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Inovação e excelência são marcas da fundação

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riado em 1973 a partir do arquivo do presidente

Ge-tulio Vargas, o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) se tornou um núcleo de produção de conhecimento. Boa parte dessa produção é hoje publicada pela FGV Editora. Ao acervo doado por dona Alzira Vargas, a ilha do ex-presidente, se somaram os arquivos de Anísio Teixeira, Gustavo Capanema e Osvaldo Aranha, entre outros persona-gens da década de 1930. Ou seja, o CPDOC foi um centro formado a partir de iguras fundamentais na Revolução de 30. Por isso sua primeira fase icou concentrada em torno da cha-mada Era Vargas, tanto no período 1930/45 quanto no 1950/54.

O programa de história oral é um bom exemplo desenvol-vido pelo CPDOC: na primeira fase, parte dos depoentes fo-ram pessoas ligadas àquele período. Inicialmente o progfo-rama esteve voltado para a elite política, entrevistando ministros, parlamentares e intelectuais. Num segundo momento, ex-pandiu-se para registrar depoimentos de funcionários ligados à tecnocracia. E aí começamos a entrevistar pessoas formadas ou ligadas à Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (EBAPE), no Rio de Janeiro, e depois à Escola de Administração de Empresas (EAESP), em São Paulo. Na

sequência vieram projetos desenvolvidos com a Petrobras, a Eletrobras, o Banco Central, BNDES: grandes agências governamentais foram objetos do CPDOC, por meio de convênios, para a produção de bancos de depoimentos. O CPDOC teve grande importância na deinição de critérios para o processo de institucionalização, expansão e uso da

história oral. Introduzido em 1975, o programa cresceu e,

em 1994, criamos a Associação Brasileira de História Oral. O conjunto documental do CPDOC atualmente é o mais importante acervo de arquivos pessoais de homens públicos do país. Totaliza cerca de 1,8 milhão de documentos.

Otimizar recursos humanos

Quando terminei a gestão à frente do núcleo de história oral, fui para a França fazer pós-doutorado na área de ins-titucionalização dos cursos de História, abordando as mis-sões francesas que vieram ao Brasil fundar universidades, como a USP. Quando voltei, a FGV vivia um momento de transformação e de certa crise inanceira. Em 1999 fui eleita e nomeada diretora do CPDOC. Um período difícil, mas que depois se revelou gratiicante. Àquela época havia dú-vida dentro da FGV se o CPDOC deveria continuar, pois

INOVAÇÃO

E EXCELÊNCIA

SÃO MARCAS

DA FUNDAÇÃO

Pesquisadora do CPDOC, criadora do curso de Ciências

Sociais e atual coordenadora do programa de livros

didáticos da Editora FGV, a professora fala da expertise

da fundação na oferta de cursos e livros inovadores

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os recursos eram escassos. E quando

isso ocorre todos querem preservar os setores mais lucrativos. Nesse sentido, as áreas de Administração e Economia eram mais importantes que as de Ci-ências Sociais e História. Esse foi o de-saio, convencer a direção da FGV da importância do centro. Não podíamos abrir mão do acervo e dos pesquisadores porque o CPDOC era – e ainda é – uma marca de qualidade da FGV, um diferencial. Nessa tarefa tive ajuda do professor Carlos Ivan Simonsen Leal, à época vice-presidente da Fundação.

A demanda, para todas as unidades da FGV, era gerar receita. Até então, o CPDOC recebera dotação da FINEP

[Financiadora de Projetos e Estudos, vinculada ao Ministério da Ciência e

Tecnologia] e havia se estruturado, mas

os recursos escasseavam. Havia possi-bilidade de captar verbas com cursos de MBA ou projetos, mas o CPDOC tinha pouco espaço no mercado. Por isso, cheguei tendo de fazer uma rees-truturação – corte de pessoal, mudança interna de gestão etc. Um aprendizado difícil. Ainal, éramos acadêmicos, às voltas com pesquisas, não com gestão. O desaio era gerar receita, oferecendo consultoria e pesquisa a outras institui-ções. E conseguimos.

Na primeira fase ampliamos as con-sultorias, organizando e montando centros menores para outras entidades, além dos projetos de história oral para órgãos como o Banco Central ou Petro-bras. Oferecíamos aquilo que sabíamos fazer. Um exemplo: montamos uma ex-posição sobre a história do Legislativo para a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, além de um núcleo de memória e livros de depoimentos com iguras ligadas à política luminen-se. Também preparamos um belo livro para a Fundação Mario Covas sobre a igura do líder político paulista. Depois vieram projetos nessa linha, articulando

diversas expertises: organização de

acer-vos, produção de arquivos de história oral e pesquisas acadêmicas.

O CPDOC tem composição e abor-dagem multidisciplinares – é composto de antropólogos, sociólogos, cientistas políticos e historiadores –, o que nos permitia elaborar projetos nas mais diversas áreas. Essa junção de conhe-cimentos rendeu frutos. Atualmente

a unidade é dirigida brilhantemente por Celso Corrêa Pinto de Castro. E eu continuo como pesquisadora e não quero abrir mão dessa atividade, pois te-nho ligação muito forte com a pesquisa.

