VALI DAÇÃO DA ESCALA DE RAZÃO DOS DI FERENTES TI POS DE DOR
Priscilla Hort ense1
Ér ika Zam br ano2
Fát im a Aparecida Em m Faleiros Sousa3
O obj etivo geral foi validar a escala de razão derivada para o contínuo não m étrico de intensidade dos diferentes t ipos de dor, por m eio do m ét odo de em parelham ent o int erm odal. Foram ut ilizados os m ét odos de est im ação de m agnit ude e de em parelham ent o int erm odal com a m odalidade de respost a em com prim ent o de linhas. Part iciparam 30 pacient es am bulat oriais de diferent es clínicas, 30 m édicos e 30 enferm eiros. Os result ados m ost raram dor no câncer, dor por infart o do m iocárdio, dor por cólica renal, dor por queim adura e dor no par t o, consider ados os t ipos de dor de m aior int ensidade; as or denações de posições da int ensidade dos difer ent es t ipos de dor , com par ando os difer ent es m ét odos psicofísicos ut ilizados, r esult ar am em níveis de concordância significat ivos. Conclui- se que a relação ent re as est im at ivas de m agnit udes e as est im at ivas de com prim ent o de linhas é um a função de pot ência e a escala dos diferent es t ipos de dor é válida, est ável e consist ent e.
DESCRI TORES: m edição da dor; psicofísica; dor
VALI DATI ON OF THE RATI O SCALE OF THE DI FFERENTS TYPES OF PAI N
The m ain aim was t o validat e t he rat io scale derived from t he non- m et ric cont inuum of t he int ensit y of t he different types of pain using cross- m odality m atching. Magnitude estim ation m ethod and cross- m odality m atching were used wit h perceived line lengt hs. The st udy was form ed by 30 out pat ient s from various specialt y clinics, 30 physicians and 90 nurses. The results were: Cancer Pain, Myocardium I nfarct Pain, Renal Colic, Burn I nj ury Pain, and Childbirth Labor Pain were regarded as the pains of greater intensity; the rank order of pain intensity for t he differ ent t y pes of pain, com par ing t he differ ent psy chophy sical m et hods used r esult ed in lev els of significant agreem ent. The conclusion was that the relation between the m agnitude estim ates and cross m odality m atching estim ates of the line- lengths is a power function, and the scale for the different types of pain is valid, st able and consist ent .
DESCRI PTORS: pain m easurem ent ; psychophysics; pain
VALI DACI ÓN DE LA ESCALA DE RAZÓN DE LOS DI FERENTES TI POS DE DOLOR
El obj et ivo general fue validar la escala de razón derivada para el cont inuo no m ét rico de int ensidad de los diferent es t ipos de dolor por m edio del m ét odo de em parej am ient o int erm odal. Fueron ut ilizados los m ét odos de estim ación de m agnitud y de em parej am iento interm odal con la m odalidad de respuesta en largo de líneas. Part iciparon 30 pacient es de am bulat orio de diferent es clínicas, 30 m édicos y 30 enferm eros. Los result ados m ost raron: Dolor en el Cáncer, Dolor por I nfart o del Miocardio, Dolor por Cólico Renal, Dolor por Quem adura y Dolor en el Parto; que fueron considerados los tipos de dolor de m ayor intensidad; el orden de las posiciones de la intensidad de los diferentes tipos de dolor, cuando se com para los diferentes m étodos psicofísicos utilizados, resultó en niveles de concordancia significativa. Concluim os que la relación entre las estim ativas de m agnitudes y las est im at ivas de largo de líneas es una función exponencial y la escala de los diferent es t ipos de dolor es válida, est able y consist ent e.
DESCRI PTORES: m edición del dolor; psicofísica; dolor
I NTRODUÇÃO
A
d o r co n st i t u i - se e m p r o b l e m a a se rencarado pela equipe de saúde. Trat a- se de sint om a q u e p od e t er car act er íst icas ag u d as ou cr ôn icas, pr opiciando o agr av am ent o do est ado de saúde se n ão aliv iada adequ adam en t e. No en t an t o, por ser fenôm eno com plexo e subj et ivo, pode- se dizer que o indivíduo com dor é que deve ser tratado, respeitando sua t ot alidade e sua individualidade.
Ao reconhecer a im portância da avaliação da dor, de seu m anej o e controle, a Sociedade Am ericana de Dor estabeleceu esse sintom a com o “ o quinto sinal v i t a l ” e e n f a t i za q u e a a v a l i a çã o d a d o r é t ã o im portante quanto a avaliação dos outros quatro sinais v it ais e qu e os pr of ission ais da saú de n ecessit am r e g i st r a r e sse f e n ô m e n o . Se n d o a ssi m , f a z- se n ecessár io a u t ilização d e escalas p ar a p r od u zir p a r â m e t r o s d e m e d i d a e , co n se q ü e n t e m e n t e , adequado cont role da dor.
