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A utilização do conceito "vulnerabilidade" pela enfermagem.

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Academic year: 2017

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A UTI LI ZAÇÃO DO CONCEI TO “VULNERABI LI DADE” PELA ENFERMAGEM

Lucia Yasuk o I cum i Nichiat a1

Mar ia Rit a Ber t olozzi2

Ren at a Fer r eir a Tak ah ash i2

Lislaine Apar ecida Fr acolli2

Est e art igo t eve por obj et ivo realizar breve resgat e do conceit o de vulnerabilidade que vem sendo ut ilizado na

ár ea da saúde e discut ir sua ut ilização pela enfer m agem . Os est udos, em m eio à div er sidade de enfoques e

obj et os, t êm buscado superar o raciocínio clássico de risco em epidem iologia, avançando para a discussão dos

det er m inant es sociais na pr odução dos agr av os.

DESCRI TORES: en f er m agem ; v u ln er abilidade

THE USE OF THE “VULNERABI LI TY” CONCEPT I N THE NURSI NG AREA

The obj ect iv e of t his ar t icle w as t o br iefly r et r iev e t he m eaning of t he v ulner abilit y concept , w hich has been

used in t he healt hcare area; also, t o discuss how it has been used in t he Nursing area. Am idst several different

focuses and obj ect s, st udies have been at t em pt ing t o overcom e t he classical reasoning of risk in epidem iology,

adv ancing t ow ar ds t he discussion of t he social det er m inant s for t he pr oduct ion of healt h pr oblem s.

DESCRI PTORS: nur sing; v ulner abilit y

LA UTI LI ZACI ÓN DEL CONCEPTO “VULNERABI LI DAD” POR ENFERMERÍ A

Est e art ículo t uvo por obj et ivo hacer un breve rescat e del concept o de vulnerabilidad que viene siendo ut ilizado

en el ár ea de la salud y discut ir com o v iene siendo ut ilizado por la enfer m er ía. Los est udios, en m edio de la

diversidad de enfoques y obj et os, han buscado superar el raciocinio clásico de riesgo en epidem iología, avanzando

par a la discusión de los det er m inant es sociales en la pr oducción de los agr av ant es de las enfer m edades.

DESCRI PTORES: en f er m er ía; v u ln er abilidad

Escola de Enferm agem da Universidade de São Paulo, Brasil:

1 Dout or em Enferm agem , Professor Assist ente, e- m ail: izum [email protected]; 2 Livre- Docent e, Professor Doutor, e- m ail: e- m ail: m [email protected], rft [email protected],

(2)

I NTRODUÇÃO

O

t erm o v ulner abilidade é recorrent em ent e

u t i l i za d o n a l i t e r a t u r a ci e n t íf i ca e m sa ú d e co m difer ent es significados. Obser v a- se que a par t ir da década de 80 se int ensificam os est udos que t rat am d a v u l n e r a b i l i d a d e co m o q u a d r o co n ce i t u a l . O pr esen t e est u do f az u m a discu ssão, com base n a lit er at u r a cien t íf ica, sobr e com o as pesqu isas em e n f e r m a g e m t ê m u t i l i za d o o co n ce i t o d e

v u ln er abilidade. A r evisão bibliogr áfica foi r ealizada

no Medline e CI NAHI L por serem estas as duas bases p r i n ci p a i s n a á r e a d a sa ú d e e d a e n f e r m a g e m . Ut i l i za r a m - se a s p a l a v r a s- ch a v e s v u l n e r a b i l i t y ,

v u ln er able associados à n u r sin g, encont r ados t ant o no t it ulo quant o no abst ract . O período considerado para busca foi de 1996 a 2006.

No Me d l i n e , u t i l i za n d o - se a b u sca p o r

v u l n e r a b i l i t y a n d n u r s i n g e n co n t r o u - se 1 5 0

bibliogr afias e por v u ln er ab le and n u r sin g 374. No

CI NAHI L, vulnerabilit y and nursing foram encontradas 204 bibliografias. Por se tratar de um artigo de revisão, rest ringiu- se a 25 cit ações de referências.

Um a con sid er ação im p or t an t e a ser f eit a sobre a busca bibliográfica refere- se ao fat o de que m uit as publicações, com o, livros, periódicos, t eses e out ras, não se encont ram indexadas nest as bases de d ad os, sen d o assim , a p r od u ção cien t íf ica sob r e v u l n e r a b i l i d a d e ca p t u r a d a p o r e st a r e v i sã o b i b l i o g r á f i ca n ã o d e v e se r co n si d e r a d a co m o a t ot alidade exist ent e.

