r
INTER-RELAÇÕES
ENTRE
COMUNICAÇÃO,
EDUCAÇÃO
E
INFORMAÇÃO
Resumo:
xwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
OZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
m u n d o e m q u e v i v e m o s é u m m u n-d o c o n s t r u i -d o p e l o s m e i o s d e c o m u n i c a ç ã o , q u e s e l e c i o n a m o q u e d e v e m o s c o n h e c e r ; o s t e m a s a s e r e m p a u t a d o s p a r a d i s c u s s ã o e , m a i s q u e i s t o , o p o n t o d e v i s t a a p a r t i r d o q u a l v a m o s c o m p r e -e n d -e r e s s e s t e m a s . T o r n a r a m - s e e d u c a d o r e s p r i -v i l e g i a d o s , d i v i d i n d o a s fu n ç õ e s a n t e s d e s t i n a d a s à e s c o l a . E t ê m l e v a d o v a n t a g e m . O c a m p o c o -m u n i c a ç ã o / e d u c a ç ã o , j á c o n s t i t u í d o , é u m d o s d e s a fi o s m a i o r e s d a c o n t e m p o r a n e i d a d e . N ã o s e r e d u z a fr a g m e n t o s , c o m o a e t e r n a d i s c u s s ã o s o -b r e a a d e q u a ç ã o d a u t i l i z a ç ã o d e t e c n o l o g i a s n o â m b i t o e s c o l a r : S u a c o m p l e x i d a d e o b r i g a a i n c l u -s ã o d e t e m a -s c o m o m e d i a ç õ e s , c r i t i c a c i d a d e e c o -n h e c i m e -n t o , v e i c u l a ç ã o d e b e n s s i m b ó l i c o s , p a p e l d a s t e c n o l o g i a s , r e s s i g n i fi c a ç ã o d a e s c o l a / p r o -fe s s o r , e n t r e m u i t o s o u t r o s .
Palavras-Chave: C o m u n i c a ç ã o . E d u c a ç ã o . I n -fo r m a ç ã o . I n t e r - r e l a ç õ e s . T e c n o l o g i a s e m e r g e n t e s . M í d i a s .
INTRODUÇÃO
o
m undo em que vivem os é um m undoconstruido pelos m eios de com unicação, que
selecionam o que devem os conhecer, os
te-m as a serete-m pautados para discussão e, te-m ais
*Professora A ssociada da ECA -U SP. D iretora de C o m u n i c a ç ã o &E d u c a ç ã o , CCA -ECA -U SP/. Coordenadora do Curso de Pós-graduação l a t o s e n s u G estão de Processos Com unicacionais. m abga@ usp.br
M aria A parecida
Baccega
*que isso, o ponto de vista a partir do qual
va-m os cova-m preender esses tem as. Eles se
cons-tituem em educadores privilegiados,
dividin-do as funções antes destinadas à escola. E têm levado vantagem .
o
cam po da com unicação/educação é um dosdesafios m aiores da contem poraneidade. N ão
se reduz a fragm entos, com o a eterna
discus-são sobre a adequação da utilização das
tecnologias no âm bito escolar, quer em
esco-las com aparato tecnológico de prim eira
li-nha quer nas escolas de "pés no chão", tendo
em vista que a edição do m undo realizada
pelos m eios está presente em alunos,
profes-sores, cidadãos. Sua com plexidade obriga a
inclusão de tem as com o inform ação e
conhe-cim ento, m ediações, recepção, criticidade,
veiculação de bens sim bólicos, papel das
tecnologias, ressignificação do papel da
es-cola e do professor, entre m uitos outros.
E por que podem os afirm ar que Com
unica-ção/Educação é um espaço em operação?
Com o diz Paulo Freire, nós vivem os no m
un-do e com o m unun-do. E que m unun-do é esse? É
aquele que é trazido até o horizonte de nossa
percepção, até o universo de nosso
conheci-m ento. A final, não podeconheci-m os estar "vendo"
todos os acontecim entos, em todos os
luga-res. É preciso que "alguém " os relate para nós. O m undo que nos é trazido, que conhecem os e a partir do qual refletim os é um m undo que nos chega editado, ou seja, ele é redesenhado num trajeto que passa por centenas, às vezes
m ilhares de filtros, até que "apareça" no
rá-dio, na televisão, no jornal. O u na fala do
vi-zinho e nas conversas dos alunos.
São esses filtros - instituições,
organiza-ções e pessoas - que selecionam o que
va-m os ouvir, ver ou ler; que fazeva-m a m
onta-gem do m undo que conhecem os.
A qui está um dos pontos básicos da reflexão
sobre o espaço onde se encontram Com
uni-cação e Eduuni-cação: que o m undo é editado e
assim ele chega a todos nós; que sua edição
obedece a interesses de diferentes tipos,
so-bretudo econôm icos, e que, desse m odo,
aca-bam os por "ver" até a nossa própria realida-de do jeito que ela foi editada.
Editar é, portanto, construir um a realidade
outra, a partir de supressões ou acréscim os
em um acontecim ento. O u, m uitas vezes,
apenas pelo destaque de um a parte do fato
em detrim ento de outra.
Editar é reconfigurar algum a coisa,
dan-do-lhe novo significado, atendendo a
de-term inado interesse, buscando um determ
i-nado objetivo, fazendo valer um determ
i-nado ponto de vista.
Este é o lado da produção dos program as (de rádio ou televisão ),jom ais, revistas, etc., o lado que edita o m undo para nós. M as há o outro lado: o dos que "recebem " esses program as, os que lêem esses jornais e revistas. Esse outro lado som os nós, os alvos de toda essa produ-ção. Som os um lado tam bém m uito im
portan-te, porque não som os passivos, não som os
m eros recipientes onde os produtos da cham a-da indústria cultural são despejados e inteira-m ente absorvidos. E, ainda beinteira-m , a cointeira-m unica-ção só acontece no encontro desses dois lados:
"em issor"! e "receptor'". O s program as só
acontecem quando nós os vem os e ouvim os;
os jornais e revistas, quando os lem os.
