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Anemómetro acústico

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Academic year: 2021

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(1)

Universidade de Aveiro Departamento de Electr´onica, Telecomunica¸c˜oes e Inform´atica, 2009

Jo˜

ao Pedro

Louren¸co Ferreira

Anem´

ometro ac´

ustico

(2)

Universidade de Aveiro Departamento de Electr´onica, Telecomunica¸c˜oes e Inform´atica, 2009

Jo˜

ao Pedro

Louren¸co Ferreira

Anem´

ometro ac´

ustico

Acoustic anemometer

Disserta¸c˜ao apresentada `a Universidade de Aveiro para cumprimento dos requisitos necess´arios `a obten¸c˜ao do grau de Mestre em Engen-haria Electr´onica e Telecomunica¸c˜oes (MIEET), realizada sob a orienta¸c˜ao cient´ıfica do Dr. Jo˜ao Manuel de Oliveira e Silva Rodrigues e Dr. Manuel Bernardo Salvador Cunha, Professores do Departamento de Electr´onica, Telecomunica¸c˜oes e Inform´atica da Universidade de Aveiro

(3)

o j´uri / the jury

presidente / president Professor Doutor Armando Jos´e Formoso de Pinho

Professor Associado da Universidade de Aveiro (por delega¸c˜ao da Reitora da Uni-versidade de Aveiro)

vogais / examiners committee Professor Doutor M´ario Jo˜ao Sim˜oes Ferreira dos Santos Professor Auxiliar da Universidade de Coimbra

Professor Doutor Jo˜ao Manuel de Oliveira e Silva Rodrigues Professor Auxiliar da Universidade de Aveiro (orientador)

Professor Doutor Manuel Bernardo Salvador Cunha Professor Auxiliar da Universidade de Aveiro (co-orientador)

(4)

agradecimentos / acknowledgements

Agrade¸co ao Professor Jo˜ao Rodrigues e ao Professor Bernardo Cunha por mostrarem sempre interesse para discutir ideias, por todo o apoio, dedica¸c˜ao e disponibilidade demonstrada ao longo do trabalho.

Gostaria tamb´em de agradecer a todos os amigos que fiz na UA, colegas e professores com quem tive o prazer de conviver e mais especifi-camente a todos aqueles que estiveram mais presentes ao longo do curso e com quem tive oportunidade de crescer, discutir ideias, trocar impress˜oes e conhecimento importantes.

Um obrigado especial `a minha fam´ılia, em especial aos meus pais e irm˜ao, aos meus amigos e `a Filipa por todo o apoio, conselhos e motiva¸c˜ao que n˜ao s´o neste ´ultimo ano, mas ao longo de todos os 5 anos, foram fundamentais para concluir esta etapa.

(5)

Resumo O anem´ometro, instrumento que permite caracterizar o vento, tem vindo a ser utilizado cada vez mais gra¸cas `a crescente consciencializa¸c˜ao e aproveita-mento do potencial do vento como energia renov´avel. Existem v´arios tipos de anem´ometros, com bases de constru¸c˜ao diferentes.

Esta disserta¸c˜ao aborda o projecto e constru¸c˜ao de um anem´ometro ac´ustico, que se serve de ultra-sons para a determina¸c˜ao da velocidade do vento. A sua constru¸c˜ao inclui um par de transdutores piezoel´ectricos -emissor e receptor - e um microcontrolador. Por n˜ao possuir partes m´oveis consegue-se uma maior durabilidade e baixos custos de manuten¸c˜ao, uma vez que se reduz o desgaste mecˆanico dos componentes. O princ´ıpio de medi¸c˜ao baseia-se na determina¸c˜ao do tempo de voo de uma onda sonora entre um transdutor emissor e um receptor. Atrav´es do tempo de voo de-terminado ´e calculada a velocidade do vento que, juntamente com outra informa¸c˜ao estat´ıstica, ´e disponibilizada ao utilizador atrav´es de uma in-terface gr´afica. Para determinar o tempo de voo utilizou-se uma t´ecnica simples e pouco exigente em termos de capacidade de processamento, mas que ainda assim ´e fi´avel e precisa.

Os resultados obtidos nos testes realizados s˜ao bastante interessantes. O anem´ometro desenvolvido apresenta uma resolu¸c˜ao de 0.031ms−1 e uma precis˜ao de 0.034ms−1.

(6)

Abstract The anemometer, an instrument used to characterize the wind, has become popular due to the increasing awareness and use of the potential of wind as a renewable energy. There are several types of anemometers, with different bases of construction.

This work discusses the design and construction of an acoustic anemome-ter, which uses ultrasound to determine the wind speed. Its construction includes a pair of piezoelectric transducers - transmitter and receiver - and a microcontroller. It does not have moving parts to achieve greater dura-bility and low maintenance costs, since it reduces the mechanical wear of components. The measurement principle is based on the determination of the time of flight of a sound wave between emitter and receiver. With this time, the wind speed is calculated and provided along with other statistical information through a graphical interface. To determine the time of flight, it is used a simple and undemanding technique in terms of processing power, but yet reliable and accurate.

The obtained results in test are quite interesting. The developed anemome-ter has a resolution of 0.031ms−1 and an accuracy of 0.034ms−1.

(7)

Conte´

udo

1 Introdu¸c˜ao 1 1.1 Enquadramento . . . 1 1.2 Motiva¸c˜ao e Objectivos . . . 1 1.3 Estrutura da disserta¸c˜ao . . . 2 1.4 Principais resultados . . . 2 2 Anemometria 3 2.1 O vento . . . 3 2.1.1 Tipos de vento . . . 4

2.1.2 Alguns factores que afectam o vento . . . 5

2.1.3 Energia do vento . . . 6

2.2 Medi¸c˜ao do vento . . . 8

2.2.1 Anem´ometros de copos . . . 9

2.2.2 Anem´ometros de h´elice . . . 10

2.2.3 Anem´ometros laser Doppler . . . 10

2.2.4 Anem´ometros de fio quente . . . 10

2.2.5 Anem´ometros de tubo . . . 11

2.2.6 Anem´ometros de prato . . . 12

2.2.7 Anem´ometros de ac´usticos . . . 12

2.3 O som . . . 13

2.3.1 Propaga¸c˜ao do som . . . 15

2.3.2 Aspectos importantes na propaga¸c˜ao do som . . . 15

2.4 M´etodos de medi¸c˜ao com ultra-sons . . . 15

2.5 T´ecnica utilizada para medi¸c˜ao da velocidade do vento . . . 16

2.6 Sensores piezoel´ectricos . . . 18

3 Projecto e constru¸c˜ao do anem´ometro ac´ustico 21 3.1 Descri¸c˜ao do sistema implementado . . . 21

3.2 Medi¸c˜ao do tempo de voo . . . 22

3.2.1 Simula¸c˜ao de emissor/receptor de ultra-sons em MatLab . . . 22

3.2.2 Estudo do sinal a aplicar ao emissor . . . 24

3.2.3 Determina¸c˜ao do tempo de voo na recep¸c˜ao . . . 28

3.3 Hardware desenvolvido para o anem´ometro . . . 33

3.3.1 Aspectos relativos ao desenvolvimento do sistema . . . 33

3.3.2 Dispositivo concebido . . . 34

(8)

3.3.4 Circuito de recep¸c˜ao do sinal . . . 36

3.3.5 Multiplexagem dos sinais emitido e recebido . . . 38

3.4 Software desenvolvido . . . 38

3.4.1 Organiza¸c˜ao do software . . . 38

3.4.2 Sinal emitido . . . 40

3.4.3 Recep¸c˜ao e detec¸c˜ao do instante de mudan¸ca de fase . . . 41

3.4.4 Comunica¸c˜ao MSP - terminal . . . 44

3.4.5 Interface desenvolvida . . . 44

4 Testes e resultados 47 4.1 Curva de fase . . . 47

4.2 Aquisi¸c˜ao dos sinais e processamento em MatLab . . . 48

4.3 Determina¸c˜ao do tempo de resposta dos transdutores . . . 50

4.4 C´alculo da velocidade do vento . . . 53

5 Conclus˜oes e trabalho futuro 55 5.1 Conclus˜oes . . . 55

5.2 Trabalho futuro . . . 56

A Hardware 59 A.1 Esquema el´ectrico . . . 59

A.2 Lista de componentes . . . 60

A.3 PCB do anem´ometro . . . 61

B Software 63 B.1 MSP . . . 63

(9)

Lista de Tabelas

4.1 Tempos de voo MatLab vs MSP . . . 49

4.2 Dados relativos `a varia¸c˜ao da distˆancia entre os sensores . . . 52

(10)

Lista de Figuras

2.1 Mapa isob´arico da Europa Central . . . 3

2.2 Caracter´ısticas t´ermicas da brisa mar´ıtima . . . 4

2.3 Caracter´ısticas t´ermicas do vento de montanha . . . 5

2.4 Turbulˆencia provocada por um obst´aculo . . . 5

2.5 Efeito de t´unel . . . 6

2.6 Rela¸c˜ao entre a potˆencia e velocidade do vento [4] . . . 6

2.7 Deflex˜ao do vento . . . 7

2.8 Wind rose . . . 7

2.9 Distribui¸c˜ao de Weibull [4] . . . 8

2.10 Anem´ometros de copos [8] . . . 9

2.11 Anem´ometros de h´elice [8] . . . 10

2.12 Anem´ometros de laser doppler . . . 10

2.13 Anem´ometros de fio quente [8] . . . 11

2.14 Anem´ometros de Tubo . . . 11

2.15 Anem´ometros de prato [8] . . . 12

2.16 Anem´ometros ac´usticos [16] . . . 13

2.17 Ondas longitudinais e transversais (shear wave) . . . 13

2.18 Representa¸c˜ao da propaga¸c˜ao de ondas sonoras atrav´es da lei de Hooke . . . 14

2.19 Propaga¸c˜ao do vento . . . 17

2.20 Efeito piezoel´ectrico sem for¸cas aplicadas . . . 18

2.21 Efeito piezoel´ectrico, aplica¸c˜ao de uma for¸cas . . . 19

2.22 Efeito electromecˆanico, aplica¸c˜ao de uma tens˜ao . . . 19

2.23 Aspectos na constru¸c˜ao de sensores piezoel´ectricos . . . 20

2.24 Equivalente el´ectrico dos sensores piezoel´ectricos . . . 20

3.1 Diagrama de blocos do sistema . . . 22

3.2 Esquema do filtro utilizado . . . 23

3.3 Resposta em frequˆencia do filtro e resposta a impulso . . . 24

3.4 Resposta do filtro a onda sinusoidal vs quadrada . . . 25

3.5 Resposta do filtro com varia¸c˜ao da frequˆencia . . . 27

3.6 Resposta do filtro a uma varia¸c˜ao da fase . . . 28

3.7 Mudan¸ca de fase de 180° . . . . 28

3.8 Aproxima¸c˜ao das passagens por zero . . . 29

3.9 Varia¸c˜oes do per´ıodo com mudan¸ca de frequˆencia . . . 30

3.10 Varia¸c˜oes do per´ıodo com mudan¸ca de fase . . . 31

(11)

