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AULA 16: Agentes Públicos – Lei 8.112, de 1990 (Parte I) E aí Pessoal? Tudo bem?
Mas é preciso ter raça, é preciso ter força, sempre...
Não é isso que diz a música? Então... Isso é que concurseiro precisa ter: RAÇA, FORÇA! Depois que você vencer essa fase de sua vida, não se preocupe – tudo voltará ao normal: sua vida, seus amigos, família, enfim, tudo voltará. Só que, então, você será servidor, no cargo almejado!
Bom, hoje, damos início ao trato da Lei 8.112/1990, que será a Lei que regerá boa parte dos amigos, não é? Então, tem de gostar dela.
Abraço no coração de todos,
Cyonil Borges e Sandro Bernardes.
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Sumário
1. Introdução: Aspectos Preliminares e Campo de Abrangência da Lei 8.112, de 1990 ... 32. Provimento de Cargos Públicos ... 7
3. Posse X Exercício ... 22
4. Remoção, Redistribuição e Substituição ... 26
5. Vacância ... 31
6. Sistema Remuneratório ... 33
6.1. Vencimento e remuneração ... 33
6.2. Indenizações ... 34
6.3. Gratificações e Adicionais ... 41
6.4. Outros direitos e vantagens dos servidores públicos – férias, licenças, afastamentos e concessões ... 48
6.4.1. Férias (inc. XVIII do art. 7º da Constituição Federal e arts. 77 a 80 da Lei 8.1112/1990) ... 48
6.4.2. Licenças (arts. 81 a 92 da Lei) ... 49
6.4.3. Afastamentos ... 54
6.4.4. Concessões ... 58
6.5. Limites de Despesa com Pessoal ... 59
7. Do Regime Disciplinar dos Servidores Públicos (arts. 116 a 142 da Lei 8.112, 1990) ... 62
7.1. Dos Deveres (art. 116 da Lei) ... 62
7.2. Das Proibições (art. 117 da Lei) ... 64
7.3. Das Responsabilidades (Arts 121 a 126) ... 67
7.4. Das Penalidades Administrativas ... 70
8. Meios de Apuração da Responsabilidade dos Servidores ... 78
8.1. Introdução ... 79
8.2. Sindicância ... 80
8.3. Processo Administrativo Disciplinar (PAD)... 83
8.4. Processo Administrativo de Rito Sumário ... 99
8.5. Revisão dos Processos Disciplinares ... 102
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1. Introdução: Aspectos Preliminares e Campo de Abrangência da Lei 8.112, de 1990
A primeira parte do tópico “agentes públicos” foi reservada ao estudo dos aspectos constitucionais. Tais diretrizes serão válidas para quaisquer concursos públicos, em âmbito Nacional. Hoje, no entanto, teremos contato com os pormenores da Lei 8.112, de 1990, e, portanto, regras e princípios restritos aos servidores civis Federais.
A Lei Federal 8.112/1990 trata do chamado Regime Estatutário dos servidores públicos civis da União. Mais especialmente, a Lei é válida para as pessoas jurídicas de Direito Público da União. É um sistema legal/institucional, e não de natureza contratual (exemplo da Consolidação das Leis Trabalhistas), por se tratar de uma Lei, à qual os ocupantes de cargos, em nível federal, aderirão.
Professor, então quer dizer que a Lei 8.112, de 1990, não se aplica aos demais entes políticos (E, DF e M)?
Verdade. O campo de abrangência é restrito à União. Os Estados e Municípios detêm competência para editar suas próprias leis referentes aos servidores de sua esfera, em razão da autonomia concedida pelo art. 18 da CF/1988. E, como decorrência da autonomia, não haveria óbice de o ente político, por exemplo, editar Lei e recepcionar, facultativamente, a Lei 8.112, de 1990. É o caso do Distrito Federal, que adotou a redação da Lei 8.112, de 1990.
Mas, cuidado!
A Lei do DF é Distrital e não Federal, logo as alterações da Lei 8.112, de 1990, na esfera federal, não se estenderão ao Distrito Federal.Interessante questão é saber a quem compete o encaminhamento do projeto de Lei para se estabelecer o regime jurídico dos servidores públicos.
Na União, ao Presidente da República. Nos demais entes federativos, por simetria, a competência para se estabelecer o regime próprio aplicável aos servidores públicos, ou mesmo alterar o que já fora estabelecido, é do respectivo Chefe do Poder Executivo. Nesse contexto, já decidiu o STF (ADI 3167):
EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI COMPLEMENTAR N. 792, DO ESTADO DE SÃO PAULO. ATO NORMATIVO QUE ALTERA PRECEITO DO ESTATUTO DOS SERVIDORES PÚBLICOS CIVIS ESTADUAIS. OBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS NO PROCESSO LEGISLATIVO ESTADUAL. PROJETO DE LEI VETADO PELO GOVERNADOR.
DERRUBADA DE VETO. USURPAÇÃO DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO CHEFE DO PODER EXECUTIVO. AFRONTA AO
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DISPOSTO NO ARTIGO 61, § 1º, II, C, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL.
1. A Constituição do Brasil, ao conferir aos Estados-membros a capacidade de auto-organização e de autogoverno [artigo 25, caput], impõe a observância obrigatória de vários princípios, entre os quais o pertinente ao processo legislativo, de modo que o legislador estadual não pode validamente dispor sobre as matérias reservadas à iniciativa privativa do Chefe do Executivo. Precedentes.
2. O ato impugnado versa sobre matéria concernente a servidores públicos estaduais, modifica o Estatuto dos Servidores e fixa prazo máximo para a concessão de adicional por tempo de serviço.
3. A proposição legislativa converteu-se em lei não obstante o veto aposto pelo Governador. O acréscimo legislativo consubstancia alteração no regime jurídico dos servidores estaduais.
4. Vício formal insanável, eis que configurada manifesta usurpação da competência exclusiva do Chefe do Poder Executivo [artigo 61, § 1º, inciso II, alínea “c”, da Constituição do Brasil]. Precedentes.
5. Ação direta julgada procedente para declarar inconstitucional a Lei Complementar n. 792, do Estado de São Paulo.
Assim, não cabe a Deputados e Senadores o encaminhamento de projetos para alterar o regime jurídico aplicável a servidores públicos, ainda que para a melhoria das condições aplicáveis a estes.
Por oportuno, relembre-se a expressão “Regime Jurídico” constante do art. 1o da Lei 8.112/1990. Regime jurídico é um conjunto de regras e princípios que regem determinado instituto jurídico. No caso, a Lei 8.112/1990 cuida da “vida funcional” do servidor público, de seu ingresso originário até o rompimento da relação jurídico-funcional, com ou sem extinção definitiva do vínculo.
