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A teoria da relatividade de Einstein apresentada para a
Amazˆ
onia
Einstein’s theory of relativity presented to Amazonia
Lu´ıs Carlos Bassalo Crispino∗1, Marcelo Costa de Lima1
1Faculdade de F´ısica, Universidade Federal do Par´a, Bel´em, PA, Brasil
Recebido em 02 de Setembro, 2016. Aceito em 05 de Setembro, 2016
Neste artigo tratamos da introdu¸c˜ao da teoria da relatividade de Einstein na Amazˆonia brasileira, o que ocorreu por ocasi˜ao da passagem dos cientistas britˆanicos Andrew C. D. Crommelin e Charles R. Davidson por Bel´em do Par´a, antes e depois das medidas por eles realizadas em Sobral, no Cear´a, durante o eclipse total do Sol de 29 de maio de 1919.
Palavras-chave:Relatividade, Eclipse de 29 de maio de 1919, Amazˆonia.
We report the introduction of Einstein’s theory of relativity in the Brazilian Amazonia, that happened during the passage by the city of Bel´em, in the state of Par´a, of the British scientists Andrew C. D. Crommelin and Charles R. Davidson, prior and after the measurements performed by them in the city of Sobral, in the state of Cear´a, during the total solar eclipse of May 29, 1919.
Keywords:Relativity, May 29 1919 Eclipse, Amazonia.
Os fatos relacionados `as medi¸c˜oes realizadas na cidade de Sobral, no Cear´a, durante o eclipse do Sol ocorrido em 29 de maio de 1919, e `a comprova¸c˜ao da teoria da relatividade geral de Albert Einstein, j´a foram bastante explorados na literatura brasileira (cf., e. g., [1–13]) e estrangeira (cf., e. g., [14–20]).
Menos conhecido, no entanto, ´e o fato de que os cientistas britˆanicos que efetuaram estas medidas, o irlandˆes Andrew Claude de la Cherois Cromme-lin e o inglˆes Charles Rundle Davidson, passaram pela Amazˆonia antes e depois de sua estada em So-bral, embora isso tenha sido registrado nos artigos publicados `a ´epoca [21, 22].
Durante sua passagem pela Amazˆonia, antes de sua ida a Sobral, foi publicada a tradu¸c˜ao para o por-tuguˆes de um artigo de autoria destes dois britˆanicos no jornal belenense “Estado do Par´a” [23], conforme foi descrito recentemente na literatura [24,25]. Al´em deste fato, o que tem permanecido basicamente sem registro at´e o presente s˜ao os acontecimentos rela-cionados `a sua segunda passagem pela Amazˆonia, ap´os a reliza¸c˜ao das medidas durante o eclipse, por
∗
Endere¸co de correspondˆencia: [email protected].
ocasi˜ao do seu retorno para a Inglaterra e, em par-ticular, uma entrevista concedida por Crommelin e Davidson ao mesmo jornal “Estado do Par´a”, sobre os acontecimentos em Sobral, publicada em 03 de agosto de 1919 [26].
Neste artigo, tratamos dos acontecimentos relacio-nados com a passagem pela Amazˆonia da expedi¸c˜ao britˆanica associada ao eclipse total do Sol de 1919, e de como as ideias da relatividade einsteiniana foram divulgadas na ocasi˜ao.
Ap´os sua primeira chegada ao porto de Bel´em (cf. Fig. 1), a bordo no navio a vaporAnselm, da Compa-nhia Booth Line, proveniente da Inglaterra, Crom-melin e Davidson decidiram permanecer a bordo daquele navio, em sua viagem de ida e volta at´e a cidade de Manaus1.
Retornando a Bel´em, permaneceram alguns dias na cidade, antes de seguir viagem para Sobral, no Cear´a. Durante esta permanˆencia na capital
para-1
Figura 1: Porto de de Bel´em, figurando em um cart˜ao postal contemporˆaneo `a ´epoca da visita de Crommelin e Davidson `a Amazˆonia. Colec¸˜ao de Lu´ıs C. B. Crispino.
ense, o jornal “Estado do Par´a” publicou no dia 20 de abril de 1919 [23], em sua primeira p´agina (cf. Fig. 2), acompanhada de uma foto do busto de Crommelin e outra de Davidson, a tradu¸c˜ao de um texto escrito pelos britˆanicos (que n˜ao falavam portuguˆes [28]), onde ´e explicado os objetivos de sua visita ao Brasil, incluindo a realiza¸c˜ao de medidas que poderiam permitir a verifica¸c˜ao experimental da teoria da relatividade de Einstein.
Destacamos a seguir, alguns trechos deste texto, adaptado para o portuguˆes atual, e com a inser¸c˜ao de algumas notas explicativas. Com t´ıtulo “O pr´oximo eclipse total do Sol”, o texto ´e iniciado da seguinte forma [23]:
“Nos eclipses totais dos ´ultimos cinquenta anos a aten¸c˜ao dos observadores se tem ocupado com a forma, a estrutura e a composi¸c˜ao qu´ımica da ‘corona’ [do Sol] (...).”
