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Um sopro de vida: Célestin Freinet

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Academic year: 2021

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Um sopro de vida: Célestin Freinet

Michelle Cardoso Blaneck1 Ruth Ruschel1 Ana Fausta Borghetti2

Resumo: Com o intuito de entender como funciona a aquisição da autonomia para Freinet, o presente texto traz algumas práticas e observações que este pensador, que passamos a admirar, foi descobrindo ao longo de sua vida. A pedagogia de Freinet é construída com base na experimentação e documentação, tendo em vista a formação de crianças ativas e participativas. Outro ponto marcante em sua prática, é que considera a criança da mesma natureza do adulto e com isso quebra a relação de hierarquia entre professor e aluno, estabelecendo assim, um diálogo horizontal, produtivo, amigável, de extremo respeito e admiração entre ambos. Percebe-se que, durante sua trajetória como professor, foi um sujeito curioso e questionador, apaixonado pelo conhecimento, entregava-se por inteiro. Costumava fazer anotações sobre seus alunos e principalmente ouvi-los. Acreditava que a escola deveria estar aberta para que a natureza pudesse entrar e encantar seus alunos. A partir dos estudos bibliográficos conheceu-se a vida e a obra deste pensador, e após observou-se em algumas escolas do litoral norte do Rio Grande do Sul e na Escola Municipal Desembargador Amorim Lima- SP como se dá a utilização de tais práticas e se estas contribuem para a formação deste sujeito autônomo.

Palavras-chave: Autonomia – diálogo horizontal- experimentação/documentação – práticas.

With the aim of understanding how the acquisition of autonomy works for Freinet, this essay brings some practices and observations which this thinker, who we admire, was discovering during his life.

Freinet’s pedagogy is built based on experiments and documents, analyzing the participation of active children. Other remarkable point in his practice is that he considers a child from the same nature of an adult and it breaks the hierarchical relation between teacher and student, this way it establishes a horizontal, productive, friendly dialog, extremely respectable and admirable for both. We have realized that during his path as a teacher, he was a curious and questioner person, fan of knowledge and he gave herself to it. He used to make some notes about his students and he used to listen to them, too. He believed that the school should be open to nature to come and delight the students. From bibliographic studies, we could know his life and work and after observing some schools from the north cost of Rio Grande do Sul and “Escola Municipal Desembargador Amorin Lima”

in São Paulo, we could know how the uses of these practices works and if they contribute to the formation of this autonomous person.

Key words: Autonomy – horizontal dialog – experiments/documents – practices

Introdução

A autonomia é uma habilidade bastante discutida e desejada na contemporaneidade. Formar sujeitos autônomos é uma necessidade sendo este um dos itens contemplados em todos os PPP’s, os quais visam uma educação que tem como função formar cidadãos ativos na sociedade. Porém, alguns educadores a

1 Acadêmicas do curso de licenciatura em Pedagogia – FACOS/CNEC

2 Professora orientadora

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vêem de forma muito simplificada, por isso nossa pesquisa foi encaminhada a descobrir como se dá a formação do sujeito autônomo citado por Freinet.

A partir de estudos realizados em artigos e livros nos deparamos com a teoria e as práticas de Freinet que nos argumentava a ineficiência das regras autoritárias e modelos rígidos encontrados nas escolas ainda hoje. Quanto mais estudávamos e conhecíamos suas ideias, mais nos identificávamos com o autor, pois para a nossa surpresa era assim que imaginávamos nossas aulas... tudo aquilo que sonhávamos realizar com as crianças, encontramos nos livros e artigos, tudo bem explicado, simplificado e argumentado por aquele professor genial. Ele acreditava mais no que acontecia em classe, em suas experiências, em tudo o que acontecia em suas aulas, do que costumava ouvir nas conferencias e congressos internacionais.

Muitos educadores deparam-se diariamente com barreiras, com dificuldades para realizar trabalhos e atividades diferentes, alegam que isto ocorre por causa da direção, por modelos tradicionais, com um discurso de que sempre foi assim, que não da para mudar, que o sistema é este. Mas, quem é o sistema?

Em função disso, nossa pesquisa busca entender como se dá a construção da autonomia no ambiente escolar com base na pedagogia de Freinet.

