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MODIFICAÇÃO DA CARGA DE FERRITA Ni 0,5 Zn 0,5 Fe 2 O 3 POR AGENTE SILANO PARA MELHORIA DA INTERFACE NO COMPOSITO ABSORVEDOR.

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MODIFICAÇÃO DA CARGA DE FERRITA Ni0,5Zn0,5Fe2O3 POR AGENTE SILANO PARA MELHORIA DA INTERFACE NO COMPOSITO

ABSORVEDOR.

P. C. F. Menezes1; P. T. A. Santos1; T. R. G. Silva1; A. C. F. M. Costa1; E. M. Araújo1;

1

Universidade Federal de Campina Grande, Departamento de Engenharia de Materiais, Av. Aprígio Veloso – 882, Bodocongó, 58109-970, Campina Grande -

PB, Brasil.

Correspondente autor: [email protected]

Através da modificação da carga de ferrita Ni0,5Zn0,5Fe2O3 pelo agente silano (3-aminopropiltrietoxisilano) almeja-se uma melhor adesão carga/matriz (borracha de silicone), como intuito de melhoria nas propriedades do compósito absorvedor. As amostras como sintetizada e após a silanização foram caracterizadas por difração de raios X (DRX), espectroscopia na região do infravermelho (FTIR) e microscopia eletrônica de varredura (MEV). Os resultados de DRX apresentaram os picos característicos da fase do espinélio inverso referente à ferrita NiZn com elevada intensidade dos picos de difração, indicando a cristalinidade da carga. As bandas características do espinélio foram observadas para a ferrita NiZn antes e após silanização, sendo observadas também as bandas características do silano nas ferritas silanizadas. As morfologias visualizadas nas fotomicrografias mostraram que a carga de ferrita antes da silanização apresentou aglomerados grandes de aspecto frágil e, após a silanização observou-se aglomerados de tamanhos regulares e densos, indicando a mudança morfológica pela introdução do agente silano. Desta forma, promoverá uma melhor adesão da carga com a matriz para a obtenção do compósito.

Palavras- chave: ferrita NiZn, agente silano, compósito, adesão.

INTRODUÇÃO

O surgimento dos materiais compósitos foi motivado pela crescente necessidade de se combinar propriedades consideradas incompatíveis de diferentes materiais, originando um material único, que além de exibir características novas e desejáveis, também apresentasse propriedades resultantes as dos materiais separados (1).

(2)

Para ser designado um compósito, é preciso que o material reúna duas fases primordiais, uma contínua (matriz) e uma dispersa (carga, reforço ou modificador), cujas propriedades são obtidas a partir da combinação das propriedades dos constituintes individuais (regra das misturas) (2).

A matriz é responsável pela distribuição e transferência das tensões para a carga; ligação entre as mesmas; e proteção da superfície das cargas. Além do mais, confere estrutura ao material compósito, preenchendo os espaços vazios que ficam entre a fase dispersa, mantendo-os em suas posições relativas (2,3). À fase dispersa cabe realçar as propriedades mecânicas, eletromagnéticas ou químicas do material compósito como um todo. Pode ainda surgir uma sinergia entre o material de matriz e o material de reforço, resultando no material compósito final com propriedades não existentes nos materiais originais (2,3).

O comportamento de um compósito não é explicado somente pelas propriedades especificas de seus componentes principais, reforço e matriz. A interface entre o reforço e a matriz também é importante, sendo considerado o terceiro componente de um compósito (4). A interação entre componentes de um compósito está centrada na interface entre eles. A principal função da interface é permitir uma transferência eficiente de tensão da matriz para o reforço (5).

O principal desafio da tecnologia de processamento de materiais compósitos é a obtenção de uma adequada interface entre os componentes de um compósito. Assim, este trabalho tem como objetivo promover a modificação da superfície da carga de ferrita Ni0,5Zn0,5Fe2O3 (inorgânico) , pelo agente

silano- silanização (3- aminopropiltrietoxisilano), para sua introdução na matriz de borracha de silicone (orgânica), e assim a obtenção de um compósito eficiente para a utilização em materiais absorvedores de radiação eletromagnética (MARE).

