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GÊNERO, POLÍTICAS PÚBLICAS E ESPAÇOS DE PODER

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GÊNERO, POLÍTICAS PÚBLICAS E ESPAÇOS DE PODER

CONCENTRAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DO EMPREGO FORMAL POR GÊNERO NOS MUNICÍPIOS DA MESORREGIÃO OESTE PARANAENSE

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CONCENTRAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DO EMPREGO FORMAL POR GÊNERO NOS MUNICÍPIOS DA MESORREGIÃO OESTE PARANAENSE

2003-2014.

Resumo: Este trabalho objetiva analisar a concentração do emprego formal por gênero nos municípios da Mesorregião Oeste paranaense para os anos de 2003 e 2014. Para seu desenvolver se utilizaram dados do emprego formal, e aplicados o Índice de Hirschman-Herfindahl (IHH), o Coeficiente de Localização (CL) e o Coeficiente de Redistribuição (CRi). Os resultados mostraram que para o gênero masculino. Os resultados mostraram uma concentração da indústria em municípios com alta representatividade da indústria de transformação. Os setores de serviços e agropecuária, com algumas ressalvas se mostram atrativos em municípios menos populosos da região. O setor de construção civil mostrou uma atratividade elevada ao gênero masculino. Enquanto o comércio se mostrou distribuído no espaço, mais concentrado em municípios como Foz do Iguaçu, Cascavel e Guaíra. Já o CL e o CRi não mostraram altas concentrações de um setor específico no espaço.

Palavras-Chave: Gênero, Economia Regional, Concentração Regional, Mesorregião Oeste paranaense. Abstract: This paper aims to analyze the concentration of formal employment by gender in the municipalities of West Paraná Mesoregion for the years 2003 and 2014. To development its been used in formal employment data, and applied the Hirschman Herfindahl Index (HHI), the coefficient Location (CL) and the Redistribution coefficient (CRi). The results showed that for males. The results showed an industry concentration in cities with high representation of the manufacturing industry. The sectors of services and agriculture, with a few caveats to show attractive in less populated municipalities. The construction sector showed a high attractiveness to males. While trade has shown distributed in space, more concentrated in cities such as Foz do Iguaçu, Cascavel and Guaira. Already the CL and CRi did not show high concentrations of a specific sector in space.

Key Words: Gender, Regional Economics, Regional Concentration, Mesoregion West Paraná. 1. INTRODUÇÃO

Este trabalho objetiva analisar a concentração do emprego formal por gênero nos municípios da mesorregião oeste paranaense. Assim pode-se analisar se de 2003 para 2014 houve uma maior concentração ou distribuição do emprego feminino ou masculino em determinados municípios. Sua problemática, consiste em identificar quais os setores e municípios mais significativos na atração de emprego por gênero nesta região.

Desde a colonização do Oeste do Paraná que se iniciou na década de 1930, sua foi baseada em atividades primárias, como extração de erva-mate, madeira e produção de algumas culturas e animais para consumo próprio. Mas a partir da década de 1970 se inicia uma reestruturação das atividades produtivas nesta região, de uma economia baseada em atividades agrícolas, passou se a ter um elevado grau de urbanização após a década de 1970, e assim as atividades do setor secundário e principalmente do setor terciário passaram a ter mais representatividade (Alves et al 2007; RIPPEL, 2005).

Assim a partir de 1980, teve inicio uma forte expansão da rede urbana regional no Oeste paranaense, impulsionada principalmente pela industrialização e a

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mecanização agrícola, favorecendo ainda mais a expulsão da população nas áreas rurais e crescimento das esferas urbanas. Essa rede urbana passou a funcionar estritamente atrelada ao dinamismo da atividade rural e por ela impulsionada. (MOURA & MAGALHÃES, 1996; ALVES, et al, 2007).

Na década de 1990 ocorreu a afirmação da agroindústria no Oeste do Paraná, além de uma reestruturação nas atividades produtivas. Destacou-se e consolidou-se, neste período, as atividades agroindustriais relacionadas ao complexo soja e a produção, abate e industrialização de suínos, aves e bovinos (FUNDETEC, 1996)

E com todo este processo o emprego para o gênero feminino passou a ter mais representatividade no contexto regional, como pode ser visto no Gráfico 1:

Gráfico 1 - Emprego Formal por Gênero na Mesorregião Oeste Paranaense 1985-2014.

FONTE: RAIS/MTE.