Referencial teórico

Para Freinet, segundo SAMPAIO (1989), a concepção de autonomia abrangia os direitos dos adultos e das crianças, de forma consciente e responsável, que fugia das quatro paredes da sala de aula e se interrelacionava ao meio social, possibilitando aos alunos pensarem, criticarem, e se mobilizarem frente aos poderes políticos e problemas sociais enfrentados. O autor acreditava que para ocorrer aprendizagem efetivamente, era necessário estimular as crianças a acreditarem em si mesmas, encorajá-las a fazer a diferença, deixá-las expressarem-se livremente, e permitir que criassem e recriassem o seu futuro de forma autônoma e de qualidade para todos.

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Ao contrario de alguns educadores da época, Freinet, foi contra alguns elementos da teoria tradicional. Logo que começou a lecionar tentou utilizar estes métodos, onde o professor é detentor de todo o saber, e o aluno uma folha em branco que pode ser moldado. Mas, constatou que o interesse das crianças estava do lado de fora da escola. Observando como as crianças motivavam-se com o que acontecia do lado de fora, o quanto se admiravam com a natureza deu-se inicio a sua primeira prática diferenciada, aula - passeio3.

Para este educador ficou claro que o que interessava os alunos era os bichinhos, a natureza, subir em muros, brincar solto no pátio. Decidiu então, proporcionar momentos felizes e de aprendizagem. Diariamente, Freinet organizava passeios pelo vilarejo, onde as crianças observavam o trabalho dos profissionais da região, assim como as mudanças ocorridas na natureza em virtude da troca das estações;

no retorno à sala de aula a atmosfera era outra, todos queriam mostrar o que coletaram no passeio, o que observaram e vivenciaram. No decorrer, deu-se conta de que precisavam de um lugar para registrar todo este conhecimento. Começou então a escrever na lousa o que viam nos passeios, os alunos por sua vez também queriam participar desta atividade, acrescentando suas observações e após, anotavam no caderno de forma escrita ou através de desenhos.

Esta simples prática, proporcionou grande aprendizagem. Nestes momentos, as crianças davam-se conta das distâncias percorridas, apropriavam-se de noções de espaço e tempo, mudanças climáticas e o desenvolvimento da natureza em si. Com toda esta vivencia, começou-se a dar importância à produção da escrita e sentido à leitura, visto que estas descobertas eram muito importantes aos alunos. Uma das coisas que obrigou Freinet a mudar sua prática foi, segundo SAMPAIO (1989) deparar-se com um material didático ineficiente para sua turma, pois fugia completamente da realidade dos alunos.

Após uma aula passeio, com visita a um tipógrafo, surgiu a ideia da imprensa escolar. Freinet conseguiu a doação dos materiais de imprensa (tipos, impressoras e

3Freinet introduziu a prática da aula-passeio para que as crianças pudessem ter um maior contato com o próprio meio, permitindo descobertas que motivariam a criação dos textos livres (SAMPAIO;1989, P.181).

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os computadores) e o entusiasmo das crianças com a chegada destes materiais, fez com que esta nova técnica se tornasse a mais nova paixão da turma. Derrubando as dificuldades encontradas com a utilização deste material, a produção de textos foi crescendo. Para que os textos fossem publicados, a ortografia deveria estar correta, então ele anotava as palavras que as crianças tinham mais dificuldades, e retomava em outro momento, porem os próprios alunos faziam as correções que lhes cabiam.

Não via valor didático no erro. Ele acreditava que o fracasso desequilibrava e desmotivava o aluno, por isso o professor deve ajudá-lo a superar o erro. Para ele a forma mais profunda de aprendizagem é o envolvimento afetivo.

Como evitar os erros se não se conhecem as regras e as razões que definem o certo e o errado? Freinet não desprezava a importância de trazer o conhecimento necessário no momento adequado. Na medida do possível, o aluno terá sua autonomia garantida, servindo-se ele próprio do dicionário e da gramática, bem como utilizando fichas autocorretivas. Por outro lado, nada impede que o professor ensine. Mas, diferentemente de como ocorre na pedagogia tradicional, esse ensinamento não decorre de uma progressão teórica e abstrata. Nasce de necessidades comprovadas: como se escreve esta ou aquela palavra? Tal palavra é com “s” ou com “z”?

