Características do carcinoma de células renais em doentes com vírus da hepatite C

Texto

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Mestrado Integrado em Medicina

Características do carcinoma de células

renais em doentes com vírus da hepatite C

Marta Filipa Ferreira Martins

M

2019

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Características do carcinoma de

células renais em doentes com vírus da

hepatite C

Artigo original de investigação

Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar

Autor:

Marta Filipa Ferreira Martins, aluna nº200902808, 6º ano do Mestrado Integrado em Medicina no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Porto, Portugal

Correio eletrónico: martamartins017@gmail.com

Orientador:

Prof. Doutor Miguel Silva Ramos

Assistente Hospitalar Graduado em Urologia, Centro Hospitalar e Universitário do Porto Afiliação - Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto, Rua de Jorge Viterbo Ferreira n. º 228, 4050-313 Porto

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Autor: Marta Filipa Ferreira Martins

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Orientador: Prof. Doutor Miguel Silva Ramos

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Agradecimentos

Ao meu orientador e Professor, Prof. Doutor Miguel Silva Ramos, pela disponibilidade, interesse e apoio, indispensáveis para a realização deste trabalho científico.

Ao Dr. Bruno Fernandes, pelo apoio prestado no levantamento dos processos clínicos dos indivíduos da amostra deste estudo.

Ao Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar e ao Centro Hospitalar e Universitário do Porto, por terem permitido o desenvolvimento deste trabalho.

À Universidade do Porto, por estes 10 anos de formação superior, na Licenciatura em Ciências da Nutrição e no Mestrado Integrado em Medicina. Não poderia ter escolhido uma melhor segunda casa.

Aos meus pais, irmãos, tias Glória, Maria José e Isabel, e restante família, por serem o melhor porto de abrigo. Aos meus amigos, em especial ao Godinho, Inês, Joana, Joana Miguel, Maria Francisca e Rita, por serem os melhores companheiros de curso que alguma vez poderia ter.

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Resumo

Introdução: Aproximadamente 90% dos tumores renais são do tipo carcinoma de

células renais (CCR). Nas últimas 3 décadas, verificou-se um aumento anual da incidência de CCR na Europa e nos EUA, e uma subida, embora não tão pronunciada, do diagnóstico em idades jovens e tumores avançados. Recentemente, alguns estudos têm investigado uma possível associação entre carcinoma de células renais e infeção pelo vírus da hepatite C (VHC), sugerindo um potencial oncogénico renal para o VHC.

Objetivos: Neste estudo, pretende-se determinar a incidência de infeção crónica por

VHC nos doentes com CCR, admitidos no Centro Hospitalar e Universitário do Porto, bem como, estudar as diferenças entre doentes com e sem infeção por VHC em termos de tipo de CCR e prognóstico.

Métodos: Foi realizado um estudo observacional retrospetivo numa amostra de 421

doentes com diagnóstico de novo de CCR, no Centro Hospitalar e Universitário do Porto, de janeiro de 2007 a dezembro de 2018. Foram colhidos dados clínicos e sociodemográficos com base nos processos clínicos eletrónicos de cada doente, a análise foi realizada utilizando o programa de análise estatística SPSS® v.24.0.

Resultados: Num total de 421 doentes com carcinoma de células renais incluídos no

estudo, 1,7% apresentaram diagnóstico de infeção crónica por VHC. Não se verificaram diferenças estatisticamente significativas relativamente a características sociodemográficas e clínicas entre os doentes infetados com VHC e os não infetados. Relativamente à idade de diagnóstico de CCR, verifica-se que doentes com infeção crónica por VHC são tendencialmente mais jovens (58,86 ±12,70) comparativamente aos que não têm infeção por VHC (62,79±12,70), não existindo diferenças estatisticamente significativas. Através de uma análise estratificada por idades (indivíduos com <55anos vs. ≥55 anos), verificou-se que os indivíduos mais jovens têm maior risco de ter VHC (p=0,05) e de terem história de tabagismo (p=0,023), e os mais velhos de terem HTA (p<0,001) e TFG<60mL/min/1,73m2 (p=0,004). Não se verificaram diferenças estatisticamente significativas entre doentes com e sem VHC, relativamente às características do CCR. De salientar o facto de todos os doentes com VHC se apresentarem no estadio 1 e não se ter verificado recidiva em nenhum destes doentes.