Em seguida, ´e esclarecido que, desta vez, as ins-tru¸c˜oes dos britˆanicos eram para, no eclipse de 29 de maio de 1919, que fossem aplicados
“(...) de preferˆencia todos os seus esfor¸cos na solu¸c˜ao de um novo problema que muito est´a inte-ressando agora os c´ırculos astronˆomicos.”
Na sequˆencia, o texto ´e direcionado para prestar alguns esclarecimentos sobre a relatividade de Eins-tein e sobre a importˆancia das medidas que seriam efetuadas durante aquele pr´oximo eclipse total do Sol:
“Costumava-se considerar aquela ‘luz’, que dos corpos celestes se transmite aos nossos olhos, por meio de ondas, atrav´es do ´Eter que ocupa todo o espa¸co 2 , como de uma natureza t˜ao impalp´avel,
2
t˜ao imaterial, que escapava `a for¸ca da gravidade, a que est´a sujeita, por exemplo, uma bala ao ar, descrevendo primeiro uma curva e caindo depois em terra. Mas, por v´arias vezes j´a se reconheceu que um raio de luz carrega energia e ´e capaz de trabalho. Os seus efeitos s˜ao de todo em todo [sic.] inapreci´aveis sobre os corpos pesados e densos existentes `a su-perf´ıcie da Terra; mas, com rela¸c˜ao `a mat´eria, muito bem distribu´ıda, contida na cauda dos cometas, a press˜ao da luz do Sol basta para repeli-la do mesmo com grande velocidade.
Agora os nossos matem´aticos conclu´ıram de seus estudos te´oricos que um raio de luz, carregando ener-gia, provavelmente est´a sujeito `a for¸ca da gravidade, justamente como uma bala ao ar. Dentro de nossa esfera de observa¸c˜ao s´o h´a um corpo celeste com bastante poder de atra¸c˜ao para isso, isto ´e, para revelar a obediˆencia a que podem ser reduzidos os raios de luz: ´e o Sol.
Durante os eclipses totais do Sol podem fotografar-se as estrelas mais pr´oximas dele no firmamento, e cuja luz, por isso mesmo, passou muito perto da superf´ıcie do planeta [sic.] 3 em seu caminho para a nossa vista. O pr´oximo eclipse ser´a especialmente favor´avel por duas raz˜oes. Primeiro, porque a tota-lidade durar´a mais tempo que de ordin´ario, mais de cinco minutos (o que permitir´a tirar muitas foto-grafias), e o grau de escurid˜ao tamb´em se estender´a por mais tempo do que costuma. Segundo, e mais especialmente, porque haver´a um raro e rico campo de estrelas em volta do Sol em eclipse 4 . Espera-se ser poss´ıvel fotografar treze estrelas na regi˜ao que
e, posteriormente, como centros de deforma¸c˜ao, os “el´etrons” de Joseph Larmor (1896). Dizemos hoje que o advento da teoria da relatividade, em 1905, marca o ponto de inflex˜ao na aceita¸c˜ao do ´eter, rumo ao seu abandono. ´E dif´ıcil, por´em, estabelecer um marco temporal de quando o ´eter foi abando-nado. Se tomarmos, por exemplo, o verbeteAetherna edi¸c˜ao de 1911 da Enciclop´edia Britˆanica, escrito por Larmor, vere-mos que, na opini˜ao do autor, o ´eter n˜ao ´e encarado como sup´erfluo ou em vias de extin¸c˜ao. O experimento de Michelson e Morley (1887) ´e mencionado em conex˜ao com problemas ´
opticos, mas nenhuma referˆencia `a teoria da relatividade, ou a Einstein, ´e feita por Larmor. Crommelin e Davidson, inseridos no contexto da tradi¸c˜ao acadˆemica britˆanica, na transi¸c˜ao do s´eculo XIX para o s´eculo XX, provavelmente traziam na bagagem uma concep¸c˜ao fortemente “eterista” da f´ısica. 3
Aqui, ao inv´es de “do planeta”, deve ser entendido “da es-trela”.
4
Durante o eclipse do Sol de 29 de maio de 1919, o Sol esteve no mesmo campo visual do aglomerado aberto das Hyades, na constela¸c˜ao do Touro. As Hyades constituem o aglomerado aberto de estrelas com localiza¸c˜ao mais pr´oxima ao Sistema Solar.
as chapas fotogr´aficas podem cobrir, a qual atinge cerca de um grau ao redor do Sol. Essas estrelas j´a fo-ram observadas e fotografadas, conhecendo-se assim exata e precisamente as suas posi¸c˜oes. Se a atra¸c˜ao do Sol n˜ao exercesse efeito curvativo sobre os raios de luz, as estrelas fotografadas durante o eclipse total n˜ao [sic.]5 aparecer˜ao exatamente nas mesmas posi¸c˜oes que nas fotografias tiradas as outras vezes. A diferen¸ca de posi¸c˜ao ´e muito pequena, 7/8 de um segundo de arco para uma estrela continua [sic.]6 `a beira do Sol, e a metade daquela quantidade para uma estrela duas vezes mais distante do centro do mesmo, ou 1/4 de grau fora da beira do Sol. Um segundo de arco ´e o ˆangulo compreendido por um cent´ımetro `a distˆancia de dois quilˆometros da nossa vista. ´E assim uma quantidade pequen´ıssima, mas ainda dentro, inteiramente, dos limites da medi¸c˜ao das fotografias astronˆomicas de boa qualidade.
