ReBEn, 36 : 25-28 , 1 983
PREVENÇÃO DE ESCARA DE DECÚBITO : AVALIAÇÃO DE PROGRAMA DE TREINAMENTO
Mria Goretti ngrten * Crlos lberto Montero osta * * J uieta Brail Bloch * *
ReBEn/04 ANGARTEN, M.G. e Colaboradores - revenção de Escra de Decúbito : Avaliação de Prorama de Treinamento. R v. Bras. Ef. : s, 36 : 25-28 , 1983.
INTRODUÇÃO
Os temas relcionados à preenço de ecaa de dcúbito so cusa de rande contovérsia, fato que pode ser coundo pela fata de uniformidade de cuidados de prevenção de ecra de dcú bito na maoria dos hopitais, ou mesmo em uma unidade de internção, e pelo númeo de publicações ugerindo novos métodos e procedmentos de prevenção de ecra de decúbit04 ; porém a incidência de ecra de decúbito, por mutas vezes encrada como medida de qualidade do Servço de Enferma gem 3, 1 3 , é um ndice vriável dependendo das cracterísticas do gupo de pcientes estudado.
WILLIAMS1 ' encontrou a incidência de ecra de 2,69% em 26 pcientes não mbulntes om afecço grae. Pacientes grátrcos foam estudados por NORTON1 2 e 20% deles desenvolverm ecra durante a internço. LOWTHIAN1 1 , em estudo de prevlência de ecra de decúbito, encon trou 7 % de 1 86 pcientes de um hosptal ortopédico com escras de deúbto. LOWTHIAN9 , tamém etudou pcientes de unidades geriátriCs e mosrou que 4 2 ,0% dos pcientes intendos que pema ncim sentados desenvolverm ecra de dcúbto nas nádgas. RUBIN e col1 4 ralzrm um trba lho retropectivo em um hopital geral, encontrndo dentre 18000 pcientes admitidos a incidência de 1 ,46 % IRVNE7 estudou pcientes incontinentes e em 28,0% deles escra estava preente. O etudo de SPENCE e col1 5 reela que as ecras de dcúbito ocorrem em apromdamente 80,0 % dos pcentes om :ão de couna epinal e em 10% a 1 5 % dos outos pcentes retritos o leto. GERSON' relata a incdência de ecra de 2,69% em pcientes de hoptal de afecções gudas. ANGARTEN e col1 estu drm pcientes submetidas a tratamento radotrápico na modalidade de radiomoldgem por neopla sia uterina que pós três dias de tatamento a incidência de ecra foi de, 52,4 %.
No Hopital Osaldo Cuz (HOC), a incidência de ecra de dcúbto medida em um dia do mês de bril de 1982 foi de 14,6 %2 , sgundo o crtério de classificção de escra de RUBIN e col.1 4. Este Índice é rias vezes maior que os relatados por RUBIN e col1 4 e GERSON'. Este achdo tornou ncesria medida que ntensificase os esfoços pra preenço de ecra de decúbito . A solução po pota em runião do Serço de Enfemagem foi a de que se rezsse pogrma de treinmento com a colaboração dos isoterapeutas sobre a técnica de mudança de dcúbto e massgem de confoto pra todo o pessoal de enfemgem do HOC.
O objetivo do presente trabalho é avir a inluência deste prorma de renmento sobre a incidência de escra de decúbto no HOC.
* Enfemeira do Hospital Osaldo Cuz, São Pulo - SP * * Fisioterpeuta do Hoptal Osvldo Cuz, São Paulo - SP
NGREN, M.G. e Colaboradores - Prevenção de Escra de Decúbito : Avaliação de Prorama de Tremento. Rv. Bras. Ef. : RS, 36 : 25-28 , 1 983 .
