Programa de Voluntariado da Classe Contábil
Projeto Gestão Eficiente da Merenda Escolar
Como Apoiar o Trabalho do
Conselho de Alimentação Escolar –CAE
Dicas e orientações práticas para contabilistas
“EU OUÇO VOZES E VEJO AS CORES EU SINTO OS PASSOS
DE OUTRO BRASIL QUE VEM AÍ MAIS TROPICAL
MAIS FRATERNAL MAIS BRASILEIRO.
O MAPA DESSE BRASIL EM VEZ DAS CORES DOS ESTADOS TERÁ AS CORES DAS PRODUÇÕES E DOS TRABALHOS
OS HOMENS DESSE BRASIL EM VEZ DAS CORES DAS TRÊS RAÇAS TERÃO AS CORES DAS PROFISSÕES E DAS REGIÕES.
AS MULHERES DO BRASIL EM VEZ DAS CORES BOREAIS TERÃO AS CORES VARIADAMENTE TROPICAIS.
TODO BRASILEIRO PODERÁ DIZER: É ASSIM QUE EU QUERO O BRASIL, TODO O BRASILEIRO E NÃO É SÓ O BACHAREL E O DOUTOR
O PRETO, O PARDO, O ROXO E NÃO APENAS O BRANCO E O SEM BRANCO (....)
EU OUÇO AS VOZES E VEJO AS CORES EU SINTO OS PASSOS DESSE BRASIL QUE VEM AÍ.”
O OUTRO BRASIL QUE VEM AÍ TEXTO DE GILBERTO FREIRE DE 1926 PUBLICADO EM TALVEZ POESIA ,RIO DE
S
UMÁRIOC
ARTA AO CONTABILISTA1. Apresentação
2.
O Papel do Contador - Como Apoiar o Trabalho do Conselho de Alimentação
Escolar (CAE)?
3. Como ter Acesso ao CAE de seu Município?
4. Características do Trabalho do CAE
5. As Irregularidades mais Comuns na Execução do Programa de Merenda
6. Check List para Acompanhamento do Programa de Merenda
7. O que fazer quando o CAE não está ativo?
8. Contatos
Prezado colega,
Esta publicação foi idealizada pela equipe da Ação Fome Zero para você que aderiu ao Programa de Voluntariado da Classe Contábil e escolheu cooperar com o Projeto
Gestão Eficiente da Merenda Escolar.
O Programa de Voluntariado da Classe Contábil (PVCC) foi criado depois do Congresso em Gramado em agosto de 2008, quando foi assinado um termo de cooperação entre a OSCIP Ação Fome Zero e o CFC. Aquele foi um momento importante para os profissionais da contabilidade porque foi o marco de um compromisso mais abrangente em relação ao país em que vivemos e demonstrou a consciência dessa categoria profissional.
Este programa consolida ações continuadas da classe contábil, voltadas aos princípios da responsabilidade social e ao compromisso com uma ação cidadã. O PVCC pretende organizar e potencializar as atividades de responsabilidade social que os profissionais já executam, registrar essas atividades e, na medida do possível, concentrar esforços em quatro ações para que os resultados sejam mais eficazes. Todos nós sabemos que ações pulverizadas podem ter resultados mas eles são mais difíceis de serem percebidos.
Esta publicação é dirigida a você que decidiu apoiar o Programa Nacional de Alimentação Escolar conhecido pela sigla PNAE que consiste na distribuição de refeições aos alunos do sistema público de ensino.
Reunimos na publicação algumas informações relevantes sobre o PNAE, mas principalmente algumas sugestões de atividades que podem ser realizadas por nós contabilistas, junto aos Conselhos de Alimentação Escolar (CAE’s) que é o órgão responsável pela fiscalização da execução do programa.
O grande e inusitado desafio desta parceria é encontrar meios de ajudar a fiscalização do Programa de Merenda sem, contudo, realizar o trabalho de fiscalização. Por quê? Porque é a sociedade que deve estar equipada para realizar este trabalho. Uma política pública (como é o Programa de Merenda) deve ser acompanhada pela comunidade beneficiada por ela. O nosso trabalho de apoio aos Conselhos de Alimentação Escolar é, portanto, bem desafiante porque terá que ser construído em equipe, uma metodologia de atuação. O que por si só já é inédito. Além disso, poderemos trocar entre nós, de forma continuada, os aspectos que dão certo ou os que precisam ser aprimorados.
O fato é, amigos, que a adesão a este trabalho não significa que nós estaremos “fazendo pelo outro”. Pelo contrário, transferiremos conhecimento de forma didática, orientando, aconselhando, exemplificando ou até mesmo participando dos Conselhos de
Alimentação Escolar, enfim, sendo uma referência para os CAE’s, estaremos criando uma metodologia inovadora e realizando um verdadeiro trabalho cidadão.
