Jornal Laboratório do Curso deComunicação
SocialdaL'niversidade Federal deSanta Catarina.
Textos: AnalúZidko.Ar
lev Reis Machado. Carla
Cabral.
CarlosAlberto Locarelli. Dauro Veras.Deny ris Laurinda Rodrigues. I1-ka Gols Schmidt. Joachim Schmitz.KarimVéras.Kar
Ia Bastos. Luciene Guima
rães Abdo. Mara $chuster. MariaAlaivi Macarini.Ma
ria Cristina Yosh iz at o, MarquesEdilberth Casara. Milene Cor r e a, Rozana
Maria De Moliner, Roseli
de Souza. Rute Enriconi, Sabrina Franzoni e Sônia Bridi.
Diagramação: Analú Zid ko, Arley Reis Machado. Denyris Laurindo Rodri gues. Ilka Goldschimidt, Joachim Schrnitz. Karla
Bastos.MaraSchuster.Ro
sana Maria De Moliner, Rute Enriconi e Sabrina Franzoni.
Fotografia: Analú Zidko, Carla Cabral. JoachimSch mitz, Karin Véras, Maria
Alauci Macar ini, Maria
Cristina Yoshizato, Mar ques Edilbert Casara. Luiz PhilippedeArruda. Roseli deSouza. SabrinaFransoni
e SimoneDias.
Laboratório Fotográfico: Carla Cabral. LuizPhilippe de Arruda. Rozana Maria DeMolinereJoachimSch mitz.
Ilustrações: Franke Frank limCascaes
Edição, Coordenação eSuo
pervisão: HenriqueFincoe
Ricardo Barreto
Pesquisa de textos e rotos:
Disciplina de "Fotografia Comparada". Professor Henrique Finco Telefone(0482)33-9215 Telex: (0482)240BR Correspondência: Caixa Postal 472. Departamento de Comunicação e Expres
são. Curso de Jornalismo. Florianópolis.Se. Composição, Revisão, Aca
bamentoe Impressão: Em presa Editora6Estado.
DistribuiçãoGratuita. Circulação Dirigida
DIÁRIO
DE
BORDO
Não
tem?!
Zero
Documento
éuma tentativa deresgatar
a memóriade Florianó
polis
dosúltimos
50anos, o que não foiplenamene conseguido.
Istoacon teceu nem tantopelas
limitações
detempo
e recursos,próprias
de um. curso
de
comunicação,
comoprinci-palmente pela desorganização
epul
verização
dosarquivos públicos
epri
vsdos,
alémda
dificuldadede
acesso aospoucos existentes.Alguns arquivos
foram encontra dos emdepósitos
abandonados;
de
• outrosconseguimos
apenassaber
quehaviam
desaparecido.
Contudo,
embora muitas
estejam
abandonadas
ouirremediavelmente
perdidas,
ainda
existem
boas
fontes
depesquisa,
das
quais algumas
foramutilizadas
pornós.
Algumas
dessas
fontes são aspró
prias
pessoas
que vivencisrem esteperíodo,
noqual
Florianópolis
sofreu
asmaiorestransformações
desdeseunascimento.
A memória humanatende a
privilegiar
momentos quete-nhamum
grande
grau deafetividade
por quem os vivenciou e,
assim,
a "realidade" nunca é a mesmapara diferentesprotagonistas
de
um mes mo acontecimento.Por
exemplo:
emalguns relatos,
aspessoas afirmavam que nãohavia
ocostume de ir àpraia,
como sefaz
hoje.
Outras,
recordam comsaudade
deantigos
balneários,
como aspraias
deCoqueiros.
Muitas destascontradições,
sabemosdisto,
podem
sercreditadasadiferenças
de classesocial:
para quem trabalhavanapescae naroça
-é bastante pro vável- a
praia
representava
um es paço de trabalho e não de lazer.O
queaconteceainda
hoje.
O
tom dos textos elâborados pornós muitas vezes é
saudosista,
como foramssudosistes
muitosdos
relatos que colhemos. Temos consciência de que nopassado
também
existiam aintolerância,
asuperstição,
conflitos,
doenças,
etc. Mais ou menos comohoje.
Este
aparente
saudosismo
talvezPlatonicamente
mícios,
greves, utilizamaquele
palco.
Nasruelasal guns sobradosresistem,
outrosderamlugar
aoprogresso vertical.
Águas
calmas,
morrosverdejantes,
dunas doura das tocam ocoração
doMorro da
Lagoa.
Oesgoto
tocaoestômago
láembaixo. Os rostos
calejados
desol,
os barcos soltando atinta. A pesca não fez os
homens ricos. O
turismo,
alguns.
não
signifique
apenas umaidealiza
ção
dopassado.
Provavelmente elerepresenta
a recusa danecessidade
deexistir
amiséria,
aviolência
e afeiúra
que estão entre nóse,de
certaforma,
tambémemnós. Na
verdade,
vale a pena buscar oparaíso
e elepode
serencontrado exatamenteaqui
onde
vivemos,
ou emqualquer
outraparte
do mundo.Muitos
afirmam que
para isto
basta
deixarde
existir
aex�ploração
do homempelo
homem.
E bastanteprovável
queseja
assim.
Carlos A. Locatelli
A ilhada fantasia.
É
isso quetodosvêm buscaraqui.
Andar sobre o mar,pela
ponte,
vista só empostais
ena televisão.Experimen
tar a
decepção.
Por elajá
nãosepassamais. O esque
leto negro, que se
impõe
entre dois
pedaços
de ter ra, com um mar nemSempre azul molhando suas pernas, não
suporta
maisopeso dosanos edosauto
móveis.
Como as famílias em
purradas
para os morros,o marfoi
forçado
a serreti rar, levandojunto
oMiramar, o cais do Mercado.
Saíram os
barcos,
vieram os ônibus. Com eles a ficção
arquitetônica
da rodo viária.Masavelha
figueira
está lá- ainda bem. Pelo menos asmoças têm esperan
ças decasar
-dando três voltas- e os
aposentados,
camelôs,
prostitutas
e vagabundos
sem teto. Os ga lhos cresceram, quase to cando as escadas da Catedral,
quejá
nãoéoprédio
mais
alto,
nemlugar
delamentações.