Por isso, é necessária a form ação de
recepto-res críticos, base indispensável da
constitui-ção do cidadão capaz de escolhas e de sensi-bilidade para o coletivo.
Se é certo que a com unicação só se efetiva
quando a "m ensagem ", aquilo que é dito, foi
apropriado e, algum as vezes, incorporado' por
quem recebe, por nós, então tom a-se
funda-m ental conhecer cofunda-m o funcionafunda-m os m eios,
para que tenham os condições de conhecer m e-lhor o m undo, buscando desvendar os m eca-nism os usados na sua edição. Só desse m odo
poderem os trabalhar adequadam ente esses
m eios em nossas atividades educacionais.
Essa realidade outra que a edição constrói,
reconfigura-se no receptor, com universo
cul-tural e dinâm ica próprios. Esse é o percurso da com unicação, desde a m ais dem ocrática, a que
usa apenas o suporte do aparelho fonador, até
LKJIHGFEDCBA
I O "em issor" éo enunciador do produto cultural, o qual ele elabora a partir de sua condição de enunciatário dos discursos sociais nos quais está im erso. Logo, será sem pre enunciador/enunciatário.
2 O "receptor" éo enunciatário do discurso do produto cultural, o qual ele "lê" a partir de sua condição de enunciatário dos dem ais discursos sociais. Essa condição, porém , só se efetiva quando ele se torna enunciador de um discurso próprio, reelaborado a partir do que viu, ouviu ou leu. Logo, será sem pre enunciatário/enunciador,
3 A apropriação supõe influência transitória sobre as atitudes e os com portam entos. Em geral, essa influência cessa
quando o produto cultural deixa de ser veiculado. Já a incorporação im plica m udança efetiva de atitudes e com portam entos, o queém uito raro e depende, sobretudo, da repercussão na sociedade.
12
R. bras. Biblioteeon. D oe., São Paulo, N ova Série, v.1, n. 1, p.11-22, 1999---aquela que a tecnologia possibilita: o relato, em tem po real, de fatos (escolhidos entre m uitos) que acontecem em espaços distantes, na Terra
OU até em outro planeta.
Se o m undo a que tem os acesso é este, o edita-do, é nele, com ele e para ele que se im põe construir a cidadania. O desafio, então, é com o trabalhar esse m undo editado, presente no
co-tidiano, que penetra ardilosam ente em nossas
decisões e que, pela persuasão que o caracteri-za, assum e o lugar de "verdade" única.
A qui está um dos pontos básicos da reflexão
sobre o cam po Com unicação/ Educação: já
não se trata m ais de discutir se devem os ou
não usar os m eios no processo educacional
ou de procurar estratégias de educação para
os m eios; trata-se de constatar que eles são
os educadores prim eiros, pelos quais passa a
construção da cidadania. É desse lugar que
devem os nos relacionar com eles. E é esse o
lugar onde tem os que esclarecer qual
cidada-nia nos interessa.
1
A
CONSTRUÇÃO DO CAMPOCOMUNICAÇÃo/EDUCAÇÃO
A construção do cam po com unicação/educa-ção com o novo espaço teórico capaz de
fun-dam entar práticas de form ação de sujeitos
conscientes é tarefa com plexa, que exige o
reconhecim ento dos m eios de com unicação
com o um outro lugar do saber, atuando
jun-tam ente com a escola.
Para avançar nessa elaboração, é preciso bus-car conhecer o lugar onde os sentidos se for-m afor-m e se desviafor-m , efor-m ergefor-m e subfor-m ergefor-m : a
sociedade, com seus com portam entos
cultu-rais, levando-se em conta, principalm ente, a
pluralidade de sujeitos que habita cada um
de nós.
N a com plexidade desse encontro - com
uni-cação/educação - os sentidos se ressignificam
e a capacidade de pensar criticam ente a
reali-dade, de conseguir selecionar inform ação
(disponível em m aior núm ero cada vez m
ai-or graças à tecnologia, Internet, por
exern-plo) e de inter-relacionar conhecim entos,
tor-na-se indispensável.
A final, com o viver num a sociedade onde a
circulação de bens sim bólicos está im bricada
na sua própria porosidade, parecendo levar à
perda da vitalidade? Q ual o cam po cultural
no qual circulam os e no qual form am os nossa
identidade? Conhecer seus m ecanism os é um
dos cam inhos para que o jogo sujeito/objeto
(este, constituído pelos bens sim bólicos, que
são as form as sim bólicas m ercantilizadas)
seja operado num processo de interação
efetiva e não de m era subordinação.
ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
1 . 1 D a s F o r m a s S i m b ó l i c a s a o s B e n s
S i m b ó l i c o s
Em nossa sociedade, m esm o o consum o de
bens m ateriais vem cercado de significados
sim bólicos (passear num U no M ille é bem
diferente de passear num M area, em bora
am bos sejam carros da m esm a em presa e se
destinem às m esm as finalidades). Com isso
estam os querendo ressaltar que, m esm o
quan-do a m aterialidade é um a das faces de um
bem , a outra é a sua face sim bólica, ou seja,
agregam -se ao m aterial os valores de um a
determ inada cultura. Em outras situações, o
uso e circulação de bens sim bólicos incide
predom inantem ente sobre sua face cultural,
sua face propriam ente sim bólica. É o que
ocorre com o uso de um certo tipo de cabelo (o penteado afro, por exem plo) ou de roupas (as batas, por exem plo), bens sim bólicos
uti-lizados por um grupo étnico para m arcar um a
identidade, incidindo, portanto, diretam ente
na esfera cultural, com o lem bra Solange M .
Couceiro de Lim a.
