AIDS e grau de escolaridade no Brasil:
evolução t emporal de 1986 a 1996
AIDS and le ve l o f e d uc atio n in Brazil:
te mp o ral e vo lutio n fro m 1986 to 1996
1 Coord en ação Nacion al d e DST e AIDS, M in ist ério d a Sa ú d e. Esp la n a d a d os M in ist érios, Bloco G. Ed ifício sed e, sob reloja . Bra sília , DF 70058- 900, Bra sil. 2 Dep artam en to d e In form a ções em Sa ú d e, Cen t ro d e In form a çã o Cien t ífica e Tecn ológica , Fu n d a çã o Osw a ld o Cru z . Av. Bra sil 4365, Rio d e Ja n eiro, RJ 21045- 900, Bra sil.
M a ria Goret t i Fon seca 1 Fra n cisco In á cio Ba st os 2 M on ica D errico 2
Ca rla L. Ta v a res d e An d ra d e 2 Clá u d ia Tra v a ssos 2
Celia La n d m a n n Sz w a rcw a ld 1
Abst ract Th is a rt icle a n a lyz es t h e t em p ora l d ist rib u t ion of rep ort ed AIDS ca ses b y lev el of ed u -ca t ion u sed a s a p rox y v a ria b le for in d iv id u a l socioecon om ic st a t u s. All AIDS -ca ses a ged 20- 69 yea rs a n d rep ort ed t h rou gh M a y 29, 1999, w it h d a t e of d ia gn osis b et w een 1986 1996, w ere in clu d ed in t h e st u d y. In cid en ce rat es w ere calcu lat ed for m en an d w om en accord in g t o lev el of ed -u ca t ion (“lev el 1” -u p t o 8 yea rs of sch oolin g a n d “lev el 2” w it h ov er 8 yea rs of sch oolin g), b y fiv e geogra p h ic region s, a n d b y yea r of d ia gn osis. In cid en ce ra t es for m en w it h less sch oolin g w ere close t o or h igh er t h a n t h ose for m en w it h m ore sch oolin g (p a rt icu la rly in t h e Sou t h ea st region ). For w om en , a t im e series sh ow ed t h a t in cid en ce ra t es in crea sed a t a h igh er ra t e a m on g w om en w it h less sch oolin g in a ll region s of t h e cou n t ry; in t h e Sou t h ea st , t h e in cid en ce ra t e for w om en w it h less sch oolin g w a s a lrea d y grea t er t h a n for w om en w it h m ore sch oolin g by 1989. Accord in g t o t h e p resen t a n a lysis, t h e AIDS ep id em ic in Bra z il b ega n a m on g p eop le from t h e m ore h igh ly ed u ca t ed socia l st ra t a a n d p rogressed st ea d ily t h rou gh t o t h e less ed u ca t ed socia l st ra t a , esp e-cially am on g w om en .
Key words Acqu ired Im m u n od eficien cy Syn d rom e; Ed u cat ion al St at u s; Social st at u s
Resumo Est e t ra b a lh o a n a lisa a ev olu çã o t em p ora l d os ca sos d e AIDS p or gra u d e escola rid a d e com o v a riá v el id en t ifica d ora d o n ív el sócio- econ ôm ico d o ca so. Tod os os ca sos d e AIDS em in d i-v íd u os com id a d es en t re 20 e 69 a n os, n ot ifica d os a t é 29 d e m a io d e 1999, d ia gn ost ica d os en t re 1986 e 1996, foram in clu íd os n o est u d o. As t ax as d e in cid ên cia p ara am bos os sex os foram calcu -la d a s segu n d o d ois gra u s d e esco-la rid a d e – “gra u 1” (ca sos com a t é oit o a n os d e est u d o) e “gra u 2” (com m a is d e oit o a n os d e est u d o) –, p or regiã o e a n o d e d ia gn óst ico. En t re os h om en s, a s t a -x a s d e in cid ên cia d e AIDS p a ra a q u eles com m en or escola rid a d e u lt ra p a ssa m (sen d o m a is ev i-d en t e n a Regiã o Su i-d est e) ou se a p rox im a m i-d a s t a x a s i-d os h om en s com m a ior escola rii-d a i-d e. Pa ra as m u lh eres, a ev olu ção t em p oral d as t ax as m ost rou m aior rit m o d e crescim en t o en t re as m u lh res d e m en or escola rid a d e p a ra t od a s a s regiões, sen d o q u e, n a Su d est e, a s t a x a s en t re a s m u lh res com m en or escolarid ad e u lt rap assa as t ax as d aqu elas com m aior escolarid ad e em an os an t e-riores a 1989. Con clu in d o, a p resen t e a n á lise m ost ra , d e form a con sist en t e, q u e a ep id em ia d e AIDS n o Bra sil se in iciou n os est ra t os socia is d e m a ior escola rid a d e, com p rogressiv a d issem in a -ção p ara os est rat os sociais d e m en or escolarid ad e.
Int rodução
Vários estu d os têm ap on tad o q u e a p osição d o in d ivíd u o n a estru tu ra social con stitu i u m im -p ortan te -p red itor d as su as con d ições d e saú d e, sen d o qu e o p ad rão d e risco ob servad o é con s-ta n te m e n te d e sva n s-ta jo so p a ra o s in d ivíd u o s p erten cen tes aos gru p os sociais m en os p rivile-giad os (Eam es et al., 1993; Mu stard et al., 1997; Sloggett & Josh i, 1998).
Den tre os in d icad ores m ais im p ortan tes p a-ra m en su a-rar o n ível sócio-econ ôm ico associad o à saúde da população, citam -se o n ível de in stru-ção, a ren da e a ocupação (Kun st & Macken bach, 1994a ; So rlie, 1995; Ca irn e y & Ar n o ld , 1998). Ku n st & Macken b ach (1994b ) su gerem q u e essas variáveis têm em com u m o fato d e evid en ciarem a estratificação social: os in divíduos ocu -p am u m a -p osição n a h ierarqu ia social d e acord o co m a su a o cu p a çã o, re n acord a e n íve l e acord u ca -cion al, sen d o q u e cad a u m d esses in d icad ores co b re u m a sp e cto d ife re n te d a e stra tifica çã o social. O n ível ed u cacion al exp ressa d iferen ças en tre p essoas em term os d e acesso à in form a-ção e p ersp ectivas e p ossib ilid ad es d e se b en e-ficiar d e n ovos con h ecim en tos; a ren d a rep rese n ta a n te s d e tu d o o a ce sso a o s b e n s m a te -riais, in clu sive aos serviços d e saú d e; e o statu s o cu p a cio n a l in clu i e sse s d o is a sp e cto s, a lé m d o s b en efício s a d q u irid o s em a lgu m a s p ro fis-sões, tais com o p restígio, p rivilégios e p od er.