R EV I S Ã O D O CO N CEI T O D E

VULNERABI LI DADE

Vulnerabilidade é um t erm o freqüent em ent e ut ilizado na lit er at ur a ger al, aplicado no sent ido de d esa st r e e p er i g o . D er i v a d a d o La t i n , d o v er b o

v u l n e r a r e, q u e r d i ze r “ p r o v o ca r u m d a n o , u m a

inj úria”( 1).

Na s p e sq u i sa s e m sa ú d e , o s t e r m o s “ v u l n er ab i l i d ad e” e “ v u l n er áv el ” são co m u m en t e e m p r e g a d o s p a r a d e si g n a r su sce t i b i l i d a d e d a s pessoas a problem as e danos de saúde. Segundo os descrit ores ut ilizados nas bases de dados da Birem e, qu e é o Cen t r o Colabor ador da Or gan ização Pan -am ericana de Saúde para atualização da term inologia relacionada com as ciências da saúde, encont ram - se d e f i n i d o s co m o v u l n e r a b i l i d a d e: a ) Gr a u d e

suscet ibilidade ou de risco a que est á expost a um a população de sofrer danos por um desast re nat ural; b) Relação ex ist en t e en t r e a in t en sidade do dan o r esult ant e e a m agnit ude de um a am eaça, ev ent o a d v er so o u a ci d en t e e c) Pr o b a b i l i d a d e d e u m a d et er m in ad a com u n id ad e ou ár ea g eog r áf ica ser a f e t a d a p o r u m a a m e a ça o u r i sco p o t e n ci a l d e desast r e, est abelecida a par t ir de est udos t écnicos ( Mat erial I I I - Minist ério da Ação Social, 1992) . Grau de perda ( de 0 a 100 por cent o) com o result ado de um fenôm eno pot encialm ent e danoso .

E por sua v ez, v ulner áv el: a) Um set or da p o p u l ação , esp eci al m en t e as cr i an ças, m u l h er es gr áv idas e ou que est ão am am ent ando, os v elhos, os sem - t et o, que est ão m ais suj eit os à doenças e deficiências nut ricionais. São os que m ais sofrem em sit uações de desast re e, b) Grupo de pessoas que a p ossib ilid ad e d e escolh a é sev er am en t e lim it ad a, suj eit as freqüent em ent e à coerção em sua decisão.

Nestas definições, se faz referência a pessoas que apr esent am algum a alt er ação de um a sit uação de “ norm alidade” biológica, referida ao seu ciclo de vida ou a sua condição social e, desta form a, os grupos a que per t encem são ent endidos com o deficit ár ios ou que foram de algum a form a prej udicados na sua “ f or m a d e an d ar a v id a”. Os d escr it or es t am b ém a p o n t a m p a r a a d i m e n sã o é t i ca n o se n t i d o d e prot eção e defesa dest es grupos.

Est es d escr i t o r es a p r esen t a m d ef i n i çõ es bast ant e abrangent es. O t erm o vulnerabilidade nest e sent ido, não se dist ingue do conceit o r isco, usados inclusive em m uit os est udos com o sinônim os.

A epidem iologia tem tratado tradicionalm ente o risco com o núcleo cent ral de seus est udos. De um m odo ger al, os est udos em epidem iologia buscam identificar nas pessoas, características que as colocam so b m a i o r o u m e n o r r i sco d e e x p o si çã o , co m com pr om et im ent o de or dem física, psicológica e/ ou so ci a l . Ca l cu l a - se a p r o b a b i l i d a d e e a s ch a n ces m aior es ou m en or es d e g r u p os p op u lacion ais d e adoecer ou m orrer por algum agravo de saúde( 2)

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No co n ce i t o e p i d e m i o l ó g i co d e r i sco con st r u ír am - se in st r u m en t os t eór icos cap azes d e ident ificar associações ent r e ev ent os ou condições, pat ológicos ou n ão. Os est u dos n est a per spect iv a b u scam , o “ isolam en t o f en om en ológ ico”, ou sej a, b u sca - se i so l a r o f e n ô m e n o , a sso ci a n d o - se a s v ar iáv eis dependent es e independent es, at r av és de um cont role rigoroso do grau de incert eza acerca do não acaso das associações est abelecidas( 2).

