HISTORIA DA LEGISACAO DO XERCfclO DA ENFERMAGEM NO
BSIL
H ISTORY OF THE N U RS I N G P RACTICE LEG I S LATION I N B RAZIL
H I STO RIA DE LA LEG I S LACI O N PARA EL EJ E RC I C I O D E LA E N FERM E RiA
E N B RAS I L
Taka Oguissol
RESUMO: Relata a grande contribuiy80 da Associay80 Brasileira de E nfermagem (AB E n ) no estudo, d iscuSS80 e aprovay80 das leis e demais atos normativos que causam g rande impacto a profisS80 da enfermage m . Cabe destacar que a ABEn sempre trabalhou de uma forma muito ativa , pacifica , correta e alta neira , com utilizay80 de argumentos tecnicos e dados documentais para 0 convencimento de a utoridades legislativas e executivas na busca dos objetivos finais que a classe necessitava . PALAVRAS-CHAVE : legislay80 em enfermage m , exercfcio profissional da enfermagem , hist6ria da legislay80 em enfermagem , ABEn
INTRODUCAo
o estudo da historia e importa nte para descobrir cam i n hos percorridos pelas gera;oes passadas e entender as razoes que motivaram a escolha de d eterm i n ados percu rsos, cujas conseq uencias podem estar refletindo na situa;ao presente .
Da mesma forma , 0 futuro sera u m a conseq uencia ou u m reflexo da situa;ao presente. Todas as descobertas cientificas, assim como a conq u ista de grandes feitos em qualq uer campo, seja 0 esportivo, artistico, tecnolog ico ou social , foram preced idas de m u ito trabalho, dedica;ao, perseveran;a , sacrificio e lutas.
A H i storia da Enfermagem Brasileira esta repleta de nomes de grandes
e
inca nsaveis pioneiras, cujos feitos se refletem ate os dias de hoje e as gera;oes atuais podem desfrutar dos i ncontave i s beneficios , espec i a l mente no c a m p o da l e g i s l a;ao profi ss i o n a l . Alg u m a s considera;oes sobre 0 passado constituem, portanto, ponto de partida indispensavel para avaliar os esfor;os e as lutas que cercaram a promulga;ao de todos os diplomas legais de determina;ao do curriculo minima de enfermagem, de regulamenta;ao do exercicio da profissao, ou de contrale da c1asse pela propria classe . Ass i m , esta resenha constitu i um res u mo de diversos tra balhos de estudiosos e enfermeiros que testemunharam e/ou acompanharam a evolu;ao da enfermagem no Bras i l ; q u e sentiram e viveram as m u itas d ificuldades e sacrificios enfrentados pela classe; que vibraram com as conqu istas; e por isso mesmo, deixaram para a Enfermagem u m patrimonio de tradi;oes e l utas historicas.Como ja se repetiu m u itas vezes , a partir d a cria;8o d a Associa;8o Brasileira de Enfermagem (ABE n ) , em 1 926 , pel as formandas da primeira turma d a Escola de Enfermeiras do Departamento Nacional de Saude Publica , atualmente, Escola de E nfermagem Anna Nery, da U niversidade Federal do Rio de Janeiro ( U F RJ ) , fundada em 1 923, (Decreto 1 6 . 300, de 3 1 de dezembro de 1 923) a historia da Enfermagem brasileira se confu nde com a historia da AB E n . ( B RAS I L , 1 974)
1 Enfermeira e advogada. Professora Itula, do Depatamento de Olentayeo Pofissiona, da Escola de Enfermagem da Univers/dade de Seo Paulo.
H i st6ria da legislayao . . .
Para fins d idaticos e para facil itar a compreensao, 0 estudo da hist6ria d a leg islayao profissional foi elaborado obedecendo-se aos seus d iversos campos especfficos , ou seja, a legislayao do ensino, em n ivel superior e medio e do exercicio profissional separadamente, e em ordem cronol6gica , embora os fatos possam ter ocorrido de forma concomitante. 0 presente trabalho, entretanto, incl u i apenas a parte do exercicio profissiona l , por entender-se que esse campo abrangera maior numero de interessados nessa leitura .
A LEGISLACAO DO EXERC(CIO DA ENFERMAGEM
CONSIDERA;OES PREL I M I NARES
o exercfcio de qualquer trabalho, oficio ou profissao esta regulamentado pela Constituiyao (art. 5°, i nciso XI I I ) ( B RAS I L , 1 989), desde q u e satisfeitas as qualificayoes esta belecidas em leis especifica s . Deno m i n a m-se profissoes l i berais as atividades desempenhadas com independencia e autonomia a uma livre clientela.