Ciências Sociais: aposta na qualidade

Uma idéia existia há tempos den-tro do CPDOC: oferecer cursos. Às vezes organizávamos alguns, de curta duração, sazonais. Em determinado momento, icou clara a necessidade de abrir a área de ensino de forma regular. Primeiro porque nossa consultoria em memória e cultura era instável. Às ve-zes entravam projetos interessantes (do ponto de vista acadêmico e inanceiro), depois vinham períodos de

diiculda-de. Nunca nos afastamos da norma de aceitar apenas projetos que trouxessem recursos, mas, ao mesmo tempo, pre-servassem e garantissem a qualidade acadêmica de nossa atividade. Segun-do, porque nesse momento havia um novo direcionamento da própria FGV. Quando o professor Carlos Ivan Simon-sen Leal assumiu a direção, vários pro-jetos em gestação desabrocharam ple-namente. A diretriz da FGV era fortale-cer a atuação na área educacional com a reabertura do curso de graduação da Ebape (criada em 1952, havia sido fe-chada no período de crise) e a abertura do curso de graduação em Economia em São Paulo – além, é claro, da Escola de Direito de São Paulo, com o profes-sor Ary Oswaldo Mattos Filho lideran-do o processo. Assim, a FGV passou a ter seis escolas de graduação, três em São Paulo, três no Rio de Janeiro.

Naquele momento o CPDOC era apenas um centro de pesquisa e do-cumentação. Contávamos com uma equipe multidisciplinar, cerca de 80% doutorados em história, antropologia, so-ciologia e ciências políticas. Era funda-mental nos engajarmos nessa linha enfa-tizada pela direção. Então começamos o processo de desenvolvimento de cursos, com um programa de pós-graduação.

Até hoje esse primeiro curso se mos-tra extremamente inovador: o Mesmos-trado Proissional em Bens Culturais e Proje-tos Sociais, iniciado em 2003. Houve re-sistência inicialmente dentro da Capes

[Coordenação de Aperfeiçoamento de

Pessoal de Nível Superior] e da

comu-nidade acadêmica, porque não existia mestrado proissional em História e Ciências Sociais. Mas consultamos a Capes, fomos sabatinados por uma co-missão de professores altamente gabari-tados e eles perceberam a inovação do projeto. E a resistência inicial acabou se transformando em apoio e orientação para melhorar aspectos do programa, aprovado pela Capes como primeiro mestrado proissional nessa área. O re-sultado tem sido excelente.

É um mestrado proissional stricto

sensu, ou seja, com diploma igual ao

do mestrado acadêmico. Mas com a característica de produzir dissertações com caráter aplicado. Os alunos se habilitam para o magistério e podem ingressar no doutorado, mas a princípio não querem seguir carreira acadêmica. Por isso os projetos de pesquisa são apli-cados em realidades já trabalhadas por eles, como por exemplo um grupo de alunos ligados à Comunidade da Maré

[zona norte do Rio de Janeiro], cujo in-teresse era criar um centro de memória e um museu local.

Ensinamos aos alunos os serviços que prestávamos como consultores. Assim eles podem aplicar essa expertise em projetos no Brasil e no exterior. Re-cebemos pessoas de todas as partes do país, muitos com projetos de reformu-lação ligados a museus e instituições de renome, como a Biblioteca Nacional ou a Fundação Casa de Rui Barbosa. A partir dessa experiência, desenvolvemos um projeto de doutorado em História. E foi quando percebemos que a gradu-ação também deveria ser aberta. Nosso curso de Ciências Sociais, aprovado em

2005, está formando a primeira turma. Todas essas mudanças vieram dentro de um clima de criatividade na Fundação Getulio Vargas, no bojo de uma nova era. E esse clima continua.

Se o momento de crise dos anos 1980 marcou o fechamento de órgãos e publicações, a partir de 2000 houve um movimento contrário, de expansão e relorescimento. Durante minha ges-tão surgiu o FGVOpinião, núcleo de pesquisa social aplicada do CPDOC. Quando começamos a elaborar o proje-to da graduação em Ciências Sociais, tí-nhamos em mente o diálogo do FGVO-pinião com o curso, ou seja, os alunos da graduação poderiam estagiar no nú-cleo e assim ter uma relação bastante próxima com a aplicação das ciências sociais. É o que acontece.

Os alunos estagiam no próprio CPDOC, participando de pesquisas de opinião, e estão envolvidos com um tipo diferente de abordagem, seja no campo social, cultural ou na área de documen-tação. Essa ligação com o FGVOpinião não só dá subsídios para os alunos desen-volverem a vertente sociológica, como oferece a oportunidade de o aluno, se assim desejar, enveredar pelo olhar his-tórico da memória, da documentação. A ligação do aluno com o centro de pes-quisa é um diferencial relevante.

