Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região - 2º Grau PJe - Processo Judicial Eletrônico
Consulta Processual
29/05/2017
Número: 0000307-96.2016.5.17.0000
Data Autuação: 02/06/2016
Classe: DISSÍDIO COLETIVO - Relator: JOSE LUIZ SERAFINI
Valor da causa: R$ 1.000,00 Partes
Tipo Nome
SUSCITADO SIND.DA IND.DE INF.(HARD.SOFT.ROBOTICA, MAN.E DES.DE HARD.E SOFT.ATIV.CORR.SIM.E CON.NO E.E.SANTO - CNPJ: 36.363.877/0001-94
ADVOGADO ANA LUIZA BORGES DE CASTRO - OAB: ES0013012
SUSCITANTE SINDICATO DOS TRABALHADORES EM TEC. DA INFORMACAO E PROC. DADOS DO ESTADO DO ESP. SANTO - SINDPD/ES - CNPJ: 31.737.372/0001-29
ADVOGADO ALEXANDRE CEZAR XAVIER AMARAL - OAB: ES0006749
CUSTOS LEGIS MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO DA 17ª REGIÃO Documentos
Id. Data de Juntada Documento Tipo
cdb85 fe
PODER JUDICIÁRIO
JUSTIÇA DO TRABALHO
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 17ª REGIÃO
GDJLS2
DISSÍDIO COLETIVO (987)
PROCESSO nº 0000307-96.2016.5.17.0000 (DC)
SUSCITANTE: SINDICATO DOS TRABALHADORES EM TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO
E PROCESSAMENTO DE DADOS DO ESPÍRITO SANTO - SINDPD
SUSCITADO: SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DE INFORMÁTICA, MANUTENÇÃO E
DESENVOLVIMENTO DE HARDWARE E SOFTWARE, ATIVIDADES CORRELATAS,
SIMILARES E CONEXAS NO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO - SINDINFO
RELATOR: DESEMBARGADOR JOSÉ LUIZ SERAFINI
EMENTA
DISSÍDIO COLETIVO DE NATUREZA ECONÔMICA. AUSÊNCIA
DE MÚTUO CONSENTIMENTO. Diante da reiterada jurisprudência da
SDC do E. TST, conferindo interpretação literal ao artigo 114, § 2º, da
Constituição, por disciplina judiciária, economia e celeridade processual,
inadmite-se a instauração da instância por ausência do pressuposto
processual específico do "comum acordo". Processo extinto, sem resolução
do mérito.
RELATÓRIO
Cuida a espécie de Dissídio Coletivo de natureza econômica ajuizado pelo
SINDICATO
DOS
TRABALHADORES
EM
TECNOLOGIA
DA
INFORMAÇÃO
E
PROCESSAMENTO DE DADOS DO ESPÍRITO SANTO - SINDPD em face do SINDICATO DAS
INDÚSTRIAS DE INFORMÁTICA, MANUTENÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE HARDWARE E
SOFTWARE, ATIVIDADES CORRELATAS, SIMILARES E CONEXAS NO ESTADO DO ESPÍRITO
SANTO - SINDINFO, objetivando a aprovação de cláusulas contidas na pauta reivindicatória da
categoria profissional, anexada à inicial.
O Suscitante alega que houve recusa patronal à negociação e à garantia da
data-base em reuniões com o Suscitado, o que ensejou a apresentação de Protesto Judicial, com vista á
preservação da data-base da categoria.
Para as bases da negociação, propõe a ultratividade da CCT anterior, com
exclusão das cláusulas 14ª, 18ª, 23ª e 32ª, que entende restritiva de direitos, mais a correção salarial e o
pagamento do tíquete alimentação corrigido pelo maior índice inflacionário dos últimos 12 meses
anteriores à data-base (01/05/16).
Pugna, enfim, pela concessão dos benefícios da Justiça Gratuita.
Inicial (Id ec3daf3), acompanhada de documentos.
O Suscitado apresentou defesa prévia, em 20/06/2016, também com
documentos, requerendo concessão de prazo 30 dias para a realização de AGE e confecção de defesa,
bem como manifestando recusa à instauração da instância (Id 78071ae).
Em audiência realizada em 20/06/16, Ata de Id f7445a1, o feito foi adiado
para 13/07/2016, permitindo-se
deliberar sobre possível e futuro acordo
, e estipulando-se que, na nova
data, poderia ser apresentada a defesa.