Os au tores estab elecem ain d a q u e, em b ora seja p referível exa m in a r to d o s o s in d ica d o res sim u ltan eam en te em vez d e ap en as u m , d e m a-n eira isolad a, o a-n ível ed u cacioa-n al é coa-n sid era-d o co m o o m e lh o r, p o r se r e ste u m in era-d ica era-d o r fácil d e ser ob tid o e ter u m a gran d e im p ortân -cia com o d eterm in a n te d e sa ú d e. Ou tra q u es-tão relevan te é q u e a q u alificação ed u cacion al é p raticam en te in alterável p or tod o o cu rso d a vid a a d u lta (Arb er, 1996) e q u e, p or isso, exce-çã o fe ita a o u so d e sse in d ica d o r e m p e d ia tr ia (qu an d o d oen ças im p ortan tes p od em d eterm i-n ar d ificu ld ad es escolares, em u m p rocesso em cu rso ), tra ta se d e u m in d ica d o r p ra tica m en t e im p erm eá vel à s p erd a s q u e a s d o en ça s im -p õ e m e m te r m o s d e re n d a o u st a t u s, q u e stã o p a rticu la rm e n te re le va n te e m se tra ta n d o d a AIDS, a ssocia d a com u m en te a o p reco n ceito e ao estigm a.
A e sco la rid a d e te m sid o a p o n ta d a co m o im p ortan te d eterm in an te d a situ ação d e saú d e d o in d ivíd u o p or vários au tores (Lu ep ker et al., 1993; Pa p p a s e t a l., 1993; Ma cke n b a ch e t a l., 1997; Gu lliford & Mah ab ir, 1998), sen d o in clu -sive a escolarid ad e d a m ãe im p ortan te p red itor d a m o rta lid a d e d e se u s filh o s (Ma ch a re lli & Oliveira, 1991).
No Bra sil, a in flu ên cia d a esco la rid a d e so b re a s con d ições d e sa ú d e foi evid en cia d a p e -los resu ltad os d a Pesqu isa sob re Pad rões d e Vi-d a (PPV), realizaVi-d a em 1996/ 1997 p ela Fu n Vi-d a-ção In stitu to Brasileiro d e Geografia e Estatísti-ca (IBGE). An alisan d o-se a im p ortân cia d as va-riáveis sócio-econ ôm icas n a p ercep ção do esta-d o esta-d e sa ú esta-d e esta-d e in esta-d ivíesta-d u o s co m vin te a n o s o u m ais, com o an os d e estu d o, ocu p ação e ren d a m e n sa l, o b se r vo u -se q u e a va riá ve l “a n o s d e e stu d o” fo i a se gu n d a m a is re le va n te, a p ó s a id ad e (Fon seca et al., 1999).
No tocan te à in fecção pelo HIV/ AIDS, a id éia d e a n a lisa r a d o en ça p o r u m a p ersp ectiva so -cial, além d as trad icion ais categorias d e exp osição d efin id as a p artir d e com p ortam en tos in -d ivi-d u ais, gan h a im p u lso fu n -d am en tal a p artir d o trab alh o d e Man n et al. (1992). Diversos ou -tros au tores (ver artigos de Bastos & Szwarcwald e d e Parker & Cam argo Jr., n este fascícu lo) vêm an alisan d o d e form a sistem ática as correlações en tre a d ifu são d o HIV/ AIDS e a p au p erização d as com u n id ad es, a ru p tu ra d os laços d e in te-ração social e a d isp on ib ilid ad e d e recu rsos p a-ra as com u n id ad es d o p on to d e vista d a saú d e, h a b ita çã o e p o lítica s p ú b lica s ( Wa lla ce, 1988, 1990).
Ten d o em vista q u e a ep id em ia d e AIDS n o Brasil, ap ós in icialm en te atin gir as m etróp oles, vem ap resen tan d o u m p ad rão d e crescim en to em d ireção a m u n icíp ios cad a vez d e m en or ta-m an h o p op u lacion al (e d e ta-m en or ren d a p er ca-p ita), ju n tam en te com o au m en to do p ap el rela-tivo d a tran sm issão h eterossexu al (Szwarcwald et al., 1997), con jectu ras sob re a p au p erização d a ep id em ia b rasileira têm sid o su gerid as.
In vestigase, n este trabalh o, a evolu ção tem -p oral d os casos n otificad os d e AIDS segu n d o o gra u d e e sco la r id a d e, va riá ve l id e n tifica d o ra d o n ível sócio-econ ôm ico d o caso.
M et odologia
a n á lise, e sta s ca te go r ia s o rigin a is fo ra m re a -gru p a d a s e m trê s ca te go ria s d e e sco la rid a d e : “1o gra u ”, co n stitu íd a p e lo s in d ivíd u o s co m
grau s d e escolarid ad e an alfab eto e en sin o fu n -d am en tal; “2ograu”, p ara en sin o m éd io e en
si-n o su p erio r; “igsi-n o ra d o”, p a ra esco la rid a d e ig-n orad a.
Fo ra m feita s a n á lises, p a ra ca d a sexo e re-gião, d a evolu ção tem p oral d as p rop orções em ca d a ca tego ria d e esco la rid a d e. Devid o à evo lu çã o irregu la r n o tem p o d a p ro p o rçã o d e ca -sos com escolarid ad e ign orad a em cad a região, a lém d a su a gra n d e m a gn itu d e, foi n ecessá rio tratam en to esp ecífico d e tais casos.
