo lingUístico - ou mais exatamente - o significante, tem como característica não ser jamais arbitrário. O símbolo da justiça (a balança) não pode ria ser substituído por outro objeto qualquer(54).
-Barthcs, entret~nto. a esse respeito escre-ve: "Saussure havia falado de uma relação arbitrária entre o significante e o significado. Bcnveniste con-testou a palavra; o que
ê
arbitrárioé
a relação en-tre o significante e a "coisa" significada; mas para o próprio Saussure. o significado nãoé
a "coisal le sim a representação psíquica da coisa
. -
-
(conceito)~ a. , .
-aSSOC1açao entre o som e a ~epresentaçao pS1qu1ca e
fruto de uma preparação coletiva (por exemplo, da a prendizagem da língua francesa); esta associação, que
é
a si~nificação - nãoê
absolutamente arbitrária (frances algum tem liberdade para modificá-la) ••• Le-vi Strauss igualmente precisa que o signo lingUísticoé arbitrário a priori, mas não arbitrário a poste-riori"(55).
Por outro lado, sabe-se que Jakobson
considera uma pretensa novidade a interpretação de Saussure sobre o signo, particularmente sobre o signo verbal, como unidade indissolúvel de dois constituin-tes (o significante e o significado), assegurando que essa concepção, bem como a terminologia na qual ele se exprimia fora já tomada da teoria dos estóico~que
data de mil ~ duzentos anos atrás(56). Aliãs,Ducrot e Todorcv também mostram que a tese do arbitrário lin-gUistico, que se opõe
à
da motivação, tem suas raízes na antigUidade. O Crátilo de Platão já revela a lu-ta entre duas escolas. Uma represenlu-tada por Crátilo, ligada a Heráclito, sustentando haver uma relação na-tural entre os nomes e as coisas por eles designadas; sem essa relação não existiria nome autêntico. A i· deia de que a palavra e uma obscura revelação do ver-dadeiro entra em conflito com a tese inspirada por De mócrito, ligada a uma corrente de pensamento relati=
vista, segundo a qual a atribuição dos nomes é arbi-trária, institucional, convencional. Esta tese foi a: firmada nos nossos dias por Saussure, estando ligada~
na história da lingUística,
ã
ideia de que alíngua'-(54) SAUSSURE. F. COWL6
de. Ung!Ú6Uque. gê.nêltale..
3~
ed., Paris ,Payot, 1955, p. 98-100.(55)BARTRES, R.
Ele.me.nto~
de.
~~ologia.
3. ed., são Paulo, Cultrix, 1974, p. 53.forma um sistema; possui uma organização interna. Se cada signo fosse uma imitação do seu objeto, seria explicável por si mesmo e não teria relação necessá-ria com o resto da língua. Todavia, com o problema da lingUística pós-&aussureana, referente às rela-ções entre significante e significado, problema dife rente, por se tratar de uma relação interior ao sig-no, a maior parte dos linglist.s passa a admitir que já não se deve falar de arbitrário e que o significa do de um signo não pode ser pensado independentemen~
te do seu significante(57).Jakobson vai afirmar que o próprio Saussure atenuou seu ·princípio
fundamen-tal do arbitráriol' , distinguindo em cada língua aqui
10 que e MradicAlmente" arbitrario daquilo que só o
e
"relativamente t. (58).Poder-se-á perguntar ate que ponto tais
con-siderações se fazem necessárias, dentro do tema aqui
pro-posto. Nesse caso, vale recorrer a autores come Fodo~,
• (59) (60)
Jenk~n~ e Sapo~~a
,
G~eenbe~g e outros, quemos-tram que a teoria da comunicação como teoria social muito
deve a outras disciplinas e que o conhecimento do uso da
linguagem deve basear-se numa compreensão previa da
lin-guagem. Entra aí a importância da teoria lingUística, que
vai desenvolver um modelo para se efetuar uma descrição
completa, concisa e objetiva da fala de um povo, embora a
f
1
o o •1
f oI"
(61)a a seja ma~s que uma S1mp es orma de sLna 1zar •
Ainda entre os que tentam definir comunica
-ção, destaca-se
Van-ie.e.
