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A escola do trabalho segundo Freinet

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Academic year: 2017

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(1)

A ESCOU DO TRi.3ALHO

Mari~i~ Lara Amara l Oliveira

(2)

A ESCOLA DO TRAB>.LHO SEGUNDO FREINET

M.arília Lara do Amaral Oliveira

Tese subme t ida como requisito pa rcial para obtenção do grau de mestre em Educação

Orientador: Prai. Dr . I lde u Morei r a Coelho Co- orientador: Prof~ : Angela Valadares

Du-tra Souza Campos

n:.o de Jar..eiro

Fundação Getúlio Vargas

Instituto de Es tu dos Avançados em Educação Dep a r tament o ce Ps icologia da Educação

(3)

111

Ao

José Pedro, meu esposo,

Rodrigo , Vinicius e Fre

cer~co,meus filhos, qu e

est~v~~am ccmigo todo o

te~po, pértilhenão se

(4)

= AGRADECIMEN TO S =

Registramos nosso reconhecimento sincero às nume -rosRs pessoas que direta ou indiretamente contribuíram para que nosses estudos anteriores e este trabalho fossem reali

-zados .

Especialmente , gostaríamos de c:.gra.decer

- 8 mir~as irmãs Vilda, Lourdes e Conceição , pela

solidarie-dade , estímulo e apoio constante.s com que me distingui r am .

-ao professor IJ deu Mcreira Coelho, cuja atuação como educ~

dor tem c ~ recido o nosso profundo respeito e admiração e também dos EellS cornr:enheil'os de trabalho .

- à

professora Angela Valadares Dut r a S ouza Campos , pelo a -poio e ãisposição de nos acompanhar neste trabalho .

- à

colega D ~r c:\ Cos te , persistente inceDtiv e d o ~a de estudos e reflexões sobre a escola .

(5)

Introàuç ão . . . 01 Capitulo I : FREINE2." e a escola primária francesE. .... 09

Capítulo II: A crítica de FREINET

à

escola fr a ncesa. 62

Capítulo III: A proposta de FREINET ....•••••..••.•• 97

À guisa de conclusão .... . . 163

Bibliografia . . . .. . . 169

(6)

= ES G'LAREGDlENTOS=

O'hj e tiv2udo tura para co~sulta às üota5

r :: ::co

rç,-f.. .. zi r 3.5

de fim de cayítulo : e cODs i êe-ÉLISi:: F::.:t;}:i-:ET serão cit a dos r::. cs te estudo ~ cpt2'~OS po::- a~ (1

-tEr c se bU inte pre,ced:'mento para indicar estas fent!::s ~~ b l i ogr:5.ficE".s de UDé;. forma si..r!lplifico.da : t é'.rlto n o próprio

tex to co~o n ~ s notas :

- a refer ê ncia se far~ entre p ~r êntes e s _

- 8 obra ser:: io.eZlt~ f icL.da por- u.~<:1 abre-\"i3tura c.:-onsts.nte da "lieta de abreviaturas I ! .

-3.( 6) I

i

{;:'!111( ~ ) E:':Jt a rá( ão) i l:d .... C'-<.: da( :::)

r ..

or -~ . ..:JC:' .1;':;'0

ca, pr"ced :.c.n de do :'~ pontos .

Estas obras ap E :::-ece~ devid &::l l=:r.:.te I· eb~Gt=E. -das !ia bib l io&=afi~ fi:lE.l , seçllnc. o as nO !"'IDhS téc::..icas .

(7)

,

I

,

- LISTA DE

}~REVIATURAS

-- , d Cr--.c ..,-- -:">_, ~ _- -_ _ - - - _ . - _

1 . l.:!.vros e L. .... ,;, .... ~..I...J !:'

BS- Pedagogia de 30= - G~LSO .

CE'- Co~ seJ..:lo9 8.0S I·o;:is .

ETI- Educação pelo trabalho , primeiro volume .

"r--

~ . L_ - '1:"" ~au cs ç~o - ?e_o ra , t b 1" ~ ~o ~ segu~ d o vo ume . 1

'ME- IJodernizar a escola .

li.2n - l.:étodo N'e"tl;.re.l , primeiro volume. r.n!II- !J!étodo Natural, segllndo v olume. llNII I - Método H3.tural , terceiro volUlile .

PEP- Para uma escola do povo .

PSI_ Rnsaios de 1lsicologia sensi vel , r:r:":.:eiro Yolt:4r:e .

PSII- Ensaios de psicologia sensivel , segundo V0111 .. :: .. e . TF- Técnicas Freinet da Escola NadE·ma.

I CF- I til1erário de Célestin F:r·ainet .

n~P _ Nascioento de uma pedagogia popula r.

3 . Si é;la s

CEL_ Coop érative de l ' Ensei&3em~nt L ~ ic.

CGT- r.onfédération Géne~21e du Trav~il .

RPL:- Eeoles prir:aires élé:1ente.lre3 .

EPS-

::2eoles pri..c.aires su?ér:'eures .

GFE~ - G-roup e Français li ' Educa-;;ion }~o~ 7elle . IC:!::- Institut Ccopi!ratif ce 1 'Scole I.: oderne .

Fr:Z:I - Féa.ératioll I ::lterna"tionale dE':s r~ouvements de l '

~-cole lJoc.erne .

LI~ - Li~e International e pour l ' Educat ion Nouvell e .

S:~I - Ssndi c e"!; Hational des Instituteu rs.

(8)

Cê8, c~·:J.s-trl1iu tolH" lI :peC!.~bogifj ll a pertír de eel;; nngi?-:é rio er: eBcole.s púb::'icas de: ::·_ldf;ia.s ~ c.oa Alpe!j M';.:..~ítir"o~

Qi.le funcion 8'.vzI:! ~r.:. precúrif::s c:onc.ições lf,~tECid.is e 'p8 Q:!. gQ gicas) DO períoco cc.opreendic.o entre as duas g'.lerré1.s

t1il!:-d:'[::ie . Ele :'L ~.; roê!uziu alter&.ções nc:.s sf'.l<:i. B do aula à.e slta Eocola , e.::!l tern:.cs de técnica.s de en!:liro e e~r.c?7(1 de t:'!;C::1 silios . Conferi b. suas observe.çõ(~S CC!:1 2 " teo:~ié.lI E>F·C'02..:..:o.o

vista, concordand o com alguo a s afilmc.ções e rê:fut s.ndo 01.:.

-trb.s. Quest ionol1 a e2.001a de sua époe a e d esvenc.ou. v.!~ios

n~xoz da relaqão escola- sociedade , ante c~p ando alg~m~s

6-náliees que hoje estão prEsentes nas discussões sobre a

eà.' .. :~.c ~ção bri::lEileira .

A "pedf1gogia " Preinet está b eS9a.da noz

t e~: .8E>~·S ::..;ernc1,oI':-s te Il-v:'à un e ro t::'?b~'::"'1c , (' ::':1'-:2.

f:

to ('1");:10 fel"ne. é!.p r .. ni:-ic<..::.~ C' pe:ls:un e:::.tc e 2. a.t:'vj(:;.e'::'e

"lO': • , ~ ~

:'1:

-f, ;~~ j S, (,04!.0 Í ... !l;:[:'J e como motor Üé v ic.E;.. Na con(!cpç:~o (~n mu.:::.co de Freinet c t~abalho

é

c:r-i ador de ri~ueza , de }:.o ::':..>

res, d(~ er.;..uilíbrio ~ l!divià.nal e social . Ea eonzflqLlê:lc:.,? ,

a ef.ccl? ) como c:o!jJr~rpendidEl por PREn ~E: , âevE:! !'·er fu r .. ::~c:R

sobre o trz.l:·alho) e ietc :.D!:plic2. numa reo::-g:: 9.nizaç ão do cs

:p:J.~ o :f.:f.S3.CO : rec.efin ição de pla::1os e p!""oj 870~, d!.- curse,

nova utilização CE utensílios e técr:.icas de enBi!!o, o bj~ ­

tivL.!J.Co ~c·n5tr.:ür U::Ja I esce,la noya pop'.11arll , qUE.'! ccntri -ruÍt.:o e Iara a libe::'taç-ão de I ,ro le't2.::"iadc .

L ~ ,, _ e.;..:..v _ :::.. ... _"~I •.. ,~ ~., ... ,.o- ... ~." o-~~ __ , _",.' ~o c.a~o ~p-uo ._ •• • •.• __ , ~~~~~~~,.U(·o'""'- ... ... ".1...1 ... _':1' -.s .. "t'e ' ... .

li rnit~ e I·Os!::>ibilic.~des que just i fic::.!:! seu. aI::,ove:i.t3.l!l~:. ­

te 7!U!Il~ pcrs}:ectiva m.?.i or de UI!'.S. pec.ab"o[h:l soe:!.::!l .

(9)

Cél estin :Freine t; a constr<li t s a "ped ó.go-gie " d ' ap::·~s son ~ r avail d ' in8tit'-;.lte:.lr dans les éco les

p".lbli ~ues des villages des Alpes ruaritirae s . Ces écoles'

fonc t io:1na ient dans d e s ~a uvaises co nditions matériel -les et pédagogiques , pen1a nt la période comprise entre les deux gu.erres rr:o:ldi2.les .