Diretasjá,
co-E muita
gente parada
naFelipe.
Essa não é aterra da pressa. Ainda mais queum curió está dobrando e
deu cobrano
primeiro
prê
mio da Federal.
Dha da fantasia
Mar, rendeira,
tradição
Paz,
natureza,
corrupção
A ilha do tudo
já
teve...ainda
tem......
porém
transformados:
Artesão virou
artesanatoindustrial,
arenda
umbarato
individual
Turistas são
afonte
de
renda,
da
renda,
ousei lá
Mares
poluídos
são
ofertados
aIe
manjá
Fortes construídos não serviram pa
ra a
defesa,
mas
hoje
são ruínas de
rarabeleza
Escritores
eartistas
oraapadrinha
dos
hoje
são
senhores
esoldados
Permanece
o"senadinho",
aCâ
mara e o"morro"
Permanecem
ascontradições
que
acentuam o nomedo povo:
"Prioridade
aospequenos",
enquanto
osgrandes
desfazem
arede:
pois peixe
artesanal,
já
não tem
noPantanal
A ilha
outroraesquecida,
hoje
é notícia de
jornal:
Patinha,
AIDS
emuito "rolo" po
licial
Aqui
não
se contamentira,
ocolóquio
é
aprópria
fantasia
Vivemos
numailha
Quem pode
fugir
do mar?
Ele
vai,
ele
vemo
SÍMBOLO
QUE
UNE
FOTOS:ARQUIVO/ZERO ãoetn1922
. dconstruç
Iníc\O
aHercílio
Luz,
nossamusa
aosõê
anos
outubro de1924,
12 diasapós
terinaugurado
simbolicamente uma
réplica
de 18metros, em
madeira,
daponte
quedepois
levariaseu nome, ogovernador
mor reu.Era vontade de Hercílio Luz que a
ponte,
cominauguração prevista
para 7 de setembro de192�,
fossechamada Ponte da
Indepen
dência. Mas oCongresso
Representativo
do Estado aprovou amudança
do nomeparaHercílio
Luz,
comoforma de
homenagear
seuidealizador,
até então ainda vivo.Mesmo com a morte do
governador,
ostrabalh?s
deconstrução
não foraminterrompidos.
A�ontagem
1as
torresfoi terminadaemfinsde 1924e aestruturadovão
central
pronta
emagosto
de1925. Em
janeiro
de 1936 oassoalho
já
estavacolocado,
masa
inauguração
daponte
foi retardada para 13 demaio,
por não seacharemprontas
as ruas de acessoque o governo estava cons
truindo tanto do lado da ilha
co�o
docontinente.DIA
DE FESTAFazia
frio,
ventavaechovianodiaemqueaHercílio
Luz foi
inaugurada.
Mas,
apesar do mau
tempo,
50do Estado para
Lages.
To das essas dificuldades evi denciavam anecessidade decriação
deumaligação
maisrápida
e menos difícil com ocontinente.O
INÍCIO
Para dar início à
obra,
HercílioLuz
conseguiu
doisempréstimos
de cincom�
lhõesde dólaresde
banquei
ros
americanos,
dívida esta saldada apenas em 1979. Comooempréstimo
demorou, o início da
construção
marcado para meados de
1919 foi atrasado para no vembro de
22,
comprome tendo-se aconstrutoraByg
ton & Sundstron aentregar
a obraem24meses.Nas
fundações
daponte
foram feitos 11.250 metroscúbicos de concreto e em
pregadas
29 mil barricas decimento,
sendo que dentroda
água
foi utilizadoum�i�o
especial
de aço pararesistir àação
corrosivadaágua
salgada.
Todooserviço
de fundações,
inclusivepilastras
de ancoragem epedestais
estavaterminadoa20 de
ju
nho de 1924.
MORRE
HERCÍLIO
LUZ Tantoempenho
para ver construídaaponte,
nãosustentou Hercílio Luz até a sua
inauguração.
Em 20 deTextos: Roseli de Souza
A L:2 de
janeiro
de 1982a
ponte
HercílioLuz,
cartãopostal
deFlorianópolis,
erafechada por
questões
de se gurança e para trabalho deconservação.
Hoje,
após
5anos,ogoverno anunciasua
reabertura,
nospróximos
40dias,
parapedestres,
carroças e motocicletas.
AI�uns
técnicos e
populares
aindadesconfiam da fortaleza de seus
pilares
e temem seu tombamento. No entanto, mais do que o peso de suaestrutura suas
vigas
carregam 60 anos de
his�ória.
Históriaessaque precisaser
resgatada. Sempre.
'.A Hercílio Luz fOI mau
gurada
no dia 13 de maio de1926,
mas suahistóriacomeça muito
antes,
n�m.a
época
emquepar!l
seatingir
acapital
era preCISOenfr��
taromar,nemsempre dOCII e calmo. O hiato existente
entre o
continente
e a ilhaprejudicava
seuco�ércio
�
expansão.
Os 40 mil habi tantes viviamdependentes
do horário de oito lanchas quefuncionavam�a�
qua.tro
damadrugada
ate a noite,transportando
tudo. Devidoa essa
dependência
pensou seatéemtransferiracapital
Vista'do
continente
deondepartiam
aso
SÍMBOLO
QUE
UNE
Elo de
Ligação
emusa, duranteanosmil
pessoasestavampresen- HercílioLuz,
algumas
delastes,
numadas maiores festas envoltas num marde mistéjá
vividaspela capital.
rioe humor. Um desses ca-Acobrança
dopedágio,
sos fala arespeito
de umaprática dispensada
nodiadaprocissão,
aprimeira
queinauguração,
variava de atravessava aponte.
De reacordocom as
categorias
ta-pente
obalanço
eratanto,
beladas. Pedestres pagavam queassustados,
osfiéis deium
tostão,
carrinho demão xaram a santa no meio daou bicicleta 500
réis,
cami-ponte.
