UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARAN ´A - UFPR.
PROGRAMA DE P ´OS-GRADUC¸ ˜AO DE MATEM ´ATICA - PPGM
COMPACIDADE EM ESPAC ¸ OS M´ ETRICOS
WENDELL PRATES
ABSTRACT.Neste artigo, depois de explorarmos os principais conceitos de compacidade em espa¸cos m´etricos, iremos tratar do teorema de Tychonoff, um resultado sobre compactos sob a pre- sen¸ca marcante do axioma da escolha.
Introdu¸c˜ao
Em matem´atica, o teorema de Tychonoff afirma que o produto de qualquer cole¸c˜ao de espa¸cos topol´ogicos compactos ´e compacto com respeito `a topologia produto. O teorema ´e nomeado ap´os Andrey Nikolayevich Tychonoff provar uma vers˜ao particular em 1930. A mais antiga prova publicada conhecido est´a contido em um artigo de Eduard ˇCech 1937.
O teorema depende fundamentalmente das defini¸c˜oes de compacidade e topo- logia produto.
A defini¸c˜ao Heine-Borel de compacta¸c˜ao que cada recobrimento de um espa¸co por conjuntos abertos admite um sub-recobrimento finito ´e relativamente recente.
Mais popular nos s´eculos 20 e in´ıcio dos anos 19 foi o crit´erio de Bolzano-Weierstrass que cada rede admite uma sub-rede convergente, agora chamado de compacidade sequˆencial. Estas condi¸c˜oes s˜ao equivalentes para espa¸cos metriz´aveis, mas nem um implica o outro na classe de todos os espa¸cos topol´ogicos.
Teorema de Tychonoff tem sido utilizado para provar muitos outros teoremas matem´aticos. O teorema de Banach-Alaoglu no fraco *, que garante a compacidade da bola unit´aria do espa¸co dual de um espa¸co vetorial normado e o teorema Arzela- Ascoli caracterizando as seq¨uˆencias de fun¸c˜oes em que cada subsequˆencia tem uma subsequˆencia uniformemente convergente s˜ao alguns exemplos de sua aplica¸c˜ao.
V´arios textos identificam o teorema de Tychonoff como o resultado mais impor- tante da topologia geral; outros permitem-lo compartilhar esta honra com o lema de Urysohn.
Antes de iniciarmos, precisamos deixar claro que umatopologiaem um conjunto X ´e uma cole¸c˜aoT de subconjuntos de X, satisfazendo os seguintes axiomas:
(T1) ∅ e X s˜ao elementos deT;
(T2) A intersec¸c˜ao finita de elementos de T ´e ainda um elemento de T; (T3) Uma uni˜ao qualquer de elementos de T ainda ´e um elemento de T. Umespa¸co topol´ogico´e um par (X,T), ondeX´e um conjunto eT uma topologia em X. Indicaremos (X,T) por apenas X quando n˜ao houver d´uvidas sobre a topologia.
Um subcunjunto A⊂X ´e chamado de aberto se A∈ T.
Um subcunjunto F ⊂X ´e chamado de fechado se X\F ∈ T.
Iremos chamar detopologia produto emX×Y `a topologia gerada pelo conjunto {U1 ×U2 :U1 ∈ TX e U2 ∈ TY}:=TX × TY
Seja X um espa¸co topol´ogico e x ∈ X. Um conjunto V ⊂ X ´e dito ser uma vizinhan¸ca de x se existirU ∈ T tal que x∈U ⊂V.
1. Redes
Um conjunto Λ, junto com uma rela¸c˜ao ≤, ´e chamado de conjunto dirigido se para todoλ, µ, ν ∈Λ se verificam as seguintes propriedades:
(a) λ≤λ;
(b) Se λ≤µe µ≤ν, ent˜aoλ≤ν;
(c) Para todoλ, µ∈Λ, existe ω ∈Λ tal que λ≤ω e µ≤ω.
Seja X um espa¸co topol´ogico. Chamaremos de rede em X qualquer fun¸c˜ao da forma x : Λ → X, sendo Λ um conjunto dirigido. Escreveremos xλ no lugar de x(λ), e denotaremos a rede por (xλ)λ∈Λ.
Diremos que a rede (xλ)λ∈Λconverge a um pontox∈Xse para toda vizinhan¸ca Ux dex, existeλ0 ∈Λ tal quexλ ∈Ux sempre queλ≥λ0. Neste caso escreveremos xλ →x.
Uma fun¸c˜aof : (X,TX)→(Y,TY) ´e dita cont´ınua se, e somente se dadoU ∈ TY, tivermos f−1(U)∈ TX.
Sejam (X,TX) e (Y,TY) espa¸co topol´ogicos e x∈ X. Dizemos que f :X → Y
´e cont´ınua em x sef−1(U)⊂Vx para toda vizinhan¸ca U ⊂Vf(x).
Teorema 01: Seja {Xi :i ∈ I} uma fam´ılia n˜ao-vazia de espa¸cos topol´ogicos n˜ao-vazios, e sejaX =Q
i∈IXi. Ent˜ao uma rede (xλ)λ∈Λ converge para x em X se e s´o se a rede πi(xλ)λ∈Λ converge para πi(x) em Xi para cada i∈I.
Prova:
Como πi ´e cont´ınua em x, para todo i ∈ I e xλ → x em X. Ent˜ao, dada V ∈Uπi(x), existe U ∈Ux tal que πi(U)⊂V.
