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PenalI-TodasasAulas

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Academic year: 2021

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Direito Penal

Conceito : Conjunto de normas que ligam o crime com fato à pena como conseqüência e disciplinam também as relações jurídicas daí derivadas, visando equacionar a tutela do direito de liberdade do cidadão em face do poder de punir do estado.

O direito penal existe para punir o crime impondo-lhe uma pena e não para preveni-lo. Evolução histórica do D.P.

1 Idade antiga – Estados Teocráticos.

Na idade antiga não havia pena privativa de liberdade e a maioria das penas era de morte. A história do sofrimento causado pelos crimes não supera a história do sofrimento causado pelas penas.

Antigamente a pena estava na cabeça do soberano e Salomão sugeriu dividir uma criança ao meio para descobrir a verdadeira mãe.

Antigamente valia a regra do mais forte e por isso o Estado se estrutura impedindo o cidadão de fazer justiça pelas próprias mãos.

Primeira Lei Penal = Lei do Talião do Código de Hamurabi “Olho por olho , dente por dente” a partir daí há um mínimo de proporcionalidade às penas.

Justiça é dar a cada um o que é seu. Mas o que é o que do indivíduo? O D.P. não trabalha com justiça e sim com legitimidade (norma positivada).

Um sistema absolutista é incompatível com um sistema normatizado. 2 Idade média – Inquisição medieval

Na idade média houve duas jurisdições: a Comum e a da Igreja Católica ( a católica era mais cruel). A Igreja elabora o Código Canônico e surge daí a idéia de privaçã ode liberdade como pena. Cela era o quarto onde os religiosos dormiam.

O D.P era limitado. A Inquisição era um modelo de processo penal onde usava-se de todos os meios de investigação religiosa (incluindo tortura) e posteriormente policial para se descobrir a verdade.

3 Idade contemporânea – Iluminismo , revolução francesa, estado de direito.

O Iluminismo que originou a revolução francesa trouxe a idéia de dignidade do cidadão e as penas cruéis foram minimizadas. Surge então o estado de direito onde o cidadão tem direitos contra o próprio Estado.

O D.P. protege o cidadão contra o próprio Estado. O crime deve ser previsto em lei e deve ter sanção prévia.

O D.P. serve também para proteger o inocente e também para estabelecer penas adequadas. 4 Época atual :

4.1 Movimento Lei e Ordem = (penas severas para crimes pequenos). O DP pode controlar a criminalidade punindo severamente crimes pequenos.

O D.P sendo bem aplicado pode reduzir a criminalidade , dar resultado (tolerância zero). No Brasil os legisladores acreditam que podem dar respostas à sociedade aumentando as penas pois é mais fácil aprovar leis do que mudar a sociedade. Investir no social envolve tempo e dinheiro.

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A doutrina caminha para o direito penal mínimo..o direito na verdade é o bom senso. 4.2 Direito Penal Mínimo = (penas leves para crimes pequenos).

Não adianta imposição de penas pesadas para crimes pequenos pois o DP não controla a criminalidade; trabalha apenas com a repressão.

Principais acepções do D.P. Objetivo / Subjetivo

D.P Objetivo É o ordenamento jurídico em vigor

D.P Subjetivo é o direito de punir do Estado(jus puniendi) Comum / Especial

D.P Comum é aquele aplicado por juiz estadual ou federal, também se aplica aos crimes previstos no Código penal.

D.P Especial é o aplicado pelo órgão jurisdicional especial – militar, aplicado para policiais militares, bombeiros, forças armadas.

Lei penal especial ou extravagante é a lei que está fora do código penal. São leis que definem crimes e sanções que não estão previstas no código penal. Ex.: Crime hediondo. Substantivo / Adjetivo

D.P substantivo é o próprio Direito Penal. D.P Adjetivo é Direito Processual Penal. Princípios fundamentais e de garantia

. Princípio da Legalidade: Não há crime sem lei anterior que o defina e não há pena sem lei prévia à sua prática. Somente a lei pode tipificar crimes e prever sanções

. Princípio da Reserva Legal: Só a lei federal pode legislar sobre lei penal.

. Princípio da Anterioridade da lei: A lei penal tem que ser prévia, aplicável apenas a partir da data de sua publicação.

. Princípio da Fragmentariedade: O direito existe para proteger um bem jurídico.No universo dos bens jurídicos o DP se limita a castigar as ações mais graves contra os bens jurídicos mais importantes. Temos considerado o DP como última ratio (razão, caminho) a ser aplicado

. Princípio da Intervenção Mínima ou última ratio:

O DP só abrange condutas que não puderem ser protegidas por outro ramo do direito. Indica os bens de maior relevo e que merecem maior atenção do DP e proporciona a descriminalização pois se é por ele que os bens jurídicos são selecionados para permanecer sob a tutela do DP porque considerados como de maior importância, também será com fundamento nele que o legislador fará retirar do ordenamento certos tipos incriminadores. Exemplo para o dois princípios: Estacionar em local proibido não é matéria de DP; num homicídio, aplica-se o DP.

. Princípio da Lesividade: O DP só se aplica à uma lesão ao bem jurídico.

. Princípio da Insignificância: se a lesão é insignificante não se aplica a lei penal.

. Princípio da Culpabilidade: A pena não passa da pessoa do criminoso. Princípio usado para reprimir legislação antiga que estendia a pena para a família do criminoso.

. Princípio da Humanidade: O DP brasileiro veda aplicação de penas cruéis ou castigos físicos.

. Princípio da Proporcionalidade da pena: A pena deve ser proporcional à lesão do bem jurídico.

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. Princípio do Estado de Inocência: Ninguém é considerado culpado a não ser após sentença penal condenatória, transitada em julgado.

. Princípio da Igualdade: Todos são iguais perante a lei.

. Princípio da Proibição do Bis in Idem: É vedado em DP aplicação de outra pena para um mesmo crime.

Conceito de Pena:

1 Pena como aflição do indivíduo, surge daí a idéia de penas cruéis.

A junção da igreja com o Estado na idade média deram origem à penas mais cruéis.

2 Pena como prevenção do delito para servir de exemplo pois a execução de alguém em praça pública tenderia a desestimular o crime. Surge a pena GERAL e ESPECIAL. Na geral temos aumento da pena, castigos mais pesados, execuções públicas. Na especial dava-se uma pena individual para o infrator dava-sempre lembrar da pena e não praticar o dava-segundo delito e assim por diante com relação à terceira pena..etc.

3 Pena como ferramenta de ressocialização. O D.P moderno não controla a criminalidade pois a sociedade não reabilita o criminoso.

Fontes (origem) do Direito Penal.

Fontes Materiais ou Fonte de produção = é a União Federal. Fontes Formais ou Fontes de conhecimento

Fonte Formal Imediata = Lei.

Fonte Formal Mediata (influência) = Costume, Princípios Gerais do Direito, Equidade. Costume = O costume não revoga a lei penal mas acaba interferindo e os doutrinadores criaram o Princípio da Adequação Social que retira a tipicidade da conduta tendo em vista que a prática reiterada de um determinado fato social acaba por dar a impressão que a prática é permitida. Não se contesta a conduta de furar a orelha da criança pois apesar de ser crime é adequado socialmente.

Princípios Gerais do direito = Ver todos os princípio mencionados acima.

Equidade = É a decisão sobre um caso concreto baseado no conceito de justiça. Justiça é dar a cada um o que é seu.

Lei Penal:

Norma Penal Incriminadora: É factível (destinada a um fato) e traz sanção. Norma Penal não incriminadora:

a) Permissiva: Possibilitam a prática de uma determinada conduta; ex: aborto só é permitido em duas hipóteses.

b) Explicativa: Busca esclarecer ou conceituar situações jurídicas; ex: conceito de funcionário público.

Norma Penal Incompleta ou em Branco = Quando, o legislador por motivos de desconhecimento técnico específico, não está apto a determinar determinado aspecto na norma de conduta, elencar tipos de droga para tipificar um crime, ele remete o tipo penal para outra esfera de conhecimento científico.

Ex: a lei de entorpecentes não diz quais são proibidos. É o ministério da saúde que edita portaria anual especificando quais drogas são entorpecentes.

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Se surgisse uma nova droga, se não fosse a lei penal em branco, deveria ser enviado um projeto de lei para o congresso regulamentar essa nova droga. Portanto a Norma Penal em Branco ou Incompleta permite rapidez na inclusão desta nova droga no rol dos entorpecentes. Outro exemplo, Doença Mental é tipificada pela medicina.

Características da Norma Penal

Exclusividade: Só a norma penal define crimes e sanções. Imperatividade: Observância obrigatória.