Houve a referência de que a abrangência da Lei é restrita aos cargos públicos existentes na estrutura das pessoas de Direito Público. Então quer dizer que todos os cargos, na esfera federal, serão regidos pela Lei 8.112, de 1990?
Não é bem assim! A Lei 8.112/1990 não abrange a totalidade dos agentes públicos, mas somente os servidores públicos ocupantes de cargos públicos das pessoas jurídicas de Direito Público (Administração Direta e Indireta de Direito Público, inclusive, agências especiais). Os cargos públicos estatutários são efetivos ou
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comissionados. O diploma não abrange, por exemplo, os agentes políticos (Presidente da República, Deputados, Magistrados), tampouco os particulares em colaboração (Leiloeiros e tradutores, por exemplo), ou empregados públicos (celetistas).
Professor, e a história de quebra de regime jurídico? Há ou não a flexibilidade para que, por exemplo, as Agências Reguladoras (Autarquias em Regime Especial) contratem servidores sob o regime celetista?
Então, com a cautelar proferida nos autos da ADI-STF 2135, não cabe mais a contratação de empregados públicos na Administração Direta, Autárquica e Fundacional. Portanto, reforça-se a conclusão de que, em âmbito federal, o Regime Jurídico Único dos servidores públicos é o estabelecido pela Lei 8.112/1990, a qual, contudo, não se aplica às sociedades mistas, empresas públicas e demais empresas controladas direta ou indiretamente pela União.
Fixação
(CESPE-AUDITOR FEDERAL DE C. EXTERNO-AUDITORIA DE OBRAS PÚBLICAS-TCU- JUL-2009)
Acerca da administração pública, julgue os itens que se seguem.
Atualmente, em razão de decisão do Supremo Tribunal Federal, a União, os estados, o Distrito Federal (DF) e os municípios devem instituir, no âmbito de suas competências, regime jurídico único e planos de carreira para os servidores da administração pública direta, das autarquias e das fundações públicas.
Comentários:
O Regime Jurídico deve ser único, porém no âmbito das pessoas jurídicas da Federação. O item sugere que TODOS os entes teriam um só regime jurídico, para o universo dos servidores. Isso está ERRADO.
Gabarito: ERRADO.
Fixação
(CESPE-JUIZ-TRT-1aR-2010) Em 2007, o STF deferiu medida cautelar, com efeitos retroativos, restabelecendo a eficácia da redação original do art. 39, caput, da CF, que previa o regime jurídico único. Com essa decisão, não mais se admite a criação de empregos públicos no âmbito da administração direta, autárquica e fundacional, devendo ser invalidadas as situações constituídas anteriormente a 2007 que ignorem a existência do regime único.
Comentários:
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O erro está em dizer que as situações anteriores à prolação da ADI 2135 deveriam ser desconstituídas. Desnecessário! Em sede de cautelar, os efeitos são ex nunc, isto é, efeitos proativos, a não ser que o STF modulasse os efeitos.
Gabarito: ERRADO.
Fixação
(CESPE-TÉCNICO ADM.-TRE-GO-FEV-2009) Tendo em vista o regime jurídico aplicável aos servidores públicos federais, assinale a opção correta.
A) O regime estatutário é o regime jurídico aplicável aos servidores da administração direta, mas não aos das autarquias e fundações públicas, pois estas, como entidades que integram a administração indireta, submetem-se ao regime celetista.
B) Com a Emenda Constitucional n.º 19/1998, não mais se exige, para os servidores da administração direta, autárquica e fundacional, que seja observado unicamente o regime estatutário, podendo esses servidores, além do disposto nos estatutos, ter suas relações laborais norteadas também pela CLT.
C) Os órgãos da administração direta têm de observar unicamente o regime estatutário, no qual constam todos os requisitos necessários para investidura, remuneração, promoção, aplicação de sanções disciplinares, entre outros.
D) A Lei n.º 8.112/1990 é aplicável tanto aos servidores da administração direta quanto aos empregados das empresas públicas.
Estão sujeitos ao regime geral das empresas privadas apenas os servidores das sociedades de economia mista, que têm a natureza de pessoa jurídica de direito privado.
Comentários:
O interessante dessa questão foi a alteração do gabarito de letra “B” para letra “C”.
A opção “B” está, de fato, errada, pois o STF deferiu medida cautelar na ADI 2135, para o fim de suspender a eficácia do caput do art. 39 da Constituição, fazendo voltar a valer a redação anterior do dispositivo, pelo qual havia sido instituído o regime jurídico único.
E a opção “C” está certa, uma vez que os órgãos da Administração Direta têm de observar unicamente o regime estatutário. É bem provável que a expressão “TODOS” tenha chamado a atenção. A Lei 8.112/1990 estabelece, de modo geral, TODOS os requisitos necessários à investidura, remuneração, promoção, etc., o não impede que, de modo mais específico, normas cuidem de outros requisitos.
Gabarito: alternativa “C”.
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Fixação
(ESAF/PGFN/PROCURADOR/2012) No que se refere ao chamado Regime Jurídico Único, atinente aos servidores públicos federais, é correto afirmar que:
a) tal regime nunca pôde ser aplicado a estatais, sendo característico apenas da Administração direta.
b) tal regime, a partir de uma emenda à Constituição Federal de 1988, passou a ser obrigatório também para as autarquias.
c) consoante decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal, a obrigatoriedade de adoção de tal regime não mais subsiste, tendo-se extinguido com a chamada Reforma Administrativa do Estado Brasileiro, realizada por meio de emenda constitucional.
d) tal regime sempre foi aplicável também às autarquias.
e) tal regime, que deixou de ser obrigatório a partir de determinada emenda constitucional, passou a novamente ser impositivo, a partir de decisão liminar do Supremo Tribunal Federal com efeitos ex nunc.
Comentários:
Como sobredito, o efeito da cautelar na ADI 2135 foi ex nunc, isto é, efeitos proativos.
Gabarito: alternativa “E”.
2. Provimento de Cargos Públicos
O início da relação do candidato com o cargo público e com a Administração Pública se dá com o provimento.
Provimento é o ato administrativo mediante o qual uma pessoa passa agrega ao cargo público, ou seja, é o ato de “preenchimento”
de “lugar” na estrutura da Administração. O provimento pode ser originário ou derivado. A forma originária de provimento é a nomeação. Antes dela, a pessoa é mera pretendente a um cargo, é dizer, um concursando.
Observa-se que os cargos em comissão também têm provimento, porém apenas originário (nomeação). Não há aplicação das demais formas de provimento (derivado, no caso) aos detentores de cargos comissionados.
