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Academic year: 2021

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RELATÓRIO FINAL

Mestrado Integrado

em Medicina

2013-2014

Faculdade de

Ciências Médicas

UNIVERSIDADE

NOVA

de Lisboa

Pedro da Câmara Lomelino

de Quintanilha Mantas

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ÍNDICE

1. Introdução ... 3

2. Estágios Parcelares ... 3

2.1. Saúde Mental ... 3

2.2. Medicina Geral e Familiar ... 4

2.3. Pediatria ... 5

2.4. Ginecologia e Obstetrícia ... 5

2.5. Cirurgia Geral ... 6

2.6. Medicina Interna ... 7

2.7. Estágio Clínico Opcional – Ortopedia Pediátrica ... 7

3. Análise Crítica ... 8

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1. INTRODUÇÃO

O Mestrado Integrado em Medicina consiste numa formação médica pré-graduada, que através de um conjunto de conhecimentos e competências médico-cirúrgicas tem como objetivo preparar o aluno a exercer, de forma autónoma, a profissão de Médico. O 6º ano é o culminar do exercício do estudante e implica uma metamorfose pessoal, académica e social do mesmo. Pela fusão entre a literatura e a prática quotidiana da Medicina, com os valores deontológicos e os princípios éticos como pano de fundo, o último ano atribui, finalmente, um sentido útil a este longo percurso académico, quando a concretização da verdadeira Medicina é espelhada na relação médico-doente. O tão conceituado «ano profissionalizante» é assim apelidado por ter em vista a atribuição do estatuto de profissional ao aluno no contexto da prática clínica, orientada e assente nos pilares da Medicina. Realizando estágios em especialidades nucleares como a Saúde Mental, a Medicina Geral e Familiar, a Pediatria, a Ginecologia e Obstetrícia, a Cirurgia Geral e a Medicina Interna, sob a supervisão do seu orientador e pedagogo, o finalista assume a aplicabilidade do conhecimento, concretizando-se numa nova etapa, a de Mestre em Medicina.

Este relatório destina-se à exposição sumária das atividades exercidas ao longo do ano letivo, apresentadas de forma cronológica. Inclui também uma reflexão crítica e pessoal sobre a formação académica e, não menos importante, a formação do caráter humano, e de que forma a conjugação de ambas foi ao encontro das minhas expetativas, como aluno de Medicina.

2. ESTÁGIOS PARCELARES

2.1. Saúde Mental

O estágio em Saúde Mental, decorrido entre os dias 16/09/2013 e 11/10/2013, no Hospital Egas Moniz, teve como objetivo principal a consolidação de competências teórico-práticas necessárias para a realização da entrevista clínica e do exame do estado mental completos em doentes com patologia psiquiátrica. Explorando o dinamismo da relação médico-doente, foi

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possível o desenvolvimento de capacidades de diagnóstico e de intervenção, através do exercício da prática clínica. Neste contexto, nas primeiras 2 semanas de estágio, colaborei no trabalho desenvolvido pelo Dr. António Neves, no âmbito da Psiquiatria de Ligação, que visa o seguimento de doentes, tanto em contexto ambulatório como de internamento e que concomitantemente à patologia médica ou cirúrgica, necessitavam de cuidados psiquiátricos. Nas 2 últimas semanas, acompanhando a Dra. Paula Duarte, integrei-me nas atividades do Hospital de Dia, cuja missão é estimular os doentes a refletir sobre a sua conduta prévia e atual e de que forma o comportamento foi génese ou influenciou as suas dificuldades. No serviço de urgência, posteriormente aos seminários introdutórios deste estágio, apliquei os conceitos discutidos sobre o doente com patologia psiquiátrica aguda e descompensada.

2.2. Medicina Geral e Familiar

O estágio em Medicina Geral e Familiar decorreu na Unidade de Sáude Familiar Salus em Évora, entre as datas 14/10/2013 e 8/11/2013, sob a orientação da Dra. Paula Costa. Como objetivos do estágio destaca-se a abordagem biopsicossocial do doente baseada na evidência e a participação na promoção da saúde e na prevenção da doença. A oportunidade de os alunos colaborarem nas atividades assistenciais em ambiente rural e urbano permite a familiarização com os padrões nosológicos mais comuns e as suas formas de apresentação, bem como os principais motivos de recurso aos Cuidados de Saúde Primários em ambos os contextos. Durante as 4 semanas de estágio em ambiente rural, fui adquirindo as competências necessárias para realizar, com crescente autonomia, consultas no âmbito da saúde de adultos (Hipertensão, Diabetes e Hipocoagulação), saúde infantil, saúde da mulher e planeamento familiar, onde pude realizar colpocitologias. Participei no curso teórico-prático “Formação integral em técnicas e procedimentos na HBP”, um complemento formativo destinado aos Médicos de Família, cujo certificado se encontra anexado a este relatório.