11 a in~rodu i t d~ns 5es class~s ~es ~o~ ­ ve a l.ltés en ce qui c·:mcerne les te chni qu es et reem:;lloi d e s o:.ttils existan~s . D'aprés les obser;,rg,tions qu ' i l faisait dans 5es classes i l a pu confirmer ou rejeter

quelques - ~nes des ic1éea de la "theorie " de I ' école nOil

-velle .

11 a mis eu que stion l ' école de son épo -que et il a m ê~e de~o n~edes multiples ~mplica tions

tantes entre I ' école et la societé qu.e refletent le

te:.ne à. I enseigc.ement .

ezi..§

11 a done antecipé qu elCJues une s des id

f::

es qui sont en di scusei on d ans l ' écol e brésilie::me . Les principes peda,zogiQl:.es de FREI!~E:r

s ' a:ppuient sur les intérêts gé!J.érateurs de la vie , sur le tra-vail conçu CO"!ll!!l e un e a c tion de la pe::.sée et de l ' a ctivite' enfant i nes et c:;mme le .:1l.oteur de l a vie .

D ... ns la conception. q~e FF.EINEI' se faisait

du monde : le trava il est le créateu r de richesses , de pOUYOir9 a =.lt .<-! r-:.t c:ue d ' eQ.u i lio r e inuividuel et soci2.1 .

P ar cO!lséquent I ' école de :F"REI:~ET prend COm1I1e b a se le travailj cela e~tr 2. ine la reorg ~ uisatio~ de l ' esp~ce ph2 siqu e , l a rédefinitio;:J. eles COiJ.r3 , 1e nouveau emploi d=3 outils et des tec:b..llit;ues .

Cette école ~ la fois ~ouvel le et popu

-laiTe pcrmgt~rait la libé r ~tio~ d u prolé~ariat .

(10)
(11)

- INTROWÇIO

-o

n:>:Je o (;(·nt Cit o C (lIll Céle stin Freinet e

E!U-a s t6cr:ic: ~. s CCC ::?'':;';' e.c. i'.Jn ç:::- ~; [!e !:Qsao i n::9 Yf:::-OE: €:!!1 I:iC _

lborar a c.t'.,G série f.: inj. cir:.i s do

12 gX·E:u . Apesf-.:~ do períoc.c. à.~ udes:iJus nção peê.Ggógica " I el::. qu.e r:.argu.'iuir::: r:lc ::. , p e r~s :': vf.!!lC S esperc:nçosos Ç.ue .. se

n:-i.m co!:! <" E-scolz. , rior sem ela .. Urgie re:pe: -~ sá.-la, mas IlaQ marginaliz:!- la ou simplesmente rej ei tá-la . E F'ltED~ET foi-nos 3u'::;êrido como i"!l g:..-.éJ!. (i'.lC ::- ltel"'Ou C'.E: c.CrlC.:'Ç0 8 S t:.e é.. -do :!'ee.lide.de os II soLho9 ge~erosos " dos pedagogos ,

falou.

CT~li'A5l<:D

E ~

co:no

O relat o de experiências de p1:'ofe!:.sores

<lu.e aplicav2.!Il téc!lic&s I ·?.E:lliET em diversos países , em di

versos tipos de escola , em d:"vers2.S séries , a caiaria e:il escolas

pública~

t reforçou nesso interesse e procuramos I

os l~ YTOS a~ ~ue o auto r es expliGava , ~ensf~dc õe t e~c ­

D09 r.~ a~á lise ceta lhac'a de D..lgu..ma9 delas.

Ee:parsas notícias de te:Jt",~i'ú6.S ele é..l-,lic

.-ção ceEsas téc~ic ~s no Bre sil nos sugeriram a idéia de

localizar as esccl~s e 09 p~ofessores, obeerv&r a9 aules

e f;ntrevi ~t~r peE5(:cs 1'.?-r f: ts,!;lõ é!r: fJpr.:'.énueriLos o sentido

da experiência br's.sj.leil'h .

A rE- f~ be:ctltre. e &enPo:::.'aliza.ção, er:.treo nós ... do

q~estionnceLto sobre a fUnção da escola n a nossa socie~~

de , tréizeD.do p2.ra o centre d 2, S discu ss ões P. qu.estão

fl:.!:-c ~ .!iI.fl:.!:-cntal do 8€::ctido político c.o ato ec.u.cativo e , c c-nco:ni _ t2ntemente , a l e i tllra de N~ , scioeTlto de ll.!.1& P~d a. goai3.

x,:,

~

Tlt:.lar, 'lue I'ela ta o trê.balJlO de FF.E:!J'JET at é C'. seg".1:ldE:.

g~erra ~undial, levara~ - ~o9 a um& inflexão Doe e~tcdcs

pretendidos . J,. preocupação com 2.S técnic <õ:,s enq,.t.:.anto tais

cederam lu.b"ar

à

preccl:.paç ãc cem a gê!!.ese ao J::oYimento :FP.E1::EI' e CC>!I:. u, proposta ec.uc~,ti va de seu :fu!lcac.or ,

(12)

bra-2

sjlei r 2. pareC6'.l-nOS pré':::re.tu:ra. •

. U!lle. rel ei tu r z. de PDEI NET apontou.- nos I! Edu.-c&.çao 'Pala Tró-b alho " cone c 2.ivr0 ba.se para. apre-ender a sua propost9. ~ Ac .longo c.esta obra. FREIN"ET. insiste , atrG

-véf: nos c1iálog03 en1;r;;: um Ca!1'Of'n:?p. € t;,; ~( crsR]. de

prc-t'C'3-~oreo_, sohr",:" r ("- . , , , . ; . , . . . ~·'"7 0 .o.- , ... . ; . f· .. ' · ~ ·· ··'" nr+'"

'" - ~~''''''' - -- . . . '' "" '-~- - ' - ' ... -'- ... ·~t ... - ~

CC::l.Serlu;::!.('::L~. il. ... ~:'Y:"::d. ·') (lC'1."':"::::} c c t::,-s '\.,;:ó:.1h c; que C:r:e:rOll ::.

dicoto!:üa. tl·~õ;:.lho intel€.:ctual- -c,rcbalho mnnu2..1 e e sue proposta é I!O se::tido d~ sU.perar tais contradições . E ele ecredi ta fazê - lo centrando a vida escola r D.O t r abalho

trebalhos - jogos em se tratando de crianças , ou na .: eu

de

1!ET S~ u.tili..:s pars. ei,:;.~S o:,servações e sv.?.. expe::,"ime.ctag!:o ped<:1gógica são reveladores c.e ELJ.a posição de classe e o~ ção por esta c.:less e : o t r abalho do ceJ::!.ponês , cr-ü:.nças fi

lhas àe t~~balhadoreS J as profissões ~ue cita para exe=-plificar alguma idéia , a escola p~~éria pública e obrigatória. Ele parecia não se preocupar cc,m o 'lue accnte

-c ia nas classes anexas aos LicEUS, cem os filhos c..8:. bur-bUes:i.s. , que tin.:-:.a m sl;.as b ab.i9 ! o \..:t ros üf-C'E! ~ c.:C:S1:u:J. '3S

nos quais Ilã o se. incl'.lía o trabalho maul"J'l.l, nem dC.'8 :pE',is nem dcs crianças .

"Ec.ucação pe l o nrabalho " apresenta , d e uma

forma m~is organizada , o pellS2nento de ~utor sobre educa ção pri!i!á:.~i;: . _ Foi red igido r-:..pós 20 anos de docência, num pe rí odo de p a usa nas suas atividades , que lhe faculto u

repen~&.r .. S2e. prática . Não tendo o auto r DE;inhum Eê.Lte rial de consulta

à

mão, que.ndo redj.giu o livro ; o C].ue ele contén:. expressa a posiç'ão real de F?.Ell~ET , o Clue o autor incorporou e assimilou de toc.as iDfluê~cias teó~icas e prát icas . Ele próprio e.firma , em 1966 , çue Este livre ccn

tém a sí!ltese do seuplano geral

d~

educG.ção? Pe::Hluisas I bibliográfic e.s sobre ensino primário francês reforça::--áUl ' nossa escc.:ThE. , pois a maioria das referências dos ê iver-sos autores ~obre F3EINET, incidem nesta obra .

À vie t a da çar:d~ dificuldaue de termos

a-cesso ~ .. os Cilt::-OS escl'itos c.e ?P.3INET que preCec.8ra:J ia

(13)

-03

Ilogia PO't.ular que contém , em abundância , editoriai s e circulares redigidos po r ele nesse perí odo . Po r vezes re ccrrerr.QS ta.r::!b

é.m :::.

-'..;extos posteriores

à

se€,unda g.l.erre , er;:

que FREIN~T re a firma muitss das s~as posições anteriores .

N§o no:, g :JDdo 2 u t ilid a.d!:! do e E:forço c.e c c

1 1~ :~eciof:z:to E: !,r,:-:-i ce de l.. .? d a uma d5.S tée>:;.icc,s propostE!6 pel o 2.lLtor c!i sc:~::- i :';'L:!(' e;, po:;: ·ém~ que SESa. condição tlev&

tornar-~e ~ecesEária ou ~ediação ~ ohrigatória para o co '

-nhecimento d e. questão da escola e do p r incípio educetivo 1

qUE: ele à.ef?nde . E:nbora FREIl.'TET não se enquadre na CO!l

-ceituação ge:1érica de teórico da educação , por ter sido seIJ:pre, um praticante e por te,r ele mesmo sobre986.lt é:à.o

e. dimensão prática de' sua obra , um exame do encE1deam~nt o de sua ação ~edagógica e política e dos seus escritos se. lienta o aspecto lIintelectual ll desse professor primário .