Aqueles algarismos, baseiam-se na suposi¸c˜ao de serem os raios de luz curvados pelo Sol, como seria o caminho de uma bala no ar, se ela passasse pr´oximo dele com a velocidade da luz (300 mil quilˆometros por segundo). Todavia ´e poss´ıvel que a diferenc¸ca real seja duas vezes t˜ao grande como aquela7. A teo-ria do Universo recentemente proposta pelo Sr. Eins-tein envolve essa dupla diferen¸ca como conseq¨uˆencia. N˜ao ´e poss´ıvel dar-lhe pleno desenvolvimento neste artigo; bastar´a estabelecer que, al´em das trˆes conhe-cidas dimens˜oes do espa¸co, a saber, comprimento, largura e altura, ela apresenta o tempo como quarta dimens˜ao. Demais disso, assim como a esfera terres-tre tem um tamanho limitado, e uma pessoa, se viaja sempre para diante na superf´ıcie da mesma, voltar´a
5
Na realidade, se o Sol n˜ao exercesse nenhum “efeito curva-tivo” as estrelas permaneceriam nas mesmas posi¸c˜oes que em fotografias tiradas anteriormente.
6
Aqui, ao inv´es da palavra “continua”, seria melhor, por exem-plo, “figurando”.
7
ao ponto de partida, assim se pinta o espa¸co como sendo an´alogo em quatro dimens˜oes `a superf´ıcie da esfera, de sorte que n˜ao pode estender-se ao infinito, mas torna a entrar em si mesmo; e assim tamb´em, se uma pessoa caminha bastante longe numa s´o dire¸c˜ao, voltar´a ao ponto primitivo8 . A teoria de Einstein j´a marcou sucesso, resolvendo um problema de as-tronomia que permaneceu muito tempo insol´uvel. O eixo maior da ´orbita do planeta Merc´urio avan¸ca `a raz˜ao de 40 segundos [de arco] por s´eculo a mais do que foi calculado pela teoria de gravita¸c˜ao de Newton, mas a soma observada est´a exatamente de acordo com a que assinalou a teoria de Einstein 9 . Se a confirma¸c˜ao ulterior que se est´a procurando se puder obter no pr´oximo eclipse, desaparecer´a uma pequena d´uvida sobre a verdade da aludida teoria. Para aumentar as probabilidades de sucesso, pois que a situa¸c˜ao nublada do mundo [sic.] poderia cau-sar o mau ˆexito completo, sa´ıram duas expedi¸c˜oes
8
O que Crommelin ilustra ao leitor neste ponto ´e um aspecto da primeira solu¸c˜ao cosmol´ogica das equa¸c˜oes da relativi-dade geral, obtida pelo pr´oprio Einstein no artigo intitulado “Considera¸c˜oes Cosmol´ogicas sobre a Teoria da Relatividade Geral” (Kosmologische Betrachtungen zur allgemeinen Relati-vit¨atstheorie, Sitz. Preuss. Akad. der Wissens., 1, pp. 142-152, 1917.), de um universo est´atico homogˆeneo, isotr´opico e fe-chado. Esta solu¸c˜ao, hoje sabemos, tem apenas um valor hist´orico dentro do desenvolvimento da cosmologia moderna, n˜ao correspondendo ao nosso universo observ´avel. ´E, de qual-quer forma, um aspecto da teoria da relatividade geral n˜ao diretamente correlato ao encurvamento dos raios luminosos, os quais os experimentos de Sobral destinavam-se a medir. 9
O avan¸co secular do peri´elio da ´orbita do planeta Merc´urio fora descoberto no s´eculo XIX, por Urbain Jean Joseph Le Verrier, sendo comunicado `a Academia de Ciˆencias de Paris, em sua “Carta do Sr. Le Verrier ao Sr. Faye sobre a teoria de Merc´urio e sobre o movimento do peri´elio deste planeta” [Lettre de M. Le Verrier `a M. Faye sur la th´eorie de Mercure et sur le mouvement du p´erih´elie de cette plan`ete, Comptes rendus hebdomadaires des s´eances de L’Acad´emie des scien-ces (Paris), vol. 49 (1859), pp. 379-383]. Era considerado um comportamento anˆomalo do movimento de Merc´urio, para o qual v´arias explica¸c˜oes, n˜ao muito satisfat´orias, haviam sido propostas ao longo dos anos, inclusive a existˆencia de um su-posto planeta Vulcano, que perturbaria a ´orbita de Merc´urio. Ao tomar conhecimento deste fenˆomeno at´e ent˜ao inexpli-cado, Einstein investigou o que a sua teoria tinha a dizer a respeito. Segundo A. Pais [20], a constata¸c˜ao de que a teoria da relatividade geral permitia explicar quantitativamente este fenˆomeno “sem necessidade de qualquer hip´otese especial”, foi “a mais forte experiˆencia emocional da vida cient´ıfica de Einstein”. Tais resultados foram comunicados por Einstein em 18 de novembro de 1915, e publicados no artigo intitulado “Explica¸c˜ao da precess˜ao do peri´elio de Merc´urio a partir da Teoria da Relatividade Geral”(Erkl¨arung der Perihelbewe-gung des Merkur aus der allgemeinen Relativit¨atstheorie, Sitz. Preuss. Akad. der Wissens., pp. 831-839, 1915.)
