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IntroCalculo - Parte 1 - Mandolesi

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(1)

Introdu¸

ao ao C´

alculo - Parte 1

Andr´

e Mandolesi

Curso de Ver˜

ao UFBA - Janeiro de 2013

1

umeros Reais

1.1

O que ´

e N´

umero?

O conceito de n´umero evoluiu ao longo do tempo:

• para os antigos gregos os ´unicos n´umeros eram os naturais 1, 2, 3, 4, . . .

• embora usassem raz˜oes mn entre naturais, estas eram vistas s´o como uma maneira de expressar propor¸c˜oes e n˜ao como um novo tipo de n´umero.

• ap´os descobrirem que nenhuma raz˜ao mn permitia comparar a diagonal com o lado de um quadrado, passaram a desconfiar dos n´umeros e se concentrar na geometria. • n´umeros irracionais (que n˜ao s˜ao raz˜ao) eram usados pelos ´arabes no s´ec. IX, mas

s´o se tornaram mais aceitos com o surgimento da nota¸c˜ao decimal no s´ec. XVI. • at´e os s´ec. XVI e XVII muitos matem´aticos n˜ao aceitavam o n´umero 0, e o conceito

de n´umero negativo foi considerado problem´atico at´e os s´ec. XVIII e XIX. • os n´umeros reais s´o vieram a ser definidos rigorosamente no s´ec. XIX.

• n´umeros complexos come¸cam a aparecer no s´ec. XVI, mas s´o s˜ao bem entendidos no s´ec. XIX. Hoje vemos que eles tˆem um papel simplificador em v´arias ´areas da Matem´atica, al´em de serem fundamentais `a descri¸c˜ao F´ısica do mundo.

• a Matem´atica moderna usa v´arios outros tipos de n´umero: hiper-reais (que incluem n´umeros infinitamente grandes ou pequenos), quat´ernios (que generalizam os com-plexos), etc.

Nenhum tipo de n´umero ´e mais “verdadeiro” que os outros, todos s˜ao conceitos abs-tratos, cada qual se adequando melhor a um tipo de situa¸c˜ao. Para trabalhar com essa diversidade de op¸c˜oes precisamos entender bem o que pode ou n˜ao ser feito com cada tipo de n´umero. Por isso, o que se faz ´e identificar certas propriedades b´asicas que caracterizam cada tipo de n´umero, e a partir destas deduzir quais outras s˜ao v´alidas.

Por v´arios motivos que ser˜ao compreendidos mais tarde, o conjunto num´erico adequado para o estudo do C´alculo ´e o dos reais1. Come¸camos ent˜ao caracterizando-os.

1tamb´em existe um C´alculo com n´umeros complexos, em muitos aspectos at´e mais poderoso que o

(2)

1.2

umeros Reais

Os n´umeros reais formam um conjunto R com duas opera¸c˜oes b´asicas (+ e · ) e uma rela¸c˜ao (≤), tal que as seguintes propriedades fundamentais valem para todos x, y, z ∈ R:

1. Propriedades da Adi¸c˜ao:

(a) Associatividade: (x + y) + z = x + (y + z) (b) Comutatividade: x + y = y + x

(c) Existˆencia de elemento neutro2: x + 0 = x (d) Existˆencia de elemento oposto3: x + (−x) = 0 2. Propriedades da Multiplica¸c˜ao:

(a) Associatividade: (xy)z = x(yz) (b) Comutatividade: xy = yx

(c) Existˆencia de elemento neutro4: 1 · x = x

(d) Existˆencia de elemento inverso5: x · x−1 = 1 (x 6= 0)

3. Propriedade de Distributividade: x(y + z) = xy + xz 4. Propriedades de Ordenamento:

(a) Reflexividade: x ≤ x

(b) Totalidade: x ≤ y ou y ≤ x

(c) Anti-simetria: x ≤ y e y ≤ x ⇒ x = y (d) Transitividade: x ≤ y e y ≤ z ⇒ x ≤ z

(e) Compatibilidade com a adi¸c˜ao: x ≤ y ⇒ x + z ≤ y + z

(f) Compatibilidade com a multiplica¸c˜ao: x ≤ y e 0 ≤ z ⇒ xz ≤ yz

5. Propriedade de Completude: todo subconjunto de R limitado superiormente tem um supremo.

Essa propriedade requer algumas explica¸c˜oes. Se A ´e um subconjunto de R ent˜ao: • c ∈ R ´e uma cota superior de A se a ≤ c para todo a ∈ A.

• A ´e limitado superiormente se tiver alguma cota superior. • o supremo de A ´e a menor de suas cotas superiores. Ex: o supremo de A = {x ∈ R|2 < x < 5} ´e s = 5. Ex: o supremo de A = {q ∈ R|q ∈ Q, q2 < 2} ´e2.

2

de forma mais rigorosa: existe um elemento 0 ∈ R tal que x + 0 = x para todo x ∈ R.

3

para todo x ∈ R existe um elemento −x ∈ R tal que x + (−x) = 0.

4

existe um elemento 1 ∈ R tal que 1 · x = x para todo x ∈ R.

5

(3)

Embora essas propriedades pare¸cam ´obvias, os reais s˜ao o ´unico tipo de n´umero que satisfaz todas elas. Por ex., nos naturais n˜ao h´a elemento oposto, nos inteiros n˜ao h´a inverso, nos complexos n˜ao h´a ordem, nos quat´ernios a multiplica¸c˜ao n˜ao comuta, etc.

O conjunto Q dos racionais satisfaz as condi¸c˜oes 1–4 mas n˜ao ´e completo. Por ex., o subconjunto A = {q ∈ Q| q2 < 2} ´e limitado superiormente mas n˜ao tem supremo

(racional). Embora as propriedades 1–4 permitam distribuir os n´umeros racionais ao longo de uma reta, a falta de completude faz com que existam pontos da reta que n˜ao correspondem a nenhum racional (como observado pelos gregos antigos).

A inclus˜ao da propriedade 5 permite “completar esses buracos” com novos n´umeros6, os

irracionais, que junto com os racionais formam o conjunto R. Por isso podemos identificar os n´umeros reais com os pontos da reta, e falar na reta real R. A completude tamb´em ´e essencial para que certos conceitos do C´alculo funcionem adequadamente.

Todas as outras propriedades dos n´umeros reais s˜ao consequˆencia dessas fundamentais, como as seguintes, cuja demonstra¸c˜ao deixamos como exerc´ıcio.

