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A participação da irmã Mathilde Nina na construção histórica da ABEn.

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Academic year: 2017

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A PRTICIPACAo DA IRA MATHILDE NINA

A

CONSTRUCAo

HISTORICA DAABEn

TH E PARTI C I PATION OF S I STER MATH I LDE N I NA I N THE H I STORICAL

CONSTRUCTION OF THE B RAZI LIAN ASSOCIATION OF N U RS I NG (ABEn)

LA PART I C I PAC I O N D E LA H ERMANA MATH I L D E N I NA E N LA

CONSTRUCCI O N H I STORICA DE LAABEn

Maria Regina Marques Bezerra f

RESUMO: Estudo de cunho h ist6rico-social, cujo objeto e a paticipa:ao da I rma Mathilde N i n a no p rocesso h i st6ri co d a Associa:ao B ra s i l e i ra d e E nfe rm a g e m (AB E n ) , como rep resenta nte da Companhia das Filhas da Caridade. Objetivo: discutir 0 advento da i nser:ao dessa I rma na Associa:ao B rasileira de E nfermagem como uma forma de d ifusao da i nflulncia cat6lica. Recorte te mpora l : 1 939 a 1 950. Fontes primarias: documentos escritos e depoimento d e pessoas q u e tenham convivido com Mathilde Nina. 0 metodo e dialetico, e a discussao dos achados fundamenta-se no pensamento de Pierre Bourdieu. As I rmas da Caridade fizera m , no Brasil , um movimento de inser:ao na educa:ao formal. Tal evento foi consequencia do Decreto 20 . 1 09/3 1 . Como primeira representante da Companhia a se d iplomar, a I rma Nina possufa um capital que a legitimava nas varias i nstancias da enfermagem ; sua i nser:ao na ABEn e mais uma das formas de difusao da ideologia cat6lica .

PALAVRAS-CHAVE: ensino religioso , h ist6ria da enfermagem , ensino de enfermage m , ABEn

CONSIDEACOES INICIAIS

Trata-se de um estudo de cunho hist6rico social cujo objeto e a partici payao da I rma Mathilde N i na no processo h ist6rico da Associayao Brasileira de Enfermagem (AB E n ) , como representante da Compa n h i a das F i l has da Caridade. Seu objetivo e discutir 0 advento da inseryao dessa I rma na Associayao Brasileira de Enfermagem como u ma forma de d ifusao da i nfluencia cat6lica .

A motivayao para rea l izar este tra balho e conseq uencia de u m longo processo de convivencia academica no espayo social da Faculdade de Enfermagem Luiza de Mari llac (FELM). Esse processo diz respeito a u m contato in iciado em 1 98 3 , q uando era aluna de grad u ayao e fiz a m izad e com a I rma E rcflia de Jesus Bend i n e . Foi atraves dela q u e obtive as primeiras i nformayoes a respeito da Compa n h i a . Ao ser convidada para trabalhar na F E L M , em 1 98 6 , passei a conviver no locus hist6rico onde as I rmas pud eram consolidar a sua inseryao na ed ucayao formal.

Nesse sentido, um dos resultados concretos deste artigo e fornecer informayoes a respeito do pioneirisno da I rma Math ilde N i n a q u e , alem de ter sido a primeira relig iosa a se i nserir na ed ucayao formal en enfermagem no Bras i l , foi a prineira a fazer parte da Associayao B rasileira de E nfermeiras Diplomadas (ABE D ) .

A real izayao deste trabalho me parece oportu n a , tambem, p o r permitir con hecer melhor eSsa m u l her que viveu em um momenta pol itico-social em que as I rmas d a Compan h i a das Filhas da Caridade, que prestavam assistencia hospitalar desde 0 seculo XIX no Brasi l , perderam

1 Pafessora Auxiliar da Faculdade de Enfermagem L uiza de Man/lac, mestranda da EEAN / UFR, memba do NJcleo de Pesquisa de Histoia da Enfermagem Braslleira/EEA N/UFRJ (Nuphebasj.