Todas as formas de provimento serão explicadas. Abaixo as formas de provimento previstas na Lei:
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Nomeação Provimento Originário
Aproveitamento Promoção
Reintegração
Provimento Derivado
Recondução Readaptação Reversão
Portanto, são sete as formas de provimento: nomeação, aproveitamento, promoção, reintegração, recondução, readaptação, e reversão. Guarda a expressão: NAP + 4 RE. O que é isso? As iniciais de cada uma das formas de provimento. Fazer o quê? Tem que dar um jeito de lembrar!
Veremos que, para cada uma das formas de provimento que começam com RE, há uma palavra-chave para memorização.
Exemplo: reintegração – palavra chave: DEMISSÃO.
Voltando ao quadro acima, nota que APENAS A NOMEAÇÃO é chamada de provimento originário. Pois é. As demais são DERIVADAS, isto é, dependem que, primeiro, a nomeação ocorra.
Professor, a Lei 8.112, de 1990, previa a transferência e a ascensão como formas de provimento. Por que foram revogadas?
Sobre o tema, veja a questão a seguir.
(2013/CESPE/TRE-MS/Analista Judiciário) De acordo com a legislação vigente, a ascensão e a transferência são consideradas formas de provimento de cargo público.
Comentários:
O item está ERRADO.
Não há previsão de ascensão ou transferência como formas de provimento.
Na realidade, essas duas figuras já foram tratadas pela norma como formas de provimento. Entretanto, por ofenderem o princípio do concurso público,
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permitindo o ingresso a cargo público diverso do qual se concorreu, foram declaradas inconstitucionais pelo STF, e, bem por isso, revogadas da Lei 8.112/1990.
Gabarito: ERRADO.
Vejamos, abaixo, os detalhes das principais formas de provimento.
A nomeação é a única forma de provimento originário, é com ela que se inaugura o vínculo do pretenso servidor com a Administração.
Há bons concursandos que confundem a nomeação com a posse. Isso não pode acontecer, afinal são coisas distintas. NOMEAÇÃO é o primeiro provimento. POSSE é o ato formal em que o candidato nomeado firma o compromisso de exercer o cargo, ou seja, é o ato solene em que o candidato declara “aceitar o cargo”.
Como sobredito, há nomeação e posse para cargos efetivos e comissionados. Sobre o tema, vejamos o teor da Lei 8.112/1990:
Art. 9o A nomeação far-se-á:
I - em caráter efetivo, quando se tratar de cargo isolado de provimento efetivo ou de carreira;
II - em comissão, inclusive na condição de interino, para cargos de confiança vagos. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
Parágrafo único. O servidor ocupante de cargo em comissão ou de natureza especial poderá ser nomeado para ter exercício, interinamente, em outro cargo de confiança, sem prejuízo das atribuições do que atualmente ocupa, hipótese em que deverá optar pela remuneração de um deles durante o período da interinidade.
Aproveitando o artigo da Lei, nota a possibilidade de interinidade, em que o comissionado responde provisoriamente por outro cargo de confiança. Inclusive, o assunto costuma ser exigido em prova.
Abaixo:
FCC - TJ TRF2/Administrativa/2007
De acordo com a Lei n.º 8.112/90, a nomeação far-se-á em
a) comissão, quando se tratar de cargo isolado de provimento efetivo ou de carreira.
b) comissão, exceto na condição de interino, para cargos de confiança vagos.
c) comissão, inclusive na condição de interino, para cargos de confiança vagos.
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d) caráter transitório, quando se tratar de cargo isolado de provimento efetivo ou de carreira.
e) caráter efetivo, exceto na condição de interino, para cargos de confiança vagos.1
A promoção é, também, forma de provimento prevista na Lei 8.112/1990. Trata-se de movimento vertical na estrutura de carreira, com a adição de vencimentos e responsabilidades. Nesse caso, depois de percorrer padrões dentro de uma determinada classe, o servidor muda de classe. A promoção, portanto, só existe nos cargos organizados em carreira. Não há promoção em relação a cargos isolados. A promoção dá-se por merecimento e por antiguidade (tempo de serviço). Chama-se a atenção:
I) há quem critique a inserção da promoção como forma de provimento. De fato, ao ser promovido, o servidor continua ligado ao cargo público, sendo discutível, doutrinariamente, ver-se a promoção como forma de provimento. Todavia, para fins de concursos públicos, a discussão é estéril, uma vez que a Lei 8.112/1990 prevê, textualmente, a promoção;
II) não há que se falar de promoção de uma carreira para outra, como de Técnico para Auditor, por exemplo. Esse é um caso de
“ascensão”, o que, na visão do STF, é inadmissível;
III) a promoção acarreta, simultaneamente, promoção e vacância.
Atenta para essa informação, uma vez que o examinador adora
“brincar” com as formas simultâneas de vacância e de provimento.
Por fim, esclareça-se que os requisitos para a promoção devem estar dispostos em Lei. Não há impedimento de a Administração regulamente o instituto por meio de atos normativos próprios.
Vejamos o aproveitamento.
O aproveitamento, em regra, diz respeito ao retorno ao serviço público de servidor estável que estava em disponibilidade (art. 30 da Lei 8.112/1990). Disponibilidade não é nada mais que estar sem trabalhar, ocorrendo em razão da extinção do cargo ou da declaração da desnecessidade. Há outras hipóteses de aproveitamento, como, por exemplo, na hipótese de reintegração do titular de um cargo, o qual havia sido demitido anteriormente. Mas vamos falar disso mais adiante, ok?
Nota que foi destacado no parágrafo acima o estável. Pois é. De acordo com a Lei, apenas os servidores já estáveis têm direito de serem postos em disponibilidade, e, por conseguinte, de serem aproveitados.
1 Gabarito: Letra C.
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E se o servidor não for estável?
Para boa parte da doutrina, caberá exoneração do servidor. De toda forma, admitida a exoneração, deverão ser observados os critérios objetivos para tanto, isto é, o ato, além de motivado, deve contar com amparo em razões plausíveis (Recurso Extraordinário 378041). Durante o período de disponibilidade, o servidor fará jus à remuneração proporcional ao tempo de serviço (§ 3º do art. 41 da CF, de 1988).
Duas últimas observações em relação ao aproveitamento:
- se o servidor, em disponibilidade, não entrar em exercício, para o aproveitamento, sem justo motivo (exemplo de doença comprovada por junta médica oficial), a disponibilidade será cassada, e
- o aproveitamento é ato vinculado, ou seja, por mais que o servidor esteja recebendo proventos proporcionais, o fato é que está “ganhando sem trabalhar”, e, bem por isso, deve retornar ao cargo.
