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SRI BRAHMA-SAMHITA

SRI BRAHMA-SAMHITA

Sua Divina Graça Sua Divina Graça Bhaktisi

Bhaktisiddhanta Sarddhanta Sarasvati Goswami Thakuraasvati Goswami Thakura

Tradução da Edição da BBT-Bhaktivedanta Book Trust Tradução da Edição da BBT-Bhaktivedanta Book Trust

 por Indumukhi Dev

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SRI BRAHMA-SAMHITA

SRI BRAHMA-SAMHITA

Sua Divina Graça Sua Divina Graça Bhaktisi

Bhaktisiddhanta Sarddhanta Sarasvati Goswami Thakuraasvati Goswami Thakura

Tradução da Edição da BBT-Bhaktivedanta Book Trust Tradução da Edição da BBT-Bhaktivedanta Book Trust

 por Indumukhi Dev

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Na Aurora da Criação

Na Aurora da Criação

"Não há nenhuma escritura igual ao Brahma-samhita em

"Não há nenhuma escritura igual ao Brahma-samhita em termos da cotermos da conclusão espiritual finclusão espiritual final. nal. DeDe fato, essa escritura é

fato, essa escritura é a revelação suprema das glórias do Senhor Goa revelação suprema das glórias do Senhor Govinvinda, pois revela oda, pois revela o conhecim

conhecimento mais elento mais elevado sobre Ele. evado sobre Ele. Como todas coComo todas conclusöes são brevemnclusöes são brevemente apresentadas noente apresentadas no Brahma-samhita, ele é essencial dentre todas literaturas Vaisnavas."

Brahma-samhita, ele é essencial dentre todas literaturas Vaisnavas." (Sri Chaitany

(Sri Chaitanya-charitamrta Madhya-la-charitamrta Madhya-lilila, cap.a, cap.9, t9, textos extos 239-240)239-240) de Sua

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Conteúdo Página  Introdução 5  O Autor 6  Prefácio 8  Sri Brahma-samhita 11  Glossário 75

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INTRODUÇÃO

O Brahma-samhita é uma escritura muito importante. Sri Chaitanya Mahaprabhu (a Suprema Personalidade de Deus), conseguiu o Quinto Capítulo do templo Adi-keshava, no estado de Tamil  Nadu, sul da India. Nesse Quinto Capítulo, apresenta-se a conclusão filosófica de

acintya-bhedabheda-tattva  (simultânea unidade e diferença). O capítulo também apresenta métodos de

serviço devocional, o hino védico de dezoito sílabas, discursos sobre a alma, a Superalma e atividades fruitivas, uma explicação sobre kama-gayatri, kama-bija e o Maha-Vishnu original, e

uma descrição específica do mundo espiritual, especificamente Goloka Vrndavana. O Brahma-samhita também explica os semideuses Ganesha, o Garbhodakashayi Vishnu, a origem do Gayatri mantra, a forma de Govinda e Sua transcendental posição e morada, as entidades vivas, a meta mais elevada, a deusa Durga, o significado da austeridade, os cinco elementos grosseiros, amor  por Deus, o Brahman impessoal, a iniciação do Senhor Brahma, e a visão de amor transcendental que nos permite ver o Senhor. Também se explicam os passos do serviço devocional. A mente,

 yoga-nidra, a deusa da fortuna, serviço devocional em êxtase espontâneo, as encarnaçöes

 principiando pelo Senhor Ramachandra, Deidades, a alma condicionada e seus deveres, a verdade sobre o Senhor Vishnu, oraçöes, hinos védicos, o Senhor Shiva, literatura védica, personalismo e impersonalismo, bom comportamento e muitos outros assuntos também são discutidos. Também há uma descrição do sol e das formas universais do Senhor. Todos esses assuntos são explicados conclusivamente numa casca de noz neste Brahma-samhita.

(Sri Chaitanya-charitamrta Madhya-lila, cap.9, textos 239- 240,significado) por Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

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O AUTOR

Srila Bhaktisiddhanta Saraswati nasceu no sagrado local de peregrinação Jagannatha Puri, e seu  pai foi Srila Bhaktivinoda Thakura, um grande mestre espiritual consciente de Krishna dentro da linha de sucessão advinda do Senhor Chaitanya. Embora empregado como magistrado do governo, Srila Bhaktivinoda trabalhava incansavelmente para estabelecer os ensinamentos do Senhor Chaitanya na India, onde infelizmente, as pessoas tinha chegado a negar os princípios do serviço devocional ao Senhor Supremo, Krishna. Ele visualizava um movimento mundial para consciência de Krishna e orava ao Senhor para ter um filho que o auxiliasse a realizar seu sonho. A 6 de fevereiro, 1874, na sagrada cidade de peregrinação Jagannatha Puri, onde Srila Bhaktivinoda Thakura servia como superintendente do famoso templo de Jagannatha, Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati apareceu neste mundo. Deram-lhe o nome de Bimala Prasada. Com a idade de sete anos, Bimala Prasada havia memorizado os mais que setecentos versos sânscritos do

 Bhagavad-gita  e conseguia fazer comentários iluminantes sobre os mesmos. Srila Bhaktivinoda

Thakura, o autor de muitos livros importantes e outros escritos sobre a filosofia de consciência de Krishna, treinou seu filho na arte da impressão e revisão de textos.

Ao chegar a vinte e cinco anos de idade, Bimala Prasada havia adquirido uma reputação impressionante como erudito em sânscrito, matemática, e astronomia. Seu tratado astronômico,

Surya-siddhanta, angariou-lhe o título de Siddhanta Sarasvati como reconhecimento por sua

imensa erudição. Em 1905, seguindo o conselho de seu pai, Siddhanta Sarasvati aceitou iniciação espiritual de Gaurakishora dasa Babaji. Embora Gaurakishora dasa Babaji fosse conhecido como uma pessoa santa e grande devoto do Senhor Krishna, era analfabeto. Satisfeito com a humildade e dedicação de seu discípulo altamente educado, Srila Gaurakishora concedeu-lhe suas plenas  bençãos e solicitou que "pregasse a Verdade Absoluta e deixasse de lado qualquer outro trabalho." Siddhanta Sarasvati então provou-se um assistente capaz no trabalho missionário de seu pai.

Ao morrer Srila Bhaktivinoda Thakura em 1914, Siddhanta Sarasvati tornou-se editor do jornal de seu pai, Sajjana-tosani, e fundou a Bhagwat Press para publicar literatura consciente de

Krishna. Então, em 1918, Siddhanta Sarasvati aceitou a ordem renunciada de vida espiritual, assumindo o título de Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Goswami Maharaja. Com o propósito de  propagar consciência de Krishna pela India, organizou a Gaudiya Math, com sessenta e quatro ramos através do país. A sede de sua missão, a Chaitanya Gaudiya Math, localizava-se em Sridhama Mayapur, local de nascimento do Senhor Chaitanya. Mais tarde ele enviaria discípulos  para a Europa para trabalho missionário.

Srila Bhaktisiddhanta ajustou as tradiçöes da consciência de Krishna para se conformarem com as condiçöes tecnológicas e sociais do século vinte. Considerava a impressora gráfica como o meio mais eficiente de espalhar a consciência de Krishna pelo mundo e ele mesmo era autor de muitas

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traduçöes importantes, comentários, e ensaios filosóficos. Foi o primeiro mestre espiritual a  permitir que seus pregadores renunciantes ( sannyasis) usassem roupas ocidentais e viajassem em

transportes modernos ao invés de a pé.

Em 1922, um inteligente jovem estudante universitário chamado Abhay Charan De veio visitar Srila Bhaktisiddhanta no centro da Gaudiya Math em Calcutá. Srila Bhaktisiddhanta imediatamente aconselhou o jovem de que deveria pregar a mensagem de consciência de Krishna  para o mundo ocidental no idioma inglês. Embora não pudesse executar imediatamente o desejo de Srila Bhaktisiddhanta, Abhay tornou-se um partidário ativo da Gaudiya Math. Em 1933, Abhay tornou-se formalmente discípulo de Srila Bhaktisiddhanta, que lhe deu o nome Abhay Charanaravinda.

Durante a década de 1930, Srila Bhaktisiddhanta expandiu e aumentou seu trabalho missionário e conseguiu reestabelecer consciência de Krishna como a força de liderança na vida espiritual indiana. Ansioso que seu trabalho continuasse, induziu seus discipulos a formarem uma Comissão de Corpo Governante em conjunto, para administrar a Gaudiya Math na sua ausência. A 1º de  janeiro de 1937, Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati fez a passagem deste mundo. Infelizmente, seus  principais discípulos não se ativeram a suas instruçöes de manterem uma Comissão de Corpo Governante, e como resultado a Gaudiya Math como uma organização de pregação missionária gradualmente desintegrou-se.

