Faculdade de Letras
Mestrado em Ciências da Comunicação Vertente de Cultura, Património e Ciência Cadeira de Estágio Curricular do 2º ano
Mais Acessibilidades
Trabalho realizado no âmbito da cadeira de estágio na Fundação de Serralves pela discente Jenny Ramos nº 080739041 Sob a orientação do Professor Doutor Nuno Moutinho, Dra. Sofia Vitorino e Engenheira Elisabete Alves
Faculdade de Letras
Mestrado em Ciências da Comunicação Vertente de Cultura, Património e Ciência Cadeira de Estágio Curricular
Mais Acessibilidades
Trabalho realizado no âmbito da cadeira de estágio na Fundação de Serralves pela discente Jenny Ramos nº 080739041 Sob a orientação do Professor Doutor Nuno Moutinho, Dra. Sofia Vitorino e Engenheira Elisabete Alves
Agradecimentos
Subjacente ao espírito de um estágio existe uma importante componente
pedagógica, só possível de concretizar graças ao contacto com novas realidades e com as pessoas que lhe dão força, razão pela qual não é possível de deixar de expressar aqui o meu modesto agradecimento a um conjunto de pessoas que contribuíram de forma indelével para mais este momento de aprendizagem.
A minha primeira palavra é dirigida à minha família pela dedicação e apoio prestado ao longo de todo o meu percurso académico.
De seguida à instituição de acolhimento, a Fundação de Serralves, cuja excelência das instalações e do quadro de pessoal licenciado, constituem sem dúvida um óptimo exemplo de instituição, dedicada as artes, cultura, arquitectura numa simbiose com o meio ambiente. Como não podia deixar de ser, agradecer também aos responsáveis pela condução pedagógica e profissional deste estágio no seio da instituição, a Dr.ª Sofia Vitorino e a Engenheira Elisabete Alves, pela disponibilidade demonstrada em aceitar a tarefa de me orientar. A minha palavra de agradecimento é igualmente estendida a todas as pessoas com quem tive a oportunidade de contactar na Fundação.
Individualmente quero agradecer ao Professor Doutor Nuno Moutinho, professor e coordenador do meu estágio curricular, pelo apoio e orientação que contribuíram para a realização deste relatório. Pela sua disponibilidade e dedicação ao longo do estágio, um especial reconhecimento.
20 de Setembro de 2010 Jenny Ramos
Apresentação
Melhorar o acesso à cultura e as suas colecções, por parte dos visitantes com necessidades especiais, constitui objectivo essencial partilhado por todos. No entanto, é sabido que numerosos obstáculos impedem a plena fruição do nosso património cultural móvel, seja através de inúmeras barreiras arquitectónicas, seja através de deficiências de comunicação diversas que se revelam na documentação de apoio e contextualização de exposições e acontecimentos, na sinalética e na identificação de objectos.
Preparei este plano com a colaboração do Serviço Educativo da Fundação de Serralves, Professor Carlos Guedes da APPACDM (Porto) – Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental, Dra. Clara Mineiro do IMC – Instituto dos Museus e da Conservação, Dr. Pedro Homem de Gouveia, autor da Acessibilidade-Portugal, entre outras associações.
Cumpro o objectivo de divulgação de normas e boas praticas para a acessibilidade em Serralves, mas espero ir mais longe e poder também dar o contributo para a aplicação destas propostas de modo a que seja possível alcançar uma melhoria significativa do acolhimento e da informação aos visitantes com deficiências. Dessa forma, concretizar algumas etapas da eliminação de obstáculos sociais, físicos e comunicacionais do museu.
Ilustração
Índice
1. Introdução……….pág. 6
2. Apresentação da Fundação de Serralves..……….….………...pág. 8
3. Os públicos do Serviço Educativo……….pág. 12
4. Atitudes perante as necessidades especiais……….…..pág. 14
5. Diagnóstico das necessidades especiais……….pág. 19
6. Plano de Sugestão………..………..…..pág. 24
7. Conclusão………..pág. 34
8. Referências Bibliográficas……….……pág. 35 Índice de Imagens
Relatório de Estágio 6
1. Introdução
Nos últimos tempos, a captação de novos públicos tornou-se uma preocupação central para os técnicos dos museus devido a um conjunto de transformações de distinta natureza, nomeadamente, a necessidade de conseguir novas fontes de financiamento perante a redução do investimento público na cultura, a tendência para uma maior fiscalização nos sectores da educação e da cultura, o incremento das contrapartidas exigidas por parte de patrocinadores mecenas dos museus e a emergência de estudos comparativos, no que se refere a estatísticas de visitantes de museus, como indicador do impacto das exposições.
Neste sentido, o Serviço Educativo da Fundação de Serralves realiza análises quantificativas para verificar o número de visitantes que mensalmente frequentam Serralves e as suas oficinas. Estes estudos afiguram-se ferramentas de trabalho essenciais para aproximar o museu das comunidades, podendo ser um contributo para a definição de políticas culturais locais e para fixar a programação. Servem, ainda, de apoio à análise e organização dos conteúdos das visitas, verificando se estão adequadas aos públicos.
Através da participação em várias oficinas, constatei a preocupação em adequá-las ao tipo de público, consoante o nível escolar e, consequentemente, elaborei um trabalho empírico1 que reflecte a análise do tipo de público presente, a postura do monitor face aos visitantes e a adequação da linguagem / comunicação.
A divulgação da programação é funcional, no entanto, há pequenos ajustes a fazer quando queremos chegar a um grupo novo, nomeadamente no que diz respeito a pessoas com necessidades especiais. Trata-se de um público com o qual Serralves já trabalha, mas com pouca adesão, com especificidades muito próprias que merecem igualdade no acesso aos museus. Desta forma a instituição cria ferramentas e desenvolvem processos de conhecimento do público, na perspectiva de pôr em marcha actividades que correspondam às suas expectativas e necessidades.
1
O trabalho empírico encontra-se nos vários Relatórios Semanais de Estágio, que podem ser consultados em anexo
Relatório de Estágio 7
Este relatório tem como principal objectivo apresentar um plano de sugestões que vai desde o campo da comunicação, nomeadamente quais os meios que podem ajudar na divulgação das actividades e posteriormente avaliar se o processo comunicativo com as entidades resultou e se houve satisfação / qualidade do público. Terá em atenção os diversos níveis de informação e linguagem para o público, assim como apresentará vários formatos de comunicação possíveis face às características dos grupos com necessidades especiais, de forma a serem incluídos nos museus. Este plano sugere ainda uma diversificação da oferta, apresentando iniciativas que a englobe activamente nos espaços da Fundação, para que, no futuro, grupos com necessidades especiais visitem e usufruam culturalmente de Serralves, num acto colectivo ou autónomo.
Relatório de Estágio 8
1. Apresentação da Fundação de Serralves
2.1 Fundação
A Fundação de Serralves é uma instituição cultural de âmbito europeu criada em 1989, direccionada para a arte contemporânea e para o ambiente. Situada na cidade do Porto, todo o espaço é de grande beleza e criatividade, enobrecendo a cultura portuguesa. É constituída por diversos espaços como o Parque, a Casa, o Museu de Arte Contemporânea, a Biblioteca, e o Auditório. Serralves disponibiliza também visitas orientadas, actividades de turismo cultural e espaços com actividades privilegiadas para as crianças e escolas. São espaços que seguem a missão de sensibilizar e suscitar o interesse do público para a Arte Contemporânea em simbiose com o ambiente.
