• Nenhum resultado encontrado

O papel do diretor escolar na formação em serviço: um estudo da proposta de formação...

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2017

Share "O papel do diretor escolar na formação em serviço: um estudo da proposta de formação..."

Copied!
85
0
0

Texto

(1)

ANEXO I

Questões para roteiro semi-estruturado de entrevista

com diretores da SMESBC

1. Formação Inicial

1.1. A sua escolha pelo magistério tem alguma relação com sua infância, com a vida em

família?

1.2. Faça uma rápida avaliação de sua trajetória escolar.

1.2.1. Quais lembranças (boas ou más) estão presentes em sua memória?

2. Inicio da Carreira

2.1. Fale a respeito de sua carreira e da chegada à direção escolar na Rede Municipal de SBC.

2.1.1. Por que escolheu essa escola?

2.1.2. Fase inicial / primeiras semanas.

2.1.3. Construindo um caminho / avanços e recuos.

2.2.

Fale um pouco mais dos desafios enfrentados na direção no cotidiano escolar.

2.3.

Nessa trajetória, você pode observar a necessidade de aprofundamento em alguns

conhecimentos que considera essenciais a um diretor escolar? Esses conhecimentos foram

vistos na formação específica para formação em Administração Escolar?

3. Concepção de Formação Contínua

(2)

3.2. Você teve boas experiências na participação de projetos de formação contínua como

professor(a)?

3.3. Segundo as diretrizes da SMESBC, os diretores das unidades escolares podem/devem

promover a formação pedagógica de sua equipe de educadores. Qual é seu parecer a

respeito dessa proposta?

3.4. Fale um pouco de suas experiências significativas de formação como diretor(a) escolar.

3.5. O que você observa em relação aos diretores e à proposta da SMESBC? Como eles se

posicionam perante a proposta da rede?

4. Formação Contínua na Escola

4.1. Como você percebe a formação pedagógica da equipe escolar

em especial dos

professores em serviço

no cotidiano da escola?

4.2. Quais as facilidades e dificuldades encontradas no cotidiano da formação contínua de

professores?

4.3. Que avaliação você faz da formação inicial dos professores? Pense nas necessidades

formativas dos professores.

4.4. Quais as possibilidades, espaços, situações que podem ser utilizados na e para a

formação da equipe (coletivo de professores)?

4.5. É possível promover também a formação individual do professor? Como?

5. Projeto de Formação Pedagógica na Rotina da Escola

5.1. Como, quando e com quais instrumentos, procedimentos você identifica necessidades

específicas de formação pedagógica dos professores que trabalham na escola?

5.2. Como, quando e com quem você planeja a formação da equipe escolar de professores?

5.3. Na formação em serviço você consegue explicitar os objetivos, métodos, técnicas, mídias

(livros, textos, TV, vídeo, computador etc.)? Quais?

5.4. Quais são as maiores dificuldades enfrentadas no trabalho de formação? Como lidar com

elas?

5.5. Quando o trabalho fica mais fácil?

5.6. É possível relacionar o trabalho de formação em serviço com a melhoria do desempenho

do professor na sala de aula? E com aprendizagem das crianças?

6. Secretaria de Educação

6.1. Quais as dificuldades?

(3)
(4)

ANEXO II

Consentimento livre e esclarecido

São Bernardo do Campo, ____ de ______________________ de 2003.

Prezado(a) Diretor(a),

Estou desenvolvendo uma pesquisa sobre formação contínua de professores em serviço, pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.Nesse sentido, gostaria de contar com sua participação no referido estudo concordando em conceder-me uma entrevista falando do papel pedagógico do diretor escolar na formação dos professores, que será, com sua permissão, gravada em áudio e posteriormente transcrita.

Comprometo-me a manter o sigilo quanto aos dados pessoais dos entrevistados por ocasião da publicação dos resultados da pesquisa.

Christiane Oliveira Teixeira de Barros

Nome do entrevistado: ________________________________________________________

(5)

ANEXO III

Roteiro para entrevista

Identificação

1. Data: _____________________

2.

Idade: ____________________

3.

Sexo: ____________________

4.

Ano de formatura/Pedagogia: _____________________

5.

Início da atividade como docente: __________________

6.

Início da atividade como diretor(a) escolar: ____________

7.

Tempo de direção nesta escola: ___________________

8.

Horário de trabalho: _____________________

9.

Horário de HTPC: _______________________

10. Número de funcionários da escola: __________________

11. Número de professores: __________________________

12. Professores/ tempo de magistério:

( ) menos de 4 anos

( ) entre 5 e 10 anos ( ) mais de 10 anos

13. Número de alunos: __________________________

14. Número de classes: __________________________

15. Número de alunos na lista de espera:

(6)
(7)

Entrevista com a Diretora I

CATEGORIA

ANÁLISE

Entrevistadora: Fale da formação inicial como aluno, seu percurso.

Diretora: A partir do magistério?

Entrevistadora: Pode ser.

Diretora: Então, eu estudei em escola pública o primeiro grau.

Formação inicial. Formação em escola pública e opção por ensino

profissionalizante como forma de custear os estudos, realidade da maioria dos professores

brasileiros.

Entrevistadora: Você sempre estudou em escola pública?

Diretora: Sim, meu pai, tinha um entendimento das coisas que assim, que ele ia investir para que os filhos estudassem, porém quando terminassem o curso tivessem uma profissão, era assim que meu pai pensava. Então todos os quatro filhos fizeram no 2º grau curso profissionalizante, na cabeça dele o ser humano precisa trabalhar a princípio, mas precisa estudar e ter uma profissão para terminar e começar a estudar. Este era o pensamento do meu pai, e, quando terminei o primeiro grau, eu comecei o curso de magistério, eu tive uma irmã que fez contabilidade, um irmão que fez edificações numa escola técnica e outra irmã que fez magistério.

Entrevistadora: Mas foi você que escolheu o magistério? Ou foi seu pai?

Diretora: Não, fui eu. Ele abriu várias possibilidades, por exemplo: Quer que eu inscreva você na ETE, que é uma escola técnica? Você quer fazer eletrônica? O que você quer fazer? Aí eu fiz a opção pelo magistério, comecei a fazer numa escola estadual também, antes de terminar comecei a trabalhar em escolinhas particulares.

Entrevistadora: Da escola, você tem lembranças de ter sido boa aluna?

Diretora: Sempre fui boa aluna, sempre tirei boas notas, nunca fiquei de recuperação. Aí uma análise bem psicológica, mais acho que meu pai reconhecia muito isto e isto me trazia muita alegria. Ele ia nas minhas reuniões e eu gostava muito que ele ouvisse falar bem de mim, eu sempre fui muito bem, gostava de estudar, sempre fui uma excelente aluna, no magistério também, só que no magistério que na verdade acabou não dando nenhuma condição de trabalho, aquele material sem utilidade, muita coisa tradicional, eu terminei o magistério em 1983. Teve até uma situação, muito marcante no magistério, uma situação que nós tínhamos de fazer uma regência, e eu fui super mau na regência (risos), se eu fosse pensar que eu não poderia ser professora eu jamais teria sido, porque fui péssima, não consegui controlar aquelas crianças de 4ª série que eu não conhecia, porque era um esquema de estágio, onde tinha uma regência, a professora observava a aula, ela vinha você preparava uma aula, você trabalhava, e ela te dava uma nota. Foi uma experiência péssima, é engraçado isto, foi um horror, tinha 16 para 17 anos.

Formação inicial.

Magistério – um curso profissionalizante como

opção.

Formação inicial no magistério não forneceu

subsídios necessários para a atuação como

(8)

Entrevistadora: E a faculdade?