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A participa:ao da irma Mathilde Nina .. .

esse direito, por for;a de lei . Ou sej a , a publica;ao do Decreto n O 20 . 1 09/3 1 , entre outras providencias , passou a regular 0 exercicio de enfermagem no Brasi l , obrigando aqueles que atuavam ou desejassem atuar profissionalmente em espa;os hospitalares a obter a forma;ao academica .

Sabe-se que a decada de 30 e con hecida, tambem, como u m momenta de retomada da alian;a entre 0 Estado e a Igreja.

E

nesse contexte que Getu lio Vargas assina , e m 1 0 de mar;o de 1 932, 0 decreto nO 2 1 . 1 4 1 , "conferindo as I rmas da Caridade direitos iguais aos das enfermeiras " padrao Ana Neri"

(

Baptista; Barreira, 1 99 7 , p. 3 5 ) .

A despeito do Decreto baixado pelo Presidente da Republica , Mathilde Nina, desejando se empenhar na cria;ao de uma institui;ao capaz de oferecer as I rmas e cat61icas uma forma;ao q u e aliasse a constru;ao do conhecimento cientffico de Enfermagem aos habitos religiosos , buscou cumprir a exigencia do referido decreto.

Para dar conta de examinar 0 objeto de estudo, optei por u m a a bordagem de cunho hist6rico-social e utilizei 0 metodo dialetico, que possibilita a instru mentaliza;ao do pesqu isador no sentido de faze-Io ver "que 0 objeto das ciencias e complexo , contradit6rio, inacabado, e em permanente transforma;ao" (Minayo, 1 993 , p. 22) .

o recorte temporal compreende 0 periodo de 1 939 a 1 950. 0 marco inicial e a participa;ao da I rma Mathilde N i n a , pel a primeira vez, na Associa;ao Brasileira de E nfermeiras Diplomadas e 0 marco final corresponde a sua u ltima atua;ao na Associa;ao Brasileira de E nfermagem (ABEn).

Sao consideradas fontes primarias neste a rtigo documentos pertencentes ao Arq uivo da Companhia das Filhas da Caridade, da Faculdade de Enfermagem Lu iza de Marillac, do Acervo da Escola de Enfermagem da U F MG e depoimentos de duas I rmas que viveram nesse periodo. As I rmas entrevistadas conviveram com Math ilde N ina e presenciaram sua trajet6ria como enfermeira atuante em diversas ativid ades ligadas a classe.

Para poder real izar a coleta de dados , pa utei-me na tecnica de entrevista semi-estruturada ; forma d e levantamento d e dados q u e possibilita a o entrevistador fazer a s necessadas adapta;6es.

As entrevistas foram g ravadas e , em seguida, tra nscritas ( Ludke; Andre, 1 98 6 , p . 34) .

B usca ndo u m a melhor a n a l ise das fontes primarias selecionadas ate 0 momento , relacionei-as com as fontes secu ndarias, 0 que possibilitou 0 entendimento dos d iversos contextos engendrados na hist6ria . No q u e diz respeito as fontes secu ndarias, a l iteratura selecionada engloba as areas da hist6ria da enfermagem , da educa;ao e religiao no pa is e da trajet6ria da ABE n .

Buscando entender a rela;ao d a s religiosas com a constru;ao hist6rica da A B E n , e a s d iversas situa;oes envolvidas nesse processo, pautei 0 meu estudo no pensamento de Pierre Bourdieu .

AATUACAO DAASSOCIACAo sAo VICENTE DE PAULO NO BRASIL

Ap6s 0 surg i mento e a estrutura;ao da Associa;ao Sao Vicente d e Paulo (ASVP), na Fran;a , no seculo XVI I , a forma de assistencia aos doentes pobres sofreu grandes modifica;oes, e os desvalidos, que antes nao tinham a quem recorrer para receber atendimento, passaram a ter u m modelo de hospital e assistencia .

Esse modele de trabalho se difundiu aos poucos pelo mundo, ate que, no seculo XVI I I , ou sej a , em 1 8 1 9, viera m para o Brasil o s primeiros padres provenientes da Provinia Potuguesa

(

Casto, 1 936 , p . 4 1 8 ) .