Trat a- se, port ant o, de um processo analít ico, onde se busca produzir um conhecim ent o obj et ivo a part ir da associação de carát er probabilíst ico. Assim , o risco epidem iológico é a probabilidade de que um i n d i v íd u o d e q u a l q u e r g r u p o e x p o st o a u m det erm inado agravo ou condição venha a t am bém a pert encer a out ro grupo, o dos “ afet ados”( 2- 3).

Já a v ulner abilidade t em com o pr opósit o a b u sca d a “ sín t ese”, ou sej a, t r azer os elem en t os abst rat os associados e associáveis aos processos de adoecim entos para planos de elaboração teórica m ais concreta e particularizada, onde os nexos e m ediações e n t r e e sse s f e n ô m e n o s se j a m o o b j e t o d o conhecim ent o sobre vulnerabilidade, diferent em ent e dos est u dos de r isco, bu sca u n iv er salidade n ão a r epr odut ibilidade am pliada de sua fenom enologia e inferência, segundo os autores “A vulnerabilidade quer e x p r e ssa r o s p o t e n ci a i s d e a d o e ci m e n t o / n ã o adoecim ento relacionados a todo e cada indivíduo que

vive em cert o conj unt o de condições”( 3- 4).

Na p e r sp e ct i v a d a v u l n e r a b i l i d a d e , a e x p o si çã o a a g r a v o s d e sa ú d e e m e sm o acom et im en t o q u e lev a a m or t e r esu lt a t an t o d e aspect os individuais com o de cont ext os ou condições colet iv as qu e pr odu zem m aior su scet ibilidade aos agravos e m ort e em quest ão e, sim ult aneam ent e, a p o ssi b i l i d a d e e o s r e cu r so s p a r a o se u enfrent am ent o( 3- 4).

O su r gim en t o da epidem ia de aids foi u m fen ôm en o det er m in an t e par a qu e pesqu isador es e profissionais de saúde pudessem repensar o conceit o d e r i sco e a v a n ça r n a s d i scu ssõ e s so b r e v ulner abilidade.

Propõe- se que a epidem ia sej a int erpret ada segundo a int eração de t rês dim ensões, a individual, a p r o g r am át i ca e a so ci al . Seg u n d o o s au t o r es, ent ende- se que a chance de exposição das pessoas ao ad oecim en t o é r esu lt an t e d e u m con j u n t o d e a sp e ct o s n ã o a p e n a s i n d i v i d u a i s, m a s t a m b é m co l e t i v o s, co n t e x t u a i s, q u e a ca r r e t a m m a i o r suscet ibilidade à infecção e ao adoecim ent o e, de

m odo insepar áv el, m aior ou m enor disponibilidade de recursos de t odas as ordens para se prot eger de am bos( 5).

No m e sm o p r o ce sso d e v u l n e r a b i l i d a d e encont r a- se a capacidade de lut a e de r ecuper ação dos indivíduos e grupos para o seu enfrent am ent o(

6-7). Sugere- se que a vulnerabilidade sej a com preendida

co m o a i n t e g r a çã o d e t r ê s d i m e n sõ e s( 8 ), a d o

en t i t l em en t, r ef er en t e ao d ir eit o d as p essoas, d o

em p ow er m en t, ou sej a, quant o a sua par t icipação

p o l ít i ca e i n st i t u ci o n a l e d a p o l ít i ca eco n ô m i ca , r e f e r e n t e à o r g a n i za çã o e st r u t u r a l - h i st ó r i ca d a sociedade e suas decor r ências.

No conceito de vulnerabilidade, não há com o desconsiderar o seu caráter interdisciplinar. No m odelo de análise baseado na identificação de três níveis para se realizar a leit ura de vulnerabilidade das pessoas ao v ír us HI V com pr eendem a int er secção ent r e as dim ensões sócio- est rut ural e sócio- sim bólica com os níveis de traj etória social, interação e contexto social. Na dim ensão sócio- est rut ural, na int ersecção com a traj etória social, tom a- se o ciclo de vida, a m obilidade social e d a id en t id ad e social en t r e ou t r os. Nest a m esm a d i m en sã o n a i n t er seçã o co m o n ív el d e int er ação t êm - se car act er íst icas do par ceir o ( idade, st at us sor ológico, et c) , espaço onde est a int er ação ocor r e, et c. E p or f im , ain d a n a d im en são sócio est r ut ur al em sua int er seção com o cont ext o social consideram - se as norm as sociais vigentes, as norm as inst it ucionais, as r elações de gêner o, a iniqüidade, et c( 8).