Diretora: Então, depois eu terminei em 1983, e a faculdade eu comecei em 1987, dei um tempo, também por questões financeiras, fiquei esperando ter um emprego melhor, para ter condição porque meu pai dizia assim. Eu ajudo até terminar o 2º grau, não tem essa historia, terminou o 2º grau tem uma profissão, aí segue teu

caminho. Dificuldades financeiras

para custear a faculdade. Realidade de muitos educadores brasileiros.

Entrevistadora: Então você começou a dar aula?

Diretora: Comecei. Em 1983 eu me formei, neste período que eu fazia magistério, meu pai também orientava no sentido de que a gente tinha de fazer estágio que era isto que ia dar condição de arrumar um emprego, na cabeça dele era ter experiência. Então antes de me formar eu ingressei na prefeitura de São Caetano do Sul fazendo estágio, fora às horas que eram obrigatórias, eu fiz um tempão de estágio numa escola. Eu ia diariamente para aquela escola.

Entrevistadora: E nesse período você fez a faculdade?

Diretora: Em 1987, eu inicio a faculdade, eu já estou trabalhando na prefeitura de São Caetano do Sul e numa escolinha particular, começo a faculdade de pedagogia à noite, na FMU, em 1987, eu presto outro concurso para a prefeitura de Diadema. E vou trabalhar na prefeitura de São Caetano do Sul e Diadema, dois lugares bastante distantes, faço faculdade à noite, saí de Diadema para entrar em São Bernardo do Campo em 1991, em 1990, eu terminei a faculdade.

Entrevistadora: E a escolha por administração escolar na faculdade? Por que escolheu?

Diretora: Na verdade, porque, sabe quando a maioria escolheu administração, eu tinha opção de fazer administração, orientação e de fazer na época uma especialização para crianças especiais também, que eu não me interessei e tinha outra especialização para trabalhar em RH de empresa. Fiz a opção pela maioria, administração escolar, sem esta intenção de ser diretora um dia, não pensava, nunca pensei, achei que ia ficar o tempo todo no magistério e na educação infantil.

Entrevistadora: E o que aconteceu então para prestar esse concurso de diretora?

Diretora: Desgosto (risos). Então aconteceu o seguinte, eu estou trabalhando em São Caetano do Sul, há muitos anos, e em São Caetano tem uma estrutura de trabalho muito ruim, (não sei como está hoje), que foi me desgostando muito, assim, nós éramos convocadas para inaugurações, festas de finais de semana, nós fazíamos campanha explícita, política eleitoral.

Entrevistadora: As professoras?

Diretora: Então, Fulano de tal fazia uma festa no domingo e quem trabalhava eram as professoras. Porque na verdade todo o pessoal de lá, eram pessoas indicadas, eram os políticos que escolhiam, eram os vereadores que distribuíam o cargo de professores. Em meados de 1984, por muito tempo, vai terminar quando vem a constituição que determina que vai haver concurso público. Aí eu prestei concurso público, prestei e passei, tanto que só ficou na rede quem passou neste concurso, até este período era só indicação política, a minha indicação não diretamente de vereador, mas de diretor que conhecia o vereador.

Entrevistadora: E quando você se tornou concursada não mudaram as coisas por lá?

(9)
(10)

Entrevistadora: Então, agora nós vamos conversar um pouco sobre sua opção pela direção de escola. Gostaria que você falasse um pouco do inicio, quando você chegou a essa rede. Você já trabalhava na rede como professora?Diretora: Eu entrei no concurso de 1991 e fiquei até 1998 como professora. Na verdade São Caetano e Diadema, depois deixo Diadema e entro em São Bernardo, fico com São Caetano e São Bernardo, até passar como diretora e largo São Caetano e fico só com São Bernardo.

Entrevistadora: Quero que você fale um pouco do início da carreira como diretora. Por que você escolheu esta escola e quais foram as dificuldades iniciais?

Diretora: Eu presto este concurso, um concurso dificílimo, e na hora de escolher, eu fui pela região, sempre gostei de trabalhar em escola de periferia, tirando São Caetano, que é muito pequeno, tem 15 Km2 de área , em Diadema eu

trabalhei num lugar muito longe, em São Bernardo do Campo, também em lugares bem distantes, a escolha foi que eu não escolheria escola do centro.

Carreira no magistério.

Carreira no magistério.

Estágio como forma de ingresso profissional.

Trabalho para custear a faculdade, jornada diária de trabalho em locais distantes e a noite de

estudo.

Opção por administração escolar

(11)

Carreira no magistério.

Opção pela direção escolar em São Bernardo do Campo como forma de superar uma situação de opressão política em São

Caetano do Sul.

Tinha experiência como professora da rede de São

(12)

Concurso difícil e opção de trabalho em periferia da

cidade. Entrevistadora: Fale um pouco mais dessa preferência

pela periferia.Diretora: Difícil, não sei, eu sempre gostei de trabalhar num lugar que meu trabalho foi mais reconhecido, talvez fosse isto, um lugar que eu pudesse me dedicar de fato.Entrevistadora: Eu quero entender um pouco mais essa idéia de diferença entre a escola do centro e da periferia. Você poderia citar alguns indícios? Diretora: Eu entendo que tenha uma diferença. Eu acho que tem esta questão da atenção do poder publico, eu sinto isto, e pude ver isso, vejo isto constato isto, constatei isto ao longo da minha experiência como professora, existe uma desconsideração sim, um descaso, com a região da periferia, no sentido de dar um teto dos serviços que você tem. Por exemplo você vai para o centro, você tem um posto de saúde muito próximo, você tem serviços públicos muito próximos, teatros estão no centro, as bibliotecas, postos de saúde. Você vai para a periferia você não vê, estou num bairro em que a biblioteca mais próxima está à 5 Km, a UBS não faz uma série de atendimentos médicos, o pronto socorro está à 4 Km, você não tem nenhuma quadra esportiva no bairro.

Entrevistadora: E a escola consegue atender à demanda do bairro, em termos de vagas para as crianças?

Diretora: Não, tinha uma lista de espera gigantesca, é outra questão, você tem, por exemplo, uma educação infantil que você pensa que é o atendimento de 0 à 6 anos. Em São Bernardo, eles fazem uma diferenciação na educação infantil que tem um serviço de creche que atenderia de 0 a 3 anos e você tem as EMEBs que atendem 4 a 6 anos. No centro você tem crianças de 3 anos que são atendidas que permanecem por um ciclo inteiro, por um ciclo as vezes de 3 anos na escola. Você tem uma redução de alunos porque no centro, você tem efetivamente um número menor de crianças na região central. Quando você vai para a periferia, por exemplo, a minha escola só atende as crianças de 6 anos. Uma lista de espera de 350 crianças de 5 anos, de 4 a gente nunca fez levantamento porque não é possível. Fora uma lista de espera também de 6 anos.

Entrevistadora: Quantos alunos há na lista de espera de 6 anos? Você sabe?

Diretora: Desde que eu estou, a gente sempre fica sempre com uma média de 50 a 60 alunos, o que corresponde a duas turmas de crianças que você vai encaixando durante o ano. Você tem um grande número de crianças hoje fora da escola, é só constatar toda região de periferia tem esse mesmo fenômeno.

Dimensão ética/política.

Dimensão ética/política.

Reconhecimento maior do trabalho em periferia.

A desconsideração do poder público pela

periferia.

A falta de vaga, a questão da quantidade ainda não foi superada na periferia da cidade, as diferenças de acesso, as dificuldades

enfrentadas pelos que mais precisam.

Lista de espera, a questão da quantidade e da igualdade de acesso.

Entrevistadora: Agora fale um pouco de você quando

(13)

foi chegar na escola? Afinal, você era professora e, no outro dia, era diretora?