Conclusões: A infeção crónica por VHC é um fator a ter em conta no desenvolvimento

de CCR, particularmente em indivíduos jovens. Não há evidência de que existam diferenças no tipo de CCR e prognóstico em indivíduos infetados comparativamente com indivíduos não infetados. São necessários mais estudos de coorte com amostras de grandes dimensões.

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Abstract

Background: Approximately 90% of the kidney cancers are renal cells

carcinomas (RCC). Along the past three decades, there has been a continuous rise in the incidence of RCC in Europa and in the USA. There has also been a rise (although more subtle) in the diagnosis in younger ages and of advanced-stages tumors. Recently, some studies have come out, with the aim to investigate a possible correlation between the RCC and the infection be the hepatitis C virus, suggesting an oncogenic potencial for the HCV.

Aims: In this study, we intend to determine the incidence of the chronic infection

by Hepatitis C Virus in patients diagnosed with Renal Cell Carcinoma, in Centro Hospitalar e Universitário do Porto (CHUP), as well as to analyze the differences between patients with and without infection regarding the subtype of RCC and the prognosis.

Methods: In a retrospective observational study, we analized 421 patients

diagnosed with RCC, in CHUP, between the period of January 2017 and December 2018. The demographic and clinical data were recorded from the electronic hospital registries, and the statistical analysis was performed with SPSS® v.24.0.

Results: In a total of 421 patients with Renal Cell Carcinoma, 1,7% presented

the diagnosis of chronic infection by HCV. There was no statistically significant difference between infected and non-infected by HCV patients, concerning sociodemographic and clinical features. Regarding the age of the diagnosis of RCC, we shown that patients with chronical infection by HCV are tendentiously younger (58,86 ±12,70) when compared to the non-infected patients (62,79±12,70), despite there is no statistically significant difference between them. Through an analysis stratified by age (individuals with <55 years vs. ≥55 years), we shown that younger patients have a higher risk of having HCV (p=0,005) and having smoking habits (p=0,023), whereas older patients have a higher risk of having hypertension (p<0,001) and a GFR<60mL/min/1,73m2 (p=0,004). There was no statistically significant difference between infected and non-infected by HCV patients, concerning the RCC subtype. Of the study population, all patients with HCV presented in the stage 1 of the disease and none was known to have had a disease relapse.

Conclusions: The chronic infection by HCV is a factor to have in account in the

development of RCC, principally in younger patients. The is no evidence of difference in the subtype of RCC and in the prognosis, when comparing infected with non-infected individuals. Larger cohort studies are needed.

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Abreviaturas

CCR: Carcinoma de Células Renais

CHUP: Centro Hospitalar e Universitário do Porto DRC: Doença Renal Crónica

ECDC: European Centre for Disease Prevention and Control HTA: Hipertensão Arterial

IMC: Índice de Massa Corporal

INFARMED: Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde OMS: Organização Mundial de Saúde

TFG: Taxa de Filtração Glomerular VHB: Vírus da Hepatite B

VHC: Vírus da Hepatite C

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Índice

Agradecimentos ... i

Resumo ... ii

Abstract ... iv

Abreviaturas ... v

Introdução ... 1

Materiais e Métodos ... 3

Resultados ... 5

Discussão ... 7

Conclusão ... 10

Bibliografia ... 11

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Introdução

Os tumores do rim representam 5% dos tumores no homem e 3 % dos tumores na mulher, sendo a 6ª neoplasia mais frequente no homem e a 8ª na mulher.(1)

Aproximadamente 90% destes tumores são carcinomas de células renais (CCR), ou seja, carcinomas com ponto de partida no parênquima renal.(2, 3)

Nas últimas 3 décadas, verificou-se um aumento anual da incidência de CCR na Europa e nos EUA, tendência esta que não pode ser explicada apenas pelo aumento da utilização e melhoria dos métodos diagnósticos. Simultaneamente, também se verificou uma subida, embora não tão pronunciada, do diagnóstico em idades jovens e tumores avançados.(3, 4)