Confesso, colegas contabilistas, que eu não conheço na história do país um movimento igual, no qual uma classe profissional se organiza numa imensa rede social e se prepara para desenvolver um trabalho voluntário de apoio a comunidades em tal grau de excelência que este trabalho certamente exigirá.
Orgulho-me muito de fazer parte deste grupo!
Mãos à obra!
Antoninho Trevisan
1. APRESENTAÇÃO
O objetivo dessa publicação é fornecer algumas orientações aos profissionais da contabilidade que desejam desenvolver como atividade voluntária e cidadã o apoio aos Conselhos de Alimentação Escolar (CAE’s) nos municípios brasileiros.
Ela contém informações técnicas sobre o funcionamento do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), do qual o Conselho de Alimentação Escolar é parte importante, e algumas orientações que podem facilitar a atuação de apoio dos profissionais de contabilidade junto a esse órgão.
O apoio técnico aos CAE’s é uma atividade de muita importância para a sociedade brasileira. Não é pouco frequente ouvir e ler notícias sobre fraudes na merenda escolar ou sobre escolas que oferecem merenda de pouca qualidade aos alunos. E atuar no sentido de impedir esta realidade é trabalho de cidadania fundamental.
O Conselho de Alimentação Escolar foi criado para acompanhar a execução do Programa de Merenda e é um instrumento que viabiliza o chamado “controle social”. É a existência desse conselho que garante o recebimento do dinheiro público destinado à merenda. Se o CAE for atuante estará no caminho certo, em direção ao uso correto deste recurso.
O Programa Nacional de Alimentação Escolar, também conhecido como Programa de Merenda, é a mais antiga política pública do governo federal. Existe há mais de cinqüenta anos e tem sua importância reconhecida por todos os dirigentes deste país.
Hoje é uma política que significa uma estratégia inteligente de combate a desnutrição, ainda presente em muitas regiões do Brasil e ao seu oposto, a obesidade infantil, que está trazendo problemas sérios para a saúde pública. Portanto, apoiar esta política é apoiar o Brasil do futuro.
E por que o Conselho de Alimentação Escolar precisa de apoio?
Por que os conselheiros de alimentação escolar são pessoas comuns que não possuem conhecimentos específicos de fiscalização e controles financeiros, conhecimentos estes que são peculiares à atividade do contabilista. A falta de conhecimento pode permitir o engano e a manipulação dos conselheiros de alimentação escolar. A vulnerabilidade dos conselheiros reside exatamente na falta de conhecimento.
Nesta publicação, você encontrará algumas dicas de como proceder para despertar confiança nos integrantes do CAE de seu município, como atuar como consultor ou se tornar um conselheiro.
2. O PAPEL DO CONTADOR - COMO APOIAR O TRABALHO DO CONSELHO DE ALIMENTAÇÃO ESCOLAR (CAE)?
A primeira tarefa do contabilista será compreender de que maneira poderá apoiar o trabalho dos CAE’s. A verdade é que não há uma receita para isto, um passo a passo que possa ser seguido. Neste país extenso e de realidades tão diversas, as situações são muito diferentes e isso se reflete também na atuação dos conselhos.
No entanto, há alguns desafios que, geralmente, são comuns a muitos municípios e que apresentam possibilidades para desenvolver ações junto aos CAE’s. Entre as ações possíveis, destacam-se:
Transferir conhecimento e fornecer apoio o técnico ao trabalho do CAE
Algumas das atribuições do Conselho de Alimentar Escolar correspondem a conhecimentos inerentes à atividade profissional dos contabilistas. São questões técnicas específicas como análise de notas fiscais, conferência de extratos bancários, compreensão sobre compras, licitação, controle de estoques entre outros.
Uma importante contribuição dos contabilistas para o trabalho do CAE será a transferência desse tipo de conhecimento para os conselheiros de alimentação escolar. Isso pode ser feito em alguma das reuniões do CAE ou por meio de um acompanhamento presencial do contabilista de uma etapa da análise da aplicação dos recursos da merenda escolar, pois assim as orientações serão aplicadas à realidade.
O ideal é que o profissional contábil atue como um tutor ou um monitor para os conselheiros, alguém com experiência e conhecimento técnico que possa esclarecer dúvidas, dar dicas, ajudar o conselho a desenvolver seu próprio método de acompanhamento do Programa de Merenda.