Em termos históricos, foi com o Decreto-Lei 240-A/89, de 27 de Julho que se deu início à parceria entre o Estado e a Sociedade Civil, englobando as 51 entidades privadas e públicas, e que originou a criação da Fundação.
Em Março de 1991 é assinado o contrato com o magistral arquitecto Álvaro Siza Vieira para a elaboração do projecto de arquitectura do Museu Nacional de Arte Contemporânea.
Desde a sua criação, o número de fundadores tem vindo a aumentar, pois novos membros têm vindo a aderir ao projecto de Serralves, o que faz com que seja conhecida como uma das principais instituições culturais portuguesas. No sentido de projectar a arte, a Fundação organiza anualmente uma programação diversificada de iniciativas que promove a reflexão e a discussão das temáticas predominantes, arte e natureza, com a sociedade contemporânea e a educação de hoje.
No ano de 1996, devido à sua riqueza e distinção arquitectónica, o património imobiliário de Serralves ganhou o mérito de «Imóvel de Interesse Público».
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2.2 Museu
Criar e desenvolver uma colecção representativa da arte contemporânea portuguesa e internacional é um dos principais objectivos do Museu de Serralves. Esta colecção constitui-se através de aquisições directas, obras em depósito do Estado e de
coleccionadores privados, bem como doações. Assim sendo, o Museu apresenta exposições temporárias, colectivas e individuais, proporcionando diversidade artística com o intuito de oferecer aos públicos vários contextos de arte.
As exposições são abrangidas por uma programação pedagógica conforme o tipo de público e a sua faixa etária. O museu é também um espaço que promove e desenvolve projectos com os jovens artistas, com vista a criar um diálogo também com a comunidade local. Actualmente, no espaço do Museu, podemos encontrar outros serviços, tais como restaurante, biblioteca, livraria e a loja.
2.3Casa
Rodeada por um parque de 18 hectares, a Casa de Serralves foi a sede inicial da Fundação, constituindo actualmente um espaço que também acolhe exposições temporárias. Tendo sido há muitos anos atrás a residência particular do segundo Conde de Vizela, Carlos Alberto Cabral, a Casa, conjugada com toda a sua riqueza paisagística, é, em termos arquitectónicos, um exemplar notável de inspiração
Art Deco. Imagem 1: Museu de Arte Contemporânea
Fonte: www.serralves.pt
Imagem 2: Casa de Serralves
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2.4 Parque
Aberto ao público no ano de 1987, após trabalhos de recuperação do parque, Serralves orgulha-se de proporcionar momentos paisagísticos inigualáveis. Ao longo dos anos, tem vindo a contribuir para a educação e sensibilização da sociedade na defesa do meio ambiente. Para tal, proporciona actividades ao ar livre com intuito pedagógico, mas também lúdico, possibilitando aos visitantes agradáveis momentos de passeio. O Parque foi distinguido com o prémio da inovação no domínio da educação ambiental da Associação Portuguesa de Museologia – APOM em 1996 e o
Henry Ford Prize for the Preservation of the Environment em 1997.
2.5 Auditório
O auditório de Serralves foi inaugurado em 2000 e, desde então, acolhe uma programação de artes performativas para os diversos públicos. É um espaço que mobiliza a atenção da assistência para reflexões em torno da cultura contemporânea, com o intuito de investigar e debater o presente, mas também especular sobre futuros possíveis.
Imagem 3: Jardim da Casa de Serralves
Fonte: www.serralves.pt
Imagem 4: Auditório
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2.6 Biblioteca
A biblioteca presta um serviço especializado no campo da investigação em arte, tendo como utentes preferenciais investigadores, criadores, arquitectos, bem como, estudantes universitários. É, no entanto, um espaço aberto a todos os que visitam a Fundação de Serralves.
A biblioteca disponibiliza ao público em geral computadores de acesso livre, e também dispõe de aparelhos especificamente preparados para cidadãos invisuais ou amblíopes. Oferece uma riqueza bibliográfica significativa nas temáticas da Arte Contemporânea, Arquitectura e Paisagem.
Imagem 5: Biblioteca da Fundação de Serralves
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2. Os públicos do Serviço Educativo
A Fundação de Serralves faz mensalmente uma análise quantitativa ao seu público e o que se verifica é que, ano após ano, o número de visitantes tem vindo a aumentar. Este facto poderá ser constatado através da análise do gráfico nº 1 (vide anexos), o número de visitantes passaram de 337068 no ano de 2004 para 412550 em 2008.
É possível verificar no gráfico nº2 que, no mesmo ano de 2008, o serviço educativo organizou 105.038 visitas, tendo registado um aumento considerável desde o ano de 2007, quando a fundação foi apreciada apenas por 92.492 visitantes.
As actividades do serviço educativo podem ser agrupadas em tipologias que representam a percentagem do volume de actividade. As visitas guiadas escolares representam a grande fatia (53%), de seguida as oficinas escolares (35%) e por fim as visitas guiadas a público, oficinas sazonais e cursos (12%), como é possível verificar no gráfico nº 3.
No que se refere à abrangência geográfica, a zona metropolitana do grande Porto é a que se destaca com 58%, mas as zonas de Braga (13%) e de Aveiro (9%) também são alcançadas, segundo o gráfico nº4.
A fundação de Serralves trabalha com diversos públicos, nomeadamente crianças, jovens, professores e grupos com necessidades educativas especiais, abraçando desta forma o 1º ciclo, o ensino superior, a formação para professores, e com maior relevância no nível secundário com 23%, 3º ciclo com 21%, 2º ciclo com 16% e 1º ciclo com 15%, como está representado no gráfico nº 5. Os grupos com necessidades especiais – NEE - representam apenas 1%.
Pode também constatar-se, através do gráfico nº6, que grande parte das escolas que contacta o serviço educativo são estabelecimentos de ensino público (78%) representando os colégios privados e outros tipos de estabelecimentos apenas uma pequena parte dos visitantes (22%).
No que diz respeito ao número de participantes com necessidades especiais que frequentaram as oficinas em Serralves no ano lectivo 2008/2009, pode verificar-se no gráfico nº7, que num total de 1061 participantes de escolas ou associações, a oficina Parque à Vista foi das mais frequentadas, com 270 intervenientes. Estes dados são plausíveis, porque a oficina pretende despertar e desenvolver as capacidades de comunicação através do contacto com o meio ambiente. Dá-lhes a oportunidade de
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participarem em actividades que muitas das vezes nas escolas ou associações não lhes é permitido.
Em suma, verifica-se que uma grande diversidade de público é acolhida pelo serviço educativo, com especial incidência nos grupos escolares. O facto de o número de visitantes tender a aumentar só evidência a dedicação e o bom trabalho da equipa do serviço educativo, ao organizar acções instrutivas que proporcionem a todos momentos culturais enriquecedores. No entanto, enquanto para alguns grupos a melhoria do serviço / visitas desenvolve-se com novas actividades lúdicas, para os grupos com necessidades especiais são necessários melhoramentos a nível de infra-estruturas e actividades adequadas às suas características. Neste sentido, apostar fortemente nos grupos com necessidades especiais é ganhar um «novo» público e, ao mesmo tempo, enriquecer a notoriedade que a Fundação de Serralves representa a nível nacional e internacional.