Ele "praticou " a pedagogia ,

é

certo , mas não de uma. ma.

-neira irrefletida . mui to ao contrário , e,le ' observou, c em parou , programou , di.scutiu resultados , ampliou. a dimen

-E'ão pedagógica do e~sino , ::r-elacionandc- ô com o memento 1

econômico- político vivid c , contre.ria..n.do o senso COitJlJ!l en

tre os docen-::es Que E.- ce: t a:ve-Ll o c onfio 8..:!! E.:D to do t rG:.c, 3.1bc I

didático nas ~uatro paredes de uma sala . Isto não se faz sem ~m respaldo teórico , meSCLO que não haja discursos

for~ai9 precedendo a ~ção c c ncreta . Subestio~ r a dioen

são teórica ou int e lectu a l de SUé;. obra seria contrc uizer

o que o próprio FREINET fez e defendeu : uma ação refIe

-):iva , criativa, umz.. visfio de con j unto , umé. post.ura crí"ti ca pera não exeClJ.t a r serr. s a ber para onde o levava sua

a-çao .

Por i ss o , e ~b c r3 pareça

consolidada a

imagem desse ed1;.cador co mo iU!l prético dE'. edttca.ção , opta-mos por uo estudo aIl.E.l í tico do contéúc.o teórico c.e sua

bra , ao n í vel do disc u:'GO , e:r. u.m determinado período . Fo

ge às nossas pretensões refazer a biografia de FP~IN~T

ou ecrescentar iDfo~ações biblioeráficas sobre o teca .

Procuramos aclarar os pressupostos teóricos ~ue infor~a­

~am a sua proposta de realizar a educação pelo trabalho ,

(14)

-ficc·s, admitindo , sempre , uma au.tonomia relativ& do tex-to, considerando possíveis não coincidências entre as in tençõeo do autor e o significado de suco ob r a .

Ao S8 propor a falar sobre educação e

tra.-cola-socied 2.de . E t5.is

ne~~ ~sari~?n te, n ~s relações

es-relações são percebidas ou apra enc.ide-.. s d:'fere11te!leI:.te pelf:.s peS306.S; são taabén rela

.

ç'ões histórica.s , v s. riando DO tempo e no espf.ço , confor-lile sejam ~s relações de força ent r e diversos segmentos 80

-ciais . Daí nosso interesse em situé.r :FF.EINET no seu t

en:.-pc, ou melhor, na. sociedade na ~ual ele agiu , pretenden-do D!oficice.r relaç.ões pedagógicas . Assim julgamos ili\P0

:C-tante co~ecer a escola primária e a sociecade que exis-tiam n~ França na primeira metade deste sé culo e as polê micas e ambiguidades q~e já se anunciav~m .

Vivendo numa d.:da,- época , FP.EINET refletirf os problemas c.essa. época , nu.ma perspectiva delimitada pe lo ccnhecicento que ele dispunh3 da própria co~juntura e de um referencial teórico a ~ue tiveese a cesso . F mesmc ' levando-se em cont a 6.5 facilidndes de com'..tllicé~ção

c cr jlmtur2

50cü:l

de p::-ó

q~e já existiam no p&ís , cocpreanuer a

prio período vivido não é fácil, pois , cemo diz LEF},SV?2

"e.

estratégia global só apa r ece a. posteriori coco enca

deanento dos riscos e das pert ide-.s perdid e-.s ou gaI!h2'.s

COa0 consequência de acontecim~nt08 , de vitórias e deT!~

tas (vitórias de um cé:.mpo e derrota para o outro), por -tanto após a recolha das apostas e a repart ição. dos g'c.: .-n.i'l'Js

I:~

Um exerr.plo da di ficu.ld e.de eu:. compreer:d er esta e:3 -tratégia global é a crença m8!lifestada por FP.Ell;ET c.e

~ue já se iniciava u~ período de transição p~ra o soci~ liSil1Q e que o ca;.. italis90 estava vivendo sua agonia!

~~anto às análises e eatudos teóricos ~o

-bre a formação social em que se vivia, mesmo que FP.ElITET a eles tivesse um acesso fácil, a~uele ~ão foi um ~erío­

do fecunüo . Ao ccntrário , corres po~ deu R U~~ estagn3ção'

teórica e o proble~ a da reprcd~ção da s relações sociais ' de produ.ção , que €:>..--plicaria melhor a pcl:"='u.ncionalide-.de I

-

-

8

(15)

05

I~o capítulo 9rimeiro fi lr.e[!los a ten-:;ativa de inserir o ilutor e sua obra nu,m conjunto social mais a.-:: pIo que o ;r~po-~lasse d~ sues e s colas elementares . EU 9

-C1.:!lOO i r..fo!'m.~']õas :::0::::-2 3 conj:;.ntur.:l fr .:!n c~3a no peTícdo'

sofrerri!n reorjenaçõe8 , deter:nimvl9.S pel os int erG3.5e.'3 c:tpi tali3 ta::; nacion:?. i s -9 ir..te:"n3.ciondis e pelos bruPOS o:::"(;, .. mi

z a.do s p ~. r:l a de::esa 5.0~ i !1tere':'1_~e3 pop~lares . Ainda nos detivetllos !E!l pouco :1<=' célrs..c~erizaÇ:ão da escola prim3.rie. '

franc e,'3a !lesas ::lE3ClO per í odo . De., escale. sabidamm:.te

t!".:l-dicio nal , cuja ad~ioi~t r açã o cen~r?lizada oantinha a Qni-formiiade do ensino e das no!"nas õisciplinares , ápoi~~ão ­ se nos manuais que difundiaI:!l !!lodelos sociais de comport::.m.ent;:os recolhi:103 fo::a da experiôncia habitual da crian

-ça . Tci9 liv--=os afastav~ -3e dos int~r e3 se9 dos aluno s

parecendo-lhes meano , às v ezes , ab e ~rantes e~ relação às suas vidas 8 51,13.5 decco'iJertas .9 Distinguimos ainda , ne:3se

contexto , llilma aàoTdage~ ligeir~, os Qovi~entos d~ e3~~

. , 1 " ' ; J ! , " '\ ,

-l a uDic~ e ~3 e3CO a nOV2 CUjas J\Jel~8: ~ epoca: ~ao ~ ~ ro rep:r~s..;!ntê:iv'.:!O CO::lce!)çao r3volucionária e e:lCo:ü.tre.ram'

nlB".l;:nf!, re3so,;::,ânc is. e~ FREI:;ET , Que tar:b&;~ .;e in:.>urgia ccn

tra o enciclopedis~o dos pro g r aman e o didatismo profes -soral .

ES3e estudo da situação conjLLít!.lra.l dE. s.9. c iedlde fraucea2. DOS ~ermitiu apree~de r o sign i ficado do engaja=;ento politico de FR3LrCT . E esta. militância -polít:'l ca fO;"!leceu iu:.po::::"!;an~es subsíd ios pa:.cd a sua perseg.J.i.;ão I

e apri3iü:1--.:.!.len"!;0 . 1;:3.3 S~1.03idiou tanoéo , a e:-...te::1:::,:lo de El~t:

que~~ioJ~enc o pe~agólico ao Ca3pO social , perwi~i~do - lhe

aprE-:3:1:ler :;,l,;;u~s as..:.'ectos :":2. c O:J.9xão esco12 - soc:="'eddde ~ 'l'.le

ele p~oo . ..lrol.l deG...,e:1d~:!' rjj~d. os p!"ofesso::-es p r iQários e os pc:;.is 5. a z.lG.uos . Hota- !Se a evolL4.ção d~s9a p~:r'spectiva nos I seus edito::-ioli~ e circtlares d2 época . E ao redigir E.j .. I~tC,"l

cão ~elo T::-abnlho , ~PÓ3 t~tos ~~o s de convivênci2 co~ ~

(16)

05

a p ontar as i nov i::lç oes es colares que ele rep uta cê.:;azes de I

r ompe r a 3ubserviência e promove r a li~ertação do povo,

nao ficando isento de um~ c rença talvez ex a ger~da no po

der d a ec.;.:.caç5:o e" cor:.pnrtiili.lé:i::l.:lo do moüo de pe:i:!.s3.r vi gente

No s~cu ndo C3p ítulo do estudo de sta ~ a ~o~ '

a c ri t io3. de F.RI:::·~:::I

à

es colE.. p r i-?:lri a f r :;.n.ccsa . Ao fa ze r

S:1.& c::-í t .iC8- d::> • .;:scola pr i:n.:§. ria ) ele não se detÉ>.r. nos

mei-03; aliás r=ss~ lt2 muit o (e ~ bor~ refletind o uma visão in-coopleta

co

proble~a) a conivê n cia da escola c ow a ~~ u

tenção de u~a situação social de dO~in2~ão e exploração . Nota:!los uo 9Eib or de atualidade nessas crítica s FiO CC!l5 :" :10::

rar que na edu cação brasileira atual podemos encont r a r b~

se fact..lal que as justifi quem e ao id ~:a.tif ic ar lia ar::;'li.=e

do autor , gerueus de uma visão de educ~ ç ão que cuito tej ' s e difundido entre ~Ó3 nos últimos anos ~ A su~ a boràa~~m '

evidenc ia uma perspectiva polí tiea embasa:ld o SIJ a. coneep

-ção educaciOU2.l , prejudica da , às vezes , po= forcas de ex-pressão que : enfátic~s demais, co~ p r oae ~e~ , com seQS ~rro~

bos, a c o:npreensao de legitimi:l '3.de de s;,t:ls preo cnpa;: õc8 . l\"o c ... pítulo terceiro Rpr~3e!1tam. os as 1:' -nh a s mestra s da proposta e dncat iva d e FREnE'f , r elev anclo I

as a r gamentações em que ele se apoia e os meios que s u ge-!'e p ara re al izar a educ aç ão oo-.;a p opu:"a r : Il.ma edu cação em que 3. su.a p~bocup e.çã o pedag ógi ca

