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Osteocondroma patelar: relato de caso.

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rev bras ortop.2014;49(2):206–209

w w w . r b o . o r g . b r

Relato

de

Caso

Osteocondroma

patelar:

relato

de

caso

Frederico

Barra

de

Moraes

,

Mariana

Christino

de

Melo,

Allan

Vieira

Rocha

e

Mauro

Rodrigues

dos

Santos

FaculdadedeMedicinadaUniversidadeFederaldeGoiás,Goiânia,GO,Brasil

informações

sobre

o

artigo

Históricodoartigo:

Recebidoem24deabrilde2013

Aceitoem13demaiode2013

Palavras-chave:

Neoplasiasósseas

Patela

Osteocondroma

r

e

s

u

m

o

Relatodeumcasorarodeosteocondromapatelar.Homemde60anosapresentoutumorna

patelaesquerdaquetemsedesenvolvidopor10anos,fatoraro,considerando-seaidade

dopacienteeolocaldesurgimentodotumor.Dorleveeapresenc¸adamassa

compu-nhamoquadroclínico,semlimitac¸ãodaflexoextensãooudéficitneurovascular.Otumor

apresentava8cmlongitudinalx6cmtransversalx3cmanteroposterior,endurecido,

ade-ridoaoplanoósseopatelar.Nasradiografiasetomografiasobservamosáreasmaisdensas

correspondentesdeossoeoutrasmenosdensas,quepodemcorresponderàcartilagem,de

crescimentolento,eirregularidadesnasuperfíciearticularpatelofemoral.Foifeitaressecc¸ão

simplesdotumoreoanatomopatológicoconfirmouosteocondromadapatela.

Osteocon-droma,ou exostoseosteocartilaginosa, abrange umagrande partedos tumores ósseos

benignos.Eleresultadealterac¸õescelularesquedesencadeiamaproduc¸ãodesregulada

deossoesponjoso.Seutratamentoéfeitobasicamentepelaretiradacirúrgicadamassa

tumoral.Nãoéessencial,masrecomendadaparaevitarlesõesporcontiguidadeeriscode

malignizac¸ão.

©2014SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublicadoporElsevierEditora

Ltda.Todososdireitosreservados.

Patellar

osteochondroma:

case

report

Keywords:

Boneneoplasms

Patella

Osteochondroma

a

b

s

t

r

a

c

t

Theaimwastoreportonararecaseofpatellarosteochondroma.A60-year-oldman

pre-sentedatumoronhisleftpatellathathaddevelopedovera10-yearperiod,whichisarare

occurrence,consideringthepatient’sageandthesiteatwhichthetumorappeared.The

clinicalconditioncomprisedmildpainandthepresenceofamass,withoutlimitationof

flexion-extensionoranyneurovasculardeficit.Thetumordimensionswere8cm

longitudi-nallyx6cmtransversallyx3cmanteroposteriorly.Itwashardenedandwasadheringtothe

patellarboneplane.Onradiographsandtomographicscans,weobservedareasofgreater

densitycorrespondingtoboneandotherlessdenseareasthatcouldcorrespondto

slow-growingcartilage,withirregularitiesonthepatellofemoraljointsurface.Simpleresection

ofthetumorwasperformed,andtheanatomopathologicalexaminationconfirmedthatit

wasapatellarosteochondroma.Osteochondroma,orosteocartilaginousexostosis,includes

TrabalhofeitonoDepartamentodeOrtopediaeTraumatologiadoHospitaldasClínicasdaFaculdadedeMedicinadaUniversidade

FederaldeGoiás,Goiânia,GO,Brasil.

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](F.B.Moraes).

0102-3616/$–seefrontmatter©2014SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Todososdireitosreservados.

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alargeproportionofthebenignbonetumors.Itresultsfromcellalterationsthattrigger

unregulatedproductionofspongybone.Itisbasicallytreatedbymeansofsurgicalremoval

ofthetumormass.Thisisnotessential,butisrecommendedinordertoavoidlesionscaused

bycontiguityandtheriskofmalignanttransformation.

©2014SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublishedbyElsevierEditora

Ltda.Allrightsreserved.

Introduc¸ão

Oosteocondromaéotumorbenignomaiscomumeabrange

10%detodosostumoresósseose30%dosbenignos.Essa

exos-toseosteocartilaginosacostumaserdetectadanainfânciae

naadolescênciaeémenosfrequenteemadultos.1 Decorre

damodificac¸ãonadirec¸ãodecrescimentodaplacaepifisária,

quepassaaproduzirossoesponjoso,histologicamente

desor-ganizado, revestidopor capa cartilaginosa e, emsua base,

porperiósteoadjacente.Aespessurada capadecartilagem

temrelac¸ãocomamalignidadedotumor,principalmentenos

adultos.

