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Religião e Hipnotismo

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Academic year: 2021

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(1)

Luiz Caramaschi

Luiz Caramaschi

Religião e Hipnotismo

Religião e Hipnotismo

O túmulo vazio de Jesus não é a

O túmulo vazio de Jesus não é a

interpretação sacerdotal da ressurreição

interpretação sacerdotal da ressurreição

do

do corpo;

corpo; é

é o

o símolo

símolo da

da ressurreição

ressurreição do

do

pensamento

pensamento e

e do

do !spírito"

!spírito"

O #utor

O #utor

Editora Sociedade Filosófica Luiz Caramaschi Editora Sociedade Filosófica Luiz Caramaschi

Praça Arruda,

Praça Arruda, 54 - Caixa Postal 44 54 - Caixa Postal 44 - 1!!-!!! - Pira"- 1!!-!!! - Pira"u - SPu - SP Fo#e $14% &&51-1'!!

Fo#e $14% &&51-1'!!

 –

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RELIGIÃO E HIPNOTISMO

RELIGIÃO E HIPNOTISMO

(contra capa) (contra capa)

Religião e hipnotismo é uma ora rara na $ual o autor demonstra com clareza as

Religião e hipnotismo é uma ora rara na $ual o autor demonstra com clareza as

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&anatismo das pessoas $ue se dei*aram levar por líderes religiosos ou não) ou uma

&anatismo das pessoas $ue se dei*aram levar por líderes religiosos ou não) ou uma

 andeira $ual$uer) sem $uesti

 andeira $ual$uer) sem $uestionamentos) por &alta de razão"

onamentos) por &alta de razão"

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necessariamente não prescinde de $uestionamentos) e nem $ue isto

necessariamente não prescinde de $uestionamentos) e nem $ue isto se(a um sacrilégio"

se(a um sacrilégio"

.raz um estudo das características comuns das personalidades dos &an%ticos e dos

.raz um estudo das características comuns das personalidades dos &an%ticos e dos

&acilmente hipnotiz%veis) sem o&ensas a $ual$uer deles"

&acilmente hipnotiz%veis) sem o&ensas a $ual$uer deles"

.emos a certeza de $ue) no &inal) voc/ ir% concordar $ue se as conscientizaç0es

.emos a certeza de $ue) no &inal) voc/ ir% concordar $ue se as conscientizaç0es

dadas a$u

dadas a$ui &ossem &eita

i &ossem &eitas em um

s em um passa

passado longí

do longín$uo)

n$uo) certam

certamente elas teria

ente elas teriam mudado o

m mudado o

rumo da humanidade para uma vida

(4)

1ndice

1ndice

2

2 3

3 O

O enígma

enígma da

da &é

22

22 3

3 4ardec

4ardec e

e o

o hipinotismo

hipinotismo

222

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Prefácio

!sta é mais uma ora inédita de grande valor do &il'so&o Luiz Caramaschi" O tema deste livro emora &aça parte do nosso cotidiano) teve e tem grande in&lu/ncia na hist'ria da humanidade" !le é apresentado a$ui com muita pro&undidade mas de uma maneira clara) por isso) de &%cil entendimento"

5uanto 6 religiosidade) o autor classi&ica as pessoas em dois grupos7 o dos religiosos e o dos crentes"

Os primeiros são os $ue &re$8entam uma religião) se(a $ual &or) mas por motivos sociais" !ntenda9 se por social não s' a ostentação púlica) como a sua pr'pria &ormação educacional" -ão os &re$8entadores ocasionais dos cultos) mas sempre alheios ao cotidiano da 2nstituição $ue &re$8entam" Contudo) sempre os vemos de&endendo sua religião) discutindo seus princípios) criticando as demais 3 isto não raramente com muita veem/ncia 3) chegando muitas vezes até 6 e*asperação semelhante 6 dos  políticos" !ntretanto) no seu cotidiano agem totalmente ao contr%rio" :ara demonstrar essa a&irmação) imaginemos estar seguindo um deles) logo ao terminar um culto) para avaliarmos sua verdadeira crença" -im) crença) por$ue para o autor) crença é o $ue a pessoa é de &ato; é no $ue ela realmente acredita; é o con(unto verdade $ue determina suas atitudes" ! assim) o nosso imagin%rio personagem) $ue &az parte de uma maioria asoluta dos religiosos) sai do templo) passando por cima de mendigos $ue estão 6 porta sem tomar conhecimento da$ueles intrusos $ue estão denegrindo a sua igre(a" !m seguida pega o seu carro para ir para casa e) no primeiro contra9tempo com o trnsito) toca a uzina com muita raiva e) em seguida) tenta suornar o policial $ue o aorda" 2sto é ele de &ato) esta é sua verdadeira crença" !ntão os adeptos das religi0es são semelhantes aos &an%ticos torcedores de $ual$uer agremiação esportiva) ou se(a)  rigam por suas religi0es) discutem seus princípios e deocham dos advers%rios) mas) na verdade) não seguem um s' dos seus ensinamentos) os $uais t/m de&endido" <ada $uestionam e aseiam suas crenças no princípio da autoridade" <unca perguntam por $ue) mas sim) $uem disse" +ependendo de $uem disse aceitarão ou não como verdade"

Os do segundo grupo) o dos crentes) são os $ue não t/m compromisso com $uais$uer das religi0es instituídas regularmente) mas) por convicção pr'pria) pautam suas vidas aseadas numa crença divina"  <unca agem preocupados com a aprovação social" :odemos seguir um deles) a e*emplo do proposto no caso dos religiosos) $ue não teremos nenhuma decepção) pois ele agir% e*atamente da &orma como o conhecemos) por ser aut/ntico" Os crentes são pessoas íntegras) não su(eitas a rituais ostensivos" 5uando se pergunta a $ual$uer um deles $ual sua religião) ele responde) de acordo com a sua particularidade)  aseado no seu con(unto verdade) $ue são todos os atos da sua vida" <'s os chamamos de CR!<.!- por$ue os seus atos) em $ual$uer circunstncia) traduzem sua verdadeira crença"

:or isto) segundo o autor) não temos $ue ver $ual a religião $ue uma determinada pessoa pro&essa) mas sim sua verdadeira crença" # crença de cada um é o $ue ele é) sem m%scaras) e com as suas pr'prias regras" = no $ue ele de &ato acredita e norteia sua vida" <ão é passível de discussão" #ssim a crença verdadeira da$uele primeiro religioso $ue seguimos) na verdade) é a do egoísta"

Como a divindade não est% circunscrita a dogmas nem se convence por intermin%veis ladainhas e cantorias) mas) ao contr%rio) l/ e sente no &undo do coração de cada um o seu verdadeiro sentimento) nenhuma religião) $ual$uer $ue se(a) ser% o passaporte para o paraíso" +aí $ue se &izermos uma pro(eção &antasmag'rica do &uturo em longín$uo das pessoas) veríamos) com certeza) um número elevado de religiosos indignados pelo &ato de muitos ateus estarem haitando níveis em mais elevados $ue os deles na espiritualidade"

Como a hipnose é aseada no princípio da autoridade do hipnotizador) pois ninguém se dei*ar% ser hipnotizado por $uem ele não considere superior a si pr'prio) conclui o autor $ue essa pessoa) hipnotiz%vel) tem semelhança total com o religioso) por$ue para $ual$uer deles o $ue importa é $uem é

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essa autoridade" Reconhecida a autoridade e estaelecida a con&iança) ela se entrega totalmente tal como o religioso &an%tico) e o estado de hipnose acontece"

O autor não est% contra a hipnose como se ela) acontecendo) se constituísse num atestado de  parvoíce do hipnotizado" #o contr%rio) ele a considera um caminho r%pido e e&iciente na a(uda de curas de origem psicol'gica" -ua preocupação) $ue ele vai sustanciando com muita propriedade ao correr da  pena) é a possível &alta de ética e de moral de muitos pro&issionais desta %rea) $ue podem &azer mau uso

dela"

+aí a importncia desta ora) por$ue ela nos &az entender grandes cat%stro&es sociais ocorridas no mundo" :essoas conduzidas por líderes promoveram matança e auto9destruição em massa" !ssas pessoas nunca $uestionaram os motivos do comandante) mas apenas o oedeceram por$ue estavam seguindo alguém $ue para eles) na$uele momento) era a suprema autoridade" !sses e*emplos encontramos em todos os setores da sociedade" #ssim podemos citar os alemães so comando de Hitler) os cat'licos da -anta 2n$uisição $ue $ueimavam vivos os seus opositores) em como v%rias ocorr/ncias semelhantes divulgadas &artamente pela imprensa) como a das >uianas) em $ue um pastor convenceu a todos os seus seguidores a se envenenarem" Os camicases (aponeses e os homens9omas do povo %rae são &rutos dessa crença cega) $ue aceitam os lideres ?in totum@) sem $uestionar suas raz0es" A época da edição deste livro os americanos ainda não se re&izeram do cho$ue traum%tico do Borld .rade Center de <ova orD) $uando &an%ticos islmicos pro(etaram avi0es repletos de passageiros contra as &amosas torres g/meas"