Diretora: Eu acho até que cheguei bem, primeiro que eu tinha certeza, agora eu sou diretora, tinha um fato que para mim pesava bastante, eu prestei um concurso público. Porque também São Bernardo do Campo, tinha um histórico de direção de escola, ser também um cargo, ser também um cargo eu diria meio comissionado, era por indicação, era aquela história dos vereadores fazerem uma distribuição de cargos, isto era muito comum. Então teve um concurso em 1991, um concurso interno, não foi um concurso público, uma seleção, as pessoas que entraram já eram da rede, na medida que iam se aposentando iam surgindo cargos e esses cargos eram distribuídos em troca talvez de alguns favores políticos, enfim, isto era muito comum. Tanto que houve em 1998 um movimento do grupo de professores no sentido de que se regularizasse isto e nós optamos, houve uma pesquisa na rede nós queríamos concurso público. Concurso público significaria abrir para o Brasil todo, mas nós preferimos desta forma. Então tinha essa característica que para mim era muito importante. Quando eu cheguei na escola eu cheguei com uma certa condição colocada muito legal, eu sou concursada, ninguém me colocou aqui,

eu não fui indicada, não estou aqui por ser “amiguinha” do

vereador tal, eu vim aqui como funcionária para trabalhar. Então eu cheguei muito bem nesta escola, sabia do histórico desta escola, era uma outra coisa que era para mim uma vantagem, eu dizia puxa vida estou vindo para cá, e disse isto para os professores, escolhi esta escola, não me deram esta escola, eu tinha outras opções e optei por esta escola, conhecendo sim estas questões que tinham em relação a esta escola, tinha uma coisa em relação ao bairro em que ela estava. Ah! Um bairro violento, você não vai gostar, é um horror! Até hoje tem um pouco deste folclore, claro de fato é um bairro muito violento, porém eu dizia: como você vai trabalhar num lugar tão violento assim, então é interessante você iniciar um trabalho que porque você escolheu. Eu acho que isso para o grupo de professores, assim que eu chego e apresento, isto foi muito interessante, elas ficaram até surpresas né, elas imaginaram, ah! Vem para cá, vai ficar? Eu entrei em agosto, ah! Fica até dezembro depois ela vai embora. Eu chego dizendo não eu vim e minha idéia era permanecer, está ficando porque aqui, eles tinham uma expectativa muito grande, que viessem uma pessoa, eles estavam esperando, foi um momento que de forma geral a rede se agitou um pouco em relação a isto, quem são estes diretores que estão chegando, será que a pessoa é legal ou não é claro que eu fiquei sabendo que elas foram fazer algumas pesquisas a meu respeito saber quem eu era, de onde eu vinha. Então esta questão de ter escolhido, uma coisa que pesou bastante foi a minha experiência porque eu dei aula durante 16 anos na educação infantil, então vinha com uma experiência comprovada, isto para elas eu senti que pesou bastante, ela sabe do que está falando porque agente teve alguns diretores desta época que eram professores universitários que tinham mais experiência no ensino médio e que vinha trabalhar com criança pequena, esse dado era a meu favor, ela conhece sobre educação infantil, de fato eu

Carreira no magistério.

apadrinhamento.

Conhecer o histórico da escola é considerado como algo positivo, a escolha foi uma opção

(14)

conhecia. Influenciou muito essa coisa de ter escuta para as coisas que eu falava, e ter sabe, o que ela está falando, tem conhecimento de causa, achei que isto influenciou bastante um grupo que já estava aqui.

Entrevistadora: Era um grupo antigo da escola?

Diretora: Algumas pessoas sim, muitas mudanças, mas eu tinha uma equipe de 5 ou 6 pessoas que já estavam a algum tempo que gostavam desta região que gostavam desta escola, que tinham um vínculo afetivo com o local, isto foi bem legal.

Entrevistadora: E dos desafios iniciais?

Diretora: Muitos, desde pensar, como é que eu sou, que nem você falou, como que eu deito professora e acordo diretora, foi mais ou menos isto, eu passo num concurso que foi dificílimo, eu imaginava que nem tinha passado, e amanheço dizendo que eu passei, e vou ter que assumir uma escola, pensar esta escola. Eu sempre fui uma professora extremamente crítica, sempre fui muito de por o dedo na cara dos diretores, ai meu Deus agora meu telhado ficou de vidro. Então de telhado resistente amanheci com um telhadão de vidro enorme, agora sou eu que, então eu me achava assim, puxa vida que responsabilidade eu tenho agora, de muitas coisas que eu sempre apontei e critiquei que certamente, eu na minha cabeça eu dizia não, depende da coordenação! Depende da direção! E agora é meu isto, agora eu sou a diretora, eu sou a coordenadora disto!

Algumas pessoas da equipe também possuíam

um compromisso político com a escola.

Os desafios do papel do diretor.

Entrevistadora: E você continua achando que depende do diretor agora?

Diretora: Muitas coisas, muitas eu não vou falar em porcentagem, mas muitas coisas, continuo acreditando nisso. Acho que não só porque a gente está na rede pública, depende de uma estrutura, a gente precisa, tem políticas públicas colocadas, tem diretrizes educacionais que não sou eu que defino, só que muitas coisas dentro da escola, daquilo que a gente pode chamar de micro, que depende sim da coordenação.

Entrevistadora: E dos diretores que passaram pela sua formação como professora, você acha que algum deles influenciou a diretora que você é hoje?

Diretora: Alguns sim, infelizmente pedagogicamente eu diria que não, mas na parte administrativa de encaminhamento, de organização, de estrutura de escola, muito, tenho boas referências.

Entrevistadora: Como assim? Fale um pouco desse pedagógico; você está falando pedagógico-administrativo. Você separa isso?

Diretora: Então, eu como professora tinha uma distinção sim, eu não em lembro de ter diretores que faziam um investimento efetivo na questão pedagógica, por exemplo que acompanhavam o trabalho em sala de aula, eu tinha, como eu posso dizer, autonomia total, e plena, ou seja, eu fazia o que queria dentro da sala de aula. Os poucos

Papel do diretor. A importância do diretor na coordenação do trabalho

(15)

diretores que tinham uma intenção de por exemplo olhar meu planejamento, meu registro, os meus semanários, os materiais produzidos para ao meu trabalho, era para ter controle, porque vistavam, não havia nenhum tipo de devolutiva, de intervenção, nenhum tipo de sugestão, vistavam literalmente, ok! E assinavam e datavam. Não tinha esse feedback de que eu entrego esse material e isso não tem um retorno para mim ajudando a pensar as dificuldades, as possibilidades. Eu não tive essa experiência enquanto professora com meus diretores. Porém tive ótimos diretores que eu observava que trouxe muito para a minha prática, em termos de organização de escola, de compra de materiais, de encaminhamentos de coisas que podem acontecer, que claro que de certa forma subsidiam o pedagógico. Porém na minha atuação direta com as crianças não.

Entrevistadora: Você acha isso importante?

Diretora: Importantíssimo, acho que esse é meu grande desafio, tentar acompanhar o trabalho dos professores cada vez mais, porém sem ser para vistar ou controlar, é o grande nó, né.

Papel do diretor.

A importância da co-responsabilidade do trabalho entre professores

e diretores.

Entrevistadora: Eu queria retomar um pouco sua

formação para administração escolar. Da faculdade, você traz contribuições para a sua prática?

Diretora: Nenhuma, eu não me lembro de falar puxa vida, vi isso lá e como tem sido importante, infelizmente, não, é... Não consigo lembrar...

Entrevistadora: Nada que consiga relacionar com a prática do diretor?

Diretora: Não consigo lembrar... Eu lembro só de uma fala de uma professora deste curso na época a gente fazia três anos e depois no último ano fazia especificamente administração escolar, que era que o diretor não podia ser diretor de gabinete, mas o que isto significava, e que possibilidades daria ao diretor, nunca ninguém falou nada. O grande lance, eu fico pensando e quando eu fui ser diretora mesmo, da formação inicial...

Formação inicial. Quais as possibilidades de atuação do diretor, uma questão não discutida na

faculdade.