Abhay Charanaravinda, contudo, permaneceu fiel à visão de Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati de que a consciência de Krishna se tornasse um movimento mundial e à ordem que este lhe dera  pessoalmente. Aceitou a ordem renunciada de vida,  sannyasa, assumindo o título de

Bhaktivedanta Swami Maharaja, e em 1965 viajou para os Estados Unidos para pregar consciência de Krishna no idioma inglês. Srila Bhaktivedanta Swami fundou a Sociedade Internacional para Consciência de Krishna e estabeleceu uma Comissão de Corpo Governante, que continua a dirigir o movimento desde sua partida deste mundo em 1977. Assim, pelos sinceros esforços de Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada e seus seguidores, o trabalho de Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati está continuando mundo afora.

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PREFACIO

A conduta materialista não tem possibilidade de se estender até o autocrata transcendental que está sempre convidando as almas condicionadas para se associarem com Ele através da devoção ou eterno humor de servir. Frequentemente verificamos que as atraçöes fenomenais tentam os seres conscientes a desfrutarem da posição variada que se opöe ao monismo indiferenciado. As  pessoas são muitos inclinadas a se entregarem às especulaçöes transitórias mesmo quando devem educar-se sobre uma situação além de sua área empírica ou jurisdição experimental. O aspecto esotérico frequentemente as impele a investigar a imanência em sua inspeção externa de coisas transitórias e transformáveis. Este impulso as leva a fixar a posição do imanente como uma entidade impessoal indeterminada, da qual não se pode discernir nenhum vestígio pelos sentidos orgânicos nem mesmo movendo os céus e a terra.

As linhas deste livreto certamente auxiliarão tais almas perplexas em sua marcha rumo à  personalidade do imanente que está além da inspeção de sua visão sensorial. O primeiro verso

desta publicação irá revolucionar suas idéias reservadas quando a nomenclatura do Absoluto for colocada diante delas como "Krishna". A mente especuladora iria demonstrar uma tendência de dar algum outro nome atributivo para designar o objeto desconhecido. Segundo sua experiência,  prefeririam designá-Lo como "criador do universo", "a entidade além dos fenômenos" - bem longe da referência a qualquer objeto da natureza e vazio de qualquer transformação. Assim irão argumentar que a própria fonte original não deve ter nenhuma designação concebíbel exceto para mostrar uma direção do objeto invisível, inaudível, intocável, sem cheiro e imperceptível. Mas não irão desistir de contemplar sobre o objeto com seu pobre fundo de experiência. Em face das alucinadas visöes imcompatíveis selvagemente demonstradas pelos eruditos sábios, o indagador interessado ver-se-á ainda ansiando após ler tais registros. Comparando os diferentes nomes apresentados por diferentes linhas de pensamento da humanidade, determinado juiz se decidiria em favor de alguma nomenclatura que melhor se adaptasse a seus caprichos limitados e específicos. Sem dúvida a mentalidade escrava de um indivíduo irá fornecer asserçöes invectivas ao resto, as quais lhe parecerão apropriadas pela revelação de sua decisão. Para remediar esse mal, os hinos do progenitor aceito dos fenômenos auxiliariam grandemente a embarcar no assunto da nomenclatura que possui poder adequado para dissipar todas imaginaçöes oriundas de experimentar fenômenos através de tentativas exploradoras.

O primeiro hino irá estabelecer a supremacia da Verdade Absoluta, se o substrato Dele não for acertado pelas balas do tempo limitado, ignorância e sensação de desconforto, bem como por reconhecer o mesmo como um efeito em vez de aceitá-Lo como a causa primordial. O indagador interessado ficará satisfeito ao perceber que o objeto que determina é o supremamente excelente Senhor Supremo Sri Krishna, que em Sua oni-presença, bem-aventurança total, e conhecimento  perfeito oni-penetrante, Se encarnou eternamente como a própria fonte original de todas causas  primordiais do tempo infinito e sem começo, o criador que mantém todas entidades, i.e. mundanas

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As linhas que se seguem servirão para determinar os diferentes aspectos do Absoluto, que são apenas emanaçöes da suprema fonte original Krishna, a entidade que atrai todas entidades. Além do mais, a proclamação derivativa da nomenclatura irá indicar o plano de felicidade ininterrupta, infindável, transcendental e a nomenclatura em Si, é a fonte dos dois componentes que são designados pelos nomes de causas eficiente e material. O mui transcendental nome "Krishna" é conhecido como a encarnação de todas rasas  transcendentais eternas, bem como a origem de

todos conceitos eclipsados derasas interrompidas encontradas na mentalidade de seres animados

os quais são sucessivamente retratados por literatos e retóricos para nossa especulação mundana. Os versos do Brahma-samhita são uma plena elucidação da originação dos conceitos fenomenais

e noumênicos. Os hinos da potência primordial encarnada lidaram plenamente com as especulaçöes henoteístas de diferentes escolas ocupadas em dar uma cobertura externa de trama esotérica sem qualquer referência ao verdadeiro aspecto eterno da manifestação transcendental intransformável e imperecível do imanente. Os hinos também lidaram com diferentes aspectos  parciais da personalidade do Absoluto, o qual está bem a parte do conceito dos desfrutadores

deste mundo fenomenal.

Mui intensa atenção e um estudo comparado de todos pensamentos e conceitos prevalescentes irão aliviar e iluminar todos - seja o materialista, o ateísta declarado, o agnóstico, o cético, o naturalista, o panteísta ou o pananteísta - ocupados com seu conhecimento da três dimensöes somente via seus esforços especulativos.

Este livro é apenas o quinto capítulo dos Hinos de Brahma que foram registrados em cem capítulos. O Supremo Senhor Sri Chaitanya pegou este capítulo no templo de Adi-keshava em Tiruvattar, um vilarejo sob o governo de Travancore, para assegurar todas pessoas que amam Deus e especialmente Krishna, nesta jurisdição condicionada. Este livreto facilmente se compara com outro livro conhecido pelo nome de Srimad-Bhagavatam. Embora possua referência no

 panteão dos Puranas, o Bhagavatam corrobora a mesma idéia deste Pancaratra.

Os devotos devem considerar que estes dois livros tendem ao Krishna idêntico que é a fonte original de todas entidades transcendentais e mundanas e que exibe manifestamente a variedade  plenária.

Aspersöes de calúnias restringem-se ao mundo limitado, ao passo que a transcendência não pode admitir tais angularidades sendo um ângulo de 180 graus ou sem quaisquer discrepâncias angulares.

O editor transporta-se ao reino da gratidão quando seus estoques de publicaçöes são minuciosamente estudados. Thakura Bhaktivinoda forneceu em Bengali um significado que elucida o conceito da mais sublime fonte original de todas entidades, e um de seus devotados seguidores verteu-o para inglês com o fito de propagá-lo. Os significados e as traduçöes podem ser rastreados aos escritos originais de Srila Jiva Goswami, um seguidor contemporâneo do Supremo Senhor Sri Krishna Chaitanya. As aspiraçöes emocionais irão encontrar jogo limpo ao  perscrutarem os textos desta brochura, por todo aquele que tiver algum interesse em realizaçöes teístas puras. A inspeção materialista frequentemente continua dizendo que o conceito

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 provinciano de teísmo fez com que o retratar da unidade transcendental tivesse uma face diversa e  bem oposta a consideração ética da região limitada. Mas nós diferimos de tais consideraçöes errôneas quando passamos a ter uma visão perspectiva da transcendentalidade manifesta eliminando todas historicidades e esforços alegóricos. Todo nosso humor desfrutador deve tomar uma direção diferente quando levamos em conta a entidade transcendental que tem obsedado todas fraquezas e limitaçöes da natureza. Portanto solicitamos o humor mais alegre dos examinadores atentos para prestarem especial atenção na importância da transcendência manifesta em Krishna.

Achamos necessário publicar este pequeno livro para utilização dos povos que conhecem o idioma inglês, interessados no auge das verdades transcendentais em suas fases manifestas. O tema delineado nos textos deste livro é bem diferente dos costumeiros montes de literatura  poética mundana, que se confinam as limitadas aspiraçöes de nossos sentidos. O livro foi

encontrado no sul há uns quatro séculos atrás e novamente veio à luz no mesmo país após  passado muito tempo, assim como se adora a deusa Ganges oferecendo-lhe sua própria água.

SIDDHANTA SARASVATI Shri Gaudiya Math

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Sri Brahma-Samhita

TEXTO I

isvarah paramah krishna sac-cid-ananda-vigrahah anadir adir govindah sarva-karana-karanam

isvarah  - o controlador; paramah  - supremo; krishnah  - Senhor Krishna; sat   - abarcando

existência eterna; cit  - conhecimento absoluto; ananda - e bem-aventurança absoluta; vigrahah

-cuja forma; anadih - sem começo; adih  - a origem; govindah - Senhor Govinda;  sarva-karana-karanam - a causa de todas causas.

TRADUÇÃO

Krishna, que é conhecido como Govinda é o Supremo Deus. Ele possui um corpo espiritual eternamente bem-aventurado. Ele é a origem de tudo. Sem nenhuma outra origem, Ele é a causa primordial de todas causas.