Os suicídios também nhão3 mil réiseautomóveis foramtantos,
quehoje
nem 20tostões.Opedágio
foico- sesabe onúmero. Histórias brado até ogoverno deNe- de acidentes também nãoreu
Ramos,
tendo maiorar- faltam. Contam os maisanrecadação
em1930,
durantetigos,
que na década de40,
umapasseata
integralista.
O num dia chuvoso e de fortefacismo hein?
ventania,
umjipe
desgover-Entre os anos de 1967 e nou-se
despencou
numa1969 a
ponte
Hercílio Luzprainha (hoje
aterrada).
Oteve seu
piso
de madeira corpo deumdospassageiros
substituído por asfalto. No ficou caído sobre a
buzina,
tempo
daponte
compiso
de que tocoudurante
muitos madeiraeracomumaconte- minutosdespertando
a cerem incidentes. Não raroatenção
de todos.uma das tábuas
levantava,
UNICA NO MUNDO furando pneus e atravan- Pela forma e materiaiscando o trânsito.
Quando
utilizados na sua constru ônibus ou carrosestraga-
ção,
aponte
Hercílio Luz vam em cima dela era pre-pode
ser considerada aúni cisocaminhar,
vendo nas ca no mundo. De acordo'frestas do madeirame o com o
projeto
de Robinsonmar,
às
vezesencrespado
e eSteinmannaponte,
de818ameaçador.,
metros decomprimento
eVELHAS HISTORIAS 340 metros de vão
pênsil,
Muitassão ashistóriasre-
pode
suportar
comseguran lacionadas com aponte
çaumacargaconjunta
equi-valente a um trem
puxando
vagões
de trintatoneladas,
quatro
pedestres
por metroquadrado
e um encanamento de
água
com pesomáxi-.
mo de 650
quilos
pormetro corrente.A
princípio
ela foi construída paraserusadaduran te 30anos, mas
já
dura 60. Mas épreciso
lembrar,
que é necessário umtrabalhodeconservação
constante,umavezque ela está situadanum local muito
úmido,
sujeito
a corrosão de seus metais.
No
entanto,
apreocupação
com a segurança daponte
vem desde o momento de
sua
criação
eintensificou-se apartir
do governo Ivo Silveira, época
em que trêsdas cinco
pontes
similaresaela caíram. Atualmente
apenas a Hercílio Luz e a
St.
Mary
Bridge,
em WestVirginia
-EUA,
aindanãocaíram. Mas na
ponte
americana,
otráfego
estáproi
bidodesde
68,
quando
a si milarsobreo rio Ohio caiu. Foi nessaépoca
que o go verno do Estado iniciou oscontatos para a
construção
da Colombo
Salles,
inaugu
rada em 75.
Poucas verbas
comprometem
.a
restauração
da
ponte
Desde sua
inauguração
aponte
Hercílio Luz é alvo de um trabalho deconservação
sistemático.Nadécadade
80,
•
a corrosão
já
se tornara umseríssimo
problema,
o quedeterminou uma
inspeção
mais
aprofundada.
Oórgão
escolhido para a
inspeção
foi o Instituto dePesquisas
Tecnológicas
de São Paulo que,diante dos diversos
proble
mas
constatados,
recomendouem seulaudo final "a re
cuperação
einterdição
daponte
devido aoperigo
iminente de
colapso
por pesopróprio".
Obedecendo asorientações,
aHercílioLuz éinterditadanodia 22de
janei
rode
1982,
absorvendonessaépoca
43,8%
dotráfego
diário,
ouseja,
27 mil veículos/dia.
A escolha daempresa para
elaboração
doprojeto
finalde
recuperação
daponte
recaiu sobre a
USIMEC,
comassessoramento da firma americana
Steinmann,
Boyg
ton,
Gronquist
&Birdsall,
sucessora doEngenheiro
Steinmann,
autordoprojeto
da Hercílio Luz. Durante ainspeção
americana ficouconstatadoo
rompimento
dabarra do
olhal,
o que representava um
perigo
bastantegrave.Imediatamente foi ela borado um
projeto
parare-forço
do elo.devolvendo
a segurança e diminuindo a ten são nas barras de sustenta
ção.
Segundo
JoséMauro
Pereimo,
fiscal
deobras dapon
te, os serviços prosseguiramnormalmente
até
abril de83,
quando
oprojeto
previa
a recuperação
do vãopênsil.
Masa falta derecursos, devido às enchentes
daquele
ano, provocou a
parafisação
dos tra balhos.Situação
essa queperdura
atéhoje.
O fiscalesclarece ainda que "todos os
serviços
realizados naponte
nestescinco anos, estão rela cionados apenas com a sua
conservação.
Oprojeto
derestauração
foi inviabilizado devido à falta de recursos.Uma
restauração
exigiria
13milhões de dólares".
Esse trabalho deconserva
ção
realizado por 17 homensdo
DER,
consiste em trêsoperações
conjugadas: jatea
menta
(jatos
de areia que retiram a
corrosão),
pintura
esubstituição
de
peças e ele mentos danificados.Atual
mente o DER realiza traba
lhos de troca de madeirame
da
passarela
erecuperação
doasfalto,
dando os últimos retoques",
paraareabertura da velha Hercílio parapedes
tres, motose carroças.
"A
mesmapraça,
o mesmobanco,
as mesmasflores,
o mesmojardim.
Tudo é
igual?"
Praça
XV
de Novembro. Jardim Oli
veira Belo. Palco onde
personagens
vivos
seapre
sent�vam,
emespaços
de
terminados. Cada
um sabia
seulugar.
Entre
oscol6quios,
contava-se os ca sos eé!C�sos,
rarosda paca
tacidade. A elite cabia
o centro.da praça,
rígida
mente
policiada.
Aos
brancos de classe baixa
e aosnegros
restavaacalça
da
em tomo.Mas
nems6
por altos
funcionários
esua
parentela
eravisitada
'a
frondosa
figueira.
Tam
bém
oscomerciários,
os 'serventesdas
repartições,
a
classe 'de
choferes;
osfo-tógrafos,
asempregadas
domésticas,
osnegros esti
veiros
.." e osmarinhei
ros:
"Num
indo
evindo
in
E pensar
que
até
'1911
muitos
namorados
tive
ram
que
pular
o muro.Ou
melhor,
pular
asgrades
que
haviam
em tomoda
praça, fechada às 21 ho
ras.