Fixação
(2012/FCC/TRE-SP/Analista-Contabilidade) Para responder à questão, considere a Lei no 8.112/1990.
Miguel servidor público federal, ocupava o cargo de analista judiciário da área administrativa, junto ao Tribunal Regional Eleitoral.
Atualmente encontra-se em disponibilidade. Entretanto será possível seu retorno à atividade, a ser feita por
a) remoção, de ofício ou a pedido, para cargo de atribuições correlatas e vencimentos assemelhados, ou não, com o anteriormente ocupado.
b) redistribuição obrigatória em função de atribuições e remuneração assemelhadas com o anteriormente ocupado.
c) substituição facultativa, em qualquer cargo com atribuições e vencimentos correlatos com o exercício da função.
d) aproveitamento facultativo em cargo de atribuições e vencimentos superiores com o exercício da função anterior.
e) aproveitamento obrigatório em cargo de atribuições e vencimentos compatíveis com o anteriormente ocupado.
Comentários:
Nessa questão, a grande ‘sacada’ é saber se o aproveitamento é facultativo ou obrigatório. A resposta é dada pela Lei 8.112/1990. Vejamos:
Art. 30. O retorno à atividade de servidor em disponibilidade far-se-á mediante aproveitamento obrigatório em cargo de atribuições e vencimentos compatíveis com o anteriormente ocupado.
Profº. Cyonil Borges e Sandro Bernardes www.estrategiaconcursos.com.br 12 Então, está resolvida a questão – o gabarito é a Letra “E”.
Gabarito: alternativa E.
A reintegração, por sua vez, ocorre no caso de desfazimento de decisão que levou à demissão de servidor estável. A palavra-chave para a reintegração é, portanto, DEMISSÃO. A invalidação da decisão pode ser administrativa ou judicial.
Professor, e se o cargo do sujeito que foi demitido estiver ocupado? Vai ser reintegrado onde?
É fato que o servidor demitido não pediu para sair do cargo.
Retiraram-lhe da função. Por isso, se o cargo do reintegrado estiver ocupado, o ocupante, se estável, deverá ser reconduzido ao seu cargo de origem (se ainda estiver vago), aproveitado em outro cargo, ou mesmo posto em disponibilidade, sem direito a qualquer indenização.
Perceba que, na reintegração e recondução, o servidor público deve ser estável. Apesar de extremamente criticável, é o que dispõe a CF/1988 (§ 2º do art. 41). Duas outras importantes observações:
- caso o servidor não estável seja injustamente demitido, deve, também, retornar ao cargo ocupado. Entretanto, tecnicamente isso não pode ser chamado de reintegração, a qual exige, como condição, a estabilidade do servidor. O retorno do não estável, portanto, é forma inominada de provimento derivado.
- ao ser reintegrado, o servidor fará jus a todas as vantagens e direitos. Enfim, terá direito a tudo que deveria ter recebido durante o período em que permaneceu fora da Administração. E, para o STJ, os direitos pecuniários devem ser reconhecidos para o servidor desde a data de sua demissão injusta, e não apenas a partir do ajuizamento da eventual ação judicial (RMS 32257).
Professor, e se o servidor demitido morrer previamente à reintegração?
A demissão, especialmente na esfera administrativa, costuma ser feita de forma apressada, mas a reparação no Judiciário, infelizmente, é lenta, logo é bem provável que o servidor morra antes de conseguir a reintegração. Ocorre que, para o STJ (Recurso Especial 1239267), a reintegração no cargo é pessoal. A anulação de demissão, no entanto, tem reflexos para os herdeiros, isto é, as remunerações e a pensão deverão ser legadas aos sucessores/herdeiros do servidor.
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Fixação
(ESAF-ESPECIAL. POLÍT. PÚB. E GESTÃO GOV.-MPOG-JUN- 2008) Assinale a opção incorreta, nos termos da Constituição Federal de 1988, o que ocorre caso seja invalidada, por sentença judicial, a demissão de servidor estável.
a) Será ele reintegrado, e o eventual ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo de origem.
b) O servidor estável, quando posto em disponibilidade em virtude de extinção do cargo, após ser reintegrado, perceberá remuneração até seu adequado aproveitamento em outro cargo.
c) Extinto o cargo ou declarada sua desnecessidade, o servidor estável ficará em disponibilidade.
d) O eventual ocupante da vaga, ao ser reconduzido ao cargo de origem, faz jus à indenização, visto que não agiu de má-fé.
e) A aquisição da estabilidade exige lapso temporal de efetivo exercício e avaliação especial de desempenho de forma obrigatória.
Comentários:
Nota que o examinador pede o INCORRETO nesta questão. E é a letra “D”, uma vez que o ocupante da vaga do servidor que está em processo de reintegração não faz jus a nenhuma indenização.
Gabarito: alternativa D.
Vamos à recondução.
Nos termos da Lei, a recondução ocorre em duas hipóteses: na reintegração do ocupante do cargo e na inabilitação de estágio probatório.
Interessante questão diz respeito à possibilidade da recondução a pedido. Por exemplo: um Analista Judiciário logrou êxito no concurso para Auditor da Receita Federal. O Analista, que já era estável no serviço público federal, resolve tomar posse e entrar em exercício no cargo de Auditor. Posteriormente, descontente com o novo cargo, resolve pedir para ser reconduzido.
Tal situação é juridicamente possível, afinal o ato é menos gravoso do que a reprovação do servidor no estágio probatório.
Inclusive, esse foi o entendimento do STF no RMS 22.933-DF.
Portanto, não há dúvida de que se reconhece o direito do servidor estável à recondução enquanto durar o estágio probatório do novo cargo. Seja pela inabilitação no novo cargo, ou mesmo em razão de pedido do servidor, o STF tem resguardado esse direito do servidor, enquanto dura o estágio probatório no novo cargo.
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Fixação
(2006/JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5.ª REGIÃO) Com referência ao regime dos servidores públicos, julgue os itens seguintes. Conforme entendimento do STF, o servidor público federal tem direito de retornar a cargo federal anterior, mesmo após o estágio probatório de novo cargo assumido.
Comentários:
Como sobredito, o direito à recondução do servidor retornar ao cargo anteriormente ocupado perdura enquanto não transposto o estágio probatório no novo cargo. Vejamos o entendimento do STF a respeito:
“O direito de o servidor, aprovado em concurso público, estável, que presta novo concurso e, aprovado, é nomeado para cargo outro, retornar ao cargo anterior ocorre enquanto estiver sendo submetido ao estágio probatório no novo cargo: Lei 8.112/90, art. 20, § 2º. É que, enquanto não confirmado no estágio do novo cargo, não estará extinta a situação anterior.”.