Entretanto, dessa ideia nao se exclu i a possibilidade de ser 0 profissional ou trabalhador l i bera l suscetfvel de um contrato de trabalho, em que se determine ou se evidencie uma subord inayao, reg ulada e protegida pelas leis trabalhistas . Assi m sendo, trad icional mente, 0 carater d istintivo da profissao l i bera l esta principalmente em ser uma profissao cujo exercfcio depende de conhecimentos academicos especfficos ou cujo exito decorre da maior ou menor capacidade intelectual do profissional. Assim, se 0 profissional exerce sua profissao aplicando conhecimentos cientfficos ou i ntelectuais, nao i mporta que ele a exerya com dependencia admi nistrativa ou nao. E por essa razao que 0 exercicio da profissao l i beral depende de u m titu lo de habilitayao ou qualificayao, como u m d i ploma , exped ido de acordo com u m a lei .
o parametro esta belecido em todas as normas legais do Pa is oferece proteyao nao s6 aos q u e exercem a atividade, mas tambem as pessoas a quem essa atividade e d i rigid a .
EVOLU;Ao H I STORICA D A LEG ISLA;Ao
H istoricamente, a legislayao para a formayao da parteira , considerando seu vinculo com faculdades de medicina, teve inicio com um Decreto sem numero de 3 . 1 0. 1 832 e a do exercfcio profissional com 0 Decreto 828, de 29.09. 1 85 1 , que dispunha sobre 0 Regulamento da Junta de H igiene Publica , em que os med icos, cirurg ioes , boticarios , dentistas e parteiras deveriam apresentar seus d iplomas na Corte e Provincia do Rio de Janeiro. Especifica mente sobre enfermagem 0 pri meiro dispositiv� legal ocorreu somente no alvorecer da Repu blica , com 0 Decreto 791 , de 27.09 . 1 890, (BRASIL, 1 974) criando a primeira escola profissional de enfermeiros e enfermeiras, de dois anos de d u rayao e a u las min istradas por med icos , atualmente, Escola de Enfermagem Alfredo Pinto, da U niversidade do Rio de janeiro ( U N I RIO), como relata Moreira ( 1 990 ) . E m 1 92 1 e aprovado u m regu la mento para 0 serviyo de saude do Exercito, em que os enfermeiros sao inclu idos como parte do pessoal su balterno, juntamente com pad ioleiros e outros auxi liares.
Na area civil , 0 Decreto 1 5. 799, de 1 0 . 1 1 . 1 922, ( B RAS I L , 1 974 ) aprovou 0 regulamento do Hospital Geral do Departamento N acional de Saude Publica , que na ocasiao ja mencionava que, anexo ao Hospita l , seria criada a Escola de Enfermeiras desse Departamento. Somente em 1 923, 0 Decreto 1 6 .300, de 3 1 . 1 2 . 1 923, ( B RAS I L, 1 974) ao aprovar 0 regula mento do Departamento Nacional de Saude Publica e a fiscalizayao do exercicio profissional de medicos, farmaceuticos , dentistas , enfermeiros e parteiras, criou tambem uma escola para enfermeiras, atualmente, a Escola de Enfermagem Anna Nery, d a U niversidade Federal do Rio de Janeiro (U FRJ ) . Na parte referente ao exercicio, 0 enfermeiro vinha enfileirado junto com massagistas, manicuros, pedicuros e optometristas que deveriam incumbir-se do trata mento de doentes.
OGU I SSO, .
Mas, se praticassem atos sem ordem medica sofreriam as penalidades previstas no mesmo regulamento.
o Decreto 20 . 1 09 , de 1 5-06-3 1 , declarava em sua ementa , que pretendia regular "0 exercfcio da enfermagem no Brasil e fixar as cond i;6es para eq u ipara;ao das escolas de enfermagem". (BRAS I L , 1 974) Entretanto, apenas 0 artigo 10 tratava do exercicio da enfermagem, ao esti pular q u e so mente poderiam usar 0 titulo d e enfermeiro d i plomado, ou as i n iciais
correspondentes a essas palavras, se 0 profissional fosse d iplomado por escola oficial ou
equ i parada na forma da lei e tivesse 0 d iploma registrado no Departamento Nacional de Saude
Publica . Os demais artigos era m todos relacionados com 0 ensino da enfermagem .
Posteriormente, 0 Decreto 2 0 . 9 3 1 , de 1 1 . 0 1 .32, ao dispor sobre a reg ulamenta;ao e fiscal iza;ao do exercicio da medicina , odontologia e medicina veterinaria , regu lava tambem as profiss6es do farmaceutico, da parteira e da enfermeira . No toca nte a enfermage m , nao havia ainda preocupa;ao em definir 0 que esse profissional deveria fazer, mas era-Ihe proibido instalar consult6rio para atendimento de cl iente. 0 Decreto estipulava que em caso de falta grave , 0
enfermeiro poderia ser suspenso do exercicio ou ser d emitido, se exercesse fun;ao publica . A Lei 775, de 06 .08 . 1 94 9 , ( B RAS I L , 1 974 ) dispunha sobre 0 ensino de enfermagem no Pais, mas incl u i u um preceito referente ao exercicio profissional no art. 2 1 , d ispondo que "as institu i;6es hospitalares, publicas ou privadas, decorridos sete anos apos a publica;ao desta lei , nao poderiam contratar, para a dire;ao dos seus servi;os de enfermagem, senao enfermeiros di plomados" . Esse artigo foi de grande va l i a , u m a vez que a Lei 775/49 nu nca chegou a ser revogad a , e decadas mais tarde, Hderes da Enfermagem ainda usavam esse preceito legal .