Recomendamos a leitura deste livro a todas as pessoas) religiosas ou não) por$ue é um grande alerta 6$ueles $ue) por causa da religiosidade sem $uestionamentos) praticaram e ainda praticam atos de verdadeira atrocidade) sem possiilidade de reparos) cuidando estar &azendo a vontade de +eus"

OS EDITORES

I - O ENÍGMA DA FÉ

O sol estava alto (%) e Chilon ainda se encontrava na cama) deitado de costas) com as mãos cruzadas na nuca) so a caeça" !stava pensando""" a olhar uma réstia de luz $ue entrava por um uraco) &azendo visível a poeira em suspensão no ar" !m sua meditação as coisas se moviam) as vozes se tornavam alucinatoriamente $uase audíveis" !n*ergava Lumaio) de pé) na porta) sorrindo) zometeiramente) e ainda lhe escutava as palavras7 ?3 5uase $ue voc/ me reconverteu 6 causa do seu Cristo" -e convivesse mais com voc/) talvez isso acontecesse" :orém) agora vou reler) de novo) meu -halders) para desanuviar a consci/ncia) varrendo dela as dúvidas $ue voc/ plantou""" = preciso &azer esta limpeza cereral para se poder gozar a vida sem pesar nem temor"""@

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 3 =""" Emonologou ChilonF mas o certo é $ue as dúvidas tamém me avassalam""" >ostaria) imensamente) agora) de ver um espírito materializado""" de apalp%9lo""" com a minha mão""" como) dizem""") &ez .omé a Cristo""" .onhão :orcelo perdeu seus cin$8enta mil cruzeiros por crer""" e ter &é""" ! eu corro com o risco de perder9me a mim mesmo) como aconteceu com Lumaio) por perder a &é""" :ouco me valeu ter9me animado Grago) com palavras a&etuosas e sinceras; de nada me est% valendo ter dito o mestre $ue me descanse da$uele malandro) visto $ue é um perdido""" por culpa de -halders""" .amém estou correndo o risco de perder9me) pois as a&irmaç0es candentes de Lumaio não me saem do  pensamento" Lumaio zoma da &é) nega a Cristo) prostituiu a pr'pria alma""" e tudo isto me desola""" ! assim como Lumaio declarou precisar reler) de novo) o seu -halders""" tamém preciso procurar meu mestre Grago) para $ue ele me ponha ordem no caos interior"""

oi com este pensamento $ue Chilon procurou o mestre) na noite deste dia; e tanto $ue se apro*imou dele) disse9lhe7

 3 Ieu amigo) estou perdido na con&usão em $ue me dei*ou Lumaio) com seu ata$ue 6 ília;  poderia o senhor me des&azer as dúvidasK

 3 5ue sucede com voc/) ChilonK

 3 -ucede $ue antes eu pensava $ue saia o $ue &osse a &é; agora) verdadeiramente não sei o $ue ela se(a; não sei se ela é um em ou um mal"

+epois de &icar tempo a olhar para um lado) no chão) pensativo) respondeu Grago) resolutamente7

 3 !ntão estudaremos todos) ho(e) este ponto" <'s vamos empregar o método do canteiro" <a cantaria o oper%rio) para arir uma pedra em la(es) p0e sua talhadeira na linha divis'ria das camadas) e depois ate com a marreta" #ssim tamém o lenhador nunca despreza as veias da madeira) pois é aí) e não nos n's) $ue ele mete suas cunhas" Ias vamos entrar para a sala; a$ui &ora) con$uanto este(a &resco) est% escuro"

!ntraram todos) acomodando9se) cada um) no seu lugar costumeiro" +epois Grago ariu as  (anelas de par em par" +entro da sala estavam sendo tocadas umas gravaç0es lindas de #ntonio ivaldi"  <o tocador autom%tico estavam suspensos mais dois discos ?long9plaMing@ de N polegadas) a&ora a$uele $ue girava so a agulha) no prato" ! Grago dava mostras de $uerer ouvir música) em vez de estudar &iloso&ia" :ouco a pouco todos $uedaram emevecidos pelos acordes sonoros e variaç0es maravilhosas do  portentoso g/nio italiano"

.erminada a última &ai*a do último disco) Grago) prosseguindo com o pensamento $ue tinha iniciado ao entrarem todos para a sala) disse7

 3 .odo o assunto é um loco; mas sempre tem veias e camadas; vamos) pois) 6s cunhas e ao marrão"""

 3 Iostre9nos) então) como esse assunto se deslinda 3 replicou Chilon"

 3 2sto &aremos todos 3 disse Grago) e prosseguiu7 3 Lumaio disse $ue ?a &é é sugestão) e se op0e 6 persuasão $ue é ci/ncia@; não &oi isto $ue ele disseK

 3 -im) &oi 3 tornou Chilon"

 3 # primeira coisa a &azer é vermos o $ue vem a ser persuasão e $ue é sugestão" Como de&iniria voc/ a persuasãoK

+epois de pensar um pouco) respondeu Chilon7

 3 :ersuasão) penso $ue se(a a aceitação duma idéia mediante e*ame racional dos &atos e das  provas" :ersuasão é ci/ncia por$ue não prescinde da l'gica) da demonstração) da e*perimentação) das  provas e dos &atos interpretados corretamente) sem calor nem pressa) e antes) &ria e demoradamente"

 3 .udo isso 3 tornou o mestre 3 est% na síntese de Lumaio $uando disse7 persuasão é ci/ncia" +e&ina agora a sugestão"

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 3 -ugestão é) igualmente) a aceitação duma idéia) porém) independente de e*ame algum" = uma aceitação de &é) sem discussão) sem e*ame racional) sem e*ig/ncia das provas nem o concurso da e*perimentação"

Grago) $ue acompanhava a de&inição) maneando a caeça a&irmativamente em cada conclusão de  pensamento) rematou a seguir7

 3 !stão em de&inidos os dois termos primeiros da proposição" 5uer dizer $ue a persuasão é razão) é ci/ncia) e se &undamenta no raciocínio; a sugestão é &é) é crença sem provas; é a certeza $ue se tem de alguma coisa) não pela razão) mas pela con&iança na autoridade de $uem &ala" # &é é um sentido de certeza) uma convicção $ue se tem por ouvir dizer) no passo $ue a persuasão) igualmente) é um sentimento de certeza) uma convicção da verdade) porém $ue nasce da visão das provas) do e*ame dos &atos) da ponderação das raz0es) e soretudo) da e*peri/ncia" O homem de persuasão ou de razão é um  pensador) um &il'so&o9cientista) no passo $ue o de &é é um sugestion%vel) um suscetível) um místico" O

homem de razão pergunta7 por que? J% o homem de &é não sae perguntar por $ue) mas7quem disse? # estas últimas palavras de Grago) Chilon interveio) dando um estalo com os dedos polegar e médio"

 3 #gora me ocorre ter lido em -" :aulo) o #p'stolo) $ue a &é se &unda no ouvir ERom" NP)NQF" =  por isso $ue este #p'stolo de Cristo de&ine a &é como ?o &irme &undamento das coisas $ue se esperam) e a  prova das coisas $ue não se v/em@ E!pístola aos Hereus) NN) NF; (% a persuasão se &unda no ver) como o  prova a incredulidade de -" .omé EJoão P)  e SF"

 3 !ntão 3 replicou o pensador 3 (% podemos representar sugestão e persuasão) respectivamente)  pelos ouvidos) e pelos olhos" er para crer) como -" .omé) é razão) é ci/ncia de vista) é persuasão; crer sem ver) e s' por$ue &oi dito) é &é) é sugestão) é credulidade" #s raz0es) portanto) &undadas nos ouvidos são &é) en$uanto $ue) as &undadas na vista das provas) são ci/ncia e verdadeira razão" = aseado nesta l'gica $ue surgem os .omés com suas convicç0es de vista) pelo $ue dizem) como o anotou o :e" #ntonio ieira7 ?a mim nunca me saiu pela oca coisa $ue me entrasse pelos ouvidos7 para a&irmar) hei de ver com os olhos primeiro"@N

azendo uma pausa para meditar) prosseguiu o &il'so&o7

 3 :rezam9se) nos triunais) as provas concretas mais do $ue os depoimentos de pessoas; e por $ueK :or$ue as provas são coisas vistas) e os depoimentos de pessoas) coisas ouvidas" <as coisas vistas est% a ci/ncia e a razão; nas ouvidas a &é) e a con&iança em $ue d% o testemunho" ! como) apesar das (uras) os testemunhos de &é podem ser &alsos) e as provas) não) por isso são mais reputadas as provas vistas $ue os depoimentos ouvidos" Con$uanto se retrate a Justiça de olhos vendados) os (uizes gostam mais de usar os olhos $ue os ouvidos) sendo mais homens de razão e ci/ncia) $ue de &é e sugestão" .al é como  procedem os $ue se guiam pelos olhos) e não) pelos ouvidos" Os olhos) como (% dizia ieira) ?são duas luzes do corpo) são dois laços da alma@" -e estas luzes estão aertas) acesas) luminosas) a alma andar% 6s

claras) aceitando somente o $ue &or de razão; contudo se estas luzes se apagam) com se &echarem as  p%lperas) toda a alma andar% 6s escuras) aceitando) de &é) enganos e mentiras $ue lhe $uiser impingir o sugestionador" !is por $ue e como se dão as alucinaç0es hipn'ticas) $ue começam no ponto em $ue se &echa os olhos 6 realidade circun(acente) para penetrar no reino puro de onirismo e $uimeras" Olhos aertos são candeias e luzes do corpo; &echados são cadeias e laços da alma) por$ue pelas portas dos ouvidos) a sugestão a pega) a su(uga) a condiciona) a escravizaT"""

