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Rev. bras. ortop. vol.52 número1

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rev bras ortop.2017;52(1):111–114

SOCIEDADE BRASILEIRA DE ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA

w w w . r b o . o r g . b r

Relato

de

Caso

Rupturas

bilaterais

simultâneas

dos

tendões

patelares

Diogo

Lino

Moura

,

José

Pedro

Marques,

Francisco

Manuel

Lucas

e

Fernando

Pereira

Fonseca

CentroHospitalareUniversitáriodeCoimbra,DepartamentodeOrtopedia,Coimbra,Portugal

informações

sobre

o

artigo

Históricodoartigo:

Recebidoem22demarçode2016

Aceitoem28demarçode2016

On-lineem30denovembrode2016

Palavras-chave:

Ligamentopatelar

Rupturaespontânea

Traumatismosdostendões

Esteroides Reabilitac¸ão

r

e

s

u

m

o

Asrupturasbilateraisdostendõespatelaressãoumaentidaderara,muitasvezesassociadas

comdoenc¸assistêmicasetendinopatiapatelar.Apresentamosumcasorarodeumhomem

de34anoscomroturabilateralsimultâneadostendõespatelarescausadaportraumaleve.

Opacienteéumjogadordebasquetebolaposentado,semqueixasdedorcrônicadojoelhoe

comhistóriadeconsumodeesteroides.Otratamentocirúrgicoconsistiunareparac¸ão

tendi-nosaprimáriadepontaaponta,protegidatemporariamentecombandadecerclage,seguida

decurtotempodeimobilizac¸ãoeprogramaintensivodereabilitac¸ão.Aoscincomesesapós

acirurgia,opacienteeracapazdeparticiparsemrestric¸õesdeatividadesdesportivas.

©2016SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublicadoporElsevierEditora

Ltda.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(http://

creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Simultaneous

bilateral

patellar

tendon

rupture

Keywords:

Patellarligament

Spontaneousrupture

Tendoninjuries

Steroids Rehabilitation

a

b

s

t

r

a

c

t

Bilateralpatellartendonruptureisarareentity,oftenassociatedwithsystemicdiseases

andpatellartendinopathy.Theauthorsreportararecaseofa34-year-oldmanwith

simul-taneousbilateralruptureofthepatellartendoncausedbyminortrauma.Thepatientis

aretiredbasketballplayerwithnopastcomplaintsofchronickneepainandahistoryof

steroiduse.Surgicalmanagementconsistedinprimaryend-to-endtendonrepairprotected

temporarilywithcerclagewiring,followedbyashortimmobilizationperiodandintensive

rehabilitationprogram.Fivemonthsaftersurgery,thepatientwasabletofullyparticipate

insportactivities.

©2016SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublishedbyElsevierEditora

Ltda.ThisisanopenaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense(http://

creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

DOIserefereaoartigo:http://dx.doi.org/10.1016/j.rboe.2016.03.006.

TrabalhofeitonoHospitaleCentroUniversitáriodeCoimbra,DepartamentodeOrtopedia,Coimbra,Portugal.

Autorparacorrespondência.

E-mails:[email protected],[email protected](D.L.Moura).

http://dx.doi.org/10.1016/j.rbo.2016.11.001

0102-3616/©2016SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´eumartigoOpenAccess

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Introduc¸ão

Asrupturasdomecanismoextensordojoelhosãofrequentes

eafetammaisfrequentementeapatela.1,2Rupturasbilaterais

simultâneasdostendõespatelaressãoeventosincomunsque

sóforamdocumentadosemrelatosdecaso.1,3,4

Relato

de

caso

Homemnegro,de34anos,que,apósumaparadasúbita

asso-ciadaaummovimentotorsionalcomambososjoelhosem

ligeiraflexão,experimentousensac¸ãodefalseioedoraguda

forteemambososjoelhos.Elecaiunochãoefoiincapazde

pisaredeambular.

Nopronto-socorroortopédico,opacienterelatoudor

bila-teral de joelho. Ambos os joelhos apresentavam algumas

escoriac¸õessuperficiaiselevederrame.Àpalpac¸ão,foi

possí-velidentificarumalacunainfrapatelarbilateralcommigrac¸ão

cefálicadeambaspatelas.Otestedeelevac¸ãoativadaperna

reta mostrou-se negativo para ambasas extremidades eo

pacientefoiincapazdefazerextensãoativadeambosos

joe-lhos.Oexameneurovascularestavanormal.