Odiagnósticodoosteocondromaépredominante

radiográ-fico,maselepodeserdescobertoincidentalmentedurantea

palpac¸ãodeumamassanaregiãoacometidaquecausador.2

Essadororigina-sedotraumadiretonotumoroudoprocesso

inflamatóriodesencadeadopelalesão.Nocasode

osteocon-dromaslocalizadosnascinturasescapular,pélvica,colunaou

raizdosmembros,asradiografiascomunspodemnão

visu-alizara capa cartilaginosa.É necessáriaa tomografiaaxial

computadorizadaparadelimitarsuarealextensão.Tumores

napatelasãomuitoraros.3–5Oobjetivodestetrabalhoérelatar

umcasorarodeosteocondromapatelar.

Relato

de

caso

Paciente masculino, 60 anos. Referiu que havia cerca de

10 anos notara crescimento lento de tumorac¸ão no joelho

esquerdo, indolor, lateralmente sobre a patela. Ao exame

físico,foiobservadotumorde8cmlongitudinal×6cm

trans-versal× 3cmanteroposterior,endurecido,aderidoaoplano

ósseopatelar,semoutrossinaisflogísticos,quesedeslocava

junto coma patela aosefazer aflexo-extensão dojoelho.

Ausênciadedéficitneurovascularesemprejudicara

ampli-tudedemovimentodojoelho(fig.1).

Naavaliac¸ãoradiológicafoievidenciada umatumorac¸ão

de densidade óssea no polo inferior da patela do joelho

esquerdo.Nasradiografiasobservamosáreasmaisdensas

cor-respondentesde osso eoutras menosdensas, que podem

corresponderàcartilagem(fig.2).

Tomografiaevidencioutumorac¸ãoprimáriadopolo

infe-rior da patela, com característica osteocartilaginosa, de

crescimento lento e irregularidades na superfície articular

patelofemoral,quesugereartrosenessaregião(fig.3).

Foifeitaahipótesediagnósticadeosteocondromadapatela

eindicada ressecc¸ãocirúrgicaporcausadocrescimentodo

tumor.Noatointraoperatórioobservamosumalesãoóssea,

envoltaporcapacartilaginosa,efoifeitaaressecc¸ãosimples

do tumor(fig. 4). No exame anatomopatológico foi

confir-madoodiagnósticodeosteocondromapatelarsemsinaisde

malignizac¸ão.Noacompanhamentoopacientenão

apresen-tousinaisderecidivaporcincoanos.

Discussão

Ososteocondromasocorrememjovenseemossosque

apre-sentamossificac¸ãoendocondral.Alocalizac¸ãoprincipaléa

regiãodojoelho,nametáfisedistaldofêmureproximalda

tíbia; emseguida, aregiãoproximal doúmeroe dofêmur.

Aslesõessãolocalizadasnaregiãometafisáriadoossoe

ten-demacrescernosentidodadiáfiseeafastar-sedaepífise.6

Ocasoemestudoébastanteincomumpordoisfatores,

prin-cipalmente:aidadedopaciente,60anos,muitoacimadoque

secostumaobservar,eolocaldeorigemdotumor,apatela,

tambémbastanteincomum.

Ososteocondromasdojoelhosedesenvolvemlentamente

por váriosanos,geralmente de10 a20 anos, masexistem

algunsrelatosdetumoresqueevoluíramematéseismeses.7

Algunssintomasnojoelhopodemsurgirporcausade

tumo-respatelarescomotendinite,bloqueioarticular,limitac¸ãoda

flexo-extensão,artritedegenerativae,raramente,atémesmo

compressão neurovascular.8–11 Nosso paciente apresentava

sintomas leves de dor e o que mais o incomodava era o

crescimentodotumor,mastambémapresentavaartrite

dege-nerativaaoexame,oquepodeserfrequenteporseridoso.