Seja λ0 ∈Λ tal que xλ ∈U para todo λ≥λ0. Ent˜ao πi(xλ) ∈πi(U)⊂ V para todoλ≥λ0. Logoπi(xλ)→πi(x).
Por outro lado, ao supormos queπi(xλ)→πi(x) para cadai∈I. Tome U uma vizinhan¸ca aberta b´asica dex em X, ou seja,
x∈U = \
j∈J
πj−1(Uj) , comJ finito,Uj aberto emXj.
Para cada j ∈J, πj(x)∈Uj. Logo, existe λj ∈Λ tal que πj(xλ)∈Uj para todo λ≥λj.
Como Λ ´e um conjunto dirigido, existe λ0 ∈Λ tal queλ0 ≥λj para cadaj ∈J.
Segue que
xλ ∈U = \
j∈J
π−1j (Uj) para todo λ≥λ0. Logo xλ →x.
Seja X um espa¸co topol´ogico, e seja (xλ)λ∈Λ uma rede em X. Diremos que x ∈ X ´e um ponto de acumula¸c˜ao de (xλ)λ∈Λ se dados U ∈ Ux e λ0 ∈ Λ, existe λ≥λ0 em Λ tal que xλ ∈U.
Se (xλ)λ∈Λ converge para x, ´e claro que x´e ponto de acumula¸c˜ao de (xλ)λ∈Λ. Seja X um espa¸co topol´ogico, e seja x: Λ→X uma rede em X. Chamaremos de subrede de x : Λ → X qualquer rede da forma x◦φ : M → X, sendo M um conjunto dirigido, e sendo φ:M →Λ uma fun¸c˜ao com as seguintes propriedades:
(a) µ1 ≤µ2 implicaφ(µ1)≤φ(µ2) (φ ´e crescente);
(b) dado λ∈Λ, existe µ∈M tal que φ(µ)≥λ (φ´e cofinal).
A subrede x◦φ:M →X ser´a denotada por (xφ(µ))µ∈M.
Proposi¸c˜ao 01. Seja X um espa¸co topol´ogico, e seja (xλ)λ∈Λ uma rede emX.
Ent˜aox∈X ´e um ponto de acumula¸c˜ao de (xλ)λ∈Λ se, e s´o se existe uma subrede de (xλ)λ∈Λ que converge parax. A prova vide [MS].
2. Espa¸cos Topol´ogicos Compactos
SejaX um conjunto n˜ao-vazio eA ⊂X. Uma cole¸c˜aoR ⊂ P(X), formada por subconjuntos de X, ´e dita ser um recobrimento de A se a uni˜ao de todos os seus elementos contiverA, ou seja, se A⊂S
R∈RR
Se T ´e uma topologia em X e R ´e um recobrimento de A ⊂ X tal que todo elemento de R ´e um elemento de T, dizemos que R ´e um recobrimento de A por T-abertos , ou simplesmente um recobrimento de A por abertos.
Se T ´e uma topologia emX, ent˜aoT ´e um recobrimento de X por T-abertos.
Logo, X possui ao menos um recobrimento porT-abertos para qualquer topologia T definida em X, na pior das hip´oteses aquela formada pela pr´opria topologiaT.
SeR´e um recobrimento deA, dizemos queS ⊂ R´e um sub-recobrimento deA por R seS tamb´em for um recobrimento de A. ´E claro que um sub-recobrimento de um recobrimento por abertos ´e tamb´em um recobrimento por abertos.
Um recobrimento ´e dito ser finito se possuir um n´umero finito de elementos.
Espa¸cos compactos. Um espa¸co topol´ogico (X,T) ´e dito ser um espa¸co topol´ogico compacto se todo recobrimento de X por T-abertos possuir um sub- recobrimento finito.
Espa¸cos σ-compactos. Um espa¸co topol´ogico (X,T) ´e dito ser um espa¸co topol´ogico σ-compacto se possuir um recobrimento cont´avel por T-compactos.
Espa¸cos contavelmente compactos. Um espa¸co topol´ogico (X,T) ´e dito ser umespa¸co topol´ogico contavelmente compacto se todo recobrimento cont´avel de X por T-abertos possuir um sub-recobrimento finito.
SejaX um conjunto n˜ao-vazio e T uma topologia em X. Um conjunto K ⊂X
´e dito ser um conjunto T-compacto, ou conjunto compacto em rela¸c˜ao `a topologia T, se todo recobrimento de K por T-abertos possui um sub-recobrimento finito.
Fica claro que dizer que (X,T) ´e um espa¸co topol´ogico compacto equivale a dizer queX ´e um conjunto T-compacto.
Seja X um espa¸co topol´ogico. A ⊂ X ´e dito ser um conjunto relativamente compacto seA, o fecho deA, for compacto.
Dados dois espa¸cos topol´ogicos (X,TX) e (Y,TY) diremos queX ´e homeoformo aY quando existir um homeomorfismo deXemY, ou seja, uma fun¸c˜aof :X →Y cont´ınua com inversa cont´ınua.
Uma consequˆencia imediata desta defini¸c˜ao ´e que se (X,TX) e (Y,TY) s˜ao espa¸cos topol´ogicos tais que existe um homeomorfismo entre eles eK ⊂X ´e com- pacto, ent˜aof(K)⊂Y ´e compacto. Justamente por causa desta propriedade que, encontrar compactos em ambientes “desconhecidos” tornou-se uma pr´atica comum em matem´atica, principalmente em topologias produto, onde se permite entender objetos em dimens˜ao infinita.