Odiagnósticoclínicopreliminarfoiderupturabilateraldo

tendãopatelar.

O paciente havia jogado basquetebol profissionalmente

dos18aos25anosepraticadohalterofilismocompetitivoaté

os30 anos. Ele admitiu terusado alguns ciclosde

esteroi-desoraiseinjetáveisduranteotempodepráticacompetitiva

emlevantamentodepeso.Atualmente,éseguranc¸ae

prati-canterecreativodelevantamentodepeso.Opacientegarantiu

nãohavertomadoesteroidesouquaisqueroutros

suplemen-tosnosúltimostrêsanos.Elerelatounãotersofridolesões

nosjoelhosanteriormenteenegoudorcrônicanojoelho.No

momentodotrauma,opacienteapresentavabiotipoatlético,

pesava120kgemedia192cmdealtura.

Asradiografiasmostrarammigrac¸ãocefálicadapatela e

pequenascalcificac¸õesavulsionadasdospolosinferioresde

ambas patelas. Além disso, identificou-se uma fratura em

espiral isolada e não desviada no colo da fíbula esquerda

(fig.1).Oultrassomconfirmouarupturabilateraltotaldos

ten-dõespatelares.Nointraoperatório,foiobservadarupturana

substânciadeambostendões,pertodospolospatelares

inferi-ores,comalgumasporc¸õesavulsionadosnainserc¸ãopatelar.

Osretináculoslateralemedialestavamrompidos

bilateral-mente.Foifeitoreparotendíneoprimárioboca abocacom

atécnicadeKesslerereforc¸adocomsuturasintraósseasem

ambosos joelhos.O reparo foi protegidotemporariamente

combandadecerclagem,seguidodeimobilizac¸ãocomgesso

cilíndriconaperna.Optamospelousodefiomonofilamentar

nãoabsorvívelemlac¸oparapermitiratensãodesutura

ade-quadaemsuasegundapassagempelomeiodolac¸o(fig.2).

Atensãodospontosfoicuidadosamenteajustadaparaevitar

adiminuic¸ãodaalturapatelar.Osretináculosrompidosforam

reparadosporsuturacomfiosVicryl.Aforc¸adoreparofoi

tes-tadapormeiodaflexãocuidadosadeambososjoelhos(fig.3).

Acerclagemfoifeitacombandadetensãoemfiguradeoitoao

redordopolosuperiordapatela,passouemfrenteaotendão,

Figura1–Radiografiasemperfildojoelhoapósruptura bilateraldotendãopatelar,evidenciammigrac¸ãocefálica dapatela(“patelaalta”),fraturasporavulsãodospolos inferioresemambaspatelaseumafraturaemespiral isoladaenãodesviadadocolodafíbulaesquerda(lado esquerdo).

fixadacomumparafusotransversalpelotuberosidadetibiale

amarradaemflexãodojoelhodecercade60◦(fig.4).

Opós-operatóriotranscorreusemintercorrênciaseo

con-trole radiográfico foi satisfatório (fig. 5). A imobilizac¸ão

gessada foi removida no terceiro dia pós-operatório e o

paciente comec¸ou a deambular com muletas e órteses

dejoelhocomregulagemdeextensão;permitiu-secargade

pesoconformetolerado.Nasegundasemanapós-operatória,

foi iniciada a retirada periódica dos imobilizadores e

pro-gramade reabilitac¸ãodiário,queconsistiuinicialmenteem

exercícios isométricos de fortalecimentomuscular e flexão

do joelho, restritos a 60◦, complementados com

massa-gem dostecidosmoles peripatelares. Na quartasemana,o

pacienteconseguiaandarsemmuletas,nãoapresentavador

e alcanc¸ou 40◦ de flexão ativa bilateral máxima. Na sexta

Figura2–Rupturabilateraldotendãopatelarnacirurgia: suturaemlac¸ocomfiomonofilamentarquepermitiu,por

suapassagemdentrodolac¸o,umatensãodesutura

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Figura3–Movimentodeflexãodojoelhoparatestara integridadeeresistênciadasutura.