MATERIAIS E MÉTODOS

A carga em pó de ferrita Ni0,5Zn0,5Fe2O3 foi entregue pelo Laboratório de

Síntese de Materiais Cerâmicos (LabSMaC) da Universidade Federal de Campina Grande. A mesma foi obtida pelo método de reação de combustão,

(3)

seguindo o procedimento experimental descrito por VIEIRA (2013). A modificação da superfície da carga de ferrita Ni0,5Zn0,5Fe2O3 foi realizada pelo

processo de silanização usando o agente 3-aminopropiltrietoxissilano [H2N(CH2)3Si(C2H5)3]. A reação de silanização adotada foi baseada na

metodologia proposta por CAMILO, 2006, e, adaptada por SANTOS, 2011. Os pós foram caracterizados por: (a) difração de raio X (DRX) num difratometro Shimadzu (XRD-6000) a 40 kV e 30 mA, radiação CuKα = 0.154 nm, no ângulo 2θ, com faixa de varredura, entre 10 e 90 graus a taxa de 2°/min; (b) espectroscopia de infravermelho com transformada de Fourier (FTIR) usando um espectrômetro modelo 400 FT-IR/FT-NIR da marca Perkin Elmer, entre 4000 e 450 cm-1, com resolução de 4cm-1 e 20 varreduras. (c) microscopia eletrônica de varredura (MEV) (Marca Philips, Jeol LV 5600, operando-se em 15kV)/Laboratório de Caracterização de Engenharia de Materiais.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Na Fig. 1 apresenta o difratograma de raios X da amostra de ferrita NiZn (Ni0,5Zn0,5Fe2O3)e da ferrita NiZn silanizada.

20 30 40 50 60 70 F F F F F F F H F F-ferrita H-hematita In te n si d ad e (u .a .) 2(Graus) Ferrita NiZn

Ferrita NiZn silanizada

Ni0,5Zn0,5Fe2O4 (JCPDS 52-0278)

Figura 1- Difratograma de raios X da amostra de ferrita NiZn e ferrita NiZn silanizada.

Mediante o difratograma de raios X, verifica-se que as amostras de ferrita NiZn e ferrita NiZn silanizada apresentam os oito picos de maior intensidade correspondentes à fase cristalina majoritária cúbica do espinélio

(4)

inverso da ferrita Ni0,5Zn0,5Fe2O4 de acordo com a ficha cristalográfica (JCPDS

52-0278), indicando que houve a formação completa da ferrita NiZn nos sítios

octaédricos de coordenação 6, e ainda traços da segunda fase hematita Fe2O4

(JCPDS 40-1139) para ambas as amostras. Para a ferrita NiZn observa-se que os picos apresentaram-se bem definidos, com elevada intensidade e largura basal de todas as reflexões visualizadas. A relação entre estes dois parâmetros permite avaliar que as partículas têm características nanométricas e boa cristalinidade.

Para a ferrita NiZn silanizada observa-se uma menor intensidade dos picos em relação a amostra ferrita NiZn, provavelmente este comportamento está associado a presença do agente silano na amostra, porém a presença do mesmo não interferiu na formação do espinélio da ferrita NiZn.

A Figura 2 exibe o espectro vibracional na região do infravermelho, na faixa de 4000 – 400 cm-1, da carga ferrita NiZn e ferrita NiZn silanizada. De acordo com o espectro da ferrita NiZn, na região entre 3600-3200 cm-1 encontra-se uma banda larga de absorção referente a estiramentos de grupos hidroxila (OH-) proveniente de moléculas de água residual adsorvida. A

absorção em aproximadamente 2900-1450 cm-1 deve-se a deformação de

moléculas de CO2 que provavelmente deve ser proveniente de gases

remanescentes oriundos da combustão, que não foram totalmente removidos

durante a síntese. O estiramento C=O do grupo carboxilato (CO2) é observado

na faixa entre 1560-1350 cm-1. A presença de água é confirmada pela

deformação do grupo H-O-H observada em torno de 1600 cm-1que se referem

à água livre e/ou fisicamente adsorvida, grupos hidroxilas, resultantes da reação de combustão.