Promover capacitação para os conselheiros de alimentação escolar
Um fator crítico da atuação dos conselheiros é a falta de capacitação para desempenhar as suas funções. Promover capacitações, cursos ou palestras é uma excelente maneira de fortalecer a atuação do CAE.
Os contabilistas podem repassar aos conselheiros os conhecimentos que dispõem sobre os temas diretamente relacionados a uma das principais atribuições do CAE que é a fiscalização da aplicação dos recursos da merenda escolar.
É possível utilizar o espaço das escolas ou da prefeitura para promover esse tipo de atividade. A Comissão Estadual do PVCC pode apoiar com orientações mais específicas e também é possível contar com orientações da Ação Fome Zero que já promoveu capacitações em todas as regiões do país.
Integrar o CAE
Em alguns municípios, uma das principais dificuldades enfrentadas pelo CAE é a renovação dos seus integrantes. É comum que alguns conselheiros permaneçam por anos nesta função pela dificuldade de encontrar pessoas interessadas em fazer parte do conselho.
Se o contabilista se sentir motivado a contribuir de uma forma mais operacional para o CAE, ele pode se candidatar a uma das vagas. O CAE possui sete integrantes de cinco diferentes categorias: executivo, legislativo, professores, pais de aluno e sociedade civil.
Portanto, se houver possibilidade de o contabilista representar uma dessas categorias no conselho, ele pode estar atento ao período de renovação do CAE – que ocorre a cada dois anos – e propor a sua candidatura. O período de eleição, a forma de convocação das entidades e de votação varia de cidade para cidade e está prevista no regimento interno do CAE.
Estimular o CAE a divulgar as suas ações
A maior parte da sociedade desconhece a existência do CAE no município e a importância desse órgão de controle. Uma boa estratégia para fortalecer o conselho é fazer um esforço para tornar pública a sua atuação.
O Contabilista pode incentivar e apoiar o CAE nesse sentido. Há várias maneiras simples que podem ser utilizadas para divulgar as suas ações:
8
9 Comunicar as organizações sociais do município sobre a atuação do conselho e sobre o período de renovação dos seus integrantes;
9 Preparar informes sobre as transferências dos recursos federais da merenda escolar e sobre a sua utilização e afixá-los em locais públicos como murais de escolas, da Câmara Municipal, de igrejas e associações locais;
9 Sensibilizar os comunicadores locais, especialmente os radialistas para que abordem temas sobre a merenda escolar em sua programação. É possível realizar entrevistas com a equipe da merenda do município e até mesmo com os membros do CAE. A Ação Fome Zero produziu uma séria radiofônica sobre o tema que pode ser enviada a esses comunicadores mediante uma solicitação.
O respaldo e o apoio da população à atuação dos conselheiros é um dos maiores patrimônios que o CAE pode possuir. Além de ser uma das formas mais efetivas de legitimar a sua atuação e impedir que ele seja manipulado pelo poder público local.
Denunciar irregularidades graves
O que fazer quando o contabilista identificar irregularidades graves na implementação do Programa de Merenda no município?
Em primeiro lugar é importante saber classificar a gravidade das irregularidades (veja alguns exemplos no tópico 5 desta publicação), e, quando se verifica que é caso para denúncia, o ideal é que o CAE tome a responsabilidade para si e a faça aos órgãos competentes. Caso o conselho esteja passivo diante da situação, é possível sim que o contabilista, como qualquer outro cidadão, comunique a situação.
No tópico 8 desta publicação há uma relação de vários órgãos oficiais de controle com os respectivos contatos. Tanto o FNDE, quanto o TCU possuem ouvidorias com números 0800. É importante salientar que não há a necessidade de se identificar para fazer esse tipo de denúncia.
De acordo com os servidores do TCU, as denúncias feitas pela população são fundamentais para que o órgão possa identificar os municípios com problemas graves. Como não há disponibilidade de tempo e de pessoal para fiscalizar todos os municípios e todos os repasses de verbas federais, os casos denunciados são considerados prioritários.
É importante que o CAE compreenda de que maneira o contador pode apoiar o conselho e por que esse apoio é válido. Portanto antes de tudo, estabeleça um diálogo com os conselheiros de alimentação escolar, conquiste a confiança dessas pessoas para que eles percebam como você pode ser um importante parceiro!
3. COMO TER ACESSO AO CAE DE SEU MUNICÍPIO
Dificilmente o CAE conta com um espaço exclusivo para que os conselheiros possam realizar as suas reuniões e trabalhar. Na maior parte dos casos, o conselho utiliza algum espaço cedido pela Secretaria Municipal de Educação ou pelas escolas do município. Em algumas cidades onde o CAE possui um espaço próprio, ele é chamado geralmente de “Casa dos Conselhos”, mas esses casos são a exceção.