3.12 Curva de fase para desfasamento de 180 . . . . 33

3.13 Kit de desenvolvimento ez430-RF2500 . . . 34

3.14 Transdutores Murata MA40S5 . . . 34

3.15 Montagem utilizada no desenvolvimento do sistema . . . 35

3.16 PCB do anem´ometro desenvolvido . . . 35

3.17 Circuito de emiss˜ao de ultra-sons . . . 36

3.18 Circuito receptor de ultra-sons . . . 37

3.19 Multiplexagem dos sinais . . . 38

3.20 Fluxograma do software . . . 39

3.21 Fluxograma do algoritmo de emiss˜ao . . . 40

3.22 Fluxograma do algoritmo de recep¸c˜ao . . . 42

3.23 Compensa¸c˜ao efectuada no algoritmo de recep¸c˜ao devido a acelera¸c˜ao da onda e desacelera¸c˜ao da onda . . . 43

3.24 Interface de apresenta¸c˜ao de resultados . . . 45

4.1 Desvios de fase m´ınimos e m´aximos . . . 48

4.2 Sinais emitido e recebido . . . 49

4.3 Montagem utilizada nos testes . . . 50

4.4 Medi¸c˜ao dos tempos de voo em fun¸c˜ao da distˆancia . . . 51

4.5 Varia¸c˜ao dos tempos em torno da mediana 38cm . . . 52

4.6 Montagem utilizada para teste com vento . . . 53

4.7 Histograma da medi¸c˜ao da velocidade do vento . . . 54

A.1 Esquema el´ectrico do anem´ometro . . . 59

A.2 PCB do anem´ometro (top) . . . . 61

(12)

Cap´ıtulo 1

Introdu¸c˜

ao

1.1

Enquadramento

Muito devido `a problem´atica ambiental, urge a necessidade cada vez mais crescente de rentabilizar a energia do planeta e de a produzir respeitando o meio ambiente. O crescente investimento em energias renov´aveis, impulsionado n˜ao s´o pelas constantes preocupa¸c˜oes rela-tivas a quest˜oes ambientais, mas tamb´em devido aos benef´ıcios econ´omicos que advˆem da sua utiliza¸c˜ao, leva a que esta seja uma ´area de destaque e crescente interesse a n´ıvel global. A energia e´olica ´e uma das que apresenta um potencial mais elevado e tamb´em um investimento mais rent´avel. O n´umero de parques e´olicos de grandes dimens˜oes tem vindo a aumentar e com eles o incentivo para a instala¸c˜ao de aerogeradores a n´ıvel particular, permitindo ao utilizador gerar a sua pr´opria energia e ainda rentabilizar o excedente vendendo `a rede. Da an´alise destes factores prevˆe-se um crescimento da utiliza¸c˜ao desta forma de energia renov´avel. A instala¸c˜ao de aerogeradores deve ser precedida de um estudo bastante rigoroso. Deve ser feita uma an´alise rigorosa ao espa¸co envolvente ao local de instala¸c˜ao, de modo a avaliar o impacto de alguns factores que afectam a velocidade e direc¸c˜ao do vento. Atrav´es destas caracter´ısticas ´e poss´ıvel prever a quantidade de energia que pode ser gerada por unidade de tempo, e efectuar um dimensionamento correcto do aerogerador de forma a possuir um desempenho adequado.

1.2

Motiva¸c˜

ao e Objectivos

Para a utiliza¸c˜ao do vento como fonte de energia renov´avel s˜ao necess´arios diferentes dispositivos. A caracteriza¸c˜ao do vento ´e um aspecto importante uma vez que as previs˜oes te´oricas do potencial e´olico de um local s˜ao feitas com base nas medidas de velocidade e direc¸c˜ao do mesmo atrav´es de um anem´ometro, tornado-se este um dispositivo essˆencial para este fim. O conhecimento do potencial e´olico de determinado local permite saber se ´e rent´avel ou n˜ao a´ı a instala¸c˜ao de aerogeradores. Quanto mais fi´aveis e precisos forem os valores de velocidade e direc¸c˜ao do vento medidos melhores s˜ao as conclus˜oes acerca do potencial do vento.

Assim sendo, surgiu o interesse e a motiva¸c˜ao para projectar e construir um anem´ometro ac´ustico que permitisse uma caracteriza¸c˜ao fi´avel e precisa do vento, com baixo consumo energ´etico e versatibilidade. A constru¸c˜ao deste instrumento teve a preocupa¸c˜ao de n˜ao possuir partes m´oveis, tentando com isso eliminar o desgaste mecˆanico, levando a que a

(13)

manuten¸c˜ao seja reduzida e a durabilidade maior. O anem´ometro deve ainda disponibilizar dados resultantes da an´alise e tratamento dos valores de velocidade e direc¸c˜ao medidos, dando assim uma indica¸c˜ao do potencial do local em estudo.

1.3

Estrutura da disserta¸c˜

ao

A presente disserta¸c˜ao encontra-se dividida em 5 cap´ıtulos e descreve o projecto e con-stru¸c˜ao de um anem´ometro ac´ustico. O cap´ıtulo 2 faz uma introdu¸c˜ao te´orica de alguns temas relacionados com a anemometria. Inicia-se uma caracteriza¸c˜ao do vento, descrevendo--se sucintamente os tipos de vento existentes, alguns factores que o influenciam e a energia que pode ser colhida. De seguida faz-se uma descri¸c˜ao dos instrumentos existentes utilizados para medi¸c˜ao da velocidade e direc¸c˜ao do vento. S˜ao ainda abordados aspectos relativos `a propaga¸c˜ao do som e `a t´ecnica utilizada para caracteriza¸c˜ao do vento com base em ondas sonoras. No cap´ıtulo 3 ´e feita uma descri¸c˜ao pormenorizada do projecto e implementa¸c˜ao do anem´ometro. Numa fase inicial s˜ao apresentados os estudos do sinal a aplicar ao emis-sor, bem como da forma de determinar o tempo de voo da onda entre os dois transdutores, acompanhados pelas simula¸c˜oes efectuadas. Descreve-se ainda toda a implementa¸c˜ao tanto ao n´ıvel de software como hardware. Os testes e resultados est˜ao apresentados no cap´ıtulo 4, onde tamb´em ´e feita uma an´alise dos mesmos. Para finalizar no cap´ıtulo 5 est˜ao descritas algumas conclus˜oes retiradas do trabalho efectuado e tamb´em algumas propostas de trabalho futuro.

1.4

Principais resultados

O anem´ometro ac´ustico desenvolvido permite a caracteriza¸c˜ao do vento numa direc¸c˜ao. O sistema apresenta resultados bastante interessantes, podendo afirmar-se que a t´ecnica uti-lizada tem potencial para ser utiuti-lizada na medi¸c˜ao da velocidade do vento.

O instrumento concebido possui uma resolu¸c˜ao de 0.031ms−1 que est´a relacionada com

o rel´ogio e uma precis˜ao de 0.034ms−1. Esta caracteriza¸c˜ao foi feita na ausˆencia de vento e

com base em 1000 valores medidos experimentalmente, correspondentes ao tempo de voo da onda entre os transdutores afastados 120mm um do outro.

O anem´ometro concebido n˜ao foi sujeito a aferi¸c˜ao. Os testes realizados foram feitos num ambiente o mais controlado poss´ıvel, garantindo que n˜ao haviam varia¸c˜oes das condi¸c˜oes. O teste realizado com vento foi apenas para avaliar a varia¸c˜ao do sentido do vento, uma vez que o valor real da velocidade n˜ao era conhecido.

(14)

Cap´ıtulo 2

Anemometria

2.1

O vento

Os sistemas de ventos terrestres resultam do deslocamento de massas de ar devido `as diferen¸cas de press˜ao atmosf´erica entre duas regi˜oes adjacentes. As varia¸c˜oes de press˜ao na atmosfera devem-se `as diferen¸cas no aquecimento solar ao longo da superf´ıcie terrestre.

A press˜ao atmosf´erica ´e a for¸ca exercida por uma massa de ar numa determinada ´area de superf´ıcie terrestre e pode ser medida recorrendo a um bar´ometro. A unidade de press˜ao atmosf´erica ´e, entre outras, o bar e um bar ´e, aproximadamente a press˜ao atmosf´erica ao n´ıvel m´edio das ´aguas do mar.

Uma das formas de apresentar a press˜ao atmosf´erica numa determinada ´area ´e atrav´es de um mapa idˆentico ao da figura 2.1. Neste tipo de representa¸c˜ao existem regi˜oes identificadas com L (Low) e H (High) contornadas por uma linha curva. Esta nota¸c˜ao fornece informa¸c˜ao de zonas de baixa e alta press˜ao respectivamente, e as linhas situam-se sobre locais que possuem igual press˜ao, linhas isob´aricas. As regi˜oes de elevada press˜ao indicam normalmente bom tempo e ventos fracos, por outro lado, baixas press˜oes s˜ao sin´onimo de ventos fortes e precipita¸c˜ao [6].