Aexostoseécobertaporumafinacamadadepericôndrio,

queéaderenteàcartilagemecontínuacomoperiósteodoosso

adjacente,epodeserséssiloupediculada.Orevestimento

car-tilaginosocostumavariarde1a3mmemespessura.Quanto

maisjovemopaciente,maisespessaéacapa.Ointeriorda

exostoseéconstituídoporossoesponjosonormal,queé

con-tínuocomoossodametáfiseadjacente.Umabolsapodese

formarsobreoosteocondromaegeralmenteédecorrentedo

processoinflamatório,queocorrepelairritac¸ãodosmúsculos

edostendõesadjacentes.Abolsapodeconterlíquidoecorpos

fibrosos,algumasvezes calcificados.Oexamemicroscópico

revela ossificac¸ãoendocondralnormal; focosdecartilagem

proliferativasãoencontradosnascamadasprofundas.Pode

havermedulaósseafibrosada,impregnadapordetritosde

car-tilagemcalcificada.Amedulaósseadointeriordaexostoseé

predominantementegordurosa.1,2,12

Nãoépropriamenteumaneoplasia,poisocrescimentoda

lesãogeralmenteseinterrompecomofechamentoepifisário

eseestabiliza.Noentanto,ocrescimentodessasformac¸ões

apósamaturac¸ãodoesqueletoé,namaioriadasvezes,sinal

precoce da transformac¸ão maligna. Geralmente tem baixo

grau demalignidade, com bomprognóstico ebaixosriscos

de metástases,quandoa ressecc¸ãoéprecoce. As

metásta-sesatingempreferencialmentepartesmoles,quandoblocos

de células cartilaginosas seimplantam nos tecidos

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rev bras ortop.2014;49(2):206–209

Figura1–Aspectoclínicoemumavisãoanteriordojoelhoesquerdo(A)eemperfil(B),queevidenciatumorac¸ãode8cm longitudinal×6cmtransversal×3cmanteroposterior,consistênciaendurecida,aderidaàpatela,quenãolimitou

aflexo-extensãodessepaciente(C).

Figura2–Radiografiaemanteroposterior(A)eemperfil(B),queevidenciatumorac¸ãoósseanopoloinferiordapatela dojoelhoesquerdo.

Figura3–Tomografiadojoelhoesquerdo,cortestransversais,queevidenciatumorac¸ãooriginadaprimariamentedapatela, noseupoloinferior(A),queseestendeinferiormenteeabaulaapeleeotecidosubcutâneolateralmente(B).

ressecc¸ão.Nãohouvesinaisclínicosdemalignizac¸ãodotumor

nopaciente,comoadoràpalpac¸ãoouapresenc¸adesinais

flo-gísticos.Otempode10anosqueotumorlevouparaatingir

otamanhoapresentadotambéméindicativonabenignidade

dotumor;caso fossemaligno,o crescimentoteriaocorrido

emumtempo menor, impossibilitariaaadaptac¸ão dapele

ecausariaossinaistípicosdainflamac¸ão.Quandoaslesões

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rev bras ortop.2014;49(2):206–209

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Figura4–Aspectointraoperatóriodaressecc¸ãotumoral(A),queevidenciamacroscopicamentetumorosteocartilaginoso(B).

hereditária,comfrequênciademalignizac¸ãoemmaisde10%

doscasos.Aincidênciavariade0,9a1,4%por100.000

habitan-teseadistribuic¸ãoégeralmentesimétrica.Levaaindivíduos

combaixaestatura(40%doscasos)evalgismoaoníveldo

joe-lhoetornozeloeassimetriadascinturaspélvicaeescapular.

Amalignizac¸ão,nessescasos,temcrescimentolentoeaparece

apósasegundadécadadevida.1,2,11

Acirurgiade ressecc¸ãodotumornão émandatóriaem

todos os casos. Suas principais indicac¸ões são quando a

exostose estiver interferindo com o crescimento da

extre-midade,oquelevaaalterac¸õesfuncionaisemecânicas,ou

napresenc¸ademalignizac¸ão,queécaracterizadaporcapa

espessacomespessuramaiordoque2cm,noadulto,eerosão

óssea,compressãovasculare/ounervosacomsintomase

blo-queioarticularpromovidopeloosteocondroma.Asindicac¸ões

relativas são as complicac¸ões estéticas, que muitas vezes

determinam cicatriz cutânea pós-operatória pior doque a

própriadeformidadeestética,eador,quepodeocorrerpor

causadebursiteouapós fratura,adependerdossintomas

dopaciente.Nocasodetumoresdepatelapodemserfeitas

patelectomiatotal, parcialouapenasaressecc¸ãoamplado

tumor,paraqueossintomasmelhorem.Essaescolhadepende

dalocalizac¸ãodotumor,seépediculadoounão,dovolumee

dascondic¸õesdapele.13,14

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

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Referências

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