Pelo fato de não possuir um espaço físico de referência, localizar o CAE muitas vezes não é uma tarefa fácil. Indicaremos a seguir algumas maneiras de contatar o CAE em seu município:
Conselho Regional de Contabilidade do seu estado
A Ação Fome Zero preparou uma relação com todos os contatos disponíveis dos Conselhos de Alimentação Escolar localizados no seu estado. Entre em contato com a Comissão do Programa de Voluntariado da Classe Contábil no CRC e solicite as informações que necessita.
Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação - FNDE
O FNDE disponibiliza em seu site os contatos de diversos CAE’s por meio de uma ferramenta virtual de consulta chamada “Espelho do CAE”. O endereço na Internet é: http://www.fnde.gov.br/pnaeweb/publico/consultaEspelhoCae.do. Ao entrar neste site, é só selecionar o estado, o município, o período do mandato do CAE para o qual se busca informação e clicar na palavra “espelho” que aparece logo abaixo.
Infelizmente é possível que as informações referentes ao CAE estejam incorretas, desatualizadas ou até mesmo não disponíveis. Isto não significa que o CAE não está ativo e você poderá contatar a Secretaria Municipal de Educação para tentar localizá-lo, procurando saber quais são seus conselheiros, local e data da próxima reunião.
4. CARACTERÍSTICAS DO TRABALHO DO CAE
Todos os municípios brasileiros possuem um Conselho de Alimentação Escolar, ou deveriam possuir. Isso porque a existência do CAE é uma exigência para que a prefeitura possa receber os recursos do Governo Federal para a merenda escolar. Por esta razão o CAE é um órgão tão importante!
Mas não basta apenas que o CAE exista, é preciso que ele seja atuante. É por meio do conselho que a sociedade pode acompanhar de perto a implementação do Programa de Merenda e também fiscalizar a aplicação dos recursos financeiros, evitando desvios e garantindo assim o direito de milhões de crianças e adolescentes à alimentação escolar.
O Programa Nacional de Alimentação Escolar tem por objetivo:
9 Suprir as necessidades nutricionais diárias dos alunos durante a sua permanência em sala de aula;
9 Contribuir para uma melhor aprendizagem;
9 Favorecer a formação de bons hábitos alimentares. Importante:
¾ Grande parte dos conselheiros de alimentação escolar não tem acesso a Internet, por isso as melhores formas de comunicação são por telefone ou pelo envio de carta.
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Até 2008, o Programa de Merenda beneficiava diariamente cerca de 36 milhões de crianças e adolescentes1 em todos os municípios brasileiros. Apenas o Governo Federal, por meio do FNDE2, investe mais de R$ 1,5 bilhão por ano na merenda escolar. Com a Medida Provisória (MP) nº 455/09, o PNAE passará a fazer a cobertura de quase 42 milhões de crianças, jovens e adulto.
Em 28 de janeiro de 2009, o Presidente da Republica assinou a Medida Provisória nº 455 que dispõe “sobre o atendimento da alimentação escolar e do Programa Dinheiro Direto na Escola aos alunos
de educação básica, altera a lei 10880, de 9 de junho de 2004 e dá outras providências.”
A MP estabelece que “...a alimentação escolar é direito dos alunos da educação básica pública....” incluindo, portanto, os alunos de Ensino Médio e Ensino de Jovens e Adultos.
Dispõe ainda que o Conselho de Alimentação Escolar continua a ser um órgão de caráter fiscalizador, permanente, deliberativo e de assessoramento, mas sua composição se modifica; o CAE passa a ter:
9 01 representante do executivo;
9 02 representantes dos professores ou alunos ou trabalhadores na área de educação; 9 02 representantes dos pais de alunos;
9 02 representantes da sociedade civil.
Todos os membros do CAE atuam de maneira voluntária e para cada um há um respectivo suplente. Tem mandato de quatro anos, mas cada membro poderá ser reconduzido de acordo com a indicação do seguimento que representa.
O representante do executivo pode ser indicado pelo prefeito. Já os demais integrantes devem ser eleitos em assembléia específica para este fim formada por membros do seguimento que representa, uma vez que esse procedimento legitima a atuação dos conselheiros.
O fato de haver uma assembléia é importante porque significa que na prática o conselheiro não estará sozinho, mas sim respaldado por um grupo de referência que o ajudará a qualificar a sua participação no conselho e também oferecer apoio quando posicionamentos mais difíceis precisarem ser assumidos. Infelizmente a maioria dos conselheiros não conta com a presença ativa desse grupo de referência e acaba com a sua atuação fragilizada.