Como pode ser visto no Gráfico 1, de 1985 para 2014 houve um aumento no contexto geral do emprego formal, pois de 100.018 empregos no ano de 1985 passou para 350.411 empregos formais no ano de 2014. Também ocorreu uma redução na disparidade entre os gêneros, pois no ano de 1985 o emprego formal do gênero masculino era superior a 70%, reduzindo para 53,80% em 2014. Assim sendo, mesmo ainda se apresentando uma desigualdade do emprego entre os gêneros, principalmente por a população feminina ser superior a masculina na região, nos anos mais recentes houve uma redução significativa desta desigualdade.

Frente a isso, este trabalho tem como problemática, buscar saber qual a concentração e distribuição do emprego formal por gênero na Mesorregião Oeste paranaense nos anos de 2003-2014? E quais os setores que concentram maior emprego formal na região. Sendo estes questionamentos respondidos com os objetivos que

0 50.000 100.000 150.000 200.000 19 85 19 86 19 87 19 88 19 89 19 90 19 91 19 92 19 93 19 94 19 95 19 96 19 97 19 98 19 99 20 00 20 01 20 02 20 03 20 04 20 05 20 06 20 07 20 08 20 09 20 10 20 11 20 12 20 13 20 14 Em pr eg o Fo rm al Ano

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aborda a constatação da concentração e consequentemente a capacidade de atração do mercado de trabalho formal por gênero nos Municípios da Mesorregião Oeste Paranaense; e se de 2003 para 2014 houveram mudanças significativas na concentração ou distribuição do emprego formal.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

A luta pelos direitos iguais dentro do mercado de trabalho já se estende por muitos anos, mesmo assim, ainda se vê muita desigualdade entre os gêneros em diversas categorias. O movimento por busca de igualdade se iniciou no Século XIX, com trabalhadora de Nova Iorque reivindicando melhores condições de trabalho em uma indústria têxtil no ano de 1857. Em 1908, trabalhadoras do comércio de agulhas de Nova Iorque, fizeram uma manifestação para lembrar o movimento de 1857, juntamente a isso exigir o voto feminino e o fim do trabalho infantil, sendo estas também reprimidas com violência pela polícia. Também em 1911, trabalhadores, na sua maioria mulheres, morreram queimados num incêndio numa fábrica de tecidos em Nova Iorque (MORAES, 2010).

No mercado de trabalho pode-se observar ao logo da história que um ou mais grupos se encontram em situação desfavorável a outro grupo que é considerado ideal ou padrão, sendo observado as suas características como não produtivas, como a cor da pele, a opção sexual, a religião, o sexo, a origem social, ou quase qualquer outra marca que se impõe aos indivíduos (VIEIRA, 2007).

Ao findar da década de 1960 e inicio da década de 1970, uma forte mudança cultural fez com que os movimentos sociais e políticos se intensificassem, estimulando desta as mulheres a ingressar nas universidades, em busca de um projeto de vida profissional e não apenas doméstico. A expansão das universidades públicas e, principalmente, privadas, na mesma época, foi ao encontro desse anseio feminino. Por outro lado, a racionalização e as transformações pelas quais passaram essas profissões abriram novas possibilidades para as mulheres que se formaram “novas” carreiras, ampliando o leque profissional feminino para além das áreas tradicionais desempenhadas por mulheres (BRUSCHINI, 2007).

No Brasil, o número populacional de mulheres é superior ao dos homens, mas o número de homens no mercado de trabalho sempre foi maior, com o passar do tempo as mulheres passaram a ter mais facilidade em conseguir emprego, podendo ser

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observado um crescimento acelerado em seus rendimentos salariais (BRUSCHINI, 2007). O país passou por importantes transformações demográficas, culturais e sociais que tiveram grande impacto sobreo aumento do trabalho feminino, impulsionado por vários fatores, como queda na fecundidade e envelhecimento da população (GRAFF; ANKER, 2004)

Na mesma forma no Oeste Paranaense no processo de colonização e ocupação da região, as atividades agropecuárias fizeram com que a utilização do emprego masculino fosse mais relevante. Mas com o passar dos anos alguns fatores demográficos, sociais, culturais e econômicos fizeram com que a mulher passasse a ter maior inserção no mercado de trabalho. No ano de 1985, por exemplo, o emprego formal masculino representava 71% do emprego formal na região caindo para 54% em 2014, já o feminino aumentou de 29% para 46% neste período. Um aspecto que favoreceu este cenário foi a instalação de algumas indústrias na região, que corroborou para a inserção da mulher no mercado de trabalho (Rippel, 2005).