SIGNIFICADO

Krishna é a exaltada entidade Suprema que possui Seu nome eterno, forma eterna, atribuição eterna e passatempos eternos. O próprio nome "Krishna" infere Sua designação de atrair amor, expressando por Sua nomenclatura eterna o auge da entidade. Seu belo corpo eterno tingido de azul celeste brilhando com a intensidade do conhecimento sempre-existente tem uma flauta em ambas de Suas mãos. Embora sua energia espiritual inconcebível se estenda a tudo, Ele mantém Seu encantador tamanho médio através de Seus instrumentos espirituais qualificantes. Sua subjetividade que tudo acomoda se manifesta agradavelmente em Sua forma eterna. A presença concentrada do tempo total, conhecimento desvelado e felicidade inebriante tem sua beleza Nele. A porção mundana manifesta de Seu próprio Ser é conhecida como o onipenetrante Paramatma, Ishvara (Senhor Superior) ou Vishnu (Mantenedor de Todos). Logo é evidente que Krishna é o único Deus Supremo. Seu corpo espiritual singular e sem rival, de encanto super-excelente, é eternamente desvelado através de inumeráveis instrumentos (sentidos) espirituais e insupostos atributos mantém suas significativas localizaçöes devidamente, ajustando-se ao mesmo tempo através de Seus inconcebíveis poderes conciliatórios. Esta linda figura espiritual é idêntica a Krishna e a entidade espiritual de Krishna é idêntica com Sua própria figura.

A entidade mui intensamente matizada da eterna presença da cognição bem-aventurada é o encantador proprietário ou ícone transcendental. Segue-se que o conceito da indistinguível magnitude sem forma (Brahman) que é um presentimento indolente, relaxado da bem-aventurança

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cognitiva, é meramente uma penumbra do brilho intensamente matizado dos três concomitantes, i.e., a bem-aventurança, a substância e a cognição. Este ícone transcendental manifesto, Krishna, em Sua face original é o pano-de-fundo primordial do Brahman de infinita magnitude e da onipenetrante super-alma. Krishna conforme verdadeiramente visualizado em Seus variados  passatempos, tais como proprietário das vacas transcendentais, chefe dos vaqueiros, consorte das  pastoras, governante da morada terrestre de Gokula e objeto de adoração das transcendentais  belas residentes de Goloka, é Govinda. Ele é a causa raiz de todas causas que são agentes  predominantes e predominados do universo. O olhar de Sua porção plenária projetado na sagrada água originária, i.e. a super-alma pessoal ou Paramatma, gera uma potência secundária - a natureza que cria este universo mundano. A energia intermediária desta super-alma faz surgir as almas individuais analogamente aos raios emanados do sol.

Este livro é um tratado sobre Krishna; portanto o preâmbulo tem lugar cantando Seu nome no início.

TEXTO 2

 sahasra-patra kamalam  gokulakhyam mahat padam

tat-karnikaram tad-dhama tad-anantamsha-sambhavam

 sahasra-patra - possuindo mil pétalas;kamalam - um lótus; gokula-akhyam - conhecido como

Gokula; mahat padam - o local super-excelente;tat  - daquele (lótus);karnikaram - o verticilo; tat 

- Dele (Krishna); dhama - a morada; tat  - aquela (Gokula);

ananta - de Seu aspecto infinitário, Balarama; amsha - de uma parte; sambhavam - produzido.

TRADUÇÃO

(O local espiritual de passatempos transcendentais de Krishna é retratado no segundo verso.) O local superexcelente de Krishna, que é conhecido como Gokula, possui milhares

de pétalas e uma corola como a de um lótus que brota de uma parte de Seu aspecto infinitário, o verticilo de folhas sendo a verdadeira morada de Krishna.

SIGNIFICADO

Gokula, como Goloka, não é um plano criado mundano - o caráter ilimitado forma o espetáculo de Sua ilimitada potência e Sua manifestação propagante. Baladeva é a viga-mestre desta energia. A entidade transcendental de Baladeva possui dois aspectos, i.e. manifestação espiritual infinita e espaço acomodante infinito para as coisas grosseiras inconscientes. A delineação uni-quadrantal do universo material será abordada no devido momento. Há extensöes triquadrantais do campo transcendental infinitário do todo-poderoso, ilimitadas situaçöes de halo não-lamentantes, imperecedoras, e incompreensíveis, que são majestosa folhagem plenamente espiritual. Esta extensão muito majestosa retrata a rica característica imponente da região ilimitada mais vasta ou atmosfera maior que tem sua localização inteiramente além do reino da natureza mundana, na

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margem mais distante de Viraja, cercada pelo halo de Brahman ou entidade indistinguível. Este  poder majestoso de espírito ilimitado na porção superior da esfera luminosa emana na mais encantadora Gokula ou eternamente existente Goloka, excessivamente embelezada pelo sortido espetáculo de refulgência. Alguns designam esta região como a morada do Supremo Narayana, ou a fonte originária. Portanto Gokula, que é idêntica a Goloka, é o plano supremo. A mesma esfera brilha como Goloka e Gokula respectivamente através de sua situação superior ou transcendental e da inferior ou mundana.

Sri Sanatana Goswami nos conta o seguinte em seu Brhad-bhagavatamrta, o qual personifica a

essência final de todos livros de instruçöes: "Ele exibe Seus espetáculos aqui nesta terra assim como costuma fazer em Goloka. A diferença entre os dois planos está apenas em sua localização inferior ou superior; isto é, em outras palavras, Krishna interpreta exatamente o mesmo papel em Goloka, que exibe no plano mundano de Gokula. Praticamente não há diferença entre Gokula e Goloka e aquilo que existe na forma de Goloka na região superior é o mesmo que Gokula no  plano mundano onde Krishna mostrou Sua variada atividade ali. Sri Jiva Goswami também

apontou o mesmo no Bhagavat-sandarbha  de seus "Seis Tratados". Determinando o plano de

Goloka - Vrndavana é a morada eterna de Krishna e Goloka e Vrndavana são identicamente unas, e embora ambas sejam idênticas, no entanto a energia inconcebível de Krishna fez de Goloka o auge deste reino espiritual e Gokula da província de Mathura forma uma parte do plano mundano que também é uma manifestação de vibhuti triquadrantal (majestade condutora). A pobre

compreensão humana não tem possibilidade de conseguir perceber como o extenso triquadrantal, que está além da compreensão humana, pode ser acomodado no limitado universo inferior que se revela uniquadrantal. Gokula é um plano espiritual, logo sua posição condescendente na região do espaço material, tempo, etc., de nenhuma maneira é restrita mas ilimitadamente manifesta com sua plena propriedade ilimitada. Mas almas condicionadas estão inclinadas a afirmar um conceito material com relação a Gokula devido a seus miseráveis sentidos, de modo a trazê-la abaixo do nível de seu intelecto. Embora a visão de um observador se veja impedida por uma nuvem ao olhar para o sol e apesar da nuvenzinha nunca realmente poder cobrir o sol, ainda assim a visão toldada aparentemente observa o sol como estando coberto pela nuvem. É bem dessa maneira que as almas condicionadas com sua inteligência, sentidos e decisöes obscurecidas, aceitam Gokula como um pedaço de terra mensurável. Podemos ver Gokula de Goloka a qual é eterna. Isto também é um mistério. Alcançar a beatitude final é o sucesso em atingir o nosso próprio ser eterno. Sucesso em identificar nosso verdadeiro ser finalmente se alcança quando a trama de espirais grosseiras e sutis das almas condicionadas é removida pela doce vontade de Krishna. Contudo, a idéia de Goloka é vista como diferindo de Gokula até que se atinja o sucesso na devoção pura sem misturas. O plano transcendental de infinita manifestação espiritual, possuindo milhares de pétalas e corola como a do lótus, é Gokula, a morada eterna de Krishna.

TEXTO 3

karnikaram mahad yantram  sat-konam vajra-kilakam  sad-anga-sat-padi-sthanam

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 premananda-mahananda rasenavasthitam hi yat

 jyoti-rupena manuna kama-bijena sangatam

karnikaram - o verticilo; mahat  - grande; yantram - figura; sat-konam - um hexágono;vajra

 -como um diamante; kilakam - o suporte central; sat-anga-sat-padi - domantra de dezoito sílabas

com seis divisöes; sthanam - o local de manifestação; prakrtya - junto com o aspecto

 predominado do Absoluto; purushena - junto com o aspecto predominador do Absoluto; ca

 -também; prema-ananda - do êxtase do amor por Deus;maha-ananda - das grandes jubilaçöes

transcendentais;rasena - com arasa (doçura); avasthitam - situado; hi - certamente; yat  - o qual;  jyotih-rupena - transcendental; manuna - com omantra;kama-bijena - com o kama-bija (klim);

 sangatam - unido.

TRADUÇÃO

O verticilo desse lótus transcendental é o reino onde habita Krishna. É uma figura hexagonal, a morada dos inerentes aspectos predominado e predominante do Absoluto. Como um diamante a figura central sustentante de Krishna auto-luminoso se ergue como a

fonte transcendental de todas potências. O santo nome consistindo de dezoito letras transcendentais se manifesta numa figura hexagonal de seis divisöes.