O s confl itos existentes na Europa , decorrentes da Revol u;ao Fra ncesa, l i m itaram demasiadamente a a;ao dos religiosos dessa Ordem. AAssocia;ao encontrou "entao na vinda para 0 Brasil uma sol u;ao para esse problema". Essa sol u;ao foi d espertada pela "ideia da ' missao''', com vistas a contin u idade do exercicio das atividades para a q u a l fora m ordenados ( Nunes, 1 99 7 , p. 492 ) .

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BEZERRA, M . R M .

E m 1 7 de novembro de 1 852 , 0 I mperador vigente, D o m Pedro I I , solicita ao d i retor dos missionarios , Padre Vi;oso, atraves do M i nistro de Estado, a funda;ao da Santa Casa de Miseric6rd i a . Com esse i ntento, sao enviadas tri nta I rmas da Casa Mae da Companhia das F i l has da Caridade, local izada em Paris, para 0 Rio de J a neiro . 0 hospital ja era ad m i nistrado por pessoal servente; com a chegada das I rmas, a a;ao assistencial e administrativa do servi;o hospitalar logo foi sentida pela com u n idade, conforme reg istra Castro ( 1 936, p. 424 ) .

Ate 1 933, as I rmas ja haviam a berto 67 casas para a presta;ao de assistencia a enfermos. Somente em 05 de setem bro de 1 93 9 foi criado 0 primeiro centro de forma;ao de enfermeiras religiosas no Brasi l , que recebeu 0 nome de Escola de Enfermeiras Luiza de Mariliac, equ iparado a escola padrao pelo Decreto nO 9 1 00 , de 24 de mar;o de 1 94 2 , assinado por Getulio Vargas e por Gustavo Capanema , M i n istro da Educa;ao e Saude Publica . Esta foi uma conqu ista da Companhia, tendo na fig u ra de Mathilde N i na s u a maior representa nte , levando-se em conta que foi seu trabalho que propiciou a d ifusao e a consolida;ao das I rmas da Caridade diplomadas nos espa;os educacionais e hospitalares .

A MULHER MATHILDE NINA

Com a cria;ao da Escola Profissional de Enfermeiros e Enfermeiras do Hospicio Nacional de Alienados , em 1 890, a Cruz Vermel h a , em 1 9 1 6 , e a Escola de Enfermagem Anna Nery, em 1 922 , 0 cenario da forma;ao dos prestadores d e assistencia se mod ifica . Sendo la icas , tais institu i;6es se afastavam , em mu ito , do modelo considerado necessario a forma;ao das I rmas da Caridade. Alem disso , inexistia uma legisla;ao que oficia l izasse e organ izasse a pratica de enfermagem, 0 que possibilitava a permanencia das Irmas no trabalho hospitalar como enfermeiras, mesmo sem titula;ao forma l (Baptista ; Barrei ra , 1 99 7 , p . 29-3 0 ) . Isso, porem, sera mod ificado pois

H

(

. . . ) por for;a do Decreto nO 20 . 1 0 9 , de 1 5 de j u l ho de 1 93 1 , que passou a regular 0 exercfcio da enfermagem no pa is e deu outras providencias. Dentre estas, reconheceu a Esco l a de Enfermagem Anna N e ry como ofi c i a l padrao para efeito d e cria;ao e reconhecimento de outras escolas d e enfermagem brasileira e a partir desse momenta ficou determinado q u e s6 poderia exercer a profissao quem obtivesse a titu la;ao forma l de enfermagem" ( Bezerra; Baptista, 2 0 0 1 , p . 7

-

artigo em fase de publica;ao) .

A partir desse momento , a Compan h i a d a s F i l h a s d a Caridade, pertencente a ASVP, busca meios para se i nserir na educa;ao forma l . Para ta nto , procura aquela q u e mel hor representaria os anseios da comunidade rel igiosa . Segundo I rma Fiusa2 (depoente nO 2 ) : " H a necessidade [de as I rmas se mantere m no a mb iente hospitalarj , porq ue 0 motivo relig ioso era mu ito maior q u e as leis, da situa;ao de trad i;ao, era u ma seg uran;a para 0 Estado . Estamos na assistencia desde que eu me entendo por gente, desde 0 seculo XVI I , e no Brasi l desde 0 seculo XIX. Sempre foi a gente que prestou assistencia".