Vários são os fatores de risco estabelecidos associados ao CCR, como o consumo de tabaco, a obesidade, a hipertensão arterial (HTA), a doença renal crónica (DRC), a história familiar e as formas hereditárias da doença(2-5), sendo que o último representa apenas 2 a 3% dos CCR.(6)

Recentemente, alguns estudos têm investigado uma associação entre carcinoma de células renais e infeção pelo vírus da hepatite C (VHC), sugerindo um potencial oncogénico renal para o VHC.(6-10) Num estudo realizado por Gordon e colaboradores(7), verificou-se uma incidência duas vezes superior de CCR, numa idade significativamente mais jovem, em indivíduos com infeção crónica por VHC, comparativamente a indivíduos sem infeção.

A infeção por VHC é uma das principais causas mundiais de morbimortalidade, e dados recentes mostram que, na ultima década, houve um aumento de 2,8% da sua seroprevalência, correspondendo a mais de 185 milhões de pessoas infetadas, em todo o mundo.(11)

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2015, havia 71 milhões de pessoas com infeção crónica por VHC, das quais 15 milhões eram da Europa.(12, 13) Em Portugal, desde a implementação do Portal da Hepatite C da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (INFARMED), mais de 17.000 pessoas já foram assinaladas com infeção crónica.(12)

O papel desta infeção no fígado está bem estudado e comprovado, no entanto, estudos mostram que existem manifestações extra-hepáticas, como crioblobulinemia mista, porfiria cutânea tardia, glomerulonefrite membrano-proliferativa, síndrome de Sjögren e doenças dismielinizantes do sistema nervoso central e periférico.(14, 15) Relativamente à associação com neoplasias, o VHC possui propriedades oncogénicas e linfoproliferativas, e está associado a um risco aumentado de carcinoma

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hepatocelular, linfoma não-Hodgkin e de outras neoplasias hematopoiéticas.(16-20) Sampa e colaboradores(21) estudaram a presença de infeção por VHC em linfonodos perihepáticos e verificaram que, em 85% dos indivíduos havia infeção e que em 50% dos mesmos havia replicação do vírus, podendo a replicação extra-hepática linfoide ter um papel importante na viremia do VHC.

Em relação às manifestações do VHC no rim, foram detetados o RNA e a proteína core do VHC nos glomérulos e estruturas tubulares em diferentes patologias renais.(22) Dalrymple e colaboradores mostraram que, a infeção crónica por VHC está associada a um aumento do risco de doença renal, sendo a prevalência de DRC nos indivíduos afetados 40% mais elevada que nos não infetados.(23) Um estudo realizado por Wiwanitkit(24), que avaliou a relação entre a infeção por VHC e CCR usando técnicas de análise bioinformática, mostrou que existe apenas uma proteína em comum, a NY-REN-54, entre estas duas patologias. Esta proteína possui propriedades de ligase da ubiquitina, podendo o mecanismo oncogénico ser explicado por um distúrbio da resposta autofágica.

Neste estudo pretende-se determinar a incidência de infeção crónica por VHC nos doentes com CCR, admitidos no Centro Hospitalar e Universitário do Porto (CHUP), bem como, estudar as diferenças entre doentes com e sem infeção por VHC, em termos de tipo de CCR e prognóstico.

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Materiais e Métodos

O estudo segue as normas delineadas pela declaração de Helsínquia e foi aprovado pela comissão de ética da instituição (N/REF.ª 2019.022 (019-DEFI/020-CES)).

Foi realizado um estudo observacional retrospetivo. A amostra foi obtida através do levantamento pelo Serviço de Anatomia Patológica do CHUP dos processos clínicos dos indivíduos com resultado anátomo-patológico de tumor do rim, durante o período de janeiro de 2007 e dezembro de 2018. Foram incluídos no estudo os indivíduos com diagnóstico de novo de CCR. Foram excluídos os indivíduos com tumores renais não CCR e que já tinham tido CCR previamente. De um total de 625 indivíduos, 421 foram incluídos neste estudo.

