An. Soc. Entomol. Brasil 27(4) 645 Dezembro, 1998
COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA
Dados Biológicos de
Podisus
nigrispinus
(Dallas) Alimentado com a
Lagarta do Maracujazeiro
Dione
juno
juno
(Cramer)
LUCIANO A. MOREIRA1, JOSÉ C. ZANUNCIO1E ADRIÁN J. MOLINA-RUGAMA1
1Departamento de Biologia Animal, Universidade Federal de Viçosa. 36571-000,
Viçosa, MG. E-mail: [email protected]
An. Soc. Entomol. Brasil 27(4): 645-647 (1998)
Biological Data of Podisus nigrispinus (Dallas) Fed Dione juno juno (Cramer) Larvae
ABSTRACT - Survival and life cycle of Podisus nigrispinus (Dallas) (Heteroptera: Pentatomidae) fed Dione juno juno (Cramer) (Lepidoptera: Heliconiidae) larvae were studied at 25 ± 2°C, 65 ± 10% RH and 12 h D:L. Duration of egg stage and of 1st, 2nd, 3rd, 4th and 5th stadia was 4.0; 4.0; 4.9; 4.7; 4.8 and 5.8 days, respectively. Survival from 1st instar to adult stage was 67%. The predator took 28 days and the prey 33 days to complete the life cycle.
KEY WORDS: Insecta, Heteroptera, biological control, passiflora pest, preda-tor.
O Brasil é considerado o principal produtor mundial de maracujá com área plantada de, aproximadamente, 15000 hec-tares basicamente de uma única espécie, o maracujá amarelo (Passiflora edulis f. flavicarpa Deg.) (Ruggiero 1991), que apresenta problemas regionais responsáveis pela sua baixa produtividade (Oliveira & Ferreira 1991). Insetos, ácaros e nematóides podem causar queda de produção e, até mesmo, morte de plantas (Brandão et al. 1991), destacando-se a lagarta Dione juno juno (Cramer) (Lepidoptera: Heliconiidae), considerada praga chave da cultura (Gravena 1987), causando desfolhamento às vezes completo.
Como a produção de frutos do maracujá depende de fecundação cruzada e entomófila, a qual pode ser prejudicada pela aplicação de produtos químicos, estudos relacionados à bioecologia de percevejos predadores, visando a sua utilização para o controle
biológico de pragas, tornam-se cada vez mais importantes. Assim, o objetivo deste trabalho foi avaliar o desenvolvimento ninfal de Podisus nigrispinus (Dallas) (Heteroptera: Pentatomidae), em D. juno juno, visando a sua liberação para o controle desta lagarta, e a conseqüente redução do uso de inseticidas químicos no maracujazeiro.
O estudo foi realizado no Laboratório de Entomologia Florestal, da Universidade Fed-eral de Viçosa (UFV), Minas Gerais, à 25 ± 2°C, 65 ± 10% UR e fotofase de 12 hs. Cerca de 30 ninfas de 2o estádio de P. nigrispinus
foram individualizadas em placas de Petri e alimentadas diariamente com lagartas, de 2o
ao 4o estádios, de D. juno juno, coletadas em
646
dos adultos emergidos de P. nigrispinus. A duração do 1o ao 5o estádios foi de 4,0;
4,9; 4,7; 4,8 e 5,8 dias, respectivamente, o que foi semelhante aos valores encontrados por diversos autores, com outras presas utilizadas na criação de P. nigrispinus. Zanuncio et al. (1990) obtiveram, para esses mesmos estádios, 4,0; 4,6; 4,4; 4,4 e 6,7 dias com Musca domestica L. e 4.0; 4,6; 4,2; 3,4 e 6,0 dias com larvas de Bombyx mori L. Zamperline et al. (1992) encontraram 3.0; 3,5; 3,5; 4,2 e 5,3 dias com larvas de Tenebrio molitor L. e Saini (1994), com larvas de Rachiplusia nu (Guennée), obteve 3,5; 4,4; 3,5; 3,3 e 6,9 dias. No entanto, em todos esses estudos a duração do 5o estádio foi maior que
a encontrada, o que poderia indicar uma melhor adaptação de P. nigrispinus à lagarta D. juno juno. A duração semelhante dos demais estádios indica a adaptação desse predador às diferentes presas, mas a menor duração em larvas de T. molitor pode ser devido ao maior teor de proteína (6% a mais), desta presa, do que o encontrado nas lagartas em geral (Southwood 1973).
A largura da cabeça ao nível dos olhos de P. nigrispinus do 2o ao 5o estádios foi de 0,80;
1,03; 1,42 e 1,97 mm, respectivamente, mostrando maior taxa de crescimento nos estádios iniciais desse predador. No entanto, entre o 4o e 5o estádios a taxa de aumento da
largura da cabeça foi menor, mostrando que o esforço de crescimento, possivelmente, pode ter sido dirigido para o acúmulo de reservas para a fase adulta (Zanuncio et al. 1996/97). A razão sexual foi de 0,33, ou seja, de duas fêmeas para cada macho o que, provavelmente, faria com que a população de predadores aumentasse na 2a geração. Por
outro lado, a sobrevivência de P. nigrispinus, de 67%, ao final do 5o estádio mostra que esse
percevejo consegue desenvolver-se e atingir o estágio adulto, mostrando condições de sobrevivência em lagartas de D. juno juno. O’Neil & Wiedenmann (1987) e O’Neil (1988a,b) observaram que o predador Podisus maculiventris (Say), conseguiu manter-se em soja [Glycine max (L.) Merr.], mesmo com baixas populações da presa natural Epilachna
varivestis Mulsant predando de 0,4 a 0,5 lar-vas/dia.
Considerando que o ciclo médio de ovo a adulto de P. nigrispinus foi de 28 dias e o da lagarta D. juno juno foi de 33 dias, o percevejo pode desenvolver-se à partir do início do ciclo dessa espécie, com máxima utilização da presa quando esta estiver nos seus últimos estádios, quando as necessidades nutricionais das ninfas do predador forem máximas. No entanto, sugere-se estudos mais detalhados da história de vida desse percevejo, em D. juno juno, para poder validar o mesmo como controlador biológico desta praga.
Agradecimentos
À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), pelas bolsas e auxílios concedidos.
Literatura Citada
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