Os casos com escolarid ad e ign orad a foram tra ta d o s d e d u a s fo r m a s. Na p rim e ira , fo ra m d istrib u íd o s p ro p o rcio n a lm e n te ta l co m o o s casos com escolarid ad e in form ad a. Na segu n -d a, os casos com escolari-d a-d e ign ora-d a foram reclassificad os através d e u m m od elo logístico d e an álise d iscrim in an te (Hosm er & Lem esh ow, 1989). Tal p roced im en to foi realizad o p or sexo e região, levan d o em con ta a id ad e, categoria d e exp osição, an o d e d iagn óstico, ocu p ação, tem -p o d e so b re vid a a -p ó s d ia gn ó stico e -p re se n ça d as segu in tes d oen ças e/ ou sin ais n o m om en to d a n o tifica çã o : tu b ercu lo se (q u a lq u er fo rm a ), sa rco m a d e Ka p o si, p n e u m o n ia p o r Pn eu m o-cyst is ca rin iie ca q u e xia , co m o b je tivo d e d iscrim in a r o s d o is gru p o s co m esco la rid a d e in -form ad a. A m etod ologia p orm en orizad a d este p roced im en to será ob jeto d e p u b licação esp e-cífica.
A e vo lu çã o te m p o ra l d a s p ro p o rçõ e s d o s casos p or escolarid ad e n as d u as categorias “1o
gra u ” e “2o gra u ”, a p ó s a co rre çã o d o s ca so s
com escolarid ad e ign orad a p or am b os os p ro-ced im en tos, foi avaliad a através d o cálcu lo d as taxas d e variação an u al d as p rop orções d essas ca te go ria s d e e sco la r id a d e, a ju sta d a s p o r re -gressão exp on en cial, com o tem p o, n os p erío-d o s erío-d e, re sp e ctiva m e n te, 1989 a 1996, p a ra o se xo m a scu lin o, e d e 1990 a 1996, p a ra o se xo fe m in in o. Te ste s e sta tístico s fo ra m a p lica d o s aos coeficien tes an gu lares p ara verificar sign i-ficân cias d as ten d ên cias tem p orais.
Pa ra a Regiã o No rte, fo i co n sid era d o o p e-ríod o d e 1991 a 1996, p ara am b os os sexos, em virtu d e d as oscilações d o n ú m ero d e casos n os p rim eiros an os d a ep id em ia n essa região, o qu e p od eria afetar as ten d ên cias estab elecid as.
Para ap reciação d o com p ortam en to tem p ora l d o s risco s p o r esco la rid a d e fo ora m ca lcu la -d as taxas -d e in ci-d ên cia segu n -d o grau -d e escola-rid ad e e sexo, em cad a região, p or an o d e d iag-n óstico. Os p eríod os d e tem p o coiag-n sid erad os fo-ra m o s m e sm o s d e scr ito s p a fo-ra a a n á lise d a s p rop orções.
Os n u m erad ores d as taxas foram con stitu í-d os resp ectivam en te p elos casos agru p aí-d os em “1ograu” e “2ograu”, acrescid os d os casos
origin a lm e n te co m e sco la r id a d e ign o ra d a e re -classificad os p elo m od elo d e an álise d iscrim i-n ai-n te.
Os d en om in ad ores d as taxas d e in cid ên cia foram estim ad os através d os d ad os d o In stitu -to Brasileiro d e Geografia e Estatística. Prim ei-ra m en te, p o r m eio d a s in fo rm a çõ es so b re p o-p u la çã o n o Ce n so De m o grá fico d e 1991 e n a Co n ta ge m d a Po p u la çã o d e 1996, fo ra m e sti-m ad as as p op u lações d e 20 a 69 an os d e id ad e p or sexo e região n o p eríod o d e 1987 a 1996, p or m eio d e in terp olação geom étrica.
Para estim ar as p op u lações d e acord o com a categorização d a escolarid ad e u tilizad a p ara o s ca so s d e AIDS so b a n á lise, la n ço u -se m ã o d a s p rop orções d a p op u la çã o p elo n ú m ero d e a n os d e estu d os q u e con sta va m d o Cen so Dem ográfico d e 1991 corresp on d en tes às d u as ca -tegorias p reviam en te d efin id as. Essas p rop or-ções foram , en tão, ap licadas às p op u laor-ções p rojeta d a s, n o p erío d o d e 1987 a 1996, p a ra a o b -ten ção d os d en om in ad ores.
Pa ra o se gu im e n to te m p o ra l d a e vo lu çã o d a s ta xa s d e in cid ên cia p or ca tegor ia d e esco larid ad e n os p eríod os 19891996 (sexo m ascu -lin o) e 1990-1996 (sexo fem in in o), p roced eu -se d e form a a n á loga à m etod ologia d escrita p a ra a avaliação d o com p ortam en to d as p rop orções n o tem p o.
Result ados
Fo ra m a n a lisa d o s 115.439 ca so s d e AIDS e m p essoas com id ad e en tre 20 a 69 an os, d iagn os-ticad os en tre 1986 e 1996, sen d o 91.978 (79,7%) d o sexo m ascu lin o.
As Tab elas 1a, 1b e 2a, 2b ap resen tam os ca-sos n otificad os d e AIDS p ara os sexos m ascu li-n o e fem ili-n ili-n o, segu li-n d o regiã o d e resid êli-n cia e categoria d e escolarid ad e, p or an o d e d iagn óstico. Nas Tab elas 1a e 1b, os casos com escola -rid ad e ign orad a foram p rop orcion alm en te d is-trib u íd os en tre as d u as categorias com escola-rid a d e in fo r m a d a , e n q u a n to n a s Ta b e la s 2a e 2b, os casos com escolarid ad e ign orad a fora m co rrigid o s a tra vé s d e u m m o d e lo d e a n á lise d iscrim in an te.
Para o sexo m ascu lin o, p erceb ese u m a ten -d ên cia n iti-d a m en te crescen te p a ra a s p ro p o r-ções d e casos classificad os em escolarid ad e “1o
-Tab e la 1a
Distrib uiç ão (% ) d o s c aso s no tific ad o s d e AIDS e m ho me ns d e 20 a 69 ano s d e id ad e p o r g rau d e e sc o larid ad e
e ano d e d iag nó stic o e taxa d e variaç ão anual se g und o as g rand e s re g iõ e s. Brasil, 1989-1996.