Generalidade: Aplicável a todos os cidadãos.

Impessoal: Não é dirigido a um indivíduo específico. Abstrata: Traz fórmulas genéricas, não define uso concreto. Interpretação da Lei Penal

Quanto ao Intérprete.

Legislativa = quando a interpretação é feita pelo próprio legislador. Doutrina = Feita pelos juristas (doutos)

Judicial = Baseada nas decisões judiciais.

Quanto aos meios (ambos os meios são usados simultaneamente pois não tem como dividi-los)

Gramatical = é o exame da letra da lei.

Lógico ou Teleológico = Permite desvendar o verdadeiro significado da norma; somente ela conduz à descoberta da “ratio legis”.

Quanto aos resultados (em relação à letra da lei)

Declarativa = Quando há coincidência entre a vontade da lei e seu texto.

Restritiva = É quando o texto da lei diz mais do que corresponde o seu real sentido, sendo necessário restringir seu significado literal. Não se pode interpretar o sentido de cônjuge (casado no civil) com o conceito de amaziado ou convivente (não casado no civil) para aplicação de penas. É aplicada na interpretação dos tipos penais. Não podemos aumentar um milésimo no alcance do tipo penal devido o princípio da reserva legal.

Extensiva = É quando o texto da lei diz menos do que corresponde a vontade da norma penal. Ex: pune-se a poligamia pelo crime de bigamia.

Analogia.

Admissível no DP somente para normas penais não incriminadoras. Requisitos:

--O fato não foi regulado pelo legislador. --O legislador regulou situação semelhante. --O ponto comum é determinante.

--A interpretação beneficia o agente.

O Ordenamento Jurídico não possui lacunas. O Juiz moderno não pode deixar de julgar o caso concreto por falta de lei. Nem sempre é possível entender o legislador e por isso podemos nos valer da analogia (algo semelhante).

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A Analogia pode ser usada tanto para piorar quanto para melhorar, mas em DP só é usada para beneficiar o interessado.

A Analogia é vedada para Normas Penais Incriminadoras e utilizada para Norma Penal não Incriminadora Permissiva.

Art. 128 CP-2 Não se pune o aborto praticado por médico...se a gravidez resulta de estupro...

O art.213 define estupro e o art.214 define atentado violento ao pudor.

A gravidez decorre de crimes previstos nos dois artigos(213 e 214), porém o art.128 só se refere a estupro..logo por analogia pode-se considerar a prática do aborto para crimes de atentado violento ao pudor.

Não confundir Analogia com Interpretação analógica.

Interpretação analógica é quando o legislador PERMITE que se aumente o alcance da norma para atender situação semelhante:

Art.121-II-4... matar alguém –se o homicídio é cometido...à traição, emboscada...ou outro recurso que dificulte a defesa do ofendido. Por interpretação analógica é permitido o uso de “dormindo”, pois este item dificulta também a defesa.

Eficácia da Lei Penal no Tempo – “tempus regit actum” – o tempo rege o ato. Em DP norma benéfica sempre retroage à época do crime.

Conflitos temporais: art.2 CP. “Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais dasentença condenatória”.

“abolitio criminis” conduz à chamada descriminalização, ou seja: o fato que anteriormente era considerado como uma infração penal, passa a ser considerado como um indiferente penal.

É uma revogação da lei penal, o que não é crime hoje é estendido ao passado. Se a lei nova beneficiar, ela vale daqui para a frente e daqui para trás.

Abolitio criminis cessa os efeitos da lei tanto para frente como para trás. “novatio legis” incriminadora = lei nova que incrimina nunca retroage. “novatio legis in pejus” = lei nova que prejudica nunca retroage.

Se a lei posterior à prática do fato vier, de alguma forma, prejudicar o agente, prevalecerá a regra absoluta da irretroatividade uqe diz que a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu.

“novatio legis in mellius” = lei nova que melhora retroage.

De acordo com o art.2 do CP, a lei posterior que de qualquer modo beneficiar o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado.

Extra atividade da Lei Benéfica = chamamos de extra atividade a capacidade que tem a lei penal de se movimentar no tempo, regulando fatos ocorridos durante a sua vigência, mesmo depois de ter sido revogada, ou de retroagir no tempo afim de regular situações

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ocorridas anteriormente à sua vigência. Temos a extra-atividade como gênero de onde seriam espécie a Retroatividade e a Ultra-atividade.

Retroatividade é a possibilidade conferida à lei penal de retroagir no tempo, a fim de regular os fatos ocorridos anteriormente à sua entrada em vigor.

Ultra-atividade é quando a lei mesmo depois de revogada continua a regular os fatos ocorridos durante a sua vigência. Segundo seu princípio o agente responde, nos termos da lei favorável, pelos fatos ocorridos durante a sua vigência, se, posteriormente, esta lei for revogada, introduzindo-se em seu lugar lei mais gravosa.

Em 1980, Lei severa – em 1990, Lei benéfica – em 1995, Lei severa. (histórico).

A lei benéfica de 1990, retroage para 1980 e ultra age para além de 1995 para crimes cometidos antes de 1995, julgados a partir de 1995.

Não se aplica retroatividade da lei benéfica se for para normas excepcionais ou temporais.

Lei penal Temporária é a que tem um prazo determinado de vigência. Já nasce com data de revogação.

Lei penal Excepcional é a que vige em momentos de tragédias ou especiais, não tem prazo de vigência e atinge um situação específica. A lei de tabelamento de preço é excepcional, está no CP mas está dormindo.

Lei 8137/99 art.6-III tipifica a conduta de infringir tabelamento de preço. Se um dia o governo tabelar outra vez algum produto/serviço, esse tipo penal voltará a vigir e quem desrespeitar o tabelamento será punido.

Pena de morte, também está dormindo. O CP prevê esta pena em crimes de guerra como espionagem. É uma lei excepcional porque começa a vigir no começo da guerra e termina quando é decretada a paz.

Porque não aplicamos o princípio da lei benéfica para esses casos?

Porque finda a lei excepcional ou temporária, a tendência é ter sempre uma lei mais benéfica e não teria como punir estas situações ocorridas durante o período excepcional. Depois de um tabelamento vem o destabelamento. Aí se aplicar a retroatividade vai acabar com o tipo penal na época em que foi cometido. Portanto não há lógica em se aplicar a retroatividade para esses dois tipos de lei (temporária e excepcional).

Esta lei 8137 é uma norma penal em branco pois tem que editar o decreto de tabelamento e como não há tabelamento atual, ela está dormindo.

Se o complemento benéfico da norma penal em branco teve como cunho revogar a figura penal, se aplica a retroatividade. Teremos então a retroatividade benéfica que revogará todos os dispositivos penais cujos complementos estão ali disciplinados.

Ex. Na portaria do ministério da saúde se retirar a canábia sativa da listas das substâncias proibidas, tem-se o complemento benéfico porque não será mais penalizado o seu uso. Só que esse complemento tem como cunho tipificar uma conduta criminosa e ao ser retirado do ordenamento, abolitio criminis.

No tocante ao tabelamento de preços, eu tabelo os preços e num segundo momento revogo o tabelamento e isso é mais benéfico. Portanto nesse caso não retroage porque essa norma é excepcional.

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Combinação de Leis

A fim de atender aos princípios da retroatividade e da ultra-atividade in mellius, ao julgador é conferida a possibilidade de extrair de dois diplomas os dispositivos que atendam ao interesse do agente, desprezando aqueles outros que o prejudiquem. Discute-se se é possível esse tipo de raciocínio, uma vez que, o julgador estaria criando um terceiro gênero de lei LEX TERTIA.

Ex. Tráfico: Art.12 da lei 6368/79 – Pena mínima de 03 anos.

Art.33 da lei 11343/85 – Pena mínima 05 anos - &4 – reduzida se o réu é primário e de bons antecedentes.

O juiz combina as duas leis, formando um terceira, quando pega atenuante da lei mais severa (&4) cuja pena é de 05 anos e aplica na lei anterior cuja pena era de 03 anos.

Conflito aparente de norma

Aparentemente as normas conflitam mas existem soluções de hermenêutica (interpretação legal) que possibilita superar o conflito.

-Princípio da Especialidade: A lei penal especial prefere a geral. O específico prefere o geral ou o remédio específico é melhor que o remédio genérico. Ex:

Crime de apropriação indébita = furtar algo que já se tem posse. (aplicação geral).

Crime de Peculato = Crime de apropriação indébita só que para funcionário público. (aplicação especial).

Mulher que mata pratica crime de homicídio.( aplicação geral) mas mulher que mata o filho recém nascido em função de depressão pós parto pratica infanticídio (aplicação especial). Princípio da Subsidiaridade: (mais leve):

Somente se aplica o fato típico mais leve ausente as elementares(constituintes do fato típico) do crime mais grave.