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2.3. Pediatria

O estágio em Pediatria teve lugar no Hospital D. Estefânia, sob a orientação da Dra. Ana Casimiro, de 11/11/2013 a 06/12/2013. Este estágio visa a familiarização com o doente pediátrico, as suas patologias mais frequentes, adquirindo competências para o diagnóstico e abordagem das mesmas, e a melhor forma de comunicar com a criança e com a família. Durante as 4 semanas de estágio acompanhei a minha orientadora nas diferentes atividades que desenvolve na enfermaria de Pediatria Médica, nas consultas externas de Pneumologia e no serviço de urgência, local onde a diversidade de patologias observadas é representativo do padrão de doenças agudas pediátricas que qualquer médico deve saber tratar. Para poder lidar com o maior número de quadros nosológicos possíveis, procurei assistir a consultas externas de variadas subespecialidades pediátricas – Reumatologia, Ortopedia e Traumatologia, Medicina Física e da Reabilitação e Gastrenterologia – e visitar a enfermaria de Cardiologia Pediátrica no Hospital de Santa Marta. De salientar ainda a possibilidade de assistir às consultas externas de Imunoalergologia, especialidade transversal a todas as idades e que não é contemplada no programa de estágios práticos ao longo do curso. Por fim, apresentei com uma colega um seminário subordinado ao tema “Epidemiologia e Etiologia da Pneumonia em Crianças”.

2.4. Ginecologia e Obstetrícia

O estágio em Ginecologia e Obstetrícia foi realizado entre as datas 09/12/2013 e 17/01/2014, no Hospital Cuf Descobertas, sob a orientação da Dra. Sofia Alegra. O âmbito deste estágio é compreender a mulher em todas as suas dimensões, proporcionando a aquisição de competências à boa prática médica relativamente à doente nas diferentes fases da sua vida e, em particular, na gravidez. Ao longo de 4 semanas de estágio, participei em consultas externas de Ginecologia, Obstetrícia e Senologia, observei a realização de ecografias e de outros exames complementares de diagnóstico específicos da especialidade, assisti a cirurgias ginecológicas e a

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outras intervenções terapêuticas invasivas, e colaborei em consultas de urgência e em partos eutócicos e distócicos. Desta forma, aprofundei o conhecimento nesta área dentro das suas valências, especificamente a abordagem da mulher saudável e da gestação normal, e familiarizei-me com procedifamiliarizei-mentos práticos do quotidiano desta área.

2.5. Cirurgia Geral

O estágio em Cirurgia Geral decorreu entre os dias 27/01/2014 e 21/03/2014, no Hospital de Vila Franca de Xira, sob orientação do Dr. Luís Ramos. Esta especialidade deve ser encarada como um pilar da formação médica, na medida em que faculta as bases das principais síndromes cirúrgicas e capacita o aluno a fazer a distinção entre as situações clínicas com indicação cirúrgica eletiva ou urgente. Assim sendo, este estágio tem como principal objetivo a integração do aluno na atividade de um serviço de Cirurgia Geral e aperfeiçoamento de procedimentos que lhe serão úteis na prática clínica futura. Durante 6 semanas acompanhei o meu tutor em várias vertentes desta especialidade (enfermaria, bloco operatório, serviço de urgência, consulta de pequena cirurgia e consulta externa de Cirurgia Geral e de Senologia) e desenvolvi com crescente autonomia diversas atividades inerentes às mesmas. O estágio incluiu também a rotação pela Ortopedia e a Urologia, com o objetivo de alargar a formação em áreas cujo contato em anos anteriores foi breve. De salientar as sessões teórico-práticas que devem preparar o aluno para procedimentos de intervenção e diagnóstico, essenciais para a boa prática médica e pouco abordados durante o curso. A preparação e apresentação de um caso clínico no Mini-Congresso de Cirurgia, fomentou a nossa capacidade de síntese e exposição de um tema perante a comunidade médica. O caso clínico que elaborei e apresentei em conjunto com duas colegas intitulava-se “Uma agulha no palheiro”.