No que diz respeito às oficinas temáticas2, há actividades destinadas aos grupos com necessidades especiais – crianças, jovens e adultos, num contexto de aprendizagem que tem como objectivo valorizar a experimentação, alargar o conhecimento e a criatividade, e ainda estreitar a ligação com as associações que apoiam estes grupos.
Actualmente, o serviço educativo, em colaboração com os técnicos, tem disponíveis as seguintes actividades para os grupos com necessidades especiais:
Percurso no Parque Ciência para todos Mãos à Horta
Pinturas e Espessuras Verde sobre Verde Viagens
Com pés e cabeça O lugar do movimento
2
Gratuito mediante marcação prévia. A ficha de pré-marcação está disponível no site da Fundação de Serralves
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4. Atitudes perante as necessidades especiais
1. Exclusão = Marginalização da diferença
Muitas vezes as pessoas com deficiência sentem-se marginalizadas e impossibilitadas de exercer plenamente os seus direitos e deveres. Há várias razões para que sejam, ainda hoje, mais excluídas na nossa sociedade. Esta exclusão não será certamente intencional: resulta da falta de conhecimento ou do esquecimento por parte de quem concebe espaços, equipamentos ou dinamiza serviços. Ou então, do receio de não se saber lidar com a diferença. Outras vezes ainda, o trabalho com pessoas com necessidades especiais é evitado por ser considerado mais desgastante do que com o outro público-alvo.
As atitudes pré-concebidas face à pessoa com deficiência podem criar situações de discriminação, expressa muitas vezes por comportamentos de super-protecção ou de rejeição, tanto por parte dos técnicos dos museus como do público em geral. Os profissionais dos museus precisam, por isso, de formação específica para poder efectuar um acompanhamento adequado às pessoas com necessidades especiais, assegurando a sua dignidade e o respeito pela diferença. As pessoas com deficiência podem ter formas diferentes de se comportar e de falar, mas isso não constitui um comportamento de risco. É preciso procurar ouvir atentamente o que dizem e evitar juízos de valor.
As pessoas com deficiência não querem ser vistas nem como vítimas nem como heróis. Querem ser ouvidas e contribuir utilmente para a sociedade em que todos vivemos, querem exercer os seus direitos plenamente e não de forma parcial. As associações que as representam integram movimentos dos Direitos Humanos que promovem a igualdade de oportunidades, enfrentando muitas barreiras na luta contra a discriminação com base na raça, no sexo ou nas opções sexuais.
Infelizmente, para alguns as pessoas com deficiência são tão diferentes que não têm direito a emoções e opiniões. Não são chamadas a participar nas decisões que afectam as suas vidas, nem as suas opiniões são solicitadas quando um evento é concebido para o público em geral. Mas não se pode assumir que alguém, porque tem dificuldades motoras, de expressão ou de compreensão da linguagem oral ou escrita, não pode participar plenamente na vida social.
Assim, colocar uma rampa na porta do museu para vencer declives, não basta. É necessário proporcionar o acesso a todo o museu às pessoas com deficiência, para lhes
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oferecer a possibilidade de terem as mesmas oportunidades que uma pessoa dita normal. E é preciso não esquecer que mesmo que não sejamos pessoas com deficiência permanente, é previsível que todos nós tenhamos incapacidades num dado momento das nossas vidas, particularmente no caso de uma população que está a envelhecer como a sociedade ocidental.
2. Inclusão = Respeito pela diversidade
A variedade dos seres humanos é enorme. A sua estatura, cor de pele, dos olhos e do cabelo, as suas capacidades e a maneira como utilizam os seus sentidos mudam de pessoa para pessoa.
Muitas pessoas com deficiência têm dela uma perspectiva positiva: não é uma doença que precisa de ser tratada, é algo que faz parte da sua identidade. Querem que o seu direito de ser «diferente» seja respeitado. O seu drama não é a deficiência em si, mas a falta de compreensão por parte dos outros, que centram a sua atenção nela e não na pessoa enquanto ser humano, o que os leva a atitudes de discriminação. É importante ajudar a construir uma imagem positiva no que diz respeito à deficiência.
Estes indivíduos, que nos seus sentimentos e necessidades têm mais pontos em comum com os demais do que as diferenças notórias, podem desenvolver diversas competências e participar na vida da comunidade desde que beneficiem dos apoios necessários.
É claro que não se pretende negar a existência de incapacidades que afectam tanto as pessoas com deficiências como todas as outras, num momento ou noutro das suas vidas. A questão é que o problema deve ser focalizado não nas necessidades especiais que a pessoa tem, mas sim no meio físico ou social em que ela vive. Por exemplo, se uma pessoa numa cadeira de rodas não consegue entrar num edifício, o problema não está na deficiência que levou a pessoa à cadeira, mas sim na largura da porta ou nos degraus no átrio. É preciso, portanto, adaptar o meio em que vivemos para dar as mesmas oportunidades a todos. Nessa perspectiva, os espaços e equipamentos para uso público devem estar sempre disponíveis, independentemente dos dias da semana ou da presença de um determinado funcionário. No caso específico dos museus, as pessoas com deficiências devem poder efectuar a sua visita sozinhas, sem necessidade de marcação prévia, e não depender de um grupo especialmente
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organizado. O visitante deve sentir-se bem-vindo em qualquer altura, e não estar apenas sujeito a um serviço que lhe é disponibilizado extraordinariamente. Se é normal fornecer o guia do museu em línguas estrangeiras, uma versão em Braille ou em «linguagem fácil» deve ser encarada como viável.
Uma abordagem multi-sensorial do museu evita a exclusão. Usando informação escrita e oral com diversos níveis de complexidade e empregando meios de comunicação visuais, orais, tácteis e interactivos, o museu cumprirá melhor a sua missão, comunicando eficazmente com mais pessoas. Esta abordagem não implica a banalização nem a perda de qualidade da informação. Pelo contrário, permite reflectir sobre os objectivos estabelecidos, avaliar a eficácia do trabalho realizado, atingir um público mais vasto, enriquecer as exposições e descobrir mais-valias. O Museu Smithsonian nos Estados Unidos da América, por exemplo, publicou um guia para pessoas com dificuldades de aprendizagem, pensando que ia servir um pequeno número de visitantes, mas verificou que esse guia se tornou muito útil para as famílias e para pessoas para quem o inglês não é língua materna.
Em Portugal, também podemos assinalar várias abordagens que visam incluir os grupos com necessidades especiais. É o caso do projecto Arte Acess, implementado em 1997 no Museu Nacional de Arte Antiga, no Museu Nacional dos Coches e no Museu de José Malhoa que consistia Atitudes e gestos sociais de gentileza em elaborar vídeos nos quais atitudes e gestos sociais de gentileza a informação dos edifícios e as colecções fossem também fornecidos em língua gestual. Plantas do museu em relevo e textos sobre a história do edifício e das colecções foram disponibilizadas em Braille, bem como em formato ampliado para os amblíopes. Foi também elaborado uma miniatura de um coche.