S~ewa~,t, considerando-a como "umprocesso físico-mental, cuja função
ê
o enunciado desig-nificados com sentido". Ele procura mostrar que os
símbo-los físicos nao representam condições suficientes para o
processo de comunicação e que são usados apenas para ati~
gir um objetivo psicológico (que pode acontecer ou não).
(57) DUCROT ,
o.
e TODOROV, F.V-iúonáJúo daó
úênc..i.a.l,
de
linguagem.
2. ed., Lisboa, Dom Quixote, 1974. p. 165-72.
(58) o
JAKOBSON, op. C1t., p. 109.
(59)FODOR, J.A. et alii. PsicolingUística e teoria da comunicação. In: DANCE, op. cit., p. 204.
(60) GREENBERG , J.H. The 1inguistic approach. In: SMITH, op. cit., p.
121-30.
Esses complexos de "sImbo10s" (constituIdos geralmente
por palavras) seriam contingentes; nenhum deles seria
ne-cessario, em si, para o processo de comunicação
frisa o autor(62).
humana,
De
Fieu~, ao tratar da questao, propõe que"o problema da comunicação não
ê
na verdade uma . t~an.6m..
U)
.6ao
de significado. No ato comunicativo não existe nenhuma essência, espírito ou
aigo
invisIve1 que deixa o sistema nervoso central de uma pessoa e se dirige ao de
ou-,,(63) . - .
tra • A comun~caçao va~ ocorrer se o significado do
destinatario for isomorfico ao significado da fonte que
• • (64)
or~g~nou o ato .
Na comunicação professor-aluno,
especifica-mente, parece que o que se busca
ê
essa "sintonia" entreemissor e receptor da mensagem, de sorte que se depreenda
estar em jogo toda uma gama de recursos da parte da fonte
(professor), no sentido de entender a reversibilidade do
seu papel, evitando a distorção do conteúdo informativo e
a desatenção
ã
sucessão de respostas, que necessariamentese modificam, na medida de sua "plasticidade". Essa
modi-ficação de respostas deve ser entendida como
desenvolvi-mento e organização progressiva das informações.
Comuni-car, nesse sentido,
ê
"comunicar-se". ~ espelhar-se. Sem preservação da fidelidade da mensagem1 enquanto emitida eenquanto recebida (embora se esqueça com freqUência que
-nao basta o aluno entender o professor; o professor tem
que atender o aluno) e sem a redução ao mínimo da margem
(62)STEWART. D.K.
The p.6ychotogy
06
commuYÚ.ca.t..úJn.
New York, Funk & Wagna11s, 1968, p. 22-3.(63)DE FLEUR, M.L.
Teo~
decomuYÚ.ca~ão
dema6.6a.
2.ed., Rio de Ja neiro, Zahar, 1976, p. 128.(64) •
• t ~d
(*).
.
~.
dprev1s a para rU1 os 1nev1tave1s, nao se po e falar,
".6tJr.-Lcto .6e.n.6u"p
de comunicação no sentido pedagógico. Seocorre a deformação, a falsificação,põe-se em risco o pr~ cesso educacional. Naturalmente a fidelidade da mE~e~aem
implica interpretação isenta de ambigüidade, mas nao
ex-clui o enriquecimento da mensagem pela experiência do
re-cebedor, já que as diferenças individuais precisam ser
consideradas e, hoje, o professor não tem mais o direito
de exigir a mesma resposta de todos. Ao contrário, tem n~
cessidade máxima de estimular as vias de descob~rta,
pre-parando o homem para o mundo de amanhã, que, certamente,
será diferente do de hoje e não aceitará as receitas do
passado pelo passado.