Importante:
O representante do executivo não pode assumir as funções de presidente e vice-presidente do Conselho de Alimentação Escolar, sendo que estes devem ser eleitos pelos seus membros, e o ordenador de despesas (responsável pelas despesas do PNAE) não pode compor o CAE. O prefeito é obrigado a acatar a composição do conselho, ele não tem poder de veto sobre a escolha dos conselheiros.
1 Os seus beneficiários são todos os alunos matriculados na Educação Infantil e no Ensino Fundamental das escolas da
rede pública municipal, estadual, federal e do Distrito Federal, inclusive os alunos matriculados nas escolas indígenas, entidades filantrópicas e as localizadas em área remanescente de quilombos. Pela Medida Provisória nº 455/09, ao incluir o Ensino Médio e Ensino de Jovens e Adultos, a alimentação escolar passou a ser direito de todos os alunos da educação básica pública.
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Fundo Nacional para Desenvolvimento da Educação, autarquia ligada ao Ministério da Educação responsável pela coordenação Nacional do Programa de Merenda.
As atribuições do CAE permanecem as mesmas:
9 Verificar a qualidade dos alimentos comprados para a merenda escolar, assim como as suas condições de transporte, armazenamento e preparo;
9 Apoiar o trabalho da nutricionista na elaboração dos cardápios a serem utilizados nas escolas; 9 Visitar as escolas ao longo do ano e verificar in loco a qualidade da merenda servida;
9 Acompanhar o processo licitatório para a compra de alimentos;
9 Receber e analisar a prestação de contas preparada pela Entidade Executora3
e emitir parecer conclusivo que deverá ser encaminhado ao FNDE com a aprovação ou não das contas.
A prefeitura ou o governo do Estado tem obrigação de apoiar o trabalho do CAE, fornecendo: local apropriado para reuniões, transporte para realizar visitas às escolas, equipamento de informática e recursos humanos.
É fácil perceber que o CAE tem muitas responsabilidades e que não é tão simples quanto parece desempenhar essas funções. Alguns dos principais desafios enfrentados pelos conselheiros são os seguintes:
Falta de informação – muitos conselheiros não conhecem as suas atribuições e acabam assumindo um compromisso sem ter muita consciência sobre o seu papel e as suas responsabilidades;
Falta de capacitação técnica – a maior parte dos conselheiros não tem formação técnica específica para executar as suas funções o que compromete o trabalho de acompanhamento e de fiscalização da política pública;
Atuação voluntária – os conselheiros não são remunerados e por isso precisam conciliar a sua função de conselheiros com o trabalho e com outras responsabilidades.
Desconhecimento da sociedade sobre a existência do CAE – a maior parte das pessoas sequer têm conhecimento sobre a existência desse órgão de controle o que fragiliza a atuação do conselho e impõe algumas dificuldades para a renovação das gestões.
Falta de apoio do gestor local – infelizmente nem todos os gestores municipais têm interesse no bom funcionamento do conselho e conseqüentemente dificultam o acesso dos conselheiros a documentos e informações referentes à alimentação escolar ou não fornecem o apoio necessário para que os conselheiros executem o seu trabalho.
Apesar das muitas dificuldades e limitações enfrentadas pelos conselheiros de alimentação escolar, existem muitos CAE’s que conseguem desempenhar bem o seu papel e fazer a diferença para melhorar a qualidade da merenda escolar!
5. AS IRREGULARIDADES MAIS COMUNS NA EXECUÇÃO DO PROGRAMA DE MERENDA
É difícil encontrar uma gestão pública que não possua falhas. Quando essas falhas são identificadas no trabalho de fiscalização realizado pelo CAE, o primeiro passo deve ser informar a prefeitura
3
Que podem ser as Prefeituras, no caso da rede municipal; as Secretarias Estaduais de Educação e a do Distrito Federal, no caso da rede estadual e do Distrito Federal; e as Unidades Federais, quando estas receberem os recursos diretamente do FNDE.
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sobre os problemas percebidos. Muitas vezes eles são decorrentes da falta de acesso à informação ou desconhecimento de que o problema existe. Após a comunicação, cabe à prefeitura resolver a questão em tempo hábil.
Entretanto, quando ocorrem irregularidades graves na execução do PNAE, o CAE tem o importante papel de informar ao FNDE. Mas como saber se a irregularidade é grave ou não?