No espectro observar-se o inicio de uma banda de absorção na faixa de 600 a 500 cm-1 que possivelmente seria a banda característica do espinélio, porém, não é possível a identificação por limitação do equipamento utilizado. A presença do espinelio inverso é confirmada por uma banda de absorção v1

localizada na faixa de aproximadamente 815 cm-1 é atribuída às vibrações dos

sítios tetraédricos e a banda v2 localizada na faixa de aproximadamente 490 cm-1 corresponde às vibrações dos sítios octaédricos (Wu et al, 2005; Waldron ,1995; Hafner et al. (1961).

(5)

4000 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 O-HC=O Ab so rb a n ci a (u .a .) Numero de onda (cm-1) Ferrita NiZn

Ferrita NiZn Silanizada

Si-O O-H C=O O-H N-H C-H v1

Figura 2- Espectro na região do infravermelho para a carga ferrita NiZn e Ferrita NiZn silanizada.

Na Figura 2 também se observa o espectro para a ferrita NiZn silanizada, onde possivelmente confirma-se a silanização pela presença das bandas múltiplas em torno de 1200 cm-1 a 900 cm-1 correspondentes ao estiramento assimétrico Si-O-Si e as bandas de absorção na região de 2950 a 2800 cm-1correspondentes aos grupos alquil CH) como aos grupos amino

(-NH2) que são pertencentes ao 3-aminopropiltrietoxisilano. Em 1635 cm-1

observa-se uma banda de estiramento referente a C=O, que indica possivelmente a coordenação com metais. Nos resultados reportados por Silva, (2011) quando utilizou os agentes silano (aminopropiltrimetoxisilano e 3-aminopropiltrietoxisilano) para modificação da superfície do espinelio ZAE, o autor observou que as bandas múltiplas em torno de 1157 e 1046 cm-1 correspondem ao estiramento assimétrico (Si-O) dos silanos. Estes resultados corroboram com os resultados reportados por Camilo et al. (2008), quando estudou nanopartículas de CoFe2O4 recobertas por 3-aminopropiltrietoxissilano

obtidas via processo sol-gel, no qual os autores confirmaram que as bandas referentes ao grupo Si-O na faixa 1200-900 cm-1 pertenciam ao agente silano.

A Figura 3 e a Figura 4 ilustram as fotomicrografias obtidas por MEV para a ferrita NiZn e a ferrita NiZn silanizada, respectivamente. De acordo com as fotomicrografias apresentadas na Figura 3 (a) e (b), os pós possuem uma

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morfologia heterogênea, constituída de aglomerados irregulares, porosos, não densos, o que os caracteriza como aglomerados moles, ou seja, de fácil desaglomeração. As amostras apresentam porosidade entre os aglomerados, o que indica que a quantidade de gases exalada durante a síntese foi relativamente baixa, levando a formação de partículas ligadas fracamente.

Figura 3- Fotomicrografias obtidas por MEV da carga ferrita NiZn (a) x5000; (b) x10000.

A Figura 4 ilustra a fotomicrografia da carga de Ferrita NiZn silanizada observa-se aglomerados na forma de blocos com tamanho irregulares, Figura 4 (a), nestes aglomerados as partículas estão mais interligadas, ou seja, apresenta uma porosidade interpartícula, o que é um indicativo da ação do agente silano que envolve as partículas diminuindo sua área superficial e favorecendo a uma menor formação de aglomerados.

Figura 4- Fotomicrografias obtidas por MEV da carga de Ferrita NiZn silanizada (a) x5000; (b) x10000.