Mulher estupra homem? No CP só o homem estupra a mulher, portanto ela não pode ser punida por crime de estupro porém pode ser punida por constrangimento ilegal.

Princípio da Consunção: Quando o crime é meio para a pratica do outro; portanto o crime fim absorve o crime meio e só se responde pelo crime final.

Princípio da Alternatividade: Quando o tipo penal possui vários verbos para a prática da mesma conduta (única), a realização das várias condutas descritas nos verbos importa na realização de crime único. Ex: lei 11343/2006 art.33 – tráfico, art 135 omissão de socorro, enumeram vários verbos que caracterizam a prática do ato.

Eficácia da Lei Penal no Espaço.

Territorialidade = Lei brasileira se aplica no território nacional.

Extraterritorialidade = A lei brasileira se aplica a crimes cometidos em pais estrangeiro nos casos previstos no art.7 CP. A extraterritorialidade da lei brasileira dá-se segundo duplo critério: em certos casos incondicionalmente e em outros casos mediante verificação de determinadas condições.

Art.7 CP. Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro....lista todos os crimes relacionados à extraterritorialidade.

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Princípio da Defesa Real = Defesa do bem Real – Proteger o Bem Jurídico nacional, independentemente, do local ou do sujeito ativo.

Princípio da Justiça Penal Universal = Crimes que o Brasil se obriga a punir. Ex. Crime de genocídio e genocidas estrangeiros. Pedofilia e pedófilos estrangeiros.

Princípio da Representação = Crimes praticados a bordo de embarcação de propriedade do governo brasileiro responde pela lei brasileira onde estiver a embarcação. Quando a embarcação é privada de bandeira brasileira, se submete à lei brasileira no território brasileiro e em alto-mar.

Em alto-mar sempre prevalece a lei da bandeira portada pela embarcação.

Crime em avião da American Air Lines pousado em são Paulo- vale a lei brasileira. Crime em avião da força aérea americana pousado em são Paulo – vale a lei americana. Tempo do Crime:

De acordo com CP art.4, o tempo do crime obedece a teoria da atividade.

Uma coisa importante em DP é fixar o tempo (data) do crime “o tempo rege o crime”, para saber a aplicação de uma série de institutos a serem aplicados.

Teoria da Atividade: Considera-se como data a da realização da conduta. Considera-se aplicado o crime no momento da ação ou da omissão.

Teoria do Resultado: Considera-se como data a ocorrência do evento.

Teoria da Obiquidade ou mista: Considera-se como data tanto a da realização como da ocorrência do evento.

Lugar do Crime

De acordo com CP art.6, o lugar do crime obedece a teoria da ubuquidade.

Aplica-se as mesmas teorias relativas ao tempo do crime: Teoria da atividade , Teoria do resultado, teoria mista ou da ubiquidade.

Teoria da Atividade: considera-se praticado o crime no local da ação ou da omissão (conduta).

Teoria do resultado: considera-se praticado o crime no local da ocorrência do evento. Teoria mista ou da ubiquidade: Considera-se como local tanto o da realização como da ocorrência do evento.

Crime tocou o território nacional, aplica-se a lei brasileira. Qualquer fase que o delito passar pelo Brasil, aplica-se a lei brasileira.

Etapas da realização do crime (Íter crimes):

 Cogitação. (pensamento ainda não é crime)

 Preparação. (carregar a arma para matar alguém) é um crime apenas de porte ilegal.  Execução (começa a configurar-se o crime).(apontar e apertar o gatílho)

 Consumação.

A fase de preparação e de execução pode-se aplicar a legislação brasileira se alguma das duas iniciou-se em pais estrangeiro.

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TEORIA DO CRIME

Conceito Geral= Crime é o Fato Típico antijurídico e culpável. Fato Típico = previsão da conduta objetiva da norma penal.

Conceito Material = Crime é a violação de um bem jurídico penalmente protegido.

Bem Jurídico é um valor (material ou imaterial) que merece ser tutelado (protegido) pelo direito.

O crime tem 3 elementos ou elementares (constitutivo do crime).

Elemento Objetivo = É o fato que não deve ser realizado (ex: matar, furtar...etc) Elemento Subjetivo = É uma especial intenção do agente (estar visando algo)

Elemento Normativo = É quando demanda uma interpretação do legislador ou demanda outro ramo do conhecimento.

Atipicidade:

Absoluta = é quando retirada uma elementar a conduta não é crime.

Relativa = é quando retirada uma elementar de um crime, o tipo penal se transforma em outro.

Sujeito Ativo do Crime = é quem pratica o fato típico. Se Pessoa Física (Ser Humano) = crime comum.

Se Pessoa Jurídica (empresa) = crime ambiental (lei 9605/98)

Teoria da Ficção: A responsabilidade penal é do administrador pois pessoa jurídica não pratica crime e sim sócios, gerentes, gestores.

Teoria da Realidade: com o advento da lei ambiental 9605/98.

Por ser a pessoa jurídica constituída pelo direito, ela pode ser responsabilizada pelos crimes que comete. A responsabilização é da empresa e dos adminstradores.

Sujeito Passivo do crime = Titular do interesse. -- Constante = Estado.

-- Eventual = Pessoa física, jurídica de Direito Público (Estado).

Para todos os crimes sempre será o Estado o Sujeito Passivo Constante pois é o Estado que cria a lei.

O sujeito passivo para os bens jurídicos coletivos sempre será Constante (Estado) pois é por exemplo a saúde pública o sujeito passivo.

Quando o bem jurídico tem uma pessoa identificável, temos o sujeito passivo eventual. Não é possível ser sujeito ativo e passivo ao mesmo tempo.

Objeto:

Objeto Jurídico = Bem tutelado pelo Estado (patrimônio, vida...)

Objeto Material = Objeto corpóreo (pessoa ou coisa) no qual recai a conduta. Nos crimes de simples atividade (ou formais) pode não haver objeto material, e há crimes em que o

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sujeito passivo identifica-se com o objeto material da ação.Ex: em um homicídio, a vítima é sujeito passivo e objeto material ao mesmo tempo. Confunde-se objeto material com sujeito passivo; num crime o sujeito passivo é a pessoa que morre e o objeto material é o cadáver. Infrações Penais:

Crime = Contravenção = Delito = Fato Típico antijurídico e culpável.

O que difere crime de constravenção é que as penas para os crimes são mais severas. A Contravenção é um crime anão.

Fato Típico

Fato que se enquadra no conjunto de elementos descritos do Delito contidos na lei penal. Elementos do Fato Típico :

1 Conduta Humana, dolosa/culposa, por ação ou omissão.(fato) 2 Resultado .(fato)

3 Nexo Causal .(fato) 4 Tipicidade

1 Conduta

Ação ou omissão humana consciente e dirigida a determinada finalidade. Elementos da Conduta

1Vontade

2 Manifestação da vontade do mundo exterior.

Atos involuntários/inconscientes são irrelevantes para o DP. SEGUNDA PARTE

1ra aula

TEORIA DA AÇÃO

AÇÃO É UMA VONTADE EXTERIORIZADA POR MEIO DE ATOS E DIRIGIDA A UMA FINALIDADE.

TEORIA NATURALISTA DA AÇÃO

Ou Teoria Causal da Ação (150 anos de idade), aparece com o surgimento da ciência moderna, através da observação dos fenômenos. Surge com o método científico da observação dos fenômenos , pelo método empírico.

A base da teoria causal ou natural é a lei da ação e reação, da causa e do efeito. Este método determina uma função mecânica das coisas e no DP isto se dá com o estudo do RESULTADO.

Num crime não se vê a vontade mas a EXTERIORIZAÇÃO DA VONTADE QUE É O RESULTADO.

Atiro e mato; o resultado é o corpo estendido no chão. Esta conduta é considerada um simples comportamento e só importa o resultado que se produz.

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Dolo e culpa constava como último elemento do crime (crime = fato típico + antijuridicidade + culpabilidade (dolo/culpa) e isso gerava muitas incongruências pois dolo e culpa analisa a intenção do agente e na teoria causal não se verifica a intenção e sim o resultado.

O resultado de um homicídio doloso é igual ao resultado de um homicídio culposo para a teoria naturalista ou causal.

As teorias a seguir são a estrutura do DP.

Existe uma preocupação de se explicar o que é AÇÃO no DP.

O DP se preocupa com a atividade humana consciente desde que exista uma vontade exteriorizada no meio naturalista porque vontade de matar não exteriorizada não é ilícito penal desde que permaneça no nosso íntimo é um irrelevante penal. Passa a ser interesse do DP a partir do momento que essa vontade é exteriorizada através de ato naturalista.