A propósito, parece oportuna a distinção
feita por
Vanz-Lge.Jr.
entre competência lingüística e comuni-caça0 competente: a primeira seria concernente ao conheci
mento de formas corretas de falar; a segunda,
ã
habilida-de para usar esse conhecimento efetivamente,ao
comunicar-se com outras pessoas. Na comunicação competente se
dis-tinguiria um fator não envolvido na comunicação lingüísti
ca, que vem a ser a habilidade para apreender o ponto de
• d d" (65) f
a-
.
v1sta a pessoa a quem se 1r1ge • Com req enc1a,
po-rem, observa
Thaye.Jr.
o emissor procura prever ccmo ele pr~ prio reagiria se fosse o receptor~ em vez de como o receEtor mais provavelmente reagirá. A "empatia"
ê,
assim, conf un 1 a com 1SS0 d 'd . (66) • Compreen e-se, p01S, o d . pos1c10name~ . .
-(*) Sob o termo generico de
~o,
entende-se o sinal não desejado na transmissão de uma mensagem por um canal, podendo-se conser-var este termo para qualquer tipo de perturbação, seja em mensa-gens sonoras ou visuais. Não há diferença morfológica notória eu tre sinal e ruído. A única diferença lógica, adequada, que se po de estabelecer, há de basear-se exclusivamente no conceito de in teração por parte do emissor:um ruídoê
um sinal que não se temintenção de transmitir. Não há mensagem sem ruído, por mais redu zido que este seja. Ver MOLES, A., op. cit., p. 141-3 e 152. Se-gundo RUESCH, o que Wiener em seus sistemas de máquinas chama de ruído, na teoria
ra
comunicação humana passa a ser chamado de me tacomunicação, pois tudo o que entra vai fazer parte do conteúd~Não vai apenas reduzir a inteligibilidade, como no sistema tele-fônico. The observer and the observed: Human communication theo-ry. In: GRINKER, R.R., ed.
TotJ.XVtcl a uM6-Le.d the.oJr.1j 06 human be.ha.
V~Jr.. New York, Basic Books, 1956, p. 49. -(65) DANZIGER , K.
Int~p~onal
commuMcation.
Oxford, Pergamon,1976,p. 159.
(66) .
..l L'
d.
(67) C ' (68) P't
,(69) to ue autores como ~ng'Len
,ltoz~elt,
~gna alt~e de outros, em favor da reestruturação do ensino em
ba-ses mais condizentes com o verdadeiro significado de inte
ração humana.
John
Paltlty, por sua vez, situa entre os pr~ blemas mais serios desta forma ce comunicação, o daauto-comunicação, visto ser forçoso oue a mensagem seja
enten-dida e afeiçoada
~elo
emissor, antes de ser transmitida(70).n que se deve ter presente, pois, e a idéia
de que "qualquer situação de comunicação humana
comoreen-de a produção da mensaRem por alguém e a recepção ~essa - ,,(71) " " ,~, - . mensagem por alguem • Ob]et1vo e aU~1enC1a sao
1nse-paráveis. Todo comportamento visa a obtençãc de uma
rea-ção específica
ne
uma nessoa específica (ou grupo de pes-soas),,(72).Em que pese o valor dessas afirmações
so-bre a definição de comunicação, p~rece 0e suma
importân-cia o ponto de vista de J • B • Newman, que, comop6Jwrm! Ne.tto,
afirma a inexistência de uma definição unanimemente
acei-ta.N~, entretanto, apresenta como argumento a favor dessa
posi-ção, não a falta de conhecimento sobLe comunicaposi-ção, mas a
falta de compreensão da natureza, alcance e função de uma
definição.
A
noção epistemol5gica Que requer de umadefi-nição a completa descrição do que define, não lhe parece
prática. A comunicação
é
por demais diversa e discursiva ea tentativa de criar uma definição satisfatoria se
tor-(67)LINDGREN, B.
c.
Edu~ational
n6y~hology
~n ~he
~a~~ltoom.
2nd.ed.,
New York, Wiley, 1962, p. 69-71; 78-9 e344.