Os dados demográficos e clínicos foram colhidos através da consulta dos processos clínicos eletrónicos (PCE) no programa SClínico, nomeadamente: características sociodemográficas do doente, presença e idade ao diagnóstico de infeção crónica por VHC, genótipo do VHC, fatores de risco de CCR, taxa de filtração glomerular (TFG), data do diagnóstico do CCR, tipo de tratamento cirúrgico efetuado, características histológicas do tumor(25), estadiamento patológico segundo classificação TNM da 8ª edição da AJCC(26), existência ou não de recidiva e, no caso de recidiva, tempo em meses até ocorrência da mesma.

Para o cálculo da TFG foram utilizadas a fórmula de Modification of Diet in Renal

Disease (MMDR)(27) nos doentes com valores de creatinina sérica obtidos antes do

procedimento cirúrgico, e a fórmula de Larsson(28) nos doentes com valores de cistatina C obtidos antes do procedimento cirúrgico. Os valores de TFG foram seguidamente categorizados segundo diferentes graus(29).

A análise foi efetuada utilizando o programa de análise estatística SPSS® v.24.0. As variáveis categóricas foram descritas através de frequências absolutas (n) e relativas (%). As variáveis contínuas, foram descritas utilizando a média e desvio-padrão ou mediana e mínimo e máximo consoante a distribuição desta seja simétrica (ou seja, possuí uma distribuição normal) ou não.

Foi usado o teste de independência do Qui-Quadrado (a) para analisar a associação entre as variáveis categóricas. Quando a frequência esperada de alguma célula da tabela de contingência relativa à análise de associação de duas categóricas foi inferior a 5, utilizou-se o teste exato de Fisher (b) (se as duas variáveis têm duas categorias) ou o teste exato do Qui-Quadrado (c) (se pelo menos uma das variáveis tem mais de duas categorias).

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O teste t-Student (||) e de Mann-Whitney (§) foram utilizados para testar hipóteses em duas amostras independentes relativas a variáveis contínuas com distribuição simétrica e assimétrica, respetivamente.

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Resultados

Dos 421 doentes com carcinoma de células renais incluídos no estudo, 7 tinham o diagnóstico de infeção crónica por VHC (1,7%). O tempo que mediou entre o diagnostico de infeção por VHC e o diagnóstico de CCR foi, em média, 12 anos. Relativamente aos genótipos do VHC, 2 dos doentes não tinham informação relativamente ao mesmo, em 3 doentes foi identificado o genótipo 1a, em 1 doente foi identificado o genótipo 1b e noutro doente o genótipo 3a.

As características sociodemográficas e clínicas dos doentes da amostra estão representadas na Tabela I.

Verifica-se que todos os pacientes com VHC são homens, e que 70% dos pacientes sem VHC é do sexo masculino.

Não se encontram diferenças estatisticamente significativas entre o peso corporal médio e o IMC nos doentes com e sem infeção crónica por VHC (75,5±13,69kg vs. 75,57±16,02kg (p=0,998) e 27,20±4,28kg/m2 vs. 25,39±3,56kg/m2 (p=0,267), respetivamente).

Apesar da maioria dos pacientes sem VHC ter HTA (62%), e nos pacientes com VHC essa percentagem ser inferior (43%), não se verificaram diferenças estatisticamente significativas (p=0,437). Também não se verificaram diferenças estatisticamente significativas relativamente a história de tabagismo nos dois grupos (57% dos doentes com VHC vs. 42% dos pacientes não infetados) (p=0,465).

Verifica-se que, antes do procedimento cirúrgico, 79% dos doentes apresentavam TFG superiores a 60mL/min/1,73m2. Apesar de não existirem diferenças estatisticamente significativas entre os doentes com e sem infeção crónica por VHC, verifica-se em todos os doentes com VHC uma TFG antes da cirurgia superior a 60mL/min/1,73m2.

Relativamente à idade de diagnóstico de CCR, verifica-se que doentes com infeção crónica por VHC são tendencialmente mais jovens (58,86±12,70) comparativamente aos que não têm infeção por VHC (62,79±12,70), no entanto não existem diferenças estatisticamente significativas (p=0,421) (Tabela 3).