O curso de Ciências Sociais esta-belece um diálogo muito forte com a história. E essa é a nossa marca, como é a marca de nascimento do CPDOC. Portanto hoje, no setor educacional, o CPDOC tem a graduação em Ciên-cias Sociais, o mestrado proissional, o mestrado acadêmico e o doutorado acadêmico – no qual a pesquisa é volta-da para um olhar histórico, sempre dia-logando com as ciências sociais. Aliás, em 2010 começaremos a graduação em História, já aprovada pelo Ministério da Educação. Serão, portanto, cinco cursos em andamento. A nossa origi-nalidade está justamente nessa intensa articulação multidisciplinar.

A Editora: investir na base

Ao término da minha gestão à fren-te do CPDOC, passei a coordenar um programa de livros didáticos para o en-sino médio. A idéia é agregar o mate-rial do nosso acervo aos livros didáticos, um diferencial enorme de qualidade.

São usados os documentos de época, e para redigir esses manuais selecionamos uma equipe de professores doutores e do ensino médio. Nosso livro didático de História, por exemplo, já foi aprova-do pelo MEC e está senaprova-do comerciali-zado. Agora produzimos os de Matemá-tica, Sociologia e Português. Esse não é exatamente o trabalho da Editora FGV, pois seu foco não é o ensino médio. Mas a empreitada surgiu como um pedido do presidente Carlos Ivan Simonsen Leal, para dar atenção especial a esse programa, chamado FGV Ensino Mé-dio. Fizemos uma associação com a Editora do Brasil pois entendíamos que a Editora FGV não tinha expertise para trabalhar divulgando esses livros nas

es-colas de ensino médio. Os livros são avaliados pelo MEC, alguns já foram lançados e comercializados com boa aceitação. No Rio de Janeiro, onde so-mos mais conhecidos, a aceitação tem sido ótima. E têm sido adotados tam-bém em lugares que inclusive desco-nhecíamos, como no interior do Pará.

A Editora FGV tem vários projetos. Trabalhamos uma série importante

chamada FGV Management – com

quase 1 milhão de exemplares vendi-dos. A coleção existe há cinco anos e suas obras são vinculadas aos cursos de MBA. São livros de fácil leitura e a série

Gestão de Pessoas, por exemplo, é um

sucesso. A série Finanças e Economia

também. O que nos deixou surpresos foi que essas coleções extravasaram a rede FGV: hoje 40% desses livros são vendidos fora dos cursos. Vendemos di-retamente para as universidades,

facul-dades, livrarias e interessados em geral, que compram no site da editora.

Muitos títulos são comercializados pelo site da editora [www.editora.fgv.br]. Antes havia a idéia de que a distribuição era fundamental, mas mais importante que isso é a possibilidade de o consumi-dor adquirir o livro diretamente na edi-tora por um custo mais baixo. Outra me-dida tomada é em relação à divulgação: por meio de convênio com o Google, parte de nosso catálogo está disponível nesse sistema de busca. Ou seja, a pes-soa entra no site, digita o nome do autor ou da obra e consulta a lista completa da editora. Ainda pode acessar cerca de 15% do conteúdo do livro pela rede: capa, primeiro capítulo, índice e bibliograia.

Além da coleção FGV Management,

temos outras, como a FGV Prática e

FGV Negócios. São pequenos livros

sem ligação com o MBA, com temas ligados à administração e gestão de ne-gócios. Existe ainda uma linha de livros avulsos nas áreas de ciências sociais, antropologia, sociologia, comunica-ção – publicações acadêmicas mesmo. Embora estejamos abertos a publicar trabalhos da comunidade acadêmica, nosso interesse é ecoar a produção acadêmica da própria FGV. Através do nosso site, por exemplo, o público pode

acessar a coleção FGV Digital,

com-posta de livros de excelente qualidade que se encontram esgotados. Ou seja, nossa preocupação é com a qualidade na prestação de serviços. A Fundação Getulio Vargas sempre primou pela inovação – e sem jamais deixar de lado a qualidade da produção.

Marieta de Moraes Ferreira é douto-ra em História do Bdouto-rasil pela Univer-sidade Federal Fluminense, com pós-doutorado na École des Hautes Études en Sciences Sociales, França. Ingressou no CPDOC-FGV como pesquisadora,

participou da criação do Dicionário

Histórico-Biográico Brasileiro 1930-1983. Coordenou o setor de História Oral (1992-1995) e também o CPDOC (1999-2005), além de presidir a Associa-ção Brasileira de História Oral (1994-96). Atualmente coordena o programa de livros didáticos da Editora FGV e leciona na Universidade Federal do Rio de Janeiro [o depoimento foi transcrito de entrevista a Carlos Costa].

O conjunto

documental do

CPDOC é hoje o

mais importante

acervo de arquivos

pessoais de homens

públicos do país e

totaliza 1,8 milhão de

documentos

Nunca nos afastamos

da norma: elaborar

projetos que não só

trouxessem recursos,

mas também

preservassem e

garantissem a

qualidade acadêmica

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