:erpassando o olhar por todos os presentes $ue o escutavam) emevecidos) prosseguiu o s%io7  3 :or isso) para hipnotizar é preciso $ue os ouvidos se aram) aguçados e crédulos no mesmo  ponto em $ue os olhos se &echam pesados) apagados) iniidos; por esta razão não se hipnotizam videntes racionais) argos da idéia) linces e %guias do pensamento) e sim) somente) aos sensitivos) aos emotivos) aos

N ieira) -erm0es) Q) UQ 9 !d" das #méricas" ieira) -erm0es) N) UQ 9 !d" das #méricas

(9)

impulsivos) aos atletas da vontade e do $uerer) visto como todos estes não precisam ver para crer) e tanto mais cr/em) $uanto mais descuram do ver) &echando os olhos"

 3 Contudo 3 atalhou Chilon 3 o senhor principiou a &alar em hipnotismo) sem primeiro demonstrar $ue relação tem ele com a &é"

 3 !stou &alando s' da &é) e até agora não &alei senão da &é" !ste ser% o tema %sico repetido e variado até o &im) como a constante ideol'gica duma sin&onia de conceitos" .odos iremos ver por miúdo) $ue hipnotismo é o mesmo $ue paroxismo da fé. = por isso $ue) con&orme diz erenczi) o hipnotizador ?deve ser capaz de suscitar no paciente as mesmas sensaç0es de amor ou medo) a mesma convicção da in&aliilidade) $ue os pais lhe inspiravam $uando ele era criançaVU" !is por $ue nunca ninguém ouviu um

hipnotizado perguntar7 por que? como tamém não se ouve esta pergunta da oca duma criança muito  pe$uena) nem das dos seguidores de Cristo) $uando este lhes &alava" Os homens de &é) relativamente 6s

coisas da &é) não raciocinam" :or esta razão vemos homens) 6s vezes inteligentes) acreditarem em disparatados asurdosT"""

Chilon) curioso e atento) interrogou) cortando a corrente da dissertação7

 3 Logo é perigoso ter &éT ! se o é) por $ue Cristo a &az e*celente) recomendando9a) sem reuços"  3 Compreendo9lhe o desaponto 3 retrucou Grago" 3 Chegaremos l%" Lemre9se) por en$uanto) de $ue eu disse $ue o homem de &é pergunta7 quem disse? no passo $ue o de razão interroga apenas7  por que? O homem de &é $uer saer de $uem procede a a&irmação" = assim $ue a &é ou sugestão tem sua ase no princípio de autoridade. +aí vem $ue a sugestão não se recee de $ual$uer um; mesmo no estado de sono hipn'tico) em $ue a sugestionailidade é aumentada incrivelmente) por causa de dormir a vigilncia racional) a sugestão não se veri&ica a não ser oedecendo o princípio de autoridade"

 3 +evagar com essas conclus0es) mestre Grago 3 atalhou Chilon" 3 O sono hipn'tico) con&orme o demonstrou James raid) pode ser produzido por estímulos arti&iciais) e tanto é assim $ue os cães de :avlov dormiam ao ponto de) em todo o laorat'rio) ouvir9se9lhes os roncos" = por isso $ue raid não se dava a si por hipnotizador) pois não era ele o $ue hipnotizava) e sim) os estímulos arti&iciais $ue aplicava" +aí o não $uerer $ue o chamassem de hipnotizador) pela mesma razão pela $ual o $ue aplica 'leo9de9 rícino) não se deve chamar ?'leo9de9ricinador@W

Grago $ue tinha o dedo indicador atravessado sore os l%ios) numa atitude muito sua de e*pectativa) ai*ando a mão) replicou7

 3 .odavia) meu nego) sem a palavra o sono não se apro&unda) como diz) e com razão) o +r" Osmard #ndrade aria em sua ora ?Hipnose Iédica@) p%g" NQN" Logo) apro&undamento hipn'tico) otido pela somação de &ocos iniit'rios) s' se pode dar pela palavra $ue) por isso) se torna um sinal de sinais" Contudo é a*iom%tico $ue não poder% haver tal apro&undamento) se não se con&iar em $uem usa a  palavra" # monotonia do céu chuvoso aliado ao pingar compassado da goteira sore uma lata velha) no $uintal) pode induzir9nos ao sono; todavia) se alguém) aproveitando9se desta oportunidade) começar a sugerir $ue durmamos) $ueremos saer $uem é esse alguém) antes de entrarmos a dormir" -e nosso sugestionador &or nosso lacaio ou empregada doméstica) não dormiremos) por causa da vigilncia de nossa censura moral" +ormir 6 sugestão de um in&erior a n's) con$uanto se(a possível) do ponto de vista rigorosamente &isiol'gico) é coisa $ue não se d%) por causa de ser anti9psicol'gico) isto é) anti9natural) do  ponto de vista místico) su(etivo" -' $uem nos supera merece &é e crédito) e não 6s avessas"

! pondo9se a andar) o mestre) pela sala) de um lado para outro) de mão para tr%s) como era do seu costume) continuou7

 3 -e o hipnotismo &osse) assim) uma coisa s' o(etiva) como uma reação $uímica) ou &enXmeno &ísico) indi&erente ao operador) como $ueria raid; se não houvesse a parte su(etiva do paciente) a sua &é e con&iança na autoridade do operador) então $ual$uer hipnotizador &aria dormir todo mundo" Ias não" O

U Citado por Iedeiros e #lu$uer$ue) Hipnotismo) Q WIedeiros e #lu$uer$ue) Hipnotismo) Y

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hipnotismo) con$uanto possa ser e*plicado como um acontecimento &isiol'gico) com ase rigorosamente cientí&ica) conserva sua mística) s' &uncionando de cima para ai*o) e não vice9versa" +a$ui o ter dito Iedeiros de #lu$uer$ue) depois de em documentado e e*perimentado) $ue só hipnotizamos àqueles sobre os quais exercemos alguma ascendência " ale) logo) o princípio da autoridade) e o

acontecimento $ue pudera ser s' &isiol'gico e orgnico) o é) tamém) psicol'gico e moral) atingindo as raias do misticismo) nos puros domínios da &é"

 3 -im 3 adiantou Chilon 3 suas raz0es são perempt'rias; não h% &ugir7 sugestão é &é" O estado hipn'tico é o da e*altação da &é) ou da sugestionailidade e*agerada"

Grago) $ue tinha parado no meio da sala para dar ouvidos a Chilon) prosseguindo a andar) continuou7

 3 O &undamento remoto) portanto) do hipnotismo) est% no princípio da autoridade $ue &az do indivíduo humano um ser greg%rio) um ser social" ,m individualista puro não se dei*a hipnotizar) e*atamente por não aceitar a autoridade de ninguém sore si; este pode ser hipnotizador e conduzir reanhos humanos) porém) não ser% conduzido por ninguém" 2sto posto temos7 nas sess0es de espiritismo  pr%tico) deparamos com presidentes incultos) ignorantes até dos princípios doutrin%rios) con$uanto  ondosos" isto $ue s' se &ala em caridade E&ora da caridade não h% salvaçãoF) ninguém precisa estudar nada) e) sendo om) pode ser presidente" Ias ninguém (amais se sumeteu ao poder da ondade) e sim) s') ao valor da intelig/ncia" O om) se é s' om) pode ser tido por oo tamém) e) por isto) e*plorado  pelos ladinos" +a$ui vem $ue os médiuns) ao redor da mesa) entram em sono auto9hipn'tico) por$ue

dormem por si mesmos) mantendo os ouvidos despertos; mas não dormem sono hipn'tico) isto é) comandado pelo presidente) por $ue não con&iam na sua autoridade) emora o estimem" +este modo se  poderia dizer $ue) em hipnotismo) tamém se pode dormir com um olho aerto e outro &echado""" # arenga do presidente) a semi9oscuridade do amiente) a monotonia da sessão) tudo serve para conduzir ao sono auto9comandado) mas não ao sono hipn'tico" -e isto &osse possível) como $uer o +r" #ndrade) tamém ele poderia dormir sono comandado ao ter &icado sonolento com a monotonia da chuva) com o  pingar compassado da goteira) e com a canção de ninar da empregada doméstica $ue lhe adormece o &ilho

no erço" <este caso) a empregada poderia desviar a cantilena hipn'tica para o lado do médico e entoar9 lhe7

+orme doutor)

5ue a chuva est% caindo""" Rela*a teu corpo)

