Direito Constitucional
Prof. Vladimir Ferreira Correia
PODER EXECUTIVO E PODER JUDICIÁRIO
1. Poder Executivo:
§ Órgão responsável por exercer tipicamente a função administrativa, de dar fiel cumprimento às leis e aos atos administrativos. É a Administração Pública por excelência.
1.1 Presidencialismo:
§ Executivo mais independente com relação ao Poder Legislativo. § O Presidente da República acumula duas funções distintas:
o Chefe de Estado: Exerce a soberania do Estado, representa toda a federação brasileira. Representa o País internacionalmente, relacionando-se com os demais países.
ü Ex: Quando firma tratado internacional, quando declara guerra contra algum país.
o Chefe de Governo: Executa as funções do Estado no âmbito interno.
ü Ex: Expede decreto para regulamentar leis, nomeia servidor público federal, executa política pública na área da saúde.
§ Parlamentarismo: A chefia de governo é adotada pelo Primeiro-Ministro e a chefia de estado é exercida pelo Presidente ou Rei. O Primeiro-Ministro fica atrelado ao Parlamento
(Legislativo), com possibilidade de sua destituição pela maioria do Parlamento.
1.2 Presidente da República:
§ É assessorado pelos ministros de estado- ocupam funções típicas do executivo, auxiliando o Presidente no exercício das funções públicas. É de livre nomeação e exoneração.
o Requisitos:
ü Maior de 21 anos; ü Brasileiro;
ü Gozo dos direitos políticos. § Requisitos para Presidente:
o Requisitos:
ü Brasileiro nato; ü Maior de 35 anos;
ü E preencher as demais condições de elegibilidade previstas na CF. § Mandato de 4 anos permitida uma reeleição.
1.3 Eleição:
§ Eleição para Presidente será conjunta com a Vice-Presidente. Chapa única.
§ Primeiro turno: No primeiro domingo de outubro do último ano do antecessor. Será eleito em primeiro turno quem tiver a maioria dos votos válidos, ou seja, afastando votos brancos e nulos.
§ Segundo turno, se ninguém obtiver a maioria: No último domingo do mesmo outubro (alteração promovida pela emenda constitucional nº 16).
§ Se der empate na segunda colocação, quem vai disputar para o segundo turno será o mais idoso.
§ Princípio da simetria (governador e prefeito).
§ Se entre o primeiro e o segundo turno, um dos candidatos morrer, desistir ou se tornar impedido, vai o terceiro mais votado para disputar o segundo turno.
§ Para eleição de governador, aplica-se tudo igual. § Para eleição para prefeitura:
o Município com mais de 200.000 eleitores, a regra é igual.
o Entretanto, se o município tem menos de 200.000 eleitores, a eleição para prefeito será em um turno único.
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§ Impedimento: Afastamento temporário.
o Ex: Presidente da República para se afastar por mais 15 dias em missão, tem que pedir autorização para o Congresso Nacional.
ü STF tem reconhecido essa regra, por simetria, para governador e prefeito. Se governador quiser sair por mais de 15 dias do estado, tem que pedir
autorização para a Assembleia Legislativa. Se o prefeito quiser se ausentar por mais de 15 dias do Município, tem que pedir autorização para a Câmara. ü Evitar que a entidade federativa fique acéfala.
o O Vice substitui o Presidente no caso de impedimento e sucede o Presidente no caso de vacância.
o Substitui na seguinte ordem: ü Vice-Presidente;
ü Presidente da Câmara dos Deputados; ü Presidente do Senador Federal;
ü Presidente do STF (garantindo desse modo a participação dos três poderes). § Vacância: Afastamento definitivo.
o Ex: Se o Presidente e o Vice não tomarem posse em 10 dias, o cargo será declarado vago.
o Diante da vacância dos cargos de Presidente da República e Vice-Presidente, serão realizadas eleições.
ü Na primeira parte do mandato, ocorrerãoeleições diretas em 90 dias. ü Na última parte do mandato, ocorrerão eleições indiretas em 30 dias. É o
único caso admitido pela CF de eleições indireta.
Ø Os eleitos apenas completarão o restante do mandato= “mandato tampão”.
1.5 Responsabilidade:
§ Princípio Republicano: O poder pertence ao povo e é exercido pelos representantes. Ou seja, significa que estes são meros delegatários do poder, desse modo, devem prestar contas, e se extrapolarem desse poder, poderãoser responsabilizados. Responsabilização dos governantes. § Imunidades: São prerrogativas inerentes e essenciais para protegerem a função que exercem.