Outro exemplo a salientar é o Museu do Chiado, em Lisboa, em parceria com o Instituto António Feliciano de Castilho, que criou um percurso táctil na exposição permanente de Escultura do Século XIX e XX, que pressupõe o manuseamento das peças com as luvas apropriadas, criando condições para uma visita de pessoas com deficiência visual. Está disponível uma planta táctil da sala, um catálogo em Braille e outro ampliado para amblíopes.
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O Museu Nacional de Soares dos Reis, também digno de sublinhar, preparou em 1999 a exposição As Belas-Artes e o Romantismo em Portugal para ser acessível a pessoas com deficiência visual. Com a colaboração da ACAPO, ANACED – Associação Nacional de Arte e Criatividade de e para Pessoas com Deficiência e do núcleo de Apoio a Cegos da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, foram elaborados materiais, como uma planta táctil e foi gravado um percurso áudio com informação sobre a exposição e descrições das mais importantes peças. Durante esse percurso, assinalado por pausas musicais, era possível tocar, com a protecção de luvas, algumas das obras expostas.
2.1 Captar novo público – grupos com necessidades especiais
Na conquista de novos públicos, uma das maiores dificuldades é ultrapassar a ideia que as pessoas por vezes têm de que a arte é aborrecida. Há que encontrar formas de envolver outras áreas artísticas. Se pretendemos chegar a um público com necessidades especiais, temos que prever a existência de infra-estruturas e exposições que vão ao seu encontro. O objectivo é darmos a conhecer a programação de Serralves, mantendo a informação sempre actual, conquistar mais público e apresentar outra visão da arte / museu e cruzando a arte / museu com outras áreas. Através dos estudos de público é possível identificar as características da assistência que queremos atrair, conhecer tanto as suas expectativas, como as suas preferências, organizar conteúdos em função dos seus interesses e necessidades e adequar o discurso ao nível intelectual dos visitantes. É o que acontece com os grupos com necessidades especiais que engloba áreas como a deficiência visual, auditiva, motora, mental, entre outras. Estas deficiências colocam o indivíduo numa posição de desvantagem emocional e social. Contudo, podem apresentar um desenvolvimento intelectual normal e até autónomo, recorrendo, para isso, a alguns suportes de apoio.
Em Portugal, muitos museus dispõem já de infra-estruturas arquitectónicas (rampas, elevadores, casas de banho adaptadas, etc.) e de outros dispositivos, para que o acesso físico seja uma realidade para todos. É o caso também da Biblioteca Nacional de Portugal em Lisboa, com área de leitura especial e da Biblioteca Sonora da Biblioteca Pública Municipal do Porto. Há, assim, diversos aspectos a ter em conta quando se fala
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de acessibilidade, aspectos esses que, dada a sua complexidade, convidam a uma reflexão mais aprofundada.
Serralves assinou um protocolo com a ACAPO – Associação de Cegos e amblíopes de Portugal - para que os invisuais possam igualmente usufruir da cultura, arte e do meio ambiente que Serralves oferece. Esta iniciativa surge no âmbito das comemorações dos 10 anos da inauguração do Museu de Arte Contemporânea e pretende sensibilizar e promover a imaginação criativa numa índole social.
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5. Diagnóstico das necessidades especiais
O decreto-lei 163 / 2006 define as normas a seguir nas construções de edifícios, para os dotar de acessibilidade plena. Muitas vezes as instalações em que os museus se encontram são edifícios com um valor histórico e patrimonial, o que pode dificultar o cumprimento da lei, porque os programas de reconversão podem ser muito onerosos ou potencialmente destrutivos do carácter histórico ou da autenticidade dos edifícios. De qualquer modo, enumerar algumas das barreiras que impedem a acessibilidade do espaço pode ajudar a encontrar soluções.
Como fazer o diagnóstico
Para assegurar que as iniciativas do museu vão de facto ao encontro de pessoas com necessidades especiais, bem como se adequam às suas capacidades, é essencial que estas participem activamente na sua estruturação. Por isso, parcerias formais e informais com as pessoas com deficiência e com os seus representantes são úteis para identificar e ouvir sugestões. O factor tempo é essencial. Deve ser sempre facultado o tempo suficiente para que as propostas sejam efectivamente compreendidas antes de se discutirem os assuntos, de modo a assegurar que as pessoas com deficiência e os técnicos especializados e mediadores compreenderam o seu conteúdo.
O diagnóstico das necessidades deve ser planeado sistematicamente e pode ser implementado de várias maneiras:
Consultar os interessados
Visitar diferentes serviços (escolas, centros de apoio, unidades residenciais, etc.) é uma maneira de recolher informação sobre as pessoas com deficiência, as suas áreas de interesse e as condicionantes que as suas necessidades especiais implicam.
Identificar os recursos disponíveis
Enumerar os recursos existentes na comunidade ajuda a ter melhor consciência dos meios que estão à nossa disposição para criar redes de apoio a nível da dinamização cultural. Poderá efectuar-se um levantamento das associações de pessoas com deficiência, centros de recursos educativos e culturais existentes na área geográfica do museu, os quais poderão colaborar tanto na estruturação como na implementação das actividades para pessoas com necessidades especiais.
Relatório de Estágio 20 Implicar todos os intervenientes
Efectuar reuniões com os diversos intervenientes no processo (políticos, autarcas, profissionais de educação e saúde, pessoas com necessidades especiais, etc.) é positivo, porque a partilha de ideias leva a uma maior sensibilização e predisposição para colaborar nas iniciativas.
Obstáculos e Acessibilidades
Os obstáculos são variados. A altura de um suporte expositivo pode impedir uma pessoa de baixa estatura, ou alguém que se desloque numa cadeira de rodas, de ver a peça exposta. Além das barreiras físicas, existem as barreiras à informação, que impedem os visitantes com problemas de visão ou com dificuldade em entender a mensagem escrita.
Físicos
A realidade humana é muito variada, assim como os obstáculos físicos são inúmeros. A melhor maneira de identificar estes obstáculos é tentar fazer diversos percursos dentro do museu na companhia de pessoas com mobilidade reduzida, para detectar não só os obstáculos, mas também os melhores locais para fazer uma pausa e descansar.
A nível exterior destaca-se:
• Segundo o Decreto-Lei 163 / 2006, que define as normas a seguir nas construções para as dotar de acessibilidade plena, devem ser reservados no mínimo dois lugares, demarcados a amarelo, sobre a superfície do pavimento. O estacionamento pode ser feito na rua ou no interior da fundação. Na rua não há nenhum lugar reservado com o devido símbolo internacional de acessibilidade, que deveria estar localizado o mais perto possível da porta de entrada. Daí facilmente se consegue subir o lancil do passeio, pois é bastante baixo. Para estacionar no interior da fundação é obrigatório o pagamento do lugar reservado que se encontra devidamente identificado. Desde o lugar de estacionamento até à recepção o piso é plano e estão à disposição vários degraus, portas e elevador. Por perto encontra-se um vigilante ou funcionário para ajudar.
• As portas da rua são aceitáveis, porque são de batente, largas, com puxadores em forma de alavanca.