5ue o sono (% vem vindoT +orme doutor)

Ias &ica a me escutar""" +orme sereno)

#tento ao meu &alarT  3 ! o médico dormiria) ChilonK

 3 Claro est% $ue nãoT O mais certo é $ue &i$ue mais acordado ainda) pois ap's as consideraç0es de $ue a empregada não tem nenhuma ascend/ncia sore ele) dormiria de sono natural) ou se(a) com a  perda total dos ouvidos"

 3 :elo visto 3 continuou o mestre 3 o doutor e*plicou como se d% o &enXmeno hipn'tico) mas não o por$ue dele; e*plicou os meios) mas não a causa $ue o determina) $ue é o princípio da autoridade)

 Iedeiros e #lu$uer$ue) Hipnotismo) YN a YW 9 Z

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 ase natural da religião e da &é" Logo) como eu dizia) ouvidos aertos e olhos &echados é &é; olhos aertos e ouvidos &echados é ci/ncia e verdadeira razão; e por$ue os olhos se &echam para crer a &é) por isso (% dizia ieira ?$ue a mesma &é é cega@Z "

:arando o s%io de andar) e voltando9se para os presentes) pois en$uanto andava tinha os olhos  postos no chão) prosseguiu) dando /n&ase 6s palavras7

 3 :elo $ue estamos vendo) sugestão é &é) visto $ue se op0e) 6 persuasão $ue é ci/ncia; e sendo $ue o hipnotismo é sugestão) segue9se $ue o hipnotismo é &é" Cristo curava pela &é) usando a sugestão $ue é hipnotismo; os médicos curam pelo hipnotismo) usando a sugestão $ue é &é" L% se cria em Cristo e a$ui se cr/ nos médicos; l%) Cristo não curava em sua terra) nem em sua casa) onde) por conhecido) não tinha autoridade EIat"NU) QF; c% os médicos não &arão nada) asolutamente nada) sem $ue primeiro gran(eiem a con&iança e a &é dos seus pacientes ErapportF" +e Cristo se disse E+r" OsmardF $ue era um milagreiro)  por$ue curava sem remédios) e s' com sugestão; e os médicos) psi$uiatras e psic'logos) usando igual  pr%tica) e curando sem remédios) acaso) tamém) não o sãoK

 3 :enso 3 otemperou Chilon 3 $ue est% suentendido $ue aos médicos assiste este direito) pois a Lei é s' contra os curandeirosT

 3 # Lei não admite suentendidos) meu nego) e mesmo sendo reta) os chicaneiros acham (eito de torc/9la" -e mesmo sendo clara) &azem9na escura e con&usa) $uanto mais a não &ariam con&usa) se houvesse nela suentendidosK

 3 !st% certo""" est% certo""" 3 e*clamou Chilon" 3 .odavia) se não me engano) h% lei (%) neste sentido) permitindo aos médicos usarem o hipnotismo"""

:ara não se desviar do assunto) tocou por diante) o mestre) com o $ue vinha dizendo7

 3 <o !vangelho de Cristo temos o cho$ue destas duas &orças opostas7 racionalidade e misticismo" +e um lado diziam os doutores de 2srael a Cristo $ue &izesse um sinal) para acreditarem nele" Ias o sinal dependia da crença e da &é) e por isso Cristo se saía sempre pela tangente) não &azendo sinal nenhum" = $ue a proposição estava invertida) pois havia9se de crer em Cristo) para $ue ele pudesse &azer o sinal) depois" <ão podia haver conciliação destes opostos) e Cristo de uma parte) dizia ao povo7 se tiverdes &é) &arei a maravilha $ue me pedis; da outra) diziam os doutores7 se &izeres a maravilha $ue te  pedimos) creremos em ti""" # &é antecede ao e&eito) e não o e&eito 6 &é; por isso é asurdo pedir se mostre

o poder) para depois crer" asta crer) $ue o impossível acontece7 o cego v/) o paralítico anda) a dor cessa"""

 3 O mistério 3 continuou o s%io 3 se envolve de misticismo e &é; é por isso $ue as oras mediúnicas) emora &ant%sticas umas) e nulas outras) todas t/m e*traordin%rio valor e saída nas livrarias) no passo $ue as dos encarnados) ainda $ue geniais) nada valem" #ndré Luiz) !mmanuel e Ramatis) agora  prestigiosos) seriam ninguéns) se reencarnados; não seriam mais lidos) se aparecessem nas vestes carnais

com os nomes) suponhamos) de João de Oliveira) #ntonio #lves e José de #lmeida ilho" .al a &orça do mistério" = por isso $ue sem mística e sem mistério) meus caros) ninguém se torna m%rtir ou her'i) se(a do cristianismo) se(a da lierdade) se(a da p%tria" 5ual$uer &iloso&ia) $uando se resolve na política) precisa duma mística para arrastar as massas 6 ação" # clareza da l'gica) o pensamento solar) convence) mas não d% &orça; o oscuro mistério da &é d% &orça e arrasta as massas) con$uanto não convença ninguém" !sta é a causa por $ue -'crates) o ap'stolo do pensamento claro) se viu &orçado a &alar da necessidade do mito"  <ão asta toda a educação proposta por ele na ?Repúlica@ de :latão" = preciso) diz ele) convencer ao

guerreiro de $ue toda a educação receida não passa de sonho) pois em realidade) os de&ensores da repúlica ?&oram &ormados e criados no seio da terra) eles e suas armas e tudo $ue lhes pertence; de $ue) depois de os haver &ormado) a terra) sua mãe) os deu 6 luz; e de $ue agora devem considerar como mãe e nutriz a região $ue haitam) para de&end/9la contra $uem $uer $ue ouse atac%9la; e em assim tratar aos

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outros cidadãos como irmãos) nascidos) como eles) da mesma terra@Q" !is a$ui o mito da terra) proposto

 por a$uele $ue é o &il'so&o sem segundo" ! isto mesmo &izeram os da enícia e os de outras terras) como re&ere o mesmo -'crates"

! continuou o mestre) depois de pe$uena pausa7

 3 +e onde) meus amigos) procede a miséria dos escravos e a de todos os $ue são vis e torpes em suas vidasK :rovém de $ue uns e outros não t/m mística) $ue é um ideal superior) um o(etivo $ue os anime a serem valorosos; por isso vivem o momento $ue passa) tirando dele todo o partido $ue lhes toca) com ase no egoísmo individual" !sta é a causa por $ue s' traalham se estimulados do chicote ou da  paga) pois seria mesmo um contra9senso se o &izessem por amor de seus donos) amos e patr0es" Lumaio)

o e*9protestante) não se degradou) por perder o ideal $ue o alentavaK

 3 -im 3 tornou Chilon 3 &oi o $ue lhe sucedeu por culpa de -halders"""

 3 +onde hauriam &orça os germanos) prosseguiu o &il'so&o e os vi$uingues) para serem indXmitos) &eros e ravosK Haviam de morrer de espada na mão) sem o $ue não entrariam no alhala" Odin era o +eus da guerra) $ue não admitia os &racos ou covardes nos seus domínios celestiais" !stes  %raros) precursores de .rasímaco) Iachiavel e <ietzsche) saiam) antes $ue estes o dissessem) $ue a  <atureza não pode ter sido criada senão por +eus; e se a lei da natureza é a lei da luta) pela $ual se selecionam os &ortes) então é $ue +eus $uer esta seleção de &ortes) e ani$uilamento de &racos" -endo assim) ser virtuoso é ser &orte) por isso $ue este sorevive) no passo $ue o humilde e o &raco desaparecem" H% clareza maiorK Logo se tudo é deste (eito) por$ue +eus o $uer) por$ue +eus o impXs) então) no alhala não podem entrar os humildes) os &racos) os imprest%veis para a guerra) pois estes são valores negativos desprezados pelo +eus $ue &ez a <atureza e mais as suas leis" ! do modo como h% seleção de &ortes no plano individual) tamém deve haver seleção de povos &ortes) e esta seleção se &az pela guerra" O povo eleito h% de ser) segundo a l'gica natural) a$uele $ue levou de vencida a todos os demais povos)  por isso $ue estes &icam escravos) e a$ueles) senhores" Como este Odin dos vi$uingues) Jeov% era um +eus terrível) cruento) &ormidando) $ue capitaneava) como em pessoa) seus e*ércitos de ravos" ! por a$ui n's vemos $ue as civilizaç0es todas) sem e*ceção) e*primem os mitos sore $ue se criaram"

+epois de respirar &undo) numa pausa) continuou o s%io) cu(a &acúndia parecia inesgot%vel7  3 Odin é o +eus da guerra; Jeov%) o +eus terrível e &ogo devorador; rama) o +eus luminoso da virtude clara como a luz do dia; #mon9R%) egípcio) é imperial; o Hélios grego é etéreo" O mito do povo eleito) entre os (udeus) &azia9os sentir9se sorepostos a todos os demais povos aos $uais chamavam de gentios) do mesmo modo como os gregos e os romanos se supunham superiores aos $ue chamavam  %raros" ! para não nos apartarmos muito no tempo) meus caros) olhemos para a #lemanha de Hitler) e*altada ao paro*ismo e conduzida 6 guerra pelo mito da super9raça ariana) $ue considerava su9homens a todos os (udeus e eslavos) e para ene&ício da humanidade) Hitler prometia limpar toda a !uropa) como limpou a #lemanha e países con$uistados) destes povos $ue ele considerava sugente"