M a ria A p a re c id a B a c c e g a
xwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
Com o vem os, as form as sim bólicas passam por processos de avaliação dos quais resultam va-lorização e conflito. D esse m odo, confere-se determ inado "valor" às form as sim bólicas. Para
Thom pson (1995), podem os falar de dois
ti-pos de valores: valor propriam ente sim bólico,
"o valor que as form as sim bólicas possuem em virtude da m aneira com o elas são apreciadas
pelas pessoas que as produzem e as recebem ,
em virtude das m aneiras com o elas são apreci-adas ou denunciapreci-adas, queridas ou desprezapreci-adas por esses indivíduos" e valor econôm ico, que pode ser entendido com o "o valor que as for-m as sifor-m bólicas adquirefor-m efor-m virtude de serefor-m
trocadas no m ercado". Sujeitas à valorização
econôm ica, as form as sim bólicas tom am -se
m ercadorias, os bens sim bólicos, que circulam
no m ercado, podendo ser com prados,
vendi-dos ou trocavendi-dos.
O s m eios de com unicação são os grandes
responsáveis pela circulação das form as
sim bólicas m ercantilizadas, ou seja, pela
circulação de bens sim bólicos. Para tratarm os
da questão do consum o de bens sim bólicos,
tem os, portanto, que tratar da m ídia e nos
aproxim arm os da com plexidade que cerca a
produção e circulação do conjunto de bens
culturais que ela produz.
Logo, é necessário, tam bém , falar-se de
cultu-ra. E colocar a questão dos m eios de com uni-cação nesse cam po. O corre que, para se fazer
tal discussão, os pólos costum am se aguçar e
se arm ar: de um lado, os apocalíticos, os que condenam
ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
a p r i o r i os m eios de com unicação,considerando-os os dem ônios da contem
pora-neidade, destruidores da fam ília, da ética, dos valores hum anos, enfim ; de outro, os
integra-dos, os que se rendem , tam bém a p r i o r i ,
endeusando-os e atribuindo a eles o sagrado
papel de sustentáculos do progresso; de um
lado, os tradicionalistas, que têm um a visão
elitista de cultura; de outro, os que aceitam
in-cluir os m eios de com unicação no cam po da
14
cultura, com a ressalva, porém , de que se trata de um a dim inuição, que eles se constituem em
instrum entos de degradação da cultura.
En-quanto isso, os m eios de com unicação foram
crescendo e se articulando, garantindo um a
presença cada vez m ais relevante na sociedade
contem porânea. M esm o assim , m ais que um
objeto de estudo, os m eios têm sido vistos com o algo a ser exorcizado, a ser banido das frontei-ras dos hom ens, das fronteifrontei-ras do que se ele-geu considerar cultura.
1 . 2 C o m u n i c a ç ã o / E d u c a ç ã o :
T r a n s d i c i p l i n a r i d a d e
LKJIHGFEDCBA
É preciso enfrentar a discussão, perceber o
cam po, construí-lo com o objeto científico,
ccnhecê-Io, pois são os m eios que,
contem poraneam ente, atribuem significado à
realidade, conform ando nossas identidades.
Sua presença envolve a todos, percorrendo
todos os níveis: do internacional, ao
nacio-nal, ao local; do individual, ao particular, ao
genérico, enlaçando-os, num m ovim ento
per-m anente de ir e vir. Eles apresentaper-m
profun-das im plicações no funcionam ento da
socie-dade contem porânea, participando ativam ente
do processo educativo.
N essa condição, os m eios têm sido, há algum tem po, um dos objetos das ciências sociais: So-ciologia, A ntropologia, Psicologia, Pedagogia etc., estudados a partir do olhar de cada um a delas, nos seus cam pos respectivos. A
concep-ção de cam po da com unicaconcep-ção e,
especifica-m ente, do caespecifica-m po da coespecifica-m unicação/educação é
recente e está em fase de construção.
O cam po da com unicação/educação é m ulti
e transdisciplinar: Econom ia, Política,
Esté-tica, H istória, Linguagens, entre outros
sabe-res, o com põem . Cada um deles dialoga com
os outros, ressignificando-se, e elaborando,
desse m odo, um aparato conceitual que
colo-ca os m eios no centro das investigações e
pro-cura dar conta da com plexidade do cam po.
R . bras. B ibliotecon. D oe., São Paulo, N ova Série, v. 1, n. 1, p. 11-22, 1999
Pesquisas em todo o m undo indicam que as
pessoas ficam expostas em m édia de três a
quatro horas diárias à televisão. O utras
reve-lam que a exposição aos m eios, incluindo a
m ídia im pressa, cobre a terceira parte do tem
-po dos seres hum anos nas sociedades
indus-trializadas, perdendo apenas para "dorm ir" e
"trabalhar". A pesar disso, continua faltando
um a institucionalização adequada dos
estu-dos de m ídia, capaz de colocar-se entre o
"lei-tor" dos m eios e os produtos dos m eios, de
m aneira a se obter um a leitura m ais
científi-ca, m ais crítica e m enos senso com um . (A
leitura dos produtos veiculados pelos m eios
apenas pelo senso com um tem grande im
por-tância para a m anutenção do s t a t u q u o , um a
vez que esse tipo de leitura não necessita de
com provações e opera no sentido da
recep-ção acrítica.) Esse, um dos resultados das
lu-tas travadas entre os apocalíticos e os
inte-grados, entre os elitistas e os que consideram
pejorativam ente os m eios: sua expulsão do
âm bito da pesquisa, negando-lhes prestígio
(base para os financiam entos), dificultando e
até im possibilitando estudos e sistem atizações
que tivessem a m ídia com o objeto principal.
In te r-R e la ç õ e s e n tre C o m u n ic a ç ã o , E d u c a ç ã o eIn fo rm a ç ã o
-São as pesquisas que resultam desse diálogo
entre os saberes que nos perm item apontar
os m eios de com unicação com o os m aiores
produtor~s de s.ignificad.os com partilhados
que jam aIs se vIU na SO CIedade hum ana,
re-conhecendo-se, desse m odo, sua incidência
sobre a realidade social e cultural.