Através de uma análise estratificada por idades (indivíduos com <55anos vs. ≥55 anos), verificou-se que os indivíduos mais jovens têm maior risco de ter VHC (p=0,05) e de terem historia de tabagismo (p=0,023), e os mais velhos de terem HTA (p<0,001) e TFG<60mL/min/1,73m2 (p=0,004) (Tabela 2).

Não se verificaram diferenças estatisticamente significativas entre doentes com e sem VHC relativamente às características do CCR; 62% dos doentes apresentaram

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CCR claras, 17% CCR do tipo papilar, 10% CCR do tipo cromófobo, 2% CCR papilar de células claras e 9% com CCR de outro tipo histológico. Verificou-se que a maioria, 52%, tinha CCR de grau histológico II e estavam no estadio 1 (67%). De salientar o facto de todos os doentes com VHC se apresentarem no estadio 1 e não se ter verificado recidiva em nenhum destes doentes (Tabela 3).

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Discussão

A primeira associação entre infeção por VHC e CCR surgiu na literatura em 2003, quando Di Micco e colaboradores(9) apresentaram 5 casos de doentes com CCR infetados por VHC. Após esta primeira publicação, mais casos clínicos foram reportados(30-32), levando a que, em 2010, Gordon e colaboradores(7), realizassem o primeiro estudo de coorte, que mostrou que a infeção por VHC conferia um risco aumentado de desenvolver CCR. Outros estudos foram realizados e, em 2016, Wijarnpreecha e colaboradores(33), realizaram uma metanálise que mostrou um risco relativo de CCR de 1,86 em doentes com infeção cronica por VHC. No entanto, existem estudos que não encontraram qualquer relação.(6, 8)

Neste estudo, verificou-se que 1,7% dos doentes com diagnóstico de CCR apresenta infeção crónica por VHC. Esta percentagem de casos é ligeiramente superior à prevalência estimada de infeção por VHC na União Europeia/ Espaço Económico Europeu em 2015 pelo European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC), que foi de 1,1%.

Em Portugal, os dados existentes acerca da prevalência de infeção por VHC são escassos, uma vez que, não existem estudos epidemiológicos que envolvam amostras representativas da população. Com base nos dados de seroprevalência em dadores de sangue e utilizadores de drogas por via endovenosa, estima-se que a prevalência atual da doença seja de 1-1,5%,e que, destes doentes, apenas 30% se encontram diagnosticados.(34, 35) Num estudo realizado pelo ISPUP em 2014, numa amostra de 1017 indivíduos do Grande Porto(36), verificou-se uma prevalência de infeção por VHC de 0,2%, concluindo que a prevalência da infeção em Portugal pode ser inferior à estimada. De salientar que este estudo foi efetuado numa amostra aleatória da população, ao contrário dos outros estudos acerca da epidemiologia da infeção por VHC, efetuados em populações de risco.

A prevalência obtida no presente estudo pode estar subestimada, visto que, para a presença ou não de infeção crónica por VHC, foram apenas tidos em consideração os registos clínicos dos doentes, podendo existir indivíduos com infeção não diagnosticada ou não registada.

Relativamente ao genótipo, atualmente existem 6 genótipos de VHC identificados. Em Portugal, o genótipo de tipo 1 é o mais prevalente (50-60%), seguido do tipo 3 (25%), 4 (7%) e por fim o de tipo 2 (2%). No presente estudo, verificou-se que, dos 5 doentes com genótipo de VHC registado, 4 possuíam genótipo do tipo 1 (80%), o que vai de encontro com o esperado.(34, 35) De salientar que, é sabido que o tipo de

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genótipo afeta o risco de desenvolver carcinoma hepatocelular, estando o genótipo 1b mais associado a um pior prognostico da hepatite C, inclusive é o tipo mais prevalente no carcinoma hepatocelular sem evidência de cirrose.(37) O papel dos diferentes genótipos do VHC na associação com CCR não está ainda estudado, devendo existir novos estudos neste sentido.

Neste estudo, verificou-se que o tempo entre o diagnostico de infeção por VHC e diagnóstico de CCR foi, em média, 12 anos. Gordon e colaboradores, encontraram uma média de duração de 15 anos.