 3 <a atalha dos deuses 3 prossegue o mestre 3 não venceu Hélios etéreo) por$ue &eito s' de  pensamento astrato e razão pura) e por$ue as massas não t/m l'gica) nem são racionais) por isso não elegeram a$uela concepção de +eus" <ão venceu #mon9R% imperial) por$ue aristocr%tico) e as massas) con$uanto aspirem as aristocracias de todos os tipos) en$uanto as não alcançam) tem9lhes inve(a e rancor" enceu Jeov% provincial) por$ue ciumento) ar%rico) parcial) emotivo9sensitivo) capaz de &urores e de arrependimentos) tal) e*atamente) como as massas ignaras; venceu por ser um +eus de &orça) +eus vivo $ue podia ser sentido como pr'*imo) e com o $ual se podia manter contato pessoal) a&etivo) emocional""" Julgam os intelectualistas puros $ue poderão movimentar e conduzir as massas com persuas0esK com l'gicas irre&rag%veis e pensamentos claros como um dia de solK :ois estão enganados) meus caros) por$ue as massas são místicas) e s' se movimentam ao som da lira de Or&euT = assim $ue ?o tocador de &lauta

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$ue dei*a de saer tocar) não pode continuar a &azer dançar a multidão; e se) raivoso e em pnico) tentar então converter9se num sargento instrutor ou num condutor de escravos) e coagir pela &orça &ísica uma tura $ue não pode continuar a dirigir com o recurso do seu encantamento magnético) o $ue $uase com certeza e com a maior rapidez ocorrer%) ser% para &azer &racassar a sua pr'pria intenção; por$ue os seus ouvintes $ue tinham &icado apenas cansados e $ue tinham saído &ora do compasso) $uando a música celestial se e*tinguiu) sentir9se9ão azorragados por uma chicotada $ue os impelir% para a reelião ativa@Y"

 3 !is como as massas se conduzem por pura sugestão 3 prossegue o pensador" 3 Os $ue lhes &alam) como &aziam Ioisés) Cristo) Hitler) não precisam provar nada; asta a&irmar) com /n&ase) com cara e gestos &irmes de $uem é senhor da verdadeT asta o tom perempt'rio) a*iom%tico) para $ue u[a mentira) se(a criada) e o milagre se e&etive" = preciso apresentar9se como enviado de +eus) como &izeram Ioisés e Cristo) no passado) e Hitler) nos tempos modernos" az9se necess%rio criar u[a mística) hipnotizar as massas) &or(ar um símolo $ue sintetize a mística) $ue este ser% o sinal hipnog/nicoT""" ! depois $ue as massas estiverem hipnotizadas) poder9se9% lev%9las) em reanho) para o matadouro) como ocorreu com a rança napoleXnica de anteontem) e com a #lemanha e 2t%lia de ontemT"""

! continuou o mestre) ap's tomar um &Xlego7

 3 .odos os hipnologistas são concordes em $ue hipnotismo é sugestão) ou se(a) a absoluta aceitaço de uma idéia independente de exame algum! é uma aceitação de &é pela CO<2#<\# !I 5,!I .R#<-I2.! # 2+=2#; trata9se de uma pura con&iança na #,.OR2+#+! do sugestionador" -em esta con&iança) e 6s vezes temor) $ue &az aureolar o hipnotizador de certo $u/ de misterioso) de místico) não se dorme" +aí o prestígio do operador ser &undamental) e o sono hipn'tico) uma prova de con&iança) um crédito moral" Ora) hipnotismo é isto) ChilonK é olhos &echados e ouvidos aertosK

 3 -ua l'gica e dialética irretor$uíveis me &orçam a dizer $ue sim) é" -endo hipnotismo sugestão) e sugestão) &é) segue9se necessariamente) $ue hipnotismo é &é" !ste assunto é9nos pací&ico) de agora em diante"

 3 :rosseguindo na mesma linha de idéias $ue íamos desenvolvendo 3 tornou o pensador 3  podemos concluir $ue hipnotismo é religião) por$ue esta se aseia na &é) na crença) na e*altação emotiva) na sugestão) e tudo isto se op0e 6 persuasão) 6 racionalidade) 6 razão) 6 ci/ncia" # atitude religiosa é um estado hipnoidal em $ue o homem se p0e de caeça erguida) encarando os céus) mas de olhos &echados)  para &icar 6 escuta das vozes celestiais" # atitude cientí&ica é a do homem agachado sore a terra olhando os &atos de perto""" achtere] tinha razão7 ?a convicção entra) por assim dizer) pela porta da &rente e a sugestão pela dos &undos@S"

 3 .udo isto est% muito claro 3 ponderou Chilon" 3 .odavia esta identidade do hipnotismo com o &enXmeno religioso p0e irritados os homens de ci/ncia" O &enXmeno em poderia ser s' o(etivo) como $ueria raid) matematicamente demonstr%vel) como acontece com os &enXmenos &ísicos e $uímicos" astaria olhar para uma olinha) ou escutar um ruído mon'tono) e pronto7 (% se estaria em sono pro&undo) aceitando toda e $ual$uer sugestão de $ual$uer pessoa" :or $ue tudo se h% de asear na sugestão) ou se(a) na aceitação de &é por parte do pacienteK :or $ue a ordem sugestiva tem de ser crida primeiro) para ser e*ecutada depoisK

 3 = por$ue 3 tornou Grago 3 como (% tenho demonstrado) esta aceitação s' e*iste) $uando o  paciente reconhece a superioridade do operador em relação a si; esta aceitação) como v/m) não é livre) mas condicionada pelo princípio de autoridade" Reconhecida a autoridade) pelo paciente) seu $uerer ou não $uerer) pouco in&lui" <ão adianta $uerer isto ou a$uilo para $ue o &enXmeno se e&etive; é preciso crer $ue ele se dar%; s' isto""" :or isso é $ue h% de con&iar primeiro) e ter &é""" O ?rapport@) portanto) não é mera cone*ão atencional) como $uer o +r" Osmard #ndrade; é ligação sumissiva do paciente em relação a seu hipnotizador; é puro ato de &é praticado por um crendeiro $ue se prosterna) moralmente) diante de um ser

Y #rnold J".oMnee) ,m !studo de Hist'ria) 22) WZZ S Iedeiros e #lu$uer$ue) Hipnotismo) PS

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$ue ele (ulga superior" O hipnotizando aceita as ?verdades@ de seu sugestionador) por ter crido) primeiro) na sua autoridade" O hipnotizador precisa impor9se 6 con&iança do paciente) para $ue este creia ao $ue ele diz""" e durma" = por isso $ue sem prestígio não h% ?rapport@) e ?de um om ^rapport_ depende uma oa hipnose@NP"   Ora) isto) na verdade) irrita os homens de ci/ncia) pois &orçoso lhes é reconhecer) no

hipnotismo) algo de ?astante misterioso@) como a&irmava inet) ou ?muito oscuro@) segundo pensava o :ro&" >rasset"NN

! indo o s%io 6 estante para recolocar nela o livro $ue tinha nas mãos) continuou7

 3 #cho $ue não preciso entrar em pormenores para e*plicar $ue possuímos dois céreros) sendo um antigo e outro) recente) precisoK

 3 :enso $ue não 3 tornou Chilon" 3 .odos saemos $ue o cérero antigo é o sucortical $ue todos os animais verterados possuem) tanto os in&eriores como os superiores" J% o cérero recente) ou cortical ou c'rte*) s' e*iste nos verterados superiores dentre os $uais) altamente) se soressai o homem" A guisa de recapitulação destes estudos (% &eitos) vou ler ritz 4ahn $ue tenho a$ui nas mãos7

 3 ?#tr%s do cérero recente) ou cérero anterior delicadamente cinzelado no &undo da a'ada craniana) (az como um dragão o cérero primitivo) ou cérero posterior7 o ^ruto no homem_) o centro dos re&le*os) a sede dos instintos e das sensaç0es oscuras7 &ome) sede) &adiga) impulso se*ual) instinto de conservação) instinto greg%rio) todos os instintos engloados na $uali&icação de ^maus_) como a vaidade) a inve(a) a avareza) a coiça) a crueldade) a astúcia@" ! mais adiante7 ?.odos n's somos es$uiz'ides; todos 3 idealistas e materialistas 3 somos o mesmo ser anegado e egoísta) condescendente e irredutível) dominador e sumisso) generoso e avaro) om e cruel) sincero e mentiroso 3 tudo isto) entrelaçado numa teia ine*tric%vel em $ue estamos enredados@N"

 3 !st% certo Chilon; esse é o retrato do homem 6 luz da ci/ncia moderna7 um es$uiz'ide) e por isso e*clama >oethe7 ?#hT Ioram duas almas) no meu peitoT@