1 . 3 C o m u n i c a ç ã o / E d u c a ç ã o e C a m p o
C u l t u r a l : M e d i a ç õ e s
A realidade em que estam os im ersos, e que
contribuím os para produzir, m odificar e
re-produzir, é sem pre um a realidade
m ediatizada, que passa por vários filtros,
por vários interm ediários. Retom ando
Pau-lo Freire, diríam os que o "estar no m undo
e com o m undo" inclui, obrigatoriam ente,
hoje, no conceito de m undo a m ediação, a
l e i t u r a do m undo que nos é oferecida
pe-los m eios de com unicação. Trata-se, enfim ,
de saber ler e interpretar o m undo que,
m etonim icam ente, eles nos passam com o
sendo a totalidade e saber reconfigurar essa
totalidade.
A o tratar do papel da m ídia na atualidade, José A rbex diz o seguinte: "A m ídia, em particu-lar a televisão, cum pre um papel essencial na
m anutenção da ordem neoliberal. Cabe à
m ídia recriar diariam ente o m undo à sua
pró-pria im agem e sem elhança, ordenando e
con-tando a história de acordo com os seus
inte-resses. D aí a função estratégica das gràndes
redes m undiais de televisão e das agências
internacionais de notícia. Elasp a u t a m o m
un-do, determ inam o que pode e o que deve ser
visto, uniform izam a inform ação que será
dis-tribuída. A o noticiar a crise financeira, por
exem plo, adotam o discurso fabricado pelas
m atrizes do capitalism o (Fundo M onetário
In-ternacional, Banco M undial etc.). Esse
dis-curso, por sua vez, será reproduzido pelos
jornais e televisões nacionais. Cria-se, assim ,
U m certo consenso internacional sobre as
cau-sas e os rem édios da crise". (A rbex, 1998).
Enquanto isso, os m eios de com unicação, e
em particular o rádio e a televisão, foram se
desenvolvendo (e m uito se deve ao avanço
da tecnologia), enraizaram -se e já se tom aram
centrais na prática cultural, sendo utilizados
com o o recurso m ais im portante em term os
de consum o cultural.
Para dar conta dessa nova realidade, é
preci-so am pliar o conceito de cultura. Bechelloni
(1995) considera que o conceito de c a m p o
c u l t u r a lpoderá ajudar. Para ele, "o cam po
cul-tural é constituído de um conjunto de
rela-ções sociais ativadas pelos atores, instituirela-ções
e em presas especializadas na produção e
cir-culação de bens culturais e sim bólicos; o m e r
-c a d o d o s b e n s s i m b ó l i -c o s é o l u g a r d e r e c o
-n h e c i m e -n t o d o c a m p o c u l t u r a l " .
o
cam po cultural, assim conceituado, com-porta tanto aqueles que produzem nos lim
i-tes das ari-tes tradicionais (sentido restrito)
quanto, em sentido am pliado, "os sujeitos que
contribuem para a produção, distribuição e
circulação de bens sim bólicos constituídos
pelas form as m odernas da com unicação, com
-preendendo a indústria cultural e as artes
pós-eletrônicas: da fotografia ao cinem a, do
rá-dio à televisão, do
ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
d e s i g n à m oda, doperió-dico ao livro. O s agentes do cam po cultural
am pliado produzem e consom em bens sim
-bólicos ativados pelas m ídias pré e pós
eletrônicas (tradicionais, novas, novíssim as)".
O cam po cultural no sentido am pliado tem
com o ator principal os m eios de com
unica-ção, juntam ente com a escola e outras
agên-cias de form ação. A qui se percebe o cam po
com unicação/educação.
1 . 4 I m p o r t â n c i a d o R á d i o e d a T e l e v i s ã o
Tom ando com o referentes o tem po e o
dinhei-ro, Bechelloni sustenta que podem os falar de
três tipos de m ídia: as velhas m ídias - livro, periódico, film e -, que custavam aos fruidores
tanto tem po quanto dinheiro; as novas m ídias
(o rádio e a televisão), que custam aos
fruidores apenas tem po, pois o acesso a elas
é gratuito; e as novíssim as m ídias (o
videocassete, a tv a cabo, op a y p e r v i e w , o
com putador), que trazem tam bém para o
fruidor um custo em tem po e em dinheiro.
Com o se vê, o tem po, que não é passível de
am pliação, está presente em todos os tipos.
D entro de seus lim ites reside a nossa
possi-bilidade de reorganização, de nova edição do
m undo pautado e editado pela m ídia. Por isso,
a com petência para a escolha e a condição de
inter-relação entre os fatos que só o
conheci-m ento aconheci-m plo e sólido de Linguagens, H
istó-ria, A ntropologia, Sociologia, Filosofia etc.,
num a perspectiva transdisciplinar,
possibili-16
ta tom a-se o desafio central na form ação de
cidadãos. E aqui o papel da escola e do
pro-fessor em ergem , ressignificados. Tam bém
aqui se percebe a im portância da construção
do cam po com unicação/educação.
A classificação apresentada possibilita tam
-bém que se sobrelevem o rádio e a televisão,
com destaque para a televisão, a qual, em
vir-tude da linguagem que utiliza, construída na
conjunção do verbal e do não-verbal, tom a
"real", com o se fosse com pleto, o fragm ento
editado que o telespectador vê/ouve. O acesso
gratuito a esses m eios possibilita-lhes
pene-trar em todas as classes sociais, o que os
tor-nou "o recurso m ais im portante" e fonte de
referência para o consum o cultural.
