11. CULTIVO MECÂNICO
Cultivo é o conjunto de operações após a instalação e durante o
desenvolvimento da cultura. Podem ser:
Mecânicos;
Químicos;
Chamas.
Os cultivadores mecânicos são usados para uma movimentação
superficial do solo com a finalidade de:
Escarificar restos culturais;
Misturar fertilizantes e corretivos com o solo;
Controle de plantas daninhas;
Etc.
Os cultivadores mecânicos visam substituir o trabalho braçal na
realização da capina, possibilitando a execução dessas operações com menor
esforço físico do homem e aumentando o rendimento.
(tração animal = 8 pessoas para o cultivo manual)
(tração mecânica = 80 pessoas para cultivo manual)
11.1. Tipos de Cultivadores Mecânicos Tração animal
Partes principais:
1- Chassi;
2- Roda de apoio;
3- Haste;
4- Enxada;
5- Rabiças.
Tração mecânica Partes principais:
1- Chassi;
2- Barra porta
ferramentas;
3- Haste;
4- Enxada.
11.2. Tipos de Enxadas
As enxadas existentes possuem vários formatos em função da finalidade
para qual são utilizadas. Abaixo são indicadas alguns dos principais tipos de
enxadas existentes:
Escarificadora:
Usadas para romper a camada superficial do solo e controle de plantas
daninhas (cinzel e ponta de lança).
Estirpadora:
Usadas no controle de plantas daninhas (asa de andorinha e bico de
pato).
Sulcadora:
Removedora:
Usadas para movimentar o solo em direção ao pé da planta (enxada
meia asa).
Enxada asa de andorinha e cizel
Enxada bico de pato
11.3. Tipos de Hastes
As hastes, onde são presas as enxadas nos cultivadores podem ser:
Rígidas Flexíveis
Vantagens: transposição de obstáculos;
Desvantagem: desuniformidade na profundidade de corte.
12. APLICAÇÃO DE DEFENSIVOS AGRÍCOLAS
A aplicação de defensivos tem como objetivo o controle econômico de
insetos, doenças e plantas daninhas. Esse controle é feito por meio da
distribuição uniforme e exata do produto.
12.1. Tipos de Aplicadores de Defensivos 12.1.1. Pulverizadores
São equipamentos que fragmentam o líquido em gotas com diâmetro
maiores que 150 microns (1 µm = 0,001 mm). Esta fragmentação é feita por
meio da ação da pressão hidráulica proveniente de uma bomba hidráulica. Os
pulverizadores podem ser:
Pulverizador costal manual
Recomendados para pequenas áreas e são constituídos por um
pequeno depósito e uma bomba de pistão acionada pelo operador por meio de
uma alavanca. Pode ser usado em uso doméstico para aplicação de inseticidas
em plantas e animais.
Pulverizador costal manual
Pulverizador tratorizado de barra
São usados em grandes áreas e são os tipos mais comuns na
agricultura moderna.
Constituição básica:
12.1.2. Atomizadores
São considerados atomizadores os aplicadores de defensivos que
promovem uma fragmentação do líquido em gotas com diâmetro entre 50 a 150
microns. Os principais atomizadores são:
Atomizador do tipo canhão
São usados geralmente em culturas anuais, permitindo a aplicação de
defensivo numa faixa de 30 a 40 metros de largura. Seu uso não é indicado em
condições de vento (deriva das gotas), baixa umidade do ar, dentre outros.
Atomizador do tipo cortina de ar
São alternativas viáveis para a aplicação de defensivos em culturas
perenes. Utilizam dispositivos que fragmentam o líquido em gotas do tipo bicos
pneumáticos, distribuídos ao longo de um conduto em forma de arco, e um
ventilador axial.
Atomizador do tipo cortina de ar
12.2. Bicos Hidráulicos
São dispositivos usados nos pulverizadores para subdivisão do líquido
em gotas.
12.2.1. Partes constituintes
12.2.2. Tipos mais comuns de pontas de pulverização
Bicos jato plano (tipo leque)
As gotas são distribuídas num único plano. Usado em superfícies
planas. Pressão de pulverização de 2 – 4 bar. Usados principalmente na
Bico jato plano
Cone vazio (oco)
São usados em alvos tridimensionais para inseticidas, fungicidas e
dessecantes. Pressão de 2 – 8 bar.