! prosseguiu) Chilon) com a leitura de ritz 4ahn7

 3 ?O cérero recente é a sede da alma" .ens tanto mais alma $uanto mais cérero recente 3 não se re&erindo ^mais_ no $ue diz respeito ao peso; muito mais importante é) como num tapete) a &inura do tecido) o desenho) o número e a capacidade de realizar) a rami&icação e o entrelaçamento das células pelas &iras de ligação@NU" ! a$ui mais adiante est% $ue o homem é 3 ?uma criatura em $ue o cérero recente)

 pensante) ^moral_ timra em arreatar o poder ao cérero primitivo) a&eito a operar com instintos 3 um ser em $ue vivem conse$8entemente dois seres7 o animal e o super9animal; $ue se empenha em se liertar da animalidade e) em virtude desses dois céreros no seu crnio e da rivalidade entre amos) é um ser contradit'rio) ^es$uiz'ide_) a primeira criatura em vias de se desanimalizar" Os primatas não são animais)  por$ue aspiram a vencer em si a animalidade" <inguém pode considerar9se como &azendo parte da$uilo

de $ue $uer liertar9se@NW"

 3 !st% em 3 Chilon) e*clamou o mestre" 3 #tentos agora) $ue vou apro&undar mais o assunto7 nesse cérero recente est% a sede da consci/ncia) no passo $ue) no antigo) est% a da inconsci/ncia ou suconsci/ncia" # &é é o ato de o consciente aceitar uma idéia independente de e*ame algum) s' por causa da autoridade de $uem transmite a idéia; a sugestão é a aceitação da idéia pelo suconsciente) igualmente) por causa do princípio da autoridade" # sugestão é sensiilidade) en$uanto $ue a simples &é  pode não ser" >rande parte dos nossos conhecimentos ?cientí&icos@ são de &é) visto como os não pudemos comprovar pessoalmente) e os aceitamos s' por$ue são autorizados pelos s%ios de renome indiscutível" :orém) esta &é não é paro*ística) uma vez $ue essas noç0es não a&etam a suconsci/ncia"

NP +r" Osmard #" aria) Hipnose Iédica)  NN Iedeiros e #lur$uer$ue) Hipnotismo) PP N ritz 4ahn) O Livro da <atureza) 22) WSW 9 WS NU ritz 4ahn) O Livro da <atureza) 22) WUQ NW ritz 4ahn) O Livro da <atureza) 22) WUY

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! pegando o mestre um livro para t/9lo 6 mão) continuou7

 3 -' a &é consciente não permite o sono hipn'tico e) conse$8entemente) a cura) por$ue) con$uanto o paciente creia no hipnotizador) na sua pessoa) não cr/ ao $ue ele diz" = o mesmo caso anotado por ieira de crer em "risto e crer a "risto#$" # sensiilidade sozinha) por ser (%) por si) &é

suconsciente) permite o sono e a cura) pois o paciente não s' cr/ no hipnotizador) senão $ue o cr/ a ele) cr/ 6 sua palavra""" e dorme""" e sara" em um hipnotizador &amoso a Cananéia) e antes dele vem a &ama) $ue esta o precede) para $ue vindo ele) este(a a propaganda &eita" Compro um ingresso) vou ao teatro) e o ve(o operar &azendo dormir uma dúzia de moços no palco" Logo) creio nele" Ias o homem me diz $ue minhas mãos cruzadas sore minha caeça vão prender9se) de modo $ue as não posso soltar; (% duvido) (% não creio) (% minhas mãos não se prendem" Creio nele) mas não creio ao $ue me diz) como os cristãos todos) no dizer de ieira) $ue são ?cat'licos do Credo) e hereges dos Iandamentos@NZ" Crer em Cristo diz

respeito ao o(eto da minha crença) sendo coisa a$ui da minha razão; crer a Cristo toca de perto 6 minha vida) aos meus atos $ue precisariam ser re&ormados) e por isso resistem" 5ue creia em Cristo minha consci/ncia) pouco importa; mas crer a Cristo meu suconsciente) de modo a $ue ele dei*e de ser avaro) egoísta) orgulhoso) cruel) e outras coisas mais) isso é o $ue não pode ser" # razão concorda em crer) mas a sem9razão do suconsciente nega9se; e como é este) e não a$uela) o $ue governa a vida) não nos modi&icamos) com o $ue vem a ser $ue não cremos a Cristo" .al é com o hipnotizador7 crer nele é &%cil; mas cr/9lo a ele) crer ao $ue ele manda) signi&ica entregar o comando de mim em suas mãos) para $ue ele me governe) e com isto o suconsciente pode não concordar"

! conclui o pensador) ap's meditar um pouco7

 3 O pr'prio -atan%s) diz .iago) cr/ em +eus e estremece E.iago ) NSF" !) pois) se a tal ponto cr/) como não se emendaK como não se regeneraK como não se muda de dragão em an(o de luzK = por$ue seu suconsciente cr/ na vit'ria do mal e não na do em" Contudo sua razão sae e*istir +eus com todas as conse$8encias $ue decorrem desta premissa; logo cr/) o diao em +eus com fé esclarecida% com  fé consciente% com  fé raciocinada% con$uanto não o creia a ele) com  fé cega% com fé irracional% com  fé subconsciente  $ue é a única $ue se traduz em oras na vida" ivemos a$uilo em $ue o nosso suconsciente cr/" ! como a  fé cega% com ser suconsciente) se resolve em oras) e a &é consciente) não)  por isso a &é esclarecida é morta) razão por $ue não vai além de intermin%veis disputas medievais" Os crentes em Cristo) por este motivo vivem multiplicando seitas) mas não mudam de vida) por$ue sua &é)  para ser esclarecida) precisa ocupar9se de continuadas disputas totalmente estéreis" Cr/em em Cristo os

crentes esclarecidos) do mesmo modo como cr/ em +eus o demo astuto; mas não cr/ a Cristo o crente de razão) como não cr/ a +eus o coisa9ruim) por$ue nem um nem outro) se disp0e a mudar de conduta) nem trocar de vida" +iscutir com a razão as coisas da &é) é &azer servir9se a &é da razão; aceitar de &é as coisas da ci/ncia) é permitir servir9se a ci/ncia da &é" -irva a razão 6 ci/ncia) e não 6 &é) e sirva9se a &é da sem9 razão suconsciente) $ue servir a sem9razão 6 ci/ncia) e a razão 6 &é) é estar o carro adiante e os ois atr%s"

 3 !sta &oi a causa 3 prossegue o dialeta 3 por $ue eu de&ini a sugestão como  fé paroxísmica! com isto $uis dizer $ue se a aceitação da idéia) sem e*ame algum) &oi &eita s' pelo consciente) temos o $ue se chama convicção ou &é consciente; se a aceitação da idéia deu9se tamém em relação ao suconsciente) temos a sugestão $ue é a  fé exaltada% emocional% ext&tica% ou se(a)  paroxismo da fé. !sta é a &é no seu estado de per&eição) isto é) no seu mais alto grau" 5uando um paciente declara ter &é no seu hipnotizador) e contudo não dorme) sua &é é apenas consciente" = como a tal de ?&é raciocinada@ de $ue &alam os espíritas; é convicção sem provas) porém $ue não domina o suconsciente" .odavia) $uando a idéia atravessa a zona do consciente e se planta na suconsci/ncia) temos o $ue chamo  fé paroxística% exaltada% ext&tica ou sugesto. # &é per&eita) pois) é a  fé cega% ou se(a) a$uela $ue permite 6 idéia instalar9se na susonsci/ncia sem a &iscalização e inter&er/ncia racional"

N ieira) -erm0es) U) NYN 9 !d" das #méricas NZ ieira) -erm0es) U) NS 9 !d" das #méricas

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 3 Cristo &oi) um dia 3 comenta o &il'so&o 3 chamado a curar um menino doente; e perguntando ao pai do en&ermo se tinha &é) respondeu este7 3 !u creio) -enhor) mas a(uda a minha incredulidade EIarc S) WF" 5uer dizer7 creio conscientemente) e de olhos aertos) mas temo não acreditar suconscientemente tamém) e de olhos &echados) $ue este é o modo per&eito de crer; e s' $uem cr/ assim) pode ser curado)  por$ue a idéia &oi aceita pelo suconsciente $ue é o $ue manda no organismo" 'é esclarecida ou  fé

racional é da$uele $ue aceita a idéia sem provas) mas se disp0e a discuti9la" 'é cega% fé irracional ou fé subconsciente é a $ue não pode discutir a$uilo em $ue cr/) por$ue a suconsci/ncia não raciocina) nem discorre; para ela tudo h% de resumir9se no sim ou não asolutos) perempt'rios) a*iom%ticos) sem  premissas nem conse$8/ncias" Contudo esta fé cega é a per&eita) por$ue pura) e não a outra $ue se in$uina

de racionalidade" 5uem &or capaz de crer por esse modo cego é suscetível) sugestion%vel) e) em dormindo)  pode ser curado das neuroses"