Os estudos sobre o fenôm eno doloroso estão cad a v ez m ais f ocad os n a com p lex id ad e d e su as dim en sões. A abor dagem de ou t r os aspect os, qu e não som ent e os sensit iv os, facilit a a com pr eensão desse fenôm eno. A com preensão am pla e abrangente d a p er cep çã o d o l o r o sa se t o r n a i m p o r t a n t e , n a m edida em que se v olt a par a out r os aspect os que n ão só a i n t en si d ad e d a d o r, m as t am b ém p ar a aspect os afet ivos, m ot ivacionais e avaliat ivos desse f en ôm en o.
O propósit o da m ensuração é assinalar valor a um a car act er íst ica, t r aço ou est ado. No caso da m ensuração da dor, o propósit o é assinalar um valor à dor vivenciada, e/ ou percebida. A psicofísica é um r am o ex p er im en t al d a p sicolog ia q u e lid a com a m ensur ação e análise dos m ecanism os e pr ocessos subj acent es às diferent es m odalidades sensit ivas e/
ou percept ivas( 1).
O v alor d o ex p oen t e f or n ece in f or m ações
sobre as propriedades básicas da “ ent rada- saída” da
dim ensão sensor ial e per cept ual em quest ão; isso
caract eriza a t axa pela qual um sist em a de “ saída”,
i n d e x a d o p e l a se n sa çã o , cr e sce e m f u n çã o d a “ ent rada” do est ím ulo. A função pot ência reza que o princípio de invariância entre as razões do estím ulo e d a se n sa çã o , q u e p a r e ce se a p l i ca r a t o d o s o s sist em as sensor iais, é de fundam ent al im por t ância p a r a a so b r e v i v ê n ci a d o o r g a n i sm o , o u se j a , o t r an sd u t or sen sor ial f u n cion a com o ex p an sor d a
energia est im uladora quando necessário( 2).
O m ét o d o d e est i m ação d e m ag n i t u d e é baseado no j ulgam ent o de um indiv íduo par a um a sér ie d e est ím u los, sen d o u m d os m ét od os m ais ut ilizados para produzir escalas de razão. A idéia é em parelhar a int ensidade percebida de um est ím ulo físico a outra m odalidade perceptiva. É definido com o sendo o processo de designar núm eros proporcionais a e st ím u l o s so ci a i s o u cl ín i co s q u e r e f l i t a m a int ensidade da respost a subj et iva. Esse m ét odo t em ca r a ct e r íst i ca s i m p o r t a n t e s co m o e st r a t é g i a d e
m ensuração para conceit os subj et ivos com o a dor( 3).
Ao elaborar escalas de m agnit udes, deve- se subm et ê- las a processos de validação psicofísica com o u so do m ét odo de em par elh am en t o in t er m odal, se n d o e sse d e se n v o l v i d o e sp e ci f i ca m e n t e p a r a v er if icar os ex p oen t es ob t id os p elos m ét od os d e e st i m a çã o d e r a zã o o u d e m a g n i t u d e , se g u n d o m odalidades de respost a ut ilizadas.
O paradigm a do em parelham ent o int erm odal fornece um m ét odo para confirm ar a lei de pot ência, que verifica o expoente característico e que relaciona a m agnitude do estím ulo com a m agnitude da resposta su b j e t i v a . D e ssa f o r m a , e m v e z d e o s su j e i t o s com binar em núm er os a int ensidades de est ím ulos, os suj eit os ut ilizam o com prim ent o de linhas ( t rena) com o m odalidades de resposta. Assim , para escalonar a intensidade da dor, cada suj eito poderá ser orientado a apont ar um t am anho na t rena que corresponderia à sua intensidade de dor; quanto m ais intensa a dor,
m aior o com prim ent o de linha( 4).
A p si co f ísi ca a n a l i sa o s co m p o n e n t e s sensor iais, hedônicos e cognit iv os da dor e, desse m odo, tem sido m uito im portante para aprim orar sua avaliação, principalm ent e porque fornece m eios para a m ensuração da percepção da dor nas suas diversas
dim ensões( 5).
O pr oblem a da av aliação e da m ensur ação da dor t orna- se problem a psicofísico que envolve a det ecção, a discr im inação e m agnit ude da r espost a ao est ím ulo dolor oso e, sendo assim , a psicofísica tem com o suposição central que o sistem a perceptual
é inst rum ent o de m ensuração( 6).
laborat ório ou em sit uações clínicas, a int egração do co n h e ci m e n t o o r i g i n a d o d e sse s d o m ín i o s t e m au m en t ado.