Ag o r a , t o m a n d o se a d i m e n sã o só ci o -sim bólica, em sua int erseção com a t raj et ória social, com preendem - se as subj et ividades, proj et o de vida, per cepção do fut ur o, et c. Na int er seção ent r e est a d i m e n sã o e o n ív e l d e i n t e r a çã o se r e f e r e à r epr esent ação subj et iv a que se t em do par ceir o, a per cepção da u t ilização do con dom em f u n ção do status sorológico, etc. E na interação entre a dim ensão sim bólica com o cont ext o social que com preendem a p er cep ção su b j et iv a d as n or m as, a in t er p r et ação pessoal e a expect at iva de punição, et c.

Est e m odelo t raz im port ant e cont ribuição no sent ido de dar v isibilidade à dim ensão social e da su b j et i v i d a d e n a q u est ã o d a v u l n er a b i l i d a d e d e h om en s f r en t e ao HI V/ AI DS, ap on t an d o in clu siv e algum as possibilidades de int ervenção.

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sua origem , grupos ou indivíduos fragilizados, j urídica ou polit icam ent e, na prom oção, prot eção ou garant ia dos seus direit os de cidadania( 2- 3).

D e ssa f o r m a , p a r a a i n t e r p r e t a çã o d o processo saúde- doença, considera- se que, enquant o o risco indica probabilidades, a vulnerabilidade é um in dicador da in iqü idade e da desigu aldade social. Segundo os aut or es, a v ulner abilidade ant ecede ao risco e det erm ina os diferent es riscos de se infect ar, adoecer e m orrer( 3).

A expansão da aids na década de 1980 e as i n t e r v e n çõ e s p o u co e f i ca ze s p a r a se u co n t r o l e p r o v o ca r a m o q u e st i o n a m e n t o d o s m o d e l o s e p i d e m i o l ó g i co s v i g e n t e s - q u e t i n h a m o r i sco individual com o elem ent o nuclear de suas análises -e d o s m o d -e l o s d -e p r -e v -e n çã o , b a s-e a d o s n u m a abordagem com port am ent al cent rada no indivíduo.

Co n si d er an d o q u e o cam i n h o q u e l ev a o indivíduo a se infectar é determ inado por um conj unto de condições, dent r e as quais o com por t am ent o é a p en a s u m a , n ã o h á co m o p en sa r i n t er v en çõ es v olt adas som ent e par a o indiv íduo, sem dar cont a d a s si t u a çõ e s q u e i n t e r f e r e m e m se u s co m p o r t a m e n t o s p r i v a d o s e se m a ce ssa r o s elem ent os ext ernos - polít icos, econôm icos, cult urais e de oferta de serviços de saúde - que podem apoiar e direcionar as pessoas num a perspect iva de m aior ou m enor aut oprot eção.

O conceit o de v ulner abilidade ao HI V/ AI DS vem sendo desenvolvido desde o final da década de 1980 e expressa o esforço para produção e divulgação de conhecim ent o, debat e e ação sobre os diferent es graus e nat urezas da suscet ibilidade de indivíduos e colet ividades à infecção, adoecim ent o e m or t e pelo HI V, segundo a particularidade de sua situação quanto a o co n j u n t o i n t e g r a d o d o s a sp e ct o s so ci a i s, program át icos e individuais que os põem em relação co m o p r o b l em a e co m o s r ecu r so s p a r a o seu enfrent am ent o( 3- 4).