Em 13/07/2016, o Suscitado apresentou contestação, colacionando mais
documentos e aduzindo novamente, em sede preliminar, a não concordância com o ajuizamento do
Dissídio Coletivo de natureza econômica, pugnando pela extinção do processo, sem resolução do mérito.
Também, em sede preliminar, arguiu a nulidade da AGE laboral e invoca os limites ao poder normativo
da Justiça do Trabalho. Pugnou pela improcedência dos pedidos autorais. Requereu, ainda, a concessão de
tutela de evidência para suspender os efeitos da Cláusula 30ª, que trata das contribuições sindicais (Id
9762365).
O feito foi sobrestado por 45 dias (Ata de Id aabe33c), ante a possibilidade
.
de avença entre as partes
Na derradeira assentada de 28/09/2016, houve
nova tentativa conciliatória
,
tendo sido concedido o prazo de 30 dias para o Suscitado consultar a respectiva categoria (Id 88a35f7).
Após o decurso do prazo sem desfecho conciliatório e distribuído o
processo, este Relator abriu prazo à replica à defesa apresentada (Id 1dd4068).
O Suscitante apresentou a sua manifestação por meio da petição de Id
8b99c27.
Parecer ministerial, oficiando pela suspensão do feito até pronunciamento
do Plenário do E. STF sobre a liminar deferida na ADPF nº 323 MC/DF, pugnando também pela nova
intimação para se manifestar sobre as questões processuais arguidas pelas partes (Id 9389809).
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Foi aberto novo prazo para as partes dizerem sobre a conciliação noticiada
na petição de Id 8843624, mediada pelo MPT.
O d.
Parquet
, por meio da petição de Id 3d0e944, requereu
nova suspensão
, o que foi deferido (cf. despacho de Id
do julgamento do DC por 30 dias em vista do possível acordo
f21b2e8). Após, informa que não houve a composição entre as partes (Id 82db335).
É, no que basta, o relatório.
FUNDAMENTAÇÃO
ADMISSIBILIDADE
AUSÊNCIA DE MÚTUO ACORDO
O Suscitante sustenta que envidou esforços para chegar a uma composição
com a suscitada, sem sucesso.
Em defesa, o Suscitado manifesta expressa recusa à instauração do
Dissídio Coletivo e, por consequência, requer a extinção do feito, sem resolução do mérito, nos termos do
artigo 485, IV e VI, do CPC.
Na réplica, o autor diz: "...em relação à suposta necessidade de
concordância mútua para a instauração do dissídio, se a alteração efetuada no parágrafo 2º do art. 114
da Constituição, através da Emenda n. 45, de 2004, em pleno governo do PT1 (mais para partido dos
traidores do que trabalhadores), tivesse aquele comando pretendido pelo suscitado, então estaríamos
diante de uma inconstitucionalidade dentro da própria Constituição, vez que o direito à provocação da
tutela jurisdicional não pode ser limitado à vontade de uma das partes, sem falar na afronta à ordem
social instituída pelo constituinte de 1988, o que pressupõe, pela leitura integrada da Carta, sobretudo os
artigos 6º e 7º, que se deve garantir um conjunto de normas protetivas para os trabalhadores,
incluindo-se convenções coletivas.
E acrescenta:
"A verdade é que a vontade dos mensaleiros, ou sua subserviência aos interesses de banqueiros e empresários (que intermediavam e intermediam os recursos públicos para essas ratazanas), não se sobrepõe à Constituição, não se podendo extrair, da relação do art. 114 da Constituição, mesmo a atual, que a expressão "comum acordo" não afasta a prestação da tutela jurisdicional quando a ação é promovida por uma das partes,
sustentando o impasse no processo negocial, o que é o caso dos autos, conforme de inúmeras outras ações coletivas, que tem sido apreciadas pelos tribunais, conforme farta jurisprudência"...
Efetivamente, não houve avença entre as partes para a instauração de
instância.
Como relatei, foram diversas as tentativas de conciliação judicial e
extrajudicial, inclusive, com a mediação do Ministério Público do Trabalho. Tudo sem sucesso,
porquanto o impasse negocial estava instalado.
De toda sorte, a se aplicar a literalidade do artigo 144, § 2º, da CF/88, o
resultado não será outro senão prejuízo tanto para os trabalhadores quanto para os empregadores, de
ordem material e na própria prestação dos serviços em favor da sociedade.
É que há cláusulas defasadas, mormente aquelas que resultam em
recomposição salarial
lato sensu
.
