Pindapixara tatira gen. et sp. n. (COPEPODA: ERGASILIDAE) DAS BRÂNQUIAS DE Hoplias malabaricus (BLOCH, 1794) (CHARACIFORMES: ERYTHRINIDAE) DA AMAZÔNIA BRASILEIRA.

Texto

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Pindapixara tatira gen. et sp. n. (COPEPODA: ERGASILIDAE) DAS

BRÂNQUIAS DE Hoplias malabaricus (BLOCH, 1794)

(CHARA-CIFORMES: ERYTHRINIDAE) DA AMAZÔNIA BRASILEIRA.

José Celso O. MALTA

1

RESUMO — Pindapixara gen. n. (Copepoda, Poecilostomatoida, Ergasilidac) é proposto para  uma nova espécie, Ρ  tarira, coletada dos filamentos branquiais de Hoplias malabaricus (Bloch, 

1794) do Rio Guaporé, prσximo a Surprκsa, Rondônia, Brasil. A espécie do novo gκnero é  caracterizada, principalmente, por apresentar um tamanho pequeno (382 a 577 μ m), antena com  uma grande garra e o terceiro segmento extremamente reduzido. 

Palavras-chave: Copepoda, Poeeilostomatoida, Pindapixara tarira sp. n., Ergasilidae, Amazônia. 

Pindapixara tarira gen. et sp. n. (Copepoda: Ergasilidae) from the gills of Hoplias malabaricus  (BLOCH, 1794) (Characiformcs: Erythrinidae) from Brazilian Amazon. 

ABSTRACT — Pindapixara gen. n. (Copepoda, Poecilostomatoida, Ergasilidae) is proposed  for a new species P. tarira collected from the gill filaments of the freshwater fishes Hoplias  malabaricus, (BLOCH, 1794) from Guaporé River, near Surprκsa, Rondônia, Brazil. Species of  the new genus is principally characterised by having a small size (382 a 577 μ ιη) , antennae with  a big claw and third segment extremely reduced. 

Key-words: Copepoda, Poecilostomatoida, Pindapixara tarira sp. n., Ergasilidae, Amazon. 

INTRODUÇÃO

Todos os representantes da ordem 

Poeeilostomatoida sγo parasitas ou 

vivem associados a outros animais e a 

grande maioria é marinha. Esta é talvez 

a ordem com a maior diversidade de 

copépodos em termos de morfologia do 

corpo. Nela estγo contidos os primitivos 

Hemicyclops Boeck, que tem o tνpico 

corpo ciclopiforme e vivem em 

associaçυes livres, dividindo as tocas 

construνdas por crustαceos decαpodas. 

Nesta ordem estγo também um grande 

n٥mero de famνlias altamente derivadas 

que exibem uma variaçγo de 

morfologias bizarras, incluindo 

Corallovexiidae (parasitam celente­

rados), os  C h o n d r a c a n t h i d a e e 

Philichthyidae (parasitam peixes), os 

Splanchnotrophidae e Mytilicolidae 

(parasitam moluscos) e os Nereicolidae 

(parasitam poliquetas). Quatro famνlias sγo 

planctônicas e podem ser abundantes em 

comunidades oceβnicas. Destas, 

Corycaeidae e Sapphtrinidae sγo 

predadores visuais, utilizando uma 

variedade de organismos como presas e os 

Oncaeidae sγo fνltradores de superfνcie 

(HUYS & BOXSHALL, 1991). 

Dos poecilostomatσdeos de αgua 

doce Neotropicais, trκs famνlias sγo 

conhecidas: Ergasilidae que é cosmo­

polita, Vaigamidae e  A m a z o ­

nicopeidae que sγo endκmicas ΰ regiγo 

Neotropical. Vivem associados aos 

filamentos branquiais, rastros branquiais 

e fossas nasais de teleσsteos. Até o 

momento nγo é conhecido nenhum 

poecilostomatσdeo parasita de 

invertebrado de αgua doce. HO & 

Deparlamento de Biologia Aquαtica, Instituto Nacional dc Pesquisas da Amazônia, Caixa  Postal 478, Manaus, Amazonas, Brasil, CEP 69011­970. 

(2)

THATCHER (1989) descreveram o 

p r i m e i r o  C o p e p o d a  p a r a s i t a de 

invertebrados de αgua doce, Ozmana 

haemophila,  p e r t e n c e a  o r d e m 

Cyclopoida e foi coletado do sangue 

de gastrσpodos, Pomacea maculata, 

Perry, 1810, no rio  A m a z o n a s 

prσximo ΰ Manaus. 