A v u ln er ab ilid ad e n est e asp ect o p od e ser analisada segundo t rês dim ensões int erdependent es: individual, program át ica e social: a) Vulnerabilidade in d iv id u al, q u e d iz r esp eit o à ação in d iv id u al d e pr ev enção fr ent e a um a sit uação de r isco. Env olv e asp ect o s r el aci o n ad o s a car act er íst i cas p esso ai s ( i d a d e , se x o , r a ça , e t c) , a o d e se n v o l v i m e n t o em ocional, percepção do risco e at it udes volt adas à adoção de m edidas de aut opr ot eção; bem com o a atitudes pessoais frente à sexualidade, conhecim entos ad q u i r i d o s so b r e d o en ças t r an sm i ssív ei s e ai d s;

v iv ência da sex ualidade e habilidades de negociar pr át icas sex uais segur as, cr enças r eligiosas et c; b) Vulnerabilidade program ática que se refere a políticas pú blicas de en f r en t am en t o do HI V/ AI DS, m et as e a çõ es p r o p o st a s n o s p r o g r a m a s d e D ST/ AI D S e o r g a n i za çã o e d i st r i b u i çã o d o s r e cu r so s p a r a prevenção e cont role e c) Vulnerabilidade social que se r efer e à est r ut ur a econôm ica, polít icas públicas, em especial de educação e saúde, a cultura, ideologia e relações de gênero que definem a vulnerabilidade individual e program át ica.

Talvez a m aior contribuição no debate e ação so b r e a d i st i n çã o d o co n ce i t o d e r i sco e v ulner abilidade est ej a no esfor ço de deslocam ent o da noção do risco individual para um a nova percepção de v ulner abilidade social( 9). Sem desconsider ar que

t o d o ser h u m a n o é b i o l o g i ca m en t e su scet ív el à infecção pelo HI V, ou que a t ransm issão r ealm ent e ocorra m ediant e at os com port am ent ais de indivíduos e sp e cíf i co s, n a p e r sp e ct i v a d e a m p l i a çã o d o entendim ento da epidem ia, colocam alguns indivíduos e gr upos em sit uações de m aior v ulner abilidade, o q u e p er m i t e p er ceb er m ai s am p l am en t e co m o a d e si g u a l d a d e e i n j u st i ça , o p r e co n ce i t o e a discrim inação, a opressão, exploração e violência da sociedade aceleram a dissem inação da epidem ia nos diferent es países. A vulnerabilidade social relaciona-se à p r o ce sso s d e e x cl u sã o , d i scr i m i n a çã o o u enfraquecim ento dos grupos sociais, e sua capacidade de reação( 9).

A U T I LI Z A ÇÃ O D O CO N CEI T O D E

VULNERABI LI DADE E A CONTRI BUI ÇÃO DA

ENFERMAGEM

A vulnerabilidade é um conceit o im port ant e para a pesquisa em enferm agem porque est á ligado int rinsecam ent e à saúde e a problem as de saúde( 10).

Pa r a a e n f e r m a g e m , a r e l e v â n ci a d o conhecim ent o sobr e a v ulner abilidade aos agr av os de saúde, t om ando com o ex em plo a infecção pelo HI V e doença aids, reside nas im plicações que produz n a sa ú d e d a q u e l e s q u e sã o v u l n e r á v e i s e co n se q ü e n t e m e n t e , n a i d e n t i f i ca çã o d a s su a s n ecessid ad es d e saú d e, com o p r op ósit o d e lh es assegurar m aior prot eção( 11).

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O t er m o v ulner abilidade é fr eqüent em ent e utilizado nas pesquisas de enferm agem( 10), no entanto,

m u it as v ezes n ão é adequ adam en t e def in ido, n ão existindo consenso sobre o seu significado e utilização. De f at o, n a r ev isão bibliogr áf ica r ealizada sobre vulnerabilidade, nos últim os 10 anos, observou-se que a m aioria dos trabalhos que de algum a form a referem - se ao term o, trata de relatos de investigação e poucos t razem discussões sobre vulnerabilidade na per spect iv a t eór ica da pr odu ção do con h ecim en t o sobre sua definição ou conceit uação.

Muit os dos est udos em enferm agem t rat am d e v u ln er ab ilid ad e n o sen t id o d a id en t if icação d e p essoas ou g r u p os q u e se en con t r a com alg u m a deficiência, expost os aos agravos. A vulnerabilidade é r efer ida m ais à dim ensão do indiv íduo, ou sej a, t r azem pouca ou nada t r at am da dim ensão social, das relações sociais( 12).