A busca pelo entendim ento de com o se dá o fenôm eno doloroso, com o ele é percebido por quem o sent e e por quem o t rat a é result ant e do obj et ivo principal que os profissionais da área possuem para p r ocu r ar ad eq u ar o t r at am en t o d e acor d o com a origem da dor, livre de int erferências pessoais nesse pr ocesso.
OBJETI VOS
Obj et iv os ger ais
- escalon ar os dif er en t es t ipos de dor ex ist en t es, com par at ivam ent e ent r e si, sendo que esses for am i n v e st i g a d o s p o r m e i o d e d i f e r e n t e s m é t o d o s psicofísicos;
- validar a escala de razão derivada para o cont ínuo não m ét r ico de int ensidade dos difer ent es t ipos de d o r p o r m e i o d o m é t o d o d e e m p a r e l h a m e n t o int er m odal.
Obj et iv os específicos
- v er ificar se as or denações dos difer ent es t ipos de dor, der iv adas dos dois m ét odos psicof ísicos, são sim ilares ent re si;
- verificar a est abilidade e/ ou equivalência da escala de razão, por m eio de duas m odalidades de respostas difer ent es: num ér ica ( est im at iv as de m agnit ude) e visual ( com prim ent o de linhas) .
MENSURAÇÃO DA DOR
Ex p er im en t o – v alid ação d a escala d e r azão d os d i f er en t es t i p o s d e d o r p o r m ei o d o m ét o d o d e e st i m a çã o d e m a g n i t u d e e d e e m p a r e l h a m e n t o i n t e r m o d a l co m a m o d a l i d a d e d e r e sp o st a com prim ent o de linhas
Est e est udo foi aprovado pela Com issão de Ética do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Todos os participantes assinaram o Term o de Consentim ento Livre e Esclarecido, aprovado por esse com it ê, após t e r e m si d o o r i e n t a d o s d e f o r m a v e r b a l so b r e a pesquisa e seus obj et ivos e aceit arem part icipar da pesquisa.
Este estudo é de natureza quantitativa e tem ca r á t e r e x p e r i m e n t a l , t e n d o co m o p a r a d i g m a e
referencial t eórico a psicofísica( 2- 4).
MÉTODO
Part icipant es: Part iciparam dest e est udo 30 pacient es am bulat oriais de diferent es especialidades clínicas, acim a de 18 anos, escolhidos com o am ost ra de conveniência, que apresent avam ou não qualquer u m d os d if er en t es t ip os d e d or est u d ad os. E 6 0 profissionais da área da saúde, sendo 30 m édicos e 30 enfer m eir os, t am bém escolhidos com o am ost r a de con v en iên cia, com especialidade em difer en t es áreas. O local de estudo foi o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Pret o.
Material: caneta e blocos de papel contendo, na prim eira página, inst ruções específicas para cada t ipo de m ét odo psicofísico e, nas páginas seguint es, u m a l i st a d e 2 0 d i f er en t es t i p o s d e d o r e su a s respect ivas definições. Além disso, foi ut ilizada um a t rena profissional com 5 m et ros de com prim ent o.
Pr o ce d i m e n t o : o s m é t o d o s p si co f ísi co s utilizados foram o m étodo de estim ação de m agnitudes num éricas e o m étodo de em parelham ento interm odal, envolvendo o cont ínuo de respost a de com prim ent o de linhas.
O i n st r u m e n t o d e co l e t a d e d a d o s f o i const r uído ut ilizando- se os difer ent es t ipos de dor : l o m b a l g i a , ce f a l é i a , d o r e s a r t i cu l a r e s, d o r p o r q u e i m a d u r a , d o r p o r n e u r o p a t i a p e r i f é r i ca , d o r relacionada a m ovim ent os repet it ivos, dor na AI DS, dor pós- operat ória, dor no câncer, dor no part o, dor p or d esor d em n a ar t icu lação t em p or om an d ib u lar
( ATM) , dor por herpes-zost er, neuralgia do t rigêm io,
fibr om ialgia, dor por infar t o do m iocár dio, dor por cólica r enal, dor por úlcer a gást r ica, dor por cólica biliar, dor por cólica m enst rual e dor de dent e. Para ca d a m é t o d o u t i l i za d o f o r a m f e i t a s d i f e r e n t e s inst r uções.