Q u e m seria a I rma m a i s indicada nessa situa;ao?

E m 25 de outu bro de 1 899, nasce na cidade de Sao Luiz do Maranhao Edmar Arlie N ina, filha de Almir Nina, medico, e de Maria Arlie Parga. (Arqu ivo da Companhia das F i l has da Caridade). Na vida familiar, recebeu a primeira forma;ao religiosa , habtus -especie de conhecimento adquirido, uma d isposi;ao incorporada na rela;ao fa m i l i a r e social ( Bourdieu, 1 989)

-

que se misturava com a visao que tinha da atua;ao do pai na assistencia . Estudou e diplomou-se como normalista . E m depoimento conced ido com fins de pesq u isa, a I rma F i usa (depoente nO 2 ) comenta q u e N i na foi s u a professora , na escola primaria I maculada da Concei;ao, em Fortaleza , pertencente

2 Depoimento concedido em 17/ .8 / 2...

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A participayao da irma Mathilde N i na . .

a Companhia das Filhas da Caridade. Mais tarde, tornaram-se colegas d e postu lante, de 1 5 de j u n ho de 1 922 e 7 de abril de 1 92 3 , em Sao Joao Del Rei. Em 27 de junho de 1 92 7 , ap6s 0 noviciado, retorna a Fortaleza , para receber os votos.

Com sua entrada na vida religiosa , atraves da aquisigao dos votos, qua ndo tinha vinte e oito anos, Edmar Arl ie N i na passou a chamar-se Math ilde N i n a . 0 capital cu ltura l por ela acumulado anteriormente deu-Ihe cond igoes para atuar i ntensamente , religiosa e politicamente, na nova posigao que ocu pava . Assi m chegou a ser uma das principais mentoras da i ntrodugao da formagao academica destinada ao gru po cat61ico no Rio de Janeiro. Sua agao nesse sentido possi b i l itou a perma nencia das I rmas da Caridade nos espagos hospita l a res por elas administrados, onde prestava m assistencia aos doentes .

A criagao da Escola de E nfermagem Carlos Chagas, em 1 93 3 , nas dependencias do Hospital Sao Vicente de Paulo ofereceu as cond igoes para que as primeiras I rmas pudessem se formar, pois permitiu aliar a vida relig iosa a academica, alem de ter, na d iregao Lais Netto dos Reys , cata/ica convicta, formada na primeira turma da Escola de E nfermagem Anna Nery ( E EAN ) , considerada padrao a epoca ( Teixeira et ai , 1 998 , p. 53 ) . Fez parte da primeira turma da nova institu igao, a pioneira I rma Math i lde N i n a , formada em 1 936 . Em 1 93 8 , outras d uas I rmas da Companhia se formariam na mesma Escola, Lidia de Paiva Luna e Catarina Candido Fiuza , que mais tarde participaria m d a criagao d a primeira escola cat61ica de n ivel su perior no Rio de Ja neiro , com a I rma N i n a.

A partir desse momento , essas religiosas comega m sua camin hada na enfermagem , marcando profu nda mente a presenga da Compa n h i a das F i lhas da Caridade no cenario da enfermagem nacional.

Alem d a Carlos Chagas, que atende a ideologia cat6lica , sao criadas no Brasil d uas escolas cat61 icas de enfermagem. A pri meira foi a " Escola de Enfermeiras do Hospital de sao Pau lo/SP ( 1 938 ) , d i rigida pelas Francisca nas M issionarias de Maria , e a seg u nda foi a Escola Luiza de Mari l i aclD F ( 1 939)" ( Baptista; Barreira, 1 99 7 , p. 36 ) . A criagao desta u ltima foi conseq uencia da conqu ista do capital cu ltural adquirido pela I rma Mathilde Nina, pois, uma vez formad a , acabou por "responder aos anseios da Associagao e iniciou 0 processo de criagao, no Rio de Janeiro, de uma escola de enfermagem que [aliou] a formagao academico-cientifica aos 'habitus' religiosos" ( Bezerra; Baptista, 200 1 , p. 7 - artigo em fase de publicagao).

Esse evento colocou no cenario nacional as religiosas enfermeiras com formagao academica , capazes de atuar na nova profissao, d ifundindo a doutri na cat6lica .