Proposi¸c˜ao 02: Seja X um espa¸co topol´ogico e C1, . . . , Cn uma cole¸c˜ao finita de compactos, ent˜aoC1∪. . .∪Cn ´e compacto.
Veremos, ainda neste artigo, que a proposi¸c˜ao 02 ´e um corol´ario do teorema de Tychonoff.
SejaX n˜ao-vazio. Uma cole¸c˜aoC ⊂ P(X) de subconjuntos de X´e dita possuir a propriedade de intersec¸c˜ao finita se a intersec¸c˜ao de qualquer subcole¸c˜ao finita deC for n˜ao-vazia, ou seja, se C1 ∩. . .∩Cn 6=∅ para qualquer n ≥ 1 e quaisquer C1, . . . , Cn ∈ C.
Teorema 02: Seja X n˜ao-vazio e T uma topologia em X. Ent˜ao, X ´e um espa¸co topol´ogico compacto se, e somente se toda cole¸c˜ao F de subconjuntos T- fechados deX que possua propriedade de intersec¸c˜ao finita, tem-se T
F∈FF 6=∅.
Prova:
Vamos supor que toda cole¸c˜aoF de subconjuntosT-fechados deX com propri- edade de intersec¸c˜ao finita tem-seT
F∈FF 6=∅e sejaRum recobrimento deX por T-abertos. Ent˜ao S
R∈RR = X e, tomando complementos, T
R∈RRc = ∅. Desse modo, se F :={Rc:R ∈ R} possu´ısse propriedade de intersec¸c˜ao finita, ter´ıamos uma contradi¸c˜ao, uma vez que T
F∈FF =T
R∈RRc=∅. Logo, existe uma cole¸c˜ao finita de elementos deF tal queF1∩. . .∩Fn=∅e, tomando os complentos teremos R1∪. . .∪R2 =X. Logo R´e um sub-recobrimento finito de X, o que prova X ser compacto.
Vamos agora supor que X ´e compacto e seja F uma cole¸c˜ao de subconjuntos T-fechados deX que possua a propriedade de intersec¸c˜ao finita. Ao supormos que T
F∈FF = ∅, tomamos os completares teremos que X = S
F∈FFc. Como X ´e compacto, para o recobrimento {Fc : F ∈ F } de X existe uma sub-cole¸c˜ao finita {F1c, . . . , Fnn} tal queX =F1c∪. . .∪Fnc. Tomando novamente o complementar, te- remosF1∩. . .∩Fn=∅, contrariando o fato deF ter a propriedade de intersec¸c˜ao fi- nita. Logo,T
F∈FF 6=∅.
Teorema 3: (Propriedade de Bolzano-Weierstrass) Um espa¸co topol´ogico (X,T)
´
e compacto se, e somente se toda rede em X tem uma sub-rede convergente.
Prova:
Suponhamos que (X,T) seja compacto e seja (xλ)λ∈Λ uma rede em X. Vamos supor que (xλ)λ∈Λ n˜ao tenha nenhuma sub-rede convergente. Pela proposi¸c˜ao 01, (xλ)λ∈Λ n˜ao tem pontos de acumula¸c˜ao. Assim, para todo x∈X existe um aberto Ax contendoxe umλx ∈Λ tais que xλ 6∈Ax para todo λ≥λx. O conjunto desses abertos Ax ´e um recobrimento de X por abertos e, pela hip´otese de compacidade, existe um recobrimento finito Ax1, . . . , Axn de X por tais abertos. Como Λ ´e um conjunto dirigido, existe λ0 ≥ λxk para todo k = 1, . . . , n. Logo, xλ0 6∈ Axk para todo k = 1, . . . , n, ou seja, xλ0 6∈ X, um absurdo. Assim concluimos que (xλ)λ∈Λ
tem pontos de acumula¸c˜ao e, pela Proposi¸c˜ao 01, tem uma sub-rede convergente.
Vamos agora supor que toda rede em X tem uma sub-rede convergente. Pelo proposi¸c˜ao 01, isso equivale a supor que toda rede em X tem um ponto de acu- mula¸c˜ao.
Supondo por absurdo que X n˜ao seja compacto, deve existir um recobrimento por abertos R de X que n˜ao possui nenhum sub-recobrimento finito. Tome este R e defina o conjunto Λ como sendo a cole¸c˜ao de todos os subconjuntos finitos de P(R), ou seja, Λ = {{A1, . . . , An} : Ak ∈ Re n < ∞}. Λ ´e um conjunto dirigido por inclus˜ao, onde{A1, . . . , Am} ≤ {A01, . . . , A0n} significa{A1, . . . , Am} ⊂ {A01, . . . , A0n}.
Com isso, podemos construir uma rede sobre Λ emX da seguinte forma: a cada λ={A1, . . . , An} ∈Λ associamos umxλno conjunto complementar deA1∪. . .∪An, ou seja, x{A1,...,An} ∈ Ac1 ∩. . .∩Acn. Note que o complementar de A1 ∪. . .∪An nunca ´e vazio pois, por hip´otese, nenhuma sub-cole¸c˜ao finita deR cobreX.