E mais um detalhe: para que se garanta o direito de recondução, o servidor há de ser ESTÁVEL, ok? O item omite tal informação, e se torna, no mínimo, dúbio.
Gabarito: ERRADO.
Fixação
(2013/CESPE/TRE-MS/Técnico Judiciário) Ao funcionário público federal estável aprovado em novo concurso público, para outro órgão, mas não habilitado no estágio probatório desse novo cargo aplica-se, para que retorne ao cargo por ele anteriormente ocupado, o instituto da
a) reversão.
b) reintegração.
c) redistribuição.
d) recondução.
e) readaptação.2
Professor, se o servidor da União passa para o Estado. E, durante o estágio, é inabilitado, ou, ainda, desiste. O servidor terá direito à recondução?
Sim! O Tribunal de Contas da União, a Advocacia-Geral da União e a jurisprudência dos Tribunais admitem a recondução entre esferas federativas distintas. Contudo, a doutrina oscila, pois quando o servidor muda de esfera (da federal para estadual, por exemplo),
2 Gabarito: Letra D.
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haveria o rompimento do regime jurídico aplicável (não será mais a Lei 8.112/1990), e, com isso, o elo do servidor com o cargo anterior se quebra, não permitindo seu retorno.
Detalhe doutrinário de relevo é que a recondução é entendida pela doutrina como hipótese de vacância. Ou seja, ao tempo em que a recondução é provimento, no caso de inabilitação em estágio probatório (reprovação ou voluntária), também seria gerada vacância. Explica-se. O “sujeito” é Auditor do TCU (estável), passa para o concurso de auditor da Receita Federal. É reprovado no estágio probatório e é reconduzido para o cargo do TCU. Resultado:
vacância na Receita; provimento no TCU. Esse é um entendimento doutrinário, afinal o art. 33 da Lei 8.112/1990 não lista a recondução como forma de vacância.
Fixação
(AGU/94) O ato, relativo a servidor, que configura caso simultâneo de provimento e vacância do cargo público é a
a) readmissão b) recondução c) redistribuição d) reintegração e) reversão 3
Vejamos a readaptação.
A readaptação é a possibilidade de recolocação do servidor que tenha sofrido limitação (que é nossa palavra-chave para esta forma de provimento), física ou sensível (mental), em suas habilidades, impeditiva do exercício das atribuições do cargo que ocupava.
Portanto, pela readaptação, o servidor será remanejado para um cargo compatível com sua nova situação laboral.
Por exemplo: um professor, após anos de magistério, acaba ficando com as cordas vocais prejudicadas. Com isso, acaba sendo readaptado num cargo administrativo, compatível com o novo estado laboral em que encontra.
A doutrina entende, ainda, que a readaptação é ato vinculado, ou seja, sendo possível, deve ser realizada, na ocasião de o servidor ter atravessado limitação em sua capacidade laboral. Caso não seja possível, o servidor deve ser aposentado por invalidez.
3 Gabarito: letra B.
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Para que possa ocorrer a readaptação, o novo cargo terá que ser compatível com o anterior, é dizer, com atribuições afins, nível de escolaridade compatível. Desse modo, não pode, por exemplo, um auditor do INSS (cargo de atribuição de nível superior) ser readaptado na condição de motorista (cargo de nível médio, com atribuições nitidamente diferenciadas).
Ressalta-se que, na hipótese de inexistência de cargo vago, o readaptando exercerá suas atribuições na condição de excedente.
Excedente não se confunde com disponibilidade. O excedente trabalha, e, por isso, recebe normalmente sua remuneração. O servidor em disponibilidade não está trabalhando, e, por isso, recebe remuneração proporcional ao tempo de serviço.
A readaptação é instituto que atende servidor detentor de cargo efetivo. Com outras palavras, os servidores exclusivamente comissionados não são amparados pela readaptação. Sobre o tema, já decidiu o STJ (Recurso Especial 749852):
Agravo Regimental. Administrativo. Servidor Público ocupante de cargo comissionado sem vínculo efetivo com a Administração Pública. Readaptação. Impossibilidade.
Por fim, destaca-se que, à semelhança da promoção, a readaptação é forma de simultânea de vacância e provimento.
Fixação
(ESAF - ANA. FIN. E CONT.-DESENV. INSTIT.-CGU-MAR-2008) São hipóteses de vacância que importam provimento em novo cargo:
a) promoção e readaptação.
b) exoneração e demissão.
c) aposentadoria e posse em outro cargo inacumulável.
d) redistribuição e remoção.
e) disponibilidade.
Comentários:
Pela Lei 8.112/1990, são formas simultâneas de provimento e vacância (art.
8º e 33, respectivamente) - promoção e readaptação.
Nas letras “B” e “C”, temos apenas formas de vacância.
Na Letra “D”, formas de deslocamento.
E na Letra “E”, temos um período possível na vida do servidor, em face da extinção do cargo ou da declaração de sua desnecessidade.
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Apenas um detalhe. O examinador da ESAF já considerou a recondução e a posse noutro cargo inacumulável como formas simultâneas de provimento/vacância.
Gabarito: alternativa A.
Fixação
(2012/ESAF/Receita/ATA) - Abaixo se encontram relacionadas algumas hipóteses de vacância do cargo público. Analise cada uma das hipóteses e assinale (1) caso ela implique simultaneamente o provimento de novo cargo pelo servidor e (2) para aquelas que não se relacionem a provimento de novo cargo. Após a análise, assinale a opção que contenha a sequência correta.
1. Demissão ( ) 2. Exoneração ( ) 3. Promoção ( ) 4. Aposentadoria ( )
5. Posse em outro cargo inacumulável ( ) 6. Readaptação ( )
a) 2 / 2 / 2 / 1 / 1 / 1 b) 2 / 2 / 1 / 2 / 1 / 1 c) 1 / 2 / 1 / 2 / 1 / 1 d) 2 / 1 / 1 / 2 / 1 / 2 e) 2 / 2 / 1 / 2 / 2 / 1
Comentários:
Questão que poderia ser formulada com mais técnica.
Inicialmente, lembre-se de que provimento significa o ato administrativo pelo qual um cargo público passa a estar preenchido. E vacância, quando o cargo está vago.
De acordo com a Lei 8.112/1990, são formas de provimento:
Art. 8o São formas de provimento de cargo público:
I - nomeação;
II - promoção;
III – REVOGADO;
IV – REVOGADO;
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VI - reversão;
VII - aproveitamento;
VIII - reintegração;
X - recondução.
Como o examinador pede formas que também são de vacância, deve-se fazer a leitura do seguinte dispositivo:
Art. 33. A vacância do cargo público decorrerá de:
I - exoneração;
II - demissão;
III - promoção;
IV – REVOGADO;
V – REVOGADO;
VI - readaptação;
VII - aposentadoria;
VIII - posse em outro cargo inacumulável;
IX - falecimento.