Para que a atu agao d a Igreja fosse d e fa to marcante, os religiosos , ou seja, as irmas enfermeiras, como suas representantes leg iti mas, buscara m penetrar em todas as esferas e irradiar a i nfluencia cat6lica .

MATHILDE NINA E SUAATUACAo NA TRAJETORIA HISTORICA DAABEn

As diplomadas da pri meira turma da E EAN , em 1 92 5 , tivera m 0 desejo de formar uma associagao que oferecesse as ex-alunas uma maneira de promover intercambio cu ltura l . Essa i n iciativa s6 sera poss ive l , no entanto, com a renovagao do contrato de Ethel Parsons3 , em 1 926, que propicio u , j untamente com Edith Magalhaes Fraenkel , cond igoes para a retomada dessa discussao, propondo a org a nizagao d e uma associagao com 0 objeivo mais amp/o, que pemiisse admitirem seus quados enemeias omadas em ouas sco/as. Esse desejo, que tem origem em uma reun iao d a Associagao do Governo I nterno das Alunas, em 061

J Enfermeira note-ameicana enviada ao Brasi, em 1921, pela Funda:80 Rockefelle; com a

Missao Tecnica de Cooperayao para 0 Desenvolvimento da Enfermagem. Ap6s ajudar na implanta:80 do Depatamento Nacional de SaJde PJblca (DNSP), atuou no pocesso de cia(:80 de uma escola voltada para a forma:80 de enfermeiras pautado no sistema Nathingeliano Carval ho, 1976, p. 2 1).

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BEZERRA, M . R . M .

08/1 926 , propicia a criayao d a Associayao Brasileira de Enfermeiras Diplomadas (AB E D ) ( Cavalho, 1 976 , p . 22). A i n d a essa a utora relata que uma vez aprovada a idei a , foi formad a imediatamente uma diretoria provis6ria, que durou apenas um ano. Essa comissao providenciou o primeiro estatuto , aprovado em reuniao de 1 2/08/1 926 . Dessa forma foi fundada a Associayao. Em 03/1 1 /1 938 foi eleita para presidente da ABED H ilda Anna Krisc h , cargo q u e d everia ocu par ate 26/09/1 94 1 , 0 que deixa de ocorrer por ter se l icenciado no perfodo de 1 5/09/1 939 a 1 510311 940 . N esse i nteri m , assume 0 seu cargo a vice-presidente Edmeia Cabral Vel h o , q u e

ind ica a I rma N i n a para s e r mem bro honorario d a A B E D . 0 convite nessa categoria ocorreu

porq ue s6 poderia se tornar s6cio efetivo quem tivesse 0 d iploma reconhecido, docu mento q u e Mathilde N i n a nao tinha , pois a Escola de Enfermagem Carlos Chagas estava ainda em processo de equiparaya04 .

Em 23107/1 948 , ocorre outra eleiyao para compor a com issao q u e iria dar contin u idade aos trabalhos da ABED. Ap6s as eleiyoes, toma posse a enfermeira Edith Magalhaes Fraenke l ,

de cuja eq uipe faz parte a I rma Mathilde N ina, assumindo cargo de Conselheira Fiscal ( Cavalho,

1 976 , p. 5 1 ) .

A gestao , q u e termi naria e m 08/1 2/1 950, apresenta uma modificayao n a composiyao d a comissao admin istrativa e, em 02/1 2/49, a I rma N i na s e torna vice-presidente. Dura nte a gestao dessa eq u i pe , podem ser destacados alguns acontecimentos i mportantes :

- pela primeira vez, e reg istrada, e m ata , a posse de uma d i retori a ;

- rea liza-se uma reu niao em S a o P a u l o para formar a Federayao I nternacional d e Enfermagem;

- a diretoria trabalha para a provayao da lei nO 775/49 ( Cavalho, 1 976, p. 52) .

