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A responsabilidade civil decorrente da interrupção do fornecimento de energia elétrica em face das normas do código de defesa do consumidor.

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(1)

CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS

UNIDADE ACADÊMICA DE DIREITO

CURSO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS

JOSÉ CORSINO PEIXOTO NETO

A RESPONSABILIDADE CIVIL DECORRENTE DA INTERRUPÇÃO

DO FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA EM FACE DAS

NORMAS DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR

SOUSA - PB

2005

(2)

A RESPONSABILIDADE CIVIL DECORRENTE DA INTERRUPÇÃO

DO FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA EM FACE DAS

NORMAS DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR

Monografia apresentada ao Curso de

Direito do Centro de Ciências

Jurídicas e Sociais da Universidade

Federal de Campina Grande, como

requisito parcial para obtenção do

título de Bacharel em Ciências

Jurídicas e Sociais - Direito.

Orientador: Professor Me. Eduardo Jorge Pereira de Oliveira.

SOUSA - PB

2005

(3)

Elaboração da Ficha Catalográfica:

Johnny Rodrigues Barbosa

Bibliotecário-Documentalista

CRB-15/626

P379r Peixoto Neto, José Corsino.

A responsabilidade Civil decorrente da interrupção do

fornecimento de energia elétrica em face das normas do Código de

Defesa do Consumidor. / José Corsino Peixoto Neto. - Sousa- PB:

[s.n], 2005.

66 f.

Orientador: Prof. Me. Eduardo Jorge Pereira de Oliveira.

Monografia - Universidade Federal de Campina Grande; Centro

de Formação de Professores; Curso de Bacharelado em Ciências

Jurídicas e Sociais - Direito.

1. Código de Defesa do Consumidor. 2. Direitos do consumidor.

3. Responsabilidade Civil. 4. Fornecimento de Energia Elétrica -

interrupção. 5. Serviços essenciais – energia elétrica. 6.

Concessionária de energia elétrica. I. Oliveira, Eduardo Jorge Pereira

de. II Título.

(4)

A RESPONSABILIDADE CIVIL DECORRENTE DA INTERRUPQAO DO

FORNECIMENTO DE ENERGIA ELETRICA EM FACE DAS NORMAS

DO CODIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR

BANCA EXAMINADORA

Prof.

(5)

m a e , que s e m p r e esteve ao m e u lado; a o s m e u s a v o s , Benedito e Lucia, q u e muito m e a j u d a r a m ; a Elizangela e a A n i n h a , fortes pilares na m i n h a vida; ao mestre Eduardo Jorge, q u e s e m p r e m e estendeu a m a o neste t e m p o de a c a d e m i a . E citando o poeta Ronaldo, a g r a d e c o "Aos m e u s a m i g o s nao citados n o m i n a l m e n t e , aos quais peco absolvicao, e a o s d e m a i s que se sintam citados 'por edital', no orgao de maior circulacao q u e e o coracao".

(6)

i n d e p e n d e n t e do que a c o n t e c a , ela s e m p r e esta c o m i g o .

(7)
(8)

O Codigo de Defesa do C o n s u m i d o r e uma lei de o r d e m publica e interesse social que a t e n d e a urn m a n d a m e n t o constitucional e disciplina todas as relacoes de c o n s u m o existentes no nosso pais s e j a m quern for o f o r n e c e d o r de produtos ou servicos e o c o n s u m i d o r . No que tange a prestagao de servigos publicos, a lei consumeirista prescreve u m a serie de preceitos a s e r e m o b s e r v a d o s pelo Estado, ou s e u s c o n c e s s i o n a r i e s , q u a n d o do fornecimento d a q u e l a e s p e c i e de servico. A s s i m , os servicos publicos d e v e m ser prestados de maneira a d e q u a d a , eficiente, segura e quanto aos e s s e n c i a i s , continua, a l e m de que d e v e m o b e d e c e r a u m a politica de racionalizacao e melhoria para alcancar uma eficaz prestacao. O fornecimento de energia eletrica e u m a e s p e c i e de servigo publico c o n s i d e r a d a essencial a sociedade e por confer esta caracteristica nao pode sofrer solugao de continuidade, ou seja, nao p o d e , por n e n h u m motivo, ser interrompido. A interrupgao do f o r n e c i m e n t o de energia eletrica contraria e x p r e s s a m e n t e a lei de d e f e s a do c o n s u m i d o r constituindo-se, per si, urn ato ilegal, inconstitucional e i n a d m i s s i v e l . C a s o o fornecedor de energia eletrica v e n h a a interromper a prestagao d e s t e servigo essencial sera obrigado a restabelecer i m e d i a t a m e n t e o f o r n e c i m e n t o do servigo e a indenizar o c o n s u m i d o r por t o d o s os d a n o s , morais e materials, d e c o r r e n t e s d a q u e l a conduta ilegal. No mais, o ato de interromper a prestagao do servigo de fornecimento de energia eletrica fere o principio da dignidade da pessoa h u m a n a , o q u e assevera o aspecto do ressarcimento integral dos danos sofridos pelo c o n s u m i d o r .

(9)

Introdugao 09

C A P l T U L O 1 A S P E C T O S H I S T O R I C O S E B A S E C O N S T I T U C I O N A L DO C O D I G O

DE D E F E S A O C O N S U M I D O R 12

1.1 Breve historico do m o v i m e n t o consumeirista 13

1.2 B a s e constitucional 20

C A P l T U L O 2 O T R A T A M E N T O J U R i D I C O D O S S E R V I Q O S P U B L I C O S NO

C 6 D I G O DE D E F E S A D O C O N S U M I D O R 27

2.1 A P e s s o a Juridica de Direito Publico e n q u a n t o f o r n e c e d o r a de servigos

sujeitos as n o r m a s do C D C 28 2.2 O s preceitos i m p o s t o s pelo C D C a prestagao dos servigos publicos 33

C A P l T U L O 3 A I L E G A L I D A D E DA I N T E R R U P Q A O D O F O R N E C I M E N T O DE E N E R G I A E L E T R I C A E A R E S P O N S A B I L I D A D E CIVIL D E C O R R E N T E D E S T A

I N T E R R U P Q A O 42

3.1 O f o r n e c i m e n t o de energia eletrica e n q u a n t o e s p e c i e de servigo essencial...43

3.2 llegalidade d a interrupgao, a Lei n°8.987/95 x O C D C 4 6 3.3 A r e s p o n s a b i l i d a d e civil do fornecedor e m f a c e da interrupgao do

f o r n e c i m e n t o de energia eletrica 54

C o n c l u s a o

Referencias bibliografica

63

(10)

Na s o c i e d a d e m o d e r n a a energia eletrica tornou-se u m e l e m e n t o f u n d a m e n t a l

para o d e s e n v o l v i m e n t o social, pois e ela util na agricultura, na industria, no

comercio e e vital ao b e m estar da populagao. O f o r n e c i m e n t o deste servigo e feito

diretamente pelo Estado ou prestado por p e s s o a s j u r i d i c a s por aquele autorizado e

tern c o m o fim precfpuo satisfazer as n e c e s s i d a d e s do c i d a d a o - c o n s u m i d o r .

C o m o f u n d a m e n t o de otimizar a prestagao do servigo de f o r n e c i m e n t o de

energia eletrica o Estado, ou seus c o n c e s s i o n a r i e s , exige do c o n s u m i d o r o

p a g a m e n t o de u m a tarifa, que muitos t a m b e m d e n o m i n a m de prego publico. Nesta

atividade os f o r n e c e d o r e s a l c a n g a m lucros vultuosos, que e a finalidade do sistema

capitalista, pois e m q u a s e t u d o que se procura d e s e m p e n h a r a energia eletrica esta

presente, seja: ao ligar u m a televisao para se entreter ou se informar, ao conservar

os alimentos na geladeira, a iluminagao publica e etc.

Neste d i a p a s a o , sera caracterizado j u r i d i c a m e n t e , a n a l i s a n d o os dispositivos

legais cabiveis, q u e o f o r n e c i m e n t o de energia eletrica, e n q u a n t o servigo publico, e

imprescindivel a vida do c i d a d a o - c o n s u m i d o r que necessita d a prestagao deste

servigo de m a n e i r a continua e eficaz para viver e m u m m e i o a m b i e n t e equilibrado e

c o m u m m i n i m o de d i g n i d a d e .

E dentro d e s t e contexto que se insere o presente trabalho onde se procura

destacar a responsabilidade civil do fornecedor e m f a c e da interrupgao do

fornecimento de energia eletrica, tendo e m vista haver u m a g r a n d e importancia do

tema para o m u n d o juridico e esta discussao constituir-se de muitas controversies na

(11)

Justifica-se esta pesquisa, e m seu c o n t e u d o , v i s a n d o analisar os p r o b l e m a s

ligados ao f u n d o j u r i d i c o q u e norteiam a interrupgao d o f o r n e c i m e n t o de energia

eletrica e a r e s p o n s a b i l i d a d e do fornecedor nos c a s o s de c e s s a c a o deste servigo,

pois a populagao necessita deste servigo essencial que por v e z e s e a b r u p t a m e n t e

interrompido pelo fornecedor.