DESENVOLVMENTO
rgrama de treinamento
-O objetvo deste pograma foi pdronzr minuciosamente a técnica de mudança de dcú bito e mssgem de conforto e estabeecer que esses cuidados erim dispensdos os pcientes a cada duas horas. Todos os enfermeiros, técnicos, auxilires e atendentes de enfrmgem prtciprm da au la teórico-prática minitrda pelos autores.
Avaiação do porama de teinamento
-eguu-e o memo pocedmento usado pra medir a incidência de escra de decúbito que motivou o porma de treinmento em uma quinta-feira quatro semanas pós o treinamento. Três en frmeiras exminram a pele da rgão de apoio de todos os pcientes, mbulntes e acmdos, inter ndos no HOC que estavm na unidade de internção a hora da avaliação . O HOC tem capacidade de 1 70 leitos, etá localzdo na área central do Município de São Paulo (SP) e cerca de 80,0% dos pcien tes so a clínica cúgica, ortopédica e nurológca.
No exme dos pcientes pocurou-e verificr a preseça ou não de ecra, que foi conside rada preente quando se obsevou s caacterísticas de uma das três faes de escra descritas por RU BIN e col1 4 (quadro 1), e se estavm ou não com progrma de mudaça de decúbito e massgem de conforto.
Qudro 1 - Oasificção das ecras de dcúbito sgundo RUBIN e co11 4 .
RESULTADOS
1 � fase - ecra incpiente, rea avemelhada com pele íntegra 2 � fase - ecra com formção de olha ou úlcera
3 � fae - ecra com necrose, odor fétido ou mbos
Dos 1 1 8 pcientes que estaam internados no dia da avliação, oito não foram exmina dos. Tês deles etavm em tratmento com radomoldgem e cinco pacientes estavm no Centro Cirúr gico.
Vinte e dois tinhm ecra, signiicando incidência de escra de 20%. Detes, 16 não eta vm sendo submetidos a mudaça de decúbto e massgem de conforto. Dois terços dos pcientes que estavm sendo submetidos a massagem de conforto e mudança de decúbito , apresentaram ecra de de úbito (abela 1).
Tabela 1 - Distnbuço dos pcientes seundo o cuiddo recebido e as condções da pele.
CONDIÇÃO DA MUDANÇA DE DECÚBITO E MASSAGEM DE CONFORTO
PELE NAO SIM TOTAL
N % N % N %
NTEGRA 85 7 7 ,3 3 2,7 88 80 ,0
COM ESCARA 16 14 5 6 5 5
��
20,0T9TAL 101 91 ,8 9 8 ,2 22 20,0
DISCUSSÃO
A verificção de preeça de ecra neste trabalho foi baseda na classficção de ecra usada por Rubin e col. Esta clasificção diferencia-se de outras, pois inclui o eritema prsistente como a 1 � das fases na evoução da ecra. LOTHIAN l l ao dicutir a inclusão do eritema persistente na clssificção de ecra concorda em considerá-lo como escra inicial, porém acha que a sua diferencia ção de outras leões da pele é difícil, justificando assim no incluir este tpo de ecra nos seus traba hos. Esta diculdade em se fzer diagnóstico de escra de 1 � fae (ertema prsistente) foi superada pelos autores reinando os obsevadores, aém do fato de que já tinhm experiência nteror em
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dos semehntes. Esta opço também bucou encontrr ncidência de ecaa o mais próximo do real, por entenderm os utores que eta seria o modo de intepretção ms adequdo qundo se avlia pro edimento de preveço.
A incidência de ecra oberada neste esudo (20%) é compráel com a relatda anterior mente (14,6 %)2 , mbas muto altas quando cotjadas com s incidências obervias por GERSON' (2,69%) e RUB N 1 4 ( 1 ,46 %) em populações semehntes à preente. Em grupos de pcientes com pa tologia ortopédica, onde é necesário mior esforço do pessoal de enfermgem dircionda à prevenção de escara, a incidência observada é da ordem de 7 % (LOfHIANI I ), ainda abaixo ao dete estudo. A incidência qui relatada encontra p raelo nos estudos de p acientes geriátricos 4, 1 2 .