Somente n a decada d e 50 houve a aprova;ao d e uma lei especifica que tratava efetivamente do exercicio da Enfermagem. Foi a Lei no. 2 .604 , de 1 7 .09.55, ( B RAS I L , 1 974) q u e defin i u as categorias que poderiam exercer a E nfermagem no Pais e revogou d iversos dispositivos q u e tratavam de categorias q u e seriam posteriormente exti ntas, m a s existiram por mu ito tempo como grupos residuais da enfermagem. Eram os enfermeiros praticos, os praticos de enfermagem, os enfermei ros assistentes, assistentes de enfermagem, enfermeiro m i litar, atendentes entre outras inu meras denomina;6es.
Em abril de 1 954 , uma comissao governamental que estudava 0 Plano de Classifica;ao
de Cargos dos Servidores Publicos C ivis da U niao publicou os resu ltados, onde a enfermagem havia sido classificada entre os servi;os profissionais de n ivel medio, com vencimentos inferiores aos dos tecnico-cientificos , onde estava m os profissionais de n ivel universitario. A AB E n , na epoca presidida por Dra . G l ete de Alcantara , vinha oferecendo subs id ios a essa comissao e ma nteve encontros formais com seus d irigentes para sol icitar revisao dos n iveis salariais dos enfermeiros nos servi;os publicos federa is e autarq u icos . Esse estudo, ja como projeto de lei , tramitou no Congresso Nacional e acabou sendo aprovado como a Lei no. 3.780, de 1 2 .07. 1 960, ( B RAS I L, 1 974) dispondo sobre a Classifica;ao de Cargos do Servi;o C ivil do Poder Executivo ,
e teve u ma grande influencia na enfermagem. As diversas denomina;6es existentes, a epoca ,
na enfermagem foram reduzidas de acordo com as regras de enquadramento por simi laridade de atri bui;6es e res ponsabilidades. Essa Lei a pesar de nao tratar especifica mente da enfermagem, causou enorme i m pacto na profissao , pois 0 enfermeiro foi enquadrado como profissao tecn ico-cientifica de n ivel su perior no servi;o publico federa l . Com isso , foi a berto 0 caminho, para que nos ambitos estadual e municipal , paulatinamente, fosse 0 enfermeiro tambem reconhecido como categoria de n ivel u niversitario com remu nera;ao correspondente.
A a;ao da ABEn foi decisiva nessa i nclusao, ta nto em n ivel federa l , como depois em cada Estado, onde as se;6es estad uais da A B E n partici param ativa mente para que fosse reconhecido 0 n ivel tecnico-cientifico ou universitario aos enfermeiros, no ambito estad ual. Como refere CaValho ( 1 976 ) , de fato, os primeiros atos legislativos na enfermagem nao tivera m a participa;ao direta da ABEn, mas e Hcito inferir q u e esta , perfeitamente entrosada com 0 Servi;o de Enfermeiras do Departamento Nacional de Saude Publica , nao permaneceu totalmente alheia
Hist6ria da legisla:ao . . .
a s d i l igencias real izadas por esse servi:o, das quais resu ltaram esses atos .
Ouase seis a nos apos a promulga:ao da Lei 2 .604/55, 0 Decreto no. 50 .387, de 28.03.61 , (BRAS I L, 1 974) veio reg ulamentar 0 exercfcio da enfermage m . Pela pri meira vez houve uma tentativa de defi ni:ao do exercfcio da enfermagem, porem essa defi ni:ao estava restrita as seg u intes atividades : observa:ao e cuidado de doente, gestante e acidentado; admin istra:ao de medicamentos e tratamentos prescritos pelo medico; ed uca:ao sanitaria ; e , aplica:ao de med idas de preven:ao de doen:as. Definiu tambem todas as categorias que poderia m exercer legal mente a profissao, inclusive as obstetrizes e parteiras. Havia porem i ndefini:ao de fun:6es de enfermagem, entre todas as categorias existentes. 0 enfermeiro era diferenciado das demais categorias por q uatro fun:6es , que nao eram propriamente de enfermagem. Ass i m , alem de poder exercer "a enfermagem em todos os seus ramos", 0 enfermeiro poderia administrar servi:os de enfermagem; participar do ensino em escolas de enfermagem e de auxiliar de enfermagem ou de treinamento de pessoal ; dirigir e inspecionar escolas de enfermagem e participar de ba ncas exami nadoras de praticos de enfermagem em concursos . H avia ta mbem artigos que tratavam dos deveres e das proibi:6es para todo 0 pessoal de enfermagem.