Mas o que é ação no DP? O porque essa exteriorização de vontade é relevante para o DP. Num primeiro momento foi criada a Teoria Causal da Ação ou Teoria Naturalística da Ação.

TEORIA NATURALISTA DA AÇÃO (RESULTADO)

Esta teoria aparece com a emergência da ciência a cerca de 200 anos. A criação de normas, de como apreender o conhecimento científico, observar um fenômeno e trazer esse fenômeno para estudo, ou seja o próprio método científico. O primeiro método científico foi o chamado método empírico que é o estudo do fenômeno naturalístico palpável. Este estudo baseava-se basicamente na lei da ação e reação, lei da causa/efeito. Aprendia-se o fenômeno baseado na relação causa/efeito com a lei da gravidade de Newton. O método empírico verifica o aspecto mecanicista do fato. Pegava-se um cadáver e dissecava-se para estuda-lo. O que se estudava no DP pela teoria causal era a relação mecanicista, ou seja o RESULTADO. O que se vê em um crime? Vê-se a vontade do agente? Não a vontade está na cabeça do agente. O DP vê a exteriorização da vontade que nada mais é do que o resultado.

O que se vê num crime de roubo? O sujeito antes tinha uma carteira e agora está sem a carteira.

Do que resulta o crime? Qual a modificação do meio naturalístico? É o resultado e esse era o centro de interesse de estudo da teoria causal. Portanto a conduta era considerada conceito de comportamento. Não importa o que se faz e sim o resultado que se obtém. Portanto a teoria naturalista baseia-se na relação causa/efeito ou seja a relação da conduta causando um resultado no meio naturalistico.

Os três elementos do crime são: Fato típico, antijuridicidade e culpabilidade

Na teoria causal, dolo e culpa faziam parte da culpabilidade que é o último elemento do crime. Verificou-se várias incongruências nessa teoria. E a intenção não conta ?

Matar alguém porque quer e matar alguém sem querer é a mesma coisa? Atropelar uma pessoa sem querer é a mesma coisa que dar 50 tiros? Claro que não é. O grande problema da teoria causal é exatamente esse, ou seja, o resultado do homicídio culposo é o mesmo do homicídio doloso, portanto ela não diferenciava dolo e culpa como fato típico mas apenas para verificação do exame da culpabilidade.

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Havia então o homicídio, se fosse doloso, a pena deveria ser aproximada do máximo e se fosse culposo a pena se aproximaria do mínimo.

Na teoria causal se dá 50 tiros no seu desafeto e não acerta nenhum. Que crime se cometeu? Apenas o de disparar arma de fogo que é uma contravenção penal. Cometeu-se tentativa de homicídio? Claro que não pois não teve resultado naturalístico.

Portanto a teoria naturalista não se importa com a intenção do agente e sim com o resultado da conduta.

TEORIA FINALISTA DA AÇÃO (VONTADE)

O DP não trabalhava com o cunho científico de ciência humana. Somente no séc.20 é que se construiu no DP um método que leva em conta o fator abstrato da vontade.

Identificar a vontade do ser humano na prática do delito é o objetivo do DP porque se o sujeito não confessa qual foi a sua motivação, o DP pega essa motivação através dos atos que ele praticou. A teoria causal não via a vontade do sujeito no resultado só que a vontade precede ao resultado. O seu agir, a sua intenção são anteriores ao resultado e é isso que a teoria finalista estuda:

A ação como exercício da atividade humana finalisticamente determinada.

A grande diferença do ser humano é a inteligência e todos os seres se adaptam ao meio ambiente fisicamente mas o ser humano usa a inteligência . Dentro dessa particularidade, a idéia da atividade finalista é descobrir através da inteligência humana a relação causa/efeito.

Antevemos a relação de causa e efeito.

Com base nessa antevisão posso dirigir a minha vontade para produzir resultados no meio ambiente.

Todos sabem que se atirar no coração mata..se atirar no pé, só fere.. se quiser matar mesmo não vai atirar no pé...e se quiser apenas ferir não vai atirar no coração...

então é possível dirigir a vontade para causação de resultados queridos. Quero matar A atiro e mato.

Quero matar A mas mando uma bomba e mato B,C..Z

Posso perquirir através da vontade os atos que são mitigados...atividade finalista é a atividade da vontade....finalístico é a atividade da vontade. Posso dirigir minha vontade para ocasionar diferentes objetivos e isso é o exercício da atividade finalística.

EXERCÍCO DA ATIVIDADE FINALÍSTICA

O HOMEM CONSCIENTE DOS EFEITOS CAUSAIS DO ACONTECIMENTO PODE PREVER AS CONSEQUÊNCIAS, PODENDO DIRIGIR SUA ATIVIDADE PARA PRODUZIR O EFEITO QUERIDO. (posso dirigir a minha vontade para ocasionar diferentes objetivos)|( é o direcionamento dos objetivos)

Através desse conteúdo de abstração podemos explicar vários institutos penais...como diferença entre dolo e culpa, homicídio doloso e culposo.

Homicídio doloso é quanto existe a intenção de praticar o resultado ou quando assumo o risco de ocasionar esse resultado.

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Assumir o risco = mandar uma bomba.

Culpa é quando descumpro o cuidado objetivo que a lei determina que tenho que cumprir.

Basicamente dolo é intenção e culpa é ausência de intenção.

Posso, portanto comparar dolo e culpa na teoria finalista pois estou conferindo conteúdo de vontade.

Tentativa branca é quando não há lesão (quando dou 50 tiros a um metro de distância, na pessoa, mas não lesiono).

A teoria causal dizia que isso é disparo de arma de fogo, para a teoria finalista passa a ser tentativa de homicídio porque houve exteriorização da vontade de matar.

Participação.

Quem pratica o crime é o autor do crime.

Quem pratica o crime com uma outra pessoa é Co-autor.

Quem não pratica o crime mas pratica uma conduta de auxílio para a prática do delito é PARTÍCIPE.

Emprestar arma para alguém que se sabia que ia usa-la para matar... não é autor nem co-autor mas é partícipe.

A Teoria finalista diz que instigar ou induzir o crime (participação moral) cria um vínculo subjetivo, de intenção, de aderir à idéia do outro ou fazer surgir a vontade no outro.

Fato Típico é a conduta humana, consciente, dirigida a determinada finalidade, dolosa ou culposa por ação ou omissão.

Por que dolo e culpa estão no fato típico? No DP são feitas 3 operações: O fato é típico? se for, vou ver se ele é antijurídico.

O fato é antijurídico? se for antijurídico vou ver se ele é culpável. O fato é culpável?

A culpabilidade é usada por último.

Por que na teoria finalista a culpabilidade passou a ser o primeiro exame? Porque a teoria da finalidade trabalha com o aspecto abstrato que antecede a ação. Primeiro existe a vontade e depois vem ação. Se não houver vontade não é assunto do DP porque ele só trabalha com ações conscientes.

Conteúdo do fato típico: Vontade , ação , resultado.

Dolo, portanto, migrou da culpabilidade na teoria causal para o fato típico na teoria finalista porque a intenção precede a ação e se a ação é conteúdo do fato típico, o dolo deve ser apreciado como fato típico.

Análise do Latrocínio como crime:

 Fato Típico: estar previsto no CP artigo 157 parágrafo 3.

 Antijuridicidade: é não ter matado a pessoa em legítima defesa, estado de necessidade, exercício regular de direito.

 Culpabilidade: quem pratica o latrocínio ser maior de 18 anos, não ser doente mental, não estar embriagado.

Nós estamos estudando ainda o primeiro requisito do crime, (crime é o fato típico antijurídico e culpável) que é o fato típico que tem quatro requisitos e estamos no primeiro que é Conduta humana consciente por ação e depois vamos para...por ação ou omissão

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dolosa e culposa...estamos estudando passo a passo...depois vamos estudar do fato típico...resultado, nexo causal e tipicidade. Vamos estudar juridicidade, culpabilidade e defesa jurídica.

TEORIA SOCIAL DA AÇÃO

Não é adotada no código penal mas é disciplinada na doutrina. O DP tem sempre três teorias, uma a favor, uma contra e uma que junta as duas. A teoria causal resumida é o resultado, a teoria finalista resumida é a intenção, a teoria social é a causação de um resultado socialmente relevante. Ela deixa a critério do legislador definir o que é resultado socialmente relevante que pode ser tanto o resultado naturalista como o resultado finalista e por isso que essa teoria deixa dolo e culpa nas duas posições. Na teoria social, dolo e culpa estão no fato típico com a função de tipificar fatos típicos dolosos e fatos típicos culposos e está também na culpabilidade com a função de mensurar, quantificar a pena: crime doloso deve ter a pena mais próximo do máximo e crime culposo deve ter a pena mais próximo do mínimo. Ela tentou juntar: teoria causal...dolo e culpa na culpabilidade, teoria finalista...dolo e culpa no fato típico.