A inserção das mulheres no mercado de trabalho ocorre devida ao intenso processo de escolarização feminina. Em linhas gerais podemos afirmar que a clássica divisão sexual do trabalho é relativizada entre mulheres que estudaram mais. Além disso, a escolarização se consolidou historicamente como um importante condutor que amplia o leque de escolhas femininas indo além dos planos relacionados ao casamento e filhos. Podendo ser observados com as próprias taxas de fecundidade, onde são consideravelmente mais baixas entre as mulheres que possuem mais escolaridade. A diferença entre as mulheres que cursaram uma graduação e aquelas sem instrução ou fundamental incompleto chega a ser mais que o dobro, no caso dos homens esta relação também existe, mas, não de forma tão direta (GUEDES; FONSECA; EGRY, 2013).

A escolaridade das trabalhadoras é muito superior à dos trabalhadores, diferencial de gênero que se verifica também na população que as escolhas das mulheres continuam a recair preferencialmente sobre áreas do conhecimento tradicionalmente “femininas”, como educação, saúde e bem-estar social, humanidades e artes. Mas também é verdade que a parcela feminina nas universidades vem ampliando sua presença em outras áreas ou redutos masculinos, como a área de engenharia, produção e construção, como a medicina, a advocacia, a arquitetura e até mesmo a engenharia, tradicionalmente reduto masculino. Esta poderia ser considerada uma das faces do progresso alcançado pelas mulheres, no que tange à sua participação no mercado de trabalho (BRUSCHINI,2007).

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Os trabalhadores homens na sua maior concentram nos segmentos médio e alto. O fato de uma pequena porcentagem de mulheres se encontrarem em segmentos de mais alta valorização, reflete a expansão de um contingente expressivo de mulheres com mais alta escolaridade que vem se destacando na disputa pelos postos de maior escalão no mercado de trabalho brasileiro. Esse quadro sugere um pequeno avanço no período recente (GUEDES; FONSECA; EGRY, 2013).

Mas ainda a desigualdades salariais são encontradas, as quais refletem sobretudo a segmentação das mulheres em ocupações tipicamente femininas que são marcadas por salários inferiores mesmo quando comparamos trabalhadores homens com a mesma escolaridade. Em linhas gerais o grupo masculino se distribui mais igualmente entre todas as categorias que as mulheres. Apesar de assistirmos aos avanços de uma reduzida parcela de mulheres, a ampla maioria das trabalhadoras continua refém de relações sociais que ainda pensam a família como principal instituição de cuidado (GUEDES; FONSECA; EGRY, 2013).

Os valores culturais, a divisão de responsabilidades e o ordenamento patriarcal da sociedade ajudam a explicar a menor participação das mulheres na força de trabalho.. Devido à multiplicidade de tarefas das mulheres (p. ex., esposas, mães e cuidadoras, além de trabalhadoras), elas estão mais propensas que os homens a entrar e sair do mercado de trabalho, devotando um número menor e mais esporádico de horas ao mercado de trabalho, para se dedicar a realizar trabalhos familiares não remunerado. Desta forma, a exposição das mulheres no mercado de trabalho é muito mais sensível às formas como são tratadas as questões práticas e conceituais da medição inerentes participação na força de trabalho do que no caso da medição da participação masculina (GRAFF e ANKER, 2004).

Entretanto, apesar de todas essas mudanças, muita coisa continua igual: as mulheres permanecem como as principais responsáveis pelas atividades domésticas e cuidados com os filhos e demais familiares, o que representa uma sobrecarga para aquelas que também realizam atividades econômicas (BRUSCHINI,2007).

As Conferências Mundiais das Mulheres iniciou suas discussões no ano de 1995, que aconteceu em Pequim. O resultado do encontro foi um acordo com o objetivo de alcançar a igualdade de gênero e eliminar a discriminação contra mulheres e meninas em todo o mundo. Na reunião anual de alto nível, que foi realizada na sede das Nações Unidas em Nova Iorque, de 9 a 20 de março de 2015, líderes e ativistas mundiais fizeram um balanço dos avanços e dos desafios pendentes para implementar esse acordo

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histórico para a igualdade de gênero e os direitos das mulheres (ONU MULHERES BRASIL, 2016)

3. METODOLOGIA

A área de estudo escolhida para este trabalho foi a Mesorregião Oeste Paranaense, abrangendo seus 50 municípios. Como mostra a Figura 1.