A histσria da famνlia Ergasilidae 

começa com a descriçγo das duas 

primeiras espécies de Ergasilus, E. 

sieboldi e E. gibbus Nordmann, 1832. 

Atualmente sγo conhecidas cerca de 

150 espécies que ocorrem principal­

mente em peixes teleσsteos marinhos 

e de αgua doce, além de algumas 

p a r a s i t a s de  m o l u s c o s  b i v a l v e s 

marinhos. Os ergasilνdeos  p e r t e n ­

centes ao  g r u p o dos parasitas de 

peixes, sγo morfologicamente os 

m e n o s  m o d i f i c a d o s ,  a p e s a r da 

dependκncia de outro organismo vivo 

(KABATA, 1979). 

A  p r i m e i r a  e s p é c i e de 

ergasilνdeo parasita de peixes de αgua 

doce, descrita no Brasil, foi Ergasilus 

iheringi Tidd, 1942  c o l e t a d o em 

Campina Grande, Estado da Paraνba, 

dos filamentos branquiais de Hoplias 

malabaricus. Exceto Acusicola tenax 

(Roberts, 1965) descrita dos USA, 

todas as  d e m a i s  e s p é c i e s foram 

d e s c r i t a s da  r e g i γ o  A m a z ô n i c a 

(MALTA, 1992). 

Os gκneros de Ergasilidae 

descritos para a Regiγo Neotropical sγo: 

Ergasilus, A eus i co la, Brasergasilus, 

Amplexihranehius, Rbinergasilus, 

Prehendorastrus e Miracetyma. Este 

trabalho inclui a descriçγo de uma nova 

espécie e propυe um novo gκnero. 

MATERIAL E MÉTODOS

O material foi coletado no Estado 

de Rondônia, regiγo noroeste do Brasil. 

Durante o perνodo de 28 de novembro 

de 1983 a 25 de setembro 1985. 

Os peixes foram identificados, 

pesados e  m e d i d o s ,  c o m p r i m e n t o 

"fork". As brβnquias e vνsceras foram 

removidas e fixadas em formal 10%. 

Os copépodos foram retirados dos 

filamentos branquiais utilizando finos 

estiletes, microscσpio estereoscσpio e 

fixados em formol  5 % . Lβminas 

permanentes, com montagem total dos 

copépodos, foram preparadas usando o 

método de Thatcher,  d e n o m i n a d o 

"HYP" (publicado em Monoculus n.15 

de novembro de 1987). Cada indivνduo 

foi retirado da soluηγo aquosa (formo! 

5%) e mantidos em αlcool  7 0 % . A 

seguir, colocados em soluçγo corante, 

Eosina e Orange­G. Posteriormente 

colocados em fenol e em seguida em 

salicilato de metila. Finalmente, foram 

montados em balsamo do Canadα entre 

lβmina e lamνnula e colocados em 

estufa ΰ 70" C. 

Os desenhos foram feitos com o 

auxνlio de cβmara clara. As medidas 

foram  o b t i d a s com uma  o c u l a r 

m i c r o m θ t r i c a e  e x p r e s s a s em 

micrômetros, sγo dadas as amplitudes 

seguidas pela média entre parκnteses. 

Os peixes foram depositados na 

Coleçγo Ictiolσgica do Instituto 

Nacional de Pesquisas da Amazônia, em 

Manaus. 

(3)

M a n a u s ,  A m a z o n a s e  M u s e u de 

Zoologia da Universidade de Sγo 

P a u l o ,  ( M Z U S P ) , Sγo  P a u l o , Sγo 

Paulo. 

RESULTADOS

Ergasilidae Nordmann, 1832 

Ergasilinae Thatcher, 1984 

Pindapixara gen. η . 

Diagnose do gκnero: Fκmea: 

c o p é p o d o s de  t a m a n h o  p e q u e n o , 

variando de 382 a 577 micrômetros. 

Antκnula com seis segmentos. Antena 

com trκs segmentos mais a garra. 

Garra extremamente desenvolvida, 

maior que os demais segmentos; o 

terceiro segmento é o menor, seguido 

pelo  p r i m e i r o depois o segundo. 