da Inglaterra, uma composta do Dr. A. C. D. Crom-melin e do Sr. C. Davidson, para observar o eclipse de Sobral, no Cear´a, e outra, formada pelo profes-sor A. S. Edington e o Sr. E. T. Cottingham, para operar da ilha do Pr´ıncipe, na costa ocidental da
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Africa. Se um desses lugares for favorecido pelo bom tempo, ser´a poss´ıvel resolver o problema da soma total da mudan¸ca dos raios de luz das estrelas; mas, naturalmente, se prefere bom tempo em ambos os lugares, pois que assim se confirmar´a evidentemente a verdade do problema. Nem [sic.] outra ocasi˜ao se ter´a de fazer experiˆencias sobre o assunto antes de setembro de 1922, quando haver´a um eclipse vis´ıvel no Oceano ´Indico e na Austr´alia10. Mas o campo de estrelas ser´a ent˜ao muito menor que o deste ano11. Embora as presentes expedi¸c˜oes fossem planeja-das h´a dois anos, era de todo em todo duvidoso se poderiam partir. Com efeito, seria isso muito dif´ıcil se o armist´ıcio viesse dois meses mais tarde do que veio12 .”
Este texto, assinado conjuntamente por A. C. D. Crommelin e C. Davidson, consistiu na introdu¸c˜ao das ideias de Einstein sobre a sua teoria relatividade na Amazˆonia.
Alguns dias depois desta publica¸c˜ao, os britˆanicos deixaram Bel´em rumo ao Cear´a, onde chegaram ao final do mˆes de abril, transportando consigo 32 volumes, que foram assentados na ´area interna do Jockey-Club da cidade cearense [28].
O diretor do Observat´orio Nacional, localizado no Rio de Janeiro, Henry Charles Morize [30], ou sim-plesmente Henrique Morize, como ficou conhecido no Brasil [12], havia estado em Sobral em mar¸co de 1919. Afim de realizar os preparativos para o eclipse de maio daquele ano, Morize chegou a Sobral em 09 de mar¸co, na companhia de Domingos Fernandes Costa, seu assistente no Observat´orio Nacional [31]. Morize e Costa ficaram em Sobral at´e o dia 18
da-10
Referem-se os autores ao eclipse total do Sol ocorrido em 21 de setembro de 1922.
11
Segundo dados apresentados por Bertottiet al.na Ref. [29], o n´umero de estrelas cujos deslocamentos aparentes foram observados no eclipse de 1922, foi, na verdade, bem maior que aquele de Sobral e Pr´ıncipe, a saber: 92 (Campbell e Trum-pler, 1923), 145 (Campbell e TrumTrum-pler, 1928), 14 (Dodwell e Davidson, 1924) e 18 (Chant e Young, 1924).
12
quele mˆes, quando iniciaram a viagem de retorno ao Rio de Janeiro [32].
Em visita anterior ao estado do Cear´a, Morize havia participado de uma comiss˜ao do Observat´orio do Rio de Janeiro, motivada pelo eclipse total do Sol de 16 de abril de 1893 13 [34]. A comiss˜ao britˆanica destinada `a observa¸c˜ao daquele eclipse
13
Segundo o peri´odico “A Lucta”, de Sobral, foi durante aquela sua viagem, em 1893, que Morize conhecera sua esposa [31,33]. Na Ref. [34] consta (na p. 26) uma fotografia (Acevo: MAST) alusiva ao casamento de Morize com a seguinte legenda: “Em 26 de maio de 1894, Henrique Morize casou-se com Rosa Ribeiro dos Santos, na igreja do Senhor do Bonfim, em Sal-vador. Em 1919, comemorou as bodas de prata em Sobral, Cear´a, onde Morize foi observar o eclipse total do Sol.” De acordo com Videira (Ref. [12], p. 44), naquele ano de 1893: “No caminho para Sobral, de onde o eclipse seria observado, Morize fez uma escala em Salvador, cidade onde conheceu aquela que seria sua futura mulher, Rosa Ribeiro dos Santos.”
de 1893, instalou-se na localidade cearense ent˜ao denominada Par´a Curu [5, 35]14.