Escolaridade Ano de diagnóst ico Taxa de variação p
89 90 91 92 93 94 95 96 anual (%)
Região N ort e
1oG rau – – 43,9 48,6 50,0 51,7 59,4 67,6 8,31 0,002
2oG rau – – 56,1 51,4 50,0 48,3 40,6 32,4 -9,47 0,006
Região N ordest e
1oG rau 36,9 39,9 43,7 47,1 55,2 58,6 59,2 61,4 8,14 0,000
2oG rau 63,1 60,1 56,3 52,9 44,8 41,4 40,8 38,6 -7,39 0,000
Região Sudest e
1oG rau 56,1 57,1 60,3 63,3 63,8 65,2 66,6 69,4 3,03 0,000
2oG rau 43,9 42,9 39,7 36,7 36,2 34,8 33,4 30,6 -4,87 0,000
Região Sul
1oG rau 39,2 47,1 52,9 56,0 60,7 58,7 62,5 65,1 8,54 0,001
2oG rau 60,8 52,9 47,1 44,0 39,3 41,3 37,5 34,9 -8,48 0,000
Região Cent ro-O est e
1oG rau 38,7 40,5 45,7 49,7 58,9 67,4 65,6 63,4 8,96 0,001
2oG rau 61,2 59,5 54,3 50,3 41,1 32,6 34,4 36,6 -8,28 0,001
Brasil**
1oG rau 52,8 54,1 57,2 60,4 62,3 63,5 65,1 67,6 3,64 0,000
2oG rau 47,2 45,9 42,8 39,6 37,7 36,5 34,9 32,4 -5,26 0,000
* O s c aso s c o m e sc o larid ad e ig no rad a fo ram p ro p o rc io nalme nte d istrib uíd o s e ntre aq ue le s c o m e sc o larid ad e info rmad a. ** Inc luíd o s c aso s d a Re g ião No rte d e 1989 e 1990.
Tab e la 1b
Distrib uiç ão (% ) d o s c aso s no tific ad o s d e AIDS e m mulhe re s d e 20 a 69 ano s d e id ad e p o r g rau d e e sc o larid ad e
e ano d e d iag nó stic o e taxa d e variaç ão anual (% ) se g und o as g rand e s re g iõ e s. Brasil, 1990-1996.
Escolaridade Ano de diagnóst ico Taxa de variação anual (%) p
90 91 92 93 94 95 96
Região N ort e
1oG rau – 53,8 72,0 78,4 73,3 74,6 78,2 5,60 0,104
2oG rau – 46,2 28,0 21,6 26,7 25,4 21,8 -10,38 0,095
Região N ordest e
1oG rau 67,2 67,7 62,5 68,6 72,3 70,4 73,7 1,79 0,076
2oG rau 32,8 32,3 37,5 31,4 27,7 29,6 26,3 -3,95 0,055
Região Sudest e
1oG rau 76,8 79,9 77,5 79,4 79,0 78,7 79,0 0,25 0,376
2oG rau 23,2 20,1 22,5 20,6 21,0 21,3 21,0 -0,86 0,406
Região Sul
1oG rau 62,3 67,7 67,5 69,1 66,7 67,7 73,6 3,33 0,003
2oG rau 37,7 32,3 32,5 30,9 33,3 32,3 26,4 -6,11 0,007
Região Cent ro-O est e
1oG rau 50,0 70,8 69,4 73,6 72,8 76,8 77,6 4,44 0,069
2oG rau 50,0 29,2 30,6 26,4 27,2 23,2 22,4 -7,68 0,061
Brasil**
1oG rau 73,6 76,9 75,0 77,0 76,3 76,2 77,4 0,54 0,108
2oG rau 26,4 23,1 25,0 23,0 23,7 23,8 22,6 -1,63 0,111
Tab e la 2a
Distrib uiç ão (% ) d o s c aso s no tific ad o s d e AIDS e m ho me ns d e 20 a 69 ano s d e id ad e p o r g rau d e e sc o larid ad e
e ano d e d iag nó stic o e taxa d e variaç ão anual (% ) se g und o as g rand e s re g iõ e s. Brasil, 1989-1996.
Escolaridade Ano de diagnóst ico Taxa de variação p
89 90 91 92 93 94 95 96 anual (%)
Região N ort e
1oG rau – – 45,0 54,5 57,1 57,9 63,4 71,1 8,15 0,003
2oG rau – – 55,0 45,5 42,9 42,1 36,6 28,9 -10,47 0,003
Região N ordest e
1oG rau 37,4 42,6 46,2 51,4 61,4 63,0 65,6 68,0 9,28 0,000
2oG rau 62,6 57,4 53,8 48,6 38,6 37,0 34,4 32,0 -9,74 0,000
Região Sudest e
1oG rau 59,1 63,0 66,2 67,8 69,2 71,1 72,3 75,0 3,13 0,000
2oG rau 40,9 37,0 33,8 32,2 30,8 28,9 27,7 25,0 -6,22 0,000
Região Sul
1oG rau 36,9 49,1 53,3 59,6 64,0 63,9 68,0 69,9 8,32 0,001
2oG rau 63,1 50,9 46,7 40,4 36,0 36,1 32,0 30,1 -9,50 0,000
Região Cent ro-O est e
1oG rau 42,9 44,1 54,1 59,4 69,7 77,0 74,5 74,8 9,65 0,000
2oG rau 57,1 55,9 45,9 40,6 30,3 23,0 25,5 25,2 -13,32 0,003
Brasil**
1oG rau 54,8 59,0 62,3 65,0 67,8 69,5 71,1 73,4 4,08 0,000
2oG rau 45,2 41,0 37,7 35,0 32,2 30,5 28,9 26,6 -7,11 0,000
* O s c aso s c o m e sc o larid ad e ig no rad a fo ram c o rrig id o s p o r um mo d e lo d e análise d isc riminante . ** Inc luíd o s c aso s d a Re g ião No rte d e 1990.
Tab e la 2b
Distrib uiç ão (% ) d o s c aso s no tific ad o s d e AIDS e m mulhe re s d e 20 a 69 ano s d e id ad e p o r g rau d e e sc o larid ad e
e ano d e d iag nó stic o e taxa d e variaç ão anual (% ) se g und o as g rand e s re g iõ e s. Brasil, 1990-1996.