SIGNIFICADO

Os passatempos transcendentais de Krishna são de dois tipos: manifestos e não-manifestos. Os  passatempos em Vrindavana visíveis aos olhos mortais são a lila  manifesta de Sri Krishna, e

aquilo que não é tão visível, é lila não-manifesta de Krishna. A lila  não-manifesta é sempre

visível em Goloka e a mesma é visível aos olhos humanos em Gokula, se Krishna assim desejar. Em seu  Krishna-sandarbha Sri Jiva Goswami Prabhu diz: "Passatempos não-manifestos

expressam-se em krishna-lila  manifesta, e goloka-lila  são os passatempos não-manifestos de

Krishna visualizados a partir do plano mundano." Isto também é corroborado por Sri Rupa em seu  Bhagavatamrta. A manifestação transcendental progressiva de Gokula é Goloka. Os

 passatempos eternos de Sri Krishna, embora não sejam visíveis em Gokula, estão eternamente manifestos em Goloka. Goloka é a transcendental manifestação majestosa de Gokula. As manifestaçöes de passatempos não-manifestos de Krishna com relação às almas condicionadas são de dois tipos: 1) adoração por meio do canal dosmantras (sons transcendentais, liberantes,

auto-dedicatórios, recitados inaudivelmente); 2) transbordar espontâneo do amor espiritual do coração  por Krishna. Sri Jiva Goswami disse que a adoração através do mantra  é possível

 permanentemente no devido local, quando confinada a um só passatempo. Esta manifestação meditativa de Goloka é o passatempo assistido com a adoração de Krishna através do mantra.

 Novamente, os passatempos que são realizados em diferentes planos e em diferentes humores, são autocráticos em diversas maneiras; daí a existência de sva-rasiki, i.e. o transbordar espontâneo do

amor espiritual do coração por Krishna. Este sloka transmite um duplo sentido. Um sentido é que

no passatempo assistido com devoção através do mantra  consistindo de dezoito letras

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diferentemente constituem uma manifestação de apenas uma lila de Sri Krishna. Como por

exemplo klim krishnaya govindaya gopijana-vallabhaya svaha  - este é um mantra  hexagonal

consistindo de seis palavras transcendentais, i.e. (1) krishnaya, (2) govindaya, (3) gopijana, (4) vallabhaya, (5)  sva, (6) ha. Estas seis palavras transcendentais, quando colocadas em

 justaposição, indicam o mantra.

O grande maquinário transcendental hexagonal é desse jeito. A semente principal, i.e.klim,

situa-se no instrumento como pivô central. Qualquer um com uma impressão de tal instrumento em sua mente e concentrando seu pensamento em tais entidades espirituais, pode atingir, como Chandradhvaja, o conhecimento do princípio cognitivo. A palavra sva  indica kshetrajna, i.e.

aquele que está familiarizado com seu próprio eu interior, e a palavra ha  indica a natureza

transcendental. Este significado do mantra também tem sido corroborado pelo Sri Hari-bhakti-vilasa. O sentido geral é que quem tiver desejo de entrar nos passatempos esotéricos de Krishna

terá de praticar Seu serviço transcendental junto com o cultivo do conhecimento devocional relativo a Ele. (1) krishna-svarupa - o próprio Ser de Krishna; (2) krishnasya cin-maya-vraja-lila-vilasa-svarupa  - a verdadeira natureza dos passatempos de Krishna em Vraja; (3) tat- parikara-gopijana-svarupa - a verdadeira natureza de seus associados espirituais em Vraja, i.e.,

as donzelas vaqueirinhas de Vraja; suddha-jivasya cid-(jnana)-svarupa - a verdadeira natureza do

conhecimento espiritual da alma individual pura; (6)cit-prakrtir arthat krishna-seva-svabhava - a

real natureza do serviço transcendental a Krishna é que a relação esotérica se estabelece ao despertar nossa cognição pura. O sentido é que rasa  é somente o serviço transcendental do

refúgio central Sri Krishna, como aspecto predominante do Absoluto, pelo nosso ego como serva espiritual da metade predominada do inteiro absoluto, assistida com pura devoção na forma de nossa auto-rendição integral. O passatempo em Goloka ou Gokula durante o estágio de  progresso devocional, é a adoração meditativa através do mantra, e durante o estágio da

 perfeição os passatempos se manifestam como as irrestritas jubilaçöes transcendentais. Esse é o verdadeiro aspecto de Goloka ou Gokula, que tornaremos mais explícito no devido curso. O significado das palavras jyoti-rupena manuna  é que o sentido transcendental é expressado no mantra  através do que, ao adicionar transcendental desejo de amor por Krishna e serviço a

Krishna, a pessoa se estabelece no eterno amor de Krishna. Tais passatempos eternos estão eternamente manifestos em Goloka.

TEXTO 4

tat-kinjalkam tad-amshanam tat-patrani shriyam api

tat  - daquele (lótus); kinjalkam - as pétalas;tat-amshanam - das porçöes fragmentárias Dele

(Krishna);tat  - daquele (lótus); patrani - as folhas; shriyam - das gopis (lideradas por Srimati

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TRADUÇÃO

O verticilo daquele reino eterno de Gokula é a morada hexagonal de Krishna. Suas pétalas são as moradas dasgopis  que são parte e parcela de Krishna, a quem elas são mui

amorosamente devotadas e a quem se assemelham na essência. As pétalas brilham lindamente como se fossem tantas paredes. As folhas estendidas desse lótus são odhama 

semelhante a um jardim, i.e. a morada espiritual de Sri Radhika, a mais amada por Krishna.

SIGNIFICADO

A Gokula transcendental tem a forma como de um lótus. O mundo eterno é como uma figura hexagonal; nela estão centradas as entidades Sri Radha-Krishna, aparecendo na forma de um

mantra  consistindo de dezoito letras transcendentais. As manifestaçöes propagadoras que

emanam da potência cit   ali estão presentes com as ditas entidades como centro. Sri

Radha-Krishna é a causa primordial ou a Própria semente. Gopala-tapani  diz, "Omkara" significa o

Todo-Poderoso Gopala e Sua potência; e "klim"  é o mesmo que omkara. Portanto o kama-bija

ou a causa primordial de todo amor, é conotativo das entidades Sri Radha-Krishna. TEXTO 5 catur-asram tat-paritah  svetadvipakhyam adbhutam catur-asram catur-murtesh catur-dhama catush-krtam caturbhih purusharthaish ca caturbhir hetubhir vrtam  shulair dashabhir anaddham

urdhvadho dig-vidikshv api

ashtabhir nidhibhir jushtam ashtabhih siddhibhis tatha manu-rupaish ca dashabhir

dik-palaih parito vrtam

 shyamair gauraish ca raktaish ca  shuklaish ca parshadarshabhaih

 shobhitam shaktibhis tabhir adbhutabhih samantatah

catuh-asram - local quadrangular;tat  - aquela (Gokula); paritah - cercando; sveta-dvipa

 -Svetadvipa (a ilha branca);akhyam - chamada;adbhutam - misteriosa; catuh-asram

 -quadrangular;catuh-murteh - das quatro expansöes primárias (Vasudeva, Sankarshana,

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em quatro partes;caturbhih - pelos quatro; purusha-arthaih - necessidades humanas;ca - e; caturbhih - pelos quatro; hetubhih - causas ou bases de realização;vrtam - envolvido; shulaih

 -com tridentes;dashabhih - dez; anaddham - fixos;urdhva-adhah - para cima e para baixo (o

zênite e o nadir);dik  - (nas) direçöes (norte, sul, leste e oeste); vidikshu - e nas direçöes

intermediárias (nordeste, sudeste, sudoeste, e noroeste);api - também;ashtabhih - com os oito; nidhibhih - jóias; jushtam - dotado; ashtabhih - com os oito; siddhibhih - perfeiçöes místicas

(anima, laghima, prapti, prakamya, mahima, ishitva, vashitva, e kamavasayita); tatha - também; manu-rupaih - na forma demantras;ca - e; dashabhih - por dez; dik-palaih - protetores das

direçöes; paritah - totalmente em redor; vrtam- cercado; shyamaih - azul; gauraih - amarelo;ca

- e; raktaih - vermelho; ca - e; shuklaih - branco;ca - e; parshada-rshabhaih - com os associados

mais elevados; shobhitam - brilhante; shaktibhih - com potências;tabhih - aqueles;adbhutabhih

 -extraordinário; samantatah - de todos lados.

TRADUÇÃO

(O plano externo que cerca Gokula é descrito neste verso.) Existe um misterioso lugar quadrangular chamado Svetadvipa cercando os arrabaldes de Gokula. Svetadvipa se

divide em quatro partes em todos lados. As moradas de Vasudeva, Shankarshana, Pradyumna e Aniruddha localizam-se separadamente em cada uma dessas quatro partes.