E
nãoerapor falta de
aviso.
Uma sineta
tocavaquando
iam
serfechados
osquatro portões.
Como
não
empor
falta de aviso
que
asmoças de
família,
também
ap6s
estadata,
mantinham
avirgindade
para
casar naigrejã.
Pois
saudosos
namorosinicia
ramna-salda
do cinema
ouda
missa,
rumo aofooting
da
época.
La
estão
osban
cosdá
praça
que não dei
Então,
osgarotos
de
terno egravata
esperavam
asga
rotaspassarem.
E elasvi
nham,
com seusmelhores
vestidos
echapéus,
flertaraqueles
que
já
faziam par
te
do
seucírculo social.
Pois todas
as'boas famí
lias'
seconheciam
e seda
vambem. Itinerário de
sorrisos,
acenos e insinuações
que durava
aproxi
madamente até
às22
ho ras.No mesmo
horário,
aoredor da praça,
asempregadas
das 'boas famílias'
também vinham
fazer seulazer.
Dosmorrosdesciam osnegros que
sejuntavam
aosbrancos
e brancasde
classebaixa,
além
dosmarinheiros
residentes ouvindos do além-mar. Seu
itinerário
exigia
maior
an-.
dança
pois
erafeito
naparte
externa dojardim.
Quando
cansavam de andar,
se sentavam nosban
cosvagos da praça. Ti
nham
vergonha
de
semis
-O
CORAÇAO
DA
CIDADE
Fotógrafos
lambe-lambe,
década de 30turarà
elite?
Continuidadade
-
"Mas
a
praça
era umagrande
família",
afir
mam osmais
antigos.
Defato,
osmoços
erammais
educados,
as moçasmais
caseiras
e osidosos mais
respeitados.
Também
aigreja
eramais
freqüenta
da.
Nãohavia
tanto roubo,
tantoassalto:
Avida
era
tranqüila.
Contudo,
afamília que existia
napra
ça,navida,
não existia: As
mulheres mais
ricaspode
riam
serprofessoras.
Asmais
pobres
varredoras.
Os
brancospobres,
alfaia
tes.
Os negros,
talvez,
engraxates.
Os marinheiros
poderiam
exibir
seus trajes.
E
pensar que
dos anos40
a60
o'footing'
conti
nuouquase
o mesmo.Os
meninos,
semapresentar
cansaço, continuaram
esperando
as meninas aolongo
do Palácio
e nocen-t'OTO: PEDRO DOSSANTOS
tro
da praça.
Aquela
que
abriga
bustosdo
poeta
maior
(Cruz
eSousa),
do
pintor
maior
(Victor
Mei
relles),
de Arthur Boiteux
e
Jerônimo Coelho. Não
éde
seestranhar que
também nela
esteja
o monu mentolembrando
aguerra
que
liquidou
nossos her manosparaguaios:
"A mesmapraça".
Damesmamaneira,
asmeninas
con-Hoje,
comoontemtinuaram
desfilando,
indo
até
aatual
Lojas Arapuã
(antes
Confeitaria do Chi
quinho)
evoltando
em seguida.
Na
disputa
das
atenções,
quem, levava
vantagem
sobre
as estudantes do
Coração
de Je
suseram os
estudantes do
Catarinense. Coisas que
só
aFigueira
sabe
expli
car.Naquela
época,
apar
tesuperior
dapraça
-próximo
ao monumentodos
nossos hermanos-começou a ser
invadida
pela
'malandragem'
das
classes
mais
baixas. Asnovasfiguras
SENADINHO DO
POVO
Café
acompanhado
de
história
_D_:'_:_:_:I_dscs_:_m�_d_�_',_:_:_:
E_ã'_�_:'_',_j
rn-11
ti
��!�s�o����r��:Cu��1�i�ti�.�
I
l
ferente,
tipo
assim... umapersonalidade
exótico-fami liar.Quem
alichega,
tem adesculpa
do cafezinho para fazer amizades e colocar ospapos em dia. Seus
freqüen
tadores
pertencem
atodasasclasses,
desde o funcionáriopúblico
até oadvogado,
queali vão
diariamente,
transformando
assim,
obar num ambientede famíliaque é a tra
dição
e marcadacasa.\
Situadona
esquina
da maisflorianopolitana
dasruas,.a
Felipe
Schmidt,
oPonto Chie éareferênciatantoparacata rinenses como para turistas.Há anos ele tem sido
palco
de acontecimentos que cons
troemo dia-a-dia daIlha.
Entre um cafezinho e ou
tro,asfofocas
giram
emtorno de assuntos comomulheres,
negócios,
família,
até a troca de favoresprofissionais,
mas oalvomesmoéapolítica
oficial,
quase semprecontestadapelos
freqüentadores.
SENADO
O que caracteriza o
bar,
é apresença assíduados "Senadores",
pessoas comuns quecompõem
.o"Senadinho",
fundado hámais de dezanos
pelos freqüentadores
do Café,
que emmeio àsconversasdo
cotidiano,
sentiram a necessidade de se
organizar.
Oprimeiro
aperceber
isso,
foiLázaro
Bartolomeu,
do Jornal
Radar,
que ao ver o pessoal diariamente reunido
.Décadade 40...
após
omeio-dia,
brincava chamando-os de "senadores",
pois pareciam
opróprio
"Senado Romano".
Oatual
presidente
do"Senadinho",
éEdy
Tremei,
advogado
emembro daAcademia Catarinense de Letras. Para recebero
diploma
de Senador,
épreciso
passar poralguns
critérios estabelecidospelo
próprio
grupo, como afreqüência
aobar,
a representatividadena
sociedade,
e omaisimportante:
éproibida
aentrada de"corruptos",
aoclube.
Figueiredo
foi opri
meiro
a receber odiploma.