(15)

2.1.1 Tipos de vento

O vento geostr´ofico ´e bastante dependente das diferen¸cas de temperatura e press˜ao, n˜ao sendo influenciado pela superf´ıcie terrestre uma vez que se encontra em torno dos 1000 metros de altitude. As diferen¸cas no aquecimento variam ao longo da superf´ıcie terrestre devido `a sua curvatura, existem por isso zonas onde a quantidade de radia¸c˜ao solar incidente ´e maior. Estas regi˜oes est˜ao localizadas pr´oximas ou sobre a linha do equador. Isto acontece porque a direc¸c˜ao da radia¸c˜ao ´e perpendicular `a superf´ıcie de incidˆencia da terra. Situa¸c˜ao diferente acontece com o aumento da latitude, os raios solares incidem obliquamente na crosta terrestre fazendo com que a quantidade de radia¸c˜ao seja menor. Outro dos fen´omenos que influencia os sistemas de vento globais ´e a for¸ca de Coriolis. Qualquer corpo que se mova sobre um refe-rencial em rota¸c˜ao parece ser desviado por ac¸c˜ao desta for¸ca aparente de curvatura. Assim no hemisf´erio norte quando o vento se aproxima de zonas de baixa press˜ao ou quando deixa zonas de alta press˜ao roda normalmente no sentido contr´ario dos ponteiros do rel´ogio, enquanto no hemisf´erio sul a rota¸c˜ao ´e no sentido dos ponteiros do rel´ogio. Esta for¸ca ´e respons´avel pelo vento de nortada, tipo de vento frio da costa ocidental da Europa proveniente de noroeste. A sua for¸ca ´e m´axima nos p´olos e nula no equador [6].

Existem tamb´em outro tipo de ventos, os de superf´ıcie que s˜ao fortemente influencia-dos pela rugosidade e obst´aculos da superf´ıcie terrestre, e ainda a uma escala mais pequena a brisa e os ventos de montanha. A brisa ´e caracter´ıstica de zonas pr´oximas da superf´ıcie do mar e resulta das diferentes capacidades calor´ıficas do mar e da terra, as caracter´ısticas de aquecimento e arrefecimento s˜ao diferentes como ´e poss´ıvel ver na figura 2.2.Uma vez que a terra ´e aquecida pelo sol mais rapidamente do que o oceano, o ar em cima desta sobe e cria uma baixa de press˜ao no solo. O ar fresco do oceano flui na direc¸c˜ao da terra de modo a compensar o aumento de temperatura, originado a chamada brisa mar´ıtima. Ao anoitecer existe um per´ıodo durante o qual a temperatura no mar e em terra s˜ao iguais, no entanto durante a noite o oceano arrefece mais lentamente e a brisa sopra na direc¸c˜ao do mar, embora mais fraca porque a diferen¸ca de temperaturas ´e menor.

Figura 2.2: Caracter´ısticas t´ermicas da brisa mar´ıtima

Relativamente ao vento de montanha, figura 2.3, este surge durante o dia devido ao aquecimento das massas de ar frias que se encontram no vale. Estas ao aquecerem tornam-se menos densas e sobem junto `a superf´ıcie da montanha, fazendo por outro lado com que o ar mais frio des¸ca para compensar este efeito. `A noite o ar flui na direc¸c˜ao contr´aria, o ar frio desce para o vale pela superf´ıcie da montanha [4].

(16)

Figura 2.3: Caracter´ısticas t´ermicas do vento de montanha

2.1.2 Alguns factores que afectam o vento

A caracteriza¸c˜ao do vento deve ter em aten¸c˜ao v´arios factores que tˆem bastante influˆencia no seu comportamento. A velocidade a baixas altitudes ´e fortemente afectada pela rugosidade e forma do terreno assim como pelos obst´aculos existentes, podendo estes desencadear efeitos inesperados. Certas superf´ıcies em especial as rugosas e com muitos obst´aculos, como ´e o caso das grandes cidades e florestas, provocam desacelera¸c˜ao do vento. Por outro lado nos rios e mar a diminui¸c˜ao da velocidade ´e menor uma vez que a ´agua ´e uma superf´ıcie mais uniforme. Os obst´aculos influenciam a velocidade do vento criando zonas de turbulˆencia, como ´e poss´ıvel ver na figura 2.4. Nestes locais a energia que ´e poss´ıvel retirar do vento ´e por isso substancialmente inferior.

Figura 2.4: Turbulˆencia provocada por um obst´aculo

As caracter´ısticas de relevo da superf´ıcie terrestre e os grandes edif´ıcios podem por outro lado tornar-se uma vantagem, pois podem desencadear um aumento da velocidade do vento atrav´es do efeito de t´unel. Na figura 2.5 as part´ıculas inicialmente com velocidade V1, ao atravessarem a zona com menores dimens˜oes v˜ao adquirir uma velocidade V2 superior `a ini-cial. Para perceber este efeito toma-se como exemplo uma seringa preenchida com l´ıquido. A velocidade com que se comprime o ˆembolo ´e bastante inferior `aquela com que o l´ıquido ´e expelido. Isto acontece porque o diˆametro da extremidade da seringa ´e bastante inferior ao do ˆembolo. Fen´omeno semelhante acontece com o vento quando atravessa uma zona entre duas montanhas ou edif´ıcios relativamente pr´oximos, este ´e comprimido e a sua velocidade aumenta consideravelmente entre os obst´aculos. Contudo ´e necess´ario ter em aten¸c˜ao as caracter´ısticas das superf´ıcies porque podem introduzir turbulˆencia, tornando esta t´ecnica desvantajosa.

No cimo das montanhas o vento tamb´em apresenta uma velocidade superior comparati-vamente `as ´areas circundantes. Isto deve-se `a compress˜ao que as part´ıculas est˜ao sujeitas do lado da montanha onde o vento incide, e que, ao atingir o ponto mais alto voltam a expandir--se. Esta ´e normalmente uma op¸c˜ao vantajosa contudo tamb´em ´e necess´ario ter em aten¸c˜ao a turbulˆencia introduzida [4].

(17)

Figura 2.5: Efeito de t´unel

2.1.3 Energia do vento

Um dos aspectos mais importantes nomeadamente na instala¸c˜ao de aerogeradores ´e o potencial energ´etico que pode ser retirado do vento. A for¸ca exercida pelo vento nas p´as do aerogerador dita a quantidade de energia que pode ser colhida e depende da densidade do ar, da ´area do rotor e da velocidade do vento. Esta for¸ca ´e a sua energia cin´etica e pode ser descrita pela express˜ao

Ec= 12mv2 (2.1)

Para determinar a massa correspondente `a quantidade de vento que atravessa as p´as do aerogerador considera-se que o vento atravessa um cilindro de ´area circular A e comprimento dx num intervalo de tempo dt. Assim sendo, o volume de ar ´e igual `a multiplica¸c˜ao de A por dx, e por outro lado a velocidade pode ser dada pelo quociente entre dx e dt. Relacionando ambas as express˜oes resulta que

m = ρAvdt (2.2)

A potˆencia que pode ser retirada do vento ´e a sua energia cin´etica por unidade de tempo e ´e dada por P = dE dt = 1 2ρAv 3 (2.3)

onde a potˆencia do vento ´e proporcional ao cubo da velocidade do vento e `as dimens˜oes do rotor [6]. Assim, supondo que o vento sopra com uma velocidade de 12ms−1 e que a ´area do rotor ´e de 10m2, o volume de ar que o atravessa num segundo ´e de 120m3. Para obter a massa correspondente basta multiplicar o volume pela densidade do ar, 1.2 × 120 = 144Kg. Nestas condi¸c˜oes a potˆencia do vento ´e igual a 10368W . O gr´afico da figura 2.6 ´e o exemplo de uma curva de potˆencia que ilustra esta rela¸c˜ao. Como ´e poss´ıvel verificar a partir da express˜ao 2.3 e atrav´es da analise do gr´afico o aumento da velocidade do vento para o dobro implica um aumento da potˆencia do vento em oito vezes.

(18)

Ao atravessar o rotor, o vento perde parte da sua velocidade uma vez que alguma da sua energia cin´etica ´e transferida para o rotor. Assim, a quantidade de ar que atravessa o rotor ocupa progressivamente maior ´area para compensar a perda de velocidade, ou seja, vai existir uma deflex˜ao do vento, tal como ilustra a figura 2.7.

Nas express˜oes e considera¸c˜oes feitas anteriormente em rela¸c˜ao `a energia que ´e poss´ıvel obter do vento a altera¸c˜ao de volume n˜ao ´e considerada, ou seja, presume-se que ´e igual antes e depois do aerogerador. Segundo a lei de Betz [9] com esta mudan¸ca n˜ao ´e poss´ıvel extrair toda a energia do vento. No limite ´e poss´ıvel converter em energia mecˆanica 59% (16/27) da energia cin´etica do vento. Esta percentagem pode ser mais baixa se existirem outros factores que influenciam a propaga¸c˜ao do vento.

Figura 2.7: Deflex˜ao do vento

A apresenta¸c˜ao de caracter´ısticas relativas `a distribui¸c˜ao do vento como a velocidade e direc¸c˜ao num determinado ponto ´e normalmente feita atrav´es de uma ferramenta gr´afica apresentada na figura 2.8 que se d´a o nome de rosa-dos-ventos (wind rose). Esta ferramenta apresenta um formato circular e mostra a frequˆencia com que o vento soprou a uma dada velocidade numa direc¸c˜ao em particular atrav´es de barras. Cada barra diz respeito a uma direc¸c˜ao e o seu tamanho est´a relacionado com a frequˆencia com que o vento sopra naquela direc¸c˜ao. Existem ainda algumas variantes onde ´e tamb´em dada informa¸c˜ao da frequˆencia multiplicada pela m´edia da velocidade em cada direc¸c˜ao e tamb´em o produto da frequˆencia com o cubo da velocidade.