De tal arte, impor a interpretação de que o preceito contido na Constituição
de que o ajuizamento Dissídio teria como pressuposto o mútuo consentimento forçaria o Sindicato
Profissional ao movimento paredista no intuito de alcançar melhores condições de trabalho para a
categoria pela via judicial, porque, aí sim, o Dissídio seria legítimo, consoante reiterada jurisprudência do
E. TST.
Não pode ser este o intuito da Magna Carta, até porque a Lei deve atender
ao fim social a que se destina e nada melhor do que solucionar os conflitos, sem que seja utilizada greve
como instrumento de pressão.
Aliás, o ajuizamento do Dissídio "de comum acordo", conforme previsto
na Constituição, é uma faculdade conferida às partes e não requisito à instauração da instância.
Assim, a interpretação do Texto Constitucional deve ser sistemática,
conjugando-se o art. 5º, incisos XXI e XXIV, alínea a, art. 8º, inciso IIII, art. 114, incisos I, II e § 2º.
Transcrevo os citados preceitos constitucionais, in verbis:
"Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
(...)
XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente;
(...)
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XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas:
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder;
(...)
§ 1º - As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.
Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte: (...)
III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas;
Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar:
I as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público externo e da administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;
II as ações que envolvam exercício do direito de greve; (...)
§ 1º - Frustrada a negociação coletiva, as partes poderão eleger árbitros. (...)
§ 2º Recusando-se qualquer das partes à negociação coletiva ou à arbitragem, é facultado às mesmas, de comum acordo, ajuizar dissídio coletivo de natureza econômica, podendo a Justiça do Trabalho decidir o conflito, respeitadas as disposições mínimas legais de proteção ao trabalho, bem como as convencionadas anteriormente".
Não se pode esquecer que a EC 45/2004 não extirpou o poder normativo
da Justiça do Trabalho do mundo jurídico, que abrange também a pacificação dos conflitos coletivos pela
via processual do dissídio.
Por outro lado, oportuno salientar que a arbitragem é uma faculdade das
partes, não pressuposto ao manejo do dissídio.
Assim, uma vez que as partes não se compuseram autonomamente e não
quiseram eleger um árbitro para entabularem acordo, evidente que o conflito somente poderá ser
solucionado mediante Dissídio Coletivo perante a Justiça Laboral.
Não se pode olvidar, outrossim, que os artigos 856 a 859 da CLT,
autorizadores da instauração de instância, foram recepcionados pela CF/88 e neles não se exige a greve
para o ajuizamento do dissídio.
Ora, seria um contrassenso exigir do Sindicato Profissional que o Dissídio
Coletivo de Natureza Econômica somente possa ser ajuizado de comum acordo com o Sindicato Patronal,
quando ambos não chegaram a um consenso extrajudicial acerca de reivindicações do primeiro, na busca
de melhorias nas condições de trabalho.
Logo, o Dissídio Coletivo de natureza jurídica ou econômica prescinde de
suprimento judicial do mútuo consentimento para a instauração de instância.
Não obstante, o E. TST, por meio da Seção de Dissídios Coletivos, vem
decidindo pela não admissão da instauração de instância se não houver o mútuo consentimento
entre os interessados, asseverando que basta a recusa na peça de defesa para o ajuizamento do
Dissídio para que este não seja admitido. Vejamos alguns arestos da C. SDC:
"RECURSOS ORDINÁRIOS. DISSÍDIO COLETIVO DE NATUREZA ECONÔMICA. COMUM ACORDO. NOVA REDAÇÃO DO § 2º DO ARTIGO 114 DA
CONSTITUIÇÃO ATUAL APÓS A PROMULGAÇÃO DA EMENDA
CONSTITUCIONAL Nº 45/2004. A Seção Especializada em Dissídios Coletivos deste Tribunal Superior do Trabalho firmou jurisprudência no sentido de que a nova redação do § 2º do artigo 114 da Constituição Federal estabeleceu o pressuposto processual intransponível do mútuo consenso das partes para o ajuizamento do dissídio coletivo de natureza econômica. A EC nº 45/2004, incorporando críticas a esse processo especial coletivo, por traduzir excessiva intervenção estatal em matéria própria à criação de normas, o que seria inadequado ao efetivo Estado Democrático de Direito instituído pela Constituição (de modo a preservar com os sindicatos, pela via da negociação coletiva, a geração de novos institutos e regras trabalhistas, e não com o Judiciário), fixou o pressuposto processual restritivo do § 2º do art. 114, em sua nova redação. Nesse novo quadro jurídico, apenas havendo "mútuo acordo" ou em casos de greve, é que o dissídio de natureza econômica pode ser tramitado na Justiça do Trabalho. Recursos ordinários conhecidos e providos". (RO - 1001409-90.2015.5.02.0000; Julgamento: 13/03/2017; Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado; Seção Especializada em Dissídios Coletivos; DEJT 24/03/2017).