As i n st r u çõ e s d a d a s a o s su j e i t o s, independent e do cont ínuo de r espost a em pr egado, requeriam que os j ulgam ent os fossem realizados em t erm os de int ensidade at ribuída a um t ipo de dor.
se o part icipant e considerasse que um dado t ipo de dor possu ísse du as v ezes m ais in t en sidade qu e a lom balgia, dev er ia at r ibuir a ele um núm er o duas v e ze s m a i o r, o u se j a , 2 0 0 . Se o p a r t i ci p a n t e consider asse que um t ipo de dor possuísse m et ade da int ensidade da lom balgia, dev er ia at r ibuir par a esse tipo de dor um núm ero que fosse a m etade, ou sej a, 50.
No m ét odo de em parelham ent o int erm odal, envolvendo o cont ínuo de respost a de com prim ent o de lin h as, a t ar efa dos par t icipan t es con sist iu em em par elhar um com pr im ent o de linhas a cada t ipo de dor que fosse proporcional à int ensidade de dor q u e esse t ip o p ossu i, com p ar an d o- o ao est ím u lo padrão que foi lom balgia. Esse estím ulo padrão tinha o com prim ent o de linha igual a 50cm . Por exem plo, se o par t icipant e consider asse que um t ipo de dor p o ssu ísse d u a s v e ze s m a i s i n t e n si d a d e q u e a lom balgia, dev er ia em par elhar um com pr im ent o de lin h a qu e f osse du as v ezes m aior qu e o est ím u lo p ad r ão, ou sej a, ap r ox im ad am en t e 1 0 0 cm . Se o p a r t i ci p a n t e co n si d e r a sse q u e u m t i p o d e d o r p o ssu ísse m et a d e d a i n t en si d a d e d a l o m b a l g i a , dev er ia em par elh ar u m com pr im en t o qu e f osse a m et ade, ou sej a, aproxim adam ent e 25cm .
Cada suj eit o est abeleceu duas est im at iv as p a r a ca d a t i p o d e d o r, u m a p a r a e st i m a çã o d e m agnit ude e out ra para com prim ent o de linhas. Os m esm os 90 suj eit os par t icipar am das duas t ar efas, sendo que essas for am apr esent adas num a or dem
aleat ória para cada um . Os part icipant es fizeram os j ulgam ent os indiv idualm ent e.
Para análise dos dados, foram calculados as m édias geom ét ricas e os desvios padrão das m édias geom ét r icas das est im at iv as de m agn it u des e das est im at iv as dos em par elham ent os de com pr im ent o d e lin h as. For am est ab elecid as as or d en ações d e posições de cada um dos diferentes tipos de dor para cad a g r u p o d e p ar t i ci p an t es, o u sej a, p aci en t es am bulat or iais, m édicos e enfer m eir os. Adicionado a isso, foi calculado o expoente da função e o coeficiente de Kendall ( W) .
RESULTADOS
No grupo de pacientes am bulatoriais, os tipos de dor de m aior in t en sidade, t an t o n o m ét odo de e st i m a çã o d e m a g n i t u d e s co m o n o m é t o d o d e em parelham ento interm odal ( com prim ento de linhas) , foram : dor no câncer, dor por infart o do m iocárdio, dor na AI DS, dor por cólica r enal, dor no par t o e fibr om ialgia. No gr upo de m édicos, for am : dor no câncer, dor por cólica r enal, dor no par t o, dor por infarto do m iocárdio e dor no nervo trigêm io. No grupo de enferm eiros, foram : dor no câncer, dor por cólica r enal, dor por infar t o do m iocár dio, dor no par t o e dor por queim adura ( Tabela 1) .
Tab ela 1 - Méd ia g eom ét r ica d as est im at iv as d e
m agnit udes ( EM) e est im at ivas de com prim ent o de linhas ( CL) para os diferent es t ipos de dor em ordem de posicionam ent o ( OP) , segundo pacient es am bulat oriais ( PA) , m édicos ( Méd.) e enferm eiros ( Enf.)