O Tribunal de Contas da União (TCU), na cartilha para conselheiros do PNAE, recomenda que se avalie se está havendo prejuízo para a merenda ou desperdício de dinheiro do programa e aponta alguns exemplos de irregularidades graves:
9 Saques da conta bancária única específica que não correspondem a compras de alimentos para a merenda;
9 Não utilização de conta específica, exclusiva para o dinheiro do Programa; 9 Resultado de aplicação em poupança utilizado para gastos fora do Programa;
9 Compra com dinheiro do Programa de alimentos que não fazem parte do cardápio da merenda; 9 Alimentos comprados por preços acima dos preços praticados no mercado;
9 Falta de licitação, sem justificativa com base em lei, para compras acima de R$ 8.000,00; 9 Alimentos comprados, não entregue nas escolas;
9 Alimentos não utilizados na merenda escolar;
9 Prejuízo causado por produtos que não puderam ser utilizados (vencidos ou estragados);
9 Pagamento de serviços em contratos para fornecimento de merenda pronta ou contratos que não separam o custo dos serviços.
Importante:
¾ Essas falhas podem ser descritas no Parecer Conclusivo que é encaminhado ao FNDE juntamente com o Demonstrativo Sintético Anual da execução físico-financeira do Programa Nacional de Alimentação Escolar.
¾ É a partir deste relato que o Governo Federal tem conhecimento de como o programa está sendo executado e quais são os problemas mais freqüentes para, com base nessas informações, tomar as devidas providências a fim de regularizar as situações mais graves.
6. CHECK LIST4
O check list abaixo apresenta de forma sintética os principais aspectos referentes ao acompanhamento e fiscalização do Programa de Merenda. É uma ferramenta simples e muito útil que pode ser compartilhada com os conselheiros de alimentação a fim de orientar o trabalho deles e também ser utilizado como uma referência no trabalho voluntário dos contabilistas junto ao CAE.
ROTEIRO DE ANÁLISE DO PROGRAMA NACIONAL DE ALIMENTAÇÃO ESCOLAR – PNAE ENTIDADE EXECUTORA: Prefeitura Municipal de __________________ EXERCÍCIO 20___
1. FORMA DE GESTÃO DO PNAE
A. A modalidade de operacionalização do programa é centralizada5? SIM NÃO B. A modalidade de operacionalização do programa é escolarizada6? SIM NÃO C. A modalidade de operacionalização do programa é a mista ou parcialmente escolarizada? SIM NÃO
D. O programa é terceirizado7? SIM NÃO
2. INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE O PNAE
A. O município possui nutricionista responsável pelo PNAE? SIM NÃO B. Existem hortas escolares ou comunitárias para complementar a alimentação escolar no
município? SIM NÃO
C. É feito teste de aceitabilidade do cardápio entre os alunos? SIM NÃO D. O cardápio respeita o hábito alimentar local? SIM NÃO E. O cardápio é nutricionalmente adequado? SIM NÃO F. São fornecidos com freqüência produtos frescos como frutas, legumes e verduras? SIM NÃO G. Os cardápios são alterados com freqüência? SIM NÃO
3. INFORMAÇÕES SOBRE A EXECUÇÃO DO PROGRAMA
A. A prefeitura utiliza conta bancária exclusiva para o dinheiro da merenda? SIM NÃO B. O recurso do FNDE foi utilizado apenas para comprar alimentos para a merenda? SIM NÃO C. A prefeitura comprou alimentos com recurso do FNDE que não foram usados na
merenda? SIM NÃO
D. Os valores das notas fiscais correspondem a débitos na conta bancária específica do
PNAE? SIM NÃO
E. A prefeitura apresentou todos os comprovantes para todas as despesas realizadas? SIM NÃO F. O preço pago para cada alimento está de acordo com o preço de mercado, considerando a
mesma quantidade, a mesma qualidade e a época de compra? SIM NÃO G. As compras foram feitas de acordo com a lei de licitação (Lei nº 8.666 de 21/06/1993)? SIM NÃO H. Os produtos comprados foram os mesmos utilizados na merenda fornecida aos alunos? SIM NÃO I. Os alimentos comprados foram entregues nas escolas? SIM NÃO J. Os produtos comprados são saudáveis e de boa qualidade? SIM NÃO K. Os produtos comprados estão dentro do prazo de validade? SIM NÃO L. No mínimo 70% dos recursos financeiros da merenda são gastos na compra de alimentos
básicos8? SIM NÃO
M. A escola possui controle de estoque dos produtos que recebe? SIM NÃO
5 Modalidade na qual os recursos para execução do PNAE são administrados pela prefeitura, que compra os alimentos
para a merenda escolar.
6 Modalidade na qual os recursos para a execução do PNAE são repassados para as escolas e estas realizam as compras para a merenda escolar.