"A) RECURSOS ORDINÁRIOS DOS SINDICATOS SUSCITADOS. ANÁLISE CONJUNTA. DISSÍDIO COLETIVO DE NATUREZA ECONÔMICA. COMUM ACORDO. NOVA REDAÇÃO DO § 2º DO ARTIGO 114 DA CONSTITUIÇÃO ATUAL APÓS A PROMULGAÇÃO DA EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 45/2004. A Seção Especializada em Dissídios Coletivos deste Tribunal Superior do Trabalho firmou jurisprudência no sentido de que a nova redação do § 2º do artigo 114 da Constituição Federal estabeleceu o pressuposto processual intransponível do mútuo consenso das partes para o ajuizamento do dissídio coletivo de natureza econômica. A EC nº 45/2004, incorporando críticas a esse processo especial coletivo, por traduzir excessiva intervenção estatal em matéria própria à criação de normas, o que seria inadequado ao efetivo Estado Democrático de Direito instituído pela Constituição (de modo a preservar com os sindicatos, pela via da negociação coletiva, a geração de novos institutos e regras trabalhistas, e não com o Judiciário), fixou o pressuposto processual restritivo do § 2º do art. 114, em sua nova redação. Nesse novo quadro jurídico, apenas havendo "mútuo acordo" ou em casos de greve, é que o dissídio de natureza econômica pode ser tramitado na Justiça do Trabalho. Ressalvadas, contudo, as situações fáticas já constituídas, a teor do art. 6º, § 3º, da Lei 4.725/65. Recurso ordinário conhecido e provido. (...)" RO -20858-65.2013.5.04.0000; Julgamento: 13/03/2017; Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado; Seção Especializada em Dissídios Coletivos; DEJT 24/03/2017).
"RECURSOS ORDINÁRIOS DOS SINDICATOS SUSCITADOS - ANÁLISE CONJUNTA - CONHECIMENTO
Irregularidade de representação de alguns Suscitados reconhecida, por ausência de procuração ou substabelecimento à advogada que assina eletronicamente o Recurso Ordinário. Aplicação da lei processual (CPC de 1973) e do entendimento do TST (antiga redação da Súmula nº 383) vigentes à época da publicação do acórdão e da interposição do Apelo. Precedentes.
DISSÍDIO COLETIVO DE NATUREZA ECONÔMICA - AUSÊNCIA DE COMUM ACORDO - EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO
A redação do art. 114, § 2º, da Constituição da República elenca o comum acordo entre as partes como pressuposto à instauração de Dissídio Coletivo de Natureza Econômica. No
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caso, os Suscitados remanescentes alegaram a preliminar em contestação (fls. 901/908 e 952/954) e nas razões dos Recursos Ordinários (fls. 106/114 e 42/57), o que impõe a extinção do processo sem resolução do mérito, com base no art. 485, IV, do CPC de 2015 (267, IV, do CPC de 1973).
Recursos ordinários conhecidos parcialmente e providos".
(RO - 1004-58.2013.5.05.0000; Julgamento: 13/02/2017; Relatora Ministra: Maria Cristina Irigoyen Peduzzi; Seção Especializada em Dissídios Coletivos; DEJT 17/02/2017).