0 objetivo d e s t e trabalho e analisar a possibilidade legal de interrupgao do

fornecimento de energia eletrica e se desta interpelagao do servigo pode surgir o

direito do c i d a d a o - c o n s u m i d o r de ser indenizado por e v e n t u a i s d a n o s (morais ou

materials) q u e v e n h a a suportar.

A m e t o d o l o g i a utilizada na pesquisa ora a p r e s e n t a d a , que possui u m duplice

carater (pratico e teorico), d e s e n v o l v e u - s e a partir de p e s q u i s a s bibliograficas, c o m

variadas consultas a internet e C D - r o m ' s juridicos, t r a z e n d o d e s d e relatos historicos

e conceitos basicos para se chegar ao resultado obtido, utilizando-se t a m b e m de u m

m e t o d o dedutivo, a fim de que tal problematica possa ser s o l u c i o n a d a .

A s s i m , o piano deste trabalho monografico se d e s e n v o l v e e m tres capitulos,

onde o primeiro analisara os precedentes historicos e a base constitucional do

Codigo de Defesa do C o n s u m i d o r . No tocante ao c o n t e u d o historico sera feita uma

analise d e s d e os primeiros relatos de n o r m a s de protegao ao c o n s u m i d o r

o b s e r v a d a s milhares de a n o s antes de Cristo ate os dias atuais onde a defesa do

c o n s u m i d o r esta positivada e m leis de grande alcance e excelente tecnica. No que

tange a b a s e constitucional, serao analisados os dispositivos da Constituigao

Federal de 1988 q u e dao suporte a lei consumeirista brasileira.

E m s e g u i d a , no s e g u n d o capitulo, sera avaliado o t r a t a m e n t o juridico dos

(12)

pessoas j u n d i c a s de direito publico c o m o f o r n e c e d o r a s sujeitas as normas daquele

codigo e a respectiva aplicabilidade das n o r m a s c o n s u m e i r i s t a s aos servigos

publicos e m geral, a l e m de que serao e l e n c a d o s t o d o s os preceitos impostos pela lei

do c o n s u m i d o r a o s servigos publicos m a x i m e os essenciais.

Por f i m , no terceiro capitulo, restarao e v i d e n c i a d a s a ilegalidade da

interrupgao do f o r n e c i m e n t o de energia eletrica e a responsabilidade civil decorrente

desta interrupgao. Neste sera especificado os f u n d a m e n t o s q u e dispoe ser o

fornecimento de energia eletrica u m servigo publico e s s e n c i a l , confrontar-se-a os

dispositivos da lei n°8.987/95 c o m os da lei n° 8.078/90 e demonstrar-se-a

d e t a l h a d a m e n t e a responsabilidade civil do fornecedor d o fornecedor de energia

eletrica c a s o a interrupgao v e n h a a causar d a n o s ao c o n s u m i d o r , isto partindo de um

aspecto geral sobre responsabilidade civil ate c h e g a r a c o n c l u s a o do estudo.

Dessa m a n e i r a , diante da problematica levantada, mister se faz delinear os

aspectos da responsabilidade civil do fornecedor de energia eletrica decorrente da

interrupgao do f o r n e c i m e n t o deste servigo, u m a vez que e u m t e m a de grande

(13)

C A P i T U L O 1 A S P E C T O S H I S T O R I C O S E B A S E C O N S T I T U C I O N A L DO C O D I G O DE D E F E S A DO C O N S U M I D O R

0 C o d i g o de Defesa do C o n s u m i d o r ( C D C ) e u m a lei ordinaria c o m , (como o

proprio n o m e faz m e n c a o ) , o status de codigo, d i p l o m a legal que atende a u m

anseio constitucional inserto e m varios dispositivos d a carta m a g n a . T e n d o por

fulcro a tutela do cidadao-consumidor, a lei c o n s u m e i r i s t a contempla uma

necessidade social, t e n d o e m vista o enfurecido sistema capitalista que impera na

s o c i e d a d e .

N e s s e s i s t e m a , o c o n s u m i d o r se encontra n u m a posicao desprivilegiada, pois

nao controla ou se familiariza c o m os meios de produgao que p e r t e n c e m ao

fornecedor (de produto ou servigos), d a i nasce a n e c e s s i d a d e de protegao. Dessa

forma se fortaleceu e m m e a d o s do seculo XX, o c h a m a d o m o v i m e n t o consumeirista,

que no Brasil se fez consolidar na Constituigao Federal de 1988 e na Lei n° 8.078/90

(Codigo de Defesa do C o n s u m i d o r ) e esta lei protecionista, que impoe diversas

regras a s e r e m respeitadas, d e v e ser observada e m t o d a s as relagoes de c o n s u m o ,

m a x i m e q u a n d o h o u v e r prestagao de servigos pelo poder publico, q u e , por suas

caracteristicas peculiares, d e i x a m o c i d a d a o - c o n s u m i d o r m a i s vulneravel.

Neste capitulo serao a b o r d a d a s feigoes do Codigo de Defesa do C o n s u m i d o r

c o m e n f a s e e m seu e m b a s a m e n t o constitucional e p r e c e d e n t e historico. C o m o e

sabido, nosso s i s t e m a juridico, hierarquicamente o r g a n i z a d o , tern no topo da

hierarquia a Constituigao Federal e qualquer interpretagao q u e v e n h a a se fazer de

alguma n o r m a j u r i d i c a infraconstitucional deste sistema d e v e se iniciar da norma

superior, por isso ha n e c e s s i d a d e do e m b a s a m e n t o constitucional para estudo do

(14)

desde os seus primordios ate os dias atuais de maneira que se c o m p r e e n d a o seu

d e s e n v o l v i m e n t o e a sua importancia para a s o c i e d a d e . Gilberto Cotrim (1997), nos

ensina q u e estudar historia e tomar consciencia do que fomos para entender o que

somos, d e s s a f o r m a , u m estudo historico se faz necessario para melhor

c o m p r e e n d e r a s o c i e d a d e e m que v i v e m o s e os p r o b l e m a s que e n f r e n t a m o s , c o m a

real n e c e s s i d a d e de tutelar o consumidor, pois tudo que se vive hoje e decorrente de

algo que o p r e c e d e u . (destaque do autor).

1.1 Breve historico do m o v i m e n t o consumeirista

A d e f e s a do c o n s u m i d o r e, hoje, um d o s mais d e s t a c a d o s institutos do direito,

pela sua importancia j u r i d i c a , e c o n o m i c a e social, c o m raizes e m um passado

longinquo, pois ainda na idade antiga, muitos a n o s antes de cristo (a. C ) , p e r c e b i a m

-se n o r m a s de tutela do c o n s u m i d o r . A s s i m , para melhor c o m p r e e n s a o da evolucao

do direito do c o n s u m i d o r , por conseguinte do m o v i m e n t o consumeirista,

a p r e s e n t a r e m o s u m a breve visao dividida e m e t a p a s historicas c o m caracteristicas

proprias, e m tres f a s e s distintas.

Na primeira f a s e , que t a m b e m d e n o m i n a m o s de primordios, a caracteristica

marcante e a a u s e n c i a de u m a consciencia f o r m a d a sobre os interesses a serem

defendidos e s o b r e a q u e s t a o da protegao, o que se tinha e r a m normas que

tutelavam d e t e r m i n a d o s a c o n t e c i m e n t o s especificos, que se v i e s s e m a ocorrer,

(15)

A primeira d e n o t a c a o que p o d e m o s relatar nesta primeira fase, seguindo a

licao de Leizier Lerner (apud Jorge T. M. R o l l e m b e r g , 1987), apresenta-se no antigo

Codigo de H a m m u r a b i onde existiam d e t e r m i n a d a s regras q u e , indiretamente,

tinham por e s c o p o proteger o consumidor. A s s i m , cite-se, a lei n° 2 3 3 que rezava

que o arquiteto que viesse a construir u m a casa cujas paredes se revelassem

deficientes teria a o b r i g a c a o de reconstrui-las ou consolida-las as suas proprias

custas, o u , c o n s o a n t e a lei n° 2 3 5 , o construtor de barcos estava obrigado a

refaze-lo e m caso de defeito estrutural, dentro do prazo de ate u m ano. Neste exemprefaze-lo ha,

j a naquele m o m e n t o , u m e s b o c o do que viria a ser os vicios redibitorios e a

penalidade, aplicada na e p o c a , caso viesse a ocorrer q u a l seja, a obrigacao de

reparar.

Nesta m e s m a linha de raciocinio, Lerner (apud Jorge T. M. Rollemberg,

1987), o b s e r v a que na India, no seculo XIII a.C, o s a g r a d o codigo M a n u , na Lei n°

6 9 7 , a p o n t a v a pena de multa e punicao, a l e m do ressarcimento de todos os d a n o s

c a u s a d o s , a q u e l e s q u e a d u l t e r a s s e m generos ou e n t r e g a s s e m coisa de especie

inferior a q u e l a a c e r t a d a , ou ainda v e n d e s s e m bens de igual natureza por precos

diferentes, isso previsto na Lei n° 6 9 8 . O b s e r v a - s e aqui, c o m o nos primeiros

e x e m p l o s citados, q u e nao ha uma consciencia f o r m a d a sobre os interesses a s e r e m

defendidos e sobre a q u e s t a o da protegao do c o n s u m i d o r propriamente dita, o que

ha, sao n o r m a s q u e t u t e l a v a m d e t e r m i n a d o s a c o n t e c i m e n t o s especificos e

prescreviam p e n a l i d a d e s a o s infratores, isto, c o r r o b o r a n d o as caracteristicas da

primeira fase do m o v i m e n t o consumeirista a p r e s e n t a d a s alhures.