Segundo Eugênio Bucci, em 1994 o Brasil
possuía 34 m ilhões de dom icílios com
tele-visores, constituindo o sexto m aior parque de
aparelhos televisores do m undo, perdendo
apenas para Estados U nidos, Japão, Rússia,
A lem anha e China. Se tom arm os a
propor-ção núm ero de aparelhos/ habitantes, o
Bra-sil está na 56" posição, com 207 aparelhos
para cada 1.000 habitantes. Em 1982 eram
15,8 m ilhões de lares com televisão, o que
significa que em pouco m ais de 10 anos esse
núm ero dobrou. São constatações com o essas
que levam o autor a afirm ar, logo no início do Prefácio: "O espaço público no Brasil co-m eça e terco-m ina nos lico-m ites postos pela tele-visão. ( .... ) O que é invisível para as objetivas da TV não faz parte do espaço público
brasi-leiro. O que não é ilum inado pelo jorro
m ulticolorido dos m onitores ainda não foi
in-tegrado a ele"
A TV é, hoje, o m ais im portante dos m eios de com unicação pela linguagem que utiliza, pois
"convida perm anentem ente o telespectador a
identificar a 'realidade' com aquilo que ele vê,
e o telespectador se sente confortável por ter
acesso tão direto, tão im ediato ao m undo
LKJIHGFEDCBA
-'real"'.Édesse m odo que ela une o Brasil:
cons-trU indo o espaço público. E essa construção nem sem pre se dá (ou na m aior parte das vezes não se dá) a partir de critérios que levem em consideração a cidadania. N o m ais das vezes, atende a interesses forjados pelo ideário dom i-nante e divulgados em escala m undial. E assim
vão-se form ando as gerações.
1 . 5 C u l t u r a d a M í d i a
A cultura da m ídia se m anifesta em um
con-junto articulado e diversificado de produtos
(pólo do enunciador/em issor) que entram em
relação com o conjunto articulado e
diversifi-cado de vivências do enunciatário/receptor,
cujo universo de valores, posto em m ovim en-to, ativa os significados dos produtos. N a ver-dade, a cultura da m ídia não está no enunciador/
em issor, não está no enunciatário/receptor: está
no território que se cria nesse encontro,
geran-do significageran-dos particulares, que, se contêm
interseção com cada um dos pólos, não se li-m itali-m a nenhuli-m deles. Caso contrário, a li-m ídia
seria apenas "veículo" de significados e não
"construtora" de significados. Sua com
plexi-dade reside exatam ente no fato de, construin-do significaconstruin-dos no território que inclui cada um
dos pólos - enunciador/em issor - enunciatário/
receptor - ela exigir perm anentem ente a
dialética entre o 'já visto" e o "por ver", ou
seja, a "novidade" que responde pelas e
ali-m enta as ali-m udanças contínuas de identidade
v e r s u s a "estabilidade" que cada grupo social
busca em sua dinâm ica. O único lim ite é o ho-rizonte da form ação social na qual estão e que inclui tanto o já m anifesto quanto o ainda
vir-tualm ente contido com o possibilidades a
se-rem realizadas.
Por essas e incontáveis outras razões, podem os
perceber com o fundam ental a construção do
call1po com unicação/educação. Ele inclui, m as
não se resum e a, educação para os m eios,
lei-tura crítica dos m eios, uso da tecnologia em
sala de aula, form ação do professor para o trato com os m eios etc. etc. Ele se rege, sobretudo,
pela construção da cidadania, pela inserção
neste m undo editado, CO l11o qual todos
convi-vem os, no qual todos viconvi-vem os e que querem os
m odificar.
2
CONHECIMENTO, INFORMAÇÃO E TECNOLOGIACada época vivida pela hum anidade tem
ca-racterísticas próprias, que a distinguem de épo-cas anteriores, com o époépo-cas anteriores se dis-tinguiram de épocas anteriores e assim
suces-sivam ente. E, em cada um a dessas épocas,
houve, dialeticam ente, aspectos positivos e ne-gativos. A ssim acontece hoje.
A s distinções entre as épocas podem ser
m arcadas, entre outros aspectos, pela form
a-ção e expansão dos m ercados, que determ inou pólos de concentração, baseados na busca per-m anente de acuper-m ulação do capital. O távio lanni
(1995), em "A s econom ias-m undo", aponta as
diversidades e desigualdades com as quais cada
totalidade se constitui. Segundo o autor, cada época "é um todo em m ovim ento, heterogêneo,
integrado, tenso e antagônico. É sem pre
pro-blem ático, atravessado pelos m ovim entos de
integração e fragm entação. Suas partes, CO
l11-preendendo nações e nacionalidades, grupos e
classes sociais, m ovim entos sociais e partidos
políticos, conjugam -se de m odo desigual,
arti-culado e tenso, no âm bito do todo. Sim
ulta-neam ente, esse todo confere outros e novos
sig-nificados e m ovim entos às partes. A nulam -se
e m ultiplicam -se os espaços e os tem pos,já que
se trata de um a totalidade heterogênea, contra-ditória, viva, em m ovim ento."
Fredric Jam eson (1996) aponta três períodos
de expansão capitalista, caracterizados por
M a ria A p a re c id a B a c c e g a
xwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
rupturas "tecnológicas". Segundo ele,
"hou-ve três m om entos fundam entais no
capitalis-m o, cada um m arcando um a expansão
dialética com relação ao estágio anterior. O
capitalism o de m ercado, o estágio do m
ono-pólio ou do im perialism o, e o nosso,
errone-am ente cherrone-am ado de pós-industrial, m as que
poderia ser m ais bem designado com o o do
capital m ultinacional. ( ...) Esse capitalism o
tardio, ou m ultinacional, ou de consum o,
lon-ge de ser inconsistente com a grande análise
do século dezenove de M arx, constitui, ao
contrário, a m ais pura form a de capital que
jam ais existiu, um a prodigiosa expansão do
capital que atinge áreas até então fora do m
er-cado". N essa fase, segundo o autor, deve-se
ressaltar, a "ascensão das m ídias e da
indús-tria da propaganda".