 3 Os poderes do suconsciente são muito amplos) prosseguiu o s%io" !*ecuta ele tudo o $ue &az o consciente e mais ainda) pois ele é o $ue comanda todo o &uncionamento orgnico" <enhuma célula e*iste por mais recXndita $ue se(a) $ue possa escapar 6 sua (urisdição" !le tudo registra) nada es$uece) e em $ual$uer tempo pode relatar o $ue se acha em seus ar$uivos" #lém disto o suconsciente possui  percepç0es e*tra9sensoriais) donde vem $ue seus recursos não se limitam aos poucos sentidos e*teriores"

.odavia) a intelig/ncia suconsciente não é discursiva) como a razão; na$uela as coisas se apresentam como vis0es intuitivas) com &orça de sim ou não perempt'rios) dogm%ticos" O consciente e o suconsciente normalmente traalham sincronizados) mas cada um conserva sua natureza) e mantém seu método especí&ico de conhecer" O consciente é analista) discursivo) raciocinador e soretudo crítico" J% o suconsciente é sintético) simolista) intuitivo) artista" <o primeiro predomina o raciocínio e o  pensamento e*ato) &rio) ine*or%vel) no passo $ue) no segundo) impera a sensiilidade) o sentimento) a emoção) a imaginação) a sim'lica) a imagética" O consciente é um &il'so&o) e o suconsciente) um artista" :or isto os artistas) em regra) são suscetíveis 6 hipnose) e os &il'so&os) não" # mem'ria) assim como a associação de imagens) é do domínio da suconsci/ncia) en$uanto $ue o mecanismo l'gico dialético pertence ao consciente" Como a mem'ria é repartição do suconsciente) aí se guardam os conhecimentos $ue a&loram na consci/ncia) $uando solicitados" # consci/ncia tem por sede o cérero recente) como (% o vimos) e este cérero &oi pro(etado e criado pela vida) para suordinar o antigo) sede da suconsci/ncia" = por causa da e*ist/ncia destes dois céreros dentro do crnio) $ue h% dois modos di&erentes de crer7 h% o crer consciente) $ue é a aceitação provis'ria duma idéia) aseada na autoridade) e  por isso) pendente de comprovação; esta a fé esclarecida! e h% o crer suconsciente $ue é a aceitação

asoluta duma idéia como verdade indiscutível" <ormalmente) a idéia do consciente s' se passa para o suconsciente) depois da destilação racional como verdade pura" Ias o suscetível cr/ suconscientemente no seu sugestionador) aceitando9o como se &ora um or%culo da verdade (% pura e destilada; é por isso $ue o crendeiro vive tudo o $ue diz o hipnotizador) como se suas palavras &ossem idéias (% destiladas) puras)  prontas para serem incorporadas 6 vida e trans&ormadas em aç0es"

 3 +e maneira) meus caros 3 concluiu o dialeta 3 $ue h% crer e crer; crer de razão e crer de &é; crer no hipnotizador e em Cristo) e crer ao hipnotizador e a Cristo" Crer de razão é crença como a dos espíritas""" esclarecidos $ue se disp0em a discutir seus postulados) mesmo os asilares; crer de &é é crença como a dos cat'licos romanos cu(os dogmas não admitem discussão" Crer no hipnotizador ou em Cristo é crer neles; crer ao hipnotizador ou a Cristo é cr/9los a eles) é viver o $ue eles dizem" :or isso a verdadeira &é é a convicção $ue se tornou viv/ncia) en$uanto $ue a semi9&é é o saer pendente de comprovação" inalmente) a verdadeira &é tem olhos &echados e ouvidos aertos) no passo $ue a meia &é E?cristãos de meias@ diz ieiraF tem os ouvidos aertos e os olhos""" tamém"

 3 # &'rmula) portanto) continua o mestre) tem de ser7 prestígio ` sensiilidade  hipnose" ! a  palavra sensibilidade%   na e$uação) pode ser sustituída por  fé cega% fé paroxísmica% suscetibilidade%

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credulidade% sugesto. +e igual modo) prestígio% é o mesmo $ue autoridade. !st% em claro isto agora) ChilonK

 3 -im) est%""" con$uanto eu) a$ui) e'cio) cuidasse $ue o senhor nada mais tinha a acrescentar ao $ue &oi dito antes" 5uando pensaria eu $ue e*istem duas &és) sendo uma esclarecida e outra cegaK a esclarecida correspondendo ao cérero recente e 6 consci/ncia) e a cega) ao cérero antigo e 6 suconsci/nciaK 5uando havia de pensar $ue a  fé cega é per&eita) não s' por$ue inteira e pura) como ainda por$ue) por meio dela) nos curamos""" ou adoecemos dos males neur'ticosK 5uando) pensar $ue a fé consciente é s' meia &é) visto $ue tem os olhos aertos) e por isso con&ia descon&iandoK

 3 .enham presente) todos então 3 advertiu o s%io 3 $ue todas as vezes em $ue &alei ou hei de &alar em &é) estive e estarei a re&erir9me 6  fé cega% $ue considero per&eita) não s' por$ue) como (% vimos)  por esta) a idéia é aceita sem discussão) como ainda) por$ue a parte do nosso ego $ue lhe diz respeito) por sua pr'pria estrutura e natureza não sae e não pode raciocinar e discutir" 5ue a razão aceite sem discutir) s' por causa do princípio da autoridade) isso não é pr'prio da razão e sim da in&ra9razão ou suconsci/ncia" 2sto posto) simpli&ico a &'rmula7 autoridade ` &é  hipnotismo"

3 Contudo 3 torna o s%io 3 $uerendo torcer estas evid/ncias em proveito e*clusivo da sua classe) rada o +r" Osmard #ndrade aria7 ?<ada se presta tanto 6 e*ploração $ue a$uilo $ue o&erece chance para uma dupla interpretação) uma concreta e material 3 aceita somente por uma reduzida minoria 3 outra traduzível em termos &luídicos e meta&ísicos) tão do gosto dos pro&etas e &azedores de lendas@NQ" Considerando este médico) como &ez Lumaio) cegos e estúpidos a $uantos se dei*ar

sugestionar) a $uantos cr/em) a $uantos con&iam) a $uantos se dei*am guiar como ovelhas em reanho) acrescenta7 ?Houve) porém) os $ue) no meio de tantos cegos) conseguiram salvar um olhoT ! perceendo $ue nada melhor e*iste para conduzir manadas $ue a(ustar9lhes antolhos) &izeram9se ministros e  pastores@NY" Ias este pensamento nem tem a gl'ria de ser original) pois antes do médico dissera oltaire

$ue ?o primeiro padre surgiu $uando o primeiro velhaco encontrou o primeiro tolo@" ! +iderot acrescenta7 ?os homens nunca serão livres en$uanto o último rei não &or en&orcado nas tripas do último  padre@" !is) meus amigos) na opinião do médico) e nas da$ueles &il'so&os) como surgiram os ministros  protestantes e padres cat'licos) para conduzir os parvos crendeir0es com engodos e sugest0es) e*atamente como pretendem eles) os médicos) &azer""" $uerem estes o monop'lio e*clusivo da e*tração da preciosa lã""" !ntenderamK

.odos os presentes riram) satis&eitos) concordando com o mestre) por meio de acenos de caeças) depois do $ue ele continuou7

 3 -' $ue oltaire) ao contr%rio de +iderot e do +r" #ndrade) teve a intelig/ncia e penetração su&icientes para compreender $ue ?a crença em +eus era de pouco valor moral a não ser $uando acompanhada pela crença em uma imortalidade com punição ou recompensa" .alvez se(a necess%rio) ^para o povoléu Ela canailleF a crença em um +eus $ue premeia ou castiga_" aMle perguntou7 ^,ma sociedade de ateus pode perdurarK_ e oltaire respondeu7 ^-im) se tamém &orem &il'so&os_" Ias raramente os homens são &il'so&os" ^-e &orem camponeses precisam ter uma religião_ E"""F ^-e +eus não e*istisse) seria necess%rio invent%9lo_NS" 2sto posto) pergunto7 o +r" Osmard &az em ou &az mal em atentar

contra todas as &és com seus arrasamentosK #$uela eu&oria $ue o eato cat'lico sente ao tomar a h'stia consagrada) acaso não é pura sugestãoK ! a gostosa sensação de &rescor) leveza e em estar $ue os espíritas sentem ao receer os e&lúvios salutares dos guias) acaso não é pura sugestão tamém) no dizer do médicoK não pode ele produzi9la pela hipnoseK <ão seria espantoso) então) $ue esse imenso reanho do Vmééé"""V se conduzisse aos consult'rios médicos) ao invés de 6s igre(as e centros espíritasK 5ue mina ine*aurível não seria condicionar a esses carneiros a virem trazer sua lã) de tempos a tempos) $uando ela

NQ +r" Osmard #ndrade aria) Hipnose e Letargia) :r'logo NY +r" Osmard #ndrade aria) Hipnose e Letargia)  e U NS Bill +urant) Hist'ria da iloso&ia) WW

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estivesse mais ou menos crescidaKT 5uantos médicos ho(e não alimentam doenças) com sugest0es dadas dis&arçadamente ao invés de erradic%9las de vezK