Estas quatro moradas divididas estão envolvidas pelos quatro requisitos humanos tais como piedade, fortuna, paixão e liberação, bem como pelos quatroVedas , i.e. Rg, Sama,

Yajur  e Atharva , que lidam com o mantra  e que são as bases para se obter os quatro

requisitos mundanos. Dez tridentes estão fixos nas dez direçöes, incluindo o zênite e o nadir. As oito direçöes estão decoradas com as oito jóias de Mahapadma, Padma, Shankha, Makara, Kacchapa, Mukunda, Kunda e Nila. Há dez protetores (dik-palas ) das

dez direçöes na forma domantra . Os associados de tons de azul, amarelo, vermelho e

branco e as extraordinárias potências que levam os nomes de Vimala, etc., brilham em todos lados.

SIGNIFICADO

Basicamente, Gokula é o assento do amor transcendental e devoção. Portanto Yamuna, Sri Govardhana, Sri Radha-kunda, etc., da Vraja-mandala terrestre ficam dentro de Gokula.  Novamente, todas majestades de Vaikuntha estão ali manifestadas estendendo-se em todas direçöes. Os passatempos das quatro manifestaçöes propagadoras estão todos lá em seus devidos lugares.  Paravyoma  Vaikuntha recebe sua extensão do espetáculo das quatro manifestaçöes

 propagadoras. A salvação a partir de Vaikuntha, e piedade, fortuna e paixão atinentes às pessoas mundanas, estão todas nos devidos lugares em Gokula como suas sementes originais, i.e., causa  primordial. Os Vedas  também estão ocupados em cantar a canção do Senhor de Gokula.

Existem dez tridentes em dez direçöes para impedir e desapontar aqueles que aspiram a entrar em Goloka através de meditaçöes sem a graça de Krishna. Pessoas orgulhosas de si mesmas que tentam alcançar esta região através das sendas da yoga  (meditação) e jnana  (conhecimento

empírico) são frustradas em suas tentativas, sendo perfuradas pelos dez tridentes. A auto-aniquilação tem sua excelência em Brahma-dhama, que representa a cobertura externa de Goloka na forma dos tridentes.  Ashtanga-yogis, i.e. ascetas que praticam a  yoga  óctupla, são os

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liberacionistas indiferenciativos que, tentando aproximar-se na direção de Goloka, caem de cabeça nas profundezas do desapontamento ao serem trespassados e dilacerados por esses tridentes colocados nas dez direçöes. Aqueles que procedem rumo à direção de Goloka através do canal da devoção misturada a idéias majestosas, ficam fascinados pelos encantos de Vaikuntha, que é o  plano da cobertura externa de Sri Goloka, ao verem as oito perfeiçöes, i.e. anima, etc., e

majestades como mahapadma, etc. Aqueles que são menos adiantados em sua inteligência,

recaem no mundo setenário caindo sob controle dos dez protetores (das dez direçöes) sob a aparência de mantras. Desta maneira, Goloka se tornou incognoscível e inacessível. Somente os

divinos seres da Divindade, os proponentes das dispensaçöes divinas para as diferentes eras, que estão sempre à frente ali para favorecer os devotos que se aproximam, buscando entrar no reino de Goloka através do canal do amor devocional puro. Estas formas divinas de Deus ali estão rodeadas por atendentes de suas respectivas naturezas. Svetadvipa em Goloka é o local de sua morada. Por isso, Srila Thakura Vrndavana, o Vyasa manifesto de caitanya-lila, descreveu o

vilarejo de Navadvipa como tendo o nome de Svetadvipa. Nesta Svetadvipa as porçöes conclusivas dos passatempos de Gokula existem eternamente como os passatempos de  Navadvipa. Assim a região de Navadvipa, Vraja e o reino de Goloka são uma só e mesma

entidade invisível; a diferença está somente nas manifestaçöes da variedade infinita de sentimentos, correspondentes à natureza diversa de seu amor devocional. Existe nisso um  princípio muito oculto que somente as maiores almas que estão possuídas pelo mais elevado amor transcendental, são capazes de realizar pela graça direta de Krishna. A verdade é a seguinte:  Nesse mundo mundano existem quatorze esferas dispostas na ordem graduada de superior e inferior. Pessoas vivendo com esposas e crianças que anseiam pelo efeito prazeroso de suas atividades fruitivas, movimentam-se para cima e para baixo dentro dos limites dos três mundos de Bhuh, Bhuvah e Svah.  Brahmacharis  de grandes austeridades, ascetas e pessoas viciadas na

verdade hipotética, pessoas de disposição neutra que adotam trabalhos não-fruitivos através de uma aptidão que busca livrarem-se de todos desejos mundanos, movimentam-se para cima e para  baixo dentro dos limites dos mundos de Mahah, Janah, Tapah e Satya. Acima destes mundos fica a morada do Brahma de quatro cabeças, acima da qual fica o ilimitado reino do Vaikuntha de Vishnu, Kshirodakashayi, deitado no oceano de leite.  Paramahamsa-sannyasis  e os demônios

mortos por Sri Hari, ao cruzarem o Viraja, i.e., passando além dos quatorze mundos, entram no reino luminoso de Brahman e alcançam o nirvana  na forma da cessação temporária do ego

temporal. Mas o devoto atuado pela aptidão devocional pura ( suddha-bhakta), o devoto imbuído

de devoção amorosa ( prema-bhakta), o devoto atuado pelo amor puro ( premapara-bhakta), e o

devoto impelido pelo amor arrebatador ( prematura-bhakta), que servem a majestade de Deus,

tem suas localizaçöes em Vaikuntha, i.e. o reino transcendental de Sri Narayana.

Só os devotos que estão imbuídos com amor total e que trilham nos passos das servas espirituais de Vraja, alcançam o reino de Goloka. Os diferentes locais dos devotos em Goloka conforme suas respectivas diferenças da natureza de suarasa, i.e., qualidade de doçura, são estabelecidos

 pelo inconcebível poder de Krishna. Os devotos puros seguindo os devotos de Vraja e aqueles que seguem os devotos puros de Navadvipa, estão localizados no reino de Krishna e Gaura respectivamente. Os devotos idênticos de Vraja e Navadvipa alcançam simultaneamente os  prazeres do serviço no reino de Krishna e Gaura. Sri Jiva Goswami escreve em sua obra

Gopala-campu  que "o supremo reino transcendental se chama Goloka, sendo a morada de go, vacas

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absoluto Sri Krishna. Novamente o reino é chamado de Svetadvipa devido à realização de algumas das rasas que são manifestação inconcebível derivada da pureza intocada daquele reino

supremo. As duas entidades da suprema Goloka e a suprema Svetadvipa são indivisivelmente o reino de Goloka." O cerne de todo assunto é este - Goloka como Svetadvipa é eternamente manifesta porque os prazeres de desfrutar darasa não poderiam se dar em toda sua totalidade nos

 passatempos de Krishna em Vraja. Ele aceita a emoção e refulgência de Sua metade  predominada, Sri Radhika, e cria um passatempo eterno para ali desfrutar dekrishna-rasa. Sri

Krishnachandra aceitou tomar Seu nascimento, tal como a lua, no oceano do ventre de Sri Saci-devi, desejando saborear os seguintes prazeres, i.e., para realizar: (1) a natureza da grandeza do amor de Sri Radha; (2) a natureza da maravilhosa natureza de Seu amor o qual Sri Radhika saboreia; (3) a natureza da excelsa alegria que se acumula em Sri Radha através de Sua realização da doçura de Seu amor. O desejo esotérico de Sri Jiva Goswami Prabhu aqui se torna manifesto.  No Veda  também se diz: "Permitam que lhes conte o mistério. Em Navadvipa, o reino idêntico

de Goloka, na beira do Ganges, Gaurachandra que é Govinda, a entidade de pura cognição, que  possui duas mãos, que é a alma de todas almas, que possui a grande personalidade suprema como o grande sannyasin meditativo e que está além dos atributos mundanos tríplices, torna manifesto

neste mundo mundano o processo de devoção pura sem misturas. Ele é o Deus único. Ele é a fonte de todas formas, a Alma Suprema e é Deus manifestando-Se nas cores amarela, vermelha, azul e branca. Ele é a entidade direta da pura cognição plena da potência espiritual (cit ). Ele é a

figura do devoto. Ele é quem concede a devoção e é cognoscível só pela devoção. Esse mesmo Gaurachandra, que não é outro senão o próprio Krishna, a fim de provar darasa dos passatempos

de Radha-Krishna em Goloka, está manifestado no reino eterno de Navadvipa idêntico a Goloka." Isto também fica claro a partir das declaraçöes védicas asan varnas trayah, krishna-varnam tvi- sakrishnam, yatha pashyah pashyati rukma-varnam, maham prabhur vai  e várias outras

declaraçöes das escrituras teístas. Assim como Sri Krishna tomou Seu nascimento na Gokula mundana por intermédio de Yogamaya que é a energia primal do Senhor Supremo, assim com o auxílio dela Ele manifesta a lila de Seu nascimento no ventre de Saci-devi em Navadvipa neste

 plano mundano. Estas são as verdades absolutas da ciência espiritual e não o resultado de especulação imaginária sob a escravatura da energia ilusória de Deus.