A tabela 1 mostra que somente 9 paientes eram submetidos a mudança de deúbito e masagem de conforto. Também pode sr obsevada que a maior pate (16/2 2) dos pacientes que tiverm escara não rm submetidos a esses cuidados. A avaição iiialmente proposta - a de quan ticr a inluência do progrma de treinamento sobre incidênia de escra - é difícil de ser rezda, pois grande prte dos paientes que necessitavm desses uidados de prevenção de escra não o tve rm 2 . Se se considerar a proporção de pacientes sem escra3 entre os que form submetidos a mu dnça de decúbito e massgem de confort09 como ndie de efiiência da apicação desses uidados , tlvez incorra-se em erro. Esses paientes podem ter sido escohidos pra reeberem cuidados de pre venção de escra pelas enfermers das unidades de internaço por srem pacientes com risco mior e muito evidente de desenvolver escra de deúbito , apesar da literatura ser unânime em sugerr que tal inidência (66 ,6 %) não seria enontrável entre paientes submtidos a mudança de deúbito e mas sgem de conortoS , 8, 10, 13 .
CONCLUSÃO
A incidência de escara de decúbito obsevada no Hospitl Osvaldo Cruz um mês após po grma de treinamento sobre técnica de prevenção de escra de decúbito é muito lta (20 %) .
7 2 ,7 % dos pacientes que inham escara de decúbito não estavm submetidos o s uiddos de prevenço de escara, indicndo que a aviação clnica do risco de o paciente desenvolver escra realizado pela enfermeira da unidade de interação é adequada.
A alta inidência de escra de decúbito (66 ,6 %) obsevada entre os pacientes submetidos aos cuidados de prevenção de escra tlvez seja explicada pelo insuiciente aproveitmento do pro grma de treinamento pelo pessoal de enfermagem .
RECOMENDAÇÃO
Os autores sugerem a deinição de critério de avaliação de risco de desenvolvimento de esca pra melhor selecionr os pacientes que devem ser submetidos a cuidados de prevenção de escra de decúbito. Sugerem tmbém a padronização da mudnça de decúbito em todo o hospitl, assoiando o decúbito ao horário pra faiitar a supevisão desses cuidados .
RESUMO
A incidência de escra de decúbito no Hospitl Osvado Cuz (SP) era 14 ,6 %. Este ndice justiicou o treinmento de pessol de efermagem em prevenção de escra. O treinmento compre endeu aula teórico-prática abordndo minucioamente técnica de Mudança de decúbito (MDec) e Mssagem de conforto (MCon) . Um mês após, a inidência era 20 %. Desses 22 paientes com escara, apeas 6 erm submtidos a MDec e MCon. Ests obsevações sugerem que o domio da técica de MDec e MCon não é suiciente pra prevenção de escra. Sugrem os autores a doção de avliação pa droizada pelo enfemeiro do risco de o paciente desenvolver escara, e associação no hospital do de cúbito ao horário visndo faclitr a supervso desses cuidados pelo enfermero.
ABSTRACT
Te incidence of pressure sore at Hospital Osvaldo Cruz (São Paulo , Brazil) was 14 ,6 %. Tis fact justified a pressure sore prevention progrmo The nursing stff rng program consisted n theory-and-pratice classes bout tuming patients nd mssage of the lay face of the body . A month after, the incidence was 20%. Only six of these ptients had been tumed . The authors conclude tht the nowledge of how to tum paients isn 't enouth for preventig pressure oes nd the nurses have
ANGAREN, M.G.
e Colaboadores - reveção de Ecra de Decúbito : Aviação de roma de Treinmento. Rv. Bs. Ef. : S, 36 : 25-28 , 1983.fed to select the patients that ned urng schedue . Te outhors suggest that the stff dopt a tndd isk etimation for pressure sore isk development nd a tndrdization of hour of the day paient postion shedule throughout the hospital, thus faitating supvisono
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