Como 0 tecnico de enfermagem nao existia na epoca da aprova:ao da Lei 2 .604/55 e do Decreto 50 . 387/6 1 , essa categoria ficaria sem fu n:ao legal durante os vinte a nos apos sua cria:ao, nao fossem as fun:6es definidas no Parecer do Conselho Federal de Educa:ao no. 3 . 8 1 4/76 . ( B RAS I L , 1 976) As fu n:6es definidas nesse Parecer para 0 Tecnico de Enfermagem e para 0 Auxi liar de E nfermagem tem va lor historico, porque na epoca 0 texto da legisla:ao do exercicio profissional era a i nda u m projeto em estudo . Mas, constata-se que as atividades especificas descritas posteriormente na Lei no. 7498/86 ( B RAS I L , 200 1 ) e no Decreto no. 94 .406/87, ( B RAS I L , 200 1 ) do Exercicio Profissional guardam grande semel han:a com as Resolu:6es do Conselho Federal de Educa:ao, mantendo-se inclusive varios de seus termos . Ja 0 decreto reg ula mentador faz desdobramentos dessas fu n:6es, detalhando e explicitando as a:6es para cad a u ma dessas categorias.
AABE n foi a primeira organiza:ao profissional de enfermagem a surgir, no Pais, dentre os tres ti pos de entidades de classe e foi tambem responsavel pel a cria:ao dos outros dois: Conselhos de Enfermagem e Sindicatos de Enfermeiros. Na decada de 70, a grande vitoria conquistada pela ABEn foi justa mente a cria:ao dos Conselhos de Enfermagem e em seguida, na mesma decada , os Sindicatos de Enfermeiros. A multipl ica:ao de entidades de classe na enfermagem , como em q u a lquer outra profissao , e uma decorrencia do proprio crescimento e especifica:ao de atribu i:6es .
Mu ito embora a AB E n , como esta registrada em sua historia, em inumeras oportunidades tenha saido em campo para defender interesses, inclusive econ6micos da profissao, na verdade ela nao tinha e nao tem competencia legal para isso. Se algu mas decadas atra s , essa incompetencia nao era arg u id a , hoje ja nao sao admitidas i nterferencias dessa ordem pelos proprios orgaos publicos .
Historicamente os enfermeiros come:aram a sentir a necessidade de ver a profissao regula mentada , em face da prolifera:ao de diferentes gru pos de pessoas , com pequeno ou nenhum prepar� , desenvolverem tam bem atividades de enfermagem. A solu:ao, identificada pelas enfermeiras pioneiras na ocasiao, era a cria:ao de um Conselho de E nfermagem.
Vinte e oito anos de luta foram necessarios para que a ABEn consegu isse tornar realidade a Lei que recebeu 0 n u m ero 5 . 905, ( B RAS I L , 1 973) de 1 3 de julho de 1 973 e que criou os Conselhos Federal (COFEN) e Regionais de Enfermagem (COREN ) , estes em ambito estadual. Mesmo nao estando, na epoca , ainda regu lamentadas as fun:6es dos tecnicos de enfermagem, o COF E N , fundamentando-se na legisla:ao do ensino, criou tres quadros d istintos para fins de i nscri:ao: Ouadro I, de enfermeiros e obstetrizes ; Ouadro I I , de tecnicos de enfermagem; e, Ouadro I I I de auxiliares de enfermagem, praticos de enfermagem e parteiras praticas.
A Lei 7498, de 25-06-86, e o Decreto 94.406, (BRAS I L , 200 1 ) de 08-06-87 , constituem os
O G U I SSO, T.
atuais dispositivos legais do exercicio profissional da E nfermage m , e viera m su bstitu ir a Lei 2 .604/55 e 0 Decreto 50 . 387/6 1 que tiveram vigencia por mais de duas decad as. Na nova Lei nao houve u m a redefini�ao do q u e seria a enfermagem, mas estabelece as competencias privativas do enfermeiro, inclusive no tocante a consulta e prescri�ao da assistencia de enfermagem e os cuidados de enfermagem de maior complexidade tecnica , inexistentes na legisla�ao anterior.