2da aula OMISSÃO

Ação é uma conduta positiva, omissão é uma conduta negativa. Não tem como eu me omitir agindo.

A teoria causal não explica a omissão pois só analisa o resultado derivado de uma relação causa/efeito...do nada, nada se cria é uma base da teoria empírica...a teoria causal nunca conseguiu explica a omissão.

Como a omissão não causa resultado, a teoria finalista criou uma estrutura normativa para omissão...vc não é punido porque vc causa o resultado...vc é punido porque vc devia agir para impedir o resultado e esse dever agir advém de um DEVER JURÍDICO. Esse dever jurídico vem da lei.

O pai pode deixar o filho morrer de fome? Não porque tem obrigação de alimenta-lo. Esse dever pode ser contratual, onde vc assume com a pessoa um compromisso.

Uma mãe, na praia pede para alguém ver o filho enquanto ela está ausente e o filho vai na água e morre afogado. Se esse alguém assumiu o dever de cuidar da criança vai responder processo penal.

OMISSÃO CAUSAL

A omissão pela teoria naturalista seria a distensão muscular ou seja, deixa-se de praticar um movimento corpóreo que seria a ação, quando então fica caracterizada a omissão. Para a teoria naturalista a omissão causa o resultado e o fato de não se ter agido, não ter estendido os seus músculos, caracterizaria a omissão. Equivale dizer que no caso da omissão de socorro, vc encontra uma pessoa atropelada na rodovia e não a socorre, vc seria responsável pela morte dela, aliás vc teria causado a morte dela, e quem causou verdadeiramente a morte? Foi o atropelador e não a sua conduta. Então a teoria causal não consegue explicar a omissão por um motivo muito simples: do nada, nada se cria. Não tem como vc não fazer e levar a acontecer alguma coisa. No caso do atropelamento, já havia

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acontecido e vc não pode ser responsabilizado pela morte da vítima com base tão somente numa estrutura causalista, numa estrutura de causa/efeito. Na omissão não existe a relação de causa e efeito. Pelo fato de eu não ter agido, não posso ser culpado de causar o resultado. O art.13 do CP é inspirado na teoria causal. “considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido” = teoria causal.

O artigo então diz que a omissão causa resultado e como vimos, hoje o CP adota a teoria finalista.

OMISSÃO NORMATIVA (FINALISTA)

Na teoria finalista temos uma estrutura normativa do crime. Esta estrutura se dá de duas maneiras (a) e (b)

1) A omissão é penalmente relevante ou seja, vc vai ser responsabilizado por ter se omitido quando:

a) vc tinha o DEVER JURÍDICO DE IMPEDIR O RESULTADO. b) Vc PODIA EVITAR O RESULTADO.

A estrutura da omissão normativa fala em DEVER e PODER , dever fazer e poder evitar. Então vc é responsável pela omissão (por ter agido em omissão), não por ter causado o resultado, mas pelo dever de impedir o resultado. Vemos que se trata de uma estrutura bem mais adequada justamente porque inexiste relação de causa e efeito.

Art.13, parágrafo II.. a omissão é penalmente relevante quando o omitente podia e devia agir para evitar o resultado. A estrutura normativa neste parágrafo é finalista.

O DEVER JURÍDICO disciplina-se em três aspectos:

a) Tenha por lei a obrigação do cuidado, obrigação ou vigilância. Ex: o pai em relação ao menor, o tutor em relação aos bens, o curador em relação ao incapaz, o bombeiro , o policial...todos aqueles que por uma lei determinada tenha a obrigação de não se omitir.

Art.135..deixar de prestar assistência quando consigo faze-lo sem risco pessoal. à criança abandonada, extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo, ou não pedir socorro da autoridade pública.

Vc é obrigado a prestar socorro? SIM porque está previsto no CP que se não prestar socorro é crime e o DEVER JURÍDICO vem daí. Mas se o carro está pegando fogo vc não é obrigado a arriscar a sua vida para salvar a do outro? Não porque vc não PODIA AGIR tendo em vista que vc agiria com risco pessoal. PODER AGIR é diferente para o cidadão comum e para o funcionário público. Nessa hipótese o bombeiro é obrigado a agir mas quando ele vê que ele corre risco de vida ele não é obrigado a prestar o socorro pois a obrigação é de agir e não de morrer no exercício do trabalho. Ele não pode fugir do perigo, mas não a se sacrificar.

A omissão normativa, portanto advém: a) do dever legal.

Art.135..deixar de prestar assistência quando consigo faze-lo sem risco pessoal. à criança abandonada, extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo, ou não pedir socorro da autoridade pública.

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Esse dever jurídico pode ser CONTRATUAL, Não está na lei que o guia do alpinista não pode abandoná-lo no meio da montanha. Mas está no contrato . A partir do momento que o guia assume o contrato de seguir a pessoa é obrigado a manter a integridade física do cliente na medida do possível.

É também o caso da mãe que pede para o banhista ficar como o filho na praia e o filho vai na água e morre afogado...esse banhista tem o dever contratual de cuidar do filho e será responsabilizado penalmente.

c) O seu comportamento anterior criou o risco da ocorrência do resultado.

Para o ítem c a doutrina exemplifica da seguinte forma...vc está na praia e chama seu colega para nadar, mas o colega recusa pois não nada muito bem e vc promete ajudá-lo. Só que quando estão nadando o colega se afoga e vc não presta socorro. Responde por homicídio culposo.

Portanto a omissão não causa resultado e a teoria finalista teve que construir uma idéia através da qual a omissão passa a ser punível quando:

a) vc tem o dever jurídico de impedir o resultado b) vc podia agir para impedir o resultado.

Você escuta, na mesa de um bar duas pessoas planejando um crime, vc é obrigado a chamar a polícia? Não pois não existe lei que nos obriga a comunicar crimes que estão sendo combinados.

A maioria dos crimes são cometidos por ação justamente porque os crimes cometidos por omissão tem uma estrutura muito mais importante e a regra é o cidadão poder fazer tudo o que a lei não libera. Então há os crimes por ação e os por omissão. Os cometidos por ação traz uma conduta positiva e os por omissão traz uma conduta negativa.

Matar é positivo, subtrair é positivo,. Deixar de prestar socorro é negativo. CRIMES OMISSIVOS PRÓPRIOS

É aquele que traz o verbo típico NEGATIVO. Só pode ser praticado por omissão e jamais por ação.

Deixar de...não prestar..não comunicar...se abster.... CRIMES OMISSIVOS IMPRÓPRIOS

É aquele que traz o verbo típico POSITIVO.

O crime com verbo típico positivo, eventualmente pode ser praticado por omissão. Pode-se matar alguém privando a pessoa de alimento, deixando de alimentá-lo. A conduta de não alimentar é negativa mas o matar é conduta positiva. Este crime via de regra é praticado por ação.

A enfermeira deixa de dar ao paciente a exata dose do remédio. Ela estará praticando homicídio que é conduta positiva por omissão.

CRIMES DE CONDUTA MISTA

É aquele que traz o verbo positivo (ação) e negativo (omissão) no próprio tipo penal. Exemplo: Apropriação indébita de coisa achada.

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Deixando de restituí-la à pessoa, pratica conduta negativa Ação portanto é a vontade dirigida a uma finalidade.

Já vimos ação, acabamos de ver omissão e vamos ver agora dois requisitos do fato típico que são RESULTADO e NEXO CAUSAL e ficará faltando tipicidade.

O art.13 traz um problema para todos nós porque o seu caput é causal. "o resultado de que depende a existência do crime somente é imputado ao que lhe deu causa" portanto todo crime depende de um resultado.

Para a teoria naturalista o resultado é a modificação do mundo exterior causada pelo resultado. O resultado é o centro de interesse da teoria causal, naturalista. Ela não estuda a vontade, a intenção na causação do resultado.

RESULTADO

É a modificação da realidade causada pelo comportamento, independentemente da vontade que o originou (teoria naturalista/causal)

Quem estuda a intenção e a vontade são os finalistas. A teoria finalista é quem vai trazer o conceito ativo do resultado.

Resultado é a lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico(teoria finalista).