Segundo a (depoente n01 ) Ir. Cecilia5 , a Irma Mathilde Nina foi uma "grande empreendedora". E m 08/1 2/ 1 95 0 , ocorrem novas eleiyoes para a pr6xima d iretoria d a AB E D , q u a ndo

Waleska Pa ixao , cat6lica , que foi a segunda diretora da Escola de Enfermagem Carlos Chagas , e eleita presidente . N essa gestao, a I rma N ina ocu pa 0 cargo de vice-presidente, q u e seria exercido ate 26/07/1 952 ; em 1 7/1 1 / 1 951 , pore m , ha su bstitu iyao d e mem bros da eq u ipe, e a enfermeira Maria Rosa S . Pinheiro assume a vice-presidEmcia da Associayao , em lugar d e

Mathilde N ina ( Cavalho, 1 976 , p . 52) .

N esse periodo, Mathilde N i na e tra nsferida da Escola de E nfermagem Lu iza de Marillac para a Escola de Enfermagem de Goiania, seguindo ordens superiores. No Arquivo da Companhia das F i lhas da Caridade, ha reg istro de que partiu para Goiania em 1 952, deixando de exercer entao a d i reyao da Escola no Rio de Janeiro .

A s atividades desenvolvidas d u ra nte a gestao de Waleska Paixao, para aprovar a L e i nO 775/49, se concretiza m . Entre outros itens, essa lei reg u l a menta a s ituayao dos profissionais de n ivel medio no pais. Esse evento acaba por influenciar a mod ificayao da nome nclatura Associayao e sua composiyao; esta passa a denominar-se Associayao Brasileira de Enfermagem (AB E n ) . Tais mod ificayoes ocorrem para que a entidade possa se aj ustar a nova rea l idade, passa ndo a receber como s6cios os profissionais de n ivel med io. ( Cavalho, 1 976 , p . 54)

A ABEn E AS EN TIDADES RELIGIOSAS

E m 1 955, u m gru po de enfermeiras rel igiosas , s6cias da A B E n , sugere a fil iayao d a entidade ao Comite I nternacio n a l Cat61ico de E nferme i ras e Assistencia Medico-Sociais

4 Sua equiparayao ocorreu em 2410311942, data em que 0 Pres/dente GetJlio Vargas assinou

o Decreto n° 9. 10, tomando essa instituiyao "Padrao Anna Nery': Em 281011968, passou a se denominar Escola de Enfermagem da Univers/dade Federal da Minas GeraislEEUFMG Nascimento et aI., 199, p. 7).

5 Depoimento conced/do em 13 1 06 1 2000.

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A participa:ao da irma Mathilde N i na . . .

(CICIAMS).

o CICIAMS nasceu em 1 928, de um encontro realizado na su r�a , por d iversas enfermeiras cat6licas, que tinham como um de seus objetivos "esti mular, em todos os pa rses , a cria�ao e 0 desenvolvimento de associa6es profissionais cat6licas a tim de assegurar apoio moral e espiritual as enfermeiras e assistentes medico-sociais cat6licas , bem como seu aperfei�oamento tecnico." ( Cavalho, 1 976, p . 4 1 6)

Essa entidade realiza seu primeiro congresso em 1 933. Ap6s a Segunda G uerra M u ndial, em 1 946, 0 CICIAMS recome�ou as suas atividades e, a partir de entao, os congressos passaram a ser rea lizados em u m i ntervalo de quadro a nos .

No Brasil, tambem, houve um movimento por parte das enfermeiras cat6licas, para formar uma entidade q u e as congregasse. Ass i m , foram criadas a U n iao das Religiosas E nfermeiras do Bras i l ( U RE B ) , em 1 944 , e a U n iao Cat61 ica das E nfermeiras do Brasi l ( U C E B ) , em 1 948 e , em 1 94 7 , ocorre em S a o P a u l o , 0 I Congresso Nacional de E nfermeiras Religiosas . N esse encontro recomenda-se a cria�ao de duas escolas de ensino de enfermagem , para atender as religiosas: uma de "padrao medio" e outra superior, "que deveria funcionar na Pontifrcia U niversidade Cat61ica de S. Pau lo" ( Cavalho, 1 976 , p. 4 1 7).

E m 1 94 7 , com a realiza�ao do I Congresso N aciona l de Enfermagem, org a nizado pel a ABEn, os membros da U RE B participam ativamente, tendo como destaques a I rma Mathilde N ina e Madre Maria Domineuc, esta u ltima foi a responsavel pela cria�ao da primeira escola de enfermagem no Bras i l , em Sao Paulo, conforme a nteriormente citado.