Entrevistadora: Como que você acha que esta diretora que você é hoje foi se constituindo? Foi pela experiência como professora? Como você foi construindo essa idéia do que é ser diretora?

Diretora: Eu acho que se constitui um pouco do que eu vivi, enquanto professora, e qual minha expectativa, que eu tinha em relação aos meus diretores, porque eu tinha sim expectativas.Entrevistadora: Que expectativas você tinha em relação aos seus diretores?Diretora: De que houvesse esse acompanhamento do meu trabalho, que não ficasse só controlando, fiscalizando o meu trabalho, eu não precisava de gente para me controlar porque eu tinha muita responsabilidade, eu sabia o que eu tinha para fazer, eu precisava de pessoas que viessem ajudar a pensar sobre algumas questões da minha prática, eu achava que tinha uma distância muito grande. Mesmo a gente tendo naquela época como professora poucos

Papel do diretor.

A formação como professora, e a expectativa

em relação aos diretores como elemento de construção de perfil do

diretor.

O diretor como parceiro.

(16)

momentos para formação, hoje a gente consegue ter muito mais momentos para isto, é um facilitador do trabalho do diretor, hoje a gente tem o HTPC que é o horário de trabalho coletivo, na época a gente tinha reuniões pedagógicas, mas eu achava extremamente mal utilizadas, a gente passava 4 horas, 2 horas a gente discutia informes administrativos, dia de foto, dia de passeio, precisa entregar diário, 1 hora a gente ficava terminando o diário de classe, presenças, faltas, porcentagem, observações quando as crianças faltaram, transferências, para entregar este documento na direção, e 1 hora, normalmente ela aconteciam nos finais dos meses e tinha uma festa próxima, então a gente ia combinar festas, eu não me lembro nunca de um trabalho efetivamente pedagógico. As vezes um texto, mas um texto que se resumia numa leitura. A minha expectativa como professora era que aquilo fosse diferente, eu ficava imaginando como é que a gente podia não ter aula com as crianças, parar por quatro horas para passar informes que poderiam ser por escrito, por exemplo, eu poderia simplesmente ler. Algumas poucas tentativas começaram um pouquinho antes de sair para ser diretora, começa um pequeno movimento na rede de São Bernardo, onde o diretor começa a se preocupar um pouco mais com esta questão do pedagógico. Mas eu já estou quase saindo, foi uma última diretora. Como tive diretoras, por exemplo, que a expectativa chegou num momento que eu pensei, bom, se ele der conta de organizar as coisas na escola para mim já está bom, porque eu tive diretores que infelizmente nem esta parte e isto dificultava muito o trabalho.

professores.

Entrevistadora: Como professora, a questão da formação contínua na escola, como acontecia? Tinha HTPC?Diretora: Não tinha, ela acontecia nas paradas do meio do ano e final de ano, em cursos oferecidos pela própria administração.Entrevistadora: Na escola ou fora dela?Diretora: Fora da escola, alguns dentro do período de serviço, quando era separado, por exemplo, um pouquinho antes do recesso você separa dois ou três dias, você tinha ali, alguns encontros, oficinas, o professor se inscrevia escolhendo os cursos, quais os cursos que gostaria de fazer.

Entrevistadora: Você acha que trazia contribuição para a sua prática?

Diretora: Trouxe viu, algumas, não muitas, eu não sei se eu conseguia na época estabelecer uma relação efetiva entre aquilo que eu ouvia e aquilo que eu fazia, mas algumas coisas sim. Eu, por exemplo, lembro, quando a gente tinha uma experiência que foi em Diadema, a gente tinha lá umas reuniões que a gente chamava de reuniões setorizadas, que eram interessantes.

Entrevistadora: Fale um pouco mais dessas reuniões setorizadas.

Diretora: Eles reuniam várias escolas da mesma região e discutiam algumas práticas. Claro que hoje eu consigo visualizar, por exemplo, que nós não tínhamos um foco de observação, nós ficávamos discutindo superficialmente aquilo, muito mais no nível da experiência de quanto foi legal, sem conseguir aprofundar algumas questões, hoje

Carreira no magistério.

Carreira no magistério.

Formação baseada apenas na troca de

experiências.

(17)

eu consigo olhar para isso e pensar. Mas era muito rico para mim, gostava daquele momento, tinha debate entre os

Professores, era um momento em que os professores podiam se colocar, nós podíamos saber de boas práticas de outras unidades escolares, era um trabalho muito interessante. Penso inclusive que Diadema dá um grande salto de qualidade neste período que estou lá, traz pessoas de ponta, para fazerem discussões teóricas, sobre letramento, em 87, eu já ouvia falar sobre letramento, você tem professor entrando hoje em 2003 que não sabe, ele nunca ouviu falar sobre letramento, sobre alfabetização. Muito interessantes esses encontros. Agora efetivamente na escola não, já que se tinha esse período. Agora em São Bernardo do Campo, por exemplo, a gente tinha 30 minutos de hora de atividade, as crianças permaneciam 3 horas e meia e a gente tinha 30 minutos, mas também que eram aproveitados para organização da sala de aula, organização dos materiais que foram utilizados, eu vou arrumar algum material que vou usar no dia seguinte, tudo muito imediatista e não preparado para pensar. É uma coisa interessante quando eu entro como diretora na escola em que estou até hoje, o que as meninas fizeram, elas aglutinavam essas horas, então elas não cumpriam os 30 minutos por dia, elas cumpriam uma vez por semana 2 horas. Elas já faziam uma espécie de HTPC. Elas faziam ensaios sobre isto, elas faziam leituras, é engraçado, começaram a ler os referenciais, elas liam texto, elas próprias foram observando que faltava alguma coisa para os professores, nós precisávamos parar para estudar.Entrevistadora: Antes de você chegar lá?

Diretora: Quando eu cheguei, elas tinham essa prática, que eu achei muito interessante. Não sei se era duas horas, acho que elas faziam duas vezes por semana e juntavam 1 ou 1 hora e meia . Elas ficavam um pouco mais além do período. Bom era isto em termos de formação contínua, eu não me recordo de ter isto na escola, pelo diretor.

Entrevistadora: Nos documentos da rede de São Bernardo do Campo, encontramos o diretor como formador da equipe. Qual seu parecer sobre isso? O que você acha disso? Você está falando de HTPC. Quando você chega já está instituído isso ou foi no período como diretor?

Diretora: Eu acho que começa num momento pouco antes de eu entrar.

Entrevistadora: É dos professores, é da secretaria, de onde vem este movimento?

Diretora: Como eu estou em sala de aula nesse período, porque é, antes de eu me tornar diretora, já tinha instituído-se a figura de um professor de apoio que seria o professor de apoio pedagógico. Eu acho que vem a partir da secretaria, considerando talvez as demandas, existentes da própria rede.

Entrevistadora: Não tinha coordenador?

Papel do diretor.