Proposi¸c˜ao 1.1. Para todos x, y, z ∈ R valem as seguintes rela¸c˜oes: 1. x + z = y + z ⇔ x = y

2. se z 6= 0 ent˜ao xz = yz ⇔ x = y 3. x · 0 = 0

4. xy = 0 ⇔ x = 0 ou y = 0

Proposi¸c˜ao 1.2. As rela¸c˜oes abaixo s˜ao v´alidas para todos x, y, z, v ∈ R: 1. x + z < y + z ⇔ x < y

2. se x < z e y < v ent˜ao x + y < z + v 3. se z > 0 ent˜ao xz < yz ⇔ x < y 4. se z < 0 ent˜ao xz < yz ⇔ x > y

5. se 0 < x < z e 0 < y < v ent˜ao 0 < xy < zv

6. se x, y forem ambos positivos ou ambos negativos ent˜ao x < y ⇔ 1x > 1y 7. se x, y > 0 ent˜ao x < y ⇔ x2 < y2

8. se x, y < 0 ent˜ao x < y ⇔ x2 > y2

Duas propriedades importantes, cuja demonstra¸c˜ao envolve a completude e pode ser encontrada no Apˆendice A do livro do Guidorizzi, s˜ao as seguintes:

Proposi¸c˜ao 1.3 (Propriedade dos Intervalos Encaixantes). Seja [a0, b0] ⊃ [a1, b1] ⊃

[a2, b2] ⊃ . . . ⊃ [an, bn] ⊃ . . . uma sequˆencia de intervalos fechados, cada qual contido

no anterior, e tais que para todo c > 0 exista um n ∈ N tal que o comprimento de [an, bn] seja menor que c. Ent˜ao existe um ´unico n´umero real que pertence a todos esses

intervalos.

Proposi¸c˜ao 1.4 (Propriedade de Arquimedes). Dados x, y ∈ R, com x > 0, existe n ∈ N tal que nx > y.

(4)

1.3

Rigor Matem´

atico

Vamos demonstrar detalhadamente uma das propriedades da Proposi¸c˜ao 1.1. Proposi¸c˜ao 1.5. Dados x, y, z ∈ R, se xz = yz e z 6= 0 ent˜ao x = y.

Prova. Como z 6= 0, por (1d) existe o inverso z−1. Multiplicando ambos os termos da equa¸c˜ao xz = yz por z−1 obtemos (xz)z−1 = (yz)z−1, o que por (2a) equivale a x(zz−1) = y(zz−1). Como por (1d) zz−1 = 1 ent˜ao x · 1 = y · 1. Usando (2b) podemos trocar a ordem, 1 · x = 1 · y, e (2c) ent˜ao resulta x = y.

`

A primeira vista pode parecer que usamos uma sequˆencia de obviedades para concluir algo que j´a est´avamos cansados de saber. Mas a importˆancia de fazer demonstra¸c˜oes ´e que, al´em de exercitar a capacidade de racioc´ınio formal, elas ajudam a perceber porque algo ´e v´alido, e ainda mais importante: quando n˜ao ´e v´alido!

Muitos alunos, ao se depararem com algo do tipo cx = 4c (c ∈ R), concluem apres-sadamente que x = 4. Mas a demonstra¸c˜ao acima mostra que esse tipo de cancelamento envolve uma multiplica¸c˜ao por c−1, que n˜ao existe se c = 0. Se esse for o caso ent˜ao todo x ∈ R seria solu¸c˜ao dessa equa¸c˜ao, e n˜ao apenas x = 4.

Outro exemplo da importˆancia de se prestar aten¸c˜ao nesses detalhes. Para resolver a equa¸c˜ao

x2− 4

2 − x = 2 (1)

podemos multiplicar os dois lados por 2 − x, o que ap´os simplificar resulta em

x2− 4 = 4 − 2x (2)

Somando 2x − 4 dos dois lado e simplificando obtemos

x2+ 2x − 8 = 0 (3)

cujas solu¸c˜oes s˜ao

x = −4 ou x = 2.

Mas substituindo esses valores em (1) vemos que apenas x = −4 ´e uma solu¸c˜ao correta. O que est´a acontecendo? Detalhando mais as opera¸c˜oes feitas para ir de (1) at´e (3) pode-se verificar que todas elas est˜ao corretas, podendo ser justificadas por meio das propriedades dos n´umeros reais. Logo toda solu¸c˜ao de (1) ser´a solu¸c˜ao de (3).

Mas isso n˜ao significa que toda solu¸c˜ao de (3) tamb´em seja solu¸c˜ao de (1). Para isso (3) deveria implicar (1). Partindo de (3) poder´ıamos tentar desfazer as opera¸c˜oes at´e voltar a (1), mas na passagem de (2) para (1) isso envolveria dividir por 2 − x, o que n˜ao ´

e uma opera¸c˜ao v´alida justamente quando x = 2.

Esperamos que esses exemplos sirvam para convencer o aluno de que em Matem´atica ´

e necess´ario estar atento a cada detalhe e saber justificar cada passagem. A maioria dos erros vem justamente de min´ucias que `a primeira vista pareciam insignificantes. Esse tipo de cuidado exige no in´ıcio um grande esfor¸co de aten¸c˜ao, mas com um pouco de pr´atica se torna mais f´acil e natural, e o resultado ´e compensador. A lista de exerc´ıcios inclui v´arios exemplos nos quais pequenos descuidos levam a respostas erradas. Quando isso ocorrer, recomendamos que o aluno tente primeiro identificar em qual passagem do seu c´alculo est´a o erro, para s´o ent˜ao tentar chegar `a resposta correta.

(5)

2

odulo

Defini¸c˜ao 2.1 (M´odulo ou Valor Absoluto). O m´odulo de x ∈ R ´e definido por

|x| = (

x se x ≥ 0 −x se x < 0 Proposi¸c˜ao 2.2. Para todos x, y ∈ R valem

a) |x| ≥ 0 b) |x| = | − x| c) |x|2 = x2 d) se y > 0 ent˜ao |x| = y ⇔ x = ±y e) |x| = |y| ⇔ x = ±y f ) |xy| = |x| · |y| g) se y > 0 ent˜ao |x| < y ⇔ −y < x < y

h) |x + y| ≤ |x| + |y| (essa ´e a Desigualdade Triangular)

i) |x + y| = |x| + |y| ⇔ x, y s˜ao ambos positivos ou ambos negativos.

3

Potˆ

encias e Ra´ızes

Defini¸c˜ao 3.1 (Potˆencias inteiras). Para x ∈ R e n ∈ N∗ = {1, 2, 3, . . .} definimos: • xn = x · x · . . . · x (n vezes)

• x0 = 1 (x 6= 0, pois 00 ao est´a definido)

• x−n= 1

xn (x 6= 0, por causa do denominador)

Defini¸c˜ao 3.2 (Ra´ızes). Para x ∈ R e n ∈ N∗ definimos:

• se x ≥ 0, ent˜ao √nx = y, onde y ´e o ´unico real positivo tal que yn= x.

• se x < 0 e n for ´ımpar, ent˜ao √nx = y, onde y ´e o ´unico real negativo tal que yn = x.

• se x < 0 e n for par, ent˜ao √nx n˜ao existe (nos n´umeros reais).