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2.6. Medicina Interna

Este estágio em Medicina Interna teve lugar no Hospital Curry Cabral, entre as datas 24/03/2014 e 23/05/2014, sob a orientação da Dra. Aline Pinto Gonçalves. A Medicina Interna corresponde à verdadeira essência da Medicina, como uma especialidade integradora, que avalia o doente como um todo, permitindo o desenvolvimento de competências clínicas essenciais ao exercício profissional da Medicina. Neste contexto, o objetivo passa pela integração dos alunos num serviço de Medicina Interna e sua progressiva autonomia nas atividades desenvolvidas, proporcionando o contacto com as patologias médicas mais frequentes na população adulta. Ao longo de 8 semanas acompanhei a Dra. Aline Pinto Gonçalves nas suas atividades assistênciais (enfermaria, consulta externa de Medicina Interna e de Hepatites e serviço de urgência), tornei-me independente na observação dos doentes e aperfeiçoei a intuição na escolha de exatornei-mes complementares de diagnóstico e de equacionar hipóteses de diagnóstico, instituir terapêuticas e propor prognósticos. Por fim, elaborei um artigo de revisão subordinado ao tema “Síndrome de Má Absorção” e apresentei-o, em conjunto com quatro colegas, num seminário teórico.

2.7. Estágio Clínico Opcional – Ortopedia Pediátrica

O âmbito deste estágio é disponibilizar um período de formação avançada nas áreas clínicas hospitalares e extra-hospitalares, permitindo a aquisição de uma experiência clínica nas áreas escolhidas pelo aluno. Esta Unidade Curricular dá ao aluno o poder de participação ativa no direcionar da sua vocação, facto que pode ser decisivo na escolha da especialidade, pelo que optei por frequentar o serviço de Ortopedia Pediátrica do Hospital Pediátrico de Coimbra, de 26/05/2014 a 06/06/2014, sob a orientação do Dr. Gabriel Matos, acompanhado as várias atividades do serviço (enfermaria, consulta externa, serviço de urgência e bloco operatório). Constatei que a Ortopedia poderá ser uma das minhas opções profissionais para o futuro.

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3. ANÁLISE CRÍTICA

No âmbito deste percurso académico, tinha como objetivos pessoais crescer e progredir na formação académica bem como apurar e desenvolver as minhas competências médico-cirúrgicas. Não só estas previsões foram cumpridas, findo o 6º ano médico, como vi as minhas expetativas superadas pelo nível dos pedagogos, o tempo dispendido na prática clínica, os recursos – tecnicistas e humanos –, o trabalho eniquiparável de outros profissionais, a importância de uma análise crítica e o impacte que esta tem no avanço científico e no nosso próprio crescer como alunos numa área em incessante crescendo do saber. Uma miríade de fenómenos de aprendizagem de que me consciencializei no culminar da minha formação, com o 6º ano.

Este ano foi enriquecedor não só em termos de conhecimentos e prática clínica, tão essencial à formação como médicos do futuro, mas também relativamente ao sentido de responsabilidade e orgulho de que fui encarregue em todos os dias que vivenciei a relação médico-doente.

O 6º ano visa preparar o aluno para encarnar a profissão que desempenhará todos os dias, incumbindo-o de uma panóplia de funções que considero serem de grande responsabilidade, diante do próprio doente, de médicos, mestres e colegas, sempre com a componente «pedagogia» em vista. Sabemos então que este objetivo foi cumprido na íntegra quando sentimos fazer parte de uma equipa médica ou cirúrgica, quando o orientador de formação deposita confiança na nossa autonomia ou quando estamos encarregues de dar as boas notícias a um doente.

