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Diplegia facial traumatica.

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Academic year: 2017

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(1)

DIPLEGIA FACIAL TRAUMATICA

J . FORTES-REGO *

A paralisia facial periférica unilateral é condição freqüente e, embora

a forma considerada idiopática tenha predomínio estatísitco

! ,

(

numerosos são

os fatores implicados na sua etiología, cabendo mencionar, entre estes, os

traumatismos cranianos, cuja importância não parece fácil determinar com

precisão, em face dos dados divergentes oferecidos nas diversas casuísticas

relatadas. Assim, entre as 19 causas distintas de paralisia facial encontradas

por May & Lucente

1 9

, em 28 dos seus 160 pacientes, não há referência a

traumatismo, no que coincide com a série de 446 casos de Adour &

Win-gerd \ onde 245 apresentaram uma outra afecção aguda ou crônica. Muitas

outras publicações similares poderiam ser facilmente evocadas, porém

pro-curaremos dar maior ênfase àquelas em que o traumatismo craniano é

men-cionado. Eis alguns exemplos: 7 em 2 5 1

1 3

, 2 em 7 9

2

, 119 em 735

5

, 23 em

340

1 2

, 1 em 4 8 3

2 9

, 72 em 606

1 4

, 1 em 8 0

3 0

, 15 em 1 4 6

3 3

e 2 em 6 1

1 8

,

referindo-se esta última a crianças menores de 14 anos. Outros autores

sim-plesmente reportam seus casos de paralisia traumática

1 1

>

2 1

.

Ponto pacífico entre os autores relaciona-se ao progressivo aumento na

freqüência de paralisias faciais traumáticas, como conseqüência do número

cada vez maior de acidentes de tráfego, industrial e de aviação

2 2

. Neste

particular, os números apresentados por K o i k e

1 7

e m Niigata, Japão, são

bastante significativos: 1967 — 12, 1968 — 19, 1969 — 28 e 1970 (janeiro

a agosto) — 29 casos. Também Paunescu & c o l .

2 6

, ao comunicarem um

total de 33 casos de paralisia facial em crianças, num período de 8 anos,

ressaltaram um importante aumento no número de casos de origem

pós-trau-mática, em contraste com uma considerável redução nos decorrentes de

even-tos não traumáticos. Cremos oportuno destacar ainda a grande importância

que se atribui aos traumatismos de face na produção de parilisia facial

extra-temporal

6

.

1 5

. Em algumas eventualidades, situações curiosas são

menciona-das em associação com paralisia facial periférica: fratura de mandíbula

2 3

,

lesões traumáticas da cadeia ossicular

2 5

, tentativa mal sucedida de remoção

de um corpo estranho do conduto auditivo externo

8

, após anestesia

tron-cular do nervo dentário inferior acima do orifício superior do conduto

den-tário

1

.

É geralmente admitido que a paralisia facial periférica é causada, na

maior parte dos casos de traumatismo fechado de crânio, por uma fratura

do osso temporal, podendo esta ser transversa ou longitudinal. O lugar de

(2)

sofrimento do nervo facial parece ser determinado mais pela singular

dis-posição do osso temporal, do que por um tipo particular de traumatismo ou

fratura do crânio. McHugh

2 1

, citando vários autores, afirma que o local

mais comum de lesão do nervo facial, em fraturas transversas e

longitudi-nais do osso temporal, é dentro do ouvido médio. No primeiro tipo de

fra-tura, o nervo é freqüentemente lacerado ou completamente seccionado

en-quanto que, nas longitudinais, é distendido, contundido, edemaciado e

com-primido pelos fragmentos ósseos, porém só raramente lacerado.

Uma fratura transversa do osso temporal é usualmente o resultado de

uma força aplicada às regiões occipital ou occipitomastóidea e mostra

con-siderável variação em posição e direção. Nela, há rotura da cápsula óssea

do ouvido interno, perpendicular ao grande eixo da pirâmide petrosa, e o

nervo facial é mais freqüente e severamente lesado. Segundo as estatísticas

de Siebenmenn (1890) e Hahn (1955), citados por Miehlke

2 2

,

aproximada-mente 30-50% dos pacientes que sofrem este tipo de fratura, apresentam

concomitantemente paralisia facial.