C o n t i n u a n d o a analise historica, observa-se que na G r e c i a , conforme a licao

extraida da Constituigao de A t e n a s de Aristoteles ( a p u d , J o s e Geraldo Brito

(16)

consumidor, pois e r a m d e s i g n a d o s , por sorteio, os fiscais do m e r c a d o cinco para o

Pireu e cinco para a c i d a d e ; para estes fiscais, as leis a t r i b u i a m os encargos

atinentes as m e r c a d o r i a s e m geral a fim de que os produtos vendidos nao

c o n t i v e s s e m misturas n e m f o s s e m adulterados. E r a m t a m b e m d e s i g n a d o s os fiscais

das m e d i d a s , na m e s m a q u a n t i d a d e e divisao dos do m e r c a d o , ficavam ao encargo

daqueles as m e d i d a s e os pesos e m geral a fim de q u e os v e n d e d o r e s d a epoca

utilizassem as m e d i d a s e os pesos corretos. Em R o m a , diz Lerner (apud Jorge T. M.

Rollemberg, 1987), a p r e o c u p a g a o se fazia no sentido de assegurar ao adquirente

de bens de c o n s u m o d u r a v e i s a garantia de que os defeitos ocultos seriam sanados

o u , se nao p u d e s s e m ser, haveria a resiligao do contrato.

Nesta primeira fase do m o v i m e n t o consumeirista, destaca-se ainda, no

Imperio R o m a n o , a pratica de controle de abastecimento de produtos, principalmente

nas regioes c o n q u i s t a d a s , b e m c o m o a pratica da d e c r e t a c a o do c o n g e l a m e n t o de

pregos, pois, nesse m e s m o periodo, houve t a m b e m diversas crises inflacionarias. Ja

na Europa d a Idade M e d i a , d e s t a c a d a m e n t e na E s p a n h a e na Franga, previam-se

penas bastante s e v e r a s para quern adulterasse substancia alimenticia m a x i m e a

manteiga e o v i n h o . Lerner (apud, Jorge T. M. R o l l e m b e r g , 1987), destaca que na

Franga do seculo X V , o rei Luiz XI punia c o m pena de b a n h o escaldante quern

v e n d e s s e m a n t e i g a c o m pedra no seu interior para a u m e n t a r o peso, ou leite c o m

agua para a u m e n t a r o v o l u m e .

E m a m b i t o interno, nacional, a protegao ao c o n s u m i d o r se faz destacar ainda

no periodo colonial, pois d o c u m e n t o s daquela e p o c a , c o n f o r m e relata o jornalista

Biaggio Talento ( a p u d , J o s e Geraldo Brito Filomeno, 2 0 0 3 , p.25), g u a r d a d o s no

arquivo historico de Salvador, m o s t r a m que no p e r i o d o inicial da historia do Brasil,

(17)

consumeirista, m a s , repito, nao havia uma consciencia f o r m a d a sobre os interesses

a s e r e m d e f e n d i d o s e sobre a questao da protecao do c o n s u m i d o r propriamente

dita. Sobre os e x e m p l o s trazidos na reportagem do jornalista citado, apontado pelo

mestre (Filomeno 2 0 0 3 ) , e de se destacar que entre as principals n o r m a s que regiam

a cidade de Salvador, e l a b o r a d a s pelo S e n a d o da C a m a r a , u m a delas, editada no

dia 27 de agosto d e 1625, obrigava t o d o s os v e n d e i r o s , v e n d e d o r e s da e p o c a , a

fixarem os escritos d a almocataria na porta para que o povo os lesse e ficasse

informado.

A i n d a no p e r i o d o colonial, conforme informa T a l e n t o , ( a p u d , Jose Geraldo

Brito Filomeno, 2 0 0 3 , p.25), houve uma das m a i o r e s e x p r e s s o e s do movimento

consumeirista da primeira f a s e , nesta, o povo resolveu se reunir para queixar-se aos

g o v e r n a n t e s da e p o c a sobre a questao do vinho, que por conta da g r a n d e d e m a n d a

estava s e n d o v e n d i d o a precos altos inflacionando o m e r c a d o . Desse m o d o , e m

razao d a s tantas a s p i r a c o e s da populacao, a C a m a r a decidiu punir s e v e r a m e n t e os

infratores, a s s i m , quern v e n d e s s e o Canada (medida d a e p o c a ) acima de dois

cruzados seria preso e acoitado pelas ruas, ficando t a m b e m impossibilitado de

exercer o c o m e r c i o e seria banido da capitania para s e m p r e .

N a o e d e m a i s esclarecer q u e , no que d e n o m i n a m o s de primeira fase ou

primordios do m o v i m e n t o consumeirista, nao havia u m a consciencia f o r m a d a dos

interesses a s e r e m a l c a n c a d o s e da questao da protecao cabal ao consumidor, mas

sim d e t e r m i n a c o e s d a s autoridades e aspiracoes isoladas da populacao que

favoreciam o c o n s u m i d o r e reunia e m b a s a m e n t o fatidico-social para inspirar o

surgimento do movimento consumeirista propriamente dito o u , c o m o d e n o m i n a m o s ,

(18)

dos primordios, c o m o de resto sao todos os p r e c e d e n t e s , qual seja, dar ao

m o v i m e n t o um suporte basilar, (destaque do autor).

A o que se refere a s e g u n d a fase do m o v i m e n t o c o n s u m e i r i s t a , d e s e n c a d e a d a

a partir do a c e l e r a m e n t o da Revolucao Industrial nos Estados Unidos, no final do

seculo XIX, ja era possivel perceber u m despertar da consciencia dos interesses a

serem d e f e n d i d o s pelos c o n s u m i d o r e s e ainda tragar estrategias de protecao para a

classe, esta e m a i o r e, por conseguinte, a g r a n d e caracteristica da s e g u n d a etapa

do m o v i m e n t o . Neste m e s m o sentido e a licao do professor J o s e Geraldo Brito

Filomeno (2003, p.26) que aponta ainda a s e p a r a c a o do m o v i m e n t o trabalhista do

consumeirista e este ultimo formou a Consumer's League1, e m 1 8 9 1 , tendo

posteriormente se t r a n s f o r m a d a na poderosa Consumer's Union2 dos Estados

Unidos que atua na defesa do c o n s u m i d o r norte-americano e m q u a s e todas as

areas, tais c o m o na informacao dos direitos do c o n s u m i d o r e na afericao dos

produtos l a n c a d o s no m e r c a d o .

Para exemplificar fatos do m o v i m e n t o consumeirista nesta s e g u n d a fase,

seguindo a licao do professor Rizzato N u n e s (2005, p.02), p o d e m o s citar a Lei

S h e r m a n n , Lei Antitruste a m e r i c a n a , de 1890, que garantia a liberdade de escolha e

evitava a i m p o s i c a o de precos ao consumidor. A i n d a p o d e m o s ressaltar, como

marco desta s e g u n d a fase, c o n f o r m e destaca J o s e Geraldo Brito Filomeno (2003,

p.26), o c h a m a d o movimento dos frigorificos de Chicago. Neste periodo, os

c o n s u m i d o r e s a m e r i c a n o s ja lutavam para aprimorar s e u poder aquisitivo e melhorar

sua qualidade de vida, agora sim, diferente da primeira f a s e , ja existia uma

consciencia d o s interesses a s e r e m c o n s e g u i d o s e do m o d o estrategico para

1 Liga dos Consumidores. 2 Uniao dos Consumidores.

(19)

alcanca-los. A posteriori, e m outros paises, c r e s c e u o m o v i m e n t o consumeirista.

(destaque do autor)

Rizzato N u n e s (2005, p.02), aponta ainda que o a m a d u r e c i m e n t o deste

periodo da t o m a d a de consciencia por parte dos c o n s u m i d o r e s , o n d e a defesa desta

classe g a n h o u u m aspecto cultural entre os a m e r i c a n o s , gerou u m fortalecimento do

m o v i m e n t o c o n s u m e i r i s t a , m a x i m e e m 1960, c o m o d e s e n v o l v i m e n t o das

associacoes de c o n s u m i d o r e s que tinha a frente o a m e r i c a n o Ralf Nader e, a partir

d a q u e l e m o m e n t o , foi iniciada de fato a p r e o c u p a c a o c o m o c o n s u m i d o r nas

relacoes de c o n s u m o , pois existia, para a aquela classe, uma forte

representatividade. A s s i m , nessa trilha de p r e o c u p a c o e s , o presidente John Kenedy,

e m 15 de m a r c o de 1962, proferiu a f a m o s a declaragao d o s direitos do consumidor,

data e m q u e , por sinal, se c o m e m o r a o Dia Internacional do C o n s u m i d o r , esse

marco deu inicio ao que d e n o m i n a m o s de terceira f a s e do m o v i m e n t o consumeirista.