Escolaridade Ano de diagnóst ico Taxa de variação anual (%) p
90 91 92 93 94 95 96
Região N ort e
1oG rau – 46,7 74,1 78,0 81,0 77,8 80,2 8,61 0,103
2oG rau – 53,3 25,9 22,0 19,0 22,2 19,8 -14,69 0,070
Região N ordest e
1oG rau 71,1 73,8 71,3 72,5 77,6 75,5 77,7 1,42 0,025
2oG rau 28,9 26,2 28,7 27,5 22,4 24,5 22,3 -4,04 0,025
Região Sudest e
1oG rau 82,2 83,5 81,7 82,7 82,3 82,0 83,0 0,002 0,991
2oG rau 17,8 16,5 18,3 17,3 17,7 18,0 17,0 0,003 0,997
Região Sul
1oG rau 70,8 75,0 70,4 74,5 71,6 74,0 77,7 0,96 0,171
2oG rau 29,2 25,0 29,6 25,5 28,4 26,0 22,3 -2,69 0,165
Região Cent ro-O est e
1oG rau 70,5 83,0 72,2 78,1 81,9 82,9 82,4 2,15 0,106
2oG rau 29,5 17,0 27,8 21,9 18,1 17,1 17,6 -6,82 0,118
Brasil**
1oG rau 79,8 81,4 79,2 80,6 80,4 80,3 81,6 0,19 0,373
2oG rau 20,2 18,6 20,8 19,4 19,6 19,7 18,4 -0,79 0,377
lh eres, d esd e o in ício d a série tem p oral, as p ro-p o rçõ e s n o gru ro-p o d e m e n o r gra u d e e sco la rid a rid e já u ltra p a ssa va m o va lo r rid e 70% e a p re -sen tavam u m com p ortam en to, n o p eríod o, d e estab ilid ad e.
En tre o s ca so s d o se xo m a scu lin o cla ssifi-cad os em escolarid ad e “1ograu”, as taxas d e
varia çã o a n u a l fo ra m p o sitiva s e sign ifica tiva -m en te d iferen tes d e zero, p ara tod as as regiões, in d ep en d en te d o m étod o u tilizad o p ara aloca-çã o d o s ca so s co m e sco la r id a d e ign o ra d a . A m e n o r ta xa d e va ria çã o fo i o b se r va d a n a Re -giã o Su d e ste. As ta xa s d e va ria çã o a n u a l p a ra a s p rop orções d e ca sos cla ssifica d os em esco -larid ad e “2ograu”, com p lem en tares às p rim
ei-ras, foram n egativas e sign ificativam en te d ife-ren tes d e zero.
Pa ra o se xo fe m in in o, n ã o fo i o b se r va d a q u a lq u e r d ife re n ça sign ifica tiva n a s ta xa s d e variação an u al p ara am b as as categorias d e es-colarid ad e estu d ad as em n en h u m a d as regiões, com exceção d a Região Nord este, qu e ap resen -to u te n d ê n cia s d e va ria çã o sim ila re s à q u e la s ob servad as p ara o sexo m ascu lin o, ao u tilizar-se o m od elo d iscrim in an te.
As d iferen ça s o b ser va d a s a p a rtir d o s p ro -ced im en tos qu e con stam d as Tab elas 1a, 1b, 2a e 2b foram p ou co exp ressivas. O m od elo d iscri-m in a n te a lo co u iscri-m a is ca so s n a ca te go r ia “1o
grau” d o q u e n a “2ograu”, p ara am b os os sexos
e tod as as regiões d o p aís.
As taxas d e in cid ên cia d e AIDS p ara in d ivíd u os com 2069 an os ivíd e iivíd aivíd e segu n ivíd o catego -ria d e e sco la r id a d e p o r re giã o e a n o d e d ia g-n óstico p ara os sexos m ascu lig-n o e fem ig-n ig-n o são ap resen tad as n a Tab ela 3 (a e b ).
Para o Brasil, con tata-se qu e, em 1989, p ara os h om en s, a razão en tre as taxas d e in cid ên cia d e AIDS em cad a categoria d e escolarid ad e era m aior d o qu e 2, com risco m aior en tre os casos d e “2ograu”. A evolu ção d e crescim en to d as
txas d e in cid ên cia p ara aqu eles com escolarid a-d e a-d e “1ogra u”, d iferen tem en te d o co m p o rta
-m e n to a p re se n ta d o p e la s ta xa s d e in cid ê n cia d os casos com escolarid ad e “2ograu”, faz com
qu e a razão en tre as taxas d e in cid ên cia p or es-co la rid a d e se to r n e p ró xim a d e 1 e m 1996. A evolu ção d as taxas d e in cid ên cia p ara aq u eles co m esco la rid a d e d e “2ogra u ” o b ed ece à ten
-d ên cia in icial -d e aclive, segu i-d a -d e -d eclive gra-d u al ap ós 1992. As taxas gra-d e variação an u al cor-rob oram esses ach ad os, já q u e foram sign ifica-tiva m e n te d ife re n te s d e ze ro n o gru p o d e “1o
grau” e n ão sign ificativas n o gru p o d e “2ograu”.
Ch a m a m a te n çã o a s e le va d a s ta xa s d e va -ria çã o a n u a l ob serva d a s n a s regiões Su l (30%) e Ce n tro -Oe ste (28%) e n tre o s ca so s m a scu li-n o s co m gra u d e esco la rid a d e “1ogra u ”. A
Regiã o Su l fo i a ú n ica q u e registro u ta m b ém a u -m e n to re la tivo sign ifica tivo e n tre o s ca so s d e “2ograu”.
Para o sexo fem in in o, o com p ortam en to d as ta xa s d e in cid ê n cia d e AIDS p o r e sco la rid a d e se d iferen cia d a q u ele en co n tra d o p a ra o sexo m ascu lin o. Em p rim eiro lu gar, as taxas d e in ci-d ên cia, ci-d esci-d e o in ício ci-d a série, são m ais eleva-d as n a categoria “1ograu”. Além d isso, as taxas
d e in cid ê n cia e m a m b a s a s ca t e go r ia s d e e s-co la rid a d e a p re se n ta m in cre m e n to a n u a l d e ap roxim ad am en te 25%, ao lon go d o p eríod o es-tu d a d o. As d iferen ça s region a is sã o evid en tes. De form a sem elh an te ao ob ser vad o p ara os ca-sos m ascu lin os, a Região Su l é a q u e ap resen ta as m aiores taxas d e variação an u al p ara os d ois gru p o s d e e sco la r id a d e. Na s Re giõ e s No rte, No rd e ste e Ce n tro -Oe ste, a ta xa d e va ria çã o a n u a l é m a io r e n tre a s m u lh e re s co m m e n o r n ível d e in stru ção.