TEXTO 6

evam jyotir-mayo devah  sad-anandah parat parah

atmaramasya tasyasti  prakrtya na samagamah

evam - assim; jyotih-mayah - transcendental;devah - o Senhor; sat-anandah - o próprio Ser dos

êxtases eternos; parat parah - o superior de todos superiores;atma-aramasya - ocupado nos

 prazeres do reino transcendental;tasya - Dele; asti - há; prakrtya - com a potência mundana;na

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TRADUÇÃO

O Senhor de Gokula é o Deus Supremo transcendental, o próprio Ser dos êxtases eternos. Ele é o superior de todos superiores e está diligentemente ocupado nos desfrutes do reino

transcendental e não tem nenhuma associação com Sua potência mundana. SIGNIFICADO

Só a potência de Krishna que é espiritual, funcionando como o próprio poder de Krishna, manifestou Seus passatempos de Goloka ou Gokula. Através dela as almas individuais que são constituentes da potência marginal conseguer ingressar até mesmo naqueles passatempos. A energia ilusória cuja natureza é ser o reflexo pervertido da potência espiritual (cit ), tem seu local

do outro lado do rio Viraja, que cerca Brahma-dhama formando a fronteira de Maha-Vaikuntha como invólucro externo de Goloka. A posição de Goloka é absolutamente sem mistura com a energia mundana, ilusória, a qual longe de ter qualquer associação com Krishna, sente vergonha de aparecer diante Dele.

TEXTO 7

mayayaramamanasya na viyogas taya saha atmana ramaya reme tyakta-kalam sisrkshaya

mayaya - com a energia ilusória;aramamanasya - Dele, que nunca Se associa;na - não; viyogah

- completa separação;taya - dela; saha - de; atmana - com Sua própria;ramaya - potência

espiritual, Rama; reme - Se associa;tyakta-kalam - através de lançar Seu olhar na forma de enviar

Sua energia do tempo; sisrkshaya - com o desejo de criar.

TRADUÇÃO

Krishna nunca se associa com Sua energia ilusória. Ainda assim a conecção dela com a Verdade Absoluta não é cortada completamente. Quando Ele tenciona criar o mundo material, o passatempo amoroso no qual Ele se ocupa em associar-Se com Sua própria potência espiritual (cit ) Rama através de Seu olhar que lança sobre a energia ilusória na

forma de enviar Sua energia de tempo, é uma atividade auxiliar. SIGNIFICADO

A energia ilusória não tem nenhum contato direto com Krishna, mas sim contato indireto. Vishnu, a causa primordial, deitado no Oceano Causal, a porção plenária de Maha-Shankarshana que tem Seu assento em Maha-Vaikuntha, a esfera dos passatempos extendidos do próprio Krishna, lança Seu olhar para a energia ilusória. Mesmo ao lançar Seu olhar Ele não tem contato com a energia ilusória porque a potência espiritual(cit ) Rama então leva a função de Seu olhar

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espiritual (cit ) Rama, serve a porção plenária manifestada de Deus associada com Rama, a energia

de tempo representando a força da atividade e instrumentalidade de Rama; por conseguinte constatamos o processo de masculinidade ou a força criadora.

TEXTO 8

niyatih sa rama devi tat-priya tad-vasham tada tal-lingam bhagavan shambhur

 jyoti-rupah sanatanah  ya yonih sapara shaktih kamo bijam mahad dhareh

niyatih - o regulador; sa - ela; rama - a potência espiritual;devi - a deusa; tat  - Dele; priya

 -amada; tat  - Dele; vasham - sob o controle;tada - então (no momento da criação); tat  - Dele; lingam - o símbolo masculino, ou emblema manifesto; bhagavan - possuindo opulências;  shambhuh - Shambhu; jyotih-rupah - halo; sanatanah - eterno; ya - que; yonih - o símbolo da

 produtividade mundana feminina; sa - que; apara - não-absoluta; shaktih - potência;kamah - o

desejo; bijam - a semente;mahat  - a faculdade da cognição pervertida;hareh - do Senhor

Supremo. TRADUÇÃO

(Descreve-se o processo secundário de associação com Maya.) Ramadevi, a potência espiritual (cit ), amada consorte do Senhor Supremo, é a reguladora de todas entidades. A

divina porção plenária de Krishna cria o mundo mundano. Na criação aparece um halo divino que é por natureza Sua porção subjetiva (svamsha ). Este halo é o divino Shambhu,

o símbolo masculino ou emblema manifestado do Senhor Supremo. Este halo é o reflexo crepuscular embaçado da suprema refulgência eterna. Este símbolo masculino é a porção

subjetiva da divindade que funciona como progenitor do mundo mundano, sujeito à suprema reguladora (niyati ). Com relação à criação mundana, a potência que concebe

surge a partir da suprema reguladora. Ela é Maya, a potência limitada, não-absoluta (apara ), símbolo da produtividade feminina mundana. O intercurso de ambas cria a

faculdade da cognição pervertida, o reflexo da semente do desejo de procriação do Senhor Supremo.

SIGNIFICADO

Shankarshana possuído pelo desejo criativo é a porção subjetiva de Krishna tomando a iniciativa em provocar o nascimento do mundo mundano. Deitado na água causal como o purusha-avatara

 primordial, Ele lança Seu olhar para Maya (a potência limitada). Tal olhar é a causa eficiente da criação mundana. Shambhu, o símbolo da procriação masculina mundana é o tênue halo dessa refulgência refletida. É o símbolo que se aplica ao órgão de geração de Maya, a sombra de Rama ou da potência divina. A primeira fase do aparecimento do desejo mundano criado por Maha-Vishnu chama-se o princípio seminal de mahat  ou a faculdade cognitiva pervertida. E é isso que

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22

é idêntico ao princípio mental maduro para a atividade procriadora. A concepção subjacente é que é a vontade do purusha  que cria usando os princípios eficientes e materiais. Eficiência é

Maya ou o órgão feminino produtor. O princípio material é Shambhu ou o órgão masculino  procriador. Maha-Vishnu é  purusha  ou a divina pessoa dominante que dirije a vontade.  Pradhana ou o princípio substantivo na forma das entidades mundanas, é o princípio material. A

natureza personificando o princípio acomodante (adhara), é Maya. O princípio de vontade

 personificada que leva os dois ao intercurso, é a divina pessoa dominante ( purusha), porção

subjetiva de Krishna, o manifestador do mundo mundano. Esses três todos são criadores. A semente de desejo criativo amoroso em Goloka, é a personificação da pura cognição. A semente de desejo sexual que encontramos neste mundo mundano, é a de Kali, etc., as quais são sombras da potência divina. A primeira, embora seja protótipo da segunda, localiza-se muito distante. A semente do desejo sexual mundano é o reflexo pervertido neste mundo mundano da semente do desejo criativo original. O processo do aparecimento de Shambhu está registrado no décimo e décimo-quinto slokas.

TEXTO 9

linga-yoni-atmika jata ima maheshvari-prajah

linga - dos órgãos geradores masculinos; yoni - e dos órgãos geradores femininos;atmikah

 -como a encarnação; jata - nascidos;imah - estes;maheshvari - da consorte do grande senhor

deste mundo mundano; prajah - a progênie.

TRADUÇÃO

Toda prole da consorte do grande senhor (Maheshvara) deste mundo mundano são da natureza de encarnaçöes dos órgãos geradores mundanos masculinos e femininos.

SIGNIFICADO

A plena extensão quadrantal do Senhor Supremo, é Sua majestade. Desta, as extensöes tri-quadrantais de situaçöes não-lamentantes, imperecíveis e incompreensíveis, constituem as majestades dos reinos de Vaikuntha e Goloka, etc.. Nesse reino temporal de Maya,devas e

homens, etc. - todos estes junto com os mundos mundanos - são as grandes majestades da  potência limitada. Todas estas entidades são encarnaçöes dos órgaos de geração masculinos e femininos pela distinção de princípios causais eficientes e materiais; ou, em outras palavras, são  produzidos pelo processo de intercurso sexual entre os órgaos de geração masculinos e femininos. Toda informação que tem sido acumulada via as ciências deste mundo, possui esta natureza de união sexual. Arvores, plantas e mesmo todas entidades inconscientes são encarnaçöes da co-união do masculino e do feminino. Fato de significado especial é que embora tais expressöes como "os órgãos geradores masculinos e femininos" sejam indecorosas no entanto na literatura científica estas palavras, expressando os princípios acima-mencionados, são excessivamente  benfazejas e apresentam uma utilidade permanente. O indecoro é meramente uma entidade  pertinente ao costume externo da sociedade. Mas a ciência, e especialmente a ciência mais

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elevada, não pode destruir a verdadeira entidade por deferência ao costume social. Por conseguinte, a fim de demonstrar a semente do desejo sexual mundano, o princípio básico deste mundo fenomênico, o uso destas palavras idênticas é indispensável. Através do uso de todas estas palavras só a energia masculina ou a potência ativa predominante, e a energia feminina ou  potência ativa predominada, podem ser compreendidas.