Defini¸c˜ao 3.3 (Potˆencia racional). Para x ∈ R+ = {reais positivos}, n ∈ Ne m ∈ Z definimos:

• xmn = n

√ xm

(6)

Observa¸c˜oes:

i. na defini¸c˜ao das ra´ızes, a propriedade de completude dos reais ´e necess´aria para garantir a existˆencia de um y tal que yn= x.

ii. a defini¸c˜ao de potˆencia racional ´e restrita a x positivo para evitar que ambiguidades levem a erros do tipo −2 = (−8)13 = (−8)

2

6 =p(−8)6 2 = 2.

iii. tamb´em ´e poss´ıvel definir potˆencias com expoente irracional (requer completude).

Proposi¸c˜ao 3.4. Para todos x ∈ R e n ∈ N valem: (a) (√nx)n ( = x se x ≥ 0 ou se n for ´ımpar @ se x < 0 e n for par (b) √n xn = ( |x| se n for par x se n for ´ımpar

Proposi¸c˜ao 3.5. Para todos x, y ∈ R+, n, m ∈ N, p ∈ Z e r, s ∈ R valem (a) √n xp = (√nx)p (b) √n x · √ny = √nxy (c) pn m√ x = nm√x (d) mn√ xmp = √n xp (e) (xy)r = xr· yr (f ) xr· xs= xr+s (g) x r xs = x r−s (h) xrs = xrs

Aten¸c˜ao! Cuidado com os seguintes erros comuns: √

4 6= ±2

(x + y)r 6= xr+ yr

(7)

4

Fun¸

oes

Uma fun¸c˜ao f : D → C entre dois conjuntos D e C ´e uma regra que associa a cada elemento x de D um ´unico elemento y de C, sendo que nesse caso escrevemos f (x) = y e dizemos que y ´e o valor de f em x. D ´e chamado de dom´ınio da fun¸c˜ao, e C ´e seu contradom´ınio.

Neste curso de C´alculo estaremos interessados principalmente em fun¸c˜oes reais de uma vari´avel real, o que significa que D e C s˜ao subconjuntos de R. Quando estes n˜ao forem especificados, entende-se que C = R e D ´e o conjunto de todos os pontos de R nos quais a regra de f fa¸ca sentido.

O gr´afico de f ´e o conjunto dos pontos (x, y) do plano cartesiano nos quais y = f (x). Nas pr´oximas se¸c˜oes ser˜ao apresentados v´arios exemplos de fun¸c˜oes e seus gr´aficos, e recomendamos que se dˆe uma r´apida olhada nelas antes de prosseguir a leitura. Para cada fun¸c˜ao, deve-se come¸car a dar aten¸c˜ao `as seguintes propriedades importantes. 1) Dom´ınio

Como foi dito, a menos que seja especificada alguma restri¸c˜ao extra, o dom´ınio ´e o conjunto de todos os valores de x para os quais f (x) existe. ´E importante conhecˆe-lo pois pontos fora do dom´ınio s˜ao um tipo de descontinuidade da fun¸c˜ao, tendo v´arias consequˆencias no C´alculo.

Se f (x) for dada por uma f´ormula, um certo x n˜ao ir´a pertencer ao dom´ınio se for imposs´ıvel calcul´a-la com esse valor. Problemas comuns s˜ao um denominador dar 0, o argumento de uma raiz par dar negativo, o de um logaritmo dar 0 ou negativo, etc. Para determinar o dom´ınio deve-se analisar tudo que pode dar errado na f´ormula, e achar todos os valores de x nos quais isso ocorre.

Ex: o dom´ınio de f (x) = √

x − 2

5 − x ´e D = {x ∈ R|x ≥ 2 e x 6= 5}.

Graficamente, um certo ponto x do eixo das abscissas n˜ao estar´a no dom´ınio se n˜ao houver nenhum ponto do gr´afico na reta vertical que passa por x. Assim, o dom´ınio corresponde `a proje¸c˜ao do gr´afico de f sobre o eixo x.

2) Imagem

A imagem de f ´e o conjunto de todos os valores y do contradom´ınio para os quais exista algum x do dom´ınio no qual f (x) = y.

Graficamente, um ponto y do eixo das ordenadas estar´a na imagem se a reta horizontal que passa por y interceptar o gr´afico. Assim, a imagem corresponde `a proje¸c˜ao do gr´afico de f sobre o eixo y.

Nem sempre ´e f´acil achar a imagem por meio da f´ormula, pois ´e preciso determinar todos os valores de y para os quais a equa¸c˜ao f (x) = y tenha alguma solu¸c˜ao x. Por outro lado, se a imagem for conhecida isso permite saber quando uma equa¸c˜ao da forma f (x) = c ter´a solu¸c˜ao.

Ex: a imagem de f (x) = x2 ´e I = {y ∈ R|y ≥ 0}, o que significa que uma equa¸c˜ao do

tipo x2 = c ter´a solu¸c˜ao se e somente se c ≥ 0.

(8)

Uma fun¸c˜ao f ´e sobrejetiva7 se sua imagem for todo o contradom´ınio. Nesse caso uma equa¸c˜ao da forma f (x) = c sempre ter´a solu¸c˜ao (para todo c no contradom´ınio). Ex: f (x) = tan x ´e sobrejetiva, e tan x = c tem solu¸c˜ao para todo c ∈ R.

Ex: f (x) = x2 ao ´e sobrejetiva, pois x2 = −4 n˜ao tem solu¸c˜ao (real).

A fun¸c˜ao f ´e injetiva8 se ao ser calculada em pontos distintos der sempre resultados

diferentes,

x1 6= x2 ⇒ f (x1) 6= f (x2),

ou, equivalentemente, se a ´unica maneira de dar valores iguais ´e se os pontos forem os mesmos,

f (x1) = f (x2) ⇒ x1 = x2.

Graficamente, isso significa que nenhuma reta horizontal intercepta o gr´afico em mais de 1 ponto. Em termos de equa¸c˜oes, significa que sempre que f estiver aplicada em ambos os lados de uma equa¸c˜ao ela pode ser eliminada. Tamb´em significa que sempre que uma equa¸c˜ao do tipo f (x) = c tiver solu¸c˜ao esta ser´a ´unica.

Ex: f (x) = 2x ´e injetiva, logo nenhuma equa¸c˜ao da forma 2x = c ter´a mais que uma

solu¸c˜ao (pode n˜ao ter nenhuma). Al´em disso, uma equa¸c˜ao como 2x−1 = 28−2x pode

ser simplificada para x − 1 = 8 − 2x.

Ex: f (x) = sen x n˜ao ´e injetiva, pois sen x = 0 tem v´arias solu¸c˜oes, e a equa¸c˜ao sen(3x) = sen(x + π) n˜ao garante que 3x = x + π.

E uma fun¸c˜ao f ´e bijetiva9 se for injetiva e sobrejetiva. Graficamente isso significa

que toda reta horizontal intercepta o gr´afico em exatamente 1 ponto. E toda equa¸c˜ao f (x) = c ter´a exatamente uma solu¸c˜ao.