A visu a liza çã o d o co m p o rta m en to tem p o -ral d as taxas d e in cid ên cia d e AIDS p or grau d e escolarid ad e n as d iferen tes regiões é ap resen -tad a n a Figu ra 1.
En tre os casos m ascu lin os, a Região Su d es-te ap resen ta u m p ad rão p ecu liar, n o qu al as ta-xas d e in cid ên cia d e AIDS referen tes à catego-ria “1ogra u ” u ltra p a ssa m , a p a r tir d e 1994, a s
taxas relativas à categoria “2ograu”. As d em ais
ap resen tam ten d ên cia n o sen tid o d e evolu ir em a lgu n s a n os p a ra p a d rã o sim ila r, já q u e se ob -serva u m a red u ção p rogressiva n as razões en tre as taxas d e in cid ên cia p or escolarid ad e. Para o sexo fem in in o, as cu rvas q u e d escrevem a evo-lu ção tem p oral d as taxas d e in cid ên cia p or escolarid ad e m ostram m aior ritm o d e crescim en -to e n tre a s m u lh e re s d e m e n o r e sco la r id a d e p ara tod as as regiões, com exceção d a Su d este. O p a d rã o ob ser va d o n a s regiões Norte, Su l e Ce n tro -Oe ste m o stra q u e a s cu r va s p a ra a s m u lh eres com escolarid ad e m ais b aixa acab am p or u ltrap assar as d as m u lh eres com m aior in s-tru çã o. Na Re giã o No rd e ste, a té o ú ltim o a n o d o p erío d o a n a lisa d o, n ã o se o b serva esse p a-d rão, em b ora se p erceb a u m a ten a-d ên cia n esse sen tid o. A Região Su d este, ap esar d e, n o p eríod o 19901996, te r a p re se n ta eríod o cu rva s p a ra le -las, com taxas su p eriores p ara os casos classifi-ca d o s n o “1ogra u ”, registro u co m p o rta m en to
Tab e la 3a
Taxas d e inc id ê nc ia d e AIDS (p o r 100.000) e m ho me ns d e 20 a 69 ano s d e id ad e p o r g rau d e e sc o larid ad e
e ano d e d iag nó stic o e taxas d e variaç ão anual (% ) se g und o as g rand e s re g iõ e s. Brasil, 1989-1996.
Escolaridade Ano de diagnóst ico Taxa de variação p
89 90 91 92 93 94 95 96 anual (%)
Região N ort e**
1oG rau – – 2,67 4,65 5,20 6,77 7,86 9,77 26,87 0,001
2oG rau – – 14,94 17,77 17,88 22,62 20,81 18,26 5,01 0,173
Região N ordest e
1oG rau 2,32 3,12 4,56 6,05 7,57 8,47 8,85 10,56 20,92 0,001
2oG rau 19,42 21,00 26,47 28,50 23,76 24,83 23,16 24,80 0,33 0,875
Região Sudest e
1oG rau 19,88 28,40 36,65 46,08 49,86 52,19 52,79 54,62 10,63 0,041
2oG rau 32,71 39,61 44,53 52,06 52,69 50,33 48,22 43,35 1,42 0,531
Região Sul
1oG rau 3,10 7,13 11,58 14,67 20,24 22,90 26,82 30,19 25,99 0,000
2oG rau 16,21 22,48 30,86 30,30 34,67 39,50 38,48 39,62 8,97 0,005
Região Cent ro-O est e
1oG rau 3,82 5,61 12,09 17,07 19,38 24,27 29,29 25,85 27,00 0,005
2oG rau 15,86 22,41 32,49 37,41 27,20 23,72 33,11 29,02 1,28 0,751
Brasil
1oG rau 10,09 14,70 19,86 25,24 28,32 30,37 31,73 33,37 17,58 0,001
2oG rau 25,52 31,30 36,91 41,69 41,22 40,80 39,62 36,97 4,95 0,056
* O s c aso s c o m e sc o larid ad e ig no rad a fo ram c o rrig id o s p o r um mo d e lo d e análise d isc riminante . ** O s c aso s d a Re g ião No rte so me nte fo ram analisad o s p ara o p e río d o 1991-1996.
Tab e la 3b
Taxas d e inc id ê nc ia d e AIDS (p o r 100.000) e m mulhe re s d e 20 a 69 ano s d e id ad e p o r g rau d e e sc o larid ad e
e ano d e d iag nó stic o e taxas d e variaç ão anual (% ) se g und o as g rand e s re g iõ e s. Brasil, 1990-1996.
Escolaridade Ano de diagnóst ico Taxa de variação anual (%) p
90 91 92 93 94 95 96
Região N ort e**
1oG rau – 0,41 1,12 1,73 2,67 2,82 3,74 50,38 0,005
2oG rau – 1,79 1,51 1,87 2,40 3,09 3,54 18,06 0,007
Região N ordest e
1oG rau 0,67 1,13 1,51 1,93 2,21 2,61 3,75 29,30 0,000
2oG rau 1,09 1,60 2,41 2,92 2,54 3,37 4,29 22,38 0,001
Região Sudest e
1oG rau 5,77 8,29 12,26 15,13 16,17 18,31 21,12 22,88 0,001
2oG rau 2,98 3,91 6,55 7,55 8,28 9,57 10,32 22,88 0,001
Região Sul
1oG rau 1,48 3,21 4,30 6,45 7,50 9,90 13,26 39,79 0,000
2oG rau 1,82 3,19 5,39 6,58 8,87 10,36 11,38 34,72 0,001
Região Cent ro-O est e
1oG rau 1,82 4,42 4,28 6,04 9,49 8,93 12,14 32,58 0,001
2oG rau 1,83 2,20 4,01 4,17 5,21 4,58 6,52 21,90 0,002
Brasil
1oG rau 3,09 4,75 6,80 8,64 9,60 10,99 13,31 25,73 0,000
2oG rau 2,25 3,13 5,14 5,97 6,72 7,77 8,65 24,48 0,001
Discussão
A p resen te an álise m ostra, d e form a con sisten -te, q u e a ep id em ia d e AIDS n o Brasil se in iciou n os estratos sociais d e m aior escolarid ad e, com p ro gressiva d issem in a çã o p a ra o s estra to s so-cia is d e m en o r esco la rid a d e. Esse fa to fo i evi-d en ciaevi-d o tan to p ela variação n a p rop orção evi-d e casos com o p elas taxas d e in cid ên cia, em tod as as regiões d o p aís, p ara am b os os sexos.