Para além dos acima descritos, o culminar do longo percurso académico que é a Medicina envolve um grande sentido de autonomia, responsabilidade, companheirismo e humildade; valores úteis no presente e desejáveis nos médicos de amanhã. Tanto como no bloco como na enfermaria, sentimos que estamos rodeados de bons profissionais a quem podemos recorrer quando surgem questões. Reconhecemos também o esforço e a dedicação da equipa de

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exercer adequadamente a nossa função no hospital. Participando em discussões de grupo com os colegas, com mais ou menos ânimo, vamo-nos habituando a partilhar e a aceitar as diversas opiniões e pontos de vista em relação a um doente e à sua patologia, algo que parecia ubíquo num dos ramos da ciência. Aprendemos então o dinamismo, a mutabilidade e a subjetividade que rodeiam a patologia do corpo humano e as várias formas de abordagem clínica que devem ser debatidas, fomentando o espírito (auto-)crítico e privilegiando o saber científico e acima de tudo, o doente.

Outro dos objetivos, talvez um dos mais importantes, é o facto de o doente ter que ser visto como um todo. As suas aspirações, a sua vontade, os seus medos e o seu querer têm que ter um peso na decisão final e conjunta sobre a terapia e as várias formas de atuar perante uma doença. É crucial familiarizarmo-nos com o conceito de que somos médicos e lidamos com pessoas, não com doenças; a pessoa não é uma doença e ao longo deste último ano tivemos múltiplas oportunidades de nos certificarmos disso. A título de exemplo, numa consulta de Ginecologia podemos ter que ter em conta a sensibildade da mulher face à maternidade – aprendemos a questionar-nos e à doente sobre a melhor opção terapêutica ou cirúrgica quando a fertilidade está em causa. Na Pediatria a opção passa antes por priveligiar os “direitos da criança”; a criança deve poder saltar, brincar, correr, mas, sobretudo, sentir-se despreocupada, desejada e igual. No sentido em que a criança não deve ser rotulada com uma doença; a responsabilidade de estar desperto para sintomas, complicações e restrições que a sua condição médica acarreta deve caber aos Pais e não à criança que acima de tudo tem o direito de o ser. Já na Medicina Interna, pudemos apurar a nossa sensibilidade e endurance face à quantidade de idosos com internamentos prolongados, não só devido à patologia multifatorial mas também relacionado com o abandono familiar. Na Medicina Geral e Familiar, por outro lado, apreciámos a dinâmica da estrutura familiar; há uma preocupação em manter a coesão e o apoio entre gerações, algo que é útil tanto ao Médico (que se apercebe mais facilmente da genealogia biológica) como ao próprio

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doente (que se sente amparado por uma rede de segurança tão ampla como é a Família). No estágio de Saúde Mental encontrámos uma multiplicidade de obstáculos face ao doente e à sua cooperação com o médico; são pessoas que, por um lado estão deprimidas e sentem que toda a ajuda é em vão e no extremo assumem um papel antagónico (por exemplo, quando tomamos conhecimento da ideação suicída) e por outro lado a negligência e a alienação de outros doentes psiquiátricos face à realidade da sua patologia e ao caminho terapêutico que devem percorrer, lado a lado, com o seu médico. E o melhor exemplo da colaboração bilateral médico-doente encontra-se, a meu ver, na Cirurgia onde nos deparamos, na patologia aguda, com um doente debilitado, fragilizado, mas, sobretudo, com medo de morrer. Há então uma grande preocupação com o próprio bem-estar que leva o doente a assumir uma atitude colaborante e a cumprir invariavelmente as recomendações que o médico sugere.

Considero que a equipa médica que fez parte de cada estágio onde estive foi de enorme importância no cumprimento dos meus objetivos pessoais, permitindo a aquisição de conhecimentos e competências que certamente terão uma utilidade fundamental na minha prática médica futura, sentindo-me desta forma mais preparado do ponto de vista prático para iniciar a minha carreira. Outro aspeto que valorizo é o rácio de 1 ou 2 alunos por assistente, que considero ser o ideal e um aspeto a louvar de igual forma.

Por fim, foi 1 ano durante o qual pude comprovar que não existe nenhum livro que substitua o contacto com os doentes nem aquilo que aprendemos na prática do dia-a-dia e com cada caso em particular. Pela primeira vez no curso tive oportunidade de pôr em prática, de forma autónoma, os conhecimentos adquiridos até então e assim aperceber-me das minhas reais capacidades e limitações, algo que nunca tinha experienciado noutros estágios. Foi também a primeira vez que me senti uma peça importante na dinâmica hospitalar e não um mero aluno que se limita a acompanhar e ouvir os assistentes sem ter nada para oferecer.

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Referências

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