(19)

Outra forma de avaliar e caracterizar as varia¸c˜oes da velocidade do vento num determinado local ´e atrav´es da distribui¸c˜ao de Weibull. Esta ´e uma distribui¸c˜ao te´orica que modela de forma aproximada a distribui¸c˜ao das velocidades do vento. Assim, atrav´es do ajuste de alguns parˆametros ´e poss´ıvel fazer um estudo te´orico do potencial e´olico. Este gr´afico mostra a curva de distribui¸c˜ao e densidade de probabilidade da velocidade do vento que dependendo do local, condi¸c˜oes climat´ericas, forma do terreno e obst´aculos existentes vai ter forma e caracter´ısticas distintas. A figura 2.9 ´e um exemplo de uma curva com essa informa¸c˜ao [4].

Figura 2.9: Distribui¸c˜ao de Weibull [4]

2.2

Medi¸c˜

ao do vento

A caracteriza¸c˜ao do vento ´e feita com base em dois parˆametros, velocidade e direc¸c˜ao. O primeiro quantifica a velocidade do movimento das part´ıculas da atmosfera e ´e normalmente descrito em quil´ometros por hora (km/h) ou milhas n´auticas por hora (n´os) para aplica¸c˜oes mar´ıtimas e aeron´auticas, a direc¸c˜ao ´e medida em graus relativamente ao Norte geogr´afico.

A direc¸c˜ao e velocidade do vento podem ser medidas atrav´es de um anem´ometro. His-toricamente este termo deriva da palavra grega anemos que significa vento e remonta a 1940 sendo Leon Battista Alberti pioneiro nesta tem´atica. Conforme o tipo de medi¸c˜oes que se pretendem fazer devem utilizar-se anem´ometros com caracter´ısticas de constru¸c˜ao e opera¸c˜ao diferentes.

Para al´em dos instrumentos dispon´ıveis existe forma de caracterizar qualitativamente o vento. A escala de Beaufort permite duma forma emp´ırica fazer esta avalia¸c˜ao baseando-se no aspecto do mar e efeitos do vento em terra. Esta escala est´a graduada de 0 a 12 e a cada n´umero corresponde um estado e uma gama de velocidades. O estado das folhas das ´arvores, a ondula¸c˜ao mar´ıtima e a existˆencia de fen´omenos mar´ıtimos anormais s˜ao alguns dos parˆametros utilizados nesta caracteriza¸c˜ao [14].

Actualmente a anemometria ´e fundamental quando se trata da escolha do local apropria-do para instala¸c˜ao de parques e´olicos e da quantifica¸c˜ao apropria-do recurso energ´etico dispon´ıvel. Os anem´ometros s˜ao por isso utilizados para fazer o levantamento do potencial e´olico efec-tuando a medi¸c˜ao da velocidade, direc¸c˜ao e intensidade de turbulˆencia do vento, avalia¸c˜ao da energia gerada, levantamento da curva de potˆencia das turbinas e´olicas e monitoriza¸c˜ao de aerogeradores. ´E por isso fundamental que as medi¸c˜oes efectuadas sejam de elevada confian¸ca uma vez que grande parte do processo de avalia¸c˜ao de viabilidade do investimento vai estar

(20)

assente em medidas da velocidade do vento. Desta forma ´e fundamental que o anem´ometro seja de grande qualidade, necessita por isso de passar por um processo de calibra¸c˜ao exigente e elevada fiabilidade. A qualidade das medi¸c˜oes n˜ao se prende somente com este aspecto mas tamb´em com uma correcta instala¸c˜ao do anem´ometro na torre, escolha acertada do per´ıodo das medi¸c˜oes e an´alise de dados rigorosa.

Atrav´es das velocidades medidas obt´em-se informa¸c˜ao acerca da velocidade m´edia, m´axima, m´ınima, desvio padr˜ao, intensidade de turbulˆencia e distribui¸c˜ao da velocidade do vento. Es-tas por sua vez permitem calcular a energia contida no vento, isto ´e, densidade de potˆencia [1].

2.2.1 Anem´ometros de copos

Os anem´ometros de copos s˜ao talvez os mais utilizados e por isso tamb´em os mais po-pulares. Este tipo de instrumento ´e relativamente f´acil de construir, possui um baixo grau de complexidade e apresenta um desempenho bastante aceit´avel. Os anem´ometros de copos s˜ao indicados para um uso generalizado, baseando-se na medi¸c˜ao da quantidade de vento que passa num determinado local durante um determinado intervalo de tempo.

Este tipo de anem´ometros possui uma parte m´ovel e um mecanismo contador. S˜ao parte deste instrumento trˆes ou quatro copos situados no mesmo plano e amarrados na extremidade de uma haste, que por sua vez est´a amarrada a um eixo de rota¸c˜ao perpendicular ao plano onde est´a instalado. Os ˆangulos que as hastes descrevem entre elas s˜ao iguais e as partes concavas dos copos est˜ao todas voltadas no mesmo sentido para que possam rodar com a press˜ao do vento em torno do eixo central. O mecanismo que efectua a contagem pode ser constru´ıdo de modo a produzir uma tens˜ao alternada, em que a tens˜ao ou frequˆencia de sa´ıda s˜ao proporcionais `a velocidade. Outro tipo de constru¸c˜ao baseia-se na velocidade angular da parte rotativa do instrumento que ´e convertida para pulsos atrav´es de um sistema optoelectr´onico. A rela¸c˜ao entre a velocidade dos copos e do vento ´e vari´avel e dependente do tamanho das hastes e dimens˜ao dos copos, chama-se a esta rela¸c˜ao o factor do anem´ometro. A calibra¸c˜ao deste tipo de instrumentos pode ser feita num t´unel de vento, onde o fluxo de ar ´e uniforme e controlado.

Os anem´ometros de copos s˜ao muito utilizados nas esta¸c˜oes meteorol´ogicas e tamb´em em propriedades dedicadas `a agricultura de modo a seleccionar o melhor cultivo para uma determinada zona [22].

(21)

2.2.2 Anem´ometros de h´elice

Os anem´ometros de h´elice s˜ao constitu´ıdos por uma h´elice e por uma palheta. A medi¸c˜ao da velocidade do vento ´e feita atrav´es da h´elice, sendo o seu eixo de rota¸c˜ao paralelo `a direc¸c˜ao do vento. Este tipo de constru¸c˜ao obriga a utiliza¸c˜ao de uma palheta acoplada ao eixo de rota¸c˜ao da h´elice, estando no memo plano que o mastro onde est´a instalado o sistema h´elice e palheta. Esta necessidade prende-se como facto de a h´elice estar necessariamente orientada na direc¸c˜ao do vento para efectuar correctas medi¸c˜oes da velocidade. Existem ent˜ao dois eixos de rota¸c˜ao, o da h´elice e o do sistema h´elice e palheta. O primeiro permite a medi¸c˜ao da velocidade e o segundo, perpendicular `a direc¸c˜ao do vento, permite ajustar a direc¸c˜ao da h´elice [5].

Figura 2.11: Anem´ometros de h´elice [8]

2.2.3 Anem´ometros laser Doppler

O princ´ıpio de medi¸c˜ao utilizado nos anem´ometros laser Doppler prevˆe a utiliza¸c˜ao de um feixe luminoso proveniente dum laser para efectuarem a medi¸c˜ao de velocidades. O feixe emitido ´e dividido em dois, um que permanece no interior do instrumento e o outro que se propaga para o exterior do anem´ometro. Estas ´ultimas part´ıculas v˜ao mover-se juntamente com as do ar. Ao serem reflectidas para o detector s˜ao comparadas com o feixe inicial. Quando as part´ıculas est˜ao em movimento est˜ao sujeitas ao efeito de Doppler, tornando poss´ıvel medir a velocidade do vento na luz do laser e assim calcular a velocidade das part´ıculas [5].

Figura 2.12: Anem´ometros de laser doppler

2.2.4 Anem´ometros de fio quente

Anem´ometros de fio quente s˜ao os mais conhecidos na ´area dos anem´ometros t´ermicos e os mais indicados para medi¸c˜ao de velocidades baixas. As medi¸c˜oes da velocidade do vento s˜ao feitas atrav´es de transferˆencias de calor entre um sensor aquecido e o vento. Estes pos-suem um fio bastante fino, normalmente de platina ou tungst´enio, que ´e aquecido a uma

(22)

temperatura superior `a ambiente. A passagem de uma massa de ar pelo fio provoca o seu arrefecimento originando uma transferˆencia de calor para o fluido. D´a-se assim uma altera¸c˜ao da resistˆencia do fio devido `a varia¸c˜ao da temperatura. Pode assim calcular-se uma rela¸c˜ao entre a resistˆencia el´ectrica do fio e a velocidade do fluido.

Este tipo de anem´ometros podem ser implementados de v´arias formas, podem classificar--se em anem´ometros de corrente constante, temperatura constante ou tens˜ao constante. Em qualquer um deles a sa´ıda do circuito ´e um valor que, dependendo do tipo de implementa¸c˜ao, faz a compensa¸c˜ao do sistema devido ao desequil´ıbrio causado pelo resfriamento da resistˆencia tentado manter a vari´avel (tens˜ao, corrente ou temperatura) constante.

Este tipo de anem´ometros s˜ao bastante utilizados para estudo detalhado de turbulˆencias e varia¸c˜oes r´apidas de ventos. Uma das vantagens deste instrumento ´e o facto de possuir uma resolu¸c˜ao espacial bastante elevada. A necessidade de calibra¸c˜ao frequente devido `a acu-mula¸c˜ao de sujidade, a fragilidade do fio e o elevado pre¸co s˜ao algumas das suas desvantagens [21].