O bem jurídico que é o interesse penalmente protegido, está no objeto da teoria do crime. Para os finalistas, o simples fato de ter crime já tem resultado porque se é a lesão do interesse ou perigo de lesão do interesse a mera tipificação da conduta já é causadora de resultado normativo. Mas não é com esse tipo de resultado que a lei penal trabalha, ela trabalha mais com o resultado naturalistico mesmo. Não trabalha com o resultado finalista porque ela não explica muito: a mera previsão de crime já é o resultado do crime? Isso é esquisito.

Quanto ao resultado o crime é de 3 tipos: 1) Material

2) Formal

3) Mera Conduta

Crime material é aquele que necessita do resultado para sua consumação. Ex.: Homicídio, furto, etc.

Crime formal é aquele que apesar de possuir resultado naturalístico a lei não o exige para a sua consumação. São chamados também de Consumação Antecipada. Consumam-se tão somente com a atividade independentemente da ocorrência do resultado.

Exemplo de Crime Formal:

Art. 131...praticar com fim de transmitir a outrem molétia grave de que está contaminado, ato capaz de produzir o contágio. O resultado naturalístico é o efetivio contágio. A lei nesse caso pune antecipadamente a mera atividade de tentar contaminar a pessoa. Portanto ela descreve a consumação do crime antes que esse aconteça. Portanto não precisa que a pessoa esteja contaminada basta praticar o ato pertinente já acontece o crime.

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A lei não exige o resultado (nesse caso o contágio) para que fato seja crime, basta a mera atividade.

Crime de Mera conduta é aquele que não possui resultado naturalístico.

Matar alguém, se a pessoa sobrevive é homicídio? Não. É apenas tentativa de homicídio. É necessária a morte da vítima para consumar o delito.

Exemplo de Crime de Mera Conduta:

Os crimes de mera conduta não possuem resultado naturalísticos e o caso clássico é invasão de domicílio. Entrar ou permanecer em residência alheia sem autorização do proprietário tem algum resultado palpável? Qual a modificação do mundo exterior? A casa continua a mesma? É um crime sem resultado.

Portanto o art.13 deve ser lido apenas para os crimes materiais porque para ter o crime consumado preciso do resultado. A lei penal permite crimes chamados de mera conduta para os quais não é exigido resultado.

existe crime sem resultado?

Sim, são os crimes de mera conduta.

Temos que ver o artigo 13 de forma crítica se não ele fica sem a possibilidade de ser entendido dentro da teoria finalista.

NEXO CAUSAL

É possível ligar a conduta ao resultado (nos crimes materiais porque se for formal ou de mera conduta nem preciso falar de nexo causal pois é necessário resultado) através de uma linha que se chama nexo causal. Portanto é possível romper o nexo causal.

Exemplo: fulano leva dois tiros e levado para o hospital na ambulância. Esta envolve-se num acidente e fulano morre do acidente. Eu causei a morte? Claro que não. Foi o acidente. Vemos que existe uma teoria de nexo causal para poder ligar o resultado à conduta, caso contrário vou cair na superveniência do nexo causal e aí eu não respondo pelo resultado. É por isso que estudaremos algo que é aparentemente óbvio. Conseguimos ligar a conduta ao resultado, mas que em DP pode ser rompido de alguma maneira. Então como isso pode acontecer: precisa-se estudar primeiro o que é considerado CAUSA para o DP. Estamos trabalhando tão somente em crimes de ação em que inexiste causalidade da omissão. A omissão não causa nada. Não causa resultado.

A estrutura da omissão não é uma estrutura causal é finalista (dever de agir e poder agir). A estrutura da ação é uma estrutura finalista ou seja é uma vontade ou intenção dirigida a determinada atividade para gerar uma finalidade.

Basicamente o nexo causal vai ser aplicado para ações.

Considera-se causa, a ação sem a qual o resultado não teria ocorrido.

Para eu matar alguém, sair de casa armado, me dirigir ao local onde a vítima passa , me postar de tocaia, mirar a vítima, acionar o gatilho, esperar a bala sair e transfixar o corpo da vítima levando-o à morte. Há uma série de atos que na falta de um deles o resultado não acontece. Se eu retiro da mente de sair armado o resultado não acontece.

A ação penal demanda uma série de atos para que ela aconteça. Todos esses atos são causa do resultado.

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O fabricante da arma pratica o crime de homicídio? Não porque fabricar a arma não produz resultado, se for olhar naturalisticamente falando, é. É causa do resultado também o fato do assassino ter nascido. Mas o que consigo fazer para saber o que é realmente relevante para o DP pela teoria finalista? A INTENÇÃO DO AGENTE.

Então essa LINHA DE DESDOBRABENTO CAUSAL que causa o resultado só vai nos interessar a partir do momento em que tem alguém agindo com intenção. Então esse sistema se chama SISTEMA DA EQUIVALÊNCIA DOS ANTECEDENTES CAUSAIS ou TEORIA DE EQUIVALÊNCIA DOS ANTECEDENTES CAUSAIS. Essa teoria dá a mesma relevância aos antecedentes do resultado sem que haja preponderância de um sobre o outro. Todos os antecedentes do resultado, desde o momento em que o agente passou a agir com intenção e vontade, são causas do resultado de maneira igual. Antes de 1984 adotava-se o SISTEMA CONCAUSAL, existiam causas do resultado que não estavam na linha de desdobramento causal do crime mas que valoravam aquela conduta, como doença pré existente da vítima, condições sanitárias do hospital. Essas duas concausas reduziam a pena.

Exemplo: atirava-se no pé de um hemofílico e ele morria, mas não pelo tiro no pé mas pela hemorragia...isso abatia a pena do agente.

Se no atendimento à vítima do tiro ela tivesse infecção hospitalar e morresse, a pena seria reduzida.

Existe o sistema de equivalência dos antecedentes causais porque hoje não se valora mais se a pessoa tem doença pré existente ou se ela foi atendida e pegou infecção hospitalar. Hoje portanto tudo que leva ao resultado é valorado da mesma maneira.

Temos que identificar o que causa o resultado e para isso uso o PROCEDIMENTO HIPOTÉTICO DE ELIMINAÇÃO DE THYRÉN que é um procedimento de ciência empírica, usado até hoje, que consiste em imaginar a linha de desdobramento causal e retiro um ato do evento, se o resultado deixa de acontecer ou acontece de maneira diferente, ele é causa do resultado. Se o resultado acontece da mesma maneira com a sua retirada, ele não é causa do resultado.

Exemplo:

Se temos o homicídio temos que ver o que aconteceu antes: Primeiro ato empírico: Almocei

Segundo ato : Sai de casa armado. Terceiro: Apontei a arma para a vítima. Quarto ato: atirei.

Se eu tirar o ato Almoço o homicídio ainda acontece, portanto ele não é causa do resultado. SUPERVENIÊNCIA CAUSAL – art.13, 1o CP.

Causas Absolutamente Independentes:

 Pré existente. (não responde pelo resultado)  Concomitante. (não responde pelo resultado)  Superveniente. (não responde pelo resultado) Causas Relativamente Independentes:

 Pré existente. (responde pelo resultado)  Concomitante. (responde pelo resultado)

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 Superveniente. – Por si só, produz o resultado (tentativa). Não por si só (responde pelo resultado).

Os crimes materiais podem ser subdivididos numa linha de desdobramento causal. Crime material – A1 + A2 + A3....= Resultado.

Enquanto o crime é cogitado , tudo bem, não é preocupação penal.

Na preparação só é interessante ao DP se for autônomo...caso do lutador se enterga à polícia antes de praticar o crime.

A execução é dividida em atos (linha de desdobramento causal). Aula 3

Os crimes materiais podem ser subdivididos numa linha de desdobramento causal. Ato1, Ato2....e chega-se ao resultado.

O conceito de ação no DP não é instantâneo. Atirou, matou. Essa ação do homicídio se desdobra em atos exatamente porque esses atos podem ser interrompidos.

As fase do crime são: cogitação, preparação, execução, consumação.

Cogitar a prática de um crime para a teoria finalísta é nada pois enquanto esse pensamento não for exteriorizado o DP não se preocupa.

Preparação em geral não é punida pelo DP a não ser como crime autônomo, ex. Do lutador de jiu-jitsu que sai de casa disposto a matar seu desafeto. Ele encontra com a polícia e pede para ser preso se não vai matar o desafeto. Nesse caso não foi praticado o crime.

O problema mesmo é a fase de execução que pode ser subdividida em atos que podem levar à consumação do crime ou à tentativa.

Essas etapas constituem uma LINHA DE DESDOBRAMENTO CAUSAL (LDC). O importante do crime material que é a questão do nexo causal pode ser interrompido evitando que se chegue ao resultado querido. Pode haver também o rompimento do nexo causal.