Ex: f (x) = log2x ´e bijetiva, logo qualquer equa¸c˜ao log2x = c ter´a uma solu¸c˜ao ´unica. 4) Fun¸c˜ao Inversa

Dizemos que f : A → B e g : B → A s˜ao fun¸c˜oes inversas se

f (x) = y ⇔ x = g(y), (4)

ou, equivalentemente, se para todos x ∈ A e y ∈ B valer

g(f (x)) = x e f (g(y)) = y. (5)

A fun¸c˜ao inversa de f ´e representada como f−1, n˜ao devendo ser confundida com 1 f. Ex: f (x) = x3 e f−1(x) =√3x s˜ao inversas pois x3 = y ⇔ x = √3 y, ou tamb´em porque

3

x3 = x e (√3 x)3 = x.

A condi¸c˜ao (4) significa que (x, y) ´e um ponto do gr´afico de f se e somente se (y, x) for do gr´afico de f−1, de modo que o gr´afico de f−1 ´e o reflexo do de f pela diagonal y = x. Compare por exemplo os gr´aficos de x3 e √3 x na se¸c˜ao 4.1, e tente identificar

graficamente outros pares de inversas.

7ou sobrejetora, ou uma sobreje¸c˜ao. 8ou injetora, ou uma inje¸ao. 9ou bijetora, ou uma bije¸ao

(9)

A condi¸c˜ao (5) indica que se f e f−1 forem aplicadas uma na outra elas se cancelam, deixando o argumento. Isso ´e ´util na resolu¸c˜ao de equa¸c˜oes, pois se f estiver aplicada em um dos lados de uma equa¸c˜ao (ou em ambos), ´e poss´ıvel elimin´a-la aplicando f−1 em ambos os lados.

Ex: (x + 2)3 = (6 − x)3 p(x + 2)3 3 =p(6 − x)3 3 ⇒ x + 2 = 6 − x.

Ex: √3

x − 1 = 2 ⇒ (√3

x − 1)3 = 23 ⇒ x − 1 = 23.

Infelizmente nem toda fun¸c˜ao tem inversa. Ela precisa ser bijetiva, pois a condi¸c˜ao (4) mostra que, dado y ∈ B, para definir f−1(y) ´e preciso que haja algum x ∈ A tal que f (x) = y (ou seja, f deve ser sobrejetiva), e esse x deve ser ´unico (ou seja, f deve ser injetiva) para que se possa definir f−1(y) = x sem ambiguidade.

Se f n˜ao for sobrejetiva, isso ´e facilmente remediado reduzindo o contradom´ınio `a sua imagem. Nesse caso a inversa ter´a seu dom´ınio igualmente reduzido.

Ex: a imagem de f (x) = 2x ´e R+, que ser´a o dom´ınio de sua inversa f−1(x) = log 2x.

Se f n˜ao for injetiva ainda ´e poss´ıvel obter uma inversa parcial, correspondente `a restri¸c˜ao de f a algum subconjunto A0 do seu dom´ınio no qual ela seja injetiva. Nesse caso ´e preciso certo cuidado, pois f−1(f (x)) = x somente para x ∈ A0.

Ex: f (x) = x2 n˜ao tem inversa pois n˜ao ´e injetiva. Mas restrita a {x ≥ 0} ela fica injetiva, e a inversa de x2 (x ≥ 0) ´e f−1(x) =x. Emborax2 = x para todo x ≥ 0,

o mesmo n˜ao vale para x < 0, pois p(−3)2 =9 = +3.

Listamos alguns pares de inversas importantes, que veremos adiante: • n ´ımpar: xn e √nx • n par: xn (x ≥ 0) e √nx • bx e log bx • exp x e ln x • sen x (−π 2 ≤ x ≤ π 2) e sen −1 x • cos x (0 ≤ x ≤ π) e cos−1x 5) Simetria

Dizemos que f tem

(i) simetria par se f (−x) = f (x), ou seja, se um sinal negativo dentro dela puder ser eliminado;

(ii) simetria ´ımpar se f (−x) = −f (x), ou seja, se um sinal negativo dentro dela puder ser passado para fora.

Ex: f (x) = x2 tem simetria par pois (−x)2 = x2.

Ex: f (x) = x3 tem simetria par pois (−x)3 = −x3.

Ex: f (x) = 2x n˜ao tem simetria nenhuma, pois 2−x n˜ao ´e igual a 2x nem a −2x. Como os pontos x e −x s˜ao sim´etricos em rela¸c˜ao ao eixo y, o gr´afico de uma fun¸c˜ao par ser´a sim´etrico em rela¸c˜ao a esse eixo.

J´a o gr´afico de uma fun¸c˜ao ´ımpar ´e sim´etrico em rela¸c˜ao `a origem, o que quer dizer que refletindo qualquer um de seus pontos pelo eixo y e depois pelo eixo x obtemos outro ponto do gr´afico.

(10)

Tente identificar nos gr´aficos das pr´oximas se¸c˜oes quais fun¸c˜oes s˜ao pares ou ´ımpares, e expresse isso em termos do que acontece com sinais colocados em seus argumentos. 6) Periodicidade

Dizemos que f ´e peri´odica se existir algum T ∈ R tal que f (x + T ) = f (x) para todo x em seu dom´ınio. Claro que se essa rela¸c˜ao vale para T ent˜ao tamb´em ir´a valer para seus m´ultiplos. O menor T > 0 para o qual isso vale ´e chamado de per´ıodo de f . Ex: sen x tem per´ıdo 2π, pois sen(x + k · 2π) = sen x para todos x ∈ R, k ∈ Z. O gr´afico de uma fun¸c˜ao peri´odica se repete a cada intervalo de comprimento T . 7) Crescimento

Dizemos que uma fun¸c˜ao f ´e:

(i) crescente se x > y ⇒ f (x) ≥ f (y) (ii) decrescente se x > y ⇒ f (x) ≤ f (y)

(iii) estritamente crescente se x > y ⇒ f (x) > f (y) (iv) estritamente decrescente se x > y ⇒ f (x) < f (y)

O gr´afico de uma fun¸c˜ao crescente sobe (ou fica constante) `a medida que x aumenta (ou seja, da esquerda pra direita), e o de uma fun¸c˜ao decrescente desce (ou fica cons-tante). Se for estritamente crescente ou decrescente ele s´o sobe ou s´o desce (sem ficar constante).

Ex: f (x) = x3 ´e estritamente crescente, pois x > y ⇒ x3 > y3. Ex: f (x) = −x ´e estritamente decrescente, pois x > y ⇒ −x < −y.

Conhecer o tipo de crescimento de uma fun¸c˜ao ´e ´util na resolu¸c˜ao de inequa¸c˜oes. A aplica¸c˜ao de uma fun¸c˜ao estritamente crescente em ambos os lados de uma inequa¸c˜ao preserva a desigualdade, enquanto uma estritamente decrescente inverte a desigual-dade. Se for s´o crescente, um > pode se tornar ≥ por exemplo.