Figura 2.13: Anem´ometros de fio quente [8]

2.2.5 Anem´ometros de tubo

Nesta classe de instrumentos o mais simples ´e o anem´ometro de James Lind, este consiste num tubo de vidro em forma de U preenchido com um l´ıquido. Uma das extremidades encontra-se aberta e na vertical relativamente `a direc¸c˜ao do vento e a outra em determinadas constru¸c˜oes encontra-se fechada possuindo um enxerto de tubo colocado na horizontal na direc¸c˜ao do vento, e noutras o pr´oprio tubo que faz o U ´e dobrado tornando uma extremidade perpendicular `a outra.

Assim o vento incide na extremidade horizontal do tubo provocando um aumento de press˜ao no l´ıquido existente no seu interior. Este aumento desencadeia uma mudan¸ca do n´ıvel do l´ıquido que pode ser quantificado atrav´es de uma escala graduada que se encontra fixa junto da extremidade vertical [5].

(23)

2.2.6 Anem´ometros de prato

Os anem´ometros de prato s˜ao os mais antigos. S˜ao instrumentos bastante simples e basicamente constitu´ıdos por um prato de superf´ıcie lisa de forma circular ou quadrada normal `a direc¸c˜ao do vento, por uma mola e por uma palheta que permite o ajuste da posi¸c˜ao do prato. A press˜ao que o vento exerce no prato ´e equilibrada pela mola e a sua compress˜ao permite calcular a for¸ca que o vento exerce no prato.

Este tipo de instrumentos n˜ao ´e indicado para medi¸c˜oes de velocidades do vento baixas e quando as varia¸c˜oes do vento s˜ao bastante frequentes [5].

Figura 2.15: Anem´ometros de prato [8]

2.2.7 Anem´ometros de ac´usticos

Os anem´ometros ac´usticos utilizam ondas sonoras para medi¸c˜ao da velocidade e direc¸c˜ao do vento, o primeiro surgiu por volta de 1970. A medida baseia-se na determina¸c˜ao do tempo de voo de ondas sonoras entre um emissor e receptor ac´ustico. Para este tipo de instrumentos s˜ao utilizadas tipicamente ondas com uma frequˆencia superior `a aud´ıvel pelo ser humano, os chamados ultra-sons, minimizando o ru´ıdo introduzido nas medi¸c˜oes e possibilitando tamb´em um melhor direccionamento das ondas.

Para a gera¸c˜ao do sinal atrav´es do qual se faz a medi¸c˜ao do tempo de voo ´e normalmente utilizado um transdutor de ultra-sons que pode ser utilizado para recep¸c˜ao ou emiss˜ao. O n´umero de transdutores utilizados varia consoante o tipo de medi¸c˜ao que se pretende efectuar, um par de transdutores permite uma medi¸c˜ao a uma dimens˜ao e uma combina¸c˜ao de dois ou trˆes pares possibilita medidas a duas e trˆes dimens˜oes respectivamente. A distˆancia entre cada par ´e vari´avel, contudo quanto maior o afastamento melhor a resolu¸c˜ao do instrumento. A geometria dos transdutores depende do tipo de constru¸c˜ao adoptado. Outro aspecto im-portante e que necessita de alguma aten¸c˜ao ´e a forma como se determina o tempo exacto de voo. Para isso existem v´arias t´ecnicas, umas que necessitam de maior capacidade de pro-cessamento e por isso uma maior disponibilidade de recursos, e outras menos exigentes. De qualquer forma uma escolha acertada na orienta¸c˜ao dos transdutores e a utiliza¸c˜ao de uma t´ecnica adequada pode trazer algumas vantagens no c´alculo da velocidade do vento.

Estes anem´ometros permitem efectuar medi¸c˜oes com resolu¸c˜ao temporal bastante elevada, tornando-os indicados para medi¸c˜ao de turbulˆencias. Outra vantagem prende-se com o facto de n˜ao conterem partes m´oveis na sua constru¸c˜ao, evitando assim desgaste mecˆanico e con-sequente perca de precis˜ao quando comparados com outros instrumentos utilizados para o efeito. A sua maior desvantagem ´e o facto da velocidade do som variar com a temperatura e press˜ao atmosf´erica [5].

(24)

Figura 2.16: Anem´ometros ac´usticos [16]

2.3

O som

O dispositivo que se pretende desenvolver pertence a esta ´ultima categoria de instrumentos, os anem´ometros ac´usticos. Desta forma torna-se pertinente fazer uma pequena descri¸c˜ao do som.

O som ´e uma vibra¸c˜ao el´astica do ar provocada por zonas de depress˜ao e sobrepress˜ao que se alternam sucessivamente. Todos os materiais s˜ao compostos por ´atomos que podem ser for¸cados a uma vibra¸c˜ao em torno da sua posi¸c˜ao de equil´ıbrio. Sempre que o material n˜ao se encontre num n´ıvel de tens˜ao ou compress˜ao limite ´e poss´ıvel que as suas part´ıculas sofram oscila¸c˜oes el´asticas. Uma vez fora do seu ponto de equil´ıbrio, estas est˜ao sujeitas a for¸cas de reequil´ıbrio internas que as for¸cam a voltar ao equil´ıbrio. S˜ao estas varia¸c˜oes que desencadeiam os movimentos oscilat´orios do meio. As vibra¸c˜oes ac´usticas podem propagar-se no meio de v´arias formas, o mais comum ´e considerar-se a existˆencia de ondas longitudinais e transversais. Relativamente `as ondas longitudinais, tamb´em conhecidas como ondas de press˜ao e compress˜ao, na presen¸ca de for¸cas de compress˜ao e dilata¸c˜ao a oscila¸c˜ao acontece na direc¸c˜ao de propaga¸c˜ao da onda, figura 2.17. Por outro lado nas transversais as altera¸c˜oes d˜ao-se perpendicularmente `a direc¸c˜ao da onda, como est´a ilustrado na imagem inferior da figura 2.17.

Figura 2.17: Ondas longitudinais e transversais (shear wave)

Uma forma de compreender a propaga¸c˜ao de ondas sonoras ´e consider´a-las um n´umero infinito de part´ıculas ligadas entre si atrav´es de molas el´asticas, como est´a representado na figura 2.18. Cada uma das part´ıculas ´e influenciada pelo movimento e pelas for¸cas que imp˜oem a posi¸c˜ao de equil´ıbrio da part´ıcula que lhe est´a adjacente. Recorrendo `a lei de Hooke,

(25)

F = −Kx, considera-se x o deslocamento da part´ıcula em rela¸c˜ao ao seu equil´ıbrio e K a constante de elasticidade da mola, que correspondente `a for¸ca necess´aria para colocar a part´ıcula no seu ponto de equil´ıbrio. Assim ´e poss´ıvel afirmar que a for¸ca necess´aria para restabelecer o equil´ıbrio e a distˆancia da part´ıcula a este mesmo ponto s˜ao directamente proporcionais. Recorrendo `a segunda lei de Newton e assumindo que a for¸ca aplicada e a de reequil´ıbrio podem igualar-se obt´em-se a express˜ao

md2x

dt2 = −Kx, (2.4)

onde a distˆancia e a acelera¸c˜ao s˜ao as ´unicas vari´aveis presentes. Uma vez que existe uma proporcionalidade directa entre ambas, um maior afastamento do ponto de equil´ıbrio implica uma maior acelera¸c˜ao.

Uma vez que individualmente tanto a fun¸c˜ao seno como co-seno s˜ao solu¸c˜ao da equa¸c˜ao diferencial, a soma de ambas ser´a a solu¸c˜ao para a equa¸c˜ao de um oscilador simples, resultando assim que:

x(t) = A cos (wt) + A sin (wt) . (2.5)

A express˜ao 2.5 depende de um ˆangulo ou fase instantˆanea que aumenta linearmente ao longo do tempo produzindo oscila¸c˜oes com uma frequˆencia angular de w radianos por segundo.

Figura 2.18: Representa¸c˜ao da propaga¸c˜ao de ondas sonoras atrav´es da lei de Hooke

A abordagem feita anteriormente ´e um pouco simplificada e irrealista dado que descreve um movimento perp´etuo, isto ´e, uma vez colocado em oscila¸c˜ao o sistema permanece em oscila¸c˜ao para sempre. Outro dos problemas ´e n˜ao considerar as for¸cas exteriores que pode estar sujeito. Na verdade ´e necess´ario adicionar `a express˜ao 2.4 um elemento dissipativo proporcional `a velocidade para prevenir a existˆencia de um movimento perp´etuo e uma parcela que represente as for¸cas exteriores, resulta ent˜ao a express˜ao

md2x

dt2 = −Kx − r dx

dt + Fext(t). (2.6)

A sua solu¸c˜ao ´e um seno puro que decai ao longo do tempo, um seno amortecido. A frequˆencia natural de oscila¸c˜ao ´e dada aproximadamente pela express˜ao w2 = K

m. Quando est´a em

re-pouso oscila na frequˆencia que lhe ´e aplicada exteriormente e quando corresponde `a frequˆencia natural a resposta em amplitude ´e m´axima. A amplitude de oscila¸c˜ao passa por isso a ser proporcional `a for¸ca exterior [7].