As p ro p o sta s d e a n á lise d a e p id e m ia d e AIDS n o Brasil qu e ten tam in corp orar a escola-rid a d e a té h o je d esen vo lvid a s se vira m à s vo l-tas com as d ificu ld ad es d ecorren tes d a gran d e p rop orção d e casos com escolarid ad e ign orad a (ve r o s d ive rso s a rtigo s co ligid o s e m CNDST/ AIDS, 1997). Ne sse se n tid o, p ro ce d e u -se n o p resen te tra b a lh o a u m a a n á lise d iscrim in a n -t e d o s ca so s co m esco la rid a d e in fo rm a d a q u e p erm itiu reclassificar os casos com escolarid a-d e ign ora a-d a e ca lcu la r ta xa s a-d e in cia-d ên cia p or grau d e in stru ção.
Pô d e -se p e rce b e r q u e, d ife re n te m e n te d e algu m as su p osições corren tes, o risco a qu e es-tã o exp o sto s o s in d ivíd u o s d o sexo m a scu lin o d e m aior escolarid ad e ain d a é su p erior àq u ele o b se r va d o n o s in d ivíd u o s d e m e n o r e sco la ri-d a ri-d e, co m a exceçã o ri-d a Regiã o Su ri-d este, o n ri-d e tem lu gar a ep id em ia m ais an tiga d o p aís (Min isté rio d a Sa ú d e, 1999), e (Min a Re giã o Ce (Min tro -Oeste, o n d e o s d o is gru p o s a p resen ta m risco s com p aráveis. Já p ara o sexo fem in in o, o qu ad ro é claram en te d istin to, com m aior risco en tre as m u lh e re s d e m e n o r e sco la rid a d e, n a s re giõ e s Su d este e Cen tro-Oeste, risco, grosso m od o, si-m ilar en tre as d u as categorias d e escolarid ad e n as regiões Norte e Su l, e risco am p liad o en tre as m u lh eres com m aior escolarid ad e n a Região Nord este.
Leva n d o em con ta a n á lise a n terior q u e in -co rp o ra a e s-co la rid a d e a o e stu d o d a s ca te go-rias d e exp osição (Fon seca & Castilh o, 1997), é p ossível in ferir q u e o d eclín io n a p a rticip a çã o p rop orcion al d a categoria d e tran sm issão “h o-m ossexu al” (ver artigo de Szwarcwald et al., n es-te fascícu lo) – on d e foram ob servad as m aiores p rop orções d e casos en tre p essoas com m aior e sco la rid a d e – e stá a sso cia d o a o d e clín io d a p articip ação p rop orcion al d os casos en tre p es-so a s co m m a io r e sco la r id a d e, e sp e cia lm e n te n o Su d este.
Esta h ip ótese é reforçad a p ela con statação d e q u e n o s ca so s fem in in o s, o n d e a tra n sm issão h eterossexu al é p red om in an te, ob servam -se taxas elevad as d e in cid ên cia d e AIDS p ara a categoria d e m ais b aixa in stru ção.
Ou tro fa to r q u e p a re ce te r in flu íd o n o in -crem en to d o s ca so s registra d o s en tre a q u eles Fig ura 1
Taxas d e inc id ê nc ia d e AIDS (p o r 100.000) p ara ind ivíd uo s d e 20 a 69 ano s
d e id ad e se g und o g rand e re g ião *, se xo ** e g rau d e e sc o larid ad e *** p o r ano
d e d iag nó stic o . Brasil, 1989-96.
0,1 1 10 100
fe minino 2º g rau fe minino 1º g rau masculino 2º g rau masculino 1º g rau
96 95 94 93 92 91
Região N orte
Região N ordeste
0,1 1 10 100
96 95 94 93 92 91 90 89
fe minino 2º g rau fe minino 1º g rau masculino 2º g rau masculino 1º g rau
Região Sudeste
1 10 100
96 95 94 93 92 91 90 89
fe minino 2º g rau fe minino 1º g rau masculino 2º g rau masculino 1º g rau
d e m e n o r e sco la r id a d e n a s re giõ e s Su d e ste e Su l, esp ecialm en te en tre 1989 e 1992, foi o au -m en to d a p articip ação p rop orcion al d a catego-ria d e exp osição “u su ário d e d rogas in jetáveis”, q u e, segu n d o a su p racitad a an álise d e Fon seca & Castilh o (1997), p erten cem , m ajoritariam en -te, a estratos d e escolarid ad e m ais b aixa.
O tra b a lh o co rro b o ra a ch a d o s d e e stu d o s a n te rio re s q u e su b lin h a m a h e te ro ge n e id a d e d a ep id em ia n o Brasil (Bastos & Barcellos, 1995; Ba rce llo s & Ba sto s, 1996; Szwa rcwa ld e t a l., 1997; Szwa rcwa ld e t a l., 1998). Os re su lta d o s d essa an álise in d icam q u e a ep id em ia d e AIDS n a Região Su d este, p or ser m ais an tiga e exten sa , a p re se n ta se e m fa se m a is a va n ça d a , e n -q u an to as regiões Su l e Cen tro-Oeste, em u m a situ a çã o in te r m e d iá ria . Na s re giõ e s No rte e No rd e ste, a s ta xa s d e in cid ê n cia s m a is b a ixa s em m a gn itu d e e o s va lo res m a is a lto s n a s p o -p u lações de m aior escolaridade ex-p ressam u m a fase in icial d a ep id em ia.
Ain d a q u e recon h ecen d o a n ecessid ad e d e u tilização con ju n ta d e in d icad ores d iversos p a-ra u m a m en su a-ração m ais p recisa d o statu s só-cio -eco n ô m ico d o s ca so s d e AIDS em a n á lise, ca b e p o n d era r q u e a esco la rid a d e está m en o s su je ita à s in flu ê n cia s d a e vo lu çã o d a p ró p r ia in fecção sob re o acesso ao em p rego ou p rop orção d os gastos com saú d e n o con ju n to d a ren -d a in -d ivi-d u al e fam iliar (Kass et al., 1994).