Foram tambem inclu idas as atribui�6es dos tecnicos e auxiliares de enfermagem, sempre sob orienta�ao e su pervisao do enfermeiro. Essa Lei , no art. 23, dava um prazo de dez anos, a contar da promu lga�ao da mesma , isto e, 1 986, para q u e 0 pessoal q u e estivesse executa ndo tarefas de enfermagem , sem possuir forma�ao especifica , pudesse contin u a r a exercer essas atividades, desde que devidamente autorizado pelo Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). I sso sign ificava q u e findos os dez anos, isto e, em 1 996 , todos deveria m estar devidamente qualificados. Entreta nto , a Lei 8967 , ( B RAS I L , 1 994) de 28-1 2-94 , veio a lterar a reda�ao do art. 23 da Lei 7.498/86 , assegurando "aos atendentes de enfermagem admitidos a ntes da vigencia desta Lei , 0 exercicio das atividades elementares de enfermagem", sob supervisao do enfermeiro.
S ITUA;Ao ATUAL DA LEG I S LA;Ao DO EXERC[C I O
A Constitu i�ao Brasileira, ( B RAS I L , 1 989) de 1 988, asseg u ra a todos o s direitos a saude, sob responsabilidade do Estado (art . 1 96 ) , med iante pol iticas socia is e economicas q u e visem a red u�ao do risco de doen�as e de outros agravos assi m como 0 acesso u n iversal e igualitario aos servi�os que visem a promo�ao, prote�ao e recupera�ao da sa ude. Da prioridade as a�6es e servi�os publicos de saude i ntegrantes de u m sistema regionalizado e hierarq u izado que constituem sistema u n ico de saude ( S U S ) , e ad m ite que a iniciativa privada tambem pode oferecer servi�os de assistencia a saude .
A Constitui�ao afirma ainda q u e " e livre 0 exercicio de qualquer trabalho, oficio o u profissao, atend idas as q u a l ifica�6es profissionais que a lei estabelecer" (art. 5c, item XI I I )
A Lei das Contraven�6es Penais (art. 47) (BRAS I L , 1 985) preve que "exercer profissao ou atividade economica , ou anunciar que a exerce , sem preencher as condi�6es a que por lei esta s u bord inado 0 seu exercicio" constitu i u ma contraven�ao penal (i nfra�ao menor q u e 0 crime) sujeita a pena de prisao si mples ou m u lta . 0 elemento moral das contraven�6es e a si m ples volu ntariedade da a�ao ou omissao, isto e, para 0 reconhecimento de fato contravenciona l , nao ha necessidade de dolo ( inten�ao) ou de culpa.
o C6digo Civil Brasileiro, art. 3° disp6e que "ninguem se escusa de cumprir a lei, alegando que nao a con hece" . Esse dispositiv� e ratificado pelo C6d igo Penal art. 2 1 , ( B RAS I L , 1 985) q u e estabelece que "0 desconhecimento da lei e i nescusavel. 0 erro sobre a ilicitude do fato , se inevitave l , isenta de pen a ; se evitavel , pod era d i minu i-Ia de um sexto a um ter�o".
Assi m , que q u a lifica�6es ou condi�6es seriam aquelas? Nao se trata evidentemente de u ma q u a l ifica�ao, capacidade ou a ptidao fisica ou mental e nem mesmo tecnica , mas de capacidade legal . Obviamente, capacidade legal s u p6e capacidade tecnica e profissiona l , mas s6 esta e insuficiente para 0 exercicio legal da profissao .
E
0 que ocorre com as pessoas formadas e m outros paises, q u e , para trabal harem em nosso pais, necessita m revalidar ou registrar seus titu los . Pode ocorrer ta mbem com q u a lquer pessoa q u e , estando formad a , nao registra seu titu lo em 6rgao d isci pli nador do exercicio.E
necessario lembrar tambem que a atual Constitui�ao brasileira (art. 5°, i nciso XXXI I ) ja previa que 0 Estado promoveria a defesa do consumidor, e que competia a U niao (art. 24 , inciso VI I I ) leg islar sobre responsabilidade por dano ao consu midor. Com isso, a aprova�ao do C6d igo de Defesa do Cons u midor, ( B RAS I L , 1 998) Lei no. 8.078, de 1 1 -09-90 , era uma conseq uencia da Constitui�ao. Esse C6digo afirma que a prote�ao da vid a , saude e seguran�a constituem u m dos direitos basicos d o consumidor contra riscos provocados por servi�os considerados perigosos ou nocivos. N este caso 0 profissional de enfermagem seria 0 fornecedor ou prestador do servi�oH i storia da legisla:ao ..
e o cliente/paciente 0 consu midor desse servigo. Alem d isso, a liberdade de exercer a profissao ou atividade, assegu rada pela Constitu igao, estara li mitada pel as condigoes de qual ificagao profissional q u e a lei estabelecer. No caso da enfermagem qual seria essa lei?
LEG I S LA;AO PRO F I SS I ONAL DE E N F E RMAG E M
A L e i n° 7 . 4 9 8 , ( B RAS I L , 200 1 ) de 25 de junho de 1 986, regulamentada p e l o Decreto 94 .406, de 8 de junho de 1 987, trata do exercicio profissional da enfermagem. Essa Lei dispoe em seu art. 1 0 que "e livre 0 exercicio da enfermagem em todo 0 territorio nacional , observadas as d isposigoes desta Lei".