Maxilνpedes ausentes. Pernas I ­ IV 

b i r r e m e s , com setas  p l u m o s a s ; 

primeiro e quarto endopoditos e quarto 

e x o p o d i t o com dois  s e g m e n t o s , 

d e m a i s  c o m trκs. Perna IV 

representada por uma ou duas setas 

simples, ou uma .seta e uma papi la. 

Perna VI ausente. Saco ovνgero com 

uma série de ovos grandes que variam 

de seis a 15. 

Espécie tipo: Pindapixara tarira 

sp. n. 

Etimologia: O nome genérico 

deriva do Tupi­Guarani: "pinda" = 

anzol; "pixarα" = que tem a forma; em 

alusγo ΰ antena em forma de anzol. 

Pindapixara tarira sp. n. 

(Figs  1 ­ 1 1 ) 

Material examinado: 

Holσtipo: fκmea (INPA­CR 608), 

dos filamentos branquiais de

 Hoplias 

malabaricus, coletado no Rio Guaporé, 

prσximo a Surpresa (11" 52'S; 64" 56'W), 

22­ix­1985, em lβmina. Parαtipos 8 fκmeas 

(INPA­CR 609a ­ h) e 2 fκmeas (MZUSP 

10435 a e b) em lβmina e INPA­CR 610 

com 63 indivνduos e MZUSP­10436 com 

10 indivνduos em fomiol 5% coletados dos 

filamentos branquiais de Hoplias 

malabaricus: 43 copépodos de quatro 

peixes da localidade tipo, 22­ix­1985; 41 

de trκs peixes do rio Pacaαs Novos, 

prσximo a Guajarα­Mirim (IO

1

 40'S; 65° 

14'W), 27­ΝX­1985. Todos coletados por 

J.C.O. Malta. 

Fκmea: Corpo (Fig. 1 e Tab. 1 ) 

alongado, robusto, com o tegumento bem 

quitinizado. Comprimento total 382­577. 

Prossomo mais largo que o urossomo, com 

a maior largura do corpo (115­204) 

oconendo no cefalotσrax um pouco antes 

da regiγo oral. 

Cefalotσrax (Fig. I e Tab. I ) de 

forma subtriangular, margem anterior reta 

alarga­se suavemente até chegar a trκs 

quartos de seu comprimento, onde tem a 

largura mαxima, cerca de 2,2 vezes a 

inicial. A partir deste ponto vai suavemente 

afilando­se até formar uma cintura, logo 

apσs a segmentaçγo parcial com o primeiro 

somito pedνgero. Volta a alargar­se até a 

regiγo mediana deste somito quando volta 

a afilar­se ate a margem posterior. Margens 

laterais arredondadas. Cefalossomo 

parcialmente fusionado com o primeiro 

somito pedνgero. Metassomo (Fig. 1 e Tab. 

1 ) com quatro somitos pedνgeros livres (2, 

3,4 e 5) todos claramente separados e de­

crescendo suas larguras gradativamente 

na direçγo terminal. 

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(6)

Tabela 1. Medidas (variaçγo e média em μ ιτι ) de 10 fκmeas adultas de Pitukipixara larira geri.  et sp. n. 

C o m p r i m e n t o  L a r g u r a  C o r p o 

C e f a l o t σ r a x  S o m i t o s I e II 

M e t a s s o m o  S o m i t o s 

III  IV  V 

U r o s s o m o  S o m i t o 

VI 

Somito genital duplo  VII 

S o m i t o s  a b d o m i n a i s  VIII 

IX  X 

R a m o s  c a u d a i s  XI  S e t a s  c a u d a i s 

S a c o  d e  o v o s 

2 8 2 ­ 5 7 7 ( 5 1 0 ) 

1 9 2 ­ 2 8 0 ( 2 5 0 ) 

30­57(47)  4 1 ­ 4 7 ( 4 4 )  22­49(34) 

10­17(13) 

4 5 ­ 5 0 ( 4 7 ) 

12­17(15)  10­17(12)  10­17(14) 

2 4 ­ 3 2 ( 2 8 )  1 7 5 ­ 1 8 7 ( 1 8 2 )  2 0 9 ­ 3 9 0 ( 2 9 0 ) 

1 1 5 ­ 2 0 4 ( 1 1 7 ) 

115­204(117) 

1 0 5 ­ 1 5 0 ( 1 2 4 )  7 0 ­ 1 1 0 ( 9 1 ) 

4 5 ­ 8 2 ( 6 2 ) 

4 3 ­ 6 5 ( 5 5 ) 

5 0 ­ 8 7 ( 7 3 ) 

27­47(38)  2 5 ­ 4 2 ( 3 5 )  2 2 ­ 4 5 ( 3 5 ) 

13­45(30) 

3 1 ­ 5 1 ( 3 9 ) 

prossomo e somito 6 com as pernas 

natatσrias rudimentares. 