Sujeito almoça, sai de casa, fez tocaia, atirou e a vítima morreu. Aplica-se no desdobramento causal o procedimento hipotético de eliminação de THYRÉN que diz que retirando qualquer ato hipoteticamente da sua mente, o ato deixa de acontecer ou acontece de maneira diferente, esse ato retirado é causa do resultado.

Almoçar não causa homicídio.

A teoria que analisa a LDC é a teoria do desdobramento dos antecedentes causais. Identifica-se o que causa o resultado ao retirar hipoteticamente parte da LDC. Exatamente porque existia no código anterior o sistema de concausa, através do qual circunstâncias práticas não envolvidas na LDC do crime interferiam na administração da pena.

Ex. Doença pré existente, se comprovado que a pessoa normal sobreviveria, haveria abatimento da pena.

Pessoa atendida em hospital sem condições sanitárias mínimas, morrer em decorrência de infecção hospitalar, quem praticou o crime também teria abatimento da pena. Estes exemplos não são mais hoje aplicados.

Hoje todas as causas são analisadas de maneira igual. A LDC pode ser interrompida em questão de segundos.

Existem causas absolutamente independentes e causas relativamente independentes, aí já estamos trabalhando no rompimento do nexo causal.

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Art.13,I CP= a superveniência de causa relativamente independente exclui a inputação quando a infração por sí só produz o resultado, os fatos anteriores entretanto inputam-se a quem os praticou.

Alguns exemplos fictícios da doutrina:

Absolutamente Independentes: acontece quando tenho duas LDC caminhando paralelas, sendo uma praticando o crime e durante a prática deste crime, uma outra LDC ultrapassa a LDC do crime e ela é a que causa o resultado.

Regra: Não responde pelo resultado. A segunda LDC pode ser;

Pré existente quando começou antes da LDC do crime.

Ex: sujeito ingere veneno, quando chego para esfaqueá-lo e o esfaqueio ele já havia morrido. Ele morre segundos antes em consequência do veneno. É pré existente porque a sua morte é produto do envenenamento. Não responde pelo resultado.

Concomitante quando acontece na hora em que estou praticando o crime.

Ex: vou atacar a vítima pelas costas e no exato instante ele sofre um ataque cardíaco e morre do ataque. Não responde pelo resultado.

Superveniente quando acontece após mas é ela quem causa o resultado.

Ex. Sujeito está a 3 km de distância, pego um fuzil e atiro no sujeito mas ele está embaixo de uma marquise. Durante o trajeto da bala a marquise cai e mata o sujeito. A minha conduta foi anterior e o desabamento foi posterior, superveniente.

Não responde pelo resultado.

É por isso que ela chama CAUSA ABSOLUTAMENTE INDEPENDENTE, porque uma outra linha de desdobramento causal que não tem nada a ver com a minha conduta, chega antes, durante ou depois e causa o resultado.

CAUSA RELATIVAMENTE INDEPENDENTE:

Tenho o PC do crime e o PC de interferência numa intersecção e por isso que chama relativamente independente.

Nesta modalidade o PC do crime leva ou interfere no segundo PC.

Eles são relativamente independentes porque sem o PC do crime não haveria o PC de interferência, ou seja, o PC do crime leva ao PC da interferência, sem a prática do crime querido não haveria o segundo PC.

No anterior mesmo sem o PC do crime o resultado aconteceria independentemente. Pre existente:

Atiro no pé do hemofílico (doença que leva à morte por falta de coagulação sanguínea). O sujeito morre por ser hemofílico pois o sangue proveniente do tiro não coagula.

O PC do crime sofre a interferência da doença prévia. Responte pelo resultado. Concomitante:

Voce saca a arma, atira na pessoa e o tiro pega no braço. O impacto da bala rompe uma veia do coração e a pessoa tem um ataque cardíaco. Responde pelo crime pois sem o PC do crime a pessoa não teria o ataque cardíaco.

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Responde pelo resultado. Superveniente:

O PC do crime leva ao PC de interferência superveniente após a realização dos atos de desdobramento causal do crime.

Nesta modalidade encerra-se o PC do crime mas aguarda-se o resultado. Vem a interferência e atua na causação desse resultado querido.

Quando essa interferência por sí só produz o resultado, o agente não responde pelo crime, nos casos de homicídio, responde-se pela tentativa.

Quando o PC de interferência produz o resultado juntamente com a LDC do crime o agente responde pelo resultado.

Deve haver uma interferência muito importante.

Ex. Sujeito leva um tiro e está morre não morre numa ambulância e esta se envolve num acidente de trânsito e o sujeito vem a falecer em decorrência deste acidente.

Agente não responde pelo resultado, apenas por tentativa de homicídio pois jamais haveria a certeza que o sujeito morreria do tiro.

É relativamente independente poque se não tivesse levado o tiro não estaria na ambulância. O acidente com a ambulância por sí só produziria o resultado

AULA 4

TEORIAS DA TIPICIDADE (TATBESTAND).

Não confundir teoria da tipicidade com teoria do tipo do crime (constituintes do tipo penal). Um dos maiores desafios do DP é objetivamente disciplinar em um artigo o tipo penal à conduta efetivamente prevista.

O tipo penal exige do legislador uma responsabilidade maior, porque naquele tipo penal, pelo princípio da reserva legal, tem de estar descrito de maneira fechada, tem de construir uma técnica na qual se consiga descrever a conduta proibida do crime, de maneira abstrata. Geralmente o legislador começa com o verbo no infinitivo e este já desceve quase que totalmente a conduta. Há delitos mais complexos que exige uma série de dados para que eles existam como tipo penal.

A tipicidade é quase que uma arte. Tipificar uma conduta significa prever essa conduta na lei penal, torná-la proibida penalmente.

fato típico = ação humana, consciente, dolosa ou culposa derivada de uma atividade que causa algum resultado na natureza e que exista nexo causal. Tudo isso se refere a um fato e o que torna esse fato relevante para o DP é a sua tipicidade ou seja a previsão do fato na lei penal.

Existem condutas no Brasil que são moralmente censuradas mas não são tipificadas no nosso ordenamento, a bíblia pune com o inferno mas no Brasil não se pune, como exercício solitário da prostituição, adultério, a sedução. Ou seja, se não está previsto no ordenamento, não é crime.

Para se chegar à tipicidade houve uma grande construção histórica e existem 4 teorias que explicam essa evolução histórica da tipicidade (TATBESTAND).

Existe uma grande relação entre tipicidade e antijuridicidade (contrário ao direito). A conduta tem que ser típica e ofender o direito, ou seja, não se é punido por agir em legitima defesa, estado de necessidade, exercício regular de direito e estrito cumprimento do dever.

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A idéia de tipicidade sempre envolveu conceito de antjuridicidade. TEORIA DA INDEPENDENCIA:

Não se falava em tipo penal, falava-se em antijuridicidade. Tipicidade era independente de antijuridicidade. Inexiste correlação entre esses dois conceitos. Essa teoria teve de existir para forçar o :::::::::::::do conceito do fato típico.

Havia apenas conceito de antijuridicidade não havia o conceito de tipicidade em separado, portanto foi necessário construir-se uma visão separada da tipicidade para que esse conceito pudesse existir e se fortalecer aí foi criada a teoria do tipo, uma técnica legislativa de construção do conceito de tipicidade e uma série de outros institutos derivados deste.

Paulatinamente foi sendo verificado que há uma correlação entre tipicidade e antijuridicidade que são as seguintes teorias:

TEORIA DO CARÁTER INDICATIVO DA ANTIJURUDICIDADE (RATIO COGNOSCENDI = razão de conhecer)

Havendo um fato típico pressupõe-se a existência da antijuridicidade salvo a causa de excludente dela.

O que faz a legítima defesa é tirar a antijuridicidade da conduta. Transforma a conduta em lícita. O que equivale dizer que se pode matar alguém em legítima defesa.

A tipicidade pressupõe a existência da antijuridicidade salvo uma excludente. No popular é a teoria da fumaça e do fogo...aonde tem fumaça tem fogo. As análises que se faz é sempre o seguinte:

se o fato é típico, verifico se é antijurídico. Se o fato é antijurídico, verifico se é culpável. A inexistência de um excluI o vício do outro.

Havendo a fumaça que é o fato típico, procura-se o fogo que é a antijuridicidade. Procura-se Procura-sempre a preProcura-sença de uma causa excludente.

Esta teoria é também chamada de ratio cognoscente (razão de conhecer). O fato típico é um indício de antijuridicidade.

O que acontece nas duas próximas teorias é que numa aparece a antijuridicidade e na outra aparece a tipicidade.