A proposta da secretaria e a necessidade dos

(18)

Diretora: Tinha equipe de orientação técnica, mas que sempre recebeu muitas críticas, ficam longe das práticas dos professores, não é alguém que trabalha na escola, não consegue acompanhar, eu diria que inclusive até hoje se tem um grande nó em relação a equipe técnica, que trabalha dentro de um departamento e não consegue estabelecer esta relação direta com o trabalho que acontece nas escolas. Quando eu ainda sou professora em meados de 97, nós começamos a ter esta figura de apoio pedagógico, que eu achei muito interessante sim, porém eu não tinha como largar São Caetano por conta da questão salarial, porque São Bernardo do Campo seria uma jornada complementar e o salário diminuiria muito, eu não tinha como fazer isto. Mas que também vem com um professor de apoio pedagógico, porém sem ter muita clareza de que trabalho é esse, que o professor vai fazer. Era um professor que a princípio teria de ter boas práticas e teria de sair de sala de aula porque ele seria o parceiro mais experiente. Então ele tem uma boa prática

e pode socializar com os demais colegas. Tanto que quando eu entro como diretora nesta escola que estou até hoje, eu tenho uma professora que já era PAP, porém ela acaba me ajudando no sentido de selecionar textos, é esperar muito que eu diga a ela o que era preciso fazer. Hoje eu vejo que com uma outra PAP as coisas mudaram muito, atualmente as PAPs ficaram 40 horas com o diretor. Já havia este pequeno movimento de uma tentativa de dar e garantir que o diretor exercesse um papel efetivo de acompanhamento do trabalho que acontece com as crianças. Não só administrativo ou burocrático, e existe um movimento que eu vou observando hoje, que ele vai a cada ano melhorando mais, os diretores começam a se organizar em termos de exigir que se tenha menos solicitação de saídas do diretor desta escola, que se institua um trabalho com serviço de motoboy, para parar com a entrega de documentação neste departamento, logo que eu entrei não havia, o diretor sai da escola 4 ou 5 vezes por semana, para ter idéia como eu estava numa escola que estava de 13 a 15 km de distância do departamento eu tinha auxílio combustível, tantas vezes eu era obrigada a sair da escola, para cumprimento destas tarefas absolutamente administrativas, que qualquer serviço de motoboy ou serviço computadorizado em rede poderia dar conta.

Entrevistadora: E hoje o que vocês têm?

Diretora: Hoje a gente tem o serviço de motoboy, a gente tem uma entrega contínua de materiais que é feita pelo almoxarifado, eles se organizaram em termos de região, periodicamente eles fazem essa entrega, então o diretor não precisa mais buscar com seu carro esses materiais, que até isto cabia ao diretor também. Esta se fazendo uma possível implantação de sistema com as informações em rede que vai permitir que o diretor fique mais tempo na escola.

A problemática da equipe técnica e sua distância da

realidade escolar.

Professor de apoio e a construção de sua identidade na escola.

A organização dos diretores, como forma de superação da burocracia

instalada.

Entrevistadora: Agora nós vamos falar mais da parte da formação contínua, deste diretor como formador. Como você sente que os outros diretores recebem essa incumbência de ser responsável pela formação contínua na escola?

(19)

Diretora: Eu sinto em falar dos meus parceiros de trabalho, mas eu acho que ainda existe muita resistência nesse sentido, nós continuamos discutindo esse acúmulo de tarefas que cabe ao diretor, porém nós não conseguimos definir que gostaríamos de fazer a parte pedagógica. Há sim uma parcela muito grande de diretores que acreditam que em função de nós termos uma equipe técnica no departamento, que não é pequena, que é grande.

Entrevistadora: Quem é a equipe técnica?

Diretora: Orientadores pedagógicos, fonoaudiólogos, psicólogos, e também assistentes sociais, hoje compõem esta equipe multidisciplinar. Eu já ouvi que é uma das maiores equipes da América Latina comparada a outros municípios. Na medida que você tem esta equipe porque cabe ao diretor fazer todo este trabalho, eu já ouvi estas falas em reuniões.

Entrevistadora: E o que você acha disso? Teria que ser a equipe técnica?

Diretora: Eu acho que é um trabalho de parceria, eu acho que esse é o grande caminho, que talvez nós ainda não conseguimos encontrar qual é esse percurso, mas eu penso que ainda que por mais que a equipe tente fazer esse trabalho na escola, é o diretor que está todos os dias, ele que tem condições de ter todos os observáveis, ele tem condição de ter vínculos com esses professores, alguém que venha esporadicamente não tem como acompanhar a quantidade de coisas e produção que se tem numa escola e ele está ali o dia-a-dia, ou acho sim que tem que ter uma reestrutura do trabalho administrativo, eu tenho clareza de que hoje é intencional essa coisa de acumular o diretor para todas as tarefas, onde ele não faz nada bem feito, faz tudo. Principalmente a escola que não tem uma estrutura, que eu acho que tem se buscado, hoje, por exemplo: eu tenho oficial de escola que trabalha 8 horas comigo.

Concepção de formação baseada na parceria.

A importância de uma estrutura de apoio: quadro

completo de funcionários.

Entrevistadora: Antes você não tinha oficial de escola?

Diretora: Não, de novo nós podemos retomar um pouco o começo da nossa conversa, quando eu vou falar porque as escolas de periferia são tão desconsideradas, eu nesse período que estou como diretora, apesar de termos instituído numa rede que todas as escolas teriam um professor de apoio pedagógico do seu trabalho, mesmo tendo um concurso público para oficial de escola, onde escolas com mais de 10 turmas teriam oficial, infelizmente eu sempre tive muitos problemas em relação a isto, além do professor de apoio pedagógico, nós também teríamos direito ao professor de apoio á direção, nós podemos não entrar no mérito porque é um concurso, mas enfim que seriam pessoas que viriam para apoiar esse trabalho, que, por exemplo, particularmente na escola em que eu estou nós tivemos grandes dificuldades de manter esse quadro completo, por quatro anos esse quadro sempre foi instável e incompleto.

Dimensão ética/política. Escolas de periferia e dificuldade de ter o quadro

(20)

Entrevistadora: Por que?

Diretora: Porque depende da chegada como professor, depende da chegada de um professor substituto. Eu sempre senti, que nunca houve um cuidado em olhar individualmente para as questões de cada escola nessa rede. Então, você ia para reunião e você tinha diretores que estavam com sua equipe completa desde fevereiro e março do ano, eu fui ter professor de apoio num ano em meados de junho no outro ano em meados de setembro, e eu penso que quem foi prejudicado foram esses professores, essas crianças, porque por mais que eu me desdobrasse fica aí uma questão humanamente impossível.

Entrevistadora: Por que não tinha professor para ficar no lugar do que iria sair para trabalhar com você?

Diretora: Exato, eu acho que um departamento que a priori deveria dar conta disso, eu não tenho como contratar professores. Então não tem esse cuidado em pensar que a gente enquanto rede precisa ter um funcionamento que aconteça. Hoje eu penso que tenho uma situação privilegiada, eu tenho conhecimento de parceiros meus que estão na mesma situação que eu estive o ano passado.

Entrevistadora: Agora você tem o quadro completo, mas nesses anos de direção você sempre teve problemas?

Diretora: Sempre esta instabilidade, começava sozinha sem oficial de escola. Eu recebi oficial de escola só o ano passado e hoje que eu tenho esse quadro completo, eu fico observando e pensando um pouco sobre o meu trabalho em anos anteriores e meu trabalho esse ano, e não dá para comparar a qualidade, podendo delegar.

Entrevistadora: Então, a falta de funcionários seria uma das questões que prejudicam o trabalho pedagógico do diretor?

Diretora: Eu acho que ela é uma questão sim, porém eu fico pensando que existem, é, eu acho que ela justifica bem o meu não fazer.

O descaso com a periferia.

A melhoria da qualidade do trabalho, com o quadro

completo de funcionários.

Entrevistadora: Como assim?