TEXTO 10

 shaktiman purushah so 'yam linga-rupi maheshvarah

tasminn avirabhul linge maha-vishnur jagat-patih

 shaktiman - unido a sua consorte feminina; purushah - pessoa; sah - ele;ayam - este; linga-rupi

 -na forma do órgão gerador masculino;maha-ishvarah - Shambhu, o senhor deste mundo

mundano;tasmin - naquele;avirabhut  - manifestado; linge - no emblema manifestado; maha-vishnuh - Maha-Vishnu; jagat-patih - o Senhor do mundo.

TRADUÇÃO

A pessoa que personifica o princípio causal material, i.e. o grande senhor deste mundo mundano (Maheshvara) Shambhu, na forma do órgão gerador masculino, está unido a sua consorte feminina, a energia limitada (Maya) como o princípio causal eficiente. O Senhor do mundo, Maha-Vishnu, está manifestado nele através de Sua porção subjetiva na forma de Seu olhar.

SIGNIFICADO

 Na atmosfera transcendental ( para-vyoma), onde prepondera a majestade espiritual, está presente

Sri Narayana, o qual não é diferente de Krishna. Maha-Shankarshana, fac-símile plenário subjetivo da personalidade extendida de Sri Narayana, também é a porção plenária divina da  personificação propagatória de Sri Krishna. Através do poder de Sua energia espiritual, uma  porção plenária subjetiva Dele, repousando eternamente na corrente neutra de Viraja que forma o limite entre os reinos espiritual e mundano, lança Seu olhar, durante a criação, sobre a potência limitada obnubilada, Maya, que se localiza bem distante Dele próprio. Em seguida, Shambhu, senhor do pradhana que personifica o princípio substantivo de todas entidades materiais, e que é

o mesmo que Rudra, o pálido reflexo do divino olhar do próprio Senhor Supremo, consuma seu intercurso com Maya, o princípio causal mundano eficiente. Porém ele não pode fazer nada independente da energia de Maha-Vishnu

TEXTO 11

 sahasra-shirsha purushah  sahasrakshah sahasra-pat  sahasra-bahur vishvatma

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 sahasramshah sahasra-suh

 sahasra-shirsha - possuindo milhares de cabeças; purushah - Senhor Maha-Vishnu, o primeiro  purusha-avatara; sahasra-akshah - possuindo milhares de olhos; sahasra-pat  - possuindo

milhares de pernas; sahasra-bahuh - possuindo milhares de braços;vishva-atma a Superalma do

universo; sahasra-amshah - a fonte de milhares deavataras; sahasra-suh - o criador de milhares

de almas individuais. TRADUÇÃO

O Senhor do mundo mundano, Maha-Vishnu, possui milhares de cabeças, olhos, mãos. Ele é a fonte de milhares e milhares de avataras em Suas milhares de milhares de porçöes

subjetivas. Ele é o criador de milhares de milhares de almas individuais SIGNIFICADO

Maha-Vishnu, o objeto de adoração dos hinos de todos Vedas, possui uma infinidade de sentidos

e potências, e Ele é o avatara-purusha primordial, a origem de todosavataras.

TEXTO 12

narayanah sa bhagavan apas tasmat sanatanat

avirasit karanarno nidhih sankarshanatmakah  yoga-nidram gatas tasmin  sahasramshah svayam mahan

narayanah - chamado Narayana; sah - aquele;bhagavan - a Suprema Personalidade de Deus,

Maha-Vishnu;apah - água;tasmat  - daquela; sanatanat  - pessoa eterna;avirasit  - surgiu; karana-arnah - o Oceano Causal;nidhih - expansão d'água; sankarshana-atmakah - a porção subjetiva

de Sankarshana; yoga-nidram gatah - no estado de profundo sono; tasmin - naquela (água);  sahasra-amshah - com milhares de porçöes; svayam - Ele mesmo;mahan - a Pessoa Suprema.

TRADUÇÃO

O mesmo Maha-Vishnu é denominado "Narayana" neste mundo mundano. Daquela pessoa eterna brotou a vasta expansão d'água do Oceano Causal espiritual. A porção

subjetiva de Sankarshana que permanece noparavyoma , o supremo purusha  acima

mencionado de milhares de porçöes subjetivas, repousa no estado de sono divino (yoga-  nidra ) nas águas do Oceano Causal espiritual.

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SIGNIFICADO

Yoga-nidra  (sono divino) descreve-se como um transe extático que é da natureza da

bem-aventurança da verdadeira personalidade subjetiva. Ramadevi acima-mencionada é yoga-nidra na

forma de Yogamaya.

TEXTO 13

tad-roma-bila-jaleshu bijam sankarshanasya ca

haimany andani jatani maha-bhutavrtani tu

tat  - Dele (Maha-Vishnu);roma-bila-jaleshu - nos poros da pelo;bijam - as sementes;  sankarshanasya - de Sankarshana;ca - e; haimany - dourado; andani - ovos ou espermas; jatani

- nascidos;maha-bhuta - pelos cinco grandes elementos;avrtani- cobertos;tu - certamente.

TRADUÇÃO

As sementes espirituais de Sankarshana existentes nos poros da pele de Maha-Vishnu, nascem como tantos espermas dourados. Estes espermas estão cobertos pelos cinco grandes

elementos. SIGNIFICADO

O divino avatara primordial deitado no Oceano Causal espiritual é tão grande que dos poros de

Sua divina forma brotam miríades de sementes dos universos. Essas séries de universos são os reflexos pervertidos da infinita região transcendental. Enquanto permanecem embutidos em Sua divina forma, personificam o princípio do reflexo espiritual que tem a forma de ovos dourados. Entretanto, pelo desejo criativo de Maha-Vishnu as diminutas partículas dos grandes elementos, que são constituentes dos princípios causais materiais e eficientes, envolvem-nos. Quando esses espermas dourados, saindo com a exalação de Maha-Vishnu, entram na ilimitada câmara acomodante da potência limitada (Maya), tornam-se aumentados pelos grandes elementos não-conglomerados.

TEXTO 14

 praty-andam evam ekamshad ekamshad vishati svayam  sahasra-murdha vishvatma

maha-vishnuh sanatanah

 praty - cada;andam - universo semelhante a um ovo;evam - assim; eka-amshat eka-amshat 

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 possuindo milhares de cabeças;vishva-atma - a Superalma do universo;maha-vishnuh -

Maha-Vishnu; sanatanah - eterna.

TRADUÇÃO

Este mesmo Maha-Vishnu entrou em cada universo como Suas próprias porçöes subjetivas separadas. As porçöes divinas que entraram em cada universo, possuem Sua extensão majestosa, i.e. elas são a eterna alma universal Maha-Vishnu, possuidora de milhares de

milhares de cabeças. SIGNIFICADO

Maha Vishnu, deitado no Oceano Causal, é a porção subjetiva de Maha-Sankarshana. Ele entrou, como Suas próprias porçöes, nesses universos. Estas porçöes individuais todas representam o segundo purusha  divino deitado no oceano da concepção e são idênticas a Maha-Vishnu em

todos sentidos. Ele também é chamado de guia divino, do interior, para todas almas. TEXTO 15

vamangad asrjad vishnum dakshinangat prajapatim  jyotir-linga-mayam shambhum

kurca-deshad avasrjat 

vama-angat  - de Seu membro esquerdo;asrjad  - Ele criou; vishnum - Senhor Vishnu; dakshina-angat  - de Seu membro direito; prajapatim - Hiranyagarbha Brahma; jyotih-linga - o divino halo

masculino manifestado; mayam - abarcando; shambhum - Shambhu;kurca-deshat  - do espaço

entre Suas duas sombrancelhas;avasrjat  - Ele criou.

TRADUÇÃO

O mesmo Maha-Vishnu criou Vishnu de Seu membro esquerdo, Brahma, o primeiro progenitor do seres, de Seu membro direito e, do espaço entre Suas duas sombrancelhas,

Shambhu, o divino halo masculino manifestado. SIGNIFICADO

O divino purusha, deitado no oceano de leite, o mesmo que é o regulador de todas almas

individuais, é Sri Vishnu; e Hiranyagarbha, o princípio seminal, a porção do Senhor Supremo, é o  primeiro progenitor, o qual é diferente do Brahma de quatro cabeças. Esse mesmo Hiranyagarbha é o princípio da energia criadora seminal de cada Brahma pertencente a cada um da infinidade dos universos. O divino halo masculino manifestado, Shambhu, é a manifestação plenária de seu  protótipo Shambhu, o mesmo que o divino simbolo masculino gerador Shambhu cuja natureza já foi descrita. Vishnu é a porção subjetiva integral de Maha-Vishnu. Portanto Ele é o grande

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Senhor de todos outros senhores. O progenitor (Brahma) e Shambhu são as porçöes deslocadas de Maha-Vishnu. Logo, são deuses com funçöes delegadas. Como Sua potência fica no lado esquerdo de Deus, Vishnu aparece no membro esquerdo de Maha-Vishnu a partir da essência  pura de Sua potência espiritual (cit ). Vishnu, que é o próprio Deus, é a superalma interna que

guia cada alma individual. Ele é a Personalidade de Deus descrita nos Vedas  como sendo do

tamanho de um polegar. Ele é o alimentador. Os karmis  (elevacionistas) adoram-No como

 Narayana, o Senhor dos sacrifícios, e os yogis  desejam fundir suas identidades Nele como

Paramatma, pelo processo de seu transe meditativo. TEXTO 16

ahankaratmakam vishvam tasmad etad vyajayata

ahankara - o princípio mundano egoísta;atmakam - envolvendo;vishvam - universo;tasmat 

 -daquele (Shambhu);etat  - este;vyajayata - se originou.