Além d isso, h á u m a relevan te su p erp osição cro n o ló gica e n tre a e p id e m ia d e AIDS e a s tra n sfo rm a çõ e s d o ca p ita lism o e m ge ra l e d o m odelo econ ôm ico brasileiro em p articu lar (ver artigo d e Parker & Cam argo Jr. n este fascícu lo), com u m p rocesso, em cu rso, d e p rofu n d a rees-tru tu ração d o m ercad o d e trab alh o e au m en to d o d e se m p re go, co m re p e rcu ssõ e s ó bvia s so -b re a estru tu ra ocu p acion al d o p aís e d a fração d a ren d a n acion al p erceb id a p or cad a u m a d as d iferen tes ca tego ria s o cu p a cio n a is. Po rta n to, ain d a q u e seja p ossível tratar, d e form a sim ilar a q u e fize m o s p a ra a e sco la r id a d e, o s d a d o s con stan tes d as fich as d e n otificação referen tes à ocu p ação, h á q u e se ter cau tela ao lid ar com u m in d ica d o r m u ito m e n o s e stá ve l, ta n to d o p on to d e vista in d ivid u al com o m acro-econ ô-m ico.
En tre a s lim ita ções d o p resen te estu d o, ci-ta-se b asicam en te o u so d e d ad os secu n d ários, qu e, em an álises ep id em iológicas, p od e d ar ori-gem a erros p ela variação d os critérios d e d efi-n ição d e caso ao loefi-n go d a série tem p oral, p ela m á q u alid ad e d o p reen ch im en to d as in form a-ções, além d o su b en u m eração d os casos d e fto ocorrid os (Brookm eyer & Gail, 1994). Os d a-d os aqu i u tilizaa-d os foram forn ecia-d os p ela Coor-d en ação Nacion al Coor-d e DST e AIDS Coor-d o Min istério
d a Sa ú d e, resp o n sá vel ta n to p ela sistem a tiza -çã o d a s n o tifica çõ es co m o p ela p a d ro n iza -çã o d a d efin ição d e caso d e AIDS, e ab ran geram so-m en te até o an o d e 1996 p ara d iso-m in u ir o efeito d o atraso d e n otificação.
Qu an to à q u alid ad e d o p reen ch im en to d as in form ações relativas aos casos em estu d o, p ar-ticu la rm en te n o ca so d esta in vestiga çã o, ca b e ob servar qu e a elevad a p rop orção d e “in form a-çã o ign o ra d a” n o ca m p o “e sco la rid a d e” p o d e a ca rre ta r vício s n a s a n á lise s d a s te n d ê n cia s tem p orais, com p rom eten d o os resu ltad os. Prcu rou -se con torn ar essa lim itação, u tilizan d o-se u m m od elo d iscrim in an te p ara correção d as in form ações ign orad as.
Região Sul
1 10 100
96 95 94 93 92 91 90 89
fe minino 2º g rau fe minino 1º g rau masculino 2º g rau masculino 1º g rau
Região Centro-Oeste
1 10 100
96 95 94 93 92 91 90 89
fe minino 2º g rau fe minino 1º g rau masculino 2º g rau masculino 1º g rau
Fig ura 1 (c o ntinuaç ão )
Ou tra lim ita çã o co m q u e se d e p a ra m o s q u e an alisam os d ad os referen tes à escolarid a-d e refere-se às a-d ificu la-d aa-d es referen tes às cate-gorizações d os grau s d e escolarid ad e u tilizad as n o b an co origin al, com o a n ão esp ecificação d a série efetivam en te com p letad a d o en sin o fu n -d a m e n ta l (1ogra u ) e a flu tu a çã o a o lo n go d a
série sob an álise d os critérios d e classificação, o q u e fe z co m q u e tivé sse m o s d e re u n ir e m u m a ú n ica ca tego ria to d o s o s in d ivíd u o s co m e sco la rid a d e d e a té 8 a n o s d e e stu d o, ce rta -m en te con trib u in d o p ara a b aixa sen sib ilid ad e d esse in d icad or com o m en su rad or d e p ob reza, p rin cip a lm en te em u m p a ís co m gra n d e co n -ce n tra çã o d e p e sso a s q u e n ã o tê m o 1o gra u
com p leto, p or cau sa, en tre ou tros fatores, d e n í-veis m u ito elevad os d e evasão escolar n as p ri-m eira s séries d o en sin o fu n d a ri-m en ta l (Sa b o ia , 1998).
Ap e sa r d a s lim ita çõ e s im p o sta s p e la u tili-za çã o d e d a d o s se cu n d á r io s, é n o tó r io q u e a e p id e m ia d e AIDS ve m a tin gin d o p a u la tin a -m en te p op u lações e-m d esvan tage-m sócio-eco-n ôm ica. Em u m p aís m arcad o p elas d iferesócio-eco-n ças sociais, o risco crescen te d e p essoas p erten cen -tes a os segm en tos p op u la cion a is m en os fa vrecid os an te o HIV/ AIDS certam en te lan ça n ovos d esafios à socied ad e e aos p rofission ais en -gajad os n o con trole d a d oen ça. As m ed id as d e p reven ção d evem con tem p lar, d e form a cu ltu -ralm en te sen sível, gru p os p op u lacion ais d e to-d as as regiões to-d o p aís, com to-d iferen tes grau s to-d e acesso aos serviços e en gajam en to n as in stân cias d a socied ad e civil organ izad a, e, certam en -te, com d istin tos n íveis d e com p reen são e p er-cep ção d e su a vu ln erab ilid ad e d ian te d o HIV/ AIDS, e d iferen tes p ossib ilid ad es d e p articip ar e in flu ir n essas e n as d em ais p olíticas p ú b licas e m ovim en tos sociais.
Fig ura 2
Taxas d e inc id ê nc ia d e AIDS (p o r 100000) p ara ind ivíd uo s d e 20 a 69 ano s d e id ad e se g und o se xo
e g rau d e e sc o larid ad e * p o r ano d e d iag nó stic o . Re g ião Sud e ste , 1989-96.
fe minino 2º g rau fe minino 1º g rau masculino 2º g rau masculino 1º g rau
0,1 1 10 100
96 95 94 93 92 91 90 89 88 87 86
* O s c aso s c o m e sc o larid ad e ig no rad a fo ram c o rrig id o s p o r um mo d e lo d e análise d isc riminante .
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