No mesmo dia em que o ex
presidente
visitava o PontoChie em novembro de
79,
para'
receber odiploma,
foivaiado por estudantes e po
pulares
descontentes com aatuação
de seu governo. Oepisódio
repercutiu
em todopaís,
colaborando para a popularidade
do bar.O Senadorn�
2,
foiEsperi
dião
Amin,
que durante seumandato de
prefeito
de Florianópolis,
instalounaesqui
nadoPontoChie,
bancos demadeira,
assim como um desenho no
chão,
deum mosai co, onde estágravado
as iniciais do
Corpo
ConsultivodoSenatus
Populusque,
Roma norum,ouaindaFlorianopo
litano. A
sigla
SPQF,
foi interpretada
pelo
povo florianopolitano,
como"Solução
Para
Qualquer
Fofoca". Várias pessoasprocuramoauxílio do "Senadinho" para
resolver
problemas,
como ode
internações
emhospitais,
facilitadas
pela
influência doscercade 80"Senadores". As
sim,
por meio desse grupo,são
prestados
serviços
de assistência à comunidadeepro
movidas também homena
gensa
figuras
históricas,
alémde
lançamentos
eexposições
de livrosno
próprio calçadão
emfrente.A
Maçonaria
evidente mente também se faz representar no
Senadinho,
sendo�
que de
vinte
a trinta dostl
membros são maçons. Como�
sempre ela estápresente
nos '" acontecimentos que fazem a 00(�
história da nossa sociedade.:l Um
exemplo
disso,
éacrença� de muitos
florianopolitanos
�
de que ela contribuiu decisi...
vamente para
construção
daponte
Hercílio Luz.Edy
TremeiTRADIÇÃO
Nos seus 39 anos, o Ponto
Chie, já
pertenceu a cincoproprietários.
Esse fato contribuiu para sua descaracte
rização, pois
nenhum dos donos deu continuidade aotra balho desenvolvido'anterior mente. Walter José da
Luz,
proprietário
do Ponto noperíodo de 1968 a
1983,
diplo
madotambém
senador,
revolucionou a
antiga
"Confeitaria,
Café eBar",
transformando-a de
simples
venda decafezinho em um
completo
sistema de
auto-serviço,
in
troduzido em
Florianópolis
porele. Na
época
as mudan ças executadas causaram impacto
nasociedade,
já
que"
mexer noPont Chieera me xer emFlorianópolis"
foines seperíodo
quehouve ainstalação
daprimeira
arquiban
cada paraassistir o Carnaval
nacidade.Em frenteaoPon to
Chie,
é claro.IRRITADO
O bar
jasofreu profundas
mudanças
emrelação
a seuespaço físico. Inicialmente ocupavaumaáreade 120me
tros
quadrados
e era decorado com
espelhos
por todaparte.
Oproprietário
Walter,
irritado
pelo
fato de seusclientes usarem
gratuitamen
te o
espelho,
arrancou-os dáparede,
renovandoa decoração.
Hoje,
o espaço do barestá reduzido: a
aparência
não é a mesma, mas perma necem os
fregueses.
Pimpão,
comoé conhecidopelos
membros do Senadinho,
éfreguês antigo.
Hámais de dez anoselevem to dos os dias
cumprir
suaroti
na."Aqui
trocamosidéias.Euma escola onde se
aprende
o de
tudo",
emboraoquemais::
�
gostam
defazersejam
críti�as
�
aogoverno. "Metemosmuito o paunogoverno,pois
não so�
mos seusbrinquedos",
escla-rece o
Pimpão
.O
advogado
LuisPrado,
nos seusdezanosdecasa,no
ta que muitas pessoas deixa
ramde
freqüentar
diariamenteobar
pela
faltadedinheiroe
tempo.
Coisas datão atualsituação
econômica dopaís.
ParaLuís,
ospolíticos
de antigamente.
erammelhores,
"osde
hoje
pensam quetempoderes
absolutos".Segundo
outrofreqüenta
dor,
odelegado Bagé,
comoé
conhecido,
doistipos
deter mômetrosfazem.parte
dahis-tória doPonto Chico Um de
les é o
barômetro,
"quando
certa
parte
da cidadeestánublada,
é sinal de chuvana certa". O outro, talvez atémais
eficiente,
éusadopelos políti
cosquevêmaobar parame
dirsua
popularidade.
O
QUE
FICOU PARATRÁS
Outra
tradição
dosfregue
ses do Ponto
Chie,
era o famoso "Clube do
Palitinho",
onde quem
perdia
ojogo
pagava uma rodada de cafezi
nho. Nos
jantares
realizadospelos
Senadores,
a presençadeumadas
garçonetes
do bar com o famoso café Amélia eraindispensável.
Muitas pessoas
importan
tes, ao visitarem
Florianópo
lis não deixavam de daruma
passada pelo
Ponto Chico Oex-presidente
Costa e Silvaquando
da sua vinda àIlh�,
não
fugiu
à regra. Como dizo velho
Pimpão:
"O Ponto Chieé quenemsonrisal,
está sempreborbulhando",
e estassão
palavras
de quem enDESTERRO
JÁ
ERA
Destino:
da
pesca
ao
turismo
Nos
últimos
-50
anos
ocorreram
•as maiores
mudanças
Tina YoshizatoePaula Remísio
Nos últimos 50 anos, Flo
rianópolis
sofreugrandes
transformações,
particular
menteno
período
de 68a74,
quando
os setores que maismudaramforamosrelaciona
dos aos
transportes,
habitação
ecomunicação,
segundo
informações
dosociólogo
da Universidade Federal deSan taCatarinaoprofessor
Nereudo Vale Pereira.
Florianópo
lisperdeu
muito de seu provincianismo.Esse
período
deinquietações
transformou omodelo familiar que era de
cinco a
oito
filhos até68,
apartir
daí a média caiu para um oudois filhosporcasal.Esta fase é caracterizada porum processo de seculari
zação,
onde a sociedade florianopolitana
deixoude utilizar valores
espirituais
e religiosos
como seusprincipais
condutoresparaadotar
parâ
metrosmateriaisetemporais.
Este processo tomou maior
ênfase a
partir
de1962,
com ainstalação
daUFSC,
sendo.que
epl1974
houveumaestabilização:
os reflexos destemomento de
modernização,
que ainda não cessou, fize
ramde
Florianópolis
uma sociedade
angustiante,
aflitivaedesorganizada.