Diretora: Veja, eu acho que ela é uma boa justificativa, porém hoje eu observo que escolas que mesmo tendo seu quadro completo, continuam não conseguindo , fazer com que o trabalho aconteça, o diretor continua não acompanhando o trabalho pedagógico das escolas, o diretor continua não conseguindo garantir mesmo tendo essa equipe, mudanças e alterações nas práticas dos professores, porque nós vamos em reuniões, nós debatemos, nós discutimos, então, é delicado isto, não sei se você pode entender... essa coisa por exemplo: nós argumentamos que não tem a estrutura física e os

recursos, porque nós continuamos com os mesmos ‘nós’,

porque recebemos professores de outras escolas, que tinham essas equipes, e deparamos com professores com grandes lacunas em suas práticas, com poucas

Dimensão ética/política. A estrutura é uma questão importante, mas não determinante para a formação, pois escolas

com quadro completo parecem não conseguir mudanças significativas por meio de formação,

(21)

mudanças, com questões que foram discutidas arduamente em assessorias. Fico fazendo essa análise e parando para pensar porque é então que ainda assim, não conseguimos, pensando em termos de rede, avançarmos de forma meio que comum. Porque eu fico imaginando houve nesse período que estou a quatro anos, muito investimento na figura do diretor, eu acho até uma outra questão que nós podemos conversar, muito investimento na figura do diretor, imaginando que esse diretor vai dar conta dessa formação continuada dentro da sua escola, e pouco investimento em escola, e pouco investimento em

relação ao professor, por “n” questões, talvez isto tenha

sido uma diretriz determinada por essa secretaria.

Entrevistadora: Então a secretaria fez um amplo investimento na formação do diretor para implantar essa proposta nas escolas?

Diretora: Sim, essa era a idéia, investe nesse diretor que enquanto formador vai pensar estratégias e possibilidades, isso no meu entendimento, de como é que ele organiza estas informações recebidas e como é que ele vai para sua escola pensar essas questões com seu grupo de professores. Muito investimento trabalhou com área de artes, com área de matemática, com área de Língua Portuguesa muito tempo, trabalhou com formação de formadores, trabalhou com inclusão, com relação escola família, gerenciamento.

Entrevistadora: Eu gostaria que você falasse agora sobre sua experiência na formação dos diretores da rede, experiências que foram significativas para a prática da escola.

Diretora: Eu achei extremamente válido este

investimento, contudo o que eu trago como questão é a quantidade de informação. Metaforicamente eu acho que parecíamos uma esponja, muita informação e na verdade muito pouco tempo para pensarmos nestas informações e relacionarmos com o trabalho que acontece na escola e pensar como eu diretor formador trabalho com meu grupo de professores. Que não poderia ser uma prática de reprodução de informação, nós estávamos numa perspectiva de trabalho de construção de conhecimento, como é que eu absorvo essas informações chega na escola e só transmito aos professores, a coisa não poderia ser assim, na minha forma de ver estas questões.

Entrevistadora: Você está falando de concepção de formação?

Diretora: Exato, eu imaginava que uma coisa era eu

receber enquanto diretor estas informações, outra coisa era como eu formador, pegar essas informações e estabelecer uma relação com as coisas que eu observo na minha escola, conhecendo meu grupo de professores, o que eles trazem como conhecimento prévio, os que eles já sabem, o que eles precisam saber, como é que eu transformo essas informações num trabalho efetivo que chegue a mudanças nessas práticas, no sentido de nós termos de fato uma escola que aposte na autonomia das crianças, independência, construção de conhecimento, que eles sejam sujeitos desta ação. Então isto é muito

Formação do diretor.

Formação do diretor.

Ações da secretaria da educação.

A quantidade de informação. Concepção baseada no acúmulo das

(22)

difícil, então por um momento eu me sentia muito mal, no sentido de ter tanta informação e não conseguir pensar como é que eu faria com tudo isso que eu já aprendi, ao mesmo tempo que eu ficava com um sentimento como é que tudo isso pode ficar só comigo, eu preciso buscar formas de socializar isto com esse professor e não de uma forma transmissiva, porque nós sabemos que não adiantava eu trazer as apostilas e ficar lendo e dizendo bom a partir de amanhã.... as coisas na verdade não aconteceriam e não acontecem desta forma.

Entrevistadora: Você consegue identificar uma

concepção de formação na secretaria?

Diretora: Eu fico imaginando que até há uma boa intenção, de pensar que essa formação realmente seja continuada e aconteça nas escolas, porém eu acho que eles pecam na medida que eles oferecem as coisas ainda de forma muito superficial e atirando para todos os lados, imaginando que enchendo este diretor de informação isto basta para que ele chegue e faça ali no dia-a-dia as alterações necessárias, trabalhe com seus professores e efetive algumas mudanças naquilo que se espera enquanto escola. Hoje, depois de quase quatro anos de investimento a própria secretaria se depara dizendo assim: nós não vamos mais oferecer assessorias aos diretores porque precisa validar esses conhecimentos nas escolas e isto não está acontecendo. Então eu acho que dentro de uma concepção de formação isso não existia, que as coisas tinham que chegar ao diretor mas que, precisaria de um mecanismo de acompanhamento também do trabalho desse diretor, no sentido de garantir essas mudanças e alterações nestas escolas, você vai hoje depois de quatro anos de todo esse investimento na figura do diretor, você vai para unidades escolares e você vê as mesmas práticas de uma escola absolutamente antiga, pouquíssimas alterações, pouquíssimas, eu fico imaginado onde é que estão todas essas informações, como é que não conseguimos transformá-las em alterações e mudanças na escola, o que aconteceu nesse percurso, eu acho que é uma falha na concepção de formação contínua que se tinha na cabeça de uma secretaria.

Entrevistadora: E a sua concepção de formação ? Fale dela.

Diretora: Eu acho que tem de ser sim um investimento na formação deste diretor, porém eu acho que também na formação desse professor. Feita pelo diretor sim, nos momentos reservados para esse tipo de coisa, que na minha concepção são os HTPCs, por exemplo na minha escola apesar de muitos professores, principalmente os que vão chegando novos na escola, acharem que esse momento que deveria ser para planejamento, nós temos um trabalho de pensar que esse momento não é para planejamento, não só para planejamento, mas é fundamentalmente para formação, um momento de aprofundamento das questões, tematizações das práticas, então eu não sei se hoje há, como rede uma clareza sobre esses momentos que são garantidos, e a forma com que a secretaria hoje faz um investimento também nesse professor trazendo aí grandes nomes, pessoas sem

O diretor e a formação. O H.T.P.C. como espaço de formação de

(23)

dúvidas com grandes contribuições, para palestras para auditório, eu não sei se ainda assim não houver por parte de alguém que faz o acompanhamento direto desse professor, do que o professor faz com essas informações, elas se vão, não consegue haver uma transformação nas práticas.

Entrevistadora: Como você acha que poderia acontecer?

Diretora: Eu acho que não existe uma outra forma de se pensar em formação que não seja o acompanhamento. Eu acho perfeito o professor ter oportunidade de ouvir Jussara Hoffmann falando de avaliação, porém estas informações trazidas por esta pessoa que tem muito a contribuir, elas de nada adiantarão se a gente não conseguir estabelecer com esse professor, como é que eu transponho isso para o meu dia-a-dia em sala de aula com 32 crianças. Mesma questão eu vou ouvir a Madalena Freire com grandes contribuições de como lidar com o professor, mas é só no acompanhamento do trabalho, o detalhe do trabalho desse professor que conseguimos pensar como é que essas alterações vão se fazendo.

Entrevistadora: E quem você pensa que pode fazer isso?

Diretora: Eu acho que o diretor e essa equipe técnica mais próxima da escola.

Entrevistadora: E na escola?

Diretora: A equipe gestora.

Entrevistadora: Quem é a equipe gestora?

Diretora: O diretor, o professor de apoio pedagógico seria o professor de apoio a direção, porém hoje ele tem uma redução da carga fica só por 16 horas, mas mesmo assim ele tem tentado acompanhar o trabalho.

Papel do diretor.

Papel do diretor.

A importância do acompanhamento do trabalho do professor, para

reflexão sobre a própria prática.

A importância da parceria no trabalho de formação

de professores.

Entrevistadora: Vocês que pediram essa redução?

Diretora: Há um movimento, uma solicitação muito forte em cima dos diretores de que porque tinha até então um professor de apoio a direção por 40 horas e um professor de apoio pedagógico por metade do período. Então acho uma solicitação de que na verdade a idéia era que permanecesse o dois por 40 horas, a secretaria, consegui meio negociação sindical, o que foi possível fazer, acho que estamos no serviço público assim tudo é possível mesmo.