é

iu·verter a or:lem das

fun ç ões no processo de fOnlação : trabalho e ute~sílio3

2.-de Q.u;::,.doa passam ao primeiro plano cas progr amaç ões do c en-tes e o conhecimento c~iG ou ~~~o s ~bst r ato , o desenvolvi menta f?rma.l da i nteligência e c.e Olltras funç õ es (acessó-rias) deix~ de ser Cl.1l tivi:::.dos por eles p róprios e pass2.!!l a sê-lo e ~ função do trab alho que os alunos realiza0 . Pro

C il rX10S ciscl;. tir <:linda as c ondi ç ões e.n. Que e. proposta ed·.l

cativa de F?.E:l~E? e!::lergiu e anal i sar as linlla s teó=ic2s ' que a jus~ific a m , procu r ando desta c ar e relação Que devem

~~ardar fins e ne ios . A e~se n í vel , cb egamo3 gradat i v~eE

(17)

-07

ende r uma açao con~entânea e tenaz para realizar essa esco la que p ropõe e que SltpÕe a serviço do povon

Finol~e ~ te , repen~ ~ mos 09 limites e as po§

sibilidades da Upedago.::;i <'i. ulO FRElrIEl' e;1 referência

à

esco-.

'

-l a pu.'3l ic a br ·A3i leir=: ~ 0~_te~.~ c:':'. !1t''l ,

à.

ra õ..-:-f jr.i :~ :o d<l fun -çeo deS39. Bsc:ol::. e d:J.s r..(;:~..J~::":'d.:"1d:'3 educC:.tiv~s do povo .

Ap~3...:r d: ;:;t.:;:.s :;,.ü.:: ig.;.id~<le 3 , ou talve;; taül

bé:::! po = C31lSa dala"3 , s. I!:p ed-'ii:ogia '~ FP.EI r;F.1 re"reste- se de

U~3 singular importância ?ara

nós ,

e3pecial~ente neste ~o ­ menta em que a qu e 3'!; ão da es:!ola pública rea J.!ilente a servJ

90 do povo p 23 S3 a oc~par um lugar de desta1ue nas di3CU~­ sões dos educ ~:!o ::-es 9 dos clOvi.:lentO.'5 pOIY..llarea e eül que

projetoG de eacols popular são elabo:ad03 e colocados e~

prática peJos gr~pos c o~ proQetid o 9 com as lut a s dos 5~tO -res popula-res .

A oport~idade do estudo de uma propos~e I

p eã9.g ó~ica definida, cO.lcreta , como e de FREIiiE: , re"'ralo:.:.-se-no e compenBador~ pelo esforço de co~preansão do c onjun-to das proposições com seus prassuposonjun-tos e do contexonjun-to d:.:. el~'bora.ção COi:! seus lil:i ~ as e possibil:'c..:::.;. es . :'.r:.?lio ::'-3 ~

coasE;. Y:'são ds. :p::-o'.:üe:n&.tica ed:l c .:1 cional e :t"e c or,~i5..e.:', _ .t:u

diverclos enfo~ues so~ os quais tentávamos elucidar os im -passes Que se e present a v~m na situação concreta de um pro-fessor de escola públi~a . E~ mooento algum : tivemos a pr

e-+ ... en!J...:.Q ae - ~ apr2.,eu,,:;;.r + " U:l~ a!la 2.se exaus ' 1· .l. • ~J..va c.~ ~ que:::; t -~ o

nos propusemos estud a r . Limitações profissiona is , materiais e pessoais , inclusive , ':r1viabilizaram tel pre ~ensão . S ~ n -.. tir- nos-eJ!os gratificados , po!'élD., se esse estudo contrUmir para acl a rar ~lgum~s ~u e3~ões Que se poe~ para os educado-res brasileiros , inteeducado-res sado s na aplicaç ão das técnicas

FREIr ~ E:r , e se suscitar o..ltras , m::iis pert inentes e específi

(18)

08

NOTAS Df, I NTROmçz:O

-1

"C, -,-'

)lot- "': - ' ~ O' ~ , - -- .- ""1" - de I ' Co.,.., - ... .,... ,-, ' ,.:~'O' o

. • • . ~ - - . . , ' ... - . - .... "-"F-:' ' .... l... _ ... _--" , - - .... ~'"

sur lLer:ure . e~ t:L~"-:ril v:'v .n't orJ neus regsrdait co.:r.=::

d~8 rêveurs et des il~uf:liné9 . Or vaiei ~U9, g râce

à

F reic(;:: t e"!; à 50:::: é~ai:p~ , nos rêves de'\"iêno e n~ real i té :

une ére nouvelle S ' OL:.vre pour la ~ péd a6og ie ll , escrevia '

CL}..PAP.EDE E-J:! 1930 . Cf. Vi.SQ!JE Z, Ao et OURl F . Les te c ~ i

niaues éduc ati v es de cé~estim Freinet . Persnectives

de-I ' êdu cation, P s. ris (1) : 46 , 1969 . Cf. t=bém FRE.lNET , Ge le 3tin . !·:é:J. e n to d' tcole 1!oder:le . L ' Educateur . Can.!:!::!s,

(J9) : 15 , cev o 1966 .

2 . Cf. dr..utre Ql1t ras ObZ-8S e a rti go s: VASQ'JEZ , Ao e OITRY ,

F. D~ cl e e ~e c ooper~t iva

à

~eda~o~ia i n 8titucio~ al . Lic

bo a , E8ta.apa, 1977 , 5vol . VASQ.O"EZ y OURY , Hacia una

"'0-;

d a.c-gg i a de.L siglo XX . 5ed . , 11éxico, Siglo Vei:1tiuno :

1 97d . D~LDT ~, ~ , Reg e r et al i i . Actualite de la ~edage

-gie Freinet . Bruxelles , A. de Boeck , 1978 . A Pf~ A GOGIA

PREINET POR AÇITELES Qü E A PRJ·TICAII1 . Lisboa , r~oraes , I

1976 . C AB BJ~ J ~ ar i a Inez Ca valieri . De Rou s seu a P~ei­

~ ou da teoria

h

pratica , são P aulo , Eeous , 1978 .

3 . FREII ~ ET , ~lise . Nasci.!!le.,to de uma peda .g;-og;a. "Oo"C'J.lar: I

l:é tod os Preinet . Lisboa , Estampa , 197ti . N este livro a

espoE3 de FFETI~ET (e sua cc n~t ante colabora dora ) des

-creve co.:no slJ1.'g i u e l'volu iu ('I movimento c:ooyerati vo '

desse ped!!..gogo .

4.C=.? _, :07_11: (-:'oIIl c.:a::;:í-:;tllo , e=:t que e ~sas ativid ade s' con sta ~tes da propo et a de Freinet aparecem mel ho r e 7.

plic2.das .

5 . FREINE1 , Cé1estin . L ' Educ e:'iell. r , Cannes , ( 19 ): l5 , fev '

1966 .

6 . L EJ'II:V:Rl~ ;~ Rer:=-i. Estru t ura Social e Reproduç-?o das

::,:-la~ ' oes soci a.i E. I n : Fú?_l..CHI , Ma rialice 1': . &; !:!.h.RTIli SI

Jo~n§ de SCliZ? ,

Cêõmp :.)

Soc1-.ç1-sE;i-ª"~fJg s.. i~c.2 . de " Fio

oc-'

J p"!leiro ~ Livros Tecr.:'c c·s e C i ent~fic(ts , 1977. p.

244 . .

7 . Cf. FP.EJJjE? , Célestin, (P;:E-: 20- 3) e rID::nrKi:, tJise ,(Nr.P :

272 . 27'3 e 279)

8 . LE! 'F.BVF.E , Penri) op . ci t D :r~ssi rr ,

9 . S":;;YD}.}:S , Georces , P P,- ~ ,:" ... O[·id Pr Of' r f : E'si~ta .. 00 i.:::bra ,

Al-mfrcina , _1974: T' :. :,~ .

lO,,}I. €:Yp:!"€6Sao e lDé;.::!ec.!l~_'dé! se r'"te-n tE..:r::.os pnre. o fa "to de

( ... ue c EU-';(, r r8.o e:!abo:::-cn 1'l'opri&ce!lt,e t:.r:~; _ teo::-i6, de.