r o d e d s o p i
T PAEM OP PACL OP MédEM OP MédCL OP Enf.EM OP Enf.CL OP
r e c n â c o n r o
D 277,80 1 98,50 1 345,72 2 135,45 1 335,81 1 125,13 1
o i d r á c o i m o d o t r a f n i r o p r o
D 225,20 2 84,60 2 265,57 5 110,33 4 279,69 3 115,92 3
S D I A a n r o
D 204,70 3 77,50 4 100,03 16 61,79 14 134,56 13 75,91 9
l a n e r a c il ó c r o p r o
D 177,70 4 93,30 3 383,47 1 130,19 2 294,75 2 118,86 2
o t r a p o n r o
D 152,60 5 64,50 6 330,39 3 116,48 3 275,53 4 104,47 4
a i g l a i m o r b i
F 135,00 6 70,20 5 74,70 20 42,00 19 136,98 11 79,06 8
r a il i b a c il ó c r o p r o
D 127,30 7 63,40 7 194,08 8 85,32 9 175,29 6 83,04 7
a c i r t s á g a r e c l ú r o p r o
D 110,80 8 61,20 8 156,53 11 76,70 10 146,68 8 74,41 10
a r u d a m i e u q r o p r o
D 104,70 9 61,10 9 211,04 7 99,08 7 239,13 5 96,94 5
o i n ê g i r t o d a i g l a r u e
N 104,50 10 47,80 14 268,74 4 105,92 5 115,66 17 68,02 14
e t n e d e d r o
D 102,20 11 60,10 10 158,83 10 72,58 11 139,77 9 72,98 12
a i g l a b m o
L 100,00 12 50,00 13 100,00 17 50,00 17 100,00 19 50,00 20
a i é l a f e
C 93,40 13 44,90 17 143,32 12 58,99 15 120,17 16 59,93 17
M T A a n m e d r o s e d r o p r o
d 92,60 14 46,20 15 123,21 14 62,86 13 123,39 14 66,45 16
a i r ó t a r e p o -s ó p r o
D 87,00 15 53,70 11 177,17 9 87,87 8 173,70 7 89,28 6
a c i r é f i r e p a i t a p o r u e n r o p r o
D 85,10 16 51,30 12 101,40 15 64,87 12 138,76 10 73,75 11
l a u r t s n e m a c il ó c r o p r o
D 70,70 17 45,00 16 126,35 13 56,78 16 108,78 18 67,47 15
s o v i t i t e p e r s o t n e m i v o m r o p r o
D 96,90 18 35,60 19 76,42 19 41,00 20 92,37 20 52,93 19
s e r a l u c i t r a s e r o
D 58,00 19 36,20 18 82,66 18 47,55 18 122,67 15 58,80 18
r e t s o z -s e p r e h r o p r o
1,2 1,4 1,6 1,8 2,0 2,2 2,4 2,6
1,2 1,3 1,4 1,5 1,6 1,7 1,8 1,9 2,0 2,1
Comprimento de linhas
Estimativas de magnitudes
1,2 1,3 1,4 1,5 1,6 1,7 1,8 1,9 2,0 2,1
1,2 1,4 1,6 1,8 2,0 2,2 2,4 2,6
Estimativas de magnitude
Comprimento de linhas
A Tabela 1 tam bém aponta os diferentes tipos d e d o r cl a ssi f i ca d o s co m o o s t i p o s d e m e n o r int ensidade. No grupo de pacient es am bulat oriais, os t ipos de dor avaliados com o de m enor int ensidade, t a n t o n a e st i m a çã o d e m a g n i t u d e s co m o n o com prim ent o de linhas, foram dor por herpes-zost er, dores art iculares, dor por m ovim ent os repet it ivos e dor por cólica m enstrual; no grupo de m édicos, foram : dor por m ovim ent os r epet it ivos, fibr om ialgia, dor es art iculares e lom balgia; j á no grupo de enferm eiros for am : lom balgia, dor por m ov im ent os r epet it iv os, d or es ar t icu lar es e d or p or cólica m en st r u al. Os result ados m ost raram m aiores divergências ent re os g r u p o s n o q u e se r e f e r e à s d o r e s d e m e n o r int ensidade.
O coeficiente de concordância de Kendall ( W) f o i a p l i ca d o à s e st i m a t i v a s d o s d o i s m é t o d o s u t i l i za d o s, co m p a r a n d o a o r d e n a çã o p a r a o s difer ent es t ipos de dor : par a o gr upo de pacient es am bulat oriais W= 0,87, para o grupo de enferm eiros W= 81 e para o grupo de m édicos W= 0,86. I sso indica qu e as or den ações de post os der iv adas das du as estim ativas são altam ente concordantes, com p< 0,001 est at ist icam ent e significant e.
Na Fig u r a 1 , as m éd ias g eom ét r icas d as est im at ivas dos com prim ent os de linhas do grupo de p a ci e n t e s a m b u l a t o r i a i s sã o p r o j e t a d a s e m co o r d e n a d a s l o g a r ít m i ca s, e m f u n çã o d a s correspondent es m édias geom ét ricas das est im at ivas num éricas para cada tipo de dor. Um a linha reta com um a inclinação ( expoent e da função de pot ência) de 1,40 foi constituída. Todavia, com o o observador tende a r est r ingir a am plit ude de seus aj ust am ent os em função da variável que ele controla, foram proj etadas, na Figura 2, essas m édias em coordenadas invertidas, isso é, as est im at ivas de m agnit udes em função das cor r esp on d en t es est im at iv as d e com p r im en t os d e linhas para cada tipo de dor, tendo um a inclinação da ret a de 0,66.