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A nível interior salienta-se:
• Desde a entrada na rua até a recepção, o percurso é plano e ligeiramente inclinado. Serralves não apresenta aspectos negativos neste campo. Existem espaços amplos com recurso às escadas ou ao elevador, quer na entrada do museu, biblioteca ou restaurante, quer no interior destes mesmos espaços. O acesso à biblioteca pode ser feito através de escadas ou de elevador. No
interior dos elevadores, estão disponíveis os números dos pisos em Braille. É um espaço plano e amplo com a distância suficiente entre as mesas e as estantes para a mobilidade de uma cadeira de rodas ou um cão guia. Existe uma mesa com 3 computadores que deve ser utilizada por pessoas com necessidades especiais de acordo com a sinalética. No entanto, os computadores não estão prontos para serem usados por invisuais. É necessário que o deficiente se desloque à funcionária da biblioteca e, posteriormente, esta faça a ligação do teclado em Braille ao monitor. A biblioteca oferece 3 teclados em Braille que se encontram guardados num armário, graças ao seu elevado custo (3.000 eur. cada um) e à não vigilância do espaço. Portanto, esse equipamento só é facultado depois de pedido. Os computadores estão preparados com sistemas informáticos apropriados, nomeadamente o Zomtext e o Windows eyes, cuja auditoria é feita pela ACAPO.
A biblioteca não abre ao fim-de-semana, mas é facultado um espaço perto da recepção para a pessoa estar no computador. Para garantir o funcionamento dos equipamentos, foi dada formação adequada a uma recepcionista para estar habilitada a prestar apoio na montagem do equipamento informático. A biblioteca é um espaço especializado nas temáticas ligadas à arte e não se sabe até que ponto há público com necessidades especiais a frequentar essas áreas, daí ainda não haver publicações em Braille. Há apenas uma revista externa que está disponível na biblioteca. Portanto, quer haja visitas com grupos de necessidades especiais ou o deficiente o faça de forma autónoma, a biblioteca pode ser visitada sem qualquer entrave físico e há sempre pessoas disponíveis para ajudar no que for necessário. O que se quer é que ele se sinta bem, sem qualquer tipo de discriminação.
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O museu tem vários desníveis considerados ligeiros. No entanto, para facilitar a interpretação do desnível aos invisuais deveria haver uma textura rugosa no início e no fim do desnível. É também aconselhável a existência de um corrimão. No interior do espaço há elevador para melhorar o acesso aos vários pisos do museu.
Ao nível das áreas comuns, destaco a ausência de instalações sanitárias adaptadas. Ao abrigo do decreto-lei 163/2006, uma das cabines deveria medir 220cm x 220 cm, para permitir o acesso por ambos os lados da sanita, o pavimento das instalações sanitárias deveria oferecer boa aderência e o espaço teria de estar apetrechado com equipamento de alarme.
Sensoriais
Se uma exposição não for concebida a pensar nas pessoas com problemas auditivos e visuais, alguns visitantes não terão acesso à informação. Por isso é essencial fornecê-la em diversos formatos e transmitir o conhecimento aproveitando todos os sentidos. Estas opções poderão ser aproveitadas por todos porque a comunicação pode estabelecer-se de forma mais completa e enriquecedora.
Intelectuais
O nível da percepção e da compreensão das obras e dos objectos expostos pode tornar-se um obstáculo. Por vezes, os textos informativos empregam uma linguagem especializada e complexa, partindo do princípio que o visitante dispõe dos conhecimentos ou capacidades necessários para os interpretar.
A pessoa com deficiência visual necessitará de compreender a obra através do tacto. Não sendo possível tocar nas obras, em alternativa poderá ser interessante criar réplicas, de modo a possibilitar a percepção dos objectos mais estimulantes. Também os textos informativos que acompanham as obras deverão estar em Braille ou em áudio.
Relatório de Estágio 23 Sinaléticas
No que toca às pessoas com necessidades especiais, os obstáculos poderão situar-se na orientação do espaço. A sinalização é por vezes inexistente o que provocará dificuldades em seguir as indicações do percurso ou identificar os vários serviços.
Segundo o decreto-lei 163 / 2006, capítulo 4, secção 4.14 respeitante à Sinalização e Orientação «deve existir sinalização que identifique e direccione os utentes para entradas / saídas acessíveis, percursos acessíveis, lugares de estacionamento reservados para pessoas com mobilidade condicionada e instalações sanitárias de utilização geral acessíveis».
Em todo o espaço devem existir mapas de orientação simples que permitam uma circulação autónoma. Deverá também existir sinalética que faculte informação sobre o tipo de acessibilidade disponibilizado pelo museu.
A compreensão é facilitada por um contraste cromático forte entre as letras e o fundo da placa informativa. Assim, é importante ter em consideração o local de fixação, a cor do fundo da placa e a cor das letras. Por exemplo, se o local de fixação for uma parede branca, o fundo do sinal deverá ser preto com letras brancas ou/e amarelas.
Um museu deve ser um local onde não haja obstáculos para que todos os visitantes se sintam bem-vindos. Um ambiente acolhedor é criado pela arquitectura, iluminação, sinalética, acessibilidade e atitude dos funcionários que acolhem os visitantes.
Relatório de Estágio 24
6. Plano de sugestão
Para promover o acesso à informação a pessoas com necessidades especiais é importante uma boa comunicação acompanhada de uma divulgação coerente para que se disponibilize informação a vários níveis:
1. Comunicação: a. Divulgação
Meios de divulgação convencionais
É indispensável a existência de um guia reproduzido em diversos meios e suportes, disponibilizado no sítio institucional do museu, que divulgue todas as condições de acesso a pessoas com necessidades especiais: a disponibilidade do estacionamento reservado, a existência de lugares acessíveis no auditório e no bar, a acessibilidade dos elevadores, o número de degraus entre os andares e os serviços educativos especificamente dirigidos a pessoas com necessidades especiais ou abrangentes de diversos públicos. Toda a publicidade convencional deveria fazer referência à acessibilidade do museu e incluir um contacto para obter informação mais pormenorizada. É importante que todos os funcionários, sobretudo os que fornecem informação aos visitantes aos mais diversos níveis, tenham conhecimento das condições de acessibilidade e das exposições.
Associações de pessoas com necessidades especiais
Para chegar às pessoas com necessidades especiais e aumentar o número das que frequentam os museus, deve privilegiar-se a divulgação da informação junto das respectivas associações e centros de dia, assim como considerar a possibilidade de fazer uma apresentação para essas entidades sobre novos serviços e/ou o desejo de trabalhar em parceria com as mesmas.
Também se poderão efectuar campanhas de sensibilização junto dos serviços da comunidade (escolas, instituições, clubes, colectividades) que podem abranger potenciais interessados.
Relatório de Estágio 25
Acontecimentos recreativos culturais
Organizar acontecimentos recreativos culturais com convites especialmente dirigidos à participação de pessoas com necessidades especiais poderá ser uma forma de atrair novos públicos e de divulgar os serviços disponibilizados pelo museu.