Pela hip´otese (xλ)λ∈Λ tem um ponto de acumula¸c˜ao x∈X. Assim, se U ´e um aberto que cont´em x, para todo λ0 ∈ Λ existe λ ≥ λ0 em Λ tal que xλ ∈ U. Por outro lado, pela defini¸c˜ao de (xλ)λ∈Λ, se λ0 = {A1, . . . , Am} e λ = {A01, . . . , A0n} teremosxλ ∈(A01)c∩. . .∩(A0n)c⊂Ac1∩. . .∩Acm. Portanto, U∩Ac1∩. . .∩Acm 6=∅ para qualquer {A1, . . . , Am} ∈ Λ e qualquer U que cont´em x. Ora, R cobre X, logo existe U ∈ R que cont´em x. Quando esse U pertencer a uma cole¸c˜ao finita {A1, . . . , Am} a rela¸c˜ao U ∩Ac1∩. . .∩Acm 6=∅ ser´a um absurdo, pois U ∩Uc=∅.
3. Compacidade em Espa¸cos M´etricos
Diremos que um espa¸co topol´ogico X´e metriz´avel, quando pudermos conseguir uma fun¸c˜aod:X×X →R, que associa a cada par ordenado de elementosx, y ∈X a um n´umero reald(x, y) chamadodistˆancia dexay, de modo que sejam satisfeitas as seguintes condi¸c˜oes para quaisquer x, y, z ∈X:
(d1) d(x, x)≥0;
(d2) Se x6=y ent˜ao d(x, y)>0;
(d3) d(x, y) = d(y, x);
(d4) d(x, z)≤d(x, y) +d(y, z).
Claramente, se (X,T) ´e metriz´avel por uma m´etrica d, ent˜ao o conjunto Td de conjuntos do tipo B(x, r) = {y ∈ X : d(x, y) < r, onde x ∈ X e r ∈ R+} define uma m´etrica em X de modo que (X,Td) = (X,T). Isto motiva definir um espa¸co m´etrico por um par (X, d), ondeX ´e um conjunto e d uma m´etrica em X.
Em um espa¸co m´etrico, um conjuntoM ´e ditototalmente limitadose, e somente se para todo ε > 0, pudermos obter uma decomposi¸c˜ao M = X1 ∪. . .∪Xn, de M como reuni˜ao de um n´umero finito de subconjuntos, cada um dos quais tem diˆametro menor do que ε.
Espa¸cos m´etricos compactos podem ser caracterizados por meio de espa¸cos to- talmente limitados, no sentido de que, se um espa¸co m´etrico ´e totalmente limitado ent˜ao seu completamento ´e compacto.
Seja (M, d) um espa¸co m´etrico. Um conjunto K ∈ M ´e dito ser um conjunto sequencialmente compacto na m´etrica d se toda a sequˆencia de elementos de K possuir uma sub-sequˆencia convergente em K em rela¸c˜ao `a m´etricad.
O teorema que segue re´une as defini¸c˜oes de acima, estabelecendo resultados fundamentais sobre compacidade em espa¸cos m´etricos.
Teorema 4: Seja (M, d) um espa¸co m´etrico e seja Td a topologia induzida em M pela m´etrica d. Seja K ⊂M. S˜ao equivalentes as seguintes afirma¸c˜oes:
1. K ´e Td-compacto;
2. K ´e sequencialmente compacto na m´etrica d;
3. K ´e totalmente limitado e completo na m´etrica d.
Prova:
1⇒2]
Seja K Td-compacto e seja (xn)n∈N uma sequˆencia de elementos de K. Defina para cada n∈N, En:={xk:k ≥n}. Seja Fn o fecho de En.
Inicialmente precisaremos provar queK ∩(T
n∈NFn)6=∅.
Suponha que K ∩(T
n∈NFn) = ∅, ent˜ao K ⊂ (T
n∈NFn)c = S
n∈N(Fn)c. Como osFnc s˜ao abertos, isso diz que {Fnc:n∈N}´e um recobrimento deK por abertos.
Como K, por hip´otese, ´e compacto, existe uma cole¸c˜ao finita Fnc1, . . . , Fnc
j que cobre K, ou seja, que satisfaz K ⊂ Fnc1 ∪ . . .∪ Fncj. Por´em, isso implica que K∩Enj ⊂K∩Fnj =∅, uma contradi¸c˜ao, j´a que Enj ⊂K.
J´a que K∩(T
n∈NFn) ´e n˜ao-vazio, podemos tomar um pontoa nesse conjunto.
Logo,a∈K assim comoa∈Fn para todon ∈N. ComoFn´e o fecho deEn, existe uma sequˆencia de pontos de En que converge para a na m´etrica d. Isto prova que existe uma sub-sequˆencia da sequˆencia (xn)n∈N que converge paraa∈K, provando queK ´e sequencialmente compacto.
2⇒3]
Seja (xn)n∈N uma sequˆencia de Cauchy na m´etricadde elementos deK. Como K ´e sequencialmente compacto, (xn)n∈N possui uma sub-sequˆencia convergente a um elemento de K e, portanto, (xn)n∈N converge a um elemento de K, provando queK completo. Passemos `a demonstra¸c˜ao de que K ´e totalmente limitado, o que ser´a feito por absurdo, supondo que K n˜ao seja totalmente limitado.
Se K n˜ao fosse totalmente limitado existiria ε > 0 tal que para cada conjunto finito Fn = {kj : 1 ≤ j ≤ n} ⊂ K poder´ıamos encontrar um k ∈ K tal que d(k, Fn)≥ε.