Figura 1 - Municípios da Mesorregião Oeste Paranaense.

Fonte: Elaboração da pesquisa.

A variável-base utilizada foi o emprego formal por gênero para os anos de 2003 e 2014, nos os cinco setores da economia: Indústria, Construção Civil, Comércio, Serviços e Agropecuária. Sendo estes dados coletados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). A escolha da variável emprego formal se dá por ser uma variável fundamental, e se justifica pelo sua capacidade de medir e comparar de forma uniforme a distribuição das atividades econômicas ao longo do tempo (FERRERA DE LIMA, 2008). Para a análise dos dados foram utilizados os métodos de análise regional, a partir das medidas de localização e de efeito competitivo. A escolha dos indicadores de análise regional se dá por permitirem a comparação de regiões com tamanhos diferentes ao utilizar tamanhos relativos.

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Aplicaram-se as seguintes medidas propostas em Haddad (1989) e Alves (2012): Índice de Concentração de Hirschman-Herfindahl (IHH), Coeficiente de Localização e o Coeficiente de redistribuição, que serão descritos a seguir:

Para o cálculo destas medidas, os dados coletados foram organizados em uma matriz que relaciona a distribuição setorial-espacial. Em que as colunas apresentam a distribuição do emprego entre os municípios da região e as linhas mostram a distribuição do emprego por setor em cada um dos municípios analisados. E assim se apresenta a seguinte distribuição:

Emprego no ramo produtivo i no Município j; (1)

= Emprego no ramo produtivo i de todos os Municípios; (2)

=Emprego em todos os ramos produtivos do Município j; (3)

∑ ∑ =Emprego em todos os ramos produtivos e todos os Municípios; (4)

A partir desta distribuição se desdobram as equações das medidas de localização utilizadas neste trabalho. Segundo Ferrera de Lima e Alves (2008), estas medidas procuram identificar padrões de concentração ou dispersão da mão-de-obra por setores ou ramos de atividade, em um determinado período. As medidas de localização utilizada são as seguintes: O Índice de Concentração de Hirschman-Herfindahl (IHH), consiste basicamente na participação do setor i da região j sobre o total do setor i da região de referencia, com a participação do total da região j sobre o total da região de referencia. ∑ ∑ ∑ ∑ 5 Quando o IHH apresentar um valor positivo, indica que o setor i do município j está mais concentrado e, portanto, exerce um poder de atração maior, dada sua especialização. Enquanto valores negativos indicam um baixo poder de atração em comparação com a região de referencia.

O Coeficiente de Localização (CL) tem por objetivo relacionar a distribuição percentual do Emprego Formal num dado setor entre os municípios com a distribuição percentual do emprego na Região de Referencia. Sendo medido pela Equação 2:

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|

| 6

Se o coeficiente de localização for igual a zero (0), significa que o setor i estará distribuído regionalmente da mesma forma que o conjunto de todos os setores, ou seja, estará mais disperso entre os municípios. Já sendo igual a um (1), demonstrará que o setor i apresenta um padrão de concentração regional mais intenso do que o conjunto de todos os setores. Sendo assim, setores com indicador próximo a zero (0) como distribuídos, já um CL médio, são os setores com concentração intermediaria, e os setores muito concentrados, com resultado do CL próximo a um, como classifica Alves (2012).

Já o Coeficiente de Redistribuição (CRi) mostra se para um determinado período ocorreu alguma alteração na distribuição espacial de um determinado setores entre diferentes regiões, que no caso deste trabalho são municípios. Assim este se apresenta como o somatório da participação do setor i do município j sobre a região de referencia, no ano 0 (2003), menos a participação percetual do mesmo setor i do município j sobre a região de referencia no ano 1 (2014), dividido por 2, como se coloca na Equação 7:

∑ |

|

7

Variando entre 0 e 1, se o valor do CRi for mais próximo a um terão ocorrido mudanças espaciais expressivas na distribuição dos setores durante o período analisado, já se o valor for próximo a zero, as mudanças serão pouco expressivas.