As fraturas longitudinais do osso temporal, paralelas ao grande eixo

da pirâmide petrosa, são muito mais comuns que as transversas. Este tipo

de fratura usualmente envolve o assoalho da fossa craniana média, poupa

a cápsula óssea do ouvido interno, porém freqüentemente — se não sempre —

lesa o ouvido médio. O nervo facial pode ser atingido na porção timpánica,

distal ao gânglio geniculado ou, em raras ocasiões, na porção vertical, na

mas-tóide. Uma fratura longitudinal é comumente devida a uma força aplicada

à região temporoparietal e, segundo a maioria dos autores, tem um curso

típico. Em 10 a 25% dos casos provoca paralisia facial, sendo esta de melhor

prognósitco com relação às oriundas das fraturas transversas.

A seguir faremos o relato de um caso de paralisia facial bilateral e

hipoacusia esquerda surgida após traumatismo cranioencefálico.

OBSERVAÇÃO

(3)

COMENTARIOS

A diplegia facial secundaria a traumatismo craniano é r a r a

1 0

.

1 6

>

2 0

.

2 8

.

M c H u g h

2 1

(4)

osso temporal pode ser uni ou bilateral, parcial ou completa, imediata ou

tardia. A paralisia imediata, geralmente completa, é devida à interrupção

do nervo no aqueduto de Falópio. Nos casos bilaterais, a paralisia pode ser

imediata em ambos os lados, tardia nos dois, ou imediata em um lado e tardia

no outro, ou estar presente quando a fratura é demonstrada pelas

radio-grafias só em um lado. O surgimento tardio da paralisia traumática é

atri-buído a edema ou hematoma no canal facial.

Embora reconheça-se uma origem intratemporal para 90%

3

ou mesmo

95%

4

das paralisias faciais periféricas, a associação de lesão deste osso com

acometimento do mencionado nervo nem sempre é clara. Assim, T o s

3 1

,

revendo 500 casos da doença de Hand-Schuler-Christian registrados na

lite-ratura, encontrou, em 284, lesões do osso temporal, sendo estas bilaterais

144 vezes e considerou surprendente o fato de somente 8 terem apresentado

paralisia facial intratemporal, bilateral em apenas um caso.

Nosso paciente apresentou indícios de fratura de fossa média

(confir-mada radiológicamente à esquerda), paralisia facial periférica bilateral,

in-completa, provavelmente imediata e hipoacusia esquerda. Aliás, é notória a

dificuldade em evidenciar uma fratura de base de crânio, mesmo com a

utilização de técnicas especiais

3 2

. Por outro lado, destaca M i l l e r

2 4

que a

paralisia facial secundária a traumatismo é muito mais comum na vigência

de perda sangüínea ou liquórica pelo ouvido, em cuja eventualidade costuma

associar-se surdez por lesão do ouvido médio. Um aspecto até certo ponto

particular do presente caso refere-se à extensa fratura mediana do occipital,

exatamente na área de maior consistência do osso.

RESUMO

É relatado um caso de paralisia facial bilateral, incompleta, associada

a hipoacusia esquerda, após traumatismo cranioencefálico, com fraturas

evi-denciadas radiológicamente. Algumas considerações são formuladas tentando

relacionar ditas manifestações com fraturas do osso temporal.

SUMMARY

Traumatic facial diplegia: a case report

A case of traumatic facial diplegia with left partial loss of hearing

following head injury is reported. X-rays showed fractures on the occipital

and left temporal bones. A review of traumatic facial paralysis is made.

R E F E R E N C I A S

1 . A D O U R , K. K. & W I N G E R D , J. — I d i o p a t h i c f a c i a l p a r a l y s i s ( B e l l ' p a l s y ) : f a c t o r s a f f e c t i n g s e v e r i t y a n d o u t c o m e in 446 p a t i e n t s . N e u r o l o g y ( M i n n e a p o l i s ) 24:1112, 1974.

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