Órgãos de comunicação social
É fundamental que os órgãos de comunicação nacional e local sejam envolvidos na divulgação das iniciativas do museu, através da realização de acções de sensibilização específicas sobre a questão da acessibilidade e do estabelecimento de canais preferenciais de comunicação com os responsáveis daqueles órgãos.
b. Avaliação
O objectivo da avaliação é criar mecanismos que assegurem que os serviços respondem verdadeiramente às necessidades das pessoas. A avaliação deverá ser realizada de modo sistemático. Neste sentido, e com o objectivo de recolher informação de modo abrangente, a avaliação deve ser efectuada sob várias formas:
Dos visitantes, neste caso com necessidades especiais
Existem diversas formas de promover a avaliação dos serviços, como por exemplo através da realização de um inquérito a ser devolvido ao museu após o seu preenchimento em casa, para melhor avaliar o grau de satisfação e eficácia das adaptações, nomeadamente:
1. Acesso ao museu 1.1. Espaço
1.1.1 Estacionamento (se estacionou no interior da fundação, se teve dificuldades) 1.1.2 Passeio e vias de acesso (percurso entre o estacionamento e a entrada do
museu)
1.2. Informação (nome, horário, quais as dificuldades sentidas) 2. Museu
2.1 Espaço (se houve dificuldade nos desníveis, escadas, elevadores, portas, as entrada e saídas estão bem identificadas)
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2.2 Informação (mapas de orientação fáceis, sinaléticas adequadas, textos de leitura em versão ampliada, Braille ou áudio)
3. Pessoal (se foi bem atendido e orientado quando requisitou ajuda)
4. Voltaria a visitar Serralves? Ou recomendaria um amigo a visitar Serralves?
Também seria possível gravar as opiniões das pessoas no fim da visita, ou então pedir a opinião da entidade que solicitou a visita de grupo.
Convém lembrar que nem todas as pessoas com necessidades especiais estão aptas a pronunciar-se sobre acessibilidade e que nem todas querem participar no processo. Por isso, não se deve forçar estes visitantes a comentar as adaptações feitas, ou a fazer.
De representantes dos grupos alvo
Uma avaliação dos serviços disponibilizados efectuada pelos representantes dos grupos alvo, após a realização da visita, permitirá também detectar as dificuldades sentidas pelos visitantes.
Do pessoal do museu
A equipa do museu implicada nas actividades deve dar a sua opinião sobre o modo como elas decorreram.
2. Diversos níveis de informação:
As pessoas podem ter problemas de literacia por várias razões:
- Qualquer tipo de necessidade especial que afecte a capacidade de ler ou compreender;
- Educação formal limitada; - Problemas de carácter social;
- Língua materna diferente da língua oficial do país onde vivem.
As competências de literacia das pessoas diferem bastante e, mesmo entre os grupos acima mencionados, há uma grande diversidade na capacidade de ler e escrever.
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A designação de «linguagem fácil» pode não ser universal e não será possível escrever um texto que se adapte às capacidades de todas as pessoas com problemas de literacia e compreensão. No entanto, textos escritos usando «linguagem fácil» tornam-se mais acessíveis e são geralmente caracterizados por:
- Utilizar uma linguagem simples e directa; - Incluir apenas uma ideia principal por frase; - Evitar linguagem técnica, abreviaturas e iniciais; - Ter uma estrutura clara e lógica.
O modo como a informação está estruturada é muito importante. A exposição dos conteúdos deve seguir uma sequência clara e lógica, apoiando-se em expressões, palavras, frases ou ideias essenciais.
É relativamente fácil escrever sobre coisas simples e concretas; é muito mais difícil apresentar conceitos abstractos. Quando não for possível evitar os conceitos abstractos, estes deverão ser ilustrados com exemplos concretos.
A apresentação da informação também é muito importante. Fotografias, figuras ou símbolos devem apoiar o texto sempre que possível, de modo a ajudarem a sua compreensão. Estas ilustrações também devem ser fáceis de entender e estar claramente relacionadas com o texto. O modo como os textos, ilustrações ou quaisquer informações são apresentados, também deve ser considerado cuidadosamente:
- Apresentar as ideias em pequenas frases, pois existe dificuldade em processar muita informação ao mesmo tempo
- Repetir e reforçar o que foi dito, dando simultaneamente relevância aos conteúdos mais importantes.
3. Diversos formatos:
As necessidades e capacidades das pessoas com necessidades especiais são variáveis e o material de «linguagem fácil» nem sempre é acessível a todas as pessoas, principalmente àquelas que não conseguem mesmo ler. Se a informação estiver também disponível em formatos não escritos, chegará a um maior número de pessoas com
Relatório de Estágio 28
necessidades especiais dando apenas um formato alternativo, pelo que convém que exista hipótese de escolha.
a. Ampliações visuais
Uma versão ampliada é relativamente fácil de produzir quando os textos são digitalizados. Recomenda-se o uso de letras de 18/20 pt, texto alinhado à esquerda, fundo simples, sem negrito nem itálico.
Uma lupa convencional com aumento de 2,5 vezes, poderá estar disponível quando não for possível ampliar um texto ou produzir uma réplica de um objecto pequeno.
b. Ampliações sonoras
Na bilheteira, recepção, auditório e salas onde se realizam apresentações regularmente deve considerar-se a introdução de um anel de indução magnética ou um dispositivo semelhante que tem grande utilidade para quem usa auricular. É imprescindível consultar os especialistas sobre as especificações técnicas deste tipo de equipamento, pois um anel numa sala pode interferir com outro numa sala vizinha.
c. Braille
Textos em Braille devem ter uma apresentação simples, sem recurso ao itálico ou negrito para salientar informação e de preferência sem colunas. Imagens que transmitem informação suplementar devem ser convertidas em texto. As legendas em Braille devem ser fixas e colocadas a um ângulo de 45º, para facilitar a leitura. A versão em Braille pode ser incluída nos painéis informativos. As alternativas são uma publicação em Braille disponível na recepção e um suporte portátil junto do respectivo painel informativo.
d. Gravações áudio
Museus e monumentos podem ser equipados com sistemas automáticos de informação áudio. As gravações podem ser feitas e copiadas facilmente, o que as torna uma boa opção para produzir informação para pessoas que não podem ler.
Normalmente são activadas por um botão, mas também podem ser activadas por um sensor que detecte a entrada de um visitante na sala. Os sistemas de infravermelhos
Relatório de Estágio 29
que necessitam do uso de um receptor por parte do visitante têm a vantagem de ter múltiplos canais, permitindo a transmissão da informação em diversas línguas.
e. Gravações vídeo
O vídeo é uma excelente escolha para fornecer informação. A combinação de informação visual e verbal pode ser bastante eficaz para alcançar as pessoas que têm sérios problemas de leitura e compreensão de textos.
O trabalho de passagem para vídeo da informação necessária deverá ser realizado por Interpretes de Língua Gestual Portuguesa.
f. Multimédia e Internet
Inicialmente concebida no seio da comunidade científica como um instrumento para estabelecer a circulação de ideias, a internet é hoje cada vez mais um produto de comunicação de massas. Um website é considerado inteligível quando o conteúdo informativo, navegabilidade e interactividade são acessíveis a todos os utilizadores.
A acessibilidade à internet por cidadãos com necessidades especiais é assegurada por diferentes tecnologias, quer de hardware quer de software, designadamente as que efectuam a conversão equivalente da informação de um órgão de sentido para outro, como por exemplo da visão (monitor do computador) para o tacto (barra de Braille para cegos) ou para a audição (síntese sonora vocal para cegos).