4. RESULTADOS

Inicia-se a análise pelo - Índice de Hirschman-Herfindahl do setor de indústria, este setor se fortaleceu na Mesorregião Oeste paranaense principalmente após a década de 1980, e se fortalece a partir da década de 1990 quando ocorreu a afirmação da agroindústria na região. Mas este se deu em alguns municípios como Toledo, Cascavel, Marechal Candido Rondon, Medianeira, Cafelândia e Palotina, fez com que a população urbana passasse a ocupar um percentual cada vez maior. Assim a indústria na

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mesorregião a indústria passou a empregar um número maior de pessoas tanto do sexo masculino como do feminino em alguns municípios específicos, que passaram a exercer um poder maior de atração de empregos no setor, como mostra a Figura 2:

Figura 2 - Índice de Hirschman-Herfindahl (IHH) para a Indústria por Gênero nos Municípios da Mesorregião Oeste paranaense 2003-2014.

FONTE: RAIS/MTE.

Como se pode observar no setor de indústria para o gênero masculino no ano de 2003, 22 municípios apresentaram um IHH positivo, o que mostra que nestes municípios o setor é concentrado o que acaba tornando-os atrativos. A maior representatividade ocorria no município de Ibema, induzido pelo ramo de atividade industrial de papel e gráfica, por abarcar uma indústria de papel cartão1 que mostrou no ano geração significativa de emprego no município. Outros municípios também significativos para o gênero neste ano foram Cafelândia, Matelândia e Toledo. Para o ano de 2014 não se observaram mudanças significativas na indústria para o gênero masculino, pois municípios como Matelândia, Cafelândia e Toledo (induzidos pela indústria de transformação) continuaram a ter maior concentração do emprego para o setor, além disso, estes aumentaram a emprego formal para o gênero de forma significativa, o que acentuou ainda mais o poder de atração destes, que não empregam somente pessoas destes municípios como de municípios vizinhos.

A Figura 2 mostra que em ambos os anos o gênero feminino segue o mesmo “padrão” que o gênero masculino. Em 2003 como em 2014, 20 municípios mostraram um IHH positivo, o que traduz uma maior concentração da mão-de-obra feminina em determinados municípios, são municípios como Matelândia, Terra Roxa, Cafelândia, Toledo e Ibema. Que tem como característica comum um setor que alavanca a geração de emprego no setor.

Assim a indústria na Mesorregião Oeste paranaense apresenta um padrão de concentração, tanto no gênero masculino como feminino, que segue o lado oeste da

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região, formando um corredor norte-sul, se iniciando no Município de Terra Roxa, representado principalmente pelo ramo têxtil e Palotina, onde o emprego é alavancado pela agroindústria. Passando por municípios de Toledo, Marechal Candido Rondon, que também tem um setor de transformação representativo na geração de empregos formais. e enfim os municípios de Medianeira e Matelândia onde o ramo de transformação também é forte e. A única ressalva são municípios como Ibema e Matelândia que estão localizados em outra área da região. Outro aspecto importante é um vão que se forma no centro da região, onde se localizam municípios como Ouro Verde do Oeste, Vera Cruz do Oeste, e São José das Palmeiras, municípios onde não há uma indústria representativa e as pessoas acabam sendo atraídas para se empregar em indústrias dos munícipios vizinhos, como por exemplo, Toledo e Cascavel. Este último considerado o município com a base econômica mais diversificada do Oeste paranaense.

A construção civil, de ter obtido um grande acréscimo de empregos formais no Oeste paranaense ao longo do tempo2, em obteve o menor aumento de empregos formais. Outro aspecto relevante deste setor para a região, e que também influencia na concentração do setor em alguns municípios é o fato de que conforme citado em Oliveira e Iriart (2008), onde se coloca que neste setor a maior parte do emprego é informal. Isso pode ser a explicação de que no ano de 2003, 17 municípios da região não apresentaram dados quanto ao emprego formal do setor, reduzindo para cinco municípios em 2014, o que apesar de ter uma queda ainda mostra informalidade no setor, e não torne alguns municípios atrativos para geração de emprego na construção civil. Como se pode observar na Figura 3:

Figura 3 - Índice de Hirschman-Herfindahl (IHH) para o setor de Construção Civil por Gênero nos Municípios da Mesorregião Oeste paranaense 2003-2014.

FONTE: RAIS/MTE.