A expedi¸c˜ao brasileira, organizada pelo Obser-vat´orio Nacional para observar o eclipse total do Sol em 1919, chegou a Sobral em 09 de maio daquele ano, no mesmo dia em que chegou tamb´em a expedi¸c˜ao americana, organizada pelo Instituto Carnegie, de Washington, Estados Unidos da Am´erica [36].
A comiss˜ao brasileira era composta [36–39] pe-los seguintes membros do Observat´orio Nacional
14
De acordo com a Ref. [35] (p. 568), a comiss˜ao de astrˆonomos do Rio de Janeiro instalou-se em um local distante algumas milhas da instala¸c˜ao da comiss˜ao inglesa. De acordo com Barboza [5]: “(...) Morize deslocou-se para o Cear´a [em 1893] e l´a se estabeleceu na foz do rio S˜ao Gon¸calo, a meio caminho entre Fortaleza e Par´a Curu, onde ficaram os astrˆonomos ingleses.”
Figura 3:Foto da comiss˜ao brasileira organizada pelo Observat´orio Nacional por ocasi˜ao do eclipse de Sobral. Da esquerda para a direita, vˆe-se Arthur Almeida, Luiz Rodrigues, Theophilo Lee, Henrique Morize, Domingos Costa, Allyrio de Mattos, Lelio Gama e Primo Flores [37]a
. Cortesia do Arquivo de Hist´oria da Ciˆencia / Museu de Astronomia e Ciˆencias Afins, Rio de Janeiro.
a
(cf. Fig. 3): Henrique Charles Morize 15 , diretor, Domingos Fernandes da Costa e Allyrio Hugueney de Mattos, assistentes, Lelio Itapuambyra Gama, calculador, Luiz Rodrigues, auxiliar meteorologista, Arthur de Castro Almeida, ajudante de mecˆanico; al´em de Primo Flores, auxiliar (carpintaria 16 ) e Theophilo Henry Lee, qu´ımico do Servi¸co Geol´ogico e Mineral´ogico do Brasil. Henrique Morize, Domin-gos Costa e Allyrio de Mattos vieram acompanha-dos de suas esposas. O objetivo daquela expedi¸c˜ao do Observat´orio Nacional era basicamente realizar medidas espectrosc´opicas da coroa (tamb´em deno-minadacorona) solar.
A comiss˜ao americana era composta por Andrew Thomson e Daniel Maynard Wise [36] (cf. Fig. 4). Thomson estava encarregado de medir efeitos at-mosf´ericos durante o eclipse, tendo instalado seus equipamentos no Jockey-Club de Sobral (cf. Fig. 5) [40], enquanto que Wise estava encarregado de medir efeitos magn´eticos, tendo instalado seus
equipamen-15
Henrique Morize tamb´em era professor de f´ısica experimental da Escola Polit´ecnica do Rio de Janeiro [38, 39].
16
No Di´ario Oficial da Uni˜ao de 11 de agosto de 1923, consta pagamento ao Sr. Primo Flores, como carpinteiro.
tos a cinco metros de profundidade, no por˜ao da casa do coronel Vicente Saboya, onde ficaram hospe-dados [21, 36]. A equipe americana tamb´em recebeu assistˆencia do Sr. Antonio C. Lima, que falava inglˆes, tendo realizado estudos nos Estados Unidos. Al´em de atuar com int´erprete [36], o Sr. Lima chegou inclusive a realizar algumas medidas relacionadas com aeletricidade atmosf´erica, sob o comando de Thomson [40].
Como registramos anteriormente, os acontecimen-tos durante a estada das expedi¸c˜oes brasileiras e estrangeiras em Sobral, em 1919, s˜ao bem conhe-cidos e j´a foram bastante explorados na literatura, fugindo ao escopo principal do presente artigo, de forma que sugerimos ao leitor interessado a consulta aos textos previamente publicados sobre este tema (cf., e. g., Refs. [1–20]).
O eclipse de 29 de maio de 1919 foi visto em Bel´em apenas como um eclipse parcial, com um m´aximo de cerca de 85% do disco do Sol ocultado pela Lua. Tanto na v´espera, quanto no dia do eclipse, o jor-nal “Estado do Par´a” noticiou entusiasticamente o fenˆomeno, como descrito na Ref. [25]. Tamb´em
Figura 5: Instalac¸˜ao utilizada por Andrew Thomson para medidas de condutividade [40], vendo-se a cidade de Sobral ao fundo.
foram registrados nos jornais paraenses “Folha do Norte” e “O Imparcial” detalhes sobre a observa¸c˜ao e a repercuss˜ao deste eclipse do Sol em Bel´em [24, 25].
A viagem de retorno `a Inglaterra de Crommelin e Davidson incluiu uma nova passagem por Bel´em, onde eles chegaram, `a bordo do vapor “Fortaleza”, em de 28 de julho de 1919, viajando em primeira classe [41]. Na capital paraense, concederam uma entrevista ao jornal “Estado do Par´a”, publicada em 03 de agosto de 1919, com a ep´ıgrafe “O grande problema astronˆomico – Palestra dos astrˆonomos ingleses Crommelin e Davidson, com o enviado es-pecial do ESTADO” [26], que, por sua consider´avel relevˆancia, peculiaridade e ineditismo, optamos por transcrever a seguir, efetuadas algumas corre¸c˜oes de ortografia e a adapta¸c˜ao para o portuguˆes atual, inserindo algumas notas explicativas.