E-Cl.U.CE!Çê.O. Toõ: :'~- i~ : cODPjQrH' ::c.o t;"up as técnie;tJs PrE'inet

1130 sti o Df:l':::.mr.:>r:te té:m:'cf'.s , iJé!S se insc:rerr. n u Iü conju.!l-to

c.e

idéias tl ' a à. L~i!ldc. U::l iôl c c,n cepç·ão ele (-:dllCe.ção , lu::!.:.L teori a e pre~ i s eS I'e ciais : o te rr:c Eierá usaão ~ Testr~

(19)

- CAPíTULO 1

--FREINET E A ESCOLA PR:il.Ú.P.IA FRA!i

C-'3SA-1'Viv emos numa socied'3.de que "Oro -duz auto~óveis que não poderão'

ser comprados pelos seus event~ ­ ais lJ.tentes , frutos que se têm de deitar fora , café que se tem' de qlleima.r, trigo que se tem de deitar ao gado . Na escola a.tual observa-se uma identica at ivida-de ivida-desorivida-denada e inconsiivida-deradan

Célestin F~einet

Como aluno e como profissional , C~ESTIN ' FREINET viveu a realidade da escola pública =rancesa na primeira metade deste

século~

Sua prf..tica pedagógica f oi toda ela dedica. da ao ensino prioirio eleoentar e suas críticas e propo~

tas educativas foram cirigidas preponderantemente para a faixa etária compreendida na escolarização obrigatória

Por tais r az ões ater- Dos- emos a uma caracterização ape

nas do ensin o primá=io

elementa

r~

Todavia sendo as instituições escolares a~

bém instituições soci s is e co~o tais, estreita~ente

~i3-culadas à sociedade que as engendra e

à

qual elas ajudam

model a r, a

te~tati7~

de caracterizar a

e~9ino

pr~irio

3

na França , nune deter.o.in a da época , à.everá t"ouar em cansi

deração as linh<:..s

c.e

foZ'ça 60 siste=a t!con.ô.::!ico "lli:ÇE:lte ,

a orga:tizE:.ção pol i tics. do pais, a s :forças sociais el!le r

-gentes e a classe cegeDô~ica no períoja â~do . Inte~ess3

-nos o período de 1900 a 1940, que abrang~ da

escolariza-ção do menino FREINET até sua prisão , pouco depois de de

flagrada a s2@Lida G ~ er ra

.

oundial •

A

própria

ELISE FREINET

ressalta a influên •

(20)

1 0

esyecialmente na Ieda?ão de Educacã o nela

Trabalho,4g~e

ela perceb e " como uma s í ntese de tudo isso , que se::-á co

mo a soma de toda a sua ex.:,e:=-i ênciau numa " asp écie de I

p an o de fundo"), :1.O qlt:ll se ? r.)je~8..0 ús record:::.:;ões 13 ~~ u

(I7?P:455)

A e::;cole. a que nos. referimos se inserE"

nu ma sociedade c~jo estágio de dese~volvimento eco~ ôci­

co , c:;!.pitalista, conduziu

à

primeira gu.erra mundial e lançou as se~e~tes da segunda . Uma época , por~ ant o , de '

crise ee'Jnômica e conturbação social , cujo perfi l te;J,t,2 re~03 esboçar , em traços li geiros , a fim de localizar o

momento histórico no q.ual FREINET militou, elabora:::ldo ,

de fe~dend o e critic ~ ~do idéias pedagógicas e práticas

eacol e res . E

é

situando-o no seu tempo, no meio às l u tas e disputas eco:lômicas e políticas , que se asclere ce , por exeoplo , a perseguição que lhe

é

desencandead~ ,

r etirand o- o da escola pública onde e porque aplicava~a

ped sboSia aconselhada pelas p~ó~~ias Instruções Ofici -ais ~sobr etudo as de 1923) e Que se entende a am big~iea

.: de de ~ui tas de suas proposições que o tornara;:n aI vo de

crític~s das própria s organizações pOlíticas d~

esquer-da francesa nas qu ais militou . 5

A Fr a~? a do com9ç o do s éculo era ~a n~ ­

ção ,=:oo:.::,om icamel!te forte, apresent a ndo um crescimento ~ xuber. :Ite de 3;;.a re:1à2 n 2cion3.1 , co:!! n' .... n:e rosos

investi-ment os no estrdngeiro , no ~a d a8en te nss suas numer032.SCO

lôni as . Vivia-se a Il Belle epoQ.ue ll , o aug e do otimismo l i beral .

A industri al i zação se amplia , a celera:ldo o

ê xo~ o ~ral (inici a do desde a constituição da lI! Repúbli

ca , com a depressão na p~odação agrícola ) e a concentra-çao uro ana ,

especia~en~e

na

~egião

norte_leste .

6

~ agricultura ainà a e~p reg a v a U~~ sig= ~fi

ca tiy.:!. :p !::.rte da popnl a-;: ão (4 2~ e~ 1 901) , mas se const i

(21)

I I

mesmo após a primeira guerra?

A eclosão da primeira guerra provoeo u um golpe profundo n3. Françe. , ope:,:,, ~ ndo transforI:lações d1lrá veis na sua sociedade, de mei'cr impf::.cto qU.e as guerras

~.

8

a!lL>er~ores .

Par.:! f3.3E'r f c, ..::e ~_s à il'iciÃldf .i1J!J (;riad~~ pe:: la g..J.err~ ~~ f o Estad.c :p8.s:=8. a i::rterfcrjr 11~ prcdt::.ção~ cir-culação e distribuição de bens. Essas med ida s de

cvn'Gro-l e do consW!lO e produção provocaram insastifação e

dúvi-das quento

à

capacidade do Estado para dirigir a vida

e-ccn~mica . A situação econômico- financeira , relativaoente

equilibrada.. de e.ntes da gl4errs , dá lugar

à

inflação) à.

aI t a de3c· : ntrolac.~ de p:a."eç:oa , agravada. pela escassez de bens e serviços disponíveis . Ao fim da guerra era grande a dívida exte~a e o

neravam ainda ~ is a

governo contraiu Eilipréstimos economia nacional . A rece3são

que 0 -foi

d e tal sorte , ~ue

em

1923-24

a econc ~ia francesa vol-tou aos níveis de

1903.

A

França mobilizou

20 , 5%

de sua população' nesta guerra e isto, SO!:l8.d. O

à

baixa de natalidade,

redu-ziu o potencial demográfico do país . Assim a pOFula9~0 I francesa variou no entre- guerras , em volume e em

locali-zação

geográfica

(o

deslocamento de indústrias para a re gião sul- ceste favoreceu seu despovoaoento lural) .

°

e~prego de cão- de-obra fe~iDinaJ em suba tituição

à

masculina , desviada para os c a~po s de batalha , des-o ertou as m2:-"~leres 'Dara seu.s direitos na sociedade e

na

~amília,

à vista da- rev'elaçãc de sua

c OI:!:petênc

ia~

.As c Ollsequên ciG.3 desta g.l.erra sobre o se tor industrial foraw marcantes : I!!3.ior procura de recur 60S tecnol ógicos para acelerar a superação d as deficiên-cias, !!!.';!ior emprego de wáquinas , oelhor u tiliz3.ção de

~

carvao e da eletricidade como fontes de energi a , utiliz~

çâo mais eficaz de cão-de- obra feminina!O O esforço de reclJ_peração produziu efeitos coepensadores na economia :

1923-29

a rend~ naci onal cr es ~eu

eo 38%

a

a

particip~ç&o

(22)

sltas fábricas ocupavam

33%

da população ativa francesa ,

enquanto o seto r

pri~ário

ficava reduzido a

37%~

O surto industrial do pós-guerra provocou,

paralelamente, mudanças DO meio patronal e no operaria

do. Uo. pa.-i;:::'Cll"'.to ran~)",lado , ::;:J.r,is orgeniz:::.d.o ~ conce nt ra

do : sur6e:n CE (,;::,-::;-it;es d L i~ :h istri6.., os Ii:unOpÓlicH {-> f ll ~

da-se a Confede:!'2.ção Ger?..l da :FrodLçao Francesa (CG:?P )

(indep endente do gO-lerno) a qual, .sem dissolver os

agnl-pamentos F3tronais já existentes , aí agrupa 09 seus

sin-dicatos, passando a funciona r como grupo de pressao , na

elaboração da legislação fiscal , aduaneira , mo~etária

Para as eleições às 1919 o patronato constituiu o Bloco '

Nacional que reuniu Moderados , Conservador es e parte dos

Radicais em torno de sua vitoriosa plataforma eleitoral . As transformações na organizaçao do

traba-lho acrescentaram a o meio operário a nova categoria d09

OS~2

que vai

se~pre

aumentando de námero e relegando os

outros operários - os"mHnuais"- para trabalhos rr.argina is,

não mecanizados e elementares . A nova organização

aumen-tou a insegurança no meio operário, com a c ontra t~ ção e

dispénsa maciças ce mão-de-obra , nas granues p.mpresas. A

CGT

(criada em

1895) ,

estava àividiàa inter ~~ ent~ dur~n

te a pri~eira guerTa , mas ap6s a vitória: cODseg~iu ob

--

,

ter coesao entre se~s associados .