Assim, tomando x1 ∈ K, existe x2 ∈ K tal que d(x2, x1) ≥ ε. Analogamente, existe x3 ∈ K tal que d(x3,{x1, x2}) ≥ ε. Prosseguindo indutivamente, podemos construir uma sequˆencia (xn)n∈N de elementos de K tal que d(xi, xj) ≥ ε para todo i 6= j. Uma tal sequˆencia n˜ao pode ter uma sub-sequˆencia convergente, contrariando a hip´otese que K ´e sequencialmente compacto.
3⇒1]
Suponhamos, por contradi¸c˜ao, que K n˜ao seja compacto. Ent˜ao, existe um recobrimento R deK por abertos tal que Rn˜ao possui nenhum sub-recobrimento finito de K. Como K ´e totalmente limitado, existe para cada ε >0 um conjunto finito de pontos de K tais que as bolas de raio ε centradas nesses pontos cobrem K.
Fixemos um talε >0 e sejamBd(xj, ε), comxj ∈K,j = 1, . . . , m, as bolas que cobremK. ComoRcobre cada um dos conjuntosK∩Bd(xj, ε), j = 1, . . . , m, deve haver pelo menos um conjunto K ∩Bd(xj, ε) que n˜ao tem um sub-recobrimento finito porRpois, se tal n˜ao fosse verdade, haveria um sub-recobrimento finito para K, contrariando as hip´oteses.
Seja K∩Bd(f1, ε), onde f1 ∈ {x1, . . . , xm}, o conjunto tal que n˜ao possui um sub-recobrimento finito porR. Desse modo, podemos repetir o procedimento e ob- ter um pontof2 ∈K∩Bd(f1, ε) e uma bola de raio ε2 centrada emf2,Bd(f2,ε2), tal queK∩Bd(f1, ε)∩Bd(f2,2ε) ´e n˜ao-vazio e n˜ao tem um sub-recobrimento finito por R. Precedendo indutivamente, constru´ımos uma sequˆencia de pontos fn, n ≥ 1, com
1. fn+1 ∈K∩Bd(f1, ε)∩. . .∩Bd(fn,2εn);
2. K∩Bd(f1, ε)∩. . .∩Bd(fn+1,2n+1ε )6=∅;
3. K∩Bd(f1, ε)∩. . .∩Bd(fn+1,2n+1ε ) n˜ao tem um sub-recobrimento finito porR.
Observe agora que, para i > j,
d(fi, fj)≤
j−i−1
X
k=0
Bd(fi+k, fi+k+1)<
j−i−1
X
k=0
ε 2i+k <
∞
X
k=0
ε
2i+k = ε 2i−1
Isso estabelece que (fn)n∈N, ´e uma sequˆencia de Cauchy de elementos de K.
ComoK foi tamb´em suposto completo, a sequˆencia de Cauchy (fn)n∈N, converge a um ponto f ∈K.
Como f ∈ K e R cobre K, existe um aberto Af ∈ R que cont´em o ponto f.
Como fn →f, existe um p grande o suficiente tal que Bd(fp, ε
2p)⊂Af.
Isso, todavia, implica que K∩Bd(f1, ε)∩. . .∩Bd(fp,2εp)⊂Bd(fp,2εp), contrari- ando o item 3 da constru¸c˜ao indutiva. Essa contradi¸c˜ao revela que a suposi¸c˜ao de que K n˜ao ´e compacto ´e falsa, completando a demonstra¸c˜ao.
Corol´ario. Se (M, d) ´e um espa¸co m´etrico completo no qual vale a propriedade que todo conjunto d-limitado ´e totalmente limitado, ent˜ao K ´e compacto se, e somente se for Td-fechado e d-limitado.
4. Bases e Subbases
Antes de apresentar o teorema de Tychonoff introduziremos o conceito sobre base, o qual ser´a fundamental na demonstra¸c˜ao do teorema.
Muitas vezes para introduzir uma topologia num conjunto n˜ao ´e necess´ario descrever todos os conjuntos abertos da topologia, mas apenas alguns conjuntos especiais, os chamados abertos b´asicos da topologia.
Diremos que B ´e uma base para T se para todo A ∈ T, existir um conjunto de ´ındices Γ de modo que a cole¸c˜ao {Bα : α ∈ Γ} seja um subconjunto de B e S
α∈ΓBα =A.
O seguinte teorema ´e um ´otimo crit´erio para verificar se uma fam´ılia de sub- conjuntos ´e uma base.
Teorema 5: Sejam (X,T) um espa¸co topol´ogico eB⊂ T. A fam´ıliaB´e uma base deT se, e somente se
1. X = [
B∈B
B.
2. Para todo B1, B2 ∈ B, se x ∈ B1 ∩ B2, ent˜ao existe B ∈ B tal que x∈B ⊂B1∩B2.
Lembre-se que se B ⊂ X ´e base da topologia TX se para todo U ∈ TX e para todox∈U existeB ∈B tal que x∈B ⊂U.
Prova:
ComoB´e uma base de alguma topologiaT eX´e aberto, ent˜ao se escreve como uni˜ao de abertos b´asicos, verificando assim o ´ıtem 1. Al´em disso, se B1, B2 ∈ B, ent˜ao B1 e B2 s˜ao abertos e B1 ∩B2 ´e aberto. Logo se x ∈ B1 ∩B2, existe um aberto B ∈B tal que x∈B ⊂B1∩B2.
