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RELATÓRIO DA ADMINISTRADORA DE INSOLVÊNCIA
(elaborado nos termos do art.155º do C.I.R.E.)
Notas prévias:
Publicação do extracto do anúncio na Imprensa Nacional Casa da Moeda em 04/08/2009 Visita à sede da empresa em 18/09/2009
1. DESCRIÇÃO: G.E.T.In – Gabinete de Exportação Têxtil Internacional, Ldª. Sociedade por Quotas, contribuinte fiscal n.º 502737549, constituída por contrato de sociedade celebrado em Abril de 1992, com sede em Largo dos Mogos, 107, Lote 13, Maia, 4470 - 000 Maia, com um capital social de 50.000,00 euros, distribuído em duas quotas iguais, pertencentes a Francisco José Oliveira Ramalho e Maria Manuela Parente de Barros Lourenço.
2. ACTIVIDADE A QUE SE DEDICOU NOS ÚLTIMOS 3 ANOS E PRINCIPAIS CAUSAS DA SITUAÇÃO ACTUAL
- Artigo 155ª, nº 1, alínea a) do CIRE –
- Análise dos elementos incluídos no documento referido no artigo 24ª, nº 1, alínea c) do CIRE-
A – Actividade
Da análise dos elementos existentes nos autos e das conversações havidas com o gerente, conclui-se ser a insolvente uma sociedade por quotas, CAE principal: 14131-R3, cujo objecto social é a confecção de artigos de vestuário exterior em série.
Foi criada como empresa exportadora, fabricante de vestuário exterior em malha, tendo-se dedicado, basicamente, ao fabrico de t-shirts.
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2/6 dificuldades que se reportam a todo o período em análise, embora a sua situação económica e financeira se tenha agravado nesse mesmo período.
Assim, o relatório de 2006 refere uma recuperação de produtividade relativamente ao ano de 2005 e uma pequena recuperação ao nível dos preços do trabalho a feitio, referindo também que a empresa estava a investir no sector comercial de forma a tentar recuperar alguns e arranjar novos clientes, aspecto revelador de uma “esperança” de melhoria, enquanto no relatório de 2007 se refere ter-se verificado um andamento normal no funcionamento da empresa, mesmo atendendo à situação particularmente difícil que o sector têxtil atravessa, mas a expectativa em relação ao futuro era, já, de desalento e uma previsão para 2008 de um ano bastante difícil.
Ora, no relatório de 2008 as previsões anteriores estavam confirmadas! O mercado do vestuário teve um comportamento muito difícil, com uma acentuada diminuição na colocação de encomendas, perda significativa de clientes e diminuição impulsiva dos preços de venda, o que perspectivava para aquela unidade, que não tinha marca própria, apenas um desfecho: impossível manter a unidade em funcionamento.
Resumindo, a crise em termos globais, as particulares dificuldades do sector têxtil e as dificuldades de recurso ao crédito bancário, deixaram sem expectativa o processo de recuperação que a empresa teria sentido nos dois anos anteriores.
Esta conjuntura terá culminado numa situação de incumprimento generalizada e na actual situação de insolvência da empresa.
Conclusão: A insolvente viveu dificuldades económicas e financeiras nos anos transactos, que, não só não foram ultrapassadas, como se agravaram em 2008 e que levaram a empresa a chegar a um ponto em que os valores que facturava não chegavam nem para pagar os salários, e consequentemente não teve outra alternativa senão a de requerer a sua insolvência.
3. ANÁLISE DA CONTABILIDADE:
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3/6 Segundo as informações recolhidas e da análise efectuada aos documentos de prestação de contas e de informação financeira disponibilizada, foram cumpridas as disposições legais em termos de obrigações contabilísticas e fiscais, nomeadamente a elaboração e o depósito das contas anuais, legalmente obrigatórias até 30.06.2009, data em que o Técnico Oficial de Contas se desvinculou do contrato de prestação de serviços por falta de pagamento.