Perceba que, DE ACORDO COM A LEI, a promoção e a recondução são formas SIMULTÂNEAS de provimento e vacância.
Ocorre que o examinador considerou que a POSSE EM OUTRO CARGO INACUMULÁVEL é hipótese de provimento/vacância simultâneos também.
Para parte da doutrina, QUE NÃO FOI CITADA COMO FUNDAMENTO PARA RESOLUÇÃO DA QUESTÃO, de fato o é.
Entenda-se: o sujeito é servidor de nível médio de um órgão público. Passa noutro concurso, de nível superior. Os cargos são inacumuláveis, por não se enquadrarem em uma das hipóteses autorizadas pela CF/1988 (inc. XVI do art. 37, veja legislação abaixo). Daí, o sujeito em questão tem de pedir vacância DO PRIMEIRO para tomar posse NO SEGUNDO cargo. Entretanto, o examinador não deixou claro que pedia o entendimento DOUTRINÁRIO acerca de tal circunstância. Isso, então, leva à dubiedade: para responder o quesito, o examinador demandou do candidato a LITERALIDADE DA LEI, como muitas vezes faz, ou o entendimento da doutrina (que é oscilante, diga-se)? Poder-se-ia pleitear a inversão do gabarito para a Letra E, por prestigiar os que se ativeram a literalidade da Lei. Mas isso também não seria justo, uma vez que muitos certamente se ativeram ao que diz a doutrina, sendo levados a marcar a letra D. Por conta disso, melhor seria a anulação do item, uma vez que o comando não é claro quanto à exigência do conhecimento necessário para a resolução da questão analisada. Isso, entretanto, não ocorreu e o gabarito foi mantido.
Gabarito: alternativa B.
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Fixação
(2011/FCC/TÉCNICO/TRE-RN) A investidura do servidor em cargo de atribuições e responsabilidades compatíveis com a limitação que tenha sofrido em sua capacidade física ou mental, verificada em inspeção médica, denomina-se:
(A) readaptação.
(B) recondução.
(C) reversão.
(D) reintegração.
(E) remoção.4
A reversão é o retorno do servidor aposentado à atividade. Pode ser de dois tipos: por insubsistência de motivo de invalidez (de ofício) ou no interesse da Administração (a pedido).
Na insubsistência de motivo de invalidez (reversão DE OFÍCIO), a causa que levou à aposentadoria (uma enfermidade) não existe mais.
Em tal situação, o servidor em processo de reversão deverá ser submetido ao exame da junta médica oficial, a qual deverá declarar que inexiste o fato motivador da aposentadoria. Estando provido o cargo do servidor revertido, este exercerá suas atribuições como excedente, até a ocorrência de vaga.
Nota que o excedente pode surgir em duas circunstâncias: na readaptação e na reversão de ofício. Atenta pra isso, pois, a princípio, o revertido não ficará na condição de disponível, mas sim excedente, trabalhando e recebendo integralmente sua remuneração.
Já na reversão no interesse da Administração (a pedido), os seguintes requisitos devem ser satisfeitos (de acordo com o art. 25 da Lei 8.112, de 1990):
a) o servidor aposentado requer a reversão e não ter completado 70 anos (idade da aposentadoria compulsória);
b) a aposentadoria tenha sido voluntária, afinal se a aposentadoria foi por invalidez, a reversão será de ofício;
c) o servidor era estável;
d) a aposentadoria tenha ocorrido nos cinco anos anteriores à solicitação;
4 Gabarito: Letra A.
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e) existência de cargo vago (na reversão no interesse da Administração não há exercício na condição de excedente).
Enfatiza-se que, embora preenchidos todos os requisitos legais, não há direito adquirido à reversão, ficando a decisão a critério da Administração.
Outro ponto importante é o prazo máximo (prescricional) no qual poderia ocorrer a reversão de ofício (invalidez do servidor). Os cinco anos, acima citados, são válidos para a reversão a pedido. Sobre o tema, decidiu o STJ (Recurso Especial 830116):
Direito Administrativo. Processual civil. Agravo Regimental no Recurso Especial. Servidor público federal. Aposentadoria por invalidez. Reversão ao serviço público. Fundamento exclusivamente constitucional. Prescrição. Não ocorrência. Ofensa ao art. 535 do CPC não demonstrada.
Agravo improvido.
Enfim, não há, na opinião do STJ, prazo prescricional para a reversão de ofício.
Por fim, é digno de nota que o servidor que retornar à atividade por interesse da administração perceberá, em substituição aos proventos da aposentadoria, a remuneração do cargo que voltar a exercer, inclusive com as vantagens de natureza pessoal que percebia anteriormente à aposentadoria. Ou seja, ao ser revertido, o servidor fica recebendo APENAS a remuneração ou o subsídio correspondente ao desempenho do cargo, deixando de receber os proventos de aposentadoria.
Fixação
(2011/FCC/TRF1/Analista) - João, servidor público federal, estável, retorna a cargo anteriormente ocupado em virtude de inabilitação em estágio probatório relativo a outro cargo. Maria, servidora pública federal, aposentada por invalidez, retorna à atividade, tendo em vista que a junta médica oficial declarou insubsistentes os motivos de sua aposentadoria.
Os exemplos narrados correspondem, respectivamente, às seguintes formas de provimento de cargo público:
a) readaptação e aproveitamento.
b) reintegração e recondução.
c) reversão e readaptação.
d) recondução e reversão.
e) aproveitamento e reintegração
Comentários:
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Analise, primeiramente, a situação de João: foi inabilitado em estágio probatório. Agora, vejamos o que informa a Lei 8.112/1990:
Art. 29. Recondução é o retorno do servidor estável ao cargo anteriormente ocupado e decorrerá de:
I - inabilitação em estágio probatório relativo a outro cargo;
Então, só com isso, a questão está resolvida. A situação de João é hipótese de recondução.
Já a segunda situação, de Maria, que estava aposentada, amolda-se ao seguinte dispositivo:
Art. 25. Reversão é o retorno à atividade de servidor aposentado:
I - por invalidez, quando junta médica oficial declarar insubsistentes os motivos da aposentadoria; ou
Então, a situação de Maria é de reversão. Com isso, está certa a Letra “D”.
Gabarito: alternativa D.