Entrevistadora: Então você fala de uma equipe gestora, professor de apoio à direção, professor de apoio pedagógico e o diretor?

Diretora: E a equipe técnica, eu acho que tem de fazer e cultivar o trabalho. Que hoje eu acho tem sido melhor, a partir desse ano elas estão com uma ação que é a presença semanal dessa equipe técnica na unidade

(24)

escolar que é bem legal.

Entrevistadora: Desses cursos de que você participou,

essas acessórias todas, alguma influenciou sua ação como diretora? Alguma foi mais significativa para pensar sobre sua prática como diretora?

Diretora: Pessoalmente elas contribuíram muito para mim eu tinha muita disposição nesses encontros, entendendo que eu estava lá no meu horário de trabalho e que um grupo todo aguardava por estas questões, inclusive, fui muito compromissada para esses encontros e tinha um olhar crítico do que eu seleciono que é importante para mim e é importante para a realidade da escola que estou. É claro que nem tudo eu aproveitava e muita coisa eu aproveitava e muita coisa eu fiz muita alteração. Mas dois tipos de assessoria pessoalmente foi muito importante para o meu papel de formadora.

Entrevistadora: Fale delas.

Diretora: Uma foi, eu não me lembro o ano, foi uma pessoa que veio falar sobre formação dos formadores, foi a Regina Scarpa e ela trouxe uma perspectiva do diretor que organiza e sistematiza o seu trabalho de formação, escrevendo um projeto de formação, pensando que objetivo que ele espera, que etapas ele vai fazer, quais as melhores estratégias para o trabalho. Isto me deu uma abertura, clareou, como é que tinha de ser meus passos a partir daí.

Formação do diretor. A importância da organização pedagógica do trabalho de formação.

Entrevistadora: O que ela traz de forte sobre formação? Qual era a concepção dela de formação contínua? O que foi mais significativo?

Diretora: Eu acho que a organização do trabalho do formador, organizar onde é que eu quero chegar com esse professor. O estabelecimento de objetivos por parte do formador, outra coisa forte que ela traz é o levantamento de necessidades, eu antes pensava, eu atirava para todos os lados, tudo, tudo. E assim, ela trazer essa nova perspectiva trouxe para mim um foco, que eu preciso olhar com mais cuidado, o que é que é mais importante, o que é de fato observável por mim, o que é uma necessidade que eu vou pensar primeiro. Achei que isto fosse assim para mim fundamental numa linha de trabalho, organizar isto, que isso só poderia acontecer quando eu planejasse minha ação, quando eu tivesse uma intencionalidade, eu quero chegar ali, essa é a grande questão da minha escola, é isso que eu vou trabalhar, isso foi legal para mim.

Entrevistadora: E em relação aos professores, essa relação professor-diretor, como ela trazia isso? Como você entendeu?

Diretora: Outra coisa também que foi bem interessante para eu pensar, começar a pensar como é que tinha de ser essa formação com os professores, a importância do vínculo com esse professor, da consideração em conhecimentos que esse professor já tem, de trazer as boas práticas para serem tematizadas, de valorizar esse

Papel do diretor. A organização do trabalho pedagógico de formação

por meio de um planejamento que

considere as necessidades dos

professores.

A necessidade do vinculo afetivo e a importância do

diretor refletir sobre a própria prática (homologia

dos processos).

Para formar professores reflexivos é necessário

que os formadores também reflitam sobre

suas práticas.

(25)

professor. Eu acho que isso é fundamental, se nós focamos, só naquilo que não faz, é uma péssima perspectiva de trabalho, então assim a partir daquilo que esse professor já sabe, já traz consigo. E a refletir muito sobre boas estratégias, é fui observando o quanto que eu era transmissiva, o quanto eu me contradizia, o quanto eu queria uma escola que considerasse essa criança como sujeito da ação porém na homologia de processos eu não fazia isto com meu professor, eu aí lá, eu sou a diretora, eu que sei dessa informação, eu que vou... foi trazendo, emergindo isso para mim para me fazer pensar, puxa vida, isso não foi uma boa estratégia, isso não é um bom caminho e até hoje é meu grande desafio buscar boas estratégias, pensar o quanto eu considero os saberes dos professores, eu atropelava mesmo, era extremamente diretiva, até hoje algumas estratégias que eu uso, depois que eu paro para avaliar, para refletir, puxa vida dei as respostas, falei o que não era para ter falado, não permiti que esse professor pensasse. Então eu achei que esse trabalho foi fundamental para mim.Um outro trabalho foi sobre gerenciamento, apesar dessa assessoria ter tido muitas críticas do grupo geral de diretores para mim foi fundamental porque ela fazia exatamente um pouco do outro lado desse papel do diretor de quem organiza de quem gerencia um equipamento de quem delega as coisas, aí pude perceber e observar o quanto eu era centralizadora, sim também, meio maquiada de democrática, mas o quanto eu centralizava as informações, o quanto eu queria ter controle sobre todas as coisas, só estava bom se passava por mim primeiro.

Entrevistadora: Que conseqüência você acha que isso trazia para os professores, você consegue visualizar?

Diretora: Ser diretiva, eu acho que simplesmente eu não conseguia fazer aquilo que esperamos tanto que é fazer essas mudanças nas práticas, o professor ouvia, o professor não refletia, não possibilitava que o fizesse pensar sobre estas coisas, porque eu dava tudo muito pronto, meio inconsciente, até meio sem saber muito como fazer, porque é muito difícil mesmo. Por isso que pensando naquela outra questão de como a estrutura hoje não garante um trabalho efetivo de formação nas unidades escolares é verdade, porque é um trabalho muito difícil, é um trabalho que eu acho que o tempo todo você precisa parar para refletir, se você simplesmente faze-lo cotidianamente sem parar para refletir não avança, e hoje é, que eu vou ter um pouco mais desses elementos, tenho feito registros das minhas práticas, tenho conversado com essa professora de apoio, é muito difícil mesmo, então as vezes arrumamos uma desculpa para dizer que não dá para fazer.

Papel do diretor.

As dificuldades de sistematizar o trabalho, o

registro e a reflexão.

Entrevistadora: Há mais alguma outra assessoria que

trouxe contribuições?

Diretora: As que foram mais significativas foram esses dois. Os outros...gostei muito quando a Madalena Freire veio fazer alguns encontros conosco, falar de registro para mim foi importante, significativo mesmo, me fez refletir muito sobre a minha prática e sobre as coisas da minha

Formação dos

diretores. professores e da formação A formação dos da equipe dois focos de

(26)

atuação, acho que particularmente essas duas foram as que mais contribuíram.

Entrevistadora: No que elas contribuíram mais, cada uma?

Diretora: Eu acho que a Regina Scarpa ajudou muito no trabalho específico de formação de professores. A Ivone deu esse trabalho de gerenciamento, ela conseguiu me fazer ver o grandão da escola, considerar todo um conjunto de funcionários, pensar nas diferentes tarefas que uma escola traz, pensar na rotina desta escola, da importância dos combinados de funcionamento dessa escola, do meu papel como diretora e daquele que põe limite sim quando precisa ser colocado. Eu acho que tem essa diferença sim, acho que a Regina traz para mim um trabalho mais focado na questão da formação do professor, do acompanhamento do trabalho que , sem ter esta questão do gerenciamento organizado eu também não vou conseguir dar conta se eu não aprender a delegar, a descentralizar a organizar minha rotina, eu pude constatar que a minha rotina não era organizada, eu chegava um dia e fazia um monte de coisas, e primeiro eu dizia: eu estou sozinha, porém quando recebo as pessoas para me ajudar, eu continuo da mesma forma, eu continuo me atropelando, quando eu parei para pensar sobre essa coisa da organização do todo, óbvio que começou a sobrar um tempo enorme para o trabalho de acompanhamento dos professores. Rever a rotina e planejar a minha semana, poder sistematizar o meu trabalho, para cada equipe, hoje eu tenho organizado os projetos para cada equipe, otimizou meu tempo.