(LEGRAN;FREINET, 2010, p.21)

Como não se apaixonar por este educador que se dedicou à educação? Que, mesmo em momentos de muita adversidade encontrou motivos para prosseguir com seus ideais? E, mesmo estando em um campo de concentração durante a Segunda Guerra Mundial, não deixou de alfabetizar.

Para Freinet, de acordo com BORGES [S.d], a escola distanciou-se muito dos ideais humanos, preocupando-se apenas em trabalhar os conteúdos de forma mecânica.

Para ele a educação serve para que o ser humano aprenda a respeitar-se, conhecer-se e desenvolver o que tem de mais precioso em si mesmo, a sua própria personalidade e sua individualidade. Ao contrário do que se observava em algumas escolas que se preocupavam em apenas transmitir conhecimento didático, esquecendo-se de formar cidadãos que atuassem em todas as áreas vividas de forma autônoma.

Atitudes de autonomia referem-se ao olhar como um todo, buscando solucionar problemas que vão além das paredes escolares. Levando em conta que as atividades desenvolvidas permitam reflexões da construção de uma postura em busca da autonomia. Chama-se atenção que este fato só se concretiza com a

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interação com o outro, necessitando de estruturas lógicas e não sendo ensinada por vias linguísticas, discursos ou textos, e sim através de exemplos e práticas diárias, também é necessário estimular o questionamento e o posicionamento diante das ações e atitudes

Metodologia

Para alcançarmos o objetivo do nosso trabalho: como se dá a construção da autonomia no ambiente escolar – turmas do ensino fundamental - anos iniciais, inicia-se um processo de leitura dos ideais de Célestin Freinet e, após discussões, amadureceu-se a ideia de investigarmos em duas escolas diferentes, de diferentes realidades, como esse processo é construído.

As duas escolas do litoral norte situam-se no município de Tramandaí- RS com aproximadamente 400 alunos cada, com poucos brinquedos no pátio, salas de aula compostas com mesas e cadeiras dispostas em filas, uma professora para todas as disciplinas com exceção das disciplinas de educação física e informática.

A escola Amorim Lima situada em São Paulo, conta com aproximadamente 800 alunos, um pátio com árvores, pista de skate, oca e forno de barro, as salas de aula são amplas comportando cerca de cento e cinco alunos e seis tutores, as turmas são mistas, os ambientes são ricos, com produções próprias.

Esta pesquisa caracteriza-se como sendo de cunho qualitativo, que conforme Oliveira:

[...] conceituamos pesquisa qualitativa como sendo um processo de reflexão e análise da realidade através da utilização de métodos e técnicas para compreensão detalhada do objeto de estudo em seu contexto histórico ou segundo estruturação [...] (OLIVEIRA, 2010, p. 37)

Como instrumentos de coleta de dados foram feitas visitas às escolas mencionadas.

Por meio das observações e dos registros em diário de campo, obteve-se material necessário para fazer a analise do assunto em cada ambiente, levando em consideração cada contexto, tendo como base teórica a pedagogia de Freinet e como o autor idealiza e propõe que se dê a construção da autonomia.

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Análise de dados

Nas escolas observadas do Litoral Norte do Rio Grande do Sul, percebemos que para muitos educadores a autonomia ainda não é vista como uma construção do sujeito com o meio, em busca de soluções para problemas vivenciados por todos.

Deparamo-nos com a incerteza do que é autonomia, para alguns professores a autonomia restringe-se ao ato dos alunos cuidarem de seus materiais, higiene pessoal e alimentação. Quando questionada sobre as práticas que utiliza para desenvolver a autonomia a professora Sofia4, relatou-nos suas necessidades, em vista que tem uma sala de aula com 20 (vinte) alunos na faixa etária de 7 (sete) anos. Em primeiro lugar, que seus alunos devem ser responsáveis por seus materiais, cuidando para não extraviar, rasgar, amassar e sujar, pois não teria condições de zelar pelos materiais de todos; em segundo, relatou sobre a importância de trabalhar o conceito de higiene pessoal, como: tomar banho sozinho, escovar os dentes, pentear os cabelos, cortar as unhas, etc. Todas as atitudes visando um trabalho individual.