Ex: √3

x − 1 < 2 ⇒ x − 1 < 23 Ex: −x − 2 < 5 ⇒ x + 2 > −5

Muitas fun¸c˜oes s˜ao crescentes em alguns intervalos e decrescentes em outros. Nesse caso a regra acima s´o se aplica se os valores de ambos os lados da inequa¸c˜ao estiverem em um mesmo intervalo de crescimento ou decrescimento.

Ex: f (x) = x2´e estritamente decrescente no intervalo (−∞, 0], e estritamente crescente em [0, ∞). Logo x < −3 ⇒ x2 > 9 (pois x e −3 est˜ao ambos no intervalo (−∞, 0]), mas de x > −3 n˜ao se pode concluir nada sobre x2 (pois neste caso x pode estar em

qualquer um dos intervalos). Ex: f (x) = 1

x ´e estritamente decrescente no intervalo (−∞, 0), e novamente no

inter-valo (0, ∞). Logo para resolver a inequa¸c˜ao x−11 > 12 temos que analisar dois casos: • se x > 1 ent˜ao os dois lados est˜ao em (0, ∞), e aplicando 1x em ambos a

desigual-dade se inverte, dando x − 1 < 2. Logo neste caso a solu¸c˜ao ´e 1 < x < 3;

• se x < 1 cada lado estar´a em um intervalo diferente, e seria errado aplicar a fun¸c˜ao pois n˜ao saber´ıamos o que acontece com a desigualdade. Mas como o lado esquerdo ser´a negativo, n˜ao tem como ser maior que 12, ou seja, n˜ao h´a solu¸c˜ao.

(11)

4.1

Gr´

aficos de Algumas Fun¸

oes Importantes

1) Fun¸c˜oes Constantes: f (x) = c (c ∈ R) 2) Fun¸c˜ao Identidade: f (x) = x

3) Fun¸c˜ao M´odulo: f (x) = |x|

4) Fun¸c˜oes do 1o grau: f (x) = ax + b (a, b ∈ R, a 6= 0) T

5) Fun¸c˜oes do 2o grau: f (x) = ax2+ bx + c (a, b, c ∈ R, a 6= 0)

6) Polinˆomios: f (x) = anxn+ . . . + a2x2+ a1x + a0 (n ∈ N, a0, a1, . . . , an ∈ R)

(12)
(13)

4.2

Opera¸

oes com Gr´

aficos

Conhecendo o gr´afico de uma fun¸c˜ao f (x), pode-se deduzir o de outra parecida por meio das seguintes opera¸c˜oes. Dada uma constante c, para obter o gr´afico de

(i) g(x) = f (x) + c basta deslocar o gr´afico de f em |c| unidades para cima (se c > 0) ou para baixo (se c < 0).

(ii) g(x) = f (x + c) basta deslocar o gr´afico de f em |c| unidades pra esquerda (se c > 0) ou pra direita (se c < 0).

(iii) g(x) = c · f (x) basta ampliar (se c > 1) ou contrair (se 0 < c < 1) o gr´afico de f por um fator c na vertical, a partir do eixo x.

(iv) g(x) = f (c · x) basta contrair (se c > 1) ou ampliar (se 0 < c < 1) o gr´afico de f por um fator c na horizontal, a partir do eixo y.

(v) g(x) = −f (x) basta refletir o gr´afico de f em rela¸c˜ao ao eixo x. (vi) g(x) = f (−x) basta refletir o gr´afico de f em rela¸c˜ao ao eixo y.

Tente entender o porquˆe dessas opera¸c˜oes, em especial porque quando c ´e somado ou multiplicado `a v´ariavel x o efeito ´e o oposto do que se poderia imaginar.

(14)

5

Exponenciais

Defini¸c˜ao 5.1. Dado 0 < b < 1 ou b > 1, definimos a fun¸c˜ao exponencial de base b como sendo f : R → R,

f (x) = bx.

Obs: bases negativas n˜ao s˜ao usadas por darem problema com x racional, e as bases 0 ou 1 n˜ao interessam pois dariam fun¸c˜oes constantes. Note que se 0 < b < 1 a fun¸c˜ao pode ser reescrita em termos de outra base > 1 como no exemplo 12x = 2−x.

Essas fun¸c˜oes tˆem as propriedades usuais de potˆencias, e pode-se provar que: (a) seu dom´ınio ´e R e a imagem ´e R+.

(b) se b > 1 a fun¸c˜ao ´e crescente: x < y ⇒ bx < by. (c) se 0 < b < 1 ela ´e decrescente: x < y ⇒ bx > by.

(d) ´e injetiva: bx = by ⇒ x = y.

Uma base importante para o C´alculo ´e o n´umero neperiano e = 2, 71828... Nesse caso a fun¸c˜ao pode ser representada com a nota¸c˜ao

exp x = ex

e chamada simplesmente de fun¸c˜ao exponencial (sem precisar especificar a base). Reescrevendo as propriedades de potˆencias nessa nota¸c˜ao, obtemos:

Proposi¸c˜ao 5.2. Para todos x, y ∈ R valem: (a) exp 0 = 1

(b) exp x > 0

(c) exp(x + y) = exp x · exp y (d) exp(x − y) = exp xexp y

(15)

6

Logaritmos

Defini¸c˜ao 6.1. Dado 0 < b < 1 ou b > 1, para cada x > 0 h´a um ´unico10 y ∈ R tal que

by = x. Definimos o logaritmo de x na base b, log

bx, como sendo tal y. Ou seja,

logbx = y ⇔ by = x.

A partir dessa defini¸c˜ao e das propriedades das exponenciais, prova-se o seguinte. Proposi¸c˜ao 6.2. Dado 0 < b < 1 ou b > 1, as seguintes rela¸c˜oes valem para todos x, y ∈ R+, z ∈ R, e 0 < c < 1 ou c > 1:

(a) logb1 = 0 (b) logbb = 1 (c) logb(bz) = z (d) blogbx = x

(e) logb(xy) = logbx + logby

(f ) logb(xy) = logbx − logby (g) logb(xz) = z · log bx (h) logbx = logcx logcb (i) log1 b x = − logbx = logb( 1 x)

Essa ´ultima propriedade permite, se preciso, expressar o caso 0 < b < 1 em termos de outra base > 1, como no exemplo log1

2 x = − log2x.

Se a base for e = 2, 71828... temos o logaritmo natural, denotado por ln x = logex.

Reescrevendo as propriedades acima nessa nota¸c˜ao temos, para todos x, y ∈ R+, z ∈ R,

e 0 < c < 1 ou c > 1: (a) ln 1 = 0 (b) ln e = 1 (c) ln(exp z) = z (d) exp(ln x) = x (e) ln(xy) = ln x + ln y (f) ln(xy) = ln x − ln y (g) ln(xz) = z · ln x (h) ln x = logcx logce (i) logcx = ln xln e

Defini¸c˜ao 6.3. Dado 0 < b < 1 ou b > 1, definimos a fun¸c˜ao logaritmo de base b como sendo f : R+ → R,

f (x) = logbx. Essa fun¸c˜ao tem as seguintes propriedades: (a) o dom´ınio ´e R+ e a imagem ´e R.