A escala psicofísica dos diferentes tipos de dor no grupo de pacientes am bulatoriais foi validada, sendo um a m édia geom étrica dos expoentes igual a 0,96.
Figur a 1 - Relação ent r e os logar it m os das m édias
g eom ét r icas d as est im at iv as d e com p r im en t o d e linhas e os logar it m os das m édias geom ét r icas das est im at ivas de m agnit udes, at ribuídas aos diferent es
t ipos de dor, pacient es am bulat oriais, r2= 0,94
Figur a 2 - Relação ent r e os logar it m os das m édias
g eom ét r icas d as est im at iv as d e m ag n it u d es e os logaritm os das m édias geom étricas dos com prim entos d e lin h as, at r ib u íd as aos d if er en t es t ip os d e d or,
pacient es am bulat oriais, r2= 0,94
As m édias geom ét r icas das est im at iv as de com pr im ent o de linhas do gr upo de m édicos for am pr oj et adas em coor denadas logar ít m icas em função d a s co r r e sp o n d e n t e s m é d i a s g e o m é t r i ca s d a s est im at ivas num ér icas para cada t ipo de dor. Um a lin h a r et a com in clin ação ( ex poen t e da fu n ção de pot ência) de 1,34 foi const it uída. Da m esm a form a, essas m édias for am apr esent adas em coor denadas invert idas, ist o é, as est im at ivas de m agnit udes em função dos correspondent es com prim ent os de linhas para cada t ipo de dor, t endo inclinação da r et a de 0,70. As respect ivas figuras não foram apresent adas n est e t ex t o, n o en t an t o, ap r esen t am as m esm as caract eríst icas das figuras ant eriores.
A escala psicofísica dos difer ent es t ipos de dor no grupo de m édicos foi validada, sendo a m édia geom ét rica dos expoent es igual a 0,96.
No g r u p o d e e n f e r m e i r o s, a s m é d i a s g eom ét r icas d as est im at iv as d e com p r im en t o d e linhas foram proj etadas em coordenadas logarítm icas, em função das correspondent es m édias geom ét ricas das estim ativas num éricas para cada tipo de dor. Um a lin h a r et a com in clin ação ( ex poen t e da fu n ção de potência) de 1,42 foi constituída. Essas m édias estão em coordenadas invert idas, isso é, as est im at ivas de m agnit udes em função dos com prim ent os de linhas para cada t ipo de dor, t endo inclinação da r et a de 0,65. As respect ivas figuras não foram apresent adas n est e t ex t o, n o en t an t o, ap r esen t am as m esm as caract eríst icas das figuras ant eriores.
O v alor do ex poen t e, par a os t r ês gr u pos est udados, foi de 0,96. Tais valores foram próxim os d a q u e l e p r e d i t o , o u se j a , 1 , 0 0 , q u a n d o e r a m e n v o l v i d o s, d i r e t a m e n t e , e m p a r e l h a m e n t o d e com prim ent o de linhas e est im ação de m agnit udes. A com pr ov ação da equ iv alên cia en t r e o ex poen t e em p ír ico e o p r ed it o n u m a t ar ef a d e calib r ação, e n v o l v e n d o d i r e t a m e n t e se n sa çõ e s e n t r e d u a s m o d al i d ad es, co n st i t u i - se em f o r t e ev i d ên ci a d a validade do m ét odo de est im ação de m agnit udes e, p o r co n se q ü ê n ci a , d a l e i d e p o t ê n ci a o u l e i d e St evens( 4).
A relação entre as estim ativas de m agnitudes e as estim ativas do em parelham ento de com prim ento de linhas é um a função de potência com um expoente n ã o si g n i f i ca t i v a m e n t e d i f e r e n t e d e 1 , 0 0 . A concordância entre esses valores escalares é elevada, i n d i ca n d o q u e a s e sca l a s sã o h o m o g ê n e a s e consist ent es.
DI SCUSSÕES
Um i n st r u m e n t o i d e a l p a r a a v a l i a çã o e m ensuração da dor deve atingir os seguintes critérios: t er pr opr iedades de um a escala de r azão, for necer i n f o r m a çã o i m e d i a t a so b r e a a cu r á ci a e a fidedignidade do desem penho dos suj eit os sobre as respost as escalares geradas, ser sim ples de usar em p a ci e n t e s co m d o r, e m co n t e x t o s cl ín i co s e d e pesquisa, ser sensit iva às m udanças na int ensidade da dor, ser capaz de avaliar as dim ensões sensit ivas e afetivas da dor, ser útil tanto para a dor experim ental qu an t o par a a dor clín ica e per m it ir com par ações
confiáveis ent re am bos os t ipos de dor( 7).