"A) RECURSOS ORDINÁRIOS EM DISSÍDIO COLETIVO INTERPOSTOS POR SINDICATO DAS ENTIDADES MANTENEDORAS DE ESTABELECIMENTO DE ENSINO SUPERIOR DO ESTADO DE SÃO PAULO - SEMESP; SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA - SESI; E SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL - SENAI. FALTA DE COMUM ACORDO NO AJUIZAMENTO DO DISSÍDIO COLETIVO. ART. 114, § 2º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. EXTINÇÃO DO PROCESSO, SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO. O entendimento pacífico nesta Corte é o de que o comum acordo, exigência trazida pelo art. 114, § 2º, da Constituição Federal para o ajuizamento do dissídio coletivo de natureza econômica, é pressuposto de constituição e desenvolvimento válido e regular do processo e que, embora idealmente devesse ser materializado na forma de petição conjunta da representação, é interpretado de maneira mais flexível, no sentido de se admitir a concordância tácita na instauração da instância, desde que não haja a oposição expressa do suscitado, na contestação. No caso em tela, os suscitados, SEMESP, SESI E SENAI, na defesa, expressamente afirmaram não concordar com a instauração da instância do dissídio coletivo e apontaram a falta do comum acordo como causa extintiva do processo, reiterando, nas razões do recurso ordinário, os argumentos anteriormente apresentados. Reforma-se, pois, a decisão regional, para, em relação aos recorrentes, julgar extinto o processo, sem resolução de mérito, a teor dos arts. 114, § 2º, da CF e 485, IV, do CPC/2015 (267, IV, do CPC/1973), ficando ressalvadas, contudo, as situações fáticas já constituídas, nos termos do art. 6º, § 3º, da Lei nº 4.725/1965. Processo extinto sem resolução de mérito, pela falta de comum acordo, em relação ao SEMESP, SESI E SENAI. (...)". (RO - 7424-97.2012.5.02.0000; Julgamento: 12/12/2016; Relatora Ministra: Dora Maria da Costa; Seção Especializada em Dissídios Coletivos; DEJT 19/12/2016).
RECURSO ORDINÁRIO INTERPOSTO PELA PARTE SUSCITADA. DISSÍDIO COLETIVO DE NATUREZA ECONÔMICA. AUSÊNCIA DE COMUM ACORDO. PRESSUPOSTO PROCESSUAL NÃO OBSERVADO. EXTINÇÃO DO PROCESSO, SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO. Pacífico o entendimento desta Corte segundo o qual a exigência do comum acordo é pressuposto específico de constituição e desenvolvimento válido e regular do processo coletivo de natureza econômica. Caso em que a Parte suscitada, em preliminar apresentada na defesa, arguiu ausência de comum acordo, não havendo ato por ela até então praticado que, com tal desiderato, seja incompatível. Recurso Ordinário a que se dá provimento. (RO - 21129-40.2014.5.04.0000; Julgamento: 12/12/2016; Relatora Ministra: Maria de Assis Calsing; Seção Especializada em Dissídios Coletivos; DEJT 19/12/2016).
Diante da reiterada jurisprudência da SDC do E. TST, conferindo
interpretação literal ao preceito da Constituição, por disciplina judiciária, economia e celeridade
processual, curvo-me ao entendimento da Corte Superior para inadmitir a instauração da instância
por ausência de pressuposto processual específico (mútuo acordo).
Julgo extinto o processo, sem resolução do mérito, nos termos do artigo
Custas pelo Suscitante no importe de R$ 20,00, calculadas sobre R$
1.000,00, valor dado à causa,
dispensadas
nos termos da Portaria MF 75/12.
ACÓRDÃO
A C O R D A M os Magistrados do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª
Região, na sessão ordinária realizada no dia 10 de maio de 2017, às 13 horas e 55 minutos, sob a
Presidência do Exmo. Desembargador Lino Faria Petelinkar, com a participação dos Excelentíssimos
Desembargadores José Carlos Rizk, José Luiz Serafini, Wanda Lúcia Costa Leite França Decuzzi, Gerson
Fernando da Sylveira Novais, Claudia Cardoso de Souza, Carlos Henrique Bezerra Leite, Jailson Pereira
da Silva e Ana Paula Tauceda Branco, e presente a douta representante do Ministério Público do
Trabalho, Dra. Maria de Lourdes Hora Rocha, por maioria, acolher a preliminar de ausência de
pressuposto processual específico (mútuo acordo), e julgar extinto o processo sem resolução do mérito,
nos termos do artigo 485, IV, do CPC.
Custas, pelo Suscitante, no importe de R$ 20,00, calculadas sobre
R$1.000,00, valor dado à causa, dispensadas nos termos da Portaria MF 75/12.
Vencidos, ante o voto de desempate da Presidência, os Desembargadores
José Carlos Rizk, Wanda Lúcia Costa Leite França Decuzzi, Gerson Fernando da Sylveira Novais e Ana
Paula Tauceda Branco.
ID. cdb85fe - Pág. 8 Assinado eletronicamente. A Certificação Digital pertence a: JOSE LUIZ SERAFINI