(b) se b > 1 a fun¸c˜ao ´e crescente: x < y ⇒ logbx < logby. (c) se 0 < b < 1 ela ´e decrescente: x < y ⇒ logbx > logby. (d) injetiva: logbx = logby ⇒ x = y.

10a existˆencia e unicidade de tal y ´e consequˆencia da imagem e injetividade das exponenciais, por isso

(16)

(e) logbx ´e a fun¸c˜ao inversa de bx.

Note que ln x ´e fun¸c˜ao inversa de exp x, ou seja, ln x = y ⇔ x = exp y.

Compare o gr´afico das fun¸coes logar´ıtmicas com o das exponenciais:

Aten¸c˜ao: em diferentes situa¸c˜oes, log x (sem base) costuma ser usado para representar log10x, log2x ou ln x. No gr´afico acima, ele representa este ´ultimo.

(17)

7

Trigonometria

7.1

Angulos

ˆ

A medida de ˆangulos em graus, embora simples, ´e matematicamente bem artificial. A id´eia de dividir uma volta completa de um c´ırculo em 360 partes iguais e chamar cada uma de 1 grau vem desde a antiga Babilˆonia, mas qualquer outro n´umero de divis˜oes poderia ter sido escolhido11.

No C´alculo ´e importante usar outra unidade de medida, o radiano (rad), que reflete melhor a geometria do c´ırculo. V´arias f´ormulas do C´alculo s´o valem se os ˆangulos estiverem em radianos, precisando ser alteradas se forem usados graus.

Defini¸c˜ao 7.1. Seja x um ˆangulo central em um c´ırculo de raio r, e seja c o comprimento do arco subtendido por esse ˆangulo. A medida em radianos12 de x ´e definida como sendo:

x = c r

Defini¸c˜ao 7.2. O n´umero π ´e definido como sendo a raz˜ao13 entre o comprimento C de uma circunferˆencia e seu diˆametro:

π = C d =

C 2r

Combinando essas defini¸c˜oes, temos que a medida angular de uma volta completa no c´ırculo ´e de 2π radianos. E usando propor¸c˜oes obtemos a seguinte correspondˆencia:

ˆ angulo em graus x 0◦ 30◦ 45◦ 60◦ 90◦ 180◦ 270◦ 360◦ ˆ angulo em radianos x · π 180 0 π 6 π 4 π 3 π 2 π 3π 2 2π

Ser´a ´util ter ˆangulos correspondendo a qualquer valor real, n˜ao apenas entre 0 e 2π. Para isso convencionamos que ˆangulos maiores que 2π representam uma ou mais voltas completas no c´ırculo (ou seja, 25π4 = 3 · 2π +π4 equivale a 3 voltas completas mais π4 rad). E que ˆangulos positivos representam deslocamentos no sentido anti-hor´ario no c´ırculo, e ˆ

angulos negativos s˜ao deslocamentos no sentido hor´ario.

11acredita-se que 360 foi escolhido por ter v´arios divisores, algo pr´atico em uma ´epoca sem calculadoras,

e por ser pr´oximo do n´umero de dias do ano, o que era ´util na astronomia.

12na verdade, por ser uma raz˜ao entre dois comprimentos, a medida de x ´e adimensional, e a unidade

rad s´o ´e necess´aria para indicar que est˜ao sendo usado radianos e n˜ao graus.

13o no s´ec. XVIII se provou que π ´e irracional, encerrando mais de 2000 anos de busca por uma fra¸ao

(18)

7.2

Fun¸

oes trigonom´

etricas

Vamos definir as fun¸c˜oes trigonom´etricas por meio do ciclo trigonom´etrico:

Defini¸c˜ao 7.3. No c´ırculo de raio 1 centrado na origem, seja P o ponto correspondente ao deslocamento por um ˆangulo x a partir do ponto (1, 0). Definimos para o ˆangulo x:

• seno: sen x = ordenada do ponto P • cosseno: cos x = abscissa do ponto P • tangente: tan x = sen x

cos x • cotangente: cot x = 1 tan x = cos x sen x • secante: sec x = 1 cos x • cossecante: csc x = 1 sen x

Obs: claro que s´o est˜ao definidas para ˆangulos em que o denominador n˜ao se anule. Por semelhan¸ca de triˆangulos, tan x corresponde ao valor em que a reta OP intercepta um eixo auxiliar (azul na figura), paralelo ao das ordenadas pelo ponto (1, 0). Tente obter interpreta¸c˜oes geom´etricas para as outras fun¸c˜oes tamb´em.

Tamb´em por semelhan¸ca, pode-se ver que em qualquer triˆangulo retˆangulo valem as seguintes rela¸c˜oes:

sen x = c.o. h. cos x = c.a. h. tan x = c.o. c.a.

(19)

Seguem os gr´aficos das fun¸c˜oes trigonom´etricas. Tente entender as propriedades exi-bidas neles (dom´ınio, imagem, crescimento, periodicidade, simetria, etc.) em termos do ciclo trigonom´etrico e das defini¸c˜oes acima.

(20)

Os valores dessas fun¸c˜oes para x = 0,π2, π, 3π2 e 2π podem ser vistos diretamente no ciclo trigonom´etrico. Com um pouco de geometria14, pode-se obter ainda os valores para

os seguintes ˆangulos importantes:

sen x cos x tan x π 6 1 2 √ 3 2 √ 3 3 π 4 √ 2 2 √ 2 2 1 π 3 √ 3 2 1 2 √ 3

Tamb´em atrav´es de geometria se demonstram as seguintes identidades. Proposi¸c˜ao 7.4. Para todos x, y ∈ R valem as seguintes rela¸c˜oes:

(a) sen2x + cos2x = 1 (Identidade Trigonom´etrica Fundamental)

(b) sen(x ± y) = sen x cos y ± sen y cos x (c) cos(x ± y) = cos x cos y ∓ sen x sen y

E a partir dessas ´e poss´ıvel obter dezenas de outras identidades ´uteis, como as seguin-tes, cuja demonstra¸c˜ao ´e deixada como exerc´ıcio.

Proposi¸c˜ao 7.5. Para todos x, y ∈ R valem as seguintes rela¸c˜oes: (a) 1 + tan2x = sec2x

(b) sen(π

2 − x) = cos x

(c) cos(π − x) = − cos x (d) sen 2x = 2 sen x cos x (e) cos 2x = cos2x − sen2x

(f ) sen2x = 1 − cos 2x 2 (g) cos2x = 1 + cos 2x 2 (h) senx 2 = ± r 1 − cos x 2 (i) cosx 2 = ± r 1 + cos x 2

(j) sen x cos y = sen(x − y) + sen(x + y) 2

(k) cos x cos y = cos(x − y) + cos(x + y) 2

(l) sen x sen y = cos(x − y) − cos(x + y) 2

Obs: a primeira obviamente s´o vale para ˆangulos em que tan x e sec x existam.