Esta f a s e do m o v i m e n t o , iniciada, repita-se, c o m a declaragao de direitos do

consumidor, proferida pelo presidente Kenedy, tern por caracteristica a

universalidade d a d e f e s a e protegao dos direitos desta classe, pois, apos a

declaragao, foi instaurada u m a politica de ambito internacional e m defesa da figura

d o consumidor, tal politica se fez mais evidente c o m a aprovagao do Pacto

Internacional sobre Direitos Economicos, sociais e culturais, a p r o v a d o pela

A s s e m b l e i a Geral das Nagoes Unidas e m 1966, o n d e se fixou por certo a defesa e

protegao do c o n s u m i d o r , principalmente no que importa a sua seguranga, saude,

direito de reclamar contra a b u s o s c o m e t i d o s por f o r n e c e d o r e s , etc. (destaque do

autor).

Neste m e s m o d i a p a s a o , Filomeno (2003, p.27) relata que foi aprovada e m

(20)

d a s Nagoes U n i d a s ( O N U ) que e m ultima analise tragou u m a politica geral e m

defesa do c o n s u m i d o r destinada aos Estados filiados, levando-se e m consideragao

a n e c e s s i d a d e e r e c o n h e c e n d o que o c o n s u m i d o r enfrenta desequilibrio e m face da

c a p a c i d a d e e c o n o m i c a , nivel de e d u c a g a o e poder de negociagao. Filomeno (2003,

p.27), ao c o m e n t a r a Resolugao n° 39/248 e m sua obra d i s p o e :

Nela, basicamente, encontra-se a preocupagao fundamental de:

protegero consumidor quanto a prejuizos a sua saude e seguranga, fomentar e proteger seus interesses economicos, fornecer-lhe informagdes adequadas para capacita-lo a fazer escolhas acertadas

de acordo com as necessidades e desejos individuals, educa-lo,

char possibilidades de real ressarcimento, garantir a liberdade para formagao de grupos de consumidores e outras organizagoes de

relevancia, e oportunidade para que essas organizagoes possam intervir nos processos decisorios a elas referentes. (Sic).

A a p r o v a g a o d a Resolugao foi a consolidagao da terceira etapa do movimento

consumeirista q u e preconiza a universalidade da real protegao e defesa do

c o n s u m i d o r c o m a O N U i m p o n d o aos Estados filiados a obrigagao de formularem

uma politica efetiva de protegao. E mais ainda, diversos outros paises o b s e r v a r a m a

importancia de ofertar tutela aquela classe tao vulneravel e x p a n d i n d o assim o

aspecto cultural da d e f e s a do c o n s u m i d o r que t o m o u corpo nos o r d e n a m e n t o s

juridicos de muitos Estados do globo, inclusive no Brasil onde o movimento

consumeirista g a n h o u forga e m m e a d o s da d e c a d a de setenta e evoluiu

rapidamente, p r i n c i p a l m e n t e no Estado de Sao Paulo o n d e foi instalado u m orgao

p e r m a n e n t e de d e f e s a do consumidor, e a partir dali se ramificou aos outros Estados

da Federagao o q u e resultou na formagao de u m a c o m i s s a o elaboradora de uma lei

(21)

a d o t a d a s e m varios paises, e seguiu as diretrizes da resolugao da O N U sobre o

assunto que resultou, a posteriori, no Codigo de Defesa do C o n s u m i d o r .

Neste interim, restou evidenciada a importancia desta analise historica, pois

foi possivel elucidar, pelos e x e m p l o s citados, nos diversos p e r i o d o s da historia c o m o

e necessaria a protegao ao c o n s u m i d o r e n q u a n t o sujeito s o c i o e c o n o m i c o , que teve

inicio de m a n e i r a singela q u a n d o nao havia u m a consciencia f o r m a d a sobre os

interesses a s e r e m d e f e n d i d o s e sobre a questao d a protegao do c o n s u m i d o r

propriamente dita, e v o l u i n d o para a s e g u n d a fase c o m a t o m a d a desta consciencia e

a articulagao d a s estrategias utilizadas para d e f e s a dos direitos q u e , por sua vez,

resultou na terceira fase o n d e a protegao do c o n s u m i d o r se tornou cultural e material

se inserindo nos o r d e n a m e n t o s juridicos de diversos E s t a d o s do globo terrestre,

inclusive no nosso pais que conta c o m u m a d a s leis m a i s a v a n g a d a s e m materia do

c o n s u m i d o r de todo o m u n d o , nesta o c o n s u m i d o r e n c o n t r a a m p a r o e protegao

frente as m a n o b r a s e f e t u a d a s pelos f o r n e c e d o r e s a m b i c i o s o s que nao a d v e m de

agora, m a s sim, sao provenientes de longa data d a historia.

1.2 Base constitucional

C o m o foi d e v i d a m e n t e citado alhures, o Brasil tern uma d a s leis de defesa do

c o n s u m i d o r m a i s a v a n g a d a s do m u n d o , contudo, antes de ingressar no estudo

destas n o r m a s de protegao ao consumidor, mais p r e c i s a m e n t e nas que i m p o e m

preceitos imprescindiveis para a prestagao d o s servigos publicos, e necessario

(22)

C o n s u m i d o r esta ligado, pois, c o m o se s a b e , a Constituigao e m u m Estado

Democratico de Direito e a lei maior e todas as n o r m a s do o r d e n a m e n t o juridico

d e v e m estar e m c o n s o n a n c i a c o m ela sob pena de s e r e m invalidadas. Rizzatto

Nunes (2005, p.07), nos ensina que:

As normas constitucionais, alem de ocuparem o apice da "piramide juridica", caracterizam-se pela imperatividade de seus comandos, que obrigam nao so as pessoas fisicas ou juridicas, de direito publico ou de direito privado, como o proprio Estado e seus orgaos, o Legislativo, o Executive o Judiciario etc. (sic).

No Brasil, a primeira Constituigao Federal que fez alusao a palavra

c o n s u m i d o r foi a de 1988 e isso foi decorrente das d i s c u s s o e s realizadas nos

diversos setores da s o c i e d a d e e do forte crescimento do m o v i m e n t o consumeirista

que b u s c a v a u m a m e l h o r condigao para a classe. N e s s a Constituigao, o legislador

constituinte fez m e n g a o a figura do c o n s u m i d o r e m varios dispositivos

constitucionais e d e t e r m i n o u ao Estado, no art. 5°, inciso X X X I I , que p r o m o v e s s e , na

forma da lei, a d e f e s a do consumidor. Esse m e s m o art. 5°, X X X I I , esta inserto entre

os direitos e garantias individuals que, s e g u n d o o art. 6 0 , § 4 ° , inciso IV, da m e s m a

Constituigao, e u m a clausula petrea que nao pode deixar de ser o b s e r v a d a . Neste

m e s m o sentido, Plinio Lacerda Martins (2004, p.02) a p o n t a q u e "O 4 0 ° Congresso

Brasileiro de Defesa do C o n s u m i d o r , realizado e m G r a m a d o , concluiu que o direito

de protegao do c o n s u m i d o r e clausula petrea d a Constituigao Federal".

D e s s e m o d o , a Lei maior do nosso o r d e n a m e n t o j u r i d i c o prescreve de

maneira e x p r e s s a que o c o n s u m i d o r e um sujeito q u e necessita ser defendido.

(23)

equipara-se a do c i d a d a o e os principios e normas constitucionais que tutelam o

cidadao t a m b e m sao, s i m u l t a n e a m e n t e , extensivos ao c o n s u m i d o r pessoa fisica.

Nesta m e s m a linha de p e n s a m e n t o , e possivel afirmar q u e todas as normas que

tutelam o cidadao, p r o t e g e m o c o n s u m i d o r no q u e for c o m p a t i v e l . A s s i m sendo,

qualquer fato ou n o r m a q u e venha a causar, m e s m o q u e subjetivamente, algum

prejuizo ao c o n s u m i d o r e inconstitucional e fere a d i g n i d a d e da pessoa h u m a n a .

E b o m ressaltar ainda sobre a questao referente a dignidade da pessoa

h u m a n a q u e e s t e e o m a i s importante principio da Constituigao Federal e a

intangibilidade d e s s a d i g n i d a d e e u m a obrigagao a ser o b s e r v a d a . Rizzatto Nunes

(2005, p.22), ensina ainda que "E ela, a dignidade, o ultimo arcabougo da guarida

dos direitos individuals e o primeiro f u n d a m e n t o de todo o sistema

constitucional".Dessa f o r m a , nao e possivel imaginar u m a vida h u m a n a s e m

dignidade, ou ao m e n o s s e m direito a ela, pois t o d o s os preceitos constitucionais de

tutela do cidadao, inclusive a protegao ao c o n s u m i d o r , estao f a d a d o s a zela-la, e

essa dignidade e caracteristica intrinseca da pessoa h u m a n a . Entao, todas as vezes

que a dignidade h u m a n a for violada nasce ao Estado u m d e v e r de atuar, de reprimir

e acabar c o m o fato ou ato (comissivo ou omissivo) que estiver m a c u l a n d o aquele

direito constitucional. A Constituigao Federal no seu art. 1° d i s p o e :

Art. 1°. A Republica Federativa do Brasil, formada pela uniao indissoluvel dos Estados e Municipios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democratico de Direito e tern como fundamentos:

I - a soberania; II - a cidadania;

III - a dignidade da pessoa humana;3 (grifo do autor).