Em que consiste 0 exercicio da enfermagem? Quem pode exercer legalmente a profissao
de enfermagem no Pa is?
A res posta e dada pelo Decreto n° 94 .406, ( B RAS I L , 200 1 ) de 8 de junho de 1 987, que especifica que "0 exercicio da atividade de enfermagem, observada as disposigoes da Lei 7.498/ 86, e respeitados os graus de habilitagao, e privativ� do E nfermeiro, Tecnico de Enfermagem, Auxiliar de Enfermagem e Parteiro e so sera permitido ao profissional inscrito no Conselho Reg ional de E nfermagem da respectiva Regiao". Alem de defi n i r q uem sao cada um dos profissionais antes mencionados, 0 Decreto 94 .406/87 descreve as atribuigoes para cada uma dessas categorias do pessoal de enfermagem. Para 0 enfermeiro sao descritas as atividades privativas e as que deve realizar como integrante de equ i pe de saude. Portanto, aquele que nao possui um desses titulos tambem nao pode , legalmente , exercer a enfermagem.
E m virtude da carencia de recu rsos hu manos d e n ivel med io nessa area , entretanto, a Lei 7 .498/86, ( B RAS I L , 200 1 ) no art. 23, permitiu que 0 pessoal , sem formagao especifica , tais como os atendentes de enfermagem e agentes de saude, que se encontravam executando tarefas de enfermagem continuassem nessa atividade desde que a utorizado pelo Conselho Federal de Enfermagem. Porem, essa autorizagao, que expiraria em j un ho de 1 996 , isto e, dez anos apos a promu lgagao daquela Lei , teve seu texto alterado pel a Lei 8 . 967, ( B RAS I L , 1 994) de 28 de dezembro de 1 994 , conforme acima mencionado.
Portanto, nao existe mais prazo legal que obrigue as pessoas amparadas pela Lei 8.967/ 94 ( B RAS I L , 1 994) a buscar uma formagao especifica . 0 Ministerio da Saude, preocu pado com o problema , atraves de projetos como 0 PROFAE - Projeto de Profissional izagao dos Trabalhadores da area de Enfermagem, pretende profissionalizar esses trabalhadores, inclusive os atendentes de enfermagem , a fi m de melhorar a qualidade dos servigos de saude.
A titularidade constitui , pois, cond igao de capacidade tecnica para 0 exercicio profissional em q ualquer profissao. Dai a importancia que a lei confere a qualificagao ou ao titulo profissional de
acordo com 0 grau de prepar� e formagao. Por isso, na divisao do trabalho de enfermagem, as
atividades mais complexas e de maior responsabilidade foram atribu idas aos enfermeiros , profissionais de maior preparo academico .
o Decreto 94 .406/87 ( B RAS I L , 200 1 ) e m uito claro (art. 80) sobre aquelas atividades
privativas de diregao e l ideranga do enfermeiro , assi m como de planeja mento, organizagao, coordenagao , execugao e avaliagao da assistencia de enfermagem exercida nos orgaos de enfermagem, aq u i inclu idos todos os n iveis da estrutura i nstituciona l , publ ica ou privada, tais como coordenadorias , consultorias, aud itorias, assessorias, departamentos , divisoes, servigos ou segoes de enfermagem. Alem dessas atividades de cunho intelectua l ou ad m i nistrativo, cabem ainda ao enfermeiro em carater privativ� a consulta e prescrigao da assistencia de enfermagem , assim como os cu idados diretos de enfermagem a pacientes graves com risco de vida e os de maior complexidade tecnica e que exijam conhecimentos cientificos adeq uados e capacidade de tomar decisoes i mediatas.
Como integrante de equ i pe de saude, 0 enfermeiro tem no inciso I I do mesmo art. 80, um elenco de 1 7 atividades, onde ele participa na elaboragao, no planejamento, execugao e avaliagao
OGUISSO, .
de pia nos e progra mas de sa ude, de assistencia i ntegral a saude ind ivid ual e de gru pos especificos, particularmente daqueles prioritarios e de alto risco, prevengao e controle da infecgao hospitalar, de educagao sanitaria , de vigill ncia epidemiolog ica , de projetos de construgao ou reforma de unidades de saude, de treinamento de pessoal de saude, assim como na prestagao de assistencia obstetrica e execugao de parto sem distocia , em situagao de emergenci a , entre outras fungoes .