4. PERSPECTIVAS DE MANUTENÇÃO DA EMPRESA, NO TODO OU EM PARTE, DA CONVENIÊNCIA DE SE APROVAR UM PLANO DE INSOLVÊNCIA, E DAS CONSEQUÊNCIAS DECORRENTES PARA OS CREDORES NOS DIVERSOS CENÁRIOS FIGURÁVEIS
- Artigo 155ª, nº 1, alínea c) do CIRE –
Conforme é referido na petição inicial, as condicionantes do mercado levaram a entidade a chegar ao ponto de ter de suportar os vencimentos dos funcionários que, simplesmente, já não tinham qualquer trabalho para fazer.
Por outro lado, a insolvente já não conseguia obter qualquer financiamento junto das entidades bancárias tendo antes, os seus saldos penhorados. Nestas circunstâncias, foi forçada a deixar de fazer compras a fornecedores, uma vez que não tinha suporte financeiro que lhe permitisse adquirir as matérias-primas necessárias ao exercício da sua actividade.
Assim, pelo que foi dado a conhecer à administradora de insolvência e das diligências efectuadas, verifica-se o verifica-seguinte:
1º. A insolvente não tinha encomendas;
2º. Não apresentava a liquidez mínima necessária para continuar activa até à data de assembleia de apreciação do relatório;
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4/6 4º. O seu património é manifestamente insuficiente para fazer face ao passivo exigível;
Consequentemente, a sua actividade laboral foi encerrada, pelo que actualmente a empresa encontra-se inactiva e encerrada, sem qualquer actividade e sem trabalhadores.
Por outro lado, o sócio-gerente da devedora não demonstrou à administradora de insolvência qualquer vontade de propor a recuperação da empresa, e também não há conhecimento de movimentação de grupos de senhores credores que, nos termos do art. 193º do C.I.R.E. façam tenções de apresentar plano de insolvência.
Conclusão: Nestes termos, e sem qualquer base de apoio, a administradora de insolvência também não apresenta à Assembleia plano de insolvência, pelo que propõe a sua liquidação célere.
5. OUTROS ELEMENTOS IMPORTANTES PARA A TRAMITAÇÃO ULTERIOR DO PROCESSO - Artigo 155ª, nº 1, alínea e) do CIRE –
Das diligências efectuadas, inclusive no site das Finanças, verifica-se o seguinte:
1º. A insolvente é devedora ao Estado, à Segurança Social, aos fornecedores e aos trabalhadores; 2º. Os créditos conhecidos ascendem ao montante global de 1.270.417,78 euros;
3º. A devedora não tem qualquer imóvel registado em seu nome;
4º. Os bens móveis conhecidos da devedora totalizam o valor de 16.916,50 euros, conforme inventário em anexo;
5º. Há informação de saldos bancários penhorados, pelo que foi requerida a sua transferência para a conta aberta a favor da massa insolvente;
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5/6 6º. Será dada continuidade aos serviços de contabilidade, para efeitos de pedido de reembolso do
IVA que poderá rondar os 5.000,00 euros;
7º. Há conhecimento de saldos de clientes a favor da insolvente, pelo que serão desenvolvidos os esforços necessários para a recuperação desses saldos, a reverterem para a massa insolvente.
Conclui-se ser o património da devedora manifestamente insuficiente para fazer face ao seu passivo exigível.
Os equipamentos apreendidos estão sujeitos a rápida depreciação, agravado pelo facto de não se encontrarem em laboração. Acresce o facto de se encontrarem mais expostos a assaltos por ter sido cortada a energia e consequentemente desactivados os sistemas de segurança.
Estão na sede da devedora, num pavilhão arrendado que, dada a falta de liquidez, se torna premente desocupar, aliás foi já comunicada pela arrendatária “Zirieb – Investimentos Imobiliários, S.A” a intenção de resolver o contrato de arrendamento por falta de pagamento.
Concluindo, a única forma de satisfazer (parte) dos créditos reclamados e apurados, é a liquidação célere do património que esta possui.
A administradora de insolvência,
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