A participa�ao da I rma Nina d u ra nte os pri meiros a nos de existencia da U niao das Relig iosas E nfermeiras do Brasil foi de grande destaq ue. N a sua opiniao, "nao deveria haver separa�ao entre as enfermeiras leigas e as religiosas" ( Cavalho, 1 976 , p. 4 1 8).

Posteriormente, a U R E B e a U C E B se fi liarao ao Comite I nternacional d e E nfermeiras e Assistentes Med ico-Sociais.

CONSIDEACOES FINAlS

Com a evolu�ao da enfermagem e 0 avan�o da ciencia, aliados a nova legisla�ao, 0

Decreto nO 20 . 1 09/3 1 , as I rmas da Caridade sentiram necessidade de proporcionar meios para que as religiosas tivessem acesso ao conhecimento cientffico, com vistas a aquisi�ao de suporte para 0 desenvolvimento das a�6es assistenciais e sua manuten�ao nos espa�os hospitalares. Tal fato s6 poderia se concretizar se as I rmas pudessem se inserir na educa�ao formal .

A conqu ista d a ed uca�ao forma l e a cria�ao d e u m a i nstitu i�ao de ensino su perior que alia a vida rel ig iosa a academica sao a penas dois exemplos das realiza�6es de Mathilde N ina. A atua�ao desta m u l her se revela em varios ca mpos da Enfermagem. Sua participa�ao no movimento pela regulamenta�ao da Lei nO 775/49 e notavel . Tal legisla�ao acaba por influenciar a mudan�a d a estrutura da ABED, fazendo-a ampliar seu papel, tornando-se entao ABE n . Alem disso , a I rma N i n a foi membro ativo da U RE B ate os a nos 40.

ABSTRACT: T h e present work is a study of social-historical nature . It h a s a s its objective u nderstanding the participation of Sister M athilde Nina, as a representative of the Compa n h ia das Filhas da Caridade ( Daughters of Charity Company), i n the history of the Brazi lian Association of N u rsing (AB E n ) . It d iscusses the association of this sister to ABEn as a way of spreading the catholic ideology. The study covers a period of time between 1 939 and 1 950. The primary data was collected through written documents and reports of people who were close to Mathilde Nina. The dialectic method was adopted and the discussion of the findings is based on Pierre Bourdieu's thoughts. As a consequence of the edict 20 . 1 09/3 1 , the Sisters of Charity made their i nsertion in the formal education in B razil. As the first

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BEZERRA, M. R. M .

representative of t h e Company t o graduate, sister N i n a could perform i n d ifferent instances of the nursing profession . Her participation i n ABEn was a way of spreading the catholic ideology i n n u rsing .

Kewords: the history of nursing, education of n u rsing , ABEn, rel igious education

RESU M E N : Estudio historico-socia l , que busca enseiar la partici pacion de la Hermana Mathilde N i na en el proceso historico de la Asociaci6n Brasileia de Enfermeria (ABEn), como representante de la Compania de las H ijas de Caridad. Objetivo: discutir la labor de la Hermana en la ABEn como forma de difusi6n de la i nfluencia cat6lica. Perfodo investigado: de 1 939 a 1 950. Fuentes primarias: documentaci6n escrita y relatos de personas que con ella conviviero n . EI metodo es dialectico y la d iscusi6n sobre el material reunido se fundamenta en las ideas de Pierre Bourdieu. Las hermanas d e C a r i d a d rea l iz a ro n , en B ras i l , un movi m i e nto d e i nserci 6 n e n l a e d u caci6n form a l , co mo consecuencia del Decreto 20 . 1 09/3 1 . Como primera representante de la Compania a g raduarse, Hermana N i n a poseia u n capital que la legitimaba e n las varias instancias de la enfermeria. Su entrada en la ABEn represent6 una de las formas de d ifusi6n de la ideolog ia cat6lica.

PALABRAS CLAVE: ensenanza religiosa , historia de la enfermeria , ensenanza de e rifermeria , ABEn

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Referências

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