14para π 6 e

π

3 basta usar metade de um triˆangulo equil´atero, e para π

(21)

8

Fun¸

oes Trigonom´

etricas Inversas

Como as fun¸c˜oes trigonom´etricas n˜ao s˜ao injetivas elas n˜ao tˆem inversas. Mas isso pode ser remediado restringindo-as a intervalos apropriados.

Defini¸c˜ao 8.1. Definimos as fun¸c˜oes trigonom´etricas inversas por: • sen−1x = y x = sen y e −π 2 ≤ y ≤ π 2 • cos−1x = y x = cos y e 0 ≤ y ≤ π • tan−1x = y x = tan y e −π 2 < y < π 2 • cot−1x = y x = cot y e 0 < y < π • sec−1x = y x = sec y e 0 ≤ y ≤ π • csc−1x = y x = csc y e −π 2 ≤ y ≤ π 2

Obs: elas tamb´em s˜ao chamadas de arco-seno (arcsen x), arco-cosseno (arccos x), etc. Aten¸c˜ao: n˜ao confunda sen−1x, a fun¸c˜ao inversa do seno, com (sen x)−1 = 1

sen x. Os gr´aficos dessas fun¸c˜oes s˜ao os seguintes, compare-os com os das trigonom´etricas correspondentes.

(22)

A partir das identidades trigonom´etricas ´e poss´ıvel obter v´arias rela¸c˜oes para essas inversas, como por exemplo:

(a) cos−1x = π2 − sen−1x

(b) sen−1(−x) = − sen−1x (c) cos−1(−x) = π − cos−1x (d) sen(sen−1x) = x

(e) sen−1(sen x) = x se −π2 ≤ x ≤ π 2

(f) cos(cos−1x) = x

(g) cos−1(cos x) = x se 0 ≤ x ≤ π (h) cos(sen−1x) =√1 − x2

(23)

9

Fun¸

oes Hiperb´

olicas

Do mesmo modo que as fun¸c˜oes trigonom´etricas est˜ao ligadas `a geometria do c´ırculo, h´a um grupo de fun¸c˜oes relacionadas `a geometria da hip´erbole.

Ao inv´es de ser um ˆangulo, aqui x ´e o dobro da ´area delimitada pelo segmento OP , a hip´erbole e o eixo das abscissas, com sinal negatico caso P esteja abaixo do eixo. Com as ferramentas do C´alculo ser´a poss´ıvel calcular essa ´area curva, mas enquanto isso adotamos outra defini¸c˜ao equivalente.

Defini¸c˜ao 9.1. As fun¸c˜oes hiperb´olicas s˜ao definidas por: • Seno hiperb´olico: senh x = e

x− e−x

2 • Cosseno hiperb´olico: cosh x = e

x+ e−x

2 • Tangente hiperb´olica: tanh x = senh x

cosh x =

ex− e−x

ex+ e−x

• Cotangente hiperb´olica: coth x = cosh x senh x =

ex+ e−x ex− e−x

• Secante hiperb´olica: sech x = 1 cosh x • Cossecante hiperb´olica: csch x = 1

senh x

Ao contr´ario das trigonom´etricas, essas fun¸c˜oes n˜ao s˜ao peri´odicas. Ainda assim elas tˆem v´arias propriedades semelhantes, como por exemplo:

(a) cosh2x − senh2x = 1 (b) 1 − tanh2x = sech2x (c) senh(−x) = − senh x (d) cosh(−x) = cosh x

(e) senh(x ± y) = senh x cosh y ± senh y cosh x (f) cosh(x ± y) = cosh x cosh y ± senh x senh y (g) senh 2x = 2 senh x cosh x

(24)

N˜ao ´e coincidˆencia que essas combina¸c˜oes de exponenciais tenham propriedades t˜ao parecidas com as trigonom´etricas: com os n´umeros complexos descobre-se que ex est´a

relacionada com sen x e cos x.

(25)

Introdu¸

ao ao C´

alculo - Parte 1

Andr´

e Mandolesi

Curso de Ver˜

ao UFBA - Janeiro de 2013

Exerc´ıcios

1) Demonstre as rela¸c˜oes da Proposi¸c˜ao 1.1 (embora elas pare¸cam ´obvias, tente provar usando apenas as propriedades fundamentais dos n´umeros reais ou as j´a demonstradas.) 2) Prove as rela¸c˜oes da Proposi¸c˜ao 1.2. Obs: a maioria delas continua v´alida se > e < forem trocados por ≥ e ≤. Verifique onde isso n˜ao ocorre, e porque a demonstra¸c˜ao falha nesse caso.

3) Usando as defini¸c˜oes de ra´ızes e de potˆencia racional, e propriedades j´a conhecidas de potˆencias com expoente inteiro, demonstre as seguintes propriedades para todos x, y ∈ R+, m, n ∈ N∗ e p, q ∈ Z: (a) √n xp = (√nx)p (b) √n x · √ny = √nxy (c) pn m√x = nm√x (d) mn√ xmp= √n xp (e) (xy)mp = x p m · y p m (f) xmp · x q n = x p m+ q n (g) x p m xnq = xmp− q n (h) xmp q n = xmnq

4) Estude o sinal de: (a) x + 5 (b) 9 − x2 (c) x2+ x − 2 (d) (3 − x) · (x2+ x) (e) 2x2− x4 (f) x 2− 4 x + 1 (g) x 2− 2x + 1 x − x2− 1 (h) 3x −6x 2+ 5 2x + 1 (i) x3·√x + 2 (j) x 5+ x √ 1 − x2

5) Resolva as inequa¸c˜oes: (a) 3x + 5 > x + 6 (b) x2− 2 ≤ x + 4 (c) x3 > 3x (d) x − 1 < x2− x (e) 1 −x1 < x − 1 (f) 3x + 1 x2− 1 ≥ −1

6) Prove as rela¸c˜oes da Proposi¸c˜ao 2.2 (usando a defini¸c˜ao formal de m´odulo). 7) Resolva:

(26)

(a) |2x − 3| = 5 (b) |x − 4| = −2 (c) |x| = 2x + 1 (d) |x| = |2x + 1| (e) |x + 1| + |x − 3| = 4 (f) (x − 1)2 = x2 (g) |x| < 5 (h) |3x − 1| ≥ 2 8) Demonstre as rela¸c˜oes da Proposi¸c˜ao 6.2.

9) Calcule: (a) 843 (b) (√3)5 (c) √3 58 (d) cos(2π3 ) (e) sen(−5π4 ) (f) tan(7π6 ) (g) sec(7π) (h) log224 − log23 (i) 34 log32 (j) log1 5 25 (k) log4√2 (l) 6 8+log62 29· 36

10) Para cada tipo de fun¸c˜ao apresentada na apostila, estime com base no gr´afico o que ´e pedido abaixo, e tente justificar sua resposta com o que vocˆe conhece sobre essas fun¸c˜oes:

(a) Dom´ınio e imagem.