E

seus dirigentes, c OB

vencidos de que seriam valori~ados pela sua cont ribuição

para a defesa nacional e de que a França estava ingres

-sando Duna d~mocracia econôoica , prepararam una lista de

reformas a empreender , das quais o governo aprovou a jo~

nada de 8h pa:::-a a i:i.dústria e cO!:l.ércio~ 1.Ias os be.i.xos sa

l ários nrovoc aram reação do oeio operário . O

sindicalis-mo auoentou, tanto na

OG~

quanto na

CFTC

~ 3

as greves

re-crudesceram , revel acdo um sindicalisco potente que a ade

são dos OS, mais pro~~os

à

revolta çue aG ciálogo

te e tenaz com o

e~p

r egador

,

dispõe à

violência~4

pe.cien

Urna

greve geral decretaüa pela CGT , em 1920 , fracassa , e , dá

se a cisão entre seU9 mem~ros , de que resultou a criaçao

da CG~.15 em 1922. A partir de.í as d:.les confederações se

batem n~C3 luta estéril uoa cont=a a outra e cuito pouco

(23)

contra o patronato coeso e organizado.

As eleições legislativas de 1924 assinalam a vitória do ' " Cartel des Gauches u16 que, através dos gabi netes HERRIOT e PAINLEVt , tenta algumas reformas de ar dem sócio- econômica,mas enfrenta a reação dos clericalis-tas irritado s com a laicização proposta, as dificuldades ' nas colônias onde emergiam os movimentos na cionalistas e enfrenta sobretudo os problemas financeiros ampliados com a retração ' de apoio da

burg~esi

a b~~cária17

.

uma suces-são de gabinetes , pretendendo resolver a questão financei ra, e como não o conseguem e entram em choque às vezes com a própria esquerda, após 2 anos , finda o período car-telista, substituído por ' um Ministério da União Nacional, presidido por POINCARE , antigo participante do Bloco Na

cional . Ele ape la

à

colaboração dos vários grupos , atri -bui a H EP~IOT o Ministério da Instrução Pública, inspira ' confiança nos capitalistas , cujo apoio re apare ce e conse-gue corrigir o déficit orç amentário.

Os sindicatos dos professores , iniciados no começo do século, h a viam- se sol i dariza do com o povo e procurav a m unir-se ao movimento operário , mas foram dis solvidos em 1912, e tiveram seus militantes perseguidos , pois o governo não admitia uma ação sindical rebelde " à

sua impuls~e política e ideológica " . Eles apoiaram a c

am-panha antimilita rista da CGT e seguindo'" o ma nifest o dos lIins tituteurs " de 1905 pretendiam que a força sindical ' se cO::1tra-pusess e às aut oridades administrat iva s e

rênci as pol í t ica s que perpetravam injustiças com soaI do ensino pri ma rio. Após a guerra é fundado .

à s in~

o

pes-o SNI e os antigos sindicat os depa rt ament a is tornam-se seções do sindicato únicol8. Uma federação de sindi c ato s de profes-sores primários, no entanto, agrupando alg~ns milhares de professores, mant ém sua tradição revoluci onária e ade-re

à

CGm9 . O cart el , vitorioso em 1924 , concede 80S fun-cioná rios ,o direito à sindicalização e em 1925 o Minis tro da Instruç a o Pública recomenda aos inspetores que pr~

(24)

14

primário f recllzindc - se c recIUtE'..men.to de J:,rofessores lei goe, diminuindo as evasoes , mas também delimitando niti~

drunente o nível primário : Ii~?3.GLO aticgindo por méritos e estudes , o llontc m~ie aJ.to c.a uí'ileira verti'cal ", Ç.lIP. €J:'a ? a~ - - : ' " "l~er iío rl ~ \ .... - E- .. -c:-l., ... __ ~·or-';.] - , .. , o .1-"-O.r--;~"IG- _ .. _~.~ cc, ... ~."."---~""'-- ~·J.:· ...,n.,r"' ':, "I':C>-'_ bro CO e~siLo p.c:Li ~ .=io , isto

é;

nE:.o 1,é:,.s!.: E' :!:'i a

à.

"fileira ' paralela" do

Eê CLl"t

ê~~io~O

O cL.um:..:..co t:w::".c.o prim:irio pre-paraYE;. seu próprio pessoal ( através das escolas normais I de " instituteurs ': e escolas norIil.2.is superiores de SEün'/i ' Oloud e Fontenay) , e o ndministrava (e : t:r~véE de seus

di-versos inspetores) . Seu ~iDdicato era , então , poten"'ve e

preparava as noweações e promoções , fazendo ~ primeir~ I tl'iagem. lTo plano ne.cicual o sindica.to era cont"estatá

rio, mas no d,eparte.mE::!tel e r a Ir.edi~dor e atenuado r ãe

- . t 21 ~ _ . b' ~ - E ·

tensoes J.D 'emas . =v~a tao. em a ..1:ec.eraçac de nsl.LO (1-'e

disputa.va com o Sl'iI o

alici~mE:nto

dos

professorE!s~2

Novas eleições legislativas, em

1928 ,

de

r am vitória ao CeI!.tro J Iara, o qu.e contribuiu de algU.L1E. I form:! , a nAction Françaisef:3 , IDuito ativa nesse período • .A esta época , a França ocupava um Juge.r proet1:ine!:.te . n ~

prc~E:ssiva indu.stri~lização européia , o ,!ue alimenta··n '

ilusão de

uma

Irosperidede e estabilidade econômicaa,Fe~

mitindo inclusive a conco~ê.ância dos patr'ões cem o aumen to de salários . Os descontentamentos diminuíra!:!.: atenuan do co!:!.sj_cleravelnente a al!!.pli tude

C~S

lu tas

e:oúiais~4

A crise de 29 atingiu a Fr~Dça deFois ~ue aos outros ~aí

s~s

vi~inh08

,

t 2r,do ,

poré~

,

efeito maie

&uráve

l~ 5

A

cri-se econômica francesa vem acooI"a nhada de L<.ma crise polí-tica . O Estado é ch~&do a inteI~ir para recoloca r em ~archa E· e CG~oni~ c ap italista, mas a incapacidade do

go-".Terno pe.ra re al izar uua política econômica oatisfa-tória , A

ora repre~ent ando tendencias da direita , ora da esquerda,

(00\'& vitóTia ào Ca ::-tel em 1932) , fez crescer os descon-tentamentos, desorientou a opinião pública , tendente a

26 - A d 1 f· . d . ,

e::.:tremos . .!:.9can 2. os ~n<?ncelro9 , que 59 SllceSSr ... ss ~e éabinete s, ma~ if esteções públicas &e direita e de eSQue~

,

, ,

d~ , gre~e8 , tu~o e explorado por aque les Que Quere~ úesB

d ·• . b1 · l ' 27 N . , . ,

(25)

15

de 1936 votou- se uma lei sobre dissolução das ligas de ex-trems direita que atentavam contra a

pois, CGT e CGTU se reunificaram e o recem constituído, obtém vitória nas que desperta u.m "sent imanto confuso,

República e pouco de-"Front P opulei r en28 , e1eiçoes de 1936 , o

mas profundo e podera so " de revanche sobre o " esta do de inferioridade social no

qual a classe operária estsva mantida há tempo s ,, 29 .

Dessn-candeia-se imediatamente uma série de greves , com a ocupação de fábric a s pelos operários e a reivindicaçao da ime -dieta execução do programa do " Front". Foram assinados os acordos MATINGON, logo depois reforçados pelas leis

socia-is !!

30 .

Revigorou- se o movimento sindical (atingindo 50

%

dos t r abalhadores , em 1937)31 mas , passadas as

prim~iras

I vitórias do movimento operário , que foi apoiado pela op i -nião pública , o patronato reagiu . Começaram pela Confeder~

ção Geral de Produção Francesa (CGPF ), da qual oodificaram os estatutos , mudaram a denominação para Confederação

Ge-ral do Patronato Francês e mudaram a diretoria. Assim o pa tronato limitou as vitórias oparàrias , negando - se a assi -nar acordos e perseguindo sindicalistas.

A

CGT tentou regu lamentar a contrataçao e dispensa de empregados, mas a CGPF p romoveu uma campanha sobre di r eit o dos patrões esco_ lherem seus empregados e retirou o projeto de lei do S enado.

A reação patronal era diversificada: os I grandes emp resários tinham c omo efêmera a vitóri a do

"F.ront " enquanto os proprie t ários de pequenas e médias empres a s , ma is atingida s pel e s vitórias operári a s: indig -oaram-s e tanto co~tra os t ra balhadores , como contra os trustes e a tent os

à

ascenção n a zist a e f a scista nas vizi -nha nç a s, passar~ a elogiar seus movime ntos d e jovens . A re

s is tência patronal desenvolveu a contra ofensiva às véspe -r a s dg. segunda gue-r-ra e na a gonia do "Front Popul a ire ". momentos

dos p a ra

Os novos sindicalizados , aliciados nos de euforia de vitória popular ,

os esforços cotidianos da

desprepara -luta sind i-cal e d.lra mente atingidos com a aI ta do custo '

dei -de vid a e a chatamento de salários , vao

(26)

con-16

v oca uma greve geral para protestar cor:.tr e. a extinção dR

lei de 40 boras semanais , mas

fracassa~3

Par a o

patro~a

­

to , esse foi o dia- re-vanche dE.: if:.A1fIN GNON •

Frente

à

~ce8 ç a do fascismo e de uma nova

gue rr ~ , o S::-I, S8ID tU!la vi s ::c ü: :..:.. i s ["101)2.2 da. rellicl ::.de e