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No gênero masculino pode ser observada uma tendência a concentração do emprego nos municípios em que se tem uma representatividade também do emprego na indústria. Ou seja, em ambos os anos municípios como Matelândia, Cafelândia e Terra Roxa. Um aspecto observado nos resultados é a diferença entre o número de empregos formais entre os municípios, o que leva ao favorecimento da concentração, o que se acentuou ainda mais de 2003 para 2014, como acontece em Toledo e Cascavel onde o numero de empregos formais no setor praticamente dobrou.

No setor da construção civil, mas para o gênero feminino é notável na Figura 3, a diferença com o gênero masculino, pois este é o setor em que se apresentam mais disparidades entre os gêneros. Em ambos os anos temos apenas nove munícipios que se mostraram atrativos ao gênero feminino para a construção civil. Isso porque na região oeste no ano de 2014 havia 15.266 empregos formais a mais no gênero masculino do que no feminino para este setor, o que retrata fielmente a diferença entre os gêneros no setor. Mas mesmo com estas diferenças, pouco dos municípios que concentram emprego formal do setor para o gênero feminino também possuem relação significativa com a indústria.

O setor de Comércio, como mostra a Figura 4, mostra-se mais distribuído no espaço da mesorregião. Mas de assim como nos outros setores, alguns municípios acabam por se destacar na atratividade de emprego dos setores.

Figura 4 - Índice de Hirschman-Herfindahl (IHH) para o setor de Comércio por Gênero nos Municípios da Mesorregião Oeste paranaense 2003-2014.

FONTE: RAIS/MTE.

O comercio talvez seja o setor com menos disparidades entre os gêneros, e que no período de análise obteve mais equiparação ente os gêneros, pois em 2003 haviam 10.774 empregos formais do gênero masculino do que no feminino, reduzindo para 7.880, em 2014. Ou seja, mesmo que ainda há uma grande diferença entre o número de empregos formais entre os gêneros, há uma tendência a diminuição com o passar dos anos.

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No gênero masculino, a Figura 4 mostra que o emprego formal, está mais distribuído, pois na maior parte dos municípios o IHH se mostrou negativo tanto em 2003 como em 2014. Outro aspecto é de que ao analisar os resultados, mesmo os municípios com IHH positivo mostraram um índice baixo deste que não passou de 0,2 em 2003 e de 0,3 em 2014. Assim municípios como Foz do Iguaçu, Cascavel e Guaíra se mostraram atrativos em ambos os anos, isso porque possuem fatores como rodovias, e no caso dos últimos dois a fronteira com outros países estimulam o comércio municipal.

No gênero feminino a Figura 4 mostra um maior espraiamento de municípios onde se concentra o emprego do gênero no comércio, além de um aumento significativo de 2003 para 2014, passando de 13 para 14 municípios atrativos no setor. Este além de municípios mais populosos mostrarem concentrados, municípios com menos população exibem uma concentração feminina no comércio, isso porque há uma busca maior deste gênero no setor, o que ocorre em todo país3, assim como não há uma exigência abusiva de força física, e até pela facilidade de comunicação.

O setor de serviços mostra uma característica diferenciada dos outros setores analisados, isso porque, com exceção de Foz do Iguaçu onde o emprego do setor é altamente atrativo pela representatividade do turismo, a maior parte dos municípios que mostram concentração do emprego no setor para ambos os gêneros, são municípios menos populosos, e que os demais setores não se mostram altamente concentrados segundo os resultados do IHH. O pode ser visualizado de forma mais clara na Figura 5: Figura 5 - Índice de Hirschman-Herfindahl (IHH) para o setor de Serviços por Gênero nos Municípios da Mesorregião Oeste paranaense 2003-2014.

FONTE: RAIS/MTE.

No gênero masculino se observa uma redução no número de municípios em que o setor se mostra atrativo. Além de mostrar uma concentração cada vez maior em municípios menos populosos, ou com menos representatividade no emprego formal da

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região. Localidades em que o setor terciário mostra mais representatividade devido a atividades ligadas ao setor público, como educação, saúde, limpeza da cidade etc.

Para o gênero feminino a Figura 5mostra uma maior concentração do setor nos municípios da mesorregião em comparação com o gênero masculino, apesar de também mostrar uma redução nos municípios em que o setor se mostra atrativo de 2003 para 2014. E segue a mesma característica já citada, com exceção de Foz do Iguaçu quase toda totalidade dos municípios em que esse setor se mostra concentrado são municípios menos populosos, com um menor percentual de população urbana em comparação a municipalidades maiores, e atividades ligadas ao setor primário são mais representativas no contexto da economia local. O setor de serviços possui uma característica diferenciada dos outros setores analisados, pois é o único em que o número de emprego do gênero feminino é superior ao masculino, um perfil que se apresenta em todo o Brasil4, um dos aspectos que favorecem esse perfil é que nos municípios o emprego formal no setor advém de concursos públicos, não tendo distinção entre sexo ou raça, por exemplo, para a contratação de mão-de-obra.

