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Radiol Bras vol.38 número2

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Academic year: 2018

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Radiol Bras 2005;38(2):V–VI

QUAL O SEU DIAGNÓSTICO?

Cinthia Denise Ortega1

, Marcelo Bordalo Rodrigues2

Trabalho realizado no Instituto de Radiologia (InRad) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), São Paulo, SP. 1. Médica Residente do InRad/HC-FMUSP. 2. Médico Assistente do InRad/HC-FMUSP. Endereço para correspondência: Dr. Marcelo Bordalo Rodri-gues. Avenida Doutor Enéas de Carvalho Aguiar, 255. São Paulo, SP, 05403-001. E-mail: [email protected]

Paciente de 25 anos de idade, do sexo masculino, apresentando dor e inchaço do punho direito há um ano, com piora há um mês, quando começou a apresentar limitação aos movimentos do punho.

Figura 4. Reformatação coronal de tomografia computadorizada do punho. Figura 1. Radiografia simples ântero-posterior do punho. Figura 2. Imagem coronal de ressonância magnética ponderada em T1.

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VI Radiol Bras 2005;38(2):V–VI Achados de imagem

Figura 1. Variância ulnar positiva, sem outras alterações evidentes.

Figura 2. Variância ulnar positiva, com impacto sobre a face ulnar proximal do osso semilunar, onde se observa lesão sub-condral com baixo sinal. Há edema da medula óssea nas demais porções do semi-lunar, caracterizado por hipossinal nesta seqüência.

Figura 3. Edema difuso da medula

ós-sea do semilunar. A fibrocartilagem trian-gular e os ligamentos intrínsecos lunopi-ramidal e escafolunar apresentam integri-dade conservada.

Figura 4. Lesão esclerótica subcondral na face ulnar proximal do semilunar, jun-to à extremidade distal da ulna.

Diagnóstico: Síndrome do impacto

ulno-carpal.

COMENTÁRIOS

A síndrome do impacto ulno-carpal é uma alteração degenerativa secundária a sobrecarga crônica na porção ulnar do punho. O impacto crônico da cabeça da ulna com a fibrocartilagem triangular e os ossos semilunar e piramidal é responsável pelos achados típicos encontrados nesta síndrome(1).

As lesões decorrentes do impacto ulnar variam de forma espectral. Inicialmente, pode haver ruptura do complexo da

fibro-cartilagem triangular, lesão condral do semilunar e piramidal, lesões dos ligamen-tos intrínsecos escafolunar e lunopirami-dal e, finalmente, artrose das articulações ulnocarpal e radioulnar distal.

A síndrome do impacto ulno-carpal está associada principalmente à presença de variância ulnar positiva(2). Outros fato-res predisponentes são: fraturas não con-solidadas da cabeça do rádio, fechamen-to precoce da epífise distal do rádio, res-secção da cabeça do rádio e atividades que levem a uma sobrecarga da ulna sobre o carpo.

Clinicamente, a síndrome manifesta-se por dor na face ulnar do punho, intensifi-cando-se ao exercício. As atividades que levam a um aumento da variância ulnar, como pronação, preensão palmar e desvio ulnar do punho, são as mais associadas com a síndrome.

A radiografia simples demonstra, na maioria dos casos, uma variância ulnar po-sitiva, porém, menos freqüentemente, va-riância ulnar neutra ou negativa pode es-tar associada(1,2). Outras alterações morfo-lógicas, como encurtamento do rádio se-cundário a fraturas, ou fechamento epifi-sário precoce e ressecção cirúrgica da ca-beça do rádio, podem ser diagnosticadas pela radiografia simples. Alterações secun-dárias como esclerose e cistos subcorticais da face ulnar proximal do semilunar e pi-ramidal podem ser observadas na

radiogra-fia ou pela tomograradiogra-fia computadorizada (TC). Em casos mais avançados pode ha-ver artropatia degenerativa ulnocarpal. Em caso de forte suspeita clínica e com acha-dos negativos à radiografia simples ou à TC, a ressonância magnética (RM) pode ser útil. Inicialmente, as lesões condrais do semilunar são diagnosticadas, evoluindo com edema da medula óssea caracteriza-do por hipossinal em T1 e hipersinal em T2. O impacto crônico leva à esclerose subcondral, com baixo sinal em T1 e T2. Cistos subcondrais, perfuração da fibro-cartilagem triangular, defeitos condrais do semilunar e piramidal podem ser observa-dos pela RM(3,4).

O diagnóstico diferencial inclui cistos intra-ósseos, necrose do semilunar (doen-ça de Kienboch) e impressões vascula-res(3,4). No impacto ulno-carpal a distribui-ção dos achados no osso semilunar é o principal aspecto a ser considerado(1–4).

REFERÊNCIAS

1.Cerezal L, del Piñal F, Abascal F, Garcia-Valtuille R, Pereda T, Canga A. Imaging findings in ulnar-sided wrist impaction syndromes. RadioGraphics 2002;22:105–21.

2. De Smet L. Ulnar variance and its relationship to ligament injuries of the wrist. Acta Orthop Belg 1999;65:416–7.

3. Escobedo EM, Bergman AG, Hunter JC. MR im-aging of ulnar impaction. Skeletal Radiol 1995;24: 85–90.

Imagem

Figura 1. Radiografia simples ântero-posterior do punho. Figura 2. Imagem coronal de ressonância magnética ponderada em T1.

Referências

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