Por outro lado, se B satisfaz as condi¸c˜oes 1 e 2. Definamos:
T ={U ⊂X :U ´e uni˜ao arbitraria de elementos de B}.
Devemos provar que T ´e uma topologia sobre X.
Claramente ∅ ∈ T e pelo ´ıtem 1, X ∈ T.
Seja {Aα ∈ T : α ∈ I} uma cole¸c˜ao arbitr´aria de T. Cada Aα = S
µ∈ΓBα,µ, onde Bα,µ ∈B, ent˜ao:
A= [
α∈I
Aα = [
α∈I
[
µ∈Γ
Bα,µ
!
= [
α∈I µ∈Γ
Bα,µ ∈ T.
Agora consideremos A1, A2 ∈ T, ent˜ao A1 =S
α∈ΓBα e A2 =S
µ∈ΛBµ, assim:
A1∩A2 = [
α∈Γ
Bα
!
∩ [
µ∈Λ
Bµ
!
= [
α∈Γµ∈Λ
(Bα∩Bµ).
Logo, se existir x∈ A1∩A2, ent˜ao existe pelo menos um par de ´ındices (α, µ) tal que x∈Bα∩Bµ. Pelo ´ıtem 2, existe B ∈B tal que
x∈B ⊂Bα∩Bµ. Portanto, A1∩A2 ´e aberto.
Definimos T(B) ={U ⊂X :∀x∈U,∃B ∈B;x∈B ⊂U}.
Uma consequˆencia imediata ´e que se X ´e um conjunto qualquer e B ∈ P(X).
Ent˜ao B ´e base de topologia se, e somente se T(B) ´e uma topologia. Por isso chamamos T(B) de topologia induzida pela base de topologia B.
Como uma cole¸c˜ao S de subconjuntos de X pode n˜ao ser uma base para uma topologia deX, ent˜ao iremos procurar a menor topologia tal que os membros deS s˜ao abertos. Isso leva `a defini¸c˜ao de sub-base: S ´e uma sub-base de uma topologia T, quando o conjunto B(S) = {B ⊂ X :B =
n
\
i=1
Si, com Si ∈ S} ´e uma base de T.
A topologia gerada por S e denotada do hSi ´e a topologia induzida por B(S), ou seja, hSi=T(B(S)).
5. Tychonoff e o Axioma da Escolha
E extremamente elegante a liga¸c˜´ ao t˜ao profunda entre o Axioma da Escolha e o Teorema de Tychonoff. No entanto, a demonstra¸c˜ao desta liga¸c˜ao ´e feita as custas do Lema de Zorn, que por sua vez ´e equivalente ao Axioma da escolha.
Teorema 6: As seguintes afirma¸c˜oes s˜ao equivalentes :
Axioma da escolha: Dada uma fam´ılia {Aα :α ∈J}n˜ao vazia, de conjuntos n˜ao vazios, existe um conjunto C ao qual pertence exactamente um elemento de cada Aα.
Lema de Zorn: SejaX um conjunto parcialmente ordenado onde cada cadeia tem um majorante. Ent˜ao existe elemento um maximal em X.
Teorema de Tychonoff: Seja {Kα : α ∈ J} uma fam´ılia de espa¸cos to- pol´ogicos compactos. Ent˜ao, Πα∈JKi com a topologia produto, ´e compacto.
Prova:
A prova de que Axioma da escolha implica o Lema de Zorn ser´a omitida, n˜ao por ser dif´ıcil, mas por ser muito extensa. Ao leitor interessado aconselham-se duas boas referˆencias : [Du, pg.32-34] ou [Hal, pg.63-65].
Para provar que o Lema de Zorn implica no Teorema de Tichonoff comecemos por provar os seguintes resultado:
Teorema 7: Seja (X,T) um espa¸co topol´ogico e S uma sub-base para T. Se qualquer recobrimento de X por elementos de S tem um sub-recobrimento finito, ent˜ao X ´e compacto.
Prova:
Suponha-se, por contradi¸c˜ao, que todo recobrimento de X por abertos em S tem um sub-recobrimento finito e ainda assim, X n˜ao ´e compacto. Ent˜ao, F = {coberturas abertas deX sem subcobertura finita} 6=∅ e ´e parcialmente ordenado por inclus˜ao. Seja {Cα : α ∈ J} uma cadeia em F e defina-se C = S
α∈JCα. Vamos verificar queC ´e um majorante de{Cα :α∈J}emF, bastando provar que C n˜ao cont´em sub-recobrimento finito de X. Considere-se uma subcole¸c˜ao finita U1, . . . , Un deC. Como {Cα :α∈J}´e uma cadeia, existe α0 ∈J tal queUi ⊂Cα0 para todoi∈ {1, . . . , n}. Ent˜ao, como Cα0 n˜ao tem sub-recobrimento finito de X, o mesmo se passa comC.
Assim sendo, pelo Lema de Zorn existe um elemento maximal M em F. SejaZ =M∩ S. Se mostrarmos queZ cobreX, chegaremos a uma contradi¸c˜ao pois Z ⊂ S e como tal, tem subcobertura finita, mas por outro lado Z ⊂ M, e portanto n˜ao pode ter uma subcobertura finita. Voltemos `a prova queZ cobre X.