Apesar de não existirem diferenças estatisticamente significativas, na média de idades de diagnóstico de CCR verificou-se que em doentes com infeção crónica por VHC a idade de diagnóstico de CCR é inferior à dos não infetados, o que é suportado pela literatura.(7, 33)

Na análise estratificada por idades verificou-se que nos indivíduos mais jovens os fatores de risco mais importantes para o desenvolvimento de CCR parecem ser a infeção crónica por VHC e historia de tabagismo. Por outro lado, nos indivíduos com mais de 55 anos terão mais impacto a HTA e a TFG<60mL/min/1,73m2. Estes dados suportam que a infeção crónica por VHC é um fator de risco a ter em conta, principalmente, em indivíduos mais jovens, tal como o verificado noutros estudos. (7, 10, 33)

Quanto às características clínicas do CCR nos doentes infetados com VHC, tal como o que se verificou em estudos anteriores(7, 8), neste estudo não se encontraram diferenças estatisticamente significativas comparativamente com indivíduos não infetados. No entanto, em relação ao estadiamento patológico e à recidiva tumoral, apesar de não existirem diferenças estatisticamente significativas, todos os doentes com VHC se encontravam no estadio 1 aquando do diagnóstico, e nenhum desses doentes apresentou recidiva do tumor. Uma das possíveis explicações pode prender-se com o fato destes, por serem doentes crónicos, apresentarem um maior seguimento hospitalar, podendo o diagnóstico ser precoce e terem um melhor prognóstico em relação a outros doentes.

De salientar que estudos mostram que doentes com infeção cronica por VHC têm maior incidência de DRC, e a DRC por si só é um fator de risco para CCR. Assim, a DRC pode ser um fator confundidor(6, 38). No entanto, no presente trabalho, a TFG antes do procedimento cirúrgico foi superior a 60mL/min/1,73m2 em todos os doentes com infeção crónica por VHC.

O estudo apresenta várias limitações, nomeadamente, uma amostra pequena, comparativamente a outros estudos semelhantes, e as limitações inerentes a qualquer estudo retrospetivo. Os dados das diferentes variáveis foram recolhidos dos registos

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clínicos, que são elaborados por vários profissionais de saúde responsáveis, o que pode trazer viés, além do facto de existirem dados em falta em vários indivíduos da amostra, principalmente dados antropométricos e valores de creatinina/cistatina C. Relativamente ao tabagismo, foi apenas avaliado se o doente tinha história ou não de tabagismo, não se avaliou a carga tabágica.

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Conclusão

Este estudo observacional retrospetivo sugere que a infeção crónica por VHC é um fator a ter em conta no desenvolvimento de CCR, particularmente em indivíduos jovens. Corrobora também que a infeção crónica por VHC não muda o curso clínico de doentes com CCR, comparativamente com indivíduos não infetados.

São necessários mais estudos de coorte com amostras de grandes dimensões, de forma a esclarecer a relação entre VHC e CCR, nomeadamente, no que concerne aos mecanismos fisiopatológicos que estão implicados nesta relação.

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(23)

Apêndice

Tabelas

Tabela I. Características demográficas e clínicas dos doentes.

Total VHC Não (n=414; 98,3%) Sim (n=7; 1,7%) p n (%) n (%) n (%) Sexo Masculino 297 (71) 290 (70) 7 (100) 0,111b Feminino 124 (29) 124 (30) 0 (0) Peso (em Kg), média (dp) 75,58 (13,71) 75,58 (13,69) 75,57 (16,02) 0,998|| Altura (em metros), média (dp) 1,67 (0,09) 1,67 (0,09) 1,72 (0,11) 0,173|| IMC (kg/m2), média (dp) 27,17 (4,27) 27,20 (4,28) 25,39 (3,56) 0,267|| Doença de von Hippel-Lindau Não 421 (100) 414 (100) 7 (100) Sim 0 (0) 0 (0) 0 (0) HTA Não 162 (38) 158 (38) 4 (57) Sim 259 (62) 256 (62) 3 (43) Cancro renal familiar Não 421 (100) 413 (100) 7 (100) Sim 0 (0) 0 (0) 0 (0) Tabagismo Não 242 (57) 239 (58) 3 (43) Sim 179 (43) 175 (42) 4 (57) TFG G1 142 (40) 138 (40) 4 (57) 0,733c G2 139 (39) 136 (39) 3 (43) G3a 41 (12) 41 (12) 0 (0) G3b 22 (6) 22 (6) 0 (0) G4 8 (2) 8 (2) 0 (0) G5 0 (0) 0 (0) 0 (0) TFG, mdn (min-max) 82,41 (3,12-538,23) 82,28 538,23) (3,12- 100,46 131,29) (77,85- 0,116£

dp-desvio padrão; mdn-mediana; mín-mínimo; Máx-máximo.