N o capitalism o de m ercado, prim eiro m
o-m ento, tiveo-m os o increm ento do capital
in-dustrial, principalm ente em m ercados
na-cionais (período entre 1700 e 1850); no
segundo m om ento, o estágio do m
onopó-lio ou im perialism o, a abertura de m
erca-dos m undiais, organizados em torno de
na-ções-estado, com exploração das nações
colonizadoras sobre as colonizadas, as
quais forneciam m atérias-prim as e m ão de
obra barata; e, atualm ente, na fase
pós-industrial do capital m ultinacional- o
ter-ceiro m om ento - tem os o crescim ento de
corporações internacionais e conseqüente
superação das tradicionais fronteiras
nacio-nais. Evidentem ente, cada um a dessas
to-talidades, heterogêneas pela sua própria
na-tureza, engendrou culturas diferentes.
ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
2 . 1 I n fo r m a ç ã o e C o n h e c i m e n t o
Resultado da fase contem porânea do capital,
a cultura que vivem os hoje tem sido cham
a-da de pós-m oderna. N ela, fragm entação e
globalização se m anifestam num processo de
com plem entação que se dá no âm bito do m
er-18
cado. Com o lem bra Barbero, o global é o
es-paço novo produzido pelo m ercado e pelas
tecnologias, que dependem dele para sua per-m anente expansão.
O m undo, que sem pre esteve em perm anente
m udança, hoje tem altam ente m ultiplicada a
rapidez dessas m udanças, devido ao avanço
das tecnologias.
LKJIHGFEDCBA
É esse o cenário quepossi-bilita o fortalecim ento das corporações
inter-nacionais e conseqüente ruptura das
frontei-ras nacionais, atingindo "áreas até então fora do m ercado".
Essa realidade tem com o sustentáculo os
m eios de com unicação, m ediadores
privile-giados entre nós e o m undo, e que cum prem
o papel de "costurar" as diferentes
realida-des. São os m eios de com unicação que
di-vulgam , em escala m undial, inform ações
(fragm entadas) hoje tom adas com o
conheci-m ento, construindo, desse m odo, o m undo
que conhecem os. Trata-se, na verdade, do
processo m etoním ico - a parte escolhida para
ser divulgada, para ser conhecida, vale pelo
todo. Écom o se "o m undo todo" fosse
cons-tituído apenas por aqueles fatos/ notícias que chegam até nós.
Consideram os, porém , que inform ação não é
conhecim ento. Poderá até ser um passo im
-portante. O conhecim ento im plica crítica. Ele
se baseia na inter-relação e não na fragm
en-tação. Todos tem os observado que essa troca
do conhecim ento pela inform ação tem
resul-tado num a dim inuição da criticacidade.
O conhecim ento é um processo que prevê a
condição de reelaborar o que vem com o um
"dado", possibilitando que não sejam os m eros
reprodutores; inclui a capacidade de
elabora-ções novas, perm itindo reconhecer, trazer à
superficie o que ainda é virtual, o que, na so-ciedade, está ainda m al desenhado, com con-tornos borrados. Para tanto, o conhecim ento
-
In te r-R e la ç õ e s e n tre C o m u n ic a ç ã o , E d u c a ç ã o eIn fo rm a ç ã oprevê a construção de um a visão que totalize
OSfatos, inter-relacionando todas as esferas da
sociedade, percebendo que o que está
aconte-cendo em cada um a delas é resultado da dinâ-m ica que faz codinâ-m que todas interajadinâ-m , dentro
das possibilidades daquela form ação social,
naquele m om ento histórico; perm ite perceber, enfim , que os diversos fenôm enos da vida so-cial estabelecem suas relações tendo com o re-ferência a sociedade com o um todo. Para tan-to, podem os perceber, as inform ações - frag-m entadas - não são suficientes.
O s m eios de com unicação, sobretudo a
tele-visão, ao produzirem essas inform ações,
transfonnam em verdadeiros espetáculos os
acontecim entos selecionados para se tom
a-rem notícias. Já na década de 60, G uy D ebord
percebia "na vida contem porânea um a
'so-ciedade de espetáculo' , em que a form a m ais
desenvolvida de m ercadoria era antes a im
a-gem do que o produto m aterial concreto", e
que, "na segunda m etade do século vinte, a
im agem substituiria a estrada de ferro e o
autom óvel com o força m otriz da econom ia".
Por sua condição de "espetáculo", parece que
o m ais im portante na inform ação passa a ser
aquilo que ela tem de atração, de
entreteni-m ento. N ão podeentreteni-m os nos esquecer, porém ,
de que as coisas se passam desse m odo
exatam ente para que o conhecim ento - e,
por-tanto, a crítica - da realidade fique bastante
em baçada ou sim plesm ente não se dê.
O conhecim ento continua a ser condição
in-dispensável para a crítica. A inform ação, que
parece ocupar o lugar desse conhecim ento, tornou-se, ela própria, a base para a
reprodu-ção do sistem a, um a m ercadoria a m ais em
circulação nessa totalidade.
A confusão entre conhecim ento e inform
a-ção, entre totalidade e fragm entação leva à
concepção de que a inform ação veiculada
pelos m eios é suficiente para a form ação do
cidadão, de que há um pressuposto de
interação entre os m eios e os cidadãos, e de
que todas as vozes circulam igualm ente na
sociedade.