Acidadepassou aterumcaráter mais
uni
versal,
moderno e a Universidade Federal
desempenhou
um fundamental
papel
nestequadro,
devido
àgrande inje
ção
de recursos'para opagamentode
funcionários,
trans formando ti mercado imobiliário e de
.serviços,
além deteratraído paraaIlha muitos
FamíliaAmantinodosSantos
profissionais,
que vieram desempenhar funções
de professorou
pesquisador.
O orçamento
da UFSC équatro
vezesmaiorque oda Prefeitura e este
giro
temgrande
repercussão
na estrutura social.
A
preocupação
do governocom o turismo começa em
1970,
quando
seorganiza
aEMBRATUR. Houve uma
entrada
maciça
decapital
para financiar
empreendi
mentos turíticos(hotelaria,
serviços,
bares e restaurantes)
e melhorias-das comunicações
e dasrodovias,
- aBR 101 só foi concluída em
1972. Ocontato comturistas
gerou
transformações
sociaiseeconômicas muito sériasnas
sociedade
receptivas
-no
casodos
florianopolitanos-,
além de
forçar
a,criação
de uma nova identidade'cultural. O local/se
adapta
para, atender a essavariedade'
de:pessoas,
-passando
de comu nidadeagrí-cola
-pesqueira
à estância turísticae os bens
passam áter, cadavez
mais,
valor detrocaenão mais
va-OsTolentino de Souza
lardeuso.
A,
tradição florianopolita
aafoiade
prestação
de serviços desdea sua
fundação.
Osportugueses
preocuparam-seem
garantir
a suapossessão
aosuldoBrasilcom asfortalezas,
sendo montado omaparato
significativo
de suporte
dopoderio português.
Depois, Florianópolis
admi nistrou o governobrasileiro
nosul,
sendo acapital
de maior.importância,
até oinício doseculo XX
(superando
Curitiba e PortoAlegre).
Quando
nasceu a indústriacornoalternativa econômica 'no
Brasil,
Florianópolis
per:
.deu posição,
paraasoutras
capitais do.
sul.Mas,'
depois
de70, com
a vinda doturismo,
a atividade terciária
desen-r
'-,.
II! �"
Cequetrns
nadécada
de SO,
volveu-se .com
a'
criação
eimpostos
do Estado: uma ciprestação.
de'serviços
eacida-
dade de muitas histórias ede
voltou.
a ter.creseimento.
transformações,
que ascendenaáreaeconômica.
Hoje
ela- -agoracomtodaaforça
ebele-,
é
�uarta
emarrecadação
de za,que
sóFlorianópolis
tem.MIRAMAR
Soterrado
pelo
homem
o
Miramar
era o
fim
e a
continuação
da
cidade.
O
local
para
um
chá,
um
encontro.
Em
seu
lugar,
um
BEIRA
DO
MAR RECUOU
Aterro destrói
vida
portuária
Fotos
antigas
(início
do século
e
anos
40)
mostram
o
mercado
inserido
numa
atividade que foi
esquecida:
o
porto
e sua
movimentação
Na
garra
das
bruxas
xastomava conta
do
matagal:
"Tu vais ver oque
sefaz
com opescador",
rosnou a
chefe do
bando bru xólico. "Porfavor,
ai, ai,
ai.
Sou tãobonzinho",
repetia
ManéBelo.
A essa alturajá
tinha os cabelos arrancados e a face escaldada
pela fogueira
que iriamatá-lo.
Então lembrou-sede
quetinha dentes
de
alho nobolso,
enfiando todos naboca.
Derepente
as bruxassumiram,
e suapri
meira
reação
foi
correr omais
quepôde. Chegando
em casa, viu uma sombra. Parou
boquiaberto.
Suas pernas tremiam.Aparece
seufilho,
que voltava dapescaria
noturna elhe
diz:"O
pai,
parece queviu
bruxa. Essas coisa não
existe,
não tem?" Carla Cabral
Mané
Belo,
um pescador
metido abom,
cami nhavapelo
mato. Alua,
emtodo
o seuexplendor,
anunciava uma boa pescaria
nodia
seguinte.
Ele pa
rou
para
olhar um reflexona bananeira à sua frente e, talo horror da
imagem,
saiu correndo.
Porém,
nãopercebeu
aperseguição
bruxólica:duas
criaturasse puseram diante oolhardo
pescador, rodopiando
ventos.
Mané
Belo,
neste instante,
aindatentoudesviarmasatrás deleestavao res tan
te. das
bruxas. "Ah,bruxinha,
nãomefaça
mal.Sou
tãobonzinho",
gaguejou,
enquanto
o redemoi nhoprovocado pelas
bru-.. .
RESISTÊN
elA
o modernismo
demorou 30
anos
para
aportar
na
literatura
de
Florianópolis
Provincianismo
provoca
atraso
de trinta
anos
Milene Correa
Se o Modernismo
já
seapresentava
na literaturaeuropéia
nofinal do séxuloXIX,
somenteem 1920 ele
chega
aoBrasil. E quase 30 anos de
pois,
em1947,
a literatura moderna aporta na Ilha deSantaCatarina.
Caprichos geográficos?
Talveznão
explíquem
esteatraso. Mas estenãofoi,
comcerteza, oúnicomotivoa acarretarta manho atraso cultural nas le trasdonossoEstado. Mais do que as dificuldadesgeográfi
cas ou decomunicação,
oprincipal
obstáculo enfrenta dopelos
literatos modernistasna suatentativa de instalar-se
em Santa Catarina e,
princi
palmente,
nacapital,
foioextremotradicionalismoeelitis mo, tantoda classe intelectual
quanto
da sociedade floríanopolitana
como um todo. Enquanto
orestodo Brasilavançavaeaceitavaas
vanguardas
culturais
(importadas
ounão),
Florianópolis
continuouapegada
atradições
quejá
estavam
superadas.
Tradições
que foramdefendidas,
nasdécadas de 20 e
30,
pela
"gera
ção
da Academia" que, comodisseoescritore
professor
deliteratura da
UFSC,
LauroJunkes,
eram pessoas que"estavam com a vida
garan-'
tida,
combom cargopúblico,
boas
funções".