(24)

T o d a s as n o r m a s que protegem o c o n s u m i d o r tern por finalidade zelar pela

dignidade da pessoa h u m a n a , pois tutelam u m a figura necessitada de a m p a r o legal

frente ao feroz s i s t e m a capitalista que impera a t u a l m e n t e na e c o n o m i a social. E foi

nesse sentido, de efetiva protegao ao consumidor, que a Constituigao Federal

elencou no seu titulo Da Ordem Economica e Financeira, art. 170, inciso V, c o m o

principio f u n d a m e n t a l a ser o b s e r v a d o , a defesa do consumidor. Nesta otica, o

legislador constituinte quis corroborar o direito f u n d a m e n t a l inserto no art. 5°, X X X I I ,

tornando adstrito nao so ao Estado, mas a toda s o c i e d a d e , a atuagao e m defesa do

c o n s u m i d o r ( d e s t a q u e s do autor). Neste m e s m o sentido leciona Roberta Densa

(2005, p.04), "Ve-se que a defesa do c o n s u m i d o r e principio que d e v e ser seguido

pelo Estado e pela s o c i e d a d e para atingir a finalidade de existencia digna e justiga

social." O art. 170 da Constituigao assim dispoe:

Art. 170. A ordem economica, fundada na valorizagao do trabalho humano e na livre iniciativa, tern por fim assegurar a todos

existencia digna, conforme os ditames da justiga social, observados

os seguintes principios: I - soberania nacional; II - a cidadania;

III - livre iniciativa; IV - livre concorrencia;

V - defesa do consumidor,4 (grifos do autor).

O b s e r v a - s e que e m mais u m dispositivo constitucional, o legislador

constituinte se p r e o c u p o u c o m a defesa do c o n s u m i d o r e a s s i m fez consignar que

esta defesa e p r e s s u p o s t o imprescindivel para a s s e g u r a r a t o d o s uma existencia

(25)

digna. Nesta s e a r a , o legislador constituinte v i s a n d o tornar efetiva a defesa do

c o n s u m i d o r o r d e n o u que f o s s e elaborado u m Codigo de Defesa do C o n s u m i d o r e m

ate 120 dias a partir da p r o m u l g a c a o da lei maior. Nesse sentido e a redacao do art.

4 8 dos atos d a s d i s p o s i c o e s constitucionais transitorias ( A D C T ) .

A s s i m s e n d o , e m 11 de s e t e m b r o de 1990, q u a s e dois a n o s depois do prazo

estabelecido pelo legislador constituinte, foi p r o m u l g a d a a lei n° 8.078/90 que

recebeu o n o m e de C o d i g o de Defesa do C o n s u m i d o r e que teve u m periodo de

vacatio legis de seis m e s e s para entrar e m vigor, o que se d e u e m 11 de marco de

1 9 9 1 . Dessa f o r m a , o C D C e m e r g e no o r d e n a m e n t o juridico brasileiro para

disciplinar t o d a s as relacoes que e n v o l v a m o c o n s u m o , de produtos ou servigos,

entre q u a i s q u e r partes, e m qualquer lugar do territorio brasileiro. Rizzato Nunes

(2005, p.86), ao elucidar o advento do Codigo de Defesa do C o n s u m i d o r ensina que

"o C D C e u m s u b s i s t e m a juridico proprio, lei geral c o m principios especiais voltada

para a regulagao de t o d a s as relacoes de c o n s u m o " . (sic). E importante destacar

ainda que o artigo primeiro da Lei n° 8.078/90 dispoe que o C D C e uma lei de o r d e m

publica e interesse social, v e j a m o s o seu texto:

Art. 1°. O presente Codigo estabelece normas de protegao e defesa do consumidor, de ordem publica e interesse social, no termos do art. 5°, inciso XXXII, 170, inciso V, da Constituigao Federal e art. 48 de suas disposigoes transitorias.5

Neste primeiro dispositivo do C D C o legislador infraconstitucional fez

consignar de m a n e i r a expressa o e m b a s a m e n t o constitucional da defesa do

(26)

c o n s u m i d o r e l u c i d a n d o que esta lei o b e d e c e a o s m a n d a m e n t o s daquela norma

superior e que a lei consumeirista e de o r d e m publica e interesse social. Por ter as

caracteristicas o r d e m publica e interesse social e de aplicacao obrigatoria, seus

preceitos sao inderrogaveis e s u a s normas se i m p o e m contra a vontade dos

participantes da relacao de c o n s u m o podendo o juiz, no caso concreto, aplicar-lhes

as regras ex officio, i n d e p e n d e n t e de provocagao de q u a i s q u e r d a s partes. Nesse

m e s m o sentido e a licao do professor Rizzato (2005, p.86):

Na medida em que a Lei n. 8.078/90 se instaura tambem com o principio da ordem publica e interesse social, suas normas se impoem contra a vontade dos participes da relacao de consumo, dentro de seus comandos imperativos e nos limites por ela delineados, podendo o magistrado, no caso levado a juizo, aplicar-Ihe as regras ex officio, isto e, independente do requerimento ou protesto das partes.

Neste interim, e possivel perceber que o Codigo de Defesa do C o n s u m i d o r e

uma lei ordinaria, c o m status de codigo, q u e a t e n d e a u m m a n d a m e n t o

constitucional, se e n c o n t r a n d o e m total sintonia c o m a Lei Maior. A o se interpretar as

normas contidas na lei de defesa do c o n s u m i d o r se d e v e m ter e m mente que as

m e s m a s sao d e c o r r e n t e s de preceitos constitucionais e qualquer interpretacao

contraria aquela lei constitui ofensa a propria Carta M a g n a , a propria Constituigao

Federal, ferindo u m direito f u n d a m e n t a l , uma clausula petrea, d e s o b e d e c e n d o aos

principios da o r d e m e c o n o m i c a e social e m a c u l a n d o a dignidade da pessoa

h u m a n a . Deve-se destacar ainda, que o codigo consumeirista e de o r d e m publica e

interesse social c o m o b s e r v a c a o obrigatoria onde o interesse da sociedade

(27)

precipuo do preceito obrigacional, logo, deve prevalecer q u a n d o existir relacao de

(28)

C A P l T U L O 2 O T R A T A M E N T O JURJDICO D O S S E R V I Q O S P U B L I C O S NO C O D I G O DE D E F E S A D O C O N S U M I D O R

O C o d i g o de Defesa do Consumidor, e n q u a n t o lei de o r d e m publica e

interesse social, tern aplicacao prioritaria e imediata e m t o d a s as relacoes de

c o n s u m o i n d e p e n d e n t e de quern seja o fornecedor de p r o d u t o s ou servicos, seja

aquele u m a pessoa fisica ou juridica, publica ou privada, nacional ou estrangeira,

todos os f o r n e c e d o r e s presentes na relacao de c o n s u m o e s t a o sujeitos a regencia

do C D C . No entanto, e d e s t a c a d a a posicao do f o r n e c e d o r de servigos publicos na

lei consumeirista, pois a natureza, a importancia e a essencialidade, tornam o

disciplinamento d o s servigos publicos mais austero para que a prestagao destes aos

c o n s u m i d o r e s seja feita c o m mais qualidade e eficiencia.

No presente capitulo, serao a b o r d a d o s os preceitos impostos pelo Codigo de

Defesa do C o n s u m i d o r a prestagao dos servigos publicos e sera caracterizada a

possibilidade de incidencia destas normas de protegao e m face dos servigos

publicos e da p e s s o a juridica de direito publico ou suas concessionarias,

permissionarias ou outra f o r m a e e m p r e e n d i m e n t o que v e n h a a ser estipulada. No

que tange aos preceitos i m p o s t o s pelo C D C a prestagao d o s servigos publicos,

destaca-se o fato de t e r e m de ser prestados de maneira a d e q u a d a , eficiente, segura

e quanto aos e s s e n c i a i s , continua, a l e m de que d e v e m o b e d e c e r a uma politica de

racionalizagao e melhoria para alcangar uma eficaz prestagao. No que diz respeito a

caracterizagao d a pessoa juridica de direito publico e n q u a n t o f o r n e c e d o r a sujeita ao

C D C sera feita a efetiva analise da norma para que nao reste duvida quanto ao fato

das p e s s o a s j u r i d i c a s deste naipe e os servigos publicos prestados por elas terem

(29)

2.1 A Pessoa Juridica de Direito Publico e n q u a n t o f o r n e c e d o r a de servigos publicos sujeitos as n o r m a s do C D C

O Estado e m todo o decorrer da historia s e m p r e prestou servigos aos cidadaos

que retribuiam c o m o p a g a m e n t o de tributos aquele ente j u r i d i c a m e n t e superior, a

ele ficavam r e s e r v a d o s os servigos de maior importancia, os quais a populagao mais

necessitava, para q u e nunca d e i x a s s e m de ser prestados. Ocorre, p o r e m , que a

s o c i e d a d e evoluiu e o Estado c o m e g o u a declinar da prestagao de alguns servigos

para iniciativa privada, c o n t u d o , esses servigos ainda c o n t i n u a r a m a ter o carater de

publicos e, a maioria deles, de s e r e m imprescindiveis a s o c i e d a d e . Desses servigos

declinados para iniciativa privada, c o m o t a m b e m para alguns outros que

c o n t i n u a r a m a ser p r e s t a d o s diretamente pelo poder publico, c o m e g o u a ser cobrada

u m a tarifa ou prego publico, tal valor serviria para ajudar no custeio da prestagao do

servigo e se v i e s s e m a auferir lucros restariam estes para o fornecedor.