“Em abril do ano corrente estiveram entre n´os, de passagem para Sobral, os astrˆonomos ingleses, Dr. A. C. D. Crommelin e C. Davidson que, por inici-ativa da Real Sociedade Astronˆomica de Londres, iam tentar averiguar certos fenˆomenos cient´ıficos, sobre os quais at´e o presente se tˆem apenas formado hip´oteses.
Publicaram, ent˜ao, neste jornal um interessante artigo sobre esses fenˆomenos, essas hip´oteses e o fim de sua t˜ao longa viagem.
J´a estiveram novamente aqui esses distintos mem-bros da Sociedade Cient´ıfica de Londres, os quais seguiram a 31 do passado para o Maranh˜ao, a bordo do vapor ‘Cear´a’, e, se bem que pouco tenham po-dido adiantar ao que em abril escreveram, gentil-mente nos concederam alguns momentos de palestra, cujo resumo ´e mais ou menos o seguinte:
‘Tomamos a liberdade de incomod´a-los, esperando que j´a nos possam dizer algo de mais definido sobre o seu artigo cient´ıfico no ESTADO.
— Antes de entrarmos neste assunto, permita-nos usar de sua gentileza em procurar-nos e ouvir-nos, para patentearmos nossa profunda gratid˜ao ao Dr. Morize, diretor do Observat´orio Nacional do Rio de Janeiro, e distinto astrˆonomo brasileiro. ´E `a sua incans´avel dedica¸c˜ao, como tamb´em, n˜ao podemos esquecer, `a atividade e cavalheirismo sem par do nosso int´erprete Dr. Leocadio Araujo, que devemos a maior parte dos nossos sucessos.
A casa do Dr. Saboya, deputado federal pelo Cear´a, esteve tamb´em ao nosso inteiro dispor du-rante todo o tempo de nossa estadia em Sobral, e precisamos dizer que n˜ao nos faltaram confortos de toda a natureza enquanto nos aproveitamos do am´avel oferecimento.
Concluiremos asseverando que o povo brasileiro em geral achamos ser o mais hospitaleiro, o mais franco e o mais amigo que se possa desejar.
Tivemos um lugar magn´ıfico para o assentamento de nossos instrumentos no Jockey-Club de Sobral, onde contamos com a ajuda de numerosos traba-lhadores que nos foram enviados para fazerem os pedestais em que assentamos nossos telesc´opios.
No dia do eclipse, pareceu-nos que n˜ao lograr´ıamos apanhar o Sol limpo [sic.], porquanto o dia amanhe-ceu muito nublado. Felizmente, dos cinco minutos que durou a totalidade, 4 se passaram em que o Sol esteve absolutamente claro – isento de nuvens17.
— Conseguiram ent˜ao tirar muitas e boas foto-grafias?
— Tiramos com um telesc´opio 19 fotografias e com o outro 8.
— Provavelmente essa diferen¸ca em n´umero foi devida `a posi¸c˜ao menos favor´avel do segundo instru-mento?
— De forma nenhuma. Tiramos t˜ao poucas foto-grafias com o segundo aparelho devido ser ele menos suscept´ıvel de receber a luz, sendo a sua lente de menor diˆametro e de maior potˆencia projetiva que a do outro, devido o que precisamos de expor as chapas 1/2 minuto cada uma [cf. Fig. 6].
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Figura 6: Instrumentos utilizados pela equipe britˆanica nas medic¸˜oes realizadas durante o eclipse total do Sol, em de 29 de maio de 1919. Estes equipamentos, devidamente acondicionados em caixas, desembarcaram inicialmente no Brasil, juntamente com Crommelin e Davidson, em Bel´em do Par´a, tendo sido, em seguida, por eles conduzidos para Sobral. De acordo com Daniel Kennefick [16] no tubo quadrado da direita estava o instrumento com a lente de 4 polegadas (de menor diˆametro), enquanto que o instrumento com a lente astrogr´afica (de maior diˆametro), escolhida por seu amplo campo de vis˜ao, estava no tubo circular da esquerda. Cortesia doScience Museum / Science & Society Picture Library, Reino Unido.
O que importa, por´em, ´e que todas essas fotogra-fias apanharam a ‘corona’ do Sol de uma maneira ma-ravilhosa e detalhada, mostrando uma proeminˆencia estupenda, de 200.000 quilˆometros de extens˜ao [cf. Fig. 7] 18 19 20.
18
De acordo com Morize [37]: “A forma dessa imensa protu-berˆancia ´e a de um arco saindo de um ponto do disco com 42o
de latitude S, elevando-se como uma nuvem de forma complicada no meio da coroa e vindo penetrar no disco em outro ponto de latitude 2o
N. A parte central do arco alcan¸ca a altura, medida angularmente da mesma maneira, de 12’ ”. De acordo com os c´alculos feitos por Morize [37] “a distˆancia, medida do bordo do disco, entre os dois p´es da protuberˆancia ´e de 515.500 kms, e a m´axima altura alcan¸cada pelo arco, 142.700 kms.”.