(b) Se ´e sobrejetiva, injetiva, bijetiva. (c) Simetria, se houver.

(d) Per´ıodo, se houver.

(e) Intervalos de crescimento e decrescimento.

11) Esboce o gr´afico das fun¸c˜oes abaixo, com o m´aximo de detalhes que puder: (a) f (x) = 1 x − 2− 1 (b) g(x) = 1 +√x + 2 (c) f (x) = −3 cos x (d) h(x) = 1 + sen 4x (e) p(x) = 1 − 3−x (f) f (x) = log2−x 2 

12) Determine o dom´ınio das fun¸c˜oes abaixo: (a) f (x) = x 2− x x (b) g(x) =√x2− 4x + 3 (c) h(x) = 3 √ x − 5 √ 8 + x (d) f (x) = √ 4 − x2 √ x2− 3x (e) f (x) = r 4 − x2 x2− 3x (f) g(x) = 4 p2 − |x − 3| x2− 4 (g) f (x) = cos(x − π) − tanx 2 (h) u(x) = sen −1x 1 − cos x (i) q(x) = log2(3 − x 2) x2+ 4 (j) f (x) = 5 x−1 log3(2x − 7)

(27)

13) Resolva as equa¸c˜oes (use fun¸c˜oes inversas): (a) (x − 1)3 = 27 (b) (3x + 2)4 = 16 (c) (√x + 2)2 = p(1 − x)3 3 (d) p(2x − 5)4 4 = 3 (e) sen−1x = −π4 (f) cos x = 1 2

(g) x + tan(tan−1x) = 2log29− log

7(7x) (h) sen−1(sen x) = π5 (i) log8(x2− 4 + 8x) = x (j) log3x 5 4  + log34 = 10 (k) 4e3−2 ln x = e3

14) Resolva as inequa¸c˜oes (considere o crescimento das fun¸c˜oes): (a) (x + 2)7 ≥ −1 (b) (2x − 3)8 > 1 (c) √3 x2− 1 ≤ 2 (d) √x + 1 < 3 (e) 1 x2− 9 < 1 7 (f) 1 (3 − x)2 ≥ 1 4 (g) sen x < 12 (0 ≤ x ≤ 2π) (h) cos x ≤ cosπ6 (0 ≤ x ≤ 2π)

(i) cot x > cotπ

4 (0 < x < π)

(j) 23x−2 > 1

(k) log3(x + 2) ≤ log37 15) Demonstre as identidades trigonom´etricas da Proposi¸c˜ao 7.5.

(28)

Respostas

1) Se n˜ao conseguir, dˆe uma olhada no livro do Guidorizzi ou outros. 2) Idem. 3) Idem. 4) (a) 0 se x = −5 + se x > −5 − se x < −5 (b) 0 se x = ±3 + em (−3, 3) − se x < −3 ou x > 3 (c) 0 se x = −2 ou 1 + se x < −2 ou x > 1 − em (−2, 1) (d) 0 se x = −1, 0 ou 3 + em (−∞, −1) e (0, 3) − em (−1, 0) e (3, ∞) (e) 0 se x = 0 ou ±√2 + em (−√2, 0) e (0,√2) − em (−∞, −√2) e (√2, ∞) (f) 0 se x = ±2 @ se x = −1 + em (−2, −1) e (2, ∞) − em (−∞, −2) e (−1, 2) (g) 0 se x = 1 − se x 6= 1 (h) 0 se x = 53 @ se x = −12 + se x < −12 ou x > 53 − se −1 2 < x < 5 3 (i) 0 se x = −2 ou 0 @ se x < −2 + se −2 ≤ x < 0 − se x > 0 (j) 0 se x = 0 @ se x ≤ −1 ou x ≥ 1 + se 0 < x < 1 − se −1 < x < 0 5) (a) x > 12 (b) −2 ≤ x ≤ 3 (c) −√3 < x < 0 ou x >√3 (d) x 6= 1 (e) x > 0 e x 6= 1 (f) x ≤ −3 ou −1 < x ≤ 0 ou x > 1 6) Use a defini¸c˜ao de m´odulo e as rela¸c˜oes j´a provadas. Se n˜ao conseguir, olhe o livro do

Guidorizzi ou outros. 7) (a) x = −1 ou x = 4 (b) @ (c) x = −13 (d) x = −1 ou x = −13 (e) −1 ≤ x ≤ 3 (f) x = 1 2 (g) −5 < x < 5 (h) x ≤ −13 ou x ≥ 1

8) Use a defini¸c˜ao de logaritmo e as propriedades de potˆencias. Pode ser ´util tamb´em chamar r = logbx e s = logby.

9) (a) 16 (b) 9√3 (c) 25√25 (d) −1 2 (e) √ 2 2 (f) √ 3 3 (g) −1 (h) 3 (i) 16 (j) −2 (k) 14 (l) 9

(29)

10) Pesquise nos livros de C´alculo. 11) (a) (b) (c) (d) (e) (f) 12) (a) {x ∈ R|x 6= 0} (b) {x ∈ R|x ≤ 1 ou x ≥ 3} (c) {x ∈ R|x > −8} (d) {x ∈ R| − 2 ≤ x < 0} (e) {x ∈ R| − 2 ≤ x < 0 ou 2 ≤ x < 3} (f) {x ∈ R| 1 ≤ x ≤ 5 e x 6= 2} (g) {x ∈ R|x 6= nπ, n ∈ Z} (h) {x ∈ R| − 1 < x < 1 e x 6= 0} (i) {x ∈ R| −√3 < x <√3} (j) {x ∈ R|x > 72 e x 6= 4} 13) (a) x = 4 (b) x = −43 ou x = 0 (c) x = −12 (d) x = 1 ou x = 4 (e) x = − √ 2 2 (f) x = ±π3 + 2πn (n ∈ Z) (g) x = 3 (h) x = π5+ 2πn ou x = 4π5 + 2πn (n ∈ Z) (i) x = ±2 (j) x = 9 (k) x = ±2 14) (a) x ≥ −3 (b) x < 1 ou x > 2 (c) −3 ≤ x ≤ 3 (d) −1 ≤ x < 8 (e) x < −4 ou −3 < x < 3 ou x > 4 (f) 1 ≤ x ≤ 5 e x 6= 3

(30)

(g) 0 ≤ x < π6 ou 5π6 < x ≤ 2π (h) π6 ≤ x ≤ 11π 6 (i) 0 < x < π4 (j) x > 23 (k) −2 < x ≤ 5

15) Tente usar as identidades j´a demonstradas. Se n˜ao conseguir, pesquise nos livros de trigonometria ou C´alculo.

16) Substitua as fun¸c˜oes hiperb´olicas pelas express˜oes que as definem em termos da expo-nencial, e use as propriedades desta.

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