Formação dos

diretores. organização da rotina do A importância da diretor.

Entrevistadora: Nós vamos encaminhar agora um pouco mais para a escola. Como você percebe a formação da equipe escolar, dificuldades, facilidades para o diretor?

Diretora: É um cotidiano bastante corrido muito dinâmico, muitas questões, muitas exigências, não só da secretaria, mais também de leis, instituição do conselho de escola, uma APM que funciona, uma gestão democrática, são muitas solicitações, e tem uma figura que ainda é muito centralizada no diretor como mediador de todas essas coisas. Então eu acho que meu grande desafio e uma das minhas principais dificuldades é como eu organizo meu tempo e essa escola sem perder de vista que a prioridade é o trabalho com essa criança. Porque fora isto nos temos outros dificultadores, um espaço físico pequeno, uma escola onde as crianças passam apenas por um ano, então construir algumas coisas é mais complicado, com a comunidade que passa ali por um ano e vai embora, então a gente tem outros determinantes e outras variáveis que também dificultam um pouco esse trabalho. Agora o grande desafio para mim tem sido organizar todos esses trabalhos, sem perder o fio da meada, porque na verdade é uma trama uma coisa só, não são coisas estanques, uma coisa está muito imbricada com a outra, buscar esse trabalho que seja contínuo que se complemente é bastante difícil.

Entrevistadora: O que norteia essa organização? Como o Projeto Político Pedagógico entra nisso?

Diretora: Então, é outro desafio também, você ter um PPE, que dê conta de todas essas questões, pensando que é uma escola só, então passa também na construção desse projeto por vários

(27)

pessoal que vai chegando, que muita coisa que a escola tem hoje são coisas já construídas, construídas pelo grupo ao longo de várias discussões de um percurso, e quando essa pessoas chegam elas vão ser incluídas nesse processo, não desconsiderar aquilo que já está posto, nós vamos alterar, vamos acrescentar, então o PPE hoje, até eu brinco que a temos um PPE 2002, modelo 2003, porque ele tem as suas adequações, as suas alterações, e o quanto ele tem

movimento mesmo, quanto utilizamos mesmo, a cada referência de coisas que vai rediscutir, com o grupo de professores, ou até com o grupo de funcionários ou mesmo com grupo de pais da APM, quanto resgatamos o PPE que já traz isto enquanto principio, o PPE , orientação didática, o PPE garante para nós essa rotina. Então na verdade o trabalho... mas eu ainda acho que ele é um grande desafio, nós construirmos esse PPE que é de fato , seja não só um documento burocrático , mas que ele represente de fato essa escola, e todo esse movimento que a escola traz, ele costuma ser muito estático, eu acho que este ano temos dado assim muitos indicações em todos os setores em todos os trabalhos ele tem sido mesmo um eixo.

Entrevistadora: E as facilidades dessa rede para a formação de professores?

Diretora: Eu acho que o HTPC é particularmente um momento bastante interessante, apesar de muitos problemas que eles trazem na organização do tempo do professor, ele ainda é, acho que enquanto não conseguirmos, porque no meu ponto de vista por exemplo se tivéssemos um professor com uma jornada de meio período com crianças e uma jornada complementar só para projetos e estudos, seria o ideal só que trabalhamos com o que é real. O HTPC quando bem estruturado é um momento riquíssimo, tem possibilitado muitos momentos interessantes de discussão de debate de aprofundamento teórico, tematizações de práticas, acho interessantes essas paradas em reuniões pedagógicas, também acho bastante interessantes são bem aproveitadas, tem sido ótimas, até porque elas tem garantido não só o trabalho com o professor, mas com toda equipe da escola, acho isso bem interessante, esse professor de apoio pedagógico por 40 horas, também é fundamental enquanto parceiro reconhecido assim dos professores, ele tem muita entrada com os professores na observação do trabalho de sala de aula, no trabalho compartilhado, acho que isto é uma facilidade do trabalho sim, acho que algumas ações da secretaria no sentido de minimizar o trabalho administrativo do diretor, como sistema de rede entrega de materiais de documentos. Que mais, eu particularmente gostei muito dessa equipe técnica semanalmente na escola, eu acho que uma possibilidade que se está colocando, muito interessante se de fato de conseguirmos fazer um trabalho de parceria, porque são mais duas pessoas ajudando a pensar esse trabalho a acompanhar esse trabalho do professor.

Entrevistadora: Já está instituído isso na rede?

Diretora: Na minha escola semanalmente nós já estabelecemos uma rotina, já fizemos alguns combinados muito interessantes, acompanha alguns HTPC, acompanham reuniões pedagógicas, revisam os projetos que a equipe gestora escreve, funcionam como um apoio para a equipe gestora, mas a idéia é que não fique pautado só na equipe gestora, é claro que agora esses primeiros

encontros tem sido sim, até elas se apropriarem um pouco de todos os materiais da escola, dos materiais dos professores, mais a idéia é que também acompanhem diretamente o trabalho do professor através de leitura do registro, do planejamento, observação empírica em sala de aula, mas é um processo estamos pensando em primeiro criar um vínculo ela conhecer mais sobre essa escola, porque até então a equipe técnica era muito distante dessas realidades, ela não conhecia qual dinâmica das escolas, o que acontecia, aparecia esporadicamente.

Entrevistadora: Então você acha que esse vínculo é fundamental?

Diretora: Eu acho, eu espero não perder a perspectiva do professor o tempo todo na ação que fazemos, até porque eu fico pensando se eu imagino que eu não posso entender o professor só como aquele que executa, mas aquele que também pode pensar a sua prática, eu não posso desconsiderá-lo, ele precisa estar envolvido com as pessoas que estão fazendo acompanhamento.

Entrevistadora: Eu gostaria que você falasse um pouco das necessidades formativas dos professores. Quando eles chegam na sua escola, professor novo, o que você observa dessa formação inicial? Que necessidades ele traz quando chega na escola?

Diretora: O que eu tenho constatado e observado através de alguns instrumentos, que é a

observação das práticas deles, dos registros, dos momentos de HTPC, através do debate que eles fazem. Então eu observo em termos de formação inicial e o pouco conhecimento do desenvolvimento infantil. Muita diretividade, professoras muito transmissivas, diretividade muito grande dessas

Referências

Documentos relacionados

“A minha Horta, tem para mim o mesmo significado que tinha a minha horta de rabanetes no canto do Quintal. quando era miúdo, semear ver nascer ver crescer e quantas vezes

Nesse  passo,  mesmo  que  a  decisão  combatida  tenha  se  subsumido  na 

Esses valores servem para determinar como por exemplo a quantidade de bagaço que será consumido na caldeira, a pressão de vapor de trabalho da caldeira assim como a

ITIL, biblioteca de infraestrutura de tecnologia da informação, é um framework que surgiu na década de mil novecentos e oitenta pela necessidade do governo

O capítulo 3 compreende o desenvolvimento da pesquisa e apresenta de forma detalhada a descrição dos processos e subprocessos de implementação e manutenção de segurança

RODOLFO – Júlia, dizer quando eu não saberia porque acredito que sempre fui apaixonado por você?. Não tenho receio de dizer que você sempre foi a mulher da

(Uma casa vazia, as paredes com um papel de parede importado, muito clássico e caro, mostrando toda a opulência do local a anos atrás, atualmente a velhice do papel

Santa Maria, Mãe de Deus e Mãe nossa, Corredentora das almas, Rogai por nós pecadores, e derramai as graças eficazes da vossa Chama de Amor, de vosso Doloroso e Imaculado