Existem ferramentas e tecnologias específicas de edição de websites que permitem ultrapassar determinados tipos de deficiências, concretamente as que se relacionam com a dificuldade em distinguir cores: informação essencial não pode basear-se exclusivamente na diferenciação da cor e, por outro lado, é fundamental assegurar um contraste suficientemente nítido entre texto e fundo.
4. Formas de acesso táctil:
Se um museu pretende tornar as suas exposições / visitas mais acessíveis através do contacto físico, deverá seleccionar peças emblemáticas, susceptíveis de poderem ser tocadas.
Relatório de Estágio 30 a. Réplicas
Quando a fragilidade, valor ou condições de conservação não permitem o contacto com o original, deverá ser feita uma réplica do original. Por vezes, poderá ser demasiado complexo ou dispendioso produzi-la no material original. Nestes casos uma amostra do material usado do original deverá ser associada à réplica.
b. Miniaturas / Ampliações
Existem peças que são ou demasiado grandes ou demasiado pequena para serem tocadas com as mãos e interpretadas convenientemente.
No caso de ampliações de peças, estas deverão ser acompanhadas por uma indicação do seu tamanho real. As ampliações são aconselhadas quando as peças no seu tamanho real contêm pormenores difíceis de identificar com os dedos.
No que toca às miniaturas, estas deverão ser acompanhadas por algo que permita entender o seu verdadeiro tamanho. Tal como as réplicas, estas reproduções deverão usar materiais originais, ou pelo menos fornecer um toque muito parecido.
c. Representação de imagem em relevo
Pinturas e imagens podem ser representadas em relevo com um maior ou menor grau de sucesso. Por vezes, têm de ser simplificadas e quase adaptadas porque o tacto e a visão funcionam da mesma maneira. As mãos entendem melhor áreas com texturas diferentes do que diversas linhas em relevo.
5. Diversificação da oferta:
É necessário dar às pessoas motivação para ir a um museu, tornando-o interessante e agradável através do desenvolvimento de actividades que se relacionem com as vivências ou experiências de vida das pessoas. Eis algumas sugestões:
a. Dia Internacional das pessoas com Deficiência (3 de Dezembro)
É uma data comemorativa internacional promovida pelas Nações Unidas desde 1998 e que seria igualmente importante assinalar na Fundação de Serralves com a realização de actividades organizadas especialmente para os grupos com necessidades especiais.
Relatório de Estágio 31 b. Dia da Criança incluindo as crianças com necessidades especiais (1 de
Junho)
A Fundação de Serralves celebra anualmente o dia da criança com espectáculos de teatro e muitas outras surpresas. É fundamental convidar as associações e abrir as portas da Fundação para que as crianças com necessidades especiais também possam participar no mesmo universo.
c. Oficinas / Ateliês de Expressão Plástica, Culinária, Dança e Música Dinamizar ateliês específicos promove a fruição dos conteúdos da exposição. Estes projectos permitem a experimentação sensorio-motora dos objectos, a exploração dos vários materiais na criação da obra e o trabalho em equipa.
d. Visitas guiadas – tipo I
Organizar visitas que fazem parte do programa geral de actividades do museu podem ser acompanhadas regularmente por um intérprete da Língua Gestual (por exemplo, 1º sábado do mês). Também podem ser organizadas visitas tácteis para o público em geral, anunciadas como uma oportunidade de tocar nas obras, e não como eventos exclusivos para pessoas com necessidades especiais.
e. Visitas guiadas – tipo II
Nas visitas com grupos mistos que englobam alunos surdos é possível uma tradução simultânea em língua gestual portuguesa, de forma a incluí-los nessa mesma visita. Para esta situação acontecer sem imprevistos, é necessário uma marcação prévia e a escola deverá facultar a informação das especificidades dos alunos portadores de necessidades especiais.
f. Actividade ao ar livre (espaços verdes)
As actividades ao ar livre, nomeadamente, os jogos tradicionais (por exemplo, no parque da Fundação de Serralves), permitem um contacto com a natureza que, de certa forma, dinamiza o desenvolvimento físico e psicológico. É uma forma de aliviar os níveis de stress e de criar maior disposição para enfrentar as actividades do dia-a-dia. Isto porque, infelizmente, as pessoas com necessidades especiais centram-se muito em actividades fechadas nas associações ou paradas em casa. No aspecto social, favorece
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ainda as relações interpessoais e consequentemente o aumento de laços de amizade. É uma explosão de alegrias, movimentos e ideias.
g. Workshops «Introdução ao Braille»
Seria vantajosa a realização de um workshop destinado aos professores, alunos e pessoas invisuais e amblíopes, técnicos de áreas de serviços de atendimento público, e outros profissionais com responsabilidades e interesses nesta problemática. O objectivo seria sensibilizar os cidadãos em geral para os problemas de informação e comunicação.
h. Exposições subordinadas ao tema «O Braille e a sua evolução até aos dias de hoje»
A pertinência da realização de exposições relacionadas com temas com os quais se identifiquem está relacionada com a necessidade de evidenciar a sua realidade, bem como, clarificar outros públicos.
i. Acolher obras de pessoas com deficiências
Para dar a conhecer as suas capacidades artísticas, seria proveitoso proporcionar espaços que possam acolher as suas obras, quer a título individual quer colectivo. Um exemplo ilustrativo é os conhecidos «artistas que pintam com a boca e os pés» apoiados pela Sociedade dos Artistas Deficientes Manuais – SADM das Caldas da Rainha.
j. Após um estudo de quantificar o número de pessoas com necessidades especiais que frequentem o ensino superior nas áreas da artes e arquitectura
A análise quantitativa é importante para reflectir a hipótese de dispor na biblioteca da Fundação de Serralves livros sonoros e em Braille sobre essas temáticas.
k. Criar um blog
No site da Fundação de Serralves poderia ser criada uma ligação para um blog cujo objectivo fosse publicar notícias sobre as actividades ou acontecimentos actuais. Desta forma, após a leitura dos artigos, o leitor poderia comentar ou criticar de forma construtiva. O que se pretenderia era estreitar a comunicação entre a Fundação e toda a sua comunidade, ou seja, as pessoas que já a visitaram.
Relatório de Estágio 33 l. Criar uma planta/mapa de orientação
Elaborar um mapa ou planta de orientação simples e clara em Braille, que estariam disponíveis na recepção do museu, seria uma hipótese viável. Os percursos seriam assinalados em Braille, bem como os locais de paragem para descanso recomendáveis no jardim e as obras aí expostas. Desta forma, transformávamos a visita de um invisual autonomamente.
Em jeito de conclusão, trata-se de traduzir a planta de orientação já existente em versão Braille e ajustar alguns pormenores face às necessidades especiais.
m. Criar uma maqueta
Uma oferta interessante seria a criação de uma maqueta sonora da Fundação de Serralves com legendas em Braille disponível na recepção, para todo o público, mas com especial relevância para os surdos, cegos e amblíopes.