Somito genital duplo (Figs. I e 2 e 

Tab. 1) hexagonal. Margens laterais 

formam medianamente uma protuberβncia, 

tomando o somito exageradamente largo, 

de tal modo que sua largura é igual a do 

maior somito, o terceiro. Somitos 

abdominais (Figs. 1, 2 e 3 e Tab. 1), 

somitos abdominais J, 2 sub­retangulares 

e sem ornamentaçυes, somito abdominal 3 

(anal), sub­retangular com as porçυes 

laterais projetando­se ligeiramente. Ramos 

caudais (Figs. 1, 2 e 3) subtriangulares, 

ambos equipados com uma seta longa e 

uma curta, e uma seta reduzida lateral. 

Antκnula (Fig. 4 e Tab. 2) cilνndrica, 

reduzida, com seis segmentos, carregando 

16 setas simples e com a fσrmula setal: 0 ­

5 ­ 3 ­ 2 ­ 1 ­ 5 . Tipologia, comprimentos 

relativos e ornamentaçυes diretamente 

comparαveis com os representantes da 

subfamνlia. Antena (Fig. 5 e Tab. 2) 

com trκs segmentos e a caracterνstica 

garra do novo gκnero. Segmento 1 

s u b ­ r e t a n g u l a r e o  m a i s largo; 

s e g m e n t o 2 com  u m a  p e q u e n a 

elevaçγo mediana na margem interna; 

segmento 3 retangular e o menor; o 

processo distai é  u m a forte garra 

recurvada, o mais longo dos apκndices 

da  a n t e n a . A relaçγo  e n t r e os 

segmentos é 2,4 : 3,0 : 1,0 ; 3.7. 

(7)

com dois segmentos, longa, segmento 

basal  s u b ­ r e t a n g u l a r largo, sem 

ornamentaçυes, e fortemente preso ao 

cefalossomo, na regiγo mediana afila­

se ΰ metade de sua largura, bifurca­se: 

parte superior lβmina falciforme com 

min٥sculos dentes na margem posterior 

e reforço quitinoso na metade posterior 

da margem anterior; parte inferior o 

palpo com uma série de min٥sculos 

dentes nas margens anteriores. Maxνlula 

em forma de placa, anteriormente 

estreita, na regiγo mediana aumenta 

abruptamente sua largura para o dobro, 

sem ornamentaçυes. Maxila com dois 

segmentos, alongada, processo proxi­

mal sem ornamentaçυes, muito largo 

e fortemente preso ao cefalossomo, 

p r o c e s s o distai com fortes setas 

espiniformes alongadas. Maxilνpedes 

ausentes. 

ligeiramente mais estreito na regiγo ante­

rior e com uma seta lateral; segmento 2 

sub­retangular maior que o 1, margem 

intema e distal arredondada, com cinco 

setas e dois espinhos. Segmento 1 do 

exopodito em forma de clava, sendo duas 

vezes o comprimento do 2 e trκs do termi­

nal, com um espinho; segmento 2 suboval 

e com uma seta; segmento 3 o menor, 

margens arredondadas e com quatro setas 

e dois espinhos. 

Perna II (Fig. 8) semelhante ΰ 

perna III. Ambos ramos com trκs 

segmentos. Segmento 1 do endopodito 

maior e mais robusto que os outros 

dois  s e g m e n t o s ,  m a r g e m  i n t e r n a 

alarga­se suavemente até a regiγo 

mediana, quando volta ΰ afilar­se, 

voltando ΰ largura inicial na porçγo 

distal e com uma seta; segmento 2 

robusto suboval e com duas setas; 

Tabela 2. Medidas das antenas (variaçγo e média em μ ιη ) de 10 fκmeas adultas de Pindapixara  tarira gen. et sp. n. 