(68)CROZIER, M. Revolução liberal ou revolta pequeno-burguesa? In:
Civ~lizaç.ão
i.rtrlU6Wal
e. ~uUUItal de. maMM (seleção de en-saios da revista "Communi~a;t[ott6 '1). 'Petropolis, Vozes? 1973,P.
134-5.
(Coleção Novas Perspectivas eM Educação,5).
(69) , - - ,
PIGNATARI, D. ContJta~om~~aç.~o. 2. ed., Sao Paul0,Perspect1va,
1973,
p.42
(Coleção Debates,44).
(70)PARRY, J.
P~~~ol09-Út
da~omwú.~acão
humana. são Paulo, Cultrix, 1972, n.245.
(71) .
BERLO, OP. C1t., p.
14
(72) ,
naria complicada. vindo a inibir, ao invés de estimular
novas idéias. Defendendo essa opinião, faz a crítica a
três definições que considera representativas~ a) a
defi-nição de um filósofo,
Wood4on W.
Say4e~ que se refereã
comunicação como Hum primeiro princípio da filosofia'i, um
principio que não pode ser negadoz argumenta
Newman
queisto nada significa senão uma forma de evitar uma
defini-çao; b) critica o psicólogo
S.teven.6;>
para quem"comunica-ção
é
a resposta discriminatória de um organismo a umes-timulo" - definição proposta como ampla, operacional, con
dutista, mas que confunde a "realidade" da comunicação
com o nome "comunicação", sendo que uma definição não
de-ve confundir o referente e o nome do referente. Além
dis-so, por não estar baseada na interpretação adequada da in
formação empírica, contrariando o conceito de CotinCh~,
que não considera na comunicação a resposta em si mesma,
mas a relação que estabelece~ c) a definição extraída de um contexto psiquiátrico: "a comunicação não se refere só
ã
transmissão verbal, explícita e intencional demensa-gens • • . • 0 conceito de comunicação deveria incluir todos
aqueles processos pelos quais as pessoas se influem entre
si". Esta é criticada pela sua aplicabilidade exclusiva
ã
comunicação interpessoal, eliminando as interações comuni
cativas entre homens e máquinas, entre máquinas e
máqui-nas e também circunstâncias outras, como a revelação, por
exemplo.
Mewman
propõe-se a dar as regras básicas,osfundamentos racionais para uma definição não epistemológ!
ca, mas pragmática. visto não constituir esta "um
proble-ma de definição", já que a definição pragmática
circuns-creve um conceito ou referente, mas não apenas como um d!
cionário. Considerando que uma definição satisfatória não
necessita ser final, universal e eternamente "completa";
que uma definição pragmática, por mais CJue deva ser um cál
culo derivado validamente, deve permanecer "em processo",
sugere que a leitura de outros autores sobre a natureza
diversa da comunicação, ajuda a explicar os problemas
. d d " b- . . . . . (73)
t1CO recomen a o e tam em d1f1c1l de ser segu1do •
Ainda a propósito do conceito de comunicação,
vale considerar a diferença entre comportamento
comunica-tivo e simplesmente informacomunica-tivo, lembrando
J
.Gahagan,
pa-ra quem o primeiro refere-se aquele em que o emissor incu
te uma intenção; eomportamento baseado num código comum de
significado9 em que ator é observador partilham dos
mes-mos sImbolos e convençoes. Sera informativo, na medida em
que disser algo sobre o estado do ator; algo que ele seja
incapaz de esconder ou não esteja preocupádo em esconder
ou expressar. O comportamento é tido fréqUerit~mente como
comunicàtivo, na medida em que o ator deliberadamente
ma-nipula a impressão do outro sobre ele, ~odendb,
as
vezes,parecer apenas informativo, como no caso das insinuações
ou indiretas. Nem sempre, porém, é facil saber pe se
tra-ta de uma reação invo1untra-taria ou de um ato comunicativo~
diz a autora» considerando o comportamento social comumen
. . - . f - (74)
te como um m1sto de comun1caçao e 1n ormaçao .