Suponha-se, por contradi¸c˜ao, queZ n˜ao cobreXe sejax∈Xum elemento que n˜ao pertence a nenhum elemento deZ. Como M cobreX, existeO ∈M tal que x∈O e comoS ´e uma sub-base, existem V1, . . . , Vn em S tais que x∈Tn
i=1Vi. Nenhum destes conjuntosVi est˜ao emM, caso contr´ario,xseria elemento de algum membro de Z. Pelo facto de M ser maximal, cada M ∪Vi cont´em um sub-recobrimento finito deX; digamosX =Vi∪Wi com Wi uma uni˜ao finita de subconjuntos deM. Ent˜ao, X ⊂ Tn
i=1(Vi∪Wi) ⊂O∪(Sn
i=1Wi). Mas isto ´e imposs´ıvel pela defini¸c˜ao de M, que n˜ao admite sub-recobrimento finito. Conclui-se que Z cobre X, o que implica, como notado anteriormente, queX ´e compacto.
Lema: Seja{(Xα,Tα) :α∈J} uma fam´ılia de espa¸cos topol´ogicos compactos.
Qualquer recobrimento aberto de X = Πα∈JXα por conjuntos da forma π−1α (U) com U um aberto de (Xα,Tα), cont´em um sub-recobrimento finito de X.
Prova:
Seja R um recobrimento por elementos da forma πα−1(U) e seja, para cada α ∈ J, Rα = {U ∈ Tα : πα−1(U) ∈ R}. Vamos provar que existe α ∈ J tal que Rα cobre Xα. Ora, se n˜ao fˆosse esse o caso, para cada α ∈ J, existiria xα ∈ Xα tal que xα n˜ao pertenceria a nenhum dos elementos de Cα. Seja x ∈ X tal que πα(x) = xα. Ent˜ao chegamos `a contradi¸c˜ao que C n˜ao recobrir X, pois tal x n˜ao pertenceria a nenhum do elementos deC. Escolha-se ent˜aoαtal que Cα cobreXα. Por compacidade de Xα, existe um sub-recobrimento finito {U1, . . . , Un} ⊂ Cα. Temos ent˜ao que{πα−1(U1), . . . , πα−1(Un)} ⊂C ´e um sub-recobrimento finito de X.
O Teorema de Tychonoff ´e uma consequˆencia imediata do Teorema 7 e do Lema, onde o Lema de Zorn ´e usado de maneira clara. Basta notar que os elementos
da sub-base de X na topologia produto s˜ao da forma π−1(U), com U aberto de (Xα,Tα).
Para acabar a prova do teorema 5, resta-nos a ´ultima implica¸cao, Teorema de Tichonoff implica no Axioma da escolha:
Seja{Aα :α∈J}uma fam´ılia n˜ao vazia de conjuntos n˜ao vazios. O objectivo ´e mostrar que de fato, Πα∈JAα 6=∅. Para cadaα∈J definaXα =Aα∪{a}e sejaX = Q
α∈JXα. Considere uma topologia cofinita modificada nos conjuntos Xα, cujos abertos s˜ao os subconjuntos cofinitos deXα, o conjunto vazio e o conjunto singular {a}, em cada Xα. ´E imediato que Xα ´e compacto e portanto, pelo Teorema de Tychonoff, temos queXcom a topologia produto ´e compacto. Como cada aplica¸c˜ao de proje¸c˜ao πα : X → Xα ´e cont´ınua e cada Aα ´e fechado, ent˜ao cada πα−1(Aα)
´
e um fechado de X. Al´em disso, T
α∈Jπ−1α (Aα) = Q
α∈JAα e se mostrarmos que a fam´ılia {π−1α (Aα) : α ∈ J} tem a propriedade da intersec¸c˜ao finita. Sendo X compacto, pelo teorema 02, concluimos que Q
α∈JAα 6=∅.
Ora, mas para todo n∈Ntem-se queQ
1≤i≤nAαi 6=∅, pois ´e um produto finito de conjuntos n˜ao-vazios. Logo, podemos escolher x0 = (xα1, . . . , xαn) pertencente a esse produto cartesiano para construir x∈T
1≤i≤nπ−1α
i(Aαi) por:
x= (xα)α∈J, onde xα =
xαk, se α=αk a, caso contr´ario
6. Aplica¸c˜oes do Teorema de Tychonoff
Como mencionado no in´ıcio deste artigo, Tychonoff tem sido utilizado na de- monstra¸c˜ao de v´arios teoremas, dentre eles vejamos o seguinte:
Teorema 08 (Alaoglu): SeN ´e um espa¸co normado (o mesmo que m´etrico), ent˜ao a bola fechada B∗ := BN∗(0; 1) ´e um espa¸co topol´ogico de Hausdorff com- pacto na topologia fraca∗.
Antes da prova, precisamos de alguns conceitos para entender o que seria uma topologia fraca∗. Comecemos pela defini¸c˜ao deEspa¸co de Banach que ´e um espa¸co normado completo com a m´etrica induzida pela norma. O conjunto dos operadores lineares de N1 em N2 ser´a denotado por B(N1,N2). Note que B(N1,N2) ´e um espa¸co vetorial com opera¸c˜oes pontuais, e decorre que
kTk:= sup
ξ∈N1, kξk≤1
kT ξk
´
e uma norma em B(N1,N2).