C o m p r i m e n t o  L a r g u r a 

A n t κ n u l a  102 ­ 150(124)  17 ­25(22) 

A n t e n a 

S e g m e n t o 

1  57­85(72)  30­45(38) 

2  85­97(90)  27­37(33) 

3  27­40(30)  15­25(21) 

G a r r a  9 5 ­ 1 3 7 ( 1 1 0 )  10­15(12) 

Pernas (Figs. 7 ­ 10 e Tab. 3) 

providas de setas plumosas; pernas I e IV 

com endopoditos mais longos que os 

exopoditos, perna II e 111 subiguais. Perna 

I (Fig. 7) basipodito com uma pequena 

elevaçγo na margem interna, endopodito 

com dois segmentos e exopodito com trκs. 

Segmento 1 do endopodito sub­retangular 

(8)

3 subquadrado, o menor, mas mais 

largo que o 2 e com cinco setas. 

P e r n a IV  ( F i g . 9)  a m b o s os 

r a m o s com dois  s e g m e n t o s . 

Segmento 1 do endopodito em forma 

de clava, largura anterior medindo a 

metade da posterior e com uma seta; 

segmento 2 suborbicular, robusto e 

com  c i n c o setas.  S e g m e n t o 1 do 

e x o p o d i t o  s u b ­ r e t a n g u l a r e sem 

ornamentaçυes; segmento 2 suborbicu­

lar e com quatro setas. Perna V (Fig. 

10) vestigial, consistindo de uma seta 

simples e uma papila. 

Saco de ovos (Fig. 11 ) com uma 

٥ n i c a série de  o v o s  g r a n d e s que 

variam numericamente, de seis a 15. 

Macho: Desconhecido. 

Etimologia: O nome especνfico 

deriva do Tupi­Guarani, "tarira" = 

trairα, o nome comum do hospedeiro. 

Seu  t a m a n h o é  p r σ x i m o ao das 

espécies do gκnero Brasergasilus 

T h a t c h e r &  B o e g e r , 1983: B. 

jaraquensis Thatcher & Boeger, 1983 

(340 a 410); B. anodus Thatcher e 

Boeger, 1983, (320 a 370) e Β.  oremus 

Thatcher e Boeger, 1984, (420 a 510). 

As espécies da famνlia Vaigamidae: 

Vaigamus spinicephalus Thatcher & 

Robertson, 1984 (461 a 498) na fκmea 

e Gamidactylus jaraquensis Thatcher 

& Boeger 1984, (410 a 470), também 

apresentam tamanhos prσximos aos de 

R tarira (THATCHER & BOEGER, 

1983; 1984a; 1984b; THATCHER & 

ROBERTSON, 1984). 

A antena em P. tarira é ٥nica 

e n t r e todos os  r e p r e s e n t a n t e s da 

famνlia Ergasilidae. Em geral a ordem 

de tamanho entre os segmentos, do 

maior para o  m e n o r é:  s e g u n d o ; 

terceiro; primeiro e a garra (a menor). 

Tabela  3 . Espinhos (algarismos romanos), setas (algarismos arαbicos) das pernas de Pindapixara  tarira gen. et sp. n. 

Exopodito 

P e r n a I I ­ 0, 0 ­ 1. II ­ 5 

Endopodito 

0 ­ 1 , II  ­ 5 

P e r n a II 0 ­ 0, 0, 0 ­ 1, 0 ­ 5  0 ­  1 , 0 ­ 2 , I  ­ 4 

P e r n a III  0 ­ 0 , 0 ­ 1 , 0 ­ 5 

P e r n a IV 0 ­ 0, 0 ­ 4 

0 ­ 1, 0 ­

 2,

 I ­ 4 

0 ­ 1 , 0 ­ 5 

DISCUSSÃO

O  c o m p r i m e n t o total de 

Pindapixara tarira gen. et sp. n. (382 

a 577) é  m e n o r que  t o d o s  o s 

c o p é p o d o s do gκnero Ergasilus, 

descritos para a regiγo Amazônica. 

Nesta espécie o maior é a garra, seguido 

pelo segundo, primeiro e terceiro. Este tipo 

de antena é intermediαrio entre a do gκnero 

Ergasilus, com trκs segmentos, mais a 

(9)

O gκnero Rhinergasilus Boeger 

& Thatcher, 1988 apresenta antena 

muito semelhante ΰ de Pindapixara 

gen. n., com trκs segmentos e a garra 

bem desenvolvida. Mas, difere do 

novo gκnero nos seguintes pontos: o 

m a i o r  s e g m e n t o da  a n t e n a é o 

segundo; quarto e quinto pedνgeros 

s o m i t o s  m e n o r e s ;  p e r n a s IV e V 

reduzidas a setas simples; antκnula con 

c i n c o  s e g m e n t o s ;  p e ç a s  b u c a i s 

diferentes e parasitam fossas nasais de 

Serrasalmus nattereri (Kner, 1860) 

(BOEGER & THATCHER, 1988). 