! prosseguiu o mestre) ap's um descanso numa pausa7

 3 # verdade) meus amigos é $ue a riga do +r" #ndrade contra os diretores religiosos) não tem &inalidade cientí&ica) nem de amor 6 humanidade; o o(etivo é dese(o de poder) e por isso usca o  prestígio e a ri$ueza para sua classe"

?Reinar é o alvo da amição mais nore) 2nda $ue se(a no pro&undo 2n&erno7 Reinar no 2n&erno pre&erir nos cumpre A vileza de ser no Céu escravos@

EIilton) :araíso :erdido) canto 2F

 3 :or isso 3 prossegue o pensador 9 a prete*to de esclarecer) con&unde) por$ue) suposto $ue ele sae $ue sugestão são reflexos condicionandos% com ase no princípio da autoridade) pre&eriu descrev/9la como reflexos condicionados%  independente do operador) presa) como raid o $ueria) a puros estímulos arti&iciais" ! saendo $ue a coisa é dum (eito) e descrevendo9a de outro) dei*a de ser cientista e &il'so&o  par a ser comerciante) como muita gente o é) por aí""") com diploma de médico" -eu zelo em comater a

velhacaria dos che&es religiosos) tem por motivo o não admitir concorrentes"""

azendo o dialeta uma pausa prolongada) para tomar um &Xlego) aproveitou Chilon o ense(o para  perguntar7

 3 :oder9nos9ia o mestre agora mostrar a relação e*istente entre hipnotismo e espiritismoK Grago) meio surpreso) deu uma palmada na co*a) respondendo7

 3 :alavra $ue pensei $ue voc/ ia me pedir para continuar neste assunto) pois) como viram) o +r" Osmard #ndrade de&ine a sugestão como sendo reflexos condicionados. ! é a*iom%tico $ue não pode haver passado $ue antes não tivesse sido presente) nem particípio passado sem particípio presente" <o  passado a coisa est% &eita) ao passo $ue) no presente) ela est% a &azer9se" Ora) para $ue ha(a reflexos

condicionados% preciso é ter havido uma &ase em $ue eles eram reflexos condicionandos. Ias visto ter voc/ $uerido outra coisa) dei*o este assunto para mais tarde" 5uanto 6 sua pergunta) prezado Chilon) respondo9lhe $ue hipnotismo e espiritismo são lascas do mesmo pau; são &enXmenos $ue possuem um &undamento comum) e $ue s' se diversi&icam por causa da &inalidade das tare&as" ! por$ue nascem de um mesmo tronco) por isso) e tamém para discutir) declaro $ue o estado hipn'tico e o transe mediúnico são um e o mesmo"

 3 5ueK acaso o mestre est% $uerendo levar uns""" coices de itélio ierãoK !iaT Retire (% essa a&irmação) $ue do contr%rio itélio o descompor% com uma saraivada de sarcasmos e *ingosT !ste grande mestre espírita (% lavrou) a este respeito) a sua sentença indiscutível7 o espiritismo nada tem de comum com hipnotismo) visto $ue este se aseia na sugestão) ao passo $ue no espiritismo nenhuma sugestão e*isteT"""

 3 :ode ser $ue) como voc/ me adverte) o ierão me escoicinhe" Ias isso não me impedir% de dizer aertamente o $ue penso" ! se eu estiver errado em meus (uízos) o $ue pode suceder) preciso ser esclarecido com argumentos) e não) com patadas" J% me aconteceu ser descomposto e *ingado até de sala&r%rio) e isto) pela imprensa; peguei logo dum l%pis vermelho &ui riscando as e*press0es desa&oradas a &im de ver se soraria alguma sustncia; e sucedeu9me) neste caso) $ue todo o artigo &icou cancelado) não restando nada" 5ue pensam) então) $ue &izK #marrotei o (ornal e o (oguei &ora) ao tempo em $ue monologava7 vai9te) para o li*o) lénio .rivelinoT""" -aiam todos $ue é assim eu procedo com os $ue me en&rentam com os pés) ao invés de com a caeça) trans&ormando uma discussão útil numa riga desprezível" !u usco a saedoria) e &olgo de saer da e*ist/ncia de alguém $ue me supera nisto) pois

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assim o tomo a esse por meu mestre" Ias) a essa récua de *ingadores $ue argumentam em ase de zomaria) não darei a honra nem de lhes citar os nomes" 2sto $ue disse) &ica dito por$ue ?a$uila non capti muscas@" #o assunto) agora7

 3 O espiritismo) dizem) meus caros) possui tr/s aspectos7 pode ele ser encarado como ci/ncia) como &iloso&ia e como religião" Como ci/ncia o espiritismo teria de pautar9se) como as demais ci/ncias)  pelo método de oservação e e*perimentação" O o(eto desta ci/ncia espírita seria a interação dos dois mundos7 o dos encarnados e o dos desencarnados" er como se dão estas interatuaç0es seria o o(eto do espiritismo como ci/ncia" O ?Livro dos Iédiuns@) seria) neste caso) o único livro deveras cientí&ico" Ias não é" +evia ser o &ruto de oservação e e*perimentação; contudo é pura revelação) por$ue 4ardec &oi pedir aos espíritos lhe dissessem como) por$ue e $uais as condiç0es em $ue se dão os &enXmenos" #llan 4ardec oservou o &enXmeno das mesas girantes) e $uis saer o $ue as &azia girar) ater e dar respostas inteligentes" ! &icou saendo) como é certo) $ue as pessoas &alecidas continuam vivas noutros  planos e vida) e podem vir mani&estar9se aos $ue ainda &icaram na carne" !ntrando em contato com essas intelig/ncias e*tra9corp'reas) &icou saendo como são) como vivem) como se sentem) como agem) como se organizam em sociedade e se regem) politicamente) em estado" # revelação destas coisas constitui não s' a ossatura como ainda o corpo de todas as oras de 4ardec; tudo) pois destes livros é pura revelação" ! se é revelação não é ci/ncia) por$ue o método da ci/ncia é oposto ao da revelação; nesta tudo são a&irmaç0es sem provas nenhumas" J% a ci/ncia prova e procura demonstrar tudo) sem a&irmar nada) sem tirar conclus0es) visto ser isto tare&a da &iloso&ia" ! se tudo o $ue $uis saer 4ardec) &oi perguntar aos espíritos) e eles lhes revelaram) como $uerem) agora) alguns) $ue este corpo de revelaç0es se(a pura ci/nciaK Onde é $ue est% a e*perimental coleta de &atos para a indução da lei geral $ue os rege) nesta ci/ncia de 4ardecK onde) a hip'tese) a dedução e a e*empli&icação na &iloso&ia espíritaK #caso não é este o método das &iloso&ias) e a$uele) o das ci/nciasK :or ventura estas revelaç0es em $ue se tem de crer de &é) e $ue aparecem como verdades assentadas) indiscutíveis) podem ser rotuladas de ci/ncia e &iloso&iaK 5ual de voc/s me poder% demonstrar $ue o método da revelação) pr'prio dos pro&etas e dos místicos é cientí&icoK !ntão é ci/ncia saer por ouvir dizerK o saer revelado pelos espíritos) e aceito com um amémK

! depois de respirar numa pausa) continuou7

 3 -e até mesmo a parte propriamente cientí&ica do espiritismo &oi aordada e elaorada pela revelação) o método dos místicos) pro&etas e santos) pelo $ue se torna religião e &é) $ue dizer do aspecto &ilos'&ico e do religiosoK iloso&ia revelada é &iloso&ia) ou é religiãoK 5uer dizer $ue a ci/ncia e a &iloso&ia espíritas são revelaç0es) e por isso coisas de &é $ue se aceitam sem discutir; e destas revelaç0es e misticismos se tiram ainda conse$8/ncias religiosasT""" mas) $ue digoK""" estas conse$8/ncias não se tiram) visto $ue tamém são impostas por revelação" ! os $ue) como 4ardec) insistem e teimam com um  pensamento l'gico) silencia9os) o !spírito) com esta &rase &rancamente dogm%tica7 ?Como ousais pedir a

+eus contas de seus atosK -upondes poder penetrar9lhe os desígniosK@P" onitoT""" Ioisés dizia ter

receido suas revelaç0es de não menos $ue do pr'prio +eus; no entanto os espíritas $ue p0em dúvida sore o $ue Ioisés escreveu) $uerem se(a verdade asoluta) indiscutível) o $ue teria dito este simples  ispo de Hipona desencarnado) $ue é -anto #gostinhoK Ora) meus caros) os espíritos $ue responderam) dogmaticamente) 6s perguntas de 4ardec) apenas mani&estaram suas opini0es pessoais de homens desencarnados" !stes or%culos consultados por 4ardec) não são mais s%ios $ue a$ueles outros) do  passado) $ue orientaram Ioisés e -'crates) padecendo) todos) da mesma relatividade" :or isso o ?Livro dos !spíritos@ não é ora intoc%vel) como muitos o sup0em) ao lhe cantarem loas" :elo menos a parte teol'gica desta ora ter% de ser re&eita totalmente"

Referências

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