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7. Conclusão
Reconhece-se que é difícil pôr em prática, de imediato, todas as sugestões que este relatório aponta para a captação de públicos com necessidades especiais. O museu de Serralves, tal como muitos dos museus portugueses, são edifícios com grande valor arquitectónico, mas com muitas barreiras para este tipo de visitantes. Esta preocupação de eliminar as barreiras arquitectónicas existentes não deve ser esquecida no futuro, quando o museu for objecto de remodelação. O bom senso deverá ser a linha guia para a resolução dos problemas concretos e para a definição das prioridades.
Uma maneira diferente de encarar estes assuntos, com uma maior sensibilização para as necessidades especiais, contribuirá para que sejam projectadas exposições e actividades numa perspectiva mais inclusiva. Este cenário pressupõe um trabalho conjunto sistemático, dialogante e construtivo entre todas as partes implicadas: profissionais do museu, os arquitectos e designers e também representantes de associações de pessoas com necessidades especiais. Desse diálogo, crescerão os museus onde todos se sentirão melhor, onde a ausência de barreiras físicas, sensoriais ou intelectuais constituirá seguramente um benefício para todos.
“Porque urge sensibilizar para a necessidade de adaptar o meio às pessoas e não as pessoas ao meio”. APD – Associação Portuguesa de Deficientes3
3
É uma organização de direitos humanos com o objectivo de promover a defesa dos interesses das pessoas com deficiência em Portugal, de forma a garantir a igualdade de participação em todas as áreas da sociedade.
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Referências bibliográficas
Monografias
• LEITE, Elvira, VICTORINO Sofia – Serralves Projectos com Escolas 2002-2007. Porto. Fundação de Serralves. 2008
• CARVALHO, Anabela, Mineiro, Clara – Encontro Museus e Educação, actas 10/11 Setembro 2001. Lisboa. Centro Cultural de Belém, 2001
• FPCEUP, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação - Necessidades Especiais – Guia para Apoio a Serviços Educativos. Porto. 2004
• MONTEIRO, Manuela - 2 Pontos: A Revista dos Professores Portugueses. Nº10 Outubro. Porto Editora. 2009
• VARINE-BOHAN, Hugues de - O tempo social. Tradução de Fernanda Camargo Moro e Lourdes Rego Novaes. Rio de Janeiro. Eça, 1987
• RIBEIRO, Agostinho et alli - Sobre o conceito de museologia social. Lisboa. Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, 1993. (Cadernos de Sociomuseologia, n. 1).
• GARDNER, Laura; GROFF, Gerda - What museum guides need to know. 2. ed. Nova York. American Foundation for the Blind, 1990.
Documentos Electrónicos
• Fundação de Serralves – disponível em www.serralves.pt
• Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal – disponível em
www.acapo.pt
• Associação Portuguesa de Museologia – disponível em http:||apom.paginas.sapo.pt
Índice de imagens
Imagem 1 – Museu de Arte Contemporânea……..………. ………. pág. 9 Imagem 2 – Casa de Serralves……….……….. pág. 9 Imagem 3 – Jardim da Casa de Serralves……….……. pág. 10 Imagem 4 – Auditório………….………...………… pág. 10 Imagem 5 – Biblioteca da Fundação de Serralves……….….….………...pág. 11
Imagem 6: Planta de Serralves
Imagem 7: Planta de Serralves
Gráfico 1: Número de Visitantes em 2008
Fonte: www.serralves.pt
Gráfico 2: Serviço Educativo
Gráfico 3: Tipologia das actividades
Fonte: Serviço Educativo da Fundação de Serralves
Gráfico 4: Abrangência por área geográfica
Gráfico 5: Grau de Ensino
Fonte: Serviço Educativo da Fundação de Serralves
Gráfico 6: Estabelecimentos de ensino
Gráfico 7: Número de participantes com necessidades educativas especiais por oficina no ano lectivo 2008/09
Legislação
A nível Nacional destaca-se as seguintes leis: - Decreto-lei nº. 9/89 de 2 de Maio
Aprova a lei de Bases da Prevenção e da Reabilitação e Integração das Pessoas com Necessidades Especiais.
- Decreto-lei nº. 123/97 de 22 de Maio
Torna obrigatório a adopção de normas técnicas de eliminação de barreiras arquitectónicas em edifícios públicos, equipamentos colectivos e via pública para melhoria da acessibilidade das pessoas com mobilidade condicionada.
- Decreto-lei nº. 163 / 2006 de 8 de Agosto (ver em detalhe em anexo)
Aprovada pelo Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, actualiza o decreto-lei 123/97 de 22 de Maio, e introduz novas normas técnicas de acessibilidade.
A nível Comunitário:
-Carta Comunitária dos Direitos Sociais
(Aprovada no Conselho Europeu de Estrasburgo em Dezembro de 1989)
Refere que todas as pessoas com deficiência devem beneficiar de medidas adicionais que favoreçam a sua integração social.
- Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia (Aprovada na Cimeira de Nice em Dezembro de 2000)
Reconhece que, para alcançar a igualdade para as pessoas com deficiência, o direito à não discriminação deve ser completado pelo direito a beneficiar de apoio e assistência.
Relatório Semanal do Estágio na Fundação de Serralves –
Serviço Educativo
Orientador de estágio da Faculdade de Letras: Doutor Nuno Moutinho
Orientadores de estágio da Fundação de Serralves: Dra. Sofia Vitorino e Engenheira Elisabete Alves
Estagiária: Jenny Ramos
Semana: 16 a 20 de Novembro de 2009
Dia 16 – Início do estágio
Reconhecimento do Museu e da Quinta, dois locais onde o estágio decorrerá. São ambos espaços pedagógicos, sendo, o primeiro um lugar que oferece várias temáticas sobre a arte e arquitectura e o segundo um espaço que permite estabelecer laços com o meio ambiente e explorar a biodiversidade.
Dia 17
Observação da Oficina Cientistas no Parque com a monitora Paula, do Mundo Científico, Lda. Muito resumidamente, discutiram-se os processos vitais dos seres vivos, ou seja, foi dada a conhecer a importância ecológica da minhoca no solo. Foi proporcionado aos jovens capturar minhocas e dissecá-las.
Observação da Oficina Aulas no Parque com o monitor Eng. Fernando. Foi uma actividade que gerou muito entusiasmo e uma participação activa dos jovens, pois estes ficaram a conhecer a diversidade animal explorando o contacto com os animais da Quinta.
Dia 18
Observação da Oficina Viver com a Energia com o monitor Rui, do Mundo Científico, Lda. Torna-se imprescindível este tipo de oficina, pois permite complementar os conhecimentos adquiridos em sala de aula com trabalho laboratorial e experimental, que nem sempre é possível pôr em prática nas escolas. O tema foi a utilização dos combustíveis fósseis, desde a sua origem até à sua transformação.
Observação da Oficina Ambiente e Saúde com a monitora Rita, do Mundo Científico, Lda. É um programa pioneiro que, na minha opinião, tem tudo para dar certo. Iniciou-se com uma apresentação de slides, um enquadramento teórico sobre anatomia interna dos animais e de seguida experiências que promoveram a interacção entre os miúdos.
Verifiquei também que há o cuidado de que a actividade não seja pontual e, neste sentido, são facultadas aos mais novos fichas de trabalho para fazerem na sala de aula com o professor. Desta forma, pretende-se mostrar que a visita a Serralves é um complemento ao que já aprenderam e que há muitas mais coisas para continuar a aprender.