Bn Pindapixara  g e n . n., 

p r o p o s t o neste trabalho, a antena 

s e g u i u a linha  e v o l u t i v a de 

Abergasilinae (aumento do tamanho 

da garra). Apresenta­se  c o m o um 

gκnero intermediαrio entre Ergasilus 

(Ergasilinae) que é um grupo com o 

m a i o r  n ٥ m e r o de  c a r a c t e r e s 

plesiσmorficos (antena com quatro 

segmentos, garra com tamanho "nor­

m a l " e  c i n c o  p a r e s de  p e r n a s ) e 

Brasergasilus (Abergasilinae) que 

possui vαrios caracteres apomσrficos 

tais como: antena com dois segmentos, 

mais a garra muito desenvolvida, 

tamanho do corpo reduzido e trκs 

pares de pernas. Em Pindapixara a 

antena continua com trκs segmentos, 

a garra é maior que os segmentos e o 

t e r c e i r o  s e g m e n t o é o  m e n o r , 

permanece com cinco pares de pernas 

e o  t a m a n h o  d o  c o r p o é bastante 

reduzido (MALTA, 1992). 

T I D D  ( 1 9 4 2 )  d e s c r e v e u 

Ergasilus iheringi,  c o l e t a d o em 

Campina Grande (7° 16'S e 36° 4'W), 

no Estado da Paraνba regiγo nordeste 

do Brasil dos filamentos branquiais de 

Hoplias malabaricus (o corpo de αgua 

exato onde este material foi coletado 

é desconhecido). MALTA (1992) e 

VARELLA (1992) citaram que os 

copépodos ergasilνdeos apresentam 

vαrios nνveis de especificidade, sendo 

q u e  a l g u m a s  e s p é c i e s  p o d e m 

a p r e s e n t a r alta  e s p c i f i c i d a d e . 

Comparando Pindapixara tarira com 

E. iheringi  v e r i f i c a m o s  q u e sσ 

a p r e s e n t a m em  c o m u m o  m e s m o 

hospedeiro. Esta diferença a nνvel de 

g κ n e r o  e n t r e os  c o p é p o d o s  q u e 

parasitam um mesmo peixe, pode ser 

explicado pelas diferentes histσrias 

geomorfolσgicas das duas regiυes, 

pela ausκncia de ligaçυes recentes 

entre as duas bacias hidrogrαficas e 

pelo parasitismo por Copepoda ser 

mais  r e c e n t e  q u e a  d i s t r i b u i ç γ o 

geogrαfica do hospedeiro. 

Os νndices  q u e  e s t i m a m o 

tamanho da populaçγo de P. tarira sγo: 

prevalκncia 30,0%; intensidade entre 

1 ­ 38 copépodos por peixe: inten­

sidade média 12,0 e abundβncia 4,0. 

Bibliografìa citada

BOEGER. W. Α. ; THATCHER, V. E. 1988.  Rhinergasilus piranhus gen. et sp. n.  (Copepoda: Poecilostomatoida: Erga­silidae)  from the nasal cavities of piranha caju,  Serrasalmus nattereri, in the Central Ama­ zon. Pwc. HebninthoL Soe. Wash., 55(1):87­ 90. 

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(10)

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Imagem

Tabela 1. Medidas (variaçγo e média em μ ιτι ) de 10 fκmeas adultas de Pitukipixara larira geri.  et sp. n.  C o m p r i m e n t o  L a r g u r a  C o r p o  C e f a l o t σ r a x  S o m i t o s I e II  M e t a s s o m o  S o m i t o s  III  IV  V  U r o s

Tabela 1.

Medidas (variaçγo e média em μ ιτι ) de 10 fκmeas adultas de Pitukipixara larira geri. et sp. n. C o m p r i m e n t o L a r g u r a C o r p o C e f a l o t σ r a x S o m i t o s I e II M e t a s s o m o S o m i t o s III IV V U r o s p.6

Referências