Durante uma visita realizada à Escola Municipal de Ensino Fundamental Desembargador Amorim Lima, São Paulo, conseguimos presenciar ações que estimulam autonomia nos sujeitos, logo na chegada ficamos sabendo que a escola recebe muitos visitantes, e quem recepciona e apresenta os espaços escolares são os alunos, no nosso caso a aluna Giovana, do 6º (sexto) ano foi a responsável por este momento, sanando algumas dúvidas e acrescentando outras, visto que a escola foge completamente ao que entendíamos até o momento como escola.

A estrutura externa da escola é basicamente igual às outras, formada por uma quadra de esportes coberta e uma aberta, um tanque de areia, pracinha, uma horta, e também uma oca construída pelos índios de uma tribo próxima a escola, um forno de barro, árvores para serem escaladas, uma pista de skate e um espaço amplo para multiuso, ambientes estes que proporcionam o convívio de todos os grupos pertencentes.

4 cognome

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Presenciamos uma conversa dentro da oca entre algumas crianças, com idade entre 6 (seis) e 8 (oito) anos, sobre como fariam para solucionar um problema ocorrido (uma das paredes da oca havia sido quebrada), e quando questionados sobre qual seria a solução, responderam-nos que precisariam de barro, água, areia e bambu, mas como não tinham bambu, utilizariam pedras.Este diálogo estava acontecendo sem a supervisão de um professor e em uma hora livre. Foi o primeiro momento que nos deparamos com a autonomia tão abordada pelo autor, onde o individuo promove ações e diálogo em busca da solução de problemas vivenciados.

[...] a atividade espontânea, pessoal e produtiva, eis o ideal da escola ativa...partir da atividade espontânea das crianças, partir de suas atividades manuais e construtivas, partir de suas atividades mentais e suas afeições, de seus interesses, de seus gostos predominantes, partir de suas manifestações morais e sociais tais como se apresentam na vida livre e natural de todos os dias, segundo as circunstâncias, os acontecimentos previstos ou imprevistos que sobrevêm, eis o ponto inicial da educação (FREINET, apud SAMPAIO 1989 : 17).

Se o ambiente externo da escola Amorim Lima era semelhante ao das outras escolas, a parte interna era o oposto a tudo que já conhecíamos: salas amplas com aproximadamente 105 (cento e cinco) alunos agrupados em grupos de 5 (cinco) pessoas, contando com o auxílio de 6 (seis) tutores, cada criança dispõem de um livro com vários roteiros de estudo, sendo que cada uma escolhe o roteiro que quer começar. As dúvidas que surgem no decorrer do estudo do roteiro são debatidas entre os componentes do grupo e os outros colegas, e em última instância solicitam ajuda aos tutores. A forma que está estruturado/organizado o espaço e as atividades vem ao encontro do que lemos sobre as ideias de Freinet. Ele apontava para que não houvesse separação, uma vez que o próprio autor, até cortou os pés de sua cadeira para que ficasse na mesma altura de seus alunos. O diálogo para Freinet deveria ser horizontal, a troca de conhecimento se dá tanto do professor para o aluno, como do aluno para o professor e não de maneira verticalizada, onde o professor detém o saber e transmite todo seu conhecimento ao aluno, como se este fosse uma tabua rasa, sem conhecimento.

Outra prática proporcionada por Freinet que nos chamou atenção, foi a dos envelopes. Em um canto da sala de aula ou na escola encontram-se três envelopes com as seguintes frases: Eu proponho, Eu critico, Eu felicito, onde os alunos devem escrever e assinar suas produções para serem debatidas na assembleia que ocorre

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uma vez por mês. Segundo explicações sobre este evento, durante a assembleia os envelopes são abertos e os textos lidos, dando a chance de quem foi criticado defender-se e posicionar-se perante o grupo. O objetivo desta atividade era proporcionar momentos em que o aluno tivesse a experiência de posicionar-se perante o grande grupo com argumentos coerentes, ter autonomia para criticar, felicitar e propor. Sendo criticado deverá saber lidar com esta situação/frustração.