O espa¸co de Banach B(N,F), onde N ´e um espa¸co normado e F um corpo, ser´a denotado por N∗ e chamado de espa¸co dual de N. Cada elemento de N∗ ´e chamado de funcional linear cont´ınuo emN. O fato deN∗ tamb´em ser um espa¸co
de Banach, nos permite definirN∗∗:= (N∗)∗, chamado de segundo dual (ou bidual) de N. H´a uma maneira natural de identificar elementos de N com os elementos de seu segundo dual: a cadaξ ∈ N associa-se ξb∈ N∗∗ por
ξ(f) :=b f(ξ), f ∈ N∗.
Esta aplica¸c˜ao ´e chamada de aplica¸c˜ao canˆonica de N em N∗∗. A aplica¸c˜ao canˆonica b: N → N∗∗ ´e uma isometria e, se for sobrejetiva, ent˜ao o espa¸co normado N ´e chamado de espa¸co reflexivo. Denotaremos de Nb para representar b(N) .
Atopologia fraca emN ´e a topologia gerada pelos funcionais lineares emN∗, ou seja, ´e a topologia menos fina emN na qual todos os elementos deN∗ permanecem cont´ınuos. Uma sub-base (aberta) dessa topologia ´e a cole¸c˜ao
V(ξ;f;ε) ={η ∈ N :kf(ξ)−f(η)k< ε}, com ξ∈ N, f ∈ N∗ e ε >0.
A topologia fraca∗ em N∗´e a topologia gerada pelos funcinais lineares emNb, ou seja, ´e a topologia menos fina emN∗ em que todos os elementos deNb permane¸cam cont´ınuos. Uma sub-base (aberta) dessa topologia ´e a cole¸c˜ao
V∗(ξ;f;ε) ={g ∈ N∗ :kbξ(f)−ξ(g)kb < ε}={g ∈ N∗ :kf(ξ)−g(ξ)< ε}, com ξ∈ N, f ∈ N∗ e ε >0.
Agora temos todos elementos necess´arios para a prova do teorema 08.
Prova:
J´a se sabe que B∗ com a topologia fraca∗ ´e de Hausdorff e isto n˜ao ´e foco deste artigo. O objetivo ´e mostrar que B∗´e compacta utilizando o teorema de Tychonoff para encontrar um espa¸co topol´ogico compacto K, no qual B∗ ´e um subconjunto fechado deK, logo compacto, e a topologia induzida coincide com a fraca∗.
A cada ξ ∈ N associe Kξ = {z ∈ F : kzk ≤ kξk}, o qual ´e compacto em F e, por Tychonoff, o produto carteziano K de todos os Kξ ´e compacto na topologia produto.
Cada elemento de K ´e uma fun¸c˜ao f que associa cada ξ ∈ N a um escalar f(ξ)∈F, comkf(ξ)k ≤ kξk; assim, a bola unit´ariaB∗´e o subconjunto deK obtido pela restri¸c˜ao `as fun¸c˜oes f ∈ K que s˜ao lineares. Para cada f ∈ B∗ considere as fam´ılias V∗(f;ξ;ε) e U(f;ξ;ε), para ξ percorrendo todo N e todo ε > 0. Tais fam´ılias s˜ao sub-bases locais de vizinhan¸cas de f ∈ B∗ na topologia fraca∗ e na topologia produto, respectivamente. como B∗ ⊂K∩ N∗, vem que
V∗(f;ξ;ε)∩B∗ =U(f;ξ;ε)∩B∗
e a topologia fraca∗ de B∗ e a topologia induzida de K em B∗ coincidem. Assim, para terminar a demonstra¸c˜ao, basta mostrar que B∗ ´e um subconjunto fechado deK.
Sejag um elemento do fecho de B∗ em K. Pela defini¸c˜ao deK tem-sekg(ξ)k ≤ kξk, de forma que para mostrar queg ∈B∗ ´e necess´ario e suficiente verificar queg
´
e linear. Toda vizinhan¸ca deg em K intersectaB∗; assim, dadosξ, η ∈ N eε >0, existe
h∈[B∗∩U g;ξ;ε
3
∩U g;η;ε
3
∩U
g;ξ+η;ε 3
].
Usando a linearidade de h segue que
kg(ξ+η)−g(ξ)−g(η)k = kg(ξ+η)−h(ξ+η)−g(ξ) +h(ξ)−g(η) +h(η)k
≤ kg(ξ+η)−h(ξ+η)k+kg(η)−h(η)k+kg(ξ)−g(ξ)k
< ε.
Portanto, g(ξ +η) = g(ξ) +g(η). De forma an´aloga, para todo ξ ∈ N vale g(αξ) =αg(ξ),∀α∈F, e conclui-se que g ´e linear.
Referˆencias:
[Du] J. Dugundji, Topology, William C Brown Pub, 1966.
[Hal] P. Halmos, Naive Set Theory, Springer, 1974.
[Her] Herrlich, Axiom of Choice, Springer, 2006.
[HB] H. Brandsma, A proof of Tychonoff theorem implies AC, Topology Atlas, 2003.
[El1] Lima, Elon Lages, Espa¸cos M´etricos, IMPA, 2007.
[El2] Lima, Elon Lages, Elementos de Topologia Geral. Editora SBM, 2009 [MS] Moura, Wagner - Souza, Wellington, Caracteriza¸c˜ao de conceitos To- pol´ogicos Atrav´es da No¸c˜ao de convergˆencia de Redes, 2015.