b

Teste Exato de Fisher; cTeste Exato do Qui-quadrado; || Teste t-Student; £ Teste Mann-Whitney

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Tabela II. Análise, estratificada por idades (indivíduos com menos de 55 anos comparativamente aos com mais de 55 anos), dos fatores de risco para CCR.

Fatores de Risco < 55 anos ≥55 anos p VHC + 3,7% 0,9% 0,05c

HTA 29,6% 72,5% <0,001 c

Tabagismo 51,9% 39,2% 0,023 c

IMC ≥25kg/m2 57,9% 68,0% 0,08 c

TFG <60mL/min/1,73m2 25,8% 42,6% 0,004 c

(25)

Tabela III. Comparação das características do CCR entre doentes com e sem infeção crónica por VHC.

dp-desvio padrão; mdn-mediana; mín-mínimo; Máx-máximo.

b

Teste Exato de Fisher; cTeste Exato do Qui-quadrado; || Teste t-Student.

Amostra total VHC Não (n=414; 98,3%) Sim (n=7; 1,7%) p n (%) n (%) n (%) Idade de diagnóstico de CCR, média (dp) 62,72 (12,78) 62,79 (12,70) 58,86 (17,62) 0,421|| Tipo de CCR Células claras 261 (62) 257 (62) 4 (29) 0,760c Células papilares 72 (17) 70 (17) 2 (57) Cromófobo 41 (10) 41 (10) 0 (0) Outros 37 (9) 36 (9) 1 (14) Células papilares e claras 9 (2) 9 (2) 0 (0) Células claras e cromófobo 1 (0) 1 (0) 0 (0) Grau de Histologia I 91 (24) 89 (24) 2 (33) 1,000c II 198 (52) 195 (52) 3 (50) III 64 (17) 63 (17) 1 (17) IV 27 (7) 27 (7) 0 (0) Estadio 1 283 (67) 276 (67) 7 (100) 0,280c 2 50 (12) 50 (12) 0 (0) 3 39 (9) 39 (9) 0 (0) 4 48 (11) 48 (12) 0 (0) Tipo de Cirurgia Sem cirurgia 14 (3) 14 (3) 0 (0) 0,177c Nefrectomia parcial unilateral 169 (40) 163 (39) 6 (86) Nefrectomia radical unilateral 229 (55) 228 (55) 1 (14) Nefrectomia parcial bilateral 5 (1) 5 (1) 0 (0) Nefrectomia radical bilateral 3 (1) 3 (1) 0 (0) Recidiva Não 345 (82) 338 (82) 7 (100) 0,360b Local 0 (0) 0 (0) 0 (0) Metastização 76 (18) 76 (18) 0 (0) Morte Não 330 (79) 325 (79) 5 (71) 0,643b Sim 89 (21 87 821) 2 (29) Idade quando morte, media (dp) 69,98 (11,92) 70,01 (11,79) 68,50 (23,33) 0,860||

Imagem

Tabela I. Características demográficas e clínicas dos doentes.

Tabela I.

Características demográficas e clínicas dos doentes. p.23
Tabela  II.  Análise,  estratificada  por  idades  (indivíduos  com  menos  de  55  anos  comparativamente aos com mais de 55 anos), dos fatores de risco para CCR

Tabela II.

Análise, estratificada por idades (indivíduos com menos de 55 anos comparativamente aos com mais de 55 anos), dos fatores de risco para CCR p.24
Tabela III. Comparação das características do CCR entre doentes com e sem infeção  crónica por VHC

Tabela III.

Comparação das características do CCR entre doentes com e sem infeção crónica por VHC p.25

Referências