(26)

2.3.1 Propaga¸c˜ao do som

O som propaga-se na forma de ondas e necessita de um meio f´ısico, g´as, l´ıquido ou s´olido para fazˆe-lo. A sua velocidade est´a dependente da temperatura do meio e da densidade do material que atravessa, isto porque as massas at´omicas e constantes de elasticidade diferem de material para material. Considerando que as ondas s˜ao planas a impedˆancia pode ser vista como o produto da velocidade do som pela densidade do meio, resultando a express˜ao

z = ρc. (2.7)

Uma onda sonora ao propagar-se transporta energia. A sua potˆencia ´e a energia que transporta por unidade de tempo. Como se tratam de ondas planas a potˆencia encontra-se distribu´ıda em toda a sua superf´ıcie de frente de onda, por isso ´e pertinente que se calcule a potˆencia por unidade de ´area da frente de onda, a intensidade. Esta ´e o produto das varia¸c˜oes de velocidade e da press˜ao e ´e dada pela express˜ao [17]

I = pv = p 2

z . (2.8)

2.3.2 Aspectos importantes na propaga¸c˜ao do som

A amplitude da onda sonora ´e um aspecto importante na utiliza¸c˜ao deste tipo de ondas. O som ao propagar-se no meio vai estar sujeito a uma diminui¸c˜ao de intensidade, esta diminui¸c˜ao cresce com o aumento da distˆancia percorrida. Idealmente a press˜ao do som ´e reduzida ape-nas devido `a propaga¸c˜ao da onda, contudo na pr´atica os materiais desencadeiam fen´omenos de absor¸c˜ao e dispers˜ao. O primeiro prende-se com o facto de parte da energia do som ser convertida em outras formas de energia que n˜ao a sonora e a dispers˜ao est´a relacionada com a reflex˜ao do som em direc¸c˜oes diferentes da direc¸c˜ao de propaga¸c˜ao original. A combina¸c˜ao destes efeitos pode ser intitulada de atenua¸c˜ao e ´e a taxa de decaimento da amplitude de uma onda ao longo do seu percurso no material, que ´e normalmente proporcional ao quadrado da frequˆencia da onda [7].

A express˜ao A = A0e−αx permite o c´alculo da atenua¸c˜ao A de uma onda com amplitude inicial A0, depois de percorrida a distˆancia x num meio com coeficiente de atenua¸c˜ao α. Este coeficiente deve resultar de uma medi¸c˜ao experimental para que seja o mais pr´oximo poss´ıvel do real.

A velocidade de propaga¸c˜ao do som tamb´em ´e um aspecto que necessita de ser considerado. A temperatura e a press˜ao de vapor de ´agua existente na atmosfera s˜ao factores que influen-ciam a velocidade de propaga¸c˜ao do som. Assim sendo, o c´alculo dessa grandeza necessita de ser ajustado mediante as condi¸c˜oes atmosf´ericas. Para tal pode utilizar-se a express˜ao:

c = 20.067 · T µ 1 + 0.319e p ¶¸1/2 , (2.9)

onde T ´e a temperatura em Kelvin, e a press˜ao de vapor de ´agua e p a press˜ao est´atica [23].

2.4

etodos de medi¸c˜

ao com ultra-sons

As medi¸c˜oes efectuadas com ultra-sons s˜ao feitas com base na velocidade da onda e tempo de voo desta relativamente `a distˆancia utilizada. Do ponto de vista das caracter´ısticas de

(27)

propaga¸c˜ao das ondas estas apresentam velocidades bastante inferiores `as ondas electro-magn´eticas. Devido a este facto os circuitos utilizados neste tipo de sistemas s˜ao normal-mente menos exigentes. Por outro lado existe uma dependˆencia bastante grande destas ondas relativamente aos parˆametros do meio, como a atenua¸c˜ao e velocidade do som.

Os m´etodos de medi¸c˜ao com ultra-sons tˆem vindo a desenvolver-se especialmente em para-lelo com aqueles que utilizam ondas electromagn´eticas. A sua similaridade ´e bastante grande, as maiores diferen¸cas surgem ao n´ıvel da propaga¸c˜ao.

Os m´etodos de medi¸c˜ao podem dividir-se em dois principais grupos, os que utilizam ondas cont´ınuas ou peri´odicas e os que utilizam ondas descont´ınuas baseando-se em pulsos de onda. No caso das ondas cont´ınuas s˜ao normalmente utilizadas t´ecnicas baseadas na diferen¸ca de fase entre a onda emitida e recebida e este ´e dependente da quantidade a medir. Esta t´ecnica apresenta bons resultados, contudo o hardware utilizado tende a ser mais complexo [13].

Efectuando uma medi¸c˜ao baseada em pulsos ´e determinado o tempo de propaga¸c˜ao desta onda. Pode ser utilizado um emissor e um receptor em linha de vista, considerando-se o tempo de voo entre os dois transdutores, ou ent˜ao para medi¸c˜ao de distˆancias e para sistemas de localiza¸c˜ao utiliza-se frequentemente a onda reflectida por um obst´aculo para calcular a distˆancia a que este se encontra do emissor. Esta solu¸c˜ao implica a utiliza¸c˜ao de hardware mais simples, apresentando-se por isso uma solu¸c˜ao de baixo custo apesar dos resultados n˜ao serem t˜ao bons quanto no m´etodo anterior [3]. Neste ´ultimo caso a determina¸c˜ao do tempo de voo pode ser efectuada atrav´es de uma correla¸c˜ao [15] [10], t´ecnicas de threshold[13],entre outras [20].

Atrav´es da an´alise do desvio de fase de uma onda de frequˆencia ´unica surge uma limita¸c˜ao que est´a relacionada com a frequˆencia da onda. Para evitar uma ambiguidade de fase dado que a onda ´e peri´odica, a distˆancia que se pretende medir tem que introduzir um desvio de fase inferior a um comprimento de onda. Esta limita¸c˜ao pode ser ultrapassada utilizando t´ecnicas baseadas em ondas cont´ınuas de m´ultipla frequˆencia [11]. Para resolver algumas destas limita¸c˜oes de forma a aumentar a precis˜ao das medidas podem combinar-se as t´ecnicas de medi¸c˜ao do tempo de voo atrav´es de varia¸c˜ao de frequˆencia e a medi¸c˜ao do desvio de fase entre o sinal emitido e recebido [12].

2.5

ecnica utilizada para medi¸c˜

ao da velocidade do vento

As ondas sonoras propagam-se como uma onda esf´erica concˆentrica com a fonte emissora de acordo com a figura 2.19. A presen¸ca de vento provoca movimenta¸c˜oes das part´ıculas que comp˜oem a atmosfera, fazendo com que a onda emitida se propague como uma onda esf´erica em que o centro se desloca na direc¸c˜ao e com a velocidade do vento. Isto ´e facilmente explic´avel uma vez que o som ´e uma onda que se propaga por ac¸c˜ao das propriedades el´asticas do meio. Assim qualquer altera¸c˜ao na atmosfera reflecte-se na propaga¸c˜ao da onda sonora ao n´ıvel da velocidade e direc¸c˜ao.

A t´ecnica utilizada para medi¸c˜ao da velocidade do vento baseia-se na determina¸c˜ao do tempo de voo de ultra-sons, ondas sonoras de frequˆencia elevada, entre um emissor e um receptor. Para isso ´e determinante que se obtenha uma express˜ao que relacione o tempo de voo com as componentes X, Y e Z da velocidade do vento. Assumindo que uma onda sonora esf´erica parte do ponto (0, 0, 0) no instante t = 0 e que se propaga uniformemente num meio homog´eneo obt´em-se a express˜ao

(28)

onde (X, Y, Z) representa um ponto gen´erico, (Vx,Vy,Vz) s˜ao as componentes da velocidade nas

v´arias direc¸c˜oes, t o tempo necess´ario para atingir o ponto gen´erico (X, Y, Z) e c a velocidade do som. Colocando a express˜ao em ordem ao tempo e fazendo uma an´alise para a coordenada (X, 0, 0), verifica-se que o tempo em X depende n˜ao s´o da velocidade segundo esta componente mas tamb´em das outras. Atrav´es da express˜ao

tx = X · Vx− (c2− V2 y − Vz2) 1 2 ¸ V2 x − Vy2− Vz2− c2 (2.11)

´e poss´ıvel afirmar que o tempo necess´ario para a frente de onda atingir um determinado ponto no eixo X, mesmo que a velocidade segundo esta componente seja nula, varia devido `as outras componentes.

Direcção de propagação do vento

Figura 2.19: Propaga¸c˜ao do vento

Uma outra abordagem pode ser feita de forma a simplificar o c´alculo, para isso ´e necess´ario efectuar a medi¸c˜ao do tempo de voo em ambas as direc¸c˜oes sobre o mesmo eixo, ou seja, determinar as diferen¸cas de tempos para atingir o ponto (X, 0, 0) e (−X, 0, 0). Desta forma obt´em-se uma medida diferencial em que, salvo casos extremos, numa direc¸c˜ao a velocidade do vento ´e adicionada `a do som e na outra subtra´ıda da mesma quantidade. Obt´em-se ent˜ao a express˜ao

∆tx= c2− (V2XV2 x

x − Vy2− Vz2)

(2.12)

onde a diferen¸ca de tempo no eixo X depende n˜ao s´o da velocidade segundo esta direc¸c˜ao mas tamb´em da soma de todas as componentes, tal como na express˜a 2.11. Contudo perante a inexistˆencia de vento segundo X ´e poss´ıvel afirmar que a diferen¸ca de tempos ´e nula.

A implementa¸c˜ao de um algoritmo para calcular a velocidade do vento pode ent˜ao fazer-se recorrendo a uma das duas alternativas acima apresentadas. Dado que ambas as op¸c˜oes exigem resolu¸c˜ao de trˆes equa¸c˜oes em simultˆaneo, uma vez que as trˆes componentes da velocidade surgem no c´alculo de cada uma, podem efectuar-se algumas simplifica¸c˜oes. Optando por uma simplifica¸c˜ao ´e introduzido um erro que necessita de ser avaliado.

A medi¸c˜ao do tempo de voo da onda apenas segundo uma direc¸c˜ao implica a utiliza¸c˜ao de uma express˜ao em que o tempo ´e unicamente fun¸c˜ao de uma componente da velocidade. Para o caso do componente Z da velocidade do vento obt´em-se a express˜ao

tz= VZ

z+ c

(29)

Devido `a simplifica¸c˜ao efectuada ´e introduzido um erro, uma equa¸c˜ao que relaciona esse erro com a velocidade do vento horizontal pode ser obtida atrav´es da express˜ao 2.13 e 2.11 resultando a equa¸c˜ao: ∆Vz = c − · c2− (Vx2+ Vy2) ¸1/2 . (2.14)

Atrav´es de uma an´alise mais detalhada pode concluir-se que este m´etodo n˜ao ´e aconselh´avel caso sejam necess´arias medidas bastante precisas.