A ação do sufent anil int radérm ico, ut ilizado com e sem lidocaína para tratam ento de dor induzida por estím ulo térm ico, foi estudada por m eio do m étodo d e est i m ação d e m ag n i t u d es. Par t i ci p ar am n o v e v olunt ár ios saudáv eis. Os par t icipant es r eceber am cinco est ím ulos t érm icos no ant ebraço em diferent es t em perat uras, que variaram de 44 a 52° C, para os q u a i s est i m a v a m a i n t en si d a d e d e d o r. Ap ó s o s est ím ulos r ecebiam solução salina, ou lidocaína, ou sufentanil e/ ou sufentanil + lidocaína; então, avaliava-se novam ente a dor nos tem pos: 6, 30, 60, 90, 120 e 1 5 0 m i n a p ó s a i n j e çã o d o m e d i ca m e n t o . Os r e su l t a d o s m o st r a r a m q u e , a o s 6 m i n a p ó s a ad m in ist r ação d os m ed icam en t os, os locais on d e
f or am ad m in ist r ad os a lid ocaín a e a lid ocaín a + sufent anil, obt iv er am m édia de 83% m enos dor do que nos outros locais. Entretanto, não houve diferença na sensação dolorosa nos locais onde foram aplicados a lidocaína e lidocaína + sufentanil, ou entre os locais onde foram aplicados o sufentanil e a solução salina. Aos 30 e 60 m in esses escores de dor foram m enores, 38 e 20% , respectivam ente, na utilização da lidocaína em com paração com a solução salina e o sufent anil. Aos 90m in e nos subseqüent es, os escor es de dor v o l t a r a m a o s a n t e r i o r e s à a d m i n i st r a çã o d o s m ed i cam en t o s. Esses r esu l t ad o s su g er em q u e o sufent anil int radérm ico não t em efeit o analgésico. E que, em com binação com a lidocaína, o sufent anil nem pot encializa nem pr olonga o efeit o analgésico
desse m edicam ent o( 8).
Pode- se ressalt ar, nesse est udo, a ut ilização do m ét odo psicofísico est im ação de m agnit udes, o qual gera um a escala de razão, possibilitando conhecer quant o um a dor é m aior ou m enor do que out ra.
A percepção de dor t érm ica e do desprazer foi estudada com parando dois grupos, os sul- asiáticos ( Í ndia, Paquist ão e Bangladesh) e ingleses brancos. Participaram 40 hom ens, sendo 20 de cada etnia. Para isso, u t ilizar am o t est e sen sor ial qu an t it at iv o qu e d ef i n e n ã o so m en t e o est ím u l o , m a s t a m b ém a resposta. O estím ulo térm ico foi aplicado no antebraço e foi solicitado aos participantes que analisassem por m eio de estim ação de m agnitude o lim iar de detecção do fr io, do calor e o lim iar de dor pelo fr io e pelo calor. Além desse m ét odo, foi ut ilizado o lim iar de det ecção sensor ial por m eio do m ét odo dos lim it es ascendent es, à m edida que se det ect asse m udança na tem peratura, era solicitado ao participante dar um sinal ( a tem peratura variou de 8 a 50º C) . Utilizou- se t am bém a m edida da int ensidade e do desprazer de dor com escala num ér ica de 0- 100 par a est ím ulos t é r m i co s d e 4 6 , 4 7 , 4 8 e 4 9 º C. Os r e su l t a d o s m ost r ar am que não houve difer enças na per cepção do frio e do calor ent re os dois grupos. Ent ret ant o, houve diferenças est at ist icam ent e significant es ent re os dois grupos para o lim iar e a int ensidade de dor pelo calor, os sul- asiáticos dem onstraram m enor lim iar d e d or p elo calor e m aior sen sib ilid ad e à d or. A percepção da int ensidade, a expressão e o relat o da
dor são influenciados pelo am biente social e cultural( 9).
nossa r egião, apont ando as dor es consider adas de m aior int ensidade e as dores consideradas de m enor int ensidade.
Um outro estudo( 10) investigou os descritores
de m aior e de m enor at r ibuição à dor cr ônica por m ei o d o s m ét o d o s p si co f ísi co s d e est i m a çã o d e m a g n i t u d e e e m p a r e l h a m e n t o i n t e r m o d a l , n a m odalidade de respost a em com prim ent o de linhas. Em um prim eiro experim ent o, foi ut ilizado o m ét odo de estim ação de m agnitudes em que 30 profissionais da área da saúde ( m édicos, enferm eiros e psicólogos) avaliaram 100 descritores de dor. Desse experim ento, f or am sel eci on ad os 1 5 d escr i t or es d en t r e v ár i as posições. Esses foram apresent ados em um segundo ex per im ent o a out r os 30 pr ofissionais da ár ea que av aliar am por m eio dos dois m ét odos psicofísicos. Os resultados m ostraram que os descritores que m ais d e scr e v e m a d o r cr ô n i ca n a n o ssa cu l t u r a sã o depressiva, persist ent e e angust iant e e aqueles que m en os r ep r esen t am a d or cr ôn ica são ag r essiv a, intensa e com pressiva, tanto no m étodo de estim ação de m agnitude quanto no em parelham ento interm odal. O coeficiente de Kendall foi calculado, sendo W= 0,99, m ost r an do qu e as or den ações der iv adas dos dois m ét odos são alt am ent e concordant es.