TEORIA DA RATIO ESSENDI (RAZÃO DE SER) = Não há o conceito de tipicidade e tudo é antijuridicidade (formal e material) é como se juntasse no mesmo conceito a tipicidade e a antijuridicidade. Como cara e coroa de uma moeda.

Antijuridicidade formal é a tipicidade

Antijuridicidade material a própria antijuridicidade.

TEORIA DOS ELEMENTOS NEGATIVOS DO TIPO. Aqui tudo é tipicidade, só se fala em tipicidade.

Só haverá crime se houver tipicidade ou (fato típico) e antijuridicidade.

Agora se houver fato típico e não tiver antijuridicidade (legítima defesa, estado de necessidade, estrito cumprimento do dever legal, exercício regular de direito) art.22 e 23 CP. Tenho algo positivo e se não tenho a antijuridicidade, tenho algo negativo (pois faltam as excludentes de antijuridicidade) fica + com - dá menos e por isso se chama teoria dos elementos negativos.

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O conceito é: a presença de uma causa excludente da antijuridicidade exclue a própria tipicidade.

A teoria mais adotada é a do caráter indiciário ou indicativo da antijuridicidade. A teoria mais moderna é a dos elementos negativos do tipo.

De uma visão inicial de independência, caminhamos para uma junção dos dois conceitos (tipicidade e antijuridicidade). Essa junção é importante por causa das excludentes de antijuridicidade pois é esquisito dizer que se pode matar uma pessoa sem responsabilidade penal (mesmo que seja em legítima defesa).

A tipicidade é uma proibição e a antijuridicidade também é.

Por isso vamos caminhar para a teoria geral do crime com a unificação desses dois conceitos. Ou pode ou não pode.

O tipo penal tem três elementos:

ELEMENTO OBJETIVO = É a descrição da conduta proibida geralmente trazida pelo verbo típico.

ELEMENTO SUBJETIVO GENÉRICO = Dolo. ELEMENTO NORMATIVO GENÉRICO = Culpa.

Ocorre que o elemento subjetivo do tipo além de ser o dolo, podem existir tipos penais em que haja a previsão de ESPECÍFICA INTENÇÃO DO AGENTE (com o fim de:...). Existe a privação de liberdade com o fim de vontade que é a extorsão acompanhada de sequestro, onde visa-se uma vantagem patrimonial.

Existe ainda a privação da liberdade de alguém com o fim de mantê-lo em cárcere privado e a finalidade aí é ir contra o bem jurídico liberdade. São intenções diferentes e tem-se dentro desta finalidade uma intenção específica inclusive para tipificar a conduta.

A mãe que mantém filho pequeno acorrentado quando sai para trabalhar não comete sequestro porque tem finalidade patrimonial. O sequestrador não comete crime de maus tratos pois sua finalidade é patrimonial.

São crimes dolosos e têm uma intenção especial. Ex: praticar com fim de transmitir moléstia grave art.131.

Ver o art.299 de falsidade ideológica. A mentira em geral não é punida penalmente a não ser que tenha a intenção de fraude.

ELEMENTO NORMATIVO DO TIPO = É normativo porque a aferição do crime é a posteriori da ocorrência do fato. Não é possível de antemão saber se ela é criminosa, torna-se necessária uma análitorna-se posterior.

Ou numa outra hipótese quando é necessário outro ramo do conhecimento para formar o elemento do tipo.

Art.246 deixar sem justa causa de prover a instrução primária do filho em idade escolar. É um crime comissivo, e sem justa significa que posso deixar meu filho sem instrução primária com justa causa desde que não tenham os mínimos recursos para isso. É um vício que só é possível saber após a prática do fato.

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DOLO é CONSCIÊNCIA E VONTADE.

A consciência tem de determinar o alcance da vontade. O agente tem de ter consciência da sua conduta e consciência do que ele quer praticar do crime. Ainda é fase de cogitação. Posteriormente é que o agente vai exteriorizar essa intenção no meio naturalistico demonstrando então vontade de praticar aquela conduta. Quem dá 10 tiros no coração do outro não quer apenas assustar e sim causar homicídio

CRIME DOLOSO DIRETO é a vontade de praticar o tipo penal. O dolo é subjetivo porque está na cabeça do agente.

Crime doloso é quando o agente quer o resultado ou assumiu o risco de produzí-lo.

CRIME DOLOSO INDIRETO OU EVENTUAL o agente quer praticar o resultado mas de outras maneiras.

O agente prevê a ocorrência do resultado e assume o risco de produzí-lo.

Sujeito quer matar alguém e envia uma bomba. Está assumindo o risco de matar o sujeito e outros que estão à sua volta.

CRIME DOLOSO ALTERNATIVO

existem tipos de crime que é possível sua prática com diferentes intenções.

Sujeito contrata um capanga para bater em alguém e manda dar uma surra para aleijar e se matar não tem problema. O agente está desferindo sua vontade para lesão corporal gravíssima e homicídio. A intenção do agente é voltada para resultados distintos.

CRIME DOLOSO DE DANO é quando a lei exige a efetiva lesão de um bem material. Ex. Homicídio, furto, roubo, estupro...

DOLO DE PERIGO DE DANO

A mera exposição do bem jurídico a perigo já consuma o crime. Art.132 expor a vida de outrem a perigo direto e iminente

DOLO GENÉRICO nada mais é do que o dolo. Nada mais é do que o elemento subjetivo do crime.

DOLO GERAL é uma ficção teórica. O agente acreditando que realizou uma conduta, pratica outro ato, este sim causador do resultado.

Ex. Agente dá 50 tiros no sujeito. Acreditando que este morreu, o joga no rio, vindo ele a falecer de afogamento. Se não fosse dolo geral seria tentativa de homicídio com ocultação de cadáver. Com o DOLO GERAL então há o homicídio seguido de ocultação do cadáver. É por isso que chama dolo geral.

DP Aula 5

CRIME CULPOSO é o descumprimento do cuidado objetivo que a todos é devido observar.

cuidado objetivo é a precaução, a prevenção a que todos nós estamos obrigados para evitar danos a terceiros ou a nós mesmos.

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Como podemos saber se alguém descumpriu um cuidado objetivo? Vamos imaginar uma linha imaginária que é a precaução natural e tem uma figura em DP que se chama HOMEM MÉDIO, por isso que a estrutura do crime culposo é normativa, para se saber que alguém descumpriu o cuidado objetivo tem-se que comparar a conduta dessa pessoa com a conduta que seria exigida do homem médio. Se a pessoa teve a precaução igual à do homem médio ou a excedeu ela não descumpriu o cuidado objetivo. Agora, se essa pessoa não teve o cuidado exigido que o homem médio teria, há crime de culpa. A estrutura é normativa porque é necessário avaliar a conduta posteriormente ao crime.

Dirigindo na rua na velocidade permitida num carro zero e uma pessoa se joga na frente do seu carro e se descobre que ela queria se suicidar, não se responde pela morte dela porque para haver crime culposo, o que é diferente do crime doloso, tem de haver uma circunstância de descumprimento do cuidado objetivo, caso contrário inexiste o crime culposo.

A estrutura do crime culposo é mais completa que a do crime doloso.

Conduta humana é uma atividade dirigida a uma finalidade de forma consciente. ESTRUTURA NORMATIVA DO CRIME CULPOSO.

A) A INOBSERVÂNCIA DO CUIDADO OBJETIVO se explicita através da IMPRUDÊNCIA, NEGLIGÊNCIA E IMPERÍCIA.

IMPRUDÊNCIA: Fazer algo que a prudência não recomenda. Imprudência é conduta positiva.

Andar 80 km/h acima da veloc. Máx. permitida é uma imprudência NEGLIGÊNCIA: É deixar de fazer algo que a prudência exige.

Transitar com pneu careca, limpador quebrado o sujeito está se omitindo na manutenção do carro.

Negligência é uma conduta negativa.

IMPERÍCIA: É a imprudência e a negligência do profissional.

Médico esquece bisturí dentro da barriga do paciente, foi tanto imprudente quanto negligente. Ele tem obrigação de cumprir regras médicas e como descumpriu tornou-se imperito.

Motorista carteira B amador que se envolve em acidente é imprudente. motorista carteira C profissional é imperito.

B) A conduta tem de ser PREVISÍVEL OBJETIVAMENTE que significa que seria possível nas condições concretas a ANTEVISÃO DO RESULTADO ou visão antecipada do resultado.

Ex. Transitando sobre ponte esta cai e mata os passageiros do seu carro. Não há culpa pois não há previsão para queda de ponte.

Transitando a 250 por horas na curva e o carro se desgoverna, há culpa pois poderia ser previsto.

Referências

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