Por outro lado optando por uma medi¸c˜ao diferencial do tempo de voo pode deduzir-se a express˜ao Vx= ∆txc 2 2X · 1 −v 2 x+ vy2+ v2z c2 ¸ , (2.15)

que torna o c´alculo da velocidade mais simples. Simplificando esta express˜ao omitindo o quociente da soma do quadrado das v´arias componentes da velocidade do vento e da velocidade do som, ´e introduzido um erro que depende desta raz˜ao. Como a velocidade do som ´e bastante superior `a velocidade do vento esse erro vai ser reduzido. Fazendo uma an´alise da express˜ao para uma velocidade do vento a partir da qual se considera estar perante um furac˜ao, 33 ms−1, o erro introduzido no c´alculo da velocidade ´e pr´oximo de 1% relativamente ao seu

valor real [23].

2.6

Sensores piezoel´

ectricos

Os transdutores piezoel´ectricos actuam com base no efeito piezoel´ectrico. Uma vez apli-cada uma vibra¸c˜ao mecˆanica ao cristal este produz um potencial el´ectrico proporcional `a vibra¸c˜ao que ´e sujeito. Por outro lado o efeito contr´ario tamb´em ´e v´alido, aplicando um potencial el´ectrico ao cristal este produz uma vibra¸c˜ao mecˆanica. O material piezoel´ectrico, elemento activo neste processo, ´e o respons´avel pela convers˜ao acima descrita. S˜ao utiliza-dos para este efeito ligas de titˆanio, dado que apresentam maior eficiˆencia na transforma¸c˜ao electromecˆanica e maior estabilidade quando comparadas com outros materiais. O modo de vibra¸c˜ao do material piezoel´ectrico depende da sua forma, polariza¸c˜ao e direc¸c˜ao do campo el´ectrico que lhe ´e aplicado.

Figura 2.20: Efeito piezoel´ectrico sem for¸cas aplicadas

Este material ´e um multi-cristal diel´ectrico com uma constante diel´ectrica elevada. No seu processo de forma¸c˜ao ´e inicialmente sujeito a uma temperatura elevada, resultando da´ı uma estruturara cristalina que n˜ao apresenta caracter´ısticas pi´ezoelectricas. Isto acontece porque os dipolos el´ectricos est˜ao orientados de forma aleat´oria e a soma dos seus momentos ´e nula, assim a corrente que flui ´e zero, figura 2.20.Quando este ´e sujeito a uma vibra¸c˜ao mecˆanica

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as mol´eculas positivas e negativas v˜ao reorientar-se, originando uma superf´ıcie de mol´eculas carregadas positivamente e outra de cargas negativas, figura 2.21. Vai aparecer uma corrente a circular entre ambas as faces com direc¸c˜ao dependente das for¸cas aplicadas. Por outro lado o efeito electromecˆanico aparece quando ao cristal ´e aplicado um campo el´ectrico. Assim dependendo da polariza¸c˜ao que ´e induzida ao material por meio da fonte, o material vai sofrer uma deforma¸c˜ao mecˆanica, figura 2.22 [7, 18].

Figura 2.21: Efeito piezoel´ectrico, aplica¸c˜ao de uma for¸cas

Num transdutor a frequˆencia de ressonˆancia depende da espessura do material e ´e nor-malmente metade do comprimento de onda. O aumento substancial da frequˆencia faz com que a espessura seja bastante fina e por isso fr´agil. Para que se verifique uma maior efic´acia na transferˆencia energ´etica, ´e colocada uma impedˆancia entre o elemento activo e a face do transdutor com espessura igual a um quarto do comprimento de onda, para que as ondas reflectidas nesta camada estejam em fase quando deixam o transdutor, como est´a represen-tado na figura 2.23. O material utilizado junto `a face posterior do cristal e o cristal devem possuir impedˆancias pr´oximas para que o amortecimento seja mais eficaz, aumentando assim a largura de banda e a sensibilidade [18].

Os transdutores possuem uma distˆancia ´optima Z a partir da qual devem ser feitas as detec¸c˜oes. Atrav´es da express˜ao Z = D2 verifica-se que esta distˆancia depende das dimens˜oes do transdutor D e do comprimento de onda λ. A partir desta distˆancia (campo distante) a onda apresenta um comportamento uniforme, contrariamente ao verificado para distˆancias inferiores (campo pr´oximo) onde existem grandes varia¸c˜oes de amplitude.

Figura 2.22: Efeito electromecˆanico, aplica¸c˜ao de uma tens˜ao

O transdutor piezoel´ectrico, quando excitado pr´oximo da frequˆencia de ressonˆancia, pode ser representado pelo circuito equivalente da figura 2.24. O circuito ´e o paralelo do conden-sador C1, da resistˆencia R1 e da bobine L1 em s´erie, com o condensador C0. L1 e C1 est˜ao relacionados com a massa e propriedades el´asticas do cristal, e a rela¸c˜ao entre a impedˆancia indutiva e a resistˆencia ´e o factor de qualidade [7].

(31)

Figura 2.23: Aspectos na constru¸c˜ao de sensores piezoel´ectricos

Analisando a impedˆancia el´ectrica do cristal em fun¸c˜ao da frequˆencia, quanto mais pr´oxima esta ´ultima estiver do valor de ressonˆancia, maior ´e o efeito capacitivo. Na frequˆencia de ressonˆancia, a impedˆancia ´e nos instantes iniciais puramente resistiva, transformando-se de seguida em indutiva. Com o aumento da frequˆencia, a impedˆancia volta a ser uma resistˆencia pura, e toma comportamento capacitivo para valores bastante superiores de frequˆencia [13].

(32)

Cap´ıtulo 3

Projecto e constru¸c˜

ao do

anem´

ometro ac´

ustico

O projecto em causa visa a constru¸c˜ao de um anem´ometro ac´ustico, um instrumento capaz de caracterizar a velocidade e direc¸c˜ao do vento. O facto de ser ac´ustico implica a utiliza¸c˜ao de ondas sonoras, neste caso ultra-sons. Este tipo de dispositivo baseia-se na determina¸c˜ao do tempo de voo de uma onda entre um transdutor emissor e um receptor colocado a uma distˆancia fixa. Este tempo depende das condi¸c˜oes climat´ericas do meio e em particular da velocidade e direc¸c˜ao do vento. Na sec¸c˜ao seguinte apresenta-se de uma forma breve o sistema projectado. Os aspectos relativos ao processamento de sinais necess´ario para a determina¸c˜ao do tempo de voo s˜ao detalhados na sec¸c˜ao 3.2. Finalmente ser˜ao detalhados os aspectos relativos ao hardware e software desenvolvido.

3.1

Descri¸c˜

ao do sistema implementado

O diagrama de blocos do sistema desenvolvido est´a apresentado na figura 3.1. Um micro-controlador gera, atrav´es de um dos seus timers, um sinal que ´e aplicado a um transdutor de ultra-sons que por sua vez produz uma onda sonora que viaja at´e ao receptor. Ao longo do percurso entre os transdutores o sinal sofre alguma atenua¸c˜ao, por isso ao atingir o receptor ´e necess´ario amplific´a-lo. A t´ecnica estudada implica a detec¸c˜ao dos instantes das passagens por zero do sinal recebido, da´ı a necessidade de utilizar um comparador depois da amplifica¸c˜ao. O sinal resultante da compara¸c˜ao vai ser encaminhado para um porto do microcontrolador associado a um registo do timer que est´a configurado em modo de captura. Quando existe uma transi¸c˜ao ascendente neste sinal, o valor do registo de contagem do timer ´e guardado e ´e gerada uma interrup¸c˜ao. Na rotina de servi¸co `a interrup¸c˜ao ´e determinado o tempo de voo da onda. A forma como ´e calculado o tempo de voo ´e aspecto fundamental, de extrema importˆancia e por isso objecto de estudo na sec¸c˜ao 3.2.2. Uma vez determinado este tempo, ´e poss´ıvel calcular a velocidade do vento atrav´es da express˜ao 2.11 apresentada no cap´ıtulo relativo `a t´ecnica utilizada para medi¸c˜ao com ultra-sons.

Para utilizar a express˜ao 2.12, de modo a tornar o c´alculo da velocidade do vento mais simples e independente de alguns factores externos `a medi¸c˜ao, ´e necess´ario efectuar a medi¸c˜ao do tempo de voo entre os dois transdutores em ambos os sentidos diminuindo assim o erro introduzido. Por isso, foi utilizado um multiplexer que permite modificar a fun¸c˜ao de cada transdutor alternando periodicamente entre emissor e receptor. Desta forma, na ausˆencia de

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vento a diferen¸ca de tempos de voo ´e zero ou pr´oximo disso. Na presen¸ca de vento na direc¸c˜ao dos transdutores, o tempo de voo num sentido aumenta e no outro diminiu.

Os tempos e/ou as velocidades determinadas s˜ao enviados para o terminal atrav´es da UART (Universal Asynchronous Receiver/Transmitter) sendo a´ı calculada a informa¸c˜ao que se pretende disponibilizar ao utilizador atrav´es de uma interface gr´afica.

Figura 3.1: Diagrama de blocos do sistema

3.2

Medi¸c˜

ao do tempo de voo

Nesta sec¸c˜ao ´e estudado o tipo de sinal a aplicar ao emissor e a forma de determinar o tempo que a onda sonora demora a percorrer o espa¸co entre os dois transdutores. Na onda emitida foi necess´ario introduzir uma referˆencia para que na recep¸c˜ao fosse poss´ıvel identificar o seu tempo de voo. A solu¸c˜ao adoptada foi a introdu¸c˜ao de uma mudan¸ca de fase na onda. Um estudo mais detalhado ´e apresentado na sec¸c˜ao 3.2.2. A detec¸c˜ao do instante em que ocorreu a mudan¸ca de fase ´e determinado na recep¸c˜ao comparando os instantes de passagem por zero da onda recebida com os de uma onda peri´odica e estacion´aria de igual frequˆencia, determinando-se assim o desvio de fase entre ambas. Este estudo encontra-se apresentado na sec¸c˜ao 3.2.3.