D e s s e m o d o , divide-se a prestagao dos servigos publicos e m duas categorias.

A primeira, onde o Estado presta os servigos publicos e m razao dos tributos

a r r e c a d a d o s i n d e p e n d e n t e m e n t e da cobranga de u m prego publico ou tarifa e a

s e g u n d a , q u a n d o o Estado diretamente, ou a iniciativa privada sob o regime de

c o n c e s s a o , p e r m i s s a o ou outro qualquer, prestam o servigo publico mediante a

cobranga de tarifa ou prego publico. T e n d o e m vista e s s a divisao, que leva e m

consideragao a cobranga de tarifas para a prestagao de alguns servigos publicos

e m e r g e da doutrina d u a s correntes distintas q u e b u s c a m f u n d a m e n t a r a

possibilidade de incidencia d a s n o r m a s de protegao do c o n s u m i d o r e m relagao a

(30)

Nao se ha confundir, por outro lado, referidos tributos com as tarifas, estas sim, inseridas no contesto de servigos ou, mais particularmente, prego publico, como remuneragao paga pelo

consumidor dos servigos publicos prestados diretamente pelo Poder Publico, ou entao mediante regime de concessao ou permissao pela iniciativa privada: por exemplo, os servigos de transportes coletivos,

de telefonia, energia eletrica, gas etc. (sic).

Dessa f o r m a , pela visao do insigne autor, existe, a t u a l m e n t e e n q u a n t o a

prestagao dos servigos publicos, a aplicabilidade de n o r m a s e m dois regimes

juridicos distintos, u m que c o m p r e e n d e p r e d o m i n a n t e m e n t e a incidencia de normas

de Direito Administrativo c o m Direito Tributario, q u a n d o nao houver a cobranga de

tarifa, e outro que p r e d o m i n a a incidencia de n o r m a s de Direito Administrativo c o m

Direito do C o n s u m i d o r , q u a n d o aquelas forem c o b r a d a s na prestagao dos servigos.

Filomeno (2003, p.57), ainda diferencia a figura do contribuinte da figura do

consumidor, pois, s e g u n d o ele, c o m o primeiro subsiste u m a relagao de direito

tributario, inserta a prestagao de servigos publicos e m geral e universalmente

c o n s i d e r a d o s . Ja c o m s e g u n d o , observa-se que o Estado diretamente ou por meio

da iniciativa privada almeja c o m a prestagao do servigo tentar auferir lucros.

E valido elucidar, que m e s m o s e n d o prestados pelo particular os servigos

publicos nao p e r d e m e s s a caracteristica, o que quer dizer que t o d o s os principios e

normas impostos aos prestadores de servigos publicos d e v e m ser o b s e r v a d o s pelos

p a r t i c u l a r s q u a n d o tiverem prestando os servigos d a q u e l a natureza. A s s i m , a

maioria da doutrina e n t e n d e que t o d a s as v e z e s que e s t i v e r e m s e n d o prestados

servigos publicos e f o r e m c o b r a d o s tarifas ou prego publico ha, na relagao, a

incidencia d a s n o r m a s c o n s u m e i r i s t a s c o n c o m i t a n t e m e n t e c o m as n o r m a s de direito

(31)

c o n s u m e Roberta D e n s a (2005, p. 15), assevera que "o Poder Publico sera

e n q u a d r a d o c o m o f o r n e c e d o r de servicos toda vez, que por si ou por seus

concessionaries, atuar no m e r c a d o de c o n s u m o , p r e s t a n d o servigo m e d i a n t e a

cobranga de prego".

T o d a v i a , u m a parte m e n o r da doutrina, a e x e m p l o do professor Rizzato Nunes

(2005, p. 112), e n t e n d e que qualquer forma de prestagao de servigo publico deve

s e r a b r a n g i d a pelas n o r m a s do C D C , pois, s e g u n d o o autor, " n e n h u m servigo publico

pode ser c o n s i d e r a d o efetivamente gratuito, ja que t o d o s sao criados, mantidos e

oferecidos a partir da receita advinda da arrecadagao d o s tributos". A s s i m , entende o

insigne mestre que nao e porque a l g u m tipo de servigo publico nao esteja sendo

pago diretamente por tarifa ou prego publico que vai deixar de ser a c o b e r t a d o pelo

C D C . C o m o se p o d e observar sao correntes doutrinarias t o t a l m e n t e contrapostas,

pois uma d e f e n d e que as n o r m a s de protegao ao c o n s u m i d o r so se aplicam quando

houver cobranga de tarifa ou prego publico e a outra afirma q u e as normas sao

aplicadas a q u a i s q u e r e s p e c i e s de servigo publico prestado.

No nosso e n t e n d i m e n t o , e correta essa ultima posigao que d e f e n d e a

aplicagao d a s n o r m a s de direito do c o n s u m i d o r a t o d o s os servigos publicos, uma

vez que a lei exige para caracterizagao da prestagao do servigo de c o n s u m o uma

remuneragao pelo servigo proporcionado, no entanto, nao dispoe se essa

r e m u n e r a g a o d e v e ser feita direta ou indiretamente. No m a i s , o tributo remunera, ao

m e n o s indiretamente, o servigo prestado pelo Poder Publico. Para dar e m b a s a m e n t o

a nossa opiniao cite-se ainda o art. 6°, inciso X d o Codigo de Defesa do C o n s u m i d o r

que dispoe que e direito basico do c o n s u m i d o r a a d e q u a d a e eficaz prestagao dos

servigos publicos em geral nao fazendo diferenciagao se e este ou aquele servigo

(32)

neste dispositivo d a lei consumeirista disciplina todos os servigos publicos prestados

s e m n e n h u m tipo de distingao. N u m a analise sistematica do paragrafo 2°, do art. 3°

c o m o inciso X, do art. 6°, a m b o s da Lei n° 8.078/90 e levando e m consideragao que

o C D C e u m m i c r o s s i s t e m a juridico, e possivel e n t e n d e r que o Codigo de Defesa do

C o n s u m i d o r e aplicavel a t o d a s as especies de prestagoes de servigos publicos.

(destaques do autor).

C o n f o r m e ficou evidenciado e m linhas preteritas, o Codigo de Defesa do

C o n s u m i d o r aplica-se a t o d a s as relagoes de c o n s u m o s e j a m quais f o r e m as partes

envolvidas, e m a i s , por e x p r e s s a determinagao legal, aplica-se t a m b e m as normas

consumeiristas as p e s s o a s juridicas de direito publico ou de direito privado

prestadoras de servigos publico. Para corroborar a incidencia da norma

consumeirista as p e s s o a s deste naipe se faz necessaria u m a analise do art. 3° da lei

do c o n s u m i d o r q u e dispoe e x p r e s s a m e n t e no caput d e s t e dispositivo sobre a

possibilidade d a aplicabilidade da regra. V e j a m o s o que dispoe o referido dispositivo

e, por oportuno, seu paragrafo 2°:

Art. 3°. Fornecedor e toda pessoa fisica ou juridica, publica ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem a atividade de produgao, montagem criagao construgao, transformagao, importagao, exportagao, distribuigao ou comercializagao de produtos ou prestagao de servigos.

§ 2°. Servigo e qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneragao, inclusive as de natureza bancaria, financeira, de credito e securitaria, salvo as decorrentes de carater

trabalhista6 (grifos do autor).

(33)

C o m uma analise mais precisa deste dispositivo legal e agora levando e m

conta u m a interpretacao precisa e possivel vislumbrar que a lei consumeirista so

afasta da incidencia d a s n o r m a s do C D C a atividade fornecida, mediante

r e m u n e r a g a o , d e c o r r e n t e de relacoes trabalhistas. Dessa f o r m a , nao afasta n e n h u m

outro tipo de atividade, isto e, as atividades fornecidas m e d i a n t e remuneragao

indireta auferida atraves da a r r e c a d a c a o de tributos p o d e m ser tuteladas pelas

normas de d e f e s a do c o n s u m i d o r , pois se outra fosse a v o n t a d e da lei esta teria,

c o m o fez c o m a relagao trabalhista, excluido outras atividades de maneira expressa.

Nesta linha de raciocinio, p o d e m o s corroborar a aplicabilidade d a s n o r m a s de

defesa do c o n s u m i d o r a t o d a s as especies de prestagao de servigos publicos, sendo

qual for o fornecedor, m e d i a n t e ou nao o p a g a m e n t o de tarifa, todos estao sob a

egide do C D C .