É a cham ada posição liberal, a qual parece
esquecer-se de que idéias, para circular,
pre-cisam de instrum entos, de suportes - rádio,
televisão, jornal, etc. - que custam caro e que, por isso, estão nas m ãos da elite dom inante,
daqueles que detêm o capital. E que é essa
elite, tam bém , a detentora do lugar de
prestí-gio, a partir do qual em ite seu "discurso com
-petente"
2 . 2 C o m u n i c a ç ã o e P r o d u ç ã o d e S e n t i d o
N esse espaço conhecido com o "sociedade de
consum o, sociedade das m ídias, sociedade da
inform ação, sociedade eletrônica ouh i g h - t e c h
e sim ilares", ganham destaque as questões
referentes ao significante/ significado/
signi-ficação, ao sim ulacro, à im agem de m aneira
geral. A nós nos parece que o que devem os
discutir é m enos a questão do estético e/ou
da estetização dos fatos e acontecim entos
sociais que os m eios de com unicação prom
o-vem , e m ais um a visão da H istória e do
sujei-to. É necessário que recoloquem os as
ques-tões das relações de poder, das novas form as
de exercício desse poder nesse cenário da
contem poraneidade, onde descontinuidade
histórica e sobreposição de m odos de
produ-ção - de capitalism o internacional a
resquí-cios de relações quase feudais, onde a ques-tão da terra é um a quesques-tão não resolvida - se
fazem presentes. É preciso trazer à tona a
im portância do resgate da individualidade, e
não a exacerbação do individualism o.
Com unicação é produção social de sentido.
E esse sentido se constrói nas relações
sócio-históricas dessa sociedade pós-industrial. O s
m eios de com unicação, que são da natureza
R . bras. B iblioteeon. D oe., São Paulo, N ova Série, v. 1, n. 1, p. 11-22, 1999 I R ,bras, B ibliotecon. D Q h, São Paulo, N ova Série, v.1, n. 1, p. 11-22, 1999
interno quanto no nível de suas relações com o m undo, do m esm o m odo que atuam num a
grande diversidade de sociedades, com
gran-de com plexidagran-de social e cultural.
A tuando privilegiadam ente no cotidiano, eles
agendam tem as, editam o m undo. Por essa
caraterística, a com unicação entra no
proces-so perm anente de produção de significado,
portanto, de construção da realidade, em todas
as suas m anifestações, quer sejam culturais,
econôm icas ou políticas. Com o lem bra
Barbero, "a chave da aprendizagem de toda
sofisticação hoje passa pela TV : publicidade,
videoclipes de m úsica que m ostram , por
exem plo, o que se está fazendo de m ais
avan-çado com com putador. A com unicação é
pro-dução social de sentido, de prazer, de estéti-ca, de cidadania".
O s discursos, base na qual se assentam os
m eios de com unicação, perm anentem ente
reconfigurados na realidade histórica, onde
se constrói seu significado, são am
plifica-dos para todo o m undo. São vozes e pontos
de vista escolhidos para divulgação, que
nos dão a base para nos inserirm os no m
un-do. A com unicação passou a ser, então,
um a das
ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
i n s t i t u i ç õ e s que "levam a pensar",sobretudo pela aura de conhecim ento
agre-gada à inform ação.
O cupando espaços e prom ovendo silêncios,
o discurso tem seu poder am pliado pelos
m e i o s de com unicação, os quais dão voz a
algum as posições e silenciam outras. M
ani-festação das form ações discursivas no âm
bi-to das form ações ideológicas, em um a
deter-m inada form ação social, o prestígio do
dis-curso, a "autoridade" de quem em ite, o lugar
do discurso, enfim , são fundam entais para sua
divulgação com caráter de veracidade. Logo,
ele está no centro das relações de poder.
20
A repercussão do acontecim ento tam bém é ins-tantânea. Lideranças políticas dos vários países
são entrevistadas por outros jornalistas,
cole-O avanço da tecnologia, que está na base da
discussão sobre inform ação X conhecim en_
to, trouxe, segundo Sílio Boccannera, repór_
ter de televisão, correspondente internacio_
nal, novas exigências tam bém para o
jorna-lista. Para ele, as m udanças na área de
tecnologia de televisão obrigam o jornalista
a agir com um a instantaneidade que não
existia no passado. D urante a G uerra do
V ietnã, por exem plo, que term inou em 1975,
a prim eira grande guerra acom panhada pela
televisão, o repórter que cobria a guerra usa-va film e. O vídeo não existia. Esse film e pre-cisava ser revelado. Era, então, enviado para
os Estados U nidos ou para a Europa, onde
era m ontado e apresentado nesses países.
G eralm ente quatro dias após o acontecim
en-to, tem po de duração desse processo. H oje,
estam os fam iliarizados com coberturas
inter-nacionais em tem po real: o fato está
aconte-cendo e nós estam os vendo-o em nossas casas. A tecnologia perm ite que o evento seja acom -panhado na hora em que acontece.
Por isso, o profissional, ao ser destacado para
cobrir um evento para a televisão, tem m enos
tem po para pensar sobre o que significa o fato que ele está cobrindo. O tem po de reflexão é
dim inuído: tanto o do jornalista quanto o do
editor, na redação. Se acontece um a crise no
O riente M édio, por exem plo, o jornalista tem
que dar sentido para aquilo com m uita
rapi-dez. Só com conhecim ento ele será capaz de
contextualizar o que está ocorrendo, para que
possa construir um d i s c u r s o , um texto que
percorrerá o m undo. Caso contrário, a
notí-cia não se sustentaria. A final, nem a
trans-m issão de jogos de futebol pela televisão acei-ta a descrição prim ária.
R. bras. Biblioteeon. D oe., São Paulo, N ova Série, v. 1, n. 1, p. 11-22, 1999
g -
LKJIHGFEDCBA
t d ita ranidD ecisões sao orna as com m uita rapi ez. A
cham ada opinião pública internacional, através de suas organizações, tom am posição.
Isso tudo faz com que o início desse processo, que é a apuração da notícia, a coleta d~ infor-m ação seja extreinfor-m ainfor-m ente iinfor-m portante. E preci-so que o jornalista consiga perceber e relacio-nar as várias partes de que se com põe o
acon-tecim ento.Épreciso, tam bém , que o
profissio-nal tenha "a condição de reelaborar o que vem
com o um 'dado''', reconhecer o que está ainda
m al desenhado, com contornos borrados",
construir "urna visão que totalize os fatos,
inter-relacionando todas as esferas da sociedade,
percebendo que o que está acontecendo em
cada um a delas é resultado da dinâm ica que
faz com que todas interajam , dentro das
possi-bilidades daquela form ação social, naquele
m om ento histórico", que, com o dissem os, são
características do conhecim ento.