Os profissionais portadores do titu lo de o bstetriz, enfermeira obstetrica (art. 9 ° ) ou enfermeiro obstetra (art. 1 2 , paragrafo u n ico) , alem das atividades ja mencionadas, podem tambem: prestar assistencia obstetrica a parturiente e ao parto normal , assim como identificar distocias obstetricas e tomar providencias ate a chegada do med ico e real izar episiotomias e episiorrafias, com aplicagao de anestesia local , q u ando necessaria . 0 parteiro ou parteira pode prestar assistencia a gestante e a parturiente, assistir ao parto normal , inclusive em domicilio e cuidar da puerpera e do recem-nascido. Essas atividades devem ser exercidas sob supervisao de enfermeira obstetrica , quando real izadas em i nstitu igoes de saude e , sempre que possivel, sob controle e su pervisao de u n idades de saude, quando real izadas em domicilio.
As fu ngoes dos tecnicos de enfermagem e dos auxiliares de enfermagem tambem estao descritas no mesmo Decreto (art. 1 0 e 1 1 ) , ca bendo-Ihes atividades auxiliares de n ivel med io tecnico, inclusive as de assistencia de enfermag e m , excetuadas as privativas do enfermeiro e as especificas de assistencia obstetrica referidas no artigo 9° desse Decreto .
Todos os profissionais de enfermagem devem sempre ter a mao 0 texto da Lei 7.498/86
e do Decreto 94 .406/87 para poderem consu ltar e esclarecer d uvidas , sempre que necessario. Os CORE N S , de u m modo gera l , tem publicado exemplares em ta man hos variados tanto da Lei e seu Decreto, como do Codigo de Etica dos Profissionais de Enfermagem (COF E N , 200 1 ) ( Resolugao COFEN 240/2000) que facil ita te-Ios no bolso au bolsa . Dada essa facilidade, nao se acrescentam esses textos como anexo ao presente trabalho, pelo contra rio, estimula-se sua aqu isigao ou busca na sede d a entidade de seu res pectiv� Estado .
A Associagao Brasileira de Enfermagem , n a epoca presidida por Dra . Circe de Melo Ribeiro , teve i nfluencia decisiva na inclusao de uma descrigao pormenorizada e avangada das fu ngoes caracteristicas e tipicas de m u itas especialidades dos enfermeiros, na publicagao "Classificagao Brasileira de Ocu pagoes" pelo M i n isterio do Trabalho, em 1 977 :antes mesmo que algumas dessas especialidades se firmassem no cenario dos servigos de saude, em hospitais, ambulatorios e outros. Essa descrigao ajudou ate mesmo na insergao de alguns desses especialistas nos respectivos campos de trabalho, como ocorre u , por exemplo, com 0 enfermeiro do trabalho. A C lassificagao B rasileira de Ocu pagoes, ( B RAS I L , 1 994 ) cuja u ltima versao foi publicada pelo Ministerio do Traba lho e m 1 994 , e u m docu mento pouco d ivulgado entre enfermeiros e demais membros da eq u ipe de enfermage m , mas deveria ser melhor conhecido pelos profissionais interessados em um documento governamental que descreve os parametros
do exercicio da enfermagem , conforme recomendam Oguisso e Schmidt ( 1 999 ) .
Finalmente, 0 Conselho Federa l de Enfermagem (CO F E N ) , por meio da Resolugao 1 86/
95, define e especifica as atividades elementares de enfermagem, executadas por atendentes
e pessoal assemel hado, isto e, pessoal sem formayao especifica regulada em lei, como sendo aquelas que "compreendem agoes de facil execugao e entend imento , baseadas em saberes simples, sem req uererem conhecimento cientifico , adq u i ridas por meio de treinamento e/ou pratica ; requerem destreza manual , se restringem a situagoes de rotina e de repetigao, nao envolvem cu idados diretos ao paciente, nao colocam e m risco a com u n idade, 0 ambiente e/ou a saude do executante , mas contri buem para q u e a assistencia de enfermagem seja mais eficiente". Essas atividades relacionam-se basicamente com a higiene, conforto e transporte do
paciente , com a organizagao do ambiente , com as consu ltas, exames e tratamentos e com 0
obito .
Hist6ria da legisla:8o . .
O S VETOS AO PROJ ETO D E L E I
Alguns artigos da Lei 7.498/86 (BRAS I L , 200 1 ) foram vetados pelo Presidente d a Republica e houve outros dispositivos que nao haviam side inclu rdos. Entre eles encontravam-se dispositivos arrojados que os I fderes de enfermagem, na epoca , tentaram assegurar aos enfermeiros, tais como: a inclusao obrigatoria de orgaos de enfermagem na estrutura da administra:ao superior (art. 5°); autonomia tecnica no planejamento, execu:ao e avalia:ao dos servi:os e da assistencia de enfermagem (art. 1 0 ) ; exercfcio privativ� de d i re:ao de escola, chefia de departa mento e coordena:ao de cursos para forma:ao de pessoal de enfermagem em todos os graus (art. 1 1 , i nciso d ) ; a i nclusao do ensino de enfermagem de 1 ° gra u como parte das atri bu i:6es do enfermeiro e do tecnico de enfermagem; 0 exercrcio do magisterio nas disciplinas especfficas de enfermagem, no 20. e 30. graus, obedecidas as disposi:6es legais relativas ao ensino; entre outros.