Alguns est udos t rat am de caract erizar com o vulneráveis, as m ulheres, os adolescentes, as pessoas com deficiências e outros grupos vivendo em exclusão social( 13- 14). Not am - se alguns est udos m ais recent es

em en f er m ag em , ab or d an d o sit u ações d e g er am v i o l ên ci a, sej am v i v i d as p o r en f er m ei r as o u p o r p a ci e n t e s e p o p u l a çõ e s( 1 5 - 1 6 ). Ou t r o s a b o r d a m

e sp e ci f i ca m e n t e q u e st õ e s e m t o r n o d o r i sco ocupacional( 17). Mais recent em ent e, há t rabalhos na

perspect iva de adv ocacy( 18) e da Ét ica( 19).

A v u l n e r a b i l i d a d e é d e f i n i d a co m o u m pr ocesso dinâm ico est abelecido pela int er ação dos elem entos que a com põe, tais com o idade, raça, etnia, pobreza, escolaridade, suport e social e presença de agravos à saúde. Adm it e- se que cada pessoa possui u m l i m i a r d e v u l n e r a b i l i d a d e q u e , q u a n d o ult rapassado, result a em adoecim ent o( 20).

Am p l i a n d o a d i scu ssã o , a l g u n s e st u d o s consideram que alguns segm ent os da sociedade são m ais vulneráveis ao adoecim ent o e a m ort e do que ou t r os, com o j ov en s e idosos, m u lh er es, m in or ias raciais, pessoas com pouco suport e social, pouco ou n e n h u m a ce sso à e d u ca çã o , b a i x a r e n d a e desem pregados e que sua vulnerabilidade é afet ada gr an dem en t e pela per cepção qu e cada u m possu i sobre o processo saúde- doença e sobre a vida( 11).

Al g u n s est u d o s p r o p õ em co m o v a r i á v ei s para análise, a idade, o sexo, a etnia, o apoio social, a escolaridade, a renda, o estilo de vida e os fatores d e r i sco m o d i f i cá v e i s e n ã o m o d i f i cá v e i s. A vulnerabilidade é definida não só pelas características pessoais, m as t am bém pelas condições adquir idas

no decorrer da vida ou result ant es do est ilo de vida, do desenvolvim ento de estratégias e habilidades para enfrent ar t raum a e doença( 11).

Considera- se que o grau de vulnerabilidade se alt era a depender da m odificação na condição ou am bien t e social. Dessa f or m a, o m odelo an alít ico propost o pela aut ora, represent ado por um t riângulo e q ü i l á t e r o , b a se i a - se n a i d e n t i f i ca çã o d o s com ponent es individual e social da vulnerabilidade.

A avaliação da vulnerabilidade pode ser út il p ar a id en t if icar car act er íst icas ou con d ições p ar a p o t e n ci a l i za r o s r e cu r so s d i sp o n ív e i s p a r a o en f r en t a m en t o d a d o en ça( 2 1 ). A i d en t i f i cação d e

condições, caract eríst icas e sit uações de prot eção e f or t al eci m en t o d os i n d i v íd u os e g r u p os con t r a o a d o eci m en t o co n st i t u em u m d o s d i f er en ci ai s d o conceit o de vulnerabilidade( 4).

Ai n d a q u e a l g u n s e st u d o s a m p l i a m a d iscu ssão p ar a u m a d im en são m ais colet iv a d os f en ôm en os da saú de, a m aior ia ain da pr iv ilegia a dim ensão indiv idual. Além disso, a despeit o dest a m a i o r co m p r e e n sã o so b r e a s q u e st õ e s so ci a i s, considera- se que m uit as pesquisas em enferm agem t rat am dest a dim ensão de form a pouco crit ica, pois ent ende est a dim ensão na per spect iv a de m ais um elem ent o, com o su por t e social. Est a fr agilidade diz

respeit o à form a com o analisa os fenôm enos sociais, com o por ex em plo, a v iolên cia, o papel social da m ulher, a influência da m ídia na cultura, fazendo um a d i scu ssã o , q u e se co n si d e r a su p e r f i ci a l d e st e s f en ô m en o s, l i m i t an d o - se a u m a an ál i se so b r e a a p a r ê n ci a d e st e s f e n ô m e n o s, n ã o d i scu t i n d o apr opr iadam en t e a essên cia de su a pr odu ção. Os est udos não dão dest aque, por ex em plo, às ações dos serviços de saúde, aquelas de âm bito das políticas públicas de saúde( 4).