Forampes-Sessão
inaugural
do TeatroÁlvaro
de Carvalhosoas como essas que funda
ram, em
1920,
a Academia Catarinense de Letras. Escri tores que viviam dojornalis
mo e dos cargos
públicos,
sempre
ligados
aopoder
e nuncaàsinovações.
Em
1947, finalmente,
oMo dernismochega
atéa nossaliteratura, através da
criação
doGrupo
Sul,
que tencionavareagir
contraoconservadoris mo e aformalidade excessiva do queseproduzia
até então. Não sóaliteratura foiafetada,
mas todas asmanifestações
artísticas na Ilha receberam
um pouco do ar modernista
que o resto do
país já respi
ravahá quase 30anos.OGru
po
Sul,
dentro da visão modernista
possibilitada
poruma "teia" de
mudanças
ocorridana
sociedade,
procu-rou
introduzir,
tambémaqui,
novas
concepções
de arte ecultura.Jígando-os
com opo vo e com os seus novosmodos de ver esentir.
Mudou-se,
com oGrupo
Sul,
forma econteúdo. Mudou a
própria
finalidadeda
produção
deartee
literatura,
buscou-seumacomunicação
maisampla
com apopulação.
Começou
nessaépoca
o crescimento da pro.
dução
literária"na
área daprosa,
já
queestaprevê
umamaior
objetividade
e exterioridade,
características que melhor serviam àaproxima
ção
escritor/povo.
.
Em 1955 apareceo concre
tismona
poesia
daIlha,
epós
modernismo da
poesia.
Deixasede ladoasintaxe. A
palavra
atuacomoobjeto significativo
em si mesmo,independente
da frase. Em
1980,
sinais de aberturapolítica,
já
não estamos-mais tão atrasados
(os
meios de
comunicação
demassa
já
não opermitem),
esurge, também
aqui,
umalite raturapreocupada
com a realidade,
que faz com que "aliteraturanão
seja
algo
sepa rado davida,
mas o reflexoda
própria
realidade",
diz oo
professor
Lauro Junkes,Emanuel Medeiros Vieira éo
grande
representante
ilhéu destafase, preocupado
com atransformação
da sociedade dentro daIlha,
com amudan ça de costumes e,principal-mente, com a
emergência
da"sociedade de consumo".
Agora,
"aliteratura quesecria
aqui
não é a melhor domundo,
mas,deummodo gerai,
hábastante seriedadenos nossosescritores",constataoprofessor
Lauro.E conclurdí zendo que "é muito difícil fa zet umaprojeção
defuturo,
mas seriaindispensável
queocorressem
mudanças
quanto
à
circulação
danossaliteratu ra".É,
aedição
parece serfácil,
os escritores da Ilha comparam-seaosnacionais,
oque falta é "circular". Parece
que a
Ilha,
que no iníciodosanos
30, temia
a"aporta
gem'
da modernidadee suasvariantes, hoje entregou-se
aela
irremediavelmene,
emdetrimento, até,
do conhecimen to do moderno queseproduz
aqui.
Vinte
anos
depois,
no
Olesmo
lugar
Estas fotos de Dilton do Valle Pereira foram batidas domesmo
lugar,
comumadiferença
de vinte anos entreumaeoutra.O homem deter
no e
gravata
dafotomaisanti ga(1966)
éo Sr. David Mendonça,
que aparece de camisa xadrez na mais recente(1986).
Aesquina
da AnitaGãribaldi com Hercílio Luz dá uma idéia do processo de
verticalização
sofrido por Florianópolis
nesteperíodo.
I
4v1-!;��
ANTESDACBF
tivas voltadas apenas aos as
sociados doclube.
Em1923foifundadaa
Liga
SantaCatarina de
Desportos
Terrestres,
daqual
erammembros fundadores o Fi
gueirense
e oAvaí. Naépoca
havia o
campeonato
dapri
meira divisão de
amadores,
ondeparticipavam
os timesacima citados entre outros. Os
jogos
eram realizados noEstádio Adolfo
Konder
(rua
Bocaiúva),
que inicialmenteeracercado de
madeira,
maistarde
passando
parao concreto.
O
tempo
passoue ostimes�
adquiriram
suas sedespró
�
prias.
OFigueirense
tem a�
sua na rua OlavoBilac,
no�
Estreito,
ondeestá localizadoc
o Estádio Orlando
Scarpelli.
�
Jáo Avaítinha
suaprimeira
g
sedenaruaBocaiúva,
noEs;:j
tádio AdolfoKonder,
ehoje
o sua sede é a
Ressacada,
o�
maiorestádiode SantaCata-rina,
quelevao nome de umilustre avaiano: Aderbal Ra
mos da Silva. O Paula Ra mos, porsua vez, deixou de
atuarnofutebol de Florianó
polis.
BOMDE BOLA Para o Sr.
Fornerolli,
quejogou
noAvaí,
Figueirense,
Paula Ramos e no
Barriga
Verde de
Laguna,
o futebolde
hoje
está muito diferente doseutempo.
Ele dizqueantigamente
ofuteboleraprati
cadoporatletasque
jogavam
apenas por amoràcamisa,
enão por
dinheiro,
como éagora. Em sua
época
o futeboleraamadore os
jogadores
não eram
assalariados;
aliás,
quando
recebiam era umaquantia
muito pequena, a título de
ajuda,
e osjogadores
sempre tinham outra
profis
são.Outra coisaqueo Sr. For
nerolli lamenta é o fato dos clubes não
jogarem
mais pensandono
espetáculo,
natorcida. O que lhes interessa é o
resultado,
sólutando para fazer
gols
echegar
à vitória seeste resultadofornecessário.
Outra coisaque ele não acha
justo
é um timeperder
umtítulo nos
pênaltis.
Paraele,
oideal é arealização
deumaterceira
partida.