3.2.1 Simula¸c˜ao de emissor/receptor de ultra-sons em MatLab

O projecto do sistema em causa levou a que se efectuasse um estudo do problema, numa primeira fase recorrendo a uma ferramenta de c´alculo e simula¸c˜ao (MatLab) dispensando qualquer montagem f´ısica. A grande vantagem deste tipo de abordagem ´e o facto de ser poss´ıvel efectuar mudan¸cas nas condi¸c˜oes do sistema de forma f´acil e r´apida.

Os transdutores de ultras-sons s˜ao componentes fundamentais do sistema e por isso objecto de estudo mais pormenorizado. A sua simula¸c˜ao em MatLab prende-se fundamentalmente com o estudo do sinal a aplicar aos transdutores e an´alise da forma como deve ser feita a detec¸c˜ao da onda no sensor aquando da recep¸c˜ao.

(34)

O modelo de tempo discreto para estes transdutores [2] pode ser representado por um filtro passa banda de segunda ordem. Atendendo `as caracter´ısticas do sensor, frequˆencia de ressonˆancia e largura de banda, foi dimensionado um filtro digital que simula estes trans-dutores. O dimensionamento do filtro de segunda ordem foi feito atrav´es da introdu¸c˜ao dos p´olos e zeros manualmente na fun¸c˜ao de transferˆencia.

O diagrama de fluxo sinal da figura 3.2 descreve o comportamento de um filtro digital de segunda ordem gen´erico. A partir da sua an´alise ´e poss´ıvel deduzir a fun¸c˜ao de transferˆencia do filtro resultando a express˜ao

H(Z) = b0+ b1Z−1+ b2Z−2

1 + a1Z−1+ a2Z−2. (3.1)

Para apresentar um comportamento passa-banda, H(Z) dever´a ter dois p´olos complexos con-jugados, p1 = Aeiωc e p2 = Ae−iωc, e zeros em z = ei0 = 1 e z = eiπ = −1. A fun¸c˜ao de transferˆencia reduz-se neste caso a

H(Z) = 1 − Z−2

1 − 2A cos(ωc)Z−1+ A2Z−2. (3.2)

Para dimensionar o filtro ´e necess´ario encontrar os coeficientes do denominador que satisfa-zem os crit´erios exigidos. De acordo com os crit´erios de estabilidade a distˆancia do p´olo `a origem, A, tem que ser inferior a 1 para que o sistema seja est´avel. Se A for suficientemente grande mas inferior a 1, o filtro apresenta uma resonˆancia em torno duma frequˆencia fc e

largura de banda LB, determinadas pelos parˆametros do filtro segundo ωc≈ 2πFfc s (3.3) e 2(1 − A) ≈ 2πLB Fs , (3.4)

onde Fs ´e a frequˆencia de amostragem usada na simula¸c˜ao. Consultando o datasheet dos

transdutores de ultra-sons utilizados verificou-se que estes apresentam uma largura de banda de aproximadamente 2kHz e uma frequˆencia de ressonˆancia de 40kHz, frequˆencia `a qual a sua resposta apresenta uma amplitude m´axima. Foi com estes valores que se calculou os valores de A e ωc para determinar os coeficientes do filtro.

-a2 b0 -a1 b2

+

+

Z-1 Z-1

+

y(n) x(n) Z-1 Z-1

y(n)=b0x(n) + b1x(n-1) + b2x(n-2) - a1y(n-1) - a2y(n-2)

b1

(35)

Criou-se ent˜ao uma rotina em MatLab, filt2ord, que permite atrav´es da introdu¸c˜ao da frequˆencia central do filtro, frequˆencia de amostragem e largura de banda calcular o numera-dor e denominanumera-dor da fun¸c˜ao de transferˆencia que simula o filtro. O sinal de entrada do filtro tamb´em ´e passado para a fun¸c˜ao e ´e utilizada a fun¸c˜ao filter para efectuar o c´alculo da resposta do sistema.

Para verificar o correcto funcionamento do filtro determinou-se a resposta em frequˆencia do filtro dimensionado utilizando como parˆametros os valores atr´as referidos e uma frequˆencia de amostragem dez vezes superior `a frequˆencia central do filtro. O resultado obtido apresentado na figura 3.3 mostra o seu correcto funcionamento, a sua resposta em frequˆencia apresenta o m´aximo aos 40kHz tal como era desejado e a largura de banda a 3dB ´e de 2kHz. A resposta a impulso do sistema tem uma forma de onda semelhante `a de um transdutor quando `a entrada ´e aplicado um pulso.

As simula¸c˜oes da resposta dos transdutores efectuadas ao longo do estudo utilizam um sistema de 4a ordem, que resulta do produto de dois filtros passa banda de segunda ordem.

Assim sendo, existe uma dupla filtragem do sinal simulando o ambiente real onde o sinal atravessa dois transdutores, sendo por isso afectado pelo atraso introduzido por ambos.

Esta abordagem est´a afectada de alguma imprecis˜ao uma vez que os parˆametros do filtro podem n˜ao ser os mais exactos. Uma melhoria na simula¸c˜ao implicaria uma maior preo-cupa¸c˜ao com as caracter´ısticas mais espec´ıficas dos transdutores. Apesar de n˜ao apresentar melhorias significativas aos resultados obtidos outra possibilidade seria a utiliza¸c˜ao de uma simula¸c˜ao anal´ogica. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 x 104 0 0.2 0.4 0.6 0.8 1

Resposta em frequência do filtro

Frequência (Hz) Amplitude 0 1 2 3 4 5 6 x 10−4 −0.02 −0.01 0 0.01 0.02 Resposta a imulso Tempo (s) Amplitude

Figura 3.3: Resposta em frequˆencia do filtro e resposta a impulso

3.2.2 Estudo do sinal a aplicar ao emissor

Um bom desempenho do sistema assente num processamento eficaz e pouco dispendioso prevˆe a necessidade de estudo aprofundado do sinal a aplicar ao emissor. A escolha acertada desta onda vai implicar uma maior ou menor facilidade na determina¸c˜ao do tempo de voo da onda na recep¸c˜ao. Nestas situa¸c˜oes as solu¸c˜oes mais comuns utilizadas para processamento deste tipo de sinais exigem alguma capacidade de processamento. Este estudo tem como

(36)

objectivo evitar a utiliza¸c˜ao dessas t´ecnicas, possibilitando o uso de um processador mais econ´omico e com menos capacidade de processamento.

O sinal a emitir vai ser gerado no microcontrolador e deve por isso aproveitar ao m´aximo as suas capacidades. Uma vez que o dispositivo que vai ser utilizado n˜ao possui DAC, a pos-sibilidade mais evidente ´e a utiliza¸c˜ao de um sinal digital com apenas dois n´ıveis, alternando entre o n´ıvel l´ogico um e zero. O sinal deve possuir uma frequˆencia igual `a de ressonˆancia dos transdutores para que a resposta apresente excurs˜ao m´axima em termos de amplitude. Na verdade, a utiliza¸c˜ao de uma onda quadrada, desde que com a frequˆencia certa, n˜ao apresenta qualquer inconveniente uma vez que o emissor se comporta como um filtro passa banda com largura de banda estreita. Uma onda quadrada apresenta um espectro de frequˆencia com v´arias riscas, isto ´e, ´e composta por v´arias ondas sinusoidais de v´arias frequˆencias. Assim, as componentes do sinal com frequˆencia fora da banda passante v˜ao ser atenuadas pelo transdu-tor fazendo com que a sa´ıda seja uma onda sinusoidal `a frequˆencia de ressonˆancia. Atrav´es do gr´afico da figura 3.4 obtido por simula¸c˜ao ´e poss´ıvel verificar que as respostas do transdutor a uma onda quadrada e sinusoidal s˜ao semelhantes, existindo apenas uma pequena altera¸c˜ao na amplitude da resposta no caso da onda quadrada.

Em qualquer dos casos, a resposta do sistema ´e uma sinus´oide com frequˆencia igual `a do sinal aplicado `a entrada do filtro. Inicialmente o sistema est´a em repouso, a amplitude da resposta ´e nula, seguindo-se um per´ıodo de tempo em que a amplitude aumenta at´e atingir o m´aximo. Esse tempo ´e uma caracter´ıstica do sistema que est´a inversamente relacionada com a largura de banda do transdutor, passando a designar-se por atraso do sistema, Tsistema.

Atingindo este ´ultimo estado a resposta do sistema encontra-se `a frequˆencia do sinal aplicado `a entrada e se este for estacion´ario e peri´odico, tal como a da figura 3.4, a resposta mant´em-se uniforme at´e que seja retirado o sinal da entrada.

0 1 2 3 4 x 10−4 −1 −0.5 0 0.5 1

Onda sinusoidal à entrada

Tempo (s) Amplitude 0 1 2 3 4 x 10−4 −1 −0.5 0 0.5 1

Resposta a onda sinusoidal

Tempo (s) Amplitude 0 1 2 3 4 x 10−4 −1 −0.5 0 0.5 1

Onda quadrada à entrada

Tempo (s) Amplitude 0 1 2 3 4 x 10−4 −1 −0.5 0 0.5 1

Resposta a onda quadrada

Tempo (s)

Amplitude

Figura 3.4: Resposta do filtro a onda sinusoidal vs quadrada

Utilizando um sinal peri´odico torna-se complexa a forma de determinar um valor correcto para o tempo voo. Uma possibilidade simples seria comparar o sinal emitido com o recebido

Imagem

Figura 2.1: Mapa isob´arico da Europa Central
Figura 2.21: Efeito piezoel´ectrico, aplica¸c˜ao de uma for¸cas
Figura 3.1: Diagrama de blocos do sistema
Figura 3.3: Resposta em frequˆencia do filtro e resposta a impulso
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Referências

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