Pode-se acrescentar, finalmente, de acordo
com
Wltight:
~ que "só recentemente a comunicação se transformou em tema de investigação cientIfica e de exame de cien
tistas sociais,,(75). Essa pluralidade de colocações sobre
o seu conceito parece valida, no sentido de abrir perspe~
tivas para a compreensão desse problema aparentemente sim
pIes, mas na realidade extremamente complexo, que é a
co-municação em sala de aula.
(73)NEWMAN, J.B. A rationale for a definition of communication. In: SMITH, op. cit., p. 55-63.
(74)GAHAGAN, J. lnt.eJtpeJt6onai.
a.nd
gltou.p beha.viou.lt. London, Methuen, 1975, p. 24-5 (Essentia1 Psycho10gy. Herriot, P., ed.).(75)WRIGHT, op. cit., p. 12. Para um ponto de vista contrari09 ver
THA YER, L. O • Comtl.YÚ.c.aç.ã.o 9 ~u.ndamen.to.6
e
.6i.6t:emM.
são Pau 10 ,Atlas, 1972. p. 303: Provavelmente hs mais principios sobre como comunicar com sucesso, do que fatos e teorias sobre os quais bases-los. Na verdade, os principios mais largamente a-conselhados são tipicamente os mais normativos e consensuais. Talvez devessem ser classificados como parte do folclore da comunicação e não como conhecimento sistematicamente desenvol vido. Como, porém, todo mundo "comunica", talvez a comunica-ção não possa jamais ser classificada entre as artes, nem po~
1.2. A
INTERAÇÃO PROFESSOR-ALUNOO ensino
-
e, antes-"The I is actual through
its participation in actuality.
The more perfect the
participa-tion is, the more actual the I
becomes" (76) •
de tudo, uma relação huma
na. "O mestre e o discípulo nao se descobrem como tais,s~
-
relação " (77} "Nonao na que os une • encontro, duas
exis-tências revelam-se uma
ã
outra e cada uma a si própria,porque nao nos descobrimos verdadeiramente, senão no
cho-que e na prova da presença de outremi l (78).
Discute-se muito a necessidade de estar o
mestre sempre ~tento
ã
realimentação*; de ser sensível asrespostas do receptor; de ser capaz de modificar a sua
a-titude em função do conteúdo informado, pois embora sabe~
do que o objetivo da comunicação e afetar, influenciar, o
professor pode vir a perder de vista o seu propósito como
comunicador e agir como quem desconhece as metas e os
re-quisitos do ensino; agir desligado da realidade do
pensa-mento do outro, concentrando-se em ildar'ula por ofício",
em "dar toda a material i
ou em lidar aula para si mesmo".
Com o tempo, esta conduta inadequada vai se tornando habi
(76) .
BUBER, M. I
and Thou.
New York, Charles Scribner, 1970, p. 113.(77) .
GUSDORF, op. C1t., p. 159.
(78) .
IDEM, 1b .• P. 165.
(*)
Reailmenta~ao
l6eedbac~1
é método de controle de um sistemap~
la reintrodução nesse sistema dos resultados de seu desempenho.
Se os resultados são usados apenas como dados numéricos, para
a critica e r~gulagem do sistema, tem-se a realimentação
sim-ples dos técnicos de controle. Todavia se a informação que
re-monta do desempenho
é
capaz de mudar o método e o padrão geralde desempenho, tem-se um processo que se pode denominar
tual, rotineira e naturalmente mais ineficiente. Tendo-s~
entao, uma vaga idéia do objetivo a perseguir, anula-se o
empenho em atualizá-lo, reexaminá-lo, em refletir para v~ rificar de que modo ele vem sendo cumprido. Esses
colap-sos de comunicação são atribuídos, segundo Berlo, a 0uas
causas: ineficiência ou percepção errônea do real signifi
. - (79)
cado de 1nteraçao .