Logo, só duram enquanto estiverem no exercício do cargo ou da função.
o Imunidade penal relativa: O Presidente não responde penalmente enquanto durar o mandato pelos atos estranhos ao exercício da função. É uma garantia do cargo, para que possa atuar de forma livre e independente. No entanto, responde na esfera cível normalmente (o Presidente não tem imunidade parlamentar).
o Imunidade para a prisão: O Presidente da República não pode ser preso antes do trânsito em julgado da sentença penal condenatória. Logo, não cabe prisão nem em flagrante de crime inafiançável.
o Prerrogativa de foro: O Presidente responde enquanto durar o mandato: ü Por crime comum no STF;
ü Por crime de responsabilidade no Senado Federal.
o Crime de responsabilidade do Presidente da República: É infração político-administrativa que pode ser imputada a alguns agentes políticos. Ocorre sempre quando extrapola os limites do mandato, atentando contra: Art. 85, CF (rol exemplificativo).
ü Qual cidadão pode oferecer denúncia contra o Presidente por crime de responsabilidade.
ü Denúncia passa por juízo de admissibilidade na Câmara dos Deputados, antes de ir para o Senado Federal. Voto nominal e aberto de 2/3 dos deputados federais. Se a Câmara autorizar o processo, será encaminhado para o Senado julgar (função atípica).
ü Presidente: Afastamento por 180 dias, passados esses dias, o processo continua, mas ele volta ao cargo.
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ü Quem irá presidir o Senado Federal durante esse julgamento será o Presidente do STF, mas quem irá julgar efetivamente serão os senadores. Direito de defesa ao presidente antes de ser julgado.
ü O Presidente será condenado por voto nominal e aberto de 2/3 do Senado. ü Sanções:
Ø Perda do cargo;
Ø 8 anos sem exercer cargo ou função pública. ü Processo de impeachment.
Ø STF: Collor conseguiu defesa na fase preliminar (Câmara dos Deputados). O Supremo entendeu que deveria haver defesa nessa fase também.
Ø STF: Depois de instaurado o processo, a renúncia ao cargo não produzirá efeitos até o término do julgamento. Na eminência do processo de responsabilidade, é possível renunciar.
o Crime comum:
ü Quem oferece a denúncia é o Procurador-Geral da República. ü Denúncia passa por juízo prévio de admissibilidade na Câmara dos
Deputados. Voto nominal e aberto de 2/3 dos deputados federais. ü Se a Câmara autorizar, o Presidente se afasta por até 180 dias e o processo
vai ocorrer perante o STF. Trâmite como qualquer outro processo criminal: direito de defesa, etc.
ü STF condena Presidente, a pena será aplicável conformeo crime.
o Responsabilidade do governador e prefeito: Têm somente prerrogativa de foro. Não têm responsabilidade penal relativa nem imunidade para a prisão, pois estas são para chefe de estado. E governador e prefeito não são chefes de estado e apenas chefes de governo. Logo, essa função não autoriza tais imunidades. Leis ou constituições estaduais e leis municipais não podem falar sobre direito penal e processual conforme art. 22, I, CF (competência privativa da União). Súmula nº 722, STF: Compete à União legislar sobre crime de responsabilidade.
ü Governador por crime de responsabilidade: Depende da constituição estadual. Se for omissa, será um tribunal especial. Lei nº 1.079/50 (Lei federal de crime de responsabilidade): A Constituição estadual irá dizer quem julga o governador por crime de responsabilidade, se for omissa, quem julgará será tribunal especial.
ü Governador por crime comum: Art. 105, I, “a”, CF: STJ. ü Prefeito por crime de responsabilidade: Câmara municipal.
ü Prefeito por crime comum: Depende. Súmula nº 702, STF: Se o crime é estadual, quem julga o prefeito é o TJ. Se o crime é federal, quem julga o prefeito é TRF.Se o crime é eleitoral, o Tribunal Regional Eleitoral julga.
2. Poder Judiciário: 2.1 Função Jurisdicional:
§ Aptidão ou capacidade para decidir os conflitos de maneira definitiva.
§ Sistema inglês (unicidade de jurisdição): Somente um órgão é dotado de jurisdição, ou seja, de dar a última palavra acerca daquela demanda.
§ Sistema francês (contencioso administrativo): Dois órgãos exercem a jurisdição. Uma instância é administrativa e outra, judicial. Uma não pode revisar a decisão da outra § Modelo adotado no Brasil: Sistema inglês.
§ Art. 5º, XXXV, CF: Princípio da inafastabilidade de jurisdição. A última palavra acerca do conflito sempre será dada pelo Judiciário. O Judiciário irá rever as decisões administrativas.
2.2 Garantias:
§ O Ministério Público irá gozar de todas as garantias que o Poder Judiciário goza, por expressa previsão constitucional.