O último setor a se analisar o IHH é a Agropecuária, apesar de este setor ser de grande importância para a economia da região, em comparação a outros setores é o que tem menos participação no total de emprego formal do Oeste paranaense. Este setor também apresenta uma característica diferenciada, assim como no setor de serviços apresenta maior concentração nos municípios menos populosos como mostra a Figura 6, e a agropecuária em ambos os gêneros apresenta um contraste com a indústria, pois salvo algumas exceções, em localidades onde se tem uma grande especialização industrial a agropecuária não é representativa, e em consequência não se torna atrativa a geração de emprego no setor nesta localidade.

Figura 6 - Índice de Hirschman-Herfindahl (IHH) para o setor de Agropecuária por Gênero nos Municípios da Mesorregião Oeste paranaense 2003-2014.

FONTE: RAIS/MTE.

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O gênero masculino ao se comparar com o feminino ocupa o maior percentual do emprego formal na agropecuária, este gênero ocupa também o maior percentual de população nas áreas rurais, o que favorece a maior concentração do emprego no gênero, além disso o setor exige um maior uso de força física para a realização das suas atividades, o que tradicionalmente era realizada por pessoas do gênero masculino, e mesmo com a modernização da agricultura minimizou pouco a desigualdade na concentração do emprego entre os gêneros.

Neste setor há uma grande concentração de empregos formais para ambos os gêneros em municípios com menos densidade populacional, - inclusive o Município de Cascavel que se mostrava atrativo no ano de 2003, deixou de ser em 2014, isso ocorre por outros ramos se sobressarem na detenção de mão-de-obra, pois este se mostra o município mais dinâmico da região – enquanto municípios mais populosos mesmo com maior número de empregos formais no setor, este não se mostra atrativo, isso por atividades ligadas a indústria ou comércio serem mais concentradas na localidade. Assim alguns municípios como Catanduvas, Entre Rios do Oeste, Ouro Verde do Oeste e São Pedro do Iguaçu, que se apresentaram atrativos para ambos os anos e gêneros neste setor.

Note-se que se as Figura 2 e a Figura 6 forem comparadas, podem ser vistas como o oposto, ou seja, municípios onde o setor de indústria é concentrado, não mostram atratividade em atividades agrícolas e vice-versa. E que por muitas vezes pessoas de municípios ligados fortemente a atividades agrícolas passam a realizar movimentos pendulares para trabalhar em indústrias de municípios vizinhos, como ocorre nos municípios de Toledo e Cascavel.

Passando para o Coeficiente de Localização (CL), que está apresentado no Gráfico 1, e mostra em ambos os anos o setor mais localizado ou distribuído no espaço da região.

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Gráfico 2 - Coeficiente de Localização (CL) do Emprego formal por gênero na Mesorregião Oeste paranaense.

Fonte: MTE, RAIS, 2015.

Como o resultado do coeficiente varia entre zero e um, pode-se observar que nenhum setor para nenhum dos gêneros mostrou uma forte concentração. Outro aspecto apresentado no Gráfico 1, é de que os setores mostram um mesmo “padrão de concentração” para ambos os gêneros. Mas de qualquer forma há sim diferença na intensidade da distribuição do emprego destes setores no espaço.

No ano de 2003 a indústria, agropecuária e construção civil todos no gênero feminino se mostraram concentradas no espaço, enquanto o comércio e serviços tanto masculino como feminino se mostraram mais distribuídos regionalmente, perfil que não apresentou grandes mudanças para o ano de 2014. Assim pode-se observar que além de uma diferença no número de trabalhadores entre os setores, há também uma diferença na distribuição do espaço.

Já o Coeficiente de Redistribuição apresentado no Gráfico 2 mostra se de 2003 para 2014 o emprego do gênero feminino ou masculino se concentrou mãos no espaço e qual o setor que isso ocorreu. Visualmente o gráfico já mostra poucas mudanças expressivas na distribuição dos setores do espaço, isso porque nenhum destes obteve um CRi superior a 0,13, o que mostra que de 2003 para 2014 as atividades continuam a se localizar nos mesmos municípios.