As p e sq u i sa s n a Am é r i ca d o No r t e , p r in cip alm en t e n a en f er m ag em t en d em a u t ilizar m ét odos com o a fenom enologia e o int er acionism o sim bólico e est e t ipo de abor dagem epist em ológica acaba por pr iv ilegiar o enfoque no indiv iduo. Já as pesquisas na Am érica Lat ina por sofrerem influência de base teórica m arxiana tendem a focar as questões sociais de form a crit ica( 22).

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É indiscutível a relevância da contribuição do con h ecim en t o con st r u ído sobr e v u ln er abilidade n a r e n o v a çã o d a s m e d i d a s d e p r e v e n çã o à a i d s, especialm ent e por sua “ aspiração prát ica”( 2).

A análise da vulnerabilidade perm ite conhecer e co m p r e e n d e r a s d i f e r e n ça s co m o ca d a u m indiv idualm ent e e em gr upo v iv encia e enfr ent a o pr ocesso saúde- doença. Pr opõe- se a const r ução de m arcadores que podem ser ut ilizados para avaliar as condições de v ida e saúde de indiv íduos e gr upos p a r a su b si d i a r a i n t e r v e n çã o o r i e n t a d a p a r a o s det erm inant es do est ado de vulnerabilidade( 4).

Um dos alcances do conceito é dado pelo seu p o t en ci al d e am p l i ação so b r e a co m p r essão d o s fenôm enos da saúde, result ant e do ent recruzam ent o de com portam ento e vivências individuais, subj etivas, condições sociais, políticas e culturais, j untam ente com as ações d e saú d e v olt ad as p ar a a p r ev en ção e cont role dos agravos.

Out r o alcance é a possibilidade de confer ir m aior int egralidade às ações de saúde, ao fort alecer a propost a de int ervenções que considerem as t rês d i m e n sõ e s d a v u l n e r a b i l i d a d e , i n co r p o r a n d o a s influências exercidas pelos seus com ponent es.

Na per spect iv a da det er m in ação social da saúde- doença e da vulnerabilidade, est á im plícit o o seu car át er m u lt id iscip lin ar, o q u e é f u n d am en t al quando se trata de problem as ou de necessidades de saúde, na m edida em que a com plexidade do obj et o d a sa ú d e r e q u e r d i f e r e n t e s a p o r t e s t e ó r i co -m et o d o l ó g i co s, so b p en a d e r ed u zi r a s a çõ es à “ t ar efas” pont uais, de car át er em er gencial que não m odificam a est rut ura da t eia de causalidade( 2,4).

A o p e r a ci o n a l i za çã o d o co n ce i t o d e v u l n er ab i l i d ad e p o d e co n t r i b u i r p ar a r en o v ar as pr át icas de enfer m agem . Ao apr esent ar difer ent es m odelos para se discut ir vulnerabilidade, ent ende- se que a enferm agem precisa ter instrum entos e m odelos t eóricos que direcionem suas prát icas de pesquisa e de int er v enção em saúde. Cont udo, est es m odelos t e ó r i co s n ã o d e v e m se r e n t e n d i d o s co m o u m a est r u t u r a “ r ígida e im u t áv el”. De u m a per spect iv a dialét ica, os m odelos t eóricos são inst rum ent os para se recortar o obj eto de estudo que estão sem pre em const r ução.

Ao se adot ar a vulnerabilidade com o m arco conceit ual num a pesquisa é im port ant e at ent ar para est a não se t ransform e num a reprodução do st at u s quo pela nat uralização da opressão, um a vez que a

p e sq u i sa d e v e p r o d u zi r co n h e ci m e n t o p a r a se em ancipar as pessoas e grupo. É im prescindível que não sej a dada ênfase no pólo da “ debilidade” e que da m esm a form a enfat ize- se o pólo da resist ência e d a ca p a ci d a d e cr i a d o r a d o s i n d i v íd u o s d e super ação( 2,4).

Suger ir que a enfer m agem ut ilize m odelos t eór icos apr esen t ados acim a con t r ibu i par a qu e a e n f e r m a g e m p o ssa p a r t i l h a r e d e b a t e r m a i s am plam ent e o conceit o de vulnerabilidade.

A u t i l i za çã o d e m o d e l o s t e ó r i co s a sse m e l h a d o s p o ssi b i l i t a r i a a i n t e r l o cu çã o d o co n h e ci m e n t o so b r e v u l n e r a b i l i d a d e e n t r e enferm eiras/ pesquisadoras de diferent es paises, com a finalidade de aprim orar os saberes e a prat ica de en f er m agem .

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