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o Autonomia administrativa: Capacidade ou poder do Judiciário de se autogerir, autoadministrar. Ele irá dispor sobre distribuições de cargos e funções Ex: Regime interno dos tribunais.
o Autonomia financeira: Significa que ele vai elaborar sua própria proposta
orçamentária e encaminhar para o Chefe do Executivo, ele vai encaixar para aquele ano e iniciar o projeto de lei orçamentária.
§ Garantias Funcionais: Essas protegem os membros, assegurando para eles uma atuação livre. o Vitaliciedade: Significa que o juiz não perde o cargo, salvo por decisão judicial.
Cláusula de reserva de jurisdição. Logo, decisões administrativas não podem imputar a perda do cargo de juiz. Adquire a vitaliciedade após dois anos no cargo. Antes disso, pode perder o cargo por processo administrativo, mas tem que ter o voto da maioria absoluta do Tribunal a qual está vinculado ou do CNJ. Ex: Se sofrer correição no CNJ, não perde o cargo, tendo em vista que o CNJ é instância administrativa pertencente ao judiciário, segundo o STF.
ü Vitaliciedade ≠ estabilidade: Vitaliciedade se adquire com dois anos de exercício do cargo e a estabilidade, com três anos. Vitalício só perde por decisão judicial transitada em julgado. Estável pode perder por decisão judicial, por processo administrativo disciplinar, por avaliação periódica de desempenho e na necessidade de redução de gastos na Administração Pública.
o Inamovibilidade: Não podem ser removidos compulsoriamente, a fim de evitar perseguições.
ü Exceção: Art. 93, VIII, CF: Quando houver interesse público e pelo voto da maioria absoluta do Tribunal ou do CNJ, garantido o direito de defesa do magistrado.
o Irredutibilidade de subsídios: Não podem ter o valor nominal reduzido. § Impedimentos aplicáveis aos magistrados (garantia da imparcialidade do juiz):
o O juiz não pode exercer outro cargo ou função pública, salvo uma de magistério. o Não pode receber custas ou participação no processo.
o Não pode receber contribuições de ninguém. o Não pode ser filiado a partido político.
o O juiz não pode, antes de decorridos os três anos, exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se ausentou (emenda constitucional nº 45/04).
2.3 Estrutura:
§ STF
§ Tribunais Superiores: o STJ:
ü Tribunal de Justiça (pertence ao estado) Ø Justiça estadual (pertence ao estado): ü Tribunal Regional Federal
Ø Justiça Federal. o TST: ü TRT Ø Justiça do Trabalho. o STE: ü TER:
Ø Justiça Eleitoral/ juntas:
v Não tem quadro próprio estruturado. Logo, quem faz essa função são os juízes estaduais por delegação.
o STM:
ü Juntas militares:
ü O Estado pode criar justiça militar para julgar militares estados. Se existem mais de 20.000 militares, pode criar Tribunal Militares.
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§ Regra do quinto constitucional:
o Art. 94, V, CF: 1/5 das vagas do TJ´s e dos TRF´s serão ocupadas por membros do Ministério Público com mais de dez anos de carreira, e os advogados, com dez anos de prática, notório saber e reputação ilibada.
ü Escolha: Órgão de classe faz uma lista sêxtupla e encaminha para o Tribunal. Este, por sua vez, transforma a lista em tríplice. E o Chefe do Executivo, se TJ (governador), se TRF (Presidente da República) escolhe um.
§ Emenda Constitucional nº 45/04: Diante de um contexto de crise de moralidade, de morosidade, de ineficiência.
o Criação do Conselho Nacional de Justiça, que vai fiscalizar o judiciário, visando trazendo mais moralidade.
o Art. 5º¸LXXVIII, CF: é garantido a todos, no âmbito judicial e administrativo, razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação.
o Art. 5º, § 3º: Os tratados e convenções internacionais que versem sobre direitos humanos serão equiparados às emendas constitucionais quando aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por 3/5 dos votos dos respectivos membros.
o
o Princípios previstos no art. 37, CF: L, Imparcialidade, Moralidade, Publicidade Eficiência.
o Art. 93, CF: Lei complementar de iniciativa do STF disporá sobre o Estatuto da Magistratura:Ingresso na carreira cujo cargo inicial será de juiz substituto mediante concurso público de provas e títulos, com a participação da OAB em todas as fases, exigindo-se que seja bacharel em direito e no mínimo três anos de atividade jurídica, obedecendo-se, nas nomeações, à ordem de classificação.
o A atividade judicial será ininterrupta, sem férias coletivas, com juízes de plantão, o número de juízes devera ser proporcional.