TRADUÇÃO

A função de Shambhu em relação às jivas  é que esse universo envolvendo o princípio

egoísta mundano originou de Shambhu. SIGNIFICADO

O princípio básico é o próprio Senhor Supremo que é a personificação do princípio da existência de todas entidades sem nenhum egoísmo separador. Neste mundo mundano o aparecimento das entidades individuais como símbolos egoístas separados, é o limitado reflexo pervertido da  potência espiritual (cit ) sem misturas; e Shambhu, representando a divina função primordial

geradora masculina, se une ao princípio acomodante, i.e. o órgão mundano feminino, que é o reflexo pervertido da potência espiritual (cit ) Ramadevi. Nessa função Shambhu não passa de

mero princípio causal material encarnando a extensão na forma do ingrediente da matéria.  Novamente, quando durante o curso da evolução progressiva da criação mundana cada universo se manifesta, então no princípio de Shambhu, nascido do espaço entre as duas sombrancelhas de Vishnu, aparece a manifestação da personalidade de Rudra; entretanto sob todas circunstâncias, Shambhu encerra plenamente todo princípio egoísta mundano. As inúmeras jivas como partículas

espirituais emanando da superalma na forma de bastonetes de raios de refulgência, não possuem relação com o mundo mundano quando chegam a se conhecer como servos eternos do Senhor Supremo. Incorporam-se, então, no reino de Vaikuntha. Mas quando desejam assenhorear-se de Maya, esquecendo sua real identidade, o princípio egoísta Shambhu penetrando em suas entidades faz com que se identifiquem como desfrutadores separados das entidades mundanas. Assim Shambhu é o princípio primário do universo egoísta mundano e do egotismo pervertido nas jivas

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TEXTO 17

atha tais tri-vidhair veshair lilam udvahatah kila  yoga-nidra bhagavati tasya shrir iva sangata

atha - logo depois;taih - com estas; tri-vidhaih - tríplices;veshaih - formas;lilam - passatempos; udvahatah - executando;kila - de fato; yoga-nidra - Yoganidra;bhagavati - cheio do extático

transe de bem-aventurança eterna;tasya - Dele; shrih - a deusa da fortuna; iva - como; sangata

 -associou-Se com. TRADUÇÃO

A seguir, o mesmo grande Deus pessoal, assumindo as tríplices formas de Vishnu, Prajapati e Shambhu, entrando no universo mundano, interpreta os passatempos de preservação, criação e destruição deste mundo. Esse passatempo está contido no mundo mundano. Por

conseguinte, sendo pervertido, o Senhor Supremo, idêntico a Maha-Vishnu, prefere associar-Se com a deusa Yoganidra, constituente de Sua própria potência espiritual (cit )

plena do transe extático de eterna bem-aventurança pertencente a Sua divina personalidade.

SIGNIFICADO

As porçöes deslocadas da Divindade, i.e., Prajapati e Shambhu, ambos identificando-se como entidades que estão separadas da essência divina, divertem-se com suas respectivas consortes não-espirituais (acit ), i.e. Savitri-devi e Uma-devi, os reflexos pervertidos da potência espiritual

(cit ). O Supremo Senhor Vishnu é o único Senhor da potência espiritual (cit ), Rama ou Lakshmi.

TEXTO 18

 sisrkshayam tato nabhes tasya padmam viniryayau

tan-nalam hema-nalinam brahmano lokam adbhutam

 sisrkshayam - quando houve a vontade de criar;tatah - então;nabheh - do umbigo;tasya - Dele;  padmam - um lótus; viniryayau - saiu;tat-nalam - seu caule;hema-nalinam - como um lótus

dourado; brahmanah - de Brahma;lokam - a morada; adbhutam - maravilhosa.

TRADUÇÃO

Quando Vishnu deitado no oceano de leite decide cirar este universo, um lótus dourado surge do vão de Seu umbigo. O lótus dourado com seu caule é a morada de Brahma,

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SIGNIFICADO "Dourado" aqui significa o pálido reflexo da pura cognição.

TEXTO 19

tattvani purva-rudhani karanani parasparam  samavayaprayogac ca vibhinnani prthak prthak

cic-chaktya sajjamano 'tha bhagavan adi-purushah

 yojayan mayaya devo  yoga-nidram akalpayat 

tattvani - elementos; purva-rudhani - previamente criados;karanani - causas; parasparam

 -mutuamente; samavaya - do processo de conglomeração;aprayogat  - da não-aplicação;ca - e; vibhinnani - separados; prthak prthak  - uns dos outros;cit-shaktya - com Sua potência espiritual;

 sajjamanah - associando;atha - então;bhagavan - a Suprema Personalidade de Deus; adi- purushah - o Deus primordial; yojayan - causando a união;mayaya - com Maya; devah - o

Senhor; yoga-nidram - Yoganidra;akalpayat  - Ele Se associou com.

TRADUÇÃO

Antes de sua conglomeração, os elementos primários em seu estado nascente permaneciam originalmente entidades separadas. A não-aplicação do processo conglomerante é a causa de sua existência separada. O divino Maha-Vishnu, Deus primordial, através da associação

com Sua potência espiritual (cit ), agitou Maya e pela aplicação do princípio conglomerante

criou essas diferentes entidades em seu estado de cooperação. E depois disso Ele mesmo Se associou com Yoganidra através de Seu eterno divertimento com Sua potência espiritual

(cit ).

SIGNIFICADO

 Mayadhyakshena prakrtih suyate sa-caracaram: "A energia mundana prakrti gera este universo

de seres animados e inanimados através de Minha direção." O significado deste sloka do Gita é

que Maya, o reflexo pervertido da potência espiritual (cit ), primeiro estava inativa e sua extensão

da matéria que constitue a causa material, também estava num estado deslocado separado. De acordo com a vontade de Krishna este mundo se manifesta como resultado da união dos  princípios eficiente e causal material de Maya. Não obstante, o próprio Senhor Supremo  permanece unido com Sua potênciacit , Yoganidra. A palavra yoganidra ou yogamaya indica o

seguinte: A natureza da potênciacit  manifesta a Verdade Absoluta, enquanto a natureza de seu

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manifestar algo nos assuntos mundanos toldados pela ignorância, Ele o faz através da conjunção de Sua potência espiritual com Sua potência inativa não-espiritual. Isto é conhecido como Yogamaya e encerra duas noçöes, ou seja, a noção transcendental e a mundana inerte. O próprio Krishna, Suas porçöes subjetivas e aquelas jivas que são Suas partículas puras separadas, realizam

a noção transcendental nesta conjunção, enquanto as almas condicionadas sentem a noção mundana inerte. A cobertura externa de conhecimento transcendental nas atividades conscientes das almas condicionadas, leva o nome de Yoganidra. Isto também é uma influência da potência

cit  da Divindade. Este princípio será considerado mais elaboradamente a seguir.

TEXTO 20

 yojayitva tu tany eva  pravivesha svayam guham  guham pravishte tasmims tu

 jivatma pratibhudhyate

 yojayitva- após conglomerar;tu - então;tani - eles;eva - certamente; pravivesha - Ele entrou;  svayam - Ele mesmo; guham - a cavidade oculta; guham - a cavidade oculta; pravishte - depois

que Ele entrou;tasmin - dentro daquilo;tu - então; jiva-atma - as jivas; pratibhudhyate - foram

acordadas. TRADUÇÃO

Conglomerando todas estas entidades separadas Ele manifestou os inúmeros universos mundanos e Ele mesmo entrou no recesso mais íntimo de cada conglomerado extendido

(virad-vigraha ). Naquele momento aquelas jivas  que estavam adormecidas durante o

cataclisma despertaram. SIGNIFICADO

A palavra guha (cavidade oculta) tem várias interpretaçöes nos shastras. Em algumas partes os

 passatempos não-manifestados do Senhor se chamam guha e em outras o local de descanso do

espírito que habita dentro de todas almas individuais, se chama guha. Aquelas jivas  que se

fundiram em Hari ao final da vida de Brahma no grande cataclisma durante a anterior grande era do universo, reapareceram neste mundo de acordo com seus desejos fruitivos passados.

TEXTO 21

 sa nityo nitya-sambandhah  prakrtish ca paraiva sa

 sah - aquela ( jiva); nityah - eterna; nitya-sambandhah - possuidora de um relacionamento eterno;  prakrtih - potência;ca - e; para - espiritual;eva - certamente; sa - que.

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