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O jornal “Correio Paulistano” [42] registrou que, de acordo com o Observat´orio de Meudon, a “27 de maio [de 1919], sobre o bordo SE do astro luminoso, fez bruscamente sua apari¸c˜ao uma protuberˆancia de dimens˜oes consider´aveis e permaneceu durante o eclipse, mantendo-se por umas 20 horas [sic.].”Ainda de acordo com o “Correio Paulistano” [42]: “Em Williams Bay, os astrˆonomos do Yorkes Observatory declararam que aquela protuberˆancia foi a maior at´e hoje medida e elevou-se a 310.000 quilˆometros, numa largura de 547.000 quilˆometros, destacando-se do disco solar sob a forma de uma nuvem gigantesca, que se elevou acima da cromosfera.”
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Esta protuberˆancia ´e por vezes referida na literatura como “protuberˆancia tamandu´a” [6, 30], devido ao seu formato ser semelhante ao formato caracter´ıstico do corpo deste animal.
A nossa quest˜ao capital, contudo, e fim principal da nossa viagem, foi fotografar as estrelas em redor do Sol, das quais apanhamos 12 bem nitidamente.
— Supomos que os Srs. poder˜ao dar-nos algumas dessas fotografias.
— Infelizmente ´e imposs´ıvel satisfazer j´a ao seu pedido, porquanto n˜ao havendo ainda tomado as medidas important´ıssimas, nas nossas chapas, das quais n˜ao temos c´opia alguma, vemo-nos for¸cados a tratar os originais como o miser´avel trata o seu tesouro. O jornalista n˜ao deixar´a de compreender a importˆancia dos mesmos para a ciˆencia.
— Obrigado. ´E justo. E ap´os o eclipse deram por terminado o seu trabalho?
— N˜ao, ap´os o Sol sair do caminho t´ınhamos de apanhar as mesmas estrelas que fotografamos durante o eclipse.
— Ent˜ao foi este o motivo da demora dos senho-res?
Figura 7: Uma das fotografias tiradas por Crommelin e Davidson em Sobral, em 29 de maio de 1919, vendo-se (na parte inferior) a protuberˆancia solar mencionada na entrevista com os cientistas britˆanicos publicada (em 03 de agosto daquele mesmo ano) no jornal “Estado do Par´a”. Cortesia doNational Maritime Museum, Greenwich, Londres, Inglaterra.
Voltamos a Sobral em meados de julho, prontos para pegar no trabalho.
— Qual ´e a melhor hora para o trabalho que iam fazer?
— Costum´avamos pegar entre 4 e 1/2 e 5 horas da manh˜a, e n˜ao larg´avamos sen˜ao quando j´a era claro demais para se poder obter boas fotografias.
— Conseguiram algumas boas? — Sim, magn´ıficas.
— E acham que vai ficar comprovada a teoria de Heinstein [sic.]?
— Nada podemos dizer enquanto n˜ao medirmos as fotografias, umas com as outras. Este servi¸co faremos com o aux´ılio de um micrˆometro, que ´e um microsc´opio, munido de uma escala de linhas muito finas, presa a uma moldura. A marca¸c˜ao das distˆancias ´e feita por meio de um parafuso muito delicado que aciona essa escala.
Em [sic.] resultado dessas medidas esperamos po-der ver se a posi¸c˜ao das estrelas nas chapas do eclipse concordam com a das outras chapas, ou se h´a alguma diferen¸ca.
Nenhum resultado poder´a ser publicado t˜ao cedo, por´em esperamos que com nossas fotografias
pode-remos determinar, de uma vez para sempre, qual das trˆes possibilidades em quest˜ao ´e verdadeira21. Se tal acontecer, consideraremos que fomos coro-ados de sucesso 22.
Seguimos no ‘Cear´a’, e de Londres n˜ao deixare-mos de remeter ao ‘ESTADO DO PAR ´A’ todos os pormenores deste problema.
— Boa viagem e sucesso ´e o que sinceramente lhes desejamos.’ ”
Um trecho desta entrevista foi comentado, de modo resumido e truncado (por vezes
comprome-21
As trˆes possibilidades em quest˜ao s˜ao: (i) a ausˆencia do encurvamento dos raios luminosos, (ii) o encurvamento nos termos estabelecidos por Soldner e (iii) o encurvamento nos termos estabelecidos pela teoria da relatividade de Einstein. 22
tendo o seu entendimento), pelo jornal carioca “Cor-reio da Manh˜a”23.
Ap´os concederem esta entrevista, Crommelin e Davidson deixaram Bel´em, a bordo do vapor “Cear´a”, com destino ao Maranh˜ao 24 [43]. De l´a, segui-ram para Liverpool, na Inglaterra, a bordo do car-gueiro a vapor “Polycarp”, onde aportaram em 25 de agosto [21].