Neste interim, por expressa disposigao legal, e manifesta a possibilidade da

aplicagao d a s n o r m a s do C o d i g o de Defesa do C o n s u m i d o r as p e s s o a s juridicas de

direito publico e c o n s e q u e n t e m e n t e as suas c o n c e s s i o n a r i a s , permissionarias ou

outra f o r m a de e m p r e e n d i m e n t o imposta pela c o n c e d e n t e , c o n f o r m e t a m b e m preve

o art. 22 do C D C , i n d e p e n d e n t e de que na relagao haja a cobranga ou nao de tarifa

ou prego publico. T o d a v i a , e valido destacar mais u m a vez, que m e s m o os servigos

publicos s e n d o prestados por e m p r e s a s privadas nao p e r d e m as caracteristicas

inerentes a q u e l e s , ou seja, d e v e m ser prestados de maneira a d e q u a d a , eficiente,

segura e quanto a o s essenciais, continua, a l e m de q u e d e v e m o b e d e c e r a uma

politica de racionalizagao e melhoria para alcangar uma eficaz prestagao. Portanto,

por s e r e m servigos publicos d e v e m ser o b s e r v a d o s t o d o s os principios e normas

aplicadas a e s p e c i e , m a x i m e os novos preceitos i m p o s t o s pelo Codigo de Defesa do

(34)

2.2 Os Preceitos i m p o s t o s pelo C D C a prestagao dos servigos publicos

C o n f o r m e de d e s t a c o u anteriormente, a prestagao d o s servigos publicos esta

sob a egide do C o d i g o de Defesa do C o n s u m i d o r e por esta razao os prestadores

dos servigos d e v e m a t e n d e r a t o d o s os preceitos i m p o s t o s pela lei consumeirista.

Contudo, antes de adentrar nesta questao p r o p r i a m e n t e dita e necessario

construirmos u m conceito do que v e n h a a ser servigos publicos, pois as f o r m a s

c o m o eles p o d e m ser prestados, direta ou indiretamente, j a f o r a m avaliadas no item

anterior. A s s i m , p o d e m o s conceituar servigos publicos c o m o aquela atividade

desenvolvida pelo Estado, ou por seus d e l e g a d o s , c o m o fim de satisfazer

c o n c r e t a m e n t e as n e c e s s i d a d e s do c i d a d a o - c o n s u m i d o r e de Ihe proporcionar as

condigoes m i n i m a s de u m a vida digna.

Pelo que c o n c e i t u a m o s , e possivel perceber que o fim p r e c i p u o dos servigos

publicos e a t e n d e r as n e c e s s i d a d e s do cidadao e, e por este motivo que a prestagao

desta e s p e c i e de servigos tern uma maior importancia, u m a vez que a populagao

brasileira e carente, necessitada, pobre c o m o afirma a Constituigao Federal no inciso

III do seu a r t . 30.7 Rizzatto N u n e s (2005, p.29), ensina de maneira categorica que "e a

propria Constituigao Federal - de maneira inteligente - que r e c o n h e c e algo real, o

de que a populagao brasileira e pobre!". A s s i m , q u a n d o a propria Constituigao

aponta c o m o objetivo do Estado erradicar a p o b r e z a , ela r e c o n h e c e que o povo do

nosso pais e carente e por nao contar c o m m a i o r e s recursos financeiros e que a

populagao necessita d a prestagao dos servigos publicos para Ihes dar suporte e

7Art. 3°. Constituem objetivos fundamentais da Republica Federativa do Brasil:

(35)

esses servigos d e v e m ser prestados de maneira tal q u e seja a s s e g u r a d o ao

c i d a d a o - c o n s u m i d o r suprir as s u a s necessidades e viver d i g n a m e n t e .

O C D C trata a q u e s t a o da prestagao dos servigos publicos de forma peculiar

i m p o n d o varios preceitos a s e r e m o b s e r v a d o s pelo f o r n e c e d o r desta especie de

servigos. De inicio, ao tratar da Politica Nacional das Relagoes de C o n s u m o8, impoe

c o m o principio a ser o b s e r v a d o a racionalizagao e a melhoria dos servigos publicos

e essa imposigao visa otimizar e tornar mais eficiente a prestagao d e s s e s servigos

objetivando a t e n d e r as n e c e s s i d a d e s dos c o n s u m i d o r e s , proteger seus interesses

e c o n o m i c o s , respeitar sua dignidade, saude e seguranga m e l h o r a n d o sua qualidade

de vida. Rizzatto ( 2 0 0 5 ) , afirma que a r e f e r e n d a que se faz a qualidade de vida quer

dizer nao so conforto material, aquisigao de produtos e servigos, mas t a m b e m o

gozo de prazeres ligados ao lazer e ao bem-estar m o r a l . Roberta Densa (2005,

p.25), ensina que "O art. 4 ° do Codigo de Defesa do C o n s u m i d o r obriga o fornecedor

a melhoria e a racionalizagao d o s servigos publicos, c o m a finalidade de que todos

p o s s a m ter a c e s s o a o s servigos publicos de a g u a , luz eletrica, telefonia, gas, entre

outro".

E m outro m o m e n t o , ao prescrever quais s a o os direitos basicos do

consumidor, o C D C a s s e g u r a o direito a u m a a d e q u a d a e eficaz prestagao dos

servigos publicos e m g e r a l9. J o s e Carlos de Oliveira ( a p u d , J a m e s Eduardo Oliveira

2 0 0 4 ) , aponta q u e "servigo a d e q u a d o e a q u e l e que satisfaz as condigoes de

regularidade, continuidade, eficiencia, seguranga, cortesia na sua prestagao e

m o d i c i d a d e das tarifas." Diz-se que u m servigo e regular q u a n d o ele e prestado de

maneira correta, respeitando todas as regras atinentes aquela prestagao. No que

8Art. 4° da Lei n° 8.078/90 (CDC).

9 Art. 6°. Sao direitos do consumidor: X - a adequada e eficaz prestagao dos servigos

(36)

tange a c o n t i n u i d a d e d o s servigos publicos, reserva-se esta caracteristica para os

servigos ditos e s s e n c i a i s c o m o sera posteriormente a b o r d a d o de f o r m a mais clara. A

eficiencia e u m "plus" necessario da a d e q u a g a o , pois u m servigo so e realmente

eficiente q u a n d o atinge a finalidade na realidade concreta.

No que diz respeito a seguranga do servigo, e s s a se reveste de grande

importancia, pois o c o n s u m i d o r tern direito de adquirir produtos e servigos seguros

para nao ter e x p o s t a a riscos sua vida ou a sua s a u d e . Nessa m e s m a linha de

p e n s a m e n t o Roberta D e n s a (2005, p.29) afirma que "os produtos e servigos

colocados no m e r c a d o de c o n s u m o nao d e v e m e x p o r o c o n s u m i d o r a riscos e

c o n s e q u e n t e s prejuizos a saude, seguranga e patrimonio", J a m e s Marins (apud,

J a m e s Eduardo Oliveira 2 0 0 4 ) , afirma que o conceito de seguranga possui uma

abrangencia muito a m p l a , pois congloba o direito a vida, o direito a incolumidade

fisica e/ou psiquica e o c o n t e u d o patrimonial.

Por f i m , no q u e diz respeito a cortesia e m o d i c i d a d e , pode-se dizer do

primeiro q u e c o r r e s p o n d e ao atendimento ao publico de f o r m a cortes, e d u c a d a e

solicita. V e j a - s e que o c o n s u m i d o r e o destinatario final do servigo nao podendo ser

mal-tratado ou d i s c r i m i n a d o . A m o d i c i d a d e deve ser vista naqueles servigos onde

sao c o b r a d o s tarifa ou prego publico, pois este prego d e v e ser acessivel a

populagao, uma v e z que t e m o s uma populagao pobre, s e n d o vedada a

locupletamento. Sobre a q u e s t a o da a d e q u a g a o que ora a n a l i s a m o s , J a m e s

Eduardo Oliveira ( 2 0 0 4 , p.76) afirma que a garantia d a a d e q u a g a o e u m dos

postulados do C D C que desperta especial atengao do legislador q u a n t o aos servigos

publicos, s e j a m e s s e s prestados diretamente pelo Estado ou por e m p r e s a s privadas

(37)

O C o d i g o de Defesa do C o n s u m i d o r assevera os preceitos acima transcritos

no art.22, v e j a m o s o caput:

Art. 22. Os orgaos publicos, por si ou suas empresas, concessionarias, permissionarias ou sob qualquer outra forma de empreendimento, sao obrigados a fornecer servigos adequados, eficientes, seguros e quanto aos essenciais, continuos.

Neste dispositivo da norma protecionista e corroborada c o m maior enfase os

preceitos acima d e s t a c a d o s , contudo, e m e r g e deste dispositivo uma das mais

importantes n o r m a s do o r d e n a m e n t o juridico brasileiro a qual afirma que os servigos

publicos essenciais d e v e m ser c o n t i n u o s , tal conteudo sera a b o r d a d o no m o m e n t o

oportuno, p o r e m , neste ponto, e necessario destacar c o m mais precisao o principio

da eficiencia que se impoe aos servigos publicos e m geral. Silveira Bueno ( 2 0 0 1 ,

p.216) destaca c o m o alusao da palavra eficiencia a palavra eficacia e esta significa o

que produz efeito, que produz muito e o que da b o m resultado. Na Constituigao

Federal, no caput do art.37, a eficiencia se coloca c o m o um d o s principios a ser

observado pela A d m i n i s t r a g a o Publica direta e indireta de quaisquer entes da

federagao.

No C o d i g o de Defesa do C o n s u m i d o r , o preceito eficiencia, de observagao

obrigatoria aos prestadores de servigos publicos, foi inserto implicitamente no art. 4°,

inciso VII e e x p r e s s a m e n t e no art. 6°, inciso X e art. 2 2 , caput, isto d e m o n s t r a n d o a

(38)

finalidade na realidade concreta, que consiga u m resultado pratico e que realmente

funcione.