Cone cheio
São usados em plantas para herbicidas sistêmicos. Pressão de 1 – 3 bar.
Cone cheio Cone vazio
Espuma (ou borbulhante com injeção de ar)
Gotas maiores com bolhas de ar, menor deriva, aplicado diretamente na
planta para herbicidas sistêmicos. Pressão de pulverização 2 – 4 bar.
Bico com aspirador de ar
Defletor (ou de impacto)
Maior ângulo de abertura do jato, mesmo a pequenas distâncias,
consegue–se uma boa cobertura para herbicidas sistêmicos. Pressão de
trabalho 0,7 – 3 bar.
Bico defletor
12.2.3. Classificação dos bicos Identificação pelas cores
Vazão Pressão Cor
Laranja Verde Amarelo Azul Vermelho Marrom Cinza Branco
L min-1 3 bar 0,20 0,60 0,80 1,20 1,60 2,00 2,50 3,10
Gal min-1 40 psi 0,10 0,15 0,20 0,30 0,40 0,50 0,60 0,80
Identificação no bico
(1 galão = 3,785 l)
(1 lbf/pol² = 1 psi)
(1 psi = 0,0689 bar)
12.3. Calibração dos Aplicadores de Defensivos 12.3.1. Volume de pulverização (Q)
Quantidade de mistura ou calda (água + produto) expressa geralmente
Depende:
Tipo de equipamento;
Tipo de produto químico;
Estágio de desenvolvimento da cultura;
Formulação do produto químico;
Condições climáticas.
f v q Q
600
Em que:
Q = volume de pulverização (l/ha)
q = vazão por bico ou do total de bicos (l/min)
v = velocidade de trabalho (km/h)
f = faixa de pulverização por bico ou do total de bicos (m)
Q D Ct Pr
Em que:
Pr = quantidade de produto químico por tanque (kg ou l)
Ct = capacidade do tanque (l)
D = dosagem do defensivo (kg/ha ou l/ha)
Q = volume de pulverização (l/ha)
12.3.2. Faixa de pulverização (f)
Largura de faixa tratada por bico a cada passada do pulverizador medida
no solo.
Pulverizador costal:
A faixa de pulverização por bico é igual aos espaçamentos entre duas
passadas sucessivas em metros.
Para o caso de culturas anuais, a faixa de pulverização é igual a largura
tratada pelo bico. No caso de culturas perenes, a faixa de pulverização é igual
Pulverizador de barras:
A faixa de pulverização por bico é igual a distância entre os bicos
montados na barra do pulverizador.
12.4. Métodos práticos para calibração dos aplicadores de defensivos 12.4.1. Pulverizador costal manual
Marque uma área de 100 m² (quadrado de 10 x 10 m);
Encha o tanque e pulverize a área;
O operador deverá manter um ritmo constante de bombeamento e de deslocamento (marcha);
Complete o tanque e meça o volume gasto em litros. Para medidas precisas o pulverizador deve estar na mesma posição antes e depois de
operação;
Calcule o volume de pulverização em litros/ha.
) (
) / ( 000 . 10 ) ( ) /
( 2
2
m Área
ha m l
v ha l
Q
Onde:
v = volume gasto em litros;
Q = volume de pulverização em litros por hectare.
OBS: Caso o volume encontrado não seja o desejado, substitua o bico por um de maior ou menor vazão, ou altere o ritmo de bombeamento e marcha.
12.4.2. Pulverizador de barras
Marque um percurso de 30 a 50 metros no terreno a ser tratado;
Escolha a marcha de trabalho, a velocidade deverá ser de 4 a 6 km/h;
Acelere o motor até a rotação correspondente a 540 rpm na tomada de força;
Inicie o movimento do trator no mínimo 5 metros antes do ponto marcado;
Anote o tempo que o trator gasta para percorrer o percurso;
Em terrenos de topografia irregular, repita a operação várias vezes e tire a média;
Com o trator parado na aceleração utilizada para percorrer o percurso, abra os bicos e regule a pressão de acordo com a recomendada para os
diferentes tipos de bicos;
Colete o volume do bico no tempo igual ao gasto para percorrer o
percurso;
Repita essa operação em diversos bicos para obter uma média do volume;
Calcule o volume aplicado, utilizando a fórmula:
f v q Q
600
m ou f
Área 30 50
logo, tem-se:
volume coletado ____________ f x 30 ou 50 m
Correções necessárias
Volume de aplicação abaixo do desejado
Aumente a pressão nos bicos;
Diminua a velocidade de deslocamento;
Troque os bicos por bicos de maior vazão.