7 Modalidade na qual a prefeitura contrata uma ou mais empresas para o fornecimento de alimentação escolar às creches e escolas, sendo que os recursos repassados pelo FNDE à prefeitura somente podem ser utilizados para o pagamento dos gêneros alimentícios.
8 Alimentos básicos são aqueles indispensáveis para a promoção de uma alimentação saudável, observada a regulamentação aplicável (MP nº 455/09, Art. 12º, parágrafo único). Pela MP nº 455/09, o percentual de 70% deixa de ser exigido, passando a valer a redação do Art. 12º.
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N. Há documentos na prefeitura que confirmam que os produtos foram entregues nas
quantidades certas? SIM NÃO
4. RESPONDER NO CASO DA MODALIDADE ESCOLARIZADA
A. Os recursos foram transferidos diretamente para as creches e escolas pertencentes a sua
rede? SIM NÃO
B. As creches ou escolas assumiram a responsabilidade pela execução do PNAE? SIM NÃO C. As escolas possuem controle dos recursos? SIM NÃO D. As escolas realizam as compras de forma adequada? SIM NÃO E. As escolas armazenam os alimentos adequadamente? SIM NÃO
5. RESPONDER NO CASO DA TERCEIRIZAÇÃO
A. A prefeitura utiliza os recursos do FNDE somente para o pagamento de gêneros
alimentícios à empresa contratada? SIM NÃO B. O pagamento dos serviços destas empresas é feito com recursos da prefeitura? SIM NÃO C. As porções servidas estão de acordo com o que foi definido no contrato? SIM NÃO D. O cardápio servido está de acordo com o que foi definido no contrato? SIM NÃO E. A qualidade dos alimentos servidos está de acordo com o que foi definido no contrato? SIM NÃO
6. COMPRA DE ALIMENTOS - LICITAÇÕES
A. O responsável pela compra fez uma descrição detalhada dos alimentos? SIM NÃO B. O CAE acompanhou o processo de licitação? SIM NÃO
7. MODALIDADE DE LICITAÇÃO – COMPRA DIRETA (DISPENSA DE LICITAÇÃO) – VALORES ATÉ R$ 8.000,00
A. Foi feita consulta a no mínimo três fornecedores? SIM NÃO B. Foi escolhido o de menor preço? SIM NÃO C. Foram verificados os documentos de regularidade fiscal e a documentação exigida da
empresa? SIM NÃO
8. MODALIDADE DE LICITAÇÃO – CARTA CONVITE, VALORES DE R$ 8.000,00 A R$ 80.000,00
A. O convite foi fixado em local público? SIM NÃO B. Foram convidados no mínimo 03 fornecedores? SIM NÃO C. Foi escolhido o de menor preço? SIM NÃO D. Foram verificados os documentos de regularidade fiscal e a documentação exigida da
empresa? SIM NÃO
9. MODALIDADE DE LICITAÇÃO – TOMADA DE PREÇOS, VALORES DE R$ 80.000,00 A R$ 650.000,00
A. Foi feito anúncio de abertura de edital de licitação no diário oficial do município ou estado
e em um jornal de grande circulação, com no mínimo 15 dias de antecedência? SIM NÃO B. O vencedor apresentou o menor valor? SIM NÃO C. Os documentos de regularidade fiscal encontram-se em ordem? SIM NÃO
10. MODALIDADE DE LICITAÇÃO – CONCORRÊNCIA PÚBLICA, VALORES ACIMA DE R$ 650.000,00
A. Foi feito um anúncio de edital de licitação no diário oficial do município ou estado e em um
jornal de grande circulação, com no mínimo 30 dias de antecedência? SIM NÃO B. O vencedor apresentou o menor valor? SIM NÃO C. O vencedor atendeu todas as especificações contidas no edital bem como comprovou
regularidade fiscal? SIM NÃO
11. MODALIDADE DE LICITAÇÃO – SISTEMA DE REGISTRO DE PREÇOS
A. Neste caso, os preços dos alimentos comprados estão de acordo com os preços de
mercado? SIM NÃO
12. MODALIDADE DE LICITAÇÃO – PREGÃO
A. Neste caso, os preços dos alimentos comprados estão de acordo com os preços de
mercado? SIM NÃO
13. SITUAÇÃO DO CONSELHO DE ALIMENTAÇÃO ESCOLAR (CAE)
A. O CAE possui equipamento de informática disponível para o seu trabalho? SIM NÃO B. O CAE possui local adequado para a sua reunião? SIM NÃO C. O CAE possui transporte para o seu deslocamento ao local de trabalho de suas
atividades? SIM NÃO