Rizzato ( 2 0 0 5 , p.306) destaca que "a eficiencia e u m plus necessario d a

a d e q u a g a o . O individuo recebe servigo eficiente q u a n d o a n e c e s s i d a d e para a qual

ele foi criado e suprida c o n c r e t a m e n t e " . A s s i m , e m u m caso concreto, nao adianta

u m hospital ultra a v a n g a d o tecnologicamente prestar u m servigo de saude se nao

c o n s e g u e curar as p e s s o a s e salvar vidas, e s s e servigo nao e eficiente, pois nao

supre a n e c e s s i d a d e para que foi criado. No mais, nao adianta t a m b e m o servigo ser

eficiente se nao for a d e q u a d o , se nao for seguro e ainda, q u a n t o aos essenciais se

nao for c o n t i n u o . Para ser eficiente, fatidicamente, o servigo d e v e ser a d e q u a d o ,

seguro, c o n t i n u o e suprindo a necessidade para o qual foi criado conseguir atingir

um resultado pratico que f u n c i o n e .

Na seara d o s preceitos impostos pelo C D C para a prestagao dos servigos

publicos, resta-nos configurar u m destes preceitos, que i m p o e u m a atengao especial

e fornece e m b a s a m e n t o a toda nossa tese, qual seja o da continuidade dos servigos

publicos essenciais e s c u l p i d o no art. 22 da lei c o n s u m e i r i s t a c o m o foi d e m o n s t r a d o .

Esse dispositivo legal, de total consonancia c o m a Constituigao Federal, tern por

escopo proibir ao f o r n e c e d o r de servigos publicos essenciais interromper o

fornecimento desta atividade e m qualquer circunstancia e ainda tutelar o

cidadao-c o n s u m i d o r para que este nao v e n h a sofrer prejuizos incidadao-calcidadao-culaveis cidadao-c o m a

c o n s e q u e n t e macula do principio e direito constitucional da dignidade da pessoa

h u m a n a . (destaque do autor)

Entretanto, e valido ressaltar que a p r e o c u p a g a o c o m a continua prestagao

dos servigos publicos tidos c o m o essenciais nao sao provenientes dos dias atuais,

(39)

Federal, que teve c o m o relator o Ministro Edgard C o s t a , d e m o n s t r a v a um significado

para os servigos e s s e n c i a i s d i s p o n d o que esses sao "tudo q u a n t o constitui objeto de

comercio, tudo q u a n t o t e n h a u m sentido de utilidade publica". O b s e r v a - s e que ja

naquele p e r i o d o d a historia havia u m a p r e o c u p a g a o c o m a questao da

essencialidade de alguns servigos e ligava esses a natureza de utilidade publica que

c o n t i n h a m .

Na evolugao do t e m a servigos essenciais, encontra-se m e n g a o ainda na Lei

Delegada n° 04/62 que s e g u n d o a interpretagao do Superior Tribunal de Justiga

"confere a Uniao o poder de intervir no d o m i n i o e c o n o m i c o a fim de garantir a livre

distribuigao de m e r c a d o r i a s e servigos essenciais ao c o n s u m o e uso do p o v o "1 0,

p o r e m , nao define quais s a o os servigos essenciais. P o d e ser citado ainda, um

d e s t a q u e feito pela lei n° 7.170/83, Lei de Seguranga Nacional, no s e u art. 15, sobre

a questao d o s servigos essenciais impondo a g r a v a m e n t o de pena a quern sabotar

atividade de servigos publicos reputados essenciais para a d e f e s a , a seguranga ou a

e c o n o m i a do p a i s . N e s s e s pontos especificos t a m b e m nao havia uma definigao

concreta do que seria e quais e r a m os servigos publicos ditos essenciais.

Q u a n t o as analises doutrinarias sobre o t e m a proposto e de d e s t a q u e a

posigao a d o t a d a pelo professor Rizzato Nunes (2005, p.308) que ensina que numa

visao a m p l a todo servigo publico, exatamente pelo fato de ser publico ja e essencial,

pois, s e g u n d o o m e s t r e , nao poderia funcionar a s o c i e d a d e s e m u m m i n i m o de

seguranga publica, s e m a existencia dos servigos do judiciario, s e m servigo de

saude, etc. Nesse m e s m o sentido, ainda d e s t a c a , " t a m b e m sao os servigos de

fornecimento de energia eletrica, de agua e esgoto, de coleta de lixo, de telefonia,

etc." Rizzatto d e s t a c a ainda, que existe no servigo c o n s i d e r a d o essencial u m

(40)

aspecto real e concreto de urgencia, ou seja, n e c e s s i d a d e concreta e efetiva de sua

prestacao.

No e n t a n t o , toda o b s c u r i d a d e e divergencia sobre o conceito e as especies

dos servigos tidos c o m o essenciais c a i r a m por terra c o m a entrada e m vigor da Lei

n° 7.783/89, Lei de G r e v e , que, s e g u n d o sua e m e n t a , define entre outras coisas o

que e servigo essencial e ainda aponta no seu art.10 quais os servigos considerados

essenciais. S e g u n d o e s s a n o r m a , conforme a descrigao esculpida no paragrafo

unico do a r t . 1 1 , servigos essenciais "sao atividades inadiaveis da c o m u n i d a d e

aquelas q u e , nao a t e n d i d a s , c o l o q u e m e m perigo iminente a sobrevivencia, a s a u d e

ou a seguranga da p o p u l a g a o " . C o n f o r m e citamos a c i m a , o art.10 dispoe sobre quais

sao os servigos c o n s i d e r a d o s essenciais, v e j a m o s , ipse Uteris, o que diz o referido

dispositivo:

Art. 10. Sao considerados servigos ou atividades essenciais:

I - tratamento e abastecimento de agua; produgao e distribuigao de energia eletrica, gas e combustiveis;

II - assistencia medica e hospitalar;

III - distribuigao e comercializagao de alimentos; IV - funerarios;

V - transporte coletivo;

VI - captagao e tratamento de esgoto e lixo; VII - telecomunicagoes;

VIII - guarda, uso e controle de substancias radioativas, equipamentos e materiais e nucleares;

IX - processamento de dados ligados a servigos essenciais; X - controle e trafego aereo;

XI - compensagao bancaria.

Claudia Travi Pitta Pinheiro (apud, J a m e s E d u a r d o Oliveira, 2004),

(41)

Conquanto o direito administrativo tenha sempre reconhecido que os servigos publicos devem obedecer, dentre outros principios, o que determina a continuidade da prestagao, essa norma foi inscrita, pela primeira vez, no Codigo de Defesa do Consumidor. Assim, dispos o art. 22 do CDC: 'Os orgaos publicos, por si ou suas empresas, concessionarias, permissionarias ou sob qualquer outra forma de empreendimento, sao obrigados a fornecer servigos adequados, eficientes, seguros e quanto aos essenciais, continuos.' A exigencia de continuidade, portanto, refere-se apenas aqueles servigos considerados essenciais, o que agrega um elemento complicador ao tema. Isso porque todo servigo publico apresenta tragos de essencialidade. Alias, essa e a razao pela qual o legislador optou por submete-lo a disciplina legal dos servigos publicos. De qualquer forma, a solugao encontrada tern sido no sentido de considerar essenciais aqueles servigos enumerados na Lei 7.783/89, que regulamentou o art. 9°, § 1°, da Constituigao, impondo restrigoes ao direito de greve.

Portanto, esta presente no proprio o r d e n a m e n t o j u r i d i c o brasileiro uma norma

que fornece a definigao do que v e m a ser servigo essencial e que d e m o n s t r a quais

as e s p e c i e s de servigos publicos que sao c o n s i d e r a d a s essenciais, d e v e n d o essa

norma ser aplicada e m conjunto c o m a regra do art. 2 2 do C o d i g o de Defesa do

C o n s u m i d o r de m o d o a garantir a continuidade da prestagao desta especie de

servigo a populagao. A lei consumeirista e clara e nao abre excegoes: os servigos

essenciais s a o c o n t i n u o s . E essa garantia decorre do texto constitucional, pois nao

se pode proporcionar ao c i d a d a o - c o n s u m i d o r u m a vida digna se os servigos publicos

essenciais nao f o r e m c o n t i n u o s .

Entretanto, e v i d e n c i a m - s e os preceitos impostos pelo C o d i g o de Defesa do

C o n s u m i d o r aos f o r n e c e d o r e s de servigos publicos f i c a n d o assinalado que essa

categoria de servigos d e v e ser prestada de maneira a d e q u a d a , eficiente, segura e

quanto aos essenciais, c o n t i n u a , a l e m de que d e v e m o b e d e c e r a u m a politica de

(42)

existir no nosso pais u m a populagao r e c o n h e c i d a m e n t e pobre que necessita

s o b r e m a n e i r a da regular prestagao d o s servigos publicos para viver d i g n a m e n t e . E

valido ressaltar a i n d a , que caso a l g u m d e s s e s servigos nao s e j a m prestados da

forma exigida c a b e agao judicial para obrigar a e m p r e s a a presta-los conforme

m a n d a o C D C , pois nao e possivel garantir s e g u r a n g a , vida digna, num meio

ambiente equilibrado, tudo a respeitar a dignidade h u m a n a , se os servigos publicos

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