Ú~ bist"ó::·ü:. , tendia p :.:. r & um pacifiOIr:o (:onciliatóric de lj b e rd e d e, e C"s pro:: e~2ore s SI: l:. l e[;.ro.raro com. ó. não int e::-venç:ão da França n& guerra civil espanhola , re:prov ar p~ m o programa de rearmamento do governo e acreditavó.m ~ue o recurso para e-vitar a guerra seriam as gestões de bos fé das instituiç õ es iDternacionais~4

,

Em março de 1939 DAIc4DI ER obtem ple~o s po -deres para tO.II.ar mec.idas de exceção para a segtLrança do país , decreta:r:do '2. sec:ana ~e 60b nas indústrias na

2r!r.3-mentos , semana d e 45h nos d e mãis setores e um ~posto ex traord~ná=io sobre l u cro das indústrias de armanento . JoI nais comu~ista9 são i nterditados , iDicia~se a seg~nds

suerra mundial e o partido ccmunista francês , após

18

2

-nos de sua funrnção ,

é

dissolvido for ter apro~ado o p

éÇ-to germano- soviético de não e.gressão . O grupo par1amen -tar ttof'eráric e camponês " , co:r.unista, prec:oniza abEX'''v U

-ra de negociações de paz COIt HITLER , e D.ALADI ER repl i ca. ' prende:ldo deputad os e dirigen,tes corr.uni stas , e elJ! janei-ro de 1940 uma lei determina a perda de mEo-ndatos dos de-p'.lt a à.os c oü;.nic t as . Ele tarllbé= nlEndou inspecionar a Esco la Freinet e a CEL, s~speitas

r.e

sere~ depósit o de armas

e Gluniç'ões e centro d o eGpio!l.:.gsm internacional" devido I

manterem volumosa correspondência nacional e iDternaci~

nal e receberem numerosos visitantes , inclusive ~ilita -res (tratava- se de professo-res primários wobilizadoB ~a­

ra a guerra e que e..proYeitava~ a passagen por Vence para

conhecEre~ ou reverem ?REn ~ ET e sua escela) . Era~ ccmo

diz ELISE FREDTET , o tewpo em que D}~~IER precisava des cobrir todos os dias , uma cons:piração de comuni stas . J,.

19

de m~rço do ~esmo ano, DkL}~IER

é

substituído por um

~abinete ce ccalização de radicais e socialistas , pre s

i-dido por P1.UL p.EY1L!.J:rn .

(27)

17

õ,e concentração de:. Saint !'lIaximin, sob acusaçao de espio.-. l!agem custeada pela Rússia . Mas a detenção signif'icava , sobretut!o u m coroamento do II processo de Saint -Paul ", co -e sLl5er~r: t;.s p::-ó}:rias pnlnvr3s dE FREni:ET ao s seus com

-,. . ., ' " " -. 1 · " "

pa!:!.!Je:LI"OO, eu: ~9 33, <;Ires o J..!l .. .;.uer' 1;(. l"C3. l.-z;aao p~...1..0 iDS

-peto!" primário :

"Este at3.que -cedagóaico excede em mui to a

a minha peszoa , da mesma maneira que o

z.-taque ~olítico foi muito além do f Eofes

-sor rrimário de Saint P ~~ l ( ... ) Sao t o

dos os nossos educadores , adeptos de fro -gresso pedagógi co , que estão em perigo CD!il " tal julgamer:to G.ue não visa senão c~,r:dc

-nar a pedagogia Dava e~ Dome das práticas c:or:.vencionai) _ cocd enar o futuro erc. nO!!le

do passado". ?

Fara além desse "pedagogis moll

, sua militân cia pol í tica e sindicE.l o aproximava. dos gruJ:os ativosda. esquerda francesa e o afastava dos traêicio~alistas, cl ~ r i c alist~s e conservadcres , por mais ~ue ele cissesse es

tar o ~eu mo~imento aberto a simpatizantes de qUêisque r' partidos e religiões.

Foi , portanto , sob influência desse perío-do de crises de reordenação perío-do capitalis!!o e";.r0I-eu , de ' consolidação do regime: republic ano I!a Fr&Dça , de exp8.D.

são da prOFa;-"'1nda socialista ~ que C.a:ESTll1 EREINET fre

~ueDtou a escola pública franc esa e depois éels" realizou

stla militância pejagógica (prstiC'a políticc-pedaGógica ) de que originou sua proposta de uma educação pelo t r

aba-lho .

PP3niET foi contemporâneo ca consolidação ' de um novo pc.pel social ds. escol a primária e do st;.rp=-een dente cresciDento da importância da escola pública , que ao fim da década de sessenta foi responsável por um sex-to das despesas públicas na

FreDça~6

A realidade pedaEó-gica '\-ivida por esse edt:cador foi a da " escola de JULES F~RRY

11,

que se afir::lOu !?ror::!o~endo a seg::-eg3:;ao esco2..e r ,

(28)

18

zão e da pátria, explicitame~te transEitida pelos profe~

sores primários da 111 República . 37

A escol a pri:nári:! d a a ldeia c.e Ecr-sour Loup , pz.ra a qu a l Cfi.ESTIN FRS r:';S'T fora nooeado em 1920,

como 11 i n~t i t' t e r- a c.joiDt", ir "'egr in"2 (l s io ::c ~ :J. d :' ~!l~ ino '

,c

públ ic::: r ~bt=utur8.cl C' 93 lBEt7"";u llI!.! "c i clo b oa:.OlZ8neo e rc l Rtiv'-~::n-Ge f(;C:::~a. C " ::estin~c. (: LO S :- i l h0 9 ãoE'. tI"[:.1:.-c.l lJ iJ d.Q

T8s rurais, dos o p erários e dcs f~Dcionários àe nível mé dio?9 Era clara e profunda mente discriminadora70

A educação primária francesa apresentava

ainda traços nítidos da centralização mODopolizadora e tendência autoritária gerados

à

época do império ~ a poleô

nica . As sucessi~as tentativas de reformu ~aç ão da estru

-tura e funcionamento do ensino

p rimário~l

ora El iv i ?nco1

t - ~ d " - 1 - " "-2

ora acen u a nao as ~ra ~çoes napo eon~cas, l ~ nçaram as bases e cODsolidJ ram o que seria a escola primária fran

-cesa : pública, l a ica,

obrigatória~3

Por wa is de

~eio

sé-culo após a lei GIOBET , o ensino primá~io ~erman e ceu ins titucioné lmente es t ável . Nem mesmo as propost a s do 1!ini_~

tro JE!':i

ZAP;

a; ó s 2 vitória do "Front P Of u l é. ire" , ou. o

Gove~o

de

VI~

:Y 15

c a racteriza do pelo autoritarismo e

reacionsrismo s o cial e político , introduziram alterações

decisivas na sua estrutura administrativa e nos seus ~ro

gr~

a s~6

Os fine do ensino

~ri~ário

permaneciam idênti -cos, n a o o ::2sion[_~do , p ois, r:m,dru:ç as na OX' -ani z aç ão peda

-

-gógicé 7 hs instr~ções de 1923 , na sua conclusão , fazem ' alusco

à

emen i dade de s t r ans f'oroa ç õ e s ~ue ela s s:.<.se;ita-riam e que eome-nte quando sua aplica ção fosse generaliza da eutrs t oi o::; os :p!'ofe ssores

é

c;,ue se teria realizedoum progresso s~rio, sem ioplicar , no ent a nto, nenhuma revo

--

48

luçao brLl t a.

u ~& r el e tiva estabilidEde também se verifi

oa na reàe escola r e no efetive de alULos e

professor~~

~

A i n strução primária era geralcente

da a u to~oc~e~t e , se~ relação aos outros gra us de

é:U a rà a nco as m.s rC85 da estr..l.tul'a social do século

defini

ecsIDo ,

XIX

--a escol--a pri ;::~::' i D. é e e 9 cola p~re o povo; um e::::!.sIDo que

(29)

.--m8ote na vide ativa?O ele oao

é

eino

secunàário~l

19

a prepa raçao para o

eo-Oe textos oficiais ~ue regulament avam ase colas primárias elecentares , e~ geral claros, ori enta -dos I-cI o espírito liberal que animava a cco:lc!:!ia e a po-lítiC3. , ~etelninavarn es t r~tura e organização do e~sino ,

ho:;.-;,:-·ioS , pro:;raoas especificados por tlisciplinas e por classes, sendo mais numerosos e dêtalhados para o ensino elementar . Aliás, a centralização Exercida pela adminis-tração central era voltada prepooderante~ente para essas classes, que ministravam o ensino Obri&atório .

52

As escolas pri~árias do povo eram, em par~

te, mantidas pelo I~nicípio , que fornecia o terreno, o prédio escolar , a r esid ência doe profes sores e ai n~ a se responsabilizava pela manutençao do prédio, aquisi -;ão

é!e-equipa mento e material de

consua:o~3

°

Departa:oento !}e

responsabilizava pelo local em que se inctalariam e fun-cionariam a Academia e as escolas normais , assim co~o se encarrega va àe suprí-las de material e mobiliário neces -sário. O pagamento dos professores e inspetores e~a res -pon 3abilidade do

~overno

central . 54

A su pervisão e controle das escolas e do I ensino eTa realizada por uma ~ierarquia de funcionários ' leigos : inspetores gerais da instrução pública , reitores

e inspetores da academia , inspe-t;ore 5 do e~sino primária , um Conselho Depa rtamental e ainda , o ~refeito e os dele-gados

c anto~eis?