o Projeto de Lei , pore m , nao continha dispositivos referentes a d imensionamento dos recursos hu manos necessarios para uma adeq uada assistencia de enfermagem , assim como os relacionados com as cond i:6es de tra balho. Estes sao, na verdade aspectos complexos , porque dependem de planta ffsica, tipo e caracterrsticas da institui:ao, caracterrsticas da clientela atendida e ti pos de cuidados q u e necessitam ( intensivos , semi-intensivos , intermed iarios, prolongados , mrni mos, ambu latoriais, residenciais ou domiciliarias) , caracterrsticas do servi:o de enfermagem (filosofi a , programas, categorias do pessoal , horarios de trabalho) e poderia competir a chefia de um servi:o de enfermage m , d imensionar no seu loca l de trabalho a quantidade, por categoria dos recursos h umanos necessarios, para poder oferecer servi:os de enfermagem com a qualidade req uerida. Oiveira ( 1 986) refere mesmo que se 0 Projeto de Lei nao atend ia, por inteiro , todas as aspira:6es profissionais dos enfermeiros, ate porq ue m u itas delas podiam ser incorporadas ou desdobradas posteriormente em seu reg ula mento, era i mportante verificar-se os grandes ava n:os que a profissao poderia alcan:ar com a aprova:ao do texto como ele se encontrava .
o desconheci mento, pelos legisladores e autoridades do Pars, da verdadeira d imensao da enfermagem como profissao, com seus estudos e pesq uisas, ou 0 temor de estarem concedendo excessivo poder ao enfermeiro , bem como a existencia de legisla:ao especffica na area de ed uca:ao talvez possa explicar os vetos e a fa lta de acolhida a essas propostas dos I fderes da enfermagem da epoca .
CONCLUSOES
Como se ve enfermeiros e profissionais de enfermagem ainda tem mu ito a lutar para ver reconhecidas a capacidade e potencialidade profissiona is. Entretanto , a sociedade nao I hes dara esse reconhecimento como uma dadiva , mas devera ser conquistado com maior envolvimento das novas geray6es de enfermeiros, nao apenas como bons profissionais de ensino, de assistencia ou de pesqu isa , mas tambem no campo socio-pol ltico, dentro do cenario brasileiro, come:ando pelos orgaos de classe como a Associayao Brasileira de Enfermagem, dar ascendendo para posi:6es no legislativo e no executivo, seja no ambito municipa l , estad ual ou federal .
H a exemplos, n o passado, nao m u ito dista nte de u m enfermeiro, Sa mora Machel , que tendo sido u m m i l itante enfermeiro, passou a lutar pela independencia de seu pars e terminou vitorioso em 1 975, q uando se tornou 0 primeiro presidente da Republica de Moyambique. Em outr� pars africa no, Angol a , tres enfermeiros ja ocu para m 0 cargo de M i nistro da Saude. Mas, mesmo na Europa e na Asia ha exemplos de enfermeiros que ocuparam esse cargo nas decadas de 80 e 90.
E necessario que os atu ais I fderes d a profissao comecem a preparar 0 terreno, descobrindo os futuros lideres e preparando-os para assumir sua posi:ao na sociedade, tra:ando
OGU I SSO, .
as metas desejadas e elaborando as estrategias que possibilitem alcan;a-Ias. S6 assim , seria poss lvel d e ixar p a ra as novas g era;oes u ma E nfermagem abrangente, res peitada e profissionalmente valorizada .
ABSTRACT:This article outlines the contribution of the Brazilian Association of N u rsing (ABE n ) i n the study, discussion and approval of laws and reg ulations that have significant impact on the nursing profession. It points out that ABEn has always had an active, pacific and accurate way of working. It emphasizes that the association has dealt with de law making-body and executive members of the government, based on technical arguments and secondary data in order to comply with the n u rsing profess i o n a l ' s need s .
KEWORDS : nursing legislation , n u rsing professional practices, h istory o f the n ursing legislation
RES U M E N -Relata la contribuci6n que la Asociaci6n Brasileia de Enfermerfa (ABEn) ha dado para el estudio, discusi6n y aprobaci6n de las leyes y demas actos normativos que han tra fdo u n g ran impacto positivo a la profesi6n de enfermerfa. Cabe destacar que la ABEn siempre ha trabajado de una forma muy activa , padfica , correcta y digna, con argumentos tecnicos y datos documentales para convencer a las autoridades legislativas y ejecutivas en la busqueda y alcance de los objetivos finales que la clase ha necesitado.
PALABAS CLAVE : legislaci6n en enfermerfa, ejercicio profesional de la enfermerfa , historia de la
legislaci6n en enfermerfa
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