Volume de aplicação acima do desejado
Diminua a pressão nos bicos;
Aumente a velocidade de deslocamento;
Troque os bicos por bicos de menor vazão.
12.4.3. Seleção de pontas de pulverização Etapas:
a. Definir o tamanho da gota Produto;
Condições climáticas;
Alvo.
b. Definir a vazão da ponta
600
600 Q V f
q f V q
Q
c. Consultar tabelas e escolher a ponta d. Corrigir a pressão, se necessário
2 2
1 1
P V P
V
Em que:
V1 = vazão desejada (L min-1);
P1 = pressão de trabalho desejada (bar);
V2 = vazão verificada na tabela (L min-1);
OBS: O aumento da pressão de trabalho não deve fazer com que as gotas extrapolem a classe de tamanho já definida na etapa 1.
12.5. Exercícios resolvidos
a) Deseja-se realizar a pulverização de 0,5 ha de uma cultura de batatas, a
qual está infestada com o fungo Alternaria solani (pinta preta). Para esta
operação será utilizado um pulverizador costal manual com tanque de
capacidade de 15 litros e dosagem de 3,0 l/ha do fungicida sistêmico de
contato Blason 480 SC. Determine o número de reabastecimentos do
tanque bem como a diluição do produto necessária a cada reabastecimento
sabendo que o operador aplica 2,5 litros em uma área de 100 m².
Volume de pulverização
ha l Q m Área ha m l v ha l Q 250 100 000 . 10 5 , 2 ) ( ) / ( 000 . 10 ) ( ) / ( 2 2
Quantidade de produto por tanque
litros ha l Q ha l ou ha kg D l Ct l ou
kg 0,18
250 3 15 Pr ) / ( ) / / ( ) ( )
Pr(
Número de reabastecimentos
l X l m 2 2 m 5.000 5 , 2 100
logo, X 125l
100 000 . 5 5 , 2
então: reabastecimentos
l l
Nr 8,33
15 125
b) Deseja-se realizar a pulverização de 10 ha de uma cultura. Para esta
operação será utilizado um pulverizador tratorizado de barra com 20 bicos
de espaçamento 0,5 m entre eles, tanque de capacidade de 500 litros e
dosagem de 1,0 l/ha do inseticida concentrado emulsionável Polytrin 400/40
CE (400 l/ha AV). Determine o número de reabastecimentos do tanque, a
aplicação, área coberta no teste e vazão por bico na área do teste sabendo
que o conjunto percorre 50 m em 36 segundos.
Quantidade de produto por tanque
litros ha l Q ha l ou ha kg D l Ct l ou
kg 1,25
400 1 500 Pr ) / ( ) / / ( ) ( ) (
Pr
Largura de aplicação
m LA o espaçament bi de n
LA º cos 200,5010
Área coberta no teste
2 500 50 10 m Área percurso LA
Área
Número de reabastecimentos
l X l ha ha 10 400 1
logo, X 4.000l
1 400 10
então: reabastecimentos
l l Nr 8 500 000 . 4 Velocidade s X s m 1 m 36 50
logo, X 1,39 m
36 50 1 h km V s m velocidade h km
Velocidade( / ) ( / ) 3,6 1,393,65 /
Vazão por bico
min / 67 , 1 600 50 , 0 5 400 50 , 0 5 600 400 ) ( ) / ( 600 min) / ( ) /
( q q l
m f h km V l q ha l
Q
Seleção de pontas de pulverização
Consultando tabelas de pontas encontramos a seguinte situação:
110-04 Malha 50
Pressão (lbf/pol²) Vazão (L/min)
20 1,18
30 1,42
40 1,58
De acordo com a vazão calculada de cada bico, podemos usar essa
ponta usando a pressão em torno de 40 lbf/pol².
Corrigindo a pressão para vazão calculada:
2 1
2 2
1 1
1 1
2 2
1 1
/ 69 , 44 68
, 6 68
, 6
58 , 1
40 67 , 1 40
58 , 1 67 , 1
pol lbf P
P P
P P
P V P V