0 0,050,1 0,150,2 0,250,3 0,35 CL Setor 2003 2014

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Gráfico 3 - Coeficiente de Redistribuição do Emprego por gênero nos municípios da Mesorregião Oeste paranaense - 2003/2014

Fonte: MTE, RAIS, 2015.

O setor que mais se concentrou no espaço foi a agropecuária para o gênero feminino, ou seja, mesmo tendo uma presença em grande parte de municípios, este apresentou mudanças expressivas na sua composição no espaço, que como mostra o coeficiente anterior, este setor passou a ter um pequeno aumento da concentração no espaço. Outro setor apresentou mudanças em sua composição foi a construção civil também para o gênero feminino, este ao contrario passou a ter uma pequena distribuição no espaço, como mostra a Figura 5. Já os setores que mostraram menos variação na composição no espaço foram o comércio e serviços para o gênero masculino, ou seja estes setores continuam tendo representatividade e concentração em 2014 nas mesmas localidades de 2003.

5. CONCLUSÕES

Este trabalho teve por objetivo mostrar a concentração e distribuição do emprego formal por gênero e setor nos municípios da Mesorregião Oeste Paranaense. O que foi realizado por meio de medidas de análise regional aplicadas a dados do emprego formal para os anos de 2003 e 2014.

Quanto ao Índice de Hirschman-Herfindahl, o setor de Indústria nos últimos anos mostrou grande evolução na empregabilidade do gênero feminino. Este setor despontou-se atrativo para ambos os gêneros nos municípios de Toledo, Marechal Cândido Rondon, Medianeira Cafelândia e Matelândia, impulsionados pela agroindústria, enquanto no Município de Ibema o setor de papel e gráfica impulsiona a

0 0,02 0,04 0,06 0,080,1 0,12 0,14 Cri Setor CRi

(18)

atratividade e em Terra Roxa o ramo têxtil da indústria concentrou em ambos os anos parte significativa do emprego formal na localidade. O que forma um corredor de concentração do emprego no setor, enquanto caracterizam-se alguns vãos de pouca atratividade industrial na região.

A Construção Civil, apesar de uma pequena redução na disparidade entre os gêneros, tanto em 2003 como em 2014 mostrou uma concentração muito mais significativa ao gênero masculino. E mostrou uma característica relevante aos municípios em que se tem concentração do emprego industrial, a construção civil se mostra atrativa.

Quanto ao comércio mostra-se mais distribuído no espaço da mesorregião, mas em ambos os anos municípios como Foz do Iguaçu, Cascavel e Guaíra mostraram maior concentração do emprego. Impulsionados por fatores como rodovias, e no caso dos últimos dois a fronteira com outros países estimulam o comércio municipal. E no município de Foz do Iguaçu também o setor de serviços embasado pelo turismo alavanca o comércio local.

O setor de serviços mostra uma característica diferenciada. Este em ambos os anos teve como município mais atrativo Foz do Iguaçu, impulsionado principalmente pelo ramo turístico. Neste setor observou-se uma concentração maior em municípios menos populosos, sendo nestes serviços como saúde, educação e administração pública indutores do emprego formal5. Por fim este se mostra o setor com maior atratividade do gênero feminino, em grande parte dos municípios, inclusive sendo o número de empregos femininos no setor superior ao masculino.

A agropecuária mostrou-se com grande distribuição no espaço da região para ambos os gêneros, mas com valores superiores no IHH do gênero masculino. Outro aspecto é de que assim como no setor de serviços, municípios como Catanduvas, Entre Rios do Oeste, Ouro Verde do Oeste e São Pedro do Iguaçu, que se apresentaram atrativos para ambos os anos e gêneros neste setor.

Quanto ao CL, e CRi, os resultados mostraram que tanto em 2003 quanto em 2014, não havia alta concentração de algum setor específico no espaço. Mas apesar disso há uma concentração maior do emprego na indústria, construção civil e agropecuária principalmente do gênero feminino no espaço da mesorregião.

5Segundo a RAIS/MTE (2015).

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Sugere-se trabalhos futuros mostrando com outras medidas de concentração, como por exemplo CR4, CR8 e6 entropia aliados ao Índice de Hirschman-Herfindahl buscar quais os ramos da indústria e serviços, que mais concentram empregos na região, tanto de modo geral como ao separar o emprego por gênero.

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