Naopinião
dele,
ofutebol dacapital,
representado pelo
Avaí e Figueirense,
nãoserá maiscampeão estadual, pois
os times dos outros centrosestão unidos,
tornando-semaisfortes,
como por
exemplo
opróprio
Joinville. Restaparaosilhéus
apenasesperarparaver se as
palavras
do Sr. Fornerolli setornarãorealidade. Outalvez aliaros dois times da
capital
e fazerum só:Quem
sabe?Denirys
Rodrigues
No começo doséculoos es
portes
maispraticados
nacapital
eram osaquáticos,
comdestaque
para anatação
e o remo. Este último era consi deradocomo oesporte
da elite de
Florianópolis,
quecontavacomos
seguintes
clubes:Riachuelo,
Martinele,
e oAldo
Luz,
que permanecemos mesmosaindahoje.
Nanatação,
odestaque
ficava para oFigueira
NáuticoClub,
queorganizava
ospáreos
(compe
tições)
naBaía Sul.Outros
esportes
comoatletismo,
futebol eginástica
também eram
praticados.
Oatletismo da
capital
conseguiu
inclusivealguns
desta ques nacionaiscomatletasdoPaulaRamos
Esporte
Clube.J áa
ginástica
não teve muitodestaque
e ofutebolera amador,
praticado
sópela
elite.Esportes
como vôlei e basquete
não tinham a mesmapopularidade
que osoutros,
ficandorestritosaos
pátios
decolégio.
O MAISPOPULAR O
esporte
maispopular
daépoca
era o remo, mas com opassar dotempo,
ofutebolfoicrescendo e buscandono vos aficcionados. Na
capital,
os times de futebol existiamnos
bairros,
eali haviamcamposdefutebol que
hoje já
de-sapareceram. .Mas a história do futebol
não ficaporaí.
Imaginem
só: antes osjogos
eram realiza dosnocampo doColégio
Catarinense e o desenrolar das
partidas
se dava ao som de marchasetangos
executadospela
BandadaForça
Pública.Destes
jogas
participavam
personalidades
como Ivo D'Aquino,
Francisco Gallotti,
Nereu Ramos e HercílioLuz.
Os times de maior desta que na
época
eram o Trabalhista,
oFlorianópolis
e oPalmeiras,
mastambémexistiam-o Internato e o
Externato,
formados poralunosdoColé
gio
Catarinense.Porém,
afo me poresporte
era muito maior queisto,
e outros clubesforamfundadoseperma necem ainda
hoje,
como oAvaíeo
Figueirense.
COMEÇO
O
primeiro
foioFigueiren
se,que
hoje, depois
deamar garumasegunda
divisão,
volta à
primeira
comesperançasde novas vitórias. O
Figuei
rensesurgiu
apartir
daidéiaque três
jovens,
João Savas Siridakis(Jango),
Jorge
Albino Ramose
Domingos
Velo-Uma das
primeiras formações
doFigueirense
As
transformações
do
esporte
em
setenta
anos
ser creditado a um ou outro radical torcedor
avaiano.
depois
de afirmar quecom oFigueirense
nasegunda
divi são seria mais fácil ser campeão,
oAvai sóconseguiu
ficar em
quarto
lugar,
o quenão esmoreceu o entusiasmo
de suatorcida: "não hánada
melhor do que ser um bom
avaiano". O que só
pode
serdito porquemdesconheceos
prazeres de sentir-se
Figuei-rense.
t
Alguns
anosmaistarde,
nobairro daPraia de
Fora,
surgeoPaula Ramos S.C.. O time
surgiu
napraia
e o nome foitirado deum cais
(Cais
PaulaRamos),
que ficavaperto
deondeestavam reunidosos
jo
vensaventureiros,
no dia 15de Dezembro de 1937. A idéia inicial era a de formar
umtime para
jogar
navárzea,
mas essetimefoicampeão
doestado em 1943
(este
foi oprimeiro
título estadual do PaulaRamos).
O Paula Ramos não tinha sófutebol. No
atletismo,
suaequipe conseguiu destaque
nacional mais de uma vez.
Hoje
o clube não faz maisparte
docampeonato
defutebol
profissional
doestado,
sendo agora apenasumclube
social,
com atividadesespor-so,tiveram de fundarumclu
be de
futebol,
nasproximi
dades da
figueira,
queeraumlugar
comum. Com isso nodia 12 de Junho de
1921,
na rua PadreRoma, perto
da ConselheiroMafra,
na casado Sr. Ulisses Carlos Tolen
tino,
ondeasalaestavacheia,
nascia oFigueirense
FutebolClube. A
partir
daí,
disputa
riaregularmente
os campeonatos
regional
e estadual.O clube tem um
passado
de
glórias
efoioprimeiro
representante
de Santa Catarina no
Campeonato
Nacional,
em 1973.Apesar
disso,
osúltimos acontecimentos não são muito favoráveisao time
queestásituadonocontinen te. Desde 1974queo
Figuei
rense não consegueconquis
taro título de
campeão
esta dual e, no anopassado,
depois
de umapéssima
campanha,
tevequesuportar
umrebaixamento da
primeira
paraa
segunda
divisão.Porém,
para
alegria
da torcida alvinegra,otimedoEstreitovol taà
primeira
divisãoem1988. Mas há quemdiga
que
"ahistória do
Figueirense
é ser vice",
o que certamente deveDoisanos
depois
da fundação
doFigueirense, foi
inaugurado
oclubequeveioa ser seumaior rivalnaatualidade,
oAvaí FutebolClube(que
seescrevia
Avahi).
No dia1�deSetembro de
1923,
na ruaFreiCanecan�
34,
na casadeAmadeu Horn surge o Avaí F. C.. A idéia da
fundação
de um clube de futebol veio
após
uma'
partida
deumtime degarotos
quevenceuoHumaitá,
umtime valentedaruaNova Trento. O
primeiro
no mesugerido
foiodeIndepen
dência Football
Club,
pois
estavamna semana da Pátriae o nome seria uma homena
gem à data. MasoSr. Arnal do Pintode Oliveiranãocon
corda,
porser um nomemui togrande
e difícil de incentivar.Então ele mesmosuge
re o nome
Avahi,
e assim foifeito. Amém.
O A vaítemum
passado
deglórias.
É,
otime que maisve zesconquistou
ocampeonato
estadual,
emborajá faça
al gumtempo
que nãoconsegueconquistar
umtítulo. Naúlti-ma
temporada,
porexemplo,
.