5Inspetores

e

delegados~

após

a~

visites periódicas

às

e s colas , redigiam relatórios inforffiandoêo s superiores as condições ~ateri ai s e higiênicas do pré dia e dos móveis , b em c erno os ~étodos, os programas, ca-nuais usados, (se

nao

contiru1ern matéria àe3abonado r a

à

moral, por ~ ~ e~ plo) , dosagem da matéria do programa , dis tribuição do

~em

p~6e

concluíam sugerindo modificaçõesjul gadas necessárias no currículo e nos metodos , promoçõe s' ou s anções 20S Frofe9sores~7

Os professores de escolas primárias

públi-cas ér2C leiôos , conforme interdição feita aos DPobrosde

(30)

re-partiam em duas categ0rias: estagiários e t itu1 ~ res.

Eo-tes passaYa~ po~ estágio de pelo menos 2 anos e~ escolas

públicas ou particulares , deveriam se r portadores d0 ~r~

vet Superieur ou. o Cf:1?8 e

er.::.~

nomeB.n.cs pelos prefeitos,

PrOfE: S30~ E:S pl'i..::iá.rios (en-;.ce os QLH:.is era

ãis crimin::..do o ,s r.. .... po 4o" n,"· •

~ •.. --'..L:1 ~0: :.::.:. te:'::-I!loa de local de

balho e de salários)

dis

tint

o~9

~evido

ao

,

.

CC 3~titu1am U~ g~~po profissio~al 1

nivel de formação exigido (tio

secuB-dário CO pri:nário " ma is a passa,Jem p e l2.E escolas ::'jQ~

mais) , fechava- se o círculo da instrução

pri

Ulá r ia~O

:pois os celhores alw:.os das EPE iriam se preparar para le.cio-nar a outras crianç::ls : oriundas de um meio sócio- eco!:.ô!:!li co equivalente aos n eu s e se torna ri am funcionários do F s a o e ueD t d ~ d ec~es 2. se es a t b·'· ~_1zarem nesse emprego. 61 O certifica do àe capacidade que obtinha~ era de nível inf~

rior ao bacha r e1ato , "chave para tantas cutras carrei ras " . Alguns casos de professores ~rimários qlle alcan ça.-vam o b acharelato: como

62

ccnfiroavam a regra .

-OOUSH: ET, era m as excessoes que

J... seleção de professores

zia atrav és dos exames de qual i ficaçã o

primári os se :f::=.

realizados por j~

ris eSFe cífi cos aue subm !2tiam ;ráticas .63

95 c andidat os a provas es-critas , orais e

o

agrup~~&n to de alunos do curso ~ri~áriol

se fazia de acordo com a ide.de , corobin"da ao " grau de ir!. t e 1 · '~genc1a · e se er , b 64 " e~ : ,. aec l.OU t . :p re par~ ~ .... o1re "" ou se

c-tioo enfantinell , para el ur. os de 6 a 7 anos ; 11ccurs ele

-mentaire ", para 7-

9'

a!los ; ·" ,;surs illOY~ ", para 9-11 a

,

"

nos e " IQQ~I"S s:;:::~:,:, :' ell r, para 11-12 anos . l.Ias co.oo seliel!

ta ~t.h.RI:SL , em escolas l' urais ou de aldeias, o Ci.lrso SU!J ~ rior exiotia àe nOIi!e , r:J.2.S não de fat o, decorrente da ati

tude ãc cor:.cedêr o IIC &rti fic at " a alunos de 11-12 unos

que saí~!:l de. curso médi o e encerr avam com est e cip10ma I

sua c élrrf::ira ue esl:;!;.dante , con::.o liles permitia a lei de 1882 e

r ..

es c::rac2..Y & a f hmi1ia, ansiosa por integra r Glais um ele=e~ to ~a forç~ ce trabalho , e a~~e~t~r , evident e

-• d -. ·1· 65

men~e , a ren 2 I~~l 2ar .

(31)

21

Quanto

à

finalidade proclamada p a ra o ensi no primári o elementar está a "ambição 11, como diz a intro-dução das Instruçõ es de 19 23 , de ser ao mesmo tempo utili

tário e educs.tiV·J 7 pre"Oar.J.ndo a crianç a p8.r3. a vida. e cal

6,'

t:"vsndo 5:;::1l - , -- _.! -''';'o o ";:::.>;,1 .:...:._... . :r; ' 8.:" se r ... -,, ;.lO en:: ... 'a~' l.Z .;:;:. . .., ... 'dn ~O'" J ... .... "to ~

-r es cO !lsult ados , a referê!lcia ao objeto do ensino prio~­ r io, cont ida no ll anneÃe Fll do "Arreté organiQu.e 11 c1 e 18

Ol-1887

e rep etida nas Instruções·

de

1923 : não aborjer nas diversas matérias tudo que é possível, mas be~ apr~n­

der , de cada ums, o que não

é

per.:litido ignorar. O hO::::J.e:u' e ser for~ado pela escola é o homem duma sociedade de cl a§

ses: a escola fará dele um "bom" cidadão , respei toso p a ra

1 . . h ~ . ' . 67

COD as e~s, seJa c eÁe ou seJa operarlo.

A fin a lid a de étic a da escola r·epublic2.!la. 8§

tá cl ar~ e~te prese nt e nas disposi ~ ões oficiais e "nos pro

gra mas . mrSSON apresenta COiD.O condição da IIjignidaàe " do professor que ele tanto possa ser professor de lí~gua

e de cálculo, como de moral .

68

E no caso, da moral laics, •

que por formas flexíveis, num esforço de t olerâncj.a

recí-proca, per~ite às famíl i as a edacação religiosa de seus filhos .

o

eosino da moral (l a ica) se distinBue

do

e~ino religioso , sem o contradizer, e a té

1923

incluía

os "deveres pera com Deils", obrigat oria:nente . O Decret o ' de

1887

e3tabelecia que o p r ofes s or deveria insistir so-bre os deveres que aproximam os ho~ens e não sobre os do~

QES que os dividem. Pela edu cação moral e cívica , a esco

la desempenharia sua ~issã o c~tequística e unificadora 7

inc~lc a ndo princípios constitucionais básicos do Estado

Ne~tro: a França e a República passaram a ser como u~a

religião psra a escola : "med ic.:lte a escola deveraos faze r pe :letrar nosso evange lho republ ic ano na all:la da

Nação

,, ~9

~ lei do t~ab ~l ho era te~a esse~cial da educação mor~l e

c~vic~

no princípio deste sécalo?O O professor era

e~car­

regado desta educação, como represent a nte da sociedade ' laica e c..e::Jocr2.tice. . Sna missão est a 7a beo d~finid~: for ~~ =~c~ r e e~=~i=~ r na alo~ d~s cri ~~ ças, para tod~ a

(32)

22

moralid a de humana comuns a todas as d outrinas e IIne cessá.rias " aos homens civilizados . 71 'Para i sso o próprio pro ' -fes so r

é

éhaaa do pelo E ~t~do (subtraindo-se ao controle e clesiásti co) a d a~ o persuasivo exemplo: evita r, em sua

lin g u~ g e!!! ou ações : tac10 Ç.1Je ofenda as crenças religiosa s

ê. os a lun 0s , o C:..ue ? r c " o{ ~ ue cClfLG:lo no sei; esr.:Lrit o ou. revele f::!.l ta àe re= iJ ei,to f' rf;:eI"Va . ?2 O zele para

g u~

nc.o

SB subestimasse o ensin o ca moral . e cí,ica era tal! que aos professc::res el'a sole Demellte apregoado : o profes sor só merecerá esse título se fizer ::çela educação do, caráter o que faz p ela inteligência .

A

instrução moral e c ívica

de-veria ser a primeira àa jOrri.auo. esco2.ar e imp regr.aT as ê.e

. -

7'

ma.is l~r;oes . . J

Os obje t ivos ut ilitários foram primeiraoen te definidos em. 1887, mas J como afir.üla r,lARTEL, sem a tin

-gir o exagero da profi sional i zação prematura, apenas pre- ' p arando para o exercício d as profissões . 7 4 A partir de

19 23 , as instruç ões oficiais ab a ndonam o caráter "

estrei-t a.menestrei-te " uestrei-tiliestrei-tarisestrei-ta de suas predecessoras e , sob a in fluênc~a esc ol a novista , alguoas concessões são feit as

à

psicologia infa ntil , mas mesmo assim , predomina o c;!;.':'d':.c.o de formar o adulto para o meio rural, o ~ooércioJ de

fcr-~ar um certo tipo de tra b alhad or , especialmente o que re -quer a gra.nde indústria , sempre dentro dos princípios da poup e.!lç:a e d a democracia . 75

Os programas de estudos reservavam

à

ins trução !Jrimária elecenta r, alérr do eLsin o da moral e cívi

ca , o da língua francesa, da leitura e da escrita , do cál

c~10 e CO sisteou métrico , da história e geogr&fia , das

primeiras noções ciectíficas, element os co desenho, do c a nto e do t r ab alho m:::. nual , exercícios físicos, enfim os conhecinentos (lue essebura riao o sab e r prático necessário

à

"\""ida ] a boriosa do povo. 76

A l ínt;ua francesa era er.sinada através do ditado , leitura , r eêação , recitação e gramática . ?? O fran cês e~a cocsideraào a língua comu~ de todos , d esc o nside

-- 8

rando-~e os cC::1ais f a lares dEI. popula ção . f O erro de

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