De acordo com Geo~ge
Mead,
o princípio bási co da organização social humana é o princípio da comunicação, que implica participação em outro, isto é, a
apari-ção do outro na pessoa, a identificaapari-ção do outro coa a
pessoa, a obtenção da consciência de si, através do outro,
sendo que o efeito imediato da adoção do papel do outro
reside no controle que o indivíduo pode exercer sobre a
sua própria reação. A fiscalização da ação do indivíduo
em um processo cooperativo vem a ter lugar na sua própria
conduta, desde que lhe seja possível adotar a atitude do
outro, pois graças
ã
adoção desse papel, ele se encontraem condições de olhar sobre si, de dirigir seu próprio . . - (80)
processo de comun1caçao •
Certamente "não podemos afirmar que os efei
tos de toda comunicação sejam os pretendidos; os recebedo
res nem sempre respondem segundo o objetivo da fonte.Qua~
do os objetivos da fonte e do recebedor são incompatíveis,
rompe-se a comunicação. Quando são dependentes ou
comple-. - d . ,,(81) P •
mentares, a comun1caçao po e prossegu1r • or 1Sto
Geo~ge
Mead
vê o desenvolvimento da comunicação não sim-plesmente como uma questão abstratat mas como processo de
por a própria pessoa no lugar de outra, através de
símbo-los significantes. Lembra que o essencial para um símbolo
significante é que o gesto que afeta a outros, afete ao
indivíduo mesmo, de igual modo; que só se trata de
símbo-lo significante~ quando o estímulo proporcionado ao outro
(79) .
BERLO, op. C1t., p.
13.
( 80 ) E . : .. : +.. • J -d
MEAD, G • H • .6 p.vLNUA. , p eJl,6 o na. I:f .6 o
ueu« .
Buenos Aires, 1953,p. 271-273.
(81) .
provoca na própria pessoa uma reação semelhante ou igual (82) •
Autores há, como
Watz!avick. Beavim
e Jac~~on, que postulam um axioma metacomunicacional da
pragmá-ticada comunicação:ilnão se pode não comunicari l(83). Tais
autores dão ênfase especial
às
desordens de comportamento,vistas antes corno reação comunicativa a urna situação
espe-cifica, do que corno evidência de moléstia na mente
indivi-(84)
dual • Ora~ sem negar isto, com base na c.itada
"gramática" de Be.Jt.to. Pi'lrece que se pode considerar como e
fetiva. (especialmente em se tratando do fen3meno da comuni
cação pedagógica), somente a comunicação intencional
(ori-ginada com o fim de. modificar a percepção de um receptor),
consciente e bem sucedida. Isto, felizmente, não constitui
tarefa exclusiva de seres perfeitos. o que seria defender
urna tese de conotação mítica. Consciência9
intencionalida-de, coerência devem ser atributos mínimos e indispensáveis
aos que escolhem o magistério e são julgados capazes de
e-xercê-lo.
Segundo l.
Landa,
uma das causas da insufici ente eficácia docente eonsiste em querer /'curpr ~emdiag-nóstico~'pois os trabalhos de comprovação proporcionam dados
sobre os resultados da atividade mental, mas não costumam
facilitar nenhum conhecimento sobre o mesmo processo de
a-tividade, sobre os mecanismos do pensamento. Todavia a
im-portância· de uma retroação operativa. que vá do aluno ao
mestre, radica no fato de que o mestre pode alterar
conti-nuamente as suas açoes sobre os alunos. Para que os
conhe-cimentos. as habilidades e os hábitos se formem corretamen
te e com a máxima c-leridade,
ê
preciso que o aluno vása-bendo do resultado de suas açoes. Partindo-se do erro em s~
oonclui a autora, nem sempre se pode averiguar que
processo mental o provocou~ sem embargo. o importante no
ensino
ê
o controle dos processos: a ação sobre cresulta-(82) .
MEAD, op. C1t., p. 336.
(83)WATZLAWICK. P. et alii.