Isso tudo exige do jornalista um a preparação
prévia m uito m ais intensa do que foi no
pas-sado. Sílio Boccannera cham a esse
conheci-m ento de "super-inforconheci-m ação". Cada um tem
que estar com alto grau de "super-inform ação" já antes de chegar ao local. Sim plesm ente
por-que no local da cobertura não haverá tem po
suficiente para absorver e apreender tudo.
Esse conhecim ento é um processo contínuo.
A s pessoas têm que estar perm anentem ente
lendo, inform ando-se, ouvindo rádio, indo ao
teatro, ao cinem a etc.
H oje já é possível, tecnicam ente, num a
co-bertura de guerra, acom panhar, por exem plo,
um ataque de m ísseis com um a câm era a
bordo de um deles enquanto ele se dirige a
U m alvo. O telespectador, em casa, jantando,
pode observar esse m íssil chegando ao alvo,
o qual pode ser um a escola cheia de crianças.
E assistir ao vivo o que acontece. Q uem vai
relatar esse evento é o jornalista. Ele tem que
está hoje.
O utra questão que conhecim ento X inform
a-ção coloca, é a que se refere ao relato da in-form ação. H á um forte contraste entre a abor-dagem que dá ênfase ao que está acontecen-do e a que dá ênfase ao aspecto de entreteni-m ento. Esse últientreteni-m o estilo destaca o lado do
s h o w , da atração, e já vem sendo conhecido
com o i n fo t a i n e m e n t (inform
ação-entreteni-m ento). O u seja, é a inforação-entreteni-m ação não pelo
re-lato do que ocorre, m as sim a inform ação pelo
espetáculo, com o já advertia G uy D ebord,
citado anteriorm ente ..
M esm o com toda a agilidade, a televisão não ocupa o lugar da im prensa escrita. A im
pren-sa escrita sem pre vai existir. É ela que dá o
contexto e explica m elhor o que a im prensa
eletrônica, pela própria natureza de sua
lin-guagem , não consegue explicar. "Q uem só se
inform a pela televisão, não se inform a. É
pre-ciso ler textos, não só os da im prensa escrita, m as todos os tipos de texto, perm anentem
en-te", diz Sílio Boccannera.
A inform ação, que tem na televisão sua
di-vulgação m ais efetiva, realm ente não é
co-nhecim ento. A penas procuram nos
conven-cer do contrário para que nossa crítica à
rea-lidade dim inua. O u quase desapareça. A
es-cola, desvelando os processos de produção
da notícia e edição do m undo, pode ajudar a
transform ar a inform ação veiculada pelos
m eios de com unicação em conhecim ento.
Essas reflexões dizem um pouco do que o
cam po com unicação/educação abrange. H á
nele um m ovim ento perm anente, num trânsito
de m ão dupla, do todo para as partes, em
in-tercâm bio perm anente.
São vários os territórios a serem
percorri-dos, sem pre num a visão de totalidade,
aten-R. bras. Biblioteeon. D oc., São Paulo, N ova Série, v. 1, n.1, p.11-22, 1999
U F P R .. B :~ /S A
M a ria A p a re c id a B a c c e g a
xwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
tando para os vários suportes, as várias
lin-guagens - televisão, rádio, teatro, cinem a,
jornal etc. Tudo percorrido com olhos da
congregação dessas agências de form ação:
a escola e os m eios.
São os m eios a fonte prim eira que educa a
todos os educadores: pais, professores,
agentes de com unidade, etc. Som os todos
alu-nos: precisam os procurar entendê-Ios bem ,
saber ler criticam ente as "lições" que os m
ei-os de com unicação m inistram , para
conse-guirm os percorrer o trajeto que vai do m
un-do que nos entregam pronto, editaun-do, à cons-trução do m undo que perm ite a todos o pleno
exercício da cidadania.
Abstract:
ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
T h e w o r l d w e l i v e i n i s b u i l t b y l h e c o m m u n i c a t i o n m e d i a t h a t s e l e c t w h a t w e m u s tk n o w , l h e t h e m e s t o b e s e l e c t e d fo r d i s c u s s i o n a n d
th e p o in t-o f-v ie w fo r u n d e r s t a n d i n g t h e m . T h e y
h a v e b e c o m e p r i v i l e g e d e d u c a to rs , d i v i d i n g t h e
fo rm e r e d u c a t i o n a l fu n c t i o n s . A n d t h e y h a v e t a k e n l h e a d v a n t a g e . A l r e a d y e s t a b l i s h e d , l h e c o m m u - . n i c a t i o n / e d u c a t i o n i s o n e o f t h e l a r g e s t c h a l l e n g e s fo r p r e s e n t t i m e s . 11d o e s n o t b r e a k i n t o fr a g m e n t s
a s t h e e t e r n a l d i s c u s s i o n o n l h e a d e q u a c y o f t h e u s e o f t e c h n o l o g y . T h i s c o m p l e x i t y o b l i g e s l h e i l 1 -c l u s i o n o f t h e m e s s u c h a s m e d i a t i o n , c r i t i c s a n d u n d e r s t a n d i n g , b e c o m i n g l h e v e h i c l e o f s y m b o l i c p r o p e r t i e s , t e c h n o l o g i c a l r o l e s , r e - s i g n i fi c a n c e o f s c h o o l /p ro fe s s o r; a n d m o r e .
LKJIHGFEDCBA
K e y -w o rd s : C o m m u n i c a t i o n . E d u c a t i o n . 1 1 1 / 0 , .
-m a t i o n . I n t e r - r e l a t i o n s h i p . E m e r g e n t t e c h n o l o -g i e s . M e d i a .
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