Neste artigo apresentamos como a popula¸c˜ao da Amazˆonia brasileira tomou ciˆencia, em 1919, das ideias de Albert Einstein, relacionadas `a sua teoria da relatividade geral; na ocasi˜ao da passagem dos astrˆonomos britˆanicos Crommelin e Davidson por Bel´em do Par´a.
A expedi¸c˜ao astronˆomica de 1919 a Sobral ocor-reu num per´ıodo anterior `a institucionaliza¸c˜ao da pesquisa cient´ıfica no Brasil, o que notabiliza e dis-tingue esta participa¸c˜ao brasileira [25]. Henrique Morize intermediou junto `as autoridades nacionais as demandas da comunidade astronˆomica interna-cional, para a realiza¸c˜ao das expedi¸c˜oes a Sobral, propiciando o apoio log´ıstico local necess´ario ao sucesso desta empreitada [12].
Estando a comunidade astronˆomica brasileira ba-sicamente concentrada no Observat´orio Nacional, no Rio de Janeiro, restou `a imprensa dar a conhe-cer, ao povo brasileiro, nas diversas partes de sua vasta extens˜ao territorial, os fatos e a relevˆancia do eclipse total do Sol de 1919. Em Bel´em, o jornal “Estado do Par´a” publicou textos nos quais foram apresentadas ideias como o encurvamento da luz pelo campo gravitacional, a explica¸c˜ao da precess˜ao do peri´elio do planeta Merc´urio, bem como consi-dera¸c˜oes cosmol´ogicas. ´E, assim, digno de nota o importante papel desempenhado pela imprensa da ´epoca na difus˜ao e populariza¸c˜ao dos avan¸cos da ciˆencia e da tecnologia, ilustrado neste epis´odio.
Agradecimentos
Somos gratos a (i) Simone Maria Matos Moreira e Ranulfo Figueiredo Campos, da Biblioteca P´ublica do Par´a, em Bel´em; (ii) Katia Teixeira dos Santos de Oliveira, da Biblioteca do Observat´orio Nacional,
23
Dos Estados. Uma entrevista com dois scientistas inglezes. Correio da Manh˜a, Rio de Janeiro, 06 de agosto de 1919, p. 3.
24
Registre-se que, nesta mesma viagem, seguiu a bordo do va-por “Cear´a”, rumo ao Rio de Janeiro, Newton Burlamaqui de Souza Martins, bisavˆo da f´ısica paraense ˆAngela Burlamaqui Klautau.
no Rio de Janeiro; (iii) Louise Devoy e Emily Be-ech, dos Museus Reais de Greenwich, na Inglaterra; (iv) Shaun Hardy e Tina McDowell, da Institui¸c˜ao Carnegie para a Ciˆencia, Washington, Estados Uni-dos da Am´erica; (v) Norma Suely Rodrigues Silva, da Secretaria de Cultura de Sobral; (vi) Emerson Ferreira de Almeida, do Museu do Eclipse, Sobral; (vii) Elisa Oswaldo-Cruz Marinho e Bruno Ribeiro da Gama e Silva de Azevedo, da Academia Brasi-leira de Ciˆencias, Rio de Janeiro; e (viii) Everaldo Pereira Frade e Luci Meri Guimar˜es da Silva, do Museu de Astronomia e Ciˆencias Afins, Rio de Ja-neiro. Somos tamb´em gratos a ˆAngela B. Klautau, Antˆonio A. P. Videira, Chris Wise, Jos´e M. F. Bas-salo, Mons. Jo˜ao Jorge Correa, Rodrigo Pinheiro Vaz, e `a Funda¸c˜ao Biblioteca Nacional. Gostar´ıamos ainda de agradecer o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient´ıfico e Tecnol´ogico (CNPq).
Referˆencias
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[12] A.A.P. Videira, Henrique Morize e o Ideal de Ciˆencia Pura na Rep´ublica Velha(Editora Funda¸c˜ao Get´ulio Vargas, Rio de Janeiro, 2003).
[13] J.M. Rodrigues,Entre Telesc´opios e Potes de Barro: O Eclipse Solar e as Expedi¸c˜oes Cient´ıficas em 1919 / Sobral - CE. Disserta¸c˜ao de Mestrado, Universi-dade Federal do Cear´a, Fortaleza, 2012.
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[26] O grande problema astronˆomico, Estado do Par´a, Bel´em, 03 de agosto de 1919, p. 1.
[27] Para observar o eclipse do Sol, Estado do Par´a, Bel´em, 24 de mar¸co de 1919, p. 2.
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[41] Mares e Rios, Folha do Norte, Bel´em, 29 de julho de 1919, p. 5.
[42] Sociedade Scientifica de S. Paulo,Communica¸c˜ao de Factos e Pesquisas Ultimamente Verificados. Correio Paulistano, S˜ao Paulo, 02 de agosto de 1919, p. 3. [43] Mares e Rios, Folha do Norte, Bel´em, 01 de agosto