D. O CAE se reúne regularmente (cerca de 1 vez por mês)? SIM NÃO E. Os representantes dos professores foram eleitos por estes em assembléia? SIM NÃO F. Os representantes de pais de alunos foram eleitos por estes em assembléia? SIM NÃO G. O representante da sociedade civil foi eleito por organizações da sociedade civil em
assembléia? SIM NÃO
H. O presidente e o vice-presidente do CAE foi eleito pelos seus membros? SIM NÃO I. O presidente e o vice-presidente do CAE são representantes do Executivo ou Legislativo? SIM NÃO J. No CAE algum membro é o responsável pelas despesas do PNAE? SIM NÃO K. Há no CAE pessoas com mais de 2 (dois) mandatos? SIM NÃO L. Os membros do CAE recebem alguma remuneração? SIM NÃO
14. VERIFICAÇÃO DOS MEMBROS DO CAE DURANTE AS VISITAS A ESCOLAS, EM CONVERSAS COM PAIS, PROFESSORES E ALUNOS
A. A merenda está sendo oferecida regularmente? SIM NÃO B. Há falta de alimentos? SIM NÃO C. Os alunos estão satisfeitos com a qualidade da merenda? SIM NÃO D. O espaço em que os alunos consomem a merenda é adequado? SIM NÃO E. As escolas têm refeitório com mesa e cadeira para os alunos? SIM NÃO F. Existe muito desperdício de alimentos? SIM NÃO
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7. O que fazer caso o conselho não esteja ativo?O primeiro passo é se informar junto à Secretaria de Educação do município sobre o motivo pelo qual o CAE não está ativo. Isso pode ocorrer devido a várias razões:
9 O mandato do CAE venceu e não houve renovação por falta de pessoas interessadas;
9 As pessoas que assumiram como conselheiro não estão com disponibilidade para desempenhar a sua função e não renunciaram ao seu mandato;
9 O CAE não sabe como desempenhar a sua função; 9 O CAE pode ter sofrido pressão do poder político local.
Em relação às duas primeiras possibilidades, é possível buscar apoio de outras pessoas no município para tentar reativar o CAE. Realizar uma reunião na escola e convidar os pais de alunos e professores, envolver as organizações sociais locais.
No tópico 2 desta publicação são apresentadas algumas maneiras aos contabilistas de fortalecer a atuação do CAE. Verifique se é possível implementar algumas dessas ações e converse com a comissão estadual do PVCC para pedir orientações!
8. Contatos
Além de contar com o apoio das comissões estaduais de coordenação do PVCC, os contabilistas também podem contatar a Ação Fome Zero e o Conselho Federal de Contabilidade, integrantes da Comissão Nacional de Coordenação do Programa de Voluntariado da Classe Contábil.
Ação Fome Zero
Rua Bela Cintra, 643, 1º andar. Consolação – São Paulo – SP. CEP 01415-901 Telefone: (11) 3569-6016 Fax: (11) 3256-3928 e-mail: [email protected] http://www.acaofomezero.org.br http://www.premiomerenda.org.br
Conselho Federal de Contabilidade
S.A.S Quadra 05 Lote 03 Bloco "J", Edifício CFC, Setor de Autarquias Sul
Brasília – DF – CEP 70070-920 Telefone: (61) 3314-9600 Fax: (61) 3322-2033 E-mail: [email protected] http://www.cfc.org.br
Órgãos Oficiais de Controle da Merenda Escolar
Neste tópico estão relacionadas algumas entidades que podem esclarecer dúvidas em relação ao trabalho de fiscalização do Programa de Merenda, além de serem órgão de controle aos quais se pode recorrer quando houver irregularidades graves na sua gestão nos estados e municípios.
Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação – FNDE SBS – Quadra 2 – Bloco F – Edifício Áurea
Brasília – DF – CEP 70070.929 Central de Atendimento ao Cidadão Telefone: 0800-616161
http://www.fnde.gov.br e-mail: [email protected]
Tribunal de Contas da União – TCU SAFS – Quadra 4 – Lote 1 – Edifício Sede 2º andar, sala 221
Brasília – DF – CEP 70.042-900 Telefone: 0800-6441500
http://www.tcu.gov.br - opção “Controle Social / Como Fazer denúncia ao TCU” Controladoria Geral da União – CGU
SAS Quadra 1 – Bloco A – 8º andar Edifício Darcy Ribeiro
Brasília – DF – CEP 70.070.905 Fax: (61) 3412-7235
http://www.presidencia.gov.br/cgu - opção: “Denúncias” Ministério Público Federal
SAF, Quadra 4, Cj. C
Brasília – DF – CEP 70.050-900 Telefone: (61) 3031-5100