Fixação
(2012/FCC/2012/TRE-CE/TÉCNICO JUDICIÁRIO - OPERAÇÃO DE COMPUTADOR) Considere os seguintes requisitos:
I. A aposentadoria tenha sido voluntária.
II. Funcionário estável quando na atividade.
III. Aposentadoria tenha ocorrido nos sete anos anteriores à solicitação.
IV. Existência de solicitação de reversão.
Para a Reversão de servidor aposentado no interesse da administração, são necessários, dentre outros requisitos, os indicados APENAS em
a) I, II e III.
b) I e II.
c) II e IV.
d) I, II e IV.
e) III e IV.
Comentários:
O erro do item III é que, no caso de reversão a pedido, a aposentadoria deve ter ocorrido nos últimos cinco anos.
Gabarito: alternativa D.
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A seguir, síntese das formas de provimento:
FORMA DE PROVIMENTO RAZÃO/PALAVRA-CHAVE
Nomeação Provimento originário
Aproveitamento Em regra, retorno à atividade do servidor que estava em disponibilidade
Promoção Crescimento na carreira
Reintegração Demissão. Voltou. Reintegrou.
Recondução Voltar ao cargo anteriormente
ocupado.
Readaptação Servidor sofreu limitação em
sua capacidade de trabalho.
Sendo possível, será readaptado.
Reversão O aposentado voltou ao
exercício de cargo ativo.
OBSERVAÇÃO:
remoção/redistribuição Não são formas de provimento, e sim de deslocamento de servidor ou cargo
3. Posse X Exercício
A posse é o ato administrativo que “aperfeiçoa” a nomeação, é dizer, sem a posse, de nada vale a nomeação. Bem por isso a Lei 8.112/1990 registra que a investidura do servidor ocorrerá com a posse. Além disso, a doutrina sinaliza que se o nomeado não tornar posse, o ato jurídico [de nomeação] será tornado sem efeito. O prazo para a posse é improrrogável e de trinta dias, contados da nomeação.
Vejamos algumas informações de interesse:
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1ª - Na posse, não há que se falar em “assinatura de contrato”. É assinado um termo, no qual são firmados os compromissos do servidor;
2ª - É possível a posse mediante procuração específica (§ 3º do art.
13, Lei 8.112/1990);
3ª - Não se pode confundir posse com exercício. O “exercício” quer dizer “começar a trabalhar”. Pode não coincidir com a posse. Olha o que nos informa o §1º do art. 15 da Lei 8.112, de 1990:
É de quinze dias o prazo para o servidor empossado em cargo público entrar em exercício, contados da data da posse.
Bom, só para registro: o servidor só fará jus à remuneração a partir do EXERCÍCIO e não da POSSE. Tem de trabalhar para receber!
Existem circunstâncias que, caso incorridas por alguém que seja servidor, prorrogam sua posse. São elas (art. 12, §3º, da Lei 8.112/1990):
Licenças: art. 81
I- por motivo de doença em pessoa da família III- para o serviço militar
V- para capacitação
Afastamentos: art. 102 I- férias
IV- participação em programa de treinamento regularmente instituído ou em programa de pós-graduação stricto sensu no País, conforme dispuser o regulamento;
VI- júri e outros serviços obrigatórios por lei VIII- licença:
"a" à gestante, à adotante e à paternidade
"b" para tratamento da própria saúde, até o limite de vinte e quatro meses, cumulativo ao longo do tempo de serviço público prestado à União, em cargo de provimento efetivo
"d" por motivo de acidente em serviço ou doença profissional
"e" para capacitação, conforme dispuser o regulamento
"f" por convocação para o serviço militar
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IX- deslocamento para a nova sede em razão de ter sido removido, redistribuído, requisitado, cedido ou posto em exercício provisório
X participação em competição desportiva nacional ou convocação para integrar representação desportiva nacional, no País ou no exterior, conforme disposto em lei específica.
Fixação
(2008/ESAF-PROC. SELET. INTERNO-MINISTÉRIO DA FAZENDA) Determinado candidato aprovado em concurso público para o provimento de cargo no Ministério da Fazenda foi nomeado, com publicação do ato respectivo em 1º de janeiro. De imediato, o referido candidato informou que se encontrava de férias, por 30 dias e justamente a partir do dia 1º de janeiro, em razão de outro cargo que então ocupava, no Ministério da Justiça. Em vista de tais fatos, é correto afirmar que tal candidato:
a) a despeito de estar de férias, terá que tomar posse no novo cargo, se não quiser perder tal direito, em 30 dias a contar da referida publicação de nomeação.
b) a despeito de estar de férias, terá que tomar posse no novo cargo, se não quiser perder tal direito, em 15 dias a contar da referida publicação de nomeação.
c) ainda que, em tese, devesse tomar posse em 30 dias a partir da publicação do ato, poderá pedir a prorrogação do prazo para posse, por mais 15 dias, para que ocorra até meados de fevereiro.
d) tem direito a que o prazo para sua posse seja contado somente a partir do término de suas férias.
e) tem direito a que seja feita nova publicação do ato de nomeação, após o término de suas férias.
Comentários:
As férias prorrogam a posse de alguém que, já servidor, encontrava-se de férias.
Gabarito: alternativa D.
Detalhe – só há de se falar em posse no caso de nomeação para cargo público, seja ele efetivo ou em comissão. No caso de funções de confiança, há mera designação.
De toda forma, caso um servidor seja designado para o desempenho de função de confiança, aplicam-se as possibilidades de prorrogação do exercício dela, em face do que diz a Lei 8.112/1990. Entretanto, há algo muito próprio no caso daquele que é designado para o
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desempenho de função de confiança: a licença ou afastamento não poderá exceder a trinta dias da publicação, sob pena de tal designação ser tornada sem efeito.
Fixação
(ESAF - ANA. FIN. E CONT.-DESENV. INSTIT.-CGU-MAR-2008) Servidor público federal, em gozo de licença para tratamento da própria saúde, é designado para o exercício de função de confiança.
Acerca do tema, assinale a opção correta.
a) O servidor não poderia ter sido designado em gozo de licença.
b) O servidor terá quinze dias, contados do ato de designação, para entrar em exercício.
c) A designação para o exercício da função deverá ser tornada sem efeito caso o servidor não entre em exercício imediatamente.
d) A licença da qual goza o servidor não poderá exceder a 30 (trinta) dias, contados da data da publicação da designação do servidor para a função, sob pena de esta última ser tornada sem efeito.
e) O servidor poderá entrar em exercício na função tão logo haja o término do impedimento, independentemente de prazo, haja vista tratar-se de licença saúde.
Comentários:
Item bastante difícil, mas em exata conformidade com o que diz a Lei 8.112/1990: a licença não pode passar de 30 dias, sob pena de a designação de confiança ser tornada sem efeito.
Gabarito: alternativa D.