semana,opacienteatingiu60◦ deflexãoeousodeórteses

foiinterrompido.Naoitavasemanapós-operatória,abanda

de cerclagem foi removida e o paciente continuou o

pro-gramadefisioterapiadiário,comprogressãoparaflexãototal

dojoelho eênfaseemexercíciosdefortalecimento

muscu-lar.O usodebicicletaestacionáriafoi introduzidonanona

semana.Onzesemanasapósacirurgia,opaciente

apresen-tou100◦deflexãobilateraldojoelhoevoltouatrabalhar.No

acompanhamentofeitocincomesesapósacirurgia,o

paci-enteapresentouumaamplitude demovimentosatisfatória

emambososjoelhos(135◦deflexão,0deextensão),boaforc¸a

noquadrícepsenenhumsinaldeatrofiamuscularoudéficitde

Figura4–Aplicac¸ãodecerclagemembandadetensãoem

figuradeoitoentreotendãoquadricipitaldistaleum parafusotransversalnatuberosidadeanteriordatíbia.

extensão(fig.6).Elenegouqualquersensac¸ãodeinstabilidade

ouinchac¸oe,portanto,foiautorizadoaretomarasatividades

esportivasrecreativas.Opacienterelatousentirqueseus

joe-lhosestavamtãofortescomoantesdaslesõesesercapazde

correr,agacharesaltarsemdificuldade.

Discussão

Rupturas do tendãopatelar estão geralmenteassociadas a

tendões doentes.1 O presente paciente tinha histórico de

consumodeesteroidesanabolizantes,oquepoderiater

cau-sadoalterac¸õesdegenerativasqueenfraquecemaintegridade

estrutural dotendãoelevama ummaiorrisco deruptura

mesmo no contexto de trauma menor.1,2,4–8 Além disso, o

elevadopesocorporaldopacienteesuapréviaparticipac¸ão

Figura5–Duassemanasapósacirurgia:controleradiográfico.

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ematividadesesportivas competitivasde altonível podem

ter causado alterac¸õesdegenerativas crônicas nos tendões

patelares, como é possível supor a partir das calcificac¸ões

nopoloinferiordapatela,aindaqueopacientetenhanegado

apresenc¸adedorcrônicanojoelhooudesconfortocompatível

comtendinopatiapatelar.9

Oreparoprimário dotendãodeve serfeitoo mais

rapi-damente possível para evitarretrac¸ão proximal da patela,

formac¸ão de cicatriz, dificuldades no reparo e pioria da

func¸ãoemlongoprazo.1,6 Oreparolocalprotegidopor

téc-nicadebandadetensão paraneutralizarasforc¸asgeradas

sobreo mecanismo extensor reduz a tensão nos locaisde

reparac¸ão e permite uma cicatrizac¸ão sem complicac¸ões.

Emboraousodebandadecerclagememrupturasbilaterais

dotendão patelar ainda seja controverso, os autores

acre-ditam que aprática permitiu alcanc¸artodos os benefícios

de imobilizac¸ão gessada mínima e de fisioterapia precoce

controladainiciadaduassemanasapósacirurgia,oquefoi

importanteparaevitaraatrofiadoquadríceps.Oprograma

de reabilitac¸ão prescrito levou ao rápido ganho de

ampli-tude de movimento e ao retorno mais rápido ao trabalho

eàsatividadesesportivas secomparado comosrelatos na

literatura.1,6,9,10

Emconclusão,osautoresapresentaramumcasode

rup-turabilateral dotendãopatelar provavelmenteassociado à

ingestãodeesteroidesanabolizanteseestresselocal

repeti-tivo.Anaturezabilateraldalesãopodedificultarareabilitac¸ão.

Acredita-sequeasprincipaisrazõesparaosexcelentese

céle-resresultadosfuncionais foram:reparoprecoce dotendão,

comtensãoeforc¸adasuturaadequadas;usodabandade

cer-clagem;temporeduzidodeimobilizac¸ãogessada;programa

de fisioterapia intensivo, controlado eespecializado; e um

pacientefortementemotivado.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

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Imagem

Figura 1 – Radiografias em perfil do joelho após ruptura bilateral do tendão patelar, evidenciam migrac¸ão cefálica da patela (“patela alta”), fraturas por avulsão dos polos inferiores em ambas patelas e uma fratura em espiral isolada e não desviada do col
Figura 6 – Cinco meses após a cirurgia: 135 ◦ de flexão, 0 ◦ de extensão em ambos os joelhos.

Referências

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Figura 9 – Irritação da faceta lateral da patela: se o componente patelar é muito pequeno e implantado muito medial e/ou se o os- teófito lateral da patela não é

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