CONCLUSÕES
- A dor no câncer, a dor por infart o do m iocárdio, a
dor por cólica renal, a dor por queim adura e a dor no par t o for am consider ados os t ipos de dor de m aior in t en sid ad e, in d ep en d en t e d o m ét od o p sicof ísico ut ilizado ou da am ost ra est udada;
- A dor por m ovim entos repetitivos, dores articulares, d o r p o r có l i ca m e n st r u a l e a l o m b a l g i a f o r a m considerados os t ipos de dor de m enor int ensidade;
- Os v alor es d e Ken d all ( W) p ar a os t r ês g r u p os in dicar am qu e as or den ações de post os der iv adas das duas est im at ivas foram alt am ent e concordant es, com p< 0,001, est at ist icam ent e significant e;
- A relação ent re as est im at ivas de m agnit udes e as
est im at ivas de em parelham ent o de com prim ent o de lin h as é u m a f u n ção d e p ot ên cia e a escala d os diferentes tipos de dor é válida, estável e consistente,
p o i s o ex p o en t e o b t i d o n as d i f er en t es am o st r as est u d a d a s f o i i g u a l a 0 , 9 6 p a r a t o d a s el a s; t a l ex p o en t e n ão f o i si g n i f i can t em en t e d i f er en t e d o expoent e predit o ( 1,00) .
REFERÊNCI AS
1. Faleiros Sousa FAE, Silva JA. A m ét rica da dor ( dorm et ria) : pr oblem as t eór icos e m et odológicos. Rev Dor : Pesqu isa, Cl ín i ca e Te r a p ê u t i ca 2 0 0 5 j a n e i r o / f e v e r e i r o / m a r ço ; 6 ( 1 ) : 4 6 9 - 5 1 3 .
2. St evens SS. Psychophysics: int roduct ion t o it s percept ual, neural and social prospect s. New York: Wiley; 1975. 3 . Sennot t - Miller L, Mur daugh C, Hinshaw AS. Magnit ude est im at ion: issues and pr act ical applicat ion. West . J Nur s Res 1 9 8 8 ; 1 0 ( 4 ) : 4 1 4 - 2 4 .
4. St evens JC, Mack JD, St evens SS. Crowt h of sensat ion on sev en con t in u a as m easu r ed by for ce of h an dgr ip. J Ex p Psy ch ol 1 9 6 0 ; 5 9 : 6 0 - 7 .
5. Faleiros Sousa FAE, Silva JA. Avaliação e m ensuração da dor em cont ext os clínicos e de pesquisa. Rev Dor: Pesquisa, Clín ica e Ter apêu t ica 2 0 0 4 ou t u br o/ n ov em br o/ dezem br o;
5 : 4 0 8 - 2 9 .
6. Da Silva JA, Ribeiro- Filho NP. Avaliação e m ensuração de dor : pesqu isa, t eor ia e pr át ica. Ribeir ão Pr et o: FUNPEC-Edit or a; 2 0 0 6 .
7 . Gr acely RH, Dubner R. Pain assessm ent in hum ans: a r eply t o Hall. Pain 1981; 11: 109- 20.
8. Hart m annsgruber MWB, At anassof PG, Budde A, Brull SJ, Kain Z N, Silv er m an DG. I n t r ader m al su f en t an il does n ot im pr ov e lidocaine- induced local anest hesia. Can J Anest h 2 0 0 3 Febr u ar y ; 5 0 ( 2 ) : 1 5 3 - 8 .
9. Wat son PJ, Lat if RK, Rowbot ham DJ. Et hnic differences in t her m al pain r esponses: a com par ison of Sout h Asian and Whit e Br it ish healt hy m ales. Pain 2005 Nov em ber ; 118( 1-2 ) : 1 9 4 - 1-2 0 0 .
10. Sant ’Ana RPM, Per eira LV, Salt ar elli S, Faleir os Sousa FAE. Ch r o n i c p ai n d escr i p t o r s: a p h y ch o p h y si cal st u d y. Fechner Day 2 0 0 4 ; 2 0 : 5 1 2 - 7 .