Com todas estas atividades, os alunos tornam-se mais ativos e participativos no meio social. As crianças mesclavam as práticas escolares com as práticas da própria comunidade, assim mobilizavam-se para resolver problemas de cunho social, para Freinet isso foi visto como um reforço para continuar a trilhar o caminho que escolheu. Mas para uma parte da sociedade, as crianças que não estavam sentadas, quietas nas suas carteiras, não poderiam estar fazendo nada sério.

Devido ao grande abandono em que se encontrava a escola por descuido das autoridades da aldeia, as próprias crianças buscavam soluções alternativas para seus problemas. Certa vez perceberam que podiam aproveitar a água da fonte da cidade, desviado-a para uma tubulação que chegaria aos banheiros da escola [...] de outra vez, as crianças descobriram que o antiquário da cidade queria comprar uma valiosa peça de mobília pertencente a uma senhora da cidade. Aconselharam-na a não fazer o negocio, pois se tratava de uma peça de museu que pertencerá a um conde da província. Com esta atitude conseguiram transformar o antiquário no mais fervoroso inimigo do movimento Freinet em Saint-Paul (SAMPAIO, 1989 :.59).

Mesmo com tantas dificuldades e nenhum apoio governamental Freinet estudioso, educador nunca deixou de acreditar na educação. Em busca de um lugar melhor, com pessoas que acreditavam que se cada um se mobilizar com uma pequena contribuição tudo é possível e, que devemos assumir nossas responsabilidades como professores.

Considerações finais

As escolas que observamos durante a pesquisa nos fizeram refletir sobre a importância e o papel do educador nos dias de hoje, já que os alunos da contemporaneidade são mais intolerantes a frustração, extremamente agitados e costumam prestar atenção somente no que lhes interessa. Por outro lado, aprendem de forma dinâmica (conseguem dar conta de varias coisas ao mesmo tempo),

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trazem uma bagagem imensa de informações/conhecimento de suas experiências vivenciadas no meio social.

O educador ainda está amarrado em ações e aos métodos da escola do século XIX.

Parece-nos que os mesmos têm medo de sair do seu pedestal, onde somente eles são os detentores do conhecimento, e se colocarem em uma posição de desaprender e aprender diariamente. Percebemos que temos tanto a aprender quanto os alunos. Também é fundamental, aceitar a educação transdisciplinar onde nenhum saber é mais importante que o outro, todos são de igual importância e o centro desta é o ser humano e sua complexidade. Outro fator que prejudica o desenvolvimento de uma metodologia visando a formação de um sujeito participativo, engajado nas problemáticas, é a terceirização do profissional da educação. Tal situação é percebida nas falas de educadores que nos dizem: “meu salário é baixo, não tenho estrutura física para dar conta de todos os alunos, meus alunos são heterogêneos, não sou preparada para trabalhar com alunos de inclusão”, entre outras queixas.

Este relato de terceirização da responsabilidade do profissional da educação também foi uma fala muito forte da diretora da Escola Amorim Lima. Conversando com ela, nos atentamos para a possibilidade da mudança, pois até então estávamos nesta mesma corrente de pensamento: acreditando que os problemas eram dos outros. Porém, quando nos deparamos com toda a pedagogia de Freinet, quando percebemos que não podemos exigir apenas do outro as mudanças, sem que nós mudemos primeiro, quando nos demos conta que esta transformação deve partir das atitudes do professor perante seu aluno, perante a escola e também diante a comunidade escolar, percebemos que as mudanças não ocorrem sozinhas, que dependemos uns dos outros para que a diferença se faça.

Referências

BORGES, Inez Augusto; A Prática Pedagógica de Célestin Freinet e os Princípios Cristãos: Disponível em:

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http://www.mackenzie.br/fileadmin/Chancelaria/GT2/Inez_Augusto_Borges_I.pdf.

Acessado em: 30 de junho de 2013.

FONTES, Martins; Pedagogia do Bom Senso. Tradução J. Batista. São Paulo:

Martins, 1988.

OLIVEIRA, Maria Marly; Como Fazer Pesquisa Qualitativa. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 2010.

SAMPAIO, Rosa Maria Whitaker Ferreira. Freinet – Evolução Histórica e Atualidades. São Paulo, Scipione, 1989.

Referências

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