Este mesmo efeito de minimização do estado de aglomeração por modificação da superfície por agente silano foi observado por Yamaura et al, 2008 quando preparou nanopartículas de magnetita modificadas com o

3-(a)

(b) (a)

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aminopropiltrietoxisilano por reação de silanização direta, as fotomigrografias de MEV revelaram que as partículas de magnetita silanizada tinham aglomerados de tamanho inferior em relação a amostra de magnetita pura. Este efeito deve-se a diminuição da área superficial das nanopartículas pela modificação da superfície por ação do agente silano, que promove uma diminuição no tamanho dos aglomerados. Estas alterações morfológicas indicam a modificação da superfície das partículas de ferrita NiZn pelo agente silano, o que vem confirmar os resultados obtidos nas analises anteriores.

CONCLUSÕES

Os resultados dos difratogramas de DR-X mostraram que a carga de ferrita de NiZn apresenta a fase majoritária cúbica do espinélio da ferrita NiZn com traços de hematita (Fe2O3). A ferrita NiZn silanizada não apresentou

alterações na sua estrutura. Os espectros vibracionais de infravermelho apresentaram as bandas de absorção características da ligação (Si-O) do 3- aminopropriltrietoxisilano, o que indica a ocorrência da silanização na ferrita NiZn. As fotomicrografias obtidas por MEV revelaram que a ferrita NiZn é constituída por aglomerados moles de partículas com formatos irregulares, a presença do silano na superfície da Ferrita NiZn promoveu modificações na morfologia do pó, com diminuição nos aglomerados, indicando que a silanização foi realizada de maneira eficiente e irá promover uma boa dispersão da carga na matriz polimérica.

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem aos institutos brasileiros Inct-INAMI/CNPq, PPGCEMat, LabSMaC, PNPD 2011/CAPES, pelo apoio financeiro dado a pesquisa.

REFERÊNCIAS

1.SOUZA, J.S. Funcionalização da Superfície de nanopartículas

superparamagneticas encapsuladas por quitosana para a imobilização de proteínas. Dissertação de Mestrado. Instituto de Pesquisas Energeticas e Nucleares, São Paulo, 2010.

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2. FOWLER, P.A.; HUGHES,J.M.; ELIAS, L.M. Biocomposites: technology environmental credentials and Market forces. Journal Science Food Agric., v.86, 2006, p.1781-1789.

3. CAMPBELL, F. C. Introduction to composite materials. Disponivel em<//http:www.asminternational.org>.Acessado em 28 de março de 2013. 4. REZENDE, M. C.; COSTA, M.L.; BOTELHO, E.C. Compositos Estruturais: tecnologia e pratica. Editora Artliber, São Paulo, 2011.

5. VIEIRA, D.A. Processamento e caracterização de nanoferritas Ni-Zn para desenvolvimento de dispositivos magnéticos moles. 2013, 89p. Tese (Doutorado em Ciencias e Engenharia de Materiais) Universidade federal de Campina Grande, PB.

6. CAMILO, R.L. Síntese e Caracterização de nanopartículas magnéticas de ferrita de cobalto recobertas por 3-aminopropiltrietoxissilano para uso como material híbrido em nanotecnologia. Tese de Doutorado. Instituto de Pesquisas Energeticas e Nucleares . São Paulo. 2006.

7. SANTOS, P.T.A. Novos Materiais híbridos a base de ZnAl2O4 dopadas com

Európio. Tese (doutorado). Universidade Federal de Campina Grande, 2011, 111p.

8. CAMILO, R. L; YAMAURA, M.; FELINTO, M.C. F. da C.; LIMA, N.B; LANDGRAF, F. J.G. Caracterização de nanopartículas de CoFe2O4 recobertas por 3 aminopropiltrietoxissilano obtidas via processo sol-gel. 18º Congresso brasileiro de Ciencias e Materiais, 2008.

9. YAMAURA,M.; CAMILO,R.L.; MOURA, E.; SANTOS, B.Z. Preparação de nanopartículas magnéticas silanizadas para utilização em tecnicas de separação magnetica. In: International Nuclear Atlantic Conference, 2002, p.11-16

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