Fixação
(2012/Anatel/Técnico) Julgue o próximo item com base nos dispositivos da Lei n.º 8.112/1990. A posse, por meio da qual se dá a investidura em cargo público, dispensa prévia inspeção médica oficial.
Comentários:
Analise o que dispõe a Lei 8.112/1990:
Art. 14. A posse em cargo público dependerá de prévia inspeção médica oficial.
Parágrafo único. Só poderá ser empossado aquele que for julgado apto física e mentalmente para o exercício do cargo.
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Então, para que servidor público tome posse DEPENDERÁ de inspeção médica.
Gabarito: ERRADO.
4. Remoção, Redistribuição e Substituição
De início, esclareça-se que a remoção e a redistribuição (ou
‘relotação’) não são formas de PROVIMENTO, mas sim de DESLOCAMENTO do servidor ou do cargo público, nessa ordem.
A remoção é deslocamento do servidor, com ou sem mudança de sede, para desempenhar suas atribuições em outra unidade do mesmo quadro (art. 36 da Lei 8.112, de 1990). Redistribuição é o deslocamento do cargo efetivo, ocupado ou não, no âmbito do quadro geral de pessoal, para outro órgão ou atividade.
Duas coisas podem ser destacadas:
- a remoção se faz dentro do mesmo quadro funcional. Por exemplo: servidor lotado em unidade do órgão “X” em Brasília é removido para a unidade do órgão “X” em São Luís;
- a redistribuição se faz no âmbito do quadro geral de um Poder, para outro órgão ou atividade. Por exemplo: o órgão “X” precisa de novos cargos na unidade administrativa no Estado do Acre. E, como vimos, a criação de cargos depende de lei. Ocorre que, dos 12 cargos no Estado de Pernambuco, apenas sete estão providos, restando cinco ociosos. No lugar de criar novos cargos, a Administração “desloca” os cinco cargos de Pernambuco para o Acre.
Um caso real de redistribuição deu-se na criação da Super Receita, em que cargos do INSS foram redistribuídos para a Receita.
Na ocasião, servidores do INSS (Autarquia Federal) passaram a exercer atribuições na Receita (órgão do Ministério da Fazenda).
Nota que, tanto na remoção, quanto na redistribuição, não houve redução ou acréscimo do quantitativo de servidores, não sendo, portanto, o caso de se falar em vacância ou em provimento.
A remoção dá-se: de ofício (no interesse da Administração) ou a pedido do servidor.
Na remoção de ofício, caso seja necessária a mudança de sede do servidor, este fará jus à ajuda de custo (máximo de até três remunerações, conforme regulamento), para compensar despesas ocorridas.
Na remoção de ofício, fica garantido, ainda, o direito do servidor e de seu cônjuge, filhos, enteados ou menor sob sua guarda, de se matricular em instituições de ensino congênere, em qualquer época, independente de vaga ou de época. A matrícula é “em instituições
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congêneres”. Não tem o filho do servidor, civil e militar, estudante de faculdade particular direito de matricular-se em Universidade Pública, em razão da remoção de ofício, a não ser, obviamente, que o curso só seja oferecido pela instituição pública.
A remoção a pedido, por sua vez, ocorre: a critério da Administração ou independente do interesse da Administração.
Na primeira hipótese, o servidor faz o pedido e a Administração avalia a conveniência (é ato discricionário). Já remoção a pedido, que independente do interesse da Administração, ocorre nas seguintes hipóteses:
- Para acompanhamento do cônjuge, que também deve ser servidor, ou militar, de qualquer dos poderes da União, dos Estados, dos Municípios, que foi deslocado no interesse da administração.
Detalhe: se o cônjuge passou em concurso ou solicita a remoção, ele é quem criou o problema, não tendo a Administração o dever de removê-lo, assim entende o STJ.
Professor, se o empregado da Caixa Econômica Federal (empresa pública federal) é removido, há direito de o servidor estatutário acompanhar o cônjuge?
Sim. O conceito de ‘servidor’, para efeito de acompanhamento por parte do cônjuge, deve ser visto em sentido amplo, isto é, o acompanhado ou acompanhante pode ser empregado público. Sobre o tema, decidiu o STF (MS 23.058):
Havendo a transferência, de ofício, do cônjuge da impetrante, empregado da Caixa Econômica Federal, para a cidade de Fortaleza/CE, tem ela, servidora ocupante de cargo no Tribunal de Contas da União, direito líquido e certo de também ser removida, independentemente da existência de vagas.
A alínea “a” do inciso III do parágrafo único do art. 36 da Lei 8.112/1990 não exige que o cônjuge do servidor seja também regido pelo Estatuto dos servidores públicos federais. A expressão legal “servidor público civil ou militar, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios” não é outra senão a que se lê na cabeça do art. 37 da Constituição Federal para alcançar, justamente, todo e qualquer servidor da Administração Pública, tanto a Administração Direta quanto a Indireta.
O entendimento ora perfilhado descansa no regaço do art. 226 da Constituição Federal, que, sobre fazer da família a base de
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toda a sociedade, a ela garante “especial proteção do Estado”.
Outra especial proteção à família não se poderia esperar senão aquela que garantisse a impetrante o direito de acompanhar seu cônjuge, e, assim, manter a integridade dos laços familiares que os prendem.
- Por motivo de doença do servidor, cônjuge, ou dependente que viva às suas expensas, sendo que deverá constar do assentamento funcional do servidor;
- Em virtude de concurso de remoção, em que o número de interessados é superior ao número de vagas na unidade de destino.
Fixação
(2011/FCC-ANA_ADM-TRT-4ªR-MAR) É cabível remoção a pedido, para outra localidade, independentemente do interesse da Administração, em virtude de processo seletivo promovido, na hipótese em que o número de interessados for
(A) superior ao número de vagas, de acordo com normas preestabelecidas pelo órgão ou entidade em que aqueles estejam lotados.
(B) inferior ao número de vagas, em conformidade com normas estabelecidas pelo Poder Público em que aqueles estejam designados.
(C) superior ao número de vagas, a critério da autoridade competente, desde que presente o interesse público, independentemente da respectiva lotação.
(D) inferior ao número de vagas, a critério da autoridade competente, quando necessário ao atendimento de situações emergenciais do órgão ou entidade.
(E) igual ao número de vagas, de acordo com normas estabelecidas pelo órgão público independentemente do local da respectiva designação5.
Ainda acerca do instituto da remoção, interessante situação foi examinada pelo STJ. Vejamos trecho do julgado (AgRg no REsp 1.209.391-PB):
SERVIDOR PÚBLICO. REMOÇÃO. ACOMPANHAMENTO.
CÔNJUGE. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA.
COABITAÇÃO.
5 Gabarito: Letra A.